6
6
1
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
2
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
3
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
4
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
5
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
6
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
7
Capítulo
1
Definição da história
H
ISTÓRIA é a narração autêntica e bem ordenada dos acontecimentos memoráveis que
pertencem ao gênero humano. Etimologicamente, História (do grego, ἱστορία), significa
pesquisa, conhecimento adquirido por meio de investigação.
Importância da História
A História desempenha um papel muito importante no campo do conhecimento. “História
magistra vitae” (A História é a mestra da vida). Com esta expressão, o orador romano Cícero (106-
43 a.C.), afirmava como por meio dos exemplos, dos sofrimentos, dos sucessos, das tragédias e dos
grandes feitos das gerações anteriores, podemos extrair lições para nos orientarmos no presente,
diante dos problemas que se apresentam.
O estudo da História desvenda as trevas do passado, aponta milhares de exemplos virtuosos
a imitar, inspira horror do vício pela vista dos males que ele traz aos indivíduos e aos povos.
Manifesta igualmente a mão da Providência que dirige os acontecimentos humanos e os leva a seus
fins amorosos com admirável sabedoria. Ilumina o passado, moraliza o presente, descortina o futuro
e glorifica a Deus (Pe. Raphael Galanti, S.J.).
O tempo
A humanidade caminha no tempo. Mas o que é o tempo? A definição, segundo Aristóteles,
e aceita por Santo Tomás de Aquino, é: “O tempo é o número (ou numeração, ou contagem) do
movimento segundo um antes e um depois”.
O tempo é um número das coisas que se movimentam ou mudam. O movimento, para Santo
Tomás, não é somente o local (assim como um cachorro se movimenta na casa), mas também são
as mudanças, por exemplo: o cabelo que fica branco é um movimento, é uma mudança. O
crescimento de uma criança é um movimento. Quando estudamos realizamos um movimento, uma
mudança. Quando corro de um lado para o outro realizo um movimento, um antes e um depois. O
número deste movimento é o tempo. Toda e qualquer mudança corpórea, toda e qualquer mudança
mental, é sempre um movimento, é uma mudança. Movimento (local) e mudança têm o sentido
idêntico em Aristóteles e São Tomás.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
8
“O tempo é a medida do movimento ou mudança qualquer. Tudo o que muda pressupõe um tempo. O tempo
é a numeração, é a contabilização, a cronometragem, é um número desta coisa que tem um antes e um
depois. Pensemos no corpóreo físico, pensemos no desenvolvimento de cada um de nós. Desde a mais tenra
infância até a velhice nós vamos crescendo intelectualmente. Isso é universal, isso faz parte da vida de cada
homem. Ora, vamos crescendo segundo um passado, um presente e um futuro, ou seja, segundo um antes
e um depois.”1 (CARLOS NOUGUÉ)
Os termos “Movimento”, “Antes” e “Depois” são importantes. O momento que você começou
estudar este capítulo ficou para trás: é o Antes. Quando terminar este estudo é o Depois. A mudança
que este estudo causa em sua inteligência é o Movimento. O tempo é a medida deste movimento
segundo o antes e o depois.
“O tempo é a medida das coisas que mudam ou se movimentam. É um número. Segundo o antes e o depois.
Eu vou correr daqui até ali; eu tenho um antes, o iniciar da corrida, e um depois. O número que indica esse
movimento entre o antes e o depois é o tempo. O tempo na verdade é uma contagem, uma cronometragem.
E a medida das coisas que se movimentam ou mudam é exatamente o tempo, segundo um antes e um
depois.”2 (CARLOS NOUGUÉ)
1
Trecho retirado do artigo “O tempo e a eternidade em Santo Tomás de Aquino” de Carlos Nougué, p. 186.
2
Trecho retirado do artigo “O tempo e a eternidade em Santo Tomás de Aquino” de Carlos Nougué, p. 186.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
9
O envelhecimento é uma mudança física a que todos os seres vivos estão submetidos. Se há mudança, há movimento. Há
um antes (Santa Terezinha menina) e um depois (Santa Terezinha adulta). Ao olhar as fotos antigas percebemos com mais
clareza a existência do tempo.
Algumas vezes é mais fácil entender um conceito quando estudamos o seu contrário. No
caso, o contrário do tempo é a eternidade. Deus não se movimenta, não muda. Para Ele não há
tempo, pois não tem movimento, nem antes e depois. Aristóteles chama Deus de “Motor Imóvel”,
pois Ele movimenta todas as coisas, mas não é movido por nada. Ele é a causa suprema de todos
os movimentos. Quando dizemos que Deus é imóvel não significa que somente não realiza o
movimento local, mas que também não sofre nenhuma alteração, nenhuma mudança. Afinal, Deus
é onipresente, como se moveria de um lugar para o outro sendo que está em todos os lugares?
“Em Deus não há passado, presente ou futuro, não há movimento, não há tempo. Em Deus não há mudança.
Ele é imutável, seus decretos são imutáveis e por isso, diz São Tomás, que Ele não poderia fazer o passado
já não ser, ou não poderia mudar a essência dos entes, exatamente porque suas decisões são instantâneas e
imutáveis. É único, pronto e acabado.”3 (CARLOS NOUGUÉ)
Sendo assim, o tempo é a medida de tudo o que foi criado e a eternidade é a medida de Deus.
É preciso entender que o tempo é dado ao homem para buscar, com a graça de Deus, a salvação
eterna. É no tempo que o homem se santifica ou se perde.
“É no tempo que o homem se santifica ou se perde, mas o plano de Deus se cumpre e o resultado final será
feliz. A história é, à luz da fé, um prolongamento da obra da Criação. Se não fosse boa, se não tivesse razão
de ser, se não estivesse ordenada a um fim, se o Filho de Deus não fosse o seu herói, Deus não a manteria
na sucessão dos séculos.”4 (PE. JOÃO BATISTA DE ALMEIDA P. F. COSTA)
A História é um período móvel situado entre dois termos imóveis: a eternidade antes da
Criação, e após o fim do mundo:
3
Trecho retirado do artigo “O tempo e a eternidade em Santo Tomás de Aquino” de Carlos Nougué, p. 186.
4
Trecho retirado da apresentação do texto “O sentido cristão da História” de Dom Prosper Guéranger, p. 1.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
10
Vale ressaltar que as partes do tempo são três: passado, presente e futuro. Trataremos nesta
disciplina de História, evidentemente, do passado.
Calendário
Um dos recursos criados pelo homem para dividir o tempo é o calendário, no qual os dias
são agrupados em semanas e estas em meses, formando-se assim os anos.
A principal importância do calendário no estudo da História é a de permitir que todas as
pessoas tenham um ponto de referência comum para localizar os fatos no tempo. Assim, todos
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
11
concordamos que a Primeira Cruzada foi convocada pelo Papa Urbano II (beato) em 1095 e a
Primeira Guerra Mundial teve início no ano de 1914.
O calendário também nos permite ordenar os fatos de modo linear ‒ isto é, como se fossem
pontos de uma mesma linha ‒, dando-nos a noção de anterioridade (o que aconteceu antes),
simultaneidade (o que aconteceu ao mesmo tempo) e posteridade (o que aconteceu depois). Por
exemplo, ainda que uma pessoa não conheça os fatos acima mencionados, ser-lhe-á fácil dizer qual
dos dois ocorreu primeiro, ao comparar as datas.
Atualmente, o calendário de uso universal é o gregoriano ou católico, o qual é baseado no
ciclo do Sol e tem como referencial o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este fato
corresponde ao ano 1, e divide a História em dois grandes períodos: antes de Cristo (a.C.) e depois
de Cristo (d.C.). Os anos e os séculos anteriores ao nascimento de Cristo são contados de forma
decrescente e os posteriores de maneira crescente.
O calendário católico ou gregoriano, leva este nome por ter sido estabelecido pelo Papa
Gregório XIII em 1582.
Uma comissão liderada pelo astrônomo
jesuíta Christopher Clavius e o físico Aloyisius
Lilius convenceram o Pontífice a alterar o
calendário anterior – implantado em 46 a.C. pelo
ditador romano Júlio César –, por estar defasado
em relação às estações do ano, fato que a longo
prazo provocaria um considerável atraso na
celebração da Semana Santa.
Para a mudança entrar em vigor foram
cortados os dias de 5 a 14 de outubro de 1582,
fato que trouxe situações curiosas como as
exéquias de Santa Tereza de Ávila, morta em 4
de outubro e sepultada no dia seguinte: 15 de outubro... O calendário gregoriano, atualmente, é o
mais difundido em todo o mundo. Existem, porém, outros calendários, como o judaico, que tem
seu início da criação de Adão (o ano de 2011 do nosso calendário corresponde ao ano 5771 do
calendário judaico, também chamando de luach), e o islâmico, que tem seu início no evento
chamado Hégira, em 622 d.C., quando Maomé fugiu de Meca para Medina (desde modo, o ano
2011 do nosso calendário corresponde ao ano 1432).
Os séculos
Para estudar a História nós usaremos muito o conjunto de anos que chamamos séculos. Por
isso, é importante saber a qual século corresponde tal ano. Por exemplo, o ano 2010 está no século
21 ou XXI (os séculos na História são representados por algarismos romanos). O ano 420 está no
século V. Para saber a qual século pertence algum ano, pode-se aplicar uma regra:
o Selecione o ano que você quer descobrir a qual século pertence: 420 d.C.
o Retire os dois últimos algarismos: 20.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
12
Divisão da História
Divide-se a História a fim de facilitar seu estudo. A divisão mais conhecida atualmente foi
feita, infelizmente, por historiadores anticlericais, fato comprovado pelo desprezo que se tem com
os acontecimentos bíblicos e eclesiásticos, mesmos que estes tenham trazido grandes mudanças
sociais.
Esta divisão considera, atualmente, cinco grandes períodos históricos: a Pré-História, a Idade
Antiga, a Idade Média, a Idade Moderna e a Idade Contemporânea.
Período compreendido entre Período compreendido Período compreendido Período compreendido Período compreendido
a origem do ser humano e a entre o aparecimento da entre a queda do Império entre a tomada de entre a Revolução
invenção da escrita em escrita e a queda do Romano do Oriente e a Constantinopla e a Francesa e os dias atuais.
aproximadamente 4.000 a.C. Império Romano do tomada de Constantinopla Revolução Francesa,
Ocidente, em 476 d.C. pelos turcos, em 1453 d.C. em 1789.
5
Fácil é compreender o motivo de tal divisão: o Cristianismo foi a maior e mais importante de todas as transformações sociais
que a História registra. Aos próprios negadores da divindade de Jesus Cristo a importância do Cristianismo se impões de modo
inevitável, ao estudarem as origens da civilização moderna. Foi pensando nessa importância social da doutrina pregada pelo
Evangelho que um autor cristão pode, sem erro, afirmar em linguagem poética: “O Calvário é o ponto culminante da História”.
(Jonathas Serrano)
6
Trecho retirado do texto “O sentido cristão da História” de Dom Prosper Guéranger, p. 4-5.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
13
Para Meditar...
O historiador católico sabe que o Filho de Deus feito homem é o rei desse mundo, que “todo
poder lhe foi dado no céu e na terra” (Mt 28, 18). O advento do Verbo Encarnado é para ele o ponto
culminante dos anais humanos; é por isso que ele divide a duração da história em duas grandes partes:
antes de Cristo, depois de Cristo. Antes de Jesus Cristo, numerosos séculos de espera: após Cristo, uma
duração cujo segredo nenhum homem conhece, porque nenhum homem conhece a hora do nascimento
do último eleito; porque o mundo não se conserva senão para os eleitos que são a causa da vinda do
Filho de Deus encarnado. Se ele volta seus olhos para o período que escoou antes da Encarnação do
Verbo, tudo se explica a seus olhos. O movimento das diversas raças, a sucessão dos impérios e o
caminho aberto pela passagem do Homem-Deus e dos seus profetas; a depravação, as trevas, as
calamidades inauditas são sinais da necessidade premente da humanidade de ver Aquele que é ao
mesmo tempo Salvador e Luz do mundo; não que Deus haja condenado à ignorância e ao castigo esse
primeiro período da humanidade; longe disso, os recursos lhe foram assegurados; a esse período
pertenceu Abraão, o pai de todos os crentes do futuro; mas é justo que a maior efusão da graça se tenha
dado pelas mãos divinas Daquele sem o qual ninguém pode ser justo, seja antes, seja depois da sua
vinda.
O Messias chega, e a humanidade, cujo progresso estava estagnado, lança-se na via da luz e da
vida; o historiador cristão segue melhor ainda os destinos da sociedade humana nesse segundo período
em que todas as promessas são cumpridas. Os ensinamentos do Homem-Deus revelam-lhe com uma
soberana clareza o modo de apreciação que ele deve empregar para julgar os acontecimentos, sua
moralidade e alcance. Só há uma medida, quer se trate de um homem ou de um povo. Tudo que
exprime, mantém ou propaga o elemento sobrenatural é socialmente útil e vantajoso; tudo que o
contradiz, debilita ou nega é socialmente funesto. Por esse procedimento infalível, ele tem inteligência
do papel dos homens de ação, dos acontecimentos, das crises, das transformações, das decadências; ele
sabe de antemão que Deus age em sua bondade, ou permite em sua justiça, mas sempre sem revogar
seu plano eterno, que é o de glorificar seu Filho na humanidade.
Mas o que torna sempre mais firme e mais serena a reflexão do historiador cristão é a certeza
que lhe dá a Igreja que marcha diante dele como uma coluna luminosa e alumia divinamente todo os
seus juízos. Ele sabe que vínculo estreito une a Igreja ao Homem-Deus, como ela é assegurada por sua
promessa contra todo erro no ensinamento e na direção geral da sociedade cristã, como o Espírito Santo
a anima e conduz; é, pois, nela que ele buscará o critério dos seus juízos. As fraquezas dos homens da
Igreja, os abusos temporais não o escandalizam, porque ele sabe o Pai de família houve por bem tolerar
o joio em seu campo até a ceifa. Se ele deve narrar, ele não omitirá os tristes episódios que testemunham
as paixões da humanidade e atestam ao mesmo tempo a força do braço de Deus que sustenta sua obra;
mas ele sabe onde se manifesta a direção, o espírito da Igreja, seu instinto divino. Recebe-os, aceita-
os, confessa-os corajosamente; aplica-os em seu trabalho de historiador. Igualmente, nunca trai, nunca
sacrifica; diz que é bom o que a Igreja julga bom, mau o que a Igreja julga mau. Que lhe importam os
sarcasmos, as chacotas dos covardes medíocres? Ele sabe que está com a verdade porque está com a
Igreja e que a Igreja está com Cristo. Outros não quererão ver senão o lado político dos acontecimentos,
voltarão ao critério pagão; ele ficará firme, porque está seguro de não se enganar.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
14
Respondendo a estas quatro perguntas estamos ainda no nível mais elementar de nossos
estudos históricos. É preciso ainda buscar as causas verdadeiras que levaram o fato histórico a
acontecer, ou seja, o que causou a conquista de Jerusalém. Para isso, buscamos respostas a
perguntas anteriores, como exemplo: Por que os cristãos marcharam contra os muçulmanos? Quem
convocou esta guerra? O que motivou este conflito? O historiador procura em documentos, livros,
tradições orais, monumentos, etc., as respostas para isso tudo. Deste modo, começamos a
aprofundar o conhecimento histórico. Respondidas as questões mais importantes, a História,
enquanto disciplina, cumpriu seu objetivo.
Porém, não queremos parar por aí. Para nos aprofundar mais ainda recorremos à Teologia
ou à História iluminada pela Teologia. A Providência Divina nunca deixou a humanidade seguir
um sentido diferente dos seus desígnios. Os homens que rejeitam a vontade de Deus se perdem,
mas não mudam o sentido da História.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
15
Atividades
1) O que é a História?
2) O que significa a palavra História?
3) Por que é importante estudar a História?
4) O que é o tempo?
5) O movimento é somente o movimento local? Dê exemplos.
6) Qual é o contrário do tempo?
7) Para que o tempo é dado ao homem?
8) Cite três fontes históricas.
9) Quais são as duas ciências que são chamadas os “olhos da História”? Cite mais uma ciência que
auxilia a História.
10) Qual é a importância do calendário?
11) Qual o calendário mais usado atualmente? Em que ele é baseado e qual é o seu ponto de
referência?
12) A quais séculos correspondem os seguintes anos (lembre-se de colocar em algarismo romanos
e indicar se é antes ou depois de Cristo):
a) 27 a.C.
b) 313 d.C.
c) 1500 d.C.
d) 1850 a.C.
13) Quais são os nomes dos cinco períodos da linha do tempo clássica?
14) Qual foi a divisão adotada neste material? Por que?
15) Quais são as quatro perguntas que o historiador deve responder?
16) Basta ao historiador responder estas quatro perguntas?
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
16
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
17
Capítulo
2
A História iluminada pela Teologia
D
EUS é o Senhor da História, portanto compreendemos que as causas dos acontecimentos
são mais profundas e precisam ser conhecidas, na medida do possível. Por que na medida
do possível? Pois o que podemos ter certeza acerca de Deus é somente aquilo que Ele
revelou de Si mesmo por meio da Tradição e da Sagrada Escritura, interpretadas pelo Magistério
da Igreja. Os santos e os historiadores católicos fiéis a este Magistério tentaram explicar os
acontecimentos históricos à luz da Teologia, mas disso não podemos ter certeza absoluta.
Evidentemente que podemos ter um grau de certeza muito maior quando o trabalho histórico é feito
por pessoas que buscam, pela graça divina, a glória de Deus e a santidade.
Há algo, porém, que não devemos esquecer: “Nós sabemos que todas as coisas concorrem para o
bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8, 28). Mesmo que não possamos compreender plenamente todos os
mistérios da história e conhecer as intenções de cada pessoa, temos a certeza que Deus conduz a história
para seu sentido escatológico.
Como diz Bossuet:
“Quem não admiraria vossa Providência? Quem não temeria os vossos julgamentos? Ah! Em verdade ‘o
homem insensato não entende essas coisas e o louco não as conhece. Ele somente olha o que enxerga e
engana-se’ porque de vós ele se agradou somente quando viu, na beleza do vosso edifício, vossa mão ali
colocada no último momento; e vosso Profeta predisse que ‘apenas no último dia se entenderia o mistério
de vosso conselho’.”7
Isto significa que os mistérios da História só serão conhecidos plenamente no Juízo Final,
onde tudo será revelado.
“A Igreja Católica sabe que todos os acontecimentos se desenvolvem de acordo com a vontade ou a
permissão da Divina Providência e que Deus realiza na História os seus próprios objetivos. Deus é
realmente o Senhor da História”. (S.S. PAPA PIO XII)
“Deus é o Senhor da História, assim como o é do cosmos: ‘É ele, dizia o profeta Daniel (2, 21), que faz
alternar as estações e os tempos, que estabelece e derruba os reis’.” (HENRI MARROU)
Todos os acontecimentos da História não passam despercebidos de Deus, uma vez que “nenhum
cabelo cai de vossa cabeça sem que Deus o permita” (Lc 12, 7). Todo o universo é obra criada por
Deus, que o sustenta no ser. O ser humano é o ápice da criação, e tudo foi feito para o seu benefício. A
7
Trecho retirado da obra “História e Providência”, organizada por Edmilson Menezes, p. 41.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
18
partir disso, é certo que Deus, ao criar tudo, estabeleceu seu plano para a humanidade viver em
comunhão com Ele na eternidade.
“Deus, árbitro de todos os tempos, do centro de sua eternidade desenvolve toda a ordem dos séculos, se
reconhece como Todo-Poderoso e sabe que nada pode escapar às suas mãos soberanas.”8 (JACQUES
BOSSUET)
As duas cidades
“Dois amores fundaram, pois, duas cidades, a saber: o amor-próprio, levado ao desprezo de Deus, a
terrena; o amor a Deus, levado ao desprezo de si próprio, a celestial.”9 (Santo Agostinho)
A luta entre a Luz e as trevas, ou seja, a luta entre o bem e o mal, é a verdadeira chave de
interpretação dos acontecimentos históricos.
“O gênero humano quase todo tende hoje rapidamente a separar-se em dois opostos campos de batalha: por
Cristo ou contra Cristo. Vê-se agora num momento decisivo, de que há de sair ou a salvação de Cristo ou
a tremenda ruína”.10 (PAPA PIO XII)
8
Trecho da obra “História e Providência”, textos organizados por Edmilson Menezes, p. 39
9
Trecho retirado da obra “A Cidade de Deus”, parte 2, de Santo Agostinho, p. 165.
10
Trecho retirado da encíclica Evangelii Praecones do Papa Pio XII, nº 69.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
19
permanecem eternamente e os pensamentos de seu coração por todas as gerações” (Sl 32, 10-11).
Ao analisar esses versículos, a Bíblia Comentada por Maximiliano Cordero e Gabriel Pérez diz:
“O salmista fala sobre a luta entre o bem e o mal na História. Toda a Bíblia gira em torno de um drama que
é a batalha entre aqueles que representam os interesses de Deus e se empenham em difundir seus desígnios
na História e, de outro lado, os que se opõem a essa marcha religiosa da História”.Biblia Comentada, Libros
Sapienciales, Madri (adaptado)
Estas duas cidades estão entrelaçadas uma na outra e intimamente misturadas, de sorte que
nos é impossível separá-las, até o dia em que o Juízo as separará.
“É verdade: Deus ainda não faz separação entre os bons e os maus; mas Ele escolheu o seu dia decisivo, no
qual Ele a fará aparecer completamente diante de todo o universo, quando o número de uns e de outros será
completo”.11(JACQUES BOSSUET)
“Como já dissemos, neste mundo (as duas cidades) andam ambas misturadas e confundidas uma com a
outra.”12(SANTO AGOSTINHO)
11
Trecho retirado da obra “História e Providência”, organizado por Edmilson Menezes, p. 38
12
Trecho retirado da obra “A Cidade de Deus” de Santo Agostinho, parte 2, p. 17.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
20
ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Então, no Reino de seu Pai, os justos resplandecerão
como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça.” (Mt 13, 24-30; 36-43)
O limite que separa estas duas cidades é praticamente invisível a nossos olhos: quantas vezes
Santo Agostinho não voltou a esse ponto em sua pregação – também o Evangelho sugere isso, em
mais de uma ocasião: ao lado da parábola do joio, aquela, paralela, da rede lançada ao lago e que
traz à Igreja bons e maus, ou, na pregação de Batista, a eira do Senhor, onde o trigo e a palha ainda
estão misturados: “O inimigo semeou o joio por toda parte: leigos, clero, bispos, pessoas casadas,
religiosos, não deixou nada em que isso não estivesse misturado” (Marrou).
Leia um trecho da grande obra de Santo Agostinho Da Cidade de Deus:
Para Meditar...
A cidade de Deus: Santo Agostinho
Dividi a humanidade em dois grupos: o dos que vivem segundo o homem e o dos que vivem
segundo Deus. Em linguagem figurada, chamamos-lhes também duas cidades, isto é, duas sociedades
de homens das quais uma está predestinada a reinar eternamente com Deus e a outra a sofrer um suplício
eterno com o Diabo. Mas este é fim delas; dele trataremos mais tarde. Mas por ora — pois que já disse
o suficiente acerca dos seus começos, quer dos anjos, cujo número ignoramos, quer dos dois primeiros
homens — me parece conveniente tratar do seu desenvolvimento desde o dia em que os dois
começaram a procriar até ao dia em que os homens hão de deixar de procriar. Efetivamente, todo este
tempo ou século durante o qual uns desaparecem, morrendo, e outros aparecem, nascendo, é o que
constitui o desenvolvimento das duas cidades de que estamos a falar.
Caim, o primeiro a nascer dos dois pais do gênero humano, pertence à cidade dos homens; e
Abel, o segundo, pertence à cidade de Deus. Assim como, em um só homem, se constata o que diz o
Apóstolo: O espiritual não é o que nasceu primeiro: primeiro nasceu o animal, depois o espiritual (1
Cor, 15, 46) (cada um, saindo dum tronco condenado, deve primeiro nascer de Adão, mau e carnal; e,
se, renascendo em Cristo, progredir, tornar-se-á bom e espiritual) —, assim também em todo o gênero
humano: quando por nascimentos e mortes as duas cidades começaram a desenvolver-se, primeiro
nasceu o cidadão deste século, em segundo lugar nasceu o estrangeiro neste século, um membro da
cidade de Deus, predestinado e eleito pela graça, peregrino cá em baixo pela graça e pela graça cidadão
do Alto. Pelo que lhe respeita, ele nasce da mesma massa, toda ela condenada desde a origem; mas
Deus, como um oleiro, fez da mesma massa um vaso de honra e outro de ignomínia. O vaso de
ignomínia foi o primeiro a ser feito e depois o outro — o de honra, porque em um só e mesmo homem,
como já disse, está primeiro o que é reprovável, pelo qual devemos necessariamente começar, sem
sermos obrigados a lá permanecer; e em seguida está o que é louvável, aonde, avançando, chegaremos
e onde, uma vez chegados, permaneceremos. Consequentemente, nem todo homem mau será bom; mas
ninguém será bom que antes não tenha sido mau, e, quanto mais depressa se mudar para melhor, tanto
mais depressa também se tornará notado o que adquiriu e substituirá o seu antigo nome pelo novo.
Está escrito que Caim fundou uma cidade; como peregrino que era, não a fundou, porém, Abel.
É que a cidade dos santos é a do Alto, embora procrie cá cidadãos entre os quais ela vai peregrinando
até que chegue o tempo do seu reino. Então ela reunirá a todos, ressuscitados nos seus corpos, dando-
lhes o reino prometido, onde reinarão para sempre com o seu Chefe, o Rei dos séculos.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
21
Uma sombra certamente, certa imagem profética desta cidade, mais sinal do que representação,
viveu como escrava na Terra, no tempo em que era preciso que se manifestasse. E também ela se
chamou Cidade Santa pelo fato de ser imagem significativa e não por ser a expressão verdadeira da
futura cidade. Desta imagem escrava e da cidade livre de que é a imagem, fala o Apóstolo nestes termos
na epístola aos Gálatas:
“Dizei-me: vós que vos quereis submeter à lei, não ouvistes a lei? Está, de fato, escrito que
Abraão teve dois filhos — um da escrava e outro da mulher livre. Mas o da escrava nasceu segundo a
carne — e o da mulher livre segundo a promessa. Isto é uma alegoria. Representam elas as duas
alianças: uma, vinda do Monte Sinai, gera para a servidão — é Agar, pois o Sinai é uma montanha da
Arábia. Corresponde à Jerusalém atual que é escrava com seus filhos. Mas a Jerusalém do Alto é livre
— é a nossa mãe. Está na verdade escrito: «alegra-te estéril, tu que não tens filhos. Clama em gritos
de alegria, tu que não conheces as dores do parto — porque os filhos da abandonada são muito mais
do que os da que tem marido». Mas nós, irmãos, somos, como Isaac, filhos da promessa. Mas, assim
como então o que nasceu segundo as leis da carne perseguiu o que nasceu segundo o espírito —, assim
também agora. Mas que diz a Escritura? «Expulsa a escrava e o filho — pois o filho da escrava não
herdará com o filho da mulher livre». Mas nós, irmãos, nós não somos filhos da escrava, mas da
mulher livre. Para que sejamos livres nos libertou Cristo” (Gal, 4, 21-31).
Esta maneira de interpretar, fundada na autoridade apostólica, nos abre o caminho da autêntica
compreensão dos dois Testamentos de que fala a Escritura — o Antigo e o Novo Testamento. Na
verdade, uma parte da cidade terrestre tornou-se a imagem da cidade celeste, sem ser sinal de si própria,
mas da outra — e por isso é que ela é escrava. Pois não foi ela a razão da sua fundação, mas sim a de
significar a outra — embora também a mesma cidade que prefigura tenha sido prefigurada por uma
imagem anterior. Agar, a escrava de Sara, e seu filho são, com efeito, uma espécie de imagem desta
imagem. E, como as sombras se deviam dissipar ao surgir a luz, Sara — a livre, que significava a cidade
livre, e de quem Agar, essa sombra, era a escrava para a significar de outra maneira — disse:
“Expulsa a escrava e seu filho — porque o filho da escrava não herdará com meu filho Isaac”
(Gen, 21, 10);
Ou, como diz o Apóstolo,
“Com o filho da mulher livre” (Gal, 4, 30).
Encontramos, portanto, duas partes na cidade terrestre: uma parte mostra-nos a sua própria presença, e
a outra presta o seu serviço de escrava para significar com a sua presença a cidade celeste. A natureza
viciada pelo pecado gera cidadãos da cidade terrestre — mas a graça, que liberta a natureza do pecado,
gera cidadãos da cidade celeste. Donde se conclui que os primeiros se chamam «vasos de cólera» e os
últimos «vasos de misericórdia». É ainda o que está significado nos dois filhos de Abraão: um, o da
escrava chamada Agar, nascido de modo natural [secundum carnem natus], é Ismael; o outro, o de
Sara, mulher livre, nascido devido a uma promessa [secundum repromissionem natus], é Isaac. Ambos
são, sem dúvida, da semente de Abraão: mas a um gerou-o ele segundo o modo habitual da natureza, e
o outro resultou da promessa que significa a graça. Naquele mostra-se a maneira humana — e neste se
evidencia o benefício divino.
Assim se resume o grande drama da História, ou seja, o que a move: a luta entre os filhos de
Deus e os filhos das trevas, a luta pela salvação das almas ou pela perdição dessas.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
22
A Nabucodonosor foi dado um sonho histórico e profético que somente pôde ser interpretado
pela sabedoria divina que estava em Daniel.
Desde a queda do nosso primeiro pai, Adão, uma parte da humanidade suspirava pelo
cumprimento da promessa da vinda do Redentor. A outra parte viveu segundo suas paixões
desordenadas. Desde Adão até Jesus, o mundo antigo se organizou em diversos reinos e impérios,
sendo os que acima foram destacados: Império Assírio, Império Persa, Império Grego 13 e Império
Romano. Jesus, porém, fundou um Reino que não terá fim: a Igreja Católica.
“Fora da Igreja não há salvação”, diz um dogma da Igreja. É por meio dela que Cristo
santifica os batizados que correspondem aos apelos da graça, para torná-los concidadãos dos santos.
Este processo se desenvolve na História, no decorrer do tempo.
“Eis o que nos foi dito, o que foi explicitamente revelado, o que é seguro. Para ser-nos, para nos tornar
verdadeiramente cristãos, é preciso redescobrir esta ideia fundamental: o Corpo místico do Cristo (isto é, a
Igreja) é o verdadeiro sujeito da história, assim como o acabamento de seu crescimento é a razão de ser e a
medida do tempo que ainda corre”.14 (HENRI MARROU)
O sentido da História
Quando dizemos “sentido” queremos dizer “qual é a finalidade da História”, “qual é sua
causa final”, ou seja, “qual o motivo de existir a História”, “para onde vai ela”. Seria como
perguntar: “qual é o sentido daquele navio estar no mar, ou seja, por que ele navega?” A resposta
seria: “para chegar ao porto”.
Podemos dizer que há um fim último (absoluto) e um fim próximo (relativo) da História.
Nas expressões latinas o fim último seria o fiinis cuius e o fim próximo o finis quo.
O fim absoluto da História é Deus mesmo, isto é, a Sua glória. O marchar da humanidade
no tempo tem por finalidade absoluta a glória de Deus.
“Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; a ele seja dada glória por todos os séculos. Amém”.
(RM 11, 36)
“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá toda glória, por tua misericórdia e por tua fidelidade”.
(SALMO 115, 1)
“Tu és digno, ó Senhor nosso Deus, de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e
pela tua vontade é que elas existem e foram criadas”. (AP 4, 11)
O fim próximo da História é a “completação do número dos eleitos”. Qual é o fim último
do homem? É a glorificação de Deus. Depois disso, e perfeitamente subordinado a isso, o homem
tem por finalidade a santificação de sua alma. Perceba que o “fim da santificação” está subordinado
e em ordem ao “fim da glorificação de Deus”, de tal modo que se não fosse para alcançar este fim
13
Os gregos não formaram propriamente um império. Constituíam-se em Cidades-Estados, tais como Atenas, Esparta, Corinto,
Tebas, etc. Contudo, Alexandre Magno, filho do rei da Macedônia e discípulo de Aristóteles, conquistou todo território grego e,
posteriormente grande parte da Ásia Menor, formando o imenso Império Macedônico, de influência helênica (cultura fortemente
grega, mas com elementos dos orientais). Alexandre expandiu esta cultura por onde passou de tal forma que, mesmo que os
domínios macedônicos foram logo divididos com a morte do imperador, a língua, a religião e os valores gregos permaneceram
para além do domínio romano. Podemos dizer que Roma conquistou o vasto território que outrora compunha o Império
Macedônico, mas foi conquistada pela cultura helênica que permeava a região.
14
Trecho retirado da obra “Teologia da História” de Henri Marrou, p. 35.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
24
O versículo citado do livro do Apocalipse significa que a história se deterá, chegada a seu
termo, quando o número dos mártires - generalizemos com os Padres - quando o número dos santos
tiver atingido a sua plenitude. Neste dia a grande marcha da humanidade se encerrará.
“O progresso no cristianismo não é linear e horizontal, mas vertical. Ele é vertical. Ele visa à eternidade,
não a extensão do tempo. A razão de ser do tempo é tirar dele alma por alma. Quando o número das almas
previstas pelo Criador for atingido, o tempo terminará, qualquer que seja o estado da humanidade nesta
hora...”16 (SERTILLANGES)
“A duração de nossa história é do tempo necessário ao recrutamento do povo dos santos, à edificação da
Cidade de Deus (...) Se após a vida terrestre do Verbo encarnado que constitui o seu centro e como o seu
núcleo, a história humana continua a se desenrolar, é porque o tempo é ainda necessário para permitir o
pleno crescimento do Corpo místico do Cristo, a construção até o seu acabamento da Cidade de Deus”. 17
(HENRI MARROU)
“A história universal é dirigida por Deus rumo a Jesus Cristo para a expansão de Sua Igreja e para a salvação
de Seus eleitos”.18 (JACQUES BOSSUET)
“Antes de Jesus Cristo, numerosos séculos de espera: após Cristo, uma duração cujo segredo nenhum
homem conhece, por que nenhum homem conhece a hora do nascimento do último eleito; por que o mundo
não se conserva senão para os eleitos que são a causa da vinda do Filho de Deus encarnado. (...) A
humanidade teria porventura outro destino diferente do homem? A humanidade seria então algo diverso do
15
Heresia segundo a qual o homem não precisa da graça de Deus para se salvar.
16
Trecho retirado da obra “Pensées inédites, de la vie, de l'histoire” de A. D. Sertillanges, p. 119
17
Trecho retirado da obra “Teologia da História” de Henri Marrou, p. 32 e 35.
18
Trecho retirado da obra “História e Providência”, organizada por Edmilson Menezes, p. 56.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
25
homem multiplicado? Não. Chamando o homem à união divina, o Criador convida igualmente a
humanidade. Vê-lo-emos bem no último dia quando de todos esses milhares de indivíduos se formar à
direita do soberano juiz, esse povo imenso, ‘que é impossível contar’, diz-nos São João (Ap 7, 9).”19 (DOM
PROSPER GUÉRANGER)
“Cristo é o Senhor absoluto da história, todos os acontecimentos, todas as vicissitudes no transcorrer dos
séculos se encadeiam e ordenam para o fim último do plano divino da Criação, a saber a salvação dos eleitos
pelo sacrifício do Filho de Deus feito Homem.”20 (PE. JOÃO BATISTA DE ALMEIDA P. F. COSTA)
“Há uma Providência que conduz a história; há também a liberdade humana capaz de colaborar com a graça
ou de a ela opor-se. Na história se dá o mesmo que na vida de cada homem. Assim como o homem pode
julgar suas próprias ações como ordenadas ou não a seu fim último sobrenatural, assim também pode julgar
os grandes fastos como frutos da sua colaboração com a graça para a realização do plano salvífico ou
produtos da sua soberba de querer realizar na terra um reino independente de Deus.” 21 (PE. JOÃO
BATISTA DE ALMEIDA P. F. COSTA)
19
Trecho retirado da obra “O sentido cristão da História” de Dom Prosper Guéranger, p. 7
20
Trecho retirado da apresentação do texto “O sentido cristão da História” de Dom Prosper Guéranger, p. 1.
