Escola Secundária Mártires de Mbuzine
Trabalho português
Turma B1.1
12ª Classe
Literatura moçambicana
Discentes:
Adriano Muchaga - N° 2
Elias zandamela - N° 16
Glácio João - N° 22
Iflónio Faranguana - N° 24
Jéssica Chachaia N° 27
Tírcia Here - N° 39
Vânia Arcenia - N° 40
Docente: Francisco macatla macamo
Maputo, Outubro de 2024
índice
Objectivos ....................................................................................................................................... 3
Objecto geral ............................................................................................................................... 3
Objectivos específicos ................................................................................................................. 3
Introdução ....................................................................................................................................... 4
Desenvolvimento ............................................................................................................................ 5
Literatura política e de combate ...................................................................................................... 6
3. O papel de José Craveirinha, Noémia de Sousa e Rui de Noronha, na formação da
Literatura Moçambicana ................................................................................................................. 7
3.1 O papel de José Craveirinha ................................................................................................. 7
3.2 O papel de Noémia de Sousa................................................................................................ 8
Conclusão...................................................................................................................................... 10
Referências bibliográficas ............................................................................................................. 11
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Objectivos
Objecto geral
Conhecer a história da literatura moçambicana
Objectivos específicos
Adquirir conhecimentos básicos sobre o surgimento da literatura moçambicana
Reconhecer os percursores da literatura moçambicana nas diferentes fases da sua história
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1. Introdução
A literatura moçambicana, como muitas outras literaturas africanas de língua portuguesa, tem
uma história rica e complexa que está intimamente ligada ao desenvolvimento da imprensa no
país e ao contexto sociopolítico de Moçambique. Esta introdução visa oferecer uma visão geral
do surgimento e evolução da literatura moçambicana, desde seus primórdios no início do século
XX até o período pós-independência.
O nascimento da literatura moçambicana está intrinsecamente relacionado com a emergência de
publicações periódicas, como jornais e revistas, que serviram como plataformas cruciais para os
primeiros escritores moçambicanos expressarem suas ideias e criatividade. Estas publicações não
apenas deram voz aos autores locais, mas também contribuíram para a formação de uma
identidade literária moçambicana distinta.
Ao longo deste texto, exploraremos os momentos-chave, as figuras proeminentes e as obras
seminais que moldaram o panorama literário de Moçambique. Desde os primeiros poetas e
ficcionistas até os autores contemporâneos internacionalmente reconhecidos, traçaremos o
percurso da literatura moçambicana através de suas diferentes fases, incluindo o período
colonial, a luta pela independência e o Moçambique pós-colonial.
Esta jornada pela literatura moçambicana não apenas nos permitirá apreciar a riqueza e
diversidade das vozes literárias do país, mas também nos ajudará a compreender como a
literatura serviu como um meio de expressão cultural, resistência política e construção da
identidade nacional ao longo da história de Moçambique.
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2. Desenvolvimento
Surgimento da literatura moçambicana
O surgimento da literatura moçambicana seguiu quase os mesmos passos que a formação das
outras literaturas africanas da língua portuguesa. O referido caminho é em relação à imprensa.
Segundo Laranjeira (1992), o mais importante a destacar na imprensa da época é, O Brado
Africano (1918) dos irmãos José e João Albasini, de orientação para temas das populações
locais, em que se reúnem os autores como Rui de Noronha, Fonseca Amaral ou Virgílio Lemos.
João Albasini é também autor de uma obra fundacional na poesia moçambicana, O Livro da Dor
(1925). Por outro lado, os primórdios da ficção devem-se a João Dias com Godido (1952).
O autor acima afirma também que, nos inícios do século XX escreve também Rui de Noronha
(Sonetos, 1946, postumamente). Mais tarde surgem as revistas Itinerário (1941–1955) e,
sobretudo, Msaho (1952), preocupada com a “moçambicanidade”, com número único, em cujas
páginas foi publicado o que era essencial na poesia da época.
Neste período, antes da independência, há pelo menos três poetas que devem ser salientados:
Noémia de Sousa (Sangue Negro), José Craveirinha, o “poeta nacional”, com obra nos jornais,
revistas e gavetas (Xigubo, 1964, Karingana ua Karingana, 1974, Cela 1, 1980, e Maria, 1988) e
Rui Knopfli (Mangas Verdes com Sal, 1969).
Ainda nesta senda, Laranjeira (1992) sublinha que, na prosa destaca-se Luís Bernardo Honwana
(Nós Matámos o Cão Tinhoso, 1964) e Orlando Mendes, o autor do primeiro romance
moçambicano (Portagem, 1966). Em 1971–1972 saem ainda os cadernos Caliban sob a direcção
de António Quadros, Eugénio Lisboa e Rui Knopfli, de carácter cosmopolita, não vinculado à
luta pela libertação, onde são publicados autores portugueses ao lado de moçambicanos.
Após a independência, aparece a revista Charrua (1984), em que se revelam os novos autores
como Ungulani Ba Ka Khosa, e Gazeta de Artes e Letras (da revista Tempo), dirigida por Luís
Carlos Patraquim, um dos maiores nomes da poesia contemporânea (Monção, 1980). Entre os
autores contemporâneos, mundialmente conhecidos e traduzidos, destacam-se Mia Couto e
Paulina Chiziane.
