Politica Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança
Profa. Ana Hirley Magalhães
Vocês já acompanharam uma criança desde a gestação até os nove anos?
Quais foram as ações de enfermagem que mais impactaram esse cuidado?
Por que uma politica especifica para crianças existe dentro do SUS?
• O que é a PNAISC?
É uma politica pública do SUS que visa promover e proteger a saúde da criança desde a
gestação até os 09 anos de idade.
Promove diretrizes para a organização dos serviços de saúde, com atenção integral e
integrada.
• O que é a PNAISC?
OBJETIVO CENTRAL
Promover e proteger a saúde da criança e estimular práticas como aleitamento
materno, vigilância do crescimento e desenvolvimento, prevenção de doenças e
redução da mortalidade infantil.
Considera-se:
Criança – pessoa na faixa etária de 0 (zero) a 9 (nove) anos, ou seja, de 0 a 120
meses;
Primeira infância – pessoa na faixa etária de 0 (zero) a 5 (cinco) anos, ou seja, de 0 a
72 meses.
PRINCÍPIOS:
I - direito à vida e à saúde;
II - prioridade absoluta da criança;
III - acesso universal à saúde;
IV - integralidade do cuidado;
V - equidade em saúde;
VI - ambiente facilitador à vida;
VII - humanização da atenção; e
VIII - gestão participativa e controle social.
VAMOS PENSAR!!!
Apresente um exemplo prático de enfermagem que traduz um principio no
cuidado à criança.
Como a equipe de enfermagem na APS organiza o cuidado para garantir que uma
criança com risco nutricional receba acompanhamento adequado?
Vamos falar das diretrizes relacionadas a PNAISC na elaboração dos planos, programas,
projetos e ações de saúde?
I - gestão interfederativa das ações de saúde da criança;
II - organização das ações e serviços na rede de atenção;
III - promoção da saúde;
IV - fomento à autonomia do cuidado e da corresponsabilidade da família;
V - qualificação da força de trabalho do SUS;
VI - planejamento e desenvolvimento de ações;
VII - incentivo à pesquisa e à produção de conhecimento;
VIII - monitoramento e avaliação;
IX - intersetorialidade.
A PNAISC se estrutura em 7 (sete) eixos estratégicos, com a finalidade de
orientar e qualificar as ações e serviços de saúde da criança no território
nacional, considerando os determinantes sociais e condicionantes para
garantir o direito à vida e à efetivação de medidas que permitam o
nascimento e o pleno desenvolvimento na infância, de forma saudável e
harmoniosa saúde, visando à, bem como a redução das vulnerabilidades e
riscos para o adoecimento e outros agravos, a prevenção das doenças
crônicas na vida adulta e da morte prematura de crianças.
I - atenção humanizada e qualificada à gestação, ao parto, ao nascimento e
ao recém-nascido:
melhoria do acesso, cobertura, qualidade e humanização da atenção obstétrica
e neonatal, integrando as ações do pré-natal e acompanhamento da criança na
atenção básica com aquelas desenvolvidas nas maternidades.
II - aleitamento materno e alimentação complementar saudável:
promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno, iniciando na gestação,
considerando-se as vantagens da amamentação para a criança, a mãe, a
família e a sociedade, bem como a importância de estabelecimento de hábitos
alimentares saudáveis.
III - promoção e acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento
integral:
vigilância e estímulo do pleno crescimento e desenvolvimento da criança, em
especial do "Desenvolvimento na Primeira Infância (DPI)", pela atenção básica à
saúde, conforme as orientações da "Caderneta de Saúde da Criança", incluindo
ações de apoio às famílias para o fortalecimento de vínculos familiares.
IV - atenção integral a crianças com agravos prevalentes na infância e com
doenças crônicas:
diagnóstico precoce e qualificação do manejo de doenças prevalentes na
infância e ações de prevenção de doenças crônicas e de cuidado dos casos
diagnosticados.
V - atenção integral à criança em situação de violências, prevenção de
acidentes e promoção da cultura de paz:
• articular um conjunto de ações e estratégias da rede de saúde para a
prevenção de violências, acidentes e promoção da cultura de paz;
• organizar metodologias de apoio para a qualificação da atenção à criança
em situação de violência de natureza sexual, física e psicológica, negligência
e/ou abandono, visando à implementação de linhas de cuidado na Rede de
Atenção à Saúde e na rede de proteção social no território.
