Planejando a Utilização das Aplicações Wireless na Indústria de Papel e
Celulose
Autores:
James Aliperti – Honeywell Process Solutions – Barueri – SP – Brasil
Daniel Figueiredo – Honeywell Process Solution – Barueri – SP - Brasil
Resumo
Qualquer nova tecnologia passa por um periodo de sedimentação, durante o qual os princípios da
nova tecnologia, bem como seus limites e contornos, ficam um tanto nebulosos para o mercado. A
tecnologia “Wireless” (sem fio) passa por este momento, agora. Em primeiro lugar, o que é tecnologia
wireless? O que que abrange e que que não abrange? Como é que funciona? Quais são as padrões
que regem esta tecnologia? Quais são as considerações técnicas quando se implementa esta
tecnologia? Neste trabalho, exploraremos alguns destes aspectos, em particular no que tange a
“redes de sensores de campo sem fio”, citando aplicações típicas para a indústria de papel e celulose.
Palavras-Chave
Tecnologia Wireless, SP100, WiFi, frequency hopping, CSMA/CD
Abstract
Any new technology passes through a settling period, where its principles, as well as its limits and
boundaries, are not very clear to the market. Wireless technology is currently in this moment. First of
all, what is wireless technology? What is covered and what is not covered by this technology? How
does it work? What are the driving standards of this technology? What are the technical requests for
its implementation? This paper will exploit these aspects, particularly regarding “wireless field sensors
network”, showing some typical applications for the pulp & paper industry.
Key-words
Wireless technology, SP100, WiFi, frequency hopping, CSMA/CD
1) O Que é a Tecnologia Wireless?
Um dos problemas em entender a tecnologia wireless é que a mesma quer dizer diferentes coisas
para diferentes pessoas. Em geral, hoje em dia, as redes wireless em ambientes industriais – do tipo
que a ISA está considerando com o seu padrão SP100 - deveriam dar suporte para diversas
aplicações tais como:
Operador Móvel – a possibilidade de dar suporte a um operador de campo munido de um
“palmtop” que está comunicando de volta para um sistema central, normalmente através de
WiFi
Rede de Sensores – transmissores de campo – tipo pressão e temperatura – que estão
instalados no campo e comunicam de volta para um sistema central, atualmente através de
esquemas proprietários
Monitores de Equipamentos – do tipo monitor de compressor através da análise de vibração
– que podem tanto comunicar via WiFi quanto através da mesma rede proprietária dos
sensores.
Em geral, temos dispositivos de campo que se comunicam de volta com um sistema central –
digamos, um SDCD. O sistema central recebe as informações dos dispositivos de campo através de
um espécie de portal (gateway). Como as distâncias que tem que ser percorridas (entre o campo e o
sistema central) são por vezes grandes, deve haver uma “malha” de cobertura sem fio através da qual
os sinais de campo transitam de volta para o sistema central. Normalmente, nos referimos a isto
como sendo o “backbone” – espinha dorsal do sistema wireless. E este backbone, diferentemente dos
sensores que não tem fio nehum, pode ter diferentes graus de fiação, variando de conexões para
alimentação (ou não) ou também de meios físicos de comunicação (fibra óptica, cabo coaxial ou
mesmo sem fio, i.e. através de rádio-frequência) ou um mix de ambos. Configura-se então uma
situação distinta entre a malha de sensores de campo, a malha (backbone) e os dispositivos que a
compõe.
Arquitetura de “Mesh Backbone”- Nuvem de Comunicações
Self Healing, Self Routing, Self Configurating
Entre os diversos sistemas disponíveis no mercado, existem diferentes filososfias de como o sinal dos
sensores deve caminhar de volta para o sistema central. Independente das diferenças filosóficas,
todos os sistemas são sujeitos aos mesmos problemas de contorno para definir sua eficácia, seja no
tempo de resposta que consiga atingir, seja no número de dispositvos que consiga comportar. Para
melhor entender a interação dos diversos fatores envolvidos, utilizarermos exemplos de como redes
wireless na faixa de frequência de 2.4 Ghz funcionam. Devemos notar que atualmente também
existem sistemas que funcionam na faixa de 900Mhz; e que a faixa de 5.4Ghz também pode ser
utilizada. No entanto, é na faixa de 2.4Ghz que a maioria dos sistemas são oferecidos, e é nesta faixa
que os padrões SP100 e Wireless Hart se concentram.
