📚Tutela Executiva ⚖️
Teoria Geral da Execução Civil: Sentença positiva demanda um
resultado efetivo.
● Título judiciais: sentenças (condenatória, arbitral,
homologatória, estrangeira, penal.) formal, certidão de
partilha
● Títulos extrajudiciais: letra de câmbio, escritura pública,
documento particular, documento de transação
referendado pelo MP ou pela DP ou advogados, seguro,
crédito, encargo de condomínio, crédito de serventuário
da justiça, certidão de dívida ativa, contratos de
honorários advocatícios, cheques, e todos os demais títulos
que por distribuição expressa a lei atribuir força executiva.
Conceito de execução: Ação de execução, portanto, é aquela em
que o autor pretende a satisfação de um direito reconhecido, em
regra, em um título extrajudicial, e, excepcionalmente, em um
título judicial.
É “satisfazer uma prestação devida” (DIDIER JR, 2009, p. 28),
seja ela espontânea, quando o devedor voluntariamente a
satisfaz, ou forçada, quando a satisfação se dá pela coerção
estatal.
Classificação da execução: A execução em geral pode ser
classificada por diversos critérios como procedimento, título
que se executa, título judicial e quanto tipo de providência
executiva determinada pelo juiz.
a) quanto ao procedimento: a execução pode ser comum,
quando serve a uma generalidade de créditos; ou especial,
quando serve a alguns créditos específicos, como o alimentar
(arts. 528 e 911), contra a Fazenda Pública (arts. 534 e 910) e o
fiscal (Lei nº 6.830/80).
A diferença é importante na medida em que o art. 780,
CPC e a Súmula 27 do STJ permitem a cumulação de execuções
fundadas em títulos diferentes, desde que, é claro, se observe os
requisitos da cumulação previstos no §1º do art. 327,
notadamente o inciso III, que exige a compatibilidade de ritos.
A cumulação entre duas execuções, apenas será possível,
contra o mesmo executado se ambas forem comuns ou especiais
da mesma natureza.
b) quanto ao título que se executa: pode ser execução
fundada em título executivo judicial ou execução fundada
em título executivo extrajudicial. O procedimento varia de
acordo com o título que se pretende executar.
b.1) título for judicial: (art. 515), aplicam-se as regras
do cumprimento da sentença (arts. 513 e ss), ou seja, a execução
ocorre no mesmo processo donde originou o título, numa mera
fase de natureza executiva.
Exemplo: O processo teve início no âmbito penal, porém, sua
execução abrange a esfera civil também, mesmo que não tenha
se iniciado nela. A execução, nesse caso, seria tanto penal
(cumprimento da pena) quanto civil (responsabilidade de
indenizar).
b.2) título extrajudicial (art. 784): a execução dar-se-á
mediante ação própria e processo autônomo, aplicando
das regras previstas a partir do art. 829.
c) quanto à mutabilidade ou estabilidade do título judicial: a
execução, ou melhor, o cumprimento de sentença pode ser
provisório (art. 520 e ss) ou definitivo (art. 523 e ss).
c.1) Provisório: o cumprimento de sentença se este for
fundado em um título judicial provisório, ou seja, em
decisão judicial passível de alteração, em razão de
pendência de recurso desprovido de efeito suspensivo (que
é a regra geral – art. 995).
A decisão pode, desde a sua publicação, surtir efeitos,
sendo cumprida provisoriamente, ainda que esteja
passível de modificação pelo julgamento ulterior do
recurso.
c.2) Definitivo: se fundado em um título judicial
definitivo, ou seja, acobertado pela coisa julgada material,
não mais sujeita a recurso, tornando-se imutável. Nos
termos do art. 520 do CPC, o cumprimento provisório será
realizado da mesma forma que o cumprimento definitivo.
Todavia, por se tratar de satisfação de um título ainda
passível de alteração, algumas regras especiais deverão ser
observadas. Uma delas consiste na obrigatoriedade, via de
regra, da prestação de caução idônea pelo exequente
quando a causa for de natureza patrimonial (art. 520, IV).
Tal exigência legal tem por objetivo garantir eventual
prejuízo do executado oriundo de futura modificação da
decisão recorrida, sendo dispensadas nas hipóteses do art.
521, quais sejam: - crédito de natureza alimentar,
independente de sua origem; - o credor demonstrar
situação de necessidade; - pender agravo em REsp ou RE,
fundado nos incisos II e III do art. 1.042; - sentença estiver
em consonância com súmula do STF ou do STJ, ou com
acórdão proferido em julgamento de casos repetitivos. Em
qualquer caso, se da dispensa resultar manifesto risco de
grave dano, de difícil ou incerta reparação, a exigência da
caução será mantida (parágrafo único do art. 521)
Possibilidade extrajudicial: Câmaras de mediação e conciliação,
notificações extrajudiciais (mesmo as não obrigatórias).
