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Protocolo HART

O protocolo HART é uma tecnologia de comunicação amplamente utilizada em automação industrial, combinando sinais analógicos 4-20 mA com comunicação digital, permitindo configuração remota e diagnóstico avançado. Desenvolvido na década de 1980 e formalizado em 1993, o HART é um protocolo aberto que facilita a comunicação entre dispositivos de campo e sistemas de controle, mantendo a confiabilidade do sinal analógico. O HART suporta diferentes modos de conexão, como ponto-a-ponto e multidrop, e é classificado como um sistema de comunicação half-duplex.

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Protocolo HART

O protocolo HART é uma tecnologia de comunicação amplamente utilizada em automação industrial, combinando sinais analógicos 4-20 mA com comunicação digital, permitindo configuração remota e diagnóstico avançado. Desenvolvido na década de 1980 e formalizado em 1993, o HART é um protocolo aberto que facilita a comunicação entre dispositivos de campo e sistemas de controle, mantendo a confiabilidade do sinal analógico. O HART suporta diferentes modos de conexão, como ponto-a-ponto e multidrop, e é classificado como um sistema de comunicação half-duplex.

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Protocolo HART

O protocolo HART é uma das tecnologias de comunicação mais


amplamente utilizadas em instrumentos de campo para sistemas de
automação industrial.

Sua principal característica é a capacidade de combinar a confiabilidade e


simplicidade do sinal analógico 4-20 mA com a flexibilidade da
comunicação digital.

Essa combinação tornou o protocolo HART um padrão consolidado em


diversas indústrias, especialmente por ser compatível com as malhas 4-20
mA existentes, reduzindo os custos e diminuindo a complexidade quando
comparada com a implantação de malhas de controle totalmente digitais.

O que ele é?
O HART (do inglês, Highway Addressable Remote Transducer, traduzido
aproximadamente como Transdutor Remoto Endereçável em Malha) é um
protocolo de comunicação digital desenvolvido na década de 1980 pela
empresa Rosemount e formalizado como padrão aberto em 1993 pela
HART Communication Foundation (HCF), também conhecida como HART
Foundation.
O protocolo HART permite a comunicação entre dispositivos de campo
(transmissores e atuadores) e um dispositivo host ou mestre, utilizando o
mesmo par de fios que transmite o sinal analógico 4-20 mA. O host pode
ser o sistema de controle de um processo, um dispositivo handheld, ou até
mesmo um tablet, smartphone ou notebook quando acompanhado de
uma interface que permite a comunicação HART:

Visão simplificada dos elementos que compõem uma rede HART


A tecnologia de transmissão de sinais utilizada pelo protocolo HART é
conhecida como comunicação sobreposta. Nesse tipo de comunicação, o
sinal digital é modulado sobre o sinal analógico, sem interferi-lo de forma
significativa. Por conta disso, o HART é comumente classificado como um
protocolo de comunicação híbrido, pois combina comunicação digital com
a sinalização analógica 4-20 mA.

Ao longo dos anos, o protocolo HART passou por revisões, e atualmente se


encontra na revisão HART 7. Além da versão tradicional do HART, que ainda
é a mais difundida na indústria, com o passar do tempo foram criadas
variações do protocolo, como o WirelessHART em 2008 (versão do
protocolo que utiliza redes sem fio para transmissão dos dados) e o
HART-IP em 2012 (para transmissão de dados em redes IP, com ou sem fio).

Em 2015 a organização FieldComm Group sucedeu a HART


Communication Foundation (HCF) como a responsável por zelar pelo
protocolo HART. Além do HART, o FieldComm Group também mantém o
protocolo FOUNDATION Fieldbus (FF).

O HART é um protocolo aberto. Isso significa que as suas especificações


são acessíveis e podem ser utilizadas por qualquer pessoa ou organização,
sem custo.

Por que o protocolo HART foi criado?


O protocolo HART surgiu para suprir a necessidade de configuração
remota, diagnóstico avançado e leitura de múltiplas variáveis, sem
abandonar a estrutura já consolidada dos sistemas de controle com sinal
4-20 mA.

Até então, os instrumentos analógicos não possuíam uma forma


padronizada de acessar informações e realizar configurações como:

●​ Ver e modificar faixa de medição e unidades do equipamento


●​ Ajustar a saída 4-20 mA
●​ Ajustar as medições do instrumento
●​ Verificar número de série, TAG e outras informações descritivas
●​ Monitorar valor das medições de outras variáveis que não a variável
primária indicada pelo sinal 4-20 mA
●​ Verificar status detalhado do dispositivo (alertas específicos e
condições de operação)

Alguma dessas funções, como o ajuste da saída do sinal 4-20 mA, eram
realizadas manualmente através de potenciômetros ou botões,
impossibilitando a manutenção remota. Além disso, sem um protocolo
aberto e amplamente adotado como o HART, a configuração dos
equipamentos não era padronizada, visto que cada fabricante poderia criar
seu próprio método ou protocolo de comunicação para realizar ajustes e
alterações nas configurações do instrumento, tornando o cenário do
comissionamento e manutenção industrial extremamente fragmentado.

Com o protocolo HART, essas funcionalidades tornaram-se acessíveis e


padronizadas, facilitando o comissionamento e a manutenção, porém
mantendo a confiabilidade do sinal analógico 4-20 mA como base.

