Inf0865
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de Jurisprudência
Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.
CORTE ESPECIAL
DESTAQUE
Ainda que não seja necessário o trânsito em julgado de precedente para que o tema de
repercussão geral tenha aplicação imediata, não se mostra conveniente eventual exercício de
juízo de retratação pelo Superior Tribunal de Justiça antes do trânsito em julgado da tese
vinculante do STF.
Não obstante já exista decisão de mérito nos Temas n. 987 e 533 do STF, é prudente, por ora,
aguardar o trânsito em julgado de seus recursos paradigmas a fim de garantir a segurança jurídica na sua
aplicação.
Isso porque os acórdãos paradigmas, julgados por maioria, mesmo com a publicação, haverá a
possibilidade, no prazo recursal, de oposição de embargos de declaração e de eventual consequente
modificação ou modulação de efeitos do que foi decidido.
Com efeito, ainda que não seja necessário o trânsito em julgado do precedente para que o
tema de repercussão geral tenha aplicação imediata, não se mostra conveniente e consentâneo com a
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Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
segurança jurídica, e mesmo com a razoável duração do processo, dar tramitação ao processo para
eventual exercício de juízo de retratação pelo Superior Tribunal de Justiça (igualmente uma Corte de
precedentes), antes de assegurar-se a consolidação da tese vinculante do STF, uma vez que, como é de
sabença, não é incomum, no rito da sistemática da repercussão geral, que haja o acolhimento, pelo
Plenário da Corte Suprema, de embargos de declaração para aperfeiçoamento, modificação ou mesmo
modulação de efeitos de teses sufragadas.
Assim, ainda não convém a aplicação dos Temas n. 987 e 533 do STF, a despeito do julgamento
dos leading cases.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
PRECEDENTES QUALIFICADOS
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 782
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
PRIMEIRA TURMA
DESTAQUE
A regra prevista no art. 1°, § 1°, da Lei n. 9.873/1999 somente é aplicável aos
procedimentos sancionatórios da administração pública federal, não podendo ser invocada para
ser reconhecida a prescrição intercorrente no âmbito dos órgãos estaduais e municipais, que
devem adotar, na ausência de lei específica, o prazo do Decreto n. 20.910/1932.
O Tribunal de origem decidiu que se aplicava, à hipótese, a regra geral do art. 4º do Decreto n.
20.910/1932, que suspende o prazo prescricional ao longo do período do processo administrativo
sancionatório, e não o art. 1º, § 1º, da Lei n. 9.873/1999.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
DESTAQUE
Após a concessão da segurança, foi requerida a extensão dos seus efeitos às filiais da empresa
que não foram arroladas na petição inicial, tendo o pleito sido rejeitado na origem, ao fundamento de
que, concedida a segurança à empresa matriz, a extensão dos benefícios não é aplicada de forma
automática às filiais, sendo necessário que as empresas afiliadas estejam mencionadas na petição inicial,
devendo serem observados os limites subjetivos da demanda.
Com efeito, tem-se que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, ao julgar tema
relacionado à possibilidade de expedição de Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa - CPD-
EN para uma das filiais de estabelecimento comercial quando exista pendência tributária da matriz ou de
outras filiais, revendo seu entendimento, passou a considerar que filiais são estabelecimentos secundários
da mesma pessoa jurídica, desprovidas de personalidade jurídica e de patrimônio próprios, de modo a
existir uma relação de dependência a impedir a expedição dessa certidão quando há dívida de algum
estabelecimento integrante do grupo (AgInt no AREsp 1.286.122/DF, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Rel. p/
Acórdão Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 27/08/2019, DJe 12/09/2019).
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Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
consignado que "a filial é uma espécie de estabelecimento empresarial, fazendo parte do acervo
patrimonial de uma única pessoa jurídica, partilhando dos mesmos sócios, contrato social e firma ou
denominação da matriz. Nessa condição, consiste, conforme doutrina majoritária, em uma universalidade
de fato, não ostentando personalidade jurídica própria, não sendo sujeito de direitos, tampouco uma
pessoa distinta da sociedade empresária. Cuida-se de um instrumento de que se utiliza o empresário ou
sócio para exercer suas atividades".
