Inf0893
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de Jurisprudência
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
RECURSOS REPETITIVOS
PROCESSO AgInt nos EREsp 1.905.870-PR, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis
Moura, Corte Especial, por maioria, julgado em 3/6/2026.
DESTAQUE
Então, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, colegiado competente para as causas
tributárias, fixou o Tema 1079/STJ. Determinou, na ocasião, a modulação dos efeitos do julgado com
relação às empresas que ingressaram com ação judicial e/ou protocolaram pedidos administrativos até a
data do início do presente julgamento, obtendo pronunciamento (judicial ou administrativo) favorável,
restringindo-se a limitação da base de cálculo, porém, até a publicação do acórdão.
O dissenso jurisprudencial alegado pela Fazenda Nacional não é com relação à questão de
fundo, isto é, não questiona o que foi fixado no Tema 1079/STJ, mas, sim, a modulação do julgamento, a
teor do contido no § 3º do art. 927 do Código de Processo Civil (CPC).
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Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
Ocorre que a modulação é uma faculdade conferida ao órgão julgador, soberano no exame da
controvérsia, a partir das particularidades do caso, especialmente, em razão do impacto social e/ou
econômico que pode ocorrer a partir do entendimento firmado.
A questão da modulação dos efeitos foi enfrentada pelo órgão julgador a partir do exame do
posicionamento adotado pelos integrantes do colegiado, bem como dos Tribunais Regionais Federais,
não sendo possível o reconhecimento do alegado dissídio jurisprudencial com os paradigmas que
examinam o tema relativo à modulação também com base nas peculiaridades das situações lá tratadas.
Nesse contexto, não há dissenso quanto ao conceito de jurisprudência dominante, mas, sim,
quanto à aplicação da regra técnica de julgamento do recurso repetitivo conforme as circunstâncias
concretas.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 1079/STJ
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 27 - Edição Especial
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
DESTAQUE
1. Nas relações jurídicas de trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como
devedora, a prescrição do fundo de direito depende da negativa expressa do direito reclamado,
em ato normativo de efeito concreto ou ato administrativo formalizado e com ciência ao servidor.
2. A inércia do Município de Estreito-MA em implantar adicional por tempo de serviço,
na forma do art. 288 da Lei Municipal n. 7/1990, em folha de pagamento, não deu início ao prazo
de prescrição do fundo de direito.
Segundo a doutrina, no plano teórico dos direitos subjetivos funcionais a que correspondem
obrigações administrativas, é possível fazer uma distinção entre "direitos originantes" e "direitos
originados". Os primeiros correspondem a "todas as determinações que, segundo as modalidades legais",
a relação jurídica estatutária é "capaz de assumir em termos de situações jurídicas do servidor". São
exemplos as "decorrentes de promoção, acesso, reenquadramento, reclassificação, decurso de tempo,
desempenho de funções ou serviços especiais, aposentadoria etc.". Os segundos correspondem às
"consequências pecuniárias" dos primeiros. Ambos são exigíveis e estão sujeitos à prescrição: "realizado
suporte fático, pode o funcionário exigir prestação administrativa, que tenha por objeto o próprio vínculo
estatutário, ou uma das muitas situações configuráveis no lado dinâmico do mesmo vínculo, ou ainda só
os efeitos pecuniários".
O fundo de direito corresponde aos direitos originantes. Assim, são eles os direitos ligados à
situação jurídica fundamental de ser funcionário público, como "reclassificações, reenquadramentos,
direito a adicionais por tempo de serviço, direito à gratificação por prestação de serviço de natureza
especial". Nesse contexto, como as consequências pecuniárias, o fundo de direito também está sujeito à
prescrição.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
Portanto, é esse o parâmetro a ser observado. O simples transcurso do tempo não pode ser
considerado como uma negativa expressa.
No caso, não está demonstrada negativa expressa em relação ao pleito dos servidores do
Município de Estreito, no Maranhão, buscando a implantação em folha e a condenação ao pagamento das
diferenças atrasadas, referentes ao adicional por tempo de serviço de 5% (cinco por cento) do valor do
vencimento, a cada quinquênio completado, limitado ao máximo de 30% (trinta por cento), na forma do
art. 288 da Lei Municipal n. 7/1990.
O decurso dos meses, sem que a parcela fosse incorporada em folha de pagamento, não leva à
prescrição do fundo de direito. Apenas a pretensão à percepção das parcelas vai paulatinamente sendo
encoberta pelo decurso do prazo.