Obs: O CEJUSC não é extrajudicial pois trata-se de um poder
judiciário.
Conceito de Execução:
● Ação de execução
● Ação de conhecimento (depois será objeto do
cumprimento de sentença).
Obs ! Lei nº 11.232/05 e Lei nº 11.382/06
● Ação Autônoma de Execução da Sentença: título executivo
extrajudicial e não é precedido por nenhum anterior. A
cognição é menor comparado com o processo de
conhecimento e maior comparada a fase de execução.
Processo de Execução Processo
execução autônomo de
execução
Objetivo: proporcionar É o conjunto de É uma ação judicial
ao participante o atos processuais distinta e
conhecimento e o destinados a independente do
entendimento dos garantir o processo de
procedimentos e normas cumprimento de conhecimento,
que regem o processo uma obrigação. utilizada para
civil, fazendo com que Pode ocorrer como executar títulos
identifique a sua fase de um processo executivos
repercussão no processo de conhecimento extrajudiciais
de execução, (cumprimento de
capacitando-o aplica-los sentença.
no exercício de suas
funções.
Ação Fase executória Sentença arbitral
P.I. Conclusão de
sentença
Execução (Didier Jr.): A execução não é um mero apêndice do
processo de conhecimento, mas sim um instrumento autônomo
e fundamental para a realização do direito.
A execução deve ser eficaz, ou seja, capaz de proporcionar um
resultado prático equivalente ao cumprimento da obrigação.
Pressupostos da Execução:
Requisitos:
● Título executivo (Didier Jr.): é a base da execução sem ele
não há execução. Não há execução sem título.
Princípios da execução:
● patrimonialidade
● menor onerosidade
● efetividade
● Tipicidade
● Boa fé processual
● Responsabilidade patrimonial
● Maior coincidência possível/resultado
● Contraditório (mitigado)
● Cooperação
● Proporcionalidade
● Adequação
● Autorregramento
Pressupostos da execução:
● Título executivo
● Inadimplemento (requisito para admitir a execução)
● Inadimplemento e interesse de agir: é preciso demonstrar
que houve inadimplemento para demonstrar o interesse
de agir.
● Inadimplemento e exigibilidade: somente quando o direito
é exigível se pode falar de adimplemento ou
inadimplemento. A exigibilidade está sempre ligada e
correlacionada ao inadimplemento.
● Inadimplemento e a existência de deveres recíprocos (art.
787): exceção do contrato não cumprido, ou seja, uma
parte não cumpriu a sua obrigação que era devida, logo a
outra parte não realizou também devido a ausência de
contraprestação.
● Inadimplemento e seus deveres sujeitos a condição ou
termo: só se pode falar em exigibilidade quando já ocorreu
a condição da contraprestação ou quando pescreveu o
prazo
O inadimplemento ocorre quando “o devedor deixa de cumprir
um dever jurídico, seja ele convencionado legal ou estabelecido
em uma decisão judicial. O Inadimplemento em sentido amplo
é sinônimo de inexecução de um dever jurídico” (Didier Jr.)
Obs! Quem deu causa à execução que arca com os honorários.
Execução Civil
Efetividade: Sentença positiva demanda um resultado efetivo.
Possibilidades extrajudiciais: câmaras de mediação e
conciliação; notificações extrajudiciais (embora não
obrigatórias);
Em sede de Poder Judiciário:
i) CEJUSCs (que podem ser em demandas processuais ou
pré-processuais);
ii) ação de conhecimento (que depois será objeto de
cumprimento de sentença);
iii) execução de título extrajudicial
Tipos de execução:
● Ação autônoma de execução: para executar título
executivo formado fora da esfera cível (ex.: sentença
estrangeira homologada pelo STJ; sentença penal
condenatória transitada em julgado);
● Processo de Execução: processo disciplinado pela lei cujo
escopo é a entrega, pelo Estado, de um provimento
jurisdicional que satisfaça concretamente o direito já
reconhecido num título extrajudicial (Costa Machado).
Título Executivo: Por meio do título executivo, busca-se a
realização efetiva e material dos direitos. Desde 2005,
ocorreram muitas mudanças em sede de Execução
(especialmente com as Leis n.º 11.232/05 e 11.382/06).
