CONFISSÕES
CONFISSÕES
Sou obrigada à confessar que como tudo na vida, o colégio interno teve seus altos e
baixos, seus pontos fracos e fortes. Conheci duas grandes amigas, Rosalie e Alice, duas
irmãs fantásticas que faziam o possível para transformar o colégio no lugar mais
"aceitável" possível.
Rosalie era uma moça loira, da minha idade, de cabelos cheios e compridos, que estava
sempre reclamando sobre não conseguir dormar suas ondas rebeldes _ adoráveis ao
meu ver. Seu corpo era cheio de belas curvas, tinha estatura alta e olhos apaixonantes.
Ela havia deixado um namorado em sua cidade natal, New Orleans, e não conseguia
parar de falar nele por mais que um minuto. Escrevia longas cartas diárias, porque
acreditava firmemente que e-mails eram muito convencionais e pouco românticos.
Rosalie era doce, suave e puramente romântica. Seu coração, ao contrário do meu, era
livre de anseios e grandes preocupações.
Alice, sua irmã um ano mais velha, era o seu completo oposto. Magra, pequena e quase
morena, ela ansiava sair do colégio desesperadamente. Tanta fúria acabou por
aquietar o meu coração, e eu me vi aceitando a minha estadia por lá como se pudesse
realmente tirar algum proveito da situação. Alice não tinha namorado. Ela acreditava
que os homens não tinham valor algum, exceto poucas horas de diversão para muitas
de dor de cabeça _ esse era o seu lema _ e tentava convencer à mim e à Rosalie sobre
suas idéias de independência e liberdade. Rosalie era doce demais para isso. Eu,
acomodada demais.
Mas com o passar do tempo, fui percebendo que os desejos de Alice eram bastante
semelhantes aos meus. Isso aliado à sua desmedida insistência, assim como as súplicas
de Rosalie, me fizeram aceitar um convite bastante inusitado para uma garota, até
então, sem histórico de amigos íntimos.
_ Fim de papo. _ Alice declarou, virando para o outro lado na sua cama, no quarto que
nós três dividíamos no internato _ Você vem morar conosco em New Orleans. Nossa
casa é grande, confortável, e não tenho ninguém interessante para passar os meus dias
tediosos.
Considerei a idéia por algum tempo, mas a verdade é que a teimosia de Alice era tudo
o que eu almejava para mim mesma. Ela era exatamente como eu queria ser, cheia de
perseverança e vontade própria.
No fim daqueles dois anos, a mudança para New Orleans era um caso decidido. Meus
pais pouco importaram-se, como eu sabia que seria, e eu me sentia empolgada e
vibrante pela primeira vez na vida. Arrumamos nossas coisas e partimos com um
motorista do colégio, que nos guiou até o aeroporto. Após uma longa mas tranquila
viagem, chegamos à New Orleans, a terra do jazz e de Louis Armstrong, esquecendo os
incidentes com seus temidos furacões.
_ Aqui é quente. _ eu comentei, abrindo um sorriso alegre para minhas amigas que
confirmaram com um aceno de cabeça.
Rosalie não parava de falar em Emmett, seu namorado perfeito, e Alice apenas se
queixava de como nada ali havia mudado naqueles dois anos, embora nós houvéssemos
acabado de desembarcar.
Alice e Rosalie falavam comigo, mas eu não compreendia uma só palavra. Porque era
ele ... ele! O homem que havia sido posto no meu destino para transformar minha vida
de uma vez só e fazê-la queimar intensamente.
Primeira Impressão
_ Ah, olha só ... ele chegou. Até que enfim! _ Alice tirou suas duas malas pesadas do
chão com um grande impulso. Seus braços eram finos e sua estrutura frágil, e ela foi
caminhando na direção daquele rapaz misterioso, que tanto havia mexido comigo.
Rosalie a seguiu depressa, e por fim, eu me arrastei atrás das duas, carregando minha
bagagem timidamente _ Pensei que você não ia chegar nunca! _ ela reclamou,
deixando suas malas caírem sobre o chão novamente.
_ Edward! _ Rosalie gritou, soltando as malas com um estrondo alto e correndo para
abraçá-lo. Ele a envolveu pela cintura com os braços e girou-a no ar. Ela ria muito, e
por um breve momento eu imaginei se este seria o seu incrível namorado, Emett.
Porque os dois juntos eram o quadro mais perfeito da felicidade. Mas então eu lembrei.
Edward. Esse era o seu nome. Estudei, disfarçadamente, o seu perfil e os seus gestos. E
então ele olhou diretamente para mim com um sorriso preguiçoso nos lábios.
_ E você deve ser Isabella.
_ Sim. _ eu engoli em seco e depois sorri, estendo a minha mão timidamente _ Isabella
Swan.
Edward apertou a mão que eu estendi, e depois levantou-a na altura da sua boca,
depositando um beijo delicado. Meu corpo estremeceu, e eu não desviei os olhos dos
seus nem por um instante.
_ É um prazer. Minhas irmãs falavam muito sobre você ao telefone, mas nenhuma delas
me contou que fosse tão bonita.
Corei diante do elogio, mas consegui abrir um sorriso decente. Então ele era Edward
Cullen. Claro, como eu não havia deduzido? Rosalie sempre o descrevera como o mais
bonito dos Cullens, o mais sincero, o mais aventureiro. E Alice? O que ela havia dito
mesmo sobre seu irmão? Ah sim, um vagabundo total sem a menor noção de caráter e
boas maneiras.
Ali, de pé no aeroporto, olhando para ele que havia acabado de soltar minha mão, eu
já havia optado por acreditar na sua primeira descrição.
O caminho para a casa dos Cullens foi um total desastre. Rosalie e Edward
conversavam animadamente, cheio de carinhos, enquanto Alice dava alfinetadas no
irmão, cheia de sarcasmo e grosserias. Mas eu pude vê-la sorrir diversas vezes quando
achava que ninguém estava olhando, e em um momento de distração ela até o chamou
de 'Ed'.
Eu sorria para todos sem saber muito bem como agir ou o que dizer. Minha familia era
completamente diferente, e nunca tive o hábito de conversar com meus pais e parentes,
além de nunca ter tido um irmão para saber como era viver aquele tipo de intimidade.
A casa dos Cullen era realmente grande, mas muito aconchegante. O quarto maior
pertencia à Carlisle e Esme, os pais das minhas amigas e de Edward. Era uma suíte
gigantesca e muito bem decorada, que Roasalie me arrastou para conhecer. Ela me
confessou em voz baixa, como uma menininha, que já havia transado com Emmett na
cama e na hidro dos pais, diversas vezes, quando estes não estavam em casa.
