Mapa_De_Risco_Ex_2
Mapa_De_Risco_Ex_2
2019; 8(4):e2584854
ISSN 2525-3409 | DOI: [Link]
O Processo de Elaboração do Mapa de Riscos de Uma Escola Pública: Uma Experiência
Pedagógica
The Process of Elaborating the Risk Map of a Public School: A Pedagogical Experience
El proceso de elaboración del mapa de riesgos de una escuela pública: una experiencia
pedagógica
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Res., Soc. Dev. 2019; 8(4):e2584854
ISSN 2525-3409 | DOI: [Link]
Resumo
O presente artigo tem como objetivo apresentar o resultado de uma investigação qualitativa de
um projeto pedagógico o qual teve como objetivo elaborar o Mapa de Riscos de uma Escola
Pública situada no sul de Minas Gerais por meio de uma experiência pedagógica e
contextualizada entre as disciplinas de Matemática, Física, Biologia e Química. Participaram
da construção do mapa de riscos cerca de 110 alunos. A proposta consistiu-se em abordar com
os estudantes os conceitos de Riscos no ambiente escolar, Prevenção de Acidentes, Perigo e
Segurança associados aos conceitos das ciências. A Comissão Interna de Prevenção de
Acidentes (CIPA) na escola foi implementada, e o Mapa de Riscos da escola foi elaborado
pelos alunos juntamente com a orientação dos professores de ciências. A elaboração do Mapa
de Riscos serviu como instrumento de ensino e aprendizagem de acordo com os resultados do
trabalho, que possibilitou a desenvoltura de uma cultura de segurança e prevenção de
acidentes, além de solidificar os conhecimentos em ciências.
Palavras-Chave: Ciências; Escola; Mapa de Riscos; Pedagogia; Segurança
Abstract
The objective of this article is to present the results of a qualitative investigation of a
pedagogical project whose objective was to elaborate the Risk Map of a Public School located
in the south of Minas Gerais through a pedagogical experience and contextualized between
the disciplines Mathematics, Physics, Biology and Chemistry. About 110 students
participated in the construction of the risk map. The proposal was to approach with the
students the concepts of Risks in the school environment, Accident Prevention, Danger and
Safety associated to the concepts of the sciences. The Internal Accident Prevention
Commission (CIPA) at the school was implemented, and the school's Risk Map was prepared
by the students along with the guidance of the science teachers. The elaboration of the Risk
Map served as an instrument of teaching and learning according to the results of the work,
which enabled the development of a culture of safety and accident prevention, besides
solidifying knowledge in science.
Keywords: School; Science; Pedagogy; Security; Risk Map
Resumen
El presente artículo tiene como objetivo presentar el resultado de una investigación cualitativa
de un proyecto pedagógico que tuvo como objetivo elaborar el Mapa de Riesgos de una
Escuela Pública situada en el sur de Minas Gerais a través de una experiencia pedagógica y
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contextualizada entre las disciplinas de Matemáticas , Física, Biología y Química.
Participaron en la construcción del mapa de riesgos cerca de 110 alumnos. La propuesta
consistió en abordar con los estudiantes los conceptos de Riesgos en el ambiente escolar,
Prevención de Accidentes, Peligro y Seguridad asociados a los conceptos de las ciencias. La
Comisión Interna de Prevención de Accidentes (CIPA) en la escuela fue implementada, y el
Mapa de Riesgos de la escuela fue elaborado por los alumnos junto con la orientación de los
profesores de ciencias. La elaboración del Mapa de Riesgos sirvió como instrumento de
enseñanza y aprendizaje de acuerdo con los resultados del trabajo, que posibilitó la
desenvoltura de una cultura de seguridad y prevención de accidentes, además de solidificar
los conocimientos en ciencias.
