Br R.a. Ranieri a Segunda Morte 1988 RIA
Br R.a. Ranieri a Segunda Morte 1988 RIA
A SEGUNDA MORTE
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INTRODUÇÃO
"A Segunda Morte"
R. A. Ranieri
Ovo Azul 11.08.88
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HAVERÁ
UMA SEGUNDA MORTE
Palavra do Apocalipse
(Texto extraído de: O Novo Testamento de Nosso Senhor Jesus Cristo - Edição
das Sociedades Bíblicas Unidas - traduzido segundo o original grego).
E os quatro animais tinham, cada um de por si, seis asas, e ao redor, e por dentro,
estavam cheios de olhos, e não descansavam nem de dia nem de noite, dizendo: santo,
santo, santo é o senhor Deus, o todo-poderoso, que era, e que é e que háde vir.
Cap. III – Ver. 8
E a quarta criatura era semelhante a uma águia que voa. As quatro criaturas,
tendo, cada uma delas, seis asas, são cheias de olhos ao redor e por dentro.
Cap. IV – Ver. 8
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Libros del autor en portugués
1. RECORDAÇÕES DE CHICO XAVIER, 7.a edição, Editora da Fraternidade,
Guaratinguetá (SP), 1986.
2. O ABISMO, 4.a edição, Editora da Fraternidade, Guaratinguetá (SP), 1986.
3. FLORES DO BEM, edição da LAKE, 1946.
4. JOÃO VERMELHO NO MUNDO DOS ESPÍRITOS, edição da LAKE (infanto-
juvenil).
5. NO CASTELO DO EGO, edição LAKE, (infanto-juvenil).
6. A HISTÓRIA DE CRISTO PARA AS CRIANÇAS, editora LAKE, (infanto-juvenil).
7. NO PALÁCIO ENCANTADO DA MEDIUNIDADE, edição LAKE, (infanto-juvenil).
8. LUZ DA OUTRA ESFERA, Editora Liberdade.
9. CHICO XAVIER — O SANTO DOS NOSSOS DIAS, Editora ECO, Rio de Janeiro.
10. CHICO XAVIER E OS GRANDES GÊNIOS, edição LAKE.
11. O PRISIONEIRO DE CRISTO, edição LAKE.
12. ASSIM ESTAVA ESCRITO, Editora LAKE.
13. MATERIALIZAÇÕES LUMINOSAS, l.» edição da Editora LAKE, 2.a edição em
Espanhol da Editora LAKE, distribuído nas três Américas. (América do Sul, América do
Norte e América Central), 3.a edição da F.E.E.S.P. (Federação Espírita de São Paulo).
14. FORÇAS LIBERTADORAS, Editora ECO, Rio de Janeiro.
15. O SEXO ALÉM DA MORTE, l.a, 2.a, 3.a, 4.a, 5a e 6.a edição ECO, Rio de Janeiro.
- reedição v. Orientado pelo Espírito André Luiz, psicografado por R. A. Ranieri.
16. SONETOS IMORTAIS, Editora Liberdade.
17. O TRABALHO DOS MORTOS E A TOLICE DOS VIVOS — inédito. De Nazareno
Tourinho, 1987.
18. AGLON E OS ESPÍRITOS DO MAR. Editora da Fraternidade S/C Ltda. 1987.
Ditado pelo Espírito JÚLIO VERNE. Orientação do Espírito ANDRÉ LUIZ
19. A SEGUNDA MORTE, Editora da Fraternidade S/C Ltda. 1988
EN PRESA
1. - O Império dos Dragões (André Luiz)
2. - O Rei dos Judeus
3. - O Amor de Outras Vidas
4. - Sócrates
5. - A História Fantástica da Minha Vida
EN PREPARACIÓN
6. - O Pensamento de Chico Xavier
7. - Pensamentos Iniciáticos
8. - O Reino de Deus (Oscar Wilde)
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Introdução
1. 1 Encontro 8
2. Ouvindo Explicações sobre a Viagem 8
3. Apolonius 9
4. O Portal do Sol 10
5. A Caminho 10
6. Atravessando a Porta 11
7. Rumo às Estrelas 11
8. No Salão 13
9. A Visita 14
10.O Cherubin 14
[Link] Libélulas 15
[Link] as Libélulas 15
13.E Nós 16
[Link] Mar dos Pensamentos 18
[Link] no Mar dos Pensamentos 18
[Link] Abaixo 19
17.A Direção dos Pensamentos 19
[Link] a Direção dos Pensamentos 20
[Link] Corrente 20
[Link] Céu? 21
[Link] o Terceiro Céu 22
[Link] com Platão – A Vibração e as Ondas 23
[Link] 24
[Link] Descendo e Conversando 25
[Link] as Faixas dos Pensamentos da Terra 26
[Link], Irradiações e Ondas 28
[Link] Caminhos da Terra 29
[Link] Próximo da Crosta 29
[Link] o Mundo 30
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Nas Regiões Desconhecidas do Espírito
A Segunda Morte
Parte II
1. Meditando Ainda 60
2. Novos Seres 64
3. Seres Inferiores 66
4. Sub-Abismo 68
7
Nas Regiões Desconhecidas do Espírito
A Segunda Morte
Parte I
Orientação de André Luiz pelo Espírito do Altino
Tradução Espiritual: R. A. Ranieri
11.03.87
1. Encontro
Eu estava à beira de um rio de águas claras e límpidas, e meditava. Já estivera ali
há muito tempo, levado pelo Espírito feminino de belíssima mulher que conhecera em
tempos imemoriais e que amava com fervor. Depois ela não voltara mais. Lembro-me
que estivera em regiões muito elevadas e que ela sugerira que iríamos ter conhecimentos
superiores. Cheguei mesmo a ver um aparelho semelhante a um grande tubo de vidro,
dentro do qual se encontrava um Espírito que era preparado para penetrar em outra
dimensão.
De repente, fui conduzido de novo à Terra e não tornei a ter outra oportunidade de
retornar e reingressar na mesma vibração, e retomar as possibilidades do passeio.
Ficou-me a saudade inexprimível daquele passado, daquela região e daquela
mulher. Fora reconduzido ao corpo terrestre e tudo voltou a ser como antes. Agora, o
Espírito do Altino me convidava a continuar a experiência, e eu entusiasmado, aceitara e
ali estava.
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3. Apolonius
- Como assim? — Indaguei. O que é novo causa impacto?
- Causa. Pela novidade e pela originalidade. O que é novo e original sempre
impressiona. Especialmente sendo de outro plano. Causa um choque. O novo, por ser
incomum, e no nosso caso, de esfera diferente, quase sempre, choca. O imprevisto, o
inusitado, abala e às vezes até confunde, quando vem substituir o existente e já
estabelecido. Ninguém gosta de aceitar uma coisa que vem alterar o que se aceita há
longo tempo. O moderno de hoje, só agora revelado, abala o tradicional que já faz parte
da vida humana...
Altino ainda falava e eu ouvia quando Apolonius chegou.
Silenciámos. Altino foi abraçá-lo.
Senti o imenso carinho com que se encontravam. Beijaram-se mutuamente como
os antigos homens do Evangelho do tempo de Jesus. E logo o Altino fez as
apresentações.
- Apolonius, este é meu afilhado de quem lhe falei.
- Kalicrates?
- Sim, Kalicrates.
Apolonius abraçou-me. E eu senti uma tremenda onda vibratória que me invadiu
gostosamente como a sublime fragrância das rosas.
- Chame-me Apolónio, meu jovem, disse-me ele — fica mais natural. Quero ficar
mais perto do seu coração.
Chamei-me Apolonius em Terras diferentes da que você habita agora, em tempos
diferentes, com gente diferente... Apolónio é mais adequado à sua linguagem.
Gostei dele. Era simples e simpático. Abraçou-me uma vez mais com alegria.
-Meu amigo — acrescentou — iremos dar uns passeios pelas regiões superiores
do Espírito. Recebi instruções para conduzi-lo. — Iremos devagar, a pé, depois usaremos
outro sistema...
Apolónio era magro e simpático. Notei que seus cabelos eram brancos-prateados.
Largo sorriso, de grande simpatia. Simplicidade absoluta. Estava de túnica branca à
Nazarena e sandálias gregas de cordões trançados. Percebeu-me os pensamentos porque
logo falou:
- "Vesti" roupagem semelhante às regiões da Terra onde fui mais feliz! Pensei:
"Como é isso?"
- É assim mesmo como você está pensando — falou com bondade — pense
numa de suas encarnações na qual você se sentiu mais tranquilo e feliz, mentalize de
novo essa época e deseje ser como era.
Fiz o que dissera e logo estava vestido como um jovem grego. Apolónio sorriu e
abraçou-me.
- Como você está belo!
Depois bateu-me nas costas e convidou:
- Agora vamos!
E começou a andar. Em breve percebi que seguíamos a pequena estrada que
serpenteava ao lado do rio que virava para a esquerda e começava a subir.
Embora em passo de passeio, vi que a estrada logo se tornara uma névoa.
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Como a neblina da manhã. Lembrei-me que não me despedira do Altino, que na
realidade, como um encanto, desaparecera. E ao mesmo tempo senti que já não parava no
chão e que enxergava o mundo através daquela névoa.
- Já, já — disse o Espírito — tomaremos a Estrada dos Mensageiros, que é a
continuação desta.
Parámos um instante, a um sinal de Apolónio, e ele colocou a destra em minha
cabeça. Comecei a sentir um calor e o rumor que eu já conhecia do funcionamento do
prodigioso motor vibratório em que se tornara o meu organismo espiritual.
4. Portal do Sol
Apolónio abraçou-me carinhosamente mais uma vez e anunciou:
- Seguiremos a Estrada dos Mensageiros, alcançaremos uma posição mais elevada
e volitaremos em direção ao Portal do Sol.
Olhei Apolónio impressionado e agarrei-me ao seu braço. Sentindo, talvez, meus
desencontrados sentimentos, disse-me:
- Nada tema, o Senhor está connosco!
5. A Caminho
Senti que me elevava e que, flutuando, alcançávamos logo grande velocidade em
direção ao infinito... O que seria o PORTAL? — pensei comigo mesmo. Impressionara-
me o nome.
Apolónio sorriu misteriosamente.
- O PORTAL, meu filho? O PORTAL, como indica o nome, é uma porta,
naturalmente, larga, que brilha como o ouro, toda amarela e, de longe, parece a
fulguração de um sol.
Fiquei pensativo. Como eram simples as explicações que me causavam tanta
euforia! Nada mais lógico...
Ora — respondeu-me o Espírito às indagações mentais... — é apenas a verdade.
Como você desliza em outra dimensão e em condições diferentes, isso lhe causa
excitação.
***
Não demorou e vimos na fímbria do horizonte espiritual imenso sol que lançava
as luzes de ouro à distância infinita. Senti uma estranha e infantil euforia. Estávamos
diante de imenso sol cósmico? O caminho se estreitava, ao mesmo tempo que a luz
amarelo-ouro daquele sol se desbordava como um rio de ouro líquido, que se espraiava
sobre a margem; e na realidade, a estrada se assemelhava a um rio que corria nos campos
cósmicos da imensidade.
Logo, atingimos as regiões próximas do astro e vimos que na realidade era
um castelo de torres pontiagudas e douradas que se erguia para o alto, crivado
de janelas circulares. Talvez portas menores por onde víamos uma infinita quantidade de
seres alados, como abelhas que voltassem para a Colmeia.
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No entanto, Apolónio não parou como mentalmente supus. Continuámos
volitando em direção às pequenas ogivas que davam ao prédio, ainda distante, a
aparência de um ser antediluviano de mil anos.
- Esse é o Portal do Sol — ensinou carinhosamente Apolónio... — Aí se abrigam
aqueles que já alcançaram o conhecimento Superior Espiritual relativo à Terra e buscam
autorização para prosseguir, pesquisando e estudando em regiões ou departamentos mais
altos. Aqui, começa um estágio mais elevado da Sabedoria Espiritual, para aqueles que
seguem evoluindo ao encontro de Deus.
6. Atravessando a Porta
Apolónio, ao invés de entrar pelas ogivas daquela Colmeia Espiritual, pousou na
porta de entrada que se abria para uma alameda bordada de flores luminosas de todas as
cores, que todavia ostentavam uma irradiação aurífera ou da cor do ouro. Pareciam, em
sua maioria, rosas metálicas, porém, de tecitura veludosa.
A alameda era atapetada de alguma coisa semelhante a grama japonesa, de uma
infinita delicadeza. Ali, havia cessado o vôo volitivo e caminhávamos a pé numa forma
diferente da usada na Terra. Por um processo que eu não conhecia. Aquilo, na realidade,
a meus olhos, era e não era uma alameda ou estrada. Seria, em verdade, uma direção, ou
se quiserem um traço, que seguíamos...
Apolónio (quem sabe?), vendo em minha tela mental as minhas aflitivas
indagações, esclareceu bondoso e paternal:
- Kalicrates, não temos expressões verbais ou mesmo sinais para demonstrar ou
mostrar aos nossos irmãos da Terra, como são as coisas deste plano...
Como dizer-lhes que uma estrada não é estrada mas ao mesmo tempo é? Como
falar-lhes que aqui, estrada, é apenas uma direção e que o capim e a grama, não são
grama e capim, mas são? Como afirmar que o que não é também é?
Como esclarecer que o avesso e o direito, costumam ser a mesma coisa? Para
entender essas coisas, o ser tem que evoluir um pouco para interpretar e compreender. A
sinonímia, às vezes, até na Terra confunde. Entendeu o que quero dizer? Quando se
discutia no mundo que o mais pesado que o ar podia voar, era motivo de muitas
discussões e até à chegada do início da Era Espacial, superar a Lei da Gravidade era
considerado um absurdo, no entanto, os astronautas já estão serenamente flutuando
dentro da nave...
Os caminhos de Deus estão sempre cobertos de flores coloridas e brilhantes,
emitindo luz e cor da força eletromagnética, e o homem guarda em si poderes ainda
insuspeitados que um dia, assombrado, descobrirá.
Compreendi o alcance das palavras emitidas de Apolónio. Nada disse, porque já
nos aproximávamos dos misteriosos e resplandecentes portões enormes, que emitiam
luminosidade cor de ouro, do Portal do Sol.
7. Rumo às Estrelas
Tudo no Portal era dourado, emitia raios de luminosidade aurífera, o espaço
parecia impregnado de pó e espuma de ouro que flutuava, envolvendo tudo. Após a
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entrada, que tinha dois guardas luminosos, até ao Castelo, havia um imenso jardim onde
numerosos espíritos passeavam, alguns conversando, andavam lado a lado como nas
escolas gregas e usavam túnicas de colorido variado. Muitos tinham a mesma
impregnação daquele ouro, outros não.
Estranhei o fato, mas Apolónio esclareceu:
- Os de cor dourados estão vibrando no mesmo diapasão, como se diria na Terra...
Os outros não, pelo contrário, mantêm ainda o pensamento próprio e conservam as
mesmas ideias que trouxeram.
Muitos divergem em algumas coisas, até do Cristo, mas permanecerão aqui para
compreenderem e se reajustarem. Já não se trata mais de doenças físicas ou de reajustes
quase físicos, como em Nosso Lar.
Quando Dante e Virgílio percorreram estas regiões, estiveram aqui e encontraram
nestes jardins as grandes figuras da humanidade que viveram na Terra antes de Cristo,
entre elas, Sócrates e Platão...
Havia muitas outras figuras gregas de inegável evolução. Chamaram este lugar de
Limbo, que para eles significava apenas o lugar do "encontro", preliminar estágio para
seguirem "rumo às estrelas", como nós vamos fazer agora.
Pensei comigo: "Onde estão agora? Estarão aqui?"
- Não, Kalicrates! Não, já partiram. Alguns, embora "grandes", após atingirem O
PORTAL DA LUZ, estiveram com o Senhor e retornaram à Terra para continuarem
ajudando a humanidade. Acredita você que Espíritos dessa envergadura permaneceriam
inativos no Cosmo Celestial, enquanto o Universo evolui ou sofre?
O Pai trabalha sempre, disse Jesus. Por isso, Kalicrates, à proporção que o
Espírito evolui, mais sente necessidade de trabalhar pelo Universo e por seus
semelhantes. A estagnação não teria guarida nos corações e nas mentes que já aceleraram
a evolução e o amor em si mesmo...
Depois que o Ser deu a partida inicial, não retorna mais. Evoluir, instruir-se,
progredir sempre e amar eternamente, essa é a Lei do lado de cá! Na Terra, é que o ser se
dá ao luxo de parar eventualmente. Aqui, evoluir, trabalhar, amar é a Lei. Perdoar é
obrigação e necessidade...
***
Depois de percorrer parte do jardim e encontrar figuras que Apolónio conhecia e
abraçava, embora eu não conhecesse ninguém, tive imensa vontade de encontrar
Francisco de Assis. No prédio, porém, fomos informados pelo Anjo da Recepção (pois
ostentava esta criatura, belíssimas irradiações em forma de asas) que Francisco não se
encontrava ali, mas que teríamos notícias dele no Portal da Luz. Apolónio sorriu para
mim...
- Sei, meu caro, que Espíritos como esse devem estar sentados ao lado de Deus!
Apolónio não respondeu e manteve um augusto silêncio. Assim que nos
afastámos do informante, perguntei:
- Perdoe-me a pergunta Apolónio, mas essa criatura é anjo?
- Na nomenclatura antiga da Igreja Católica é, mas para nós, que entramos nos
tempos modernos da Terra, não. É, no entanto, um Espírito de imensa evolução. O que
eles não podem impedir, mesmo por humildade, é que essas irradiações, como a limalha
de ferro à volta de um imã, aglutinem de conformidade com o espectro magnético... É
uma força incoercível... Ao mesmo tempo tem a vantagem de marcar e tornar visível a
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hierarquia espiritual desses Espíritos, que já atingiram esse estado de evolução que
demorou milénios...
Calei-me pensativo. Apolónio ainda disse:
- Em breve alcançaremos o salão onde governa Clódio, que nos dará o passe ou
autorização para seguirmos rumo ao Portal da Luz.
8. No Salão
Depois de percorrer extensíssimo corredor atapetado de uma espécie de tapetes de
ouro e branco, alcançámos o gabinete de Clódio, Senhor do Portal, por ordem de Jesus.
Salão simples, onde havia apenas uma mesa e uma cadeira (palavras da Terra).
No imenso salão estava, o governo-geral daquela colónia. O Espírito aproximou-se,
abraçou-me e perguntou:
-Vindes das regiões da Terra, do País da Neblina? Em que posso servi-los?
Ao dizer isso, sentindo-me as indagações íntimas, esclareceu:
- Quando na Terra, nos últimos tempos, vivi em Roma, onde detinha uma parcela
do Poder Imperial, cargo que me deu a oportunidade de aprender a administrar.
Ali, fui discípulo de Clódio que me ensinou a amar aos escravos e a Doutrina de
Jesus; com o tempo, dediquei-me à causa enfrentando mesmo o sacrifício no grande
circo, e prossegui lutando...
Mais tarde, ocupei posições de caráter espiritual, e quando chegou a oportunidade,
o Senhor, não levando em conta talvez a minha miséria moral, conduziu-me ao Portal,
onde permaneço até hoje. Não subi mais, por ser ainda muito imperfeito e miserável...
Mas confio que venha a aprender mais nas reencarnações do futuro... Preciso progredir
dentro de mim mesmo...
Eu estava assombrado. Ele era o Senhor do Portal e falava daquela maneira! E eu,
que seria então?
Depois de uma conversação cordial, falou-nos ainda o Espírito:
- Ia-me esquecendo: por amor a Clódio adotei-lhe o nome... Tenho imenso
carinho e gratidão pelo que me fez.
Num momento oportuno, Apolónio expôs ao Espírito:
- Venerável Clódio, gostaria de ter a sua autorização para visitar o PORTAL DA
LUZ.
