A Princesa da Aurora e a Rainha das Sombras
Capítulo I – O Reino Onde o Sol Nunca se Esquecia de Nascer
Muito além das montanhas azuis, onde os rios brilhavam como fitas de prata e os bosques eram
habitados por cervos de pelagem dourada e pássaros de todas as cores, existia o magnífico Reino de
Auria.
Dizia uma antiga profecia que aquele reino permaneceria em paz enquanto duas almas governassem
unidas por um amor verdadeiro.
Nesse reino vivia a Princesa Elara, conhecida por sua beleza, bondade e coragem. Seus cabelos
castanhos lembravam as folhas do outono, seus da mesma cor completavam o belo tom da estação,
eram como o céu de primavera e sua voz era tão doce que até as flores pareciam se abrir quando ela
cantava.
Elara possuía um dom raro herdado de sua mãe.
Sempre que tocava a terra, pequenas flores surgiam.
Quando chorava, suas lágrimas transformavam-se em cristais de cura.
Quando sorria, os animais aproximavam-se sem medo.
Todo o reino acreditava que a própria natureza a havia escolhido para proteger Auria.
Mas Elara não estava sozinha.
Ela tinha uma tia chamada Andra
Andra tinha um filho chamado Voragor
Enquanto Elara irradiava luz, Andra parecia caminhar sempre envolta por sombras.
Andra invejava sua sobrinha por saber que ela herdaria o reino de seu irmão, enquanto seu filho
seria sempre um servo.
Com o passar dos anos, aquela pequena inveja se tornou um sentimento sombrio.
Ela passou a acreditar que o reino havia roubado dela aquilo que deveria ser seu.
Na noite em que Elara foi oficialmente apresentada como herdeira do trono, Andra e seu filho
desapareceram.
Ninguém soube para onde haviam ido.
Alguns diziam que atravessaram as Montanhas Negras.
Outros juravam tê-las visto entrando na antiga Floresta das Sombras, onde nenhum feiticeiro
bondoso ousava caminhar.
Foi ali que encontrou o Grimório Obscuro, um livro proibido que consumia lentamente o coração
de qualquer pessoa que utilizasse sua magia.
Durante anos, Andra estudou feitiços esquecidos pelo tempo.
Cada página lida apagava um pouco de sua humanidade.
Cada magia aprendida fortalecia seu desejo de vingança.
Até que deixou de ser apenas uma princesa.
Tornou-se a mais poderosa bruxa que aquelas terras já conheceram.
Capítulo II – O Rei Verdikahn
Anos depois, durante um grande torneio entre reinos, Elara conheceu o jovem príncipe Verdikahn.
Belo, habilidoso e de coração nobre, Verdikahn não era admirado apenas por vencer batalhas, mas
por proteger os mais fracos.
Enquanto outros cavaleiros lutavam por glória, ele lutava por justiça.
Os dois se apaixonaram Rapidamente.
Conversavam durante horas nos jardins.
Passeavam pelos lagos encantados.
Montavam cavalos pelos campos floridos.
E descobriam, a cada dia, que compartilhavam o mesmo sonho:
Governar não pelo medo.
Mas pelo amor ao povo.
Quando finalmente se casaram, sinos tocaram durante sete dias.
As árvores floresceram fora de época.
Até mesmo as estrelas pareceram brilhar com mais intensidade.
Pouco tempo depois nasceram seus três filhos, três belos príncipes que celebrariam o amor e a força
do Reino de Auria
Príncipe Aiden
O mais velho.
Sábio.
Responsável.
Sonhava em tornar-se o maior feiticeiro da história.
Príncipe Lucien
O filho do meio.
Forte.
Destemido.
Capaz de enfrentar qualquer medo.
Príncipe Rowan
O caçula.
Curioso.
Engraçado.
Sempre inventando aventuras.
Os cinco eram inseparáveis.
Jantavam juntos.
Passeavam juntos.
Liam histórias antes de dormir.
O povo dizia:
“Enquanto essa família permanecer unida, nenhuma sombra vencerá Auria.”
Infelizmente…
Alguém também ouviu essa frase.
Capítulo III – O Feitiço da Lua Partida
Andra observava tudo através de seu caldeirão encantado.
Quanto mais via a felicidade da sobrinha, maior era seu ódio.
Então decidiu destruir não seus corpos…
Mas seus corações.
Nas profundezas das Montanhas Negras existia um lago chamado Espelho da Lua Partida.
Segundo a lenda, a água daquele lago refletia não aparência das pessoas…
Mas seus maiores medos.
Ali Andra realizou um ritual proibido do Grimório.
Ela desenhou um enorme círculo mágico usando cinzas de dragão, sangue de corvo e pétalas
negras.
No centro colocou duas alianças idênticas feitas de cristal negro.
