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Encanto

O documento apresenta um roteiro da história de 'Encanto', destacando as cenas e personagens principais, como Mirabel e Abuela. A narrativa explora a dinâmica familiar e a cerimônia do dom, onde cada membro da família Madrigal possui habilidades especiais. Mirabel, no entanto, enfrenta a pressão de não ter um dom, refletindo sobre sua identidade e o valor dentro da família.
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Encanto

O documento apresenta um roteiro da história de 'Encanto', destacando as cenas e personagens principais, como Mirabel e Abuela. A narrativa explora a dinâmica familiar e a cerimônia do dom, onde cada membro da família Madrigal possui habilidades especiais. Mirabel, no entanto, enfrenta a pressão de não ter um dom, refletindo sobre sua identidade e o valor dentro da família.
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Encanto

Personagens
2

CENA I Explicação da vela + antes da Mirabel receber o dom

CENA II Mirabel com Antónia antes da cerimónia do Dom


10

CENA III Cerimónia do Dom


11

CENA IV Luísa
15

Cena V Mirabel vai procurar o Bruno


18

CENA VI Mirabel monta a visão no quarto


19

CENA VII Mirabel é apanhada por Augustina com a visão


21

Cena VIII O JANTAR DE NOIVADO


22

CENA IX MIRABEL ENCONTRA BRUNO


23

CENA X (A visão começa a concretizar-se. Discutem Abuela, Augustina e Julieta)


25

CENA XI Bruno tem uma nova visão


26

CENA XII MARIBEL ABRAÇA ISABELA


28

CENA XIII Mirabel confronta a Abuela e a casa destrói-se


30

CENA XIV INTERLÚDIO


32

CENA XV Encontro entre Mirabel, Abuela e Bruno


33

Cena XVI Reencontro com a casa e a família


36
Personagens

Personagens fixas

- Mirabel pequenina : Maria Ferreira

- Mirabel adulta: Maria Antunes

- Abuela: Carolina Barbosa

- Tia Pepa (tempo): Lia

- Tio Bruno (futuro): Letícia Notari

- Mãe Julieta (comida): Leonor Duarte

- Dolores (audição): Margarida

- Luísa (força): Vitória

- Isabela (flores): Emília

- Antónia (animais): Beatriz

- Camila (muda de forma)): Letícia B.

- Tia Felícia: Maria Grego

- Tia Augustina: Constança

Personagens de cena permanente

- (2) Yara: Sofia,

- (3) Íris: Júlia,

- (1) Clara: Catalina

- Vendedoras:

- (1) Neuza: Valentina

- (2) Érica: Mariana,

- (3) Bárbara: Laura

- (4) Maria Peixoto. É também a “fada” que simboliza a reconciliação da história

- OBJETOS INICIAIS DAS PERSONAGENS


- Mirabel -> saia bordada

- Tia Pepa -> vestido amarelo

- Tia Bruna -> capa verde

- Mãe Julieta -> vestido azul (parecido com Pepa)

- Dolores -> saia e lenço vermelho

- Luísa -> saia azul escura

- Isabela -> vestido rosa/roxo

CENA I Explicação da vela + antes da Mirabel


receber o dom
(Abuela e Mirabel pequenina estão as duas sentadas na cama; Mirabel está encostada à
Abuela enquanto esta lhe acaricia o cabelo)

Abuela: (num tom muito afetuoso e calmo) Abre os olhos.

(a Abuela mostra a vela à Mirabel)

Mirabel: (Mirabel fica incrédula a olhar para a vela) É daqui que vem a nossa magia?

Abuela: Sim, minha querida. Esta vela contém o milagre que foi dado à nossa família.

Mirabel: (olha para a avó) E como é que nós recebemos esse milagre?

Abuela: Há muito tempo, quando as minhas 3 lindas filhas nasceram, eu e o teu avô tivemos de
fugir da nossa aldeia em busca de um novo lar. Embora tivéssemos muita gente do nosso lado,
enfrentamos muitos perigos, e infelizmente ficamos sem o teu avô. Nesse momento a vela
transformou-se numa chama mágica que nunca se apagaria, e deu-nos um lugar para viver.
Um sítio fantástico.

Mirabel: (muito entusiasmada) Um encanto?!

Abuela: (a sorrir) Um encanto! O milagre cresceu, e a nossa casa, a nossa própria casita ganhou
vida para nos abrigar. Quando as minhas filhas cresceram, a vela abençoou cada uma delas
com um dom para que nos pudessem ajudar, e o mesmo aconteceu com as filhas delas. E
juntos, fazem de tudo para que a nossa casa seja um paraíso. (olha para a Mirabel) Hoje é a tua
vez de receberes o teu dom. Orgulha a tua família, minha querida.

Mirabel:(olha para a Abuela e de seguida para a vela) Orgulhar a minha família. (levantam-se e
começam a sair de palco) Qual acha que será o meu dom?

Abuela: Tu és uma menina encantadora, Mirabel. Qualquer que seja o teu dom, será tão
especial quanto tu.
Introdução à família Madrigal

(NARRAÇÃO: EM FALTA)

CENÁRIO: cozinha, mesa, toalha, cadeiras, o resto do cenário vai entrando aos poucos

(Mirabel, na forma adulta, está a pôr a mesa quando as 3 Crianças entram em cena)

Clara: Quando é que vão receber o próximo dom?

Mirabel: A cerimónia da minha prima é hoje à noite.

Yara: (muito hiperaQva com uma caneca na de café na mão) E qual vai ser o dom dela?

Mirabel: Vão ter de esperar para ver.

Íris: E qual é o teu dom?

Mirabel: Quem quer saber?

Crianças: NÓS!

Mirabel: Bem, “nós”, eu não posso falar só de mim. Eu sou só uma parte da família dos
incríveis Madrigal.

Crianças: E quem são os incríveis Madrigal? (muito entusiasmados)

Mirabel: Vocês não me vão deixar em paz pois não? Casita ajuda-me!

Gavetas
Chão
Portas
Vamos

É nossa casa, onde todas as gerações


Vivem na música e são o próprio compasso
É a família, perfeitas constelações
De muitas estrelas e todas têm o seu espaço

Wow, para ser clara, a Abuela é quem manda


Wow, e nos trouxe aqui nesta demanda
Wow, a cada ano chega alguém pʹra banda
Há muitas coisas que tens de saber, anda
Bem-vindo à família Madrigal
Nós estamos na casa Madrigal (e já direi)
Todos são mágicos e surreais, pouco habituais
Eu sou da família Madrigal

Yara: Não pode ser, são eles!

Íris: Quais são os dons?


Clara: Eu não me lembro de todos os dons, eu nem sei o que é um dom.

Mirabel: Va lá, va lá, calma.

Clara: É fisicamente impossível ter calma.

Yara: Diz lá, quais são os teus poderes?

Íris: (ainda com a chávena de café muito agitada) Quero saber os poderes todos!

Mirabel: (enquanto Qra a chávena da mão da criança) E é por isso que o café é p'ra adultos.

A Tia Pepa é que manda no tempo


(entra com um guarda chuva)
Ela ficou triste, e bom, o tempo esmoreceu

A minha Qa Bruna, não falamos da Bruna


(espreitam todas nas coxias)
Diz que ela viu o futuro e um dia desapareceu

Wow, a minha mãe Julieta tem um (entra com uma bandeja na mão) papel
Wow, é curar-te com uma refeição
Wow, e ficares forte como um leão
Se te impressiona imagina eu então, mãe!

Bem-vindo à família Madrigal


Nós estamos na casa Madrigal
Parece mágico e surreal, pouco habitual, mas Eu
sou da família Madrigal

O amor trouxe-os à família Madrigal E


agora são da família Madrigal

O Qo Félix casou com a Pepa e o meu pai com a Julieta


E a Abuela tornou-se a Abuela Madrigal

Vamos, vamos

Abuela: Nós prometemos, acudir todos


Com o milagre que veio abraçar-nos

O mundo floresce e a vila cresce


Com dedicação mantendo o milagre com vida
E cada geração mantém o milagre com vida

Clara: Espera, quem é irmã e quem é o primo?