VI - atenção à saúde de crianças com deficiência ou em situações específicas
e de vulnerabilidade:
conjunto de estratégias para inclusão dessas crianças nas redes temáticas de
atenção à saúde mediante a identificação de situação de vulnerabilidade e
risco de agravos e adoecimento, reconhecendo as especificidades deste público
para uma atenção resolutiva.
VII - vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e materno:
monitoramento e investigação da mortalidade infantil e fetal e avaliação das
medidas necessárias para a prevenção de óbitos evitáveis.
Art. 14. A PNAISC se organiza a partir da:
Rede de Atenção à Saúde e de seus eixos estratégicos, mediante a articulação
das ações e serviços de saúde disponíveis nas redes temáticas, em especial
aquelas desenvolvidas na rede de saúde materna neonatal e infantil e na
atenção básica.
Art. 15. Compete ao Ministério da Saúde:
I - articular e apoiar a implementação da PNAISC, em parceria com os gestores
estaduais e municipais de saúde, o alinhamento das ações e serviços de saúde
da criança no Plano Nacional de Saúde, considerando as prioridades e as
especificidades regionais, estaduais e municipais;
II - desenvolver ações de mobilização social, informação, educação,
comunicação, visando a divulgação da PNAISC e a implementação das ações de
atenção integral à saúde da criança;
Art. 15. Compete ao Ministério da Saúde:
III - propor diretrizes, normas, linhas de cuidado e metodologias específicas
necessárias à implementação da PNAISC;
IV - prestar assessoria técnica e apoio institucional aos Estados, ao Distrito
Federal e aos Municípios no processo de implementação de atenção integral à
saúde da criança nas regiões de saúde;
Art. 15. Compete ao Ministério da Saúde:
V- promover a capacitação e educação permanente dos profissionais de saúde,
em parceria com instituições de ensino e pesquisa, para a atenção integral à
saúde da criança no SUS;
VI - fomentar a qualificação de serviços como centros de apoio e formação em
boas práticas em saúde da criança, visando à troca de experiências e de
conhecimento;
Art. 15. Compete ao Ministério da Saúde:
VII - monitorar e avaliar os indicadores e as metas nacionais relativas à saúde
da criança, estabelecidas no Plano Nacional de Saúde e em outros instrumentos
de gestão;
VIII - apoiar e fomentar a realização de pesquisas consideradas estratégicas no
contexto da PNAISC;
Art. 15. Compete ao Ministério da Saúde:
IX - promover articulação intersetorial e interinstitucional com os diversos
setores e instituições governamentais e não governamentais, com organismos
internacionais, envolvidos com a saúde da criança, em busca de parcerias que
favoreçam a implementação da PNAISC;
X - estimular, apoiar e participar do processo de discussão sobre as ações de
atenção integral à saúde da criança nas redes temáticas de atenção à saúde,
com os setores organizados da sociedade nas instâncias colegiadas e de
controle social; e
Art. 15. Compete ao Ministério da Saúde:
XI - designar e apoiar sua respectiva representação política nos fóruns,
colegiados e conselhos nacionais envolvidos com a temática da saúde da
criança, em especial no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do
Adolescente (CONANDA).