Palabras claves: Ciencias; la escuela; Mapa de Riesgos; la pedagogía; Seguridad
1. Introdução
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A escola é um local freqüentado por muitas pessoas e torna-se uma referência significativa na
vida dos seres humanos. As práticas de ensino e aprendizagem, a convivência com a
comunidade escolar, o currículo, os professores e outros importantes parâmetros, atuam em
conjunto no desenvolvimento intelectual na formação da cidadania dos estudantes. Neste
sentido, Ribeiro (1986) afirma que o espaço escolar deve compor um todo coerente, pois é
nele e a partir dele, que se desenvolve a prática pedagógica. Assim, ele pode constituir
possibilidades ou limites. Segundo a mesma fonte, tanto o ato de ensinar como o de aprender,
exigem condições propícias ao bem-estar docente e discente. Piaget (1970) considera que a
escola é muito importante na formação das primeiras estruturas cognitivas das pessoas e, que
em sua materialidade, propicia determinantes fatores no desenvolvimento cognitivo, motor e
sensorial dos alunos.
Quando se faz uma análise do processo educacional como um todo, verifica-se uma
preocupação por parte dos educadores, com o bem estar do estudante no ambiente escolar, o
que envolve a saúde, a segurança, a prevenção de acidentes e a arquitetura escolar (Souza,
2007).
No contexto escolar, existem quatro condições consideradas primordiais do conforto
ambiental, são elas: acústica, térmica, funcionalidade dos espaços e iluminação. Tais itens
deveriam oferecer condições otimizadas, para tornar o ambiente das práticas pedagógicas
adequado às boas experiências de aprendizado. Sabe-se que muitos estudos sobre esse tema já
foram realizados, comprovando a relação existente entre os referidos aspectos e o
desempenho dos alunos (Kowaltowski, et al., 2006).
Além disso, a escola é um local por onde crianças e adultos circulam diariamente e perigos
podem estar escondidos e passar despercebidos aos olhos das pessoas alheias as questões de
segurança. De modo geral, as escolas carecem de instalações adequadas que ofereçam à
comunidade escolar um ambiente propício à segurança e saúde no trabalho, ambientes com
pisos escorregadios, escadas sem corrimões ou guarda-corpo são alguns exemplos dos
perigos.
De acordo com Minozzo & Ávila (2006), sete mil crianças de 1 a 14 anos morrem por ano no
Brasil vítimas de acidentes, sendo que 20% deles acontecem nas escolas. Afirmam também
que é comum acidentes com animais peçonhentos, principalmente em escolas de zona rural e,
que de 50 a 70% são devidos a quedas. Esses dados estão em consonância com o Guia
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Criança Segura na Escola (2011), segundo o qual, os acidentes são a principal causa de morte
de crianças e adolescentes de 1 a 14 anos no Brasil (Guia criança segura, 2011).
De acordo com a Resolução nº 96 do Conselho Superior de Justiça do Trabalho aprovada em
2012, uma das suas sete Diretrizes Fundamentais, que fazem parte do Programa Trabalho
Seguro é a de nº 3, que trata da “Educação para a Prevenção”. Essa diretriz cita o
desenvolvimento de ações educativas, pedagógicas e de capacitação profissional, em todos os
níveis de ensino, diretamente a estudantes, profissionais e empresários. O documento foi
elaborado, visando à prevenção de acidentes de trabalho nas empresas (Brasil, 2012).
Tendo em vista que, o ambiente escolar é composto basicamente por jovens e, que este é o
local onde se prepara o sujeito para o exercício da cidadania, a escola é um lugar adequado
para aprender competências de segurança e prevenção de acidentes. Em relação às escolas
públicas do Brasil existem poucos registros da elaboração de Mapas de Riscos. Existe relatos
da elaboração de um Mapa de Riscos por alunos e professores a partir das observações de
riscos em uma escola de Monguba/Pacatuba – CE (Almeida, 2013) e outra elaboração foi
verificada no Blog da Escola Técnica do Centro Paula Souza, (2010), na ETEC de Bebedouro
no Estado de São Paulo.
O Governo do Estado de São Paulo pelo projeto de Lei 602 de 2004 autoriza a criação da
CIPA - Comissões Internas de Prevenção de Acidentes, no âmbito da Secretaria Estadual de
Educação (Assembléia legislativa do estado de São Paulo, 2004). Em 2007, no Rio de Janeiro,
o deputado Fernando Gusmão criou o projeto de Lei n 513 Prevenção de Acidentes Escolares,
atribuindo a elaboração do mapa de risco no ambiente escolar (Assembléia Legislativa do
Estado do Rio de Janeiro, 2007). Posteriormente em 2013 a Câmara de deputados em todos os
estabelecimentos de educação básica e superior (Brasil, 2013).
