0% acharam este documento útil (0 voto)
0 visualizações35 páginas

Inf0893

O Informativo de Jurisprudência n. 893 destaca decisões sobre recursos repetitivos, incluindo a inviabilidade de embargos de divergência em relação à modulação de efeitos em acórdãos repetitivos. Também aborda a prescrição do fundo de direito nas relações com a Fazenda Pública, enfatizando a necessidade de negativa expressa para o início do prazo prescricional. Por fim, esclarece que sindicatos não têm legitimidade para pleitear diferenças de complementação do FUNDEF/FUNDEB em nome de seus membros.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
0 visualizações35 páginas

Inf0893

O Informativo de Jurisprudência n. 893 destaca decisões sobre recursos repetitivos, incluindo a inviabilidade de embargos de divergência em relação à modulação de efeitos em acórdãos repetitivos. Também aborda a prescrição do fundo de direito nas relações com a Fazenda Pública, enfatizando a necessidade de negativa expressa para o início do prazo prescricional. Por fim, esclarece que sindicatos não têm legitimidade para pleitear diferenças de complementação do FUNDEF/FUNDEB em nome de seus membros.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Informativo

de Jurisprudência

Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.

RECURSOS REPETITIVOS

PROCESSO AgInt nos EREsp 1.905.870-PR, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis
Moura, Corte Especial, por maioria, julgado em 3/6/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Agravo interno nos embargos de divergência em recurso especial.


Acórdão proferido em recurso repetitivo. Tema 1079/STJ. Alegação
de dissídio quanto à modulação dos efeitos. Inviabilidade. Aplicação
da regra técnica de julgamento conforme as peculiaridades do caso.

DESTAQUE

Não são cabíveis embargos de divergência para discussão de modulação aplicada em


recurso repetitivo, pois configuraria revisão da regra técnica de julgamento utilizada pelo órgão
fracionário competente para o exame da questão de mérito.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


No caso, o acórdão embargado foi proferido em sede de recurso repetitivo, cujo objetivo é
firmar tese jurídica de observância obrigatória em todos os processos que versem sobre a mesma questão
de direito, atendendo, assim, aos princípios da celeridade processual, da isonomia de tratamento às partes
e da segurança jurídica.

Então, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, colegiado competente para as causas
tributárias, fixou o Tema 1079/STJ. Determinou, na ocasião, a modulação dos efeitos do julgado com
relação às empresas que ingressaram com ação judicial e/ou protocolaram pedidos administrativos até a
data do início do presente julgamento, obtendo pronunciamento (judicial ou administrativo) favorável,
restringindo-se a limitação da base de cálculo, porém, até a publicação do acórdão.

O dissenso jurisprudencial alegado pela Fazenda Nacional não é com relação à questão de
fundo, isto é, não questiona o que foi fixado no Tema 1079/STJ, mas, sim, a modulação do julgamento, a
teor do contido no § 3º do art. 927 do Código de Processo Civil (CPC).

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

Ocorre que a modulação é uma faculdade conferida ao órgão julgador, soberano no exame da
controvérsia, a partir das particularidades do caso, especialmente, em razão do impacto social e/ou
econômico que pode ocorrer a partir do entendimento firmado.

A questão da modulação dos efeitos foi enfrentada pelo órgão julgador a partir do exame do
posicionamento adotado pelos integrantes do colegiado, bem como dos Tribunais Regionais Federais,
não sendo possível o reconhecimento do alegado dissídio jurisprudencial com os paradigmas que
examinam o tema relativo à modulação também com base nas peculiaridades das situações lá tratadas.

Nesse contexto, não há dissenso quanto ao conceito de jurisprudência dominante, mas, sim,
quanto à aplicação da regra técnica de julgamento do recurso repetitivo conforme as circunstâncias
concretas.

Outrossim, não há divergência entre o acórdão embargado e os precedentes que concluem


pelo não cabimento de embargos de divergência e de recurso especial pela alínea c com base em
paradigma monocrático, porquanto a questão relativa à necessidade ou não de modulação dos efeitos do
julgamento do Tema 1079/STJ levou em consideração a previsibilidade e a estabilidade dos julgamentos.

De fato, ao firmar tese em recurso representativo da controvérsia, o Colegiado delibera acerca


da modulação dos efeitos do julgamento com base nos princípios da segurança jurídica, da proteção da
confiança e do interesse social.

Portanto, na verdade, o acolhimento da pretensão da Fazenda Nacional configuraria revisão da


regra técnica de julgamento aplicada pelo órgão fracionário competente para o exame da questão de
mérito, finalidade para a qual não se prestam os embargos de divergência.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC), art. 927, § 3º.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 1079/STJ

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 27 - Edição Especial

Informativo de Jurisprudência n. 805

Informativo de Jurisprudência n. 610

Informativo de Jurisprudência n. 778

Informativo de Jurisprudência n. 760

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

PROCESSO REsp 2.228.834-MA, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,


Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 7/5/2026. (Tema 1410).
REsp 2.228.837-MA, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 7/5/2026 (Tema 1410).

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Servidor Público. Prescrição do fundo de direito. Ação/pretensão ao


reconhecimento do direito. Negativa expressa. Necessidade. Inércia
da Administração Pública. Prazo prescricional não iniciado. Tema
1410.

DESTAQUE

1. Nas relações jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como
devedora, a prescrição do fundo de direito depende da negativa expressa do direito reclamado,
em ato normativo de efeito concreto ou ato administrativo formalizado e com ciência ao servidor.
2. A inércia do Município de Estreito-MA em implantar adicional por tempo de serviço,
na forma do art. 288 da Lei Municipal n. 7/1990, em folha de pagamento, não deu início ao prazo
de prescrição do fundo de direito.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


As questões submetidas a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos são as seguintes: 1.
Definir se, nas relações jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como devedora, a
prescrição do fundo de direito depende da negativa expressa do direito reclamado. 2. Definir se a inércia
do Município de Estreito em implantar adicional por tempo de serviço, na forma do art. 288 da Lei
Municipal n. 7/1990, em folha de pagamento, deu início ao prazo de prescrição do fundo de direito.

Segundo a doutrina, no plano teórico dos direitos subjetivos funcionais a que correspondem
obrigações administrativas, é possível fazer uma distinção entre "direitos originantes" e "direitos
originados". Os primeiros correspondem a "todas as determinações que, segundo as modalidades legais",
a relação jurídica estatutária é "capaz de assumir em termos de situações jurídicas do servidor". São
exemplos as "decorrentes de promoção, acesso, reenquadramento, reclassificação, decurso de tempo,
desempenho de funções ou serviços especiais, aposentadoria etc.". Os segundos correspondem às
"consequências pecuniárias" dos primeiros. Ambos são exigíveis e estão sujeitos à prescrição: "realizado
suporte fático, pode o funcionário exigir prestação administrativa, que tenha por objeto o próprio vínculo
estatutário, ou uma das muitas situações configuráveis no lado dinâmico do mesmo vínculo, ou ainda só
os efeitos pecuniários".

O fundo de direito corresponde aos direitos originantes. Assim, são eles os direitos ligados à
situação jurídica fundamental de ser funcionário público, como "reclassificações, reenquadramentos,
direito a adicionais por tempo de serviço, direito à gratificação por prestação de serviço de natureza
especial". Nesse contexto, como as consequências pecuniárias, o fundo de direito também está sujeito à
prescrição.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

No entanto, apenas se negado expressamente o direito, o prazo quinquenal atinge a pretensão


ao reconhecimento do direito, na forma da Súmula 85 do STJ. Conforme pontua a doutrina, o requisito
para o curso do prazo da prescrição do fundo de direito é a negativa do "próprio direito reclamado", ou
seja, uma negativa ativa do direito. Assim, "quando o Estado se manifestou expressamente, [...] a
prescrição alcança o próprio direito, ou, como preferem alguns, o próprio fundo do direito".

Nesse sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça registra casos em que se


avaliou se houve ou não negativa expressa. Entendeu-se que o ato que defere a aposentadoria, ainda que
assinale o valor dos proventos, não é negativa do direito à parcela não apreciada na decisão (Tema 1017,
REsp n. 1.783.975 e REsp n. 1.772.848 Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 20/10/2010). Em igual
sentido, tampouco se compreendeu que a incorporação da parcela discutida em folha de pagamento
equivale a uma decisão expressa, a marcar o início da prescrição do direito a buscar ulteriores diferenças
(Tema 602, Resp n. 1.336.213, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 12/06/2013).

A fundamentação do julgado, no Tema 1017, buscou definir a "expressa negativa da


Administração" como "ato normativo de efeito concreto ou ato administrativo formalizado e com ciência
ao servidor" (Tema 1017, REsp n. 1.783.975 e REsp n. 1.772.848, Rel. Min. Herman Benjamin, julgados em
20/10/2010).

Portanto, é esse o parâmetro a ser observado. O simples transcurso do tempo não pode ser
considerado como uma negativa expressa.

