Bruna Larissa → MED 52
CALIBRAÇÃO DO ECG
A calibração do aparelho é essencial para a leitura correta do ECG,
bem como para permitir a análise de suas variáveis. Dessa forma,
convencionou-se o seguinte:
Exame que registra a atividade elétrica do coração a partir de
Em um ECG padrão (calibração M2), o papel tem uma velocidade
eletrodos fixados na pele, os quais estão conectados a um
voltímetro (eletrocardiógrafo) que permite a determinação da ddp de 25mm/s e é milimetrado, sendo formado por quadrados de
entre dois pontos. 1mm que se agrupam formando quadrados com lado de 5mm.
→ Eixo vertical (indica tempo): 1mm = 40ms
DEFLEXÕES
→ Eixo horizontal (indica a ddp): 1mm = 0,1mV.
No ECG, as variações no potencial elétrico são registradas como DERIVAÇÕES
deflexões, as quais podem ser negativas ou positivas a depender As derivações consistem em posições padronizadas onde os
do sentido de despolarização/repolarização em relação ao eletrodos são colocados que permitem o registro da ddp entre
eletrodo em questão. As principais deflexões são: dois pontos. *Antes de compreendê-las é essencial relembrar que
• Onda P – gerada pela despolarização atrial dentro do sistema de condução do coração, o potencial de ação
• Complexo QRS – gerado pela despolarização ventricular se propaga de cima para baixo (átrios → ventrículos) e a
• Onda T – gerada pela repolarização ventricular despolarização ocorre predominantemente da direita para a
Atenção: segmento = linha isoelétrica entre duas ondas esquerda. Uma deflexão será positiva quando a onda de
(destaque para segmento PR e ST); intervalo = inclui um despolarização se dirige para o eletrodo positivo (+) ou explorador
segmento e uma ou mais ondas.
1. DERIVAÇÕES FRONTAIS
POSICIONAMENTO DOS ELETRODOS a) Bipolares (ddp medida entre dois eletrodos)
Para se realizar um ECG padrão, são necessários 10 eletrodos. A
partir dos dados fornecidos por eles, obtêm-se as 12 derivações.
A) Eletrodos frontais (membros)
▪ L = punho esquerdo
▪ R = punho direito • DI - punho direito (-) e punho esquerdo (+)
▪ F = tornozelo esquerdo → vetor 0º = apresenta deflexão positiva sempre que as
▪ N (neutro) = tornozelo direito; serve de aterramento cargas se deslocarem da direita para a esquerda.
• DII – punho direito (-) e tornozelo esquerdo (+)
B) Eletrodos precordiais (tórax)
→ vetor 60º = apresenta deflexão positiva sempre que as
▪ V1 – 4º espaço intercostal, paraesternalmente à direita (na
cargas se deslocarem de cima para baixo e da direita para a
margem direita do esterno)
esquerda
▪ V2 – 4º espaço intercostal, paraesternalmente à esquerda
• DIII – punho esquerdo (-) e tornozelo esquerdo (+)
▪ V3 – entre os eletrodos V2 e V4
→ vetor 120º = apresenta deflexão positiva sempre que as
▪ V4 – 5º espaço intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular
cargas se deslocarem de cima para baixo e da esquerda para
▪ V5 – no mesmo nível que V4, na linha axilar anterior
a direita
▪ V6 – no mesmo nível que V4 e V5, na linha axilar média
Atenção: As três derivações bipolares formam o triângulo de • V4, V5 e V6 – estão situados próximo ao ápice do coração,
Einthoven, e mantêm uma proporção matemática tal que permanece eletropositivo durante a maior parte da
que: DII = DI + DIII. despolarização. Dessa forma, o complexo QRS é
predominantemente positivo.
Os registros de DI, DII e DIII são semelhantes entre si, uma vez
que nessas derivações, as ondas P e T e a principal parte do TOPOGRAFIA DAS DERIVAÇÕES
complexo QRS são positivas.
a) d
b) Unipolares aumentadas (apenas um eletrodo – o explorador
– contribui para o registro = potencial absoluto)
Cada uma das derivações fornece informações mais detalhadas
acerca de determinada área do coração, o que tem grande
relevância para a detecção de cardiopatias isquêmicas.
• aVR – (+) no punho direito Derivações direitas – V1 e V2 = ventrículo direito
→ vetor -150º = apresenta deflexão positiva sempre que as Derivações anteriores – V3 e V4 = septo interventricular e
cargas se deslocarem de baixo para cima e da esquerda para parede anterior do ventrículo esquerdo
a direita. Derivações laterais baixas – V5 e V6 = parede lateral baixa
• aVL – (+) no punho esquerdo Derivações laterais altas - DI e aVL = parede lateral alta
→ vetor -30º = apresenta deflexão positiva sempre que as Derivações inferiores – DIII, aVF e DII = parede inferior
cargas se deslocarem de baixo para cima e da direita para a
esquerda
• aVF – (+) no tornozelo esquerdo
FREQUÊNCIA CARDÍACA
→ vetor +90º = apresenta deflexão positiva sempre que as
cargas se deslocarem de cima para baixo É determinada pela distância entre duas ondas iguais. Por
convenção, utiliza-se o intervalo R-R e tem-se que:
Os registros aVF são semelhantes às derivações padrão dos
1500 *R-R = distância em mm de uma onda R a outra
membros. No entanto, aVR é invertida: as ondas P e T e a
FC = Macete: 2Q = 150 bpm; 3Q = 100 bpm; 4Q = 75 bpm
principal parte do complexo QRS são negativas. Já aVL é R−R
* *+ 1mm por quadradinho
normalmente negativa, mas pode ser positiva.
