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Inf0865

O Informativo de Jurisprudência n. 865 destaca decisões sobre a aplicação de teses de repercussão geral do STF, enfatizando a conveniência de aguardar o trânsito em julgado para garantir segurança jurídica. Também aborda a inaplicabilidade da Lei n. 9.873/1999 em âmbitos estaduais e municipais, além de esclarecer que filiais não possuem autonomia jurídica própria, sendo dependentes da matriz. Por fim, discute a possibilidade de reparação integral de danos em ações de improbidade administrativa, mesmo com acordos de leniência.
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O Informativo de Jurisprudência n. 865 destaca decisões sobre a aplicação de teses de repercussão geral do STF, enfatizando a conveniência de aguardar o trânsito em julgado para garantir segurança jurídica. Também aborda a inaplicabilidade da Lei n. 9.873/1999 em âmbitos estaduais e municipais, além de esclarecer que filiais não possuem autonomia jurídica própria, sendo dependentes da matriz. Por fim, discute a possibilidade de reparação integral de danos em ações de improbidade administrativa, mesmo com acordos de leniência.
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Informativo

de Jurisprudência

Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

Este periódico destaca teses jurisprudenciais e não consiste em repositório oficial de jurisprudência.

CORTE ESPECIAL

PROCESSO Processo em segredo de justiça, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão,


Corte Especial, por unanimidade, julgado em 23/9/2025, DJEN
29/9/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Repercussão Geral. Temas n. 533 e 987 do STF. Acórdãos não


transitados em julgado. Possibilidade de oposição de embargos de
declaração. Juízo de retratação pelo Superior Tribunal de Justiça
antes do trânsito em julgado. Inconveniência.

DESTAQUE

Ainda que não seja necessário o trânsito em julgado de precedente para que o tema de
repercussão geral tenha aplicação imediata, não se mostra conveniente eventual exercício de
juízo de retratação pelo Superior Tribunal de Justiça antes do trânsito em julgado da tese
vinculante do STF.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão em discussão consiste em saber se as teses fixadas em repercussão geral pelo
Supremo Tribunal Federal devem necessariamente ser aplicadas imediatamente, sem necessidade de
aguardar o trânsito em julgado dos acórdãos paradigmas.

Não obstante já exista decisão de mérito nos Temas n. 987 e 533 do STF, é prudente, por ora,
aguardar o trânsito em julgado de seus recursos paradigmas a fim de garantir a segurança jurídica na sua
aplicação.

Isso porque os acórdãos paradigmas, julgados por maioria, mesmo com a publicação, haverá a
possibilidade, no prazo recursal, de oposição de embargos de declaração e de eventual consequente
modificação ou modulação de efeitos do que foi decidido.

Com efeito, ainda que não seja necessário o trânsito em julgado do precedente para que o
tema de repercussão geral tenha aplicação imediata, não se mostra conveniente e consentâneo com a

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 1/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

segurança jurídica, e mesmo com a razoável duração do processo, dar tramitação ao processo para
eventual exercício de juízo de retratação pelo Superior Tribunal de Justiça (igualmente uma Corte de
precedentes), antes de assegurar-se a consolidação da tese vinculante do STF, uma vez que, como é de
sabença, não é incomum, no rito da sistemática da repercussão geral, que haja o acolhimento, pelo
Plenário da Corte Suprema, de embargos de declaração para aperfeiçoamento, modificação ou mesmo
modulação de efeitos de teses sufragadas.

Assim, ainda não convém a aplicação dos Temas n. 987 e 533 do STF, a despeito do julgamento
dos leading cases.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
PRECEDENTES QUALIFICADOS

Temas n. 533 e 987 do STF

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 782

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 2/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

PRIMEIRA TURMA

PROCESSO AgInt no AREsp 1.900.837-SP, Rel. Ministro Paulo Sérgio Domingues,


Primeira Turma, por unanimidade, julgado em 22/9/2025, DJEN
25/9/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Procedimento administrativo. Prescrição intercorrente.


Inaplicabilidade da Lei n. 9.873/1999 nos âmbitos estadual e
municipal. Aplicabilidade do Decreto n. 20.910/1932.

DESTAQUE

A regra prevista no art. 1°, § 1°, da Lei n. 9.873/1999 somente é aplicável aos
procedimentos sancionatórios da administração pública federal, não podendo ser invocada para
ser reconhecida a prescrição intercorrente no âmbito dos órgãos estaduais e municipais, que
devem adotar, na ausência de lei específica, o prazo do Decreto n. 20.910/1932.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Trata-se de controvérsia voltada à análise da tese de prescrição da pretensão punitiva ao
fundamento da ocorrência de prescrição intercorrente em âmbito administrativo estadual.

O Tribunal de origem decidiu que se aplicava, à hipótese, a regra geral do art. 4º do Decreto n.
20.910/1932, que suspende o prazo prescricional ao longo do período do processo administrativo
sancionatório, e não o art. 1º, § 1º, da Lei n. 9.873/1999.

De fato, o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal


de Justiça, segundo a qual a regra prevista no art. 1°, § 1°, da Lei n. 9.873/1999 somente é aplicável aos
procedimentos sancionatórios da administração pública federal, não podendo ser invocada para ser
reconhecida a prescrição intercorrente no âmbito dos órgãos estaduais e municipais, que devem adotar,
na ausência de lei específica, o prazo do Decreto n. 20.910/1932.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.873/1999, art. 1º, § 1º.


