O FORMADOR FACE AOS SISTEMAS E
CONTEXTOS DE MUDANÇA
Objetivos
• Conhecer a Legislação específica em vigor no âmbito de formação inserida no
mercado do trabalho;
• Identificar as componentes da formação, os níveis de formação e as
modalidades de formação;
• Conhecer o sistema de acreditação das entidades e o papel do IQF;
• Identificar o contributo do perfil do formador nos domínios técnico e
personalidade para a eficácia pedagógica;
• Reunir competências a nível humano, pedagógico e a nível técnico –
profissional
SÍNTESE DOS CONTEÚDOS
1. Caracterização dos sistemas de formação
2. Formação Profissional inserida nos Sistemas de Educação-
Formação-Trabalho
3. Legislação de Enquadramento da Formação Profissional
4. Perfil do formador: competências e capacidades
5. Novas solicitações e novas respostas de formação no
quadro das sociedades atuais.
1. SISTEMAS DE FORMAÇÃO
A FORMAÇÃO PROFISSIONAL INICIAL
destina-se a conferir uma qualificação
profissional certificada, bem como a
preparar para a vida adulta e profissional.
MODALIDADES:
QUALIFICAÇÃO INICIAL visa proporcionar, de forma tão alargada quanto
possível, uma formação profissional completa e qualificante.
➢ Idade: 16 a 50 anos;
➢Escolaridade obrigatória;
➢Duração: aproximadamente de 1 ano, com componentes:
✓ Sociocultural; Científico-tecnológica; Prática
APRENDIZAGEM PROFISSIONAL
Orientada para candidatos ao 1.º emprego, obtendo uma
formação de nível II ou III e uma sólida experiência prática.
Certificação escolar;
Componentes:
✓ Sociocultural; Científico-tecnológica; Prática Simulada e Real.
FORMAÇÃO PROFISSIONAL CONTÍNUA
Insere-se na vida profissional do indivíduo, realiza-se ao longo da
mesma e destina-se a:
• Proporcionar a adaptação às mutações;
• Favorecer a promoção profissional;
• Melhorar a qualidade do emprego;
• Contribuir para o desenvolvimento social, cultural e económico.
MODALIDADES:
Reciclagem Profissional – formação que visa atualizar
ou conferir novos conhecimentos, capacidades práticas,
atitudes e formas de comportamento dentro da mesma
profissão devido, nomeadamente, aos progressos
científicos e tecnológicos;
Aperfeiçoamento Profissional
Formação que se segue à formação profissional inicial e
que visa complementar e melhorar conhecimentos,
capacidades práticas, atitudes e formas de
comportamentos, no âmbito da profissão exercida.
Reconversão Profissional
Formação que faz parte da formação profissional
contínua e que visa dar uma qualificação diferente da já
possuída, para exercer uma nova atividade profissional.
Pode implicar uma formação profissional de base
seguida de especialização;
Especialização Profissional
Formação que visa reforçar, desenvolver e aprofundar
capacidades práticas, atitudes, formas de
comportamento ou conhecimentos adquiridos durante
a formação profissional de base, necessários ao melhor
desempenho de certas tarefas profissionais;
Promoção Profissional
Formação que visa dar um nível de
qualificação mais elevado no
escalonamento hierárquico profissional.
Dinâmica do 1, 2, 3
• Comece pedindo que os participantes formem duplas. Em seguida, peça
que cada membro da dupla fale, de maneira alternada, os números 1, 2,
3. Seguindo adiante, peça, agora, que ao invés de falar o número 1, eles
batam palma uma vez e continuem falando o 2 e o 3.
• Agora, ao invés de falar o número 2, os integrantes da dupla vão bater
palma uma vez para representar o número 1, bater as mãos na barriga
para representar o número dois, e, em seguida, continuar contando o
número 3. Feito isso, é chegado o momento de realizar o mesmo
processo, porém, dessa vez, o número 3 deve ser substituído por uma
reboladinha.
OBJETIVO
A intenção desta dinâmica, por mais simples
que pareça, é avaliar a capacidade de
memorização do colaborador, ou do
candidato, bem como a sua coordenação
motora e, mais uma vez, a sua habilidade de
trabalhar em equipe.
