Nas camadas gasosas superiores de Júpiter, a estação orbital Aethelgard flutuava como
uma colossal agulha de aço temperado contra o turbilhão dourado de tempestades
milenares.
A capitã Elena Vance ajustou a pressão de seu exoesqueleto enquanto os alarmes de
proximidade gritavam em tons estridentes no painel da nave de assalto.
O renegado General Voronin havia tomado o controle da plataforma de extração e
ameaçava desestabilizar a Grande Mancha Vermelha com um artefato de matéria escura.
Se a tempestade colapsasse, a onda de choque gravitacional varreria as colônias industriais
de Ganimedes e Europa em questão de minutos.
Elena acelerou os propulsores de fusão, mergulhando fundo na atmosfera densa do planeta
gigante onde a gravidade esmagadora tentava puxar sua carcaça para o núcleo.
Relâmpagos de amônia com milhares de quilômetros de extensão cortavam a escuridão,
iluminando a frota de caças de Voronin que emergiu das nuvens para interceptá-la.
O combate aéreo começou de maneira frenética, com rajadas de plasma cortando os gases
ionizados e criando explosões coloridas na névoa tóxica.
Elena realizou uma manobra evasiva extrema, usando a imensa atração gravitacional do
planeta para arremessar sua nave atrás das linhas inimigas.
Com disparos precisos de seus canhões elétricos, ela obliterou os dois caças de escolta e
travou sua mira no convés da plataforma principal.
O impacto do pouso forçado sacudiu a estrutura, rasgando o casco blindado e projetando
faíscas que se dissiparam na névoa sufocante.
Empunhando um rifle de pulsos magnéticos, Elena saltou da cabine diretamente para a
passarela exterior da estação sob uma chuva de projéteis de alto calibre.
Tropas mercenárias fortemente armadas avançavam em formação rígida, mas a baixa
visibilidade e os ventos de seiscentos quilômetros por hora jogavam contra eles.
Ela ativou a lâmina térmica acoplada ao seu antebraço e avançou pelo corredor metálico,
eliminando os guardas em um combate corpo a corpo violento e preciso.
Cada golpe desferido ressoava no metal frio, acompanhado pelo som abafado dos sistemas
de suporte de vida lutando contra a atmosfera corrosiva externa.
Conforme penetrava nos níveis inferiores da instalação, o calor do interior de Júpiter tornava
o ar dentro do traje quase insuportável.
No centro de comando da estação, Voronin observava os monitores de telemetria enquanto
o contador do dispositivo de matéria escura se aproximava do zero.
Elena explodiu a porta blindada com uma carga moldada de C-4, invadindo a sala central
enquanto os estilhaços voavam em todas as direções.
Voronin, usando uma armadura militar pesada de última geração, não perdeu tempo e
disparou um lança-granadas na direção da invasora.
Ela rolou lateralmente para trás de um pilar de sustentação, sentindo a onda de choque da
explosão rachar a viseira externa de seu capacete.
Sem hesitar, ela disparou contra as tubulações de hélio líquido no teto, liberando um jato de
vapor congelante diretamente sobre a armadura do general.
O metal da estrutura inimiga cristalizou instantaneamente sob o frio extremo, travando as
articulações mecânicas de Voronin por alguns segundos cruciais.
Aproveitando a brecha, Elena correu até o painel central do artefato e começou a digitar os
códigos de supressão para interromper a sequência de ignição.
Voronin forçou os atuadores de sua armadura com fúria cega, quebrando o gelo e
investindo contra ela com uma maça hidráulica de grande impacto.
O golpe atingiu o ombro de Elena, jogando-a contra o painel de controle e fazendo com que
seu rifle voasse pelo chão de grade metálica.
O sangue quente escorria pelo seu rosto dentro do capacete enquanto a dor aguda
ameaçava cegá-la, mas a determinação mantinha seus reflexos afiados.
Ela sacou sua pistola de apoio e disparou três vezes contra as juntas desprotegidas do
pescoço da armadura do tirano.
Voronin urrou de dor quando o plasma perfurou a blindagem, recuando vários passos
enquanto segurava a garganta sangrenta.
Elena agarrou o cabo do detonador manual que estava preso ao cinto do vilão e o arrancou
com um movimento brusco e decisivo.
Ela chutou o peito de Voronin com toda a força do seu exoesqueleto, arremessando-o
através da escotilha de descompressão quebrada.
O general caiu sem remorso no abismo gasoso de Júpiter, sendo tragado para sempre pela
pressão avassaladora do planeta gigante.
Restavam apenas trinta segundos no cronômetro do artefato quando Elena se debruçou
novamente sobre o console danificado da bomba.
As luzes de emergência piscavam em vermelho sangrento enquanto o núcleo de matéria
escura começava a vibrar em uma frequência ressonante perigosa.
Com os dedos trêmulos pela exaustão, ela desconectou manualmente o módulo de
contenção magnética e expôs a célula energética primária.
Usando sua lâmina térmica, cortou os cabos de alimentação secundários no exato
milissegundo em que o temporizador marcava três segundos.
O brilho violeta do núcleo piscou errativamente antes de desvanecer completamente,
trazendo um silêncio repentino e pesado para a sala de comando.
Mas a vitória durou pouco, pois a estrutura da estação começou a ranger e se despedaçar
sob o estresse das turbulências gravitacionais externas.
Sem tempo a perder, Elena correu de volta pelo corredor destruído, contornando chamas de
plasma e destroços caindo do teto metálico.
Ela alcançou o hangar secundário, onde uma cápsula de evacuação de emergência ainda
permanecia intacta nos trilhos de lançamento.
Lançando-se para dentro da pequena cabine, ela selou as travas de segurança e acionou a
ejeção manual com um soco no botão principal.
A cápsula foi impulsionada para fora da estação destruída no preciso momento em que a
instalação flutuante colapsou e foi implodida pela atmosfera.
O impulso do lançamento projetou a cápsula através dos ventos furiosos da Grande
Mancha Vermelha, sacudindo a nave como uma folha ao vento.
A temperatura no escudo térmico atingiu níveis críticos, fazendo os alarmes de sobrecarga
soarem em uníssono dentro do cockpit estreito.
Elena manteve as mãos firmes no manche de controle, lutando centímetro a centímetro
para alinhar o vetor de subida em direção ao espaço sideral.
A força G esmagadora empurrava seu corpo contra o assento, tornando a respiração um
esforço quase impossível enquanto a velocidade aumentava.
Lenta e dolorosamente, a cápsula começou a romper as camadas densas de nuvens
alaranjadas, subindo em direção à órbita do planeta.
A turbulência diminuiu gradualmente até que o céu escuro pontilhado por estrelas distantes
finalmente substituiu o oceano de gás tempestuoso.
Os propulsores auxiliares da cápsula dispararam suavemente, estabilizando a trajetória de
encontro com a nave de resgate da frota aliada.
Elena retirou o capacete danificado, respirando o ar reciclado da cápsula enquanto
observava a imensidão monumental de Júpiter pela janela.
O planeta gigante continuava sua rotação silenciosa, guardando em suas profundezas o
segredo da batalha que acabara de salvar o sistema solar.
Com um sorriso exausto estampado no rosto, ela fechou os olhos enquanto a nave de
resgate acoplava com um suave clique metálico.