No caso, não está demonstrada negativa expressa em relação ao pleito dos servidores do
Município de Estreito, no Maranhão, buscando a implantação em folha e a condenação ao pagamento das
diferenças atrasadas, referentes ao adicional por tempo de serviço de 5% (cinco por cento) do valor do
vencimento, a cada quinquênio completado, limitado ao máximo de 30% (trinta por cento), na forma do
art. 288 da Lei Municipal n. 7/1990.

O decurso dos meses, sem que a parcela fosse incorporada em folha de pagamento, não leva à
prescrição do fundo de direito. Apenas a pretensão à percepção das parcelas vai paulatinamente sendo
encoberta pelo decurso do prazo.

Dessa forma, deve ser afirmado que a negativa expressa do direito reclamado é condição para
o início do curso do prazo prescricional em relação ao fundo de direito. Assim, a inércia do Município de
Estreito em implantar adicional por tempo de serviço não deu início ao prazo de prescrição da pretensão
ao reconhecimento do direito. Satisfeito o requisito da negativa expressa, o prazo prescricional de cinco
anos das dívidas da Fazenda Pública (art. 1º do Decreto-Lei n. 20.910/1932) corre em relação ao fundo de
direito, também referido como direito à ação ou pretensão ao reconhecimento do direito.

Ante o exposto, fixam-se as seguintes teses do Tema 1410/STJ: "1. Nas relações jurídicas de
trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como devedora, a prescrição do fundo de direito
depende da negativa expressa do direito reclamado, em ato normativo de efeito concreto ou ato
administrativo formalizado e com ciência ao servidor. 2. A inércia do Município de Estreito-MA em
implantar adicional por tempo de serviço, na forma do art. 288 da Lei Municipal n. 7/1990, em folha de
pagamento, não deu início ao prazo de prescrição do fundo de direito".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Decreto-Lei n. 20.910/1932, art. 1º.

SÚMULAS

Súmula n. 85/STJ.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 1017/STJ.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 351

Informativo de Jurisprudência n. 20

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.228.331-DF, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,


Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 7/5/2026. (Tema
1408).
REsp 2.228.559-DF, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 7/5/2026 (Tema 1408).

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO, DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Direito à Educação. FUNDEF/FUNDEB. Remuneração dos


profissionais da educação. Ilegitimidade do sindicato para pleitear,
em nome próprio, interesse do Município. Tema 1408.

DESTAQUE

O sindicato não tem legítimo interesse para propor ação civil pública buscando a
condenação ao pagamento de diferenças de complementação do FUNDEF ou do FUNDEB.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos é a seguinte: "Definir se
sindicato tem interesse e legitimidade para propor ação civil pública buscando a condenação ao
pagamento de diferenças de complementação do FUNDEF ou do FUNDEB".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

Os sindicatos de profissionais da educação, via ação civil pública, buscam diferenças da


complementação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos
Profissionais da Educação (FUNDEB), ou de seu antecessor, Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do
Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF), da União ao Município, sendo que parte
desse valor seria legalmente repassada aos membros da categoria profissional da entidade sindical.

A legislação ordinária regulamentou as disposições constitucionais relativas ao FUNDEB (antigo


FUNDEF). A Lei n. 9.424/1996, segundo os termos da EC n. 14/1996, a Lei n. 11.494/2007, conforme a EC
n. 536/2006, e a Lei n. 14.113/2020, na esteira da EC n. 108/2020. Os diplomas legais estabelecem normas
sobre a composição financeira - inclusive a complementação pela União -, distribuição, transferência,
gestão e utilização dos recursos. O interesse das categorias profissionais de trabalhadores da educação
no repasse das verbas decorre da destinação de parte dos recursos como remuneração. A legislação
prevê uma subvinculação dos recursos à remuneração desses profissionais.

Com efeito, o interesse direto em disputa é do Município, que tem legitimidade para agir em
juízo, na forma do art. 18 do CPC. A controvérsia central está em saber se os sindicatos de profissionais da
educação estão autorizados pelo ordenamento jurídico a ingressar em juízo, para defender o interesse da
municipalidade. A solução envolve a interpretação do art. 1º, IV e VIII, da Lei n. 7.347/1985, que trata do
objeto da ação civil pública, e do art. 5º, V, da Lei n. 7.347/1985, que trata da legitimidade das associações
para a sua propositura.

Quanto à legitimidade sindical para ajuizar ação civil pública, não há maiores dúvidas. O
sindicato é legitimado para agir em juízo, no interesse da categoria profissional respectiva (art. 8º, III, da
CF), e, como associação civil, pode ser autor da ação civil pública (art. 5º, V, da Lei n. 7.347/1985). Como
visto, há uma subvinculação do recurso transferido à remuneração de profissionais da educação.
Portanto, há interesse direto da categoria profissional beneficiada em pleitear a transferência ou
complementação.

Esse interesse existe mesmo para parcelas atrasadas. A subvinculação, quanto a valores
reconhecidos judicialmente e liquidados mediante precatório, foi contestada pelo Tribunal de Contas da
União (Acórdão 1.824/2017, Rel. Min. Walton Alencar Rodrigues, julgado em 23/8/2017), em decisão não
rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal (ADPF 528, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgada em
22/3/2022).

No entanto, a modificação do Direito deixa claro que, mesmo nos pagamentos via precatório
judicial, a subvinculação subsiste. Assim, após a decisão do TCU, a subvinculação foi afirmada em nível
constitucional (art. 5º, parágrafo único, da EC n. 114/2021) e em nível legal (art. 47-A, da Lei n.
14.113/2020, incluído pela Lei n. 14.325/2022).

Portanto, os sindicatos que representam os servidores potencialmente beneficiados agem em


nome do interesse da categoria profissional. Como tal, estão, em tese, legitimados para agir em juízo.

A conclusão é diversa em relação à adequação da ação civil pública. À primeira vista, o pleito
de incremento das transferências ou de complementação parece adequado ao rito processual da ação
civil pública, por buscar a defesa de interesse difuso na educação e do patrimônio municipal (art. 1º, IV e
VIII, da Lei n. 7.347/1985). Não há dúvida de que está em jogo o interesse difuso na educação. Tampouco
há dúvida de que o patrimônio municipal está em jogo. O direito em questão é do Município.

Em princípio, a ação civil pública é adequada tanto para a defesa dos bens públicos, quanto
para as normas de direito financeiro. Assim, "pode haver proteção do patrimônio público por meio da
LACP" tanto "nos desvios de verba orçamentária (vícios na arrecadação e na despesa) quanto no que
respeita aos bens (degradação, depauperação, maus tratos, destinação, transferências indevidas etc.)",

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

conforme a doutrina. No caso, estamos diante do cumprimento de normas orçamentárias, relativo às


despesas públicas com educação.

Ainda assim, a ação civil pública não é via adequada para tutelar o interesse em causa. Não há
dúvida de que os recursos são recursos públicos, restem eles com a União ou sejam repassados ao
Município. Em semelhante situação, apenas o Município deve ser reputado legitimado para pleitear o
interesse em juízo, na forma do art. 18 do CPC. Os entes municipais dispõem de estrutura para interpretar
as normas cabíveis e para agir, caso entendam cabível. O uso da ação civil pública, nesse caso, ampliaria
sobremaneira o debate e poderia desequilibrar o relacionamento entre os entes.

A despeito de sua relevância, as categorias profissionais interessadas restariam incentivadas a


fazer prevalecer qualquer interpretação que favoreça a municipalidade. Essa ênfase paroquial levaria a
uma concorrência entre os entes subnacionais na disputa pela partilha, de forma que o sistema poderia
acabar desequilibrado.

Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema 1408/STJ: O sindicato não tem legítimo interesse para
propor ação civil pública buscando a condenação ao pagamento de diferenças de complementação do
FUNDEF ou do FUNDEB.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Emenda Constitucional (EC) n. 14/1996;


Emenda Constitucional (EC) n. 53/2006;
Emenda Constitucional (EC) n. 108/2020;
Emenda Constitucional (EC) n. 114/2021, art. 5º, parágrafo único;
Constituição Federal (CF), art. 8º, III;
Código de Processo Civil (CPC), art. 18;
Lei n. 7.347/1985, art. 1º, IV, art. 1º, VIII, e art. 5º, V;
Lei n. 9.424/1996;
Lei n. 11.494/2007;
Lei n. 14.113/2020, art. 47-A;

PRECEDENTES QUALIFICADOS

ADPF 528.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

PROCESSO REsp 2.238.302-DF, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,


Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 7/5/2026. (Tema 1401).
REsp 2.177.031-PI, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 7/5/2026 (Tema 1401).

RAMO DO DIREITO DIREITO CONSTITUCIONAL, DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Fundo de Participação dos Municípios - FPM. Inadimplemento de


contribuições previdenciárias. Bloqueio. Limitações. Impossibilidade.
Tema 1041.

DESTAQUE

Não são aplicáveis aos bloqueios do FPM, em razão de dívidas com contribuições
previdenciárias, os limites de 9% (nove por cento) da cota-parte (art. 1º, caput, da Lei n.
9.639/1998) e de 15% (quinze por cento) da Receita Corrente Líquida (RCL) (art. 5º, § 4º, da Lei n.
9.639/1998).