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Literatura política e de combate
Ferreira (1976) afirma que, a literatura política e de combate em Moçambique surgiu no contexto
da luta pela independência do país, que durou de 1964 a 1974. Esse movimento literário teve
como principal objectivo mobilizar a população para a luta contra o colonialismo português e
reivindicar a afirmação da identidade moçambicana.
O nacionalismo e a moçambicanidade foram temas centrais dessa literatura. Os escritores e
poetas procuraram destacar a cultura e as tradições do povo moçambicano, evidenciando a sua
diversidade e riqueza, ao mesmo tempo em que denunciavam a exploração e a opressão imposta
pelo colonialismo português.
Um exemplo dessa preocupação com a afirmação da identidade moçambicana pode ser visto no
poema “Identidade”, de José Craveirinha em que o autor ressalta a importância da cultura e da
língua moçambicanas como elementos fundamentais da identidade do povo do país.
Para Laranjeira (1992), Outro importante escritor da literatura de combate em Moçambique foi
Luís Bernardo Honwana, que em seu livro “Nós Matámos o Cão Tinhoso”, retracta a vida das
populações rurais moçambicanas sob o domínio colonial. O livro evidencia a luta pela
sobrevivência em um contexto de opressão e exploração, destacando a resistência e a força do
povo moçambicano.
Noémia de Sousa, por sua vez, foi uma importante poetisa e jornalista que se destacou por seus
poemas de cunho político e social. Em sua poesia, ela denuncia a exploração e a opressão
imposta pelo colonialismo português, evidenciando a importância da luta pela liberdade e pela
igualdade de direitos. Em seu poema “A África Chora”, Noémia de Sousa retracta a dor e o
sofrimento do povo africano diante das injustiças e das violências cometidas pelo colonialismo.
A literatura de combate deixou um importante legado na história cultural e política do país,
evidenciando a importância da luta pela liberdade e pela igualdade de direitos. Além dos autores
acima, há que ressaltar que Kalungano, Armando Guebuza e outros poetas e escritores foram
muito importantes neste período.
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Em suma, A literatura de combate em Moçambique refere-se à produção literária que surgiu
durante o período de luta armada pela independência do país, que durou de 1964 a 1974. Essa
literatura teve como objectivo principal mobilizar a população moçambicana para a luta contra o
colonialismo português, além de documentar e denunciar as atrocidades cometidas pelos
colonizadores.
O papel de José Craveirinha, Noémia de Sousa e Rui de Noronha, na formação da
Literatura Moçambicana
José Craveirinha, Noémia de Sousa e Rui de Noronha desempenharam importantes papeis na
formação da literatura Moçambicana. Abaixo faz-se uma breve análise sobre o papel de cada um
deles.
O papel de José Craveirinha
Segundo Lopes (2002), José Craveirinha é considerado um dos principais escritores
moçambicanos e teve um papel fundamental na formação da literatura do país. Como poeta,
contista e jornalista, Craveirinha destacou-se pela sua preocupação com as questões sociais e
políticas de Moçambique, evidenciando a luta do povo moçambicano contra o colonialismo
português.
Uma das principais contribuições de Craveirinha foi a sua colaboração no “O Brado africano”
fundano pelos irmãos Albasine. O Brado Africano foi uma importante plataforma para a
divulgação da literatura moçambicana e africana em geral. A revista foi lançada em 1948 e se
tornou um espaço de resistência cultural e política, onde escritores e intelectuais moçambicanos
puderam expressar suas ideias e denunciar as injustiças do colonialismo.
Além disso, Craveirinha é conhecido por ter introduzido a poesia moderna em Moçambique,
influenciando gerações de poetas que vieram depois dele. Sua poesia, que muitas vezes aborda
temas como a identidade moçambicana, a luta pela liberdade e a injustiça social, trouxe uma
nova sensibilidade à literatura do país e ajudou a definir uma estética literária própria.
Outra importante contribuição de Craveirinha para a literatura moçambicana foi a sua
preocupação com a língua portuguesa como ferramenta de expressão literária. Craveirinha
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acreditava que a literatura moçambicana deveria ser escrita em português, mas que os escritores
deveriam buscar uma linguagem que fosse ao mesmo tempo acessível ao público e rica em
elementos culturais moçambicanos.
Em sua obra, Craveirinha evidencia uma profunda conexão com a cultura e a história do povo
moçambicano, e sua poesia é permeada de elementos simbólicos e referências a tradições orais.
Seu trabalho abriu caminho para uma nova geração de escritores e poetas que vieram depois dele
e que se inspiraram em sua visão de uma literatura moçambicana comprometida com a luta pela
liberdade e a afirmação da identidade do país.
Em resumo, o papel de José Craveirinha na formação da literatura moçambicana foi
fundamental, tanto por sua actuação como editor e divulgador da literatura do país, quanto por
sua contribuição como poeta e defensor de uma linguagem literária acessível e rica em elementos
culturais moçambicanos. Sua obra e visão literária influenciaram profundamente a literatura de
Moçambique e continuam a inspirar novas gerações de escritores e poetas.