Enquanto um eclipse cobria o céu, começou a entoar um encantamento antigo.
Sua voz ecoou pelas montanhas.
As águas do lago começaram a girar.
O vento apagou todas as estrelas.
Então Andra ergueu o grimório e pronunciou o feitiço supremo:
"Que a Lua se parta sobre dois corações.
Que toda lembrança feliz seja coberta pela névoa da dúvida.
Que cada palavra de amor seja ouvida como mentira.
Que cada abraço pareça traição.
Que cada silêncio se transforme em distância.
E que somente quando a verdadeira confiança renascer... este feitiço poderá ser
quebrado.
Assim ordeno pelo Eclipse Eterno!"
Uma enorme coluna de energia negra atravessou o céu.
A lua pareceu rachar ao meio.
Centenas de fragmentos de luz escura espalharam-se pelos ventos e viajaram até o castelo.
Naquela noite, enquanto dormiam, pequenos cristais negros pousaram sobre Elara e Verdikahn.
Sem que percebessem...
O feitiço entrou em seus corações.
Capítulo IV – Quando o Amor Começou a
Esquecer
Nada mudou imediatamente.
Foi algo lento.
Quase imperceptível.
Verdikahn começou a sonhar que Elara escondias cartas secretas.
Elara via ilusões mostrando Verdikahn sorrindo ao lado de outra rainha.
Durante o dia…
Pequenos acontecimentos eram distorcidos.
Se Verdikahn chegava atrasado, Elara acreditava que ele não queria mais vê-la.
Se Elara passava horas ajudando o povo, o rei imaginava que ela evitava sua companhia.
As ilusões tornavam-se cada vez mais convincentes.
O feitiço também alimentava o orgulho.
Nenhum dos dois conseguia pedir desculpas.
As conversas transformavam-se em discussões.
Os jantares aconteciam em silêncio.
As risadas desapareceram do castelo.
Os três pequenos príncipes observavam tudo.
Lucien chorava escondido.
Aiden tentava proteger os tiaos.
Rowan perguntava todos os dias:
— Mamãe… quando vocês vão voltar a sorrir?
Elara apenas o abraçava.
Mas nem ela sabia responder.
Depois de muitos meses…
Tomaram a decisão mais dolorosa de suas vidas.
Separaram-se.
Verdikahn mudou-se para a antiga Fortaleza do Norte.
Elara permaneceu no Castelo da Aurora com os filhos.
Naquele mesmo instante...
Toda a magia que protegia o reino começou a desaparecer.
As flores fecharam suas pétalas.
Os rios perderam o brilho.
Os unicórnios deixaram as florestas.
Os céus tornaram-se cinzentos.
Era exatamente o que Andra desejava.
Capítulo V – A Fera da Escuridão
Andra mais uma vez fez uso da sua magia mas agora para destruir
Um antigo selo e um sacrifício seriam feitos
No centro de uma antiga runa ela colocou seu Filho, junto com uma pedra negra e um amuleto
amaldiçoado
Maldição que aprisionava um mal terrível, Voragor assustado tentou recuar
Sua mãe entaõ citou palavras antigas, e seu filho e um negro dragão se tornou
E um rugido colossal ecoou pelas montanhas.
A era das sombras havia começado.
Das Montanhas Negras surgiu a maior criatura já vista.
Suas asas cobriam o sol.
Cada escama era negra como carvão.
Seus olhos brilhavam em vermelho.
As chamas que saíam de sua boca derretiam muralhas inteiras.
Seu rugido fazia montanhas racharem.
Atrás dele caminhava Andra
Vestida com uma armadura feita de sombras vivas.
Na cabeça usava uma coroa de espinhos negros.
Em suas mãos surgia um cajado formado pelo próprio Eclipse.
Ela ria.
— Agora ninguém poderá impedir meu reinado!
Voragor destruiu aldeias.
Incendiou florestas.
Derrubou torres.
O reino estava prestes a desaparecer.
Verdikahn reuniu todos os cavaleiros.
Elara convocou os guardiões mágicos da floresta.
Aiden liderou os soldados.
Lucien trouxe lobos, cervos, águias e ursos para lutar.
Rowan guiou todos por antigas passagens secretas até as Montanhas Negras.
Antes da batalha, Verdikahn ajoelhou-se diante da esposa.
— Desta vez... nenhuma magia poderá nos separar.
Elara sorriu.
— Porque agora lutaremos como um só coração.
Os cinco deram as mãos.
Uma luz dourada envolveu toda a família.
A lendária espada Luz da Alvorada despertou completamente.
O escudo Coração do Leão brilhou como ouro líquido.
Até os pequenos príncipes receberam armaduras encantadas.
Capítulo VI – A Batalha Final
A guerra começou.