Íris: São tantas pessoas!


Yara: Como é que não as confundes.

Mirabel: Okey, okey, okey

Tantas crianças em casa


Vamos aumentar o som
E por que? Para juntar todos os netos (netos, netos)

A Prima Dolores ouve tão bem a casa


A Camila muda, a Antónia recebe hoje o dom
E as irmãs são: Isabela e Luisa
É forte, e é a bela é uma perfeição
(Isabela) gera flores e a vila delira
(Isabela) ela é muito, muito gira
(Luisa, Luisa) e a Luisa é super forte Beleza
e vigor, são o meu norte

É esta a família Madrigal


Sabes que é a família Madrigal
Parece mágico e surreal, pouco habitual E
assim se faz a família Madrigal

Mirabel: Adeus!

Clara: Mas qual é o teu dom?

Mirabel: É tanta a pressa na vida de um Madrigal


Já todos conhecem a família Madrigal
Isto não é para ser autobiográfica
Então vamos rever a família Madrigal, vamos

(E então Mirabel?) Começa com a Abuela


E vem a Tia Pepa e o clima é dela (e então Mirabel?) Minha
mãe Julieta que te faz senQr bem só com uma arepa (e
então Mirabel?) Meu pai AugusQn bem
sorte é uma coisa que não tem (e então Mirabel?)
Hey, eu sei que querias saber que todos são primos ou primas e...
(Mirabel) a prima Camila só para depois de nos agradar
(Mirabel) a prima Dolores que ouve estes claros sons a cantar
(Mirabel) olhe senhor Mariano, case com a minha irmã
(Mirabel) se é o seu plano aqui dentro da nossa casa é um engano

Já falei demais, obrigada, mas agora vou andando (Mirabel)


A família é incrível (Mirabel)
E eu sou família, então
(Mirabel) Bem...

Abuela: (entra em palco) Mirabel! O que é que estás a fazer?


Mirabel: (a fingir que não está atrapalhada) Eles só queriam saber acerca da família.

Clara: (muito contente) Ela estava prestes a contar-nos o seu dom super hiper mega incrível!

Dolores: (aparece do nada) Oh, ela não recebeu nenhum dom (volta a ir embora como se nada
se Qvesse passado)

(crianças ficam todas a olhar para a Mirabel)

Yara: (triste) Tu não recebeste nenhum dom?

Érica: (entra em cena com uma caixa muito pesada) Mirabel! Tenho aqui uma entrega especial.
Trouxe-te o melhor que Qnha na minha loja, já que és a única Madrigal que não tem um dom.
Chamei-lhe a entrega “Especial Nã[Link]”, por não teres nenhum dom.

Mirabel: (a forçar um sorriso enquanto pega na caixa com muito esforço e a deixa cair no chão)
Obrigada!

Érica: (começa a ir embora) Ah! (vira- se para Mirabel) Deseja boa sorte à Antónia. (conQnua a
andar para fora de cena) A úlQma cerimónia do Dom foi terrível. Que no caso, foi a tua, que
não funcionou. (sai de cena)

Yara: (fica a olhar para a vendedora e depois olha para a Mirabel) Se esQvesse no teu lugar, ia
estar mesmo triste.

Mirabel: Pois, minha amiga, mas eu não estou nada triste. Porque com ou sem dom, eu sou tão
especial quanto qualquer outro membro da minha família.

Clara: Talvez o teu dom seja estar em negação.

Abuela: (entra em cena) Vamos lá meninos, andor, nós cá em casa ainda temos muito a fazer.

(crianças saem de cena a rir e a correr, mas CLARA tropeça)

Clara: (chora) Au, magoei-me (chora)

Julieta: Vá lá pequenina, come este bolinho que isso já passa.

Clara: (dá uma trinca) Uau, já estou muito melhor! Obrigada Dona Julieta. (saem de cena)

Abuela: Luisa! Vem ajudar a tua prima com esta caixa.

Luisa: Já estou a ir Abuela!

(Mirabel tenta pegar na caixa, não consegue, pega numas bandeirinhas que estão todas
entrelaçadas e Luisa pega na caixa como se nada fosse)

Luisa: Já agora, onde quer que meta o piano de cauda?

Abuela: Podes meter na sala do segundo andar!

Luisa: Sim, senhora. (sai de cena e leva a caixa)

Dolores: (entra com pratos na mão) Ouvi a Dona Rosa a dizer que a família dela vai sair de casa
daqui a nada. Toda a gente na vila está super entusiasmada com a cerimónia de hoje.
Pepa: (entra em cena com passo acelerado muito stressada e a falar muito rápido) Ai, não
Dolores, não digas isso, eu não aguento mais. As pessoas estão prestes a chegar e não está
nada pronto. A mesa ainda não está posta, está tudo desarrumado, a loiça está por lavar, a
comida por fazer,…

(Isabela entra em cena quase logo a seguir a Pepa mas do outro lado do palco com um guarda
chuva na mão e abre-o; quando a Pepa começa a falar toda a gente que está em cena começa
a olhar para o céu e a tentar abrigar-se)

Mirabel: Ai não, já vai começar a chover.

Isabela: Calma Qa Pepa, respire. (faz aparecer uma flor da sua mão e começa a fazer exercícios
de respiração com a Qa) Cheire a flor, sopre a vela, cheire a flor, sopre a vela,… (repete isto
com calma até a Qa se senQr melhor) Isso, muito bem, não se preocupe, tudo se vai resolver
ainda temos muito tempo.

Pepa: Muito obrigada minha querida Isabela, és mesmo perfeita em tudo.

(Mirabel olha para Isabela com desdém)

Isabela: Oh, Qa, não diga isso. Também não é preciso exagerar. (diz com um tom um pouco
falso) Mas de qualquer das maneiras não tem que agradecer, era o mínimo que podia fazer por
si.

Pepa: (enquanto se desvia) És sempre tão amável, o que seria de nós sem Q.

Isabela: (vai ter com Mirabel que ainda está a tentar desembaraçar as bandeirinhas e diz entre
dentes, mudando de tom) Um conselho de irmã para irmã: ajudavas mais se não te esforçasses
tanto. Neste momento só estás a atrapalhar. Nós temos tudo orientado. (afasta-se e sai de
cena)

Mirabel: Caso não saibas, eu ESTOU a ajudar. E eu não estou a atrapalhar ninguém, tu é que
estás! (olha para as mão e vê que as bandeirinhas estão ainda mais enrodilhadas; suspira)

Julieta: (olha para Mirabel e vai ter com ela) Querida, deixa estar isso, não te preocupes.

Mirabel: Eu estou só a fazer a minha parte, tal como o resto da família.

Julieta: (Qra- lhe as bandeirinhas das mãos e pega-lhe na mão) Eu sei que esta é a primeira
cerimónia do Dom desde que a tua aconteceu, é normal estares ansiosa, mas não tens de
provar nada a ninguém, minha querida.

Mirabel: (larga as mãos da mãe e pega nas bandeirinhas) Eu sei mãe, não te preocupes. Mas a
casa não se decora sozinha, e ainda tenho muito que fazer. Até já.

(vai a andar enquanto tenta desembaraçar; esbarra-se contra a Abuela)

Abuela: Se calhar devias deixar as decorações para outra pessoa.

Mirabel: Por acaso fui eu que fiz isto, como surpresa, para si (mostra as bandeirinhas à Abuela
mas fica envergonhada quando repara que conQnuam todas embaraçadas)
Abuela: Mirabel, eu sei que queres ajudar, mas esta noite tem tudo de correr na perfeição.
Toda a aldeia depende da nossa família, dos nossos dons. Por isso, a melhor ajuda que alguns
de nós podem dar é… afastarem-se. Deixa o resto da família fazer aquilo que eles fazem
melhor. Está bem?

Mirabel: (triste, mas a fingir um sorriso) Mhm.