Art. 16. Compete às Secretarias de Saúde dos Estados e do Distrito Federal:
I - coordenar a implementação da PNAISC no âmbito do seu território,
respeitando as diretrizes do Ministério da Saúde e promovendo as adequações
necessárias, de acordo com o perfil epidemiológico e as prioridades e
especificidades loco-regionais e articular, em parceria com os gestores
municipais de saúde, o alinhamento das ações e serviços de saúde da criança
no Plano Estadual de Saúde;
Art. 16. Compete às Secretarias de Saúde dos Estados e do Distrito Federal:
II - desenvolver ações de mobilização social, informação, educação,
comunicação, no âmbito estadual e distrital, visando a divulgação da PNAISC e
a implementação das ações de atenção integral à saúde da criança;
III - prestar assessoria técnica e apoio institucional aos Municípios e às regiões
de saúde no processo de gestão, planejamento, execução, monitoramento e
avaliação de programas e ações de atenção integral à saúde da criança;
Art. 16. Compete às Secretarias de Saúde dos Estados e do Distrito Federal:
IV - promover a capacitação e educação permanente dos profissionais de
saúde, se necessário em parceria com instituições de ensino e pesquisa, para a
atenção integral à saúde da criança no âmbito estadual, distrital e municipal,
no que couber;
V - monitorar e avaliar os indicadores e as metas estaduais e distritais relativas
à saúde da criança, estabelecidas no Plano Estadual de Saúde e em outros
instrumentos de gestão;
Art. 16. Compete às Secretarias de Saúde dos Estados e do Distrito Federal:
VI - promover articulação intersetorial e interinstitucional com os diversos
setores e instituições governamentais e não governamentais, com organismos
internacionais, envolvidos com a saúde da criança, em busca de parcerias que
favoreçam a implementação da PNAISC;
VII - estimular, apoiar e participar do processo de discussão sobre as ações de
atenção integral à saúde da criança nas redes temáticas de atenção à saúde,
com os setores organizados da sociedade nas instâncias colegiadas e de
controle social; e
Art. 16. Compete às Secretarias de Saúde dos Estados e do Distrito Federal:
VIII - designar e apoiar sua respectiva representação política nos fóruns,
colegiados e conselhos estaduais envolvidos com a temática da saúde da
criança, em especial no Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do
Adolescente.
Art. 17. Compete às Secretarias de Saúde dos Municípios:
I - implantar/implementar a PNAISC, no âmbito do seu território, respeitando
suas diretrizes e promovendo as adequações necessárias, de acordo com o
perfil epidemiológico e as prioridades e especificidades locais e articular o
alinhamento das ações e serviços de saúde da criança no Plano Municipal de
Saúde, e no Planejamento Regional;
Art. 17. Compete às Secretarias de Saúde dos Municípios:
II - promover a capacitação e educação permanente dos profissionais de saúde,
se necessário em parceria com instituições de ensino e pesquisa, para a
atenção integral à saúde da criança no âmbito municipal, no que couber;
III - monitorar e avaliar os indicadores e as metas municipais relativas à saúde
da criança, estabelecidas no Plano Municipal de Saúde e em outros
instrumentos de gestão e no Planejamento Regional e alimentar os sistemas de
informação da saúde, de forma contínua, com dados produzidos no sistema
local de saúde;
Art. 17. Compete às Secretarias de Saúde dos Municípios:
IV - promover articulação intersetorial e interinstitucional com os diversos
setores e instituições governamentais e não governamentais, com organismos
internacionais, envolvidos com a saúde da criança, em busca de parcerias que
favoreçam a implementação da PNAISC;
V - fortalecer a participação e o controle social no planejamento, execução,
monitoramento e avaliação de programas e ações de atenção integral à saúde
da criança; e
Art. 17. Compete às Secretarias de Saúde dos Municípios:
VI - designar e apoiar sua respectiva representação política nos fóruns,
colegiados e conselhos municipais envolvidos com a temática da saúde da
criança, em especial no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do
Adolescente.
Art. 18. O financiamento da PNAISC é de responsabilidade tripartite, de acordo
com pactuação nas instâncias colegiadas de gestão do SUS.
Art. 19. O processo de monitoramento e avaliação da PNAISC ocorrerá de
acordo com as pactuações realizadas nas instâncias colegiadas de gestão do
SUS.
O monitoramento e a avaliação deverão considerar os indicadores de atenção à
saúde da criança, estabelecidos nos instrumentos de gestão do SUS, em âmbito
federal, estadual, do Distrito Federal e municipal.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Portaria nº 1.130, de 5 de agosto de 2015. Institui a Política Nacional de Atenção Integral à
Saúde da Criança (PNAISC) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Diário Oficial da União, Brasília,
DF, 6 ago. 2015.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas
Estratégicas. Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança: orientações para implementação
/ Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas
Estratégicas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
Estatuto da criança e do adolescente
O que é ECA?
[Link]
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei nº 8.069/1990) é
compreender a transição do Brasil de um modelo de "vigilância" para um de
proteção integral.
No ECA, crianças (até 12 anos incompletos) e adolescentes (entre 12 e 18
anos) deixam de ser objetos de intervenção e passam a ser sujeitos de
direitos.
PILARES FUNDAMENTAIS DO ECA
Doutrina da Proteção Integral:
A lei garante que a criança e o adolescente gozam de todos os direitos
fundamentais inerentes à pessoa humana.
