Resumo de Polinômios
Jhon William Sousa Leite (Grupo 2)
1 Função Monomial
Dados um número complexo a e um natural n, consideremos a função f : C → C
definida por f (x) = axn . A função f é chamda de função monomial. O coeficiênte a é
denominado coeficiente do monômio e o natural n é chamado
√ de grau do monômio. Por
exemplo, f (x) = 3x é um monômio de grau 2 e g(x) = − 5x é um monômio de grau 1.
2
Quando f (x) = 0, não se define o grau do monômio.
2 Função Polinomial
Dados an , an−1 , ..., a1 , a0 números complexos; seja x uma variável complexa. Con-
sideremos a função f : C → C, que a cada x se associa o número, isto é f (x) =
an xn + an−1 xn−1 + ... + a1 x + a0 . A função f é dita polinomial, onde an , an−1 , ..., a1 , a0
são os coeficiêntes do polinômio.
2.1 Grau de um Polinômio
Grau de um polinômio p(x) é o máximo grau observado entre o grau de seus
monômios. O coeficiente do monômio de grau máximo é chamado coeficiente dominante
do polinômio e quando o coeficiente
√ 4 dominante é 1 o polinômio é dito mônico.
Exemplo: Dado p(x) = − 3x + x − 2 − 1, temos que é um polinômio de grau 4 e
3 x2
√
coeficiente dominante igual a − 3.
2.2 Valor Numérico
Seja λ um número complexo e p : C → C um polinõmio dado por
p(x) = an xn + an−1 xn−1 + ... + a1 x + a0
O valor numérico de p em λ é o valor obtido quando substituímos x por λ e
efetuamos as operações indicadas, ou seja:
p(λ) = an λn + an−1 λn−1 + ... + a1 λ + a0
3 Adição, Subtração e Multiplicação de Polinômios
As operações de adição, subtração e multiplicação de polinômios seguem os pro-
cessos de Algebra estudados no Ensino Fundamental.
Dados p1 (x) = 2x − 1 e p2 (x) = 3x2 − 4x
1
p1 (x) + p2 (x) :
(2x − 1) + (3x2 − 4x) = 3x2 − 2x − 1
p1 (x) − p2 (x) :
2x − 1 − (3x2 − 4x) = −3x2 + 6x − 1
p2 (x) − p1 (x) :
3x2 − 4x − (2x − 1) = 3x2 − 6x + 1
p1 (x) · p2 (x) :
(2x − 1) · (3x2 − 4x) = 6x3 − 11x2 + 4x
4 Divisão de Polinômios
Sejam dois polinômios, f (x) como dividendo e g(x) como divisor, com g(x) 6= 0.
Dividir f (x) por g(x) é determinar outros dois polinômios: o quociente q(x) e o resto
r(x), tais que:
f (x) = g(x) · q(x) + r(x)
e
grau r < grau g ou r(x) ≡ 0
Quando r(x) = 0 dizemos que a divisão é exata. Um possível esquema de divisão
é pelo método da chave:
f (x) g(x)
..
. q(x)
r(x)
Exemplo: Dividir f (x) = x3 − x2 + 2x − 5 por g(x) = x − 2. O primeiro passo é
dividir o termo de maior grau de f (x) por g(x): xx = x2 ; obtendo o primeiro termo do
3
quociente q(x):
x3 − x2 + 2x − 5 x − 2
x2
Agora, multiplicamos o quociente obtido por g(x): x2 (x − 2) = x3 − 2x2 ; o resul-
tado é colocado com sinal trocado sob os termos semelhantes de f (x), depois somamos e
obtemos um resto parcial:
x3 −x2 +2x −5 x − 2
−x3 +2x2 x2
x2 +2x −5
onde x2 + 2x2 − 5 é o primeiro resto parcial: r1 ; da divisão de f (x) por g(x). Repetindo
o processo até o grau do resto parcial rp ser menor que o grau de g(x), obteremos então:
2
x3 −x2 +2x −5 x−2
−x3 +2x2 x2 + x + 4
x2 +2x −5
−x2 +2x
4x −5
−4x +8
3
onde 3 é o resto r e x2 + x + 4 é o quociente q(x). Perceba que quando o divisor for
um binômio do 1° grau do tipo x − a ou x + a, sendo a ∈ C; e encontrarmos sua raiz,
tomando o divisor da divisão que acabamos de fazer, x − 2 = 0 ⇒ x = 2, calculando f (2)
encontraremos o resto r:
f (2) = 23 − 22 + 2 · 2 − 5 = 3
4.1 Teorema do Resto
Do que foi acabado de ser comentado, podemos concluir que: seja p(x) um polinô-
mio onde o grau de p ≥ 1. O resto da divisão de p(x) por x − a é igual a p(a). Outrossim,
uma consequência importante do teorema do resto é que polinômio f (x) é divisível por
x − a quando a é raiz de f (x). Exemplo: p(x) = x3 + x2 + x + 1 é divisível por x − i,
então i é raiz de p(x). De fato, se substuirmos i em x temos: i3 + i2 + i + 1 = 0.