21
Trecho retirado da apresentação do texto “O sentido cristão da História” de Dom Prosper Guéranger, p. 1.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
26
Atividades
Capítulo
3
A criação do homem
Q
UANDO chegou o momento fixado nos seus insondáveis desígnios, iniciou o Criador a
sua obra. Em seis dias, ou períodos sucessivos, retirou do nada o imenso universo. No
primeiro dia disse: “Faça-se a luz!” – e houve luz; no segundo fez o firmamento; no
terceiro separou as águas da terra e a esta mandou que produzisse plantas, flores e toda
a espécie de frutos; no quarto dia fez o sol, a lua e as estrelas; no quinto criou os peixes e as aves;
no sexto criou as espécies animais.
Mas este universo, com as suas terras e mares, o sol e as estrelas, os peixes e os pássaros,
era apenas o reino destinado àquela criatura de que Deus quis fazer a sua obra-prima para coroar
toda a criação. Ainda no sexto dia, como se se recolhesse no seio da Santíssima Trindade, disse
Deus: “Façamos agora o homem à nossa imagem, à nossa semelhança, para que domine obre os
peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais domésticos e sobre todos os répteis que
rastejam sobre a terra. Deus criou o homem à sua imagem, criou-o à imagem de Deus”. (Gn 1, 26)
“O Senhor Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe o sopro da vida, e o homem
transformou-se num ser vivo” (Gn 2, 7). Este sopro da vida era a alma, verdadeira imagem de Deus,
que o tornava capaz de pensar como Deus, querer e amar como Deus. Além disso, para que o filho
se assemelhasse ainda mais perfeitamente ao Pai, para além dos dons da natureza, revestiu-o com
todos os dons da Graça a fim de que, um dia, pudesse aceitá-lo na sociedade dos anjos, na morada
da sua própria glória.
Assim foi a criação de Adão e Eva, nossos primeiros pais, do quais provém toda raça humana.
A Queda na Terra
Como fez com os anjos, Deus concedeu a Adão e Eva o dom da Graça Santificante,
introdução e preparação da glória. Antes de admiti-los à glória era preciso que se mostrassem
dignos dela. Daí a necessidade da prova no paraíso terrestre, assim como se dera no paraíso celeste.
Lá como aqui, Deus quis, Deus devia, podemos dizer, pedir à sua criatura o consentimento para o
pacto de amizade que Ele queria contratar com ela para a eternidade. É a mesma coisa que ocorre
em um casamento: um homem e uma mulher se amam e decidem viver juntos até que a morte os
separe. Para receber o sacramento do Matrimônio, o casal deve jurar diante do padre, dos padrinhos
e de toda a igreja reunida que estão casando de livre e espontânea vontade. Sem liberdade não há
casamento. Isso também ocorre entre nós e Deus. Ele quer viver conosco por toda a eternidade,
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
28
mas precisamos dar uma resposta livre a esse magnífico convite. Essa liberdade dada por Deus a
cada homem se chama livre-arbítrio.
Ainda no paraíso terrestre, Deus ordenou aos nossos primeiros pais que não comessem o
fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Essa lei determinava a conservação ou a perda
do estado de santidade original dado a Adão e Eva.
Para eles, tratava-se de permanecer na posse do dom da imortalidade ou perdê-lo. A natureza
do homem, composto de corpo e alma, pedia que o ato de que dependesse seu destino fosse ao
mesmo tempo interior e exterior. Foi o que aconteceu: não comereis desse fruto, senão morrereis.
Para realizar a sedução, Lúcifer apresentou-se no jardim sob a forma de serpente. Deus, no
paraíso, mostrava-se ao homem e conversava com ele em forma visível. Isso acontecia também
com os anjos. Eva não se surpreendeu ao ouvir uma serpente falar.
Ele chegou junto à árvore do conhecimento do bem e do mal, e perguntou a Eva: “Teria Deus
dito: Não comereis das árvores do jardim?” A mulher respondeu: “Comemos dos frutos das árvores do
jardim. Mas do fruto da árvore que fica no meio do jardim Deus disse: Não comereis desse fruto e nele
não tocareis, com receio de que morrais”. Disse a serpente à mulher: “Não, não morrereis. Mas Deus
sabe que no dia em que comerdes, vossos olhos se abrirão e sereis como Deus, conhecendo o bem e o
mal”. Sereis como Deus. Aí está a tentação, a renovação da tentação que seduzira os anjos. Ser como
Deus, bastar-se a si mesmo. Que tentação para o egoísmo! Adão nela caiu, como caíram os anjos
orgulhosos. Sereis como Deus, conhecendo por vocês mesmos o bem e o mal.
Assim como os anjos maus, Adão e Eva deixaram-se convencer. Como vemos, na terra como
no céu a essência da tentação foi o naturalismo. Foi por ter tido o orgulho de dizer, acompanhando
os anjos rebelde “Como Deus, eu me bastarei a mim”, que Adão decidiu comer o fruto proibido.
Ele e Eva viram-se, inesperadamente, não deuses, mas seres de carne! Tudo mudou de aspecto aos
olhos dos nossos pobres pais. Repararam que estavam despidos, cheios de confusão, apanharam
folhas de figueira para se cobrirem. Depois, assustados, se esconderam entre as árvores do Jardim.
Assim se cometeu o primeiro pecado, aquele pecado que deu origem a todos os males que
atingem os homens no corpo e na alma e que se chama pecado original, pois todos os descendentes
de Adão e Eva herdaram esse mal. Com o pecado veio a morte e a expulsão do Paraíso terrestre.
Depois, viram-se submetidos a Satanás. “Todo aquele que se entrega ao pecado, diz São
João, é escravo do pecado”, e todo aquele que dá ouvidos a Satanás volta a cair sob seu poder.
Lúcifer pôde, desde então, prometer-se na terra um império semelhante ao que conservava nos
infernos sobre aqueles que o seguiram na apostasia. Ele dominou sobre todos os filhos do orgulho.
Mas Deus, infinito amor e infinita misericórdia não nos abandonou. Desde o dia em que
Adão e Eva foram expulsos do paraíso Deus esteve com eles e, desde o pecado original, os filhos
de Adão buscaram uma nova aliança com Deus, aliança que já havia sido pensada desde a
eternidade.
Teoria da Pré-História
A maioria dos livros didáticos escolares ensinam o período chamado de Pré-história. Os
acontecimentos deste período são possibilidades e não fatos históricos cabalmente provados tal
com o é a Segunda Guerra Mundial. Os eventos históricos da pré-história são parte de estudos
especulativos e não poucas vezes estão eivados de ideologias. A ciência humana é incapaz de fixar
com exatidão a época em que o homem apareceu na terra. As tradições judaica e católica22 fazem
uma leitura literal da periodicidade exposta no Antigo Testamento, especialmente no Livro do
Gênesis. Com isso, o primeiro homem, Adão, teria sido criado por Deus há cerca de 6 mil anos
atrás. Já os cientistas modernos especulam que o homem tenha surgido há cerca de 100 mil anos.
Porém, isso não é dogma nem para a religião nem para a ciência (pelo menos não deveria ser, já
que muitos cientistas, sem as provas necessárias, chamam de verdade absoluta suas especulações).
Resolvemos, diante destes pressupostos, apresentar a teoria da pré-história, porque é
amplamente difundida, mas não partiremos deste pressuposto no restante do material.
A Pré-História é dividida em quatro partes:
1. A Idade Paleolítica ou a idade da pedra lascada: período em que supostamente o homem
fabricava seus instrumentos: machados, facas, pontas de flechas, etc., com lascas de sílex
(tipos de pedra), por isso o período levou o nome de pedra lascada.
2. A Idade Neolítica ou a idade da pedra polida: período em que supostamente o homem passou
a trabalhar com algum esmero o sílex. Além da caça e da pesca, o homem passou a se dedicar
à agricultura.
22
Isso, porém, não é algo que foi decretado pelo Magistério da Igreja, de tal modo que as pesquisas e teorias podem ocorrer
normalmente, evidentemente que respeitando os limites de uma sadia ciência. Quando falamos em tradição católica estamos nos
referindo há obras de santos e grandes personagens católicos que escreveram sobre o tema. Entre eles cabe destacar: Santo
Agostinho, Jacques Bossuet, São João Bosco, etc. Estes viveram em épocas diferentes, o que mostra ser um “consenso católico”
sobre a possível data da criação de Adão e Eva. Contudo, como já evidenciado, isso não é “dogma de fé”, tendo o católico
liberdade de não partilhar desta opinião.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
30
3. A Idade do Bronze: período em que supostamente o homem aprendeu a extrair e fazer uso
dos metais. Teoricamente, usou primeiro o cobre e o estanho preparando a liga de bronze.
Esta liga era usada para fabricação de armas.
4. A Idade do Ferro: período em que supostamente o homem conseguiu tratar do minério de
ferro. Forjado, este metal lhe proporcionou armas mais sólidas e lhe permitiu fabricar vários
utensílios extremamente úteis para o dia a dia.
Duração dos tempos pré-históricos: Alguns autores, talvez no intuito de contradizer a
Bíblia, falaram em milhares de séculos; tais afirmações não têm nenhum valor científico sério e
baseiam-se em conjecturas e cálculos discutíveis. Os mais competentes geólogos e naturalistas
julgam que uns 7 ou 8 mil anos chegam para explicar tudo quanto sabemos desde a aparição do
homem (PE. RAPHAEL GALANTI, S.J.).
No Brasil temos os seguintes vestígios “pré-históricos”: os cerâmicos de Marajó, os
sambaquis do litoral sul e as grutas da Lagoa Santa.
Caim e Abel23
Adão e Eva tiveram dois filhos, um chamado Caim e outro Abel. Caim era agricultor e Abel
pastor. Eram, porém, muito diferentes de coração e de costumes. Caim dominado pela avareza, nos
seus sacrifícios oferecia a Deus os piores frutos da terra. Abel, ao contrário, de alma boa e sincera,
ofertava ao Senhor as melhores ovelhas do seu rebanho.
23
Toda a história dos hebreus ou sagrada transcrita neste material foi retirada, via de regra, da obra História Sagrada de São João
Bosco. Não achamos necessário reescrever o que foi tinha sido feito com maestria e método pelo grande santo educador da
juventude.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
31
Deus, no entanto, que conhece todas as nossas boas ou más intenções, mostrou-se satisfeito
com as ofertas de Abel, mas rejeitou as de Caim, que, cheio de inveja, se irritou grandemente contra
seu irmão. Deus alertou-o com bondade dizendo-lhe: “Por que estás tão indignado? Sê bom e justo
e me serás agradável como Abel, de outra forma o pecado tomará posse do seu coração”.
Caim desprezou o aviso de Deus, e roído de inveja, fingindo amor por Abel, disse-lhe: “Tu
queres vir comigo ao campo?”. O inocente Abel aceitou com alegria o convite do irmão. Mas,
quando os dois se afastaram da vista de seus pais, Caim matou Abel. Os descendentes de Caim
foram maus e são chamados filhos dos homens.
Adão e Eva tiveram mais um filho, chamado Seth, homem bom, que foi o tronco dos justos
os quais nos livros santos são chamados filhos de Deus. Depois de ter vivido 912 anos, morreu
deixando numerosa posteridade, imitadora das suas virtudes.
Enquanto os descendentes de Set conviveram entre si, conservaram-se fiéis ao Senhor, mas, quando
começaram a tratar com os descendentes de Caim, tornaram-se perversos. Nasceram deles gigantes
monstruosos, os quais, tanto pela desproporcionada estatura, como pela excessiva insolência,
tornaram-se célebres na antiguidade. Esses homens encheram o mundo de vícios e crimes a tal
ponto que todos haviam abandonado o caminho do Senhor.
Deus ficou indignado e decretou exterminar todo o gênero humano com o dilúvio:
“Exterminarei, disse Ele, o homem da face da terra, e todos os animais, os répteis, e até as aves do
céu: tudo perecerá”.
viram-no construir a Arca, sem se comover, e, pelo contrário, cada vez mais se entregaram aos
vícios e aos prazeres. Deus, cada vez mais indignado, realizou as suas ameaças por meio de um
dilúvio universal. Os homens continuavam a viver entregues aos vícios, quando Noé, construída a
Arca, recebeu ordem de Deus para nela entrar com a esposa, com os filhos e suas esposas e um
casal de cada espécie de animais imundos, isto é, daqueles de que não era lícito alimentar-se, nem
oferecer sacrifícios, e sete casais de animais limpos, isto é, dos que se podiam oferecer a Deus como
vítimas em sacrifício, ou de que era lícito comer, e mais os víveres necessários aos homens e aos
animais. Cumpridas estas ordens, Deus ordenou um anjo fechar a porta da Arca por fora.
Então cobriu-se o céu de negras nuvens e copiosas chuvas caíram sobre a terra pelo espaço
de quarenta dias seguidos. Encheram-se e transbordaram os mares e os rios. Das entranhas da terra
rebentaram as águas com tamanha fúria e com tanta abundância que os montes foram cobertos,
submergindo a terra inteira e todos os animais, exceto os que estavam fechados na arca.
Enquanto as águas destruíam vegetais, a Arca de Noé andou flutuando sobre as ondas
durante 150 dias. Depois mandou um vento forte e morno, fazendo as águas abaixar, de tal modo
que a Arca parou no alto de um monte da Armênia, chamado Monte Ararat.
Noé saindo da arca e vendo que a terra estava deserta e desabitada, tendo sido somente ele
com sua família salvos de maneira tão milagrosa, cheio de gratidão levantou um altar e ofereceu
um sacrifício ao Senhor. Este ato de culto externo agradou muito a Deus que, em sinal de
complacência, fez aparecer no horizonte um brilhante arco-íris, dizendo a Noé e aos seus filhos:
“Eis que Eu estabeleço a minha aliança convosco e com a vossa descendência. Não haverá mais
dilúvio para destruir o gênero humano, e quando virdes no céu o meu arco, recordai-vos da aliança
que fiz convosco”.
Alguns anos depois do dilúvio, Noé se dedicou ao cultivo da terra, plantou a videira e
colhendo a uva, fez dela o vinho. Mas desconhecendo a força da bebida, bebeu mais do que devia
e, embriagado, adormeceu. Cam, insolente, sem se lembrar do respeito devido ao pai, correu para
chamar os seus irmãos para zombar do pai. Estes, porém, bem diferentes do irmão desnaturado, se
portaram para com o pai com o maior respeito. Noé voltando a si e tendo conhecido a insolência
de Cam, amaldiçoou-o, dizendo que seus descendentes haviam de ser dependentes e escravos dos
descendentes de Sem e Jafé, o que aconteceu exatamente. Noé viveu mais 300 anos depois do
dilúvio, e morreu com a idade de 950 anos. Dizem os orientais que o corpo de Adão foi levado por
Noé na Arca e enterrado junto com ele em uma montanha perto de Jerusalém. Como o esqueleto
de Adão foi sepultado nesse monte, este passou a ser chamado Monte Calvário ou Caveira. Foi
justamente neste monte que Nosso Senhor Jesus Cristo foi crucificado. Seu precioso sangue
escorreu pela cruz e gotejou sobre a caveira de Adão como um sinal da redenção dos nossos
primeiros pais.
Torre de Babel
Os descendentes de Sem, Cam e Jafé, tendo aumentado muito e já não podendo viver no
mesmo lugar, resolveram dividir-se. Antes, porém, de se separarem, combinaram construir uma
torre, cujo cume tocasse o céu. Para isto desceram ao país da Babilônia, onde começaram a edificar
uma cidade, no centro da qual se devia erguer a famosa torre. Quando os seus trabalhos tinham
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
33
atingido extraordinária altura, o Senhor quis castigá-los pela soberba e mandou-lhes a confusão das
línguas. Segundo Santo Isidoro, a língua falada antes desse evento era o hebraico.
Os descendentes de Noé não conseguiam mais compreender-se entre si e, por isso, foram
obrigados a desistir daquela construção. Dividiram-se em diversas colônias e foram habitar
diferentes partes do mundo. A Jafé coube a Europa e a Ásia Menor, a Sem a Ásia, do lado do
Oriente, a Cam a África, a Palestina e a Fenícia.
Torre de Babel
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
34
Atividades
Capítulo
4
Abraão, Isaac e Jacó
E
NQUANTO a idolatria, com suas abominações, se espalhava pelo mundo, e a maior parte
dos homens se entregava a toda sorte de vícios, os descendentes de Sem viviam como
justos. A fim de conservar a verdadeira religião, Deus elegeu uma família que transmitisse,
por sucessão hereditária, a memória do Criador e de suas obras, a fé e a esperança no futuro
Redentor.
O chefe desta grande família foi Abraão. Ele habitava em Ur, cidade da Caldeia, onde
praticava a verdadeira religião e o culto a Deus. Por isto o Senhor mandou-lhe que saísse da sua
cidade e fosse à terra de Canaã (Terra Santa), dizendo-lhe: “Abandona a tua pátria e vai para o país
que eu mostrar, e te farei chefe de um grande povo. Por ti as nações serão abençoadas e cumuladas
de benefícios. Olha para o céu e conta se puder as estrelas: a tua família será ainda mais numerosa”.
Obediente às ordens de Deus, Abraão partiu com sua mulher Sara e seu sobrinho Lot, levando
consigo seus servos e seus rebanhos, por volta do ano 1850 a.C. Chegando à terra de Canaã, o Senhor
lhe falou de novo, dizendo: “Eu te darei este país, a ti e à tua geração”. Abraão levantou um altar no
mesmo lugar onde Deus lhe apareceu em reconhecimento por sua bondade.
Um ano depois da promessa feita por Deus
a Abraão nasceu um filho chamado Isaac. Era um
menino que temia a Deus e causava grande alegria
aos seus pais. Para provar a obediência e a
fidelidade do seu servo, Deus disse a Abraão:
“Abraão, toma seu filho único Isaac, a quem tanto
amas, sobe ao Monte Moriá e lá me oferece-o em
sacrifício”. Sem dizer nada, Abraão preparou a
lenha, carregou um jumento e, acompanhado por
dois servos, pôs-se a caminho com seu filho.
Depois de três dias, chegaram ao pé do
monte indicado por Deus. Colocou a lenha sobre
o ombro de Isaac (prefiguração de Jesus Cristo
carregando a Cruz sobre o monte Calvário) e
subiu o monte com o filho. Enquanto subiam,
Isaac perguntou: “Meu pai, aqui está o fogo e a
lenha, mas onde está a vítima para o sacrifício?”
Sacrifício de Isaac. Por Phillipe de Champaige
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
36
E Abraão respondeu: “Meu filho, Deus providenciará”. Chegados ao topo da montanha, Abraão
construiu um altar, preparou a lenha, amarrou o filho e o colocou em cima. Isaac cala e obedece.
Abraão toma a faca, estende o braço, e quando já ia desferir o golpe um anjo do Senhor lhe fala:
“Abraão, Abraão, não faças mal ao menino. Agora sei que temes verdadeiramente a Deus, pois não
negaste o teu próprio filho”. Abraão parou e voltando-se viu ali perto, preso em uma moita, um
carneiro ao qual sacrificou no lugar do filho.
Para recompensar a grande obediência de Abraão, Deus o abençoou e renovou as três
promessas que tinha feito no passado. Deus abençoa sempre àqueles que observam seus preceitos.
Isaac casou-se com Rebeca, que gerou dois filhos, Esaú e Jacó. Após receber a bênção de seu pai
Isaac, Jacó foi até a casa de um parente seu, chamado Labão. Lá trabalhou por muitos anos para o
seu tio com fidelidade e afinco, além de jamais ter perdido o santo temor de Deus. Por isso, Labão
concedeu sua filha Raquel em casamento a Jacó.
Depois de 20 anos, Jacó deixou a casa de Labão para voltar à sua terra com sua nova família
e todos seus rebanhos e posses, pois havia ficado muito rico. Chegando às margens do Rio Jordão,
Jacó enviou um mensageiro a seu irmão Esaú para avisá-lo de que vinha em paz. Enquanto
aguardava notícias, durante a noite, apresentou-se a ele um anjo em forma de homem, o qual lutou
com Jacó até o amanhecer.
A luta foi dura, porém Jacó percebeu que o homem não sentia nenhum cansaço, entendendo,
portanto, que se tratava de um anjo do Senhor. Querendo este partir, Jacó disse-lhe: “Não te deixarei
partir antes que me dês a tua bênção”. O anjo perguntou-lhe: “Como te chamas?”, “Jacó”,
respondeu ele. E o anjo disse-lhe: “De hoje em diante te chamarás Israel, que quer dizer forte contra
o Senhor”.
Israel (Jacó) teve doze filhos (daí surgiram as doze tribos de Isarael), cujos nomes são:
1. Rubem,
2. Simeão,
3. Levi,
4. Judá,
5. Issacar,
6. Zabulon,
7. Dan,
8. Neftali,
9. Gad,
10. Aser,
11. José e Jacó lutando com o Anjo
12. Benjamim.
Entre estes, o mais virtuoso era José que, por isso, era o mais amado do pai, o que gerou
muita inveja da parte de seus irmãos. José tinha sonhos proféticos e em um deles viu o sol, a lua e
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
37
onze estrelas se inclinarem para ele. Isto significava que seu pai, sua mãe e seus irmãos iriam
prestar-lhe reverência.
Os sonhos de José e sua predileção por parte do pai geraram verdadeiro ódio em seus irmãos,
que tramaram um crime terrível, jogando José em uma cisterna e depois vendendo-o como escravo
para mercadores que iam ao Egito. Depois disto, mentiram ao pai dizendo que o irmão tinha sido
devorado por feras, o que deixou Israel extremamente triste.
Ainda sendo escravo no Egito, José foi chamado para interpretar um sonho do Faraó (rei do
Egito), devido à sua sabedoria.
- Eis o que vi, disse o Faraó. Encontrava-me de pé, nas margens do rio, quando vi sair dele sete
vacas gordas e bonitas que se puseram a pastar o capim. E eis que outras sete vacas magras e
horríveis saíram também do rio e devoraram as outras vacas.
José disse-lhe:
- Deus anunciou ao Faraó o que irá fazer ao seu reino. As sete vacas gordas anunciam setes anos
de abundância. A sete vacas magras indicam sete anos de seca que trarão ao país uma fome
assustadora. Agora, escolhe um homem prudente e sábio, encarregando-o do país do Egito. Que o
Faraó nomeie comissários para o país e lance um imposto sobre as colheitas do Egito e durante os
sete anos de abundância que se acumule nos celeiros públicos toda a alimentação desses anos férteis
que se aproximam. Que o trigo se acumule nas mãos do Faraó, para o abastecimento das cidades.
Essas reservas serão um recurso para o país durante os sete anos de fome que vão chegar ao Egito.
O Faraó disse a José:
- Em que lugar encontrarei um homem tão
cheio de espírito de Deus como este? Jovem,
já que o próprio Deus inspirou as palavras que
acabas de pronunciar, ninguém aqui te
ultrapassa ou iguala em sabedoria: portanto
irei te investir de um poder que se estenderá a
todos os meus domínios e que o meu povo te
obedeça como a mim próprio. Apenas reservo
para mim o título de rei e o trono.
O Faraó concedeu a José o governo de
todo o Egito e deu-lhe um nome egípcio que
significa “Salvador do Mundo”. Assim quis
José interpretando o sonho do Faraó. Por Peter von Cornelius
Deus, para que José fosse uma prefigura de
Jesus que, como ele, foi caluniado, perseguido, vendido, antes de ser chamado Salvador do mundo.
pirâmides e obeliscos, decidiu que os descendentes de Israel seriam usados como escravos.
Também havia a preocupação de que os israelitas se multiplicassem e se revoltassem contra a
situação de escravidão.
Desta forma, eles foram submetidos aos mais pesados trabalhos, como a fabricação de
tijolos, construção de muralhas e canais. Eram vistos, sob o fogo de um sol ardente, a puxar enormes
blocos de pedra, caindo de esgotamento ao longo dos caminhos ou a sucumbir sob o chicote dos
capatazes. Mesmo assim, os hebreus continuavam a crescer.
Moisés, o libertador
Vendo o crescimento dos hebreus, o Faraó ordenou que todos os meninos recém-nascidos
fossem mortos. Neste contexto, é que Moisés (aquele que foi tirado da água) foi encontrado em um
cesto boiando sobre o Rio Nilo pela filha do Faraó que o adotou. Moisés tornou-se grande na corte,
mas acabou fugindo do Egito após matar um soldado que maltratava um hebreu.
Ao sair do Egito, Moisés foi para uma
região desértica. Cansado da caminhada,
parou perto de um poço, onde conheceu as
filhas de Jetro, casando-se com uma delas.
Moisés viveu como pastor dos rebanhos de
Jetro por mais quarenta anos.
Já com oitenta anos, o libertador de
Israel estava perto do monte Horeb a
observar o rebanho, quando viu uma cena
muito peculiar: uma sarça que estava em
chamas, porém, o fogo não a consumia.
Isto chamou-lhe a atenção e aproximou-se
para ver melhor aquele estranho fenômeno.
Do meio da sarça ardente surgiu uma voz que o chamou:
- Moisés! Moisés!
- Aqui estou! Disse tremendo de medo.
- Não te aproximes daqui. Tira a sandálias dos pés, porque o lugar em que te encontras é
sagrado. Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó.
Moisés tirou as sandálias dos pés e cobriu o rosto com um manto, pois não se atrevia olhar
para Deus. O Senhor disse a ele:
- Eu vi a aflição do meu povo no Egito, tenho ouvido os seus gritos de dor provocados pelos
seus opressores. Vou libertá-los da tirania e conduzi-los da terra de exílio até uma terra fértil e
espaçosa, onde corre leite e mel. Vai, envio-te ao Faraó para que tires o meu povo do Egito.
Moisés pensou na incredulidade do povo eleito, afinal, havia se passado muito tempo desde
a promessa de Deus a Abraão. Então perguntou:
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
39
- E quando eu lhes falar do Deus dos seus antepassados e da mensagem que Ele me
encarregou de transmitir, se me perguntarem qual é o seu nome, que lhes responderei?
Deus disse a Moisés:
- Eu sou Aquele que é! Assim falarás aos israelitas: ‘Aquele que é envia-me a vós!’
Deus ordenou a Moisés reunir os anciãos de Israel para lhes anunciar a libertação do povo e
a sua entrada na terra de Canaã. Deus também o avisou que o Faraó não deixaria o povo de Israel
partir e, portanto, castigaria os egípcios. Depois de hesitar, mesmo diante de milagres que Deus fez
diante dele, Moisés aceitou sua missão de libertar o povo eleito. Logo se encaminhou para o Egito
onde encontrou seu irmão Aarão que seria seu porta-voz.
Diante da recusa do Faraó em libertar o povo hebreu da escravidão, Deus mandou as dez
pragas. Resumidamente, as dez pragas podem ser elencadas dessa forma:
1. O rio Nilo se transforma em sangue.
2. Infestação de rãs.
3. Infestação de mosquitos.
4. Infestação de moscas fétidas.
5. Peste sobre os rebanhos.
6. Chagas sobre os homens.
7. Chuva de pedras.
8. Infestação de Gafanhotos.
9. Três dias de trevas.
10. Morte de todos os primogênitos.
A décima praga seria fatal. Por isso, Deus deu uma série de recomendações a Moisés para
que ele as comunicasse aos hebreus. Cada família deveria imolar um cordeiro de um ano, macho e
sem nenhum defeito. Com o sangue do cordeiro, deveria pintar os batentes das portas de cada casa.
Nesse mesmo dia, todos deveriam comer a carne do cordeiro acompanhado de pão sem fermento e
ervas amargas. Deus pediu para que todos comessem em pé, com os rins cingidos (os povos antigos
faziam isso para caminhar melhor em longas jornadas), as sandálias nos pés, o bastão na mão,
esperando a Páscoa, isto é, a passagem do Senhor. Deus disse que passaria no meio da noite e
exterminaria todos os primogênitos egípcios, tanto dos homens quanto dos animais, então, saberiam
que os seus falsos deuses não valiam de nada.
Após a morte dos primogênitos dos egípcios, o Faraó, que também perdeu seu filho, ordenou
a saída dos hebreus, mas logo se arrependeu, marchando contra eles no deserto. Os hebreus se
encontraram em uma situação impossível de se resolver, pois à frente tinha o Mar Vermelho, dos
lados havia colinas impossíveis de se escalar e atrás marchava o exército do Faraó. Foi nesse
momento que Deus, Senhor dos Exércitos, realizou um dos maiores prodígios contidos na Sagrada
Escritura: no mesmo instante, o Anjo do Senhor que marchava à frente do povo escolhido mudou
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
40
1. Gedeão.
2. Jefté.
3. Sansão.
4. Samuel.
O último Juiz foi Samuel. Já estando velho, o povo pediu que ele escolhe um rei para
governá-los. Depois de resistir, Samuel cedeu e escolheu Saul da tribo de Benjamin.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
42
Atividades
Capítulo
5
A monarquia de Israel: 1010 a.C.
S
AUL foi o primeiro rei de Israel. Enquanto seguiu os sábios conselhos de Samuel conservou-
se fiel a Deus e venceu numerosas batalhas. Todavia, quando começou a transgredir as
ordens do Senhor, acabaram-se as glórias e as vitórias. Chegou ao ponto de ferir gravemente
a lei quando ofereceu um sacrifício a Deus, o que era restrito ao Sumo Sacerdote. Indignado, o
Senhor mandou Samuel anunciar-lhe a sua cólera com estas severas palavras: “Foste um estulto,
rejeitaste e desprezaste a palavra de Deus e eis que agora Ele também te rejeitou. Ele tirará sua
coroa e a dará a outro mais fiel do que tu!”
Samuel, ordenado por Deus, consagrou um jovem, filho de Jessé, como rei de Israel. Este
jovem era Davi. A exaltação de Davi, da tribo de Judá, à dignidade de rei, marca uma época
importantíssima da história. Este fato assinala o início da profecia de Jacó, de que a autoridade
soberana passaria para tribo de Judá e aí permaneceria até a vinda do Messias.
Durante a guerra entre os hebreus e os filisteus, destacava-se um filisteu chamado Golias,
gigante de mais de três metros de altura, coberto de armadura e fortemente armado. Golias zombava
do exército israelita que tremia de medo só de ouvir a sua voz. Dizia o gigante: “Se há um entre
vós que se atreva a bater-se comigo em duelo, aproxime-se: se eu for vencido, os filisteus serão
vossos escravos; se eu vencer, vocês sereis os nossos”. Por quarenta dias Golias ameaçou os
hebreus e blasfemava contra Deus.
Davi, inconformado
com tal situação, resolveu
derrotar Golias. Armado
apenas com uma funda e
cinco pedrinhas, o valente
Davi marchou contra o
gigante. Ao vê-lo, Golias
disse: “Sou eu, por acaso, um
cão para vires a mim com um
cajado? Aproxima-te, pois
darei a sua carne às aves e aos
animais da terra”. Davi
respondeu: “Tu vens contra
mim confiando na tua espada, eu vou contra ti em nome daquele Deus que tu insultaste e que me
armou o braço contra ti e te entrega em minhas mãos”. Diante disso, Golias se precipitou contra
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
44
Davi, mas este foi mais rápido lançando uma pedra bem na testa do gigante que caiu gravemente
ferido. Davi, que não possuía espada alguma, pegou a própria espada de Golias e lhe cortou a
cabeça. Os filisteus desesperados fugiram do campo de batalha.
Após a morte de Saul, Davi pode governar efetivamente. Entre os grandes acontecimentos
do reinado de Davi cabe destacar:
1. Construiu a cidade de Jerusalém que passou a ser a capital do Reino de Israel. Dentro dos
muros de Jerusalém estavam ao mesmo tempo o centro religioso (Davi levou em grande
cortejo a Arca da Aliança para essa cidade), o centro político e o centro militar.
2. Formou um exército profissional bem treinado.
3. Venceu os filisteus, grandes inimigos de Israel.
4. Enriqueceu o Reino de Israel através do comércio, da cobrança de tributos dos povos
derrotados e da boa administração.
5. Após cessarem as guerras, Davi ficou ocioso, fato que o levou a cair em um pecado
gravíssimo pelo qual foi severamente punido por Deus. Mas avisado e censurado pelo
profeta Natan, arrependeu-se profundamente do seu pecado e fez duras penitências por
muito tempo. Uma das consequências desse pecado foi a revolta de seu filho Absalão.
6. Revolta de Absalão: dominado pela ambição de reinar, o filho de Davi, Absalão deu início
a um enorme desgosto a Davi. Começou por matar seu próprio irmão Anon, se
autoproclamou rei e decretou guerra ao seu pai. Mas Deus castiga aqueles que se rebelam
contra o poder de seus pais e amaldiçoa os filhos ingratos e revoltosos. Absalão perdeu a
guerra e foi morto pelo general Joab.
Salomão sucedeu a seu pai Davi no trono de Jerusalém. Depois de vencer os inimigos de
Israel, ofereceu ao Senhor um sacrifício de mil animais. Isso agradou tanto a Deus, que lhe apareceu
e disse: “Pede-me aquilo que quiseres e Eu te darei”. Salomão respondeu: “Dá-me verdadeira
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
45
sabedoria, a fim de que possa julgar retamente, governar e discernir o que é bom daquilo que é
mal”. O Senhor se agradou tanto do pedido de Salomão que lhe concedeu o que pediu e muito mais.
Como possuía muitos recursos, Salomão deu início ao projeto de construção do Templo para
o Senhor. Segundo os planos deixados por Davi, o templo devia ser construído com base no modelo
do tabernáculo de Moisés, mas em proporções muito maiores. Foram usados os melhores materiais
encontrados na terra, como ouro, prata, marfim, mármore, cedro-do-líbano, pois devemos dar a
Deus as melhores coisas que temos.
O conjunto das construções, com cerca de trezentos metros de lado, tinha três pátios. A partir
do muro exterior, o primeiro recinto chamava-se Pátio dos Gentios ou das Nações. O Senhor
convidava todos os povos ao culto do verdadeiro Deus: assim, todos tinham um lugar no Templo,
mas no local mais afastado. Uma parede separava esse pátio do Pátio de Israel, reservado apenas
aos descendentes de Abraão. Depois, vinha o Pátio dos Sacerdotes e Levitas, homens consagrados
ao Senhor que estavam encarregados de realizar os ofícios no Templo.
Havia nos locais mais internos, o Altar dos Holocaustos onde as vítimas (animais) eram
oferecidas. Ao lado dele, encontrava-se o Mar de Bronze, um monumento que servia de
reservatório da água que devia ser usada somente para os sacrifícios.
Depois disso, chegava-se ao Templo propriamente dito. Dentro dele havia o vestíbulo dos
sacerdotes, o Santo e o Santo dos Santos. Neste último só se permitia a entrada do sumo sacerdote
uma vez por ano, pois lá estava a Arca da Aliança.
Em suas obras trabalharam durante mais de sete anos, cento e sessenta mil operários. As
paredes, o santuário, o altar, os querubins que rodeavam a Arca, tudo era coberto de ouro,
magistralmente esculpido. Tudo do Templo era preciosíssimo pela riqueza do material e pelo labor
artístico.