Dessa forma, deve ser afirmado que a negativa expressa do direito reclamado é condição para
o início do curso do prazo prescricional em relação ao fundo de direito. Assim, a inércia do Município de
Estreito em implantar adicional por tempo de serviço não deu início ao prazo de prescrição da pretensão
ao reconhecimento do direito. Satisfeito o requisito da negativa expressa, o prazo prescricional de cinco
anos das dívidas da Fazenda Pública (art. 1º do Decreto-Lei n. 20.910/1932) corre em relação ao fundo de
direito, também referido como direito à ação ou pretensão ao reconhecimento do direito.
Ante o exposto, fixam-se as seguintes teses do Tema 1410/STJ: "1. Nas relações jurídicas de
trato sucessivo em que a Fazenda Pública figure como devedora, a prescrição do fundo de direito
depende da negativa expressa do direito reclamado, em ato normativo de efeito concreto ou ato
administrativo formalizado e com ciência ao servidor. 2. A inércia do Município de Estreito-MA em
implantar adicional por tempo de serviço, na forma do art. 288 da Lei Municipal n. 7/1990, em folha de
pagamento, não deu início ao prazo de prescrição do fundo de direito".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SÚMULAS
Súmula n. 85/STJ.
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 1017/STJ.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 351
Informativo de Jurisprudência n. 20
DESTAQUE
O sindicato não tem legítimo interesse para propor ação civil pública buscando a
condenação ao pagamento de diferenças de complementação do FUNDEF ou do FUNDEB.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
Com efeito, o interesse direto em disputa é do Município, que tem legitimidade para agir em
juízo, na forma do art. 18 do CPC. A controvérsia central está em saber se os sindicatos de profissionais da
educação estão autorizados pelo ordenamento jurídico a ingressar em juízo, para defender o interesse da
municipalidade. A solução envolve a interpretação do art. 1º, IV e VIII, da Lei n. 7.347/1985, que trata do
objeto da ação civil pública, e do art. 5º, V, da Lei n. 7.347/1985, que trata da legitimidade das associações
para a sua propositura.
Quanto à legitimidade sindical para ajuizar ação civil pública, não há maiores dúvidas. O
sindicato é legitimado para agir em juízo, no interesse da categoria profissional respectiva (art. 8º, III, da
CF), e, como associação civil, pode ser autor da ação civil pública (art. 5º, V, da Lei n. 7.347/1985). Como
visto, há uma subvinculação do recurso transferido à remuneração de profissionais da educação.
Portanto, há interesse direto da categoria profissional beneficiada em pleitear a transferência ou
complementação.
Esse interesse existe mesmo para parcelas atrasadas. A subvinculação, quanto a valores
reconhecidos judicialmente e liquidados mediante precatório, foi contestada pelo Tribunal de Contas da
União (Acórdão 1.824/2017, Rel. Min. Walton Alencar Rodrigues, julgado em 23/8/2017), em decisão não
rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal (ADPF 528, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgada em
22/3/2022).
No entanto, a modificação do Direito deixa claro que, mesmo nos pagamentos via precatório
judicial, a subvinculação subsiste. Assim, após a decisão do TCU, a subvinculação foi afirmada em nível
constitucional (art. 5º, parágrafo único, da EC n. 114/2021) e em nível legal (art. 47-A, da Lei n.
14.113/2020, incluído pela Lei n. 14.325/2022).
A conclusão é diversa em relação à adequação da ação civil pública. À primeira vista, o pleito
de incremento das transferências ou de complementação parece adequado ao rito processual da ação
civil pública, por buscar a defesa de interesse difuso na educação e do patrimônio municipal (art. 1º, IV e
VIII, da Lei n. 7.347/1985). Não há dúvida de que está em jogo o interesse difuso na educação. Tampouco
há dúvida de que o patrimônio municipal está em jogo. O direito em questão é do Município.