Obs: A frequência cardíaca máxima pode ser calculada pela
2. DERIVAÇÕES PRECORDIAIS (plano horizontal) fórmula FCM = 210 – idade. Valores acima da FCM, quando
mantidos, levam à infarto, uma vez que o tempo de diástole é
muito encurtado e não permite que o miocárdio se nutra (a
irrigação do coração é diastólica).
RITMO
Para avaliar se o ritmo cardíaco é regular ou irregular, avalia-se o
intervalo R-R de dois complexos QRS consecutivos.
a) Ritmo sinusal – o ECG apresenta ondas P normais com
morfologia constante e seguidas de complexo QRS, indicando
que o ritmo está sendo determinado pelo nó SA.
→ correlação clínica: RITMOS SINUSAIS ANORMAIS
• Bradicardia (FC < 60 bpm) – pode estar associada com
condicionamento físico [atletas possuem maior força de
As derivações precordiais são unipolares e os eletrodos seguem o contração e consequente maior volume sistólico por
posicionamento torácico mencionado anteriormente. batimento] ou com estimulação parassimpática.
• V1 e V2 – estão mais próximos da base do coração, a qual • Taquicardia (FC > 100 bpm) – está associada com exercício
permanece negativa durante a maior parte do processo de físico, aumento de temperatura corporal, estimulação
despolarização ventricular. Dessa forma, o complexo QRS simpática ou enfraquecimento do miocárdio.
nessas derivações é predominantemente negativo.
b) Ritmo não-sinusal – ocorre quando verificam-se problemas
• V3 – está situado sobre o septo interventricular, sendo assim
no sistema de condução que ocasionam alteração na
um eletrodo de transição. As ondas R e S tem praticamente a
frequência/local de origem do estímulo (foco ectópico) ou
mesma amplitude = complexo QRS equifásico
distúrbio na condução deste (bloqueio) = arritmia
→ correlação clínica: BRADIARRITMIAS → correlação clínica: PARADA CARDÍACA (PCR)
Bloqueio sinoatrial – o impulso do nó SA é bloqueado antes de O coração para de bater subitamente pela interrupção de todos
entrar nos átrios, o que ocasiona a interrupção das ondas P. os sinais elétricos de controle. Normalmente é causada por
Nessa condição, os ventrículos assumem novo ritmo pela choque circulatório, que envolve uma combinação de
geração de impulso normalmente no nó AV, de forma que a hipovolemia e hipóxia. Também é comum em situações de
frequência do complexo QRS fica mais lenta. anestesia profunda, quando o paciente desenvolve hipóxia pela
respiração inadequada.
• Massagem cardíaca – compressão torácica externa que
objetiva manter o sangue circulando para garantir a
oxigenação dos órgãos durante uma PCR.
• Desfibrilação – aplicação de uma descarga elétrica no intuito
de reestabelecer ou reorganizar o ritmo cardíaco do indivíduo.
Ocasiona uma despolarização simultânea de todo o miocárdio
Bloqueio atrioventricular (feixe de His) – há retardo ou a qual permite que o nó sinusal retome a geração e o controle
bloqueio na condução do impulso dos átrios para os ventrículos, dos impulsos elétricos.
processo esse que se faz através do feixe penetrante de His
EIXO ELÉTRICO
[atravessa o septo fibroso AV]. Como resultado, o intervalo PR
sofre alterações.
→ Bloqueio de 1º grau – o PA demora para passar dos A para
os V, fazendo com que o intervalo PR seja prolongado.
→ Bloqueio de 2º grau – alguns PA atravessam dos A para os V
e outros não, fazendo com que alguns batimentos ventriculares
sejam bloqueados = ausência de alguns complexos QRS.
→ Bloqueio de 3º grau – o PA não passa dos A para os V, de
forma que as ondas P se dissociam dos complexos QRS: os
átrios apresentam uma frequência de despolarização e os
ventrículos apresentam outra independente (gerada
normalmente no nó AV).