Como o protocolo HART funciona sobre o sinal


4-20 mA: a camada física do protocolo
Para transmitir sinais digitais, o HART utiliza um método chamado FSK
(Frequency Shift Keying, ou modulação por chaveamento de frequência),
que permite transmitir dados digitais (bits) através de ondas de corrente
alternada com frequências diferentes.

Essas ondas são enviadas em duas frequências, uma representando o valor


0, e a outra o valor 1. No caso do protocolo HART, a modulação utilizada é a
baseada no padrão Bell 202, que utiliza a frequência de 1200 Hz para
representar o valor 1 e a frequência de 2200 Hz para representar o valor 0.

Cada frequência é transmitida por um intervalo de 833 microssegundos,


resultando em uma velocidade de comunicação de 1200 bits por segundo
(bps):
Modulação Bell 202 usada na transmissão do protocolo HART FSK
Essas ondas são sobrepostas ao sinal de 4-20 mA, permitindo a
transmissão de dados digitais sem comprometer a sinalização analógica.
As razões para essa transmissão digital através de modulação em
frequência não afetar o sinal 4-20 mA são várias.

Primeiro, como a amplitude dessas ondas é especificada em


aproximadamente 0,5 mA, um valor pequeno em relação a faixa de 4-20
mA, a comunicação HART não gera alterações extremas no valor do sinal
analógico.

Além disso, como as ondas causam variações simétricas de +0,5 mA a -0,5


mA sobre o valor do sinal 4-20 mA, na média o seu impacto no sinal é
anulado.

Por fim, como essas ondas possuem alta frequência em relação ao sinal
4-20 mA, elas podem ser eliminadas através de um filtro passa-baixo,
acabando com qualquer influência indevida sobre o sistema de medição e
controle analógico.
Ilustração da sobreposição do sinal digital do protocolo HART ao sinal
4-20 mA
Essa especificação faz parte do que chamamos de camada física ou
camada 1 do protocolo, e é detalhada no documento HCF_SPEC-54 da
norma HART.

Ilustração da camada física FSK do protocolo HART


Como podemos observar, a sinalização de 4 a 20 mA é mantida, enquanto
os dados digitais do protocolo HART trafegam simultaneamente no
mesmo par de fios através de pequenas ondas com frequência de 1200 Hz
ou 2200 Hz.

Alguns pontos que podemos ressaltar sobre a transmissão de dados no


protocolo HART:

●​ A comunicação HART não interfere significativamente no controle de


processo baseado em 4-20 mA, e é possível ler e escrever dados no
instrumento ao mesmo tempo que o instrumento sinaliza o valor da
sua medição principal através da saída 4-20 mA
●​ Por ser transmitido através de sinais de corrente, o protocolo HART
compartilha a mesma propriedade do sinal 4-20 mA de robustez
contra interferências eletromagnéticas e resistência à degradação.
●​ Por conta disso, a comunicação HART tem uma distância teórica de
transmissão de até 3000 metros. Na prática, com a utilização do
cabeamento adequado e as devidas precauções, distâncias de 1000
metros podem ser atingidas.
●​ A comunicação é bidirecional – isso é, o host pode tanto enviar
informações para o instrumento de campo, quanto receber
informações de volta do instrumento.
●​ Apesar de ser bidirecional, a comunicação não pode ser feita de
forma simultânea (enviar e receber informações ao mesmo tempo).
Se dois instrumentos tentarem enviar informações ao mesmo
tempo, haverá um conflito nas ondas moduladas, visto que o loop de
4-20 mA forma um circuito fechado.
●​ Para resolver esse problema, o HART implementa um tipo de
comunicação de comando e resposta: em um primeiro momento
um comando é enviado para o instrumento, que em seguida envia
uma resposta (por exemplo, valor de variáveis ou a confirmação de
alguma alteração nas suas configurações).
●​ A combinação da comunicação bidirecional com a comunicação
não-simultânea torna o HART o que chamamos de um sistema de
comunicação half-duplex.

Existem outras implementações do protocolo HART que não utilizam a


modulação FSK, como a especificação C8PSK (modulação por
chaveamento de fase, que permite aumentar a velocidade de transmissão
para 9600 bps mantendo a base 4-20 mA) e a especificação de
radiofrequência 2.4 GHz (para comunicação sem fio utilizada no
WirelessHART).

A malha HART: ligações, componentes e suas


funções
Uma vez que entendemos como os sinais do protocolo HART são
transmitidos no nível físico, precisamos entender como os dispositivos
HART são ligados na malha para garantir a correta comunicação entre eles.

O protocolo HART especifica dois tipos de ligação: ponto-a-ponto, na qual


cada malha pode ter apenas um dispositivo transmissor que controla o
sinal 4-20 mA, e multidrop, na qual múltiplos transmissores podem ser
colocados em uma mesma malha, porém com o efeito negativo da
sinalização 4-20 mA ser perdida.

Ligação ponto-a-ponto
As malhas HART convencionalmente utilizam ligação ponto-a-ponto, com
um único instrumento de medição (transmissor) por malha. Uma malha
ponto-a-ponto com um transmissor HART alimentado pela própria malha
(loop powered) é ilustrada na figura abaixo:
Malha HART convencional (ponto-a-ponto) com transmissor alimentado
pelo loop
Essa malha é composta por três elementos:

●​ Fonte de alimentação: Fornece a energia à malha 4-20 mA + HART.