Em princípio, a ação civil pública é adequada tanto para a defesa dos bens públicos, quanto
para as normas de direito financeiro. Assim, "pode haver proteção do patrimônio público por meio da
LACP" tanto "nos desvios de verba orçamentária (vícios na arrecadação e na despesa) quanto no que
respeita aos bens (degradação, depauperação, maus tratos, destinação, transferências indevidas etc.)",
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
Ainda assim, a ação civil pública não é via adequada para tutelar o interesse em causa. Não há
dúvida de que os recursos são recursos públicos, restem eles com a União ou sejam repassados ao
Município. Em semelhante situação, apenas o Município deve ser reputado legitimado para pleitear o
interesse em juízo, na forma do art. 18 do CPC. Os entes municipais dispõem de estrutura para interpretar
as normas cabíveis e para agir, caso entendam cabível. O uso da ação civil pública, nesse caso, ampliaria
sobremaneira o debate e poderia desequilibrar o relacionamento entre os entes.
Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema 1408/STJ: O sindicato não tem legítimo interesse para
propor ação civil pública buscando a condenação ao pagamento de diferenças de complementação do
FUNDEF ou do FUNDEB.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
ADPF 528.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
DESTAQUE
Não são aplicáveis aos bloqueios do FPM, em razão de dívidas com contribuições
previdenciárias, os limites de 9% (nove por cento) da cota-parte (art. 1º, caput, da Lei n.
9.639/1998) e de 15% (quinze por cento) da Receita Corrente Líquida (RCL) (art. 5º, § 4º, da Lei n.
9.639/1998).
Deve ser afirmada a inaplicabilidade das disposições da Lei n. 9.639/1998, salvo quanto aos
parcelamentos por ela regidos. Assim, o bloqueio do FPM por dívidas com contribuições previdenciárias
não está sujeito aos limites previstos nesse diploma normativo.
A Lei n. 9.639/1998, invocada como fonte da limitação à retenção, dispôs sobre parcelamentos
específicos, com prazo de adesão há muito ultrapassado. O prazo de adesão à modalidade mais recente
venceu há mais de quinze anos (31/8/2001), conforme modificações no texto legal operadas pela Medida
Provisória n. 2.187-13/2001.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
a liberação do FPM. A regra especial (Lei n. 9.639/1998) afasta (em parte) a exigência, na vigência dos
parcelamentos de débitos por ela regidos. Assim, há uma lei especial, que convive com a lei geral anterior,
na forma do art. 2º, § 2º, da LINDB.
Devem ser interpretadas de forma estrita as disposições que afastam as garantias dos créditos
previdenciários. A impossibilidade do parcelamento de débitos previdenciários também decorre de regra
constitucional (art. 195, § 11), muito embora existam exceções transitórias (art. 57 do ADCT e art. 116,
introduzido pela EC 113/2021 e modificado pela EC n. 136/2025). Ou seja, a Constituição elegeu a
proteção dos créditos previdenciários como um valor a merecer particular proteção.
Ademais, a extensão das limitações quantitativas previstas na Lei n. 9.639/1998 a débitos não
parcelados ou regidos por outros parcelamentos seria equivalente à criação de nova espécie de
parcelamento fora das hipóteses efetivamente previstas em lei e à revelia da previsão do art. 155-A do
CTN, que afirma que "o parcelamento será concedido na forma e condição estabelecidas em lei
específica".
Por todas essas razões, os limites quantitativos da Lei n. 9.639/1998, assim como as demais
disposições previstas nas leis de regência de parcelamentos especiais, se aplicam, unicamente, às
retenções especificamente previstas para os acordos de amortização e parcelamento avençados sob os
ditames do diploma.
Dessa forma, o bloqueio do FPM por dívidas com contribuições previdenciárias não está sujeito
aos limites previstos na Lei n. 9.639/1998, salvo quanto aos parcelamentos por ela regidos.
Ante o exposto, fixa-se a seguinte tese do Tema Repetitivo 1401/STJ: Não são aplicáveis a
bloqueios do FPM em razão de dívidas com contribuições previdenciárias os limites de 9% (nove por
cento) da cota-parte (art.1º, caput, da Lei n. 9.639/1998) e de 15% (quinze por cento) da Receita Corrente
Líquida (art. 5º, § 4º, da Lei n. 9.639/1998).
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
retroage à data do óbito ou do recolhimento à prisão a data de início da pensão por morte ou do auxílio-
reclusão requerido por filho menor de 16 (dezesseis) anos após 180 (cento e oitenta) dias do evento, na
vigência da modificação do art. 74, I, da Lei n. 8.213/1991, pela Medida Provisória n. 871/2019, convertida
na Lei n. 13.846/2019".