Terminado o Templo, Salomão realizou uma
soleníssima dedicação. O povo de Israel esteve todo
presente. Foram sacrificados vinte mil bois e cento e
vinte mil ovelhas. A Arca foi entronizada no Templo
com cantos de louvor e adoração. A Majestade Divina
manifestou-se milagrosamente através de uma nuvem
que cobriu todo o lugar. Diante disso, Salomão
exclamou, “A glória de Deus enche o Templo do
Senhor”. O altar já estava cheio de vítimas, quando
Deus enviou o fogo do céu que consumiu os sacrifícios.
Todo o povo se prostrou com o rosto por terra diante da
Majestade Divina. Isso ocorreu no ano de 968 a.C.
A queda de Salomão
Salomão tinha aproximadamente 50 anos de idade quando, diante de tantas riquezas, seus
olhos se turvaram, obedecendo unicamente aos seus caprichos. Esqueceu o Senhor que tudo lhe
havia dado, e não foi capaz de conservar-se no caminho da verdade e do bem.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
46
Cativeiro da Babilônia
Crescendo a impiedade do povo de Judá, aproximava-se também o tempo da punição de que
diversas vezes o Senhor o ameaçara, para afastá-lo do caminho da iniquidade. Deus suscitou nesse
tempo (no início do século VI a.C.) um profeta chamado Jeremias. Desde jovem, Jeremias recebeu
o espírito profético para anunciar aos judeus sua ruína caso não se convertesse. Todavia, não foi
ouvido e, inclusive, foi preso por suas palavras e denúncias.
Nabucodonosor, rei da Babilônia, cercou a cidade de Jerusalém e a conquistou em 597 a.C.
Era costume dos babilônicos levar os povos conquistados como escravos para servi-los na cidade
de Babilônia. Jeremias já havia profetizado que o povo de Judá seria levado escravo por setenta
anos. Tudo isso se cumpriu.
O rei de Judá era Jeconias, homem muito mau e impiedoso. Deus, indignado, suscitou
Nabucodonosor para castigar os graves pecados do rei e do povo. O rei babilônico invadiu o Templo
de Salomão e o palácio real para levar todos os seus tesouros e vasos sagrados. Antes já tinha levado
como escravos três mil judeus, agora levou o rei, sua mãe, sua mulher, todos os príncipes, generais
e os cidadãos mais ricos de Jerusalém. Essa foi a primeira fase da invasão dos babilônicos.
Depois de Jeconias, assumiu o trono de Judá um péssimo rei chamado Sedecias que tentou
livrar-se do domínio de Nabucodonosor. Isso irritou ainda mais esse monarca, fazendo que este
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
47
marchasse novamente contra Jerusalém. Tudo foi destruído! Os que não morreram na invasão
foram levados como escravos para a Babilônia. O Rei Sedecias teve os olhos arrancados.
Assim se cumpriu a palavra de Ezequiel que havia dito que o rei de Judá morreria na
Babilônia sem a ver. O reino de Judá, por causa da sua impiedade e infidelidade, terminou a sua
existência, que durou 468 anos a começar de Davi, e 388 depois da separação do reino de Israel.
Era o ano 586 a.C.
A escravidão na Babilônia não
foi um extermínio dos judeus, mas um
castigo, uma vez que o patriarca Jacó
havia profetizado que “o poder
soberano permanecerá na tribo de Judá
até o nascimento do Messias”. Deus
permitiu o cativeiro na Babilônia para
corrigir seu povo de seus desvios.
Em território estrangeiro, os
judeus eram governados por juízes de
sua nação que os orientava segundo as
leis de Moisés. A vida era muito dura,
mas o maior sofrimento era estar longe
da terra do rei profeta (Rei Davi). Judeus sendo levados pelos babilônicos
Ainda no cativeiro, a história sagrada destaca a figura de Daniel, o grande profeta, que interpretou
os sonhos de Nabucodonosor inspirados por Deus.
Para cumprir a profecia de Isaías, Ciro, o Grande, rei da Pérsia, derrotou o império
babilônico e se tornou um grande imperador da região. Ciro possuía uma peculiaridade em relação
aos reis assírios e babilônicos, que eram cruéis. Ao contrário da crueldade e da destruição, Ciro, ao
conquistar um novo território, respeitava a população local, inclusive a religião. Assim diz a
Escritura sobre Ciro:
“Mantenho a palavra de meus servos, cumpro o que predizem meus enviados; digo que Jerusalém deve ser
reabitada. Que as cidades de Judá devem ser reedificadas. Delas reerguerei as ruínas. Digo ao abismo: Seca-
te, vou estancar tuas torrentes. Digo de Ciro: É meu pastor, executará em tudo a minha vontade. Falando
de Jerusalém: Que seja reedificada! E do templo: Que seja reconstruído!” (ISAÍAS 44, 26-28.)
Ao saber que seu nome e seus feitos haviam sidos profetizados havia duzentos anos pelo
profeta Isaías, Ciro, maravilhado, decretou que os judeus voltassem à sua pátria e reconstruíssem a
cidade e o Templo de Jerusalém que havia sido destruído pelos babilônios. Além disso, ordenou a
devolução dos vasos sagrados roubados.
“Eis o que diz o Senhor a Ciro, seu ungido, que ele levou pela mão para derrubar as nações diante dele,
para desatar o cinto dos reis, para abrir-lhe as portas, a fim de que nenhuma lhe fique fechada: Irei eu mesmo
diante de ti, aplainando as montanhas, arrebentando os batentes de bronze, arrancando os ferrolhos de ferro.
Dar-te-ei os tesouros enterrados e as riquezas escondidas, para mostrar-te que sou eu o Senhor, aquele que
te chama pelo teu nome, o Deus de Israel. É por amor de meu servo, Jacó, e de Israel que escolhi, que te
chamei pelo teu nome, com títulos de honra, se bem que não me conhecesses. Eu sou o Senhor, sem rival,
não existe outro Deus além de mim. Eu te cingi, quando ainda não me conhecias, a fim de que se saiba, do
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
48
levante ao poente, que nada há fora de mim. Eu sou o Senhor, sem rival; formei a luz e criei as trevas, busco
a felicidade e suscito a infelicidade. Sou eu o Senhor, que faço todas essas coisas. Que os céus, das alturas,
derramem o seu orvalho, que as nuvens façam chover a vitória; abra-se a terra e brote a felicidade e ao
mesmo tempo faça germinar a justiça! Sou eu, o Senhor, a causa de tudo isso. Ai daquele que discute com
quem o formou, vaso entre os vasilhames de terra! Acaso diz a argila ao oleiro: Que fazes? Acaso diz a
obra ao operário: És incompetente? Ai daquele que ousa dizer a seu pai: Por que me geraste? E à sua mãe:
Por que me concebeste? Eis o que diz o Senhor, o Santo de Israel e seu criador: Pretendeis pedir-me conta
do futuro, ditar-me um modo de agir? Fui eu quem fez a terra, e a povoou de homens; foram minhas mãos
que estenderam os céus, e eu comando todo o seu exército. Fui eu quem, na minha justiça, suscitou Ciro, e
quem por toda parte lhe aplaina o caminho; e é ele quem fará reedificar minha cidade e libertar meus
deportados, sem recompensa nem dádivas, diz o Senhor dos exércitos.” (ISAÍAS 45, 1-13)
Enfatiza-se que foi Deus que suscitou Ciro, o rei da Pérsia, para derrotar os babilônicos e
permitir a volta dos hebreus para sua pátria e reconstruir o Templo de Jerusalém.
Após a conclusão das construções, os hebreus reconheceram que tudo o que passaram na
Babilônia foi um castigo por causa dos seus pecados. Assim, renovaram a aliança com Deus e se
mantiveram fiéis até a vinda do Salvador. É fato que tiveram ainda muitas provações, pagando
tributo aos persas, depois aos gregos, que sob o comando de Alexandre Magno, conquistaram todo
o império persa. Esse evento já tinha sido profetizado pelo profeta Daniel.
Durante o cativeiro da Babilônia, o Profeta Daniel viu em sonho um carneiro de grandes
chifres que conduzia todos os animais sob seu domínio. Esse carneiro personificava os persas.
Daniel o observava, quando um bode grandioso se ergueu do Ocidente e “percorreu a terra toda
sem tocar o solo. Investiu contra o carneiro, atacou-o furiosamente, sem que o carneiro tivesse força
de lhe resistir. O bode lançou por terra o carneiro e calcou-o aos pés e ninguém interveio para o
livrar do ataque do seu adversário” (Daniel 8, 5-26)
Isso se verificou em 334 a.C., durante o reinado de Dario Codoman, último rei persa.
Alexandre Magno, filho de Felipe da Macedônia, atacou a Ásia com tal rapidez que os pés pareciam
não tocar o solo. Após travar batalhas com o grande exército persa, Alexandre saiu vitorioso e
senhor de quase todo mundo conhecido.
Alexandre em Jerusalém
Quando Alexandre Magno passava pela Palestina pediu auxílio aos hebreus. Porém, o Sumo
Sacerdote Jado disse que permaneceria fiel aos persas enquanto estes subsistissem. Irritado,
Alexandre marchou pessoalmente contra Jerusalém, disposto a destruir a cidade, mas não contava
com o Deus de Israel, o Deus que tem nas mãos o coração dos reis mais poderosos da terra.
Conforme os exércitos gregos se aproximavam, um anjo do Senhor ordenou que Jado abrisse
as portas da cidade, colocasse bandeiras nas ruas, recomendando que todos os judeus vestissem as
suas túnicas brancas, e que ele próprio fosse ao encontro de Alexandre revestido de seus trajes
pontificais e em companhia de todos os sacerdotes. Jado obedeceu a voz celeste.
Ao deparar-se com aquele imenso espetáculo, Alexandre parou com profundo assombro. O
sumo sacerdote avançou sozinho até o conquistador. Jado estava vestido com as roupas pontifícias
e trazia na cabeça uma coroa de ouro onde estava escrito o nome do Senhor. Com grande surpresa
de seu exército, Alexandre prostrou-se para adorar o nome augusto de Deus. Os mais próximos
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
49
perguntaram ao imperador o motivo daquele gesto de adoração. Ele respondeu: “Não é este
sacerdote que adoro mas o Deus de Quem ele é ministro. Quando meditava na Ásia, vi em sonhos
um homem que vestia os mesmos ornamentos que traz este sacerdote e esse homem me assegurou
que eu conquistaria o Império persa”.
Jado ainda mostrou a profecia de Daniel, na qual o profeta anunciava que um rei grego
conquistaria o Império persa. Alexandre Magno ficou admirado com tudo o que acontecera e com
a profecia que se referia a ele, tratando, por isso, o povo eleito com muita benevolência.
Assim se conclui mais uma etapa da interpretação do sonho de Nabucodonosor feita por
Daniel. Surge agora o terceiro império, o dos gregos.
O fim de Alexandre
Assim afirma Berthe: “Feliz Alexandre se tivesse conhecido e servido o Deus que lhe havia
dado o império do mundo! Mas, depois de ter vencido tantas batalhas, destruído tantas fortalezas,
matado tantos reis e visto a terra muda à sua frente, o seu coração se inchou de orgulho e se
considerou um deus. A partir daí, para lembrar-lhe que não passava de um homem, o Todo-
Poderoso estendeu-o no seu leito aos trinta e dois anos e Alexandre Magno morreu depois de ter
reinado apenas doze anos.
No seu leito de morte, repartiu os seus estados em quatro reinos, segundo a profecia de
Daniel. Dois desses reinos compreendiam o Ocidente, e os outros dois, o Oriente. À Síria foi dada
como rei um homem chamado Seleuco, e o Egito e a Palestina foram confiados ao rei Ptolomeu”.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
50
Observa-se que os costumes pagãos dos gregos foram introduzidos e impostos aos hebreus.
Foram construídos templos aos deuses do Olimpo, academias para os jovens e jogos públicos em
honra a Hércules.
Os Macabeus
Após muitas fraudes, Antíoco assumiu o protetorado dos judeus, redobrando o sofrimento
do povo. Durante a perseguição, sobressaíram em virtude o velho Eleazar, os sete filhos e sua mãe
e o sacerdote Mathatias com seus cinco filhos, João, Simão, Judas, Eleazaro e Jonathas.
Judas, à frente do exército, teve logo ocasião de mostrar o seu valor contra Apolônio, chefe
da Judeia a mando de Antíoco, que tinha vindo atacá-lo com um formidável exército. Judas saiu-
lhe ao encontro com um exército bem menor, mas, confiando no auxílio divino, desbaratou o
inimigo, a muitos matou, aos demais pôs em fuga. O próprio Apolônio morreu na batalha. Judas
tornou-se o leão sempre pronto a atacar a presa, a glória e o libertador de Israel.
Depois da morte de Simão, o último dos filhos de Mathatias, o governo da Judeia passou
por diversas mãos indignas. Até que Pompeu, general romano, marchou contra Jerusalém e a
tomou. A partir desse momento a Judeia passou a ser uma província sob o comando dos romanos.
Atividades
Capítulo
6
O S egípcios desenvolveram, nas proximidades do Rio Nilo, no nordeste do continente
africano, uma civilização incrível e cheia de mistérios.
As cheias do Nilo
A civilização egípcia só pôde desenvolver-se nessa região graças às cheias do Rio Nilo. Em
alguns meses do ano chove na região, fazendo o rio transbordar. Quando as chuvas param, o rio
volta ao seu leito normal, deixando uma vasta região fertilizada para o plantio. O historiador grego,
Heródoto, disse que o Egito é um presente do Nilo.
Uma frase dos antigos egípcios sintetiza bem tal fato: ‘O Egito apresentava durante o ano
três aspectos. Primeiramente era um pouco de areia; depois tornava-se um mar de água; e
finalmente transformava-se num mar de flores’. Isto se explica facilmente. Era um mar de areia nas
secas, antes da enchente do Nilo; um mar de água durante a cheia do mesmo rio; e um mar de flores
após a descida das águas desse rio, isto é, quando o Egito se enche de flores devido à fertilidade da
terra, flores estas que se transformavam posteriormente em frutos.
O Egito foi palco de grandes acontecimentos históricos e possuía uma vocação singular dada
por Deus, pois este país está presente constantemente na Sagrada Escritura. Vejamos alguns
exemplos:
1. O Egito formou um poderoso império em uma região desértica.
2. José, filho de Jacó, após interpretar o sonho do Faraó, tornou-se um governante do Egito,
possibilitando a sobrevivência de toda a sua família diante da fome e da seca. Da herança de Judá,
filho de Jacó, é que nos veio o Messias.
3. Os egípcios escravizaram, depois de um século, os hebreus, causando-lhes muitos sofrimentos.
4. Moisés libertou o povo eleito após as dez pragas que Deus mandou para castigar os egípcios e
abriu o Mar Vermelho.
5. O fato mais impressionante foi que a Sagrada Família (Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa
Senhora e São José) se dignou habitar essa região; como que um consolo após a triste história de
violência contra o povo hebreu. O Senhor sempre castiga o pecador, mas também oferece a
oportunidade de arrependimento e conversão.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
54
6. Outro fato curioso é que depois de Cristo, o Egito foi evangelizado e foi palco do surgimento da
vida consagrada, como exemplo, Santo Antão. A vida consagrada foi um fruto preciosíssimo
suscitado pelo Espírito Santo para a restauração do amor incondicional e a entrega de vida a Deus.
7. Infelizmente, esta região foi tomada pelos infiéis filhos de Maomé, no processo de expansão à
força do islamismo. Até hoje a maior parte da população egípcia é muçulmana.
Foto de satélite do Rio Nilo. Perceba que a vegetação acompanha o leito do rio.
A escrita egípcia
Os egípcios desenvolveram três tipos de escritas:
1. O hieróglifo (sinais sagrados): destinava-se somente aos monumentos;
2. O hierático: abreviatura da precedente, era usado somente pelos sacerdotes.
3. O demótico: escrita amplamente difundida entre a população.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
55
Escrita hieroglífica
A escrita hieroglífica (do grego hierós = sagrado + glýphein = escrita), é constituída por
pequenos desenhos ou traços chamados hieróglifos, os quais representam sílabas em alguns casos
e ideias em outros. Ela foi decifrada em 1822 pelo linguista francês Jean-François Champollion, o
qual passou a ser considerado como o pai da egiptologia.
Nos conhecimentos científicos os egípcios atingiram um desenvolvimento muito notável, a
ponto de já o Egito ser considerado pelos gregos como a terra clássica da ciência. Sobretudo os
egípcios cultivaram com esmero a geometria, (que se diz ter sido inventada por eles, com o fim de
regularizar a distribuição das propriedades após as inundações do rio Nilo), a astronomia, a
hidráulica e a medicina.
O sábio grego Pitágoras esteve por alguns anos numa escola
sacerdotal egípcia, onde foi iniciado no conhecimento de muitas
proposições geométricas.
Pela observação dos astros, os egípcios elaboraram um
calendário solar – base do nosso – de 12 meses, com 30 dias cada,
e dividiram o dia em 24 partes: 12 diurnas e 12 noturnas.
Há muitos mistérios nas construções egípcias que até hoje
intrigam os estudiosos. Como esse povo, sem a nossa atual
tecnologia, fez essas obras? Os conhecimentos de matemática,
engenharia, astronomia, etc., encontrados no Egito, não deixam
menos espantados os homens de nossos dias.
Os egípcios escreviam, principalmente, em um papel feito
com um junco presente no rio Nilo. Esse papel ficou conhecido
como papiro. Contudo, também usavam o couro. Fragmento de Papiro
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
56
A formação do Egito
As Sagradas Escrituras nos relatam que os descendentes de Mizraim, filho de Cam,
transpondo o istmo de Suez se estabeleceram na região do Vale e do Delta do Rio Nilo fundando
um grande número de zonas autônomas chamadas nomos. Antes da formação do Império Egípcio
o Egito era dividido em Nomos, pequenas províncias (regiões), cada qual com uma cidade como
capital. Cada Nomo possuía seu deus particular e suas tradições. O líder de cada Nomo se chamava
Nomarca. Com o tempo, formaram-se dois reinos no Egito, o Reino do Norte e o Reino do Sul. O
rei do Sul (Menés ou Narmer) conquistou o Norte e unificou o país, tornando-se o primeiro Faraó
(rei) do Império Egípcio.
História política
A história política do Egito pode ser dividida em diversas partes, mas preferimos adotar a
divisão mais simples, ainda que a mais importante, para facilitar o estudo:
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
57
1. Antigo Império.
2. Médio Império.
3. Novo Império.
Agora, veremos brevemente as principais características de cada parte.
Antigo Império
Capital do Império: Mênfis.
Durante este período onde foi criada a figura do faraó, os egípcios fizeram notáveis
progressos na agricultura, por meio de canais de irrigação, além da construção de grandes
pirâmides. Neste período, o Egito teve uma profunda paz interior e mantinha-se completamente
isolado dos outros povos.
Características:
1. Construção das pirâmides de Gizé.
2. Estabilidade política e econômica.
3. Grande expansão territorial: conquista da Núbia, da Líbia e da Península do Sinai.
4. Diante dos ataques externos e da crise da descentralização política, o Antigo Império chegou ao fim.
Pirâmide de Gizé
Os últimos cem anos do Antigo Império foram de crise. A autoridade do faraó viu-se
debilitada, a nobreza administrativa tomou-lhe algumas atribuições, espalhou-se a anarquia e
chegou-se inclusive até a guerra civil. Esse foi o chamado Primeiro Período Intermediário ou de
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
58
Transição, onde o país se dividiu em dois, com um estado ao norte cuja capital foi Heracleópolis e
outro ao sul com a capital em Tebas. Os príncipes de Tebas lutaram pelo restabelecimento da
unidade.
Médio Império
Capital do Império: Tebas.
Depois de uma série de guerras o faraó Mentuhotep II, monarca do sul, reconquistou o poder
e unificou novamente o Egito, fazendo de Tebas a nova capital. Esta nova fase foi marcada pela
prosperidade política e econômica, pelo florescimento das artes, onde desenvolveram-se as tumbas
escavadas nas rochas como se pode ver no Vale dos Reis. Foram construídos também grandes
palácios e santuários como o de Karnak.
Características
1. Domínio dos príncipes de Tebas e nova centralização do poder.
2. Desenvolvimento do culto a Amon.
3. Formação de um exército profissional.
4. Expansão territorial: Núbia, Sudão e Palestina.
5. Foram conquistados pelos hicsos no séc. XVIII a.C.
Houve um novo processo de desintegração do estado egípcio, produzindo divisão e confusão
interna, fato que facilitou a invasão dos hicsos (povo pastor de origem semita). O êxito dos hicsos
deveu-se ao uso da cavalaria e dos carros de guerra, armas desconhecidas pelos egípcios.
Inicialmente a ocupação dos hicsos limitou-se à porção oriental do Delta do rio Nilo, mas, após
fundarem a cidade de Aváris como sua capital, eles submeteram todo o Delta e parte do Alto Egito.
Neste período deu-se a entrada dos hebreus no país.
Novo Império
Capital do Império: Tebas.
Após um longo período de dominação dos hicsos (cerca de quatro séculos), Amósis I, rei de
Tebas, lançou uma bem sucedida campanha militar contra os invasores, expulsando-os de Aváris e
perseguindo-os até a Palestina. Com isso, o Egito foi reunificado, iniciando-se assim a fase
conhecida como Império Novo, era de prosperidade e expansionismo. Os sucessores de Amósis I
(Amenófis I e Tutmósis I) continuaram a sua obra e, fazendo novas conquistas, levaram as
fronteiras do império até a 3ª catarata do Nilo, na Núbia, ao Sul, e até o rio Eufrates na Síria, ao
Leste. O Egito tornou-se assim a maior potência do Oriente próximo. A característica marcante
deste período foi o constante estado de guerra em que viveu o Egito, provocado pelo expansionismo
de precaução, ou seja, pelas conquistas territoriais executadas para conter possíveis invasões, fato
que provocou a formação de um exército permanente. As capitais imperiais foram Tebas e Mênfis
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
59
conjuntamente. O faraó Tutmósis III expandiu o Egito até a 4ª catarata do Nilo, atingindo assim a
maior extensão territorial do império.
Características
1. Expulsão dos hicsos de seus territórios.
2. Derrota dos hititas sob o governo de Ramsés II e definição de fronteiras com o poderoso Império
assírio.
3. Saída do Povo Eleito (hebreus) do Egito.
4. Após muito tempo, Cambises, imperador persa, conquistou o Egito e pôs fim ao Império.
Já sob os sucessores de Ramsés II, começou o declínio do Império Novo. Ramsés III teve
de repelir os ataques sucessivos dos Povos do Mar, aliados aos líbios, fato que debilitou o poderio
egípcio, o qual deixou de ser a potência predominante da região.
Devido a conflitos internos entre a nobreza e os sacerdotes, o Egito entrou num lento declínio
que provocou outra fragmentação política e social. Surgiu então uma nova classe: a dos
comerciantes e prestamistas (pessoas que faziam empréstimos). Ao longo deste período, o Egito
sofreu o domínio de diferentes povos estrangeiros como os líbios e núbios. Entretanto, os
conquistadores não anularam a cultura egípcia, mas, pelo contrário, a assimilaram. Durante a
dominação núbia, o Egito foi governado por faraós negros.
Após isto, os egípcios foram dominados pelos Assírios, pelos Persas, pelos Gregos, pelos
Romanos e, finalmente, pelos árabes. “Nunca mais príncipes nacionais governaram o território,
conforme havia predito o profeta Ezequiel” (Pe. Raphael Galanti, S.J.)
Sociedade egípcia
Os egípcios provieram de várias raças asiáticas e africanas, que podem subdividir em raças
semíticas, líbias e mediterrâneas. Eram resignados, alegres e laboriosos.
A base da constituição social era a divisão da população em castas. A posição privilegiada
estava ocupada pelo faraó e sua família. Ele era o soberano hereditário e absoluto, respeitado como
um deus por ser considerado de ascendência divina, tido, portanto, como “senhor de todos os
homens e dono de todas as terras”. O estado egípcio era uma monarquia teocrática, ou seja, de
direito divino, onde o faraó era o centro de tudo. Era ele que nomeava os sacerdotes, os altos
funcionários e os escribas (homens designados para registrar em papiro ou nas paredes dos
monumentos os grandes acontecimentos do reino, as virtudes do faraó, além da contabilidade dos
templos, palácios e aldeias).
Em seguida vinha a classe dos sacerdotes, cuja função era também hereditária. Eles
possuíam 1/3 do solo egípcio, tinham imensos bens, exerciam grande número de cargos públicos,
monopolizavam a cultura das ciências, e verdadeiramente exerciam a direção do estado (governo
teocrático) pela grande influência que tinham sobre o faraó.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
60
Vida econômica
O Egito devia sua prosperidade ao rio Nilo, o qual, banhando as terras arenosas desse país
deixavam-nas fertilíssimas.
A prodigiosa fertilidade das margens do Nilo, regularmente beneficiadas com o limo
depositado pelas inundações do rio, fazia com que a maior parte da população se dedicasse à
agricultura, à qual atingiu grande prosperidade, auxiliada por um vasto sistema de canais e outros
mecanismos para irrigação. A indústria também chegou a um importante desenvolvimento,
atestado pela perfeição dos objetos que tem sido encontrado nas explorações arqueológicas.
Basicamente, a economia egípcia era composta pelas seguintes áreas:
3. Caça e pesca.
4. Relações comerciais.
Religião
Os egípcios eram um povo extremamente religioso. Adoravam grande número de animais e
até plantas, de modo que entre eles, Diz Bossuet, “tudo era deus, exceto o próprio Deus”.
Veneravam especialmente o boi Ápis.
Principais características da religião egípcia:
1. Politeísmo: acreditavam em vários deuses
2. Os deuses eram antropozoomórficos, ou seja, possuíam forma humana e animal.
3. Crença na vida após a morte (pirâmides e mumificação)
4. Predominância do culto sobre a doutrina: os egípcios valorizavam muito os cultos prestados aos
deuses, não se importando tanto com a doutrina religiosa
5. Exemplos de deuses egípcios: Ámon (deus do Sol), Anúbis (deus dos mortos), Hórus (deus da
monarquia faraônica), Ísis (esposa de Osíris) e Osíris (deus da fecundidade).
O legado egípcio
A civilização egípcia deixou para a história um vasto legado até hoje percebido em nossa
cultura.
As artes: as pirâmides, os palácios, os marfins trabalhados, os tecidos bordados, os sarcófagos
demonstram a riqueza artística dos egípcios.
As ciências: geometria, medicina, astronomia.
A filosofia: podem-se encontrar os fundamentos do “conhece-te a ti mesmo” de Sócrates e o mundo
das ideias de Platão na filosofia egípcia
A escrita: provavelmente a escrita egípcia influenciou a formação do alfabeto fenício.
O papiro: o papiro foi oferecido pelos egípcios a toda a Antiguidade e era utilizado para a escrita.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
63
Atividades
Capítulo
7
E
STUDAREMOS a partir de agora os Povos da Mesopotâmia. Esse povo viveu em uma
região chamada Mesopotâmia, palavra grega que significa “região entre rios”, pois se
localizava entre os rios Tigre e Eufrates.
O Crescente Fértil
A região do Oriente Médio que vai da Mesopotâmia, passa pela Síria, pela Palestina e chega
até o Egito é conhecida pelo nome de Crescente Fértil, porque tem a forma aproximada de uma lua
crescente e é irrigada por rios que a tornam muito favorável à agricultura.
Esse território é chamado também de Berço da Civilização, pois nele foram encontradas as
mais antigas cidades e documentos de que se tem notícia.
A Mesopotâmia (do grego mésos =
meio + potamós = rio) leva esse apelativo
por estar localizada entre dois grandes
rios: o Tigre e o Eufrates. Nela se encontra
atualmente o Iraque, a Síria e a Turquia.
Grosso modo, pode se dizer que a
Mesopotâmia divide-se em Alta - ao norte,
região da Assíria (árida e montanhosa) - e
Baixa, ao sul, também conhecida como
Caldéia (local de pântanos e alagadiços).
A fertilidade da Baixa
Mesopotâmia, porém, opõe-se à sua
pobreza em madeiras, minerais e matérias-
primas, o que fez da argila um dos
elementos básicos para o desenvolvimento
dos povos que ali se fixaram.
Os mesopotâmios eram politeístas
(adoravam vários deuses) e
fundamentavam seu culto nas forças da
natureza: raio, fogo, furacão, rios,
montanhas, etc. Dentre as principais Mapa do Crescente Fértil
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
66
divindades adoradas destacam-se os astros, Marduk, deus da Babilônia; Samash, deus do Sol e da
justiça; Anu, deus dos céus; Enlil, deus do ar; e Ishtar, deusa da guerra. Os mesopotâmios não
davam importância à vida após a morte, mas almejavam uma longa existência terrena.
Desprovida de defesa natural, a Mesopotâmia permitia fácil acesso a populações nômades,
que atraídas pela fertilidade do lugar migravam para essa região, entrando em conflito com os
ocupantes anteriores, a fim de ali se estabelecerem. Isso tornou a história política da região muito
agitada, pela ascensão e declínio de diversos povos como os sumérios, acádios, amoritas, assírios,
etc., fato que impediu a formação de um império local duradouro.
Povos da Mesopotâmia
Entre os povos antigos que habitaram a Mesopotâmia merecem destaque:
1. Os Sumérios.
2. Os Acádios.
3. Os Babilônicos.
4. Os Assírios (conquistados posteriormente pelos caldeus)
Esses povos viviam basicamente da agricultura possibilitada pela existência dos rios (Tigre
e Eufrates). Para melhorar o abastecimento de água construíam diques, reservatórios e canais de
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
67
irrigação. Dessa forma, puderam construir grandes impérios em uma região que possui um clima
árido.
O solo da Mesopotâmia propriamente dita compreende uma extensão de 270.000 Km2. Este
solo é de uma fertilidade espantosa. O trigo, nesta região, é nativo e pode ser colhido três vezes por
ano. As terras da Mesopotâmia são, portanto, ótimas para a agricultura. Porém, se é verdade que
este solo ubérrimo produz, até sem que nele se plante, também é certo que tal não aconteceria se
ele não fosse irrigado, porque nessa região há falta de chuvas abundantes; os terrenos pouco férteis
eram aproveitados por meio da canalização das águas. Da mesma maneira procediam os egípcios
com as águas do Nilo. Os habitantes da Mesopotâmia construíram canais ladrilhados, para
aproveitarem os terrenos que só produziam quando irrigados. Assim as águas eram transportadas,
por meio de grandes braços, a regiões as mais remotas. Esse povo auferia destes canais duas
vantagens: 1) os canais eram utilizados para a fertilização de certos tratos de terra; 2) eles eram
navegáveis. A situação geográfica da Mesopotâmia colocava-a na possibilidade de um
desenvolvimento comercial extraordinário, porquanto era passagem forçada para todas as
caravanas da Ásia. Por outro lado, o povo que habitava a Mesopotâmia tinha uma grande tendência
para o comércio, que atingiu um alto grau de desenvolvimento.
No aspecto religioso, os povos mesopotâmicos eram, na maior parte das vezes, politeístas,
isto é, acreditavam na existência de vários deuses. A religião pedia sacrifícios violentos, e não raro
havia sacrifícios humanos. Acreditavam também na divindade e no poder dos astros. Este culto deu
notável impulso à astronomia. Vejamos o que diz Javier Vergara sobre as pesquisas astronômicas
dos mesopotâmicos:
“Provavelmente os mais antigos observatórios astronômicos que se tenham construído foram os ‘Zigurats’
da Mesopotâmia, torres piramidais construídas pelos sumérios e os contemporâneos babilônicos. O mais
famoso, e quiçá o maior, provavelmente tenha sido a Torre de Babel, dedicada ao deus Marduk (Júpiter), a
que se estima que alcançou uma altura de 892 metros (um prédio de 300 andares)”.
Sumérios
Os sumérios formaram várias cidades na região da Mesopotâmia sem, contudo, construir um
império. Uma das principais características desse povo é que se organizavam em cidades-Estados.
Cidades-Estados são um conjunto de cidades onde cada uma é governada por um rei-sacerdote
(chefe religioso e político), possuiu um exército e costumes próprios mesmo, normalmente, fazendo
parte de um mesmo povo – isto é, não possuíam um governo central. Leiam o que Daniel Rops
afirma sobre os sumérios:
“Foram esses sumérios que iniciaram toda a Mesopotâmia na civilização. Deles vieram os métodos de
irrigação, de plantação e de construção, os maiores mitos religiosos, os princípios jurídicos. Alguns dos
temas fundamentais de nosso pensamento têm as suas raízes na terra de Súmer. Pode-se dizer que os
Sumérios desempenharam, em relação às regiões do Eufrates, o papel dos Latinos na elaboração das
sociedades ocidentais. Mas, contrariamente a Roma, Súmer nunca teve a ideia de unificar o país. Cada
cidade – Ur (cidade de Abraão), Lagash, era um minúsculo estado dirigido por um régulo, o ‘patési’,
vigários do deus local”. (DANIEL ROPS)
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
68
Essa frase mostra que os Sumérios desenvolveram uma grande civilização na região da
Mesopotâmia. Possuíam uma política e sociedade complexas, técnicas de agricultura avançadas,
como canais de irrigação, domínio de astronomia e matemática.
Os Sumérios são conhecidos por serem os primeiros a construírem cidades nessa região.
Para o serviço administrativo do templo, os sumérios criaram uma antiga forma de escrita chamada
cuneiforme, por estar composta de caracteres em forma de cunha. Eles inventaram a roda, dividiram
o ano em 12 meses, foram os primeiros astrônomos, distinguiam os planetas das estrelas,
identificavam constelações, sabiam predizer eclipses, entendiam as fases da lua, conheciam (sem
telescópio) os planetas de nosso sistema solar, incluindo Urano, Netuno e Plutão que só foram
descobertos pelos modernos observadores em 1781, 1846 e 1930 respectivamente. Os sumérios
criaram um sistema numérico, um calendário lunar, mediam o tempo com relógios de sol e de água,
utilizavam um sistema bancário, conheciam medicina e farmacologia, cultivavam a história e a
poesia, inventaram sistemas de irrigação e construção de represas, etc.
Acredita-se que os Sumérios foram conquistados por um outro povo conhecido como
Acádio, o qual construiu um vasto império na região sob o governo de Sargão I.
Os Acádios
Desde 2800 a.C. começou uma lenta imigração de povos semitas provindos da Arábia, que
foram instalando-se no centro e no norte da Mesopotâmia, formando pequenos reinos como Elam,
Mari, Ebla e Assur. Eles desenvolveram uma cultura mista, conservando sua língua semita e
adotando os costumes sumérios.
Os acádios - descendentes de Sem – se estabeleceram no centro da Mesopotâmia. Invadiram
Sumer, dominando as cidades-estados e os outros reinos semitas. Sua superioridade baseava-se
numa nova tática de guerra de movimento, com utilização de javelinas (lanças para serem atiradas
à distância), arcos e flechas, contra o lento e pesado exército sumério de longas lanças e grandes
escudos.
Por esse meio, o rei, Sargão I fundou o primeiro império historicamente conhecido: o
Acádio, que se estendia desde o golfo Pérsico até o Mar Mediterrâneo. Sua capital foi Acádia,
chamada também como Agadé ou Akkad.
O rei pretendia ser um “deus” e se autodenominava “senhor dos quatro cantos do mundo”.
A cultura floresceu na corte de Akkad e os escribas acádios absorveram e desenvolveram as
tradições sumérias. Os deuses acádios se misturaram com os dos sumérios.
O Império Acádio sucumbiu diante da invasão de uma enigmática população: os gútios,
nômades bárbaros provindos dos Montes Zagros, no Irã.
Foi o rei Hamurabi por volta do ano 1790 a.C., que levou este Primeiro Império Babilônico
ou Paleobabilônico ao seu apogeu, conquistando e unificando a Mesopotâmia, organizando-a
política e religiosamente. O rei elaborou o primeiro código de leis escritas de que se tem informação
na história, conhecido como Código de Hamurabi, o qual se baseava na chamada Lei ou Pena de
Talião24, que consistia em castigar os crimes com rigorosa reciprocidade (“olho por olho, dente
por dente”).