2. PLANO NACIONAL DE EMPREGO
Objectivos:
▪ Promover uma transição adequada dos jovens para a vida activa;
▪ Promover a inserção socioprofissional, combatendo o DLD (Desemprego de
Longa Duração) e a exclusão social;
▪ Melhorar a qualificação de base e profissional da população activa;
▪ Gerir de forma preventiva a acompanhar os processos de reestruturação
sectorial.
Medidas de Política de Emprego:
• Modernizar o sistema educativo;
• Desenvolver os sistemas de formação de inserção qualificante;
• Desenvolver percursos tipificados de inserção;
• Promover a criação de empregos, favorecendo o espírito
empresarial;
• Desenvolver instrumentos de inserção de grupos sociais
desfavorecidos;
• Facilitar o processo de criação de empregos;
• Reorientar e intensificar o ensino recorrente;
• Apoiar a adesão das empresas às políticas ativas de emprego;
• Promover a formação contínua;
• Facilitar a gestão integrada das políticas ativas e aproximá-las
do nível local;
• Facilitar a adesão às medidas ativas sem prejuízo dos níveis de
proteção social.
REDES REGIONAIS PARA O EMPREGO
Constituem uma forma de coordenação e animação de
atuações dos vários agentes locais, na procura de
soluções para problemas relacionados com o emprego,
através da partilha de responsabilidades e de
construção de parcerias ao nível regional, recorrendo a
programas e medidas de política adequados.
Objetivos:
oReforçar a cooperação e confiança entre atores
locais;
oEstimular a aplicação integrada e racionalizada dos
recursos produtivos e infraestruturas disponíveis e
recursos públicos investidos em fatores de
excelência (instituições de educação, formação,
investigação, centros tecnológicos, etc.);
o Reforçar as capacidades operacionais dos serviços
de Administração Pública, aproximando-os dos
cidadãos utentes e conferindo à sua actuação um
carácter mais proactivo e qualificante relativamente
ao meio envolvente;
o Melhor ajustamento local entre a oferta de
qualificação de recursos humanos e as
oportunidades de emprego.
Quadro Nacional de Qualificações
QNQ
➢ é um instrumento concebido para a classificação das qualificações
profissionais seguindo um conjunto de critérios para a obtenção de níveis
específicos de qualificação.
➢ Integra e articula as qualificações obtidas no âmbito dos diferentes
subsistemas educativos, de formação profissional e de ensino superior, assim
como as obtidas por via da experiência profissional ou aprendizagem não
formal e informal;
➢ Inclui todos os níveis de qualificação nacionais , designadamente os de
educação, de formação técnico-profissional e de ensino superior.
3. LEGISLAÇÃO
Legislação de Enquadramento
da Formação Profissional
3 COMPONENTES DO SNQ
Quadro Nacional
de Qualificações
(QNQ)
Monitorização,
Catálogo
Avaliação e a
Melhoria da
Qualidade do
SNQ
SNQ Nacional de
Qualificações
(CNQ)
Reconhecimento,
Validação e
Equivalência Certificação de
Professional Competências
(RVCC)
QNQ. Correspondência com os níveis actuais
Universidade
N. V
Q5 ACP N. IV
12º 12º
Q4 11º 11º
N. III
10º Ano
Q3 9º Ano
N. II
Q2 8º ano de
escolaridade N. I
Q1 6ºano de
escolaridade
SNQ Sistema Educativo Formação Profissional
Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências
RVCC
➢ O RVCC é um processo formal que permite aos indivíduos o
reconhecimento, a validação e a certificação das competências de que
dispõe, independentemente de como os tenha adquirido.
RVCC- Processo de Certificação
SNQ
Acreditação dos centros de RVCC
formação
Perfil profissional
Entidades públicas e privadas
nacionais ou estrangeiras
Unidade de
competência
Programas de formação
Guia de evidencia
Certificação da QP; MF; UF Certificação da QP
QUALIFICAÇÃO
PROFISSIONAL
SISTEMAS DE ACREDITAÇÃO
• Acreditação
Por acreditação entende-se a operação de validação global da
capacidade de intervenção formativa das entidades.
• Certificação
Por certificação entende-se o reconhecimento técnico e pedagógico
do desenvolvimento de determinados cursos ou ações de formação
e a emissão de certificados de aptidão.