Decreto n. 20.910/1932, art. 4º.

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 3/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

PROCESSO AgInt no AgInt nos EDcl no AREsp 2.605.869-AM, Rel. Ministro


Gurgel de Faria, Primeira Turma, por unanimidade, julgado em
15/9/2025, DJEN 24/9/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO TRIBUTÁRIO, DIREITO EMPRESARIAL

TEMA Matriz e filial. Autonomia jurídica. Inexistência. Relação de


dependência. Mesma pessoa jurídica.

DESTAQUE

O fato de as filiais possuírem CNPJ próprio confere a elas somente autonomia


administrativa e operacional para fins fiscalizatórios, não abarcando a autonomia jurídica, já que
existe a relação de dependência entre o CNPJ das filiais e o da matriz.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia tem origem em mandado de segurança impetrado por empresa contra a
cobrança, por ente estadual, de diferencial de alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços - ICMS em operações interestaduais.

Após a concessão da segurança, foi requerida a extensão dos seus efeitos às filiais da empresa
que não foram arroladas na petição inicial, tendo o pleito sido rejeitado na origem, ao fundamento de
que, concedida a segurança à empresa matriz, a extensão dos benefícios não é aplicada de forma
automática às filiais, sendo necessário que as empresas afiliadas estejam mencionadas na petição inicial,
devendo serem observados os limites subjetivos da demanda.

Com efeito, tem-se que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, ao julgar tema
relacionado à possibilidade de expedição de Certidão Positiva de Débitos com Efeito de Negativa - CPD-
EN para uma das filiais de estabelecimento comercial quando exista pendência tributária da matriz ou de
outras filiais, revendo seu entendimento, passou a considerar que filiais são estabelecimentos secundários
da mesma pessoa jurídica, desprovidas de personalidade jurídica e de patrimônio próprios, de modo a
existir uma relação de dependência a impedir a expedição dessa certidão quando há dívida de algum
estabelecimento integrante do grupo (AgInt no AREsp 1.286.122/DF, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Rel. p/
Acórdão Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 27/08/2019, DJe 12/09/2019).

Conforme entendimento que prevaleceu no mencionado julgado, a sucursal, a filial e a agência


não têm um registro próprio, autônomo, e, portanto, não nascem como uma pessoa jurídica. Ressalte-se
que a pessoa jurídica como um todo é que possui personalidade, pois é ela sujeito de direitos e de
obrigações, assumindo, com todo o seu patrimônio, a correspondente responsabilidade, sendo certo que
as filiais são estabelecimentos secundários da mesma pessoa jurídica, desprovidas de personalidade
jurídica e de patrimônio próprio, apesar de poderem possuir domicílios em lugares diferentes (art. 75, § 1º,
do Código Civil) e inscrições distintas no CNPJ.

No mesmo sentido, na ementa do Recurso Especial repetitivo n. 1.355.812/RS (Rel. Ministro


Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 22/5/2013, DJe 31/5/2013) ficou expressamente

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 4/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

consignado que "a filial é uma espécie de estabelecimento empresarial, fazendo parte do acervo
patrimonial de uma única pessoa jurídica, partilhando dos mesmos sócios, contrato social e firma ou
denominação da matriz. Nessa condição, consiste, conforme doutrina majoritária, em uma universalidade
de fato, não ostentando personalidade jurídica própria, não sendo sujeito de direitos, tampouco uma
pessoa distinta da sociedade empresária. Cuida-se de um instrumento de que se utiliza o empresário ou
sócio para exercer suas atividades".

Dessa forma, o fato de as filiais possuírem CNPJ próprio confere a elas somente autonomia
administrativa e operacional para fins fiscalizatórios, não abarcando a autonomia jurídica, já que existe a
relação de dependência entre o CNPJ das filiais e o da matriz.

Não por outro motivo, a jurisprudência do STJ consolidou-se no sentido de que as "filiais são
estabelecimentos secundários da mesma pessoa jurídica, desprovidas de personalidade jurídica e
patrimônio próprio, apesar de poderem possuir domicílios em lugares diferentes e inscrições distintas no
CNPJ, que lhes confere autonomia administrativa e operacional para fins fiscalizatórios, não abarcando a
autonomia jurídica. Os valores a receber provenientes de pagamentos indevidos a título de tributos
pertencem à sociedade como um todo, de modo que a matriz pode discutir relação jurídico-tributária,
pleitear restituição ou compensação relativamente a indébitos de suas filiais" (AgInt no REsp n.
2.153.737/SP, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 30/9/2024, DJe de
3/10/2024).

Destarte, devem ser estendidos os efeitos da decisão judicial às filiais da recorrente


domiciliadas no Estado da federação recorrido, mesmo que não arroladas na inicial da impetração.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código Civil, art. 75, § 1º.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 700

Informativo de Jurisprudência n. 665

Informativo de Jurisprudência n. 524

Pesquisa Pronta / DIREITO TRIBUTÁRIO - PROCESSO TRIBUTÁRIO

Pesquisa Pronta / DIREITO TRIBUTÁRIO - CERTIDÃO

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 5/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

SEGUNDA TURMA

PROCESSO REsp 1.890.353-PR, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Rel.
Acd. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, por unanimidade,
julgado em 11/3/2025, DJEN 8/9/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO

TEMA Acordo de Leniência. Reparação integral do dano. Propositura de


Ação de Improbidade Administrativa. Possibilidade. Ausência de
relação de prejudicialidade.