Normalmente possui tensão de 24 Vcc. A especificação HART define
limites de ruído e distorção que essa fonte deve seguir para permitir
a comunicação HART, portanto verifique se a sua fonte é compatível
antes de utilizá-la em uma malha do HART.
●​ Transmissor HART: Dispositivo que lê variável do processo e a
transforma em um sinal de corrente 4-20 mA. Além disso, pode
receber comandos e responder informações por sinais HART através
do mesmo par de fios do sinal 4-20 mA.
●​ Resistor de carga/”Resistor HART”: Esse resistor garante que a malha
possua a impedância necessária para permitir a comunicação HART,
e deve ser colocado em série com o transmissor e a fonte.

A norma do protocolo HART especifica que o valor do resistor de carga


deve ser entre 230 ohms e 600 ohms para malhas com transmissores,
sendo o valor de 250 ohms comumente utilizado pois permite também a
conversão do sinal 4-20 mA em um sinal de 1-5 V.

Esse resistor pode parecer desnecessário, mas sem ele a fonte de


alimentação atuaria como um filtro para os sinais HART, impedindo a
comunicação. Algumas fontes específicas para instrumentação industrial
já possuem um resistor de carga integrado, facilitando a comunicação com
os instrumentos da malha. Além disso, em malhas com cabos
extremamente longos (próximos ou maiores que 1 km), a resistência dos
cabos pode ser suficiente para garantir que a malha tenha a impedância
necessária para a comunicação HART.

Como a malha HART ponto-a-ponto mantém o padrão de sinal 4-20 mA, a


grande maioria das malhas nessa configuração também irão incluir um
dispositivo leitor de corrente 4-20 mA (indicador analógico, entrada
analógica de CLP etc.) que irá realizar a medição da saída analógica do
transmissor e irá utilizá-la no sistema de controle do processo. Apesar do
leitor de corrente estar incluso na maioria das malhas HART, iremos
omiti-lo na discussão a seguir para focar nos outros elementos da malha.
Malha do protocolo HART tipo ponto-a-ponto com transmissor e leitor de
corrente
O host ou mestre HART deve ser conectado em paralelo ao transmissor
HART (pontos A e B nos diagramas abaixo) ou em paralelo ao resistor de
carga (pontos B e C). Caso o host seja ligado em paralelo com a fonte
(pontos A e C), a comunicação não será possível, pois a fonte irá filtrar os
sinais HART (a não ser que a fonte de alimentação já inclua uma resistência
de carga adequada).
Malha HART ponto-a-ponto com host conectado em paralelo ao
transmissor
Malha HART ponto-a-ponto com host conectado em paralelo ao “resistor
HART”
No caso de malhas HART com atuadores, o resistor de carga é
desnecessário.

Nessas malhas, o atuador será controlado por um dispositivo de saída de


corrente (por exemplo, a saída analógica de um CLP), que possui alta
impedância. Quando ligado ao atuador, que normalmente possui uma
resistência entre 300 ohms e 1000 ohms, o circuito já possuirá a
impedância adequada para comunicação HART, e por isso o host pode ser
conectado em paralelo ao atuador.
Malha HART com atuador e fonte de corrente
No caso de malhas com atuadores, podemos também conectar mais de
um dispositivo em série de modo que uma única saída do CLP controle
múltiplas válvulas. Nesse tipo de malha, o host dever ser conectado em
paralelo com todos os atuadores para garantir a comunicação com todos
os instrumentos. Além disso, a subseção 7.5.3 da especificação
HCF_SPEC-54 deve ser checada para garantir o casamento de
impedâncias adequado para comunicação HART a longas distâncias.

Malha HART com atuadores em série e fonte de corrente


O protocolo HART diferencia entre um host/mestre primário e um
host/mestre secundário. O host primário é considerado o dispositivo
principal que inicia a comunicação com os instrumentos HART.
Normalmente, ele faz parte do sistema de controle do processo (por
exemplo, é integrado ao CLP ou DCS que controla a malha), e possui
prioridade na comunicação com os instrumentos de campo. Além disso,
muitas vezes o host primário fornece a alimentação da malha.
O host secundário é considerado um dispositivo não permanente na
malha HART. Ele deve obedecer a certas regras para dar preferência ao
host primário antes de iniciar qualquer comunicação. O host secundário
normalmente é um dispositivo handheld ou computador com interface
HART utilizado na manutenção dos instrumentos HART.

No protocolo HART, podemos ter até 2 hosts em uma mesma malha ao


mesmo tempo: 1 host primário e 1 host secundário, No entanto, a norma
específica que não podemos ter mais de um host do mesmo tipo (2
secundários ou 2 primários, por exemplo).
Host HART primário e host secundário na malha HART – nesse caso, host
primário inclui alimentação da malha
No caso de módulos de CLP com comunicação HART, em alguns casos a
entrada do CLP já integra a alimentação 24 Vcc para a malha, host
primário, além de um leitor de corrente, formando um sistema de controle
completo para comunicação HART e controle através do sinal 4-20 mA.
Host HART primário e host secundário na malha HART – nesse caso, host
primário inclui alimentação da malha e leitor de corrente

Ligação multidrop
Além da ligação ponto-a-ponto, o HART permite um outro tipo de ligação
de instrumentos, conhecido como modo multidrop.

Modo de ligação multidrop


No modo multidrop, podemos ligar múltiplos transmissores em paralelo
em uma mesma malha, com uma única fonte de alimentação. Nesse
modo, devemos incluir o resistor de carga, e o host HART deve ser ligado
em paralelo com os transmissores para permitir a comunicação com todos
os instrumentos.

