0% acharam este documento útil (0 voto)
0 visualizações49 páginas

MELC

Jack, um garoto que não consegue ignorar injustiças, é transferido para a Escola São Augusto, onde se envolve em uma briga ao tentar defender um colega. Após descobrir um livro misterioso na biblioteca, ele e seus novos amigos são transportados para Melc, um mundo em crise dominado por um Conselho tirânico. Eles aprendem que estão ligados a uma profecia que pode libertar Melc, enquanto exploram o lugar e enfrentam desafios desconhecidos.

Enviado por

keitysrf
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
0 visualizações49 páginas

MELC

Jack, um garoto que não consegue ignorar injustiças, é transferido para a Escola São Augusto, onde se envolve em uma briga ao tentar defender um colega. Após descobrir um livro misterioso na biblioteca, ele e seus novos amigos são transportados para Melc, um mundo em crise dominado por um Conselho tirânico. Eles aprendem que estão ligados a uma profecia que pode libertar Melc, enquanto exploram o lugar e enfrentam desafios desconhecidos.

Enviado por

keitysrf
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Melc

o mundo
secreto

Miguel Silva Rodrigues de Freitas


1
Jack
Jack sempre teve um problema: ele não
conseguia ignorar injustiça.
Não importava se era com ele ou com outra
pessoa. Se via alguém sendo humilhado ou
maltratado, acabava se envolvendo. E foi
exatamente isso que o colocou em tantos
problemas na antiga escola.
Depois de várias confusões, seus pais decidiram
transferi-lo para a Escola São Augusto. A ideia
era simples: um novo começo.
No primeiro dia, Jack tentou agir diferente.
Queria apenas assistir às aulas, evitar brigas e
passar despercebido. Mas, desde o momento em
que entrou no colégio, sentiu algo estranho. Era
como se não pertencesse àquele lugar. Todos
pareciam já ter seu próprio grupo, enquanto ele
ainda estava perdido.
Durante o recreio, ficou sozinho observando os
alunos conversarem. Foi então que viu um
garoto agredindo outro com livros. Os golpes
eram fortes e repetidos, mas ninguém fazia
nada.
Jack tentou ignorar.
Tentou mesmo.
Mas não conseguiu.
— Ei! Já chega! — gritou.
O pátio inteiro ficou em silêncio.
O garoto que estava batendo virou lentamente
na direção dele. Seu olhar deixava claro que
não gostou da interrupção.
— Vai fazer o quê? — perguntou.
Antes que Jack pudesse responder, o garoto
avançou.
Jack tentou se defender, mas o outro era mais
forte. Levou um soco, depois outro. Os livros
caíram no chão, alguém começou a gritar, e
tudo ficou confuso até que a visão dele
escureceu.
Quando acordou, estava na diretoria com um
olho roxo e uma dor forte na cabeça.
O garoto que havia brigado com ele se chamava
Max. O outro garoto era André.
Depois de muita conversa da diretora, a
situação se resolveu melhor do que Jack
imaginava. Aos poucos, ele acabou fazendo
amizade com os dois.
Max era impulsivo e resolvia quase tudo na
força. André era inteligente, observador e sabia
coisas que ninguém mais parecia saber.
Mais tarde, Jack conheceu Mateus, um garoto
extremamente habilidoso com tecnologia,
programação e computadores.
Também conheceu Valéria.
E aquilo foi um desastre.
— Oi, qual é o seu nome? — perguntou ela
sorrindo.
Jack tentou responder normalmente.
— J-Jack…
Valéria inclinou a cabeça, confusa.
— Você é gago?
Na mesma hora, Jack travou completamente.
— Eu… preciso ir.
E saiu andando rápido enquanto ouvia Valéria
comentar:
— Que garoto estranho…
Naquele momento, Jack achou que aquele seria