Durante o reinado de Hamurabi deu-se a emigração do patriarca Abraão, de Ur para Canaã.
Assírios
Os Assírios conquistaram os Amoritas e formaram um dos maiores impérios da história.
Vimos nos capítulos anteriores que os assírios representavam a cabeça de ouro no sonho de
Nabucodonosor interpretado pelo profeta Daniel.
A capital do Império era a cidade de Nínive. Um dos principais imperadores dos assírios foi
Assurbanipal, que organizou um exército profissional o qual era conhecido pela extrema violência
sobre os povos dominados.
Acredita-se que os assírios sejam descendentes de Assur, segundo filho de Sem, filho do
patriarca Noé.
A história assíria está dividida nas seguintes etapas:
Período Médio
Nessa época destacaram-se os seguintes monarcas na Assíria:
Assur-Uballit I (1363-1330): fundador do I Império Assírio, propriamente dito, que levou suas
conquistas desde parte da Babilônia até a fronteira hitita.
Salmanasar I (1274-1245 a.C.): grande guerreiro, o qual conquistou oito territórios em apenas 3
dias. Foi ele que transladou a capital do império para a cidade de Kalach.
Tukulti Ninurta I (1244-1208 a.C.): em conquistas ele superou seus antecessores. Submeteu os
povos dos Zagros e a Babilônia. Depois de ser assassinado por seu filho e sucessor, a Assíria entrou
num período de decadência e a Babilônia se tornou independente.
Teglat-Falasar I (1115-1077 a.C.): iniciou um novo apogeu assírio, conquistando a Fenícia e
dirigindo campanhas ao norte contra o reino de Urartu. Ele submeteu novamente a Babilônia e
transladou novamente a capital do império para Assur. Foi um dos maiores conquistadores assírios,
sabendo aproveitar a fraqueza do Egito e dos hititas, após a invasão dos Povos do Mar. Foi
responsável pelo aumento do número de edifícios e aperfeiçoou o exército. Após sua morte, o
império entrou em declínio com seus sucessores, até 911 a.C.
Religião25
O deus principal dos assírios era Assur, divindade protetora da cidade de mesmo nome. Era
considerado o rei dos deuses, sobretudo o deus da guerra. Também existia um culto importante à
deusa Ishtar, cujo rito envolvia imoralidades e a Sin, deus da lua. O monarca agia como sumo
sacerdote de Assur.
Era muito comum entre os assírios a adivinhação através da observação das vísceras dos
animais, bem como a astrologia. A religião popular adotou a forma de magia e bruxaria, existindo
feitiços para quase todos os aspectos da vida.
25
Os deuses pagãos nada mais são do que demônios.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
71
Governo
O rei era um monarca absoluto, chefe do exército, da administração e da corte. Era dono de
tudo em nome do deus Assur, embora tendo que respeitar os costumes referentes às classes
superiores, aos templos e às cidades. Seu sucessor seria o seu filho primogênito.
Direito
As leis assírias baseavam-se nos costumes. Normalmente as disputas legais se resolviam
privadamente entre ambas as partes, mas caso isso não surtisse efeito, intervinha um funcionário
do Estado no assunto e, em último caso, recorria-se a uma ordália (juízo dos deuses), ou seja, a
uma determinada prova pela qual as divindades se manifestavam, a fim de solucionarem a questão.
As penalidades para o culpado podiam ser, entre outras: queimar o seu filho primogênito, furar sua
orelha e puxá-la com uma corda, arrancar seu lábio inferior ou o nariz, empalá-lo, fazê-lo engolir
um punhado de lã ou obrigá-lo a oferecer dez cavalos brancos a um deus...
Arte
A arte assíria é marcada pelo realismo, com estátuas e baixos relevos que retratam o feitio
belicoso do povo.
Conquistadores cruéis
O Império Assírio expandiu seu território por meio de conquistas militares, obtendo grande
êxito, graças ao empenho de seus belicosos guerreiros, vestidos com capacete cônico e armadura feita
de escamas de bronze. Eles contavam com armas muito resistentes, máquinas de assédio, cavalaria,
carros de guerra e, de modo especial, com excelentes arqueiros, tidos como o coração do exército.
Os povos conquistados sofriam terrivelmente nas mãos dos assírios, tidos como os homens
mais cruéis da antiguidade. À sua passagem, os combatentes de Assur deixavam um rastro de
cadáveres despedaçados, esfolados, empalados, carbonizados, desonrados, etc.
Em certa ocasião, um rei cercado pelos assírios resolveu se entregar, juntamente com os seus
súditos, desde que não houvesse “derramamento de sangue”. O monarca que sitiava a cidade
prometeu cumprir sua palavra e, pouco depois... ordenou que todos os seus inimigos fossem
enterrados vivos!
Não menos triste era a sorte dos sobreviventes, submetidos a uma brutal escravidão ou à
deportação para outras regiões, enquanto sua pátria era ocupada por outros povos capturados.
Certos reis, para conseguir evitar a dominação assíria pela força, submetiam-se a eles,
pagando-lhes pesados tributos. Essa política de intimidação e terror, suscitava constantes revoltas
contra o jugo dos assírios, obrigando-os a contínuas expedições militares.
A falta de diplomacia e as repetidas guerras, será um dos fatores da queda do Império Assírios.
Os Assírios foram conquistados pelo Caldeus, povo que vivia no sul da Mesopotâmia.
Contudo, os caldeus, cujo principal rei foi Nabucodonosor, mantiveram as estruturas políticas e
culturais dos assírios, mudando a capital para Babilônia, formando o Segundo Império da
Babilônia. Sob o comando de Nabucodonosor, os caldeus conquistaram a Palestina (exílio da
Babilônia) e o Egito.
O Império Neo-babilônico26
Depois da morte de Assurbanípal, rei da Assíria, Nabopolasar, caldeu e governador da
Babilônia, aliou-se com Ciaxares, rei dos medos, para dominar os territórios do Império Assírio. A
guerra foi bem sucedida para eles que acabaram conquistando seu objetivo, após destruírem a
cidade de Nínive.
Ciáxares ficou senhor da Mesopotâmia Setentrional, da Armênia e de partes da Ásia Menor.
Os territórios conquistados por Nabopolasar deram origem ao Segundo Império Babilônico ou
Neobabilônico, que perdurou de 626 a.C. a 539 a.C., e cuja capital era a cidade de Babilônia.
Principais reis
Nabucodonosor (604-562 a.C.), que sucedeu seu pai Nabopolasar no trono, expandiu o
Império e com as riquezas adquiridas, reconstruiu Babilônia dotando-a de uma grande muralha e
26
Como foi dito acima, os assírios foram conquistados pelos caldeus. Porém, estes mantiveram as estruturas dos assírios.
Deste modo, podemos dizer que o império neo-babilônico é uma extensão dos assírios.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
73
edificou vários templos. Entre as obras concebidas pelo monarca, merece especial destaque os
Jardins Suspensos da Babilônia, uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, trabalho que ele
realizou para sua esposa Amitis. Essa construção contava com seis magníficos jardins colocados
sobre terraços escalonados, sustentados por imponentes colunas.
Após Nabucodonosor, reinou em Babilônia seu filho Evil-Merodaque (561-560 a.C.) que
acabou sendo assassinado por seu cunhado Neriglissar, o qual usurpou o trono. Neriglissar (559-
556 a.C.) obteve sucesso em suas expedições militares e quando morreu, foi sucedido por seu filho
Labashi-Marduk (556-555 a.C.), que por sua vez também foi morto e substituído por Nabonido
(555-539 a.C.). O último rei babilônio foi o filho de Nabonido, chamado Baltazar.
Artes
Em matéria de artes os babilônios progrediram singularmente na arquitetura e no fabrico de
estátuas. Dentre as muitas obras arquitetônicas, merece destaque a Porta de Ishtar (dedicada à deusa
da fertilidade), uma das oito entradas para a Babilônia.
A Porta de Ishtar era o termo do Caminho das Procissões, trajeto de cerca de um quilômetro,
percorrido nas festas de fim de ano pelos babilônios, os quais portavam estátuas dos deuses que
veneravam.
Adornada com tijolos azuis e brilhantes, enfeitada com baixos relevos de dragões dourados
e leões, a Porta de Ishtar dava acesso ao Zigurate Etemenanki, templo e fortaleza de
aproximadamente sete andares e noventa metros de altura, dedicado ao deus acádio Marduk ou Bel,
a maior divindade da cidade.
Ciências
Os babilônios cultivavam pouco a poesia, mas possuíam muitos conhecimentos científicos.
Eles determinaram os signos do zodíaco, estabeleceram as relações do ano lunar com o solar,
previram os eclipses da lua e um do sol, adotaram um calendário superior ao dos egípcios,
conheceram a duração quase exata do ano, descobriram a força impulsora do vapor e, em física e
matemática, superaram os povos asiáticos.
Economia e costumes
Na Babilônia o comércio se desenvolveu de maneira tão vigorosa, que essa cidade foi
considerada como o centro e o mercado comum da Ásia Ocidental.
Em matéria de costumes, as classes altas viviam luxuosamente tanto em matéria alimentar
como nos trajes, utilizando ouro e pedrarias em suas vestimentas.
Embora a monogamia fosse muito generalizada e respeitada por esse povo e as núpcias se
fizessem através de rituais religiosos, ele nunca aboliu a poligamia e certos cultos imorais como,
por exemplo, o da prostituição sagrada em honra à deusa Milita.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
74
Atividades
Capítulo
8
C
ONFORME estudamos nos capítulos anteriores, Nabucodonosor teve um sonho
interpretado pelo Profeta Daniel, onde uma grande estátua composta de diversos
elementos era destruída por uma pedrinha que rolou de uma montanha. Vimos que essa
estátua representava os quatro grandes impérios: Assírios, Persas, Gregos e Romanos. A pedrinha
simbolizava Jesus Cristo e Sua Igreja que estabeleceram um Reino sem fim.
A força e a expansão do império persa tiveram início quando os persas, povo que vivia no
Planalto do Irã, conquistaram os Medos. Os Persas dominaram boa parte da Ásia Menor, formando
um dos maiores impérios da História.
Medos e persas
Geografia
A Média e a Pérsia situavam-se na região denominada Irã, que se estendia para leste do rio
Tigre, desde a Armênia e o Mar Cáspio, ao norte, até o mar Eritreu (hoje mar das Índias), ao sul.
Observe o mapa: a linha verde escura indica o território da Pérsia no início de sua história. Com as conquistas o território se
expandiu (região verde clara). A estrada real facilitou muito a expansão e administração deste vasto império.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
76
Fontes históricas
Temos informações destes povos por alguns escritores antigos. A Bíblia enumera
igualmente vários dados sobre eles. Os conhecimentos mais exatos que possuímos da civilização
irânica nos vem principalmente das investigações arqueológicas modernas. Os principais centros
de estudos são Susa, Persópolis e Persagardes.
Divisão da história
A história dos antigos povos que habitaram o Irã pode dividir-se em três períodos:
1° Período: Vai da fundação do reino por Quiáxares até Ciro, o Grande (tempo da supremacia da
Média).
2° Período: Vai desde Ciro até Dario I (tempo da supremacia da Pérsia);
3° Período: Vai desde Dario I até a destruição do Império Persa. Foi Alexandre Magno quem
arruinou o império da Pérsia, com a vitória obtida contra Darío Codomano.
Média que é tido como o verdadeiro fundador da monarquia médica. Para vingar a morte de seu
pai, falecido no combate contra os assírios, com a ajuda de Nabopolasar, rei de Babilônia,
Quiáxares acabou com o Império da Assíria ao tomar a cidade de Nínive, como já estudamos
anteriormente. Ele também se apoderou das bacias superiores dos rios Tigre e Eufrates e depois
dirigiu as suas armas contra a Ásia Menor fazendo guerra aos lídios.
Segundo a tradição grega, Ciro morreu nove anos depois, vítima de uma traição, na guerra
contra os messagetas, povo bárbaro e valoroso estabelecido ao norte da Sogdiana, e que constituía
uma tribo dos citas.
Revoltas na Pérsia
Com efeito, enquanto Cambises II estava no Egito, os magos da Pérsia espalharam a notícia
de que Smerdis (irmão do rei que fora assassinado por este), na realidade estava vivo. Tratava-se
de uma fraude dos magos, os quais, levados pelo desejo de se libertarem do jugo de Cambises e
para assegurarem a sua influência no governo, apresentaram o irmão de um deles, o qual se parecia
muito com Smerdis.
Durou apenas sete meses o governo do falso Smerdis, pois os sete principais senhores da
Pérsia, havendo descoberto o embuste, fizeram uma conspiração e assassinaram o impostor e um
grande número de magos que o protegiam. Depois de restabelecida a tranquilidade, eles resolveram
que, para não fracionar o vasto império, a realeza deveria ser dada a um deles. Assim, Dario, filho
de Hystaspes, foi escolhido como rei dos persas.
Dario I
Apenas revestido da autoridade real em 521 a.C., Dario tratou logo de reconstituir a ordem
em todo o império. No entanto, Babilônia, aproveitando-se da agitação anterior, para sacudir o jugo
pérsico, rebelou-se contra o novo monarca. Dario pôs cerco à cidade, mas só a conseguiu tomar de
assalto, pela dedicação de seu amigo Zópiro. Com efeito, Zópiro havia se utilizado do seguinte
estratagema para apoderar-se de Babilônia: mutilou-se cortando próprio nariz e as orelhas e
infiltrou-se entre os babilônios afirmando que tornara-se inimigo de Dario, pois este o mutilara.
Por isso, Zópiro foi acolhido na Babilônia como um refugiado e recebeu um comando de
tropas. Após ter conquistado a confiança dos babilônios, Zópiro os traiu, abrindo algumas portas
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
79
da cidade, permitindo assim a entrada dos persas. Ao capturar Babilônia, Dario crucificou três mil
homens concedeu a Zóprio o governo vitalício desta cidade, além da isenção de impostos.
O reinado de Dario foi, depois do de Ciro, o mais guerreiro da Pérsia, distinguindo-se nele
três importantes expedições: à Índia, à Cítia e à Grécia.
Na Índia o rei submeteu a região ocidental do Indo, com a qual formou uma das mais
importantes regiões do império, e depois fez explorar as costas da Gedrósia e da Arábia.
Depois dessa expedição ele resolveu tentar outra, ainda
mais longínqua, contra os citas para destruir de vez esses
bárbaros, que ameaçavam as regiões da Ásia ocidental. Para isso
atravessou o Bósforo (hoje estreito de Constantinopla), passou o
Ister (rio Danúbio) numa ponte de barcas e encerrou-se na
Sarmácia (Rússia Meridional). Os citas, porém, fugindo
continuamente diante dele e destruindo todos os recursos,
obrigaram Dario a retirar-se sem outra vantagem além da junção
da Trácia ao seu vasto império.
A ambição de apoderar-se das colônias gregas da costa da
Jônia, para assim ter influência marítima no Mediterrâneo, levou
também Dario a iniciar as guerras contra a Grécia, que
estudaremos mais adiante.
Nem só, porém, nas empresas guerreiras se distinguiu
Dario; a sua ação tornou-se também notável na administração do
império, que por ele foi perfeitamente organizado e dividido em
circunscrições civis e militares denominadas satrapias. Cada uma Dario I
dessas circunscrições era governada por um sátrapa, o qual se
encarregava dos diversos ramos do serviço público. Além disto, o rei criou um sistema regular de
impostos, mandou construir estradas, estabeleceu uma corporação hierarquizada de funcionários
públicos, etc.
Ciências e artes
O progresso das ciências não foi muito considerável no Império Persa, que cultivou a
astronomia e correlativamente a astrologia.
Nas artes, os persas ficaram também muito abaixo dos assírios, cujos modelos de escultura
e arquitetura imitaram. Eles deixaram poucos monumentos para a posteridade; todavia as ruínas de
Persépolis ainda hoje atestam as magnificências desta capital imperial.
Fim do império
Durante o governo de Dario III, Codomano, Alexandre Magno, imperador macedônico,
invadiu a Pérsia a fim de conquistá-la. Após duas derrotas por Alexandre e morto pelo sátrapa
Besso, Dario ficou para história como o último rei da Pérsia.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
81
Atividades
Capítulo
9
Localização
Península balcânica (Europa). O território grego era dividido em Grécia peninsular, Grécia
Continental, Grécia Insular e Grécia Oriental. O litoral grego possui bastantes portos naturais,
facilitando a navegação e comércio marítimo. Suas terras eram pouco férteis, porém, os rios
ajudavam na agricultura.
Fontes Históricas
Temos duas fontes históricas da Grécia: as diretas e as indiretas. As diretas são os
historiadores seguintes: Heródoto, pai da História, que relatou os fatos das guerras médicas;
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
84
Tucídides, que continuou a história de Heródoto até a guerra do Peloponeso; Xenofonte, que levou
a história de Tucídides até a batalha de Mantinea (362 a.C.); Polibio; Plutarco; Deodoro da Sicilia;
Dionísio de Helicarnasso; entre outros.
As indiretas são oradores, retóricos, filósofos, gramáticos, poetas, geógrafos, as inscrições,
moedas, medalhas, obras de arte, etc.
As Migrações Helênicas
Os primeiros invasores da região grega foram os Aqueus, que formaram a Civilização
Micênica. Depois vieram os Jônios e os Eólios que se integraram a essa civilização. Os Dórios
permaneceram durante muito tempo na Europa Central, onde aprenderam o uso de armas de ferro.
Esse fato contribuiu para a dominação dórica sobre os aqueus.
1) Cretenses
“Há uma terra, no meio do mar vinoso, tão bela quão rica, isolada nas ondas; é a terra de Creta, com
inumeráveis gentes e noventa cidades, ... entre as quais Cnossos, grande cidade desse Rei Minos que o
grande Zeus, de nove em nove anos, tomava como confidente”. (HOMERO)
A civilização cretense se desenvolveu entre 2000 a.C. e 1400 a.C. Esta civilização deixou
um verdadeiro legado para a formação do futuro homem grego, o helênico.
Entre os três continentes (europeu, africano e asiático), Creta se tornou o ponto obrigatório
de parada para os comerciantes marítimos de todos os lugares. O interior da ilha possuía vasta
floresta e a agricultura era baseada em videiras, oliveiras, legumes e cereais.
A escrita cretense
Os cretenses desenvolveram a escrita hieroglífica A e B e a linear A e B. A linear A ainda
não possui decifração completa, porém, no século XX, graças a dedicação de um jovem arquiteto
chamado Michael Ventris, foi decifrada a linear B, forma arcaica do grego antigo.
A estrutura político-social-econômica
Ao longo de sua história, os cretenses tiveram duas capitais: Cnossos e Faestos. Os cretenses
viviam majoritariamente em cidades que circundavam os luxuosos palácios dos reis.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
86
O legado cretense
A herança que os helenos recolheram da civilização cretense abrangeu os mais variados
setores como a língua, a escrita, as artes, o esporte, a ciência, a agricultura, a técnica, a política e a
religião. Após construir um verdadeiro império, os cretenses foram conquistados pelos aqueus por
volta de 1400 a.C. Os aqueus absorveram grande parte da cultura cretense.
2) Micênicos (aqueus)
Período estudado: 1400 a 1100 a.C.
A civilização micênica antecedeu a civilização grega clássica. Os aqueus foram um dos
antepassados dos gregos antigos.
Localização
A sede da civilização micênica era a cidade de Micenas, localizada na região do Peloponeso
e cercada por barreiras naturais. Porém, essa civilização, seguindo os cretenses, expandiu sua
influência a muitas regiões.
Guerra de Tróia
Além de conquistarem os cretenses, os aqueus protagonizaram uma das histórias mais
conhecidas da Antiguidade: a Guerra de Troia. Esta guerra é relatada na obra Ilíada do poeta épico
Homero.
Provavelmente a guerra ocorreu
por volta de 1194 a 1184 a.C. Segundo
Homero, o motivo da guerra foi o
sequestro da rainha de Esparta, Helena,
por Páris, príncipe de Troia, gerando a
fúria do rei espartano Menelau. Troia
foi conquistada após um longo cerco
que terminou graças à estratégia do
Cavalo de Troia: como os gregos não
conseguiam destruir as muralhas de
Troia, recuaram seus exércitos,
deixando um cavalo de madeira
gigantesco e oco como “presente” aos
troianos, indicando que tinham
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
87
desistido da guerra. Porém, dentro desse cavalo havia soldados gregos. Quando os troianos já não
avistaram as tropas gregas, trouxeram o cavalo para dentro da cidade e festejaram a noite toda. Depois
de já estarem embriagados, os soldados saíram do cavalo e abriram os portões da cidade, facilitando a
sua conquista.
Vida econômica
As principais atividades econômicas eram:
1. A criação de gado;
2. A agricultura (vinha e oliveira);
3. O comércio interno e marítimo.
Vida religiosa
Características:
1. Politeísmo: crença em vários deuses (Zeus, Poseidon, Atena etc.).
2. Crença na vida após a morte.
3. Grande quantidade de divindades femininas (Atenas, Artêmis, Afrodite).
4. Existência de semideuses e heróis (Aquiles, Hércules, Perseu).
O legado micênico
Em cerca de 1100 a.C., os aqueus foram conquistados pelos dórios. Mesmo assim, os aqueus
deixaram um vasto legado:
1. Foi por meio dos aqueus que os gregos clássicos receberam as contribuições culturais dos cretenses.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
88
3) Período Homérico
Período estudado: XII a VIII a.C.
Características gerais
➢ Este período se inicia com a invasão dos dórios na região da Grécia e com a conquista dos
aqueus. O período leva esse nome por causa de Homero, cujas obras Ilíada e Odisseia, dão
muitas informações sobre esta fase da Grécia Antiga.
➢ Neste período os Helenos se organizavam em Genos (clãs). Os genos são grupos independentes,
cujos membros são ligados por um grau de parentesco e pelo culto dos antepassados. Cada um
deles possui sua religião, seu patrimônio, sua moral, sua justiça e seu chefe (religioso, político e
militar). A economia é de subsistência. Para realizar grandes empreendimentos, os genos se
uniam em fratrias e estas em Tribos. A reunião dos genos, das fratrias e das tribos resultou na
criação das pólis (cidade-Estado = agrupamento político, econômico e militar que tem como
centro a religião).
A religião grega era o centro da cultura grega e, ao longo da História, passou por diversas
mudanças. Os gregos antigos praticavam intensamente, com o dito, o “culto aos mortos”, ou seja,
prestavam culto aos seus antepassados. Em torno desse culto se organizavam o genos e as tribos.
Ao lado desse culto, desenvolveu-se o culto aos deuses mitológicos e aos heróis. Esses deuses e
heróis precisavam de templos, e foi em volta desses templos que foram construídas as pólis.
4) Período arcaico
Período estudado: VIII a.C. a V a.C.
Características gerais
1. A formação da cidade grega.
2. A segunda expansão marítima.
3. Florescimento da civilização grega na Ásia Menor.
4. Influências orientais na religião grega.
5. Estreitas relações entre a Grécia europeia e a Grécia asiática.
No século VI a.C., os gregos se encontravam em quase todo litoral do Mediterrâneo. A
presença grega trouxe consequências:
Políticas: surgimento de novas formas de governo nas colônias.
Econômicas: os emigrantes tiveram novas oportunidades de possuir sua própria terra além de
desenvolver a indústria.
Culturais: os helenos levaram aos bárbaros a visão de mundo da civilização grega.
As colônias gregas eram absolutamente independentes das metrópoles, do ponto de vista
político, mas tinham de adorar os deuses da metrópole, aos quais enviavam tributos periódicos, e
em certos casos lhes deviam assistência militar. Os gregos tinham colônias fortificadas na Magna
Grécia, na Ásia Menor e na Sicília.
5) Período clássico
Período estudado: V a.C. a IV a.C.
Características gerais
1. O grave conflito com o Império persa (Guerras Médicas).
2. O brilho da civilização ateniense na época de Péricles.
3. A Guerra do Peloponeso.
4. A interferência macedônica e as conquistas de Alexandre Magno.
Esparta
Localização: Esparta estava localizada na Península do Peloponeso, na região fértil da Lacônia
(Lacedemônia), local cercado de montanhas e defendido por uma costa de difícil acesso.
Fundação: Esparta foi fundada pelos dórios.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
91
Organização Social
Espartanos: únicos que possuíam direitos políticos e propriedade em Esparta. Formavam o
exército (em número de 9 mil homens)
Periecos: antigos habitantes conquistados e seus descendentes. Normalmente se dedicavam ao
comércio e à indústria (eram uns 30 mil).
Hilotas: eram os escravos de Esparta. Eram tratados como bens do Estado, e por isso, não possuíam
nenhum direito político ou jurídico (eram mais de 200 mil).
Organização Política
Legislação de Licurgo: Licurgo pertencia à raça real e governou o país durante a menoridade do
jovem rei, seu sobrinho. Viajou muito para estudar os costumes de outras nações. Perturbados por
incessantes discórdias, os espartanos o encarregaram de reformar suas instituições.
Segundo a legislação de Licurgo, Esparta possuía a seguinte forma de governo:
Diarquia hereditária: dois reis que presidiam o exército e o senado.
Gerúsia (Senado): compreendia 30 membros, entre os quais os dois reis. Tinham funções na
política externa e preparavam os projetos que seriam apresentados à ápela.
Ápela (assembleia): abrangia todos os cidadãos acima de 30 anos. Tinham a função de rejeitar ou
aprovar as decisões do senado sem poder modificá-las.
Eforato: mais tarde, criaram-se os
éforos, cuja função era fiscalizar a
administração. Estes tinham o
poder de fato, acima até mesmo dos
reis.
Licurgo também trabalhou
para tornar iguais todos os espartanos
e por inspirar-lhes sobretudo o
sentimento de patriotismo. Conseguiu
esta igualdade decretando: a divisão
das terras em 9.000 lotes iguais e
inalienáveis; a criação da moeda de
ferro muito pesada; a uniformidade
das casas e vestidos; a proibição do
comércio e da instrução; as refeições públicas, para as quais cada um devia contribuir com a sua cota.
Para inspirar o patriotismo. Licurgo instituiu: as conversas dos Lechés, onde os velhos
relatavam aso moços as proezas de seus antepassados; um grande número de festas muito
estrondosas; uma educação de todo militar. O governo tomava conta dos meninos desde o berço,
matando as crianças fracas e defeituosas logo depois de nascer.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
92
Educação e forças armadas: a educação espartana tinha por finalidade formar uma cidade inteira
de guerreiros prontos a devotar-se à pátria. Ao nascer, a criança era avaliada por uma comissão de
anciãos para avaliar suas condições físicas. Aos 7 anos, eram entregues à formação militar do
Estado. Aos 20 anos, todos os espartanos eram incorporados ao exército ativo. Os espartanos
praticavam uma verdadeira eugenia em sua sociedade.
“Evidentemente, a legislação de Licurgo é extremamente despótica, não é civil nem civilizadora. Ofende a
dignidade do homem, a quem trata como simples instrumento, não como pessoa, dotada de direitos e
deveres inalienáveis; viola a autoridade dos pais, e tende a destruir a família, base da sociedade”. (PADRE
RAPHAEL GALANTI, S.J.)
Atenas
Localização: Litoral da Grécia Continental, banhada pelo Mar Egeu.
Fundação: Atenas foi fundada pelos Jônios.
Organização social
Considerados cidadãos atenienses:
Organização política
Após diversas tentativas de governo fracassadas, os atenienses recorreram a Sólon, que tinha
a intenção de reconciliar os diversos grupos que lutavam entre si. Elencaremos, abaixo, os
principais governantes e seus feitos:
I) Sólon (594 - 593 a.C.): legislador ateniense que promoveu reformas na legislação entre 594 e
593 a.C. Reformas de Sólon: I) aboliu a escravidão por dívidas. II) dividiu os cidadãos em quatro
categorias, segundo a renda de cada um. III) criou dois órgãos de governo: o Senado (400
membros), que tratavam dos negócios do estão e preparavam as leis, e a Assembleia (composta por
todos os cidadãos acima de 20 anos), que votava as leis.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
93
II) Pisístrato (546 - 527 a.C.): obtendo uma guarda e conseguindo muita popularidade, tomou o
poder da cidade e governou por 13 anos. O seu reinado foi glorioso: o comércio, a agricultura, as
artes, receberam grande impulso; a cidade foi embelezada; as obras de Homero foram copiadas e
ordenadas; foi construída uma biblioteca.
III) Clístenes (508 a.C.): modificou a constituição de Solo. Reformas de Clístenes: I) criação do
ostracismo (expulsão por dez anos de qualquer cidadão considerado perigoso para a democracia).
II) Aumentou para 500 o número dos senadores. III) aumentou para 10 o número de classes. IV)
diminuiu o poder dos Eupátridas (nobreza). Muitos historiadores modernos afirmam que Clístenes
foi o fundador da democracia ateniense, contudo facilmente se percebe que não havia efetiva
democracia em Atenas. Ressalta-se que o ostracismo era uma lei iníqua, pois para expulsar alguém
da cidade bastava certo número de votos da Assembleia. Deste modo, verificou-se a expulsão
arbitrária de ilustres cidadãos, como Aristides, Temístocles e Címon.
IV) Péricles (461 - 429 a.C.): orador, estadista e general grego, Péricles foi a figura mais
importante em Atenas no século V a.C. (século de Péricles). A maior parte de sua carreira política
ocorreu entre as Guerras Médicas (490 a 479 a.C.) e a do Peloponeso (431 a 404 a.C.). Ações de
Péricles: I) Criou o Tribunal Popular. II) instituiu a remuneração para cargos públicos. III)
reconstruiu a parte alta de Atenas destruída pelos persas. IV) realizou várias obras públicas
(Partenon de Atenas). V) estimulou o desenvolvimento intelectual e artístico.
Atividades
1) Onde está localizada a Grécia? Como era dividido o território grego?
2) Cite algumas fontes históricas da Grécia.
3) Quais são os quatro antepassados dos chamado gregos clássicos?
4) Quais são os cinco períodos da História da Grécia?
5) Qual era a principal economia dos cretenses?
6) Por que ocorreu a guerra de Troia? Qual foi a estratégia dos gregos para vencer os troianos?
7) Quais são as características da vida religiosa dos Aqueus (micênicos)?
8) O que são os Genos?
9) Desenhe o esquema da formação das Pólis (Cidades-Estados) gregas.
10) Cite duas características gerais do Período Arcaico?
11) Qual era a relação entre as colônias gregas com suas respectivas metrópoles?
12) Cite duas características do Período Clássico?
13) Sobre Esparta responda:
a) Localização.
b) Fundadores.
c) Organização Social.
e) Organização Política.
f) Educação espartana.
14) Sobre Atenas responda:
a) Localização.
b) Fundadores.
c) Cidadãos atenienses.
d) Quais foram as reformas de Sólon?
e) O que é Ostracismo?
f) Quais são as principais ações de Péricles?
15) Por que podemos dizer que a democracia ateniense era falsa?
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
95
Capítulo
10
Guerras Médicas
Período: 492 a.C. a 479 a.C.
Envolvidos: Império persa X cidades-Estado gregas.
Motivos da guerra
1. Os persas desejavam o domínio sobre as colônias gregas na Ásia menor. A cidade de Mileto
(colônia grega na Ásia) liderou uma rebelião buscando se livrar do domínio persa. Essas cidades
receberam apoio militar de Atenas e de Erétria.
2. O interesse persa (imperador Dario I) em dominar a Grécia continental.
3. Interferência dos persas nas rotas comerciais marítimas, impedindo o comércio grego, e a
proteção oferecida aos fenícios, concorrentes comerciais das cidades jônicas.
Consequências do conflito
Tratado de Susa: o Império Persa foi obrigado a reconhecer a autonomia dos gregos e se
comprometeu a nunca mais atacá-los.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
96
Atenas saiu do conflito como a grande vencedora e passou a exercer hegemonia sobre as outras
cidades gregas, através da Liga de Delos.
Liga de Delos: durante a guerra contra os persas, Atenas formou uma liga composta por diversas
cidades gregas. A sede era a Ilha de Delos, onde eram armazenadas as riquezas da liga.
Guerra Médicas
O século de Péricles
Após as guerras médicas, Péricles governou a cidade de Atenas, elevando-a a imensa glória.
Brilharam por toda parte as artes, a poesia, as letras, as ciências. Cada ramo do saber teve seus
expoentes:
A tragédia teve os poetas Sófocles e Eurípedes.
A comédia teve Aristófanes.
A filosofia foi cultivada por Anaxágoras, mestre de Péricles, e o sábio Sócrates.
A história produziu Heródoto, a medicina Hipócrates e a astronomia Méton.
A arquitetura foi representada por Ictinos e Calícrates, que edificaram o Partenão.
É com razão que este século foi chamado de século de Péricles. Contudo, essa civilização
apresentava muitos defeitos: era pagã, faltava-lhe a verdade religiosa e logo os falsos sábios, os
sofistas, perverteram as inteligências enquanto os costumes se degradavam na mais aviltante
corrupção.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
97
Guerra do Peloponeso
Período: 431 a 404 a.C.
Envolvidos: Liga de Delos (Atenas) x Liga do Peloponeso (Esparta).
Causas
1. A grande rivalidade histórica entre as duas cidades.
2. Atenas tratou, por 27 anos, seus aliados como muita altivez, o que causou revolta.
3. Atenas apoiou a revolta da cidade Corcyra contra sua metrópole Corinto. Esta era aliada à
Esparta.
4. Rivalidades comerciais entre Atenas e aliadas de Esparta. Atenas foi acusada de usar a riqueza
da liga em benefício próprio.
As ligas
Liga de Delos (L.D.): Atenas era uma potência marítima. Seus aliados eram Plateias, Acarnânia,
Corcira e outras cidades.
Liga do Peloponeso (L.P.): Esparta era uma potência continental. Seus aliados eram Tebas,
Corinto, Mégara, Beócia, entre outras.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
98
Consequências
1. Atenas foi obrigada a demolir seus muros, entregar quase toda a frota, abandonar suas possessões,
permitir o regresso de seus inimigos políticos e aceitar uma aliança com Esparta.
2. Milhares de mortos, cidades e campos destruídos, e fome.
3. A hegemonia de Esparta sobre os gregos.
Hegemonia da Macedônia
A Macedônia fica ao norte da península grega. É um país montanhoso e fértil. Os seus
habitantes, meio civilizados eram valentes e fortes. Além disso, possuíam forte influência da cultura
grega.
Felipe II, rei da Macedônia, reorganizou o exército, criou a falange (espécie de tática de
batalha, onde os soldados se agrupam, protegem-se com seus escudos e usam lanças longas) e
construiu uma respeitável marinha. Com isso, submeteu vários povos vizinhos, derrotou Atenas e
Tebas na região de Queroneia (338 a.C.) e preparou uma expedição contra os Persas, quando morre
assassinado por Pausânias.
Soma-se a isso a grande ambição e astúcia do rei da Macedônia. Porém, em 336 a.C., Felipe
foi assassinado e seu filho assumiu o trono. Era Alexandre Magno.
“Alexandre foi um homem extraordinário, a quem a Providência, de vez em quando, encarrega de mudar a
face do mundo e de punir os grandes delinquentes”. (PE. RAPHAEL GALANTI, S.J.)
Alexandre foi educado por Aristóteles, mostrando desde criança notável ambição e
habilidade. Assumiu o trono com apenas 20 anos de idade. Ao submeter todas as revoltas gregas,
Alexandre marchou contra o grande Império persa, cujo rei era Dario III. Seu exército não passava
de 30 mil soldados e cinco mil cavaleiros, mas era altamente treinado. Mesmo em menor número,
Alexandre submeteu os persas, conquistou as satrapias e lançou seu olhar para a Índia, conhecida
como o limite do mundo. Adotou os costumes persianos, casou-se com Roxana.