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos consiste em definir
se são aplicáveis aos bloqueios do Fundo de Participação dos Municípios - FPM em razão de dívidas com
contribuições previdenciárias, os limites de 9% da cota-parte (art. 1º, caput, da Lei n. 9.639/1998) e de 15%
da Receita Corrente Líquida (art. 5º, § 4º, da Lei n. 9.639/1998).

Deve ser afirmada a inaplicabilidade das disposições da Lei n. 9.639/1998, salvo quanto aos
parcelamentos por ela regidos. Assim, o bloqueio do FPM por dívidas com contribuições previdenciárias
não está sujeito aos limites previstos nesse diploma normativo.

O parcelamento de contribuições previdenciárias é excepcional. Vedadas a remissão e a anistia


desde a EC n. 20/1998, são expressamente proibidos "a moratória e o parcelamento" por prazo longo
desde a EC n. 103/2019 (art. 195, § 11, da CF). Disposições constitucionais transitórias toleraram o
parcelamento de tais débitos (art. 57 do ADCT e art. 116, introduzido pela EC n. 113/2021 e modificado
pela EC n. 136/2025), o que apenas reforça o caráter nada corriqueiro da rolagem dessa dívida.

O condicionamento da liberação de recursos do FPM à regularidade com as contribuições


previdenciárias está além de discussão. O texto constitucional subordina a entrega dos recursos do fundo
de participação ao pagamento dos créditos que o ente transferidor tem para com o ente beneficiado, ao
que interessa, dívidas do município para com a UNIÃO (art.160, § 1º, I), e a legislação aponta a inexistência
de débitos em relação às contribuições previdenciárias como requisito para a entrega dos recursos (art.
56 da Lei n. 8.212/1991).

A Lei n. 9.639/1998, invocada como fonte da limitação à retenção, dispôs sobre parcelamentos
específicos, com prazo de adesão há muito ultrapassado. O prazo de adesão à modalidade mais recente
venceu há mais de quinze anos (31/8/2001), conforme modificações no texto legal operadas pela Medida
Provisória n. 2.187-13/2001.

Além disso, a exigência de regularidade das contribuições previdenciárias para a liberação do


fundo, prevista no art. 56 da Lei n. 8.212/1991, não foi revogada pela Lei n. 9.639/1998. Ambas as normas
são perfeitamente compatíveis. A regra geral (art. 56 da Lei n. 8.212/1991) exige a regularidade fiscal para

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

a liberação do FPM. A regra especial (Lei n. 9.639/1998) afasta (em parte) a exigência, na vigência dos
parcelamentos de débitos por ela regidos. Assim, há uma lei especial, que convive com a lei geral anterior,
na forma do art. 2º, § 2º, da LINDB.

O condicionamento da liberação do FPM à regularidade com dívidas tem amparo em regra


constitucional decorrente do art. 160, § 1º, I. Diante de um enunciado normativo de status constitucional
diretamente prescritivo, a invocação de normas axiológicas de tecitura aberta, como é o caso dos
princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, é de difícil acolhida.

A invocação desses princípios é ainda problemática no campo do parcelamento de débitos


tributários, o qual é regido por direito estrito. O Código Tributário Nacional determina que se interprete
literalmente a legislação tributária que disponha sobre o parcelamento (art. 111, I e III e VI, CTN).

Devem ser interpretadas de forma estrita as disposições que afastam as garantias dos créditos
previdenciários. A impossibilidade do parcelamento de débitos previdenciários também decorre de regra
constitucional (art. 195, § 11), muito embora existam exceções transitórias (art. 57 do ADCT e art. 116,
introduzido pela EC 113/2021 e modificado pela EC n. 136/2025). Ou seja, a Constituição elegeu a
proteção dos créditos previdenciários como um valor a merecer particular proteção.

Ademais, a extensão das limitações quantitativas previstas na Lei n. 9.639/1998 a débitos não
parcelados ou regidos por outros parcelamentos seria equivalente à criação de nova espécie de
parcelamento fora das hipóteses efetivamente previstas em lei e à revelia da previsão do art. 155-A do
CTN, que afirma que "o parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei
específica".

Por todas essas razões, os limites quantitativos da Lei n. 9.639/1998, assim como as demais
disposições previstas nas leis de regência de parcelamentos especiais, se aplicam, unicamente, às
retenções especificamente previstas para os acordos de amortização e parcelamento avençados sob os
ditames do diploma.

Dessa forma, o bloqueio do FPM por dívidas com contribuições previdenciárias não está sujeito
aos limites previstos na Lei n. 9.639/1998, salvo quanto aos parcelamentos por ela regidos.

Ante o exposto, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1401/STJ: Não são aplicáveis a
bloqueios do FPM em razão de dívidas com contribuições previdenciárias os limites de 9% (nove por
cento) da cota-parte (art.1º, caput, da Lei n. 9.639/1998) e de 15% (quinze por cento) da Receita Corrente
Líquida (art. 5º, § 4º, da Lei n. 9.639/1998).

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Constituição Federal (CF), art. 160, § 1º, I, e art. 195, § 11,


EC n. 20/1998
EC n. 103/2019
EC n. 113/2021
EC n. 136/2025
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), art. 57 e art.116
MP n. 2.187-13/2001, art. 1º
LC n. 77/1993, art. 27
Lei n. 8.212/1991, art. 56, § 2º
Lei n. 9.639/1998, art. 1º, caput e § 4º, e art. 5º, § 4º
Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB), 2º, § 2º
Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, VI, art. 111, I e III, art. 151, VI, e art. 155-A

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.256.869-SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,


Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 10/6/2026. (Tema
1421).
REsp 2.240.220-PR, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura,
Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 10/6/2026 (Tema
1421).

RAMO DO DIREITO DIREITO PREVIDENCIÁRIO

TEMA Pensão por morte e auxílio-reclusão. Data de Início do Benefício


(DIB). Filho menor de 16 anos. Requerimento após 180 dias. Efeitos
financeiros. Não retroatividade. Tema 1421.

DESTAQUE

Não retroage à data do óbito ou do recolhimento à prisão o início dos efeitos


financeiros da pensão por morte ou do auxílio-reclusão requerido por filho menor de 16
(dezesseis) anos após 180 (cento e oitenta) dias do evento ocorrido na vigência da modificação do
art. 74, I, da Lei n. 8.213/1991, pela Medida Provisória n. 871/2019, convertida na Lei n.
13.846/2019.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão submetida a julgamento sob o rito dos recursos repetitivos é a seguinte: "Saber se

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

retroage à data do óbito ou do recolhimento à prisão a data de início da pensão por morte ou do auxílio-
reclusão requerido por filho menor de 16 (dezesseis) anos após 180 (cento e oitenta) dias do evento, na
vigência da modificação do art. 74, I, da Lei n. 8.213/1991, pela Medida Provisória n. 871/2019, convertida
na Lei n. 13.846/2019".

A controvérsia diz respeito à data de início dos efeitos financeiros do benefício devido ao filho
menor de 16 (dezesseis) anos, quando há demora no requerimento administrativo. Para a pensão por
morte, a modificação do art. 74, I, da Lei n. 8.213/1991, promovida pela Medida Provisória n. 871/2019,
convertida na Lei n. 13.846/2019, passou a prever a retroação da data de início do benefício ao dia do
óbito, "quando requerida em até 180 (cento e oitenta) dias". Essa disposição aplica-se, observada a data
do recolhimento à prisão, ao auxílio-reclusão, o qual é devido "nas condições da pensão por morte" (art.
80 da Lei n. 8.213/1991, com redação dada pela Lei n. 13.846/2019).

A literalidade dos dispositivos normativos não deixa dúvidas quanto à impossibilidade de


retroação dos efeitos financeiros no requerimento tardio. O texto legal vigente afirma o direito à
retroação apenas quando o benefício é requerido "em até 180 (cento e oitenta) dias após o óbito" ou a
reclusão (art. 74, I, e art. 80 da Lei n. 8.213/1991, com redação dada pela Lei n. 13.846/2019).

Em geral, o decurso do tempo não prejudica o incapaz (art. 198, I, do CC; art. 103, parágrafo
único, da Lei n. 8.213/1991, incluído pela Lei n. 9.528/1997). No entanto, a disposição sobre o início do
benefício previdenciário requerido tardiamente é norma especial. Com isso, convive com a norma geral,
na forma do art. 2º, § 2º, da LINDB.

Essa limitação é compatível com as normas sobre a proteção à infância (art. 227, § 3º, II, da CF
e art. 26 da Convenção sobre os Direitos da Criança, em execução no Brasil por força do Decreto n.
99.710/1990). O direito ao benefício previdenciário não é afastado. Assim, a prestação é preservada, com
efeitos para o futuro. Apenas as parcelas vencidas é que são afastadas pela disposição legal. Trata-se de
uma limitação relevante, mas não desproporcional. O prazo fixado pelo legislador é razoável.