● Título executivos judiciais (art. 515, CPC/2015):
provenientes de órgão do poder judiciário. Podem ser
sentenças condenatórias em fase de conhecimento,
sentença estrangeira homologada pelo STJ [...]
● Títulos executivos extrajudiciais (art. 784, CPC/2015):
tudo aquilo que não consta no art 515 do CPC. São:
cheques; nota promissória; contrato de hipoteca, penhora
[...] qualquer outro documento comprobatório de um bem
concedido sem o poder judiciário.
História da Execução (Humberto Theodoro Júnior);
Dualidade de ações x processo sincrético (duas fases
distintas buscando a mesma finalidade/ a fase de cognição e
fase executória)
Obs! No Brasil: reforma de 2005 acabou com a actio iudicati
e introduziu o processo sincrético, abolindo a “ação
autônoma de execução de sentença” e passando a considerar a
execução como fase executória que em conjunto com a fase de
cognição formam um processo com as mesmas finalidades.
Noção de sanção jurídica:
“O ordenamento jurídico, para regular as relações
humanas, garantir e melhorar a vida em
comunidade, estabelece normas de conduta. Dirige
comandos e proibições para os membros da
sociedade” (Wambier; Talamini);
O que é sanção jurídica?
É a medida imposta pelas normas de conduta, para regerem
fielmente o ordenamento jurídico como um todo.
Sanções preventivas: se realizam antes mesmo que ocorra a
inobservância de alguma norma (Wambier; Talamini).
Sanções sucessivas: são as que se põem em prática depois de já
operada a conduta conforme ou desconforme à norma jurídica
(Wambier; Talamini).
Pode ser por meio da:
i) concessão de um benefício;
ii) imposição de uma desvantagem;
iii) obtenção de um resultado igual ou equivalente ao que se
teria caso a norma violada houvesse sido respeitada.
Conceito de execução jurisdicional:
Executar é satisfazer uma prestação devida (Didier Jr.)
Direta: Execução espontânea forçada.
Atenção! Execução espontânea não significa o mesmo que
consentida.
Cognição na execução:
Embora não haja objetivo principal, também há atividade
cognitiva (mesmo que menor) dentro da execução.
Direito a uma prestação e execução: “Poder jurídico conferido a
alguém, de se exigir de outrem o cumprimento de uma
prestação (conduta), que pode ser um fazer, não fazer ou dar.”
(Didier Jr.). Esse direito precisa ser concretizado no mundo
físico– quando o sujeito passivo não cumpre a prestação:
inadimplemento ou lesão.
Direito potestativo e execução: o direito potestativo é o “direito
(situação jurídica ativa) de criar, alterar ou extinguir situações
jurídicas que envolvam outro sujeito” (Didier Jr.);
● O direito potestativo não se relaciona a qualquer prestação
do sujeito passivo. Por isso, não precisa ser executado.
● A efetivação de um direito potestativo pode gerar um
direito a uma prestação (que, daí sim, pode ser executado).
Execução e cognição:
● Fase de execução: ocorre após a fase de conhecimento.
Busca a efetividade da obrigação concedida pelo título
executivo adquirido na fase de conhecimento.
● Processo autônomo de execução: novo processo
● Execução: obriga a efetivação da pretensão devida que
deveria ser realizada de forma voluntária pelo devedor.
Há execução sem processo autônomo de execução?
Sim, quando a execução se tratar de título executivo judicial.
Há execução sem processo?
Não.
Obs! As regras do processo de execução de título extrajudicial
se aplicam de forma subsidiária, no que couber, ao
cumprimento ou execução de sentença, e vice-versa (art. 513,
caput, e art. 771).
Tipos de atividade jurisdicional:
I. Cognitiva: fase de conhecimento que reconhece a
pretensão do autor como um direito/um fato.
II. Executória: fase em que garante-se o cumprimento da
obrigação/concessão do direito reconhecido. Garante que
o autor receba aquilo que lhe é devido por direito
(executar o cumprimento da sentença).
Obs! É possível processo sem que se cogite posterior execução,
ou seja, que o autor busque apenas o reconhecimento de seu
direito e a concessão de um título executivo judicial sem
precisar da imposição do Estado para seu cumprimento. A duas
possibilidades: Ou o autor realmente só busca a tutela de
conhecimento (reconhecer judicialmente seu direito) sem
intenção de executá-la; ou quando o autor após fase de
conhecimento adquire seu título executivo judicial e o
réu/devedor faz o adimplemento da obrigação
espontaneamente sem necessidade de judicialização da fase
executória.
Cognição “rarefeita” na execução:
Há cognição jurisdicional dentro do processo de execução e da
fase de cumprimento de sentença, ainda que em menor grau
(Wambier; Talamini).