O eixo cardíaco (eixo elétrico do complexo QRS) consiste na
direção do vetor total de despolarização dos ventrículos. É
calculado a partir de duas derivações ortogonais (90º) entre si
[recomenda-se aVF e DI] → Obs: Macete
▪ DI está perpendicular a aVF (aVFirst)
▪ DII está perpendicular a aVL (remanejando os dois II de DII
forma-se a letra L)
▪ DIII está perpendicular a aVR (aVthiRd)
→ correlação clínica: TAQUIARRITIMIAS
Fibrilação atrial – condição que decorre de estímulos
desorganizados a nível atrial, o que faz com que os átrios não se → Eixo elétrico NORMAL – compreendido entre -30º e 90º. Está
contraiam, e sim estremeçam. Como resultado, verifica-se a presente quando QRS é predominantemente positivo em DI e aVF.
ausência de ondas P e os intervalos R-R são irregulares. → Eixo desviado para a DIREITA – compreendido entre 90º e
*A eficiência do bombeamento ventricular é reduzida em cerca 180º. Está presente quando QRS é predominantemente negativo
de 20%, já que os átrios deixam de auxiliar no bombeamento em DI e positivo em aVF.
(contudo, o sangue continua fluindo passivamente)
→ Eixo desviado para a ESQUERDA – compreendido entre -30º
e -90º. Quando QRS é predominantemente positivo em DI e
negativo em aVF, faz-se necessário verificar DII p/ determinar se
vetor resultante está acima ou abaixo de aVL (limite).
o se DII for positivo = eixo normal
o se DII for negativo = eixo desviado para a esquerda
→ Eixo INDETERMINADO (desvio extremo) – compreendido
entre -90º e -180º. Está presente quando QRS é
predominantemente negativo em DI e em aVF.
Método alternativo: Um outro método para a determinação do Os valores normais para o complexo QRS são:
eixo elétrico baseia-se na identificação da derivação com um ▪ Amplitude entre 5 e 20mm, ou seja, de 1 a 4Q
complexo QRS equifásico ou com o menor complexo QRS. Nesse ▪ Duração entre 60 e 120ms, ou seja, de 1,5q a 3q
caso, o eixo está próximo da derivação perpendicular a esta.
→ exemplo:
→ correlação clínica:
• Bloqueio de ramo ventricular – sugerido por um QRS
alargado (duração maior que o normal).
• Sobrecarga ventricular – sugerida por um QRS de
amplitude maior que o normal.
• SEGMENTO ST •
Corresponde à linha isoelétrica que vai do complexo QRS à
onda T. Equivale ao período de platô do PA, durante o qual o
ventrículo está totalmente contraído e ejetando sangue (sístole),
ou seja, nesse momento não há perfusão miocárdica.
Na imagem, o menor complexo QRS está em DII. A derivação
perpendicular a DII é aVL e nesta o complexo está
→ correlação clínica: ISQUEMIA
predominantemente positivo, indicando que o eixo está para -30º Um desnivelamento no segmento ST indica isquemia, sendo um
e não para 150º. Como em DII o QRS é negativo, o eixo afasta-se dos primeiros sinais de infarto agudo (oclusão coronariana).
desta, estando, portanto além de -30º (aprox. 45º?)
→ correlação clínica: HIPERTROFIA VENTRICULAR
Quando um ventrículo apresenta hipertrofia acentuada, o eixo do
coração é desviado na direção desse V.
ANÁLISE DAS ONDAS E INTERVALOS
SUPRA ST INFRA ST
• ONDA P • Indica lesão subepicárdica Indica lesão subendocárdica
É a primeira onda do ciclo cardíaco, com sua primeira porção
• ONDA T •
correspondendo à despolarização do átrio direito e a última à do
Indica a repolarização ventricular. Normalmente esperaria-se que
átrio esquerdo. Seus valores normais são:
seu sentido fosse inverso ao do complexo QRS, no entanto, a
▪ Amplitude < 2,5 mm, ou seja, menor que 0,25 mV
repolarização ocorre do epicárdio para o endocárdio (sentido
▪ Duração < 2,5 mm, ou seja, menor que 100ms
inverso ao da despolarização). Uma amplitude exagerada da
→ correlação clínica: SOBRECARGAS ATRIAIS onda T sugere distúrbio de repolarização, comum em pacientes
• Hipertrofia no AD – quando a amplitude da onda P é hipertensos descompensados.
maior que o normal, tem-se uma sobrecarga no AD.
• Hipertrofia no AE – quando a duração da onda P é maior
que o normal, tem-se uma sobrecarga no AE.
• INTERVALO PR •
Engloba a onda P e o segmento PR (estende-se até o início do
complexo QRS), correspondendo ao período que vai da
despolarização atrial até o início da despolarização ventricular,
incluindo a propagação do estímulo pelo nó AV. Seu valor normal
é: 120 ms < PR < 200 ms = de 3 a 5 quadrados pequenos. Um
intervalo PR que seja maior do que 200 milisegundos sugere
bloqueio atrioventricular por atraso no feixe excitocondutor.
• COMPLEXO QRS •
Indica a despolarização ventricular, sendo composto por 3 ondas:
→ Onda Q – representa a despolarização septal (septo
interventricular) e é negativa. *Normalmente, uma onda Q
patológica (duração > 40ms) indica infarto prévio.
→ Onda R – representa a despolarização de praticamente todo
o ventrículo, da base para o ápice e do endocárdio para o
epicárdio.
→ Onda S – representa a despolarização de uma porção final do
ventrículo (região próxima à base e ao epicárdio)