ECA – ESTATUTO DA
CRIANÇA E DO
ADOLESCENTE.
Lei 8069/90
Professora Danielle R. Campos
O Estatuto da Criança e do Adolescente é uma lei extensa, repleta de artigos, incisos
e parágrafos muito importantes.
A finalidade principal do ECA, é regulamentar por normas, o que está disposto no
Artigo 227 da Constituição Federal de 1988.
* O estatuto pode e deve ser entendido como o conjunto de regulamentos para
assegurar o artigo 227, que diz:
“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente,
com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao
lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”
* Assim, é possível definir que o Estatuto da Criança e do Adolescente é um
instrumento que visa regulamentar a forma como os direitos das crianças e
adolescentes são assegurados. Ao mesmo tempo em que firma o modo como a
sociedade e o estado devem garantir esses direitos.
* O ECA foi considerado, a partir de sua aprovação, como um marco histórico no avanço da
legislação brasileira e no seu ordenamento jurídico.
O que estabelece e define o Estatuto da Criança e do Adolescente
Ao estudar o ECA, é muito importante conhecer com precisão tudo que a Lei 8.069
estabelece.
Para começar, o ECA define de forma muito clara para quem é sua legislação.
São as crianças (até 12 anos incompletos), adolescentes (12 a 18 anos) e os
chamados casos expressos e especiais (18 a 21 anos).
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece também os chamados Direitos
Fundamentais que devem ser garantidos pela sociedade e Estado:
* Direito à Liberdade, ao respeito e à dignidade;
* Direito à vida e a saúde;
* Direito à educação, cultura, lazer e ao esporte;
* Direito à profissionalização e proteção ao trabalho;
* Direito à convivência familiar e comunitária.
Qual a importância do ECA para a educação e ensino brasileiro?
O ECA possui um papel de destaque na educação brasileira. Especificamente, ao
estabelecer o direito pleno à educação.
Serve como um instrumento que ajuda a inibir o trabalho infantil, o qual é motivo comum para
o abandono escolar precoce em todo o Brasil, especialmente nas regiões mais pobres do
país.
Ao definir a educação e o ensino para seu pleno desenvolvimento nos direitos fundamentais
da criança e do adolescente, o ECA fixa a necessidade do acesso ao ensino e aprendizado,
ou seja, o direito à educação é tratado, a partir da lei, como um marco essencial para o
desenvolvimento e capacitação do jovem para a sociedade.
E assim sendo, tal direito precisa ser respeitado, de modo que escola, estado, família e
sociedade se mobilizem para garanti-los.
Como o ECA se apresenta nas escolas de toda rede de ensino nacional.
O Estatuto da Criança e do Adolescente está presente no dia a dia das escolas de toda a
rede de ensino no Brasil.
Como um documento para fixação em lei dos direitos fundamentais da criança e do
adolescente, o mesmo serve como instrumento de orientação. A equipe de gestão escolar
pode se guiar por meio do ECA para apoiar o desenvolvimento dos estudantes, e preservar
seus direitos no ambiente escolar.
Título I
Das Disposições Preliminares
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente.
Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade
incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade.
Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às
pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade.
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à
pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se
lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o
desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de
dignidade.
Parágrafo único. Os direitos enunciados nesta Lei aplicam-se a todas as crianças e
adolescentes, sem discriminação de nascimento, situação familiar, idade, sexo, raça, etnia ou
cor, religião ou crença, deficiência, condição pessoal de desenvolvimento e aprendizagem,
condição econômica, ambiente social, região e local de moradia ou outra condição que
diferencie as pessoas, as famílias ou a comunidade em que vivem. (Incluído pela Lei nº
13.257, de 2016)
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público
assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:
a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;
c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;
d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à
infância e à juventude.
Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer
atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as
exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar
da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.
Título II
Dos Direitos Fundamentais
Capítulo II
Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade
Art. 15. A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como
pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis,
humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.
Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos:
I- ir,vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais;
II - opinião e expressão; III -
crença e culto religioso;
IV - brincar, praticar esportes e divertir-se;
V -participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação;
VI - participar da vida política, na forma da lei;
VII - buscar refúgio, auxílio e orientação.
Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da
criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos
valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.
Art.18.É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a
salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou
constrangedor.
Art. 18-A. A criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem ouso de castigo
físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou
qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos
responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por
qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los. (Incluído
pela Lei
no 13.010, de2014)
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se:(Incluído pela Lei no 13.010,
de 2014)
I - castigo físico: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a
criança ou o adolescente que
resulte em: (Incluído pela Lei no 13.010, de 2014)
a) sofrimento físico; ou(Incluído pela Lei no13.010,de2014)
b) lesão; (Incluído pela Lei no 13.010, de 2014)
II - tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma cruel de tratamento em relação à
criança ou ao adolescente que: (Incluído pela Lei no 13.010, de 2014)
a) humilhe; ou (Incluído pela Lei no 13.010, de 2014)
b) ameace gravemente; ou (Incluído pela Lei no 13.010, de 2014)
c) ridicularize.(Incluído pela Lei no 13.010, de 2014)
Art. 18-B. Os pais, os integrantes da família ampliada, os responsáveis, os agentes públicos
executores de medidas socioeducativas ou qualquer pessoa encarregada de cuidar de crianças e de
adolescentes, tratá-los, educá-los ou protegê-los que utilizarem
castigo físico ou tratamento cruel ou degradante como formas de correção, disciplina,
educação ou qualquer outro pretexto estarão sujeitos, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, às
seguintes medidas, que serão aplicadas de acordo com a gravidade do caso: (Incluído pela Lei no
13.010, de 2014)
I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família; (Incluído pela Lei no
13.010, de 2014)
II - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico; (Incluído pela Lei
no 13.010, de 2014)
III.-encaminhamento a cursos ou programas de orientação;(Incluído pela Lei no 13.010, de 2014)
IV.- obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado; (Incluído pela Lei no 13.010, de
2014)
V- advertência. (Incluído pela Lei no 13.010, de 2014)
Parágrafo único. As medidas previstas neste artigo serão aplicadas pelo Conselho
Tutelar, sem prejuízo de outras providências legais. (Incluído pela Lei no 13.010, de
2014)
Título II
Dos Direitos Fundamentais Capítulo IV
Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer
Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno
desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o
exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:
I -igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - direito de ser
respeitado por seus educadores;
III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares
superiores;
IV - direito de organização e participação em entidades estudantis;
V - acesso à escola pública e gratuita, próxima de sua residência, garantindo-
se vagas no mesmo estabelecimento a irmãos que
frequentem a mesma etapa ou ciclo de ensino da educação básica. (Redação
dada pela Lei no 13.845, de 2019)
Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência
do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas
educacionais.
Art. 53-A. É dever da instituição de ensino, clubes e agremiações recreativas e de
estabelecimentos congêneres assegurar medidas de conscientização, prevenção e
enfrentamento ao uso ou dependência de drogas ilícitas.(Incluído pela Lei no 13.840,
de 2019)
Art.54. É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: I - ensino
fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que a ele não tiveram acesso na
idade própria;
II.- progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio;
III. - atendimento educacional especializado aos portadores de
deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;
IV. – atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero
a cinco anos de idade;(Redação dada pela Lei no 13.306, de 2016) V –acesso aos níveis
mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de
cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do adolescente
trabalhador;
VII - atendimento no ensino fundamental, através de programas
suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.
§ 1° O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público
subjetivo.
§2º O não oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público ou sua oferta irregular
importa responsabilidade da autoridade competente.
§ 3° Compete ao poder público recensear os educandos no ensino
fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou
responsável, pela frequência à escola.
Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus
filhos ou pupilos na rede regular de ensino.
Art.56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental
comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de:
I - maus-tratos envolvendo seus alunos;
II -reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos
escolares;
III - elevados níveis de repetência.
Art. 57. O poder público estimulará pesquisas, experiências e novas propostas relativas a
calendário, seriação, currículo, metodologia, didática e avaliação, com vistas à inserção de
crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental obrigatório.
Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e
históricos próprios do contexto social da criança
e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às
fontes de cultura.
Art. 59. Os municípios, com apoio dos estados e da União, estimularão e facilitarão a
destinação de recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer
voltadas para a infância e a juventude.
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