Dessa forma, o fato de as filiais possuírem CNPJ próprio confere a elas somente autonomia
administrativa e operacional para fins fiscalizatórios, não abarcando a autonomia jurídica, já que existe a
relação de dependência entre o CNPJ das filiais e o da matriz.
Não por outro motivo, a jurisprudência do STJ consolidou-se no sentido de que as "filiais são
estabelecimentos secundários da mesma pessoa jurídica, desprovidas de personalidade jurídica e
patrimônio próprio, apesar de poderem possuir domicílios em lugares diferentes e inscrições distintas no
CNPJ, que lhes confere autonomia administrativa e operacional para fins fiscalizatórios, não abarcando a
autonomia jurídica. Os valores a receber provenientes de pagamentos indevidos a título de tributos
pertencem à sociedade como um todo, de modo que a matriz pode discutir relação jurídico-tributária,
pleitear restituição ou compensação relativamente a indébitos de suas filiais" (AgInt no REsp n.
2.153.737/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de
3/10/2024).
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 700
ÁUDIO DO TEXTO
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Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
SEGUNDA TURMA
PROCESSO REsp 1.890.353-PR, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Rel.
Acd. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, por unanimidade,
julgado em 11/3/2025, DJEN 8/9/2025.
DESTAQUE
O acordo de leniência não afasta o dever de integral reparação do dano, a teor do art.
16, § 3º, da Lei n. 12.846/2013, podendo a reparação ser postulada em ação própria ou na própria
ação por improbidade administrativa.
Em seu Voto-Vista, o Ministro Og Fernandes também aderiu a essa conclusão, mas apresentou
outros fundamentos.
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Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
leniência".
Com efeito, o acordo de leniência tem natureza jurídica mista ou híbrida, podendo versar
acerca dos elementos de direito material e de direito processual. Ele versa sobre elementos de direito
material, como a redução das sanções pelo ilícito, mas também pode conter cláusulas que permitem o
enquadramento como negócio jurídico processual, ao se referir a procedimentos, atos, poderes,
faculdades e deveres processuais. É o que se depreende da leitura do art. 16 da Lei n. 12.846/2013.
Assim, do ponto de vista do conteúdo, não há nenhuma ilegalidade quando o negócio contém
cláusula processual de extinção de demanda judicial.
Por sua vez, o art. 16, § 3º, da Lei n. 12.846/2013 estabelece que o acordo de leniência não
afasta o direito à reparação integral. O dispositivo estabelece uma proibição que gera como consequência
a nulidade caso o acordo de leniência venha a conter esse tipo de exclusão. A regra também tem uma
função interpretativa. O acordo de leniência não pode ser interpretado de forma a afastar a reparação
integral do prejuízo causado.
Dessa maneira, assiste razão à parte no ponto em que aduz que o acordo de leniência não
impede a reparação integral do dano.
Acrescente-se que, quando o art. 16, § 3º, da Lei n. 12.846/2013 estabelece a reparação
integral, abarca todo o fato jurídico de responsabilização de prejuízos causados, incluindo danos
patrimoniais e extrapatrimoniais.
Em vista disso, é possível a busca por reparação de danos, ainda que na esfera extrapatrimonial.
Contudo, resta ainda saber se é possível a busca pela indenização no curso da ação de
improbidade, em virtude de o acordo de leniência afastar a discussão sobre as condutas ímprobas no
curso do processo.
Como se vê, nada impede que, no curso da ação de improbidade, seja apreciado o montante
danoso com o trâmite regular do processo que valorará a "gravidade do fato", como bem salienta o caput
do art. 12.