Clódio olhou para mim com imensa piedade e respondeu-lhe:
- Impossível, Apolónio, você sabe disso. Kalicrates não poderá entrar; ele ainda
não passou pela Segunda Morte... Lá, só entram os que já venceram essa etapa...
Fiquei aturdido, ouvindo essas palavras. O que seria a Segunda Morte?
- Mais tarde, você verá e compreenderá.
No entanto, poderia autorizar uma visita externa. — Sorriu ainda, e disse batendo-
me amigavelmente no ombro.
- Apesar das restrições, é um bonito passeio e poderia ter uma ideia do Rumo das
Estrelas pendurado no Infinito.
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9. A Visita
Autorizados daquela maneira por Clódio, felizes por termos conseguido a
autorização, embora parcial, passámos a visitar o antigo e venerável santuário,
antecâmara de luz.
Enormes eram as instalações. Fiquei eufórico e me empolgava a cada passo.
Surpreendia-me, no entanto, em face da altura das salas e salões, o que chamamos na
Terra, pé direito. Olhando mais detidamente, o teto decorado com estranhos desenhos,
verifiquei que eram transparentes e que se via, além, o Céu estrelado e milhões de
estrelas que brilhavam Parecia na realidade um
mar imenso para cima, coalhado, na distância, de pequenas embarcações
luminosas.
O Céu, em verdade, era uma esteira imensa de fagulhas de luz irisada. Tudo dali,
deslumbrava. Ao mesmo tempo, viam-se passar levas e levas de criaturas aladas, que se
cruzavam no caminho das estrelas. A maioria, alada, que singravam serenamente no
Cosmo. Contemplava aquilo tudo, assombrado.
Apolónio, uma vez ou outra, esclarecia. Assim, quando passou um enorme
pássaro de asas luminosas e vôo sereno, semelhando enorme águia ou gigantesco condor,
o Espírito, diante do meu assombro estático, pois recuei um pouco, temeroso, ele disse:
- Não se assuste, meu filho, aquele é um Cherubin que habita no Templo da Luz
ou no Portal. Às vezes, viaja pelo Universo, já que, de um modo geral, fiscaliza e ordena
aspectos da obra de Deus.
10. Cherubin
- Mas, é um pássaro? — Perguntei.
- Não, não é um pássaro — disse Apolónio com expressão de profundo respeito
— olha bem...
Observei melhor, embora à distância, ao mesmo tempo que Apolónio colocava a
destra sobre a minha cabeça, produzindo irradiações poderosas que me ampliaram a
visão. De imediato, minha visão dilatada, fez-me aproximar prodigiosamente, como um
microscópio, da ave, e estarrecido, vi que era a figura de um ser com a forma humana de
um homem ou um anjo. O que me parecera antes, milhares de minúsculas penas
luminosas coloridas, era agora, à visão ampliada, de irradiação colorida em matizes, tons
e cores, de uma variedade infinita; cores jamais vistas na Terra, e de uma variegada gama
que se sucedia ao infinito...
Parecia água irisada. Assim, vi que não eram penas nem que era uma ave, águia
ou condor. O homem exibia a face de um anjo de extrema doçura e tive a impressão que
me olhava com bondade. Atrás dele, centenas de espíritos diáfanos, transparentes, o
seguiam vibrando no espaço, que iluminado, iluminava o céu estrelado, como se fossem
outras tantas estrelas, e senti que na realidade nos aproximávamos da sede do Reino de
Deus.
***
Em face do meu inegável assombro, Apolónio esclareceu:
- Aqueles espíritos, que formam o cortejo do Cherubin, são as libélulas. Sim, são
as libélulas como as conhecemos aqui. Você vai ter a oportunidade de vê-los nascer!
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Calei-me estatelado na imensa e aparente solidão do Cosmo!
11. As Libélulas
A história das libélulas espirituais me impressionou. O anjo, que singrava o céu
com prodigiosas irradiações de irisada luz multicolorida, me assombrara, mas as libélulas
menores em tamanho, que viajam "de pé" ou em posição vertical, como um ser humano,
por absurdo que pareça, me impressionavam mais. A maioria, apresentava a fisionomia
entre feminina e masculina. Seriam neutros ou do sexo neutro? Seriam anjos?
Apolónio contemplou-me cordial e sorridente:
- Não, ainda não são anjos, mas caminham para a angelitude. Como você já sabe,
o ser, depois que, através da evolução, atinge o estado hominal e conquista a razão, inicia
a marcha evolutiva para alcançar a angelitude e depois prossegue ao encontro da razão
divina... Elas, as libélulas, estão além da razão dos Espíritos comuns, e caminham para a
conquista da razão angélica. Daí, vão ao encontro da razão divina. As libélulas estão num
estado intermediário entre os Espíritos comum e os anjos.
- E depois?
- Depois, com algumas outras intermediárias, que poucos ou ninguém conhece,
vêm os Tronos, os Cherubins, os Arcanjos...
Espantado e incapaz de me conter, exclamei:
- Mas isso não é a teoria da Igreja?
Apolónio sorriu:
- Teoria de ninguém ou teoria de todos! Essa é a verdade que está no Evangelho e
nas cartas dos Apóstolos! É preciso apenas ler melhor Não resta dúvida que adulteraram
muita coisa, e que o homem, às vezes, não encontra mais. No entanto, esteve lá durante
muito tempo. Quem tem olhos de ver, verá! A Verdade é a Verdade! Assim como o
Amor é o Amor e "sustenta o céu e a alta estrela!" — como disse Dante.
Olhei Apolónio e, como Atafon e Orcus, eu o vi todo iluminado.
***
Foi quando, apagando-se lentamente, Apolónio ainda disse:
- Através de João, o Apocalipse informou muita coisa... que um dia o homem
compreenderá! Não se lembra do Varão de Dias?
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ajudará a evolução... É lógico que, com o tempo, aprenderá a técnicada transformação das
formas no campo físico, o que aliás, já iniciou na área do vegetal e, até mesmo, alguma
coisa no departamento das aves e dos animais.
Irá, com os séculos, também trabalhando no setor espiritual... Os Espíritos, vêm
insistindo junto à Humanidade nesse sentido. Em toda a parte do Globo terrestre, se
observa esse esforço nas Escolas Espiritualistas das mais diversas correntes de
pensamentos...
As Esferas de Cima, incentivam a aceleração da evolução no Homem, procurando
conscientizá-lo da existência real de outros aspectos da vida. As libélulas, meu filho, são
apenas transformações do perispírito que alcançaram novo veículo, que condicionará os
espíritos. As radiações, mais aceleradas e mais ténues, adquirem forma de asas ou assim
parecem aos olhos dos Espíritos comuns, e em casos e condições excepcionais, aos olhos
do próprio homem, parecem asas físicas.
- E não são? — Indaguei curioso e espantado.
- Não. Anjos, são materiais da nossa matéria quintessenciada espiritual O Céu, o
firmamento, visto da Terra, não é azul para o Homem? Pois é. E a sombra não é apenas a
ausência da luz? A rigor, a sombra não existe. Na realidade, a sombra ou a treva, é filha
da Luz e existe em decorrência da Luz. Porém, em si mesma, ela não existe.
Existe, porque a Luz existe, e dessa existência, aparentemente, nascem até
resultados práticos: o viajante cansado, descansa à sombra das árvores e bebe a água
fresca junto da sombra, que refresca o riacho ou a mina. A árvore, no caso, funciona
apenas também como simples obstáculo da Luz. Logo, o que de fato existe, é a Luz.
Compreendi de imediato a imensa sabedoria de Apolónio, e continuei estático a
contemplar as centenas de libélulas que desfilavam pelo espaço.
13. E Nós
- Quer dizer que, um dia, nós também seremos libélulas? — Perguntei a Apolónio
O Espírito sorriu suavemente e respondeu:
- Por certo, Kalicrates, por certo... todos alcançarão esse estado... Em breve,
teremos a oportunidade dos seres, que se denominam libélulas nestas regiões... São
Espíritos que deixaram a "casca", como se afirma nas esferas das materializações
provisórias, e até nas permanentes. Você está espantado?
Os espíritos do lado de cá, chamam vocês da Terra, de Casca. As libélulas — são
espíritos, que deixaram a Casca. Ainda ouvia Apolónio, quando, assombrado, vi uma
corrente imensa de imagens, cores e palavras que, como um rio, flutuavam suavemente
no espaço chamado "universo do mundo"...
- O que é aquilo? — Indaguei aflito, desejando saber, ansioso, ansioso... Notei, ao
mesmo tempo, que aquela massa se avolumava como se o rio engrossasse, e que algumas
imagens saíam do meio daquela massa e se projetavam para o mais alto.
- Têm, ou melhor, terão tanta vida quanto a vibração que lhes deu o seu criador
ou emissor! De conformidade com a evolução do seu criador Você nunca ouviu falar em
palavras de vida eterna? Por exemplo, as palavras de vida eterna são as que foram
pronunciadas por Jesus ou pelos verdadeiros Iniciados: Krishna, Buda, Ramakrishna,
Sócrates... É isso, meu filho. As palavras de eternidade trazem, em si mesmas, a
eternidade do seu criador...
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Além disso, são palavras que despertam a vida eterna em quem as recebe com
amor. O amor busca o amor, e a eternidade cria a eternidade. Por isso, disse o Santo: "é
dando que se recebe"... E poderemos parafraseá-lo: "e se recebe a vida eterna, com a
eterna libertação do Espírito!"
- A alma, aprisionada na carne, — continuou Apolónio — vítima dos próprios
pecados ou dos próprios erros, sente-se liberta, quando alcança o total entendimento,
relativo à sua faixa evolutiva. Ser eterno, é manter-se em sintonia com a realidade
universal...
Apolónio calou-se e eu, ainda estático, fiquei contemplando a marcha dos
pensamentos, que vibravam e caminhavam juntos, naquele mar de ideias e imagens. De
repente, observei que, de vez em quando, um pensamento mergulhava naquele mar, como
um peixe, e desaparecia. Pensei, espantado, naquele fato e, antes que eu enunciasse
qualquer indagação, o Espírito esclareceu:
- Meu filho, as mentes situadas abaixo de nós, ou pouco abaixo, da região em que
estamos, como poderoso imã, atraem esses pensamentos que parecem mergulhar (pela
Lei de Afinidade Vibratória), e as assimilam...
Eu estava realmente espantado!
- Mas como? — Exclamei.
- Atração vibratória, meu filho, atração. A prece é um exemplo típico disso.
Quando alguém ora e a sua prece, pelo sentimento superior de quem ora, alcança as
proximidades da mente de um Santo, é atraído por ela, e o Santo, sentindo a justiça, a
necessidade e o merecimento de quem pede e o merecimento de quem vai receber,
imediatamente atende o pedido ou então envia-o para o Departamento do Auxílio, onde
será estudado, e atendido ou não, conforme o caso...
- Então, nem todos serão atendidos?
-Não, nem todos. Dependerão sempre do merecimento do intercessor, e da
necessidade e merecimento de quem é de fato o necessitado...
Foi então que compreendi o problema da prece, às vezes tão discutida em nosso
mundo, e imaginei o trabalho de Santo-António...
- Mas — Tartamudeei — é só isso? Não há mais nada?
- Bem, o intercessor tem que ser justo...Você não conhece a Carta do Apóstolo
que diz: “Muito vale a oração do justo?” O merecimento do intercessor consiste nisso...
Ele oferece parte do que é seu ao tutelado ou protegido, que tanto pode ser um rico
quanto, um mendigo, um miserável... No Reino de Deus, valem as coisas espirituais em
primeiro lugar.
- E as materiais?
- O egoísmo, a maldade, o orgulho, a cobiça, enfim, no Mundo de Lá, são
considerados coisas materiais, e, evidentemente, os Santos já estão livres disso.
Compreendi, e Apolónio abraçou-me carinhosamente:
- Vou mostrar-lhe algumas coisas mas, para isso, teremos que descer um pouco.
Senti, de repente, que caíra em mim mesmo, como quem se sente deslocado de uma
altura para outra, e senti alguma coisa semelhante ao que o homem sente quando sobe
num prédio alto ou se balança numa gangorra: o frio e o vácuo na barriga!
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14. No Mar dos Pensamentos
Percebi que flutuávamos sobre extensa massa de coisas cintilantes,
como fagulhas, algumas mais vivas, outras menos vivas ou mais fracas, com irradiações
coloridas, algumas...
Olhe bem, sugeriu Apolónio, são os pensamentos, que pelo seu vigor vibratório,
chegam até aqui... São analisados pelos técnicos daqui, por aparelhos especiais, que
corresponderiam aos aparelhos Géiser de medir e verificar a presença de radioatividade, e
assim separar os inferiores dos superiores...
Entendeu?
- Agora compreendi! Separaram as preces merecedoras de atendimento e as
outras?
- Isso mesmo.
- Então é fácil e rápido de saber!
- É, quando há interesse, é mais rápido ainda. Ordem é ordem.
Fiquei profundamente admirado. Como eram admiráveis, as cidades e as terras do
Céu!
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Realmente, procurei compreender mas, embora ouvindo Apolónio, ainda me
pareceu difícil...
O Tempo, amigo do Homem e dos Espíritos, se encarregará de esclarecer.
Apolónio falou e convidou:
Vamos andando.
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Sentindo-me a admiração e o assombro inusitado, Apolónio, me disse:
- Não se assuste, meu filho, a criatura humana, em geral, na realidade, nada sabe
da estrutura do Universo. Os pensamentos caminham e têm vida... Algumas Escolas
Espiritualistas, ainda muito incipientes, perceberam isto. Mas, o que o homem ainda não
sabe bem, é que a mente humana tem o poder de imprimir direção e destino ao
pensamento, assim como, manejando um fuzil ou um canhão, e hoje o míssil a longa
distância, é capaz de atingir o objetivo visado...
Uma mente — atinge outra, que esteja neste ou em outro mundo; neste ou em
outro plano. Atinge o objetivo, provocando no ser, portador da mente alcançada, atitude
de harmonia ou de desordem e perturbação. Pode atingir um ser humano, quanto um
espírito.
Apolónio falava, e eu, cada vez mais assombrado, acompanhava aqueles milhares
de pensamentos que singravam o espaço, e às vezes, velozes, riscavam aquele lago
imenso de seres vivos, que se agitavam.
-Quer dizer que, conscientemente, podemos dar direção a nossos pensamentos?
- Sim, podemos, para viver ou para matar!
***
Cada vez mais assombrado com as revelações de Apolónio, senti crescer em mim
a imensa responsabilidade de viver.
19. Na Corrente
O mar dos pensamentos, era imenso e se perdia no infinito. Apolónio, dissera-me
que agora estávamos numa zona mais baixa, mas que ainda se situava muito longe da
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Terra; que, quando voltássemos, iríamos ver como os pensamentos e as ondas de
pensamentos, procediam e se comportavam nas regiões terrestres.
Fiquei ansioso, por ver e conhecer. A área, em que estávamos, se perdia na
distância, cheia de ondulações, que pareciam sucessivas ondas marítimas, a meus olhos,
porém, de matéria muito rarefeita e transparente. Por ali, passaram muitas libélulas e
havia Espíritos de hierarquia, mais elevada que os Espíritos da Crosta Terrestre.
Víamos que, pensamentos semelhantes a flores, e outros apenas em forma de
imagens, rodeavam-lhes a cabeça, como mariposas à volta de globos iluminados de luz.
Tinham vida e poderiam ser comparados a beija-flores, em pleno vôo.
Surpreendeu-me o fato, pelo colorido e pela vivacidade com que se
locomoviam. Na corrente, que deslizava como um rio, a maioria dos pensamentos, de um
modo geral, desciam e rodopiavam, quais flores luminosas como folhas secas sem luz.
Espetáculo silencioso e belo.
Apolónio, porém, me convidou:
- Agora, subiremos e voltaremos ao Portal do Sol e amanhã desceremos à Crosta,
porque quero que veja ou que pelo menos tenha uma ideia, embora superficial, do
mecanismo do pensamento do Ser Humano, em consequência do Espiritual.
Dizendo isso, enlaçou-me e começámos a subir vertiginosamente. O firmamento
espiritual era de indescritível beleza e logo avistámos o Portal e seus extensos jardins.
Percebendo-me o embevecimento e a surpresa, o Grande Espírito falou:
- Não se lembra de Paulo, o Apóstolo, quando disse que havia ido ao Terceiro
Céu? Pois é. Se quiséssemos classificar assim, nós também estamos numa região
vibratória altíssima do Céu, poderia até ser o Terceiro, quem sabe?
E o Espírito sorriu, para mim, de maneira estranha.
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parecido com um plástico, infinitamente ténue e transparente. Centenas de seres
alados, com fisionomias indefiníveis, não se sabendo se eram femininos ou masculinos,
por ali trafegavam como, na Terra, passageiros que descem do avião no Aeroporto e se
encaminhavam para a saída, sós ou em grupos de dois ou
três, conversando animadamente na linguagem do pensamento e quase sempre,
a simbólica, que corria de mente a mente, telepáticos, se assim se pode dizer.
Eu e Apolónio, ainda mantínhamos as nossas expressões terrestres e falávamos,
quase como na Terra.
Apolónio explicou:
-Ainda é cedo, meu filho, aqui, estamos no mundo das Libélulas Espirituais e dos
Espíritos Superiores.
- E você? — Perguntei surpreendido.
Apolónio sorriu...
- Às vezes consigo falar... só as vezes...
Percebi que, por questão de humildade, evitara, mas me esclareceu.
- Um dia, você compreenderá as verdadeiras leis que regem o Universo.
Descíamos agora deslizando por largo corredor que conduzia a um dos jardins
internos da Instituição. Às vezes, surpreendia uma ou outra imagem que escapava da
mente do Espírito amigo e era justamente quando surgia um daqueles seres que Apolónio
parecia conhecer, e que eu, inexplicavelmente, entendia como um cumprimento. Como
passámos a trafegar só nas aleias de jardins cobertas de um pavimento revestido, também,
de material leve, transparente e colorido, comecei a prestar maior atenção no meu Guia e
nas criaturas que encontrávamos a cada passo ou deslizada. Tudo era tão belo!
As flores, eram feitas de irradiações eletromagnéticas, como aliás pareciam ser
todos os seres daquele mundo. De repente, defrontámos uma figura grega de grande
beleza, quase igual ao Altino espiritual, que se aproximou de nós e abraçou Apolónio e
— creio que devem ter conversado naquela linguagem simbólica, invisível e
inaudível, porque não vi nem ouvi nada!
Logo Apolónio me apresentou:
- Kalicrates, este é Platão!
- Platão! — Exclamei surpreendido e espantado — Platão, o filósofo grego?!
O jovem, porque era um jovem, murmurou-me na linguagem humana:
- Sim, aquele que por ignorância, os homens chamavam filósofo. Meu Mestre,
Sócrates, sim, era filósofo, amigo da Sabedoria, e eu era apenas um pobre e humilde
aprendiz... O que aliás, ainda sou...
- ?!!!
- Queria, meu amigo, ser filósofo, mas conquistar a Sabedoria Verdadeira é muito
difícil...
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- Meu caro Kalicrates, os Espíritos mantêm-se assim, semelhantes a uma das
formas que animaram, na Terra, de modo a permitirem que os identifiquemos, mais
rapidamente. Por exemplo, como você viveu na Grécia, no tempo dele, apareceu-nos
como o Platão histórico, mas como nós, ele teve muitas vidas e viveu em muitas
civilizações, e pertenceu a muitas e muitas raças e povos, e possuiu o veículo físico de
outro tipo e de outras gentes.