A controvérsia diz respeito à data de início dos efeitos financeiros do benefício devido ao filho
menor de 16 (dezesseis) anos, quando há demora no requerimento administrativo. Para a pensão por
morte, a modificação do art. 74, I, da Lei n. 8.213/1991, promovida pela Medida Provisória n. 871/2019,
convertida na Lei n. 13.846/2019, passou a prever a retroação da data de início do benefício ao dia do
óbito, "quando requerida em até 180 (cento e oitenta) dias". Essa disposição aplica-se, observada a data
do recolhimento à prisão, ao auxílio-reclusão, o qual é devido "nas condições da pensão por morte" (art.
80 da Lei n. 8.213/1991, com redação dada pela Lei n. 13.846/2019).
Em geral, o decurso do tempo não prejudica o incapaz (art. 198, I, do CC; art. 103, parágrafo
único, da Lei n. 8.213/1991, incluído pela Lei n. 9.528/1997). No entanto, a disposição sobre o início do
benefício previdenciário requerido tardiamente é norma especial. Com isso, convive com a norma geral,
na forma do art. 2º, § 2º, da LINDB.
Essa limitação é compatível com as normas sobre a proteção à infância (art. 227, § 3º, II, da CF
e art. 26 da Convenção sobre os Direitos da Criança, em execução no Brasil por força do Decreto n.
99.710/1990). O direito ao benefício previdenciário não é afastado. Assim, a prestação é preservada, com
efeitos para o futuro. Apenas as parcelas vencidas é que são afastadas pela disposição legal. Trata-se de
uma limitação relevante, mas não desproporcional. O prazo fixado pelo legislador é razoável.
Com efeito, o marco para aplicação da legislação atual é a data do óbito ou da reclusão. Assim,
se o fato aconteceu antes de 18/1/2019, data da vigência da MP n. 871/2019, a norma nova não se aplica,
ainda que o benefício venha a ser requerido na vigência da alteração legislativa.
Assim, fixa-se a seguinte tese do Tema 1421/STJ: "Não retroage à data do óbito ou do
recolhimento à prisão o início dos efeitos financeiros da pensão por morte ou do auxílio-reclusão
requerido por filho menor de 16 (dezesseis) anos após 180 (cento e oitenta) dias do evento ocorrido na
vigência da modificação do art. 74, I, da Lei n. 8.213/1991, pela Medida Provisória n. 871/2019, convertida
na Lei n. 13.846/2019".
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 883
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
CORTE ESPECIAL
PROCESSO Inq 1.802-DF, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte
Especial, julgado em 20/5/2026, DJEN 26/5/2026.
DESTAQUE
A violência psicológica contra a mulher não exige dano psíquico, apenas dano
emocional, que pode ser comprovado de qualquer forma, dispensando a prova técnica.
Quanto ao ponto, o acusado arguiu a falta de justa causa para a ação penal, visto que a
acusação está amparada em elementos colhidos em processo administrativo disciplinar, sem finalidade
penal, e nos depoimentos das supostas vítimas, que não formalizaram, ao tempo dos fatos, notícia de
irregularidade, e sem elementos autônomos de corroboração.
De fato, não houve iniciativa das supostas vítimas de formalizar reclamação, representação ou
notícia de irregularidade em desfavor do acusado. No entanto, a inexistência de iniciativa não desqualifica
os testemunhos. Várias razões podem levar subordinados a não representar contra infrações de seus
superiores hierárquicos, como o receio de retaliação e de rotulação profissional ou social.
Nesse sentido, ressalta-se que a violência psicológica contra a mulher é um crime de dano,
como deixa clara a redação do dispositivo legal - causar "dano emocional à mulher". O tipo penal em
questão não exige dano psíquico, apenas dano emocional, que pode ser comprovado de qualquer forma,
dispensando a prova técnica.
A doutrina traça diferença entre o "dano emocional" e o "dano psíquico". Este último configura
o delito de lesão corporal (art. 129 do CP) e exige comprovação técnica.
Para o delito de violência psicológica contra a mulher, não é indispensável que um transtorno
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
se instaure ou persista. A lei se contenta com o dano emocional, o qual deve ser qualificado pelo seu
resultado ("que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento"), ou por atender a um propósito
específico do agente ("que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e
decisões").
Assim, o dano emocional é caracterizado pelo impacto na vida da ofendida, é "uma alteração
do bem-estar" e não exige efetivo adoecimento, lesão psíquica ou sequela mental.