Ademais, quando o art. 16, § 3º, da Lei n. 12.846/2013 estabelece que o acordo de leniência
não impede a reparação integral do dano, não impõe que essa pretensão seja deduzida em demanda
própria ou impede que ocorra no curso da ação de improbidade.
Assim, a reparação integral do dano pode ser postulada em ação própria ou na própria ação
por improbidade administrativa.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 686
DESTAQUE
A CCEE é pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que foi criada pela Lei n.
10.848/2004 e regulamentada pelo Decreto n. 5.177/2004, com o especial fim de viabilizar a
comercialização de energia elétrica.
Por sua vez, a Lei n. 9.427/1996, que institui e regulamenta a Agência Nacional de Energia
Elétrica - ANEEL, prevê que tal agência, no exercício de seu poder de polícia, fixe multas administrativas a
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Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
Tal previsão legal, porém, não pode ser estendida à CCEE, haja vista que esta, como pessoa
jurídica de direito privado, não pode exercer poder de polícia, que é próprio dos entes estatais.
Nesse contexto, incabível aplicar a limitação prevista no art. 3°, X, da Lei n. 9.427/1996 a CCEE,
já que se trata de pessoa jurídica com natureza distinta da ANEEL e no exercício de múnus calcado
também em institutos diferentes, pois, enquanto as multas administrativas aplicadas pela ANEEL são
decorrentes da prática do seu poder de polícia, as penalidades impostas pela CCEE advêm da pactuação
contratual feita com os agentes fornecedores de energia elétrica que a ela se associam.
Assim, as penalidades aplicadas pela CCEE têm natureza contratual, de modo que não podem
ser limitadas ao percentual previsto no art. 3º, X, da Lei n. 9.427/1996.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PRECEDENTES QUALIFICADOS
Tema n. 532/STF
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 790
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
TERCEIRA TURMA
PROCESSO REsp 2.212.357-RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 16/9/2025, DJEN 19/9/2025.
DESTAQUE
Assim, o lojista-empresário, ao optar pela proposta que considera mais vantajosa, decide com
quem vai negociar e, a partir dessa opção, assume o risco do negócio - dentre os quais se inclui a
inadimplência daquele com quem contratou.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 856
PROCESSO REsp 2.207.919-MA, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 12/8/2025, DJEN 18/8/2025.
DESTAQUE
O art. 942 do Código de Processo Civil - CPC configura uma técnica de julgamento, a ser
observada de ofício, cujo objetivo é aprofundar a discussão a respeito da controvérsia fática ou jurídica
sobre a qual houve dissidência entre os votantes por ocasião da apreciação de alguns recursos e ações,
entre eles, a apelação.
Na forma da parte final do caput do art. 942 do CPC, não é qualquer divergência na apreciação
da apelação que enseja a ampliação do colegiado, porquanto esse instituto somente será utilizado para
ensejar a modificação do resultado final da primeira etapa do julgamento, de modo que, se a discordância
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
Nos termos do art. 927 do Código Civil - CC, aquele que causa prejuízo a alguém fica obrigado
a repará-lo, consistindo a reparação na consequência da atribuição de responsabilidade.
Assim, conclui-se que, na ação de responsabilidade civil, o mérito da causa alcança a avaliação
da extensão do dano sofrido, razão pela qual a divergência de votos em relação a esse fator não
caracteriza mera discordância de fundamentação, por ensejar divergência de resultados, justificando,
assim, a ampliação do colegiado, na forma do art. 942 do CPC.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
PROCESSO REsp 2.167.089-RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 19/8/2025, DJEN 26/8/2025.
DESTAQUE
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
Não seria razoável exigir que o credor, portador de título executivo, fosse obrigado a iniciar um
processo arbitral tão somente para obter um novo título do qual, no seu entender, já é titular.
Independentemente do teor das questões que podem ser dirimidas no juízo estatal e no juízo
arbitral, o processo de execução, uma vez ajuizado, somente poderá ter a sua suspensão justificada pela
instauração do procedimento perante o juízo arbitral, seguida de requerimento ao juízo da execução. A
suspensão da ação executiva, embora possível, não é automática; não decorre da existência de cláusula
compromissória arbitral, ipso facto.
SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 560
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
QUARTA TURMA
PROCESSO REsp 2.060.900-SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, por
unanimidade, julgado em 22/9/2025, DJEN 26/9/2025.
DESTAQUE
É possível que a operadora de plano de saúde seja obrigada a fornecer cobertura para
os exames PET SCAN ou PET-CT, porque expressamente previstos no rol de procedimentos da
ANS, quando efetivamente necessários para o adequado diagnóstico, estadiamento e
acompanhamento de câncer e outras enfermidades (cobertas contratualmente), que não tenham
sido diagnosticadas por exames tradicionais, devendo haver ainda a observância de expressa
indicação médica, para hipóteses além daquelas elencadas no rol da ANS.
O Tribunal de origem decidiu que a negativa de autorização para a realização dos referidos
procedimentos, expressamente indicados por profissional médico, com fundamento em sua ausência no
rol da ANS, deve ser considerada como abusiva.
Sobre o rol da ANS, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do
julgamento dos EREsps n. 1.886.929/SP e 1.889.704/SP (Relator Ministro Luis Felipe Salomão), fixou as
seguintes premissas, que devem orientar a análise da controvérsia acerca da cobertura de tratamentos
médicos pelos planos de saúde:
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
da competência do julgamento do feito para a Justiça Federal, ante a ilegitimidade passiva ad causam da
ANS".
Logo em seguida, foi editada a Lei n. 14.454, de 21 de setembro de 2022, que dispôs sobre a
alteração da Lei n. 9.656/1998 para prever a possibilidade de cobertura de tratamentos não contemplados
pelo rol de procedimentos e eventos em saúde da ANS, prevendo que o referido rol constitui apenas
referência básica para os planos de saúde e que a cobertura de tratamentos que não estejam previstos no
rol deverá ser autorizada pela operadora de planos de assistência à saúde quando cumprir pelo menos
uma das condicionantes previstas na lei.
Nesse cenário, conclui-se que tanto a nova redação da Lei dos Planos de Saúde quanto a
jurisprudência do STJ admitem a cobertura de procedimentos ou medicamentos não previstos no rol da
ANS, desde que amparada em critérios técnicos, devendo a necessidade ser analisada caso a caso.
Nesse contexto, era mesmo de rigor a cobertura dos procedimentos, seja porque necessária ao
efetivo diagnóstico do beneficiário, ou porque expressamente prevista no rol de procedimentos da ANS a
necessidade de cobertura obrigatória dos exames PET SCAN ou PET-CT, quando efetivamente
necessários para o adequado diagnóstico, estadiamento e acompanhamento de câncer e outras
enfermidades (cobertas contratualmente), que não tenham sido diagnosticadas por exames tradicionais,
devendo haver ainda a observância de expressa indicação médica, para hipóteses além daquelas
elencadas no rol da ANS.
No que tange aos danos morais, a jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que "a
recusa indevida/injustificada, pela operadora de saúde, em autorizar a cobertura financeira para
tratamento médico de urgência enseja reparação a título de danos morais, por agravar a situação de
aflição psicológica e de angústia do beneficiário" (AgInt no AREsp 1.816.359/MA, Relator Ministro Ricardo
Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 20/3/2023, DJe de 24/3/2023).
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
DESTAQUE
No caso, após assentar que o consumidor possui a faculdade de escolher o foro competente, o
Tribunal de origem considerou que a escolha pelo foro de Brasília deu-se de forma aleatória, sem
justificativa plausível e pormenorizadamente demonstrada.