Objetivos do sistema de acreditação:
a) Contribuir para a elevação da qualidade de formação
profissional;
b) Contribuir para a estruturação do sistema nacional de
formação profissional;
c) Contribuir para a profissionalização e solidez da arquitetura
das intenções formativas;
• d) Contribuir para uma maior utilidade e eficácia de formação
profissional;
• e) Contribuir para a credibilidade das entidades e demais agentes;
f) Promover as entidades validadas pelo sistema;
• g) Estimular e promover a qualidade das entidades nacionais
candidatas a parcerias e redes transnacionais;
• h) Contribuir para um melhor aproveitamento dos fundos nacionais e
comunitários.
Domínios de intervenção em que as entidades
podem ser acreditadas:
• O diagnóstico de necessidades de formação;
• O planeamento de intervenções ou atividades formativas;
• A conceção de intervenções, programas, instrumentos e suportes formativos;
• A organização e a promoção das intervenções ou atividades formativas;
• O desenvolvimento (execução/difusão) de intervenções ou atividades
formativas;
• O acompanhamento e a avaliação das intervenções ou atividades formativas.
Conceito de Formador
Estabelecer uma relação pedagógica com os
formandos, favorecendo a aquisição de
conhecimentos e competências, bem como o
desenvolvimento de atitudes e formas de
comportamento, adequados ao desempenho
profissional.
Deve reunir:
• Domínio técnico atualizado relativo à área de formação;
• Domínio dos métodos e das técnicas pedagógicas adequadas
ao tipo e ao nível de formação que desenvolve;
• Competências na área de comunicação que proporcionam
ambiente facilitador do processo de ensino/aprendizagem.
Art.4º – Requisitos
Preparação psicossocial que envolve o espírito de cooperação, capacidade de
comunicação, relacionamento e adequação às características do público-alvo;
Formação científica, técnica, tecnológica e prática que implica a posse de
qualificação de nível igual ou superior ao nível de saída dos formandos nos
domínios em que envolve a formação;
Preparação ou formação pedagógica, certificada nos termos da lei, adaptada
ao nível e contexto em que se desenvolve a ação de formação.
Perfil do formador: DOMÍNIO TÉCNICO
1. Dominar em “profundidade” a sua área de especialidade.
2. Manter atualizados os conhecimentos relativos ao domínio da sua
intervenção.
3. Possuir informação de ordem generalista que lhe permita correlacionar
áreas do saber e analisar de forma abrangente a realidade circundante.
4. Conhecer a realidade do mundo do trabalho, estando apto a ligar a teoria
à prática e a ilustrar os conceitos com exemplos reais.
PERSONALIDADE
• Revelar uma personalidade estável criando no grupo de trabalho um sentimento
de estabilidade.
• Exercer um autodomínio suficiente que lhe permita aceitar a crítica e as opiniões
contrárias, utilizando estes momentos como oportunidades formativas.
• Revelar imparcialidade, evitando pré-juízos.
• Demonstrar dinamismo e gosto pela inovação e mudança.
• Evidenciar espírito de abertura e gosto pela inovação e mudança.
• Promover nos formandos o gosto pela pesquisa e pela auto-formação.
FUNÇÕES ESPECÍFICAS DO FORMADOR
No exercício da sua função pedagógica, o formador deve dominar:
1. Os mecanismos inerentes ao processo de aprendizagem.
2. Os diferentes métodos e técnicas pedagógicas.
3. A formulação de objectivos pedagógicos definidos em função do grupo, das temáticas
abordadas e de outras variáveis consideradas relevantes.
4. As formas de avaliação dos formandos.
5. A forma correcta de planear as sessões de formação.
6. As técnicas de dinâmica de grupos.
7. As técnicas de comunicação interpessoal.
Em relação ao conteúdo:
1. Sem sinais de autoritarismo, deve fazer respeitar os objetivos da sessão e os
conteúdos predefinidos.
2. Deve fazer conclusões intermédias, que permitam verificar a evolução da
aprendizagem.
Em relação aos participantes:
1. Deve manter a ordem no uso da palavra.
2. Deve ter em conta as particularidades de cada formando, fazendo um apelo
progressivo à participação de todos.
3. Deve equilibrar os momentos de reflexão, com os momentos de discussão.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Campos, P. Costa, M.J. Martins, E. Manual do Formando. FIF – Formação Inicial de
Formadores. Bragança. Sd