Alexandre almejava conquistar todo o mundo conhecido. Porém, morreu aos 33 anos (323
a.C.) na cidade da Babilônia devido a uma breve doença. Logo após a sua morte, o grande império
por ele formado foi dissolvido. É de se lastimar que tão grande governante se degradou tanto pela
imoralidade, embriaguez e ambição sem limites. Reinou por 12 anos apenas e suas grandes
conquistas transformaram a civilização, pois os caminhos do Oriente abertos por ele haviam de
desenvolver prodigiosamente o comércio do mundo.
A extensão do império de Alexandre, na época da sua morte, era imensa. Abrangia a
Macedônia, o Epiro, a Tessália com toda a Grécia, o Egito, a Fenícia, a Síria e o resto da Ásia desde
os mares Mediterrâneo, Negro e Cáspio até o Golfo Pérsico, o Indo e a Sogdiana. Após a morte de
Alexandre, o império foi divido em 4 partes, uma para cada general.
Expansão cultural
Alexandre procurou unificar o Ocidente com o Oriente. Ele mesmo se casou com diversas
princesas persas, ato imitado pelos seus generais e soldados gregos. Essa unificação se deu no
campo cultural. Durante e após as conquistas de Alexandre, houve intensa troca cultural entre a
cultura grega e culturas orientais. A fusão entre essas culturas originou o mundo helênico.
Helenismo
Definição: helenismo é a civilização surgida como produto da fusão de elementos culturais gregos
e orientais nas regiões conquistadas por Alexandre Magno. Os principais centros de helenismo
são: Alexandria, Pérgamo e Antioquia. Os aspectos foram variados no ponto de vista econômico,
religioso e intelectual. Por fim, toda esta civilização, mais ou menos contaminada, sob a aparência
de grnade esplendor, prepara o caminho para conquista romana e o aparecimento do Cristianismo.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
100
Conclusão
Com toda penetração da inteligência, com o conhecimento recíproco dos povos, com o
desenvolvimento do comércio por meio de ligações marítimas e terrestres, seguras e repetidas,
preparado estava o caminho para a conquista romana. Os romanos aproveitaram os esforços
desbravadores dos gregos para imporem uma única vontade e um único interesse a tantos povos de
interesses e vontades diferentes. Realizada por fim a conquista romana, o caminho estava pronto
para o triunfo do cristianismo. As inteligências procuravam um alimento que lhes matasse a fome,
e este alimento lhes será trazido pelo Deus-Homem, que tudo preparou para fazer conhecer a
verdade eterna, em todos os recônditos da terra.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
101
Atividades
1) Sobre as Guerras Médicas, responda:
a) Período.
b) Envolvidos.
c) Motivos da guerra.
d) Consequências do conflito.
2) O que era a Liga de Delos?
3) Sobre a Guerra do Peloponeso, responda:
a) Período.
b) Envolvidos.
c) Motivos.
d) Características da Liga de Delos e da Liga do Peloponeso.
e) Quais foram as três fases do conflito?
f) Quais foram as consequências do conflito?
4) Sobre Alexandre Magno, responda:
a) Quem educou Alexandre?
b) Com quantos anos Alexandre assumiu o trono?
c) Qual foi a principal conquista de Alexandre?
d) Com quantos anos Alexandre morreu?
5) O que é Helenismo?
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
102
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
103
Capítulo
11
A
Nabucodonosor foi dado um sonho histórico e profético que somente pôde ser
interpretado pela sabedoria divina que estava em Daniel, conforme vimos nos capítulos
anteriores. Os romanos formaram o último império até a vinda de Nosso Senhor Jesus
Cristo. A sua história se entrelaça, a partir de agora, com a História Sagrada: os macabeus pedem
sua proteção diante dos constantes ataques dos sírios; a Judeia passa a ser uma província romana;
São José e Maria Santíssima viajam de Nazaré para Belém a fim de cumprir a ordem do
recenciamento (dessa forma, nasceu o Filho de Deus na cidade de Belém, conforme as Escrituras);
Jesus Cristo ordena dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus; Jesus padeceu sob
Pôncio Pilatos, procurador romano; foi morto em uma cruz, conforme as Escrituras, pena capital
típica dos romanos; São Pedro e São Paulo são mortos pelo Imperador Nero; inaugura-se uma
sangrenta perseguição contra os católicos por trezentos anos; Constantino, imperador de Roma,
converte-se e permite o culto ao Deus verdadeiro; o Império cai segundo a Providência de Deus,
mas a Igreja Católica mantém todo legado civilizacional provindo dos romanos.
Podemos dizer que os romanos possuíam uma vocação semelhante à de São João Batista:
preparar os caminhos do Senhor. Evidentemente não tinham consciência disso, ao contrário de São
João cuja voz clamou no deserto e com o batismo convidou os homens ao arrependimento. Roma
dominou quase todo o mundo conhecido, sendo que todos os povos estavam sob seu domínio.
Poucos anos antes do nascimento de nosso Redentor, o mundo gozava de paz e prosperidade. O
comércio acontecia de mar a mar; era possível viajar do norte da África para o Oriente Médio e
desse lugar para a Gália (atual França) sem que ninguém o impedisse, pois, tudo pertencia à Roma.
As contendas entre os povos foram apaziguadas através da chamada Pax Romana (Paz Romana), a
qual era assegurada por uma legião romana em cada região escolhida estrategicamente. Foi nesses
tempos de paz que o Príncipe da Paz, Nosso Senhor Jesus Cristo, veio ao mundo.
Dizemos, portanto, que, mesmo inconscientemente, os romanos prepararam os caminhos do
Senhor. Eles mesmos não perceberam isso, mas a Mão providente do Altíssimo governa a História
segundo os seus desígnios.
“São Paulo formulou a lei suprema, tanto da ordem natural quanto da ordem sobrenatural, assinalando que
o desígnio de Deus no governo dos séculos é o de submeter todas as coisas, terrenas e celestes, ao Império
de Jesus Cristo, como a seu Chefe, e fazê-las alcançar, nesta submissão ao Homem-Deus, seu complemento
e unidade.” (PADRE RAMIÈRE)
Deus, o Senhor da História, conforme vimos acima, preparou o mundo para receber o Seu
amado Filho. O primeiro aspecto que se mostra foi a unificação de grande parte do mundo
civilizado sob o comando dos romanos. Isso foi essencial para a obra de Cristo e dos Apóstolos,
pois, dava aos pregadores do Evangelho as maiores facilidades para viajar de uma região a outra e
comunicar-se em todas as partes com os súditos do grande império.
Do ponto de vista material, o mundo havia chegado a uma altura nunca igualada. As
indústrias floresciam na metrópole e nas províncias. Uma rede completíssima de estradas, as
grandes vias imperiais, uniam as populações mais distantes, desde a Ásia Menor, Egito até Roma
e a Península Ibérica. Com isso haviam caído as barreiras materiais entre os diversos povos e muitas
das antigas inimizades raciais.
Culturas diferentes podem conviver e completar-se amistosamente, a ponto de constituir
gradualmente um só povo, uma só nação. Foi o que se deu, por exemplo, e em considerável medida,
com a cultura romana, a qual conviveu com as culturas de outros povos sem lhes estancar a vida
nem as características.
O complemento desta unificação material e moral, formava a unidade de língua e de cultura.
Uma espécie de universalização da cultura e da filosofia gregas, posta em contato com as culturas
orientais da Pérsia, Babilônia, Síria, Egito e demais povos orientais.
Um aspecto cultural de máxima importância para o funcionamento de tão grande império é
a língua: antes do domínio do latim, a língua predominante em todas as regiões era o grego Koiné.
Após anos de domínio dos romanos, o latim prevaleceu sobre todos os dialetos provinciais.
O Koiné permaneceu como idioma oficial do Império Romano, tonando-se a língua do mundo
erudito.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
105
Para Meditar...
Virtudes dos Romanos
Por Pe. Ramière
Santo Agostinho recorda os males temporais que têm açoitado, em todas as épocas, as
sociedades mais fiéis ao culto dos falsos deuses, e procura a verdadeira causa dos crescimentos do
Império Romano.
Prova ele que se esse engrandecimento é um bem, tal bem não poderia atribuir-se às divindades
do paganismo, pois tão só a Providência de Deus dirige soberanamente os acontecimentos.
Assim, se Ela dera aos romanos o poder temporal que alcançaram foi para recompensá-los pelas
virtudes humanas que durante longo tempo haviam praticado, e que não mereciam uma recompensa
eterna.
Há certas virtudes que Santo Agostinho atribui aos romanos com perfeita justiça, tais como o
sacrifício de todos pelo bem público, a severa disciplina do exército, o desprezo das riquezas e a
generosa resolução de tudo suportar e tudo sacrificar antes que submeter-se à opressão.
Enquanto, entre os romanos floresceram essas virtudes, elas deram frutos, e estes frutos
estiveram em uma relação com um grau de semelhança que alcançaram entre a sociedade romana e
Jesus Cristo, modelo Soberano de toda a perfeição, o qual imitado por motivos puramente terrenos, não
dera a seus “imitadores senão recompensas terrenas”.
Roma Antiga
Roma nos oferece o espetáculo de um povo que surgiu de modestas origens, que se
desenvolveu interna e externamente, criando notáveis instituições de domínio e de governo,
construiu um grandioso Império que abrange diversos povos e culturas e, finalmente, entrou em
decadência e sucumbiu diante das invasões das hordas bárbaras. A cultura romana foi construída a
partir do legado deixado pelas civilizações grega e orientais.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
106
Quadro Geográfico
Roma é uma cidade localiza na Península Itálica. A Itália compreende três regiões naturais
contínuas: Setentrional, central e meridional.
A cidade de Roma foi fundada na Península Itálica, localizada no continente europeu e
banhada pelos mares Tirreno, Jônico e Adriático. A península é rica em recursos naturais, como
rios, lagos e fontes, abundância de toda classe de metais, em madeira, em frutos e em animais, além
de um solo fértil. Virgílio resumiu o clima italiano nessas palavras: “Aqui reina uma contínua
primavera e o verão até nos meses que lhe são estranhos”. O fato de a Itália estar banhada por mares
não só contribuiu para sua defesa, mas favoreceu sua expansão, chegando a ser uma grande potência
marítima.
Etruscos
Os Etruscos viveram na região da Etrúria localizada principalmente na parte central da
península. Seu litoral favoreceu a navegação, especialmente a pesca e o comércio de troca de
mercadorias. Nessa região se formaram diversas cidades etruscas, como Volterra, Arezzo, Perúgia,
Orvieto e Vulci.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
107
No aspecto político, os etruscos chegaram à região da Península Itálica no século VIII a.C.,
habitando especialmente a atual Toscana, onde exerceram seu domínio sobre os povos existentes
na região. Formados por uma aristocracia militar, os etruscos realizaram várias obras civilizadoras:
a) devastaram as matas; b) regularizaram os rios, drenaram os pântanos; c) construíram aquedutos
e esgotos; d) movimentaram os portos (aumentando o comércio); e) criaram os arcos das abóbadas
e das cúpulas.
No aspecto econômico e social, os etruscos se dividiam em cidades-Estados ligadas em uma
federação de caráter religioso e econômico. O regime dominante nessas cidades era a monarquia,
mas no final do século VI a.C. as cidades se tornaram republicanas sob o domínio das oligarquias.
A sociedade era formada pelos Patrícios e pela Plebe. Os escravos eram geralmente prisioneiros de
guerra. Além disso, os etruscos viviam basicamente da agricultura, da indústria, especialmente
devido à riqueza mineral. A agricultura e a indústria levaram naturalmente a um comércio intenso,
especialmente marítimo.
O historiador Tito Lívio acentuou em suas obras a suma importância da religião na vida dos
etruscos. O romano Cícero narrou em seu tratado sobre a divinização que uma certo Tages ensinou
aos etruscos princípios da religião. O panteão (conjunto de deuses) etruscos era bastante complexo.
Além dos próprios deuses, os etruscos acolhiam outras divindades de outros povos. Além disso, os
etruscos davam grande valor à vida após a morte, fato comprovado pelas cuidadosas construções
dos sepulcros e os objetos aí depositados. Para eles, havia a certeza da sobrevivência da alma e a
consciência de que o defunto necessitava da lembrança dos vivos.
Para concluir, a grande herdeira do legado etrusco foi a própria Roma. Basicamente o legado
etrusco foi: a monarquia, a coroa de ouro, o manto vermelho dos imperadores, o anel de ouro dos
cavaleiros, a cerimônia do triunfo que conduzia um general vencedor em um carro puxado por
quatro cavalos. Além disso, pode-se dizer que os etruscos ensinaram os romanos a arte de dividir
o solo, de construir canais e drenar os pântanos. Na vida religiosa, os etruscos desenvolveram a arte
de interpretar sinais celestes, o voo e o cantos das aves para compreender a vontade dos deuses.
Fundação de Roma
A cidade de Roma foi fundada em 753 a.C. no Monte Palatino na região do Lácio. Essa
região era banhada pelo grandioso rio Tibre e era habitada principalmente por aldeias dos latinos e
pelos sabinos. Quando os etruscos invadiram a região do Lácio, eles efetuaram a unificação das
aldeias existentes nas colinas do Tibre, fundando Roma, a Urbis.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
108
Rômulo e Remo
Segundo a tradição literária romana, a cidade de Roma foi fundada por Rômulo e Remo,
gêmeos sobreviventes de uma tentativa de assassinato por parte de seu tio-avô Amúlio. Os irmãos
teriam sido lançados no Rio Tibre, mas não morreram, sendo encontrados por uma loba que os
amamentou até serem achados por um pastor. Ao crescerem, voltaram para a região de Alba Longa,
destronaram Amúlio e receberam o direito de fundar uma cidade onde quisessem. O local escolhido
foi o Monte Palatino e a cidade fundada foi Roma.
Monarquia
753 a.C. a 509 a.C.
A cidade de Roma foi fundada sob um regime monárquico. Os antigos reis romanos eram
chefes militares e religiosos. O cargo de rei era eletivo e vitalício.
Os sete reis que governaram Roma foram:
Rômulo (753-717 a.C.): é conhecido por povoar Roma com aventureiros e com mulheres raptadas
dos sabinos;
Numa Pompílio (717-673 a.C.): era sabino e procurou dar a Roma o direito, as leis e os bons
costumes;
Tulo Hostílio (672-641 a.C.): rei guerreiro que conquistou a cidade de Alba;
Anco Márcio (639-616 a.C.): foi escolhido pelo povo;
Tarquínio Prisco (616-579 a.C.): rei etrusco que introduziu em Roma as divindades e tradições
etruscas;
Sérvio Túlio (578-535 a.C.): organizou a cidade em classes de acordo com suas posses;
Tarquínio Soberbo (534-510 a.C.): não foi escolhido pelo povo nem pelo Senado. Matou Sérvio
e usurpou o trono. Foi deposto pela aristocracia romana, tendo fim assim a monarquia.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
109
Capitólio
Romano
Religião romana
A religião romana no período da monarquia pode ser dividida em religião doméstica e
religião oficial.
Religião doméstica: foi o que uniu as famílias antigas. A religião do lar e dos antepassados
fez com que a família formasse um corpo nesta vida e na outra. A família antiga é mais uma
associação religiosa do que uma associação da natureza. A divindade central da religião doméstica
era o fogo sagrado que queimava no sacrarium (capela) e que devia ser alimentado pelo
paterfamilias. Ao lado do fogo sagrado, havia os Penates (todos os deuses) e o culto dos mortos.
Religião oficial: o panteão romano era imenso e composto pelos deuses que eram
conhecidos como Numina. O culto romano carecia de sentido moral do suplicante, sendo
essencialmente formalista. De certa forma, acreditava-se que os deuses estabeleciam contratos com
os romanos e cumpriam sua parte quando os romanos cumpriam fielmente, no sentido jurídico, os
ritos propostos. Os atos essenciais do culto eram a oração e o sacrifício.
Os principais deuses romanos eram: Jano, Júpiter, Juno, Vesta, Saturno, Marte, Minerva, Ceres,
Vênus, Mercúrio, Netuno, Vulcano, entre outros. Roma chegou a ter 30 mil deuses, o que se tornou
motivo de indiferença religiosa posteriormente.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
111
A queda da monarquia
A Sérvio Túlio sucedeu Tarquínio, cognominado, o Soberbo, por causa de sua arrogância.
Foi um rei ativo, mas odiado.
Crime infame, cometido por seu filho Sexto, teve consequências terríveis. Sexto atentou
contra a honra da virtuosa Lucrécia, que se apunhalou a fim de não sobreviver à desonra. Tarquínio
Colatino, marido de Lucrécia, e Bruto, sobrinho do rei, sublevaram o povo, que expulsou os
Tarquínios, aboliu para sempre a realeza em Roma e proclamou a República. Era o ano de 507 a.C.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
112
Atividade
1) Onde Roma fica localizada? Descreva as características geográficas da região.
2) Quais são os quatro povos antepassados dos romanos?
3) Cite alguns aspectos dos etruscos que se tornaram um legado para Roma.
4) Em que ano a cidade de Roma foi fundada? Qual rio banha a cidade?
5) Qual é a lenda contada pela literatura romana sobre a fundação da cidade de Roma?
6) Como pode ser dividida a história política de Roma? Quanto tempo durou cada fase?
7) Quais foram os sete reis de Roma?
8) Quem exercia o governo durante monarquia romana?
9) Como se dividia a sociedade romana?
10) Como se dividia a religião romana durante a monarquia?
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
113
Capítulo
12
República
507 a 27 a.C.
A República substituiu a monarquia e durou cinco séculos. A fim de substituir os reis, o
povo romano, reunido em seus comícios, criou 2 cônsules. Eleitos por um ano, estes dois cônsules
mais ou menos os poderes e as honras dos antigos reis. Os primeiros cônsules foram Tarquínio
Colatino, o marido de Lucrécia, e Bruto.
Características Gerais
Nesta fase se observam dois acontecimentos internos importantes:
1. A organização e a evolução da constituição republicana: basicamente, a constituição
republicana foi moldada com tendências e interesses do patriciado.
2. Conquistas dos plebeus: a reação dos plebeus se deu nos campos social, jurídico, político e
religioso. Vejamos as características de cada uma:
a) Reivindicações sociais: desejavam solucionar o problema das dívidas. Em 496 a.C., a plebe
romana se retirou para o Monte Sagrado para pressionar os patrícios. O resultado foi a criação
do tribuno da plebe e o fim da escravidão por dívida.
As conquistas dos plebeus devem-se ao fato de que os patrícios e os plebeus possuíam plena
consciência da necessidade uns dos outros. Além disso, os tribunos da plebe e as greve militares
tiveram importante papel nas conquistas dos plebeus.
450 a.C. Lei das Doze Tábuas, primeiro código de direito escrito em Roma.
445 a.C. Direito ao casamento misto entre patrícios e plebeus (Lei Canuleia).
300 a.C. Os plebeus ganham acesso a todos os cargos públicos, tanto políticos quanto religiosos.
287 a.C. Os plebiscitos, decisões tomadas pelo tribunato da plebe, passam a ter força de lei.
As magistraturas
Os magistrados detinham o poder executivo. Podem ser divididos em magistrados
ordinários (cônsules, pretores, edis, questores e censores) e magistrados extraordinários
(ditador, mestre de cavalaria, inter-rei etc.). Os magistrados ordinários eram eleitos pelos Comícios
Centuriatos por um ano e deviam ser cidadãos romanos. Para cada função se exigia uma idade
mínima. Já os magistrados extraordinários eram escolhidos em casos especiais.
Ditadores: em casos de emergência era escolhido um ditador com plenos poderes para conter a
crise por no máximo seis meses. A função do ditador era vencer uma guerra ou sufocar uma
rebelião.
O Senado
O cargo de senador era vitalício e era visto com grande dignidade. O número de senadores
variou de 300 a 1000 senadores na República e a idade deles também: 27 a 46 anos. Basicamente,
o Senado era composto por antigos magistrados. Funções do Senado:
Campo administrativo: administração do culto, controle das finanças, convocação de soldados e
divisão dos comandos, renovação dos magistrados e nomeação de comissários para as novas províncias
Campo Legislativo: aprovação das leis e anulação das leis consideradas “ilegais”.
Campo da Política Externa: tratar os povos estrangeiros e receber seus embaixadores.
As Assembleias do povo
As assembleias eram divididas de diversas formas:
Contio: reunião popular convocada por magistrados. Não possuía caráter legislativo.
Concilium plebis: reunião de plebeus sob a presidência do tribuno da plebe. Possuíam funções
eleitorais, legislativas e judiciárias de assuntos relacionados à plebe.
Comícios: podemos distinguir três espécies de comícios: curiatos (princípio do nascimento),
centuriatos (princípio da fortuna) e tribunos (princípio do domicílio).
Comícios Curiatos: baseava-se na tradição das três tribos e trinta cúrias. Sua importância foi
diminuindo conforme os anos. Apenas confirmavam a eleição dos magistrados escolhidos pelos
comícios centuriatos.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
117
Sociedade
A sociedade no período da república passou por mudanças. As conquistas plebeias levaram
a uma nova organização social, assim dividida:
➢ os cidadãos completos: os únicos que possuíam todos os direitos (matrimônio legítimo,
comercializar, voto, sacerdócio e apelação ao povo) e deveres (recenseamento, serviço militar e
impostos);
➢ nobreza senatorial: nova aristocracia surgida da relação entre patrícios e plebeus;
➢ os cavaleiros: classe oriunda da expansão romana. Enriqueceram através do comércio, pois
estavam privados do comando das tropas e das magistraturas;
➢ a clientela: mesmo que tenha sofrido variações significativas, a clientela se manteve na república.
Religião
Durante a monarquia se sobressaiu o culto de três divindades supremas: Júpiter, Juno e
Minerva. O primeiro templo de Roma foi consagrado a essa tríade. No contato com a civilização
grega, novas divindades foram inseridas no panteão romano. Ao mesmo tempo, a filosofia grega
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
118
gerou uma crise de ceticismo entre os romanos. A religião oficial romana tendeu para uma
desagregação completa; a religião doméstica, porém, persistia bem viva nos meios rurais.
Política externa
A expansão territorial romana pode ser dividida em três fases: 1) conquista da Península
Itálica; 2) Guerras Púnicas; 3) conquista do Mediterrâneo.
Durante o período republicano, Roma expandiu seu território e sua influência por toda a
Península Itálica (conquista do Lácio, da Itália Central e da Meridional).
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
119
As Guerras Púnicas
264 a.C a 146 a.C.
A segunda fase do conflito se iniciou devido ao antagonismo entre as duas cidades em ampla
expansão e a vingança cartaginense pela derrota na primeira fase. O líder cartaginense era Aníbal
(homem de Estado, gênio militar, patriótico, intrépido, e que nutria um ódio implacável pelos
romanos).
Nesta fase os efetivos militares chegaram à casa de centenas de milhares de soldados. Após
muitos anos de batalha, os romanos venceram novamente o exército de Aníbal.
Diante da derrota, Cartago foi obrigada a desarmar-se, a pagar uma pesada indenização, a
renunciar a suas conquistas na Espanha e a aliar-se a Roma contra inimigos.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
120
Novas conquistas
Assim que toda a Península Itálica estave sob domínio romano, o alvo da Urbis foi a
Península Ibérica. Depois, foi a vez da região da Gália e das Ilhas britânicas.
Com o contato com o Oriente, os romanos cobiçaram a incrível civilização (helênica) ali
formada e, também, as divisões políticas entre os reinos orientais. A expansão romana se deu por
meio da guerra contra a Macedônia e a Síria. Roma venceu todas as batalhas e anexou vários
territórios aos seus domínios, como a Macedônia, a Grécia e a Ásia.
Os Gracos
A formação de grandes latifúndios contribuiu para o desaparecimento da classe média de
proprietários. A proposta para o equilíbrio social e político era a retomada das terras públicas por
parte do Estado e sua redistribuição entre os cidadãos pobres. Tibério Graco era um tribuno que
propôs uma lei agrária, porém, foi assassinado. Caio Graco, irmão de Tibério, foi eleito tribuno e
desejava reconstruir a classe média, melhorar a vida da população pobre da cidade. Para isso, propôs
a execução da lei de redistribuição agrária e a venda de trigo pelo Estado. Foi morto em 121 a.C.
Irmãos Graco
Sila era um patrício, hábil general, mas político ambicioso. Foi designado para conduzir uma
guerra no oriente. Porém, a guerra civil estava próxima, pois, Sila representava um forte
concorrente a Mário. Todavia, Mário faleceu em 86 a.C. Sila aproveitou a chance e se fez ditador
em Roma, estabeleceu um governo de terror, de vinganças e enriquecimentos ilícitos. Para a
surpresa de todos, Sila renunciou ao poder em 79 a.C. e morreu no ano seguinte.
Primeiro Triunvirato
Com a morte de Sila, surgiram dois generais importantes no cenário político romano:
Pompeu e Crasso. Pompeu venceu importantes batalhas na Península Ibérica e Crasso derrotou a
famosa revolta dos gladiadores liderados por Spartacus (71 a.C.). Os dois generais fizeram um
acordo, segundo o qual ambos seriam cônsules. Nesse cenário, apareceu uma importante figura
romana chamada Júlio César, homem com senso político, autodomínio, audácia, ambição e
inteligência. Em 60 a.C., aliou-se a Pompeu e Crasso para assegurar sua eleição para cônsul,
iniciando assim o primeiro triunvirato.
Júlio César
Realizações de César
Júlio César promoveu uma legislação benéfica ao mais pobres, instituiu a distribuição
gratuita de trigo. Criou diversas colônias na Europa, no norte da África e no Oriente. Valorizou a
arte e a ciência e urbanizou Roma. Além disso, reformou o calendário. No dia primeiro de janeiro
de 45 a.C. foi inaugurado um ano de 365 dias com o acréscimo de um dia no ano bissexto.
César tomou as seguintes medidas:
a) Concedeu terras aos veteranos e aos pobres.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
123
Segundo Triunvirato
Com a morte de César, três nomes entraram em primeiro plano na cidade eterna: Marco Antônio,
Caio Otávio (filho adotivo de Júlio César) e Lépido. Inicialmente, os três decidiram estabelecer uma
ditadura conjunta conhecida como segundo triunvirato. As províncias e os exércitos foram repartidos entre
os três. O Ocidente ficou com Caio, o Oriente com Marco Antônio e a África com Lépido. As tropas de
Lépido aderiram às legiões de Caio. Dessa forma, Lépido saiu do cenário político.
No Oriente, Marco Antônio se apaixonou pela ambiciosa rainha do Egito, Cleópatra. Caio Otávio
orientou a opinião pública contra Cleópatra e provocou guerra contra ela. Após uma batalha naval, Marco
Antônio e Cleópatra se consideram perdidos e se suicidaram.
Com esta batalha acabou definitivamente a República Romana. Otávio tornou-se soberano do
mundo; tmou o título de imperador e o nome de Augusto.
O Senhor do Mundo
Caio Otávio recebeu o título de ‘Princeps’ (primeiro cidadão). Com o tempo novos títulos
aumentavam o poder do Imperator Caesar Augustus:
28 a.C: recebeu o título de Príncipe do Senado.
27 a.C: recebeu o título de imperium proconsolare e de Augustus que lhe dava uma auréola sagrada.
19 a.C: recebeu o poder de legislar.
12 a.C: tornou-se sumo pontífice.
Otávio Augusto concentrou em suas mãos todos os poderes. Foi durante o seu reinado, no
meio de uma paz universal, que nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo, em Belém da Judeia, província
romana.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
124
Atividade
1) Quais foram os dois acontecimentos internos que trouxeram mudanças para a República romana?
2) O que foi a Lei das Doze Tábuas? E o que permitia a Lei da Canuleia?
3) Quais eram as instituições políticas durante a república?]
4) Quem eram os magistrados romanos durante a república?
5) Quais são as fases da expansão territorial romana?
6) Copie o esquema apresentado sobre a expansão territorial romana.
7) Sobre as Guerras Púnicas responda:
a) Período.
b) Envolvidos.
c) Motivo.
d) Em quantas fases se dividiu o conflito.
8) Quais foram as consequências das novas conquistas romana?
9) O que foi o Primeiro Triunvirato?
10) Cite uma medida tomada por Júlio César.
11) O que foi o Segundo Triunvirato?
12) Quais títulos foram conferidos a Otávio Augusto?
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
125
Capítulo
13
Otávio Augusto
O
primeiro imperador romano governou de 27 a.C. a 14 d.C., ano de sua morte, com relativa
paz. Otávio promoveu importantes reformas internas em Roma de ordem financeira,
judiciária, administrativa, religiosa, social e moral. Na Política Externa, Otávio criou um
poderoso exército permanente, que adotava uma posição de defesa, e empregou a diplomacia.
Otávio Augusto
Império
O Império Romano nasceu com uma impressão de ordem e estabilidade. A capital estava
em paz, as províncias encontravam-se perfeitamente submissas, e tanto na terra como no mar o
comércio prosperava maravilhosamente. Todos estes aspectos deram ao período o nome de período
da Pax Romana. Entre outras características deste período cabe citar:
➢ estabilização das fronteiras (militares);
➢ aperfeiçoamento administrativo das províncias;
➢ crescimento das atividades comerciais; fatores que contribuíram para a expansão comercial:
existência de portos bem equipados, uma rede de estradas bem planejadas, uso de uma moeda
única (denário - moeda de prata);
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
126
Características do Império
Instituições políticas: o principado criado por Otávio concentrava todo poder nas mãos do
Imperador. As outras instituições políticas, como as Magistraturas, o Senado Imperial e os
Comícios, estavam submetidas ao imperador:
➢ O imperador: o imperador recebia os títulos de Imperator (poder civil, militar e judiciário),
Caesar e Augustus (pessoa sagrada).
➢ Magistraturas: as antigas Magistraturas persistem sem a antiga importância. Novas foram
criadas, como o Prefeito do Pretório, o Prefeito da Cidade, o Prefeito do Policiamento Noturno,
etc.
➢ Senado Imperial: o Senado subsistiu sob o império, mas cada vez mais perde sua importância
e influência, principalmente diante da criação do Consilium Principis, composto por altos
funcionários e auxiliares do Imperador.
➢ Comícios: os Comícios subsistiram, mas perderam sua função judiciária. O poder eleitoral
também se perde, pois foi conferido ao Senado. Por fim, também foi retirada a função de legislar.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
128
Senado Romano. Afresco que representa o senado romano reunido na Cúria Hostília.
Economia
Durante muito tempo, a prosperidade do império se baseou nas atividades da vida rural
(agricultura e pecuária), especialmente com a formação de latifúndios utilizando a mão-de-obra
escrava. Porém, o comércio e a indústria alcançaram notável desenvolvimento na Roma imperial.
Perseguição de Nero
No reinado dos imperadores romanos dos três primeiros séculos, desencadearam-se cruéis e
sangrentas perseguições contra os cristãos, com o fim de impedir os progressos do Evangelho. As
principais chegam ao número de dez. Para compreender as causas das perseguições é preciso
advertir, que no império romano era rigorosamente proibido pregar ou professar novas crenças que
não fossem aprovadas pelo Estado: consequentemente todos os que pregavam ou professavam o
Evangelho, nos países submetidos aos Romanos, expunham-se a um evidente perigo de morte.
Outra causa destas perseguições era também a frequente confusão que havia entre cristãos e
judeus, pois a estes últimos queriam destruir. Mas o principal pretexto era constituído pelas graves
calúnias com que os pagãos, e especialmente os sacerdotes dos ídolos acusavam os cristãos para
torná-los odiosos diante das autoridades civis. Por estas razões foi perseguida a fé logo que
começou a ser pregada em Roma. Nero, chamado na História o carrasco do gênero humano, fez
incendiar Roma somente pelo prazer de vê-la arder. Este fato, como é de supor-se, excitou contra
ele grande indignação, e este para se ver livre de semelhante crime, culpou aos cristãos e os
condenou à morte.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
129
Em muito concorreu para que aumentasse sempre mais o ódio contra os seguidores de Jesus
Cristo, o ter as orações de São Pedro e São Paulo causado a ruína de Simão o Mago, e obtido a
conversão de muitos do próprio palácio imperial. Irritado contra eles, o imperador romano, como
leão furioso contra um rebanho de cordeiros, inventou os mais cruéis suplícios para os atormentar,
e chegou a tal ponto sua crueldade, que os próprios pagãos, compadecidos dos cristãos, censuravam
seus atos. Com efeito, por um excesso de crueldade, até então desconhecida, fez cobrir alguns com
piche e enxofre e atados depois a postes os fazia acender durante a noite para servirem de luminárias
nos jogos dos circos.
No mesmo dia em que São Pedro subiu ao Céu, São Paulo foi levado a três milhas de Roma
para um lugar denominado Águas Sálvias, onde lhe cortaram a cabeça. Esta, caindo por terra, deu
três saltos, e em cada um dos lugares onde tocou, brotaram outras tantas fontes que existem ainda
hoje.
Martírio de São Paulo. Pintura de Tintoretto Martírio de São Pedro. Pintura de Gaetano Gandolfi.
A perseguição Romana
Jesus Cristo nasceu em Belém, cidade da Judeia, província do Império Romano. Este
império governava grande parte do mundo conhecido até aquele momento. Os romanos eram
politeístas, ou seja, adoravam muitos deuses, além de adorarem também os seus imperadores como
divindades. Porém, quando os romanos dominavam uma região era comum dar certa liberdade
religiosa. Mas, esse não foi o caso dos cristãos. Vimos que o imperador Nero iniciou uma dura
perseguição aos cristãos logo no início da expansão da fé. Essa perseguição continuou até o governo
de Constantino, quando este publicou uma lei chamada Édito de Milão em 313 d.C. que dava
liberdade de culto aos cristãos.
Tudo isso aconteceu porque, segundo São Pio X, “a fé católica tinha que passar por
duríssimas provas para se visse manifestamente que vinha de Deus e que só Deus a sustentava. Nos
três primeiros séculos de sua existência, ou seja, durante trezentos anos, muitas e terríveis
perseguições se desencadearam contra os discípulos de Cristo, por ordem dos imperadores
romanos. Os cristãos eram obrigados a oferecer incenso aos ídolos, e se negassem eram sujeitos a
toda espécie de infâmia, penas e tormentos que a malícia humana podia inventar, até a própria
morte”.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
131
Porém, muitos cristãos enfrentavam o perigo de morte e davam seu testemunho com o
derramamento de seu sangue. Por isso são chamados mártires, que quer dizer testemunhas.
A Tetrarquia
O imperador Diocleciano (284 – 305 d.C.) criou um novo sistema de governo para o imenso
Império Romano: a Tetrarquia. Esta consistia em dividir o território em quatro partes entre dois
Augustos (Diocleciano e Maximiano) e dois Césares (Galério e Constâncio) submissos aos
Augustos. Entre os dois Augustos, Diocleciano tinha a primazia. Foram estabelecidas quatro casas
imperiais: Milão, Treves, Nicomédia e Sirmium. Após intensa luta pelo poder, Constantino subiu
ao trono do império como único imperador.
Busto de Diocleciano
O Império de Constantino
306-337 a.C.
Era filho de Constantino Cloro e de Santa Helena. Após a morte de seu pai, que dominava a
Grã-Bretanha e as Gálias (atual França) na qualidade de César (vice-imperador), foi proclamado
imperador por seus soldados. Embora não se achasse ainda instruído na fé, amava os cristãos, e
dando-lhe estas provas de sua fidelidade em várias ocasiões, ordenou que cessasse a perseguição
na Grã-Bretanha e nas Gálias onde ele governava, e que dali em diante os cristãos fossem tratados
como os demais cidadãos.