(Abuela começa a sair de cena; Mirabel começa a sair de cena no senQdo contrário; Julieta
encontra-se com a Abuela pelo caminha, Mirabel para para ouvir o que a mãe diz)

Julieta: Mama, não sejas tão dura com a Mirabel. Hoje vai ser uma noite muito dura para ela.

Abuela: Se a cerimónia não correr bem, hoje vai ser uma noite muito dura para todos nós.
CENA II Mirabel com Antónia antes da cerimónia
do Dom
CENÁRIO: quarto, cama

(Mirabel entra com uma prenda na mão, a olhar para o ar e a fingir que procura alguém)

Mirabel: Antónia, onde estás? Está toda a gente à tua procura! (senta-se na cama) Este
presente vai se autodestruir se não pegares nele, em 5, 4, 3, 2, (Antónia que está muito mal
escondida de baixo dos lençóis pega na prenda, mas não sai de baixo dos lençóis; Mirabel
reQra os lençóis da cabeça da Antónia devagar) Nervosa? (Antónia não responde, está triste)
Não tens nada com que te preocupar. Hoje é o dia da tua cerimónia e vais receber o melhor
dom de sempre. Eu tenho a certeza.

Antónia: E se não funcionar?

Mirabel: Nesse cenário impossível, ficas aqui no quarto das crianças comigo. Para sempre (diz a
sussurrar com ar misterioso) E assim fico conQgo só para mim (diz enquanto faz cócegas a
Antónia)

Antónia: (diz triste depois de se rir por causa das cócegas) Quem me dera que Qvesses um
dom.

Mirabel: Sabes uma coisa? Não tens de te preocupar comigo, porque eu tenho uma família
incrível, e uma casa incrível, e a cima de tudo, tenho te a Q, que és a pessoa mais incrível que
eu conheço. Ver-te a receberes o teu dom vai fazer de mim a pessoa mais feliz do mundo. Mas
pronto, vou ter saudades da melhor companheira de quarto de sempre. Vá, abre a tua prenda.

(Antónia abre a prenda a suspira ao ver o peluche)

Mirabel: Eu sei que adoras animais, então fiz-te esse novo amigo para que quando esQveres no
teu novo quarto, não te sintas tão sozinho.

(ouve se um som de um sino)

Mirabel: Bem, está na hora, estás pronta? (Antónia acena que sim com a cabeça e levanta-se)
Não, espera, preciso de mais um abraço! (puxa Antónia para um úlQmo abraço e riem-se as 2)

CENA III Cerimónia do Dom


CENÁRIO: cama sai de cena e não fica nada em palco

(Mirabel e Antónia dirigem-se para o centro do palco onde vêm ter Pepa e Dolores)

Pepa: (muito emocionada, quase a chorar) Cá estás tu! Olha para Q, estás tão crescida.

Camila: Mãe, cuidado, ainda nos vais molhar a todos.

Dolores: Vá, tem calma. (para o que está a fazer e esQca a cabeça como se esQvesse a ouvir
alguma coisa) A Abuela diz que está na hora.
(dirigem-se para a lateral; entra a Abuela do outro lado com a vela na mão e dirige-se para o
centro/frente do palco e o resto das pessoas entra para as laterais; Mirabel fica a espreitar na
coxia de trás)

Abuela: Há 50 anos, no momento mais sombrio da nossa história, esta vela abençoou-nos com
um milagre. E a maior honra da nossa família tem sido usar os nossos dons para servir esta
adorada comunidade. Esta noite, voltamos a reunir-nos aqui para que mais um de nós receba
o seu dom, e orgulhe a sua família.

(Antónia entra do lado oposto ao de Mirabel e fica no centro atrás muito nervosa, não se
consegue mexer; Mirabel repara nela, olha para a Abuela e depois volta a olhar para
Antónia que lhe estende a mão) Mirabel: (a sussurrar) Não posso!

Antónia: (a sussurrar) Eu preciso de Q!

(Mirabel hesita mas vai ter com Antónia e dá-lhe a mão)

Mirabel: Anda lá, vamos levar-te ao teu dom. (Antónia amarra-se à mão de Mirabel)

(ambas caminham até à Abuela; Antónia fica de frente para ela e Mirabel afasta-se)

Abuela: Usarás o teu dom para honrar o nosso milagre? Servirás esta comunidade e
fortalecerás o nosso lar? (Antónia mete as mãos na vela)

(surgem luzes no cenário, fica tudo mais claro) (soam pássaros e outros animais)

Antónia: (com ar de espanto, olha em volta) Sim, uhum! Sim, claro, entendo-vos
perfeitamente. (sorri para a Abuela) Eu consigo entender os animais!

Abuela: (sorri para Antónia, vira-se para o resto das pessoas) Temos um novo dom!

(todos aplaudem, felicitam Antónia)

Abuela: (vai ter com Antónia) Eu sabia que ias conseguir. Um dom tão especial quanto tu.
(suspira de espanto) Ah, precisamos de uma fotografia! Vá, venham todos, juntem-se. É uma
noite muito especial, é uma noite perfeita!

(todos da família Madrigal juntam-se para um foto menos Mirabel que fica de fora a ver muito
triste)

Abuela: Vá, digam todos!

Todos menos Mirabel: Viva à família Madrigal!

(todos congelam e entra a música)

Mirabel: Não te chateies ou incomodes


Não tenhas pena nem te inquietes
Ainda sou da família Madrigal
Eu estou bem, estou mesmo bem
Aqui estarei a observar-te a brilhar Não
estou bem, não estou bem
Não movo montanhas
(passa pela Luisa)
Nem sei florescer as flores
(passa pela Isabela)
Nem mais uma noite eu passo só no meu quarto À
espera de um milagre

Não conserto o que se parte


(passa pela Julieta)
Nem controlo a chuva ou um furacão
(passa pela Pepa)
A dor é invisível no meu coração
Sempre à espera de um milagre, um milagre

O caminho demora
Na espera que melhore
E a espera decorre
Quero brilhar como todos vocês

Eu preciso que avance


Eu só quero uma chance
Só sei que já não dá ficar de lado
Tens de me ver, tens de me ver, tens de me ver (passa pela Abuela)

Movi as montanhas (começam todos a sair muito sérios e sem


E fazia flores florescer reparar na Mirabel)
Nem sei bem p'ra onde vou, quero crescer Só
preciso de um milagre, de um milagre

Eu remendo o que se parte


E algo novo eu procuro
Quem eu sou? Não sei
Mas no meu futuro
Estou à espera de um milagre, e aqui vou

Já estou aqui, vamos, estou aqui


Tenho sido paciente a deixar andar
Dá-me o dom que deste a todos há tanto tempo O
milagre está p'ra chegar

Será eu feita para um milagre?

(ouve se um som a estalar; Mirabel vê algo no chão e vai lá pegar (NOTA: este objeto tem de
ser deixado em palco por alguma das personagens q saiu); fica a olhar para o objeto)

Mirabel: Casita?! O que se passa? (toca na telha que pegou e corta-se) Ouch! (olha para mão
e aperta-a com dores)
(sons de “parQr” aumentam e luz começa a falhar/estremecer; o cenário de trás (casa) passa a
estar com rachas na parede; Mirabel fica em pânico a olhar para o que está a acontecer)

Mirabel: Casita?! Oh não! (mete as mãos à cabeça e começa a chamar por toda a gente) A casa
está em perigo! Ajudem! A casa está em perigo!

(todos voltam a entrar em cena muito confusos, enquanto isto tudo no cenário volta à
normalidade)

Mirabel: (vai ter com as pessoas e relata o que viu) As telhas caíram e há rachas por todo o
lado. E a vela quase se apagou. Vejam!

(Mirabel olha para trás e vê que está tudo bem)

Mirabel: O quê?! Não, não pode ser! (aponta para o chão) As rachas estavam aqui, estavam
por todo o lado. A casa estava aflita, a vela estava quase a apagar-se.

(todos olham com ar reprovador para Mirabel)

Mirabel: (vira-se para a Abuela) Abuela, eu juro!