apenas mais um ano escolar complicado.
Mas ele ainda não fazia ideia de que sua vida
estava prestes a mudar completamente.
2
O livro
Alguns dias depois, a professora Rose passou
um trabalho para todas as turmas: cada aluno
deveria escolher um livro da biblioteca e fazer
um resumo.
Jack não reclamou. Na verdade, parecia um
trabalho simples.
Depois da aula, ele foi até a biblioteca da
Escola São Augusto. O lugar era silencioso e
organizado, cheio de estantes enormes.
Jack caminhou até a seção de clássicos
pensando em escolher Robin Hood. Achava que
um livro clássico poderia impressionar a
professora.
Mas, antes de pegar o livro, algo chamou sua
atenção.
Uma estante diferente das outras.
Ela estava um pouco afastada e tinha apenas um
número escrito:
45.
Jack estranhou aquilo imediatamente.
Chegando mais perto, percebeu algo ainda mais
estranho: a estante estava completamente vazia,
exceto por um único livro.
No centro.
Como se estivesse esperando alguém.
O título do livro era exatamente igual ao
número da estante:
45.
Sem nome de autor. Sem descrição. Nada além
daquele número.
Jack pegou o livro por alguns segundos. A capa
era fria e tinha uma aparência estranha, quase
impossível de explicar.
Mesmo curioso, decidiu ignorar aquilo.
— Deve ser só algum livro velho — pensou.
Então colocou o livro de volta, pegou Robin
Hood e foi embora.
Naquela noite, algo estranho começou.
Seu irmão disse que tinha quatro anos. Sua irmã
respondeu que tinha cinco.
4… 5…
Jack não ligou naquele momento.
Mas, no dia seguinte, olhou o relógio da escola:
4:05.
Depois viu o número em placas de carros,
endereços e até em anúncios na rua.
45.
No começo parecia coincidência.
Depois começou a incomodar.
O número aparecia o tempo todo.
Todos os dias.
Em todos os lugares.
Depois de uma semana inteira vendo aquilo
sem parar, Jack decidiu perguntar no grupo da
turma se mais alguém havia percebido algo
estranho.
Para sua surpresa, André respondeu primeiro
dizendo que também estava vendo o número
várias vezes.
Mateus confirmou logo depois.
Max também.
Até Valéria disse que começou a reparar no 45
em praticamente todo lugar.
Aquilo deixou de parecer coincidência.
No dia seguinte, os cinco decidiram voltar à
biblioteca.
Foram direto até a estante 45.
O livro ainda estava lá, exatamente no mesmo
lugar.
Jack respirou fundo e pegou o livro novamente.
Dessa vez, abriu.
Dentro havia apenas uma página contendo uma
única estrofe:
Quem esta frase ler,
A paz irá nos conceder.
Pois quem se lembrar,
O nosso futuro irá contar.
— Só isso? — perguntou Max.
— Parece um poema — disse Valéria.
— Ou algum tipo de código — comentou
André.
O ambiente parecia estranho. Pesado.
Como se algo estivesse esperando por eles.
Jack não sabia por quê, mas sentiu que
deveriam ler aquilo juntos.
Então contou até três.
E os cinco recitaram a estrofe ao mesmo tempo.
Durante um segundo, nada aconteceu.
Então a biblioteca desapareceu.
O chão sumiu.
A luz sumiu.
Tudo ao redor simplesmente deixou de existir.
E, antes que qualquer um pudesse reagir…
eles desapareceram juntos.
3
Melc
Jack sentiu a água antes mesmo de conseguir
entender o que estava acontecendo.
Era fria, pesada e sufocante.
Ele começou a nadar desesperadamente em
busca da superfície enquanto tentava não
engolir água. Alguns segundos depois,
conseguiu emergir e puxar o ar com força.
Ao redor dele estavam Max, André, Mateus e
Valéria, igualmente desesperados.
Todos estavam dentro de um oceano
gigantesco.
Por alguns segundos, ninguém conseguiu falar