O papel de Noémia de Sousa
Noémia de Sousa foi uma importante figura na formação da literatura moçambicana,
especialmente por seu trabalho como poeta, jornalista e activista. Como muitos escritores da
época, Noémia de Sousa buscou abordar em sua obra questões sociais e políticas que afectavam
o povo moçambicano durante o período colonial.
Para Leite (2005), uma das principais contribuições de Noémia de Sousa para a literatura
moçambicana foi sua poesia, que foi considerada inovadora e revolucionária em seu tempo. Sua
obra, “Sangue Negro” aborda temas como a luta pela libertação, a opressão colonial e a
afirmação da identidade negra moçambicana.
Além disso, Noémia de Sousa foi uma das primeiras escritoras moçambicanas a utilizar a língua
portuguesa de forma consciente e crítica, buscando subverter a linguagem dominante e torná-la
mais acessível ao público moçambicano. Em sua poesia, ela frequentemente incorporou
elementos da cultura moçambicana, como provérbios, cantigas e mitos, e fez uso da língua
ronga, uma das línguas nativas de Moçambique.
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Outra importante contribuição de Noémia de Sousa foi a sua actuação como jornalista e activista
político. Ao longo de sua carreira, Noémia de Sousa desafiou as normas literárias e culturais da
época, utilizando a poesia como uma forma de resistência e afirmação da identidade
moçambicana. Sua obra e actuação política inspiraram gerações de escritores e activistas e
ajudaram a definir uma estética literária própria para Moçambique (Leite, 2005).
Papel de Rui de Noronha
Rui de Noronha, nascido em 1909 em Moçambique, foi uma das figuras mais importantes na
formação da literatura moçambicana, particularmente na poesia. A sua obra é uma referência
incontornável para a literatura moçambicana e lusófona e é considerada uma expressão singular
da poesia africana em língua portuguesa.
Segundo Ferreira (1976), Rui de Noronha, como muitos escritores da sua geração, lutou contra o
colonialismo português e procurou afirmar a sua identidade moçambicana através da literatura. A
sua obra poética revela uma sensibilidade muito apurada para as tradições e a cultura
moçambicana, ao mesmo tempo que denuncia a exploração colonial e a opressão racial.
Na poesia de Rui de Noronha, é frequente encontrar uma forte crítica social e uma denúncia da
exploração do povo moçambicano pelo colonizador. A sua poesia também destaca o orgulho na
cultura africana e a luta pela libertação dos povos africanos. Como afirmou o próprio Rui de
Noronha, a sua poesia tinha como objectivo “criar um sentimento de moçambicanidade, que não
significasse o antagonismo racial ou o isolamento, mas a compreensão e o amor pela terra e pelo
povo moçambicano”, Laranjeira (1992).
Em resumo, o papel de Rui de Noronha na formação da literatura moçambicana foi fundamental,
sobretudo pela sua poesia inovadora e crítica, que se tornou uma referência para a literatura
africana de língua portuguesa.
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Conclusão
Em suma, a literatura moçambicana é um importante património cultural, que reflecte a história e
as lutas do povo de Moçambique. A literatura política e de combate desempenhou um papel
fundamental na luta pela independência e na construção da identidade nacional, ao expressar as
aspirações e os desafios enfrentados pelo país. Ao longo deste trabalho, foi possível compreender
como José Craveirinha, Noémia de Sousa e Rui de Noronha são algumas das figuras mais
proeminentes na formação da literatura moçambicana e como suas obras literárias e seus
engajamentos políticos e sociais foram fundamentais para a construção da identidade nacional e
da moçambicanidade.
Por meio da análise desses autores, pudemos perceber como a literatura pode ser um instrumento
poderoso de expressão e transformação social. Além disso, esses autores também mostram a
importância da resistência e da luta pela liberdade e pelos direitos humanos, em um contexto de
opressão e exploração. A literatura de combate moçambicana, portanto, é um exemplo de como a
arte pode ser uma forma de luta e de resistência contra as injustiças sociais e políticas.
Por fim, é importante ressaltar que a literatura moçambicana ainda continua a se desenvolver e a
se transformar, assim como a própria história e as lutas do povo moçambicano. Portanto, é
fundamental valorizar e estudar a literatura moçambicana e suas raízes históricas, a fim de
compreendermos melhor a diversidade cultural e a complexidade política do país e da África
como um todo.
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Referências bibliográficas
FERREIRA, M. (1998). No Reino de Caliban. Lisboa, Seara Nova
FERREIRA, M. (1976). No Reino de Caliban III, Antologia Panorâmica da Poesia africana de
Expressão Portuguesa, Lisboa, Plátano Editora.
LARANJEIRA, J. (1992). Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa, Lisboa.
LEITE, A. M. (2005). Noémia de Sousa: Uma Voz da África. Maputo: Alcance Editores.
LOPES, T. (2002). José Craveirinha: O Poeta do Povo. Lisboa: Caminho.
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