_ Por favor, Rosalie! _ eu disse, gargalhando _ Sem mais comentários, ok? Não quero
ficar imaginando nada quando andar pelos corredores dessa casa.
Ela riu, e nós percebemos que Alice estava logo atrás ouvindo toda a conversa.
_ Então é melhor você nem dormir na sua cama à noite, Bella. _ ela disse, e saiu rindo
feito uma louca enquanto eu fazia uma cara de choque total, e Rosalie corava
desesperadamente.
Deitei na cama e agucei os ouvidos, tentando escutar qualquer ruído do quarto ao lado.
Não ouvi nada. Edward era um rapaz tranquilo e silencioso. Mal pensei nisso, e
lembrei dos comentários que Alice havia feito sobre ele. "Vagabundo total sem a menor
noção de caráter e boas maneiras".
Liguei para os meus pais, avisando que tudo estava correndo muitíssimo bem,
obrigada, e não ... eu realmente não pretendia voltar para casa agora. Minha mãe
acusou-me de estar querendo brincar de casinha na casa dos outros, e disse que minha
rebeldia não tinha sentido algum. Então, eu desliguei o telefone sem dizer mais nada. O
sábado estava bonito demais para permitir seu tom de dondoca da alta sociedade ferir
os meus ouvidos.
Fui até o quarto, me arrumei e resolvi dar uma volta pelo local.
A casa dos Cullen não era uma casa de campo. Longe disso. Mas ficava no alto de uma
colina, rodeada por árvores e todo tipo de verde, o que dava uma ar de veraneio
irresistível. Pensei em procurar o tal lago, mas não queria mesmo atrapalhar o
romance de Carlisle e Esme, por isso tomei a direção contrária.
Minha mente vagava em todas as direções, e todos estes caminhos me levavam à um só.
Edward Cullen. Aquilo já estava se tornando uma obsessão. Eu precisava encontrar
uma maneira de estar com ele ... tocá-lo, abraçá-lo, senti-lo junto ao meu corpo ... ou
então tirá-lo da minha cabeça de uma vez.
Eu havia me perdido.
Depois de voltas e mais voltas sem chegar a lugar nenhum de fato, concluí que meus
pés doloridos não tinham a menor noção sobre o lugar de onde tinham vindo. De
qualquer modo, continuei caminhando por mais quase uma hora, sentindo a esperança
morrer um pouco mais a cada passo frustrado.
Estava exausta, suando, e meu cabelo despenteado teimava em sair detrás das orelhas,
onde eu não parava de colocá-lo. Comecei a sentir medo, e logo senti fome também.
Meu estômago roncava como se não visse comida há dias, embora eu houvesse tomado
um belo café-da-manhã antes de sair da casa dos Cullen.
_ Boa, Bella ... você é mesmo uma imbecil. Uma grande imbecil! _ eu disse para mim
mesma enquanto caminhava sobre uma trilha de pedras que feriam ainda mais meus
pés, ignorando os chinelos de borracha que eu usava _ Que espécie de pessoa sai sem
rumo por um lugar que nunca viu na vida, hein? Me responde isso ...
Ouvi uma voz rouca atrás de mim e me virei na sua direção, deparando-me com
Edward que me olhava divertido.
Edward foi se aproximando e quando dei por mim, já estava ajoelhado à minha frente,
conferindo os dois grandes arranhões vermelhos na minha coxa esquerda. Arregalei os
olhos quando ele passou os dedos de leve sobre o ferimento, provocando um arrepio
forte na minha pele, exatamente no local onde tocava. Assisti, morta de vergonha, os
pêlos da minha perna se eriçarem.
_ Doendo? _ ele perguntou com um sorriso de canto, que mostrava o quão bem havia
entendido a minha reação.
Senti as bochechas arderem e minha única reação foi levantar-me do chão de supetão,
sendo logo auxiliada por ele.
_ Claro. Sou especialista em salvar jovens donzelas em perigo, sabe? _ Edward deu um
sorriso maldoso, e eu concluí que estava fazendo o possível para me deixar sem-graça,
mas mesmo assim o acompanhei pelo meio da mata cerrada em que nos
encontrávamos.
_ Então, Bella ... você não me parece o tipo de garota que se aventura no meio do mato
só pelo prazer do contato com a natureza. Eu estou errado? _ ele perguntou enquanto
caminhávamos um ao lado do outro.
Olhei de relance para ele enquanto fazia a pergunta, e percebi que seus cabelos
dourados brilhavam sob a luz do sol, parecendo despretensiosos e descuidados,
revoltos pelo vento quente que nos atingia em cheio. Seus olhos eram da cor do topázio,
como eu havia percebido desde o primeiro momento em que o vi. Nunca tinha visto
aquela tonalidade em uma íris. Eles brilhavam, ansiosamente, enquanto ele parecia
estar tirando sarro da minha cara.
_ Eu não quis ficar sozinha. _ respondi de forma seca. A verdade é que sua farra estava
me irritando.
_ Alice não estava bem quando eu saí. Nada muito sério. Mas disse que preferia ficar
na cama por hoje. _ respondi, observando-o assentir com a cabeça.
Então, Edward parou de súbito, voltando-se na minha direção. Seus olhos brilhavam
ainda mais intensamente, e eu não consegui deixar de me perder neles. Assim, não tive
outro jeito senão corresponder o seu olhar, sentindo todas as fantasias da noite
anterior atravessarem a minha cabeça em ondas de adrenalina.
O Convite
Você quer mesmo ir para casa, agora? _ Edward me perguntou, dessa vez sem ironias
ou sarcasmo. Contudo seus olhos ainda brilhavam intensamente, esperando pela minha
resposta.
Eu gelei. Ao mesmo tempo que meu corpo o desejava acima de tudo, as palavras de
Alice martelavam em minha cabeça. E o próprio comportamento de Edward era
desconcertante. Ele sempre parecia estar me testando, me provocando ... e embora
aquilo me deixasse excitada, também me apavorava!
_ Eu não sei. Você estava indo para outro lugar? _ arrisquei, sentindo o coração
acelerado no peito. Apesar de tudo, não queria desperdiçar a minha chance de estar
sozinha com ele.
O mato estalou perto da gente, e eu levei um susto me distraindo por um segundo. Ele
segurou minha mão, e eu olhei para as duas entrelaçadas por um longo tempo. Iria até
o inferno se ele me pedisse.
_ Vou te levar pra conhecer um lugar bem legal perto daqui. E quando anoitecer, a
gente volta. _ Edward abriu um sorriso torto _ Mas eu acho que você nem vai querer.
À despeito das suas últimas palavras, continuei seguindo Edward por dentro da mata.
