BEM-VINDOS A JÚPITER
Vocês nasceram e cresceram sob as leis do Império Central.
Aqui, tudo tem um registro, um selo, uma permissão. Desde o dia em que aprenderam a
escrever o próprio nome, ouviram que a ordem é o que mantém o mundo funcionando. Que
o caos vive além das fronteiras. Que a razão é o maior legado da civilização.
As moedas que usam, as estradas que percorrem e as palavras que falam carregam a
influência do Império. Mesmo quando discordam dele, é impossível ignorá-lo. Ele está em
toda parte.
Desde cedo, vocês aprenderam sobre os outros povos do mundo — sempre através do
olhar imperial.
Disseram que os anões dos Bastiões da Montanha são confiáveis, mas inflexíveis. Que
seus acordos valem mais que juramentos, desde que tudo esteja escrito.
Disseram que os elfos do Verde Velado vivem presos ao passado, escondidos em florestas
que não gostam de visitantes, guardando segredos que já não importam.
Disseram que as Terras Fraturadas são habitadas por clãs orcs violentos, uma ameaça
constante que justifica exércitos e fronteiras armadas.
Disseram que a Liga das Rotas Livres é útil, mas nunca totalmente confiável —
comerciantes que sabem demais e perguntam de menos.
E sobre os tieflings… pouco se diz abertamente. Apenas que não se deve confiar neles.
Que problemas parecem segui-los. Que é melhor manter distância.
Vocês também ouviram histórias antigas.
Lendas sobre deuses que moldaram o mundo. Sobre eras distantes em que milagres eram
comuns. Hoje, essas histórias são tratadas como mitos, ensinadas mais como curiosidade
cultural do que como verdade. A magia existe, claro — mas é instável, imperfeita, humana.
Júpiter é um mundo grande demais para certezas absolutas.
As fronteiras mudam. Alianças quebram. Registros somem. Ruínas surgem onde não
deveriam existir.
O Império Central garante segurança, mas cobra obediência. Garante estabilidade, mas
exige silêncio.
Vocês não foram escolhidos por profecias.
Vocês não carregam destinos escritos.
São pessoas comuns em um mundo antigo, vivendo sob leis que não criaram, cercados por
verdades incompletas.
E, a partir de agora, cada decisão que tomarem começará a revelar o que Júpiter realmente
é.
Bem-vindos à campanha o Purgatório.