Antes do ECA, crianças e adolescentes eram vistos como “menores” e tratados de forma
assistencialista ou punitiva.
A Doutrina da Proteção Integral garante que eles:
• possuem todos os direitos fundamentais da pessoa humana;
• têm direito à proteção, promoção e defesa integral;
• devem ser cuidados considerando aspectos físicos, emocionais, sociais e culturais.
EXEMPLO
Uma criança hospitalizada não precisa apenas de medicação correta...
Ela precisa de:
•ambiente acolhedor
•linguagem adequada à idade
•presença do responsável
•respeito à dor, ao medo e às emoções
Prioridade Absoluta
O dever da família, da sociedade e do Estado de assegurar direitos (vida, saúde, educação,
etc.) com primazia de socorro e precedência em políticas públicas.
Estabelece que crianças e adolescentes vêm primeiro nas decisões da família, da sociedade e
do estado.
Envolve:
• Primazia de receber proteção e socorro;
• Precedência no atendimento em serviços públicos;
• Prioridade na formulação e execução de políticas públicas;
• Destinação privilegiada de recursos.
Portanto, quando há disputa por atenção, recurso ou cuidado, a criança é prioridade.
EXEMPLO
• Atendimento de urgência: criança é atendida antes;
• Vacinação infantil: prioridade nas campanhas;
• Consulta de puericultura: não é “opcional”, é essencial;
• Notificação de violência: deve ser imediata, sem “esperar”.
O enfermeiro tem papel central em garantir essa prioridade no SUS.
Convivência Familiar
A regra é manter o jovem em sua família natural; o acolhimento institucional ou adoção são
medidas excepcionais.
Estabelece que o melhor lugar para a criança e o adolescente é junto de sua família.
A família é considerada espaço de cuidado, proteção, afeto...
O acolhimento institucional ou adoção só ocorrem quando há risco grave ou violação de
direitos, ou seja, a criança não pode permanecer com a família naquele momento porque sua
vida, saúde, integridade física ou emocional estão ameaçadas.
EXEMPLO
Criança de 2 anos chega varias vezes na unidade de saúde com desnutrição,
atraso no crescimento e desenvolvimento, sinais de abandono, responsáveis
não comparecem as consultas...
A equipe tenta orientar a família, acionar assistente social, acompanhar...
Se nada mudou e a criança continua em risco – há violação do direito à saúde e
à alimentação. O conselho tutelar pode determinar acolhimento institucional
temporário, ate que a família tenha condições de cuidar.
EXEMPLO
Criança de 6 anos apresenta lesões incompatíveis com a historia, medo
excessivo de um responsável, relato de violência domestica ou sexual...
A convivência familiar não pode ser mantida porque a família tornou-se o local
de risco.
A criança é afastada do agressor.
Pode ir para abrigo ou família acolhedora.
O objetivo não é adoção, é proteção.
EXEMPLO
A adoção só acontece quando:
• todas as tentativas de reintegração familiar falharam;
• a família não conseguiu ou não quis garantir os direitos da criança;
• o afastamento se tornou definitivo (decisão judicial).
ATUALIZAÇÕES RECENTES
Lei 15.211/2025 (ECA Digital)
Estabelece o Estatuto Digital. Obriga a verificação de idade em plataformas,
restringe publicidade infantil baseada em perfilamento e exige controles
parentais robustos.
Lei 15.240/2025
Reconhece o abandono afetivo como conduta ilícita, reforçando o dever de
cuidado emocional e prevendo reparação de danos em casos de omissão grave.
Lei 14.979/2024
Torna obrigatória a consulta a cadastros estaduais e nacionais de adoção pelo
juiz antes de decisões sobre acolhimento ou guarda.
Lei 14.811/2024
Incluiu os crimes de Bullying e Cyberbullying no Código Penal e agravou penas
para crimes cometidos contra crianças e adolescentes.
Cyberbullying - prática de intimidação, humilhação, perseguição ou agressão
verbal de forma sistemática utilizando o ambiente digital.
Lei 14.950/2024
Garante o direito de crianças e adolescentes visitarem mães e pais internados
em instituições de saúde, preservando o vínculo afetivo mesmo na
hospitalização.
Para estudo!
[Link]