O caminho ficava cada vez mais difícil, mas também cada vez mais bonito. Andamos
por cerca de uma hora, e eu já estava entregando os pontos quando percebi que o sol
estava a pino. Eu transpirava loucamente, e estava começando a ficar sem jeito quando
vi que Edward também suava, os cabelos alourados grudando na testa, a camisa mais
justa no corpo.
Sorri com meus pensamentos, e balancei a cabeça numa negativa como que para
afastá-los. Ele notou e sorriu de volta.
_ Ah, não? _ perguntei com dificuldade, entre o meu riso agora frenético.
_ Não ... _ ele me olhou, inquisitivo, e eu pude perceber que estava irrequieto _ Mas vai
me dizer do que está rindo? Só pra eu saber, claro.
_ O quê?
_ Rapel, tirolesa, bungee jumping ...
_ Não, medrosa. Pode ficar tranquila _ ele debochou, lançando um olhar para o nosso
caminho, como se finalmente tivesse encontrado o que procurava mais adiante.
Mas no momento seguinte, Edward abriu um sorriso travesso e me puxou pela cintura,
jogando com facilidade sobre os ombros fortes. Perplexa e sem reação alguma, permiti
que ele corresse comigo pelo mato na direção do que eu percebi ser um rio.
Segredos e Revelações
_ O que você está fazendo?! _ gritei, quando enfim me recuperei da surpresa. Mas era
tarde demais. Edward me atirou no rio, pulando logo em seguida. A água estava gelada
e meu corpo quente tremeu pelo impacto, mas em poucos segundos eu já me
acostumava. Ele estava logo adiante, mergulhando e nadando como um profissional. As
longas braçadas deixando seus músculos ainda mais a mostra, as costas bem definidas
e bronzeadas. Sentia uma vontade incrível de tocá-lo, mas minha timidez ainda não
permitia chegar a tal ponto. Ajeitei os cabelos, ficando com o corpo submerso da
cintura pra baixo, os pés tocando o fundo do rio. Ele já havia interrompido seus
movimentos, e me olhava fixamente há muito metros de distância. Mais do que eu
desejaria. Foi quando percebi que minha camiseta branca já havia ficado transparente,
e os bicos dos seios apareciam, enrijecidos, sob o sutiã fino que eu usava. Cobri os
seios com os braços em cruz, me culpando por parecer a mais puritana de todas as
criaturas da face da Terra. Aquela não era hora de bancar a difícil, mas eu
simplesmente não sabia como agir. À despeito da água gelada, meu rosto corou
furiosamente. Edward percebeu e sorriu com seu jeito de menino. _ Este é o meu lugar
preferido em toda New Orleans. _ ele disse, e eu acreditei piamente _ O rio, a mata, o
silêncio ... aqui eu me sinto livre. Por isso queria te trazer aqui. _ Por que? _ eu
perguntei com uma curiosa felicidade, mas ele não ouviu. Já havia mergulhado e
desaparecido na água. Fiquei olhando em volta, consciente de que o lugar era mesmo
uma maravilha. O cheiro das folhas e da água limpa me absorviam completamente. Só
não mais do que a presença de Edward. Sabendo que ele estava debaixo da água,
provavelmente me pregando uma peça, meu corpo formigava de excitação, esperando o
momento em que iria vê-lo de novo.
Em menos de trinta segundos, ele emergiu, mas apesar de toda a expectativa eu não
estava preparada. Não imaginava que reapareceria tão próximo à mim, à tão poucos
centímetros do meu próprio corpo, que agora estava tenso com a proximidade da sua
pele, a eletricidade que emanava dela. Edward não disse nada. Ele apenas me
observava, levando seus olhos do meu rosto para o meus pescoço, para o meu colo,
descendo pelos meus seios, traçando as curvas do meu corpo como se tentasse
adivinhar o que havia por baixo das roupas encharcadas que eu usava, que já não
escondiam nada do que os seus olhos pudessem revelar. Meu peito subia e descia,
arfando cada vez mais depressa. Temi que pudesse ter uma crise de asma, bem ali, à
sua frente, mas então lembrei que eu não sofria de bronquite ou nada parecido. Engoli
em seco, vendo-o aproximar-se ainda mais de mim, até que pude sentir seu corpo tão
quente tocar o meu. Edward estendeu as mãos, segurando meus braços com delicada
firmeza, e me fazendo encará-lo. _ Por que você fica assim toda vez que eu olho para
você, Bella? _ A- assim co- como? _ gaguejei como uma completa imbecil. Por mais
que eu conseguisse racionalizar sobre tudo o que acontecia, e sobre meu
comportamento desajeitado, não era capaz de coordenar meus movimentos e fala
quando tratava-se de Edward Cullen. _ Eu não sei ... _ ele sussurrou, a voz rouca e
máscula atingindo cada parte do meu corpo, cada nervo, cada artéria _ ... mas vou
descobrir. Edward inclinou-se pra mim, e eu senti sua respiração encontrar-e com a
minha pouco antes de os nossos lábios se encontrarem. Antes que o nosso beijo
acontecesse, também pude perceber suas pálpebras fecharam-se na visão mais
adorável que já tive na vida. Elas ficaram, ali, semi-cerradas, e em seguida também
pude fechar meus olhos, me entregando de vez ao momento.
A água do rio não parecia mais fria. Já os lábios de Edward, quentes e habilidosos,
guiavam meu corpo para uma viagem que eu ainda não havia feito. Nunca beijar me
parecera tão incrivelmente envolvente, tão místico, tão cheio de segredos e revelações
que se sobrepunham em um curto espaço de tempo. Depois de explorar meus lábios
com os seus, mordiscando e atritando, me fazendo suspirar mais à cada movimento,
senti sua lingua invadir minha boca, possessiva. Atrevida. Edward era experiente e
audacioso. Suas mãos desceram pelos meus braços à medida que o nosso beijo tomava
outras proporções. De repente, ele já segurava meus pulsos com firmeza, e eu me vi
sendo guiada para a beira do rio. _ On - onde ..? _ tentei perguntar, mas sua boca
colou-se à minha novamente, e eu perdi qualquer resquício de sanidade que ainda
julgasse ter. Suas mãos apertavam os meus pulsos, e eu já os sentia doloridos, mas não
queria que ele parasse. Edward levou-me para fora da água e antes que eu pudesse
perceber o que fazia, pegou-me no colo, levando para um local um pouco afastado do
rio e mais próximo à mata. Estávamos, então, sob uma grande macieira. Ele me deitou
ali, ajoelhando-se entre minhas pernas. Minhas mãos enroscaram-se nos seus cabelos,
trazendo-o para mais perto de mim, e eu o beijei com tanto desejo que pude ouvi-lo
gemer meu nome entre as carícias. _ Oooh, Bella .. assim ... Sorri entre o beijo, feliz
por ter tomado alguma iniciativa finalmente.