2) CSMA-CD
A faixa de 2.4Ghz é uma faixa que não se necessita uma licença para se operar. Esta faixa é
razoavelmente universal, com algumas diferenças entre países quanto a itens específicos – por
exemplo potência - mas que em geral é liberada da mesma forma, tanto pelo FCC, nos EUA como
pela Anatel, no Brasil. Esta faixa se extende de 2.4Ghz ate 2.483 Ghz, ou seja, tem 83Mhz de
“largura”.
Devido à liberação da faixa, muitos diferentes tipos de comunicação a utilizam. Por exemplo, é nesta
mesma faixa que funciona o WiFi que permite aos computadores funcionarem sem fio. Conforme for a
faixa, pode ser bastante congestionada.
Uma das formas de utilização desta faixa de 83Mhz é asua divisão em 16 diferentes “canais”, cada
um com uma largura de 4 Mhz. Os dispositivos podem se comunicar livremente em qualquer destes
canais. De fato, entre o transmissor e o receptor se estabelece uma sequência de alternação de
frequência (canais) de forma a tornar a rede mais resistente a interferencias e bloqueios (que
costumam se concentrar em frequências especificas e não ao longo do espectro inteiro) e também
mais seguro, pois somente o transmissor e o receptor sabem qual a sequência de alternância que
será usada (desta forma fica dificil para um “intruso” interromper, captar ou falsear as comunicações).
Está tecnica se chama “frequency hopping”.
Os dispositivos que querem se comunicar nesta faixa competem para o seu uso através de CSMA-
CD (Carrier Sense, Multiple Access, Collision Detection). O rádio de um dispositivo que opera nesta
faixa normalmente fica “na escuta”; se não há trafego, ele liga a portadora (carrier) de transmissão
avisando que vai transmitir informação. Como diversos rádios podem acessar a rede, dizemos que
temos “carrier sense” (a escuta e a deteção de portador) e “mutiple access” (diversos dispositivos
podendo acessar livremente). Se dois dispositivos tentam acessar ao mesmo tempo, haverá uma
“colisão”. Se isto acontecer, os dois dispositivos “descansam” por tempos randômicos, de forma que,
quando tentam outra vez a possibilidade de haver outra colisão é reduzida. É o chamado “collision
detection”.
Este tipo de procedimento determina o tempo de resposta e a quantidade de dispositivos que a rede
comporta. Digamos, por exemplo, que um dispositivo transmite constantemente numa só frequência.
O tempo de resposta seria extremamente bom – quase instantâneo - mas se todos os dispositivos
tivessem o mesmo comportamento, a rede comportaria somente 16 dispositivos – um em cada canal.
Sabemos, no entanto, que tanto para preservar a vida útil da bateria quanto para permitir que mais
dispositivos possam comunicar, os dispositivos transmitem suas informações por um curto espaço de
tempo e em tempos programados de acordo com a necessidade de atualização das informações. Em
geral, as redes comportam períodos de atualização de no mínimo 1 segundo e de no máximo alguns
minutos. Portanto, é necessário saber qual a utilidade final da informação sendo transmitida para se
determinar a sua periodicidade de atualização e a consequente carga que representará para a rede
de comunicação. Em geral, consegue-se dar suporte para mais dispositivos em tempos mais longos e
menos dispositivos em tempos mais curtos.
Não é possivel determinar a capacidade de uma rede deste tipo em termos absolutos. A sua
capacidade depende de uma análise totalmente estatística.
3) Airspace – Tempo, Frequência e Distância
Para se determinar a capacidade da rede, é necessário estabelecer, em primeiro lugar, alguns
parâmetros de desempenho. Que porcentagem das tentativas de transmissão devem ser bem
sucedidas na primeira vez? Quantas mensagens abortadas são permitidas? E assim por diante. Nos
estudos que são feitos sobre redes deste tipo, este desempenho costuma ser definido em como
sendo de 95% de transmissões bem sucedidas já na primeira tentativa.
Estatisticamente, chega-se a números bastante altos para a capacidade da rede – 30,000 dispositivos
a cada meio minuto ou mil a cada segundo, havendo uma relação razoavelmente linear entre o
número de dispositivos e a periodicidade de atualização.