Com efeito, o marco para aplicação da legislação atual é a data do óbito ou da reclusão. Assim,
se o fato aconteceu antes de 18/1/2019, data da vigência da MP n. 871/2019, a norma nova não se aplica,
ainda que o benefício venha a ser requerido na vigência da alteração legislativa.

Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema 1421/STJ: "Não retroage à data do óbito ou do
recolhimento à prisão o início dos efeitos financeiros da pensão por morte ou do auxílio-reclusão
requerido por filho menor de 16 (dezesseis) anos após 180 (cento e oitenta) dias do evento ocorrido na
vigência da modificação do art. 74, I, da Lei n. 8.213/1991, pela Medida Provisória n. 871/2019, convertida
na Lei n. 13.846/2019".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Civil (CC), art. 198, I;


Constituição Federal (CF), art. 227, § 3º, II;
Decreto n. 99.710/1990, art. 26;
Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro (LINDB), art. 2º, § 2º;
Lei n. 8.213/1991, art. 74, I, art. 80, art. 103, parágrafo único;
Lei n. 9.528/1997;
Lei n. 13.846/2019;
Medida Provisória n. 871/2019.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 883

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

CORTE ESPECIAL

PROCESSO Inq 1.802-DF, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte
Especial, julgado em 20/5/2026, DJEN 26/5/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Crime de violência psicológica contra a mulher. Dano emocional.


Comprovação por qualquer forma. Prova técnica. Dispensa.

DESTAQUE

A violência psicológica contra a mulher não exige dano psíquico, apenas dano
emocional, que pode ser comprovado de qualquer forma, dispensando a prova técnica.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia a saber se há justa causa para a instauração da ação penal ajuizada
com base em denúncia oferecida contra Desembargador Federal aposentado compulsoriamente, por
suposta prática de violência psicológica contra a mulher (art. 147-B c/c art. 61, "g", do CP), por cinco
vezes, em detrimento de servidoras ocupantes de cargos em comissão em seu Gabinete, valendo-se da
condição de superior hierárquico.

Quanto ao ponto, o acusado arguiu a falta de justa causa para a ação penal, visto que a
acusação está amparada em elementos colhidos em processo administrativo disciplinar, sem finalidade
penal, e nos depoimentos das supostas vítimas, que não formalizaram, ao tempo dos fatos, notícia de
irregularidade, e sem elementos autônomos de corroboração.

De fato, não houve iniciativa das supostas vítimas de formalizar reclamação, representação ou
notícia de irregularidade em desfavor do acusado. No entanto, a inexistência de iniciativa não desqualifica
os testemunhos. Várias razões podem levar subordinados a não representar contra infrações de seus
superiores hierárquicos, como o receio de retaliação e de rotulação profissional ou social.

A acusação do delito de violência psicológica contra a mulher decorre da prática,


"reiteradamente e por vários anos", de condutas aptas a causar o dano emocional. Pode-se conceder que
alguns dos episódios descritos na denúncia são meramente pitorescos ou constrangedores.

Nesse sentido, ressalta-se que a violência psicológica contra a mulher é um crime de dano,
como deixa clara a redação do dispositivo legal - causar "dano emocional à mulher". O tipo penal em
questão não exige dano psíquico, apenas dano emocional, que pode ser comprovado de qualquer forma,
dispensando a prova técnica.

A doutrina traça diferença entre o "dano emocional" e o "dano psíquico". Este último configura
o delito de lesão corporal (art. 129 do CP) e exige comprovação técnica.

Para o delito de violência psicológica contra a mulher, não é indispensável que um transtorno

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

se instaure ou persista. A lei se contenta com o dano emocional, o qual deve ser qualificado pelo seu
resultado ("que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento"), ou por atender a um propósito
específico do agente ("que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e
decisões").

Assim, o dano emocional é caracterizado pelo impacto na vida da ofendida, é "uma alteração
do bem-estar" e não exige efetivo adoecimento, lesão psíquica ou sequela mental.

Importa ressaltar que não se trata de um delito que deixa vestígios, a serem avaliados por
exame de corpo de delito (art. 158 do CPP). Segundo o Enunciado 58 do Fórum Nacional de Juízas e
Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid), a prova do dano emocional prescinde
de exame pericial.

Seguindo essa linha, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) afirma que o crime
de violência psicológica contra a mulher pode ser demonstrado pela palavra da vítima ou outros
elementos, não sendo indispensável exame de corpo de delito.

No caso, a denúncia imputa a prática do delito de violência psicológica contra a mulher por
cinco vezes, contra pessoas diferentes. As supostas vítimas confirmaram ter sofrido dano emocional.
Todas as cinco mulheres apontadas como ofendidas narraram, em seus depoimentos, que tiveram
intenso sofrimento e passam por tratamentos psiquiátricos e acompanhamento psicológico, em razão de
adoecimento deflagrado pela violência psicológica à qual foram submetidas.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Penal (CP), art. 129 e art. 147-B c/c art. 61, g
Código de Processo Penal (CPP), art. 158

ENUNCIADOS DE JORNADAS DE DIREITO

Enunciado 58 do Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher
(Fonavid)

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 887

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

PROCESSO Inq 1.802-DF, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte
Especial, julgado em 20/5/2026, DJEN 26/5/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Desembargador Federal. Denúncia. Crime de assédio sexual. Posição


de superioridade hierárquica. Ocorrência. Atos que evidenciem o
intuito sexual implícito do agente. Configuração. Ameaça de
prejudicar ou a promessa de favorecer a vítima. Prescindibilidade.

DESTAQUE

1. A ameaça de prejudicar ou a promessa de favorecer a vítima não constituem


elementares do crime de assédio sexual.
2. O assédio pode configurar-se por meio de atos que evidenciem o intuito sexual
implícito do agente.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia a saber se há justa causa para a instauração da ação penal ajuizada
com base em denúncia oferecida contra Desembargador Federal aposentado compulsoriamente, por
suposta prática de assédio sexual, por três vezes, em detrimento de servidoras ocupantes de cargos em
comissão em seu gabinete, valendo-se da condição de superior hierárquico.

O assédio sexual foi tipificado pela introdução do art. 216-A no Código Penal (CP), pela Lei n.
10.224/2001. O tipo penal requer uma posição de superioridade hierárquica ou de ascendência entre o
autor do fato e a vítima - "condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de
emprego, cargo ou função".

No caso, o acusado tinha a condição de superior hierárquico em relação às vítimas. Ele estava
no exercício do cargo de Desembargador Federal, ao passo que as supostas ofendidas estavam no
exercício de cargo em comissão ligado ao seu gabinete.

O gabinete é um serviço auxiliar do magistrado que atua em Tribunal, na forma do art. 96, I, b,
da Constituição Federal (CF). Competia ao Desembargador Federal "exercer a direção e disciplina" do
serviço, nos termos do art. 21, V, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Lei Complementar n.
35/1979). O magistrado federal é responsável "pelo bom funcionamento" de serviço auxiliar, conforme
previsto no art. 55 da Lei n. 5.010/1966.

Como visto, na qualidade de Desembargador Federal, ele era o responsável pela indicação de
pessoas para ocupar "cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração" (art. 37, II,
da CF), destinados "às atribuições de direção, chefia e assessoramento", observados os "percentuais
mínimos previstos em lei" para preenchimento "por servidores de carreira" (art. 37, V, da CF),
denominados "CJ" no âmbito do Poder Judiciário da União (art. 5º da Lei n. 11.416/2016).

No que tange à ameaça, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça assenta que "a
ameaça de prejudicar ou a promessa de favorecer a vítima não constituem elementares do crime de
assédio sexual" (REsp n. 1.865.567/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 7/12/2021). A
posição hierárquica, por si só, contém implícita a ameaça de retaliação.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

Isso não significa que qualquer ato de aproximação configure infração penal. Segundo a
doutrina, o "assédio não se confunde com a paquera", situação em que há "consentimento mútuo e busca
recíproca por aproximação". Apenas a "conduta opressora, tendo por fim obrigar a parte subalterna, na
relação laborativa, à prestação de qualquer favor sexual, configura o assédio sexual".

No cenário em exame, os fatos descritos na acusação (falas de teor sexualizado ou de cunho


sedutor, elogios à aparência, convites insistentes para jantares, cafés, viagens e pernoites em casa de praia
ou no apartamento do denunciado, referência a "encontro na carne", entre outros) indicam, em tese,
objetivo sexual implícito.

Dessa forma, o crime de assédio sexual mostra-se configurado, pois o tipo penal prescinde de
explícita ameaça de retaliação ou promessa de vantagem, assim como da enunciação do propósito sexual
da vantagem.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Penal (CP), art. 216-A


Lei n. 10.224/2001
Constituição Federal (CF), art. 37, V, § 10 e art. 96, I, b
Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Lei Complementar n. 35/1979), art. 21, V
Lei n. 5.010/1966, art. 55

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministro João Otávio de


Noronha, Corte Especial, por unanimidade, julgado em 17/6/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Ação penal originária. Peculato-desvio. Recursos públicos destinados


a entidade do terceiro setor. Justa causa. Denúncia recebida.