Abuela: (muito chateada) Chega, Mirabel! (vira-se de costas para Mirabel e fala para o resto
das pessoas) Não há nada de mal com a casa Madrigal! A magia é forte! (diz em tom de
brincadeira) Mas não tanto quanto as bebidas! (vira-se para Mirabel e diz mais baixo e com ar
reprovador) Já devias ter idade para não fazeres um escândalo destes. Não tentes arruinar a
noite da tua prima. (vira-se para as pessoas) Vá, que toque a música, que volte a festa!

(começa música a tocar, e vão todos embora, Mirabel fica sozinha muito confusa
e envergonhada, Julieta vai ter com ela) Julieta: Então Mirabel? Que foi isto?

Mirabel: Eu juro mãe. Aconteceu mesmo!

Julieta: Querida de certeza que não foram coisas da tua cabeça?

Mirabel: Como é que isso seria sequer possível se eu cortei a mão? Eu seria incapaz de arruinar
a noite da Antónia. Tu conheces-me! Achas mesmo que seria capaz disso?

Julieta: O que eu acho é que hoje foi um dia muito di cil para Q!

Mirabel: (suspira de raiva) Isso. Uh (respira fundo) Eu estava a tomar conta da família. E eu
posso não ter super força como a Luisa, ou ser naturalmente perfeita como a senhorita
Isabela, que nunca acordou com um cabelo fora do síQo sequer, mas… esquece.

Julieta: (dá-lhe um bolinho para a comer) Quem me dera que te conseguisses ver através dos
meus olhos. És perfeita assim como és, não tens de mudar nada. És tão especial como
qualquer outra pessoa desta família.

Mirabel: (mostra o bolinho) Tu acabaste de curar a minha mão com um pão de queijo.

Julieta: (muito dramáQca, quase a gozar) Eu curei a tua mão com amor pela minha filha, com
uma mente brilhante, um coração enorme e uns óculos todos caQtas.

Mirabel: Ai mama, já chega. Eu sei o que vi!


Julieta: (afasta-se e suspira) Querida, a minha irmã Bruna perdeu-se na família. Não quero que
aconteça o mesmo conQgo. Vai lá descansar, tenta dormir um pouco. Amanhã de certeza que
te vais senQr melhor.

(Julieta sai de palco; a casa começa a parQr, ouve-se sons de coisas a rachar)

(a casa começa a parQr, ouve-se sons de coisas a rachar enquanto Mirabel está a dormir; vai
ver como está a vela; aparece a avó na janela e Mirabel esconde-se)

Abuela: (olha para uma foto do Pedro, ela está muito triste) Ah, Pedro! Preciso tanto de Q! Há
rachas na nossa casita. Se a nossa família soubesse o quão vulnerável realmente estamos. Se
soubessem que o milagre está a morrer. Não podemos voltar a perder a nossa casa! (olha para
o céu) Porque é que isto está a acontecer?! Indica-me o caminho! Se a resposta está aqui,
ajuda-me a encontrá-la. Ajuda-me a proteger a nossa família. Ajuda-me a salvar o nosso
milagre. (Beija a foto com ternura e tristeza e sai)

Mirabel: Casita, eu sei que não sonhei, diz-me o que se passa! (pausa e fica a olhar em volta) Já
sei! Eu vou salvar o milagre! (pega no seu saco, arruma tudo rapidamente e põe se pronta para
a sua aventura) Calma, mas como é que eu salvo o milagre? Bem, eu posso não saber o que
está a acontecer, mas conheço alguém que ouve tudo o que acontece nesta casa! Se há
alguém que sabe o que se passa de errado com o milagre, é ela!

(Mirabel vai ter com Dolores, está de costas (tem o lenço na cabeça)

Mirabel: (com ar de graxa) Hey, Dolores! Sabes?! De todos os meus primos mais velhos, tu, és
Qpo, a minha prima favorita. E por isso sinto mesmo que posso falar conQgo sobre qualquer
coisa,... da mesma forma que TU podes falar comigo sobre qualquer coisa. Como por exemplo
aquele problema com a magia ontem à noite com o qual ninguém se pareceu importar mas
que se calhar tu ouviste e que eu se calhar devesse saber?!

Dolores: A única pessoa preocupada com a magia és tu… e os ratos dentro das paredes. (segue
caminho, mas lembra-se de uma coisa e volta-se a virar para Mirabel) Oh, e a Luisa! Eu ia jura
que ouvi o olho dela a tremer a noite toda.

CENA IV Luísa
Neuza : Luísa, podes mudar o curso do rio?!

Luisa: É para já!

Bárbara: Luisa, não te esqueças da minha casa!

Luisa: Já estou a tratar disso!

(Luisa vira costas a Mirabel e volta a transportar os pedregulhos)

Mirabel: Luisa! Luisa, espera! Tens de me contar acerca da magia! O que é que se passa? O que
é que estás a esconder?

Luisa: Nada… Tenho muitas tarefas para fazer, talvez seja melhor voltares para casa.
Bárbara: Luisa, os meus burros voltaram a fugir!

Luisa: Assim que acabar a casa do senhor Joaquim já os apanho.

Mirabel: (mete-se á frente da Luisa) Há alguma coisa que te está a pôr nervosa.

Luisa: Mirabel, sai da frente, ainda te cai um pedregulho em cima. (conQnua a andar, Mirabel
fica para trás)

Mirabel: Luisa! Ugh (suspira e mete as mãos à cabeça) Diz me só o que se passa!

Luisa: Não há nada para dizer!

Mirabel: Não me enganas! Há alguma coisa que te está a pôr nervosa! Conta-me! Se isso
interferir com a magia e ela deixar de estar bem…

Luisa: (vira-se para Mirabel e quase que grita) Mas está tudo bem! (ambas param) Oh, wow,
uhm, desculpa, isto escalou um bocado. O que eu queria dizer era… porque é que alguma coisa
não estaria bem? Eu estou bem, a magia está bem, a Luisa está bem. Eu estou completamente
não stressada. (fica outra vez com cara de caso e com os olhos a piscar muito forte)

Mirabel: O teu olho está a…

Luisa: A mais forte


Que não sente
Como as rochas eu sou resistente

Movo tudo
Calmamente
Dura sou, disso estou bem ciente
Não pergunto se é exigente
Inquebrável, aguento-me sempre
Prata, plaQna, esmagar é roQna
Aceito sem medo e parto e não cedo, mas

No fundo, sempre, fico demente


Na corda bamba o dever de toda a gente
No fundo, sempre
O Hércules vai combater e não foge de repente

No fundo, sempre
Me sinto indiferente se não esQver presente
Está tudo mal, o golpe final
Destruição total, a destruição total

Pressão como um plin plin plin que não vai parar, whoa
Pressão que faz Qc Qc Qc que até rebentar, whoah-uh-uh
Dá à tua irmã que é mais crescida
Dá-lhe todo o peso a mais na nossa vida
Quem serei se não puder ajudar? Se
cedo à

Pressão, fico fico fico mal porque me agarrou, whoa


Pressão que faz Qc Qc Qc e quase já rebentou, whoah-uh-uh
Dá à tua irmã porque é mais forte
Que se aguenta mais mesmo sem ter sorte
Quem serei se não puder carregar? Se eu
hesito

No fundo, sempre
EsQve nervosa e pior agora, sinto-me impotente
No fundo, sempre
Nenhum icebergue o impede, o barco segue em frente

No fundo, sempre
Pensei se ser valente seria permanente
Alinhar o dominó, a brisa soprou
Tu tentas impedi-lo só que nunca mais parou

Achar que está a passar vai libertar expectaQva e a alegria


Poderá vir alguma calma
Para ser não temos e apenas vemos
A pressão vivemos tão dura, tão muda e não ajuda

Pressão como um pim pim pim que não vai parar, whoa
Pressão que faz Qc Qc Qc que até rebentar, whoah-uh-uh
Dá à tua irmã porque não lhe custa
Fardos de família já a nenhum assusta
Vê a torcer-se depressa mas não quebrar
Sem errar

Pressão e eu fico fico fico mal porque me agarrou, whoa


Pressão que faz Qc Qc Qc e quase já rebentou, whoah-uh-uh
Dá à tua irmã, nem sequer reflitas
Se essa pressão te deixar aflita Quem
serei se não puder aguentar?
Não vou quebrar, sem errar
Sem pressão

(Mirabel vai abraçar Luísa)

Mirabel: Acho que tens demasiado peso em cima de Q

Luísa: (pega na Mirabel antes de ela terminar a frase; aperta-a com força) Se calhar tens razão.