Se nos aparecesse agora como um beduíno, poderia parecer-se com o Platão que
conhecemos, é verdade, mas o espírito, quando reencarna, sofre as características da raça
que escolhe, as características hereditárias, de pai, mãe, avós etc. e é provável que não o
reconhecêssemos. Então, por força de um processo mental-espiritual, consegue, por
algum tempo, sob o império integral, voltar às características de uma de suas encarnações
anteriores, de acordo com suas possibilidades mentais e apresentar-se, como agora, a
nossos olhos como era. Muita delicadeza dele...
Platão riu e disse:
- Apolónio está certo, é isso mesmo.
- Você mora aqui? - Consultei sequioso.
- Não. Mas venho aqui constantemente. Tenho muitos amigos por aqui e que me
ensinam muitas coisas...
- Ainda?
Ele sorriu mais uma vez.
- Ainda. Não lhe disse que sou um aprendiz?
Realmente, eu estava encantado. A humildade daquele Espírito era espantosa. Na
Terra, todos sabiam que era um Mestre. Grande, de tal maneira, que os estudiosos,
estudando suas obras, não sabiam o que era dele e o que era de Sócrates! Mas ali, ele se
apresentava como um aprendiz!
***
- Mas aqui é o Terceiro Céu!
- Penso que corresponde a essa ideia... O apóstolo Paulo chamou este lugar de
Terceiro Céu, quando estava aqui.
- E você?
- Como todos: PORTAL DO SOL! Não é bonito?
Eu ficara encantado com Platão. Ele, a seguir, depois de trocar imagens mentais com
Apolónio, creio eu, despediu-se.
- Quando o veremos novamente? - Indaguei.
- Amanhã, respondeu amavelmente, e se afastou silencioso pela alameda das
flores de luz. E eu fiquei antegozando a hora de reencontrá-lo. Tinha muita coisa para
perguntar e saber!
***
Aquela fisionomia serena, pura, confiante, ficara vibrando na minha memória. O amanhã
chegaria logo? Como seria? Apolónio dissera também, que no dia seguinte, voltaríamos
à zona mais baixa onde observaríamos os pensamentos flutuantes, e mais abaixo ainda,
onde veríamos os pensamentos dos homens.
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Preocupado, perguntei:
- Mas, não teremos a visita respeitável de Platão?
- Teremos. Vou convidá-lo para nos acompanhar às regiões mais baixas. Pelo
caminho de descida você poderá obter dele, esclarecimentos sob muitos pontos
importantes.
Fiquei empolgado e deslumbrado com a possibilidade de poder conversar com
Platão, o grande Platão! E poder perguntar-lhe as coisas do Cosmo e talvez, do Universo!
Ainda, pensava nisto, quando Platão chegou, tranquilo e sozinho. Atravessámos aquele
tempo de espera com relativa felicidade. O tempo, ali, não se media por horas. Dizia
Apolónio que nas esferas mais altas, o tempo era um estado de espírito e não uma coisa
que se medisse. Estava em nós mesmos, sentir um tempo menor ou maior. O Homem, é
que não se dá conta desse fato, mas na Terra também é assim mesmo!
Compreendi, de repente, uma coisa de que nunca me apercebera. Realmente,
sentia agora, que o tempo era apenas uma questão íntima. Nossa ansiedade, ou não,
determinava o tempo. Parecia-nos tanto maior quanto mais nos inquietássemos, à sua
passagem, e parecia menor, quanto menos nos preocupássemos, com ele! Logo, era
apenas uma questão de estado de espírito. Só isso nos dava uma impressão totalmente
diferente de viver e sentir aquele mundo ou aquela esfera e o modo de sentir a vida,
passava a ser outro. Gozava-se, de uma absoluta tranquilidade! Não havia pressa nem
inquietação, o que ia eliminando o sofrimento. Mas Platão chegou logo e interrompi
minha meditação.
Abraçou-nos como sempre, sorrindo e beijou, suave, delicado e cordialmente,
esclarecendo à guisa de desculpa:
- No tempo em que o Senhor estava entre os Apóstolos, eles faziam assim. Foi o
que deu oportunidade a Judas de indicá-lo, silenciosamente, no Jardim das Oliveiras.
23. Descendo
Atracámo-nos carinhosamente a Platão, como um velho amigo ou um pai, travou-
me do braço e começámos a descer por entre as vibrações do Cosmo... Notei que o Novo
Amigo não usou de vibração diferente da nossa. Seria por humildade? Descíamos na
mesma marcha.
- Senhor — dirigi-me respeitosamente a ele —, Apolónio concedeu-me a
liberdade de lhe fazer algumas perguntas, posso?
- Fala, meu filho, responderei o que for possível. Não sou Sábio não, sou um
simples aprendiz, mas o que puder responder, dentro dos limites que as Esferas
Superiores me permitem, de conformidade com a evolução atual e o merecimento de
quem pergunta, responderei. Não se lembra que Jesus ensinou: "Não queirais ser
Mestres"? Porque temos o dever de zelar pelas palavras que pronunciamos e pelos
pensamentos que emitimos.
Fiz que entendi e indaguei:
- Já vi e ouvi muita coisa mas tenho ansiedade de saber! Na Terra ouço palavras e
palavras, no espaço também, mas ninguém nunca me explicou diretamente "O que é
pensamento". O que é?
Platão sorriu:
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- Parece que você deixou a pergunta mais difícil para mim!... O assunto é muito
profundo e tudo, eu não poderia dizer: primeiro, porque depende de conhecimentos
anteriores, que você não tem, por evolução que lhe falta e segundo, porque a Terra não
dispõe de meios científicos ou literários para usar palavras e meios de comparação que
você entendesse.
Assim, dar-lhe-ei uma definição pela metade, usando meios de comparação da
própria Terra, onde você ainda vive. Vamos dizer assim: existe uma força, na casa
mental do Ser, que projeta o pensamento e o televisiona, transformando-o em imagens, e,
por sua vez, em palavras, de acordo com o que existe na casa mental da criatura humana
(no caso da Terra), médium ou não. Como um computador, que se serve da programação
gravada no disco.
Dessa forma, o pensamento do Espírito, no caso da mediunidade, transforma a
imagem em palavras ou palavra da linguagem programada do médium (no caso do
escritor ou da incorporação) ou nas figuras, no caso dos médiuns pintores e na música,
numa peça semelhante ao estilo do autor. Nos escritores, o fenómeno é semelhante ao da
música.
A explicação de Platão abrira de repente um campo novo de entendimento para
mim e compreendi que o entendimento das coisas do Espírito depende diretamente da
evolução de cada indivíduo, em si mesmo, e do avanço, progresso e evolução ou
Espiritualização do mundo!
- Logo — exclamei eu —, se a criatura é de língua portuguesa, fala em português,
se é francesa, fala em francês, se inglesa, fala em inglês e assim por diante?
- Exato. Se fala muitas línguas ou mais de uma, fala uma delas e se o Espírito
comunicante fala, então, a dele... Aí o Espírito já está de certa forma programado quanto
às palavras, não quanto às ideias, que serão as dele.
Mas a criatura receptiva terá que ter a programação, da encarnação atual ou de
uma encarnação anterior. Assim, o médium médico, também já foi médico ou
farmacêutico ou cientista em outra encarnação anterior e o que escreve, terá sido escritor,
e o que pinta, terá sido pintor. A regra é simples meu filho, a natureza não dá saltos...
Nem no seu mundo nem no nosso...
25
reencarnar, na Crosta Terrestre, antes de se manifestar, entre os homens. Seja para viver
na Terra ou apenas para se comunicar mediunicamente.
Fiquei silencioso meditando nas palavras do grande Sábio Espiritual Platão, no
entanto, acariciou-me os cabelos fraternalmente. Do sol nascente avermelhados, àquela
hora, anunciavam o amanhecer do mundo.
***
A zona sob a claridade rósea do amanhecer apresentava-se como um lago de água
transparente. Aqui e ali, surgiam como bolhas que vivem à tona de um lago de peixes
que, de mais fundo, produzissem aquelas bolhas que vinham despontar na superfície.
De fato, ocorria assim. Alguns, à superfície da água, pareciam flores Umas,
enormes, brancas, azuis ou coloridas.
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gravada por meio das figuras-símbolos de animais, índios ou criaturas humanas e seres
humanos, isto é, aquilo que rodeava a própria humanidade.
- Aquela velha admiração antiga pelo Sábio Grego voltou a me dominar.
- Não, meu filho. Para nós, de um Plano um pouco mais alto, Mestre, ainda é o
Senhor. Nós somos apenas aprendizes e lá, todos sabem disso!
Foi quando, pedindo licença ao Sábio Espiritual, Apolónio falou:
- Kalicrates, você entendeu? Com a permissão de Platão, vou repetir o que disse e
que se entenderá melhor no Plano da Terra, embora Platão já tenha dito da maneira mais
simples possível: Força, poderia ser como a eletricidade no processo de iluminação;
a Chama ou a Luz, que poderia ser já a imagem sem forma, quase indefinida; e
a Lâmpada, que poderia ser a palavra ou as palavras da língua, que a seguir formarão a
linguagem. No caso da música, o processo seria o mesmo.
E na pintura, já chegámos diretamente à imagem. Assim como nos outros
processos de manifestação mediúnica, levando-se em conta que, tudo nasce de um ponto
inicial, que é a vibração, semelhante a uma fonte de água, partindo da mente, que é ainda
para o Homem, um mecanismo muito complicado e delicado que, provavelmente, nem
você nem os Seres da Terra, entenderiam agora.
Platão, paternalmente, aprovou o esclarecimento de Apolónio e exclamou:
- Deus seja louvado, Apolónio, eu não explicaria melhor!...
***
Nós, descendo, havíamos atingido uma região muito clara e ondulada onde
começavam a surgir algumas criaturas terrestres. Apolónio, imediatamente alertou:
Tenhamos cuidado agora. São Espíritos adiantados mas que, por estarem fora de
nossa missão, não compreenderiam o que estamos falando, e sem querer, nos afastariam
dos nossos objetivos.
Foi quando vi que pensamentos bonitos, em forma de flores, saltaram de uma
cabeça para a outra, dos Espíritos que seguiam em grupo.
- O que é aquilo? — Exclamei empolgado — parecem luzes flutuantes!
- Veja melhor — disse Apolónio —, penetram, flutuando nas cabeças dos
companheiros, cujas mentes os absorvem.
- Que coisa interessante! - Quase gritei — Como pode ser isso?
- Por lei de Afinidade. São espíritos afins, vibram e sentem igual. É uma espécie
de troca, e esse fato, os alimenta espiritualmente. Por isso os bons, aproximados dos
bons, alimentam os bons e os maus, aproximados dos maus, alimentam os maus.
Será sempre importante a aproximação dos Espíritos santificados ou considerados
bons, porque nós receberemos alimento superior de que necessitamos e eles recebem
vibrações de que precisam para continuar ajudando os que precisam mais. No mundo, lá
em baixo, tal como aqui, vivemos de trocas incessantes!
Eram tantos os ensinamentos novos, que eu recebia, que comecei a ficar aturdido!
Sentindo a situação interior, Apolónio, falou-me com brandura:
- Você, filho, já está com a mente cansada. Vamos descansar ali. — Apontou para
uma espécie de oásis que exibia, a meus olhos, alguma cascata, e para lá nos
encaminhámos lentamente...
Percebi que, na realidade, nós não andávamos, no sentido que lhe damos na
Terra, mas deslizávamos.
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26. Raios, Irradiações e Ondas
Continuávamos descendo. Às vezes, passavam por nós, à distância, grupos de
Espíritos. Naquela zona, quase que somente, entidades adiantadas ou elevadas. Mesmo
assim, não nos enxergavam, por influência de Platão e Apolónio, que emitiam irradiações
e ondas que, de certa forma, ocultava-nos à visão deles.
Observando que, a irradiação de Platão, apesar da sua evidente humildade,
ofuscava a visão espiritual, comecei a pensar naquele fato e indaguei do Filósofo:
- Senhor, André Luiz, refere-se ligeiramente a raios, radiações, ondas Mas
não nos esclareceu ainda. Poderíamos saber como, nas Esferas Espirituais, se
conceituaria isso?
O venerável Sábio Grego olhou-me com carinho e disse:
- Meu caro Kalicrates — perdoe-me. Estou muito distante da Terra, há séculos, o
que me impossibilita de conhecer, de pronto, os conhecimentos atuais dos homens, a fim
de estabelecer comparações ou encontrar termos comparativos para ilustrar nossos
conceitos materiais, como se entende ainda matéria, na Terra, embora, na realidade,
matéria, como é entendida hoje, não existe. O que existe são vibrações em determinado
grau de evolução que se diria, velocidade.
O Universo, na verdade, é todo espiritual. Apenas, para que os homens entendam,
na fase evolutiva da Terra, diríamos assim: Tudo é espírito, ou seja, espiritual, e a última
divisão da chamada, erradamente, matéria, está muito longe de ser a última, como por
exemplo, o vapor para o gelo e a pluma para o ferro. Ou o sonho da realidade. Apolónio
poderá ser mais útil a você nas atuais circunstâncias.
Apolónio não se fez de rogado e esclareceu:
Partindo dos conhecimentos populares da Terra, dir-se-á que, a vibração seria
como o primeiro palpitar ou o iniciar do que se chama, vibração. Como se um coração
humano começasse a funcionar. No Espírito, inicia-se na mente, que por sua vez,
desencadeia o movimento vibratório dos corpos espirituais. No caso do homem, o
perispírito. Tal como a pedra, atirada ao lago, produz ondas, decorrentes das radiações ou
irradiações que nascem do pensamento, vibrando.
- E os raios?
- Os raios, você verá na Crosta, nascendo na mente e disparados como tiros de
revólver...
- Como tiros de revólver?
- Sim, como tiros de revólver!
E se forem muitos espíritos concentrados juntos, superconcentrados, até como um
tiro de canhão!
- Tiro de canhão?! Quer dizer que podem provocar uma guerra?
- Poderia! Entre os Espíritos e entre os homens. Como Hitler, que mobilizou o
povo para o Mal e Gandhi, para o Bem!
Eu estava estarrecido! Que coisa! Agora, eu começara a entender muita coisa!
Platão olhou-me carinhosamente:
- Compreendeu hoje o valor e o perigo da Ideia?
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27. Pelos Caminhos da Terra
Foi quando perguntei ao mestre Platão:
- Senhor, não seria isso o Inferno? — E ele respondeu:
- Céu e Inferno são estados de Espírito. Onde se reunirem os bons, será o Céu, e
onde se reunirem os maus, será um Inferno. Enquanto perdurar a maldade neles, haverá
em suas almas, as chamas do Inferno, que são as chamas e tormentos da própria
consciência culpada. O sentimento de culpa determina o tempo da condenação interior,
quando esta se extingue, começa o Céu, que é a tranquilidade e a paz interior, que em
verdade, constituem o Céu.
Deus não condena nem absolve ninguém! A criatura, espiritual ou não, vive no
reino da Lei, que a condena ou absolve, no âmbito da própria consciência, que lhe cria o
tormento ou a paz. Deus é Lei e o Universo é a área imensa em que ela se exerce.
Infringir a Lei, é penetrar no domínio do Inferno, vivê-la, é estabelecer o Céu em si
mesmo.
Dito isto, o legendário Platão sorriu e disse:
-Não pensem que esse pensamento é meu! Muito bonito, mas não é meu...
- De quem é então?
O Sábio olhou-me enigmaticamente e esclareceu:
- É do nosso jovem Altino, que está mais atualizado com os pensamentos do
mundo, do que eu! Não se esqueça Kalicrates, eu sou do Mundo Grego!
E deu uma gostosa gargalhada e continuámos descendo.
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29. Sobre o Mundo
Flutuámos sobre grande praça, da capital paulista. A multidão regurgitava.
Milhares de pessoas, cruzando-se, misturadas, caminhando depressa, atarefadas, na luta
humana diária. Homens, mulheres, moços e velhos, falando, discutindo, vendendo,
comprando, nas lojas, nas calçadas, numa tremenda azáfama!
Vi que, da mente dessas criaturas, partiam, como flechas, verdadeiros raios e
pensamentos, das mais diversas cores, a maioria, escuros. Os pensamentos, parecendo
flores escuras, ficavam flutuando a poucos metros de altura e caminhavam em sentido
horizontal, aglutinando-se, uns aos outros, e acumulavam-se, formando uma verdadeira
massa de lixo escuro, cinza ou preto, meloso, nojento, feio...
Às vezes, pousavam em muitas cabeças e eram absorvidos por outras mentes, de
outras pessoas, e como que se aninhavam ali, como ovos ou filhotes, num ninho de
passarinho. Ovos de beija-flor, porém, sempre escuros, ou como o ovo do chupim no
ninho do Tico-Tico. Os raios, impulsionados por pensamentos, sob o império da mente,
partiam das mentes em grande velocidade e atingiam o organismo espiritual das outras
criaturas, lesando-as de alguma forma, produzindo-lhes irritação ou os mais esquisitos
resultados.
Como eram pensamentos inferiores, por afinidade, provocavam a movimentação
de dezenas de outros semelhantes, que, como que brotavam, então, daquele fantástico
ninho. E, à semelhança do movimento das criaturas humanas da praça, movimentavam-se
agitadamente, no plano invisível, atacando, uns e outros, desvairadamente. Notei que, os
raios, muitas vezes, eram dirigidos e endereçados a certas criaturas, atingindo-as.
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Nas Regiões Desconhecidas do Espírito
A Segunda Morte
Parte II
13.06.87
"Ovo Azul"
Médium: R. A. Ranieri Pelos Espíritos de Altinoe André Luiz
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perispirítico, do qual, é, de certa forma, a soberana e o centro. Aliás, sobre isso, falaremos
de novo, no futuro.
Eu estava pasmo, com os esclarecimentos. Mas começara a compreender.
2. Aprendendo Ainda
Havíamos descido mais e pousámos no meio da praça. Espíritos e pessoas se
misturavam. Pensamentos subiam da cabeça deles, raios partiam para todos os lados, de
uns para os outros, como balas de revólver e desapareciam em contato com as cabeças,
mergulhando nas mentes alheias. Aquilo de certa
forma produzia uma balbúrdia e confusão...
Perguntei:
- Os homens têm consciência desse fato?
Apolónio sacudiu a cabeça.
- Praticamente, não. Teoricamente, só alguns iniciados sabem. Na prática, só
espíritos muito adiantados conhecem ou já viram. Ouvindo essas palavras, senti-me
profundamente responsabilizado.
- Bem — esclareceu Apolónio, naturalmente, vendo-me o pensamento —, o seu
caso é diferente. Recebemos autorização de mostrar, mas para instruí-lo e transmitir a
notícia para o mundo. Na realidade, sozinho, você não sabe nem verá. Infelizmente, você
ainda não tem capacidade vibratória e percepção, porque ainda não atingiu o grau
evolutivo que lhe dará a possibilidade de ver. Nós lhe ampliámos a estrutura mental
provisoriamente, para ver e perceber, no futuro, com a evolução, você chegará lá.
- E os outros seres, os homens?
- Eles terão menos que você, talvez muito menos. Receberão as notícias que você
lhes transmitirá e acreditarão ou não se quiserem, apenas isso...
- E qual a utilidade?
- Há diversas: começarão a pensar no assunto, talvez mesmo, a pesquisar e
estudar e se prepararão mentalmente para encontrá-lo, no porvir. Pelo menos, ficarão
sabendo que existe... Além disso, com essas informações, será fácil entender outras
coisas que ainda não entendem. Acho que isto é mais importante!
Pensativo com as palavras pronunciadas por Apolónio, mal percebera que
entráramos porta a dentro de uma loja, magazine, onde centenas de pessoas faziam
compras, eram atendidas por mocinhas ou rapazes ou conversavam. Verifiquei que cada
uma delas era envolvida por uma aura de colorido diferente, que era a irradiação do
próprio organismo espiritual. Verdes, azuis, vermelho, cor de abóbora, marrom ou cinza,
mas ali, não vi nenhuma de cor preta. O Espírito informou que naquele lugar, com tantas
mocinhas, rapazes e crianças, eram muito raras as cores escuras. Havia muito rosa,
abóbora, amarelo, poucas verdes, nenhuma branca, muito vermelho e outras cores e
tonalidades desconhecidas dos homens da Terra.