DESTAQUE

O acordo de leniência não afasta o dever de integral reparação do dano, a teor do art.
16, § 3º, da Lei n. 12.846/2013, podendo a reparação ser postulada em ação própria ou na própria
ação por improbidade administrativa.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia ao debate acerca da possibilidade de se exigir reparação integral de
dano ao erário, em eventual ação de improbidade, mesmo com a existência acordo de leniência
celebrado.

Na origem, trata-se de Ação por Improbidade Administrativa ajuizada pela União em


decorrência dos ilícitos apurados na "Operação Lava-Jato".

O Tribunal de origem autorizou a Petrobras, admitida no feito como litisconsorte ativa


superveniente, a aditar a petição inicial para nela incluir o pleito de "condenação dos réus ao pagamento
de indenização por dano moral". Todavia, o recurso foi declarado parcialmente prejudicado ao
entendimento de que a Petrobrás não mais poderia dirigir suas pretensões contra as empresas rés que,
por força do acordo de leniência celebrado com a União, foram excluídas da demanda.

O Ministro Relator originário Herman Benjamin deu provimento ao Recurso Especial da


Petrobras, com determinação de que a Ação de Improbidade Administrativa prossiga contra os
demandados, mesmo os que celebraram acordo de leniência. Para dar base a esse capítulo decisório, foi
adotada fundamentação exclusivamente processual, afirmando: "Não se trata, ainda, [...] de definir o STJ
se o acordo de leniência extinguiu as pretensões a Petrobras".

Em seu Voto-Vista, o Ministro Og Fernandes também aderiu a essa conclusão, mas apresentou
outros fundamentos.

Convencido de que a controvérsia exige pronunciamento sobre a matéria, o Ministro Relator o


fez no mesmo sentido exposto pelo Ministro Og Fernandes, ao dizer: "quando o art. 16, § 3º, da Lei n.
12.846/2013 estabelece a reparação integral, abarca todo o fato jurídico de responsabilização de
prejuízos causados, incluindo danos patrimoniais e extrapatrimoniais. Ademais, diante da nova
interpretação que se dá ao princípio da reparação integral, o cálculo da indenização poderá levar em
conta todo o fato jurídico gerador da responsabilidade, inclusive condutas que integraram o acordo de

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 6/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

leniência".

Adotou-se essas relevantes razões decisórias.

Com efeito, o acordo de leniência tem natureza jurídica mista ou híbrida, podendo versar
acerca dos elementos de direito material e de direito processual. Ele versa sobre elementos de direito
material, como a redução das sanções pelo ilícito, mas também pode conter cláusulas que permitem o
enquadramento como negócio jurídico processual, ao se referir a procedimentos, atos, poderes,
faculdades e deveres processuais. É o que se depreende da leitura do art. 16 da Lei n. 12.846/2013.

Assim, do ponto de vista do conteúdo, não há nenhuma ilegalidade quando o negócio contém
cláusula processual de extinção de demanda judicial.

Por sua vez, o art. 16, § 3º, da Lei n. 12.846/2013 estabelece que o acordo de leniência não
afasta o direito à reparação integral. O dispositivo estabelece uma proibição que gera como consequência
a nulidade caso o acordo de leniência venha a conter esse tipo de exclusão. A regra também tem uma
função interpretativa. O acordo de leniência não pode ser interpretado de forma a afastar a reparação
integral do prejuízo causado.

Dessa maneira, assiste razão à parte no ponto em que aduz que o acordo de leniência não
impede a reparação integral do dano.

Acrescente-se que, quando o art. 16, § 3º, da Lei n. 12.846/2013 estabelece a reparação
integral, abarca todo o fato jurídico de responsabilização de prejuízos causados, incluindo danos
patrimoniais e extrapatrimoniais.

Ademais, diante da nova interpretação que se dá ao princípio da reparação integral, o cálculo


da indenização poderá levar em conta todo o fato jurídico gerador da responsabilidade, inclusive
condutas que integraram o acordo de leniência.

Em vista disso, é possível a busca por reparação de danos, ainda que na esfera extrapatrimonial.

Contudo, resta ainda saber se é possível a busca pela indenização no curso da ação de
improbidade, em virtude de o acordo de leniência afastar a discussão sobre as condutas ímprobas no
curso do processo.

O ressarcimento do dano na demanda de improbidade está previsto no art. 12 da LIA. Contudo,


nada impede que sua análise também seja autônoma em virtude da previsão do art. 5º do mesmo texto
legal.

Como se vê, nada impede que, no curso da ação de improbidade, seja apreciado o montante
danoso com o trâmite regular do processo que valorará a "gravidade do fato", como bem salienta o caput
do art. 12.

Ademais, quando o art. 16, § 3º, da Lei n. 12.846/2013 estabelece que o acordo de leniência
não impede a reparação integral do dano, não impõe que essa pretensão seja deduzida em demanda
própria ou impede que ocorra no curso da ação de improbidade.