O protocolo HART inclui em suas mensagens um byte de endereço curto


utilizado para endereçar o comando inicial enviado pelo host. Quando
utilizamos um transmissor na ligação ponto-a-ponto, o endereço do
transmissor deve ser colocado em 0.

No modo multidrop, devemos colocar cada transmissor em um endereço


diferente de 0, não repetindo o mesmo endereço para dois instrumentos.
Isso é feito através do comando HART #6 – Escrever Endereço Curto (Write
Polling Address).

Como todos os transmissores estão em paralelo, a sinalização 4-20 mA não


faz mais sentido, pois a corrente da malha será a soma da corrente de cada
transmissor. Por conta disso, até a revisão HART 5, quando o comando #6
era enviado para mudar o endereço curto de um transmissor para um valor
diferente de 0, o transmissor deveria automaticamente fixar a sua corrente
no valor mínimo possível – normalmente 4 mA ou um pouco abaixo. Ao
manter a corrente de todos os transmissores no valor mínimo, reduzimos a
corrente total da malha, diminuindo assim o consumo de energia.

A partir do HART revisão 6, o comando #6 foi modificado para permitir que


o transmissor mantenha a sinalização 4-20 mA mesmo com o transmissor
em um endereço diferente de 0. Na prática, quando utilizamos o modo
multidrop, não mantemos o sinal 4-20 mA, utilizando apenas o protocolo
HART para requisitar informações dos equipamentos da malha.
Além disso, a revisão 6 do protocolo HART aumentou o número de
endereços curtos de 16 (0 até 15) para 64 (0 até 63). Na teoria, isso permitiria
colocarmos até 63 instrumentos em uma mesma malha multidrop. No
entanto, por conta de ruídos e outras considerações elétricas, o protocolo
HART recomenda ligarmos no máximo 16 instrumentos em uma mesma
malha.

Apesar da ligação multidrop ser padronizada pela norma HART, ela não é
utilizada na maioria das malhas de controle HART. Isso ocorre por conta da
baixa velocidade de transmissão do protocolo (1200 bits por segundo), o
que torna a comunicação com múltiplos instrumentos em uma mesma
malha muito lenta.

Além disso, como a ligação multidrop na maior parte dos casos


impossibilita a sinalização 4-20 mA, ela faz com que instrumentos
utilizados nesse tipo de ligação percam a compatibilidade com sistemas
de controle 4-20 mA existentes, o que anula a grande vantagem do
protocolo HART em relação a outros protocolos de comunicação industrial.

Como os sinais digitais são interpretados no


protocolo HART: a camada de enlace
Para realização da comunicação digital, não basta gerarmos sinais binários
(valores 0 e 1): precisamos definir como esses sinais são agrupados, como a
transmissão de sinais é controlada, e qual o significado dos sinais. Essa
definição faz parte da chamada camada de enlace (Data Link Layer) ou
camada 2 do protocolo, que é descrita pelo documento HCF_SPEC-081.

Formato de bytes
No protocolo HART, as informações trocadas entre um host e um
instrumento de campo são agrupadas em sequências de 8 bits – ou seja,
bytes – que podem ser interpretados como um número de 0 até 255.

Os bytes são enviados de acordo com o padrão UART, incluindo 1 bit


adicional no início do byte (conhecido como start bit), 1 bit adicional de
paridade ímpar (parity bit, usado para detectar erros nos bits transmitidos),
1 bit ao final do byte (conhecido como stop bit).

O enquadramento ou formato dos bytes no protocolo HART é ilustrado na


figura abaixo:
Formato dos bytes ou caracteres de mensagem no protocolo HART
Como podemos ver, o start bit e o stop bit são utilizados para delimitar
cada byte de informações transmitidas, permitindo que o host e os
instrumentos de campo saibam diferenciar um byte de outro byte.

Após o start bit, 8 bits de dados são enviados em sequência. No protocolo


HART, os bits de dados são enviados na ordem LSB (least significant bit),
ou seja, o bit de menor valor (D0 na figura acima) é enviado primeiro.

O bit de paridade é enviado logo após os bits de dados, e logo antes do


stop bit. Ele é utilizado para verificar se os bits de dados foram recebidos
corretamente. Ele é calculado da seguinte forma: comece com o valor do
bit de paridade igual a 1 – se o bit de dados D0 for igual a 1, troque o valor
do bit de paridade para 0, caso contrário mantenha o valor do bit de
paridade igual ao seu valor atual. Continue checando os bits de dados D1
até D7: sempre que o valor de um bit de dados for igual a 1, troque o valor
do bit de paridade de 1 para 0 ou de 0 para 1; se o bit de dados for igual a 0,
não altere o valor do bit de paridade. Após seguir esse procedimento para
os 8 bits de dados, você terá o valor do bit de paridade.

Caso um dos bits de dados seja recebido de forma incorreta por conta de
interferência eletromagnéticas ou ruídos (por exemplo, um bit 0 foi
recebido como se fosse um bit 1), o bit de paridade permitirá detectarmos
esse erro e ignorarmos as informações recebidas. Esse tipo de verificação
de paridade é conhecido como paridade vertical no protocolo HART.
Como a velocidade de transmissão do protocolo HART FSK é de 1200 bits
por segundo, e cada byte de dados é transmitido com 3 bits adicionais
(start, paridade e stop) totalizando 11 bits, o tempo de transmissão de cada
byte de dados é de aproximadamente 9,17 ms.