- As crianças e os jovens emitiam comumente irradiações e raios bons, que
produziam coloridos suaves e benéficos. Os maus emitiam cores desordenadas e
irritantes. Ainda aqui, predomina a luta do Bem e do Mal. Eu continuava assombrado
com tudo aquilo que eu conhecia por ouvir falar ou por ter lido em livros, mas na prática,
aquilo impressionava...
32
- É por isso, meu filho — disse Apolónio —, que o Evangelho deve e precisa
ser vivido, só lido e ouvido, não basta. Ler, ouvir e executar, esta também é a Lei.
***
No salão, porém, havia uma lanchonete onde algumas pessoas, sentadas
em tamboretes altos, comiam e bebiam cervejas, vinhos, whiskey, refrigerantes e diversas
bebidas alcoólicas. Três senhores, de aspecto respeitável, e com certeza, comerciantes ou
industriais, falavam de negócios e, às vezes, rindo, diziam piadas.
Notei que da cabeça deles, exalava uma névoa de colorido escuro, cinza, que
circulava à volta deles. Mais detidamente, eu percebi que, do mais velho, partiam raios
emitentes, que por sua vez, atingiam as outras cabeças que começavam a irritar-se e, não
demorou, que logo iniciassem uma discussão agressiva sobre negócios, de seguida,
começassem a agredir-se mutuamente com palavras de baixo-calão.
E quanto mais falavam, mais as névoas, cinzas, se avolumavam, cresciam e
envolviam, e aumentavam o número de raios, como raios e relâmpagos numa noite de
tempestade!
***
Como fumaça, aquela névoa se espalhava pelo magazine todo. De todas as
cabeças, irradiavam cores que variavam de conformidade com os sentimentos e
pensamentos de cada um. Quanto mais intensos, mais coloridos. Sentimentos puros
produziam tonalidades claras ou de cores belas, tais como, rosa, branco, azul, verde-claro
e outras, que o homem não conhece. Se sentimentos maus, produziam tonalidades mais
escuros, tais como, cinza, verde-escuro, vermelho-escuro e até sanguinolentos.
E a irritação ou a violência, alastravam-se para os outros seres.
3. Ondas
Notei também, que uma irradiação circular se irradiava em torno de cada um,
vibrando mais intensamente; crescia e flutuava de maneira ondular, no espaço.
-Aquilo, meu filho — esclareceu o Espírito —, são ondas que vibram, nascendo
de cada um, propagam-se, flutuam e marcham em qualquer direção. Às vezes, atraídos,
por afinidade, por outras ondas afins, pelo Bem ou pelo Mal, e muitas vezes até se
abraçam e vão, pelo infinito!
Assim, há seres que vivem juntos no espaço. São ondas que brotam de outros
seres. Não são seres mas têm vida. Olha, num certo modo de ser, até se poderia dizer que
se amam!
Fiquei estático verificando que, na realidade, eu sem querer estava penetrando no
Conhecimento do Universo!
33
mal. Às vezes, até parecia guerra de bolas de neve. Eram vibrações condensadas.
Partiam-lhes do organismo e pareciam verdadeiras mãos que as atiravam.
5. Passeio
34
Continuámos volitando sobre a praça e observando os Espíritos e os homens. Era
uma colmeia viva. Estavam todos misturados. Vira alguns espíritos que agora estavam
desencarnados e que eu conhecera, na Superfície ou Crosta da Terra, na vida social. Vi
até, alguns, que não me viam, porque, por providência de Apolónio, eu estava em outra
vibração. Notei que alguns, eram belas criaturas no mundo, no corpo físico, embora, e
ainda que eu os reconhecesse, mostravam-se agora feios, horríveis. Outros que conheci,
feios, agora se apresentavam belos!
Apolónio explicou:
- Nem sempre o corpo revela a beleza ou a feiura do Espírito. Aqui eles são o que,
na realidade, são. Nestas esferas, quase sempre, apresentam a sua evolução real. Embora
muitos Espíritos, por humildade, exibam a fisionomia vulgar e até feia. Isso, aliás,
acontece também na Terra. Grandes Espíritos, para não serem tentados ou não ofenderem
as outras criaturas se apagam numa aparência comum e não exibem a inteligência ou o
conhecimento real que possuem. Mas quando conheciam homens ou mulheres do campo,
da lavoura, ou simples domésticas que não são quase considerados, exprimem conceitos e
raciocínios que os fazem repentinamente admirados. Contudo, leva-se à conta do acaso.
Assim, meu filho, no mundo, há santos, génios e anjos, que aí vivem e passam
quase que, desconhecidos. Estão completando alguma coisa que lhes falta ou cumprindo
uma missão que, só o futuro deixará clara a sua passagem, ou vão e vêm completamente
desconhecidos, porque isso é bom para eles.
Apolónio conduziu-me através da praça, dos espíritos e da multidão de
encarnados que por ali transitava. Não nos viam. Nós os víamos a todos. Eu acreditava
que via.
Meu orientador espiritual, porém, esclareceu:
- Você, meu filho, também não vê a todos. Há alguns que passam por nós e você
não os vê, porque vibram mais intensamente que você...
Olhei à minha volta e não vi ninguém diferente, que me sugerisse qualquer 32
coisa também diferente... De fato, se existia, e tinha que existir, porque Apolónio
falara, realmente eu não percebia... Era questão de vibração mais intensa, dissera ele... Na
realidade, os espíritos se misturavam com as criaturas luminosas e as influenciavam de
alguma maneira, pela mente, pela audição, pelas sugestões de todo o tipo. Pela
proximidade de vibrações, a influência dos espíritos inferiores era mais frequente, de
modo especial, sobre o sexo masculino e sobre as mulheres perdidas...
- Principalmente, as que vagam à noite. — Esclareceu Apolónio.
- E as autoridades gozam de justiça especial? — Perguntei, lembrando-me de uma
informação humana que ouvira, há tempos.
- Sim, confirmou o Espírito. Especialmente, os homens que lidam com a lei:
juízes, delegados, autoridades desse setor enfim... Têm uma couraça, que os protegem,
senão, não poderiam cumprir as suas responsabilidades com isenção, desde que
mantenham uma conduta pura. Se têm o hábito de orar, melhor. Você acha que, no
mundo, uma multidão igual a essa pode prescindir de justiça?
Olhei a multidão e compreendi:
- Por isso, Deus, através de suas leis e com o concurso da Misericórdia, não
abandona as criaturas e as autoridades ao sabor do acaso.
As palavras do Espírito eram sábias e me impressionaram vivamente. Na
realidade, no mundo, ainda imperava mais a justiça do que o amor.
35
6. Reencontro
Estava na hora de retornar, para o encontro com Platão. Por simples ato de
vontade, passámos a subir. Parecíamos flutuar e subíamos a grande velocidade. A Terra
voltou a ficar lá em baixo, e nós, como pássaros, deslizávamos na atmosfera e
atravessando a ionosfera, logo depois, de atravessar a ligeira camada de ozono que
protege o planeta na zona do polo. O planeta, muito azulado, se tingia, naquela hora, que
era a hora da madrugada, de diversas cores.
Na Terra, amanhecia o dia e numerosos espíritos já se movimentavam, lá em
baixo, em direção aos seus lares terrestres, de onde saíram ao entardecer e se misturaram
com os milhares que buscam o prazer, à noite, prazer que não encontram em casa. Os que
não encontram o caminho e o amor com a companheira ou o companheiro ou mesmo no
seio da família saem à noite e buscam os lugares mais estranhos, aos homens honestos: os
lupanares, e na linguagem de hoje, as boates e os motéis, ou então, encontram consolo
nas conversas e distrações, de acordo com sua maneira habitual de pensar.
Há aqueles que procuram as mesas de jogo ou os lugares em que se conversa de
futebol, no entanto, no final, a maioria se atira nos braços das mulheres perdidas e se
afogam no álcool em companhia de espíritos atrasados, inferiores e quase sempre, sem
nenhuma qualificação. É doloroso ver, à noite, o terrível espetáculo dos seres decaídos do
submundo da Terra. Homens de elevada posição social, respeitados na vida comum, são
na realidade mendigos espirituais e réprobos na vida espiritual noturna. Aí se libertam de
toda a coação moral e se transformam nos monstros espirituais que, a carne encobre.
Expressam toda a medonha realidade da própria alma.
Alguns se entregam a um sofrimento sem limites, porque, não querendo errar,
erram compelidos pela necessidade que não podem satisfazer. O lar é sempre
o refúgio das almas e o abrigo, onde encontram proteção, de modo a se
defenderem de si mesmos, amparados por aqueles que as amam e que, com elas
convivem. Não é à toa que, o Instituto do casamento impõe exigências rigorosas. Os
espíritos que se reúnem no recesso do lar, gozam de proteção especial, a fim de uns
colaborarem para construir a fortaleza dos outros, de modo a fornecer-lhes as armas de
defesa de suas conquistas milenares.
Aí, é que cumprem as mais duras provas e se exercitam os melhores meios de
proteção, afastando os seres dos vícios e das fraquezas da Terra, preparando-os para as
ascensões gloriosas do Espírito Eterno!
Eu ainda meditava nessas coisas, quando ouvi Apolónio, que dizia:
- Prepare-se, estamos chegando.
De fato, aproximávamo-nos do Portal do Sol e já apareciam, à distância, os seus
magníficos jardins de luz, de um sol colorido, que não se vê na Terra, e nem permite, a
atmosfera terrestre. Assim que pousámos no solo do Portal, avistámos Platão
que, andando lentamente, como se estivesse na Grécia, meditava. Vimos de longe que
estava profundamente concentrado, porque, de sua cabeça, sublime luz de todas as cores
inimagináveis, se irradiava. Por onde passava, ia deixando um longo rastro de luz.
36
7. Sábio
Recebeu-nos com alegria, suave e sincera. Como sempre, abraçou-nos. Seus
olhos, de um azul profundo, guardavam carinho e doçura. Os jardins do Portal eram
imensos e se perdiam na distância, colorindo o espaço com a luz de mil cores.
Disse-nos, com bondade:
- Já obtive de nosso irmão Francisco autorização para a entrada e visita de vocês,
no Portal.
Contemplei a enorme construção de linhas diferentes, à nossa frente. Subia-se por uma
rampa que desaparecia para dentro do edifício, que era todo de uma espécie de plástico
rosa e nos dava uma ideia, de leveza e transparência. Ali não via as construções pesadas
da Terra. Tudo era, leve e transparente.
- Por isso, meu filho — falou o Sábio —, chamam de Portal do Sol. Aqui
vivem, em colónia, numerosos Espíritos Superiores, que se dedicam à música 34
sublimada e às artes mais elevadas, do Espírito Eterno. Dirige o Portal, o nosso amado
Irmão Francisco...
- Francisco de Assis? — Indaguei mentalmente.
- Sim — respondeu o Sábio —. Aqui vivem, os Espíritos que já alcançaram um
grau elevado de Espiritualidade e atingiram o conhecimento maior. Passam então, pela
segunda morte, a que se refere, Jesus.
- Mas o que é a Segunda Morte?
- É um fenómeno semelhante ao que ocorre na Terra, ou à Superfície da Terra. Lá,
os homens, não deixam o corpo físico por morte ou paralisação definitiva, dele? Aqui,
processa-se algo semelhante! Abandona-se o corpo espiritual ou perispiritual, que se
desfaz, e entra-se na posse de outro, que é um corpo de vibração mais elevada, com mais
luminosidade, força e poder.
- Você não se lembra de Paulo, o Apóstolo, quando disse: "Conheci um homem
que foi ao Terceiro Céu" Pois é, meu filho, ele veio até aqui, e voltou.
Olha, hoje, por acaso, temos alguém que se submeterá à Segunda Morte e pediu aos
nossos Superiores, essa graça, que lhe foi concedida. Estão dispostos a assistir?
Apolónio assentiu com uma atitude de humildade e respeito, e eu me alegrei com a
notícia. Todavia, perguntei:
- Venerável Irmão Platão: Mas, a Segunda Morte, não é resultado da
desintegração do ser?
- Não, não há desintegração do ser, o que há, é uma queda contínua em si mesmo,
pela degradação, que levará a criatura até ao desaparecimento, como criatura criada.
Entendeu?
Balancei a cabeça, significando que não entendera.
- Para mim, é muito difícil entender.
- Mas você entenderá, um dia. Receba agora como primeira notícia.
Ali, havia alguns Espíritos, que andavam e conversavam pelo jardim. Impressionava-me
a extensão do jardim, que se perdia na distância imensa. As flores, de uma beleza nunca
vista por nós, vibravam intensamente.
- Aquele que vai ali — esclareceu Platão —, é nosso amigo Aristóteles.
- Mas, Aristóteles, não era materialista?
37
- Na Grécia, bem, lá, ele ainda procurava a verdade — disse delicadamente o
filósofo —, mas já a encontrou, há muito tempo... A verdade era, para ele, naquele
tempo, uma obsessão.
- Não foi seu discípulo? — Perguntei abruptamente.
- Quer dizer, eu nunca tive discípulos — acrescentou modestamente, o grande
Espírito —. Eu sempre tive amigos, e, agora, aprendi que são filhos espirituais!.
Aristóteles, hoje, é meu filho espiritual, nascido do pensamento do
Cristo. De fato, se vermos com os olhos do passado e o pensamento do mundo
moderno, poderia ser considerado quase, um materialista. Mas não era. Ele apenas
buscava a verdade, despreocupado do Espírito, por isso, como todos nós, foi considerado
estacionado no Tempo, que é apenas uma longa espera, até que, despertasse para as
coisas espirituais.
Na Terra, junto com Demócrito, pode ser hoje considerado um dos pais da
Ciência, pela maneira positiva de ver os assuntos. Afinal, meu filho, todos nós, que
estacionamos aqui, estamos estudando e aguardando mais evolução para nos
transferirmos para o Portal da Luz, onde reina e permanece Jesus Cristo.
Essas revelações, aparentemente simples, caíram-me na alma como o orvalho da
manhã, na corola da flor. Quedei-me, pensativo, e Platão, enlaçou-me os ombros
carinhosamente com seus braços de pai.
38
- Não se envergonhe — disse Ele ainda, lendo-me o pensamento. — Humildade
não se aprende, é resultado da evolução, conquista laboriosa do próprio Espírito. Os mais
Sábios, por força da Lei, são seres que conquistaram
a humildade e a evolução através dos milénios. Não tome a humildade
como graça de Deus mas como trabalho e labor do Espírito. "Cada um é o construtor de
si mesmo sob a misericórdia de Deus". Lembra-se?
No entanto, prosseguimos andando. Pequenos grupos de Espíritos, em pé,
conversando, ou sentados em bancos, de material leve e transparente, mais do que
o plástico, da Terra, entretinham-se em animada conversa. Foi quando um grupo de
Espíritos jovens aproximou-se de Platão, saudou-o e abraçando-o alegremente. Um
Espírito de avantajado porte, os conduzia, e Platão apresentou-o:
- Este é nosso amigo Empédocles, companheiro de Sócrates, da velha Grécia.
- E Sócrates? — Pensei — Onde estaria?
- Às vezes, vem até aqui e nos visita...
Vive numa esfera acima da nossa. Meu filho, na Grécia, ele já era mestre.
Continua evoluindo...
- Mestre Platão, lá vós fostes amigo dele...
- E ainda sou... Amigo e discípulo... Ensinou-me muitas coisas e ainda aprendo
com ele... Embora aqui, ninguém se considere Mestre, para mim ele ainda é, e eu o trato
como tal. Considero-o meu pai espiritual. Nós nos amamos muito. O amor, nesta esfera, é
diferente e mais intenso que na Terra. Os seres se amam espiritualmente sem qualquer
referência a sexo. É o amor das almas.
Assim, como o néctar da flor. Prepara-se o amor e vive-se o amor, que aqui se
traduz por uma irradiação dos sentimentos superiores e sublimados e por uma atração do
Espírito, quase divina. Sei que não entendeu. É difícil entender. É preciso sentir e viver
esse tipo de amor para entendê-lo. Questão de evoluir um pouco. Você poderá, a
princípio, compreendê-lo intelectualmente, e só depois que o viver, é que o entenderá.
Foi o que Jesus disse com as palavras: "Tomai e comei, este é o meu corpo! Tomai e
bebei, este é o meu sangue!"
É como uma flor, que nasce do nosso organismo espiritual, em determinado
período de nossa evolução espiritual. Primeiro, se ama a todos os seres e depois, por
acaso, se percebe que esse amor é mais intenso, relativamente a determinada alma. É o
que se chamou de almas gémeas. Duas almas, no final, se fundem numa só. Por exemplo,
algumas, para você entender: Francisco, nosso pai e Clara, nossa mãe, que já se fundiram
numa só alma, arrastados por intenso amor espiritual.
***
Naquelas alturas, mergulhado de intensa vibração, na leve e sublime emoção
espiritual, sem saber por quê, me comovia até às lágrimas. Platão abraçou-me e
acrescentou:
- Amor espiritual é isso! Você sentiu os seus efeitos num momento só. Os
Espíritos, que o atingem por evolução, sentem isso permanentemente e com mais
intensidade ainda. Essa é apenas uma face do amor espiritual. É preciso senti-lo para
entendê-lo!
Eu estava assombrado. Como sentira eu, aquilo? Platão sorriu misteriosamente.
Eu fiquei pensando: será que ele me transferira, dele mesmo, por algum meio que eu
39
desconhecia, aquela capacidade de sentir o amor espiritual? Mas ele não disse: apenas
sorriu.
***
Apolónio seguia-nos silenciosamente. Surpreendi-me. Parecia ouvi-lo dizer-me:
- Kalicrates, a presença do nosso Venerável mestre Platão nos enche a alma de
alegria espiritual e aqui, cabe a Ele falar e ensinar.
Platão acrescentou:
Meu filho, nosso amigo Apolónio tem toda a liberdade de falar e ensinar. A sua
modéstia, é que o inibe. É espírito que tem trânsito livre por aqui e merece todo o nosso
respeito e amor.
Notei a delicadeza de Platão.
- Vocês foram admitidos ao Portal do Sol para assistir a uma alma respeitável, que
já alcançou o direito de passar pela segunda morte. É uma experiência fascinante, à qual
se refere o ensino de Jesus, constante do Evangelho. Vocês ficarão ainda, por aqui, por
uns dias, e na hora oportuna, serão chamados ao salão, onde assistirão ao trabalho ou à
cerimónia, da segunda morte. Nosso abnegado companheiro se submeterá a essa
operação e vocês, verão o fenómeno ou o fato que se processará.
Enquanto isso, conheceremos melhor o nosso jardim, que poderia ainda ser
denominado, por vocês, de jardim de Academus, agora no Plano Espiritual ou no Portal
do Sol. Conhecerão assim, muitos companheiros, que há muito vieram da Esfera de
Baixo, embora de vibração superior e elevada.
Realmente, fomos encontrando, em nosso passeio pelo jardim, numerosas figuras
que conhecêramos na Grécia, ao tempo de Sócrates. Algumas delas, viveram todo o
drama do Sábio, fato esse que, segundo promessa de Platão, nos caberá relatar, um dia,
mediunicamente, para os homens da Terra. Alegrou-nos a notícia, que também nos
anunciava, uma grande responsabilidade.
Percebendo-me o pensamento íntimo, esclareceu, o mestre Platão:
- Nosso irmão Altino, que muito ama a Grécia e que tem profundos laços de
amizade com nosso amigo Sócrates, já aceitou o encargo do trabalho, do qual, você,
participará como médium e receptor dos pensamentos e imagens que transmitirá, junto
com os fatos. Há mais de duzentos anos, esse assunto começou a ser estudado aqui, no
Portal.