Assim, a reparação integral do dano pode ser postulada em ação própria ou na própria ação
por improbidade administrativa.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 7/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 12.846/2013, art. 16, § 3º


Código Civil, art. 944
Lei de Improbidade Administrativa (LIA), art. 12, art. 5º

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 686

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 1.945.210-RS, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Segunda


Turma, por unanimidade, julgado em 2/9/2025, DJEN 9/9/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO ADMINISTRATIVO, DIREITO ECONÔMICO

TEMA Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE. Aplicação de


penalidades. Possibilidade. Autorregulação. Sanções de natureza
contratual. Inaplicabilidade do limite previsto no art. 3º, X, da Lei n.
9.427/1996.

DESTAQUE

A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE, atuando como um agente de


autorregulação do mercado de energia elétrica, pode aplicar penalidades pelo não cumprimento
de obrigações pelos seus associados, as quais não podem ser limitadas ao percentual previsto no
art. 3º, X, da Lei n. 9.427/1996, por terem natureza contratual.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em saber se a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica - CCEE
pode ou não aplicar penalidades pelo não cumprimento de obrigações pelos seus associados e se tais
penalidades devem estar limitadas ao percentual previsto no art. 3°, X, da Lei n. 9.427/1996.

A CCEE é pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que foi criada pela Lei n.
10.848/2004 e regulamentada pelo Decreto n. 5.177/2004, com o especial fim de viabilizar a
comercialização de energia elétrica.

Por sua vez, a Lei n. 9.427/1996, que institui e regulamenta a Agência Nacional de Energia
Elétrica - ANEEL, prevê que tal agência, no exercício de seu poder de polícia, fixe multas administrativas a

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 8/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

serem impostas aos concessionários, permissionários e autorizados de instalações e serviços de energia


elétrica, sanção esta limitada a percentual específico.

Tal previsão legal, porém, não pode ser estendida à CCEE, haja vista que esta, como pessoa
jurídica de direito privado, não pode exercer poder de polícia, que é próprio dos entes estatais.

No ponto, não se desconhece a possibilidade de delegação do poder de polícia, conforme


entendimento vinculante, em sede de repercussão geral, do Supremo Tribunal Federal no RE 633.782/MG
(Tema n. 532/STF). No entanto, a Corte Constitucional destacou que tal delegação somente será possível
por meio de lei e quando direcionada a pessoas jurídicas de direito privado integrantes da Administração
Pública indireta de capital social majoritariamente público que prestem exclusivamente serviço público de
atuação própria do Estado e em regime não concorrencial, o que não é o caso da CCEE.

A CCEE, na verdade, atua como um agente de autorregulação do mercado de energia elétrica.


A autorregulação, que pode ser realizada por entidades paraestatais ou profissionais, é instituto que busca
a regulação descentralizada de atividades específicas com o fim de garantir a qualidade e eficiência na
prestação de serviços de interesse público, que, na hipótese, é o fornecimento de energia elétrica.

Nesse contexto, incabível aplicar a limitação prevista no art. 3°, X, da Lei n. 9.427/1996 a CCEE,
já que se trata de pessoa jurídica com natureza distinta da ANEEL e no exercício de múnus calcado
também em institutos diferentes, pois, enquanto as multas administrativas aplicadas pela ANEEL são
decorrentes da prática do seu poder de polícia, as penalidades impostas pela CCEE advêm da pactuação
contratual feita com os agentes fornecedores de energia elétrica que a ela se associam.

Além disso, o Decreto n. 5.177/2004 é expresso ao destacar que a convenção de


comercialização deverá tratar sobre as penalidades e sanções a serem aplicadas aos agentes
participantes, na hipótese de descumprimento das normas aplicáveis à comercialização, sem prejuízo da
imposição, pela ANEEL, das penalidades administrativas cabíveis.

Assim, as penalidades aplicadas pela CCEE têm natureza contratual, de modo que não podem
ser limitadas ao percentual previsto no art. 3º, X, da Lei n. 9.427/1996.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 9/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.427/1996, art. 3°, X


Lei n. 10.848/2004
Decreto n. 5.177/2004

PRECEDENTES QUALIFICADOS

Tema n. 532/STF

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 790

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 10/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

TERCEIRA TURMA

PROCESSO REsp 2.212.357-RS, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 16/9/2025, DJEN 19/9/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL, DIREITO DO CONSUMIDOR

TEMA Ação de cobrança. Arranjo de pagamentos com cartões. Relações


entre credenciadoras, subcredenciadoras e lojistas. Código de
Defesa do Consumidor. Inaplicabilidade. Contratos interempresariais.
Solidariedade não presumida.

DESTAQUE

O Código de Defesa do Consumidor não é aplicável aos contratos interempresariais


celebrados entre os sujeitos integrantes do arranjo de pagamentos com cartões.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A controvérsia consiste em decidir acerca da aplicabilidade do Código de Defesa do
Consumidor aos negócios jurídicos celebrados entre as empresas integrantes do arranjo de pagamentos
com cartões.

Em recente julgado, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu pela


inaplicabilidade das normas consumeristas aos contratos interempresariais entre os sujeitos integrantes
do arranjo de pagamentos com cartões, notadamente porque tais negócios jurídicos são celebrados com
a finalidade de fomentar a atividade mercantil e entre agentes não vulneráveis (REsp 1.990.962/RS,
Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe 3/6/2024).