Mas este número não pode ser levado em conta como sendo absoluto, pois assume que a faixa
inteira dos 83Mhz está disponível somente para a rede em questão. Porém, esta faixa poderá
comportar outros tipos de dispositivos – como, por exemplo, os tais “palm tops” dos operadores
móveis. Alem disso, a potência dos rádios utilizados podem alcançar distâncias razoáveis. É possivel
que uma rede de dispositivos sofra interferência de outra localizada dentro do alcance de um ou mais
rádios. Isto tanto pode ser de áreas distintas dentro da mesma planta ou mesmo de uma planta
vizinha. Pode-se chegar à conclusão que, quando há interferência de outras redes e de outros
dispositivos, a malha de sensores não comporte mais do que algumas centenas de instrumentos.
A conjunção dos fatores frequência de operação, geografia (localização em relação a outros sistemas
e os dispositivos que competem na mesma faixa) e tempo de atualização desejado definem os
contornos reais do sistema. Os americanos costumam referir a conjuntura destes fatores como “air
space”. Nota-se que estes fatores mudam de acordo com a planta e as aplicações, pois o número e o
tipo de dispositivos competindo pelo mesmo “air space” dificilmente é o mesmo em todos os casos.
4) O Gordo e o Magro
Conforme mencionado acima, os 83Mhz costumam ser divididor em 16 canais de 4 Mhz cada. Está é
uma forma convencional de se usar o “air space” e é empregada por estratégias do tipo Wireless Hart.
Trata-se de uma utilização bastante difundida e pelo qual há larga oferta de circuitos integrados e
rádios. Como os canais tem 4 Mhz de largura, rádios que praticam o “frequency hopping” desta forma
são chamados de “fat hoppers”, pois a largura dos canais é bastante “gorda”. De fato, não se trata da
forma mais eficiente de se utilizar o airspace disponível. Existem rádios hoje que conseguem dividir
os mesmos 83 Mhz em 80 canais de 1 Mhz cada. Estes 80 canais costumam ser subdivididos em 4
bandas de 20 canais cada. Esquemas deste tipo são chamados de “narrow hoppers” devido à
“magreza” dos canais. Se mantemos todos os parâmetros iguais a um sistema que utiliza um
esquema de narrow hoppers, alcançaremos mais de 4 vezes a capacidade de um de fat hoppers. No
entanto, é usual tentar limitar a operação em um conjunto de 20 canais. O desempenho neste caso é
cerca de 20-30% maior do esquema dos fat hoppers e se tem ainda cerca de 75% da banda dos 83
Mhz livres para outras aplicações.
A SP100.11ª da ISA busca comportar o uso de 16 canais de 4 Mhz concomitantemente com “narrow
hoppers” de 1 Mhz – tudo no mesmo “air space”.
A divisão de 2.4Ghz em 16 Canais – “Fat Hoppers”
Outras
WI-FI
WIF Other Instrumentos
Sensor de
Aplicações
I s sCampo
2.4 GHz ISM
A Utilização de “Narrow Hoppers” preserva mais “airpace” e permite
uma convivência mais pacífica de múltiplas aplicações.
5) Self Tudo
Qualquer tecnologia deste tipo tenta ser a mais amigável possível para o usuário, afinal quanto mais o
próprio sistema possa resolver automaticamente as complexidades da sua implementação, melhor
para o usuário. Portanto, a medida que se constrói uma “malha” de dispositivos, é conveniente que se
resolva o encaminhamento dos sinais entre si e/ou de volta para o sistema central de forma
automática. O encaminhamento é automatico (self routing); quando há bloqueios, consegue-se
encontrar caminhos alternativos (self healing) e o sistema sempre consegue se ajustar
automaticamente (self configuring). Ou seja, o usuário é aliviado destas tarefas, pois a “malha” tem
inteligência suficiente para resolver sozinha.
Para transpor bloqueios, os dispositivos conseguem se comunicar entre si. Desta forma, se um
instrumento não consegue se comunicar com o sistema central, este pode se comunicar com outro
instrumento. Caso este outro tambem não consiga, este segundo se comunica com um terceiro, e
assim sucessivamente, até finalmente se encaminhar de volta para o sistema central onde a
informação é requerida.