“Mesmo quando atua executivamente [...], o juiz
precisa formar convencimento sobre determinadas
questões e decidi-las.” (Wambier, Talamini)
Aplicação subsidiária das regras do processo de conhecimento à
execução: Art. 771, parágrafo único.
Classificação das espécies de execução:
Quanto à origem do título: A execução pode ser fundada em
título judicial ou em título extrajudicial.
Quanto à estabilidade do título: Execução definitiva e
execução provisória.
● Execução: definitiva é completa.
● Provisória: é fundada em título provisório (Didier Jr.)
○ Regras sobre a execução provisória (cumprimento
provisório da sentença): Art. 520 do CPC
Quanto à natureza e ao objeto da prestação:
i) por quantia certa (art. 523 e ss.; art. 824 e ss.);
ii) de obrigação de entregar coisa incerta (art. 811 e ss.);
iii) de entregar coisa certa (art. 806 e ss.);
iv) de obrigação de fazer (art. 815 e ss.);
v) de obrigação de não fazer (arts. 822 e 823)
Obs! Importante dividir para a adoção da estrutura
procedimental correta e para meios executórios (que são
diferentes).
Quanto à especificidade do objeto da prestação:
● Execução específica: visa obter bem jurídico diferente de
quantia em dinheiro. Quando não se realiza é impossível.
● Execução genérica: busca a obtenção de dinheiro. Quando
for mal sucedida é infrutífera.
Quanto à especialidade do procedimento em face do direito
material:
● Execução comum ou;
● Execução especial (ex.: alimentos; Fazenda Pública).
Quanto à solvabilidade do devedor:
● Solvente: segue o CPC/2015 (art. 523 e ss.; art. 824 e ss.);
● Insolvente: falência, se empresário ou sociedade
empresária (Lei n.º 11.101/2005). A execução por quantia
certa contra devedor insolvente, se não é empresário ou
sociedade empresária (art. 748 do CPC/73).
Execução judicial e execução extrajudicial
● Execução judicial: título Executivo judicial
● Execução extrajudicial: título executivo extrajudicial
Execução direta (ou forçada) e execução indireta
● Direta (ou por sub-rogação): aquela em que o Poder
Judiciário prescinde de colaboração do executado para a
efetivação da prestação devida. O Estado assume o lugar
do devedor e realiza o adimplemento da obrigação por
meio dos bens do devedor através da sub-rogação.
Meios de sub-rogação:
○ Desapossamento:
○ Transformação:
○ Expropriação: penhora, leilão [...]
● Indireta (ou mandamental/por coação): aquela em que
impõe uma prestação ao réu e prevê uma medida
coercitiva indireta (coagir o devedor) que atue na vontade
do devedor como forma de compeli-lo a cumprir a ordem
judicial. Ex: estabelecimento de multa diária por
inadimplemento.
Pressupostos da Execução
Incidência das regras gerais sobre os pressupostos
processuais e condições da ação:
● Pressupostos processuais:
● Condições da ação: Legitimidade das partes, interesse de
agir e causa de pedir.
Requisitos específicos do processo de execução:
● Título executivo:
● Inadimplemento (ou afirmação do inadimplemento):
○ Inadimplemento e interesse de agir:
○ Inadimplemento e exigibilidade:
○ Inadimplemento e existência de deveres recíprocos
(Art. 787 do CPC):
○ Inadimplemento e os deveres sujeitos a condição ou
termo:
Boa-fé, adimplemento substancial (inadimplemento
mínimo) e execução
Um dos efeitos do princípio da boa-fé é limitar o exercício de
situações jurídicas ativas.
Função reativa (limitadora de direitos subjetivos do outro
contratante).
Figuras da função reativa: Tu quoque, Venire contra factum
proprium nemo potest, supressio e surrectio, substancial
performance (adimplemento substancial).
● Tu quoque: se a parte não cumprir a prestação, não pode
exigir a contraprestação (art. 747).
● Venire contra factum proprium nemo potest: ninguém
pode voltar-se contra própria conduta, ou seja, proíbe-se o
comportamento contraditório.
● Supressio: abandono de uma posição jurídica que impede
seu posterior exercício.
● Surrectio: aquisição de posição jurídica em decorrência da
supressio.
● Adimplemento substancial: é um “quase adimplemento”
pois o devedor não cumpriu todas as prestações.
O adimplemento substancial tem por fundamento a
função social ou a boa-fé objetiva?