DESTAQUE

Há justa causa para a ação penal quando a acusação de peculato-desvio se apoia em


prova inicial de materialidade (laudos, extratos, relatórios e procedimentos administrativos) e em
indícios suficientes de autoria, devendo as controvérsias sobre dolo, domínio do fato e natureza
dos atos praticados ser resolvidas na fase instrutória.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

A questão em discussão consiste em saber se há justa causa para o prosseguimento da ação


penal, à luz da existência de prova inicial de materialidade e de indícios mínimos de autoria quanto ao
suposto desvio de verbas públicas destinadas a Instituto e à reversão de recursos originalmente afetados a
Centro de Referência.

A justa causa para a persecução criminal, prevista no art. 395, III, do Código de Processo Penal,
constitui importante condição da ação penal, destinada a impedir o uso abusivo do ius accusationis. Com
efeito, ainda que não se exijam, para a deflagração da ação penal, provas cabais de autoria e
materialidade, não se admite a instauração de processo temerário ou destituído de lastro mínimo. Exige-
se, pois, que a denúncia esteja acompanhada de suporte indiciário suficiente a demonstrar a
plausibilidade da acusação.

Nesse juízo de delibação, eventual dúvida residual, desde que haja suporte probatório mínimo,
não conduz à rejeição liminar da denúncia, mas à instauração da instrução, momento em que as partes
poderão submeter as versões em conflito ao contraditório judicial pleno. Não se trata de antecipar
condenação, mas de reconhecer a viabilidade processual de uma acusação que ultrapassa o plano da
mera conjectura.

Na origem, trata-se de ação penal originária instaurada a partir de denúncia do Ministério


Público Federal em face de Procuradora Regional do Trabalho e de contadora, imputando-lhes, em
concurso de pessoas e em concurso material, a prática do crime previsto no art. 312, caput, do Código
Penal, c/c os arts. 29 e 69 do mesmo diploma, em razão de suposto desvio de verbas públicas no
montante aproximado de R$ 6.090.142,00, oriundas de acordo firmado pelo Ministério Público do
Trabalho com instituição financeira e destinadas a Instituto, bem como de R$ 226.949,25, quantia
inicialmente destinada a Centro de Referência e posteriormente revertida ao Instituto. A peça acusatória
narra que a Procuradora, valendo-se das facilidades do cargo, teria atuado de modo decisivo para
direcionar os recursos ao Instituto, centralizando a escolha dos beneficiários, alterando a destinação
inicialmente cogitada, revertendo, em momento posterior, verbas do Centro de Referência ao mesmo
instituto e recebendo vantagens diretas e indiretas; e que a contadora exerceria a administração de fato
do Instituto, com domínio das contas bancárias e da gestão financeira, direcionando recursos em
proveito próprio, de familiares e de pessoas jurídicas a ela vinculadas.

No caso, a prova da materialidade encontra amparo, ao menos em perspectiva inicial, na


documentação já referida pela própria denúncia e posteriormente individualizada pelo Ministério Público
Federal: laudo pericial contábil do MPT, extratos bancários, relatórios de informação, documentos do
inquérito civil, do PAJ, do PAD, da correição extraordinária e do PGEA relacionado ao Centro de
Referência, além dos elementos produzidos a partir das quebras de sigilo fiscal e bancário. A acusação
aponta que, do montante de R$ 7.000.000,00 destinado ao Instituto, R$ 6.090.142,00 tiveram as contas
reprovadas ou ficaram sem prestação adequada, e que o mesmo ocorreu com a verba de R$ 226.949,25
posteriormente revertida ao Instituto.

Quanto aos indícios de autoria, a denúncia apresenta substrato bastante, em tese, para ambas
as denunciadas. Em relação à Procuradora denunciada, há narrativa de sua atuação decisiva na
celebração do acordo com o Banco Itaú, inclusive em contexto em que a acusação reputa
funcionalmente irregular, com centralização da destinação dos recursos em sua pessoa, alteração
sensível da divisão originalmente cogitada dos valores e destinação de R$ 7.000.000,00 ao Instituto.

A isso somam-se os indícios de relacionamento próximo com a contadora acusada, a


interlocução direta sobre as atividades e destinações do instituto, o recebimento de R$ 28.000,00 do
Instituto sob a justificativa de compra de veículo, o custeio de viagem, os benefícios a familiares e,
sobretudo, a nova reversão de recursos do Centro de Referência ao Instituto em 2021, mesmo diante de
elementos que, segundo o MPF, já indicavam irregularidades relevantes na prestação de contas anterior.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

Trata-se, ao menos neste estágio, de quadro indiciário apto a evidenciar a plausibilidade da imputação de
que a Procuradora denunciada, valendo-se das facilidades do cargo, teria contribuído conscientemente
para o desvio dos recursos.

No que toca à contadora denunciada, a acusação descreve elementos também idôneos, em


tese, para o juízo de admissibilidade. Refere-se à condição de administradora de fato do Instituto,
corroborada, segundo a denúncia, por depoimentos de membros da diretoria formal que afirmaram
exercer apenas funções nominais, por retratações posteriores no sentido de que foram orientados a
mentir, pelo uso de certificado digital, pelo domínio das senhas das contas bancárias do instituto, por
compromissos firmados em nome da entidade, pelo funcionamento de sua empresa de contabilidade no
mesmo endereço do Instituto e pelo recebimento, por essa pessoa jurídica, de valores vultosos
incompatíveis, em princípio, com a explicação contratual apresentada. O rastreamento financeiro aponta
que a empresa da contadora denunciada teria recebido R$ 840.000,00 por boletos e R$ 361.464,88 por
transferências diretas, o que, somado à alegação de desproporcionalidade dos valores e à ausência de
comprovação idônea da contraprestação, fornece base mínima para a persecução penal.

Não se desconhecem os argumentos defensivos no sentido de que o repasse de R$ 28.000,00


decorreria de regular compra e venda de veículo, de que a atuação da contadora denunciada seria
meramente técnica, de que a estrutura estatutária do Instituto apontaria outros gestores formais e de que
a reprovação contábil de despesas não se confunde, automaticamente, com desvio penalmente relevante.
Ocorre que tais argumentos, embora relevantes, não têm, neste momento, força suficiente para
neutralizar o lastro probatório mínimo reunido pela acusação.

Em boa medida, o que se verifica é a oposição entre a narrativa ministerial, amparada em


laudos, relatórios, extratos, documentos administrativos e depoimentos, e versões defensivas alternativas
que demandam aprofundamento probatório. Em outras palavras, as defesas apresentam explicações
possíveis para determinados eventos, mas a simples existência de interpretação defensiva alternativa não
elimina a justa causa quando a acusação se sustenta em elementos concretos e individualizados. A
própria tese defensiva, ao oferecer versão distinta para fatos financeiramente rastreados, evidencia a
necessidade de instrução processual mais aprofundada, não a inviabilidade da ação penal.

Também não se pode acolher, nesta fase, a objeção de que a imputação seria puramente
derivada de irregularidades administrativas. A denúncia não se limita a afirmar reprovação de contas ou
infração burocrática. Ao contrário, procura vincular o desvio de finalidade à destinação concreta das
verbas para despesas incompatíveis com o objeto social da entidade, a benefícios diretos e indiretos às
próprias denunciadas e a pessoas a elas relacionadas, bem como a manobras de controle e ocultação da
gestão efetiva e do fluxo financeiro. É precisamente essa dimensão fática, e não a mera desconformidade
administrativa em abstrato, que autoriza o prosseguimento da persecução.

Em suma, a denúncia descreve fatos determinados, individualiza suficientemente as condutas


atribuídas a cada denunciada e se apoia em acervo indiciário mínimo bastante para demonstrar, nesta
fase, a materialidade em tese delitiva e os indícios de autoria. Desse modo, não estando configurada
ineptidão, ausência de pressuposto processual ou condição da ação, nem falta de justa causa, impõe-se o
recebimento da denúncia, deixando-se a cognição exauriente para a fase instrutória.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal (CPP), art. 395, III;


Código Penal (CP), art. 29, art. 69 e art. 312.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 611

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

PRIMEIRA TURMA

PROCESSO REsp 1.978.133-SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira


Turma, por unanimidade, julgado em 16/6/2026, DJEN 22/6/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL, DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Pretensão de redimensionamento da base de cálculo de débito


objeto de parcelamento ativo. Prescrição quinquenal. Art. 1º do
Decreto n. 20.910/1932. Termo a quo. Data da adesão ao
parcelamento.

DESTAQUE

Na pretensão de redimensionamento da base de cálculo de débito objeto de


parcelamento ativo, a fluência do prazo prescricional não aguarda a quitação integral do
programa, mas se processa a partir do ato de adesão ao parcelamento, na exata dicção do art. 1º
do Decreto n. 20.910/1932.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia consiste em debater a fixação do termo inicial da prescrição nas ações que
visam ao redimensionamento do montante de crédito tributário confessado em parcelamento ativo.