nada. Tentavam apenas respirar e entender
como tinham ido parar ali.
Ao longe, havia terra firme.
Uma floresta enorme se estendia no horizonte,
mas havia algo estranho nela. Pequenas luzes
azuis e laranjas brilhavam entre as árvores.
— Isso não faz sentido — disse Mateus.
— A gente estava na biblioteca! — falou
Valéria, ainda assustada.
— Talvez tenha sido aquele poema —
comentou Max.
Pela primeira vez, ninguém riu da ideia.
Eles não tinham escolha. Precisavam chegar até
a terra firme.
Então começaram a nadar.
No início parecia perto, mas logo o cansaço
começou a pesar. A água escura abaixo deles
causava uma sensação horrível, como se
houvesse algo escondido ali.
Em determinado momento, Jack sentiu algo
passar rapidamente por sua perna.
Ele parou imediatamente.
— Vocês sentiram isso?
Os outros olharam assustados.
Poucos segundos depois, alguma coisa se
moveu atrás deles. A água ondulou fortemente,
como se algo enorme estivesse nadando perto.
— Nadem! — gritou Jack.
O grupo acelerou imediatamente.
O medo transformou o cansaço em desespero.
Quando finalmente alcançaram a margem,
saíram da água quase caindo na areia.
Ficaram em silêncio observando o oceano.
Mas não havia nada ali.
A água estava calma novamente.
Mesmo assim, todos tinham certeza de que algo
os seguiu até quase a praia.
Jack olhou para a floresta iluminada.
As luzes brilhavam silenciosamente entre as
árvores.
Se existia alguma resposta para aquilo tudo…
ela estava naquele lugar.
Então começou a caminhar em direção à
floresta.
E os outros o seguiram.
4
A Criatura
A floresta era ainda mais estranha de perto.
As luzes azuis e laranjas vinham de pequenas
pedras brilhantes espalhadas entre árvores e
arbustos. Algumas pulsavam lentamente, como
se estivessem vivas.
O silêncio daquele lugar era desconfortável.
Não havia pássaros.
Não havia insetos.
Nada.
Apenas o som dos passos do grupo sobre a
vegetação úmida.
Mateus se abaixou perto de uma das pedras
brilhantes.
— Isso não parece natural.
Antes que alguém respondesse, um som pesado
ecoou entre as árvores.
Galhos quebrando.
Passos fortes.
Muito fortes.
Todos ficaram imóveis.
O barulho se aproximava rapidamente.
Então a criatura apareceu.
Era um javali gigantesco andando sobre duas
patas. Seus olhos tinham um brilho estranho e
inteligente, muito diferente de um animal
comum.
A criatura encarou os cinco por alguns
segundos.
Então começou a falar.
Mas ninguém entendeu absolutamente nada.
A língua parecia uma mistura de símbolos e
sons estranhos.
O javali percebeu a confusão deles e retirou um
pequeno objeto metálico preso ao corpo. Em
seguida, colocou o objeto no peito.
Houve um leve brilho.
Então ele falou novamente:
— Agora sim. Sejam bem-vindos a Melc.
Os cinco ficaram em choque.
— Você… falou nossa língua? — perguntou
Mateus.
— Não exatamente — respondeu a criatura. —
O tradutor fez isso.
Ela retirou outros dispositivos parecidos e
entregou um para cada um deles.
— Coloquem no peito.
Mesmo desconfiados, eles obedeceram.
Assim que os dispositivos tocaram seus corpos,
uma leve vibração percorreu seus peitos.
— Agora podemos nos entender — disse a
criatura.
Jack deu um passo à frente.
— Quem é você?
— Meu nome é Jemorga.
Max cruzou os braços.
— Tá legal… então explica uma coisa. Onde a
gente está?
Jemorga observou os cinco em silêncio por
alguns segundos antes de responder:
— Vocês estão em Melc. Um mundo
condenado pelo próprio povo.
A forma como ela falou aquilo fez o grupo
inteiro perceber que aquele lugar escondia algo
muito pior do que imaginavam.