Sim, pois o cumprimento de parte da obrigação do
contrato desde que realizado em consonância com o
princípio da boa fé deve ser mantido em razão de sua
função social, ou seja, deve aproveitar evitando ao máximo
a extinção do contrato.
Liquidez, certeza e exigibilidade:
São atributos necessários à representação do direito no título
(Wambier; Talamini). É o modo como a obrigação está
retratada no título (e não ao “próprio título”, nem apenas o
“título de obrigação certa, líquida e exigível”).
● Liquidez: exata definição de quantidade de bens devidos
(Wambier; Talamini);
● Certeza: refere-se unicamente à exata definição de seus
elementos” (Wambier; Talamini). Diz respeito à natureza
da prestação, seu objeto e seus sujeitos.
● Exigibilidade: precisa indicação de que a obrigação já
deve ser cumprida.
Competência para executar:
Competência para a execução de título judicial (art. 516 do
CDC)
Art. 516 do CDC.
I– os tribunais, nas causas de sua competência
originária;
II- o juízo que decidiu a causa no primeiro grau
de jurisdição.
III- o juízo cível competente, quando se tratar
de sentença penal condenatória, de sentença
arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão
proferido pelo Tribunal Marítimo;
§ único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o
exequente poderá optar pelo juízo do atual
domicílio do executado, pelo juízo do local onde
se encontrem os bens sujeitos à execução ou
pelo juízo do local onde deva ser executada a
obrigação de fazer ou de não fazer, casos em
que a remessa dos autos do processo será
solicitada ao juízo de origem.
Competência para a execução de título extrajudicial: É
competência relativa, e deve ser apurada conforme as regras
gerais (estabelecidas para o processo de conhecimento).
É preciso verificar:
i) se há foro de eleição;
ii) se não houve, prevalece o da praça de pagamento;
iii) não havendo, regra geral, qual seja, do foro do domicílio do
réu.
Competência para a execução fiscal: Regras específicas.
i) Execuções fiscais nas esferas estadual e municipal são de
competência da Justiça Estadual;
ii) Execuções fiscais propostas por entes da Fazenda
Pública Federal são de competência da Justiça Federal
(art. 109, I, CF).
Cumulação de demandas executivas ( art. 780 do CPC):
Art. 780 do CPC. é possível quando:
i) o executado for o mesmo;
ii) para todas as execuções seja competente o mesmo juízo; iii)
identidade de procedimento
Normas fundamentais que regem a tutela executiva
Princípios da Execução:
● Princípio da efetividade: Os direitos devem ser
efetivados, não apenas reconhecidos.
○ Processo devido é processo efetivo (Fredie Didier
Jr.);
○ Visa dar ao credor tudo aquilo (em sua exatidão) que
seria dado caso a obrigação tivesse sido cumprida
voluntariamente.
● Princípio da tipicidade e atipicidade dos meios executivos:
○ Tipicidade: o executado só será afetado pelas
medidas executivas taxativas (apenas o que esta
previsto em lei) estipuladas pela norma jurídica
(Medina). Meios tipicamente previstos na legislação.
○ Atipicidade (art. 139, IV, art. 297 e art. 536, §1º): é
possível na execução.
As medidas atípicas são constitucionais ou
inconstitucionais?
● Princípio da boa-fé processual: trata-se da boa-fé
objetiva que deve ser estudada em conjunto com a
lealdade processual. Senão observada → pode incidir
sanção.
● Princípio da responsabilidade patrimonial ou de que
“toda execução é real”: A execução é patrimonial (e não
pessoal)– somente o patrimônio do devedor (art. 789), ou
de terceiro responsável, pode ser objeto da atividade
executiva do Estado (não pode a pessoa ser objeto)
○ Sempre foi assim?
○ Não se admite mais coerção física (coagir alguém por
meio de força física).
Obs! 1. O princípio da responsabilidade patrimonial é
absoluto?
Não, pois há casos em que a responsabilidade vai ser pessoal.
2. A prisão do devedor de alimentos é responsabilidade
pessoal?;
Sim, em caso de prisão civil do devedor de alimentos a
responsabilidade é pessoal (exceção à regra).
3. A remoção, com o uso da força, do devedor de bem imóvel
objeto de execução é caso de responsabilidade pessoal?
Não, mesmo quando a remoção ocorre com uso da força, ela se
trata de uma medida executória para garantir o cumprimento
de obrigações, não implicando responsabilidade pessoal do
devedor. Se houver mais questões ou quiser aprofundar a
discussão, estou aqui para ajudar.
● Princípio do menor sacrifício do executado (Art. 805,
CPC): responsável por guardar relação com a ética
processual, pois, quando, por vários meios, o devedor
puder cumprir a obrigação, o juiz determinará que se faça
pelo modo menos gravoso para o executado.