4.2 Dispositivo de Briot-Ruffini
Esse processo fornece o quociente q(x) e o resto r da divisão de um polinômio f (x)
por g(x), ainda se tratando de g(x) ser da forma x − a (ou x + a). O processo consiste
em pegar os coeficiente de f (x) e a raiz de g(x) e organizar da seguinte maneira:
a bn bn−1 ... b1 b0
Depois, baixamos o primeiro o 1° coeficiente do dividendo multiplicamos pela raiz
do divisor e somamos o produto obtido com o coeficiente seguinte. O resultado é colocado
a baixo desse coeficiente, com esse resultado, repetir as operações e assim por diante. Por
exemplo, vamos dividir f (x) = x3 − 4x2 + 5x − 2 por g(x)x − [Link] que 3 é a raiz de
g(x), então a organização fica da seguinte forma:
3 1 −4 5 −2
1 · 3 = 3:
3 1 −4 5 −2
1
3 + (−4) = −1:
3 1 −4 5 −2
1 −1
3
3 · (−1) = −3 e −3 + 5 = 2:
3 1 −4 5 −2
1 −1 2
2 · 2 = 6 e 6 − 2 = 4:
3 1 −4 5 −2
1 −1 2 4
O último resultado é o resto da divisão logo nosso r é igual a 4 e q(x) = 1x2 −1·x+2
é nosso quociente.
Quando p(x) for divisível por x − a1 e e quociente dessa divisão for divido por x − a2 ,
tem-se que p(x) é divisível por (x − a1 )(x − a2 ). Por exemplo, p(x) = x3 + 2x2 − 5x − 6 é
divisível por (x − 2)(x + 1), de fato, pois: p(x) por x − 2:
2 1 2 −5 −6
1 4 3 0
p(x) por x + 1:
-1 1 4 3
1 3 0
Caso a1 = a2 , p(x) é divisível por (x−1)2 . Esse dois últimos casos são denominados
Divisões Sucessivas.
5 Equações Polinomiais
Equação polinomial é toda equação que pode ser reduzida na forma p(x) = 0,
onde p(x) é um polinômio de garu n, n ≥√1, com coeficientes em C e a variável x assume
qualquer valor em C. Exemplo: − 34 x4 − 2x = 0.
5.1 Raiz
um número complexo α é raiz da equação polinomial, quando, substituindo x por
α na equação e p(α) = 0. Exemplo: x4 + 5x2 + 4 = 0 temos que α = i é uma raiz, pois:
i4 + 5i2 + 4 = 1 − 5 + 4 = 0.
O conjunto soluçãode uma equação polinomial é o conjunto de todas as raizes dessa
equação. Daqui temos um teorema que diz que ‘Todo polinômio de grau n, n ≥ 1, admite
ao menos uma raiz complexa”, que foi o caso do nosso exemplo.
6 Teorema da Decomposição
Seja p(x) = 0, onde p(x) é um polinômio de garu n, n ≥ 1, dado por:
p(x) = an xn + an−1 xn−1 + ... + a1 x + a0 (an 6= 0),
então, p(x) pode ser decomposto na forma:
p(x) = an (x − α1 )(x − α2 )...(x − αn ),
4
em que α1 , α2 , ..., αn são raízes de p(x) e an é o coeficiente dominante. E podemos observar
que, consequentemente, toda equação polinomial de grau n, n ≥ 1 admite exatamente
√ raízes complexas.