Capítulo 5: Perguntas e Respostas


O grupo seguiu Jemorga pela floresta enquanto
tentava entender tudo o que estava acontecendo.
Quanto mais caminhavam, mais estranho Melc
parecia. Algumas árvores tinham troncos
azulados, certas pedras brilhavam sozinhas e
várias construções antigas apareciam destruídas
entre a vegetação, como se uma guerra tivesse
acontecido ali muitos anos antes.
Jack observava tudo em silêncio até não
conseguir mais segurar a curiosidade.
— O que exatamente é Melc? — perguntou.
Jemorga continuou andando enquanto
respondia:
— Melc é um país dividido em vários estados.
Antigamente era um lugar grandioso, cheio de
cidades, tecnologia e riqueza. Mas isso mudou.
— Mudou por causa de quem? — perguntou
André.
— Do Conselho Eterno.
O jeito como ela falou aquele nome deixou
claro que não era algo comum.
— Quem são eles? — perguntou Valéria.
— O rei e os seis governadores de Melc. Eles
controlam tudo.
Mateus mexia no tradutor preso ao peito,
observando o aparelho.
— Essa tecnologia é impressionante. Como isso
funciona?
— Tradutores melquianos se conectam ao
cérebro e interpretam idiomas — explicou
Jemorga. — É uma das poucas tecnologias que
ainda restaram funcionando perfeitamente.
Max olhou em volta.
— Se esse lugar tem tecnologia tão avançada,
por que parece destruído?
Jemorga demorou alguns segundos para
responder.
— Porque o Conselho Eterno destruiu Melc aos
poucos.
As palavras dela fizeram o grupo ficar em
silêncio.
Enquanto caminhavam, Jack começou a
perceber estruturas enormes aparecendo no
horizonte. Pareciam colunas gigantes quebradas
e pedaços de construções absurdamente
grandes.
— O que é aquilo? — perguntou.
Jemorga abaixou a cabeça antes de responder:
— As estátuas.
— Estátuas? — repetiu Mateus.
— O Conselho Eterno obrigou o povo de Melc
a construir sete estátuas gigantes em
homenagem aos governadores e ao rei.
Max arregalou os olhos.
— Isso tudo… é estátua?
— Nem metade da primeira foi concluída —
respondeu Jemorga. — O povo trabalha nisso
há mil anos.
O grupo inteiro parou de andar.
— Mil anos?! — exclamou Valéria.
— Vocês vivem tudo isso? — perguntou
André.
— Não. Nós vivemos cerca de quarenta anos.
Foram nossos antepassados que começaram a
construção.
Jack começou a sentir raiva.
— Então vocês vivem como escravos?
Jemorga não respondeu imediatamente.
Aquilo já era resposta suficiente.
— E ninguém tentou impedir isso? —
perguntou Jack.
— Muitos tentaram. Todos morreram.
O silêncio voltou.
Então Jemorga parou de andar e olhou
diretamente para os cinco.
— Mas existe uma profecia.
Max soltou uma pequena risada.
— Ah não… lá vem.
— Uma antiga profecia dizia que um dia cinco
humanos chegariam a Melc. Quatro homens e
uma mulher. Eles libertariam Melc do Conselho
Eterno.
O grupo inteiro ficou imóvel.
Jack percebeu que Jemorga estava olhando
exatamente para eles.
6
Um Passado Trágico
Jemorga levou o grupo até uma pequena
construção abandonada perto da floresta. O
lugar parecia seguro o suficiente para
descansarem.
Lá dentro, ela continuou explicando a história
de Melc.
— Há muitos anos, Melc era um dos lugares
mais avançados já existentes. Tecnologia e
energia eram abundantes. Mas o rei e os
governadores começaram a desejar mais poder.
— E criaram o Conselho Eterno — disse
André.
Jemorga confirmou.
— Eles queriam ser adorados como deuses.
Então ordenaram a construção das sete estátuas
gigantes. Todos foram obrigados a trabalhar
nelas.
— Sem pagamento? — perguntou Mateus.
— Sem escolha.
Jack fechou os punhos.
— Isso é loucura.