Apenas durante dois séculos, encontrou a oposição do próprio Sócrates que, por
uma questão de humildade, achava que não se deveria tratar do assunto que focalizava a
sua pessoa, mas, do Portal da Luz, que é a Esfera Superior, veio autorização para se
transmitir a história emocionante do Sábio, por necessidade de conhecimento da
humanidade. Assim, meu filho, você tem nos ombros, nobilíssima responsabilidade, o
que será muito pesado, porque, na época de Sócrates, você também estava lá...
E Platão sorriu paternalmente.
***
Súbito, Platão apontou-nos Demócrito, que se aproximava, rodeado de discípulos
de alta envergadura.
Abraçaram-se euforicamente e o filósofo disse:
- Querido Irmão Demócrito, soubemos que retornaste da Terra, há algum tempo
já, depois de, com êxito, teres cumprido a tua missão, coberto de glórias espirituais.
Demócrito agradeceu, mas informou:
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- Meu caro Platão: cumpri, realmente, a tarefa que me foi designada. Porém, estou
muito preocupado com os perigos e responsabilidades dela.
- Mas não te cabe nenhuma responsabilidade...
- Temo pelos homens, que poderão desviá-la de seus nobres objetivos da paz...
- Isso pode acontecer — Acrescentou o Sábio Platão. — Fizeste a tua parte,
compete agora, a outro departamento especializado, controlar ou pelo menos
tentar controlar, o bom uso do conhecimento que o mundo recebeu.
Como Apolónio observou minha aflição, murmurou:
- Tratam da energia nuclear e da bomba atómica, a cujos estudos, para a sua
concretização, Einstein deu decisiva contribuição...
Foi assim que compreendi que, Einstein, era o mesmo Demócrito, que
permanecera na Terra quase cem anos!
41
Depois disso, Demócrito, partiu feliz e radiante de tranquilidade. No firmamento,
brilhavam as estrelas e, nos jardins do Portal, onde os grandes poetas e os notáveis
filósofos conversavam, as flores luminosas, pareciam outras tantas estrelas, despregadas
do Céu!
42
É uma dádiva inicial que a criatura recebe com os outros órgãos e facilidades, que
todas as almas possuem. O ser espiritual, quando nasce, é apenas um germe da figura
inicial que, um dia, crescendo e desenvolvendo todos os seus órgãos e faculdades
espirituais, pela evolução, se aproxima de Deus. Isso, porém, demora séculos e milénios.
Somos ainda, todos nós, espíritos incompletos, que vamos pouco a pouco,
nos completando e crescendo, para Deus. A Evolução é isso. Uns estão mais completos
que os outros. Assim "Não julgueis", disse Jesus, e Sócrates "Conhece-te a ti mesmo ". E
nós nos lembramos do "A cada um segundo, as suas obras". Os grandes Iniciados apenas
anunciaram Leis Eternas.Não fizeram mais do que isso. Apenas cada um deles falou
com mais ou menos amor.
Cada um dá o que tem e o que pode, e recebe conforme o seu merecimento. Por
isso, lembramos mais uma vez: "Não julgueis, mas amai-vos". Evoluir, é acelerar o
desenvolvimento da alma ou desenvolvendo os sentimentos, dando cada vez mais vida ao
pensamento, dar direção ao progresso dos órgãos embrionários da alma.
O que chamamos de, faculdades espirituais, não são mais que, órgãos que
funcionam como sede de suas faculdades. E cada faculdade é adequada a cada órgão, que
lhe corresponde. O pensamento, que se manifesta de diversas maneiras tem, no cérebro, a
sua localização produtora, que é a sede onde toda a atividade intelectiva é gerada; a fala e
a audição, que se manifestam pelos órgãos da fala e que servem o conjunto dos órgãos
vocais, tais como, boca, cordas vocais, faringe etc... e finalmente, materializando-se, nos
ouvidos (no caso do Homem), e assim por diante. No Espírito, o som, as palavras e outras
faculdades, se manifestam por todo o organismo espiritual, transmitido silenciosamente à
distância, e até, de mente a mente, encarnada ou não.
Um tanto surpreendido pelas revelações, percebi que Platão nos dava,
delicadamente, uma verdadeira aula. Não me cansava de admirar a beleza dos jovens que,
a cada passo, nos sorriam e acenavam para nós. Platão correspondia e nós também.
- Vejo que se admiram com a beleza dos jovens! Pois não se surpreendam não,
parecem jovens para vocês, que há pouco, chegaram do mundo. Mas são Espíritos
antiquíssimos!
- Como? — Perguntei assustado. — Não são rapazes e alguns até crianças de tão
jovens?!
- Não — riu-se Platão —, são velhos! Aqui acontece ao contrário do que ocorre
nas Zonas mais inferiores! À medida que o Espírito fica mais velho, e evolui, fica mais
jovem e belo! Velhice, é coisa da Terra e dos Mundos Inferiores. Aqui, evoluindo, nós
não envelhecemos, porque evoluir, também, é aceleração, e aumenta a velocidade e a
frequência das células espirituais, da alma. Evoluir é crescer para Deus, é juventude e
Eternidade!
Evoluir é movimento e transformação. A velhice, é estacionamento e imobilidade.
Quem estaciona começa a parar em si mesmo, e envelhece. Há um desgaste pela inércia,
assim como há um rejuvenescimento do movimento, pelo movimento. À proporção que
evoluímos, nos aproximamos de Deus e da eternidade e, no final dos milénios,
começamos as transformações, porque nos aproximamos da eternidade.
A eternidade do Espírito é alcançar a imutabilidade e a não transformação!
Entenderam? Se evoluir é movimento, eternidade é quase estacionamento com
movimento das células que hoje, porque ainda as criaturas sediadas em nossas Esferas
não entendem paradoxalmente o que seriam células mentais ou cerebrais, apenas para
43
esclarecer por comparação! Sei que é difícil, mas são os primeiros ensinamentos que
posso dar nessa área.
***
Senti que estava ficando tonto e que era muito difícil, para mim, penetrar o
pensamento do filósofo. Contemplei o jardim que rebrilhava de flores luminosas e
coloridas, que davam ao Céu, a aparência de uma paisagem fantástica, e pensei como
num sonho: Compreenderiam os homens as novas informações que lhes traria do Céu? E
lembrei-me das palavras de Jesus a Nicodemos: “Se não me entendeis, quando vos falo
das coisas da Terra, como me entendereis, quando vos falar das coisas do Céu?"
Platão sorriu e disse:
- Não se preocupe, meu filho, aqueles que já alcançaram entendimento, pela
evolução, compreenderão tudo, porque penetrarão no espírito da letra, como 42
lhe ensinou outro amigo espiritual: “atravessarão a casca do coco e comerão o
fruto”... Só os séculos e os milénios possibilitarão, ao Espírito, o conhecimento e a
evolução maior. Não esperemos um Céu, que não conquistamos com luta, suor e
lágrimas. A cada um, segundo as suas obras e o seu trabalho.
Laborioso e sacrificial é o caminho da Espiritualidade que, afinal, é a conquista de
si mesmo, no mundo interior da própria alma. Ajuda-te a ti mesmo e os bons Espíritos te
ajudarão. Dai e receberás. Prepara-te e o Instrutor aparecerá na hora certa. Faze também,
por ti mesmo, e o Senhor aplainará o teu caminho. Tu és, na realidade, a tua verdadeira
obra-prima, que terás que esculpir sozinho, embora orientado e amparado pelos mestres e
amigos que te amam. Trabalha e perdoa os erros, e abençoa. Perdoa, esquece e ama, e no
futuro, resplandecerás como a estrela da manhã!
Foi quando, assombrados, percebemos que Platão deixava irradiar-se de si
mesmo, um imenso clarão, próprio dos Espíritos Superiores, que iluminava o espaço,
como imenso farol, e no Céu, centenas de Espíritos estacionavam e contemplavam aquela
luminosidade, que iluminava a imensidão, como um cometa. Mas o Sábio, alertado pelo
silêncio que se fez em seguida, começou lentamente a apagar-se e nos pediu,
humildemente, desculpas do fato, como se tivesse, indevidamente, praticado imensa falta.
E meio envergonhado falou:
- Perdoem-me amigos, a minha involuntária invigilância. Não devia ter permitido
isso!
Em face do nosso assombro, pois ainda estávamos estáticos, ensinou:
- Nos planos espirituais, como este, não é permitido, sem ordens superiores,
qualquer exibição de superioridade, que possa humilhar os outros seres. Só a Deus
pertence toda força e poder, e Ele não se exibe!
44
Entrámos. Altino tomou-me paternalmente pelo braço e seguimos Mestre Platão.
Vi que a fisionomia de Platão se modificava, pouco a pouco, e Ele, adquiria feições mais
suaves e elevadas. Parecia-me mais velho e mais respeitável. Disse-nos:
- Hoje, se o Senhor permitir, veremos nosso venerável Irmão Francisco, que
dirige o Portal do Sol. Não se preocupem, em nossa Esfera, vigora o Ensinamento do
Senhor: Como em toda parte do Universo, a humildade é Lei. E os menores, nas regiões
inferiores, aqui são os maiores. O Universo é regido por Leis inflexíveis, por isso, são
chamadas eterna e valem para todos. A Misericórdia sim, é concessão divina e funciona
em casos especiais por decisão de Tribunais ou Juízes Especiais. Em Deus, a justiça
precede o Amor em casos especiais.
Todo perdão verdadeiro, vem cheio de esquecimento das faltas alheias e do amor,
que é sempre misericórdia. A Misericórdia é irmã gémea da Verdade e da Caridade!
Aquelas palavras de Platão, ressoavam em minha alma, com a ressonância da voz
do apóstolo. Qual seria? No cristianismo terreno, Platão precedera Cristo, qual o apóstolo
do Senhor, seria?
Ouvindo, na casa mental, talvez, minhas indagações, respondeu-me o Sábio e
condutor:
-Meu filho, sou apenas e sempre serei, um discípulo de Sócrates e do Senhor!
Surpreendido, senti que, ao mesmo tempo que não respondia, Ele me dava uma lição de
humildade.
45
surpreendentes perfumes que embalsamavam o ar de olente odor. Senti-me invadido por
estranho torpor, que me transportava a maravilhosas paisagens interiores... Como num
filme cinematográfico, passei a ver e a viver cenas de um passado longínquo, que eu
conhecera, que às vezes, não sabia de onde e que identificara apenas porque, algumas
criaturas que conversavam comigo, naquele estado, me lembravam.
Um deles me disse:
- Eu sou António Pio, de Roma, você não se lembra? E este é Marco Aurélio,
nosso Imperador e Filósofo!
A seguir, aproximou-se belíssima jovem, vestida à romana que me saudou,
exclamando:
- Kalicrates, eu sou Fabíola. Lembra-se que eu o conheci e fui sua irmã? Já
estamos quase vencendo as lutas da Terra e apraz-me encontrá-lo, meu grande amigo!
Ainda voltaremos, um dia, a viver juntos como pai e filha, outra vez, se Deus quiser! E
Fabíola, despedindo-se, me abraçou carinhosamente.
Aquele estranho perfume me dominava ainda, quando um jovem de arrebatadora
beleza, me saudou alegremente:
- Olá Kalicrates, quanta alegria em vê-lo aqui! Eu o reconheci logo, e lhe disse
surpreendido:
- Como é que você está aqui Alcebíades?!
- Sei que não mereço, mas a História Humana, não me faz muita justiça. É o que
costumam chamar de "graça". Pela intercessão de Sócrates, me foi permitido estar aqui,
hoje. Incluiu-me ele, hoje, numa viagem de estudos. Falou-me que eu aproveitarei muito,
para a evolução necessária ao meu mais rápido desprendimento, das faixas inferiores!
Foi quando tive a ideia de que ele também fora Óscar Wilde... Aquela ideia
brilhou no momento, em minha mente agitada, e fugiu logo como um pássaro de fogo!
Lembrei-me dos sofrimentos de Wilde, nas prisões de Londres, e como fora maltratado e
desprezado, pelo povo inglês, que o arrojara dos píncaros da glória literária à imundície
das frias luzes da prisão, onde vivera, a pão e água, e a roupa horrível, esfregando o
chão... Debaixo, às vezes, de goteiras de água, completamente nu, sob a vergasta do
vento frio, onde um dia encontrou, as palavras sublimes do Evangelho do Senhor que o
redimiram...
Recordei também de Lázaro, que saíra do túmulo, depois de quatro dias, pela
poderosa vontade de Jesus. E compreendi a razão, ali, da presença de Alcebíades! Mas
tão distraído ficara em minhas meditações que, quando voltei a falar com o jovem Grego,
ele não estava mais! Se perdera entre os convidados! "Não julgueis", dissera o Senhor.
Quem sou eu para julgar? Não se pode julgar ninguém por uma só encarnação! Somos
viajores do infinito! E viajamos da Sombra para a Luz! Eu ainda estava absorto em meus
pensamentos e pensando se Alcebíades não voltara como Wilde, quando Altino, me tocou
amavelmente o braço e murmurou:
-Meu caro, não estou autorizado a lhe dizer se Alcebíades, o jovem e leviano
Grego, amigo, outrora, dos filósofos e dos Artistas, de Atenas, voltou como o Poeta e
Escritor, Óscar Wilde, mas, é tema para meditar, e você sabe que a meditação consciente
é a base para estudos superiores. Há possibilidades. São personalidades semelhantes e
tiveram defeitos e inteligência semelhantes. No estudo das reencarnações, têm-se que
levar em conta primeiro, isso. Alcebíades era uma criatura brilhante e amada por toda a
46
Grécia, pelos grandes e pelos pequenos, porém exibia-se como um pavão e julgava-se
superior a todo mundo!
Mas, inegavelmente, uma inteligência excepcional e uma bondade
inata, sufocada pelo seu excessivo orgulho. Sócrates, tratava-o como um filho, causa,
também, da condenação do Filósofo, pelos cidadãos inconformados de Atenas. Wilde,
reconhecido como um Génio, amado inicialmente pelos ingleses, a princípio os
intelectuais e os ricos, foi depois desprezado pelos nobres e aristocratas, embora
admirado pela classe média. No fim, todos os condenaram por suas leviandades que se
chocavam, de modo geral, com o pensamento e moral da época!
Dando a sua opinião, Altino bateu-me levemente, com um carinhoso tapa nas
costas, e acrescentou:
- Sabe que tem lógica... E poderia ter sido o mesmo Espírito! Não sei não... Mas
vamos entrando mais depressa, que a cerimónia da Segunda Morte já está quase na hora e
Platão está muito na frente.
Olhei e vi que realmente Platão seguia à frente com Apolónio. Subi com Altino e
entrámos no prédio. Caminhámos por largos corredores e chegámos a vasto salão, repleto
de vegetação, diferente das que víramos, por onde viemos no vasto Universo de estranhas
e esquisitas flores e folhas transparentes, de contextura e tecido brilhante e transparente,
que irradiavam e emitiam luzes coloridas de tonalidades desconhecidas, para nossos
olhos. Fugiam da nossa habitual compreensão. Tudo para nós era fantástico e
surpreendente. Víamos entidades espirituais de asas, como grandes pássaros. Altino,
notando nosso espanto, segredou-me:
- São seres superiores, que caminham para a angelitude!
- Mas como — exclamei arrebatadamente —, são anjos?
- Não, ainda não, mas estão no caminho da angelitude.
- E com todas as criaturas, acontece isso?
- Sim, com todas. Os milénios sem fim nos conduzirão até ela! O Universo foi
construído de tais meios, que as leis que nos organizam nos levam, a todos, até aos pés de
Deus e passaremos, todos, pelos mesmos estágios evolutivos. É verdade que alguns
tomam caminhos diferentes e demoram mais do que outros.
Alguns se enredam nas malhas perigosas das reencarnações, difíceis e
problemáticas. Todavia nenhuma ovelha se perderá. O Senhor é o nosso
Pastor! No entanto, a cada um será dado de acordo com as suas obras. E
deveremos buscar a Porta Estreita, que é a Porta da Salvação.
Senti que o Altino, à proporção que falava, se transformava e se iluminava e notei
que, ali, todos eram luminosos e iluminados, por uma luz interior. Vi que a contextura do
tecido perispiritual do Altino exibia milhares de bolas, semelhantes a bolas de vidro, que
fulguravam e irradiavam brilho e irradiações para todos os lados, como se fossem, na
realidade, milhares de diamantes. A face do Espírito resplandecia. Prodigioso fulgor se
refletia naquelas bolas. E admirado, observei que centenas de Espíritos eram iguais a ele,
enquanto número semelhante caminhava no salão.
A luminosidade do Altino penetrava em todo o ser e me lançava num profundo e
doce estado de serenidade. De repente, estaquei surpreendido, quase paralisado e
atemorizado. No centro do salão, uma belíssima figura surgira, de longas asas. Duas de
cada lado do dorso, emparelhadas e transparentes, de brancura lirial.
Altino afagou-me a cabeça e serenou-me, trazendo-me para a minha normalidade.
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- Aquele é um anjo e aquelas asas, são apenas as irradiações do seu perispírito ou
corpo espiritual, depois de ter atravessado a SEGUNDA MORTE.
- Então, aquele é Demócrito?
- Não, aquele é o SUB DIRETOR do Portal. O diretor é Francisco, o
POVERELLO, como ainda gosta de ser chamado. Você o verá! Demócrito, ainda não
passou pela Segunda Morte... Passará ainda hoje. A cerimónia é significativa mas é
simples, muito simples e isenta de dor, qualquer dor! Porém, muito cheia de alegria,
alegria para todos nós!
***
Eu ainda me encontrava dominado por todas aquelas novas e surpreendentes
imagens, quando ressoaram, no recinto, os sons dulcíssimos de trombetas e suave música
celestial, invadiu todas as almas. Profundo silêncio invadiu o imenso salão do Portal e
Espíritos celestiais, voavam sobre nossas cabeças. Sons de harpas misturavam-se às
vozes de criaturas, que cantavam no Infinito. Foi quando caminhou, lentamente, para o
centro do salão, a extraordinária figura de um anjo mais belo que o anterior e
suavemente, saudou:
- A paz do Senhor esteja com todos!
Altino murmurou-me:
- Esse é Francisco, nosso Pai e nosso Amigo, companheiro de Jesus! Contemplei
extasiado a figura majestosa de Francisco e lembrei-me de sua simplicidade, pobreza,
qual mendigo buscando no mundo, os seus irmãos, que procurava salvar e libertar o
mundo e dar-lhe o roteiro da Vida Eterna. Ali, agora, era um gigante, um santo e um
herói. Caminhava na serenidade dos justos e dos bons.
- Aqui é o Céu? — Perguntei ansioso.
- Não! Meu amigo — disse-me o Guia — aqui, é uma etapa no meio das estrelas!
Há ainda, outros lugares de repouso e evolução, na marcha do Espírito, no caminho que
nos leva a Deus.
Demócrito, hoje, alcança, com a Segunda Morte, a Santidade. Missionário da
Ciência, lhe será dada a oportunidade de orientar, com autoridade, o uso da energia
atómica no Mundo, a fim de minorar a situação dos homens, em face de terríveis guerras
que poderão se desencadear sobre a Terra. Espírito de grande e laborioso trabalho e
dedicação, através dos milénios, em favor de todos.
Altino parara de falar, quando Francisco abraçou Demócrito. Uma chuva de
pétalas de flores luminosas, caiu sobre todos; o ambiente e os jardins se iluminaram e
transcendente perfume percorreu o espaço, impregnando o ar. Algumas libélulas voavam
por ali e espíritos, de formas desconhecidas para mim, também volitavam. Vi seres
estranhos, de múltiplas asas, que segundo Altino, eram prodigiosas irradiações daquelas
almas, que pela velocidade das células, pareciam asas. Um ou dois, que me pareciam
super anjos, assistiam Francisco.