Inicialmente, cabe esclarecer que, diante da inexistência de regra específica no Código


Tributário Nacional (CTN) para essa hipótese, o prazo prescricional a ser observado é quinquenal, nos
moldes do Decreto n. 20.910/1932, que disciplina a prescrição das ações contra a Fazenda Pública.

Isso posto, tem-se que, no parcelamento, a extinção do crédito permanece em estado de


latência até a quitação integral. É justamente essa ausência de pagamento integral e, assim, de extinção
do crédito tributário nos termos do art. 156, I, do CTN, que afasta a aplicação do art. 168 do CTN, pois não
se cuida de repetir indébito derivado de pagamento, mas de redimensionar a própria dívida confessada.

Sob esse prisma, a fixação do termo inicial da prescrição pressupõe a exata identificação do
momento em que o crédito tributário parcelado foi formalizado. Nessa linha de intelecção, torna-se
indispensável verificar o ato que conferiu existência jurídica ao débito, para precisar quando a pretensão
tornou-se exercível.

Ao ingressar no programa de regularização fiscal, a manifestação do sujeito passivo unifica


instrumentalmente a obrigação tributária, instaurando marco de certeza e liquidez da dívida. Esse ato de
reconhecimento inequívoco transmuda-se no 'ato ou fato' originário a que alude o art. 1º do Decreto n.
20.910/1932, estabelecendo um termo inicial único para o exercício da pretensão, independentemente da
forma como a dívida foi inicialmente exteriorizada.

Além disso, é imperativo observar que o perfil jurídico do parcelamento não se confunde com
o do pagamento. Enquanto este opera a extinção imediata do vínculo obrigacional (art. 156, I, do CTN),
aquele consubstancia modalidade de moratória e enseja a suspensão da exigibilidade (art. 151, VI, do
CTN), mantendo a obrigação em estado de eficácia contida.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

Essa premissa é fulcral para promover a necessária distinção entre a hipótese vertente e o
entendimento sedimentado no Tema 229/STJ, cuja tese tem o seguinte teor: "A ação de repetição de
indébito [...] visa à restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, por isso que o termo a
quo é a data da extinção do crédito tributário, momento em que exsurge o direito de ação contra a
Fazenda Pública, sendo certo que, por tratar-se de tributo sujeito ao lançamento de ofício, o prazo
prescricional é quinquenal, nos termos do art. 168, I, do CTN (Primeira Seção, REsp n. 947.206/RJ, Rel.
Ministro Luiz Fux, j. 13.10.2010)."

Com efeito, a tese firmada em tal paradigma estabelece que a ação de repetição de indébito
tem, como termo inicial, a data da extinção do crédito tributário, momento em que exsurge a faculdade
de agir contra a Fazenda Pública (actio nata), nos termos do disposto no art. 168, I, do CTN.

Ocorre que, nas demandas que visam ao redimensionamento da base de cálculo do crédito
tributário confessado em parcelamento ativo, o cenário fático-jurídico é distinto. Não se cuida de
repetição de indébito, justamente porque não há extinção do crédito tributário - a qual tão somente se
perfectibilizará quando do pagamento da última parcela -, mas de postulação que busca rever o
montante do débito declarado.

Nesse contexto, a aplicação do Tema 229/STJ à situação em análise revelaria um


desalinhamento hermenêutico, porquanto, repita-se, no pagamento há um ato único que extingue o
liame obrigacional, sendo que, no parcelamento, diversamente, o vínculo entre sujeito ativo e passivo
permanece hígido: apenas a satisfação da dívida é parcelada.

Dessarte, imperioso reconhecer que a orientação contida no Tema 229/STJ não alcança as
hipóteses de insurgência judicial de parcelamento ativo. Para tais situações, a fluência do prazo
prescricional não aguarda a quitação integral do programa, mas se processa a partir do ato de adesão ao
parcelamento, na exata dicção do art. 1º do Decreto n. 20.910/1932.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Tributário Nacional (CTN), art. 151, VI, art. 156, I, art. 168, I;
Decreto n. 20.910/1932, art. 1º.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 229/STJ.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

PROCESSO REsp 1.737.359-PR, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira


Turma, por unanimidade, julgado em 9/6/2026, DJEN 17/6/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA Aquisição de álcool do tipo etanol etílico hidratado e álcool anidro


para revenda pelos distribuidores de combustíveis. Apropriação de
créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins. Possibilidade.
Inteligência do art. 5º, §§ 13 e 15, da Lei n. 9.718/1998, na redação
conferida pela Lei n. 11.727/2008. Inaplicabilidade do Tema 1093 dos
recursos repetitivos. Distinguishing. Possibilidade de creditamento no
regime monofásico quando há autorização legal expressa.

DESTAQUE

Durante o período em que vigorou a redação dada pela Lei n. 11.727/2008, por
expressa disposição legal, o contribuinte distribuidor de combustível estava autorizado a
apropriar-se de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, referentes a aquisições de álcool
para revenda, correspondentes aos valores devidos em decorrência dessa operação.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em definir se o distribuidor de combustível tem direito de descontar
créditos da Contribuição para o PIS e da COFINS na aquisição de álcool (etanol etílico hidratado e álcool
anidro) para revenda quando vigoravam as alterações da Lei n. 9.718/1998, com a redação dada pela Lei n.
11.727/2008, vinculados a receitas não tributadas.

Sobre o tema, ressalta-se que a incidência monofásica da Contribuição para o PIS e da COFINS
sobre derivados de petróleo foi instituída pela Lei n. 9.990/2000, que deu nova redação ao art. 4º da Lei n.
9.718/1998, concentrando a exigência dos aludidos tributos nas figuras dos produtores e importadores.

Nesse contexto, no Tema 1093/STJ, a Primeira Seção concluiu que, em regra, a instituição de
regime monofásico da contribuição ao PIS e da COFINS é incompatível com o direito à apropriação de
créditos, ressalvadas as hipóteses expressamente delineadas pelo legislador.

Embora, em princípio, os precedentes da Primeira Seção aparentem ser aplicáveis à hipótese


sob escrutínio, impõe-se necessário distinguishing, pois, no Tema 1093/STJ, a partir da interpretação
conjunta dos arts. 2º, § 1º-A, e 3º, I, b, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, fixou-se diretrizes gerais
para todos os bens sujeitos à monofasia, impedindo o creditamento no tocante à obtenção de bens
destinados à revenda, a exemplo de produtos farmacêuticos ou de higiene pessoal e autopeças,
excetuado o álcool, cujo direito à apuração de crédito encontra supedâneo em preceito legal diverso.

Com efeito, o art. 5º, § 13, da Lei n. 9.718/1998, com redação dada pela Lei nº 11.727/2008
(vigente à época dos fatos), possibilitava ao produtor, importador ou distribuidor de álcool, inclusive para
fins carburantes, sujeito ao regime de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, o creditamento
relativo à aquisição do produto para revenda.

Vale anotar que o direito ao creditamento foi posteriormente limitado, com a exclusão da
figura do distribuidor para tal fim, por meio da Medida Provisória n. 613/2013, convertida na Lei n.
12.859/2013.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

Assim, o fato de a contribuinte ter decidido pelo regime especial de apuração e pagamento da
Contribuição para o PIS e da COFINS sobre combustíveis, previsto na Lei n. 9.718/1998, não afasta a
sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS e da COFINS, restando plenamente possível o
desconto de créditos relativos à aquisição de álcool (etanol etílico hidratado e álcool anidro) para
revenda.

Portanto, conclui-se que, durante o período em que vigorou a redação dada pela Lei n.
11.727/2008, por expressa disposição legal, o contribuinte distribuidor de combustível estava autorizado a
apropriar-se de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, referentes a aquisições de álcool para
revenda, correspondentes aos valores devidos em decorrência dessa operação.

Por fim, a diretriz firmada pela Primeira Seção desta Corte, no Tema 1093/STJ, não se aplica às
aquisições de álcool, pois: (i) há norma legal expressa autorizando a apropriação de créditos nessas
hipóteses; e (ii) as teses vinculantes foram fixadas tendo em conta, precipuamente, o regime da aquisição
de bens para revenda previsto nos arts. 3º, I, b, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, não versando,
portanto, sobre a obtenção de álcool destinado à revenda, como no caso.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.718/1998, art. 4º.


Lei n. 9.990/2000, art. 5º, § 13.
Lei nº 11.727/2008.
Medida Provisória n. 613/2013.
Lei n. 10.637/2002, art. 3º, I, b.
Lei n. 10.833/2003, art. 3º, I, b.
Lei n. 12.859/2013.

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema 1093/STJ.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

TERCEIRA TURMA

PROCESSO REsp 2.225.449-RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 16/6/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL

TEMA Ação de reparação de danos materiais c/c compensação por danos


morais e dano estético. Cirurgia ortognática. Erro odontológico.
Inadimplemento absoluto. Resolução da avença. Restituição da
contraprestação efetuada pelo credor. Exigência do equivalente à
prestação inadimplida. Enriquecimento sem causa.