— Quem recusava… era executado.
O clima ficou pesado imediatamente.
Então Valéria fez a pergunta mais importante:
— Mas como nós viemos parar aqui?
Jemorga olhou para o velho chão da construção
antes de responder.
— Meu marido tentou fugir de Melc muitos
anos atrás. O Conselho Eterno havia criado uma
regra: ninguém poderia sair do país até que as
estátuas fossem concluídas.
— E ele conseguiu? — perguntou André.
— Sim. Mas antes de partir, ele criou um
feitiço.
Max suspirou.
— Então magia existe mesmo.
— Existe — respondeu Jemorga. — Ele
colocou o feitiço em um livro com o número
45. Humanos veem números constantemente,
então o feitiço fazia qualquer pessoa começar a
notar aquele número repetidamente até voltar ao
livro.
Mateus arregalou os olhos.
— Como uma espécie de hipnose psicológica…
— Quando a frase era lida em voz alta, o feitiço
se completava.
Jack começou a entender tudo.
O número.
O livro.
O poema.
Tudo havia sido planejado.
— Então fomos trazidos pra cá de propósito —
disse ele.
Jemorga assentiu lentamente.
— E agora vocês fazem parte da profecia.
7
Pedras
No dia seguinte, o grupo decidiu explorar Melc
enquanto Jemorga procurava informações sobre
possíveis soldados próximos da região.
A floresta continuava cheia de ruínas antigas.
Algumas pareciam restos de cidades destruídas
há séculos.
Foi durante a caminhada que encontraram algo
estranho.
Uma pequena pirâmide de pedra.
Na frente dela havia uma placa com letras
completamente embaralhadas.
— Isso parece código — disse Mateus.
André começou a analisar as palavras.
Depois de alguns minutos, os dois perceberam
que não era exatamente um código.
Era um anagrama.
Após reorganizarem as letras, a frase finalmente
fez sentido:
COLOQUE AQUI AS 7 PEDRAS DO PODER
E A ARMA MAIS PODEROSA IRÁ OBTER
MAS USE-A COM SABEDORIA
SENÃO PODE SE METER NUMA FRIA
— Pedras do poder? — perguntou Valéria.
— Deve ser algum tipo de arma antiga — disse
Mateus.
Enquanto continuavam explorando,
encontraram uma pedra brilhante laranja entre
arbustos próximos.
Ela pulsava lentamente.
Jack decidiu guardá-la.
Ao longo do dia, encontraram mais seis pedras
espalhadas pela floresta.
Quando reuniram todas perto da pirâmide, algo
aconteceu.
As pedras começaram a vibrar.
Então se juntaram sozinhas, formando uma
única rocha brilhante.
Uma energia intensa tomou conta do lugar.
Todos deram um passo para trás.
Mas Jack não.
Ele se aproximou.
E tocou a pedra.
No mesmo instante, um raio gigantesco foi
disparado para o céu.
8
A Rebelião
O estrondo chamou atenção de vários habitantes
próximos da floresta.
Criaturas de diferentes espécies começaram a
surgir entre as árvores, observando o grupo.
Jack olhou para todos eles.
Pela primeira vez, percebeu o medo estampado
no rosto daqueles habitantes.
Medo de viver.
Medo do Conselho Eterno.
Então subiu sobre uma pedra elevada.
— Meu nome é Jack! — gritou.
Os tradutores espalharam sua voz em
melquiano.
— Esses são meus amigos! Nós somos
humanos!
Os habitantes começaram a cochichar
imediatamente.
A profecia.
Eles conheciam.
Jack ergueu a pedra brilhante.
— Vocês passaram mil anos sofrendo! Mil anos
obedecendo pessoas que tratam vocês como
lixo!
Ninguém dizia nada.
Mas todos ouviam.
— E agora vocês finalmente têm uma chance de
lutar!
Nesse momento, a pedra lançou outro raio para
o céu.
Os habitantes começaram a se agitar.
Pela primeira vez em muito tempo…
havia esperança.
— Hoje à noite — continuou Jack — nós
vamos enfrentar o Conselho Eterno!
Alguns ficaram assustados.
Outros animados.
Mas ninguém foi embora.