Maldita Timidez
Edward foi deitando-se sobre mim, sem deixar de me beijar por um instante sequer. Sua
boca era ágil. Sua lingua me proporcionava um prazer intenso, entrelaçando-se com a
minha, explorando os meus lábios que se entregavam aos dele, obedientes. Desci
minhas mãos pelas suas costas, arranhando por cima da camisa e sentindo seus
músculos contrairem-se sob meu toque. Eu estava aprendendo seus pontos sensíveis, e
aquilo me enlouquecia completamente. Quase tanto quanto perceber que ele já parecia
mestre em manipular as minhas fraquezas, usando sua lingua para provocar minha
imaginação aguçada. Ele mordeu minha boca com uma pressão deliciosa, e então seus
lábios escorregaram para o meu queixo, chupando minha pele pelo caminho até a
garganta. Inclinei a cabeça para trás, fechando os olhos com toda a força e gemendo
sem forças. Enquanto seus beijos desciam pelo meu pescoço, suas mãos subiam com
destreza pelas minhas pernas. _ Quem será? _ Eu não sei. Não consigo ver quase
nada ... _ Fala baixo. Eu me sobressaltei sob Edward ao ouvir as duas vozes que
cochichavam escondidas na mata, em algum ponto à nossa esquerda. Ele, no entanto,
não fez nenhum movimento na tentativa de separar-se de mim. Estava completamente
entretido em abrir o zíper do meu short, a boca roçando na minha orelha e me fazendo
perder os sentidos. Antes que me entregasse às suas carícias novamente, eu empurrei
seu peito devagar e me inclinei para frente, ficando quase sentada enquanto ele se
erguia sobre mim. _ O que foi? _ me perguntou, com os olhos enevoados de excitação.
_ Eu ouvi alguém. Ficamos um tempo em silêncio, esperando ouvir algum barulho ou
as vozes novamente, mas nada aconteceu. Edward, por fim, suspirou - na realidade,
bufou - perdendo a paciência. _ Você não ouviu, Edward? Não é possível. _ Eu não
ouvi nada. Não tem ninguém aqui, Bella. _ ele disse isso com convicção toal, enquanto
levantava-se e andava pela mata.
Suflê de Chocolate
_ Sente-se, querida. Bem ali, ao lado de Alice.
Fiz como Esme mandou, e logo nós desfrutávamos de um jantar delicioso preparado
por ela mesma. Quando a refeição terminou, sem que eu houvesse recebido nem ao
menos um olhar do Edward, pedi licença a todos, e subi para o quarto, muito frustrada.
Liguei para casa apenas para escutar a voz dos meus pais, mas aquilo não me acalmou.
Minha mãe estava envolvida em um novo projeto beneficente, e meu pai jogando
poquer com uns investidores. É, as coisas realmente não mudam. Não quando nós
estamos falando dos meus pais. Mamãe logo desligou o telefone, dizendo que me ligaria
assim que tivesse tempo.
_ Você e Ed lá na mata ... muito íntimos. _ ela cochichou, nem um pouco ruborizada, e
eu pude reconhecer imediatamente aquele sussurro _ Não se preocupe. Eu dou a maior
força!
Então, nós ouvimos passos de alguém subindo as escadas. Eu não sabia quem era mas
parece que Rosalie sim. Minha amiga intrometida correu para o seu quarto, deixando-
me à porta do meu, encostada no batente.
Eu só podia lembrar da sua boca e das suas mãos pelo meu corpo, enquanto ele ia
aproximando-se de mim. Passei a lingua pelos lábios, ansiosa para ouvir o que ele
diria. Cada fibra do meu corpo, cada região do meu cérebro ... meu corpo todo ansiava
por qualquer palavra que pudesse sair daqueles lábios. Ajeitei o cabelo, pisquei
algumas vezes sensualmente na sua direção. Pensei em descer um pouco o decote da
blusa, mas aquele não era mesmo o momento. Então apenas olhei dentro dos seus
olhos, em um convite mudo mas claro.
Edward parou em frente à mim, do lado de fora do quarto, me encarando com
intensidade. Então, seus lábios moveram-se graciosamente.
_ Suflê?
_ Ah, sim. Claro que sim. E eu vou querer, à propósito. Por que não? _ sorri, irônica.
Edward assentiu e deu as costas, voltando pelo corredor por onde tinha vindo.
_ Hoje, lá no rio .. era a Rosalie, tá? Só pra você saber. _ e sem esperar qualquer
reação dele, entrei no quarto, batendo a porta atrás de mim.
Fiquei trancada no quarto por uns dez minutos, e enquanto isso podia ouvir Rosalie e
Emmet conversando no quarto ao lado. Foi então que descobri a segunda voz na mata
àquela tarde. Era o Emmett. Ele estava com Rosalie quando Edward e eu ... bem, vocês
sabem muito bem o que estávamos tentando fazer.
Respirei e fundo e soltei uma gargalhada alta para espantar de vez a vergonha. Meu
Deus, o que mais me faltava acontecer em New Orleans? Em vinte e quatro horas de
estadia, Edward Cullen havia conseguido transformar minha vida da água para o
vinho, com seu jeito irresistivelmente perigoso e ativo.
Como se eu o tivesse invocado com meus pensamentos ansiosos, Edward bateu à porta
do meu quarto naquele exato instante.
Em uma de suas mãos, havia uma enorme taça de suflê; na outra, um lindo botão de
rosa vermelho..
Encontro Marcado
_ Meu suflê? Você pode deixar sobre a cômoda, por favor. Obrigada, Edward. _ eu
disse de maneira formal, dando as costas e caminhando em direção à cama, onde
estava jogado meu MP5 e uma revista boba. Coloquei os fones no ouvido e comecei a
folhear as páginas, ainda de pé no meio do quarto.
Ele fez o que eu pedi, e disse mais alguma coisa, mas não entendi porque já havia
ligado o MP5 no último volume. Talvez fosse bom ficar surda. Assim as palavras do Sr
Cullen ali, não teriam nenhum poder sobre mim. Livre novamente, Bella. Ou não.
Eu só fui me dar conta do que estava acontecendo quando ele tirou os fones dos meus
ouvidos, deixando-os pendurados no aparelho. Edward me encarava com um olhar
calmo, e ao mesmo tempo determinado. Eu percebi que ficar surda não era solução
para ficar imune aos seus encantos. Teria, também, que dar um jeito de ficar cega. E
era pouco provável que funcionasse de qualquer forma. O cheiro do seu perfume
ligeiramente adocicado, mas bem masculino, estava me matando.