Não se pode ignorar que, no mercado de meios eletrônicos de pagamentos, os lojistas se


valem do serviço prestado pelas credenciadoras e subcredenciadoras a fim de incrementar seus lucros e
com a pretensão de facilitar e concentrar a arrecadação do crédito, o que afasta, por decorrência lógica, a
incidência do conceito de consumidor, ainda que mitigada a Teoria Finalista.

Também não se pode acolher a tese de vulnerabilidade do lojista-empresário, o qual analisa os


participantes dessa cadeia e escolhe entre duas opções: (1ª) se prefere se relacionar, diretamente, com
apenas uma credenciadora e suas bandeiras ou (2ª) se prefere dialogar com uma subcredenciadora que
operará com mais credenciadoras e com mais bandeiras, ampliando o espectro de pagamento com
cartões.

Assim, o lojista-empresário, ao optar pela proposta que considera mais vantajosa, decide com
quem vai negociar e, a partir dessa opção, assume o risco do negócio - dentre os quais se inclui a
inadimplência daquele com quem contratou.

Portanto, no caso, não há responsabilidade solidária por parte da credenciadora em relação


aos débitos não adimplidos pela subcredenciadora em face aos lojistas, uma vez que não incide o
regramento consumerista nessas interações e não há relação contratual direta entre as partes litigantes.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 11/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 856

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.207.919-MA, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira
Turma, por unanimidade, julgado em 12/8/2025, DJEN 18/8/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Responsabilização civil. Art. 942 do CPC/2015. Apelação. Votação.


Maioria. Divergência. Valor da compensação. Natureza do
desacordo. Matéria de mérito. Resultado do julgamento.
Modificação. Potencial. Ampliação do colegiado. Necessidade.

DESTAQUE

Na ação de responsabilidade civil, o mérito da causa alcança a avaliação da extensão


do dano sofrido, razão pela qual a divergência de votos em relação a esse fator não caracteriza
mera discordância de fundamentação, por ensejar divergência de resultados, justificando, assim, a
ampliação do colegiado, na forma do art. 942 do CPC.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em definir se, no julgamento da apelação de ação por
responsabilidade civil, a divergência relacionada ao valor da compensação dos danos morais enseja o uso
da técnica da ampliação do colegiado.

O art. 942 do Código de Processo Civil - CPC configura uma técnica de julgamento, a ser
observada de ofício, cujo objetivo é aprofundar a discussão a respeito da controvérsia fática ou jurídica
sobre a qual houve dissidência entre os votantes por ocasião da apreciação de alguns recursos e ações,
entre eles, a apelação.

Por se tratar de técnica de julgamento, sua aplicação ocorre em momento anterior à


apreciação final do colegiado; ou seja, a ampliação da colegialidade faz parte do iter procedimental do
próprio julgamento, não havendo resultado definitivo, nem lavratura de acórdão parcial, antes de a causa
ser devidamente examinada pelo colegiado ampliado.

Na forma da parte final do caput do art. 942 do CPC, não é qualquer divergência na apreciação
da apelação que enseja a ampliação do colegiado, porquanto esse instituto somente será utilizado para
ensejar a modificação do resultado final da primeira etapa do julgamento, de modo que, se a discordância

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 12/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

entre os julgadores originários circunscrever-se à fundamentação de determinado tópico, a técnica de


ampliação do colegiado não será cabível.

Nos termos do art. 927 do Código Civil - CC, aquele que causa prejuízo a alguém fica obrigado
a repará-lo, consistindo a reparação na consequência da atribuição de responsabilidade.

Assim, conclui-se que, na ação de responsabilidade civil, o mérito da causa alcança a avaliação
da extensão do dano sofrido, razão pela qual a divergência de votos em relação a esse fator não
caracteriza mera discordância de fundamentação, por ensejar divergência de resultados, justificando,
assim, a ampliação do colegiado, na forma do art. 942 do CPC.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Civil (CPC), art. 942


Código Civil (CC), art. 927

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.167.089-RJ, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, por
unanimidade, julgado em 19/8/2025, DJEN 26/8/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Execução de título extrajudicial. Contrato de fornecimento de


produtos alimentícios. Cláusula compromissória. Determinação de
suspensão da execução até o pronunciamento do juízo arbitral. Não
ocorrência. Demonstração de instauração do procedimento arbitral
e comunicação ao juízo da execução. Necessidade.

DESTAQUE

A simples alegação, pela parte executada, de necessidade de suspensão da execução,


com base na existência de cláusula compromissória arbitral inserida no título que a
instrumentaliza, não se revela suficiente, sendo necessário demonstrar que houve a instauração
do procedimento arbitral e que tal circunstância foi devidamente comunicada ao juízo da
execução.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em determinar se é possível o prosseguimento da ação de execução
mesmo diante da ausência de pronunciamento do juízo arbitral acerca do contrato que a instrumentaliza,
considerando a pactuação de cláusula compromissória arbitral.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 13/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

Conforme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é possível o imediato ajuizamento


de ação de execução lastreada em título executivo que contenha cláusula compromissória arbitral, pois a
jurisdição estatal é a única dotada de coercibilidade e capaz de promover a excussão forçada do
patrimônio do devedor.

Não seria razoável exigir que o credor, portador de título executivo, fosse obrigado a iniciar um
processo arbitral tão somente para obter um novo título do qual, no seu entender, já é titular.

Desse modo, é possível a coexistência de processo de execução e de procedimento arbitral,


desde que estejam circunscritos a seus respectivos âmbitos de competência.

