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tomas

Daniel, após perder o ônibus, espera um trem na estação e é advertido por um funcionário a não pegá-lo. Ao entrar, ele descobre que o trem viaja no tempo, levando-o a momentos de seu passado e futuro, onde encontra uma versão mais velha de si mesmo que o avisa sobre as consequências de continuar na viagem. Ao pular do trem, ele retorna ao presente, mas anos depois, ao ver o mesmo trem novamente, percebe que a jornada pode nunca ter terminado.

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Daniel, após perder o ônibus, espera um trem na estação e é advertido por um funcionário a não pegá-lo. Ao entrar, ele descobre que o trem viaja no tempo, levando-o a momentos de seu passado e futuro, onde encontra uma versão mais velha de si mesmo que o avisa sobre as consequências de continuar na viagem. Ao pular do trem, ele retorna ao presente, mas anos depois, ao ver o mesmo trem novamente, percebe que a jornada pode nunca ter terminado.

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# O Último Trem

Era quase meia-noite quando Daniel chegou à pequena estação de trem de sua cidade. Ele estava
voltando para casa depois de passar a tarde na casa de um amigo e perdeu o ônibus que costumava
pegar. A estação estava praticamente vazia.

Havia apenas um funcionário sentado atrás de uma pequena janela e um relógio antigo marcando onze
horas e cinquenta e cinco minutos.

Daniel olhou para o painel.

— Ainda tem algum trem para a cidade?

O funcionário levantou os olhos lentamente.

— Tem um.

— Que horas?

— Meia-noite.

Daniel sorriu.

— Ótimo. Vou esperar.

O funcionário ficou em silêncio por alguns segundos.


— Se eu fosse você, não pegaria esse trem.

Daniel achou aquilo estranho.

— Por quê?

— Porque esse trem não aparece no horário normal.

Antes que Daniel pudesse perguntar qualquer coisa, o funcionário voltou a olhar para os papéis sobre a
mesa.

À meia-noite em ponto, as luzes da estação piscaram.

Um trem surgiu na escuridão.

Daniel ficou impressionado. Não havia feito nenhum barulho antes de aparecer. Parecia antigo, com
pintura escura e janelas iluminadas por uma luz amarelada.

As portas se abriram.

Daniel olhou para trás, procurando o funcionário.

A cabine estava vazia.

Ele pensou em ir embora, mas estava cansado e queria chegar logo em casa.
Entrou.

O interior do trem estava completamente vazio.

Daniel sentou perto da janela.

Poucos segundos depois, o trem começou a andar.

Ele pegou o celular para mandar uma mensagem para a mãe, mas não havia sinal.

Então percebeu algo estranho.

O trem estava passando por lugares que ele nunca tinha visto.

Depois de alguns minutos, as luzes começaram a piscar.

Daniel levantou e foi até a porta entre os vagões.

No corredor havia uma placa:

“Próxima parada: Ontem.”

Daniel pensou que fosse alguma brincadeira.

O trem parou.
As portas se abriram.

Do lado de fora estava a rua onde Daniel morava, mas ela parecia diferente. As casas eram novas, os
carros eram antigos e havia crianças brincando na calçada.

Daniel reconheceu uma delas.

Era ele mesmo, com aproximadamente oito anos.

Ele ficou paralisado.

O garoto correu pela rua segurando uma bola.

Daniel tentou chamá-lo, mas sua voz não saiu.

As portas começaram a fechar.

Ele voltou para o vagão.

O trem continuou.

Na próxima parada, a placa dizia:

“Próxima parada: Amanhã.”


Quando as portas abriram, Daniel viu a mesma cidade, mas completamente destruída. Prédios estavam
abandonados, árvores haviam crescido pelas ruas e não havia ninguém.

Sobre uma parede estava escrito:

“Não deixe o trem chegar à última estação.”

Daniel sentiu um arrepio.

— O que isso significa?

Uma voz respondeu atrás dele:

— Significa que você ainda pode mudar tudo.

Daniel virou.

Um homem estava sentado no último banco.

Ele parecia ter uns cinquenta anos.

— Quem é você?

O homem sorriu.

— Sou você.
Daniel ficou em choque.

O homem explicou que aquele trem percorria momentos do tempo. A última estação mostraria o futuro
definitivo de quem entrasse nele. Porém, depois de chegar lá, não haveria como voltar.

— Então como eu saio?

— Na próxima parada, pule.

— Mas o trem está andando!

— Confie em mim.

O trem começou a diminuir a velocidade.

Daniel abriu a porta.

Do lado de fora havia apenas escuridão.

Ele respirou fundo e pulou.

Caiu no chão da estação.

Quando abriu os olhos, era manhã.


O relógio marcava seis horas.

O funcionário estava sentado atrás da janela.

Daniel levantou rapidamente.

— O trem...

O homem olhou para ele.

— Que trem?

Daniel ficou em silêncio.

Naquele momento, percebeu que o celular estava funcionando novamente.

Havia uma nova mensagem da mãe:

“Filho, você precisa tomar cuidado. Ontem sonhei que alguma coisa ruim aconteceria com você.”

Daniel olhou para o relógio.

O ponteiro dos segundos parou por um instante.

Então voltou a andar.


Ele nunca mais pegou aquele trem.

Mas, anos depois, quando já era adulto, Daniel estava esperando um trem em outra cidade.

Era quase meia-noite.

As luzes da estação piscaram.

Um trem antigo apareceu lentamente.

Daniel reconheceu a pintura escura.

As portas se abriram.

E, sentado perto da janela, estava um garoto de oito anos segurando uma bola.

Daniel percebeu que o trem ainda estava viajando pelo tempo.

E talvez aquela noite nunca tivesse terminado.

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