Mirabel: (já quase sem ar) Yup


Luisa: Uhm, existe uma coisa que devias saber. Ontem, quando tu ouviste as rachas, eu
senQme… fraca (quase a sussurrar)

Mirabel: Uhm, mas, calma, espera, o quê?!

Pessoa 2: Luisa, já acabaste a minha casa?!

Luisa: Está quase!

Mirabel: Mas, como é que isso aconteceu? Achas que há alguma coisa a enfraquecer a magia?!

Luisa: Não sei, mas eu ouvi os adultos a falar, antes da Qa Bruna desaparecer. Ela teve uma
visão terrível sobre isso.

Mirabel: (muito confusa) A Qa Bruna? O que estava na visão dela?

Luisa: Ninguém sabe, nunca ninguém a encontrou. Mas se há algo de errado com a magia,
procura na torre da Bruna. Encontra a visão.

Mirabel: Espera! Como é que se encontra uma visão?! O que é que tenho de procurar
exatamente?

Luisa: Se a encontrares, vais saber! Mas tem cuidado. Aquela torre está fechada por algum
moQvo…

Cena V Mirabel vai procurar o Bruno

(Mirabel vai até à torre; abre a porta e vê muita areia a cair)

Mirabel: Casita, consegues desligar a areia?

(sons de telhas)

Mirabel: Não consegues ajudar-me aqui?

(sons de telhas)

Mirabel: Oh não, tantas escadas. Não, foca-te. Pela magia (começa a subir as escadas e a
“cantar” sempre sem fôlego) Esta é a família Madrigal! Há tantas escadas na casa Madrigal!
Podia haver outra maneira de subir, porque somos mágicos, mas não. (diz cansada) É mágico
como tantas escadas cabem numa torre. Bruna, o teu quarto é o pior deles todos. Phew (chega
ao topo)

(encontra um monte de areia com peças a brilhar, vai pegando nelas)

Mirabel: Será isto a visão da Bruna? Finalmente vou descobrir o que está a enfraquecer a
magia!

(vai juntando as peças, musica de suspense, e som das rachas)

Mirabel: (vê a imagem que aparece) Uh! (suspira assustada) Sou eu!

(sons das rachas intensificam-se, pega nas peças todas e foge)


(ao sair apressada esbarra-se contra a avó)

Abuela: Mas de onde vens tu com tanta pressa? E o que é isso no teu cabelo?

Mirabel: (a tentar esconder a areia, mexe no cabelo) Ah, ah…..

Luisa: (da outra ponta do palco) O MEU DOM! (começa a chorar e passa pela Abuela) estou a
perder o meu dom!! (chora)

Abuela: O quê?

Luisa: Eu e a Mirabel estávamos a ter uma conversinha sobre eu carregar peso a mais, então eu
tentei não carregar tanto, mas apercebi-me que estava a ficar para trás, e que ia desiludir toda
a gente. Depois eu senQ-me mesmo mal e só me apetecia pegar naquelas pedras e acabar de
construir a casa, mas quando fui para pegar nas pedras elas eram… demasiado pesadas (sai a
chorar)

Abuela: (para Mirabel) O que é que tu fizeste? O que é que lhe disseste?

Mirabel: (muito atrapalhada e confusa) Ah, nada, não disse nada, eu…

Abuela: Não voltes a falar com a tua irmã até eu conseguir falar com ela primeiro. E o que quer
que seja que estás a fazer, para de o fazer!

CENA VI Mirabel monta a visão no quarto


Mirabel: Porque estou na tua visão, Bruno?

(Aparece a Qa Pepa, com uma caixa na mão e uma nuvem na cabeça. Mirabel fica muito
surpreendida e coloca-se à frente da visão)

Mirabel: Tia! Caramba!

Pepa: (coloca a caixa de lado) : Desculpa, não queria interromper, só vinha buscar umas coisas
da Antónia e depois ouvi o nome que não pronunciamos. (Em Sussurro). FantásQco, agora
estou a trovejar, o que vai criar uma chuva miudinha, a chuva vai provocar chuviscos!!! (Tenta
relaxar) Céu limpo, céu limpo, uuhhh, céu limpo

Mirabel: (a medo de interromper o momento chill da Pepa): Tia Pepa, Quando o Bru…
(interrompe) quando ele Qnha uma visão sobre alguém, o que é que isso significava para essa
pessoa?

Pepa: Nós não falamos do Bruno

Mirabel: Eu sei, mas se só por hipótese…

Pepa: Mirabel, por favor, temos assuntos mais importantes

Mirabel: Sim, mas se ele te visse numa visão seria posiQvo… ou negaQvo…

Felicia: (aparece de repente em palco): Seria um pesadelo!

Pepa: Félix!
Félicia: ela tem de saber!

Pepa: Nós não falamos do Bruno!

Felícia: Ele via algo terrível. E então…. (Onomatopeias) A coisa realizava-se!

Pepa: Não falamos do Bruno!

Mirabel: e se não percebêssemos a visão dele?

Felícia: Seria melhor perceberes porque ia acontecer-te.

Pepa (E RESTANTES INTERVENIENTES DA CANÇÃO)

Não falamos do Bruno, oh, não, não, não


Não falamos do Bruno, mas
No dia do casamento (no dia do casamento)
Estava a preparar-me e não havia uma nuvem no céu
(Nenhuma nuvem no céu)
O Bruno surgiu tão maldoso a sorrir (trovões)
Tu contas a história ou conto eu?
(Perdão, mi vida, conta)
O Bruno diz que a chuva vem (e como ficou ela?)
Com a cabeça em água fiquei (traz o guarda-chuva, Abuela)
Num furacão, eu casei (um dia que nem então lembrei)
Não falamos do Bruno, não, não, não
Não falamos do Bruno
Hey, eu cresci com medo dele aparecer à frente
Ouço gaguejarem e resmungar na minha mente
Lembro muito o Bruno quando ouço o som de areia
(Tss, tss, tss)
Tem um dom intenso e inconveniente
Deixava a Abula e a família doente
P'ra entender melhor a profecia que se receia
Tu estás a entender?
E ele é alto e farto e ratazanas traz
Quando teu nome chama, podes preparar
Ele assiste aos filmes que faz com os teus gritos
Não falamos do Bruno, não, não, não
Não falamos do Bruno (não falamos do Bruno não)
Disse que o meu peixe morria
Morto! (No, no)
Que um alto me ia crescer palavras de ai (no, no)
Disse que o meu cabelo ia embora
E já não há mais (no, no)
A profecia dita as sortes finais
E se é assim que eu posso viver
Qualquer vida, desde que a queira
Disse assim, meu poder vai crescer
Como a uva que vem da videira (oh, Mariano está a chegar)
Ele disse que o amor prometido
Está longe de mim e noivo de outra
(Quase consigo ouvir) ninguém
Faz mais confusão do que vi (quase que eu consigo ouvir)
Eu já o consigo ouvir (sim, Bruno)
E é sobre o Bruno
Eu quero saber tudo sobre o Bruno
Conta-me toda a verdade sobre o Bruno
Isabela, o teu amor chegou (vamos comer)
Ele é alto e farto e ratazanas traz (no dia do casamento)
No dia do casamento
Estava a preparar-me e não havia uma nuvem no céu (quando teu nome chama,
podes preparar)
(Nenhuma nuvem no céu)
O Bruno surgiu tão maldoso a sorrir (ele assiste aos filmes que faz com os teus gritos)
(Trovões)
Tu contas a história ou conto eu?
Os trovões (tu estás a entender?) O Mariano está a chegar
O Bruno diz que a chuva vem (e como ficou ela?)
Com a cabeça em água fiquei (traz o guarda-chuva, abuela)
Num furacão, eu casei
Já está aqui
Não falem do Bruno, não, não, não (por que falei eu do Bruno?)
Não se fala do Bruno (eu não devia ter falado do Bruno)
CENA VII Mirabel é apanhada por Augustina com
a visão
(Mirabel está a olhar para a visão)

AugusQna: (fora de palco) Mirabel! (Entra em palco, Mirabel vira-se


repenQnamente, mas não a tempo de AugusQna se aperceber da visão) viste o
meu vesQdo? (A Falar cada vez mais devagar e muito espantada. Instala-se o
silêncio constrangedor)

Mirabel: ok eu entrei na torre do Bruno e encontrei a úlQma visão. A nossa


família corre perigo! A magia está a morrer, a casa a derrocar, o dom da Luísa a
desaparecer. E é tudo por minha causa.