DESTAQUE

Constatado o inadimplemento absoluto decorrente do erro odontológico e tendo o


credor optado pela resolução da avença com a restituição da contraprestação por ele efetuada,
não lhe é dado exigir, também, o equivalente à prestação inadimplida (pagamento de outra
cirurgia realizada por terceiro), sob pena de se configurar o seu enriquecimento sem causa.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia visa decidir se houve enriquecimento sem causa na condenação de dentista ao
reembolso de cirurgia e ao custeio de nova intervenção por terceiro.

No caso, o Tribunal estadual, considerando que "restou demonstrado que o suplicante


necessitará de nova cirurgia para reparar a assimetria facial", decidiu que "não se vislumbra que a
condenação ao pagamento de novo procedimento reparador e o ressarcimento da cirurgia já realizada
acarretaria bis in idem, na medida em que se destina a reparar erro cometido na primeira cirurgia".

Sucede que, em se tratando de inadimplemento absoluto, surgem duas opções alternativas ao


credor: a exigência do equivalente pecuniário ou a resolução da relação contratual (art. 475 do Código
Civil). No cumprimento pelo equivalente, o vínculo negocial é mantido, de modo que, para que o credor
possa receber o equivalente da prestação, deverá manter a sua contraprestação; na resolução, o vínculo
contratual é extinto, ficando ambas as partes liberadas do cumprimento das suas obrigações.

No particular, constatado o inadimplemento absoluto decorrente do erro odontológico e


tendo o credor optado pela resolução da avença, com a restituição da contraprestação por ele efetuada,
não lhe é dado exigir, também, o equivalente à prestação inadimplida (pagamento de outra cirurgia
realizada por terceiro), sob pena de se configurar o seu enriquecimento sem causa.

Com efeito, a restituição integral do valor pago pelo credor é medida apta a colocá-lo na
situação em que se encontraria caso não tivesse celebrado o contrato.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Civil, art. 475.

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

SEXTA TURMA

PROCESSO AgRg no RMS 77.635-SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Rel.
para acórdão Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, por
maioria, julgado em 12/5/2026, DJEN 25/5/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Compartilhamento de prova digital obtida em ação cível de


produção antecipada de provas. Participação da vítima na fase
inquisitorial. Anuência do Ministério Público e autorização judicial.
Legalidade. Extinção do feito sem resolução de mérito na esfera
cível. Inexistência de vício de ilicitude ou nulidade da prova.
Possibilidade do compartilhamento anteriormente deferido.
Eficiência e economia processual. Princípio da comunhão da prova.
Desvinculação da iniciativa originária.

DESTAQUE

A extinção, sem resolução de mérito, da ação cível de produção antecipada de provas


por inadequação da via eleita não implica, por si só, inutilização ou invalidade das provas, se
ausente declaração de ilicitude, podendo ser legitimamente compartilhadas para fins penais,
observados os requisitos legais e constitucionais.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


O cerne da controvérsia reside em delimitar se a inadequação da via processual eleita na esfera
cível (produção antecipada de provas), que culminou na extinção do feito sem resolução do mérito,
acarreta, de forma automática, a inutilização ou a prejudicialidade das provas já produzidas para
quaisquer outros fins, inclusive no âmbito da investigação criminal, ou se, ao revés, tais elementos
informativos podem subsistir e ser legitimamente compartilhados.

Inicialmente, da análise dos arts. 14 e 271 do Código de Processo Penal, pode-se concluir que a
vítima no inquérito ou mesmo na qualidade de assistente de acusação figura como personagem
coadjuvante, porém ativa, na engrenagem da justiça. A ela é franqueado o direito de colaborar com a
construção da verdade dos fatos, podendo, de fato, sugerir a produção de provas. Entretanto, caberá à
autoridade competente, após ouvir o Ministério Público, decidir se as diligências/provas propostas pelo
ofendido serão pertinentes e produzidas. Assim, preserva-se o equilíbrio entre a participação colaborativa
e a condução ordenada do processo, garantindo que a busca pela verdade não se desvie dos trilhos da
legalidade e da necessidade.

No caso, o compartilhamento das provas advindas da medida de busca e apreensão efetivada


no juízo cível foi requerido ao juízo criminal pela autoridade policial, com anuência do Ministério Público
Federal, nos termos da lei. Assim, tem-se que a deliberação para solicitar a prova, somada à concordância
ministerial, evidencia, de plano, a pertinência, relevância e necessidade da diligência para a persecução
penal.

Considerando o contexto descrito, constata-se que não há falar em imposição, pela vítima, de

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

produção de provas que as autoridades julgaram impertinentes ou em interferência descabida nos rumos
da investigação. Isso porque tais provas já foram previamente reconhecidas como úteis à investigação
criminal. Somente houve a suspensão do compartilhamento diante da constatação, pelo juízo cível,
ratificada pelo Tribunal de origem, de que a extinção da ação cível de produção de provas acarretaria a
invalidade da prova e inviabilizaria o seu compartilhamento.

Contudo, nesse cenário, o reconhecimento da desnecessidade da produção antecipada de


provas não conduz, por si só, à inutilização do acervo probatório já constituído para outros fins. Isso
porque não se está diante de vício de ilicitude ou de nulidade reconhecido e apto a macular a prova em
sua essência, mas, tão somente, de um juízo de inadequação ou dispensabilidade em relação aos fins
específicos perseguidos na esfera cível, ou seja, de inutilidade da prova para a medida inicialmente
pretendida.

Cabe enfatizar que o debate cível versou sobre a adequação da via eleita e não sobre vício
intrínseco da medida de apreensão. Dessa forma, a ausência de necessidade da medida não compromete
a higidez da prova produzida, limitando-se a impedir seu aproveitamento naquele processo específico.
Não há, portanto, efeito automático de contaminação ou de invalidade que impeça sua eventual
utilização em outro contexto jurídico, inclusive na esfera penal, desde que observados os requisitos legais
e constitucionais aplicáveis.

Em suma, a extinção do feito sem resolução de mérito, por ausência de interesse de agir, em
razão do reconhecimento da desnecessidade da produção antecipada de provas, haja vista a prévia
existência de elementos probatórios suficientes à pretensão reparatória pretendida, sem que tenha havido
declaração de ilicitude da prova, não a invalida, limitando-se a acarretar o seu não aproveitamento no
âmbito da demanda em que foi produzida.

Cumpre lembrar, ademais, que o compartilhamento de provas atende, sobretudo, aos


princípios da economia processual, da eficiência e da busca da verdade real, evitando a repetição
desnecessária de atos probatórios e permitindo o aproveitamento de elementos já validamente
constituídos, especialmente nas hipóteses em que há risco de perecimento dos materiais.

Nessas condições, o compartilhamento previamente autorizado encontra amparo, também, no


princípio da comunhão da prova, segundo o qual o elemento probatório, uma vez regularmente
produzido, desvincula-se da iniciativa de sua produção e se submete à finalidade da atividade
jurisdicional, qual seja, a adequada reconstrução dos fatos relevantes ao julgamento.

Ademais, no caso, embora constem relatório final da Polícia Federal e informação técnica da
Comissão de Valores Mobiliários no sentido da ausência de materialidade, tais manifestações ainda não
tiveram acesso às evidências colhidas na esfera cível e, portanto, não afastam a necessidade nem a
utilidade do compartilhamento para exame abrangente dos elementos de convicção.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 27/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal (CPP), art. 14 e art. 271

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 877

Informativo de Jurisprudência n. 764

Informativo de Jurisprudência n. 731

Informativo de Jurisprudência n. 850

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.213.678-MG, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma,
por maioria, julgado em 7/4/2026, DJEN 24/4/2026.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Homicídio qualificado e crimes ambientais contra a fauna, contra a


flora e de poluição. Trancamento da ação penal. Falta de justa causa.
Exame aprofundado de fatos e provas. Violação do art. 413 do CPP.

DESTAQUE

Viola o art. 413 do Código de Processo Penal o acórdão que, ao determinar o


trancamento da ação penal por falta de justa causa, adentra no exame aprofundado e
pormenorizado de fatos e de provas indiciárias, usurpando a competência do juiz natural da
causa.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia a analisar acórdão de Tribunal Regional que determinou o
trancamento de ação penal por falta de justa causa.

No caso, a Corte Regional promoveu, sim, o exame aprofundado dos fatos e a análise
pormenorizada das provas. Até porque, a hipótese traz um quadro complexo de sucessão de fatos, não
sendo possível, da mera leitura da denúncia, alcançar a conclusão de falta de justa causa para as ações
penais.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 28/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

Com efeito, para cuidar da justa causa, foi necessário o exame mais aprofundado dos
elementos fáticos-probatórios que deram base à denúncia, como manifestação do Ministério Público
estadual, laudo pericial da Polícia Federal, mensagem de e-mail, organogramas da empresa, informações
de inquéritos policiais, Relatório do Comitê Executivo de Risco, anotações da Controladoria-Geral da
União. E assim procedendo, a Corte Regional acabou por afrontar o art. 413 do Código de Processo Penal,
dada a profundidade da análise realizada no julgamento do habeas corpus do paciente/recorrido.