○ Executado não pode invocar esse princípio para
fugir de sua obrigação. Ex.: devedor tem direito
de pedir a substituição do bem penhorado por outro,
no prazo de 1 dia depois de intimado da penhora,
desde que comprove que não trará prejuízos ao
credor e seja menos oneroso a ele, credor (art. 847).
● Princípio do contraditório:
1. É possível o contraditório na execução?
Sim, o princípio do contraditório é aplicado na execução,
no entanto, de forma mitigada diferentemente do processo
de conhecimento.
2.Se a resposta for afirmativa: acontece da mesma forma
que o contraditório no processo de conhecimento?
No processo de conhecimento, o contraditório é mais
amplo, permitindo às partes influenciar diretamente no
rumo do processo. Já na execução busca garantir a menor
gravosidade ao executado e possibilitar sua defesa,
obviamente dentro das restrições inerentes à etapa
executória.
3.O que é Contraditório mitigado?
O contraditório mitigado é limitado pela natureza
satisfativa da fase executória cujo foco é cumprir a
obrigação estabelecida.
● Princípio da cooperação: O executado tem o dever de
“não impedir, ilegitimamente, a realização da
penhora, e cooperar, ativamente, para com a
realização da penhora” (Medina).
○ Reforço do art. 6º, CPC.
○ Reforça-se a ética processual, e dele, extraem-se
mais dois princípios: contraditório e boa-fé.
● Proporcionalidade: Deve-se buscar um equilíbrio, é
preciso analisar o choque entre princípios, para saber qual
vai prevalecer no caso concreto. Protege a relação com a
execução equilibrada.
● Princípio da máxima utilidade da execução: Visa
trazer situação similar, se não idêntica, àquela que haveria
se a norma tivesse sido observada de forma espontânea
(Wambier).
○ Ex.: aplicação de multa diária na execução de deveres
de fazer e não fazer e de entrega de coisa; execução
provisória; tutela provisória.
● Princípio da adequação: deve buscar a medida executiva
mais adequada às peculiaridades do caso concreto.
● Autorregramento da vontade na execução: os negócios
processuais em sede de execução civil.
○ Negócios processuais em execução;
○ Autorregramento da vontade é direito subjetivo: Visa
assegurar o direito fundamental de autorregrar-se
sem restrições abusivas, irrazoáveis.
○ Negócios processuais atípicos na execução -
exemplos: pacto de penhorabilidade; acordo para não
promover cumprimento provisório.
● Princípio da autonomia da execução: Wambier trata
como princípio setorial da execução, uma vez que ela
constitui atividade jurisdicional inconfundível com a
cognição e a atuação urgente (essa autonomia funcional
permanece inabalada).
○ Autonomia estrutural – desenvolvimento por
processo próprio, dedicado precipuamente à
atividade executiva.
Balanceamento dos princípios – a execução equilibrada
1. O que fazer quando houver conflito entre 02 princípios?
Compatibilização de dois princípios fundamentais no curso do
processo executivo.
Regras fundamentais do processo de execução: Servem
para estruturar o procedimento executivo. Por vezes servem
tanto como princípio como regras.
As principais que devem ser observadas:
● Nulla executio sine titulo: regra de que não há execução
sem título. Para Wambier se trata de um “princípio do
título” em que um procedimento executivo somente
poderá ser instaurado se houver um documento ao qual a
lei atribua eficácia executiva (título executivo).
○ Só será título executivo aquele ato jurídico que a lei
qualifica como tal.
○ Título é ATO LEGITIMADOR da execução.
● Disponibilidade da execução: Para Wambier trata-se de
um “princípio setorial da execução”. O exequente pode
dispor da execução não executando o título, ou desistindo,
total ou parcialmente da demanda executiva já proposta,
ou mesmo desistindo de algum ato executivo já realizado
(Didier Jr.). Prevalecerá a inércia da jurisdição, pois,
precisa ser provocada para ter início.
● Responsabilidade objetiva do exequente (art. 520, I e 776
do CPC): a execução corre por conta e risco do exequente.
● Aplicação integrada das regras relativas à execução e
aplicação subsidiária das regras do processo de
conhecimento (art. 771, caput c/c art. 513 do CPC).
Medidas executivas típicas e atípicas
A constitucionalidade do art. 139, IV;
● Medidas típicas:
● Medidas atípicas: suspensão de CNH; apreensão de
passaporte; cancelamento do cartão de crédito; etc.;
○ A importância das medidas executivas atípicas para a
efetividade da tutela jurisdicional.