O Mapa de riscos é um instrumento proteção coletiva utilizada no gerenciamento de
riscos, caracterizado por figuras geométricas de 3 tamanhos grande , médio e pequeno afim de
caracterizar o risco de um planta (Campos, 2012). A responsabilidade da criação do Mapa de
Riscos é da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), tal comissão é composta
por representante do trabalhadores e do empregador, que são responsáveis por determinar os
riscos e o nível do mesmo. Dentre esses fatores estão os acidentes e as doenças do trabalho.
Ainda de acordo com o autor, o Mapa de Riscos pode estar presente nos diversos locais de
trabalho, relativos ou não ao processo produtivo, sendo que depois de elaborado, o mesmo
deve ser de fácil visualização e afixado em locais acessíveis aos trabalhadores.
Em Minas Gerais, de acordo com Miranda Neto, et al. (2010), houve um trabalho sobre Risco
de Acidente na Infância em uma creche comunitária em Ipatinga-MG e, outro em uma escola
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na cidade de Araguari-MG. Segundo a mesma fonte, as quedas são responsáveis pelos altos
índices de acidentes infantis e são consideradas o tipo de acidente mais comum.
De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN (Brasil, 1997), e os Conteúdos
Básicos Comuns – CBC (Minas Gerais, 2006) que possui como um dos seus temas
estruturadores “Qualidade de vida das populações humanas”, cita a relação pedagógica das
disciplinas e sua aplicação no cotidiano da vida do aluno estimulando habilidades que sirvam
para o exercício de intervenções e julgamentos práticos. De acordo com a exigência de trazer
para sala de aula aplicações do cotidiano do aluno e a falta da elaboração de Mapa de Riscos
no ambiente escolar, este trabalho buscou colocar em prática a interação das disciplinas
pedagógicas como parte na avaliação de riscos na escola para a elaboração de um Mapa de
Riscos.
2. Metodologia
Moreira (2002) cita três tipos de técnicas voltadas à pesquisa qualitativa: a Observação
Participante, a Entrevista e o Método da História de Vida. A presente pesquisa segue a
abordagem qualitativa e busca descrever um estudo de caso, de forma descritiva, detalhada
como é observado na realidade (Ludke & Andre, 2013).
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Em relação aos dados do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), no ano de
2015 a escola alcançou o resultado 3,5 enquanto o projetado era 5,0 e, houve uma redução em
relação aos anos de 2011 e 2009 (Brasil, 2015).
Atualmente, a escola mantém convênio com uma Universidade Federal e em conjunto,
desenvolvem o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID, por meio do
qual, vários alunos do Ensino Médio do período matutino, participam de atividades didático-
pedagógicas, na Universidade, no período da tarde.
Em um primeiro momento foi feita a exposição do projeto para a direção da escola, depois
para os professores e alunos do primeiro ano do Ensino Médio matutino e também para os
funcionários. Todos se sentiram motivados pela proposta, por entenderem que se tratava de
um trabalho de pesquisa, que poderia servir tanto para a formação de uma cultura de
prevenção de acidentes e de segurança na comunidade escolar, quanto para a consolidação do
ensino e aprendizagem de ciências, através de práticas pedagógicas, ministradas pelos
professores de Química, Física, Biologia e Matemática.
Em relação à elaboração do Mapa de Riscos, a Norma Regulamentadora nº 9, NR-9 (Brasil,
1978 a) orienta quais riscos devem ser mapeados como os riscos físicos, químicos, biológicos.
Além disso, no Mapa de Riscos também podem ser incluídos os riscos ergonômicos. Outra
Norma Regulamentadora importante é a Norma de número 5, NR-5 (Brasil, 1978 b). A NR-5
e a NR-9, são os pilares para a elaboração do Mapa de Riscos Ambientais, um aliado na
proteção dos trabalhadores.
Seguindo as orientações da NR 5, foi constituída uma CIPA, composta por 6 alunos de cada
turma de primeiro ano do ensino médio A, B, e C, sendo que cada turma tinha em média 35
alunos. Escolheu-se alunos de primeiro ano pelo fato de estes permanecerem por pelo menos
mais 2 anos na escola e poderiam promulgar a cultura de segurança na escola. Também
fizeram parte da CIPA, os professores: Química, Física, Matemática, e Educação Física, um
representante da diretoria e um representante dos funcionários, perfazendo um total de 24
pessoas. O professor de Biologia não participou da CIPA, por ser autor da pesquisa. Pelo fato
de não existirem Normas Regulamentadoras direcionadas para as escolas e também por se
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tratar de um trabalho de cunho didático-pedagógico, houve adaptação dos conteúdos das
Normas, à proposta da pesquisa.