_ Eu perguntei ... aonde deixo a rosa? Ela também é sua.
_ Senti sua falta. _ seu nariz roçou no meu de leve, e pude sentir sua respiração
acelerando-se. Meu corpo ficou mais relaxado, instantaneamente, confessando o
quanto eu me sentia atraída por ele.
_ Não parecia. _ reuni forças para dizer, embora meus olhos estivessem fechados e
minha boca entreaberta, esperando pela dele.
_ Me Desculpa. Eu interpretei errado. Achei que você estivesse fugindo de mim ...
provocando pra depois me largar. Você me deixou louco, Bella. E depois, confuso.
Com a sua boca tão próxima da minha, nossas respirações se cruzando, eu concluí que
tudo o que ele estava dizendo fazia muito sentido, sim. Mas na verdade, naquelas
condições, não importava muito o que ele dissesse.
Edward mordeu de leve minha boca, exatamente aonde eu havi mordido antes. Senti um
espasmo leve e gostoso atravessar meu corpo e, instintivamente, coloquei minha mão
sobre o seu peito, descendo até sua barriga em uma carícia ousada. Já não conseguia
mais raciocinar, meu corpo inteiro clamava pelo dele.
Mostrando que sentia-se da mesma forma, ele começou um beijo intenso, entrelaçando
sua lingua com a minha e colando nossos lábios com paixão e avidez. Mas logo
separou-se de mim, um pouco ofegante, e eu gemi de pura frustração.
_ Aqui não, Bella. Tem os meus pais e as meninas. Tem que ser em outro lugar.
_ Aonde? _ perguntei, tentando esconder a ansiedade, mas sem sucesso. Meus olhos
deviam brilhar com mais intensidade do que nunca, e minha voz era um sussurro rouco
e trêmulo.
Edward sorriu, e a mão que estava em minha cintura apertou um pouco mais, me
obrigando a suspirar. Deus, como eu o queria!
_ No meu quarto. Mais tarde. Quando todo mundo estiver dormindo. _ ele disse com
simplicidade, os olhos brilhando do desejo não satisfeito. Seu corpo também ansiava
pelo meu. Era perceptível.
Eu o olhei, espantada. Achei que ele fosse sugerir um local fora da sua casa, como o
rio por exemplo, mas a explicação veio logo em seguida.
_ Não confio em você andando sozinha pela mata pra me encontrar, Bella. E nós não
podemos sair daqui juntos, à noite. Sempre tem gente pela sala e cozinha dessa casa.
Eu viria até aqui, mas as garotas podem querer fofocar com você no meio da noite ...
sobre o que Rosalie viu na mata. Eu já a ouvi cochichando com Alice à respeito agora
há pouco. Não vai demorar muito pra aparecerem juntas aqui no quarto.
Revirei os olhos, sorrindo, e senti sua mão tocar meu rosto com delicadeza.
O tempo congelou, e meu coração pareceu se acalmar aos poucos dentro do peito. Uma
calmaria diferente, que pouco tinha a ver com desejo, mas também não era nada
semelhante à tranquilidade antes de conhecê-lo.
Meia-Noite
Ainda estava deitada na cama duas horas depois de Edward ter saído do quarto. Meu
corpo e minha mente incendiados pela perspectiva de ficar com ele naquela noite.
Relembrei cada detalhe do que havia acontecido entre a gente desde o nosso encontro
no aeroporto. Os olhares no carro à caminho de casa, os beijos no rio, nossas carícias
sob aquela árvore.
Tentei passar o tempo da melhor forma possível, mas logo descobri que nada ali dentro
conseguia prender minha atenção. O objeto dos meus sonhos, de todo o meu desejo,
estava lá fora.
Bati na porta do quarto dele, olhando para os lados como uma fugitiva. A situação
seria cômica, caso não fosse extremamente perigosa. Se eu fosse flagrada por Alice ou
Rose, não haveriam grandes conflitos. Mas caso o flagra se desse pelos donos da casa,
eu estaria completamente perdida. E irremediavelmente envergonhada.
Para meu alívio, Edward abriu a porta à primeira batida. Sua ansiedade me fez sentir
um pouco convencida, e eu sorri com malícia, vendo que ele usava somente uma
bermuda preta, o peito nu mostrando as formas que eu certamente poderia apreciar
melhor àquela noite.
Ele também me encarava com satisfação. Eu vestia uma lingerie da mesma cor que sua
bermuda, uma das únicas coisas bonitas e sexies que tinha. Ela era rendada e delicada,
e parecia suplicar que fosse tirada do meu corpo. Ou ao menos os meus olhos
imploravam por isso, e eu ali já não tinha a menor intenção de esconder.
Edward estendeu a mão que eu segurei prontamente, seguindo-o para dentro do quarto.
O frio atingia minha pele pela janela aberta, mas ele logo tratou de fechá-la, me
olhando de um jeito intenso e impossível de resistir. Seus olhos percorriam cada
centímetro do meu corpo, como se ele planejasse tudo o que poderia fazer comigo
naquela noite, e eu corei. Involuntariamente, eu corei de vergonha pela forma como ele
me olhava, pelo modo como eu estava vestida mas, principalmente, pelas coisas que eu
também desejava fazer com ele naquela noite. Coisas que eu jamais havia pensado com
seriedade antes.
_ Eu não sei muito bem ... o que fazer agora, Ed. _ confessei, sem jeito, lutando para
não esconder meu corpo com as mãos. Buscando, arduamente, me sentir à vontade com
tudo aquilo.
Edward aproximou-se de mim, devagar, e me enlaçou pela cintura com força enquanto
me beijava.
Sua boca tinha um gosto maravilhoso, suas mãos sabiam exatamente o que fazer,
passeando pelo meu corpo enquanto sua lingua dedicava-se a descobrir como me
deixar excitada. Eu esqueci a timidez, as dúvidas, e embora a inexperiência me deixasse
nervosa, aquele parecia ser um problema que o Edward estava ansioso em resolver.
Deixei minhas mãos descerem pelas suas costas, acariciando, puxando seu corpo de
encontro ao meu. Edward foi me guiando na direção da sua cama, enquanto
mordiscava os meus lábios e me fazia gemer baixinho o seu nome. Cada gemido meu
parecia provocá-lo ainda mais, e eu fui me deixando envolver enquanto ele me deitava
sobre os lençois macios que traziam seu cheiro delicioso.
_ Bella ... _ ele me chamou, ainda com a boca próxima à minha, como se não pudesse
evitar o contato _ ... eu sei que seria um canalha completo se não perguntasse, embora
seja a coisa que eu mais quero na vida ...