Formação do Processo de Execução
1. Demanda executiva: “Entende-se por procedimento
executivo o conjunto de atos praticados no sentido de
alcançar a tutela jurisdicional executiva, isto é, a
efetivação / realização / satisfação da prestação devida,
seja ela uma prestação de fazer, de não fazer, de pagar
quantia ou de dar coisa distinta de dinheiro” (Didier Jr.).
2.Petição inicial: é instrumento da demanda, porém, nem
sempre a demanda executiva está materializada
numa petição inicial.
Obs! Diferença entre fundamentação jurídica e
fundamentação legal (nos termos do pensamento do
STJ).
2.1. Fundamento jurídico: circunstância de fato qualificada
pelo direito, em que se baseia a pretensão ou a defesa, ou
que possa ter influência no julgamento, mesmo que
superveniente ao ajuizamento da ação.
2.2. Fundamento legal: dispositivo de lei regente da
matéria.
2.3. Requisitos de validade:
2.3.1. Requisitos gerais: previstos nos arts. 319 e 320;
2.3.2. Requisitos indispensáveis: São indispensáveis para a
propositura da demanda executiva presente no art. 798,
I,a – título executivo extrajudicial;
Liquidação de sentença
1. Conceito e Finalidade
Conceito: A liquidação de sentença é um procedimento judicial
cognitivo. Sua finalidade é complementar a decisão judicial
quando esta não define o valor exato da condenação (sentença
ilíquida).
Finalidade: Busca-se, por meio da liquidação, transformar uma
sentença genérica em um título executivo líquido, ou seja, com
um valor determinado. Didier Jr. define como a atividade de
complementar a norma jurídica individualizada estabelecida
num título judicial.
2. Pedido Específico
O pedido de liquidação deve ser específico, indicando
precisamente o que se busca apurar.
Exceções: Excepcionalmente, admitem-se pedidos genéricos em
casos de:
● Universalidades fáticas ou jurídicas (ex: herança).
● Quando o valor da condenação depender de ato a ser
praticado pelo réu.
● Quando não for possível determinar, de modo definitivo,
as consequências de ato ou fato ilícito.
3. Espécies de Liquidação
● Liquidação pelo Procedimento Comum (Art. 509, II, CPC):
Cabível quando há necessidade de alegar e provar fato
novo. O fato novo é aquele superveniente à instrução do
processo de conhecimento ou que, embora anterior, não
foi possível de ser considerado naquele momento.
● Liquidação por Arbitramento (Art. 509, I, CPC):
Necessária quando a determinação do valor da
condenação depende de conhecimento técnico
especializado (ex: perícia). Ocorre quando a sentença
assim o determina, as partes convencionam ou a natureza
do objeto da liquidação o exige.
Determinação do Valor por Simples Cálculo: Foi suprimida
como procedimento autônomo em 1994. Atualmente, o credor
deve apresentar o cálculo atualizado do débito ao iniciar o
cumprimento de sentença.
Se o valor apresentado pelo credor exceder o limite da
condenação, a execução inicia-se pelo valor pretendido, mas a
penhora se limita ao valor correto. Ainda é possível a liquidação
por simples cálculo para beneficiários da justiça gratuita.
4. Resultado Igual a Zero:
A liquidação pode resultar em valor igual a zero em duas
situações:
● Quando a parte alega, mas não prova o alegado.
● Quando a prova produzida não permite chegar a um valor
diferente de zero.
5. . "Falsas Liquidações"
As hipóteses que, embora pareçam liquidação, não o são:
● "Liquidação" civil da sentença penal condenatória.
● "Liquidação" individual da sentença condenatória coletiva.
● "Liquidação" na conversão da obrigação específica em
perdas e danos.
● "Liquidação" dos danos no regime de responsabilidade
civil objetiva.
Fundamentos Legais e Doutrinários
● CPC: Artigos 509 a 512 e 524, §1º.
● Doutrina:
1. Didier Jr.: Conceito de liquidação como atividade
judicial cognitiva para complementar a norma jurídica
individualizada.
2. Wambier e Talamini: Abordagem sobre a necessidade
de pedido específico e as consequências do cálculo
incorreto.
Partes e terceiros na Execução
Conceito e Distinções
● Legitimidade: É o direito de participar do processo.
○ Legitimidade Ordinária: É a de quem é o titular do
direito discutido.
○ Legitimidade Extraordinária: É quando a lei autoriza
alguém a defender em nome próprio direito de
outrem.
Partes na Execução:
● Legitimidade Ativa: Quem pode propor a execução
(credor).