Foi feito um treinamento com o uso de vídeo aulas e material escrito. O referido treinamento
foi realizado em duas semanas com os estudantes e professores. Como um dos propósitos da
pesquisa era o de desenvolver uma cultura de prevenção de acidentes e de segurança, o
treinamento dos estudantes foi realizado para todos os alunos das turmas, além dos que eram
membros da CIPA. Durante o intervalo das aulas, aqueles que tinham dúvidas em algum
ponto buscavam respostas com o autor do trabalho.
Após o treinamento da CIPA foi elaborado um croqui da escola. Cada turma (A, B e C) foi
dividida em dois grupos. Como o pesquisador era também professor de Biologia das referidas
turmas, foram usadas as duas aulas semanais de que o professor dispunha para a realização da
pesquisa. Na 1ª aula da semana, metade da turma, os alunos de número ímpar da lista de
chamada saíam para coletar dados para a elaboração do Mapa de Riscos, enquanto a outra
metade permanecia na sala de aula estudando Biologia. A especialista da escola acompanhava
os estudantes em campo. Na segunda aula da semana, invertiam-se os grupos, ou seja, saíam
os alunos de número par da lista. Assim foi feito, para não haver prejuízos na carga horária
dos estudantes.
Após a coleta, um dos componentes dos grupos de cada sala encaminhava os dados para a
CIPA que, se reunia na biblioteca da escola, na hora do recreio. Em caso de risco e após
discussão, a CIPA entrava em consenso e fazia a classificação dos riscos ambientais,
determinando em qual categoria os riscos se enquadravam, ou seja, se físico, químico,
biológico, ergonômico ou mecânico.
O Anexo IV da NR-5, caracteriza os riscos ambientais por cores. Os riscos físicos são
representados pela cor verde, riscos químicos pela cor vermelha, riscos biológicos pela cor
marrom, riscos ergonômicos pela cor amarela e, riscos mecânicos (acidentes), pela cor azul
(Brasil, 1978 b).
Depois de identificar os riscos e caracterizá-los pelas cores, a CIPA, também, por consenso, e
após ouvir a opinião de todos, classificou os riscos de acordo com a sua gravidade. Para isso
foi utilizada a Tabela de Gravidade, constante da NR-9, que classifica os riscos em três
categorias de círculo: Risco elevado → círculo grande; Risco médio → círculo médio; Risco
leve → círculo pequeno. Dessa forma, com o empenho das pessoas da comunidade escolar, o
Mapa de Riscos foi sendo elaborado.
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Depois que o Mapa de Riscos foi concluído realizou-se uma avaliação na perspectiva dos
participantes, a fim de apurar a relevância deste trabalho para a consolidação do ensino das
ciências e para a questão da segurança nas escolas públicas do Estado.
Foi elaborado um questionário para os professores conforme apresenta o Quadro 1.
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1. A proposta do Mapa de Riscos da Escola foi interessante, e me motivou a participar do
trabalho.
2. A apresentação e explicação sobre como elaborar um Mapa de Riscos foram
compreensíveis e satisfatórias.
3. O conceito de perigo ficou mais evidente para mim.
4. O conceito de risco tornou-se mais nítido para mim.
5. Prevenção de acidentes é algo que passei a valorizar mais.
6. A questão da segurança tornou-se mais importante para mim.
7. Percebi que houve prática pedagógica na elaboração do Mapa de Riscos da escola.
8. O trabalho do Mapa de Riscos favoreceu o estreitamento da relação professor-aluno.
9. A participação dos professores na construção do Mapa de Riscos é muito importante.
10. A participação da comunidade escolar na construção do Mapa de Riscos é muito
importante.
11. Não houve dificuldade em inserir a disciplina que leciono em abordagens com os alunos
na construção do Mapa de Riscos.