Milhares de criaturas sombrias avançaram.
Os cavaleiros enfrentavam monstros.
Os animais protegiam o povo.
Enquanto isso...
Verdikahn correu diretamente contra Voragor.
O dragão lançou uma muralha de fogo.
O rei ergueu seu escudo.
As chamas abriram-se ao meio.
Voragor atacou com suas enormes garras.
Verdikahn desviava por centímetros.
A espada dourada golpeava as escamas negras.
Mas nenhuma delas era atravessada.
Do outro lado da montanha...
Elara enfrentava Andra.
Feitiços de luz e trevas iluminavam todo o céu.
Árvores explodiam.
Montanhas tremiam.
Os céus pareciam partir-se.
Andra ria.
— Você nunca será mais poderosa que eu!
Ela lançou relâmpagos negros.
Serpentes feitas de fumaça.
Espinhos gigantes.
Correntes de sombras.
Elara respondia com flores cristalinas.
Escudos de luz.
Pássaros dourados.
E espadas feitas de pura magia.
A batalha parecia infinita.
Capítulo VII – O Sacrifício do Rei
Durante o combate, Voragor levantou voo.
Preparou sua chama mais poderosa.
Uma explosão capaz de destruir todo o reino.
Verdikahn percebeu que, se aquele golpe fosse lançado, milhares morreriam.
Sem hesitar...
Montou em seu cavalo.
Saltou do topo de uma montanha.
E, no ar, lançou-se diretamente contra o dragão.
Enquanto caía, gritou:
— POR AURIA!
A espada Luz da Alvorada brilhou como um pequeno sol.
Toda a magia do amor de sua família concentrou-se na lâmina.
Verdikahn atravessou o peito de Voragor.
Uma explosão dourada iluminou o céu.
O dragão rugiu pela última vez.
Suas asas começaram a se desfazer.
Seu corpo transformou-se lentamente em milhares de partículas luminosas que subiram aos céus
como estrelas.
Auria estava salva do dragão.
Capítulo VIII – A Queda da Rainha das
Sombras
Ao ver Voragor derrotado, Andra perdeu o controle.
Tomada pela fúria, absorveu toda a magia do Eclipse.
Seu corpo tornou-se uma gigantesca criatura feita de sombras.
Sua voz ecoava como centenas de trovões.
Ela lançou um feitiço capaz de apagar toda a luz do mundo.
Mas Elara fechou os olhos.
Pensou em Verdikahn.
Pensou nos filhos.
Pensou em todo o povo.
Então levantou sua espada.
Uma lágrima caiu sobre a lâmina.
Instantaneamente nasceu a magia suprema da Aurora.
Uma luz branca, dourada e prateada envolveu todo o reino.
Era o Feitiço da Primeira Aurora, uma magia antiga criada para restaurar a esperança e dissipar
toda escuridão.
Elara declarou:
— Enquanto existir amor verdadeiro, nenhuma sombra governará este mundo!
O raio de luz atravessou o coração de Andra.
Toda a magia sombria começou a se desfazer.
Sua coroa rachou.
O cajado virou pó.
As sombras desapareceram.
Andra caiu de joelhos.
Pela primeira vez, lágrimas escorreram por seu rosto.
Ela compreendeu que a inveja havia destruído tudo o que amava.
Seu corpo dissolveu-se lentamente em pétalas negras, levadas pelo vento.
A Rainha das Sombras desapareceu para sempre.
Capítulo IX – Um Novo Amanhecer
Com Andra derrotada e Voragor vencido, a luz voltou a iluminar Aurória.
Os rios tornaram-se cristalinos.
As flores cobriram novamente os campos.
Os animais regressaram às florestas.
O povo comemorou durante sete dias e sete noites.
Na grande praça do reino, Elara e Verdikahn renovaram seus votos diante de toda a população.
Ao lado deles estavam seus filhos:
Aiden, agora reconhecido como herdeiro da sabedoria.
Lucien, guardião da coragem.
Rowan, símbolo da esperança e da alegria.
Os três receberam pequenas coroas de ouro, não como sinal de poder, mas como lembrança de que
foram eles quem salvaram a união da família.
Naquela noite, enquanto milhares de lanternas iluminavam o céu, Verdikahn segurou a mão de Elara
e disse:
— "Nenhum feitiço será mais forte do que aquilo que escolhemos construir juntos."
Elara sorriu, olhando para os filhos e para o reino restaurado.
— "Enquanto houver amor, sempre haverá um novo amanhecer."
E, desde então, o Reino de Aurória viveu uma era de paz tão duradoura que os bardos passaram a
contar essa história para todas as crianças, lembrando que a verdadeira força não nasce das espadas
nem da magia, mas da confiança, do perdão e do amor de uma família unida.