Formato das mensagens ou unidade de dados do


protocolo (PDU)
Uma vez que entendemos como cada byte de informação é transmitido,
precisamos entender como os bytes são agrupados para transmitir
informações entre um host e um instrumento de campo.

Como já explicamos anteriormente, o protocolo HART utiliza um padrão de


comando e resposta para troca de informações: o host inicia a
comunicação enviando um comando para um instrumento HART
específico, que recebe o comando, realiza alguma ação ou configuração
baseada nesse comando, e envia uma resposta ao host.

Os comandos e as respostas são enviados através de mensagens ou


unidades de dados do protocolo (PDUs, do inglês Protocol Data Unit). A
estrutura das mensagens do protocolo HART é ilustrada abaixo:

Estrutura das mensagens do protocolo HART

Preâmbulo (Preamble)
Toda mensagem do protocolo HART, seja ela um comando do host ou uma
resposta do instrumento HART, é precedida por um preâmbulo. O
preâmbulo composto por uma sequência de 5 a 20 bytes todos com o
mesmo valor: 255 (ou 0xFF em notação hexadecimal).

O preâmbulo não é considerado parte da mensagem, pois ele não carrega


nenhuma informação. A sua função é apenas sincronizar os modems do
transmissor e do receptor. Normalmente, um host inicia a comunicação
com um instrumento enviando o comando #0 (Ler Identificador Único)
com um preâmbulo de 20 bytes para aumentar a chance de sucesso na
comunicação.

Na resposta do comando #0, o instrumento HART irá indicar o número


mínimo de bytes de preâmbulo que o host deve enviar nos próximos
comandos, além do número de bytes de preâmbulo que o instrumento irá
inserir em suas respostas. O host pode mudar o número de bytes de
preâmbulo na resposta do instrumento através do comando #59 (Escrever
Número de Preâmbulos de Resposta).
Delimitador (Delimiter)

O delimitador é enviado logo após o fim do preâmbulo. Ele é composto por


um único byte, e é considerado o verdadeiro início da mensagem do
protocolo HART. Para se diferenciar dos bytes do preâmbulo, seu valor
nunca será igual a 255.

O valor do delimitador indica diversas coisas:

1.​ O tipo de mensagem (host para instrumento ou instrumento para


host).
2.​ O tipo de meio físico (FSK, CPK) utilizado na transmissão da
mensagem.
3.​ O número de bytes de expansão utilizados na mensagem.
4.​ O tipo de endereço utilizado para identificar o instrumento de
campo (endereço curto ou longo).
A imagem abaixo detalha melhor as informações transmitidas no
delimitador e a sua ordem.
Podemos ver que os 3 bits menos significativos são utilizados para
identificar o tipo de frame ou mensagem. Os três tipos de mensagens são
as seguintes:
1.​ Mensagem burst (BACK)– identificada pelo valor 1, esse tipo de
mensagem foi introduzido na revisão HART 6. Um instrumento pode
ser colocado no modo burst para enviar continuamente mensagens
sem precisar de um comando do host. A aplicação mais comum do
modo burst é para que o instrumento envie continuamente a
medição do processo sem que o host precise pedir, acelerando a
velocidade de atualização das informações. O modo burst é pouco
utilizado na prática, pois usa implantação normalmente implica a
substituição da sinalização 4-20 mA pelo protocolo HART no controle
do processo, o que não é comum.
2.​ Mensagem do host para o instrumento (STX) – identificada pelo valor
2, esse tipo de mensagem é o que comumente chamamos de um
“comando” ou request. Toda mensagem desse tipo (STX) deve ser
respondida com uma mensagem do instrumento (ACK).
3.​ Mensagem do instrumentopara o host (ACK) – identificada pelo valor
6, esse tipo de mensagem é enviado em resposta a uma mensagem
do host (ACK). Por isso, é conhecida como “resposta” ou reply.
Os dois bits seguintes ao bit do tipo de mensagem são os bits do meio
físico. Para o meio físico FSK (o mais comum e o que abordamos nesse
artigo), o valor desses bits é 0 (assíncrono).

Após os bits do meio físico, temos mais dois bits que indicam o número
dos bytes de expansão da mensagem (0 a 3). Os bytes de expansão são
uma outra parte da mensagem, e sua utilização ainda é restrita pelo
FieldComm Group. Por conta disso, o valor desses bits na imensa maioria
dos casos é 0.

Por fim, temos um último bit que indica o tipo de endereço utilizado na
mensagem: 0 para endereço curto, e 1 para endereço longo. O campo de
endereço é explicado em mais detalhes na próxima seção.

Considerando as informações acima, o delimitador irá possuir apenas


alguns valores possíveis quando considerarmos o meio físico FSK:
Valores do byte delimitador dependendo do tipo de endereço e tipo de
mensagem

Endereço (Address)

O protocolo HART especifica dois tipos de endereços utilizados para


identificar instrumentos de campo:

1. Endereço curto (polling address): o endereço curto é composto por um


único byte. O bit mais significativo sinaliza o tipo de host/mestre (1 =
primário, 0 = secundário) e o bit seguinte se o modo burst está ativado ou
desativado (no caso das mensagens enviados pelo host, esse bit deve ser
sempre 0). Os 6 bits seguintes representam o endereço curto do
instrumento de campo, de 0 até 63.

2. Endereço longo (long address ou unique address): o endereço longo ou


endereço único é composto por 5 bytes. Os dois primeiros bits mais
significativos sinalizam o tipo de host/mestre e se o modo burst está
ativado ou desativado, da mesma forma que o endereço curto. Os 38 bits
restantes formam um endereço único do instrumento.