Para o SDCD (sistema central)
Nó
Nó
Nó
#3
#2
Caso o instrumento #1 não consiga se comunicar com o
sistema central (SDCD), pode encaminhar o seu sinal
para outros instrumentos (#2 e #3), através de outro
caminho, até que a comunicação com o sistema central
seja estabelecido. Embora vantajoso, este procedimento
deve ser eventual, pois prejudica o tempo de resposta e
#1 também acaba consumindo mais energia das baterias
dos instrumentos. Idealmente, o instrumento deve
sempre conseguir acessar ao sistema diretamente, na
primeira tentativa.
Embora a vantagem desta forma de “auto routing” seja atraente, nenhum sistema deve se apoiar
primordialmente em cima desta facilidade. Lembre-se que estamos tratando de instrumentos de
medição e controle, cujas informações tem tempos desejados para chegar no seu destino. Sinais que
ficam “passeando” entre diversos instrumentos tem a desvantagem de levar mais tempo para chegar
no seu destino e de consumir mais energia (pois estamos falando de instrumentos alimentados por
baterias e cada transmissão consome uma fração da bateria). De fato, pode-se configurar a situação
na qual um instrumento acaba sendo um portal concentrador de diversos outros, por ter um acesso
mais livre ao sistema central. Este instrumento terá seu desempenho afetado ao assumir este papel.
O ideal é que cada instrumento consiga acessar ao sistema central diretamente, na primeira tentativa,
sem passar por outros instrumentos.
Portanto, um planejamento das malhas de comunicação é conveniente, mesmo que os sistemas, em
grande parte, tenham inteligência suficiente para dispensar o uso deste planejamento.
Como já mencionado anteriormente, os instrumentos formam uma malha entre si e entre os portais
(tambem chamados de “nós”). E os “nós” podem formar uma outra malha entre si, que denominamos
de “backbone”. Diferentemente dos instrumentos, os “nós” que compoem o “backbone” podem
“abusar” do auto-encaminhamento entre si pois, na maioria das vezes (mas não necessariamente
sempre) estes são alimentados por fontes convencionais e a velocidade de comunicação entre si é
ordens de grandeza mais rápida do que entre os instrumentos.
5) Espinha Dorsal Universal e Espinha Mono-Propósito
A malha de nós, chamada de espinha dorsal, pode ser responsável por múltiplas funções. Além de
transitar os sinais dos instrumentos de volta para o sistema central, estes podem aceitar sinais de
diversas outras origens para transitar de volta para o sistema central. Por exemplo, pode-se aceitar os
sinais de dispositivos do tipo “hand-held”, e trafegar estes sinais de volta também para o sistema
central. Também pode-se aceitar sinais de outros instrumentos que utilizem outras bandas de
frequência. Enfim, a espinha dorsal acaba sendo o meio de transporte de diversos tipos de sinal que
compõem um sistema “wireless” entre o campo e o sistema central. Neste caso, dizemos que a
espinha dorsal é universal, e é justamente está universalidade que a ISA busca padronizar com o
SP100.11a.
Não há obrigatoriedade de se utilizar uma esquema universal. O próprio “Wireless Hart” é um
exemplo de sistema “mono-propósito”, no qual trafegam apenas os sinais de sensores (instrumentos),
não acomodando outros tipos de informação como, por exemplo, WiFi. Os sinais deste tipo de
sistema podem trafegar de volta para um sistema central através dos seus próprios portais de
communicação.
A grande diferença neste caso, é que o usuário necessitaria implementar e manter este sistema
independentemente de outras aplicações “wireless” na planta. Cada sistema se comporta de forma
independente e será gerenciado independentemente. Dependendo do número e da quantidade de
dispositivos, bem como as áreas de cobertura que se queira alcançar, a implementação de diversas
redes “mono-propósitos” pode representar custos bem superiores quando comparados com os
sistemas “universais” em termos de número de portais necessários para dar cobertura, custo de
manutenção de sistemas distintos, e a resolução de eventuais conflitos, uma vez que estes sistemas
distintos poderão ter que competir pelo mesmo “airspace”.