Conseguiu este imperador grandes vitórias entre as quais ocupa o primeiro lugar a que
obteve contra Maxêncio, filho de Maximiano e seu sucessor no trono. Pelos vícios da avareza, o
crápula Maxêncio se tinha tornado desagradável a todos os bons, de modo que de todas as partes
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
132
chamavam a Constantino para livrá-los daquele tirano. Constantino não hesitou em tomar as armas
para combater contra o inimigo da humanidade e da religião. Foram formidáveis os preparativos
de guerra que se fizeram de ambas as partes.
Maxêncio, segundo dizem os historiadores, tinha cento e sessenta mil homens a pé, e dezoito
mil a cavalo, ao passo que Constantino não tinha mais do que quarenta mil. A desigualdade da
força atemorizou algum tanto a Constantino: mas Deus serviu-se disso para apartá-lo do culto dos
deuses impotentes, tirá-lo daquele perigo e trazê-lo ao conhecimento do verdadeiro Deus.
Aparição da Cruz
Seu inimigo empregava as artes da magia para
invocar em seu auxílio as potências infernais, mas
ele, ao contrário, dirigiu-se ao verdadeiro Deus que,
embora confusamente conhecesse como o Criador do
céu e da terra, suplicando-Lhe que se declarasse em
seu favor. Ouviu-o Deus e operou um assinalado
prodígio.
Marchava Constantino com seu exército
depois do meio dia, quando de súbito viu descer do
céu, do lado do sol, uma cruz luminosa que trazia esta
inscrição: In hoc signo vinces. - Com este sinal
vencerás. - Ele e seu exército foram testemunhas
daquele milagroso fenômeno que deixou a todos
admirados. Constantino não compreendia o que
significava aquela cruz, e por isso Deus dignou-se
manifestá-lo com uma revelação. Apareceu-lhe
durante a noite Jesus Cristo trazendo na mão uma Constantino
cruz igual a que tinha visto no dia precedente e
ordenou-lhe que fizesse um estandarte semelhante, o qual lhe serviria de segura defesa contra seus
inimigos em tempo de guerra. Constantino executou logo o que lhe tinha sido ordenado e deu ao
estandarte o nome de lábaro.
O Lábaro
Segundo Eusébio, consistia o lábaro em uma longa lança revestida de ouro, atravessada em
certa altura por um pedaço de madeira, formando todo ele uma cruz. Da parte superior, mais acima
dos braços pendia uma coroa resplandecente de ouro e ricas joias e no centro ressaltava o
monograma de Cristo, formado pelas duas letras gregas iniciais dessa palavra. De cada braço da
cruz pendia um pano de púrpura, bordado a ouro e pedras preciosas, e na parte superior, debaixo
da coroa e do monograma, achava-se em ouro o busto de Constantino e seus dois filhos. Este troféu
da cruz foi o estandarte imperial. Deste modo os Romanos, que até então tinham usado um
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
133
estandarte particular chamado Labarum, coberto de imagens de falsas divindades, tomaram por
bandeira a cruz de Jesus Cristo.
Constantino, substituindo nele as imagens do
paganismo pelo nome de Jesus Cristo, apartou seus
soldados de um culto ímpio, e os levou, sem esforços,
a adorar o verdadeiro Deus. Este precioso estandarte
foi confiado a um corpo de cinquenta guardas,
escolhidos entre os soldados mais religiosos e
valentes, que deviam rodeá-lo, defendê-lo e carregá-lo
alternadamente sobre seus ombros.
Ao contrário Constantino preparou seus soldados com a oração e, pondo sua confiança em
Deus, iniciou o assalto cheio de valor. Combateu-se com bravura de parte a parte, porém no fim se
declarou a vitória em favor de Constantino. Ao ver Maxêncio mortos e dispersos os seus melhores
oficiais, tratou de salvar-se fugindo, porém, ao passar a ponte que ele mesmo fizera para prejudicar
o seu inimigo, pelo ímpeto e multidão dos fugitivos romperam-se as amarras, e caindo com seu
cavalo no Tevere se afogou. No outro dia foi encontrado seu cadáver no lodo. Os romanos, vendo-
se já livres daquele tirano, receberam com alegria ao vencedor. Constantino ao entrar na cidade,
deu graças a Deus pela vitória que tinha obtido, e mandou que a cruz, penhor da proteção do céu,
atravessasse a cidade e fosse arvorada no Capitólio para anunciar ao mundo o triunfo do Deus
crucificado. Com a cruz adornou também o seu diadema, e proibiu que daí em diante servisse de
suplício aos malfeitores. Ano 312.
São Melquíades
O Pontífice São Melquíades teve a gloriosa sorte de receber em Roma o grande Constantino.
Dizemos gloriosa, porque foi este, sem dúvida alguma, um acontecimento da maior importância,
pois os imperadores romanos, tendo conhecido desde esse tempo a santidade do cristianismo
começaram a protegê-lo e a professá-lo publicamente. Senhor de Roma, Constantino chamou do
banimento os cristãos, pôs em liberdade os presos e restituiu seus bens aos que deles tinham sido
despojados. O romano pontífice, perseguido até então, foi daí em diante objeto de reverência para
o imperador cristão que, venerando nele o Deus a quem se reconhecia devedor de suas vitórias e
do império, quis provê-lo de tudo o que era necessário para sua dignidade.
Mais tarde fez inteira doação dele aos Papas, e mandou edificar a seu lado a grande basílica
de São Salvador de Latrão, chamada mais tarde São João, a qual se costuma chamar mãe e cabeça
das igrejas de Roma e de todo o mundo: Ecclesiarum urbis et orbis mater et caput.
Concílio de Niceia
Durante o governo de Constantino e o papado de São Silvestre, surgiu um membro do clero
chamado Ário. Este passou a divulgar ao povo fiel que Nosso Senhor Jesus Cristo não era Deus, e
sim uma criatura privilegiada de Deus. Sua grande heresia conseguiu adeptos e causou uma grande
chaga na Igreja de Cristo. Conhecendo o imperador os progressos da nova heresia, concordou com
o Papa São Silvestre em opor-se a ela, convocando um concílio ecumênico, isto é, uma reunião
geral dos bispos. Nesse ínterim ordenou a todos os governadores de províncias que os provessem
de todo o necessário para a viagem. O Pontífice consentiu de bom grado e resolveu que o concílio
se reunisse em Nicéia, cidade principal de Bitínia. Abriu-se o Concílio no ano 325 e achavam-se
presentes 318 bispos.
O Papa, não podendo ir pessoalmente, mandou um representante chamado Ósio, bispo de
Córdoba, e dois sacerdotes romanos chamados Vito e Vicente. Eram, pois, eles, os legados do Papa,
que deviam presidir em seu nome o concílio. Foi uma reunião imponente, nunca vista e impossível
de descrever; parte dos prelados que a compunham distinguia-se já por doutrina, santidade e
milagres, e muitos deles traziam as cicatrizes dos tormentos que tinham sofrido na última
perseguição.
No dia em que devia inaugurar o Concílio, reuniram-se todos os bispos em uma grande sala.
Constantino, como sinal de respeito aos que se achavam presentes, quis entrar por último, e não
quis tomar assento até que o tivessem feito os demais. Tomou parte no Concílio, não como juiz,
senão como protetor dos bispos e para impedir que os hereges causassem turbulências.
Ário, que também tinha sido admitido atreveu-se a sustentar sua blasfêmia diante do
concílio. Horrorizaram-se os Padres, e com argumentos tirados dos Livros Sagrados e da Tradição
provaram e definiram que Jesus Cristo é igual ao Pai e verdadeiro Deus, e que tem a mesma
substância e a mesma natureza que o Pai. Para exprimir este dogma, empregaram a palavra
"consubstancial". Ósio como presidente do concílio e legado do Vigário de Jesus Cristo, compôs
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
136
uma profissão de fé conhecida sob o nome de "Símbolo de Nicéia". Os bispos excomungaram Ário,
e o imperador apoiou o juízo dogmático da Igreja com a força do braço secular, exilando os hereges
e seus partidários. Tal foi a conclusão desta célebre reunião, cuja memória sempre será venerada
pelos católicos, por ter constituído o primeiro concílio geral da Igreja.
Concílio de Niceia
A Santa Cruz
O imperador Constantino, reconhecendo o motivo de suas vitórias ser a Cruz, desejava
ardentemente dar mostras especiais de veneração àquela sobre a qual dera sua vida o Salvador.
Ardendo o coração de sua mãe santa Helena no mesmo desejo, pôs-se de acordo com seu filho e
com o romano Pontífice, e foi à Palestina em busca desse tesouro, apesar da avançada idade de 80
anos.
Era muito difícil encontrá-la, porque os pagãos tinham amontoado muita terra no lugar onde
se achava o sepulcro e tinham formado ali uma grande praça, erguendo no centro um templo a
Vênus. Porém nada pôde impedir que a piedosa rainha visse realizados seus desejos. Sabendo pelos
anciãos de Jerusalém, que, se chegasse a encontrar o sepulcro, encontrar-se-ia também a Cruz, fez
logo derrubar o templo pagão e dar começo às escavações. Depois de muito trabalho, descobriu-se
afinal a gruta do santo sepulcro, e a curta distância dele se acharam três cruzes, e em lugar separado
se encontrou também o letreiro que tinha sido posto na cruz do Salvador, com os cravos que tinham
perfurado suas mãos e seus pés.
Mas, como se podia conhecer qual era a verdadeira cruz? Helena, a conselho de Macário,
bispo de Jerusalém, mandou levar as três cruzes à casa de uma mulher que desde havia longo tempo
se achava atacada por uma incurável enfermidade. Aproximaram sucessivamente as três cruzes, e
ao mesmo tempo se rogava ao Divino Salvador que fizesse conhecer qual delas tinha sido banhada
com seu sangue. Estava presente a imperatriz, e toda a cidade esperava com ansiedade o sucesso.
As duas primeiras cruzes não causaram nenhum efeito na enferma, porém assim que se aplicou a
terceira, ela sentiu-se perfeitamente curada e se levantou no mesmo instante. O historiador
Sozomenos afirma que também sendo aplicada a um cadáver o ressuscitou logo, o que se acha
confirmado por São Paulino. Cheia de alegria a santa mulher, desprendeu uma parte da verdadeira
cruz para a enviar a seu filho, e encerrando o resto em uma caixa de prata, colocou-a nas mãos do
bispo Macário para que a depositasse na igreja que Constantino tinha ordenado que se levantasse
no Santo Sepulcro. Helena não viveu muitos anos depois de sua viagem a Jerusalém e cheia de
merecimentos perante Deus e os homens, morreu pouco tempo depois, sendo honrada pela Igreja
como santa. A Igreja Católica celebra todos os anos este prodigioso descobrimento no dia 3 de
maio.
Morte de Constantino
Quanto mais miserável foi a morte dos perseguidores da Igreja, tanto mais consoladora foi
a morte desse protetor da fé. Vendo Constantino os oficiais que choravam ao redor de seu leito de
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
138
morte, disse-lhes: Eu vejo com olhos diferentes dos vossos a verdadeira felicidade; e, longe de
afligir-me, folgo muito porque chegou para mim o momento de gozar dela. Deu-lhes as ordens
necessárias para que se conservasse a paz no império, fez-lhes jurar que nunca empreenderiam
coisa alguma contra a Igreja, e com a paz dos justos morreu com 64 anos de Idade, 31 de reinado
no ano 337 de nossa era. Antes de morrer dividira o império entre seus filhos Constâncio e
Constante. Sua morte foi chorada por todos, e, embora seja verdade, que se lhe imputam alguns
delitos que cometeu levado pela cólera ou pelo engano de falsas relações, o certo é que fez
penitência deles e reparou seus escândalos vivendo virtuosa e exemplarmente.
Atividades
1) Cite duas características do período conhecido como Pax Romana?
2) Qual o nome que os onze primeiros imperadores usaram?
3) Quais eram as instituições políticas no período do Império?
4) Quem foi o primeiro perseguidor dos cristãos em Roma? Quem ele mandou matar?
5) O que foi a Tetrarquia?
6) Que sinal Constantino recebeu dos céus que mostrou que a Providência iria operar em seu favor?
7) Quais basílicas Constantino mandou construir?
8) Quando foi convocado o Concílio de Niceia? Qual heresia foi condenada neste concílio? Em
que consistia esta heresia?
9) Quem achou a Santa Cruz de Jesus?
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
140
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
141
Capítulo
14
Juliano, o Apóstata
361-363
N
O conflito contra os persas, Constâncio necessitou de reforços, solicitando-os a Juliano
que foi aclamado Augusto pelos soldados em 360 d.C. No caminho para a luta,
Constâncio morreu, deixando o trono vago para Juliano.
Juliano, o apóstata, imperador romano
(361-363), sobrinho de Constantino, renegou a
religião católica e aos 20 anos, se fez iniciar por
Máximo em teurgia, astrologia, ciências ocultas
e mistérios de Elêusis. Certa vez, quando
entrava em Viénne, uma velha cega exclamou:
“Este é o que há de restaurar os templos dos
deuses!”. São Gregório Nanzianzeno e São
Basílio Magno foram seus contemporâneos de
estudos em Atenas e procuraram afastar-se de
sua companhia, dizendo: “Que calamidade cria
em seu seio o império!”. Juliano “por meios
maliciosos”, transformou-se em um dos maiores
perseguidores da Igreja e do Cristianismo de
todos os tempos.
“Vencestes, Galileu”
Nas guerras contra as invasões dos
persas, Juliano acampava com seus soldados.
Entretanto, sob o sol tórrido, Juliano Juliano, o Apóstata
acabava de depor sua couraça, quando um
clamor intenso irrompeu em torno dele. Era o exército persa que, aproveitando a situação
excepcional, invadia o acampamento.
Sem se dar o tempo de revestir a armadura, Juliano monta a cavalo, voa até a retaguarda,
onde tinha lugar o ataque, e organiza a resistência.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
142
Alguns instantes depois, um grupo de arqueiros persas faz chover, sobre o imperador e sua
escolta, uma saraivada de flechas. Uma delas, após arranhar o braço direito do imperador, vem
enterrar-se-lhe no fígado.
“Contaram-me - diz Teodoreto - que nesse momento Juliano levou a mão à ferida, recolheu
o sangue que saia aos borbotões e o lançou ao céu, gritando”: ‘Vencestes, Galileu!’
Com sua morte, o exército elegeu Imperador, o cristão Joviano; todas as disposições de
Juliano foram revogadas, e se devolveram à Igreja todos os seus privilégios.
Segundo Lasaux, em "Ruína del helenismo", “do acontecido os Prelados tiraram um
ensinamento: a perseguição de Juliano havia sido um castigo de Deus à Igreja, para admoestá-la a
purificar-se e emendar-se; os fiéis não se deviam agora vingar-se de seus perseguidores da véspera,
mas vencê-los com a mansidão e a caridade” (Weiss, p. 207).
Teodósio I
378-395 d.C
Teodósio foi o último grande imperador romano. Tornou o catolicismo a religião oficial do
império. Por fim, Teodósio dividiu definitivamente o Império Romano em duas partes: Ocidente
(Milão) e Oriente (Constantinopla).
Os habitantes de Tessalônica foram atraídos ao circo, e, quando estava cheio, deu-se aos
soldados o sinal de executar a matança, que durou três horas, sem distinguir culpados e inocentes,
idade ou sexo. Segundo uns, sete mil caíram como vítimas; 15 mil segundo outros.
Um clamor de indignação ressoou
por todo o império. Havia 82 anos se
havia posto no estandarte imperial o sinal
de Cristo, e agora havia se dado um fato
sangrento, digno dos tempos de Nero e de
Calígula!
Espontaneamente todos os olhares
se dirigiram para Santo Ambrósio. Sua
posição de bispo, sua honra como amigo
de Teodósio, exigiam que ele
admoestasse o imperador por sua falta.
O Santo enviou ao imperador um
escrito, que só ele devia ler. Com o calor
da amizade, o respeito de vassalo, a
unção de sacerdote, pintou para Teodósio
a impressão que havia produzido as
almas a sangrenta matança.
Dizia-lhe que nenhum sacerdote
de sua diocese lhe daria a absolvição, e
ele mesmo não se atrevia a oferecer o
Santo Sacrifício em sua presença. O
sangue de um só morto injustamente, o
proibiria, quanto mais o sangue de tantos
inocentes.
Recordou-lhe o exemplo de Davi,
Santo Ambrósio impedindo o imperador Teodósio de participar da
e a necessidade da penitência a que o Missa, de Van Dyck
exortava.
Mas a esperança do Santo de que o imperador procuraria expiação espontaneamente, não se
cumpriu logo.
Como para mostrar que ninguém tinha direito de vituperá-lo, o imperador se dirigiu à igreja
com grande comitiva e o ornato de costume.
Quando já havia passado as portas do vestíbulo, e se aproximava da entrada do templo, saiu-
lhe ao encontro Santo Ambrósio com os ornamentos episcopais, e lhe disse com gravidade
sacerdotal:
“Vejo, por infelicidade, ó imperador, que não medes a gravidade do fato sanguinário que
por ti foi ordenado, e que teu espírito não compreende a grandeza do pecado, mesmo quando tua
ira já se aplacou”.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
144
Acaso a extensão de teu poder te impede de reconhecer tua falta, e a liberdade de fazer quanto
queres obscurece tua vista?
“Pensa que és mortal como nós, que hás de voltar um dia ao pó de que todos somos
formados, e que o brilho de tua púrpura cobre um corpo débil.
Pensa nos homens sobre os quais reinas, que são como tu, filhos de um mesmo Criador e
Rei. Com que olhos queres contemplar agora o templo deste comum Senhor? Como ousarás pôr
teus pés em seu santuário? Como ousarão tuas mãos elevar-se a Ele, quando ainda estão tintas do
sangue de inocentes? Como queres receber o Corpo do Senhor, aproximar do cálice teus lábios,
dos quais saíram as ordens para o assassinato de inocentes?
Não somes um novo crime ao que já te pesa, retira-te e submete-te à penitência que Deus te
impõe. Pois é o remédio para tua alma enferma.
“Se pecaste como Davi, imita-o também na penitência”.
O Imperador ficou comovido, sentiu que o bispo não fazia senão cumprir com seu dever, e
voltou com lágrimas nos olhos.
Passaram-se meses sem que ele se apresentasse na igreja, nem o bispo no palácio.
Por fim venceu a Fé sobre os movimentos do orgulho e da ira. Na festa de Natal, pela manhã,
o camareiro Rufino encontrou o imperador banhado de lágrimas. O semblante de Rufino deixou
transparecer uma expressão brincalhona.
Teodósio lhe disse: “Tu te ris e não sentes minha desdita. A Igreja de Deus está hoje aberta
para os escravos e para os mendigos; a cada hora podem ir rogar ao Senhor; porém para mim está
fechada e com ela a porta do Céu, pois Cristo disse: “O que atares na terra será atado no Céu”.
- Rufino disse: “Não há que tomar isto tão ao pé da letra, eu convencerei a Ambrósio que te
absolva”.
- Não, replicou Teodósio; eu o conheço. Por temor do poder imperial não fará coisa alguma
contra a lei de Deus.
- Já o veremos, observou o camareiro, e correu à igreja.
- Que queres tu aqui? E que significa teu aspecto descarado? -disse-lhe Santo Ambrósio. É
sabido que tu aconselhaste ao imperador o sanguinário mandato, e não te oprime a memória dele?
- O imperador vem após mim, não o rechaces, disse Rufino.
- Se vem, lhe farei sair do vestíbulo, e se quer agir como tirano, terá que ferir-me primeiro a
mim, replicou Santo Ambrósio.
Rufino correu para Teodósio que se aproximava do templo e lhe aconselhou a voltar, pois
com o bispo nada havia a fazer.
- “Não, já não posso tolerar esta pena, disse Teodósio, vou e farei o que ele queira”.
Então o imperador se deteve às portas; Santo Ambrósio estava no vestíbulo.
- “Aqui estou, livra-me do meu pecado", rogou-lhe Teodósio.
- “Como te atreves a aproximar-se do lugar sagrado? Onde está tua penitência?”
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
145
Disse Teodósio a Santo Ambrósio: “Diz-me o que hei de fazer e praticarei a penitência”
Então o Bispo aconselhou que se ordenasse,
que de futuro, houvesse de transcorrer 30 dias entre
uma sentença capital e sua execução, e que entretanto,
se houvesse de apresentar de novo ao Imperador a
sentença para sua confirmação.
Logo o imperador voltou à igreja, se prostrou
em terra com orações e lágrimas, e não se levantou
senão quando começou o Santo Sacrifício, para
ocupar seu assento no santuário.
Mas Santo Ambrósio mandou retirar o trono
do Coro, pois a púrpura faz Imperador, porém não
sacerdotes. E daí por diante cessou o uso bizantino de
colocar o trono do Imperador no Coro.
Richter comenta: “Santo Ambrósio é o
General e o Governador da Igreja militante, e como
nenhum outro estendeu seu poder exterior. Sua força
era dobrar a cerviz dos poderosos sob seu jugo,
intimidar, rechaçar e aniquilar seus adversários”.
Santo Ambrósio absolvendo Teodósio. Por Juan De E Weiss exulta: “Deixemos a escritores como
Valdés Leal
Gibbon que vituperem a arrogância do sacerdote, e
antes nos rejubilemos de que naquele tempo de universal servidão, um varão virtuoso elevasse sua
voz!
A penitência não diminuía o prestígio de Teodósio aos olhos de seus súditos: antes
admiraram o penitente que inclinou sua cabeça com o arrependimento, assim como ao bispo que
teve ânimo para dizer a verdade ao onipotente.
Teodósio se mostrou grande, exclamando com admiração que não conhecia outro bispo da
dignidade de Ambrósio.
Em sua famosa oração fúnebre do imperador, disse o Santo: “Eu amava este varão, porque
lhe agradavam mais as repreensões que as adulações. Ele chorou numa assembleia dos fiéis os
pecados a que lhe haviam induzido; como Imperador, não se envergonhou da penitência pública, e
depois, nenhum dia passou em sua vida em que não chorasse seu pecado” (Weiss, pp. 239, 242).
As falsas religiões, o culto dos deuses, nada poderia curar as chagas da sociedade romana.
Era preciso um princípio novo, que vivificasse os sentimentos nobres do coração humano.
Essa palavra de vida veio da Judeia, e a unidade imperial do mundo romano ia facilitar a propagação
do Evangelho através das viagens dos apóstolos.
Após o governo de Teodósio, o Império do Ocidente entrou em agonia, com a crise das
instituições, as invasões bárbaras e a desintegração. O último imperador romano foi Rômulo
Augusto, destronado em 476 pelos bárbaros liderados por Odroaco. Este acontecimento marca o
fim da Idade Antiga.
As causas da queda do Império Romano Ocidental podem assim ser resumidas:
➢ Segundo Santo Agostinho, uma das causas da queda do Império foram a imoralidade e a
idolatria. “Deus o permitiu (a queda do Império) para cumprir as profecias, punir os culpados
inimigos do Evangelho e provar a alma dos justos” (Santo Agostinho).
➢ Alto custo para manter o controle das fronteiras: crise financeira do Estado.
➢ Desvalorização da moeda e inflação.
➢ Invasões: Persas (Oriente) e Bárbaros (Ocidente).
➢ Processo de ruralização.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
147
Império Bizantino
Introdução
O nome “bizantino” vem de Bizâncio, uma antiga cidade situada no Bósforo, o canal
estratégico que liga o Mar Negro ao Egeu. O imperador romano Constantino rebatizou a cidade
como Constantinopla no século IV d.C. e fez dela a capital de seu império. A partição oriental do
império romano, cuja capital era Bizâncio, permaneceu de pé por mais de mil anos após a queda
da parte ocidental, defendendo a Europa de invasores que vinham do Leste, como os persas, árabes
e turcos. Os bizantinos foram vitoriosos porque Constantinopla era bem defendida por muralhas e
a cidade poderia ser abastecida pelo mar. No seu auge, durante o século VI, os bizantinos tomaram
muitos dos territórios do antigo Império Romano do Ocidente, não alcançando apenas a Península
Ibérica (Portugal e Espanha), a Gália (França) e a Bretanha. Os bizantinos ainda dominavam a
Síria, o Egito e a Palestina, mas pela metade do século seguinte eles os perderam para os árabes. A
partir de então, o seu império consistiu principalmente nos Balcãs e na atual Turquia.
Justiniano I
O maior imperador bizantino foi Justiniano I (482-565). A
Petar Milošević/Commons
Seu governo é também marcado pelo grande atrito entre a Igreja do Ocidente sob direção do
Papa Vigílio. Justiniano exerceu forte cesaropapismo27. Após a condenação da heresia monofisista,
pelo concílio ecumênico da calcedônia, e o “cisma acaciano”, que separou a Igreja ocidental e
oriental por 35 anos, Justiniano quis reconciliar a Igreja, mas de maneira prepotente e equivocada,
publicando um decreto em que condenava três escritores que influenciaram as heresias nestorianas.
Para sua surpresa, o Papa Vigilio não concordou com esta condenação, e foi feito cativo por 7 anos
em Constantinopla, sem poder voltar para Roma e seu nome foi retirado das orações da liturgia.
Depois de muita pressão, aderiu ao decreto de Justiniano no Concílio de Constantinopla, em 553.
Fato é que as relações entre Roma e Constantinopla sempre foram difíceis devido ao
cesaropapismo, heresias locais, como monofisismo28 e a iconoclastia29, a fusão de crenças asiáticas
na Igreja de Constantinopla e principalmente a crise de autoridade, resultando na insubmissão de
Constantinopla à soberania da Igreja de Roma, em 867, e mais tarde, no Cisma do Oriente, em
1054.
Exército
A chave da força do Império Bizantino
era a superioridade geral do seu exército, que
contava com os melhores elementos da
experiência de guerra dos romanos, gregos,
góticos e dos povos do Oriente Médio. O cerne
do seu exército era uma tropa de choque de
cavaleiros pesados auxiliados por arqueiros e
infantaria. O exército era organizado em
unidades e treinados em táticas e manobras.
Comandantes recebiam educação sobre história
e teoria militares. Embora em menor número,
normalmente em comparação a grandes massas
de soldados destreinados, eles prevaleciam
graças a inteligentes táticas e disciplina.
Economia
A economia bizantina foi a mais rica na Europa por muitos séculos, porque Constantinopla
era idealmente situada em rotas comerciais entre a Ásia, Europa e os mares Negro e Egeu. Ainda,
era um importante ponto de rota da Seda desde a China. O nomisma, a principal moeda de ouro
bizantina, foi o padrão de dinheiro através do Mediterrâneo por 800 anos. A posição estratégica de
Constantinopla eventualmente atraiu a inveja e a animosidade de cidades-estados italianas.
27
Cesaropapismo é o nome dado à intervenção dos chefes de estados nos assuntos que competem às autoridades da Igreja.
28
Heresia pregada por Eutíquio e que reconhecia em Jesus Cristo uma única natureza: a Divina.
29
Heresia que contestava o uso e a veneração de imagens e ícones religiosos.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
149
Queda de Constantinopla em 1453. Capturado por Mehmet. Panorama Museum 1453, Istambul, Turquia.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
150
Atividades
1) Como foi o fim de Juliano?
2) Cite duas ações do imperador Teodósio?
3) Quais são as causas da queda do Império Romano?
4) Qual a origem do nome “bizantino”?
5) Após Constantino como passou a ser chamada a cidade de Bizâncio?
6) Quais territórios do antigo Império Romano os bizantinos não conseguiram anexar ao seu
império?
7) Quem foi o maior imperador dos bizantinos? Qual era sua ambição? Cite uma obra construída
durante o seu império.
8) O que é o cesaropapismo?
9) Por que a economia de Constantinopla era a mais rica da Europa?
10) O que marcou o fim da Idade Média?
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
151
Capítulo
15
O Paganismo
D
Á-SE o nome de paganismo às diversas religiões do Império Romano. Em Roma nunca
houve propriamente um Religião do Estado. Havia a máxima tolerância para as diversas
espécies de cultos, desde que não perturbassem a tranquilidade pública. A religião era
tão esplêndida pública. A religião era tão cosmopolita quanto a organização do Império.
As duas correntes filosóficas que exerceram na vida religiosa dos Romanos, depois da
helenização, foram a estoica baseada no orgulho, e a cínica, edificada sobre o prazer.
A religião, para os romanos, consistia mais em exterioridades, muitas vezes depravantes,
que inspiradoras de ideias nobres para com a divindade. É de notar que até os vícios tinham os seus
deuses protetores. Ávidos do prazer que provocava e estimulava o luxo originado nas riquezas
acumuladas, os Romanos chegaram ao maior descalabro moral. Somente uma religião pura e santa
poderia reerguer uma sociedade totalmente mergulhada nas mais humilhantes paixões. Essa
religião vai ser o Cristianismo.
Origem do Cristianismo
Já vimos que Roma, no tempo dos imperadores, apresentava a mais brilhante civilização material
unida ao mais depravado estado moral. A Providência Divina reservava ao cristianismo a missão
de regenerar o mundo gangrenado. O que mais provoca admiração é a desproporção entre os efeitos
e a causa: de um lado, o poder, a ciência, a riqueza, o vício, todas as forças do mundo; do outro
lado, um punhado de homens ignorantes, sem recursos, grosseiros pescadores, a pregar a doutrina
do filho de um carpinteiro da Judeia. Mas esse filho do carpinteiro era Deus e não há obstáculo
humano de deter a divindade.
O cristianismo tira seu nome de Jesus Cristo, seu fundador, que nasceu na Judeia no ano 753
da fundação de Roma, passou 30 anos na vida privada, pregou seu Evangelho durante 3 anos,
provou para todos que era homem e Deus ao mesmo tempo, encheu e morreu na cruz aos 33 anos;
colocou São Pedro à frente da Igreja e enviou os apóstolos a pregar sua doutrina em todo o mundo.
A Nova Lei produziu a maior mudança social já vista na História. Transformou a sociedade
antiga e reergueu o homem decaído, oferecendo-lhe dogmas, uma moral e um culto dignos de sua
origem e de seu fim.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
152
A propagação do Cristianismo
Apenas Jesus acabou sua missão na terra, os apóstolos começaram a ensinar e a batizar em
nome dele os Judeus e os gentios. Enquanto São Pedro fundava em Jerusalém e Antioquia as
primeiras igrejas cristãs, São Paulo anunciava o Evangelho na Ásia Menor e na Grécia; depois,
reunindo-se em Roma, ambos deram a vida, conforme já vimos anteriormente, para afirmar uma
religião que tomava por centro a antiga capital do mundo pagão.
A partir dessa época, os sucessores de São Pedro na sé de Roma conservam a primazia sobre
todas as outras sés e o governo da Igreja universal.
Os outros apóstolos espalharam-se pelo resto do mundo e, depois de pregar o Evangelho,
todos deram a vida para sustentar a divindade de Jesus.
O cristianismo devia, contudo, enfrentar grandes obstáculos: a ciência e o orgulho do espírito
resistiam à simplicidade da doutrina cristã e à humildade da fé; a depravação do coração repugnava
à severidade da moral evangélica; os apóstolos pregavam o jejum, a mortificação, o sofrimento a
uma sociedade ávida de prazeres, a caridade a homens egoístas, a igualdade e fraternidade universal
a sociedades que repousavam na escravidão; os sacerdotes pagãos faziam esforços desesperados
com o fim de conservar um poder que lhes escapava; os imperadores romanos tinham por suspeitos
e perigosos esses cristãos que recusavam adorá-los.
Os cristãos foram principalmente perseguidos pelos imperadores Décio e Diocleciano.
Depois de 300 anos de sujeição e perseguições, o cristianismo recebeu enfim a liberdade de modo
providencial, através do édito de Constantino. Coube a Teodósio, o Grande, reconhecer o
cristianismo como religião oficial do Estado.
uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos
superiores a toda expectativa, frutos cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros
documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer. Se a Europa cristã domou
as nações bárbaras e as fez passar da ferocidade para a mansidão, da superstição para a verdade; se repeliu
vitoriosamente as invasões muçulmanas, se guardou a supremacia da civilização, e se, em tudo que faz
honra à humanidade, constantemente e em toda parte se mostrou guia e mestra; se brindou os povos com a
verdadeira liberdade sob essas diversas formas, se sapientissimamente fundou uma multidão de obras para
o alívio das misérias; é fora de toda dúvida que, assim, ela é grandemente devedora à religião, sob cuja
inspiração e com cujo auxílio empreendeu e realizou tão grandes coisas”. (PAPA LEÃO XIII)
O Papa Leão XIII está se referindo à Idade Média, tempo em que a Igreja era reconhecida
na dignidade que lhe é devida, onde o sacerdócio e o império, ou seja, a Igreja e os Reis estavam
ligados, sendo que os governantes obedeciam às ordens dadas pelos religiosos. O Evangelho
iluminava as leis, as instituições e os costumes dos povos.
“(Na Idade Média), os povos tornaram-se cada vez mais atentos a pregação do Evangelho, e o número dos
que dela fizeram luz e regra de vida foi cada vez maior. Sem dúvida, havia fraquezas, fraquezas das nações
e fraquezas das almas. Mas a nova concepção da vida permanecia lei para todos, lei que os desvios não
faziam perder de vista e à qual todos sabiam, todos sentiam que era preciso retornar uma vez que se tivessem
afastado. Nosso Senhor Jesus Cristo, com Seu Novo Testamento, era o doutor escutado, o guia seguido,
o rei obedecido. Sua realeza era a tal ponto reconhecida pelos príncipes e pelos povos, que eles a
proclamavam até em suas moedas. Em todas estava gravada a cruz, o signo augusto da ideia que o
cristianismo tinha introduzido no mundo, que era o princípio da nova civilização, da civilização cristã, que
devia regê-lo, o espírito de sacrifício oposto à ideia pagã, ao espírito de gozo que tinha construído a
civilização antiga, a civilização pagã. À medida que o espírito cristão penetrava as almas e os povos, almas
e povos cresciam na luz e no bem, se elevavam pelo só fato de verem a felicidade no alto e de a carregarem
consigo. Os corações tornavam-se mais puros, os espíritos mais inteligentes. Os inteligentes e os puros
introduziam na sociedade uma ordem mais harmoniosa. A ordem mais perfeita tornava a paz mais geral e
mais profunda; a paz e a ordem engendravam a prosperidade, e todas essas coisas davam ensejo às artes e
às ciências, esses reflexos da luz e da beleza dos céus”. (MONSENHOR HENRY DELASSUS)
Monsenhor Delassus nos mostra, com grande maestria e beleza, o que é uma sociedade que
tem Jesus como doutor, guia e Rei. Essa sociedade existiu durante a Idade Média. Sem dúvida havia
fraquezas, pecados etc., mas todos sabiam que isso era errado e que deviam se converter, pois o
Evangelho era um grande farol que indicava o caminho para os “navegantes perdidos”. Mon.
Delassus ainda nos mostra que a sociedade que se submete à doutrina da Igreja só colhe benefícios,
como a harmonia, a paz, a ordem, a prosperidade e o desenvolvimento das artes e das ciências
(arquitetura, engenharia etc.), como fica claro pelas imagens da página a seguir:
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
154
Castelos e cidades:
A Igreja e a Civilização
A civilização engloba todas as realidades humanas, ou seja, as doutrinas, a filosofia, a
religião, a política, a economia, as leis, a arquitetura, a arte etc. Vimos, entretanto, no primeiro
volume que existem duas civilizações: a civilização cristã e a civilização pagã. Isto quer dizer que
os cristãos querem construir uma civilização totalmente fundada nos ensinamentos de Jesus Cristo
e da Igreja e a civilização pagã quer destruir a civilização cristã para fundamentar seu edifício nos
prazeres desta terra, e podemos chegar a conclusão óbvia que é liderada pelo príncipe das trevas.