(Som de campainha)

AugusQna: Não dizemos nada, a Abuela quer uma noite perfeita. Enquanto os
Guzman cá esQverem, não foste à Torre do Bruno, a magia não está a morrer, a
casa não está a derrocar, o dom da Luísa não está a desaparecer. Ninguém
saberá. Age com naturalidade. (AugusQna vai agarrando Mirabel pelos ombros.
Não a larga. A porta abre-se. Dolores está à escuta)

Dolores: Uh! Eu sei!


Maribel (ainda a ser agarrada por AugusQna): Ela vai contar a toda a gente.

Cena VIII O JANTAR DE NOIVADO

Maria: A desgraça está instalada! Se a Dolores abre a goela!

Érica: Não quero nem imaginar. A aquela vai ficar furiosa.

Maria: Logo hoje em que tudo tem de correr bem! Concentração, vá! É só não
Qrar os olhos de cima da Dolores. Oh meu Deus!

Érica: Ela não vai conseguir, basta uma distraçãozinha e puff!

Maria: Fez-se o chocapic?

Érica: Não! A Dolores vai contar a toda a gente! E Não comas isso porque tem
óleo de palma.

Maria: Oh não! Oh não!

Érica: o que é?

Maria: É tarde demais! Ela já contou à Camila!

Érica: Que já contou à Felícia!

Maria: Que contou à Pepa. Oh não, vem aí uma tempestade, de certeza! (Som
de chuva)

Érica: pronto, agora sabe a Julieta e o pedido de casamento está arruinado!

(Mirabel espreita debaixo da mesa. Vê rachaduras e bate com a cabeça)

Abuela: Mirabel, está tudo bem?

AugusQna: Então não está! Ela só está nervosa porque quer ver este pedido de
casamento. Que devia acontecer, o mais rápido possível!

Mirabel: sim!

Camila: Mas ela não vai casar. Não com esta nuvem.

Felícia: Isabela, o que está a acontecer?

Dolores: Ela vai mesmo casar? (Com voz de quase choro) Luísa:

(em desespero) Eu não consigo carregar mais nada! (Chora)


Camila (Qra a visão de debaixo da mesa): Vejam o que eu encontrei!

(Toda a gente faz um ah de aflição)

Camila: ah, oh!

(Sons de trovões. Toda a aldeia, personificada por quem não é da família


Madrigal aparece com uma tarja. Começam todos a sair de palco um por um e a
passar por Maribel)

Isabela: O meu pedido de casamento está arruinado! Odeio-te Maribel!

Luísa: Oooohhh, sou uma falhada!

AugusQna (Atrás de Luísa) Luísa, espera!

Pepa: O que fizeste?

Maribel: Não estou a fazer nada! É a visão do Bruno! (Sai de palco. Passa por
Abuela que não a olha, Maribel desiste de tentar falar com ela)

Abuela: (dirige-se para o publico) a magia é forte! Está tudo bem! Nós somos a
família Madrigal! (Sai de cena. Fora de palco) Mirabel!

CENA IX MIRABEL ENCONTRA BRUNO


( A cena decorre com música ambiente, Mirabel persegue Bruno. Situação de perigo, Bruno
ajuda Mirabel, ficam frente a frente. Silêncio perturbador) Bruno (seco): Adeus.

Mirabel: o quê? Não, não espera aí! Espera, espera!Porque me Qraste da visão?

Bruno: madeiraaaa!! Toc, toc, toc, toc toc (rápido)

Maribel: o que significa? Foi por causa dela que voltaste ou… Qo Bruno!!

Bruno: Madeira, bate na madeira. Toc toc toc toc toc (úlQma pancada na
cabeça). Nunca devias ter visto aquela visão. Nem tu nem ninguém.

Maribel: espera… tu tens estado a remendar a casa?

Bruno: eu? Não, não, não, eu morro de medo. Quem o faz é o Hernando.

Maribel: Quem é o Hernando?


Bruno: coloca um pano na cabeça: yo soy Hernando e não tenho medo de nada!

(Silêncio constrangedor)

Bruno: pronto, na verdade sou eu. Sempre disse que o meu verdadeiro talento
era atual (coloca um balde na cabeça e levanta uma ferramenta que não sei o
nome kkk) Sou Jorge e sou o estucador!

(Silêncio constrangedor)

(Cena congela. Entram as narradoras para esclarecer o moQvo pelo qual o


Bruno nunca parQu)

Bruno: o meu dom não estava a ajudar a família, mas eu amo a família,
percebes? Só não sei como… Adiante, acho que devias ir porque… Não tenho
uma boa razão, mas , se Qvesse, tu dirias “é melhor ir, é uma boa razão”

Maribel: O que é que eu fazia na tua visão? (Silêncio) Tio Bruno?! Só queria que
a família se orgulhasse de mim. Só por uma vez! Mas se for melhor parar, se eu
esQver a prejudicar a minha família, diz-me de uma vez.

Bruno (cabisbaixo): Não posso dizer-te porque eu não sei. Tive esta visão na
noite em que não recebeste o teu dom. A Abuela preocupava-se com a magia,
por isso implorou-me que olhasse para o futuro e visse o que isso significava. E
eu vi a magia em perigo. Vi a nossa casa… a desfazer-se. E depois… vi-te a Q!
Mas a visão era diferente… mudava. E não havia uma resposta, um desQno
claro. Era como se o teu futuro esQvesse por definir. Mas eu já sabia o que eles
iam pensar, porque sendo eu o Bruno, todos assumem sempre o pior, por isso…
por isso…

Maribel: por isso tu parQste…. Para me proteger?

Bruno: Não sei qual será o desfecho, mas parece-me que a família, o encanto e
o desQno do próprio milagre… vai depender tudo de Q. (Corte abrupto e grande
energia de repente) ou talvez eu esteja errado! É um mistério. Daí esta visão ser
bbbrrrr. (Vai encaminhando Maribel para fora do palco). Olha se eu pudesse,
ajudava-te mais, mas não sei mais nada. Boa sorte, gostava de ter visto mais.

Maribel: (cabisbaixa) sim… (como quem tem uma ideia de repente) Sim! Sim! Se
gostavas de ter visto mais, então… vê mais! Tem outra visão!

Bruno: Oh não não! Eu já não tenho visões.

Maribel: Mas podes ter!


Bruno: Mas não tenho.

Maribel: Não podes dizer que o peso do mundo está nos teus ombros e pronto.
Se o nosso futuro depende de mim, eu digo para teres outra visão. Talvez
perceba o que tenho de fazer.

Bruno: Olha, mesmo que quisesse… e não quero, destruíste a gruta das visões. O
que é um problema porque eu preciso de um espaço aberto.

Maribel: Arranjamos um!

Bruno: Onde?

Antónia (aparece de repente):Usa o meu quarto. Os ratos contaram-me tudo.


Não os comas.

Maribel: A nossa família precisa de ajuda e tu precisas de sair daqui.

Bruno: expressão de concordância.

CENA X (A visão começa a concretizar-se.


Discutem Abuela, Augustina e Julieta)

Abuela: Devias ter-me contado mal viste a visão! Pensa na família!

AugusQna: (levanta a voz) Eu estava a pensar na Maribel!

