A ANAMNESE PSIQUIÁTRICA E
EXAME DO ESTADO MENTAL
Diferenças entre a anamnese psiquiátrica e a anamnese em
outras especialidades
A avaliação psiquiátrica
• É composto, principalmente, pela anamnese e pelo exame do estado
mental (EEM)
• Principal ferramenta de trabalho da psiquiatria (tecnologia leve-dura)
• Construir conhecimento a partir de um encontro/experiência → agir de
forma útil e criativa. O conhecimento precisa guiar decisões
• Responsável pela quase totalidade do diagnóstico psiquiátrico (exames
complementares, em geral, são utilizados para excluir outras condições)
• Visa, em um primeiro momento, compreender a pessoa (e não o que ela
tem)
Exame físico?
• Os pacientes com transtornos mentais apresentam maiores comorbidades
somáticas do que a população geral
• As doenças somáticas são subdiagnosticadas em pacientes com
transtornos psiquiátricos
Alguns fenômenos comuns
• Clínicos tendem a não examinar adequadamente o indivíduo com
transtornos psiquiátricos (não é “seu doente”, “é psiquiátrico”)
• O psiquiatra não realiza o exame físico do paciente, pois não se considera
“médico do corpo”
• Pacientes com transtornos mentais graves podem ter dificuldades em
comunicar objetivamente queixas somáticas
• O estigma de “louco” invalida as queixas somáticas
Fonte: Dalgalarrondo, P (2008)
Como podemos enxergar pelas perspectivas?
PERSPECTIVAS
EXAME DO ESTADO MENTAL
• Análogo do exame físico na psiquiatria
Psicodinâmica
Explicativa
Comportamental
Psicopatologia
Observação
Descritiva
Fenomenologia
Fonte: Sims Sintomas da Mente (2017)
Exame do Estado Mental
• Conjunto de observações e avaliações sistemáticas que têm por objetivo
ajudar na elaboração de hipóteses diagnósticas sindrômicas
• Parte fundamental do plano de investigação inicial do paciente
• Envolve o registro de comunicação verbal e não verbal (a observação de
comportamentos, atitudes
• Não é um mero check list!
• Ele é parte complementar de uma anamnese: quanto mais atenciosa for a
entrevista e anamnese, o EEM fica mais fácil de registrar
Exame do Estado Mental
• Cuidado para não reificar as “funções mentais”: elas são divisões didáticas
e arbitrárias; na vida real elas são interdependentes
• “Não existem funções psíquicas isoladas e alterações psicopatológicas
compartimentalizadas desta ou daquela função. É sempre a pessoa na sua
totalidade que adoece”
• Os sintomas são resultados de múltiplas forças: externas e internas!
EXAME DO ESTADO MENTAL
Consciência
Atenção
Sensopercepção
Orientação
Memória
Inteligência
Afeto / Humor
Pensamento
Juízo Crítico
Conduta
Linguagem
CONSCIÊNCIA
É o conhecimento da experiência
Hiperalerta Alteração
qualitativa: estupor
(mutismo e
Alerta acinesia)
Obnubilação / Sonolência
Coma
ATENÇÃO
Capacidade de direcionar a concentração da atividade mental sobre determinado objeto
Tenacidade:
Capacidade de fixar a atenção sobre
Uma determinada área ou objeto, Vigilância Tenacidade
detendo-se sobre ele
Hipertenaz/Hipotenaz/Normotenaz
Vigilância:
Poder mudar o foco de atenção de um
objeto a outro e de dentro para fora
Hipervigil/Hipovigil/Normovigil
Distraibilidade: instabilidade da atenção voluntária e incapacidade
para se fixar em algo que envolva esforço produtivo
SENSOPERCEPÇÃO
Alterações de sentidos: Ilusões
Audição / Visão / Olfato / Paladar / Tato / Propriocepção
Hipnagógicas
Alucinações Hipnopômpicas
Quantitativas: Hiperestesias e Hipoestesias
Qualitativas: Sinestesia
Ilusão: percebe onde tem
Alucinação: percebe onde não tem –
(e tem certeza que está lá e não adianta insistir) Parestesia
Sinestesia: “mistura”: p ex. música evoca gosto
Parestesia: sensações “estranhas” (formigamento p ex)
Pseudoalucinações
ORIENTAÇÃO
Situar-se no tempo, espaço e pessoa
Alopsíquica → tempo e espaço
Autopsíquica → si mesmo
dia – mês – ano – local – cidade – estado – país – outras pessoas – própria pessoa
Crescente de gravidade
MEMÓRIA
• Fixação → registrar para posterior resgate → depende de:
• “Momento do corpo”: tranquilo, alimentado, descansado
• Componente emocional ligado
• Empenho do indivíduo na tarefa
• Multissensorial (experiência estética)