n √ Exemplo: p(x) = x4 + 16x3 + 86x2 + 176x + 96 tem raízes −4 −
10, −4 + 10 e −4. Logo, podemos decompor p(x) da seguinte maneira:
√ √
p(x) = (x + 4 − 10)(x + 4 + 10)(x + 4)2
7 Multiplicidade de uma Raiz
Quando resolvemos a equação do 4°grau da seção anterior encontramos duas raízes
iguais a −4, pois, por ser um polinômio de grau 4, possui 4 raízes. Assim, dizemos que
−4 é raiz multipla da equação proposta. Observe agora que uma raiz múltipla de ordem
k: α é uma raiz de p(x) de multiplicidade k se:
p(α) = p0 (α) = p00 (α) = ... = p(k−1) (α) = 0
Na equação do exemplo anterior temos que p(x) = x4 + 16x3 + 86x2 + 176x + 96, já
sabemos que −4 é raiz dupla de p(x), então, −4 tem que ser raiz da p0 (x). Temos então
que:
d
dx
(x4 + 16x3 + 86x2 + 176x + 96) = 4x3 + 48x2 + 172x + 176,
logo, calculando p0 (−4) = 4(−4)3 +48(−4)2 +172(−4)+176 = −256+768−688+176 = 0.
Daqui, dizemos que p(x) tem raiz de multiplicidade k da equação p(x) = 0 se:
p(x) = (x − α)k · q(x); com q(α) 6= 0
8 Relações de Girard
Algumas relações entre os coeficientes de uma equação e suas raízes constituem
uma ferramenta importante na resolução de equações quando sabemos algumas infor-
mações de suas raízes. Analisemos o seguinte: sejam α1 e α2 as raízes da equação
ax2 + bx + c = 0, com a 6= 0; temos que:
ax2 + bx + c ≡ a(x − α1 )(x − α2 )
E daí vem:
x2 + ab x + c
a
≡ x2 − xα2 − xα1 + α1 α2
x2 + ab x + c
a
≡ x2 − (α1 + α2 )x + α1 α2
Da identidade segue que:
α1 + α2 = − ab
α1 α2 = ac
Sejam α1 , α2 e α3 raízes da equação ax3 + bx2 + cx + d + 0, temos, analogamente
ao que foi mostrado anteriormente, que
5
x3 + ab x2 + ac x + d
a
≡ x3 − (α1 + α2 + α3 )x2 + (α1 α2 + α2 α3 + α1 α3 )x − α1 α2 α3 ,
donde temos:
α1 + α2 + α3 = − ab
c
α1 α2 + α2 α3 + α1 α3 = a
α1 α2 α3 = − ad
Logo se expandirmos para uma equação de grau n, teremos que:
α1 + α2 + ... + αn = − an−1
an
= an−2
α α + α α + ... + α α
1 2 1 3 n n−1
an
α1 α2 α3 + α1 α2 α4 + ... + αn−2 αn−1 αn = − an−3 an
.. .. .. ..
. . . .
α1 α2 · ... · αn = (−1)n · aa01
onde:
1. α1 + α2 + ... + αn = − an−1
an
, é a soma das k raízes;
2. α1 α2 + α1 α3 + ... + αn αn−1 = an−2
an
, é a soma dos produtos da raízes tomadas duas
a duas;
3. α1 α2 α3 + α1 α2 α4 + ... + αn−2 αn−1 αn = − an−3
an
, é a soma dos produtos das raízes
tomadas três a três;
4. α1 α2 · ... · αn = (−1)n · a0
a1
, é o produto das n raízes;
Exemplo: Determine a soma dos quadrados das raízes de x4 + 5x3 − 11x2 +
4x − 7 = 0. Para isso vamos ultilizar a primeira relação entre os coeficientes e as raízes:
α1 + α2 + ... + αn = − an−1
an
.
α1 + α2 + α3 + α4 = − 51
agora elevando ambos os lados ao quadrado, fica:
α12 + α22 + α32 + α42 + 2 (α1 α2 + α1 α3 + α1 α4 + α2 α3 + α2 α4 + α3 α4 ) = 25 (I)
| {z }
Soma dos produtos
das raizes tomadas 2 a 2
perceba que apareceu algo que também sabemos como encontrar.
−11
α1 α2 + α1 α3 + α1 α4 + α2 α3 + α2 α4 + α3 α4 = 1
α1 α2 + α1 α3 + α1 α4 + α2 α3 + α2 α4 + α3 α4 = −11 (II)
substituindo (II) em (I), temos:
6
α12 + α22 + α32 + α42 + 2(−11) = 25
α12 + α22 + α32 + α42 = 25 + 22 = 47
logo, concluimos que a resposta é 47.
Fonte: IEZZI, G.; DOLCE, O.; DEGENSZAJN, D.; PÉRIGO, R.; ALMEIDA, N.
Matemática: Ciência e Aplicações. 1. ed. v. 3. São Paulo: Atual, 2001.