12. Considero importante a elaboração de Mapas de Riscos em todas as escolas.
Prezado(a) professor(a) ! Utilize este espaço para fazer algum comentário que julgar
importante.
Fonte: Elaborado pelos autores.
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3. O conceito de perigo ficou mais evidente para mim.
4. O conceito de risco tornou-se mais nítido para mim.
5. Passei a dar mais atenção à questão da segurança.
6. Ao participar do trabalho do Mapa de Riscos, percebi os conceitos de matemática.
7. Conceitos de física foram observados durante o desenvolvimento do trabalho.
8. Ao participar do trabalho Mapa de Riscos da Escola, visualizei conceitos de química.
9. Os conceitos de biologia estavam presentes no Mapa de Riscos.
10. A interação entre os professores das ciências e os alunos foi importante para o
aprendizado.
11. Mapa de Riscos é algo que todas as escolas deveriam elaborar.
Prezado(a) aluno(a) !
Utilize este espaço para fazer algum comentário que julgar importante.
Fonte: Elaborado pelos autores
3. Resultados e discussão
Embora as Normas Regulamentadoras, sejam voltadas para as indústrias e para a construção
civil, a presente pesquisa abordou uma escola, numa proposta diferente. Sendo assim, dentro
das referências, procurou-se abordar itens compatíveis com o tema em questão.
O resultado das observações de risco leves, que são representadas no Mapa de Riscos por um
círculo pequeno com diferentes cores, em função do tipo de risco, é apresentado no Quadro 3.
Quadro 3 - Identificação e caracterização dos riscos leves detectados pela CIPA Escolar na
escola em estudo.
Local Descrição do risco Tipo de riscos Cor do círculo
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Alunos em grupo Acidente Azul
Portões
correm e gritam Físico Verde
Estacionamento Presença de alunos Acidente Azul
Refeitório Utensílios Biológico Marrom
Cantina Uso de garfos
Alimentos Acidente
Biológico Azul
Marrom
Laboratório. de armazenados
Frascos de vidro, exp. Acidente Azul
ciências
Consultório fogo.
Esterilização Biológico Marrom
Odontológico
Corredor Motor
Sem fita antiaderente. Acidente Azul
Rossi et al. (2003) afirmam ser necessário conhecer como os acidentes ocorrem, identificando
situações que oferecem risco às crianças, como tomadas elétricas e fios desencapados ao
alcance das mesmas, para que dessa forma se possa realizar um planejamento de estratégias e
mudança.
Martins e Andrade (2005), afirmam que estudar as causas e as circunstâncias desses agravos
na população infanto-juvenil torna-se essencial, a fim de possibilitar a elaboração de um
diagnóstico que contribua para a implementação, execução e avaliação de estratégias
específicas de controle e prevenção de acidentes.
. Os riscos médios são apresentados no Quadro 4. Durante as observações foram encontrados
riscos leves e médios.
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Quadro 4 - Identificação e caracterização dos riscos médios detectados pela CIPA Escolar na
escola em estudo.
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Ciências onde são realizadas aulas práticas de Ciências, Biologia e Química. O laboratório
contém algumas substâncias químicas que demandam cuidado com o manuseio.
Além do laboratório, outro ponto indicado como risco químico são os produtos químicos
utilizados na limpeza da escola. As pessoas responsáveis pela limpeza do ambiente precisam
receber informações sobre os produtos químicos com os quais lidarão em suas atividades
diárias. É importante criar, nestas pessoas principalmente, o hábito de ler os rótulos e observar
os prazos de validade dos produtos de limpeza, a fim de se evitar quaisquer acidentes, tais
como alergias, intoxicações e outras.
Com base na NR- 9, na construção do Mapa de Riscos da escola, levou-se em consideração os
ambientes externos daquela unidade de ensino, que se encontravam com mato alto e sujos,
pois a escola situa-se em um bairro de periferia onde existem terrenos baldios, lotes vagos e
um descampado bem próximo a ela. Sendo assim, esporadicamente aparecem cobras,
escorpiões, lagartas, ratos e também abelhas no ambiente escolar. Estes animais podem então
afetar os frequentadores da escola. Existem árvores no entorno do recinto escolar, que
produzem flores, as quais ao liberar pólen, podem provocar alergia em alguém
A cozinha foi considerada área de risco biológico pela situação do preparo da merenda
escolar, pois se as pessoas não usarem máscaras, poderão cair gotas de saliva nos pratos, dado
que as pessoas conversam enquanto preparam a merenda, o que é anti-higiênico, além de ser
um risco em potencial de transmissão de doenças. Assim como o laboratório de ciências pelas
culturas de bactérias. A cozinha ainda foi considerada também uma área de risco físico e
químico, devido ao gás que poderá escapar do botijão provocando irritações nas pessoas ou
ainda provocar incêndios, pois os botijões ficam do lado de dentro da mesma.