Ouvia suas palavras como se estivessem muito distantes. Meus sentidos estavam fracos,
apesar de eu conseguir escutar, nitidamente, as batidas do seu coração confudirem-se
com as do meu.
Edward não perguntou mais nada, não havia a menor necessidade. Porque mesmo se
ele achasse aquilo errado, eu sabia que era o único homem com quem eu desejaria
perder a virgindade. Eu já havia tido um namorado, saído com uma quantidade
razoável de caras, mas nunca havia me entregado completamente à um homem. Jamais
havia sentido por alguém o que sentia na presença de Edward Cullen, o fascínio, a
insensatez que ele me provocava.
Seu corpo afastou-se um pouco do meu enquanto ele me olhava nos olhos, ficando
apoiado sobre as mãos no colchão. Meus olhos desceram rapidamente pelo seu peito,
sua barriga subindo e descendo em uma respiração pesada e irregular. Eu pude
constatar o quanto ele estava excitado, seu membro marcando a bermuda que havia
ficado justa demais para esconder o volume.
Senti um certo receio pelo que me aguardava. Então, ele me beijou novamente e eu não
senti mais nada além do desejo de que aquilo nunca mais acabasse.
Edward tomou um dos meus seios com sua mão, e ele quase pareceu caber inteiramente
nela embora não fosse tão pequeno. Eu estremeci quando ele começou a massageá-lo,
deslizando os dedos para o bico, beliscando e brincando com ele com toda calma.
No entanto, sua boca negava a paciência das suas mãos. Seus beijos eram cada vez
mais exigentes. Seus lábios tomavam posse dos meus, sugando, mordendo, beijando ... e
me tirando todo o fôlego.
Gemidos e Súplicas
_ Edward ... Edward ... _ eu suplicava por ele entre os nossos lábios, arranhando suas
costas enquanto ele ainda se divertia com os meus seios. Seus dedos passavam de um
para o outro, agora, concentrado em arrancar meus suspiros mais profundos.
Meu corpo inteiro arrepiou-se quando aquela boca macia desceu até o meu pescoço.
Virei a cabeça para o lado, deixando ele à vontade para marcar a minha pele com seus
chupões fortes e nada gentis. Edward podia ser um perfeito cavalheiro quando queria,
mas certamente aquele não era seu momento mais decente.
Mordi minha boca com força, contendo um grito quando ele mordeu meu pescoço com
certa intensidade. Senti a pele queimar no local, mas logo também senti sua lingua
aplacando a ardência, enquanto ele lambia delicadamente, e depois assoprava devagar
me fazendo estremecer.
Minhas mãos novamente desceram pelo seu peito, escorregando timidamente para sua
barriga. Eu alisava sua pele, passando as unhas de leve, vendo seus músculos se
contrairem sob os meus dedos. Edward me olhou nos olhos fixamente, aquela luz cor de
topázio nas suas órbitas parecendo iluminar todo o quarto, e eu senti sua urgência
quando ele pegou uma das minhas mãos, tirando da sua barriga e colocando sobre seu
pênis, ainda coberto pela bermuda.
Senti meu corpo amolecer ainda mais sob o dele, uma sensação maravilhosa,
inebriante. Ele voltou a beijar minha boca daquele jeito possessivo, desesperado,
enquanto eu acariciava seu membro rígido por cima da sua única peça de roupa. Cada
vez que eu o tocava, apertando com diferentes intensidades, ele parecia crescer.
O calor do seu corpo era intenso. Edward parecia queimar sobre mim, sua pele
fervendo com o desejo que sentia. Mas eu sabia que também não estava diferente,
sentia como se estivesse com febre.
_ Oooh, Bella ... não pára ... _ ele implorava, e eu continuava a masturbá-lo
desajeitadamente. Mas ele parecia não ter a menor reclamação a fazer.
Senti suas mãos deslizarem minha calcinha, deixando-a presa no meio das coxas.
Ansiosa, forcei a peça mais para baixo, mas ele segurou minhas duas mãos, colocando-
as cruzadas atrás da minha cabeça.
Eu respirava ofegante, trêmula de ansiedade pelo seu próximo passo. Senti, então, seus
dedos subirem pela minha coxa, estancando na minha virilha, e suspirei. Meu Deus,
que homem era aquele? Com um simples toque, me deixava em brasas!
_ Oooh, Edward! _ eu gritei, e ele me silenciou com um beijo caloroso. Não podia mais
discernir o certo do errado, portanto não mais me preocupava com quem pudesse
escutar meus gritos e súplicas. Eu estava transando loucamente com Edward Cullen, e
que o resto do mundo se dane!
Meu corpo se contorceu de repente, atirando meu quadril para frente, quando ele
enfiou dois dos seus dedos longos e frios dentro da minha intimidade. Sua boca ainda
cobria a minha com seus beijos quentes, enquanto seus dedos agiam com cuidado para
não romper o meu himem, mais concentrados em me dar todo o prazer que fosse
possível, explorando de canto a canto meu sexo ainda apertado, completamente virgem.
Eu fechava os olhos com força, os gemidos abafados pelos seus lábios habilidosos.
Sentia ele chupar minha lingua com força, forçando a sua para dentro da minha boca.
Seus dedos, agora, entravam e saíam de mim sem cessar, a velocidade aumentando de
forma espantosa, de modo que eu pensei que estivesse mesmo flutuando embora ele não
mais suspendesse meu corpo no ar.
Edward desgrudou os lábios dos meus, dando-me espaço para respirar. Respirei fundo
algumas vezes, tentando recuperar o fôlego, mas meu corpo recusava-se a me
obedecer. Eu, agora, mexia meus quadris incentivada pelos seus dedos, e quando
comecei à sentir os primeiros espasmos de um orgasmo muito gostoso chegando, ele
parou os movimentos na minha intimidade que ainda pulsava loucamente, como se não
tivesse compreendido os sinais enviados à ela.
_ Não, continua ... _ eu supliquei, com uma careta de desagrado, e desci a mão até o
seu pênis numa tentativa idiota de trazê-lo de volta para o jogo. Percebi que ele
continuava duro feito pedra.
_ Não assim, Bella. _ ele sorriu, e eu percebi que jamais veria aquele sorriso em um
outro rosto. Edward era especial, e embora eu achasse aquilo uma completa
insanidade, poderia passar o resto da vida apenas olhando para o seu sorriso
obscenamente lindo.
Ele se inclinou sobre o meu ombro, e eu gemi quando seu hálito quente tocou meu
ouvido, provocando um arrepio fantástico na minha pele. Sua voz era rouca quando
falou novamente _ Chega de preliminares.