- Aqueles são Cherubins, na linguagem dos homens.
- E Francisco, o que é?
- Na realidade, não sabemos! Para nós, ele é Anjo ou Espírito muito adiantado!
Ele custa a aceitar que é anjo, prefere admitir que é filho de Deus e apenas amigo
espiritual de Jesus Cristo!
48
13.A Segunda Morte
Um silêncio maior invadiu, todas as coisas, impregnado por aquele sublime
perfume. Francisco apresentava beleza sem igual. Vozes angelicais elevaram-se e
Francisco, docemente, levou Demócrito para o meio do salão onde, ajoelhado como Jesus
no Horto, começou a orar. Demócrito, humildemente, o seguia e tomados de profundo
silêncio, todos o acompanhavam em pensamento:
- Senhor, que tua glória
- Resplandeça no coração e na mente De nosso Irmão Demócrito,
- Que bem merece
- A vossa sabedoria e o vosso amor! Que ele encontre
- Na Segunda Morte A vossa bondade E beleza
- De uma vida superior!
- Pelo que tem feito pelas criaturas E pelo que fará ainda
- Pela Humanidade.
- Que ele atravesse
- Pelas mãos da Segunda Morte
- Os portais da vida superior E marche para a vida eterna!
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Descíamos vertiginosamente e percebíamos que íamos adquirindo densidade e
corporificando mais. Talvez, tendo lido em minha mente, as novas indagações, Altino
esclareceu:
- Quando se sobe para estas regiões, rarefaz-se e adquire-se mais velocidade e
maior frequência das células, para se ter condições de entrar no Portal. Ou seja, perde-se
densidade e peso. Quando se desce, é o contrário, assimila-se peso e densidade, e a
frequência celular diminui. Alguns Espíritos, de alta envergadura, começam a descer
lentamente e levam, às vezes, séculos para chegar à terra ou a regiões mais baixas. É o
caso de Jesus que, segundo as tradições da Vida Espiritual, gastou quatro mil anos, antes
de chegar à Terra. Cada um de acordo com sua evolução.
- Mas então se involui? Altino riu:
- Não, meu filho, o fulcro ou centro da alma ou da centelha divina, não sofre
qualquer alteração íntima. A evolução é marcha segura e inalterável, depois de atingir ou
conquistar progresso ou altura íntima. O perispírito e os corpos de revestimento, é que
sofrem os embates dilacerantes da própria alma, para o Bem ou para o Mal. A iluminação
não é de graça; é conquista individual dentro das leis de Deus. Deus é Lei. Fez as suas
leis e dentro delas o Ser vive e se transforma.
Excepcionalmente, em casos especiais, funcionaria a Misericórdia, que é perdão
com amor. Aqui também, dentro das Leis de Deus, funciona um certo grau de Livre-
Arbítrio! Caríssimo Kalicrates, você já aprendeu essa lição de Vida Eterna. Lembra-se?
Envergonhado, baixei a cabeça. Altino sorriu:
- Não se preocupe, vivemos sempre a estudar, a meditar, a aprender e reaprender.
Meu amigo, a Vida é Eterna! Com eterna libertação do Espírito.
Altino ainda falava, quando o veículo parou. Fomos informados que dali por
diante desceríamos volitando, pois seria útil para se incorporar mais matéria ao corpo
espiritual. Assim, descemos numa espécie de plataforma, onde já havia outros
estacionados. De instante a instante, chegavam outros veículos diferentes, de formas
diferentes, onde viajavam seres de aspecto estranho, de forma estranha e formas
diferentes.
Notei que Apolónio não dizia nada e se mantinha, só observando. Cada veículo
leva seres de evolução semelhante e que guardam afinidade entre si, certa afinidade. Não
se misturam atabalhoadamente como nos veículos da Terra. Realmente vi, que desceram
dos veículos espaciais, criaturas diferentes, mas que guardavam traços semelhantes.
Altino esclareceu:
- São Espíritos ou Seres de Esferas semelhantes, iguais ou as mesmas.
- E por que você diz que são Espíritos ou Seres?
-Porque muitos, pela Evolução, de simples Espíritos já alcançaram formas mais
adiantadas, mais belas e superiores. Estão em mudança para estado ou condição
diferentes do veículo da alma! Demócrito, por exemplo...
- Demócrito? — Comecei a interrogar.
- Sim, Demócrito, com a Segunda Morte, alcançou estado superior de vida e
agora, durante milénios, lutará de acordo com as Leis Eternas que organizam a todos,
pela conquista gloriosa da Terceira Morte e do Segundo Céu!
Estarrecido contemplei o sublime instrutor que me acompanhava pelo espaço,
quase insondável do Infinito. Seus ensinamentos, também incompreensíveis para mim,
me deixaram tonto e perplexo, pela impossibilidade de compreender tudo de pronto!
50
Todavia, a máquina de voo que aguardávamos, chegara, e fomos entrando e nos
acomodámos entre aqueles Seres desconhecidos, cujo convívio, passávamos a desfrutar
sob o império fantástico de um novo clima, na profundidade do caminho das estrelas.
***
Ao meu lado, uma jovem, de beleza impressionante sorria para mim. Altino
sussurrou-me:
- Kalicrates, esse é um anjo!
Assombrado gaguejei (este seria o modo de dizer o que senti )
- Mas como podemos estar viajando com anjos? Não são os semelhantes que se
atraem?
- Meu filho — está esquecendo que somos convidados, hoje, dos Seres Superiores
do Portal, que por isso, suspenderam, por hoje, todas as proibições e limitações?
O anjo sorriu, mais uma vez, carinhosa e enigmaticamente, e eu senti que
poderosa força partia do seu coração, e atingia o meu, ao mesmo tempo que suave
perfume embalsamava o ambiente. Parecia que também me desprendia, e imagens, como
num filme cinematográfico, ocupavam-me a casa mental e me revelavam novas cenas das
regiões celestiais. Perfeita serenidade dominou-me, enquanto a nave singrava o Espaço
com seus passageiros!
51
Realmente, quando atingimos um grau maior de evolução, compreendemos
claramente o sentido oculto do ensinamento, como se víssemos, através da casca, o coco
por dentro. O sentido oculto salta para fora. A cada grau de evolução, revela os
ensinamentos dessa evolução, ensinados por Espíritos detentores de evolução
correspondente. Por mais que alguém se esforce, não compreenderá senão o ensinamento
que corresponda à sua própria evolução.
Se insistir, entrará em confusão. O seu Espírito só aceita tranquilamente o que
pode assimilar. Aí, seria o caso de dizer: A cada um será dado de acordo com a sua
evolução. "Deus não dá pedra a quem pede pão ".
Meu filho, também não dá entendimento a quem não pode assimilar. E para
evoluir mais, é preciso trabalhar mais em si mesmo.
***
De repente, parámos numa espécie de casas, onde ligeira corrente de água pura ou
elemento semelhante corria ligeiro e os dois amigos espirituais sorveram em copos de
lírios, que brotavam às margens e me ofereceram um cálice. Senti, ao tomar, a leveza do
líquido e a delicadeza do copo de lírio, e imediatamente, penetrou-me o ser, uma estranha
força e a respiração voltou com facilidade. Parecia que, na verdade, respirava por todo o
organismo e comecei a perceber que na realidade, o Espírito respira ou aspira de modo
diferente da maneira como respira nas faixas propriamente da Terra.
Na Crosta ou nas colónias próximas do orbe terrestre, o nariz, em verdade, ali,
servia para conformar a criatura. Características das regiões semelhantes ao nosso mundo
e das galáxias iguais ou pouco acima da nossa. Altino, lendo-me o pensamento,
acrescentou:
- Meu filho, mas além do Portal da luz não é assim!
- Portal da Luz?! — Indaguei respeitosamente.
- Já não lhe falámos do Portal da Luz?
- Bem, não me lembro... Talvez... Altino olhou-me surpreendido:
- É possível, mostra-se tão surpreso! Meu filho, o Portal da Luz, seria como uma
grande marca definindo o Além e o Além do Além. Dá para entender?
Disse que não e ele acrescentou:
- Tomando como base o homem da Terra, depois da sua morte ou primeira morte,
temos o Além, em seguida passa-se pelas Colónias, como Nosso Lar e outras, e
encontramos também, o Umbral e, se se pode dizer, Colónias e departamentos do Umbral
e outras possibilidades de sofrimento e reajustes ou retificações do sofrimento.
Assim como Nosso Lar representa oportunidades superiores de despertamento e
salvamento das almas, esses retiros do Umbral, ao mesmo tempo que causam sofrimento
e dor espiritual como notas ou impressão de condenação, prisão e pena, colaboram para
iniciar ou reiniciar a recuperação do Espírito que começou a cair.
Segue-se evoluindo e passando pelas colónias de características evolutivas as
mais diferentes e pelas colónias cada vez mais belas até atingir o Portal do Sol, onde se
processa a Segunda Morte e vai-se até o Portal da Luz, onde se começa a perder as
características terrestres e passa-se à Angelitude. Ali, sempre estão Jesus e os demais
anjos do Sistema Planetário Terrestre e dos demais Sistemas semelhantes.
Jesus é o grande Espírito do Sistema. Nos outros sistemas planetários e estrelares
do Universo, há outros grandes Espíritos que dirigem e também são chamados Filhos de
Deus. Essas entidades são de tão grande elevação espiritual que a Inteligência, a
52
Evolução e a Sensibilidade do Homem, que atualmente habita a Terra, não pode perceber
ou entender. Não poderá nem aceitar o ANJO como ELE realmente é. Para isso não saem
do cumprimento da Lei de Deus.
53
Fora, na realidade, meu avalista nessas coisas e nunca esperou de mim
retribuição, à altura ou correspondente. Em verdade, sempre me tratou, dando-me mais
do que eu merecia. Por isso, sentia que era mais do que um irmão, era um verdadeiro Pai
e eu ainda não sabia porque tanta dedicação e amor!
Pensava nessas coisas, quando ele me falou:
- Meu filho, um dia saberá. Na Terra é que colocamos o nosso coração, as nossas
lutas, os nossos sofrimentos, as nossas dores e o nosso amor. Na Grécia, e em Roma,
principalmente, se situam a nossa glória e a nossa descendência. Falaremos disso tudo,
um dia!
E dizendo isso, me abraçou carinhosamente. Por nós, passavam veículos
estranhos, conduzindo passageiros, Espíritos que seguiam a rota das Estrelas e buscavam,
na imensidade, os espaços sem fim do Infinito! Nós, contudo, agora íamos, volitando
normalmente, encontrando, aqui e ali, caravanas de Espíritos, que volitavam como nós.
De vez em quando surgiam algumas libélulas, que eu ainda surpreendido, contemplava
muito admirado.
- Nós chegaremos um dia a ser libélulas? — Indaguei.
Altino, humildemente, respondeu:
- Chegaremos, meu filho. Chegaremos.
Foi quando percebi que cometera uma indelicadeza: e ele, já não teria sido ou
passara por aquela fase?...
Ele não disse nada, apenas sorriu...
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devem sofrer e sacrificar-se, os Espíritos Superiores, para irem ao Mundo e aí
permanecer!
Altino bateu amigavelmente no ombro, dizendo:
- Realmente, isso é verdade, mas por amor às criaturas a que estão ligados ou à
Humanidade. É dever e retribuição ao amor, que Jesus e os Grandes Espíritos, deram
sempre a todos nós. Cada ser se liga a outros seres vibratoriamente, e cada um emite
vibrações que podem ser, de amor ou de ódio, de Bem ou de Mal.
Quem recebe, cresce em amor ou sucumbe pelo ódio, ou desprezo, pelo não se
interiorizar com essas forças. Depende dele mesmo receber ou não.
Sintonizamos por afinidade e nós criamos em nós mesmos, pelo que somos, o
Bem ou Mal. Por isso, Jesus ensinou: ..."A cada um segundo as suas obras".
Não retribuir o Bem com o Mal, é uma Lei geral que, quem quer um dia ver a
Deus, deve observar.
É preciso cultivar, a cada instante, o Bem no próprio coração, para que Deus
habite no Templo e no Santuário da nossa alma. Façamos do Senhor o nosso Pastor e não
sofreremos. Lembra-se de David? Então faremos assim e viveremos na Vida Eterna.
Fiquei pensando nas palavras e pensamentos de Altino, que me lembram o Rei
David e Jesus Cristo!
"O Senhor é meu Pastor e nada me faltará! Ainda que eu andasse
Pelo vale da Sombra e da Morte Nada temeria, Senhor,
Porque, tu estás comigo!"
O Rei David fora um poderoso médium e profeta e sabiamente cantou as suas
canções de amor a Deus que atravessaram os séculos! Vivera para Deus e para os
Homens e com Jesus, estará connosco até o final dos tempos.
19. Na Terra
Descíamos velozmente, e a terra se aproximava depressa. A atmosfera, agora se
tornara para nós, sufocante. Para os Espíritos que encontrávamos no caminho, em menor
escala ou grau.
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Planeta. É portanto, influência vibratória sobre os habitantes do Planeta. É
portanto, influência dupla, daqui para lá e de lá para cá.
Os Seres, em todo o Universo, influenciam-se uns aos outros! Não disse
Francisco: "É dando que se recebe?" E não ensinou Jesus: "Amai-vos uns aos outros?" A
única maneira de a criatura mudar-se a si mesma e também, a sua vibração e o seu
colorido, é adquirindo e recebendo o AMOR, ser feliz e fazer os outros felizes, ou pelo
menos, começar a fugir do mal. O mal, na realidade, se instala naqueles que, embora não
pareça, no inconsciente ou no fundo do coração, amam o Mal.
Aliás, a criatura humana, inconscientemente ama o Mal e anseia pelo perigo. Daí
ser necessário, em prosa e verso, como dizem os poetas, a necessidade de repetir o Bem e
a urgente necessidade de praticar e viver o Bem. Como vê, no Mundo espiritual, a nossa
vibração que nos dá o colorido, denuncia também a nossa condição, inferior ou superior.
Mas não é só esse o meio de identificação. Há outros, muitos outros... E o Altino sorriu.
Contudo, prosseguimos descendo.
O Departamento chamado de, Umbral, era outra área que dominava. Deste, ouviam-se
gritos lancinantes que, às vezes, atingiam os ouvidos dos que passavam na Estrada dos
Mensageiros, a Caminho das Estrelas. Pensamento dominado pelas recordações do Portal
do Sol, perguntei ao Altino:
- Meu bom Altino, gostaria de receber e entender alguma coisa do que vi e ouvi
no Portal do Sol, é possível?
- Alguma coisa sim, me será permitido informar, pergunte.
- Tudo lá me pareceu maravilhoso, perfeito, lindo. Lá é o Céu?
- Não, lá não é o Céu, você já sabe disso, não é? Onde se reunirem os bons, é o
Céu. Onde estiverem os maus, é o Inferno! Isso como área, localização... Céu, Inferno e
Purgatório são estados de Espírito e estão na mente, na consciência e no coração da
criatura. Representam essa condição ou situação interior.
Por isso, devemos tomar muito cuidado com o que praticamos ou fazemos: nossos
pensamentos, atos e ações em todas as vidas, porque as recordações guardadas em nosso
inconsciente espiritual, ressurgirão de vez em quando com intensidade, constituindo o
nosso Inferno ou o nosso Céu interiores. Cada um constrói em si mesmo, o seu Céu ou o
seu Inferno e neles, viverá!
O Portal do Sol não é o Céu Interior que cada um traz dentro de si mesmo,
mas pode ser comparado a um Céu Exterior localizado, onde estiverem os justos ou os
justificados e os Espíritos, em maior ou menor grau, de adiantado e evolução. O lugar,
onde Paulo esteve, em seu desprendimento ou em sua visão, que chamou de Terceiro
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Céu, não foi lá. Nós acreditamos que foi no PORTAL DA LUZ, mais acima, distando,
mais ou menos, um milhão de "ANOS-LUZ DE EVOLUÇÃO".
Altino calou-se e eu fiquei pensando...
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Notei que o semblante do Espírito se entristeceu e uma lágrima rolou de seus
olhos, dizendo:
- Não sofra, meu filho... Nem repare, vi o Senhor morrer na Cruz em Jerusalém!...
Ouvindo-o, compreendi o que me esperava!
Difíceis e ásperos são os caminhos do mundo! Vivemos no mundo, sempre em
tribulações! Se o Cristo morreu na Cruz e foi perseguido pelos homens, o que poderemos
esperar? Assim lamentara e ensinara Paulo. Na Terra, o caminho da evolução será, ainda
por muitos séculos, um caminho de dores, mas também de glórias espirituais! É preciso
viver e sofrer!
A ressurreição no espírito se processa entre dores, sofrimentos e incompreensões.
Óscar Wilde, preso, exclamara: "Sofrer é um longuíssimo momento!" É o parto do
Espírito. Só nas Esferas Superiores estaremos livres das dores, embora o Espírito sofra
por compaixão e amor aos que ainda permanecem nas trevas da ignorância e do mal!
***
As palavras do instrutor, haviam-me conduzido a profundas meditações! Minha
alma, mergulhara no interior de si mesma, como um peixe no oceano. Todavia,
continuávamos descendo. À distância, víamos muitos Espíritos na Estrada dos
Mensageiros, uns descendo e outros subindo. Os mais variados tipos evolutivos e das
mais variadas cores, a maioria, sérios e compenetrados. Algumas caravanas voltavam
buscando os caminhos da Terra. À frente deles, ia sempre um Espírito mais adiantado.
Sabíamos pela cor. Geralmente, verde ou rosa. Foi quando, surpreendido, percebi que eu
também irradiava luz rosa.
Altino sorriu para mim:
- Nunca tinha notado isso, meu filho? Você também é um Espírito! Fiquei
envergonhado. Nunca pensara que irradiava qualquer luz, mas uma ideia me acudiu:
- Não será consequência da sua presença? Altino sorriu mais uma vez e disse:
- Não seja tão humilde assim, meu filho, aqui é diferente do Mundo! Somos o que
somos, acima e abaixo de nós, há muitos Espíritos. A Terra é o lugar onde as criaturas se
enganam a si mesmas e parecem ser. Iludem-se, fingindo-se que são o que são.
Orgulho, simples orgulho! Aqui estamos no mundo da realidade, os monstros são
monstros e os anjos são anjos! Aplica-se integral e rigorosamente a palavra de Cristo: "A
CADA UM SEGUNDO AS SUAS OBRAS". Por isso, viver bem é necessário... "Vê se a
luz que tens em ti, não são trevas". Também palavras do Senhor. No Evangelho deixou
tudo, é questão de ter olhos para ver e ouvidos para ouvir e nós acrescentaríamos: e
entendimento para compreender. Cada um tem em si mesmo, luz e sombra. E essa luz e
sombra, nos acompanharão em todas as horas de nossa vida, até que sejamos apenas luz!
23. Meditando
Contemplando o pomar e as frutas pendentes das árvores, espalhadas por toda a
parte, meditava sobre a semelhança com os frutos terrestres, muito admirado com a quase
igualdade, existente. Muitas vezes já observara, mas nunca tivera uma explicação de um
instrutor, mais elevado. Mas o Altino percebeu-me a indagação porque logo, falou:
- Meu caro Kalicrates, de um plano ou de uma Esfera a outra, que se segue
imediatamente acima, não há muita diferença, são quase iguais, por exemplo, do plano 1
para o 2, tudo é quase igual, porém, se estudarmos ou observarmos do plano 1 comparado
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com o 100, com o 200, com o 500, com o 1000 etc... etc a diferença é imensa, das
habitações, das moradias, dos objetos e até do modo de vida...