Quanto aos riscos ergonômicos, a Instrução Normativa 98/2003 (Brasil, 2003), foi observado
na escola, conforme citado anteriormente, que o mobiliário não está adequado. Trata-se de
móveis antigos que não atendem às necessidades dos alunos, nem dos trabalhadores do
ensino. As cadeiras e mesas utilizadas pelos estudantes não são compatíveis com as medidas
antropométricas (altura) de muitos deles. Em relação a este item, as cadeiras e mesas dos
professores e da secretaria também são antigas, com encostos baixos. Não foram encontrados
apoios para os pés e as cadeiras não possuem rodinhas, o que daria maior mobilidade aos
servidores. Além disso, as salas não permitem fazer grandes modificações em seu desenho.
Além de apontar os riscos para a Elaboração do Mapa de riscos, também foram feitas
sugestões pelos estudantes, a fim de minimizar os riscos de acidentes aos quais a comunidade
escolar está exposta diariamente, e assim, se pensar na construção de uma “cultura de
segurança”.
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Dentre as sugestões estão: Colocar fitas antiderrapantes no piso do pátio interno, e nas
escadas; substituir as carteiras das salas de aulas por modelos mais modernos e ajustáveis,
para que alunos de maior estatura ou obesos, não sejam prejudicados; incluir no Projeto
Político Pedagógico da escola, dentro dos temas transversais, disciplinas sobre segurança e
saúde no trabalho e, manter o projeto de constituir a cada ano, uma CIPA.
Os cipeiros elencaram várias sugestões de melhoria na questão da segurança e os estudantes
do 1º ano do Ensino Médio das turmas A, B e C escolheram um representante de cada turma
para juntos se dirigirem à diretoria a fim de apresentarem as sugestões à diretora, visando
proporcionar maior segurança à comunidade escolar. A diretora conversou com os estudantes
e se dispôs a reunir o Colegiado da escola a fim de apresentar as sugestões e encontrar
soluções em conjunto.
Esta preocupação dos alunos, evidencia uma mudança da forma como eles passaram a olhar a
escola, a viram como sua, com a necessidade de preservação e, a forma como o indivíduo se
apropria do espaço escolar também influencia em sua aprendizagem. Se o estudante não vê a
escola como lugar de busca e conhecimento, se ele não reconhece a escola como sua, a
dificuldade com a aprendizagem aparece (Arena, 2003).
O Mapa de Riscos foi apresentado à toda comunidade escolar, no dia cultural, um evento que
já faz parte do calendário escolar daquela instituição de ensino, ocorrido no dia 08 de
novembro de 2013. Neste dia, geralmente a comunidade escolar se reúne no pátio interno para
a apresentação de eventos culturais pelos alunos, tais como: danças, teatro, música, capoeira,
palestras com temas pertinentes, como Meio Ambiente, Bulling, Autoestima e outras. O
público de fora da escola é convidado para participar desse dia.
Em relação ao MR, este foi colocado no saguão de entrada da escola, fixado na parede, de
modo que todas as pessoas que ali entravam passavam por ele. Foi um trabalho considerado
importante por todos, visto ter ficado evidente que vários pontos da escola podem oferecer
perigo e que enquanto não se tomam as providências, necessárias para sanar os problemas, há
que se ter cuidado.
Os alunos da pesquisa ficaram a postos, ao lado do MR para responderem aos
questionamentos da comunidade escolar e dos visitantes. Tanto os cipeiros quanto os demais
alunos do 1º ano do Ensino Médio, estavam prontos para esclarecerem as dúvidas do público
em relação aos itens do Mapa de Riscos e se revezavam nesta tarefa.