Importa ressaltar que não se trata de um delito que deixa vestígios, a serem avaliados por
exame de corpo de delito (art. 158 do CPP). Segundo o Enunciado 58 do Fórum Nacional de Juízas e
Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Fonavid), a prova do dano emocional prescinde
de exame pericial.
Seguindo essa linha, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) afirma que o crime
de violência psicológica contra a mulher pode ser demonstrado pela palavra da vítima ou outros
elementos, não sendo indispensável exame de corpo de delito.
No caso, a denúncia imputa a prática do delito de violência psicológica contra a mulher por
cinco vezes, contra pessoas diferentes. As supostas vítimas confirmaram ter sofrido dano emocional.
Todas as cinco mulheres apontadas como ofendidas narraram, em seus depoimentos, que tiveram
intenso sofrimento e passam por tratamentos psiquiátricos e acompanhamento psicológico, em razão de
adoecimento deflagrado pela violência psicológica à qual foram submetidas.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código Penal (CP), art. 129 e art. 147-B c/c art. 61, g
Código de Processo Penal (CPP), art. 158
Enunciado 58 do Fórum Nacional de Juízas e Juízes de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher
(Fonavid)
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 887
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
PROCESSO Inq 1.802-DF, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte
Especial, julgado em 20/5/2026, DJEN 26/5/2026.
DESTAQUE
O assédio sexual foi tipificado pela introdução do art. 216-A no Código Penal (CP), pela Lei n.
10.224/2001. O tipo penal requer uma posição de superioridade hierárquica ou de ascendência entre o
autor do fato e a vítima - "condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de
emprego, cargo ou função".
No caso, o acusado tinha a condição de superior hierárquico em relação às vítimas. Ele estava
no exercício do cargo de Desembargador Federal, ao passo que as supostas ofendidas estavam no
exercício de cargo em comissão ligado ao seu gabinete.
O gabinete é um serviço auxiliar do magistrado que atua em Tribunal, na forma do art. 96, I, b,
da Constituição Federal (CF). Competia ao Desembargador Federal "exercer a direção e disciplina" do
serviço, nos termos do art. 21, V, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Lei Complementar n.
35/1979). O magistrado federal é responsável "pelo bom funcionamento" de serviço auxiliar, conforme
previsto no art. 55 da Lei n. 5.010/1966.
Como visto, na qualidade de Desembargador Federal, ele era o responsável pela indicação de
pessoas para ocupar "cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração" (art. 37, II,
da CF), destinados "às atribuições de direção, chefia e assessoramento", observados os "percentuais
mínimos previstos em lei" para preenchimento "por servidores de carreira" (art. 37, V, da CF),
denominados "CJ" no âmbito do Poder Judiciário da União (art. 5º da Lei n. 11.416/2016).
No que tange à ameaça, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça assenta que "a
ameaça de prejudicar ou a promessa de favorecer a vítima não constituem elementares do crime de
assédio sexual" (REsp n. 1.865.567/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 7/12/2021). A
posição hierárquica, por si só, contém implícita a ameaça de retaliação.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
Isso não significa que qualquer ato de aproximação configure infração penal. Segundo a
doutrina, o "assédio não se confunde com a paquera", situação em que há "consentimento mútuo e busca
recíproca por aproximação". Apenas a "conduta opressora, tendo por fim obrigar a parte subalterna, na
relação laborativa, à prestação de qualquer favor sexual, configura o assédio sexual".
Dessa forma, o crime de assédio sexual mostra-se configurado, pois o tipo penal prescinde de
explícita ameaça de retaliação ou promessa de vantagem, assim como da enunciação do propósito sexual
da vantagem.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
A justa causa para a persecução criminal, prevista no art. 395, III, do Código de Processo Penal,
constitui importante condição da ação penal, destinada a impedir o uso abusivo do ius accusationis. Com
efeito, ainda que não se exijam, para a deflagração da ação penal, provas cabais de autoria e
materialidade, não se admite a instauração de processo temerário ou destituído de lastro mínimo. Exige-
se, pois, que a denúncia esteja acompanhada de suporte indiciário suficiente a demonstrar a
plausibilidade da acusação.
Nesse juízo de delibação, eventual dúvida residual, desde que haja suporte probatório mínimo,
não conduz à rejeição liminar da denúncia, mas à instauração da instrução, momento em que as partes
poderão submeter as versões em conflito ao contraditório judicial pleno. Não se trata de antecipar
condenação, mas de reconhecer a viabilidade processual de uma acusação que ultrapassa o plano da
mera conjectura.