Isso porque, se houvesse muita diferença, como já lhe falei antes, os recém-
desencarnados, sentiriam um abalo tão grande que ficariam perturbados ou loucos! Tudo
no Universo é gradativo, as mudanças completas e bruscas são raras... Existem, mas são
raras... A Natureza não dá saltos, lembra-se do Ensinamento, lá da Terra?!
Permaneci meditativo. Compreendi que, as leis de Deus, que governam o
Universo, são realmente sábias e perfeitas. A distância entre a Inteligência Divina e a
Humana, não tem limites. Deus legisla muito além da percepção humana. Nos planos,
onde os Espíritos vivem e vagueiam, ainda não há possibilidades de ver a Deus! Embora
os mais adiantados tenham alcançado, o que para eles já é Luz, é apenas uma espécie de
luz ou apenas uma espécie de sombra e os seres, que aí habitam, são seres que já estão
assumindo formas, atitudes e hábitos de vida diferentes. Já se transformaram em direção
à Unidade, através da diversidade e da variedade.
Altino sorriu, bateu-me nas costas levemente e comandou:
Prossigamos, já que a Lei nos manda prosseguir, com Jesus. E assim, fomos
descendo.
***
Minha mente, no entanto, fervilhava de estranhos pensamentos. Viajara, através
do pensamento, conduzido por um veículo que era eu mesmo e, às 60 vezes, dentro de
uma nave espacial, de forma e proporções que o Mundo terrestre, ainda não conhece,
para Esferas Longínquas Ou não? Seriam aqui mesmo?
Ouvindo-me o pensamento, Altino logo correu em meu auxílio:
Meu amigo, calma, vamos com calma e você, aos poucos, entenderá. A criatura
espiritual viaja dentro de si mesma e também consigo mesma. Os pensamentos são
produto da sua atividade mental e andam de mente em mente, são seres vivos depois de
gerados pela mente e facilmente captados por mentes afins. Nelas se agasalham e aí
podem viver. E daí podem sair para outra mente.
Manter-se proprietário deles para sempre, é impossível. Assim, viaja-se pelo
pensamento ou através do perispírito. Como se vai de um país a outro, vai de uma Esfera
a outra. Em verdade, dentro do perispírito, estivemos física e espiritualmente no Portal do
Sol, que é próximo do Terceiro Céu de que fala Paulo, o Apóstolo...
Entendeu agora? E, os grandes Seres, as figuras estranhas e diferentes que você
viu, são reais. É lógico que vimos apenas superficialmente, e apenas a Cerimónia, mas
vimos o Portal, não em profundidade... Mas vimos! Se voltaremos lá? Não sei... Depende
de Ordens Superiores. Se recebermos, voltaremos.
***
A Terra, que estava muito vermelha, se tornara e começara a escurecer.
Mergulhámos nela para retornar às regiões onde habitávamos, com a esperança de um dia
rever o vasto Mundo do PORTAL. Visão perdida no Infinito, contemplámos a Lua Cheia
que muda, lembrava a maravilhosa presença de Deus.
20/08/88
Ranieri Ovo Azul
R. A. Ranieri
59
Nas Regiões Desconhecidas do Espírito
A Segunda Morte
Parte III
13.06.87
"Ovo Azul"
1 - Meditando Ainda
A Segunda Morte não saia do meu pensamento, como uma obsessão. Ia e voltava.
Borboleta insistente que volteava sobre a minha mente e tentava invadir-me a casa
mental.
Altino, carinhosamente, aconselhou-me:
- Não se preocupe, meu filho, quem falou na Segunda Morte foi Jesus Cristo e as
palavras do Senhor, não passarão nunca! Ele mesmo disse isso: "Passarão os Céus e a
Terra, mas as minhas palavras não passarão".
Sei, Kalicrates, que os homens da Terra se surpreenderão. No entanto, você
assistiu à Cerimónia da Segunda Morte em dois tempos, no plano inferior, quando a
identidade do Ser se desfaz, para renascer em centenas de outros e, quando pelo
aprimoramento no Plano Superior, adquire forma Superior, mais apurada, e marcha para
uma vida mais elevada. Os seres evoluem sempre e crescem em si mesmo. Na realidade,
nascemos como seres espirituais incompletos. À proporção que evoluímos, vamos
desenvolvendo novos órgãos e criando um novo organismo:
- Então não somos completos?
- Não, não somos. Crescer para Deus é uma verdade incontestável! Crescemos em
nós mesmos e conquistamos novas percepções espirituais. No Cosmo, cada um nasce, se
desenvolve, cresce e avança ao encontro da Consciência Divina. Deus vive em nós e nós
vivemos em Deus, segundo a Palavra de Paulo. A Segunda Morte, verdadeiramente, é
uma forma de vida. Em Deus, tudo é Vida e Eternidade. A morte é apenas o nome da
Transformação Eterna.
Por isso, Sócrates tinha razão quando disse: “conhece-te a ti mesmo”. Estuda-te e
trabalha no interior da tua alma! Disso, não fugiremos. Também, por isso, bom é que nos
aproximemos dos Santos e com eles convivamos, principalmente em pensamento.
Assimilamos o seu modo de pensar e de viver! É vivendo que crescemos para Deus! É
preciso viver os ensinamentos dos Mestres, não basta apenas conhecê-los, decorando-lhes
os termos.
60
A Palavra é morta, só o Espírito é vivo!
É preciso viver! "Tomai e comei, este é o meu corpo! Tomai e bebei esta é a
minha alma"! Estas são palavras do Mestre. Simbolizou no vinho e no pão os
ensinamentos, dizendo com isso, que deveríamos assimilá-los, incorporá-los ao nosso
organismo espiritual e vivê-los como se fossem, nós mesmos! Seriam, dali por diante, na
realidade, a nossa carne e o nosso sangue. O verbo se fez carne e viveu entre nós! Assim
quis o Senhor que fosse a sua Doutrina, entre os homens! "A Segunda Morte é o primeiro
sinal maior da renovação Espiritual no caminho dos Espíritos, que fazem a sua Evolução
nos caminhos da Terra". Dos nascidos de Mulher, Ele é o maior, mas no Reino dos Céus,
Ele é um dos menores!", não foram essas, as palavras de Jesus a respeito de João?
A Segunda Morte, nos Planos Inferiores, porém, é uma espécie de explosão
atómica! O Espírito cai em si mesmo, cai mais e vai caindo sempre, se retraindo e
contraindo, egoisticamente, até que explode! Como, em sua intimidade é uma centelha
divina, não deixa de existir como centelha divina e eterna, mas desaparece como
identidade, ou seja, como criatura personalizada e volta à ignorância do princípio.
Entendeu?
Sacudi a cabeça e disse:
- Meu caro Altino, compreendi mas não entendi... Altino riu, abraçou-me e falou:
- Um dia entenderá. “O tempo, é o tesouro do homem”, disse Emanuel, e
podemos acrescentar: O TEMPO É O TESOURO DO SER!
***
Admirado, contemplava o orientador Altino, que nos caminhos da Terra me
explicava as coisas do Céu, e que eu, dificilmente entenderia, contudo, ia raciocinando
com aquelas novas informações. Agora, eu já compreendia que, adquirir o Conhecimento
e o Amor, era uma longa jornada dentro de nós mesmos. Cada um, no momento em que
nasce o Espírito, inicia o seu trabalho de evolução ou então estaciona no tempo,
permanece na ignorância ou se perde em si mesmo e começa a cair em si mesmo, no
próprio interior de sua alma. Tem tudo para subir ou descer, crescer ou estacionar, viver
ou morrer, e até desaparecer, como individualidade.
Esses ensinamentos novos abriam meus olhos, para uma compreensão maior das
coisas do Infinito. Minha visão dilatava-se diante da Vida Imortal e do Cosmo Interior!
Começava, de certa forma, a ver Deus em mim mesmo! Ouvi de novo a voz de
Sócrates: "Conhece-te ti mesmo", na Praça do Mercado de Atenas! Ressoava em meu
íntimo e me lembrava como Deus, em Sua Sabedoria, alertava-nos, de tempos a tempos, e
de milénios a milénios, através de seus grandes Mensageiros, o caminho a Seguir, porém,
as almas e os seres, em sua milenar ignorância, teimavam em não entender!
***
Pensava eu nessas coisas, quando ouvi a voz de Altino, ressoar no interior de
minha casa mental:
- A morte só existe como transformação, é, na realidade, quase uma ficção! Não
existe morte eterna! O ser é anulado ou se anula a si mesmo! As leis da vida não aceitam
a inércia, pois a inércia é estacionamento e paralisia, e paralisia assemelha a morte.
Estacionar é morrer! Vida é movimento! Em Deus tudo trabalha e vive, vive e existe!
Quando tudo cessa, o ser começa a morrer.
O que chamamos de morte, na Terra, não é mais do que, para o ser humano, uma
das primeiras transformações. Tudo que existe é vida eterna com eterna transformação. A
61
Segunda Morte, de que falamos agora, no cumprimento da Palavra do Senhor, é para o
homem terrestre, a seguir, assimilada numa série infinita de transformações por que passa
o ser, no extenso processo evolutivo, que conduz a Deus que lhe deu a Vida Eterna.
***
As palavras do Altino, caiam em minha alma, com a sonoridade do princípio,
como orvalho da madrugada sobre a pétala da rosa recém-nascida! Meu coração batia
acelerado e eu sentia renovar-se, em mim, as esperanças sublimes do eterno amor e da
eterna justiça! Naquela hora Deus vivia em mim e eu vivia em Deus, calmo e sereno, sem
articular palavra ou pensamento. E quedei-me extático invadido por uma alegria Superior
e Eterna!
- Meu filho e meu amigo — esclareceu ainda o Grande Espírito —, a morte, que
simboliza a paralisação eterna, só existe na imaginação do Homem, o Espírito, que não
passa por mais transformações, compreende logo que os corpos que usa, sejam físicos ou
espirituais, são maquinismos vivos que estão permanentemente em movimento, e a
atividade permanente, é a expressão de todas as coisas do Universo. Nada é extático. A
vida se manifesta em atividade permanente e eternamente se transforma.
Os seres no Universo imenso são a manifestação da vida de Deus. Por isso, razão
tinha o Apóstolo quando afirmava que, tudo e todos, estavam em Deus, nele viviam, se
moviam e existiam. Nós estamos em Deus e em verdade, por isso, disse Jesus: "Vós sois
deuses". Evidentemente, deuses, por sermos uma centelha divina e pela imortalidade...
Mas apesar disso, precisamos, através dos milénios, conquistar a glória de com o Senhor,
ser Um com o Pai...
Altino falou e eu pude ver duas lágrimas de emoção espiritual em seus olhos, e
percebi, que imensa onda de safirina luz se irradiava de seu coração...
***
Atravessámos a noite avermelhada e cinzenta e começávamos a divisar o sol, que
nascia devagar na linha do horizonte da Terra... E já nos aproximávamos lentamente
como dois pássaros erradios. Sentíamos agora a opressão da atmosfera do mundo,
carregada de estranhas vibrações.
***
A volta era, realmente, sofrida e dolorosa. Não havia aqui, a leveza das regiões
superiores do Espírito e Altino esclareceu:
- Necessário é que o Espírito, primeiro se espiritualize, e suba dentro de si
mesmo, e isto, Deus permite a todo Espírito. Cada um, assim, se torna obra de si mesmo e
trabalha no interior da própria alma. Concede-lhe a Misericórdia Divina os instrumentos
de que necessita: a possibilidade de manter a consciência reta desde que o queira.
A vigilância constante para não se desviar da Lei; o anseio de evoluir e o amor
desperto, por si e por todos os outros seres, fazendo de cada um, um irmão de toda a parte
e mais alguns instrumentos, aceleram a máquina espiritual que é o Espírito. Crescer ou
estacionar em si mesmo é problema de cada um, direito de todos! No Universal concerto
da vida cósmica, cada um representa um instrumento musical que, no entanto, será a
glória da música toda, em conjunto...
***
Íamos lentamente descendo e sentindo a diferença dos ambientes, quando pensei:
Seria o Portal do Sol, aquilo que comumente se chama de Céu?
Altino, mansamente sorriu:
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- Não Kalicrates, não, não é o Céu do Catolicismo ou do Protestantismo. Mas é
uma região de Paz do Espírito... Lembra-se? Onde se reunirem os bons aí será o Céu e
onde se reunirem os maus, aí será o Inferno. Céu e Inferno, vamos repetir, para gravar,
cada um traz dentro de si mesmo. É construção interior de cada um. A reunião de muitos
bons, forma uma Zona de Paz e aí, será um Céu, numa zona de vibrações de ódio, dor e
maldade, aí, será o Inferno!
Onde permanecermos com nosso clima de paz ou de ódio, serão o nosso Céu ou o
nosso Inferno localizado. Céu e Inferno, levamos connosco dentro da alma e trabalhamos
na sua construção, a cada dia, hora, minuto e instante! Não nos esqueçamos: "cada um é o
construtor de si mesmo, dentro da Misericórdia Divina!"
Ouvindo a palavra sábia do Espírito, quedei-me no silêncio da minha alma!
***
Súbito, vimos alguns Espíritos, que nos pareciam amigos, que se aproximavam,
vindos da Terra.
Sentindo-me, talvez, a inquietação, Altino, murmurou:
- Não se preocupe, meu filho, são amigos. Na realidade, estamos numa região de
vibrações pesadas, que é a região da Terra, mas Deus está connosco! Tenhamos fé e
coragem!
Compreendi que havia uma informação secreta naquelas palavras. Por que dissera
o Altino, aquilo?
Os Espíritos aproximaram-se e interrogaram veementes:
- Vocês, o que fazem nestas regiões? Não são Guias? Apesar da agressividade das
palavras, Altino respondeu:
- Queridos Irmãos e amigos, estamos retornando de uma excursão espiritual, por
ordem de Mensageiros!...
- Eu sei! — Disse um daqueles espíritos, de fisionomia agressiva. Por acaso,
vocês voltam do Céu?
- Como sabe, meu irmão?
- Porque essa é a estrada que vem das colónias mais altas, segundo consta! Por
aqui passam todos os que buscam o Paraíso! Por acaso, vocês não são anjos, do Paraíso?
Altino percebeu a zombaria porque respondeu novamente:
- Não somos anjos do Paraíso, porque, para Deus e o Cordeiro, a Lei é uma só e
todos podem visitar ou viver no mesmo lugar!
O outro, um tanto despeitado, perguntou:
- E como posso fazer isso?
- Dedicando-se a você mesmo, mudando o modo de pensar e de agir!
- Já entendi, você quer que aceitemos as ideias do Cordeiro?
- Não sei quais são as suas atuais ideias, mas sei que esta Estrada, é a Estrada do
Bem, e só por ela, se vai para o Paraíso! A outra, é a estrada do Dragão, que conduz ao
ABISMO e ao Império dos Dragões! A cada um é dado o Direito de escolher!
- Mas nós não queremos seguir o Cordeiro nem os filhos do Cordeiro!
- Eu sei — disse Altino —, vocês têm o Livre-Arbítrio e vão para onde quiserem.
Não são obrigados a tomar esta ou aquela estrada! A cada um segundo as suas obras...
Essa é a lei...
***
Vi logo que aqueles Espíritos não eram amigos, como pensei à primeira vista...
63
- Não, meu filho — esclareceu o grande amigo que me conduzia —. Nas regiões
da Terra, infelizmente, reina a hipocrisia e a maldade, o mal e a deslealdade, mesmo entre
os que mais parecem amigos. A nós compete distinguir o Bem do Mal. Nos pequenos
gestos e nos atos menores, se identificam com mais frequência as falhas dos que,
connosco, convivem.
Contudo, devemos compreender, fingir que não vemos, perdoar e esquecer, mas
sempre que possível, orientar para o Bem, pois Jesus disse à mulher pecadora: “Vai e não
peques mais”! Ela, apesar de perdoada, não ficou sem orientação para o futuro!
Sábias eram as palavras do ALTINO, e sobre isso fiquei meditando.
2 - Novos Seres
Mergulhados na atmosfera terrestre, nossa caminhada seguia ao encontro da
Superfície, cada vez mais escura!
Realmente, a visita ao Portal do Sol, me impressionara muito e sentia, de fato, que
retornara do Paraíso, há séculos, decantado pela Humanidade e pelos grandes Poetas do
Mundo e Escritores. No entanto, nenhuma descrição humana igualava a realidade. Era
indescritível! Ali encontrara criaturas diferentes com características novas. A descrição
ou a menção dos Livros Superiores, não bastavam para dar uma ideia precisa da realidade
espiritual, o fato de os Espíritos e os grandes médiuns usarem uma linguagem simbólica,
no Plano Espiritual Superior, as vibrações e as irradiações representavam muito ou quase
tudo!
Evidentemente, na natureza, tudo se transforma e vive. Adquirindo novos órgãos,
adquirem nova forma de expressão e manifestação, que o ser inferior não possui. O
Universo ostenta milhares e milhões de seres diversificados. Conforme o ambiente, assim
serão os seres que o habitam. Surpreenderam-me, a princípio, as libélulas.
Altino também me surpreendera com as meditações, porque disse:
- Compreendo as suas surpresas, que considero naturais. Contudo, devemos nos
habituar com a ideia de que a Evolução, é transformação sob o impulso do pensamento e
do desejo de mudar para o Bem na criatura, que atinge o Reino Hominal. Aceitando e
vivendo essa ideia, mais fácil se torna compreender e transformar-se. A substituição dos
pensamentos, maus pelos bons, areja a casa mental e promove a transformação interior de
todo o organismo espiritual ou perispiritual. Nas zonas do pensamento comum, a
substituição do modo errado de pensar pelo Bem, é tudo.
Aí é que começa a vida nova e uma nova vida. As percepções se ampliam e o
organismo adquire nova frequência vibratória e se renova! Na casa mental está o motor
que aciona a vida!
- Altino, — perguntei um tanto inibido —, e os seres com asas que encontrámos,
o que é aquilo?
O Espírito contemplou-me com ar compadecido e ensinou:
- Meu caro Kalicrates, essas figuras, já são conhecidas, desde a Antiguidade! Os
antigos já falavam delas; a Bíblia cita-as; o Apocalipse faz referência a algumas delas, os
livros sagrados dos Egípcios e dos Hindus...
Naturalmente usam nomes diferentes mas sempre falam delas. A Mitologia
também, de certa forma, alude à sua existência. Nas legendas de São Francisco,
especialmente nos "I FIORETTI" conta-se o caso dos estigmas, e ali, aparece Jesus
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Cristo, que aparece como um Serafim. Você, por aí, vê que não contamos nada de novo.
Disse Salomão, que não há nada de novo debaixo do sol... E é verdade...
- Bem — acrescentei —, mas o que me preocupa é se um dia seremos mesmo um
deles.
- Seremos. A Evolução é Lei e será executada por todos, assim é o Universo. E o
Universo é obra de Deus que, na realidade, é Deus em todo o vigor da sua existência!
Houve até um filósofo que disse: "O UNIVERSO É O CORPO ESTRUTURAL DE
DEUS". É na verdade, apenas um pensamento, de um grande Pensador, mas exprime bem
a ideia de Deus e do Universo. Os seres vivos espirituais evoluem através das formas, em
demanda do Infinito do tempo. Poderemos dizer mesmo: Tempo e Eternidade mantêm e
conduzem o Espírito que só é eterno, dentro deles.
O amor une os seres com a ajuda do Tempo, que se torna eterno. Bem e Mal se
dissolvem na engrenagem do tempo e se encontram um dia, na alegria da Eternidade. Ser
e não ser, são duas aparências de uma mesma coisa. A Imortalidade não é mais do que
Deus em nós. E Deus em nós é a vitória do Amor na chegada final de Tempo e
Eternidade.
Altino brilhava em todo o poder de sua grandeza espiritual e notei que quando
falava de Deus, se transformava, e tinha eu a impressão de que, lhe via asas sobrenaturais
que brilhavam intensamente.