Normalmente, na primeira comunicação entre um host e um instrumento


de campo, o host irá utilizar o endereço curto para se comunicar com o
instrumento. Como existem no máximo 64 endereços curtos diferentes (0
até 63), o host pode fazer uma busca por cada endereço utilizando o
comando #0 (comando de identificação) para tentar encontrar os
instrumentos conectados naquela malha.

Na resposta ao comando #0, o instrumento irá identificar o seu endereço


único. A partir daí, o host pode utilizar o endereço longo para enviar as
mensagens seguintes ao instrumento.

Bytes de Expansão (Expansion Bytes)

Os bytes de expansão são até 3 bytes opcionais utilizados para transmitir


informação adicional. Até o presente momento, não há uma padronização
do seu significado, e seu uso é restrito pelo FieldComm Group. Por conta
disso, na imensa maioria dos casos eles não são utilizados nas mensagens
HART.

Número do Comando (Command)

O byte de número de comando, ou simplesmente comando, é utilizado


para identificar o comando HART que está sendo enviado pelo host, ou o
comando que está sendo respondido pelo instrumento.

Os valores possíveis para esse byte vão de 0 até 253 (os valores 254 e 255
são reservados pela norma). Em especial, o valor 31 (0x1F) é utilizado para
indicar um comando expandido.

Os comandos expandidos possuem 2 bytes para representar o seu número,


permitindo assim um número maior de comandos. No caso dos comandos
expandidos, o número real do comando é especificado nos dois primeiros
bytes do campo de dados.

Número de Bytes (Byte Count)


O campo de número de bytes indica o tamanho do campo de dados
transmitido na mensagem. Esse valor é composto por um único byte, o
que permite, portanto, o envio de 0 até 255 bytes de dados em uma única
mensagem.

Dados (Data)
O campo de dados possui de 0 até 255 bytes, e contém as informações que
efetivamente são de interesse na comunicação entre um host e um
instrumento HART. O campo de dados, assim como o campo de comando
já detalhado nas seções anteriores, faz parte da camada de aplicação ou
camada 7 do protocolo HART.

Detalhe do campo de dados do protocolo HART

Nem todo comando possui um campo de dados. Por exemplo, o comando


#0, utilizado pelo host para identificar um instrumento, é enviado com o
campo de dados vazio, pois o host não transfere nenhuma informação para
o instrumento de campo através desse comando.

No entanto, toda resposta do instrumento para o host inclui no mínimo 2


bytes de dados, que fazem parte do que chamamos de status do comando
(command status).
Detalhe do status do comando do protocolo HART

O status de comando é enviado no início do campo de dados pelo


instrumento. Seu primeiro byte indica informações sobre o status da
comunicação com o host, enquanto o seu segundo byte indica
informações sobre o estado do instrumento de campo.

O primeiro byte do status de comando pode representar um código de


resposta (response code) do instrumento para o host, indicando se houve
algum erro na execução do comando e informações adicionais sobre o
comando recebido. Os códigos de resposta possuem valores padronizados
para cada comando, mas o bit mais significativo do código de resposta
sempre é 0.

Caso o instrumento tenha detectado algum erro na comunicação (não um


erro na execução do comando, mas sim na mensagem enviada pelo host),
esse primeiro byte será transformado em um status de comunicação,
indicado pelo bit mais significativo possuir o valor 1 ao invés do valor 0 que
é utilizado para códigos de resposta. Cada bit do status de comunicação
indica uma falha diferente que pode ser detectada pelo instrumento,
conforme a figura abaixo:
O segundo byte do status do comando sempre possui o mesmo
significado, e é chamado de status do instrumento (field device status),
pois dá mais informações sobre a condição de operação do instrumento de
campo. Cada bit do status do instrumento indica uma condição diferente,
conforme a imagem abaixo:

Após os bytes de status do comando, os dados do comando são enviados.


Os dados do comando podem tomar vários formatos, podendo indicar
números inteiros ou números de ponto flutuante, letras, horários, valores
de uma tabela, entre outros. Os formatos padrão para os dados do
comando são especificados no documento HCF_SPEC-099 (Command
Summary Specification) na seção Data Types.

Byte de Checagem (Check Byte ou Checksum)


O byte de checagem ou checksum é sempre o último byte de uma
mensagem. A sua função é fornecer uma etapa adicional de detecção de
erros nos dados enviados na mensagem, além da checagem já realizada
pelo bit de paridade.

O byte de checagem é calculado através da aplicação da operação de “ou


exclusivo” (XOR ou exclusive or, em inglês) em todos os bytes da
mensagem, desde o delimitador até o último byte de dados. Para
entendermos o efeito prático dessa operação, vejamos como o valor do
primeiro bit do checksum é calculado.

Primeiramente, pegamos o primeiro bit do delimitador e o comparamos


com o primeiro bit do byte seguinte (no caso, do endereço). Se os bits
forem iguais, obtemos o valor 0, e se eles forem diferentes, obtemos o valor
1. Em seguida, comparamos o valor obtido (0 ou 1), com o primeiro bit do
byte seguinte, repetindo a mesma lógica (se os bits forem iguais, obtemos
o bit 0, caso contrário, obtemos o bit 1). Continuamos com esse mesmo
procedimento até chegarmos ao último byte da mensagem antes do
checksum. O valor final do bit calculado é definido como o valor do
primeiro bit do checksum.