● Legitimidade Passiva: De quem a execução pode ser
proposta (devedor).
Intervenção de Terceiros: Na parte geral do CPC, cabem:
assistência, incidente de desconsideração da personalidade
jurídica e amicus curiae.
No processo de execução, são típicas:
● Protesto pela preferência (quando há vários credores).
● Concurso especial de credores: Exercício do benefício de
ordem pelo fiador (o fiador exige que primeiro se busque
os bens do devedor principal).
● Embargos de terceiro (para proteger bens de quem não é
parte, mas sofre constrição).
● Cônjuge do Executado: Há discussão sobre se, quando
intimado da penhora, o cônjuge é considerado parte ou
terceiro.
Fundamentos Legais e Doutrinários
CPC: Artigos 778 e 779 (partes), e regras gerais sobre
intervenção de terceiros.
Doutrina: Didier Jr. e Wambier/Talamini: Explicações sobre
legitimidade e as diversas formas de intervenção para adequar a
execução à complexidade das relações jurídicas.
Responsabilidade Patrimonial e as Fraudes do
Devedor
Responsabilidade Patrimonial: É o conjunto de normas que
regem a sujeição do patrimônio do devedor (ou de terceiro
responsável) para satisfazer a dívida.
Wambier/Talamini: É a situação do devedor de não poder
impedir que a execução atinja seus bens.
Responsabilidade x Dívida
● Dívida: É o dever de cumprir a obrigação.
● Responsabilidade: É a sujeição do patrimônio ao
pagamento.
Regra geral: Devedor é o responsável.
Exceções:
● Dívida sem responsabilidade (ex: dívida de jogo).
● Responsabilidade sem ser devedor (ex: fiador).
Espécies de Responsabilidade
● Primária (ou Principal): Do próprio devedor.
● Secundária: De terceiros, por determinação legal.
Observações!
● Alimentos: Permite a prisão civil do devedor.
● Despejo: Procedimento específico para retomada do
imóvel.
● Depositário Infiel: (Não há mais prisão civil, tema
controvertido).
Fundamentos Legais: CPC: Artigos 789 a 796.
Doutrina: Enfoque de Wambier/Talamini sobre a distinção
entre dívida e responsabilidade e as limitações ao poder do
devedor sobre seu patrimônio em face da execução.
a) Alimentos:
● Regra Geral vs. Exceção: A regra geral da
responsabilidade patrimonial é que a execução se volta
contra os bens do devedor, não contra a pessoa. A
obrigação de alimentos é uma exceção
importantíssima a essa regra.
● Prisão Civil: O não pagamento da pensão alimentícia pode
levar à prisão civil do devedor. Essa medida coercitiva tem
como objetivo garantir que o alimentando (quem recebe a
pensão) tenha suas necessidades básicas atendidas
(alimentação, moradia, saúde, etc.).
● Natureza da Dívida: A dívida de alimentos é considerada
essencial e urgente, justificando a medida extrema da
prisão.
● Prescrição: É importante observar que o direito de pedir
alimentos entre parentes não está sujeito à prescrição ou
decadência. Ou seja, pode ser reivindicado a qualquer
tempo.
b) Despejo:
● Ação de Despejo: O despejo é a ação judicial que o locador
(proprietário) utiliza para reaver o imóvel alugado quando
o locatário (inquilino) não o desocupa voluntariamente.
● Execução Específica: A execução da ordem de despejo é
um tipo de execução específica, pois busca a entrega de um
bem determinado (o imóvel), e não o pagamento de uma
quantia em dinheiro.
● Coerção: Em casos de resistência do locatário, pode ser
necessário o uso da força policial para retirá-lo do imóvel,
o que configura uma medida de coerção pessoal.
c) Depositário Infiel:
● Depositário: O depositário é a pessoa que recebe um bem
em depósito, ou seja, para guardar e conservar. No
contexto da execução, o depositário pode ser nomeado
para guardar um bem penhorado até que ele seja leiloado.
● Infidelidade: O depositário infiel é aquele que não
cumpre com seu dever de guardar e conservar o bem,
podendo causar seu extravio ou deterioração.
● Prisão Civil (Controvérsia): A Constituição Federal previa
a possibilidade de prisão civil do depositário infiel. No
entanto, houve grande discussão sobre a
constitucionalidade dessa medida, e o entendimento atual
é que, em regra, não é mais admitida a prisão civil do
depositário infiel, em face de tratados internacionais de
direitos humanos. Essa mudança reflete uma tendência de
priorizar a responsabilidade patrimonial em vez da
coerção pessoal na execução.