Assim, houve efetivamente um avanço indevido sobre questão submetida ao procedimento do


júri - composto da fase de pronúncia e da fase de plenário - derivando daí a supressão imprópria da
competência do Tribunal do Júri

Isso porque, a denúncia delineia suficientemente o vínculo subjetivo do denunciado e o fato


atribuído a ele como crime. A falta de indícios de autoria não é evidente pela simples apresentação dos
fatos.

De fato, a denúncia descreve, de forma ampla, os fatos que culminaram com as mortes de 270
pessoas na região de Brumadinho/MG e afetou o meio ambiente. Relativamente ao paciente, indicou a
existência de indícios mínimos de autoria e particularizou a conduta dele de maneira suficiente para dar
início à persecução penal, à medida que na peça está exposto, entre outros aspectos, que o acusado não
só era Diretor-Presidente da Vale S/A, proprietária da Mina Córrego do Feijão, como também que teria
concorrido com os demais acusados para a omissão e adoção de medidas conhecidas e disponíveis de
transparência, segurança e emergência, assumindo, dessa forma, o risco de produzir os resultados mortes
e danos ambientais decorrentes do rompimento da Barragem I, em que se depositavam rejeitos de
mineração.

Ou seja, a denúncia descreve satisfatoriamente a conduta criminosa imputada ao acusado,


com demonstração de lastro probatório mínimo a sustentar a acusação. A análise aprofundada das provas
e a valoração do mérito devem ser realizadas pelo magistrado ao final da instrução processual.

Diante dessa acusação, tida pelo próprio Tribunal Regional como apta a deflagrar a ação penal,
não haveria como, senão pelo revolvimento de provas indiciárias, concluir, em habeas corpus, pela falta
de justa causa. Não se cuida de inequívoca falta de lastro probatório ou de atipicidade da conduta
perceptível de plano.

Ao assim proceder, o Tribunal de origem foi além dos estreitos limites desse remédio
constitucional e invadiu a competência do juiz natural da causa, a quem incumbe pronunciar ou não o
réu, após a devida instrução criminal. Enfim, acabou substituindo, em primeiro lugar, o Juízo
pronunciante e, em segundo, o Tribunal do Júri.

A ausência de dolo e de indícios de autoria capazes de justificar o trancamento da ação penal


deve ser constatada de forma inequívoca, sem exigir esforço interpretativo, pois, do contrário, corre-se o
risco de antecipar o julgamento do mérito sem a devida produção de provas.

Conclui-se, nesse contexto, que impedir o Estado de exercer sua função jurisdicional,
impossibilitando-o de sequer levantar os elementos de prova para verificar a verdade dos fatos, constitui
uma situação de extrema excepcionalidade, não presente no caso em análise, tornando prematuro o
trancamento da ação penal instaurada.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 29/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal (CPP), art. 413.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 28 - Edição Especial

Informativo de Jurisprudência n. 502

Informativo de Jurisprudência n. 492

Informativo de Jurisprudência n. 725

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 30/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

RECURSOS REPETITIVOS - AFETAÇÃO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.252.052-SC, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda


Seção, por unanimidade, julgado em 9/6/2026, DJEN 17/6/2026.
(Tema 1449).
ProAfR no REsp 2.252.492-PR, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Segunda
Seção, por unanimidade, julgado em 9/6/2026, DJEN 17/6/2026
(Tema 1449).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA A Segunda Seção acolheu a proposta de afetação do REsp


2.252.052-SC e do REsp 2.252.492-PR ao rito dos recursos
repetitivos a fim de uniformizar o entendimento a respeito da
seguinte controvérsia: "Definir, nas hipóteses de cumprimento
individual de sentença coletiva em que se estabeleceu a condenação
solidária dos réus, o cabimento do chamamento ao processo dos
litisconsortes e o reflexo desse ato em relação à competência da
Justiça Estadual".

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.226.538-PE, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte


Especial, por unanimidade, julgado em 9/6/2026, DJEN 18/6/2026.
(Tema 1450).
ProAfR no REsp 2.231.616-PE, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte
Especial, por unanimidade, julgado em 9/6/2026, DJEN 18/6/2026
(Tema 1450).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA A Corte Especial acolheu a proposta de afetação do REsp 2.226.538-


PE e do REsp 2.231.616-PE ao rito dos recursos repetitivos a fim de
uniformizar o entendimento a respeito da seguinte controvérsia:
"Definir se a ausência de manifestação do Judiciário quanto ao
pedido de gratuidade de justiça leva à conclusão de seu deferimento
tácito.".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 31/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.255.175-AL, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte


Especial, por unanimidade, julgado em 9/6/2026, DJEN 18/6/2026.
(Tema 1451).
ProAfR no REsp 2.231.453-AL, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte
Especial, por unanimidade, julgado em 9/6/2026, DJEN 18/6/2026
(Tema 1451).
ProAfR no REsp 2.231.452-AL, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte
Especial, por unanimidade, julgado em 9/6/2026, DJEN 18/6/2026
(Tema 1451).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA A Corte Especial acolheu a proposta de afetação do REsp 2.255.175-


AL, do REsp 2.231.453-AL e do REsp 2.231.452-AL ao rito dos
recursos repetitivos a fim de uniformizar o entendimento a respeito
da seguinte controvérsia: "Definir a possibilidade de ajuizamento de
cumprimento e liquidação de sentença coletiva no domicílio do
substituto processual, independentemente do domicílio dos
substituídos".

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 32/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

PROCESSO ProAfR no REsp 2.231.680-PE, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte


Especial, por unanimidade, julgado em 9/6/2026, DJEN 18/6/2026.
(Tema 1452).
ProAfR no REsp 2.236.696-PE, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Corte
Especial, por unanimidade, julgado em 9/6/2026, DJEN 18/6/2026
(Tema 1452).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA A Corte Especial acolheu a proposta de afetação do REsp REsp


2.231.680-PE e do REsp 2.236.696-PE ao rito dos recursos
repetitivos a fim de uniformizar o entendimento a respeito da
seguinte controvérsia: "Definir se a concessão da gratuidade da
justiça opera efeitos retroativos para alcançar encargos fixados
anteriormente ao requerimento".

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.232.839-PB, Rel. Ministro Humberto Martins,


Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 9/6/2026, DJEN
18/06/2026. (Tema 1453).
ProAfR no REsp 2.232.809-PB, Rel. Ministro Humberto Martins,
Segunda Seção, por unanimidade, julgado em 9/6/2026, DJEN
18/06/2026 (Tema 1453).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA A Segunda Seção acolheu a proposta de afetação do REsp


2.232.839-PB e REsp 2.232.809-PB ao rito dos recursos repetitivos a
fim de uniformizar o entendimento a respeito da seguinte
controvérsia: "Definir se, nas ações que visam à baixa de gravame
hipotecário, os honorários advocatícios sucumbenciais devem ser
fixados com base no valor do imóvel ou por apreciação equitativa".

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 33/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

PROCESSO ProAfR no REsp 2.239.250-SE, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira


Seção, por unanimidade, julgado em 2/6/2026, DJEN 19/6/2026.
(Tema 1454).
ProAfR no REsp 2.239.244-CE, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira
Seção, por unanimidade, julgado em 2/6/2026, DJEN 19/6/2026
(Tema 1454).

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação do REsp


2.239.250-SE e do REsp 2.239.244-CE ao rito dos recursos
repetitivos a fim de uniformizar o entendimento a respeito da
seguinte controvérsia: "Definir se a dispensa de condenação em
honorários do ente público federal, a que se refere o art. 19, § 1º, I, da
Lei 10.522, de 2002, se restringe às hipóteses dos incisos I a VII do
caput, ou se a listagem poderia ser considerada não exaustiva".

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO ProAfR no REsp 2.215.075-SC, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis


Moura, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 16/6/2026,
DJEN 19/6/2026. (Tema 1455).
ProAfR no REsp 2.177.940-RS, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis
Moura, Primeira Seção, por unanimidade, julgado em 16/6/2026,
DJEN 19/6/2026 (Tema 1455).

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO

TEMA A Primeira Seção acolheu a proposta de afetação do REsp 2.215.075-


SC e do REsp 2.177.940-RS ao rito dos recursos repetitivos a fim de
uniformizar o entendimento a respeito da seguinte controvérsia:
"Definir se a diferença entre o valor antecipado com base na
multiplicação do preço de tabela por multiplicador ou coeficiente e
o valor apurado com base no preço de venda efetivamente praticado
deve ser restituída ao comerciante varejista de cigarros e de
cigarrilhas nas contribuições para o Programa de Integração Social -
PIS e para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins".

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 34/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 35/35

Você também pode gostar