Para calcularmos o valor dos outros bits do checksum, repetimos o mesmo


procedimento, mas ao invés de pegarmos o primeiro bit de cada byte da
mensagem, comparamos o bit correspondente ao bit que queremos
calcular.

Se imaginarmos todos os bytes da mensagem dispostos em sequência da


esquerda para direita, com os seus 8 bits de dados empilhados de cima
(começando pelo bit 0) para baixo, encerrando com o bit de paridade,
podemos ver por que o bit de paridade é referido como a paridade vertical
e o byte de checagem como a paridade longitudinal:
Diagrama ilustrando os métodos de detecção de erros do protocolo HART

Como podemos ver, o bit de paridade combina os bits de cada byte para
obter uma detecção de erro dentro de cada byte. Por outro lado, o byte de
checagem combina os bits de uma mesma posição de cada byte para
obter uma detecção de erros entre bytes.

A combinação desses dois métodos permite que o protocolo HART


obtenha uma boa performance na detecção de erros causados por ruídos
na malha ou interferência eletromagnética causada por fontes externas.

Os comandos HART: a camada

de aplicação
Na seção anterior falamos um pouco sobre como o campo de número de
comando e o campo de dados das mensagens formam a camada de
aplicação ou camada 7 do protocolo HART. Essa camada pode ser
considerada a mais importante de qualquer protocolo, pois é ela que
envolve aquilo que realmente queremos fazer através do protocolo de
comunicação.

Por exemplo, no protocolo HART, é através dos comandos e dos dados


associados a eles que podemos ler e modificar as configurações dos
instrumentos de campo, assim como obter informações dos instrumentos,
como valores das medições, status de operação, diagnóstico de falhas,
entre outros. Todas as outras camadas do protocolo apenas tornam
possível que a camada de aplicação seja implementada de forma robusta
(com o mínimo de erros possíveis) e eficiente.

Os comandos HART podem ser agrupados em diferentes tipos, conforme


ilustrado na figura abaixo:

Tipos de comando do protocolo HART

●​ Comandos Universais: todos os instrumentos de campo que


implementam o protocolo HART devem reconhecer e suportar os
comandos universais. Esses comandos são definidos no documento
HCF_SPEC-127 (Universal Command Specification). Alguns exemplos
de comandos universais são:
○​ Comando #0 – Ler Identificador Único: comando que deve ser
enviado inicialmente pelo host para obter o identificador único
do instrumento, e assim poder determinar o endereço longo
do instrumento. Nesse comando, o instrumento também
reporta outras informações ao host, como fabricante, revisão
HART implementada pelo instrumento e revisão de firmware.
○​ Comando #1 – Ler Variável Primária (PV): Lê o valor atual da
variável primária medida ou controlada pelo instrumento,
assim como a unidade atual dessa variável.
○​ Comando #6 – Escrever Endereço Curto: Modifica endereço
curto (polling address) do instrumento de campo.
○​ Comando #13 – Ler Tag, Descrição e Data: Lê a tag eletrônica,
descrição e data gravadas no instrumento.
○​ Comando #15 – Ler Informações do Instrumento: Lê a faixa de
operação, valor do filtro, função de transferência e configuração
de alarme do instrumento.
○​ Comando #18 – Escrever Tag, Descrição e Data: Modifica a tag
eletrônica, descrição e data gravadas no instrumento.
○​ Comando #48 – Ler Status Adicionais do Instrumento: Lê os
status adicionais com informações operacionais do
instrumento.
●​ Comandos de Prática Comum: esse grupo de comandos
representam funções que são muito comuns em diversos
instrumentos de campo, mas não são necessariamente
implementados por todos os tipos de instrumentos. Esses comandos
são especificados no documento HCF_SPEC-151 (Common Practice
Command Specification). Alguns comandos desse tipo incluem:
○​ Comando #35 – Escrever Faixa da Variável Primária: Comando
que altera a faixa de operação da variável primária do
instrumento.
○​ Comando #36 – Definir Valor Superior da Faixa: Comando que
define a valor superior da faixa de operação como igual ao
valor medido pelo instrumento no momento que o comando é
enviado. Corresponde a função ou botão SPAN presente em
muitos instrumentos.
○​ Comando #37 – Definir Valor Inferior da Faixa: Comando que
define a valor inferior da faixa de operação como igual ao valor
medido pelo instrumento no momento que o comando é
enviado. Corresponde a função ou botão ZERO presente em
muitos instrumentos.
○​ Comando #43 – Definir Zero da Medição: Corrige a medição do
instrumento, zerando o valor medido quando o comando é
enviado. Conhecido também como ajuste de zero ou trim de
zero.
○​ Comando #44 – Modificar Unidade da Variável Primária: Altera
a unidade da variável primária do instrumento.
○​ Comando #45 – Ajustar Zero da Corrente: Comando utilizado
para corrigir o valor inferior da saída de corrente, normalmente
4,0 mA.
○​ Comando #46 – Ajustar Ganho da Corrente: comando utilizado
para corrigir o valor superior da saída de corrente,
normalmente 20,0 mA.
●​ Comandos de Família: esse grupo de comandos representam
funções que são muito comuns em um certo tipo de instrumento de
campo, como transmissores de temperatura ou transmissores de
vazão. Esses comandos são especificados no documento
HCF_SPEC-160 (Device Families Command Specification). As famílias
padronizadas pela norma são Instrumentos de Temperatura,
Instrumentos de Controle PID e Instrumentos de Nível. Alguns
comandos desse grupo incluem:
○​ Instrumentos de Temperatura – Comando #1025 – Ler
Configuração de Temperatura: Comando que lê o tipo de
sensor de temperatura, número de fios, padrão de temperatura
e conexão do sensor de temperatura.
○​ Instrumentos de Controle PID – Comando #1796 – Ler
Constantes de Sintonização do PID: Lê os valores das
constantes proporcional, integral e derivativa do controle PID.
○​ Instrumentos de Nível – Comando #2822 – Ler Configuração do
Sensor: Lê os valores de offset, compensação e outros do
instrumento de medição de nível
●​ Comandos Específicos: esse grupo de comandos representam
funções que são criadas pelo fabricante do instrumento de campo, e
correspondem a funções que aquele modelo específico de
instrumento possui. Esses comandos não são especificados pela
norma do protocolo HART, mas sim em documentos do próprio
fabricante. Alguns exemplos de comandos desse grupo incluem:
○​ Alterar funções da tela/display: Alguns instrumentos de campo
possuem telas ou displays LCD. Para configurar as indicações
do display, os fabricantes do instrumento normalmente criam
comandos para alterar a variável mostrada na tela, o brilho da
tela, entre outras opções.
○​ Comandos de calibração especializados: Muitos instrumentos
possuem um procedimento de calibração específico que é
implementado pelo fabricante através de comandos HART.
○​ Alterar configurações de totalização: A função de totalização
realizada por alguns instrumentos não é padronizada pela
norma, e por isso é normalmente implementada através de
comandos específicos.
●​ Comandos WirelessHART: esses comandos são definidos no
HCF_SPEC-155 (Wireless Command Specification), e são exclusivos
para instrumentos que implementam o protocolo WirelessHART.
Alguns exemplos desses comandos são:
○​ Comando #773 – Escrever ID de Rede: Configura o instrumento
WirelessHART para reconhecer o ID de rede correto.
○​ Comando #778 – Ler Nível da Bateria: Lê o nível da bateria do
instrumento WirelessHART.
●​ Comandos de Fábrica/Comandos Não-Públicos: essa categoria inclui
comandos criados pelos fabricantes dos instrumentos de campo,
mas que não são divulgados para o público. Normalmente, são
comandos utilizados na produção dos instrumentos, seja para
realizar configurações de fábrica ou testes dos equipamentos. Alguns
exemplos são:
○​ Escrever número de série do instrumento: Na produção dos
instrumentos, é necessário gravar o número de série do
equipamento. Isso pode ser feito através de um comando
HART de fábrica.
○​ Alterar informações do transdutor (limites, resolução): As
informações do transdutor são consideradas imutáveis pelos
usuários do equipamento, porém o fabricante precisa gravar
essas informações na memória do equipamento durante a
produção.
○​ Calibração de fábrica do sensor: Calibrações de fábrica podem
ser realizadas através de comandos HART, permitindo mais
agilidade na produção.