Independentemente do teor das questões que podem ser dirimidas no juízo estatal e no juízo
arbitral, o processo de execução, uma vez ajuizado, somente poderá ter a sua suspensão justificada pela
instauração do procedimento perante o juízo arbitral, seguida de requerimento ao juízo da execução. A
suspensão da ação executiva, embora possível, não é automática; não decorre da existência de cláusula
compromissória arbitral, ipso facto.

Assim, a simples alegação, pela parte executada, de necessidade de suspensão da execução,


com base na existência de cláusula compromissória arbitral inserida no título que a instrumentaliza, não
se revela suficiente, sendo necessário demonstrar que houve a instauração do procedimento arbitral e
que tal circunstância foi devidamente comunicada ao juízo da execução.

SAIBA MAIS
Informativo de Jurisprudência n. 560

Informativo de Jurisprudência n. 747

Informativo de Jurisprudência n. 770

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 14/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

QUARTA TURMA

PROCESSO REsp 2.060.900-SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, por
unanimidade, julgado em 22/9/2025, DJEN 26/9/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO CIVIL, DIREITO DA SAÚDE

TEMA Cobertura de Plano de Saúde. Exames PET CT e PET SCAN.


Tratamento de enfermidades cobertas contratualmente. Exames
indicados por médico não previstos no rol da ANS. Possibilidade.
Recusa indevida pela operadora de plano de saúde. Danos morais.

DESTAQUE

É possível que a operadora de plano de saúde seja obrigada a fornecer cobertura para
os exames PET SCAN ou PET-CT, porque expressamente previstos no rol de procedimentos da
ANS, quando efetivamente necessários para o adequado diagnóstico, estadiamento e
acompanhamento de câncer e outras enfermidades (cobertas contratualmente), que não tenham
sido diagnosticadas por exames tradicionais, devendo haver ainda a observância de expressa
indicação médica, para hipóteses além daquelas elencadas no rol da ANS.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia em saber se é possível que a operadora de plano de saúde seja
obrigada a fornecer cobertura para os exames PET SCAN ou PET-CT para hipóteses além daquelas
elencadas no rol da ANS.

O Tribunal de origem decidiu que a negativa de autorização para a realização dos referidos
procedimentos, expressamente indicados por profissional médico, com fundamento em sua ausência no
rol da ANS, deve ser considerada como abusiva.

Sobre o rol da ANS, a Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do
julgamento dos EREsps n. 1.886.929/SP e 1.889.704/SP (Relator Ministro Luis Felipe Salomão), fixou as
seguintes premissas, que devem orientar a análise da controvérsia acerca da cobertura de tratamentos
médicos pelos planos de saúde:

"1) o Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar é, em regra, taxativo; 2) a


operadora de plano ou seguro de saúde não é obrigada a arcar com tratamento não constante do Rol da
ANS se existe, para cura do paciente, outro procedimento eficaz, efetivo e seguro já incorporado ao Rol;
3) é possível a contratação de cobertura ampliada ou a negociação de aditivo contratual para a cobertura
de procedimento extra Rol; 4) não havendo substituto terapêutico ou esgotados os procedimentos do Rol
da ANS, pode haver, a título excepcional, a cobertura do tratamento indicado pelo médico ou odontólogo
assistente, desde que: (i) não tenha sido indeferido expressamente, pela ANS, a incorporação do
procedimento ao Rol da Saúde Suplementar; (ii) haja comprovação da eficácia do tratamento à luz da
medicina baseada em evidências; (iii) haja recomendações de órgãos técnicos de renome nacionais
(como CONITEC e NATJUS) e estrangeiros; e (iv) seja realizado, quando possível, o diálogo
interinstitucional do magistrado com entes ou pessoas com expertise técnica na área da saúde, incluída a
Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar, sem deslocamento

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 15/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

da competência do julgamento do feito para a Justiça Federal, ante a ilegitimidade passiva ad causam da
ANS".

Logo em seguida, foi editada a Lei n. 14.454, de 21 de setembro de 2022, que dispôs sobre a
alteração da Lei n. 9.656/1998 para prever a possibilidade de cobertura de tratamentos não contemplados
pelo rol de procedimentos e eventos em saúde da ANS, prevendo que o referido rol constitui apenas
referência básica para os planos de saúde e que a cobertura de tratamentos que não estejam previstos no
rol deverá ser autorizada pela operadora de planos de assistência à saúde quando cumprir pelo menos
uma das condicionantes previstas na lei.

Nesse cenário, conclui-se que tanto a nova redação da Lei dos Planos de Saúde quanto a
jurisprudência do STJ admitem a cobertura de procedimentos ou medicamentos não previstos no rol da
ANS, desde que amparada em critérios técnicos, devendo a necessidade ser analisada caso a caso.

Nesse contexto, era mesmo de rigor a cobertura dos procedimentos, seja porque necessária ao
efetivo diagnóstico do beneficiário, ou porque expressamente prevista no rol de procedimentos da ANS a
necessidade de cobertura obrigatória dos exames PET SCAN ou PET-CT, quando efetivamente
necessários para o adequado diagnóstico, estadiamento e acompanhamento de câncer e outras
enfermidades (cobertas contratualmente), que não tenham sido diagnosticadas por exames tradicionais,
devendo haver ainda a observância de expressa indicação médica, para hipóteses além daquelas
elencadas no rol da ANS.

