Prólogo
Há muito tempo, quando criaturas mágicas e humanos ainda coexistiam em uma
frágil paz, fadas e outros seres feéricos corriam e voavam livremente pelas florestas
e prados, dançando diante dos olhos de todos, sem maiores preocupações.
Os humanos, até então desprovidos de magia, preocupavam-se apenas com as
criaturas das trevas, aquelas que realmente podiam lhes causar mal. Quando
necessário, recorriam ao pouco conhecimento mágico que possuíam para
exterminar os monstros que se aproximavam de vilarejos e propriedades.
Mas tudo mudou quando os estudos sobre poções e manipulação de energia
avançaram. Ao conquistar o poder da magia, os humanos deixaram de usá-la
apenas como defesa. Logo, ela se tornou um recurso de captura, exploração e
comércio de todo ser mágico, sem distinção.
A ganância e o desejo de poder cresceram de forma desmedida. Aqueles que antes
apenas se defendiam passaram a se autoproclamar magos e feiticeiros, subjugando
criaturas que, até então, viviam livres.
Cegos por ambição, muitos humanos matavam por prazer ou para enriquecer.
Espécies inteiras, ou partes delas, eram comercializadas em rituais, alimentando um
mercado sombrio. Matanças em larga escala espalharam-se, obrigando os povos
mágicos a buscar refúgio. Alguns fugiram para o plano astral, uma camada entre
mundos que oferecia relativa proteção; outros se esconderam nas trevas.
As fadas, assim como tantas outras espécies, também desapareceram dos olhos
humanos. Mas foi no plano etéreo muito mais profundo e inacessível que
encontraram sua maior segurança. Ali, acreditavam-se intocáveis.
E, durante algum tempo, estavam certos. Foi nesse abrigo que Oberon, rei dos
duendes, e sua esposa, Titânia, rainha das fadas, puderam criar em paz seu filho
precioso: o príncipe Kihyun.
O jovem príncipe, dono de uma beleza verdadeiramente etérea, amava correr pelas
florestas e bosques, apreciando a proteção de seu mundo, ainda que com cautela.
Assim, mantinham-se distantes da maldade humana, e a paz, ao menos entre as
fadas, reinou por eras.
Até que, em uma noite de outono, o impossível aconteceu. O plano etéreo foi
invadido. A destruição veio rápida e impiedosa, devastando tudo o que as fadas
amavam.
Assim, o reino feérico caiu em ruínas.