(Som de tempestade, neve e vento. Pepa e Felícia estão no outro lado do palco
e está a nevar sobre Pepa)

Abuela: Pepa, por favor, acalma-te!

Pepa: Estou a dar o meu melhor!

Felícia: Ya!

Pepa: Tens sorte de não ser um furacão!

Julieta: Mamã, sempre foste muito dura com a Maribel.

Abuela: Olha à tua volta! Temos de proteger a família, o nosso encanto. Não
podemos perder a casa!
( Cena congela! Entram as vendedoras)

Neuza: Senhora, perdoa-me a interrupção. As pessoas estão preocupadas com a


magia. Querem falar consigo

Érica: A Mirabel estava naquela visão por algum moQvo

Bárbara: É preciso encontrá-la.

CENA XI Bruno tem uma nova visão


Mirabel: Talvez seja melhor despacharmo-nos.

Bruno: Não podes apressar o futuro. E se eu te mostrar algo pior. Se eu vir algo
que não gostas pensarás: “O Bruno provoca desastres. É assustador e a sua
visão matou o meu peixinho”.

Mirabel: Eu não acho que tu provoques coisas más. Às vezes, as pessoas


estranhas da família são injusQçadas. Tu consegues.

(Antónia entrega um Qgre de peluche a Bruno)

Antónia: Para os nervos!

Bruno: eu consigo, eu consigo, eu consigo. (A cena desenrola.) é melhor


segurares-te! É a mesma coisa, tenho de parar.

Mirabel: Não, eu tenho de saber como acaba. Tem de haver uma resposta.
Alguma coisa que não estamos a ver.

Bruno: Estás a ver a mesma coisa que eu. Se houvesse algo…

Mirabel: (interrompe): Ali!


Bruno: Borboleta! Segue a borboleta!

Mirabel: Onde fica isto?

Bruno: Está tudo desordenado. É a vela. Está a ficar mais brilhante. Acho que
vais ajudar a vela.

Mirabel: Como?

Bruno: Está alguém conQgo. E vocês… e vocês… lutam?

Mirabel: o quê?

Bruno: Não, não, espera. É um abraço?

Mirabel (zangada): Afinal ou a lutar ou a abraçar?

Bruno: (de forma crescente): é um abraço. É um abraço! Para fazer brilhar a


vela, tens de a abraçar.

Mirabel: Abraçar quem?

Bruno: Está quase!

Mirabel: Quem é?

Bruno: oh, oh, ah, ah já sei!

Mirabel: (passada) Isabela??

Bruno: Uau, a tua irmã! FantásQco!

Mirabel: (a agarrar os punhos): ggggrrrr

Bruno (desolado): É sempre assim.

(Mudança de cenário)

Maribel: De que adiantaria eu abraçar a Isabela?

Bruno: Não faço ideia. A família recebeu um milagre. Como ajudar um milagre
familiar? Abraça-se uma irmã.

Camila: Mirabel! Mirabel!

Bruno: Estamos a ficar sem tempo.

Mirabel: Não vai funcionar. Ela nunca me vai abraçar, percebes? Ela odeia-me!
Além disso, não sei se ouviste, eu destruí o pedido de casamento.
Bruno: (sussurra): Mirabel

Mirabel(conQnua as queixas sem se aperceber) Mais ainda, ela é mesmo


irritante. Qual é o problema dela comigo? É dela que saem as rosas…

Bruno: (sobe o tom) : Mirabel! Ai desculpa, desculpa… Não estás a perceber. O


desQno da família não depende dela. Depende de Q! Tu és precisamente aquilo
que a família precisa. Basta que o aceites. (Silêncio, seguido de mudança
abrupta de ambiente) Sozinha, depois de eu parQr.

Mirabel: o quê? Tu não vens?

Bruno: Era a tua visão, Mirabel, não a minha!

Mirabel: Tu tens medo que a Abuela te veja.

Bruno: Ya, quero dizer, isso também. Hey, depois de salvares o milagre aparece.

Mirabel: Depois de salvar o milagre, vou trazer-te para casa.

Bruno: toc, toc, toc, toc, toc, bate na madeira (ÚlQma pancada na cabeça)

CENA XII MARIBEL ABRAÇA ISABELA


Mirabel: (fala para si): Vá, tu consegues, vais salvar o milagre. (expressão de
nojo): com um abraço.

(Dirige-se ao quarto de Isabela)

Mirabel: Isa? Olá! Sei que temos Qdo os nossos problemas, mas estou pronta
para ser uma irmã melhor…. Para Q. Então, basta que nos abracemos. Selamos
isto com um abraço, sim?

Isabela: Selamos com um abraço? A Luisa não consegue levantar uma


empanada, o nariz do Mariano parece uma papaia esmagada (grita) Perdeste a
cabeça?

Maribel: Isa, sinto que estás chateada. E sabes o que cura isso? Um abraço
apertado.

Isabela: Sai daqui! Estava tudo perfeito, A Abuela estava feliz, a família estava
Feliz. Queres ser uma irmã melhor? Pede desculpa por me arruinares a vida! Vá,
(sussurra) pede desculpa!
Maribel: Eu… peço…. (enrolado) Desculpa

Isabela: (não convencida) hhhmmm

Maribel: (zangada) por teres uma vida tãããão boa.

Isabela: Fora!

Maribel: Oh não, espera, está bem! Eu peço desculpa! Não estava a tentar
estragar-te a vida! Alguns de nós têm problemas maiores, sua princesa egoísta!

Isabela (chocada): Egoísta? Toda a minha vida esQve presa a esta imagem de
perfeição! E a única coisa que já fizeste por mim foi dar cabo de tudo!

Maribel: Não dei nada! Ainda podes casar com aquele calmeirão idiota!

Isabela: Nunca quis casar com ele! Ia fazê-lo pela família!

Maribel: Oh meu Deus! Isa! Isso é uma confissão muito séria! Ok, anda cá!
Anda! Isa?
Fiz uma coisa inesperada
Afiada, algo novo
Não é simétrico ou perfeito
Mas é belo e, e é meu
O que mais me faltou?

Conta lá, conta lá


(Vem falar) Conta lá, conta lá
O que mais me faltou?
(Venham cá) Conta lá, conta lá
(Abraços) Conta lá, conta lá

Planto rosas e mais rosas


Flor de mayo, muitas mais
Sou estilosa, ensaio poses
Risos são artificiais

E se eu só fizesse crescer o que queria no momento


(Já está descontrolado)
E se soubesse que o que fiz não tinha de ser perfeito E
só tinha de ser, e еu podia ser

Um furacão de jacarandas
Trapadeiras (еm grande)
E lianas (está bem, mana)
Palma de cera enche o ar enquanto eu descUbro quem sou
O que mais me faltou?
CENA XIII Mirabel confronta a Abuela e a casa
destrói-se
Isabela: (entre risos) Tu és uma má influência!

Abuela: O que é que se passa aqui?

Maribel: Abuela! Está tudo bem! Está tudo bem… Vamos salvar o milagre. A magia..

Abuela: Estás a falar de quê? Olha para a nossa casa! Para a tua irmã!

Maribel: Por favor!! A Isabela não estava feliz!

Abuela: Claro que não! Estragaste o pedido de casamento dela!

Maribel: Não, não! Ela precisava que eu o estragasse! E fizemos tudo isto! A chama da
vela avivou-se e as rachas…

Abuela: (suspira) : Mirabel!

Mirabel: Daí eu estar na visão! Estou a salvar o milagre!

Abuela: Tu tens de parar, Mirabel! As rachas começaram contigo. Bruno partiu por tua
causa. A Luísa está a perder os poderes. A Isabela está descontrolada. Por tua causa.
Não sei porque não recebeste um dom, mas não é desculpa para fazeres mal à
família.

(Sons de casa a rachar, silêncio entre elas)

Mirabel: Eu nunca serei boa o suficiente para ti. Pois não?

(Os familiares vão chegando desde que começam a ser enumerados atrás. Neste
ponto estão todos em palco)

Mirabel: Por mais que eu tente. (Olha em volta) Por mais que qualquer um de nó
tente. A Luísa nunca será suficientemente forte. A Isabela não será suficientemente
perfeita. O Bruno partiu porque só vias o pior nele.