O intuito de uma rede Universal é o de permitir múltiplas aplicações com
uma única infra-estrutura
Implementação de Redes Mono-Propositos
GW
WI-FI
Dispositivos GW
Wireless HART Portais -
de Campo
GW Gateways
Wireless FF
GW
Wireless Modbus
Implementação de uma Rede Universal do Tipo ISA100
Dispositivo
HART Ethernet
HART
ISA 100
FF
Dispositivo Portal Universal Modbus
WIFI
Dispositivo
protocolo Universal
Há uma tendência de menosprezar está diferença pois, como estamos nos primórdios do uso deste
tipo de tecnologia, não fica óbvio quantos dispositivos e de qual tipo serão usados no mesmo
“airspace” na planta. De fato, as primeiras aplicações provavelmente serão de poucos instrumentos
em áreas bem limitadas. Neste caso, a discussão sobre as diferenças entre os sistemas torna-se um
tanto estéril. No entanto, devido à facilidade de implementação e às óbvias vantagens de se
dispensar o uso de fiação, estima-se que com o passar do tempo haverá um uso bastante intenso da
tecnologia “wireless” na planta e que a competição por “airpace” poderá ser intensa. Em geral, é
conveniente que o usuário estude a tecnologia e elabore um plano de uso de “wireless”, que lhe
permita tomadas de decisão conscientes.
6) A Padronização
A história recente das comunicações no ramo de controle industrial mostra a dificuldade de adoção de
um padrão único, cujas vantagens são muito óbvias, e com o qual tenha-se tanta oferta de produtos
que transforme-se numa unanimidade. Devido às épocas distintas, durante a qual foram lançados, e
as influências dos grupos que os apoiam, temos um número grande de padrões de comunicação por
fio que convivem no mercado – Hart, Modbus, Fieldbus Foundation, Profibus etc.
No momento, despontam diversos padrões, tais como “Wireless Hart” e SP100 da ISA, no mundo de
padrões “wireless” para uso industrial. É muito importante qualificar que, no momento, nenhum destes
dois padrões, na realidade, existem fora do âmbito das comissões de trabalho que os elaboram.
Estima-se que serão publicados (tanto “Wireless Hart” quanto SP100) para o uso geral do mercado
no final de 2008. Portanto, embora os fabricantes indiquem compatibilidade com os padrões, eles
estão de fato vendendo a promessa de ser compatível com padrões ainda em elaboração. Desta
forma, todos os protocolos e esquemas ofertados no mercado hoje (inicio de 2008) são, na verdade,
proprietários.
Isto representa risco para o usuário? Ele deve esperar para ver o que acontece? Não deve usar
instrumentos sem fio na planta?
Isto depende do usuário e do problema que se espera resolver com a aplicação das tecnologias
“wireless”. Em geral, os instrumentos “wireless” oferecem uma forma bastante atraente de resolver
problemas que são difceis ou anti-econômicos a resolver convencionalmente. Pode-se aumentar a
segurança, a eficiência e a confiabilidade da planta usando a tecnologia “wireless” e cada aplicação
deve ser avaliada sob esta óptica. Quando avaliado, não deve haver o medo de abraçar a mais nova
das tecnologias do ramo de automação industrial. O usuário deve comprar o valor que a aplicação de
instrumentos “wireless” lhe traz e não a tecnologia pela tecnologia, assim não tem erro ou risco.
7) Aplicações em Papel e Celulose
Existem diversas aplicações da tecnologia “wireless” dentro da indústria de papel e celulose. Por
exemplo, pode-se utilizar estes transmissores para monitorar equipamentos rotativos, como fornos de
cal. As técnicas tradicionais de medição de temperatura em um forno de cal possuem um grande
número de limitações, devido às extremas condições ambientais apresentadas, tais como calor,
vibração e atmosferas corrosivas. As técnicas mais comuns são:
Com contato, que utiliza conexões eletromecânicas especiais para transmissão do sinal: um
grande anel de cobre é instalado ao redor do forno e a leitura do termopar montado dentro do
forno é transmitida através de escovas, que tomam o sinal elétrico do anel de cobre. Os
principais problemas dessa técnica são:
o requer um design eletromecânico específico para transmissão do sinal
o leituras não são confiáveis devido à poeira, sujeira, graxa, etc)
o os rolos cones móveis, para permitir a rotação, empurram o forno para cima,
enquanto a inclinação e a massa do material empurram o forno para baixo. Isto
provoca uma grande dificuldade de se alcançar um equilíbrio mecânico, sendo
normal ter uma tolerância de 30 a 40 cm de movimento. Isto faz com que a medição
por contato seja ainda mais difícil e cara
o Adição de pontos adicionais de medição custa caro
o Os termopares dos mancais estão sujeitos a desgaste devido à fricção entre o ponto
de medição e a superfície rotativa do forno, podendo ocorrer falhas de medição a
qualquer momento
Sem contato, pirômetros infravermelhos, que medem a temperatura superficial da casca do
forno. Pirômetros infravermelhos requerem
o proteção especial
o resfriamento a água para prevenir problemas ao equipamento devido às extremas
temperaturas
o sistemas de ar de purga são necessários para assegurar que as lentes do pirômetro
não sejam obscurecidas por poeira ou outros contaminantes
o utilizados pelo pessoal de manutenção, para detecção do momento mais adequado
para manutenção do material refratário da parede interna do forno. Não são utilizados
para controle de processo
Quando comparado às técnicas acima descritas, o transmissor “wireless” proporciona uma medição
de temperatura de maior qualidade e precisão, com maior facilidade e menor custo de adição de mais
pontos de medição. Um maior número de pontos de medição aumenta a quantidade de informação
de processo disponível para o operador, o que irá assegurar um monitoramento do processo mais
seguro e um produto final mais consistente.