9
Na Base da Conversa
O plano foi organizado rapidamente.
Parte dos habitantes ficaria escondida
esperando um sinal para atacar caso algo desse
errado.
Enquanto isso, Jack, Max e André entrariam no
palácio disfarçados de soldados.
Vestiram armaduras retiradas de guardas
derrotados durante pequenas emboscadas feitas
pelos rebeldes.
Quando se aproximaram do enorme palácio do
Conselho Eterno, perceberam que a construção
parecia mais uma fortaleza de guerra do que um
castelo.
As paredes eram gigantescas e cobertas por
símbolos estranhos.
Na entrada, um coelho melquiano vestido como
servo se aproximou discretamente de Jack.
— Tome cuidado — sussurrou ele. — Quem
entra nesse palácio sem permissão normalmente
não sai vivo.
Jack encarou o palácio por alguns segundos.
Então respondeu:
— Pelo menos estamos tentando.
Os portões começaram a se abrir lentamente.
Jack respirou fundo.
Ao lado dele, Max fechou os punhos.
André tentava esconder o nervosismo.
Então os três entraram no palácio do Conselho
Eterno.
E pela primeira vez…
ficaram cara a cara com o verdadeiro poder de
Melc.

agora crie um final com guerra onde eles


vencem
10
O Conselho Eterno
O interior do palácio era gigantesco e sombrio.
Colunas enormes sustentavam o teto, enquanto
símbolos dourados brilhavam pelas paredes.
Soldados armados observavam cada movimento
de Jack, Max e André enquanto eles
caminhavam pelo salão principal tentando
parecer apenas guardas comuns.
No fim do salão estava o trono.
E sentado nele estava o rei de Melc.
Ao redor dele permaneciam os seis
governadores do Conselho Eterno.
Todos usavam armaduras escuras com detalhes
brilhantes que pareciam feitos da mesma
energia das pedras encontradas na floresta.
Jack percebeu imediatamente que havia algo
errado neles. Seus rostos pareciam frios demais,
quase sem humanidade.
Um dos governadores se levantou lentamente.
— Vocês não são soldados daqui.
A voz dele ecoou pelo salão inteiro.
Max fechou os punhos na mesma hora.
André olhou discretamente para Jack,
esperando uma reação.
O rei levantou a mão, fazendo todos os guardas
apontarem suas armas para os três.
— Humanos… — disse ele lentamente. —
Então a profecia realmente era verdadeira.
Jack percebeu que não havia mais motivo para
fingir.
Deu um passo à frente.
— Acabou pra vocês.
Os governadores começaram a rir.
— Vocês realmente acreditam que podem
derrotar o Conselho Eterno? — perguntou um
deles.
O rei se levantou do trono.
— Este mundo pertence a nós há mil anos.
Jack encarou todos eles.
— Então tá na hora de alguém devolver ele ao
povo.
O rei fez um sinal.
E imediatamente os soldados avançaram.