Abuela: O Bruno não se importava com a família.

Mirabel: O Bruno ama a família. Eu amo a família. Todos nós amamos a família. És a
única que não nos ama. Estás a destruir a casa. Tu não te…

Abuela: Tu não te atre..

Mirabel: O milagre está a morrer por tua causa!

(A casa começa a destruir-se, sons de derrocada, gritos, toda a gente a correr e


proteger-se)

Narradoras:

Bárbara: Oh não, a casa está a partir-se!


Neuza: Todos estão a fugir. É preciso colocar todos a salvo.
Bárbara: Mas falta alguém! Não estão todos reunidos.

Neuza: Ali no telhado!

Todas: Maribel!

Érica: Miúda louca, onde te foste meter! A casa vai cair e tu prestes a ruir com ela.

Neuza: Vai, Mirabel, sobe com coragem!

Bárbara: Pega na vela!

Érica: Deixa lá a vela, vais fazer um traumatismo craniano e a tua mãe não vai ter pão
de queijo para te salvar

Bárbara: Isso Mirabel!

Neuza: Segura nela, a casa está a cair!

Neuza: Mirabel, a casa vai cair!

Bárbara: Cuidado!

Todos: Mirabel… não!

Blackout

CENA XIV INTERLÚDIO


(Crianças estão a brincar com as pedras da casa)

Clara: Quando for grande vou fazer um castelo com estas pedras.

Yara: Estas pedras são mágicas, não podemos fazer nada com elas

Clara: (põe-se a pé, com duas pedras na mão) Claro que podemos! A magia do
encanto não está nestes bocados de cimento, está em nós.

Íris: E que belo resultado que deu!

Clara: Olhem.. a casa dos Madrigal pode ter caído. Mas temos de manter a
esperança! Aquela vela significava isso.

Yara: mas a vela apagou-se. E não nos restou nada.

Íris: Olhem, vai chover.

Clara: As pessoas mudam. De casa, de país. Mesmo quando já não resta nada,
elas caminham.
Íris: Isso é um sonho?

Yara: Sim, é um sonho.

Clara: E é pelos sonhos que o mundo avança. O sonhos são o nosso verdadeiro
poder.

(Voltam a entrar as narradoras, talvez fiquem atrás. Ainda não decidi)

Neuza: Os adultos desvalorizam as crianças, mas elas sabem.

Érica: o quê?

Neuza: Sabem como estar em paz.

Bárbara: Os adultos acham que sabem sempre tudo. São irritantes.

Érica: Não nos deixam acabar as frases.

Neuza: Dizem-nos sempre o que fazer.

Érica: E como o fazer.

Bárbara: Não confiam. Mas também nem todos são maus.

Neuza: Não tem a ver com ser mau. Tem a ver com as crianças que eles um dia
foram.

Érica: Com o que lhes aconteceu e que não foi bom. Por isso, agem de modo
estranho.

Neuza: E bizarro.

Bárbara: E agora, a quem vamos vender as nossas colheitas?

Érica: Tudo se vai compor.

Neuza: É preciso ter esperança.

BLACKOUT

CENA XV Encontro entre Mirabel, Abuela e Bruno


(Todos procuram por Mirabel. Chamamentos do género: onde estás)
(Mirabel chora, sons de rio , sozinha)

Abuela: Mirabel

Mirabel (Entre o surpreendida e o envergonhada): Desculpa, não queria


prejudicar-nos. Eu só queria… ser algo que não sou.

Abuela: Nunca consegui voltar aqui… este é o rio…Onde recebemos o nosso


milagre

Mirabel: Onde o abuelo Pedro…

Abuela: Pensei que teríamos uma vida diferente. Pensei que seria uma mulher
diferente ( atrás delas vai estar a reprodução, através de outras atrizes, de
quando era nova, perdeu o Pedro e ganhou o milagre)

Entra Maria

Dos oruguitas enamoradas


Pasan sus noches y madrugadas
Llenas de hambre
Siguen andando y navegando un mundo
Que cambia y sigue cambiando
Navegando un mundo
Que cambia y sigue cambiando
Dos oruguitas paran el viento
Mientras se abrazan con sentimiento
Siguen creciendo, no saben cuándo
Buscar algún rincón
El tiempo sigue cambiando Inseparables
son
El tiempo sigue cambiando
Ay, oruguitas, no se aguanten más
Hay que crecer aparte y volver
Hacia adelante seguirás
Vienen milagros, vienen crisálidas
Hay que partir y construir su propio futuro
Ay, oruguitas, no se aguanten más
Hay que crecer aparte y volver
Hacia adelante seguirás
Vienen milagros, vienen crisálidas
Hay que partir y construir su propio futuro
Dos oruguitas desorientadas
En dos capullos bien abrigadas Con
sueños nuevos
Ya solo falta hacer lo necesario
En el mundo que sigue cambiando
Tumbando sus paredes
Ahí viene nuestro milagro
Nuestro milagro
Nuestro milagro
Nuestro milagro
Ay, mariposas, no se aguanten más
Hay que crecer aparte y volver
Hacia adelante seguirás
Ya son milagros, rompiendo crisálidas
Hay que volar, hay que encontrar
Su propio futuro
Ay mariposas, no se aguanten más
Hay que crecer aparte y volver
Hacia adelante seguirás
Ya son milagros, rompiendo crisálidas
Hay que volar, hay que encontrar
Su propio futuro
Ay mariposas, no se aguanten más
Hay que crecer aparte y volver
Hacia adelante seguirás
Ya son milagros, rompiendo crisálidas
Hay que volar, hay que encontrar
Su propio futuro

Abuela: Eu recebi um milagre. Uma segunda oportunidade. E Qve tanto medo


de o perder que deixei de perceber quem era o nosso milagre. E lamento
imenso. Tu nunca prejudicaste a nossa família, Mirabel. Estamos parQdos… por
minha causa.

Mirabel: Abuela, agora compreendo. Tu perdeste a tua casa, Perdeste tudo.


Sofreste tanto, sozinha, para que isso não voltasse a repeQr-se. Fomos salvos,
graças a Q. Foi-nos dado um milagre, graças a Q. Somos uma família, graças a Q.
E nada pode ser quebrado que não possamos consertar… juntos.

Abuela: Eu pedi ajuda ao meu Pedro… Mirabel. E Ele enviou-te até mim.
(Abraçam-se)

Todos:

Ay mariposas, no se aguanten más


Hay que crecer aparte y volver
Hacia adelante seguirás
Ya son milagros, rompiendo crisálidas
Hay que volar, hay que encontrar
Su propio futuro

Bruno: Não foi ela! A culpa não foi dela! Eu


dei-lhe uma visão! Fui Eu! Eu disse:
“Aceita!” E ela, ela só queria ajudar! Não
me interessa o que pensas de mim, mas se
és tão camurra que…

(Abuela abraça Bruno com rapidez)

Abuela: Brunito…

Bruno (devagar) Tenho a sensação de que perdi algo importante.

Mirabel: Vamos!

(Abuela dá um beijo em Bruno e puxa-o pela mão, que conQnua espantado)

Bruno: o que é que está a acontecer? Para onde vamos?

Mirabel: Para casa!


Cena XVI Reencontro com a casa e a família

Yara: É ela! Encontrei-a!

Íris: Eu é que a encontrei!

Clara: Ela voltou! Está de volta!

Julieta: Mirabel! Mirabel!

Mirabel: Mamã!

Julieta: mi amor, estava tão ralada. Não sabíamos de Q!

AugusQna: E havia abelhas por todo o lado. Vai tudo ficar bem

Camilo: Não, se não Qvermos uma casa. (Felix dá-lhe uma cotovelada) Que é?
Não temos uma ca. Não posso dizer? O que é isto? Não é uma casa.

Constança: Finalmente os desaparecidos apareceram e ninguém morreu ,


acabou tudo bem!

AGRADECIMENTOS!

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