Mordi a boca com satisfação ao ouvir aquelas palavras, e suas mãos se ocuparam em
posicionar minhas pernas em torno da sua cintura. Fechei os olhos novamente, me
preparando para aquele momento tão esperado.
_ Abre os olhos, Bella. Eu quero olhar para eles quando estiver dentro de você. _ ele
ordenou e eu obedeci, trêmula de desejo.
Instintos
Uma de suas mãos desceram até a bermuda, e ele abaixou somente o suficiente. Fechei
os olhos por instinto, talvez o medo falando mais alto, mas logo me lembrei das suas
palavras e tornei a abri-los. Ele me olhava muito sério, parecendo estudar cada feição do
meu rosto com evidente prazer, interesse e carinho. Carinho? Procurei afastar aquele
pensamento, tendo certeza de que não era muito provável. Edward era um aventureiro,
ladrão de corações como Alice já havia comentado muitas vezes. Eu não deveria esperar
demais dele. Não deveria esperar nada, exceto o prazer que ele poderia me proporcionar
naquela cama.
Edward não interrompeu nosso beijo, mas tornou-o mais calmo a medida que seu
membro se impulsionava para dentro de mim. Enfiei minhas unhas em sua nuca, o que o
fez gemer de dor. Quis pedir desculpas, mas tudo o que saiu da minha boca foram
gemidos quase silenciados pelos lábios avermelhados e macios dele.
_ Bella ... _ ele chamou meu nome, e eu me senti nas nuvens por fazê-lo enrugar a testa
daquele jeito, os lábios entreabertos e convidativos quando terminamos de nos beijar.
Me mexi um pouco sob ele, movendo os quadris para os lados, tentando movimentos
circulares ... enquanto ele subia e descia, afundando seu pênis dentro de mim, para
depois retirá-lo lentamente e recomeçar tudo. Suas estocadas eram firmes e lentas, me
preenchendo por completo. Seria mentira dizer que não senti dor, mas ela não se
comprava ao desejo que me consumia por dentro.
Edward continuou seus movimentos, e eu o acompanhei de certa forma. Ainda era
inexperiente e desajeitada mas percebi que ele gostava do que eu fazia, me movendo
daquele jeito, em círculos. Eu impulsionava meus quadris para frente, unindo aos seus, e
forçando nossas intimidades até senti-lo enterrar de vez dentro de mim, o que provocava
gemidos roucos e profundos de ambas as partes.
Quase sem perceber o que fazia, afrouxei um pouco as pernas em torno da cintura dele,
levantando-as e deixando-as mais abertas e no nível das suas costelas. A posição era
ainda mais prazerosa, e eu podia sentir cada centímetro do pau do Edward dentro de
mim, percebendo que os movimentos dele se intensificavam, acelerando de maneira
enlouquecedora.
Foi quando senti espasmos fortes, violentos, atravessando o meu corpo. Ele notou que
eu iria gozar, porque sorriu torto, daquele seu jeito obsceno. Aquele sorriso me fez
morder a boca de novo, agarrando com força seu pescoço enquanto a outra mão se
enterrava nos lençois da cama, indo contra o colchão.
Eu gozei, procurando me manter firme até os últimos movimentos dele, embora meu
corpo parecesse incrivelmente relaxado e minhas pernas bambeassem de um modo
estranho pra mim. Estava deliciada e completamente satisfeita, mas continuei reolando
embaixo de Edward, até que chamando meu nome mais uma vez, ele gozou, espalhando
seu líquido quente e espesso dentro de mim com um gemido alto de satisfação.
Ficamos naquela posição por alguns segundos. Edward me olhava firmemente nos
olhos, me deixando fascinada.
_ Seus cabelos são cor-de-cobre ... _ murmurei sem ao menos saber o que dizia, as
palavras pulando da minha boca enquanto minha cabeça dava voltas e mais voltas.
Ele sorriu e passou as mãos pelos cabelos bagunçados. Sorria angelicamente desta vez,
como se estivesse dando um tempo nas perversidades do dia. Mas seu peito arfava,
subindo e descendo constante, e até aquela visão me excitava de novo. Desci uma das
mãos, aberta, pelo seu peito descoberto, acariciando delicadamente os músculos
definidos que me deixavam tonta.
_ Você é linda, Isabella Swan. Nunca vi uma mulher tão linda como você ... e nunca
verei nem em mil anos.
Eu gemi baixinho com seu elogio, e abri um sorriso verdadeiro, sem saber o que dizer
diante daquela confissão.
O Dia Seguinte
Adormeci nos braços dele. Nos braços de Edward Cullen. Tive sonhos maravilhosos
naquela noite - o que mais poderia esperar, afinal? Não vou revelar os detalhes
porque, apesar de tudo, continuo lutando com todas as forças contra minha timidez,
mas posso garantir que nenhum deles foi menos do que pervertido.
Acordei com Ed beijando meu rosto. Seus lábios quentes deslizando pela minha pele,
junto com os primeiros raios-de-sol que entravam pelo vidro da janela fechada. Eu
apenas sorri, entreabrindo os olhos.
_ Acorda, Isabella. _ ele sussurrou, beijando a ponta do meu nariz, mas eu não abri de
vez os olhos. Em vez disso, tornei a fechá-los. _ Você tem noção da hora? Sabe o que
vão fazer se nos pegarem aqui?
Nada no mundo.
Mas quando as primeiras batidas soaram na porta, nós dois nos levantamos em um
salto olímpico, quase como as ginastas do PAN. Edward se vestia rapidamente,
enquanto eu fazia o mesmo, mas sem tanta habilidade. Quase perguntei quem era, o
que seria uma grande macanda já que o quarto era dele. Edward fez a tão esperada
pergunta, e descobrimos que era Carlisle avisando que o café-da-manhã seria servido
em familia.
Quando estávamos prontos, ele colocou a cabeça pela porta e, garantido que não havia
ninguém no corredor, me despedi com um selinho e uma risada cúmplice e nervosa,
correndo de volta para o meu quarto.
Nos encontramos novamente na mesa do café. Evitava olhar para Edward ao máximo,
sabendo que minhas bochechas coradas e meus olhos brilhantes denunciariam a noite
passada. Mas sempre que nossos olhares se cruzavam, ele sorria daquele seu jeito
pervertido, ou piscava maliciosamente mostrando que seus desejos comigo ainda não
estavam inteiramente satisfeitos.
_ Bella, o que acha de a gente conhecer a cidade, hoje? Quero dizer a cidade de
verdade, sabe? Não isso aqui. _ Alice perguntou, fazendo um gesto de desdém no final.
_ O que tem de errado com isso aqui? _ Esme perguntou, tirando a mesa. Os Cullen
não gostavam de empregados rondando a casa, então não possuíam uma legião deles
seguindo-s por todos os lados.