Os discentes foram questionados tanto pelos demais estudantes do educandário quanto pelos
professores que não participaram da construção do Mapa de Riscos. O público de fora da
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escola também manifestou grande interesse pelo Mapa de Riscos e também faziam
questionamentos acerca dos graus de riscos apresentados pelos diversos locais da escola.
O MR apresentado para a escola ficou exposto em local de fácil acesso e visível a todos até o
final do ano de 2013. No ano seguinte à realização do projeto, foram colocados corrimão nas
escadas e na rampa de acesso a cadeirantes, esse fato mostra a influência que o projeto teve na
gestão escolar.
Atualmente, Governo de Minas determinou que todas as escolas públicas tenham projeto de
segurança, saída de emergência, extintores, sinalização, entre outros. Os bombeiros militares
estiveram na escola, mas até o momento não foi liberada verba para a licitação.
Isso mostra que este trabalho pode ser um exemplo para que outras escolas desenvolvam uma
cultura de segurança, já que até mesmo os governantes demonstraram certa preocupação com
a segurança nas escolas.
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vegetais transformam energia luminosa em energia química e, a escola possui uma área
externa bastante vegetada; A matéria prima da fotossíntese: O gás carbônico (CO2), a água
(H2O) e luz; Os produtos da fotossíntese: A glicose (C6H12O6), o Oxigênio (O2) e energia; A
respiração: As pessoas respiram e consomem energia, inspiram oxigênio e expiram gás
carbônico; Os principais problemas de coluna: Lordose, cifose e escoliose; A biodiversidade:
A comunidade escolar é representada por diferentes raças da espécie humana e possui
diferentes espécies de plantas presentes na área vegetada da escola, dentre outros.
Na Matemática a professora trabalhou com os alunos, por exemplo: As figuras geométricas
contidas nos desenhos da quadra; O tempo de jogo; O pênalti e o que acontece com o ângulo
de chute, se o goleiro adianta um passo ou mais; Os círculos da Tabela de Círculos e cores da
NR-9 (área do círculo); O ângulo de inclinação das rampas, dentre outros.
Na Química, foram trabalhados por exemplo, conteúdos tais como: A química presente no pó
de giz (CaCO3 – Calcário calcítico); Os produtos utilizados na cozinha: Sal (NaCl),
Sacarose(C12H22O11), Lipídios ou Gorduras (Óleo comestível), Ácidos graxos (sabões e
detergentes); O produto químico utilizado no extintor de incêndio (CO2 e Pó químico); As
reações químicas observadas nos experimentos em aulas práticas; A celulose e o cloro
presentes nas folhas dos cadernos; As trocas gasosas na respiração das pessoas: inspiram
oxigênio (O2) e expiram Dióxido de Carbono ou gás carbônico (CO2), dentre outros.
Segundo o relato dos professores, as atividades propostas pelos professores participantes do
trabalho aos alunos, foram desenvolvidas com mais facilidade em comparação aos anos
[Link] relação a análise dos questionários, em geral, os alunos puderam perceber a
relação entre os conceitos das disciplinas e a construção do Mapa de Riscos. Houve certa
dificuldade em relacionar com matemática, mas Matemática é uma disciplina que tem
provocado rejeição nos estudantes ao longo dos anos (Tatto & Scapin, 2012; Reis, 2005). A
turma C, foi a que mais apresentou dificuldades em relacionar os conteúdos de química, física
e matemática, isto pode estar relacionado ao fato que os alunos dessa turma era oriundos de
um 9º ano do Projeto Aceleração para Vencer – PAV, que visa corrigir as distorções de
idade/série e a aprendizagem pode ficar comprometida.
Além disso, quase que em consenso apontaram que a interação entre os professores das
ciências e os alunos foi importante para o aprendizado. Também praticamente em consenso
concordaram que Mapa de Riscos é algo que todas as escolas deveriam elaborar, passaram a
dar mais atenção à questão da segurança, o conceito de risco e perigo tornou-se mais nítido
para eles, prevenção de acidentes é algo que passaram a valorizar mais.
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A proposta do Mapa de Riscos da Escola foi interessante, e os motivou a participarem do
trabalho. Apareceram respostas como: “Eu acho que esse trabalho deveria ser desenvolvido
com todas as disciplinas, e estudado mais profundamente, pois é um assunto muito importante
e deve sim ser tratado”.