• Retenção depende de repetição e associação com outros
elementos
• Evocação → recuperar e atualizar o conteúdo
• Dificuldades da evocação... Lembram-se da repressão
• Reconhecimento → identificar os dados lembrados como lembrança,
diferenciando-os da imaginação e representações atuais
MEMÓRIA
Memória recente / anterógrada
Memória remota / evocação
Lei da regressão mnêmica de Ribot: indivíduos com lesão cerebral tendem a comprometer
primeiro a memória recente
Alterações quantitativas: hipermnésias / hipomnésias / amnésias
Alterações qualitativas:
Ilusões mnêmicas: acréscimo de elementos falsos em núcleos verdadeiros de memória
Fabulações/confabulações: Preenche déficits de memória com conteúdo inexistente
Transtornos do reconhecimento: “já vi isso antes”(deja vu) /“nunca vi isso antes” (jamais vu)
INTELIGÊNCIA
• Termo polissêmico:
• “totalidade das habilidades cognitivas de um indivíduo”
• “capacidade de identificar e resolver problemas novos”
• “capacidade de encontrar as soluções mais satisfatórias possíveis para si e para
o ambiente”
• Pode ser entendida como um constructo atravessado por várias dimensões
• É um exemplo importante do entrelaçamento entre genética e ambiente “nurture
vs nature”
• Capacidade intelectual (QI)
• Pode ser medida por escalas como a WISC-R ou a WAIS-R
• A distribuição do QI na população produz uma curva normal
INTELIGÊNCIA
• Na CID 11
• Transtorno do desenvolvimento intelectual:
• Leve – 1 a 2 desvios padrão abaixo da média
• Moderado – 3 a 4 desvios padrão abaixo da média populacional
• pueden dominar el autocuidado básico, doméstico y prácticos. Las
personas más afectadas requieren un apoyo considerable y constante con
el fin de lograr una vida independiente y el empleo en la edad adulta.
• Grave – 4 ou mais desvios padrão abaixo da média populacional
• Las personas afectadas exhiben un lenguaje y una capacidad para la
adquisición de habilidades académicas muy limitada. También pueden
tener deficiencias motoras y normalmente requieren de apoyo diario en
un entorno supervisado para la atención adecuada, pero pueden adquirir
habilidades de autocuidado con entrenamiento intensivo.
• Profundo: Diferencia-se por mais precariedade no comportamiento adaptativo
AFETO / HUMOR
• Afeto → afetar-se / Humor: estado interior que persiste por algum tempo; o
afeto pode ser momentâneo
• Distimia enquanto alteração no EEM “humor errado” é diferente do
transtorno distímico que é uma condição crônica
• Labilidade (muda rápido)
• Indiferença afetiva
• Incongruente (em desacordo com o “clima”)
• Apatia - falta de interesse e motivação → Anedonia “nada é prazeroso”
• Disforia – distimia com um afeto desagradável, um “mau humor”
• Ansiedade / medo
PENSAMENTO
• União entre duas ideias por meio da imaginação, concepção,
inferência e outros processos, e a formação de novas ideias por esses
mesmos processos
PENSAMENTO
Pensamento
Forma/ Conteúdo
Produção Curso
Estrutura “temática do pensamento”
Fuga de
Lógica Acelerado Vários...
Ideias
Ilógica / Afrouxament
Circunstancial
Mágica o
Desagregaçã
Normal
o
Descarrilham
Lentificação
ento
Bloqueio
JUÍZO CRÍTICO
Capacidade de perceber e avaliar a realidade externa
→ Capacidade de julgamento
→ A principal alteração do juízo é o delírio – “sair do sulco do arado”
Delirium – quadro de origem orgânica, difusa e temporária com alterações na consciência,
Orientação, linguagem, agitação e por vezes alucinação
Delírios simples ou complexos / sistematizados ou não
Tipos mais frequentes:
De perseguição (paranoide)
De influencia (por máquina, por uma outra pessoa, por demônios ou anjos)
Místico ou religioso
De ciúmes
CONDUTA
Comportamentos observáveis do indivíduo
Retardo
Inquietação Agitação Agressividade
psicomotor
Sadismo /
Catatônico Bizarro Tiques
masoquismo
Risos Uso / abuso de Roubo /
Histriônico
imotivados substâncias Vandalismo
Tentativas de
Compulsões Parafilias Impulsividade
suicídio
LINGUAGEM
Modo de comunicação
1. Velocidade (taquilálico / bradilálico)
2. Disartria
3. Disfonia
4. Afasia (expressão e comunicação)
5. Gagueira / Tartamudez
6. Mutismo
7. Neologismos
8. Coprolalia