***
- Sim, meu filho — continuou Altino —, a intensidade das vibrações do próprio
Ser, por evolução, seguindo um plano espiritual divino, se articula em asas
e parecem asas! A libélula é uma primeira fase nesse campo e o Espírito saindo da
animalidade, começa a se transformar.
Tão surpreso fiquei que Altino, carinhosamente, me esclareceu:
- Ninguém cresce, mesmo espiritualmente, de qualquer maneira. A Natureza é
Universal, não é particularizada. Deus está em tudo e em todo lugar. Os seres crescem e
vivem segundo uma programação divina. Assim, as formas não se modificam de modo
brusco, elas se transformam lentamente no correr dos séculos e dos milénios. Ninguém se
transforma em anjo, da noite para o dia, mas se transforma segundo a Lei de Evolução.
O modo de pensar, de ser e de viver aceleram e determinam a transformação da
forma. O ser é que se espiritualiza e cresce, com a tendência que refletem os seus ideais,
para cima e para o alto o sentimento de liberar-se, o que lhe desperta vibrações, que
semelham asas. Sei que você não entenderá, mas sei também que ficará gravado em sua
memória integral. Ninguém estaciona na ascensão espiritual, podendo, no entanto,
estacionar se não quiser melhorar. É como um motor que não parasse sozinho. Mas pode
ser parado. O Livre-Arbítrio, concessão divina é lei que equilibra o Universo.
Querer e não querer estão impressos na consciência do ser. As leis divinas não
trazem em si a marca da violência. A violência é apenas desequilíbrio, e desequilíbrio, é
morte e estacionamento espiritual... O mecanismo da alma pára, quando somos invadidos
pelo desequilíbrio. Na realidade, o mal é também somente estacionamento e
desequilíbrio. Evoluir é, em verdade, equilibrar-se em si mesmo. A busca do equilíbrio e
consegui-lo é evoluir e crescer para Deus, porque Deus é o Centro Universal do
Equilíbrio. Equilíbrio é o Bem e Desequilíbrio é o Mal, e a origem de todos os males.
***
65
Altino cessou de falar e eu o contemplei extático, sentindo que, realmente, ele era
uma fonte suave de sabedoria, de onde jorrava, silenciosamente, a água pura e sublime do
amor e da verdade; compreendi, também, que equilíbrio era amor, compreensão e
entendimento. E vi que a Esfera Suprema criava na criatura a serenidade e a paz.
Eu ainda estava dominado pelas imagens do PORTAL e por tudo o que vira e que
me acontecera, que não conseguia afastar o pensamento daquela colónia, dos Espíritos e
de tudo o que vira lá. O Irmão Francisco, que recebera Einstein, e que o conduzira à
Segunda Morte e presidira à cerimónia, desfilava em minha mente, com insistência
irresistível! Aquelas criaturas luminosas, o perfume que invadira a todos e as belíssimas
flores de intenso brilho e beleza, que se espalhavam pelo imenso jardim! Tudo era
profundamente, tão belo e sobrenatural, como num conto de fadas!
E todos nós, um dia, seríamos assim?!
- Seremos — acrescentou Altino -, essa é a Lei da Evolução. Somos partículas de
Deus, que d’Ele nascemos e que a Ele voltaremos, depois de peregrinar pelos caminhos
ásperos e difíceis da Imperfeição e do Mal!
- Mas por que isso?
- Tal é a lei. De Mundo em Mundo e de forma em forma, nascendo e renascendo,
entrelaçados com os demais seres das Trevas para a luz, através do Mal voltaremos ao
Bem, engrandecidos e iluminados!
3 - Seres Inferiores
À proporção que avançávamos, íamos encontrando pelo caminho, criaturas menos
belas e mais materializadas, profundamente diferentes dos lugares que percorríamos.
Fisionomias que, naturalmente, já conhecíamos.
Em todos os caminhos, estradas e rotas, encontram-se seres diferentes e
diferenciados, mas à aproximação de orbes, como a Terra, proliferam e perambulam os
seres inferiores, e estes, tendem mais para o feio do que para o belo. O pensamento
Superior forja formas belas, ao passo que o pensamento Inferior modela formas cada vez
mais feias, até atingir o horrível, conduzindo a criatura, para os desvãos das trevas mais
densas. Cabe ao Espírito, sentir em si mesmo, os anseios do Bem e da Beleza, da
Perfeição e do Sublime, conquistando os veículos de linhas dinâmicas e aéreas, que o
levam ao Infinito!
O feio e o horrível, no ser, é resultado da sua permanência no Mal, e o Belo é
conquista da alma, que cada vez mais se espiritualiza. Subimos ou descemos dentro de
nós mesmos, consciente ou inconscientemente, conforme manifestação de nossa vontade,
oculta ou não. Você já ouviu isso, não é Kalicrates? — Perguntou Altino, encimando suas
maravilhosas e sábias palavras.
***
A atmosfera, mais se escurecia. Aos Espíritos mais adiantados, porém, era fácil
ver. À sua visão, viam tudo. Embora imperfeito, em relação às Altas Esferas, ali, eu
também via. Naturalmente, Altino, mais do que eu. Assim, passou um magote de
espíritos maus, que logo nos assediaram, dizendo impropérios e zombarias:
- Então, vocês visitam as sombras e vêm do céu? Infelizes adoradores do
Cordeiro! Um dia libertaremos o Dragão e ele nos protegerá. E levantavam os punhos em
desafio. Deles, partiam bolas negras como se atirassem pedras.
66
Altino, com certeza, poderia revidar se quisesse, com vibrações e jatos de luz,
mas não o fez. Admirei-lhe a humildade. Compreendendo meu pensamento, o grande
Espírito sorriu e esclareceu:
- Não é revidando agressões físicas ou verbais que crescemos diante de Deus.
Suportar e perdoar é desenvolver qualidades superiores, que jazem no coração como
pássaros mortos.
Entendi a lição e prosseguimos.
***
Por aquelas regiões fomos encontrando dezenas de espíritos, de aspecto mau e de
fisionomias feias ou más, que irradiavam vibrações repelentes e horríveis, que causavam
mal-estar. Recebíamos ondas de estranhas vibrações, como as ondas de um mar pestilento
e de péssimo odor. Tudo muito ao contrário do Portal, onde só havia luzes, cores e
perfumes. Aqui, a coloração era sombria e tudo escuro. Lá, havia claridade, luz e
colorido.
A suavidade era o clima permanente. Ao contrário, enfrentávamos agora, forças
do mal e irradiações de temor. Os Espíritos aqui eram mal-encarados e maltrapilhos!
Região de tristeza e sombra, e nós viajávamos para a Terra! Comecei a sentir pena dos
homens. Foi quando avistámos um grupo de três, que comandavam um grupo maior de
aspecto tenebroso.
- Para onde vão? — Perguntei.
- Para a Itália.
- Fazer o quê?
- Insistir com Mussolini e seus adeptos para colaborarem na deflagração da 3ª
Guerra, para a confusão dos homens e destruição do Mundo!
***
Altino, talvez, aproveitando o assunto, explicou:
- Na superfície, existem muitos espíritos que vêm do Abismo e dos Sub-Abismos,
para promover desordem no Mundo, instigam os governantes a fazer guerras de modo a
estabelecer a perturbação geral no Mundo. Outros, estimulam os ladrões e assassinos a
fazer o mal. Na realidade, ninguém está só. Há, naturalmente, os Espíritos bons que
orientam para o Bem. Daí é que vem a crença, em que toda a criatura, tem um anjo bom e
um anjo mau. Um soprando-lhe as ideias de bem e outro procurando ajudá-los a seguir o
Mal. Isso tem um fundo de verdade.
É lógico que, não há uma escala determinada, para ser anjo do Mal ou anjo do
Bem. Isso é questão de afinidade e cada um é que atrai o Bem ou o Mal, conquistando o
anjo do Bem, que o ajudará ou atraindo o anjo do Mal, que lhe soprará na consciência o
anseio de praticar o Mal. Na realidade, são Espíritos ligados a eles por muitas vidas, o
que lhes dá perfeita afinidade. Dessa forma, construímos o nosso passado e o nosso
futuro. Se não fora assim, iria atribuir a Deus a autoria do Mal, o que é errado.
***
Era para mim muito doce ouvir os ensinamentos do Espírito. Penetravam-me na
alma, suavemente, e iluminavam-me a mente com claridades espirituais novas. Gostava
de ouvi-lo. Pareciam-me músicas, as suas palavras.
***
67
Dezenas de criaturas inferiores, de fisionomias estranhas, passavam por nós,
perambulando ou buscando instintivamente regiões mais inferiores, e isso, o faziam, por
sentirem-se bem nesses lugares. Em minha mente, ressoavam ainda as palavras do
Grande Espírito: "Onde se reunirem os bons, aí será o Céu, onde se reunirem os maus, aí
será o Inferno. Céu e Inferno estão dentro de nós. Cada um constrói o seu Céu ou o seu
Inferno. Céu é um estado de consciência. É dentro da criatura que está o seu Céu ou
Inferno!" E eu, vendo aquelas criaturas esquisitas, compreendia que carregavam o próprio
Inferno dentro da alma e que buscavam lugares escuros, onde se aglomeravam.
Sentindo-me as cogitações íntimas, Altino acrescentou:
- Meu filho, essas coisas existem. Evidentemente, não como as concebem muitos
espíritos e muitos homens: como lugar localizado, criado para esse fim, como obra de
Deus ou do Demónio. Existem, em cada um, como obra de si mesmo, resultado do mal
ou do bem que fizeram! Nós próprios construímos o nosso destino, dentro das leis
divinas, equilibrada ou desequilibradamente. Por isso, as criaturas devem buscar primeiro
o equilíbrio, e o amor, é o artífice maior nesse trabalho. Os representantes do mal
procuram conduzir a criatura para o desequilíbrio, que é o seu reino!
***
Havíamos descido muito e pairávamos sobre uma cidade movimentada e
fervilhante de gente e de espíritos, dos mais variados aspectos, e vi que se misturavam,
bons e maus.
- Por que vivem misturados, os bons e os maus?
- Porque só assim uns aprendem com os outros e evoluem. É o processo que
acelera a Evolução. No Mundo, há Espíritos adiantados que se encontram e convivem
com criaturas menos adiantadas, que por sua vez, adquirem conhecimento que, de outra
forma, não adquiririam em outras faixas vibratórias, onde não há possibilidade de se
verem e se entenderem, porque o superior vê e entende o inferior, mas o inferior nem
sempre vê e entende o superior. Salvo se este quiser e estiver em condições de permitir.
Na verdade, não me surpreendi, mas sabia que para muita gente, isso era uma
revelação. O espírito inferior vive numa vibração mais lenta e o seu veículo é sempre
mais denso. O Espírito Superior tem vibração mais rápida e veloz e o seu veículo é mais
leve. Dificilmente é visto ou sentido pelos inferiores! Ou eles têm que elevar a vibração
ou o Superior tem que baixar a sua. Nos dois casos, não é muito fácil, embora possam
fazê-lo. Esse fato obedece à lei de Afinidade, que é inalterável em todos os planos, faixas
vibratoriais e Mundos! É Lei Eterna! Imodificável, inalterável, portanto!
Quedei-me pensativo. O Universo é assim constituído, é vontade de Deus.
4 - O Sub-Abismo
Aproximando da crosta terrestre, naquela volta das Esferas mais elevadas,
compreendi que meu amigo e mestre Altino, fazia com que visse de novo as condições
inferiores, em que vivíamos. Compreendi também, que era uma lição de humildade,
necessária a quem for a regiões superiores, sem merecer.
A diferença das condições dos seres, que agora encontrávamos, evidentemente,
aplacava qualquer sentimento de vaidade, orgulho ou glória, que pudesse brotar em nosso
Espírito. E na verdade, senti isso. Fiquei imensamente pequeno, dentro de mim mesmo.
Via, assim, a que distância espiritual estávamos da glória de Deus. Teríamos que avançar
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milénios no interior da própria alma para alcançar o Reino de Deus, despertando cada
dia, novas faculdades, que estavam adormecidas em nós mesmos e ali, jaziam
imobilizadas por milénios, aguardando o despertar de nossos anseios de nascer e crescer,
de conformidade com a Lei de Evolução.
Porque, pela Lei, despertaremos sempre para as coisas espirituais, que dormem
em nós, no fundo da nossa consciência. Se tudo é vida no Universo, natural é, que a força
da Lei, nos desperte, de tempos a tempos. Todo ser despertará, para prosseguir a jornada
evolutiva, reiniciando nova etapa para o alto. Evoluir é trabalho incessante e árduo, que o
Espírito, tem que realizar em si mesmo. Ele é o artífice da construção permanente, da
própria alma. Na verdade, o ser não é completo, precisa ir-se completando, à proporção
que evolui.
Aqueles ensinamentos do Altino, caíram-me na alma, com a ressonância de coisa
nova e com um novo sabor. Sentia neles, o gosto de eternidade e ficava abismado da
minha ignorância, sem limites! De fato, em permanência como tantos outros, milhares de
anos, adormecidos! E vinha outra vez o pensamento de Paulo: "Às crianças se dá leite. "
Como à criatura custava a atingir o ponto, a partir do qual, pudesse receber e entender
notícias mais adiantadas, das coisas do Universo! Como queríamos entender Deus? Muito
limitada e acanhada é a capacidade de compreender Deus!...
Os Espíritos e os Homens, ainda permanecem nas sombras, incapazes e cegos
para vislumbrar os raios do sol espiritual! Deus está em nós e nós estamos em Deus: Nele
existimos, vivemos e nos movemos, mas não podemos sentir as suas poderosas vibrações
de Eternidade e de Amor! Eu não conseguia impedir o anseio íntimo de conhecer mais,
de saber, de sentir... Sentia em mim fervilhar o borbulhar da Espiritualidade, como
poderia ter dito o poeta... Minha mente não sossegou, queria saber! No recesso de minha
alma, correntes desconhecidas corriam em alta velocidade e despertavam o desejo de
conhecer! Muita coisa não compreendi e queria compreender!
Ao mesmo tempo, reconhecia que já havia recebido muito! O fato de me ser
permitido viajar, com instrutores da envergadura de André Luiz e Altino, era
evidentemente, uma concessão especial, que não merecia. Compreendia e agradecia esse
fato, com humildade ilimitada, e com lágrimas nos olhos. Parecia-me uma oportunidade
conseguida, por intercessão do Altino, que se empenhava, usando o seu crédito pessoal,
junto às Esferas mais altas do Espírito.
Seria esse interesse, motivado por problemas existentes em reencarnações
passadas? Grandes eram os laços que nos uniam e também grandes e necessários os
acertos na esfera íntima, entre nós dois. O passado, embora distante, ainda era vivo e nos
arrastava à reconciliação permanente. Já vivíamos no campo do amor, imortal e eterno.
Compreendia e aceitava, como um filho, o gesto do pai que voltava para ajudar, amparar
e reabilitar!
Se por ventura, um dia, que eu não acreditava, me devera alguma coisa, agora
em troca, me dava o Céu! Pensando e sentindo essas coisas, baixei a cabeça, sob
o peso da minha pequenez e ignorância. Eu não era mais que um menino, ainda,
espiritualmente, em face do Altino. Pai e filho? Talvez...
***
Estávamos muito próximos da Crosta e ouvimos o sussurro de vozes, que falavam
na sombra e o murmúrio de muita gente, que circulava por toda a parte. Os mais variados
e diversos problemas me assediavam e me convocavam, ao raciocínio. Por que tudo
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aquilo existia e por que os seres não entendiam os outros seres, nem se entendiam a si
mesmos? Por que agiam como agiam, e Deus permitia?
- Meu filho — esclareceu Altino, mansamente —, Deus fez o Universo para todos
os seres e Dele procede a vida e dentro é governado por suas leis, e aí vivem eles.
Conforme vivem, seguem a lei que os fez crescer e os eleva ou decrescem, se rebaixam e
atingem condições e climas inferiores vivendo no domínio de outras leis. No Universo,
você já sabe, tudo é lei e as leis governam os seres. Não há uma determinação especial
para cada um. Tudo é igual para todos.
A mesma Lei que atinge um, atinge todos, dependendo do modo de cada um agir.
Para isso, há a Lei do Livre-Arbítrio, que funciona de conformidade com a evolução de
cada um. O Livre-Arbítrio, será maior para o mais evoluído e menor para o menos
evoluído. Ensinamento novo, meu amigo, para os mundos inferiores. Parecerá estranho,
para os atuais homens e espíritos da Crosta do Mundo, esse ensinamento, mas podemos
comparar as criaturas espirituais ou não, às crianças, para efeito de estudo do Livre-
Arbítrio: o entendimento de uma criança está em relação à sua idade, desenvolvimento
intelectual, sentimental e de mais possibilidades. Embora a criatura humana tenha direito
ao Livre-Arbítrio total, a possibilidade de exercê-lo em sua totalidade é limitada. Tanto
maior será o Livre-Arbítrio quanto maior sabedoria possuir. Além disso, o seu
conhecimento das coisas do Universo, amplia essas possibilidades.
Quem tem pouco conhecimento e pouca sabedoria, tem o Livre-Arbítrio limitado
juntamente com o grau de conhecimento e sabedoria. Aí, se poderia dizer, a cada um
segundo o seu conhecimento e sabedoria. Conhecer e sentir é ampliar os horizontes da
alma! Fundamentalmente, é lógico, todos têm o mesmo direito e são iguais, mas sabendo
e conhecendo mais, se age com maiores possibilidades e justiça. Logo, menor é o Livre-
Arbítrio, de quem sabe menos.
Para se entender perfeitamente isto, como tudo o que há no Universo, é preciso ter
vivido mais as situações, que são apreciadas. As coisas de Deus têm que ser sempre
vividas, sentidas Entendeu, meu filho? O Livre-Arbítrio é
lei igual para todos, mas o uso do mesmo, é proporcional ao conhecimento e à
sabedoria de cada um.
Altino calou e eu fiquei meditativo, percebendo que estava diante de interpretação
da Lei, porém com muita lógica!
- Em compensação — voltou a falar o Espírito —, quem tem maior
responsabilidade diante da Lei, tem que ser tratado com mais rigor! Se o uso, que a Lei
faculta aos que sabem mais, é quase ilimitado, o uso e a falta, decorrente deles, por sua
vez, é quase ilimitado em extensão e intensidade.
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Em verdade, não há pecado, o que existe é afinidade com o Mal ou afinidade com
o Bem, que o próprio espírito desenvolve e cria em si mesmo. Assim, ele se materializa
ou se espiritualiza, cria o seu Céu ou o seu Inferno, nada mais. À proporção que se
espiritualiza, adquire o direito de penetrar em regiões e agrupamentos ou colónias de
espíritos mais elevados, crendo que aí é o Céu, um céu localizado, que na verdade, por
ser região de paz, tranquilidade e amor, pode ser entendido como céu, ao contrário,
agrupamento de maus, onde só existem vibrações inferiores, de violência e de maldade,
pode ser entendido ou chamado de Inferno.! Mas o Céu e Inferno, cada um traz dentro de
si mesmo, na sua mente e no seu coração, e se constrói a cada dia.
Notei que Altino vinha repetindo esses conceitos, de tempos a tempos, a cada
passo, deixando-me compreender, que esperava que ficassem gravadas na minha
memória, para sempre!
***
Ainda pensava nisso, quando vi que havíamos chegado em, Nosso Lar, e éramos
recebidos cordial e afetivamente pelo Ministro Clarêncio, que enlaçou Altino
delicadamente. Beijou-o e convidou para entrar, após ter-me cumprimentado
efusivamente. Fiquei na Porta, acompanhando-os com os olhos do espirito e o
pensamento, vendo-os subir de túnicas esvoaçantes e belas, que eram o símbolo de sua
evolução.
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