No que tange aos danos morais, a jurisprudência desta Corte se firmou no sentido de que "a
recusa indevida/injustificada, pela operadora de saúde, em autorizar a cobertura financeira para
tratamento médico de urgência enseja reparação a título de danos morais, por agravar a situação de
aflição psicológica e de angústia do beneficiário" (AgInt no AREsp 1.816.359/MA, Relator Ministro Ricardo
Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 20/3/2023, DJe de 24/3/2023).

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 9.656/1998, art. 10.

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO REsp 2.173.132-DF, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta


Turma, por unanimidade, julgado em 22/9/2025, DJEN 29/9/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

TEMA Competência Territorial. Relação de Consumo. Escolha aleatória do


foro. Ausência de justificativa plausível. Impossibilidade.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 16/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

DESTAQUE

A competência territorial em relações de consumo é absoluta, permitindo ao


consumidor escolher o foro, mas não se admite escolha aleatória sem justificativa plausível.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão em discussão consiste em saber se a escolha do foro pelo consumidor, sem
justificativa plausível, é admissível, considerando a faculdade de escolha do foro em demandas
consumeristas.

No caso, após assentar que o consumidor possui a faculdade de escolher o foro competente, o
Tribunal de origem considerou que a escolha pelo foro de Brasília deu-se de forma aleatória, sem
justificativa plausível e pormenorizadamente demonstrada.

Com efeito, é assente a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que, em


se tratando de relação consumerista, a competência territorial é absoluta, cabendo à parte vulnerável
escolher o local em que melhor possa deduzir sua defesa: no foro do seu domicílio, no de domicílio do
réu, no foro de eleição ou do local de cumprimento da obrigação.

Todavia, é inadmissível a escolha aleatória de foro sem justificativa plausível e


pormenorizadamente demonstrada.

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 17/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

QUINTA TURMA

PROCESSO AgRg no AREsp 2.830.889-PA, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik,


Quinta Turma, por unanimidade, julgado em 5/8/2025, DJEN
15/8/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL

TEMA Crime contra o sistema financeiro nacional. Art. 20 da Lei n.


7.492/1986. Conduta comissiva. Denúncia que não descreve a
aplicação dos recursos em finalidade diversa. Atipicidade.
Trancamento da ação penal.

DESTAQUE

A denúncia que imputa a conduta prevista no art. 20 da Lei n. 7.492/1986 deve


descrever, de forma clara e pormenorizada, a destinação dos recursos aplicados em finalidade
diversa da lei ou contrato, para que seja possível a configuração típica do crime.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão consiste em verificar se a denúncia, ao não consignar expressa e claramente como e
onde os recursos desviados foram aplicados, descreve conduta que se subsume ao tipo penal do art. 20
da Lei n. 7.492/1986, e, portanto, atende aos requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal.

No caso, o Tribunal de origem concluiu pelo trancamento da ação penal ao reconhecer a


atipicidade da conduta narrada na denúncia, tendo em vista a ausência de indicação, pelo órgão
acusador, do destino e da finalidade dada aos recursos supostamente desviados - elemento considerado
essencial para a configuração do tipo penal imputado.

De fato, conforme entendimento doutrinário, o tipo penal do art. 20 da Lei n. 7.492/1986


descreve, de forma expressa, uma conduta comissiva, consistente em "aplicar, em finalidade diversa da
prevista em lei ou contrato, recursos", não se estendendo, tampouco se equiparando, a uma conduta
omissiva, como a de simplesmente "deixar de aplicar os recursos".

Dessa forma, competia à acusação demonstrar, já na denúncia, de forma clara e


pormenorizada, que os recursos supostamente desviados pelo acusado foram efetivamente aplicados ou
utilizados em finalidade diversa daquela prevista em lei ou contrato, pois somente nessa hipótese se
configuraria o tipo penal imputado. Ressalte-se que se trata de conduta comissiva, a qual não se
confunde com o simples não uso ou a omissão na aplicação dos recursos na destinação contratual
estabelecida.

Ademais, o fato de o crime do art. 20 da Lei n. 7.492/1986 ser classificado como formal não
dispensa a demonstração da materialidade da conduta típica, ou seja, da ocorrência de ato comissivo que
consubstancie a aplicação dos recursos em finalidade diversa da prevista. A natureza formal do delito
apenas afasta a necessidade de comprovação de resultado naturalístico, como o efetivo prejuízo à
instituição financeira, mas não exime o órgão acusador do ônus de demonstrar, de forma concreta, o
desvio de finalidade.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 18/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

Logo, ainda que não se exija prova do prejuízo, impõe-se a demonstração do destino irregular
dos recursos, sem o que não se aperfeiçoa a subsunção da conduta ao tipo penal imputado, o que
compromete, desde a origem, a própria justa causa para a persecução penal.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 7.492/1986, art. 20


Código de Processo Penal (CPP), art. 41

ÁUDIO DO TEXTO

PROCESSO AgRg no HC 1.002.334-SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta


Turma, por unanimidade, julgado em 10/9/2025, DJEN 17/9/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Busca pessoal e veicular. Fundada suspeita. Mau estado de


conservação do veículo. Fundamentação inidônea. Ilicitude das
provas.