Quanto aos indícios de autoria, a denúncia apresenta substrato bastante, em tese, para ambas
as denunciadas. Em relação à Procuradora denunciada, há narrativa de sua atuação decisiva na
celebração do acordo com o Banco Itaú, inclusive em contexto em que a acusação reputa
funcionalmente irregular, com centralização da destinação dos recursos em sua pessoa, alteração
sensível da divisão originalmente cogitada dos valores e destinação de R$ 7.000.000,00 ao Instituto.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
Trata-se, ao menos neste estágio, de quadro indiciário apto a evidenciar a plausibilidade da imputação de
que a Procuradora denunciada, valendo-se das facilidades do cargo, teria contribuído conscientemente
para o desvio dos recursos.
Também não se pode acolher, nesta fase, a objeção de que a imputação seria puramente
derivada de irregularidades administrativas. A denúncia não se limita a afirmar reprovação de contas ou
infração burocrática. Ao contrário, procura vincular o desvio de finalidade à destinação concreta das
verbas para despesas incompatíveis com o objeto social da entidade, a benefícios diretos e indiretos às
próprias denunciadas e a pessoas a elas relacionadas, bem como a manobras de controle e ocultação da
gestão efetiva e do fluxo financeiro. É precisamente essa dimensão fática, e não a mera desconformidade
administrativa em abstrato, que autoriza o prosseguimento da persecução.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 611
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
PRIMEIRA TURMA
DESTAQUE
Sob esse prisma, a fixação do termo inicial da prescrição pressupõe a exata identificação do
momento em que o crédito tributário parcelado foi formalizado. Nessa linha de intelecção, torna-se
indispensável verificar o ato que conferiu existência jurídica ao débito, para precisar quando a pretensão
tornou-se exercível.
Além disso, é imperativo observar que o perfil jurídico do parcelamento não se confunde com
o do pagamento. Enquanto este opera a extinção imediata do vínculo obrigacional (art. 156, I, do CTN),
aquele consubstancia modalidade de moratória e enseja a suspensão da exigibilidade (art. 151, VI, do
CTN), mantendo a obrigação em estado de eficácia contida.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
Essa premissa é fulcral para promover a necessária distinção entre a hipótese vertente e o
entendimento sedimentado no Tema 229/STJ, cuja tese tem o seguinte teor: "A ação de repetição de
indébito [...] visa à restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, por isso que o termo a
quo é a data da extinção do crédito tributário, momento em que exsurge o direito de ação contra a
Fazenda Pública, sendo certo que, por tratar-se de tributo sujeito ao lançamento de ofício, o prazo
prescricional é quinquenal, nos termos do art. 168, I, do CTN (Primeira Seção, REsp n. 947.206/RJ, Rel.
Ministro Luiz Fux, j. 13.10.2010)."
Com efeito, a tese firmada em tal paradigma estabelece que a ação de repetição de indébito
tem, como termo inicial, a data da extinção do crédito tributário, momento em que exsurge a faculdade
de agir contra a Fazenda Pública (actio nata), nos termos do disposto no art. 168, I, do CTN.
Ocorre que, nas demandas que visam ao redimensionamento da base de cálculo do crédito
tributário confessado em parcelamento ativo, o cenário fático-jurídico é distinto. Não se cuida de
repetição de indébito, justamente porque não há extinção do crédito tributário - a qual tão somente se
perfectibilizará quando do pagamento da última parcela -, mas de postulação que busca rever o
montante do débito declarado.
Dessarte, imperioso reconhecer que a orientação contida no Tema 229/STJ não alcança as
hipóteses de insurgência judicial de parcelamento ativo. Para tais situações, a fluência do prazo
prescricional não aguarda a quitação integral do programa, mas se processa a partir do ato de adesão ao
parcelamento, na exata dicção do art. 1º do Decreto n. 20.910/1932.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
Código Tributário Nacional (CTN), art. 151, VI, art. 156, I, art. 168, I;
Decreto n. 20.910/1932, art. 1º.
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 229/STJ.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
DESTAQUE
Durante o período em que vigorou a redação dada pela Lei n. 11.727/2008, por
expressa disposição legal, o contribuinte distribuidor de combustível estava autorizado a
apropriar-se de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, referentes a aquisições de álcool
para revenda, correspondentes aos valores devidos em decorrência dessa operação.
