introdução:
A ortopedia veterinária é crucial para restabelecer a função locomotora e garantir a
qualidade de vida de cães e gatos. Lesões musculoesqueléticas, como fraturas ósseas, são
frequentes, sendo as fraturas distais do fêmur particularmente comuns e desafiadoras em
animais jovens (FOSSUM, 2020). Essas fraturas, frequentemente associadas à placa de
crescimento distal do fêmur (37% das fraturas de placa de crescimento, LUCAS et al.,
2001), exigem atenção máxima devido à proximidade articular, complexidade anatômica e
risco de comprometimento do crescimento ósseo. A cicatrização óssea exige estabilidade
mecânica, influenciada pela técnica cirúrgica (PEREIRA et al., 2023). Abordagens que
oferecem maior rigidez e são minimamente invasivas favorecem a consolidação. A
fragilidade da placa de crescimento e as forças de tração de músculos adjacentes
(gastrocnêmio, extensor digital longo) aumentam a complexidade e o desvio dos fragmentos
(LUCAS et al., 2001; CONTE; ADDISON, 2015). As opções cirúrgicas variam, incluindo
pinos intramedulares, pinos cruzados e placas ósseas (FOSSUM, 2014). Pinos Cruzados:
Proporcionam estabilidade axial e rotacional e podem ser associados a placas para maior
rigidez, especialmente em pacientes jovens e robustos (como o American Bully) com alto
peso corporal e atividade física (PIERCY; JOHNSTON; TOBIAS, 2015). O acompanhamento
radiográfico é essencial para o sucesso do tratamento, confirmando o posicionamento dos
implantes e monitorando a consolidação óssea (CONTE; ADDISON, 2015). Este trabalho
visa relatar o caso clínico de uma cadela American Bully de nove meses com fratura distal
do fêmur, detalhando a conduta terapêutica desde o atendimento clínico até a abordagem
cirúrgica, contribuindo para a literatura veterinária sobre o manejo ortopédico de alto
desafio.
Metodologia: Relato de Caso Clínico
Paciente e Diagnóstico, Paciente: Cadela, raça American Bully, 10 meses de idade,
pesando 30 kg. Histórico: Impotência funcional do membro pélvico esquerdo (MPE) após
queda. Diagnóstico: Após exames ortopédicos e radiográficos (Figuras 1 e 2), confirmou-se
Fratura Supracondilar do Fêmur esquerdo. Exames pré-operatórios normais. Abordagem
Cirúrgica (Osteossíntese). Devido ao porte físico e à alta demanda biomecânica, a
osteossíntese foi realizada para máxima estabilidade: anestesia: Geral inalatória, associada
a bloqueio locorregional (nervo isquiático e femoral) guiado por ultrassom, e analgesia
contínua (remifentanila). Fixação: Utilizou-se a associação de técnicas: tutores Primários:
Dois Fios de Kirschner (2,0 mm) cruzados no foco da fratura. Tutores Secundários: Uma
Placa condilar dedicada (Focus 3,5 mm) em aço inoxidável, aplicada em neutralização para
conferir maior rigidez. Pós-Operatório e Acompanhamento, controle Imediato: Radiografia
pós-operatória confirmou alinhamento ósseo adequado e correto posicionamento dos
implantes (Figuras 3 e 4). Cuidados Domiciliares: Prescrição de terapia multimodal para dor
e infecção (Amoxicilina/Clavulanato, Dipirona, Meloxicam, Tramadol) e restrição de
atividade. Reabilitação: Início imediato de protocolo fisioterapêutico progressivo. Evolução:O
acompanhamento clínico e radiográfico foi realizado aos 30 e 60 dias. 30 Dias: Imagens
(Figuras 5 e 6) demonstraram progressiva formação de calo ósseo. 60 Dias: Observou-se
consolidação completa da fratura (Figuras 7 e 8). O paciente recebeu alta médica, com
retorno à biomecânica fisiológica e ausência de claudicação ou dor.
Resultados e Discussão
Evolução Clínica e Radiográfica, o paciente demonstrou evolução clínica satisfatória desde
o pós-operatório imediato, com boa recuperação anestésica e ausência de dor intensa. O
controle radiográfico imediato confirmou o alinhamento anatômico correto e o
posicionamento adequado dos implantes, assegurando a estabilidade da montagem. Aos 30
dias, houve melhora significativa da função locomotora, com apoio parcial e ausência de dor
à palpação. Radiograficamente, notou-se a formação inicial de calo ósseo e a nutenção do
eixo femoral, indicando progressiva consolidação. Aos 60 dias, observou-se plena
recuperação funcional (marcha normal e ausência de claudicação). O exame final monstrou
completa consolidação óssea e remodelação cortical, com ausência de complicações ou
reabsorção ao redor dos implantes. Discussão: Eficácia da Técnica e Manejo A
osteossíntese combinada (fios de Kirschner cruzados com placa condilar) mostrou-se
altamente eficiente, proporcionando a resistência mecânica rígida necessária para
neutralizar as forças de tração muscular na região distal do fêmur (CONTE; ADDISON,
2015). O sucesso da técnica, com ausência de falhas ou pseudoartrose (PIERCY;
JOHNSTON; TOBIAS, 2015), corrobora a literatura sobre a eficácia de montagens estáveis
em pacientes jovens e de grande porte (DIAS et al., 2018). Adicionalmente, o protocolo
fisioterapêutico progressivo foi crucial. O estímulo à carga parcial precoce contribuiu para a
restauração funcional do membro e prevenção de atrofia, seguindo os princípios de manejo
multidisciplinar pós-fratura complexa (FOSSUM, 2020). Em resumo, o tratamento cirúrgico
com osteossíntese rígida e bem planejada, associado a um acompanhamento
clínico-radiográfico e reabilitação, resultou em um excelente desfecho clínico para a fratura
supracondilar do fêmur.
CONCLUSÃO
Conclui-se que a osteossíntese com fios de Kirschner cruzados associada à
placa condilar foi eficaz no tratamento da fratura supracondilar de fêmur em cadela
jovem, promovendo estabilidade adequada, consolidação óssea completa e
restauração funcional do membro. O caso evidencia a importância do diagnóstico
rápido, da técnica cirúrgica bem executada e do manejo pós operatório criterioso
para o sucesso terapêutico, destacando a relevância da ortopedia veterinária na
promoção da recuperação locomotora e do bem-estar animal.
Referências:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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PIERCY, R. J.; JOHNSTON, S. A.; TOBIAS, K. M. Cirurgia ortopédica de pequenos
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