Além dos benefícios acima citados, o transmissor “wireless” também proporciona:
redução de custos de instalação, de manutenção e de operação
atende a requerimentos regulatórios
proporciona mais flexibilidade operacional.
Transmissor de
temperatura “wireless”
Receptor “wireless”
Outra áreas onde os transmissores “wireless” poderão ser utilizados são no pátio de madeira e na
área de processamento de madeira, pois como a área é remota e aberta, o custo de instalação de
instrumentos de medição se tornou anti-econômico. Além dos custos de instalação, existe a presença
de máquinas pesadas e movimentações mecânicas um tanto “pesadas”. As instalações de
instrumentos ou dispositivos seriam expostos a risco de dano mecânico devido a esbarrões de
máquinas, operadores e da própria madeira. Porém, a tecnologia “wireless” viabiliza a instalação de
instrumentos de medição e, ao mesmo tempo, o registro de ações e informações/dados pelos
operadores, em dispositivos do tipo palmtop.
Uso de transmissores e de palmtops com
Rotas de inspeção de campo
a tecnologia “wireless” com palmtop
Estação de
Operação
Rede de Controle
Supervisório
Estação de
Servidor
Operação Móvel
Transmissor Rede Local de
Wireless P
R
O
Controle
P
C
E
S
S
R
O
C
E
S
PROCESSO S
Transmissor
com fio
Da mesma forma, pode-se aplicar a tecnologia “wireless” em áreas mais remotas da planta como, por
exemplo, tratamento de água e efluentes e estações de monitoração meteorológicas, facilitando a
integração das informações oriundas destas áreas. Tanques de produtos químicos e de óleo
combustível podem ter seus níveis monitorados e seus limites controlados para evitar
transbordamentos.
Outros exemplos de utilização de transmissores “wireless” são em áreas agressivas, com altas
temperaturas e de difícil acesso. O monitoramento de corrosão é um deles. A produção de papel
consiste de uma série de processos e pode ser dividida em quatro grandes áreas: cozimento da polpa,
recuperação química, branqueamento de polpa, preparação de massa e produção de papel. Cada
etapa tem seus próprios problemas de corrosão relacionados com tamanho e qualidade das fibras de
madeira, quantidade e temperatura da água do processo, da concentração de químicos e dos
materiais usados na construção do maquinário. Exemplos de corrosão afetando a produção são:
produtos da corrosão que poluem o papel
corrosão de rolos marcando a folha de papel
corosão de componentes pode também resultar em fraturas ou vazamentos nas máquinas,
causando perda de produção e riscos de segurança
CONCLUSÃO
A tecnologia wireless tem uma gama enorme de aplicações na planta e sem duvida será instrumental
com o passar dos anos pelo aumento de eficiencia, segurança e confiabilidade do processo produtivo.
Reccomenda-se que os usuarios estudam o assuntoe traçam planos para o uso desta tecnologia na
planta. Apartir de um planejamento e estabelecimento de uma filosofia de uso wireless, pode se
iniciar a ganhar maior familiaridade com a tecnologia e começar a empregar-la na planta. Tal como os
telefones celulares, daqui há alguns anos irá se perguntar, “como é que conseguimos viver sem
empregar a tecnologia sem fio na planta antes?”
8) Bibliografa
1 - Narrowband Frequency Hopping PHY layer for SP100 – Soumitri Kolavennu e Patrick Gonia;
Proceedings of ISA100 Committee, Karlsruhe, March 21, 2007.