Sobre o tema, ressalta-se que a incidência monofásica da Contribuição para o PIS e da COFINS
sobre derivados de petróleo foi instituída pela Lei n. 9.990/2000, que deu nova redação ao art. 4º da Lei n.
9.718/1998, concentrando a exigência dos aludidos tributos nas figuras dos produtores e importadores.
Nesse contexto, no Tema 1093/STJ, a Primeira Seção concluiu que, em regra, a instituição de
regime monofásico da contribuição ao PIS e da COFINS é incompatível com o direito à apropriação de
créditos, ressalvadas as hipóteses expressamente delineadas pelo legislador.
Com efeito, o art. 5º, § 13, da Lei n. 9.718/1998, com redação dada pela Lei nº 11.727/2008
(vigente à época dos fatos), possibilitava ao produtor, importador ou distribuidor de álcool, inclusive para
fins carburantes, sujeito ao regime de apuração não cumulativa do PIS e da COFINS, o creditamento
relativo à aquisição do produto para revenda.
Vale anotar que o direito ao creditamento foi posteriormente limitado, com a exclusão da
figura do distribuidor para tal fim, por meio da Medida Provisória n. 613/2013, convertida na Lei n.
12.859/2013.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
Assim, o fato de a contribuinte ter decidido pelo regime especial de apuração e pagamento da
Contribuição para o PIS e da COFINS sobre combustíveis, previsto na Lei n. 9.718/1998, não afasta a
sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS e da COFINS, restando plenamente possível o
desconto de créditos relativos à aquisição de álcool (etanol etílico hidratado e álcool anidro) para
revenda.
Portanto, conclui-se que, durante o período em que vigorou a redação dada pela Lei n.
11.727/2008, por expressa disposição legal, o contribuinte distribuidor de combustível estava autorizado a
apropriar-se de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, referentes a aquisições de álcool para
revenda, correspondentes aos valores devidos em decorrência dessa operação.
Por fim, a diretriz firmada pela Primeira Seção desta Corte, no Tema 1093/STJ, não se aplica às
aquisições de álcool, pois: (i) há norma legal expressa autorizando a apropriação de créditos nessas
hipóteses; e (ii) as teses vinculantes foram fixadas tendo em conta, precipuamente, o regime da aquisição
de bens para revenda previsto nos arts. 3º, I, b, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, não versando,
portanto, sobre a obtenção de álcool destinado à revenda, como no caso.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema 1093/STJ.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 23/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
TERCEIRA TURMA
PROCESSO REsp 2.225.449-RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 16/6/2026.
DESTAQUE
Com efeito, a restituição integral do valor pago pelo credor é medida apta a colocá-lo na
situação em que se encontraria caso não tivesse celebrado o contrato.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 24/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 25/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
SEXTA TURMA
PROCESSO AgRg no RMS 77.635-SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Rel.
para acórdão Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, por
maioria, julgado em 12/5/2026, DJEN 25/5/2026.
DESTAQUE
Inicialmente, da análise dos arts. 14 e 271 do Código de Processo Penal, pode-se concluir que a
vítima no inquérito ou mesmo na qualidade de assistente de acusação figura como personagem
coadjuvante, porém ativa, na engrenagem da justiça. A ela é franqueado o direito de colaborar com a
construção da verdade dos fatos, podendo, de fato, sugerir a produção de provas. Entretanto, caberá à
autoridade competente, após ouvir o Ministério Público, decidir se as diligências/provas propostas pelo
ofendido serão pertinentes e produzidas. Assim, preserva-se o equilíbrio entre a participação colaborativa
e a condução ordenada do processo, garantindo que a busca pela verdade não se desvie dos trilhos da
legalidade e da necessidade.
Considerando o contexto descrito, constata-se que não há falar em imposição, pela vítima, de
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 26/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
produção de provas que as autoridades julgaram impertinentes ou em interferência descabida nos rumos
da investigação. Isso porque tais provas já foram previamente reconhecidas como úteis à investigação
criminal. Somente houve a suspensão do compartilhamento diante da constatação, pelo juízo cível,
ratificada pelo Tribunal de origem, de que a extinção da ação cível de produção de provas acarretaria a
invalidade da prova e inviabilizaria o seu compartilhamento.