Tipos de dispositivos

compatíveis com o protocolo

HART
O protocolo HART é utilizado em uma ampla gama de instrumentos de
campo, incluindo:

●​ Transmissores de pressão e temperatura


●​ Transmissores de nível e vazão
●​ Posicionadores de válvula inteligentes
●​ Conversores de sinal e módulos I/O inteligentes

Benefícios do uso do protocolo

HART
A utilização do protocolo HART em aplicações industriais oferece diversos
benefícios, como:

●​ Configuração remota de instrumentos (faixa, filtro/damping, TAG)


●​ Leitura de variáveis secundárias (ex: temperatura ambiente, status de
alarme)
●​ Diagnóstico de falhas em tempo real
●​ Ajuste remoto via software
●​ Manutenção preditiva baseada em dados coletados remotamente,
reduzindo o tempo em paradas não programadas de manutenção e
correção

Ferramentas para comunicação

através do protocolo HART


A comunicação com dispositivos que possuem o protocolo HART exige o
uso de ferramentas e softwares compatíveis que possibilitem acesso à
estrutura digital do instrumento.

A comunicação com dispositivos HART pode ser feita de diferentes formas:


Interface ou modem HART com tablet, computador ou notebook: permite
a comunicação entre um computador e o instrumento através de um
software de configuração HART.

Tablet industrial comunicando-se com transmissor de pressão HART


através de interface HART modelo SHI110 (inclui alimentação 24 Vcc) e
software PACTware

Softwares como PACTware, DevCom2000, Sharp D ou Sharp S10: Softwares


de configuração HART que utilizam arquivos DD (Device Description),
DTMs (Device Type Manager) ou implementam um host HART com
comandos universais e de prática comum para possibilitar a configuração
de instrumentos que possuem protocolo HART.

Configurador portátil: dispositivos específicos com interface de


comunicação dedicada, botões ou tela touchscreen.

Multiplexadores HART: permitem conexão de vários instrumentos em


redes de supervisão.

Em todos os casos, o uso de um resistor de carga (normalmente 250 Ω) no


loop de corrente é essencial para garantir a leitura correta do sinal digital.
As diferenças entre protocolos

totalmente digitais e o

protocolo HART
Embora o HART seja uma solução digital, ele é considerado um protocolo
híbrido, pois opera em conjunto com a transmissão analógica. Em
comparação com outros protocolos puramente digitais como Profibus PA,
Modbus RTU e FOUNDATION Fieldbus (FF), o HART possui as seguintes
características:

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