A religião é o coração da civilização cristã, isto é, fornece todos os padrões e fundamentos
para todos os aspectos da vida humana. Por exemplo: uma sociedade que vive a religião católica
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
156
autenticamente, deve viver a justiça e a caridade nos mais altos graus, seja no campo político, no
campo legislativo, no campo econômico. Imaginem se tivéssemos políticos que buscassem
verdadeiramente a santidade, empresários que valorizassem o trabalho de seus empregados,
músicos que compusessem suas músicas para honra e glória de Deus, artistas que pintassem
quadros belíssimos, padres que conhecessem a autêntica doutrina da Igreja. Uma sociedade assim
já existiu quando a Igreja Católica nos treze primeiros séculos da era cristã recebeu sua devida
honra. É evidente que havia problemas, contudo isso era fruto das más inclinações que temos
devido ao pecado original. Queremos dizer que nesses mil e trezentos anos, o pecado era
reconhecido como algo mal e que devia ser combatido, ao contrário do que vemos hoje, onde o mal
prolifera em todos os lugares.
A Civilização católica
“Não, a civilização não está por inventar. Ela já existiu, ela existe: é a civilização cristã, a cidade católica.
O que falta é instaurá-la e restaurá-la sem cessar sobre seus fundamentos naturais e divinos contra os ataques
sempre renascentes da utopia malsã, da revolta e da impiedade: Omnia instaurare in Christo (Instaurar
todas as coisas em Cristo)”. (SÃO PIO X)
A Civilização é um fato social, que deve irradiar sua luz sobre toda a sociedade. Se
considerarmos que todas as riquezas da Civilização Cristã recebemos de Jesus Cristo que é sua
fonte única, infinitamente perfeita, e que a luz que começou a brilhar entre os homens em Belém
havia de iluminar cada vez mais o mundo inteiro, transformando mentalidades, abolindo e
instituindo costumes, infundindo espírito novo em todas as culturas, unindo e elevando a um nível
superior todas as civilizações, pode-se dizer que o primeiro dia de Cristo na terra foi desde logo o
primeiro dia de uma era histórica.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
157
O Natal foi o primeiro dia de vida da Civilização Cristã. Não há ser humano mais frágil do
que uma criança. Não há habitação mais pobre do que uma gruta. Não há berço mais rudimentar
do que uma manjedoura. Entretanto, esta Criança, naquela gruta, naquela manjedoura, haveria de
transforma o curso da História, da cultura e da Civilização.
Não muito tempo atrás, o relógio da Igreja servia para que todos os passantes acertassem
seu próprio relógio. Assim, a Igreja tem o pensamento oficial, infalível, que deve acertar o
pensamento de todas as pessoas. Ela pensa certo e os homens devem acertar os seus “ponteiros” de
acordo com o pensamento dela.
Nos treze primeiros séculos do cristianismo, os homens possuíam essa mentalidade, tudo
andou certo, porque colocavam os preceitos da religião em todos os aspectos da vida humana.
Quando não se está de acordo com os ensinamentos de Jesus e da Sua Igreja, a humanidade se
desentende em todos os campos: péssima política, injusta economia, arte, música, arquitetura que
cultuam o feio.
Deduzimos, portanto, que a fonte da Civilização é a Igreja Católica. Sem ela, tudo é barbárie,
pois a Luz de Cristo não ilumina as trevas do paganismo e o bom odor de Cristo não afasta o fétido
odor diabólico.
Para haver Civilização verdadeira é necessária uma grande irradiação da doutrina da Igreja
em todos os campos da vida humana (leis, política, economia, lazer, arte, música etc.), dando às
pessoas o gosto pela prática das virtudes católicas de sabedoria e pela iluminação do Espírito Santo,
de modo que todo pensar e agir humanos tendam para a santificação.
Assim, se a luz de Cristo é a fonte da Civilização, a rejeição dela é a causa de sua ruína. Pois
se homem não quer ser católico, como pode ser cristã a civilização que nasce de suas mãos? Se os
homens cumprissem as leis de Deus toda crise deixaria de existir.
A Civilização Cristã é fundamentada nos 10 mandamentos e no Magistério infalível da
Igreja de dois mil anos. Imagine um prédio grandioso, mas sem alicerce. Certamente ele ruiria, pois
é muito pesado. Até mesmo as pequenas construções necessitam se sustentar em um alicerce.
“Imagine-se um país em que governantes e governados, mestres e discípulos, pais e filhos, oficiais e
comandados; um país, em que todos praticassem os Dez Mandamentos! Postos os recursos que tal país
disponha, ele não subiria imediatamente ao apogeu daquilo que deve ser?” (SANTO AGOSTINHO)
Santo Antão
O homem civilizado, sabendo que Deus criou o universo numa ordem sublime e imutável,
vive com os olhos postos no futuro (eternidade), preocupado em aprimorar o presente, com base
nos preceitos que se exprimem nos Dez Mandamentos. Preceitos estes que são aprimorados por
Nosso Senhor Jesus Cristo.
Diz Santo Agostinho: “Guarda a ordem e a ordem te guardará”. O civilizado sabe que a
“observância da ordem é a condição não só para a conservação desta, como para seu progresso, o
que é sobretudo verdadeiro para os seres vivos, e, mais especialmente, para o homem, que é o rei
do universo. A Lei de Deus é o fundamento da grandeza e do bem-estar de todos os povos”. Santo
Agostinho
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
159
O homem civilizado arma essa oposição fundamental entre a verdade e o erro, o bem e o
mal, o belo e o feio em uma luta implacável, de todos os momentos, em todos os pormenores, e
militantemente proíbe, exclui, se opõe a que o errado, o defeituoso, o feio tenham lugar na
civilização, pois é uma tendência essencial tornar mais perfeita a vida da coletividade humana.
Tendo Deus criado o homem à sua imagem e semelhança, é natural que Ele tenha posto na
própria natureza humana uma tendência a fazer da vida terrena um noviciado para o Paraíso
Celeste, cidade de uma beleza perfeita. Nessa civilização se busca a perfeição, conforme foi
ordenado por Nosso Senhor: “Sede perfeitos como o Pai Celeste é perfeito” (Mt 5, 48).
A civilização contém em si uma noção de perfeição humana. Se a Igreja é a mestra dessa
perfeição, ela tem de ser forçosamente a alma da cultura e da civilização. Em outras palavras, a
civilização só é plenamente ela mesma se for católica. Quanto mais uma civilização for católica,
mais alcança sua plenitude. Ao contrário, quanto mais uma civilização se afasta dos valores
católicos, mais deixa de ser civilização.
Segue-se, portanto, que a grande necessidade essencial dos povos, das culturas e das
civilizações é serem católicas. O grande perigo é afastarem-se da Igreja. A Igreja é o centro de
gravidade em torno do qual orbitam os acontecimentos históricos.
“Numa palavra, possui o domínio de todas as criaturas, não pelo ter arrebatado com violência, senão em
virtude de sua essência e natureza”. (SÃO CIRILO DE ALEXANDRIA)
O Papa Pio XI escreveu uma encíclica chamada Quas Primas, sobre Cristo Rei. Nesta
encíclica o Papa reafirma a doutrina de sempre da Igreja, a saber: Nosso Senhor Jesus Cristo é Rei
em toda a profundidade deste termo, ou seja, não é só rei na ordem sobrenatural (que é a mais
importante), mas Rei de toda ordem natural. Como disse o Papa: “A Cristo-Rei cabe o poder
legislativo, judicial e executivo”. Jesus não reina somente sobre os católicos, mas sobre todo gênero
humano.
“Seu império não abrange tão só as nações católicas ou os cristãos batizados, que juridicamente pertencem
à Igreja, ainda quando dela separados por opiniões errôneas ou pelo cisma: estende-se igualmente e sem
exceções aos homens todos, mesmo alheios à fé cristã, de modo que o império de Cristo Jesus abarca, em
todo rigor da verdade, o gênero humano inteiro”. (PAPA LEÃO XIII)
Todo e qualquer católico que deseja ser fiel ao verdadeiro catolicismo deve lutar para que
esta verdade seja conhecida e vivida: O Reinado Social de Cristo é a única solução para que as
sociedades encontrem a paz e atinjam seu fim último, Deus mesmo.
“Quando Ele (Cristo) não reina pelos benefícios ligados à sua presença; reina por todas as calamidades
inseparáveis de sua ausência.” (CARDEAL PIE)
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
161
Atividades
1) Quais eram as duas correntes filosóficas mais influentes no Império Romano?
2) Qual religião apresentou a única solução para o homem decaído?
3) O que a civilização engloba?
4) Quantas civilizações existem?
5) Como podemos ter uma sociedade que verdadeiramente agrade a Deus?
6) Em qual dia podemos considerar que nasceu a Civilização Cristã?
7) Quais são os fundamentos da Civilização Cristã?
8) Copie a frase de Santo Agostinho:
“Imagine-se um país em que governantes e governados, mestres e discípulos, pais e filhos, oficiais
e comandados; um país, em que todos praticassem os Dez Mandamentos! Postos os recursos que
tal país disponha, ele não subiria imediatamente ao apogeu daquilo que deve ser?”
9) O que a Igreja, especialmente na Quas Primas, nos ensina sobre o Reinado de Cristo?
10) Copie a frase:
“Quando Ele (Cristo) não reina pelos benefícios ligados à sua presença; reina por todas as
calamidades inseparáveis de sua ausência.” (Cardeal Pie)
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
162
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
163
A Idade Média, segundo convenção, se iniciou em 476 d.C., com a queda do Império Romano
do Ocidente, e terminou em 1453 d.C., com a queda do Império Romano do Oriente (Império
Bizantino). Destacaremos alguns fatos históricos importantes deste período, contudo optamos em
começar com o Édito de Milão (313 d.C.) e terminar com a propagação da heresia protestante (1517
d.C.). Não queremos, com isso, redefinir os marcos históricos da Idade Média, mas enfatizar
eventos anteriores e posteriores que contribuem para seu entendimento.
• 313 d.C. - Constantino, imperador de Roma, publicou o Édito de Milão que proibia qualquer
perseguição aos cristãos e lhes dava liberdade de culto. O imperador até concedeu ao Papa um
palácio que veio a se tornar a Basílica de São João de Latrão.
• 325 d.C. – Foi celebrado neste ano o Primeiro Concílio Ecumênico (para toda a Igreja) da História.
Reunidos na cidade de Niceia (por isso Concílio de Niceia), bispos do mundo todo elaboraram o
primeiro símbolo da Igreja (a fórmula da nossa fé, isto é, o Credo), além de condenar as heresias da
época, como o arianismo.
• 336 d.C. – Morte do herege Ário. Para ele Jesus Cristo não era Deus, mas uma criatura de Deus.
Esta heresia corrompeu a maior parte dos católicos, fazendo-os cair em erro. Alguns homens se
destacaram no combate a Ário, como foi o caso de Santo Atanásio e de São Nicolau, que chegou a
expulsar o herege do Concílio de Niceia a tapas.
• 337 d.C. – Morte de Constantino, o Grande, Imperador de Roma.
• 357 d.C. – Morte de Santo Antão, o eremita. Este grande Santo morreu aos 105 anos de idade depois
de renunciar a todas as riquezas que possuia quando jovem e se retirar para o deserto, a fim de
meditar as Sagradas Escrituras, fazer penitência e combater o demônio.
374 d.C. – Eleição de Santo Ambrósio para bispo de Milão. Este santo homem foi fundamental para
a história. Ajudou no processo de conversão de Santo Agostinho, escreveu inúmeras obras e auxiliou
o Imperador Teodósio em sua vida espiritual.
Santo Antão
• 384 d.C. – Concílio de Constantinopla: este concílio foi convocado por causa do surgimento da
heresia de Macedônio, herege que negava a divindade do Espírito Santo. Nesta época, o imperador
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
164
de Roma era Teodósio, que tornou a religião católica oficial em todo o Império, e o Papa reinante
era São Dâmaso. Além de condenar o macedonismo, o concílio publicou algumas novas partes do
símbolo, o qual passou a ser chamado Credo Niceno-Constantinopolitano.
• 430 d.C. – Morte de Santo Agostinho, bispo de Hipona. Sem dúvida, Santo Agostinho foi um dos
maiores Santos da Igreja Católica, além de ser um dos maiores Doutores da Igreja. Após uma
juventude conturbada, converteu-se graças à intercessão de sua mãe, Santa Mônica, e de Santo
Ambrósio. Combateu com vigor os hereges, especialmente os donatistas, os pelagianos e os
maniqueus.
• 431 d.C. – Concílio de Éfeso: convocado devido à heresia de Nestório, o qual afirmava que Maria
Santíssima não era mãe de Deus. A Igreja definiu o dogma da maternidade divina de Maria, ou seja,
Maria é realmente Mãe de Deus.
• 451 d.C. – Concílio da Calcedônia: convocado pelo Papa São Leão Magno para condenar as
heresias de Eutiques. O Papa Leão ficou muito conhecido por sua grande ciência, e sabedoria por
sua grande santidade. Um fato interessante foi o seu encontro com o terrível Átila, rei dos hunos. O
Papa foi sozinho ao encontro do cruel tirano. Depois de um tempo de conversa, o rei huno se retirou
das terras romanas, dizendo que havia visto uma personagem sobre o Papa empunhando uma espada
e ameaçando feri-lo caso não obedecesse.
• 476 d.C. – Queda do Império Romano do Ocidente. Devido a diversos fatores, especialmente a
idolatria, Deus permitiu que uma grande invasão bárbara levasse à queda do Império Romano do
Ocidente. Este fato é um dos mais importantes para a História. A partir de agora, inicia-se um novo
desafio para a Igreja: os bárbaros.
• 496 d.C. – Batismo do Rei Clóvis, o Franco. Clóvis era o líder dos francos, povo bárbaro que invadiu
a região da Gália, atual França. Por intermédio do bispo da região, São Remígio, Clóvis se casou
com uma princesa da Burgúndia, Santa Clotilde. A partir daí, iniciou-se a grande obra da esposa do
rei e do bispo Remígio para a conversão do rei pagão. Finalmente, após vencer uma batalha
impossível com a ajuda do Céu, Clóvis se converteu e foi batizado. Iniciou-se o reino católico da
França.
• 543 d.C – Morte de São Bento. Este Santo é conhecido como o Civilizador. Além de milagres
estupendos, São Bento organizou a vida monástica do Ocidente, fundando diversos mosteiros que
se tornaram o centro da vida religiosa e cultural.
• 553 d.C – II Concílio de Constantinopla: concílio convocado para condenar algumas obras
heréticas.
• 604 d.C. – Morte de São Gregório Magno, papa. A escolha de São Gregório para Papa foi
surpreendente: após a morte do Papa Pelágio II, o povo romano exigiu a eleição de Gregório para
Papa. Este, ao saber disso, fugiu para um bosque devido à sua grande humildade. Porém, Deus
mandou que uma coluna de fogo o seguisse, o que fez o povo descobrir sua localização. Por fim,
Gregório se viu obrigado a aceitar a dignidade pontifícia.
• 680 d.C. – III Concílio de Constantinopla: este concílio condenou os erros dos monotelistas, os
quais afirmavam que Jesus possuía apenas uma vontade. A fé católica afirma que Jesus possuia duas
vontades: a divina e a humana.
• 732 d.C. – A Batalha de Poitiers: certamente esta é uma das principais batalhas da História. Travou-
se em Poitiers, região da França, entre o exército francês e os muçulmanos. Os francos foram
liderados pelo destemido Carlos Martel, líder evangelizado por São Bonifácio. A vitória coube aos
católicos, nitidamente auxiliados pelo Céu. Caso isso não ocorresse, dificilmente teríamos as glórias
da Igreja durante a Idade Média, pois os muçulmanos estavam determinados a destruir a cultura e a
religião católicas.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
165
• 787 d.C. – II Concílio de Niceia: convocado para condenar os iconoclastas, homens que destruiram
os ícones católicos alegando idolatria. O concílio declarou que era uma prática lícita e piedosa
honrar as imagens de Jesus Cristo, da Virgem e dos Santos e que era coisa muito útil colocá-las
também nas ruas.
• 800 d.C. – Coroação de Carlos Magno: “Entre os reis escolhidos pela Providência para beneficiar
de modo especial a humanidade e a Religião, deve-se certamente contar Carlos Magno, filho de
Pepino, rei de França” (São João Bosco). Após libertar Roma e a Igreja dos ataques dos
longobardos, foi recebido pelo
Papa São Leão III. “Era dia de
Natal, e o Papa, enquanto
celebrava a Missa, disse em
voz alta: ‘A Carlos piíssimo,
augusto, coroado por Deus,
grande e pacífico Imperador,
vida e vitória!’ Todos os
presentes repetiram três vezes
em voz alta as mesmas
palavras. Fora de si Carlos
Magno por aquelas
inesperadas aclamações, não
sabia o que dizer nem fazer.
Então o Pontífice o consagrou
Rei e pôs-lhe na cabeça a Coroação de Carlos Magno pelo Papa São Leão III. Por Friedrich Kaulbach.
coroa imperial”.
• 814 d.C. – Morte de Carlos Magno, o rei coroado por Deus.
• 843 d.C. – Tratado de Verdum: após a morte de Carlos Magno, os seus descendentes dividiram o
Império Carolíngio em três partes através do Tratado de Verdum.
• 870 d.C. – 8º Concílio: realizado em Constantinopla, este concílio organizou-se para sufocar uma
heresia que se proliferou na época por meio de um tal de Fócio, orgulhoso e cismático. Queria ele
se autodeclarar chefe da Igreja Católica. O concílio o excomungou.
• 927 d.C. – Morte de São Bruno, fundador do mosteiro de Cluny. Este mosteiro foi responsável pelo
reflorescimento da vida religiosa, com o surgimento de inúmeros santos monges, que inclusive
tornaram-se papas. “Assim se formou a famosa congregação de Cluny, donde saíram tantos homens
esclarecidos por doutrina, santidade e milagres” São João Bosco.
• 1054 d.C. – Grande Cisma do Ocidente: a parte oriental da Igreja se separou de Roma.
• 1085 d.C. – Morte do Papa São Gregório VII (monge de Cluny), “um dos maiores Papas que
governaram a Igreja” São João Bosco. Este grande Papa foi um exemplo de santidade, ciência e
justiça. Tinha claro os princípios do Evangelho e a necessidade de tornar o mundo católico para que
este seja salvo. Por isso, enfrentou os hereges, os maus reis e, especialmente, os muçulmanos,
principais inimigos da fé católica. Durante a sua vida, o Papa incentivou por diversas vezes os reis
e seus vassalos a empreenderem uma Cruzada, ou seja, uma guerra contra os muçulmanos que
haviam invadido a Terra Santa e destruído o Santo Sepulcro de Nosso Senhor, além de fazerem
muito mal aos católicos que lá viviam.
• 1095 d.C. – Convocação da Primeira Cruzada: Após anos de abusos e proliferação da falsa religião
maometana, o Papa Beato Urbano II convocou a primeira cruzada para libertar Jerusalém das mãos
imundas dos filhos de Maomé.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
166
• 1099 d.C. – Fim da primeira cruzada e fundação do Reino Católico de Jerusalém. O grande nome
da primeira cruzada foi Godofredo de Bulhões. Este não quis ser coroado rei de Jerusalém
(contentou-se com o título de protetor), dizendo esta cérebre frase: “Não usarei uma coroa de ouro
onde Nosso Senhor foi coroado de espinhos”. Em uma batalha perguntaram a este nobre homem a
fonte de sua força incrível. Disse ele: “Minhas mãos nunca foram manchadas com a impureza, por
isso venço com facilidade os inimigos da Igreja”.
• 1123 d.C. – 9º Concílio: este concílio foi celebrado em Roma, na catedral de Latrão, para
restabelecer a paz e a concórdia entre a Igreja e o império, pertubada por um erro chamado
investidura (alguns governantes se intrometiam exageradamente nos assuntos da Igreja, até mesmo
escolhendo bispos e abades).
• 1139 d.C. – 10º Concílio: este concílio foi celebrado também na catedral de Latrão, em Roma, para
combater um homem que se autoproclamou Papa e condenar vários erros que tinham surgido contra
fé.
• 1153 d.C. – Morte de São Bernardo de Claraval: São João Bosco afirma que São Bernardo é
certamente um dos astros mais luminosos da Igreja.
• 1179 d.C. – 11º Concílio: concílio convocado pelo Papa Alexandre III com a finalidade de condenar
os valdenses, homens liderados por Pedro Valdo, que começaram a atacar a Igreja por suas riquezas.
• 1199 d.C. – Morte do Imperador
Frederico Barba-Roxa: este imperador,
após ter tido muitos problemas com a
Igreja, se converteu e, para fazer
penitência de seus pecados, foi com seu
exército para a Palestina a fim de
combater os muçulmanos.
• 1215 d.C. – 12º Concílio: concílio
convocado para combater os Albigenses,
hereges que diziam, entre tantos outros
erros, que tanto Deus quanto Satanás
tinham poder de criar as coisas.
• 1121 d.C. – Morte de São Domingos
Gusmão: este santo fundou a Ordem dos
Pregadores, mais conhecidos como
Dominicanos. Domingos desejava
combater as heresias dos albigenses e,
para isso, se retirou para um lugar deserto
Encontro de São Domingos com São Francisco de Assis. Por Fra
para fazer penitência e oração. No Angélico.
entanto, Maria Santíssima apareceu para
ele e lhe ensinou a reza do Santo Rosário, arma mais eficaz para a conversão das pessoas.
• 1126 d.C – Morte de São Francisco de Assis: eis o maior santo da Igreja Católica, homem que se
sentou no trono do Serafim Lúcifer deixado por este devido ao orgulho e ocupado por Francisco por
sua humildade. Francisco de Assis fundou a Ordem dos Frades Menores, conhecida como
Franciscanos. São Francisco alcançou tal santidade que recebeu as chagas de Nosso Senhor Jesus
Cristo, o primeiro santo a receber este dom na História da Igreja.
• 1274 d.C. – Morte de Santo Tomás de Aquino: este grande santo dominicano é chamado de Doutor
Angélico. Tomás foi a mente mais brilhante que a Igreja já teve em sua história.
• 1453 d.C. – Queda do Império Romano do Oriente, conquistas pelos turcos otomanos.
• 1492 d.C. – Cristóvão Colombo descobriu a América.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
167
• 1494 d.C. – Tratado de Tordesilhas: tratado assinado entre os reinos de Portugal e Espanha com a
finalidade de dividir as novas terras encontradas na América.
• 1500 d.C. – Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil.
• 1517 d.C. – O grande hersiarca Lutero, instigado pelo demônio, inicia sua infame revolução
protestante.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
168
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
169
Capítulo
16
Q UANDO, no fim do IV século da nossa era, o mundo romano, enfraquecido por muitas
causas e principalmente pela decadência dos costumes, parecia próximo do seu fim,
formigava para além do Reno e do Danúbio a massa formidável das tribos germânicas, que
desde muito tentavam irromper pelas fronteiras do Império. Eram povos fortes e belicosos, que
consideravam os combates como um prazer, e que por isso passavam a maior parte do tempo
guerreando. Acreditavam que Odin, o deus da guerra, recebia em seu palácio os guerreiros que
caíam valorosamente no campo de batalha, proporcionando aos seus hóspedes uma vida de
banquetes e combates. Tinham costumes bem simples e um grande amor pela independência e
liberdade individual. Não viviam reunidos em cidades, mas quando era preciso combater, vinham
das suas aldeias isoladas colocar-se sob as ordens de um chefe designado por eleição. Os negócios
importantes para a comunidade eram decididos numa assembleia geral de toda a tribo. A sua
“civilização” era muito rudimentar; mas aqueles que se localizaram mais próximo das fronteiras do
Império, em breve se aperfeiçoaram no contato com os romanos. Quase todos estes povos, quando
entraram no Império, abraçaram o arianismo, convertendo-se só mais tarde ao catolicismo.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
170
Os romanos, orgulhosos da sua alta civilização, davam o nome de bárbaros a todos os povos
situados fora das fronteiras do Império. Os bárbaros se dividiam em três raças principais:
germânica, eslava e tártara.
Os germanos, situados entre o mar Báltico e o rio Danúbio e entre os rios Reno e Vístula,
compreendiam os alemães, francos, saxões, anglos, godos, suevos, burgúndios, hérulos, vândalos,
lombardos, escandinavos, etc.
Os eslavos ou sármatas, estabelecidos entre o Báltico e o mar Negro, tinham por tribos
principais os polacos, russos, bósnios, sérvios, tchecos (boêmios), etc.
Os tártaros, originários do planalto da Ásia Central, compreendiam os hunos, alanos, ávaros,
húngaros, mongóis, turcos, etc.
A invasão do V século (denominada pelos historiadores alemães como a migração dos
povos) foi quase apenas feita por populações da raça germânica, que, apesar de seus numerosos
deslocamentos, tinham em geral tendências sedentárias, e desejavam por isso fixar-se
definitivamente nas belas regiões ocidentais do Império, bem preferíveis às úmidas florestas em
que viviam. Os eslavos, que eram mais dados ao cultivo das terras e ao pastoreio, só apareceram
no meio da Idade Média, e tiveram por isso de estabelecer-se mais ao oriente. Os tártaros, que
passavam uma vida nômade e eram de costumes mais sanguinários e de fisionomia mais grosseira,
vindo com os seus rebanhos e os seus carros desde a Ásia Central, só apareceram (com exceção
dos hunos e dos alanos), quase para o fim da Idade Média, cujo ciclo encerram com a tomada de
Constantinopla.
Visigodos
Os godos, que anteriormente haviam habitado a parte meridional da Escandinávia, vieram
estabelecer-se depois nas margens do rio Borysthenes (atual Dniepre, na Rússia), dividindo-se ali
em três ramos: visigodos ou godos do ocidente, ostrogodos ou godos do oriente, e gépidas ou
retardatários.
Os hunos, quando em 375 passaram o rio Don (Rússia), precipitaram-se sobre os godos; os
gépidas e os ostrogodos submeteram-se ao seu domínio, mas os visigodos, preferindo pedir ao
imperador romano Valente que lhes desse terras no império, vieram estabelecer-se nas duas Mésias
(nome de antigas regiões dos Balcãs).
No fim do século IV, os visigodos sob o comando do bravo guerreiro Alarico, invadiram a
Trácia, Macedônia e Grécia (395). O imperador Honório, assustado com os rápidos sucessos de
Alarico, ofereceu-lhe o título de mestre da milícia da Ilíria, e, entretanto, Rufino, seu ministro,
excitava secretamente Alarico para que invadisse a Itália. Efetivamente oito anos depois o chefe
visigótico conquistava quase todo o vale do rio Pó; mas Estilicão, ministro de Honório, pôde ainda
repeli-lo (403).
Passados alguns anos Alarico reapareceu na Itália, e desta vez conseguiu apoderar-se de
Roma (410), entregando-a ao saque.30 Pouco sobreviveu Alarico, porém, ao seu triunfo; tendo
30
Alarico cercou Roma por três vezes. Da primeira retirou-se mediante o resgate de 5.000 libras de ouro e 30.000 de prata; mas,
como Honório se recuasse a ratificar o tratado feito pelo Senado, encolerizou-se e voltou a fazer um segundo cerco. Roma,
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
171
marchado para o sul, talvez para ir conquistar a Sicília, morreu na Calábria, e os seus soldados
sepultaram-no no leito do rio Bussento, para que o seu corpo não fosse profanado pelos romanos.
Ataulfo, sucessor de Alarico, que tinha uma grande predileção pelo Império, pôs-se ao
serviço de Honório, com cuja irmã Gala Placídia se casou (413), prometendo expulsar da Gália e
da Espanha alguns usurpadores, que lá se tinham feito proclamar Césares. Em seguida transpôs os
Pireneus e fundou na Catalunha a primeira monarquia visigótica (414), tendo Barcelona por capital.
Vália, que lhe sucedeu, obteve de Honório, em recompensa dos serviços que prestou ao
Império vencendo os vândalos e os suevos na Espanha, o território compreendido entre os Pireneus
e o rio Garona, transferindo por isso a capital para Tolosa (419).
Os principais sucessores deste príncipe foram:
Teodorico I, que morreu na Batalha de Chalons, combatendo contra os hunos (451).
Eurico, que estendeu os seus domínios para o norte até ao rio Loire e para o sul até ao estreito de
Gibraltar, vindo assim a monarquia visigótica a compreender quase toda a Espanha e grande parte
da Gália.
Hunos
Os bárbaros hunos ao chegarem ao norte do mar Cáspio dividiram-se em dois ramos: uns
fixaram-se a leste do Cáspio e receberam o nome de hunos brancos; outros continuaram a dirigir-
se para a Europa e constituíram os hunos propriamente ditos. Foram estes que puseram em
movimento todo o mundo bárbaro, trazendo adiante de si os alanos, impelindo os visigodos para o
sul do Danúbio, e agredindo os da Sarmácia, onde foram estabelecer-se, os outros povos bárbaros.
Meio século depois os hunos reapareceram na Germânia sob o comando de Átila, guerreiro
feroz, que se autodenominava o açoite de Deus. Átila à frente de 600.000 bárbaros precipitou-se
sobre a Gália, atravessou o Sena e marchou sobre o Loire, fazendo as populações fugirem num
pavor indizível, porque por onde o seu exército passava não ficava pedra sobre pedra.31
Desejando tomar Orleans, chave das províncias meridionais, Átila foi cercá-la; mas a
população, animada pelo seu bispo, opôs-lhe uma tenaz resistência, e deu assim tempo para que
Aécio, general do Império, ajudado pelos visigodos, francos e burgúndios, que temiam ver-se
despojados dos seus territórios por tão terrível conquistador, o obrigasse a levantar o cerco. Era a
primeira vez que o rei dos hunos recuava; mas fê-lo para escolher terreno favorável para as
manobras da sua cavalaria, parando numa vasta planície próxima de Chalons. Foi aí que se travou
alguns dias depois a famosa batalha (451), que salvou o Ocidente do terrível domínio dos hunos.
Átila foi vencido pelos exércitos aliados, e, deixando no campo de batalha 160.000 cadáveres,
retirou-se para a Panônia, a fim de reparar as suas perdas.
rendida pela fome, abriu suas portas aos visigodos, que, todavia, a respeitaram. O terceiro cerco foi provocado pelo traiçoeiro
procedimento do Imperador, que mandou, quando acabava de fazer-se a paz, atacar o campo dos visigodos. Desta vez a cidade
foi tomada e saqueada durante três dias.
31
Metz, Trèves, Strasburgo e muitas outras cidades foram saqueadas. Troyes deveu a sua salvação ao seu bispo São Lobo, que,
revestido das suas vestes sacerdotais, saiu ao encontro de Átila, conseguindo que ele poupasse a cidade. Paris foi também salva
devido às súplicas de Santa Genoveva.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
172
No ano seguinte reapareceu na Alta Itália, mais feroz do que nunca, e reduziu à cinzas
Vicenza, Pádua e Verona. Marchava já sobre Roma, quando o Papa São Leão Magno se dirigiu ao
acampamento dos hunos e expulsou Átila.
O chefe huno retirou-se outra vez para as suas florestas da Panônia, e lá morreu
prematuramente (454), desaparecendo com ele o seu imenso império.
Hérulos
Inicialmente os hérulos tinham vindo da Sarmácia para estabelecerem-se na Germânia, e
depois foram contratados para servirem no exército romano. Apesar de pouco numeroso, foi este
povo que vibrou o golpe mortal no agonizante império romano do Ocidente. Tomando por pretexto
haver-lhes sido recusada a terça parte das terras da Itália, que eles exigiam, revoltaram-se contra o
imperador Rômulo Augústulo, sob o comando do seu chefe Odoacro, filho de um antigo ministro
de Átila. Odoacro tomou Pavia, Ravena e Roma, obrigou Augústulo a abdicar e fez-se proclamar
rei da Itália (476), encerrando assim de vez o Império Romano do Ocidente.
Os Francos
Os Francos (denominação que significa bravos) formavam uma confederação de tribos
germânicas, que, sob os nomes de sicambros, sálios, ripuários, etc., estavam estabelecidos entre os
rios Reno e Weser. De todos os bárbaros foram os primeiros a penetrar na Gália e os últimos em lá
se fixarem, constituindo um estado independente, que deu origem à mais poderosa das monarquias
bárbaras. A sua primeira aparição data de meados do século III, e a partir de então atacaram
incessantemente o Império, conseguindo cem anos depois licença para passarem à margem
esquerda do Reno, mediante a condição de a defenderem das invasões dos outros bárbaros. Os seus
primeiros chefes foram:
Clódio, que venceu o general romano Aécio, tomou muitas cidades da Gália e distribuiu as
suas tribos por Cambrai (ripuários), Tournai (sálios), e outras cidades do norte (428), sendo assim
o primeiro que estabeleceu os francos na Gália setentrional (Bélgica).
Meroveu, seu sucessor (448-458), combateu em Chalons contra Átila, e deu o nome à
primeira dinastia de reis francos: os merovíngios.
Finalmente Clóvis, neto de Meroveu, pelas suas conquistas é tido como o verdadeiro
fundador da monarquia franca. Quando foi eleito para chefe dos francos sálios (481), a Gália era
ocupada pelos seguintes povos: os romanos, que existiam um pouco em todas as regiões, e
especialmente entre o Somme e o Loire; os visigodos ao sul, entre o Loire e os Pireneus; e os
burgúndios a leste, no vale do Ródano.
Os francos se estabeleceram na região da Gália, atual França. O primeiro rei dos francos foi
Clóvis, iniciando a Dinastia Merovíngia. O bispo de Reins, São Remígio, arranjou o casamento
de Clóvis com a princesa da Burgúndia, Santa Clotilde. Clotilde foi fundamental para o processo
de conversão de seu marido.
A conversão de Clóvis foi um dos maiores acontecimentos históricos, pois que dela surge a
filha primogênita da Igreja: a França!
A conversão de Clóvis
Após a queda do Império Romano e proliferação da barbárie, Deus, em Sua providência,
enviou seus santos. O bispo de Reims, cidade francesa, São Remígio não desanimou diante dos
obstáculos e viu em Clóvis, rei dos francos, uma oportunidade para a reconstrução do Ocidente.
Em um arranjo político e diplomático, São Remígio uniu em matrimônio Clóvis e uma
princesa da burgúndia, Santa Clotilde. Esta santa trabalhou noite e dia, com muita oração, pela
conversão de seu marido.
“Assim que se viu casada, Clotilde começou a trabalhar pela conversão do seu esposo. O resultado, porém,
não foi imediato, pois Clóvis ainda se conservou pagão durante cinco ou seis anos, e essa obstinação
representou um excelente augúrio quanto à sinceridade da sua futura adesão. Deixa que batizem o primeiro
filho que lhes nasce, mas, quando este morre, exclama para a esposa: 'Os meus deuses tê-lo-iam curado; o
teu não o salvou!' Nasce-lhes um segundo filho, que é batizado e que adoece também; mas – diz o bom
Gregório de Tours – 'Clotilde orou tanto pela recuperação da criança que Deus lha concedeu'. Assegura
também o cronista que Clotilde não cessava de falar a Clóvis do Deus dos cristãos. Sem resultado? Quem
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
175
pode calcular a sorte das sementes que a fé e o amor lançam no mais íntimo de uma alma, deixando a Deus
o cuidado de fazê-las germinar?” (DANIEL ROPS)
Em uma batalha contra os alamanos, Clóvis, a verificar a derrota iminente de suas tropas,
orou a Deus, fazendo uma promessa: “Jesus Cristo, que Clotilde afirma ser o Filho do Deus da
vida, tu que desejas vir em auxílio daqueles que desanimam e dar-lhes a vitória, desde que esperem
em ti, eu invoco devotamente o teu glorioso socorro. Se te dignares conceder-me a vitória sobre os
meus inimigos, e se eu experimentar esse poder de que as pessoas que usam o Teu Nome afirmam
ter tantas provas, acreditarei em ti e far-me-ei batizar em teu nome.”