DESTAQUE

O mau estado de conservação do veículo não constitui fundada suspeita para justificar
a busca veicular e pessoal.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


A questão consiste em saber se a porta amassada do veículo que trafegava em via pública
constitui fundada suspeita para justificar a busca veicular e pessoal.

O art. 244 do Código de Processo Penal assevera que "a busca pessoal independerá de
mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma
proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada
no curso de busca domiciliar".

Já o § 2º do art. 240 do CPP consagra que é necessária a presença de fundada suspeita para
que seja autorizada a medida invasiva, padecendo de razoabilidade e de concretude a abordagem de
indivíduo em razão de denúncias anônimas não averiguadas previamente.

Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que "há uma necessária referibilidade da
medida, vinculada à sua finalidade legal probatória, a fim de que não se converta em salvo-conduto para
abordagens e revistas exploratórias (fishing expeditions), baseadas em suspeição genérica existente sobre

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 19/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

indivíduos, atitudes ou situações, sem relação específica com a posse de arma proibida ou objeto que
constitua corpo de delito de uma infração penal" (HC 774.140/SP, Rel. Ministro Rogerio Schietti Cruz,
Sexta Turma, DJe de 28/10/2022).

No caso, o Tribunal de origem entendeu que a diligência não foi motivada única e
exclusivamente pela impressão subjetiva dos policiais, mas "em razão da porta amassada do veículo que
trafegava em via pública". Apenas após a abordagem é que foi constatado que o acusado se fez passar por
guarda municipal, apresentando arma de fogo, que depois se descobriu ser produto de furto.

Contudo, observa-se que os policiais realizaram a abordagem somente porque o acusado


trafegava com veículo em mau estado de conservação. Verifica-se, assim, que se trata de abordagem
exploratória, desprovida de fundamentação em comportamento que sequer se apresentou suspeito ou
furtivo.

Note-se que não houve a demonstração de qualquer atitude concreta que apontasse estar o
abordado na posse de material objeto de ilícito ou na prática de algum crime. A mera situação de estar a
bordo de veículo com a porta amassada não constitui, por si só, fundada suspeita, sendo necessária a
presença de elementos concretos para justificar a medida invasiva.

Portanto, nesse contexto, a busca pessoal e veicular sem justa causa é ilegal, e as provas
obtidas dessa forma são consideradas ilícitas, afetando a materialidade do delito e impondo o
trancamento da ação penal.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Código de Processo Penal (CPP), art. 240, § 2º e art. 244

ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 20/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

SEXTA TURMA

PROCESSO RHC 209.207-GO, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma,
por unanimidade, julgado em 12/8/2025, DJEN 19/8/2025.

RAMO DO DIREITO DIREITO PENAL, DIREITO PROCESSUAL PENAL

TEMA Crime contra a ordem tributária. Art. 1º, V, da Lei n. 8.137/1990.


Crime formal. Súmula Vinculante n. 24 do STF. Não aplicação.

DESTAQUE

A Súmula Vinculante n. 24 do STF não se aplica ao crime do art. 1º, V, da Lei n.


8.137/1990, por se tratar de crime formal.

INFORMAÇÕES DO INTEIRO TEOR


Cinge-se a controvérsia sobre a possibilidade de aplicação da Súmula Vinculante n. 24 do STF
ao crime tipificado no art. 1º, V, da Lei n. 8.137/1990, considerando a natureza formal do delito.

A Súmula Vinculante n. 24 do STF estabelece que não se tipifica crime material contra a ordem
tributária, previsto no art. 1º, I a IV, da Lei n. 8.137/1990, antes do lançamento definitivo do tributo. A
própria redação do enunciado sumular, ao delimitar expressamente sua aplicação aos incisos I a IV do art.
1º da Lei n. 8.137/1990, evidencia uma escolha deliberada do Supremo Tribunal Federal em não incluir o
inciso V no seu âmbito de incidência.

Com efeito, enquanto os incisos I a IV descrevem condutas materiais que necessariamente


resultam em supressão ou redução de tributo, o inciso V tipifica a conduta de "negar ou deixar de
fornecer, quando obrigatório, nota fiscal ou documento equivalente, relativa a venda de mercadoria ou
prestação de serviço, efetivamente realizada, ou fornecê-la em desacordo com a legislação".

Trata-se, portanto, de crime formal, cuja consumação se perfectibiliza com a mera realização
da conduta descrita no tipo penal, independentemente da ocorrência do resultado naturalístico de
prejuízo ao erário ou da constituição definitiva do crédito tributário. A tutela penal, neste caso, volta-se à
proteção da administração tributária e sua capacidade de fiscalização, sendo o dever de documentação
fiscal o bem jurídico imediatamente protegido.

Logo, a Súmula Vinculante n. 24 do STF não se aplica ao crime do art. 1º, V, da Lei n.
8.137/1990, por se tratar de crime formal, cuja consumação independe da constituição definitiva do
crédito tributário.

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 21/22
Informativo de Jurisprudência n. 865 7 de outubro de 2025.

INFORMAÇÕES ADICIONAIS
LEGISLAÇÃO

Lei n. 8.137/1990, art. 1º, I a V

SÚMULAS

Súmula Vinculante n. 24 do STF

VÍDEO DO JULGAMENTO ÁUDIO DO TEXTO

[Link]/jurisprudencia/externo/informativo/ 22/22

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