Segundo a análise dos dados dos professores, pode-se afirmar que os professores se
envolveram com a pesquisa de forma comprometida, consideraram o trabalho envolvente,
interessante e também consideraram a explicação sobre como elaborar Mapas de Riscos, clara
e de fácil entendimento. Alguns conceitos ficaram evidentes para os professores, enquanto
outros nem tanto, como se deu com os conceitos de risco e de perigo, respectivamente. Como
por exemplo, para 75% dos professores não houve dificuldades em inserir na disciplina que
lecionam o trabalho do Mapa de Riscos da escola, versus 25% dos professores que
concordaram parcialmente.
Esta análise indicou que a elaboração do Mapa de Riscos despertou o interesse dos
professores para a questão da segurança e da prevenção de acidentes. Com este trabalho, os
professores demonstraram estarem satisfeitos em trabalharem, de forma pedagógica, de modo
que a maioria deles, não encontrou dificuldades em inserir os conteúdos de sua disciplina de
forma contextualizada, na construção do Mapa de Riscos da escola. A participação da
comunidade escolar na construção do Mapa de Riscos da escola, na opinião da maioria dos
professores, foi muito importante.
Os professores participantes da pesquisa demonstraram interesse, consideraram a elaboração
do Mapa de Riscos como uma boa estratégia para ensinar e aprender conteúdos de suas
disciplinas. Considerando que os professores não são técnicos nem Engenheiros de Segurança
do Trabalho, e que o tempo para as discussões sobre o tema e preparo das atividades
contextualizadas foi curto, consideram-se os resultados muito satisfatórios. E isso é mostrado
em comentário como: “Que este mapa de risco é de uma riqueza. Parabéns por este trabalho,
sugiro que fosse passado para todas as escolas para tomar conhecimento do perigo; É da casca
de ovo que é lidar com essa situação caso ocorrer algum acidente, principalmente com aluno”.
Tal trabalho pode ser comparado com as técnicas pedagógicas de Freire aplicadas por
Marcellino (2004) por meio da comissão interna de Prevenção de acidentes em uma empresa
de Ribeirão Preto-SP envolvendo a problematização da prevenção de acidentes.
Pelo exposto, pode-se concluir que a presente pesquisa foi relevante na opinião dos
professores, podendo se transformar em um grande facilitador da contextualização dos
conteúdos das ciências, favorecendo o processo de ensino e aprendizagem. `
Considerações finais
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A análise dos dados mostrou que as atividades de elaboração do Mapa de Riscos foram
desenvolvidas de forma pedagógica e contextualizada. Assim, tanto os estudantes quanto os
professores, manifestaram sua opinião favorável ao desenvolvimento de uma cultura de
segurança no ambiente escolar;
Ao ressaltar os principais pontos vulneráveis, a comunidade tomou conhecimento da
necessidade de se voltar a atenção para os cuidados com a integridade física, com a saúde e o
bem-estar de todos, porque os locais considerados “inofensivos,” podem esconder armadilhas
que colocam qualquer pessoa em situação de risco ou perigo.
Ficou evidente que o Mapa de Riscos pode ser utilizado também como veículo para o ensino e
a aprendizagem de ciências ou de outras disciplinas e, a realização desta pesquisa demonstrou
na prática, que pequenos detalhes podem fazer grandes diferenças, em relação à prevenção de
acidentes. Os professores das ciências, Química, Física, Matemática e Biologia, ajudaram na
elaboração do Mapa de Riscos da escola e estudaram com os alunos os conceitos dessas
disciplinas, presentes no contexto do trabalho. As práticas pedagógicas demonstraram que
trazer os conteúdos disciplinares para o cotidiano facilita o aprendizado.
Após a realização da pesquisa, conclui-se que a escola foi vista de uma forma diferente, com
um novo olhar, pelos próprios alunos, os quais atentaram para detalhes que antes passavam
despercebidos, e passaram a encarar a escola como sua, com o dever de também cuidar dela.
Este trabalho ainda pode servir de exemplo para que outras escolas desenvolvam seu Mapa de
Riscos, pois o campo de estudos e pesquisas nesta área é muito vasto, o tema é muito
importante, segurança é direito de todos e não pode mais ficar do lado de fora dos muros da
escola.
Referências
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