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
QUINTA TURMA
DESTAQUE
Ademais, o fato de o crime do art. 20 da Lei n. 7.492/1986 ser classificado como formal não
dispensa a demonstração da materialidade da conduta típica, ou seja, da ocorrência de ato comissivo que
consubstancie a aplicação dos recursos em finalidade diversa da prevista. A natureza formal do delito
apenas afasta a necessidade de comprovação de resultado naturalístico, como o efetivo prejuízo à
instituição financeira, mas não exime o órgão acusador do ônus de demonstrar, de forma concreta, o
desvio de finalidade.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
Logo, ainda que não se exija prova do prejuízo, impõe-se a demonstração do destino irregular
dos recursos, sem o que não se aperfeiçoa a subsunção da conduta ao tipo penal imputado, o que
compromete, desde a origem, a própria justa causa para a persecução penal.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
DESTAQUE
O mau estado de conservação do veículo não constitui fundada suspeita para justificar
a busca veicular e pessoal.
O art. 244 do Código de Processo Penal assevera que "a busca pessoal independerá de
mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma
proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada
no curso de busca domiciliar".
Já o § 2º do art. 240 do CPP consagra que é necessária a presença de fundada suspeita para
que seja autorizada a medida invasiva, padecendo de razoabilidade e de concretude a abordagem de
indivíduo em razão de denúncias anônimas não averiguadas previamente.
Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que "há uma necessária referibilidade da
medida, vinculada à sua finalidade legal probatória, a fim de que não se converta em salvo-conduto para
abordagens e revistas exploratórias (fishing expeditions), baseadas em suspeição genérica existente sobre
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
indivíduos, atitudes ou situações, sem relação específica com a posse de arma proibida ou objeto que
constitua corpo de delito de uma infração penal" (HC 774.140/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz,
Sexta Turma, DJe de 28/10/2022).
No caso, o Tribunal de origem entendeu que a diligência não foi motivada única e
exclusivamente pela impressão subjetiva dos policiais, mas "em razão da porta amassada do veículo que
trafegava em via pública". Apenas após a abordagem é que foi constatado que o acusado se fez passar por
guarda municipal, apresentando arma de fogo, que depois se descobriu ser produto de furto.
Note-se que não houve a demonstração de qualquer atitude concreta que apontasse estar o
abordado na posse de material objeto de ilícito ou na prática de algum crime. A mera situação de estar a
bordo de veículo com a porta amassada não constitui, por si só, fundada suspeita, sendo necessária a
presença de elementos concretos para justificar a medida invasiva.
Portanto, nesse contexto, a busca pessoal e veicular sem justa causa é ilegal, e as provas
obtidas dessa forma são consideradas ilícitas, afetando a materialidade do delito e impondo o
trancamento da ação penal.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
ÁUDIO DO TEXTO
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
SEXTA TURMA
PROCESSO RHC 209.207-GO, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma,
por unanimidade, julgado em 12/8/2025, DJEN 19/8/2025.
DESTAQUE
A Súmula Vinculante n. 24 do STF estabelece que não se tipifica crime material contra a ordem
tributária, previsto no art. 1º, I a IV, da Lei n. 8.137/1990, antes do lançamento definitivo do tributo. A
própria redação do enunciado sumular, ao delimitar expressamente sua aplicação aos incisos I a IV do art.
1º da Lei n. 8.137/1990, evidencia uma escolha deliberada do Supremo Tribunal Federal em não incluir o
inciso V no seu âmbito de incidência.
Trata-se, portanto, de crime formal, cuja consumação se perfectibiliza com a mera realização
da conduta descrita no tipo penal, independentemente da ocorrência do resultado naturalístico de
prejuízo ao erário ou da constituição definitiva do crédito tributário. A tutela penal, neste caso, volta-se à
proteção da administração tributária e sua capacidade de fiscalização, sendo o dever de documentação
fiscal o bem jurídico imediatamente protegido.
Logo, a Súmula Vinculante n. 24 do STF não se aplica ao crime do art. 1º, V, da Lei n.
8.137/1990, por se tratar de crime formal, cuja consumação independe da constituição definitiva do
crédito tributário.
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO
SÚMULAS
[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/22