11
A Guerra de Melc
O som das trombetas ecoou do lado de fora do
palácio.
Era o sinal.
A rebelião havia começado.
Explosões sacudiram os muros enquanto
centenas de habitantes de Melc surgiam pelas
ruas atacando os soldados do Conselho Eterno.
O caos tomou conta da cidade.
Jack desviou de uma lança e derrubou um
soldado com um golpe rápido. Max avançou
como um animal furioso, quebrando armaduras
e derrubando inimigos com pura força.
André usava inteligência em vez de força,
observando pontos fracos dos inimigos e
ajudando os outros a se defenderem.
Do lado de fora, Mateus utilizava antigas
máquinas melquianas encontradas nas ruínas
para bloquear parte das armas do Conselho.
Enquanto isso, Valéria liderava grupos de
habitantes presos dentro do palácio, libertando
trabalhadores e abrindo caminhos para os
rebeldes.
Mas o verdadeiro problema ainda estava no
salão principal.
Os governadores.
Um deles ergueu uma espécie de arco
tecnológico e disparou uma flecha brilhante.
A flecha atravessou um rebelde e explodiu
instantaneamente.
Jack percebeu que Jemorga estava certa.
As armas do Conselho eram monstruosas.
— Abaixem-se! — gritou André.
Outro disparo explodiu parte da parede do
salão.
O rei observava tudo calmamente do alto da
escadaria.
Como se tivesse certeza da vitória.
Então Jack lembrou da pedra.
A pedra do poder ainda estava presa em sua
cintura.
Ele a segurou.
A energia começou a vibrar imediatamente.
Os governadores perceberam.
Pela primeira vez…
demonstraram medo.
— Não o deixe usar isso! — gritou um deles.
Tarde demais.
Jack ergueu a pedra.
Um raio gigantesco atravessou o teto do palácio
e atingiu o céu de Melc.
Toda a cidade tremeu.
A energia da pedra começou a percorrer as
paredes, destruindo armas, armaduras e
máquinas do Conselho Eterno.
Os habitantes de Melc começaram a avançar
com ainda mais força.
Depois de mil anos…
o medo estava acabando.
12
A queda do Conselho
O rei finalmente deixou o trono.
Sua armadura brilhava intensamente enquanto
ele caminhava na direção de Jack.
— Você não entende o que está fazendo —
disse ele. — Sem nós, Melc cairá no caos.
Jack apertou a pedra com força.
— Melc já vive no caos há mil anos.
O rei avançou.
A luta começou imediatamente.
O rei era rápido e extremamente forte. Sua
armadura parecia aumentar sua velocidade e
força muito além do normal.
Jack quase foi atingido várias vezes.
Enquanto isso, Max enfrentava dois
governadores ao mesmo tempo.
André ajudava os rebeldes a derrubar soldados
usando estratégias improvisadas.
Valéria libertava mais habitantes presos no
palácio.
E Mateus tentava desativar os sistemas de
defesa restantes do Conselho.
A guerra tomava conta de toda Melc.
Durante a luta, o rei conseguiu atingir Jack no
peito, lançando-o contra uma parede.
A pedra do poder caiu no chão.
O rei começou a se aproximar dela lentamente.
— O poder de Melc pertence ao Conselho
Eterno.
Antes que pudesse alcançá-la, Valéria apareceu
correndo e pegou a pedra primeiro.
O rei tentou atacá-la.
Mas Jack segurou seu braço no último instante.
— Agora! — gritou.
Valéria ergueu a pedra.
A energia liberada foi ainda maior do que antes.
Uma onda de luz atravessou o palácio inteiro.
As armaduras dos governadores começaram a
rachar.
As armas explodiram.
As paredes do salão desmoronaram
parcialmente.
E então, diante de todo o povo de Melc…
o rei caiu.
O silêncio tomou conta do lugar.
Os soldados restantes começaram a recuar.
Alguns fugiram.
Outros simplesmente largaram as armas.
O Conselho Eterno havia acabado.

13
Um Novo Amanhã
Dias depois, Melc parecia diferente.
Pela primeira vez em séculos, os habitantes não
trabalhavam nas estátuas.
As construções abandonadas começavam a ser
reconstruídas.
As pessoas finalmente podiam viver sem medo.
Jemorga observava tudo emocionada.
— A profecia era real — disse ela.
Jack olhou para a cidade.
Ainda havia destruição.
Ainda havia muito para reconstruir.
Mas agora existia esperança.
Mateus ajudava os melquianos a recuperar
tecnologias antigas.
André organizava grupos para reconstrução.
Max treinava os habitantes para protegerem
Melc caso algum perigo surgisse novamente.
Valéria conversava com crianças melquianas
que nunca tinham conhecido liberdade.
Então Jemorga se aproximou do grupo.
— Existe uma maneira de vocês voltarem para
casa.
Os cinco ficaram em silêncio.
Durante algum tempo, ninguém respondeu.
Porque, de certa forma…
Melc também havia se tornado parte deles.
Mas finalmente Jack sorriu.
— Acho que já causamos problemas suficientes
por aqui.
Jemorga riu pela primeira vez desde que eles
chegaram.
Dias depois, os cinco se despediram dos
habitantes de Melc.
Quando atravessaram o portal criado pela pedra
do poder…
voltaram para a biblioteca da Escola São
Augusto.
Exatamente no mesmo lugar de antes.
Como se nenhum tempo tivesse passado.
O livro 45 estava fechado sobre a mesa.
Mas agora, sua capa estava vazia.
Sem número.
Sem título.
Sem magia.
Jack olhou para os amigos.
Todos estavam em silêncio.
Então Max quebrou o clima:
— Tá… ninguém vai acreditar nessa história.
E pela primeira vez desde o início daquela
aventura…
todos começaram a rir.

Você também pode gostar