A Batalha de Poitiers
Alguns judeus espanhóis odiavam a Cristandade e desejavam vê-la destruída, e induziram
os muçulmanos a cruzar o estreito de África e apoderar-se das terras dos cristãos. Os muçulmanos
atenderam esse desejo e atacaram a Península Ibérica. Em pouco tempo, a península foi arrasada
pelo fogo e pela espada dos infiéis.
“Os invasores não se detiveram nos Pirineus. Invadiram a França, e teriam conquistado toda a Europa se
Carlos Martel não os tivesse derrotado em sangrenta batalha”.(WALSH)
Durante dois anos (711 – 713 d.C.), as notícias vindas da Espanha eram cada vez mais
alarmantes para os franceses: tribos da Arábia, da Síria, do Egito e da África cruzavam sem cessar
o estreito. A Península Ibérica se agitava com gritos de guerra.
Dia após dia, novas colunas de cavalaria desembocavam no vale do Alto Ebro, perto dos
Pirineus, ponto de encontro do exército invasor. Ante o imenso perigo que se aproximava, deviam
calar-se todas as oposições de costumes, de línguas e de origens entre os cristãos para juntar forças
contra os inimigos.
Os muçulmanos eram liderados por
Abderrahman, grande general nascido para
guerras de conquistas. Este general havia
tomado a decisão de destruir a Basílica de São
Martinho de Tours, destruindo tudo o que
encontrasse em seu caminho e incendiando
pequenas igrejas.
Mas, chegou a notícia de que um
formidável exército católico veio em socorro
da Basílica, fazendo que o exército dos infiéis
parasse na região de Poitiers.
O exército católico era liderado pelo
valoroso soldado de Jesus Cristo: Carlos
Martel. Juntavam-se a ele os teutões e os galo-
romanos. A guerra estava próxima. Era
outubro de 732 d.C.
A expansão islâmica deparou com seu
último opositor. Depois dos francos ninguém Carlos Martel
“Como um muro de ferro, como uma barreira de gelo, os povos europeus se mantinham em fileiras cerradas,
semelhantes a homens de mármore”. (ISIDORO DE BEJA)
Várias vezes investiu a cavalaria islâmica contra os cristãos, mas sem sucesso. A luta se prolongou
durante o dia inteiro. Porém, às quatro da tarde, ouviu-se um terrível tumulto e clamores de lamento na
retaguarda muçulmana. Um rei chamado Eudes, que havia sido derrotado pelos infiéis, havia recobrado
forças e com um pequeno exército contornara o exército árabe e se atirara contra seu acampamento.
Óleo do barão Charles Guillaume Steuben (1788 – 1856). Sala das Cruzadas, Versailles.
Com isso, grande parte da cavalaria maometana abandonou o combate para defender as
riquezas amontoadas nas tendas após anos de roubos e saques. Toda a ordem de batalha de
Abderrahman se desfez.
Nesse instante, a “muralha de ferro” se pôs em movimento. Carlos Martel e seus homens se
puseram a atacar. Mais pareciam um tanque de guerra, pois esmagavam tudo pelo que passavam.
Abderrahman e a elite de seus seguidores, derrubados de seus cavalos, desapareceram triturados
pela massa de ferro.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
178
No momento que o sol se escondeu no horizonte, o exército muçulmano precipita sobre suas
tendas, comprimida ao longo de todo o campo de batalha por uma “máquina de espadas” que
subiam e desciam, colhendo a cada movimento uma nova fileira de cadáveres.
O cair da noite conteve os francos. Carlos não quis se aventurar naquele labirinto de tendas,
grande como uma cidade, ordenando cessar o avanço. Os soldados pernoitaram na planície
esperando travar no dia seguinte novo combate, para a conquista dos acampamentos dos árabes.
Ao amanhecer, os francos viram as tendas vazias, nenhum ruído se ouvia, nenhum
movimento se percebia. Carlos, desconfiando de uma cilada, fez todos os preparativos de ataque e
enviou sua vanguarda à frente. Esta avançou sobre as tendas, mas todas estavam vazias realmente.
Era o fim da batalha e dos muçulmanos. Carlos recebeu então o título que ficaria para toda a
história: Carlos Martel, o Martelo dos Muçulmanos.
Islamismo
Invasão árabe
Logo após as invasões germânicas, outra raça de bárbaros pôs em extremo perigo a
civilização cristã, e para os repelir foram necessários longos séculos de luta e sacrifício. Esta raça
são os árabes.
A Arábia
A Arábia é uma vasta península banhada pelo Golfo Pérsico e pelo Mar Vermelho. Seu clima
é geralmente árido. Suas duas principais cidades era Meca e Yatreb. Em Meca existia um templo,
chamado Caaba, que guardava uma pedra preta que, diziam eles, caiu do céu, sendo um objeto de
grande veneração. A religião dos árabes no século VII, antes de Maomé, era o Sabeísmo (culto dos
astros), o Judaísmo e o Cristianismo. Isso até que Maomé fundou uma nova religião: o Islamismo.
O islamismo é, atualmente, uma das maiores religiões do mundo e está presente majoritariamente
no Oriente Médio e no Norte da África. No entanto, as doutrinas islâmicas não se limitam ao campo
religioso, mas também propõe um projeto político e um conjunto de leis que devem orientar seus adeptos
em toda a vida social.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
179
Maomé
570 – 632 d.C.
Maomé é o fundador dessa falsa religião. Por isso, convém estudarmos sua breve biografia
e sua personalidade. Para isso usaremos um texto escrito por São João Bosco sobre este falso
profeta.
Para Meditar...
Maomé e sua religião
São João Bosco
Nasceu este famoso impostor em Meca, cidade da Arábia, de família pobre, de pai gentio e mãe
judia. Errando em busca de fortuna, encontrou-se com uma viúva negociante em Damasco, que o
nomeou seu procurador e mais tarde se casou com ele.
Como era epilético, soube aproveitar-se desta enfermidade para provar a religião que tinha
inventado e afirmava que suas quedas eram outros tantos êxtases, durante os quais falava com o Arcanjo
Gabriel. A religião que pregava era uma mistura de paganismo, judaísmo e cristianismo. Ainda que
admita um só Deus, não reconhece a Jesus Cristo como filho de Deus, mas como seu profeta.
Como dissesse com jactância que era superior ao divino Salvador, instavam com ele para que
fizesse milagres como Jesus fazia; porém ele respondia que não tinha sido suscitado por Deus para
fazer milagres, mas para restabelecer a verdadeira religião mediante a força. Ditou suas crenças em
árabe e com elas compilou um livro que chamou Alcorão, isto é, livro por excelência; narrou nele o
seguinte milagre, ridículo em sumo grau. Disse que tendo caído um pedaço da lua em sua manga, ele
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
180
soube fazê-lo voltar a seu lugar; por isso, os maometanos tomaram por insígnia a meia lua. Sendo
conhecido por homem perturbador, seus concidadãos tentaram dar-lhe morte; sabendo disto, o astuto
Maomé fugiu e retirou-se para Medina com muitos aventureiros que o ajudaram a apoderar-se da
cidade.
Esta fuga de Maomé se chamou Hégira, isto é, perseguição; e desde então começou a era
muçulmana, correspondente ao ano 622 de nossa era. O Alcorão está cheio de contradições, repetições
e absurdos. Não sabendo Maomé escrever, ajudaram-no em sua obra um judeu e um monge apóstata
da Pérsia chamado Sérgio. Como o maometismo favorecesse a libertinagem teve prontamente muitos
sequazes; e como pouco depois se visse seu autor à frente de um formidável exército de bandidos, pôde
com suas palavras e ainda mais com suas armas introduzi-lo em quase todo o Oriente. Maomé depois
de ter reinado nove anos tiranicamente, morreu na cidade de Medina no ano de 632.
Islamismo é, portanto, uma falsa religião monoteísta fundada por Maomé no século VII, na
Península Arábica.
Os pilares do islamismo
1. Crer que Alá é o único deus32 e Maomé o grande profeta.
2. Orar cinco vezes ao dia com o rosto voltado para Meca.
3. Dar esmola de acordo com seus bens.
4. Fazer peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida.
5. Jejuar do nascer ao pôr do sol durante o mês do Ramadã.
Difusão do islamismo
Maomé passou a professar o monoteísmo (Alá) e começou a anunciar entre os habitantes de
Meca sua crença. Os comerciantes de Meca lucravam com as peregrinações dos povos politeístas.
Por isso, passaram a perseguir Maomé, já que ele estava convertendo as pessoas ao monoteísmo.
Hégira
Com a propagação da religião islâmica, Maomé foi perseguido e obrigado a fugir de Meca
para Yatreb, que passou a ser chamada Medina (cidade do profeta). Isso ficou conhecido como
Hégira e ocorreu no ano de 622 d.C. Essa data passou a ser considerada, posteriormente, o início
do calendário muçulmano.
32
Alguns católicos, por confusão, declaram que Alá é o mesmo que o Deus verdadeiro do cristão. Contudo, ao professar-se
maior que Jesus Cristo, declarar absurda a realidade da Santíssima Trindade, ao fazer Deus autor do mal moral, prometer um
paraíso todo sensual e um inferno eterno só para os infiéis (todos aqueles que não são muçulmanos), Maomé não estava adorando
o mesmo Deus dos cristãos, que é Uno e Trino (Pai, Filho e Espírito Santo), Criador do Céu e da Terra e Santíssimo (jamais quis
o mal).
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
181
Expansão islâmica
Mesmo após a morte de Maomé, os califas (sucessores de Maomé) continuaram a expandir
os territórios muçulmanos, dominando o Império persa, a Terra Santa e todo o norte da África. Em
711, os muçulmanos chegaram a conquistar a Península Ibérica (Europa), porém foram contidos
pelos francos, sob a liderança de Carlos Martel, na famosa Batalha de Poitiers (732).
Comércio Muçulmano
O comércio muçulmano foi muito importante, pois estabeleceu uma ligação dos produtos
asiáticos (China e Índia, principalmente) com o mercado consumidor europeu. Os produtos que
chegaram na Europa por meio dos comerciantes muçulmanos foram: a seda, a bússola, a pólvora,
o papel, as especiarias indianas etc. Os muçulmanos também introduziram na Europa os algarismos
indo-arábicos, o álcool, o ácido sulfúrico etc.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
182
Atividade
1) Quais são as três raças principais dos bárbaros?
2) Cite três povos germânicos.
3) Quais são as características comuns dos povos germânicos?
4) Qual foi o reino germânico de maior duração e importância?
5) Quem é considerado o fundador da monarquia francesa? Qual o nome da dinastia formada por
ele?
6) Onde os francos se estabeleceram?
7) Quem foram os dois santos responsáveis pela conversão de Clóvis?
8) Por que os sucessores de Clóvis foram chamados de reis indolente?
9) Quem exercia o governo de fato?
10) Sobre a Batalha de Poitiers, responda:
a) Ano de acontecimento.
b) Local.
c) Envolvidos.
d) Vencedor.
11) O que é o Islamismo?
12) O que é Hégira?
13) Quais são os cinco pilares do Islamismo?
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
183
Capítulo
17
Antepassados de Carlos Magno: Luis Dufaur
“Nemo summum fit repente” (nada de importante ocorre de repente), diz o adágio latino, que
bem pode ser aplicado ao surgimento de grandes personalidades. Estas são como picos do Himalaia,
tendo em sua base e a seu lado outros tantos cimos fabulosos. Assim também com Carlos Magno
e sua família.
A família de Carlos era desde os fins do século VI rica e influente, fornecendo sucessivos
Prefeitos do Paço aos reis da dinastia merovíngia — uma espécie de ministros plenipotenciários,
enquanto o monarca ocupava uma função meramente protocolar.
Carlos Martel
Na linhagem direta de Santo Arnolfo figuram Santo Hugo, arcebispo de Rouen, e seu irmão
Carlos Martel, o martelo vencedor dos muçulmanos na batalha de Poitiers.
Essa vitória que, pondo freio ao avanço muçulmano na Europa Ocidental, representou um
contributo importante para a obra de seu neto, Carlos Magno, rumo à formação de uma Europa
cristã na alta Idade Média.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
184
Neste sentido escrevia em 1788 o historiador britânico Edward Gibbon que, sem o Martelo
Franco, muito provavelmente os sarracenos teriam chegado “às fronteiras da Polônia e às terras
altas da Escócia; a frota árabe teria subido sem lutas o Tâmisa e em Oxford se ensinaria a
interpretação do Corão”.
Jacob Burckhardt, historiador alemão, referia-se em 1880 a Carlos Martel como “o grande
fundador de uma Cristandade ocidental que impediu que a bandeira do profeta (Maomé) balançasse
durante séculos nas torres da França”. (Cfr. Helene Zuber, Razzia in Gallien, Spiegel Geschichte
6, 2012).
Carlos Martel teve três filhos: Carlomano, Pepino e Grifo, este último oriundo de seu
segundo casamento. No ano de 737, quando seu primogênito tinha cerca de 20 anos, toma uma
decisão que teria no futuro um resultado importante: deixa vacante o trono dos francos quando da
morte do rei Teodorico IV.
Após a morte de Carlos Martel, no outono de 741, Carlomano e Pepino tomam o poder como
Prefeitos do Paço e alijam dele seu irmão mais novo, mandando-o para um mosteiro. Carlomano
fica com a Austrásia, a Alamânia e a Turíngia, enquanto Pepino passa a governar a Neustrásia, a
Borgonha e a Provença. Em 743 ambos os irmãos resolvem instalar novamente um rei da dinastia
merovíngia, Childerico III, que lhes legitimasse o governo. Nos anos seguintes empreendem
campanhas militares na Aquitânia, Alamânia e Baviera, consolidando sua posição nas partes
extremas do reino. Ao mesmo tempo desejam reformar lamentáveis relaxamentos existentes no
povo e no clero. Assim, em 743 Carlomano convoca, com a participação de São Bonifácio, o
Concilio Germânico, ocasião em que este santo, escrevendo ao Papa, traça um quadro dramático
da situação moral da época:
“No momento as sedes das cidades episcopais encontram-se em grande parte entregues a
leigos gananciosos e intrusos, a clérigos que se estadeiam na luxúria e se dedicam a ganhar dinheiro
para o gozo mundano”.
Pepino, por sua vez, convoca um sínodo de bispos na velha cidade real de Soissons, com a
recomendação aos sacerdotes de seu reino de não hospedarem mulheres em suas casas, com
exceção de suas mães, irmãs e sobrinhas.
Três anos mais tarde, Pepino toma uma atitude mais ousada. Em novembro de 751, com o
apoio do Papa São Zacarias, reúne os grandes do Reino em Soissons, onde se faz aclamar Rex
Francorum separadamente pelos nobres e pelo povo.
Pepino, exercendo seu cargo de Prefeito do Paço, almejava o título de Rei. O poder de fato
estava desde há mais de um século nas mãos dos Prefeitos carolíngios do Palácio.
A legitimação para a tomada do título de Rei foi dada a Pepino pelo Papa Zacarias, a quem
Pepino enviou seus mais importantes conselheiros, Fulrado de Saint Denis, e o bispo Burkhard, de
Würzburg, com a pergunta se era bom que entre os francos houvesse reis “que não tinham poder
enquanto reis”.
A resposta do Papa foi: “É melhor designar como Rei aquele que tem o poder”.
São Zacarias foi o último Papa de origem grega. Além de dar grande apoio ao apostolado de
São Bonifácio — o Apostolus germanorum —, estabeleceu e fortaleceu as relações da dinastia
carolíngia com o Papado.
Em seguida, no ponto alto de uma cerimônia religiosa, ungem-no os bispos com os santos
óleos. Quanto a Childerico, o último rei da dinastia de Clóvis, é enviado com o cabelo cortado curto
— sinal da perda de sua dignidade real, segundo os costumes merovíngios — juntamente com seu
filho Teodorico, para o mosteiro de Prüm.
Neste mesmo ano de 751, Aistolfo, rei dos lombardos, conquista Ravena, a antiga capital do
Império Romano, das mãos dos bizantinos, e no ano seguinte passa a acossar o Papa — então
Estêvão II — e a exigir dele o reconhecimento de sua soberania sobre os territórios conquistados.
Abandonado pelo Imperador Romano de Constantinopla, Estevão II solicita ajuda contra os
lombardos a
Pepino, o Breve
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
186
Carlos e Carlomano
Antes de sua morte no ano de 768, Pepino dividiu o reino entre seus filhos Carlos e
Carlomano. Seus restos mortais foram sepultados na Catedral de Saint-Denis, nos arredores de
Paris. (Em agosto de 1793, no auge das insânias da Revolução Francesa, um bando de sans-culottes
profanou seu túmulo e jogou seus restos mortais numa vala comum.) Ao primogênito Carlos, já
experiente nos assuntos do governo apesar de ter apenas 20 anos, coube reinar na Turíngia, na
Frísia, na Gasconha, na Nêustria e nas regiões francas entre os rios Loire e Schelde. Carlomano
tinha apenas 17 anos quando começou a governar a parte central do reino: a Provença, o Languedoc,
o maciço central, a Alsácia, a Alamânia e a região ao sul de Paris. Quanto à parte norte da Austrásia,
bem como à região dos rios Maas, Mosela e Reno, berço dos carolíngios, e a Aquitânia, foram elas
divididas entre os dois irmãos.
As capitais de ambos os territórios eram Noyon e Soissons, distantes uma da outra cerca de
30 km, onde os dois irmãos se fizeram aclamar em 9 de outubro de 768. Carlomano reinava sobre
um bloco mais compacto; por sua vez, as regiões que estavam sob o governo de Carlos eram mais
ricas. Embora Eginhardo assevere que as relações entre os dois irmãos tenham sido inicialmente
harmônicas, é inegável que elas se esfriaram pouco depois, quando o duque Hunald se sublevou na
Aquitânia, ao saber da morte de Pepino, o Breve. Carlos solicitou o apoio do irmão para dominar
a sublevação e encontrou uma firme recusa de Carlomano em apoiá-lo na expedição militar, aliás
vitoriosa. Tal recusa enfureceu Carlos, pois a seus olhos mais se parecia a uma fuga diante do
adversário. Era previsível um entrechoque entre os irmãos, com graves consequências para o reino
franco.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
187
Esse perigo se afastou com a morte inesperada de Carlomano, após curto período de doença,
no dia 4 de dezembro de 771. Com ela se esfumaçou o pesadelo de uma guerra fratricida.
Pepino, o Breve
Pepino, o Breve, filho de Carlos Martel, destronou o último rei da dinastia merovíngia e
assumiu o trono do Reino Franco em 751, dando início à Dinastia Carolíngia. Ele foi ungido por
São Bonifácio a mando do Papa Zacarias e protegeu Roma e a Igreja dos ataques dos lombardos.
Depois foi ungido pelo próprio Papa Estevão II. Após vencer os lombardos, Pepino doou à Igreja
uma porção de terra que passou a chamar-se Estados Pontifícios.
Carlos Magno
Carlos Magno, filho de Pepino, assumiu o trono em 772 e logo no começo de seu reinado
estabeleceu uma relação de proximidade com o Papa Adriano I, fixando uma aliança política e
espiritual em comum.
Para Meditar...
Carlos Magno
J.B. Weiss
Em 772, com 30 anos, Carlos tomou o governo de todo o Reino Franco. Com razão
Carlos se chama Magno. Mereceu este nome como general e conquistador, como ordenador
e legislador de seu imenso império e como incentivador da vida espiritual do Ocidente. Por
seu governo as ideias cristãs alcançaram vitória sobre os bárbaros. Sua vida foi uma
constante luta contra a grosseria e a barbárie, que ameaçava a Religião Católica e a nova
cultura que nascia.
Nada menos de 53 expedições militares foram por ele empreendidas: 18 contra os
saxões, uma contra a Aquitânia, cinco contra os lombardos, sete contra os árabes na
Espanha, uma contra os turíngios, quatro contra os avaros, duas contra os bretões, uma
contra os bávaros, qautro contra os eslavos, cinco contra os sarracenos da Itália, três contra
os dinamarqueses e duas contra os gregos.
No Natal do ano 800, o Papa São Leão III o elevou à dignidade de Imperador,
fundando assim o Sacro Império. No dia 28 de fevereiro de 814 Carlos faleceu, depois de
ter recebido a Sagrada Comunhão. Foi sepultado, segundo a legenda, em um nicho da
catedral de Aix-la-Chapelle, em posição ereta, sentado em um trono, cingindo espada e com
o livro dos Evangelhos nas mãos. É ele o modelo dos imperadores católicos, o protótipo do
cavaleiro e a figura central da grande maioria das canções de gesta medievais.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
188
Império Carolíngio
No ano 800, em Roma, na noite de Natal, Carlos Magno foi coroado imperador pelo Papa
Leão III. Com a coroação de Carlos Magno, a Igreja Católica pretendia fazer reviver o Império
Romano do Ocidente e, ao mesmo tempo, unificar a Europa sob o comando de um monarca cristão.
Inicia-se o chamado Sacro Império Romano Germânico.
Renascimento Carolíngio
Carlos Magno preocupou-se com preservar a cultura greco-romana, investiu na construção
de escolas, criou um novo sistema monetário e estimulou o desenvolvimento das artes. Graças a
estes avanços, o período ficou conhecido como o Renascimento Carolíngio. Foi sob o seu governo
que os monges copistas começaram a incansável obra de preservação da cultura antiga.
Tratado de Verdun
Carlos Magno foi sucedido por seu filho Luís, o Piedoso (814-841), que não possuía a
mesma habilidade de seu pai para administrar o império. Após a morte de Luís, seus três filhos
passaram a disputar o trono pelas armas. Depois de alguns anos de luta, eles assinaram o Tratado
de Verdun, em 843, que dividiu o Império Carolíngio em três parte. Com a divisão do império, os
vikings, húngaros e sarracenos passaram a invadir e saquear a Europa.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
191
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
192
Atividades
1) Quais são os antepassados de Carlos Magno citados no texto?
2) Qual antepassado de Carlos Magno que assumiu o trono francês, colocando fim à Dinastia
Merovíngia?
3) Qual Papa reconheceu a autoridade de Pepino?
4) Como ficou conhecida a generosa doação de Pepino ao Papa São Estevão II?
5) Quando Carlos Magno assumiu o trono francês? E quando foi coroado imperador pelo Papa São
Leão III?
6) Quantas expedições militares foram empreendidas por Carlos Magno?
7) Quando Carlos Magno é sagrado imperador pelo Papa São Leão III o que se inaugura?
8) Como Carlos Magno fez para governar tão grande império?
9) Copie a frase:
“Vida e vitória a Carlos, piedosíssimo Augusto, grande e pacífico monarca coroado por Deus!”.
10) O que foi o Renascimento Carolíngio?
11) Qual tipo de folha era usada pelos monges copistas para copiar os livros antigos?
12) O que foi o Tratado de Verdum?
13) Quais povos invadiram o Império Carolíngio após o Tratado de Verdum?
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
193
Capítulo
18
As invasões dos séculos IX e X
Durante os séculos IX e X invadiram a Europa os vikings (normandos), sarracenos e húngaros.
Os Húngaros, que vieram dos montes Urais, habitavam na região da Dácia quando o chamou
o imperador Arnolfo afim de opô-los aos Morávios. Assolaram toda Germânia e parte da França,
chegando até à Provença, donde venceu o rei Raul. Penetraram em várias cidades na Itália
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
194
avançando até às portas de Roma e deixando profundos vestígios da sua passagem. Após as
invasões, foram obrigados pelo imperador Otão a permanecer na região da Pannoia, que passou a
ser chamada de Hungria. Mais tarde, abraçaram o catolicismo, e Santo Estêvão, seu duque, recebeu
do Papa Silvestre II, no ano 1000 d.C., o título de rei e de apóstolo da Hungria.
Os sarracenos, vindos da Sicília e da Espanha, invadiram neste mesmo tempo o sul da França
e quase toda a Itália. Ali haviam chegado até os arredores de Roma, ocupando diversos pontos
principais, erguido diversas fortalezas, e já tratavam de conquistar a Península inteira. Porém,
diversos Papas, ao longo do tempo, repeliram, por meio de exércitos, os invasores.
Os vikings ou normandos eram bárbaros que
causavam o terror pelas praias da Inglaterra e França.
Ocupavam-se de saquear e matar os povos que viviam
nas regiões litorâneas. Por muitos anos assolaram estes
reinos, até que o imperador Carlos, em 911 d.C., tratou
com um dos chefes destes bárbaros, chamado Rollon.
Inclusive casou sua filha com este homem, cedendo
uma parte da região Neustris, que passou a ser
chamada de Normandia. Rollon, primeiro duque desse
país, recebeu no batismo o nome de Roberto.
Pelos meados do século XI, alguns normandos,
tendo à frente Roberto Guiscardo e emigrando para o
sul da Itália, fundaram o reino das Duas-Sicília.
Outros, na mesma época, às ordens do seu duque
Guilherme, conquistaram a Inglaterra, onde
inauguraram uma nova dinastia.
As invasões do IX e X século tiveram consequências
muito funestas para a Europa. À vista do gravíssimo perigo, Estátua de Guilherme, o conquistador.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
195
criado por elas, todo o país cobriu-se de castelos e de fortalezas; as cidades ficaram quase inteiramente
desertas, o comércio tornou-se impossível, e pegaram em armas todos, até os presbitérios, os monges e os
bispos. Daí o abandono dos estudos, a decadência das disciplinas, o desenvolvimento do feudalismo e mil
outras desordens: em uma palavra, as trevas tão decantadas do século X.
Contexto histórico
Após a morte de Carlos Magno, a Europa sofreu uma nova onda de invasões de três povos
diferentes, os Vikings, os Sarracenos e os Húngaros. Estes homens causaram um verdadeiro
terror nas terras europeias, especialmente na
França. Eles saqueavam as cidades,
queimavam igrejas, devastavam os campos e
levavam uma multidão de cativos. Por toda
parte se viam cidades devastadas. Contudo,
não havia força militar para resistir a tais
invasões. Não havia mais comércio, indústria,
agricultura e todos os costumes, leis e
instituições desmoronavam.
Fugindo do terror e da desordem, os
homens buscam abrigo no fundo das florestas,
no alto das montanhas, no meio dos pântanos,
em lugares inacessíveis, onde a ferocidade dos
invasores não os atingiria. Cidades e vilas se
dispersaram, e cada família fugiu para onde
pode, pois, a família é a única sociedade que
permaneceu intacta, com o auxílio da Igreja,
diante da onda de violência e decadência.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
196
Animada pelo espírito católico que a vivifica, a família não se deixa esmagar pela adversidade, mas
reage. Obrigada a se bastar, cria meios para se sustentar e se defender.
Os homens que se revelaram mais capazes, deram a direção e organizaram a reação, a defesa
e a vida comum. Dessa forma, surge novamente, nesses homens notáveis, a autoridade e a
hierarquia. Várias famílias se aglomeravam em torno da moradia desse homem que as protegia e
organizava. Essa moradia se chamava motte, que na
verdade era um esboço de um castelo. Ali se alojavam
homens, animais, instrumentos de trabalho, colheitas e
armas. Moradia em tempo de paz e refúgio em tempo
de invasão.
Neste pequeno mundo autônomo e autossuficiente,
o chefe era a autoridade suprema, organizando o
trabalho e a defesa. Ele era chamado de “senhor” e sua
esposa de “senhora”.
A vida se tornou simples (quase que de
subsistência, ou seja, somente para a sobrevivência).
Cultivavam-se as terras ao redor do Motte. Não havia
comércio intenso, os homens cresciam e morriam onde
nasceram e não havia o sentimento de pátria. Nascem
os sentimentos de solidariedade mútua, de honra e de
fidelidade.
Definição de Feudalismo
O feudalismo foi um modo de organização social, político e cultural baseado na relação de
fidelidade entre o trabalhador rural e o grande proprietário de terras, o senhor feudal. O nome
provém de “feudo” (era uma propriedade, normalmente grande, que um proprietário recebia de
alguém como presente ou retribuição). O feudalismo combinou elementos de origem romana com
elementos germânicos e com o catolicismo.
Segundo André Maurois, o feudalismo não foi um sistema conscientemente escolhido, mas
o resultado de múltiplas transformações aparentemente naturais. Em muitas situações históricas,
quando começa a decadência, a Providência prepara a germinação de uma nova ordem.
Os elementos do feudalismo
1) O Senhor Feudal (o feudatário) deveria ser o verdadeiro proprietário do feudo recebido.
2) O feudo era recebido de alguém, normalmente um senhor mais rico e poderoso, com quem o
feudatário contraia certas obrigações. Quem doava o feudo era chamado de suserano; quem recebia,
de vassalo.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
197
Resumindo
Nestes tempos difíceis, os fracos procuravam protetores: um homem livre recomendava-se a um
homem poderoso, a um senhor, prometia servi-lo lealmente e tornava-se assim um vassalo. Em troca,
recebia do seu senhor uma terra chamada feudo, onde podia morar e tirar o seu sustento, pagando parte de
sua produção em troca de proteção.
Características do Feudalismo
1. Forte presença da Igreja Católica.
2. Poder político descentralizado (observa-se que os reis não deixaram de existir).
3. Vida e economia agrárias (o comércio, por exemplo, foi reduzido).
4. Relações de fidelidade entre os membros da sociedade feudal.
Suserano e vassalo
Suserano: aquele que doava um feudo.
Vassalo: aquele que recebe o feudo.
Homenagem: cerimônia onde o suserano doava
o feudo ao vassalo e este fazia o juramento de
fidelidade.
dote das suas filhas. O vassalo devia, ainda, a cada ano, suspender as hostilidades (conflitos) em
certos dias da semana consagrados à recordação de algum mistério da vida de Jesus. Estendia-se a
princípio desde sábado até segunda-feira, mas aos poucos esta suspensão foi prolongada desde
quarta até segunda. Nunca era lícito agredir sacerdotes, monges, mulheres e crianças. Estas medidas
foram tomadas pelo clero com a finalidade de suavizar os costumes belicosos dos nobres. Isso trazia
benefícios para a religião, da paz e da civilização.
O vassalo tinha o direito, porém, de ser julgado pelos seus pares, de ser defendido se atacado,
de conceder terras a outros, que se chamavam vavassalos – vassalo de vassalo.
O suserano, por sua vez, gozava de muitos direitos, entre os quais se destacam:
➢ Administrar a justiça com poder de vida e morte.
➢ Intervir na sucessão do feudo e outros semelhantes.
Cavalaria
A cavalaria deriva dos costumes alemães, porém a Igreja a reformou, dando-lhe
características do cristianismo. É certo que a cavalaria, enquanto não degenerou nos desvarios dos
cavaleiros andantes, foi uma das melhores instituições da Idade Média, que protegendo o fraco
contra o forte, acabou com inúmeras desordens.
Quem desejava o título de cavaleiro devia, antes de tudo, passar pelos graus de donzel, de
pagem e de escudeiro. A cerimônia de recepção do grau era longa e uma da mais comovedoras e
religiosas. Depois de vários jejuns e outras penitências, depois de confessar-se e comungar, o
aspirante ficava em oração durante a noite que precedia a cerimônia. Tomava então um banho,
vestia uma túnica branca, outra vermelha e uma terceira preta. Colocado enfim diante do altar,
jurava honrar a Deus e à religião, recebia dos padrinhos a armadura, as esporas e a espada benta. O
senhor que o armava, dava-lhe um abraço e três pancadas dizendo: “Em nome de Deus, de São
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
199
Jorge e de São Miguel, eu te armo cavaleiro: sê piedoso, leal e destemido”. Terminada a cerimônia,
iam para um torneio em que o graduado mostrava sua habilidade.
O cavaleiro possuía vários direitos, mas ao mesmo tempo contraia por juramento várias
obrigações. Enumera-se entre os direitos:
• o de poder tomar parte nos torneios,
• sentar-se à mesa do rei,
• trazer o brasão e o escudos das armas,
• levar certas armas proibidas a outros,
• ter o tratamento de sire (título que se dava aos soberanos da época),
• conferir a outros o grau de cavaleiro, etc.
O juramento
Não se deve imaginar o período feudal como um caos universal em que todos lutavam contra
todos, sem lei, nem regra. Respeitava-se a hierarquia, os superiores, os juramentos e os compromissos.
Normalmente não havia guerras entre senhores e súditos, pois a lei feudal proibia que um
vassalo combatesse o seu suserano, ao qual jurava fidelidade, e a recíproca era verdadeira: o
suserano não combatia seus vassalos.
Juramento da Cavalaria
O contrato de vassalagem era um direito assumido livremente entre as duas partes, ou seja,
um homem se tornava vassalo de outro livremente, como afirma Carlos, o Calvo, em 847:
“Queremos igualmente que cada homem livre do nosso reino possa escolher livremente o seu
senhor”
É certo que houve violação de contrato de fidelidade, mas isso foi exceção. O juramento era
algo sagrado, e os homens, fiéis aos mandamentos do Senhor e à doutrina da Igreja, levavam isso
muito a sério.
A Igreja Católica foi responsável por sacralizar a intuição feudal, consagrando o soberano e
celebrando os juramentos. Tudo se tornava sagrado.
Hierarquia Feudal
A frente de toda a dignidade feudal estavam o imperador e o rei. As primeiras dignidades,
depois deles, eram a de duque e a de marques. Depois vinham gradualmente os condes, viscondes,
barões, cavaleiros, castelões, burguês, o peão e o servo da gleba. Esta graduação, todavia, era mais
teórica do que prática, porque acontecia às vezes que o mesmo indivíduo era rei em um país e
feudatário em outro, ao mesmo tempo suserano e vassalo.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
201
Suserano e vassalo
Sociedade feudal
É impossível enquadrar toda a população do mundo feudal em um esquema rígido de
sociedade. Mesmo que não seja possível dividir a sociedade feudal de forma rígida, alguns grupos
mantiveram a sua organização e funções no período feudal. São eles: a ordem da nobreza, a
ordem dos trabalhadores e a ordem do clero.
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
202
Ordens
Ordem da nobreza: Havia diversos títulos de nobreza, como cavaleiros, condes, marqueses,
duques etc. Os nobres eram chamados a cultivar as virtudes, manter a justiça e defender a
população. A nobreza deste período surgiu do destaque de homens notáveis na defesa contra as
invasões bárbaras.
Ordem dos trabalhadores: era formada pelos servos da gleba e os vilões. Esses eram responsáveis
pelo sustento do feudo.
Ordem do clero: era formada pelo clero em geral (padres, bispos, cardeais etc.). A função do clero
era ministrar os sacramentos e cuidar da proteção espiritual de toda a população.
Santo Sacrifício
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
203
Atividades
1) Quais povos invadiram a Europa durante os séculos IX e X?
2) Como ficou conhecido o país onde ons húngaros se estabeleceram e qual foi o seu primeiro rei?
3) Quem contribuiu para a expulsão dos sarracenos na Península Itálica?
4) Onde os vikings se estabeleceram após anos de invasões?
5) Copie as consequências das invasões.
6) O que era o Motte?
7) O que foi o feudalismo?
8) O que era o feudo?
9) Quais eram as três espécies de feudo?
10) O que é a homenagem?
11) Quais são as características do feudalismo?
12) Cite um direito e um dever do vassalo.
13) Cite um direito do Suserano.
14) Quais eram os graus pelos quais deviam passar aqueles que desejavam ser cavaleiros?
15) Cite três direitos dos cavaleiros.
16) Cite duas obrigações.
17) Copie esta frase:
“Em nome de Deus, de São Jorge e de São Miguel, eu te armo cavaleiro: sê piedoso, leal e
destemido”
18) Qual era a importância dada ao juramento?
19) Qual era, na teoria, a hierarquia feudal?
20) Quais eram as três ordens da sociedade feudal?
Material adquirido por Guilherme Raul Blaese Pasold, billpasold@[Link] em [Link] O compartilhamento do material é crime de pirataria.
204