Cabe enfatizar que o debate cível versou sobre a adequação da via eleita e não sobre vício
intrínseco da medida de apreensão. Dessa forma, a ausência de necessidade da medida não compromete
a higidez da prova produzida, limitando-se a impedir seu aproveitamento naquele processo específico.
Não há, portanto, efeito automático de contaminação ou de invalidade que impeça sua eventual
utilização em outro contexto jurídico, inclusive na esfera penal, desde que observados os requisitos legais
e constitucionais aplicáveis.
Em suma, a extinção do feito sem resolução de mérito, por ausência de interesse de agir, em
razão do reconhecimento da desnecessidade da produção antecipada de provas, haja vista a prévia
existência de elementos probatórios suficientes à pretensão reparatória pretendida, sem que tenha havido
declaração de ilicitude da prova, não a invalida, limitando-se a acarretar o seu não aproveitamento no
âmbito da demanda em que foi produzida.
Ademais, no caso, embora constem relatório final da Polícia Federal e informação técnica da
Comissão de Valores Mobiliários no sentido da ausência de materialidade, tais manifestações ainda não
tiveram acesso às evidências colhidas na esfera cível e, portanto, não afastam a necessidade nem a
utilidade do compartilhamento para exame abrangente dos elementos de convicção.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 27/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 877
PROCESSO REsp 2.213.678-MG, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma,
por maioria, julgado em 7/4/2026, DJEN 24/4/2026.
DESTAQUE
No caso, a Corte Regional promoveu, sim, o exame aprofundado dos fatos e a análise
pormenorizada das provas. Até porque, a hipótese traz um quadro complexo de sucessão de fatos, não
sendo possível, da mera leitura da denúncia, alcançar a conclusão de falta de justa causa para as ações
penais.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 28/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
Com efeito, para cuidar da justa causa, foi necessário o exame mais aprofundado dos
elementos fáticos-probatórios que deram base à denúncia, como manifestação do Ministério Público
estadual, laudo pericial da Polícia Federal, mensagem de e-mail, organogramas da empresa, informações
de inquéritos policiais, Relatório do Comitê Executivo de Risco, anotações da Controladoria-Geral da
União. E assim procedendo, a Corte Regional acabou por afrontar o art. 413 do Código de Processo Penal,
dada a profundidade da análise realizada no julgamento do habeas corpus do paciente/recorrido.
De fato, a denúncia descreve, de forma ampla, os fatos que culminaram com as mortes de 270
pessoas na região de Brumadinho/MG e afetou o meio ambiente. Relativamente ao paciente, indicou a
existência de indícios mínimos de autoria e particularizou a conduta dele de maneira suficiente para dar
início à persecução penal, à medida que na peça está exposto, entre outros aspectos, que o acusado não
só era Diretor-Presidente da Vale S/A, proprietária da Mina Córrego do Feijão, como também que teria
concorrido com os demais acusados para a omissão e adoção de medidas conhecidas e disponíveis de
transparência, segurança e emergência, assumindo, dessa forma, o risco de produzir os resultados mortes
e danos ambientais decorrentes do rompimento da Barragem I, em que se depositavam rejeitos de
mineração.
Diante dessa acusação, tida pelo próprio Tribunal Regional como apta a deflagrar a ação penal,
não haveria como, senão pelo revolvimento de provas indiciárias, concluir, em habeas corpus, pela falta
de justa causa. Não se cuida de inequívoca falta de lastro probatório ou de atipicidade da conduta
perceptível de plano.
Ao assim proceder, o Tribunal de origem foi além dos estreitos limites desse remédio
constitucional e invadiu a competência do juiz natural da causa, a quem incumbe pronunciar ou não o
réu, após a devida instrução criminal. Enfim, acabou substituindo, em primeiro lugar, o Juízo
pronunciante e, em segundo, o Tribunal do Júri.
Conclui-se, nesse contexto, que impedir o Estado de exercer sua função jurisdicional,
impossibilitando-o de sequer levantar os elementos de prova para verificar a verdade dos fatos, constitui
uma situação de extrema excepcionalidade, não presente no caso em análise, tornando prematuro o
trancamento da ação penal instaurada.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 29/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 28 - Edição Especial
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 30/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 31/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
ÁUDIO DO TEXTO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 32/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
ÁUDIO DO TEXTO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 33/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 34/35
Informativo de Jurisprudência n. 893 23 de junho de 2026.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 35/35