_ Você gosta do homem que não sai daqui, né? _ Alice foi rude, fazendo a irmã corar.
_ Alice tem ciúmes da irmã com o Emmett. _ Carlisle provocou, ajudando a esposa à
limpar tudo _ Agora ela não tem mais a irmãzinha companheira de farras, sabe?
_ Bella, nós vamos ou não vamos? _ Alice perguntou, irritada, com um bico maior do
que qualquer coisa no planeta.
Foi quando eu senti um pé me cutucar sob a mesa, subindo pela minha canela.
_ Eu? Errr .. _ me atrapalhei toda, sentindo ele brincar com o pé na minha canela
subindo até quase o meu joelho. Olhei na sua direção. Discretamente, Edward fazia um
sinal de negativo com a cabeça. Ele rabiscava alguma coisa em um guardanapo, e não
participava nem minimamente da conversa.
_ Não. _ Alice respondeu, exaltada _ Minha avó ... Bella Cullen. Você já conheceu? É
uma velhinha adorável que mora no porão.
_ Não seja grossa, Alice. _ Esme a repreendeu, e o bico da filha cresceu ainda mais.
Edward atirou o guardanapo em formato de bolinha no meu colo por baixo da mesa. O
papel quase escorregou pelas minhas pernas, mas eu o apanhei quase derrubando um
copo de suco.
_ Sabe o que é, Alice? Eu ... não tô muito a fim de sair hoje. A gente não pode deixar
pra amanhã? _ arrisquei, sabendo que seria brutalmente apedrejada até a morte.
_ Não quer sair de casa? _ ela disse, desconfiada _ Sei sei ... e aposto que não tem
nada a ver com meu irmãozinho ordinário na noite passada, não é, Isabella?
_ A Rose me contou de vocês na mata, Bella. Ela e o Emmett viram vocês transando. _
Alice disse, quase casual, bebendo um iogurte.
_ Mas na noite passada estavam, né? _ ela sorriu, maliciosa, e eu a olhei sem jeito _
Meu quarto é ao lado do seu, dois depois do quarto do Edward. Mesmo assim ....
Ela não completou a frase. Rosalie chegou correndo, e se atirou na cadeira ao meu
lado.
_ Pode me contar tudo, Isabella Swan! Tudinho mesmo! _ ela estava eufórica _ Que
gritos foram aqueles que eu escutei, ontem?
_ Quem diria, heim? Bella Swan ... virgem e se guardando para o príncipe ... _ Alice
debochou, com seu jeito cínico mas divertido.
Os olhos das duas pousaram sobre mim com evidente interesse. Antes que eu pudesse
pensar em uma resposta, Edward apareceu na sala.
_ Quem está namorando? _ ele perguntou, e seu olhar era extremamente desconfiado.
Antes que Rosalie pudesse abrir a boca, Alice falou por todas nós.
_ Jacob.
_ Jacob é meu amigo, não seu. _ Alice levantou-se da mesa, emburrada, e saiu da sala.
Destino Secreto
_ Não dá pra entender esse lance da Alice, sabe? Às vezes, eu acho que ela realmente
me odeia. _ Edward continuou de pé, as mãos crispadas ao longo do corpo. Seu rosto
estava contraído em uma expressão insatisfeita, aborrecida.
_ Claro que não! _ eu respondi, dando uma risada incrédula _ Alice é louca por você,
esse é o problema. Ela não sabe lidar com isso porque tem que dividir você com o resto
do mundo, é só isso. Para Alice, seria somente você e ela, Ed, mais ninguém.
Edward abriu um sorriso de canto naquele rosto tão sério. A mágoa nos seus olhos deu
lugar à uma onda de luxúria, que me obrigou a imaginar no que ele estaria pensando.
Rezei para que envolvesse ele, eu e sua cama macia e repleta do seu cheiro de homem.
Estremeci, e ele percebeu de imediato.
Edward soltou uma gargalhada alta, a voz rouca, grave, preenchendo o cômodo
inteiro. Fiquei feliz por mudar o seu humor daquele jeito. Vê-lo sorrir também me dava
vontade de sorrir, inexplicavelmente.
_ E então, o que você tem em mente para hoje? _ ressuscitei o assunto do guardanapo,
na esperança que ele me dissesse exatamente o que eu queria ouvir.
_ Você vai saber daqui a pouco, Bella. _ ele sorriu, algum pensamento canalha
surgindo na mente.
Edward se aproximou de mim, por trás. Fiquei paralisada como uma estátua, sentindo
o seu cheiro gostoso enquanto ele se inclinava e roçava os lábios no meu pescoço. Os
pelinhos da minha nuca se eriçaram instantaneamente, e eu afundei as unhas na coxa,
retesando os ombros ainda mais.
_ Não seja curiosa, ok? _ dito isso, pegou uma maçã e saiu da sala, deixando-me
sozinha novamente. Sozinha, ansiosa e excitada.
Tomei um banho, vesti short e camiseta e desci as escadas feito um furacão. Edward
ainda não tinha me avisado dos seus planos, e eu me encontrava em tal estado de
ansiedade que me julguei capaz de ter uma síncope a qualquer momento!
Alice já havia saído no seu passeio pela cidade. Rosalie, àquela hora, já devia estar na
casa de Emmett - e em seus braços, certamente. Os únicos em casa, éramos Carlisle,
Esme, Edward e eu.
Mordi minha boca, controlando a ansiedade, e saímos de casa sem que eu pudesse
imaginar nosso rumo.
_ Estamos chegando? _ perguntei pela quarta vez desde que saímos de casa.
Tamborilava meus dedos na coxa, e o calor havia me forçado a prender os cabelos em
uma rabo de cavalo alto.
Estávamos em seu carro, um Vectra azul cobalto que rodava velozmente, deixando as
ruas para trás como se não tivessem a menor importância. Exceto Edward e eu ali
dentro.
Eu procurava não desviar os olhos da estrada, embora fosse ele quem estivesse
dirigindo. Sabia que devia manter o controle, e sabia que não responderia por meus
atos se olhasse na direção daqueles olhos sacanas e daquele sorriso torto. Não que eu
precisasse ver para crer. O calor que vinha do seu corpo me atingia em ondas tão
fortes, que em pouco tempo eu começaria a transpirar.
_ Você é tão curiosa, Bella ... _ ele acelerou ainda mais o carro, e meu coração
disparou dentro do peito. Não era adepta de velocidade e perigo. Mas ele sim. Edward
Cullen não dispensava uma boa adrenalina.
Assustada, me encolhi no banco, relaxando apenas quando senti sua mão acariciar
minha coxa enquanto a outra continuava no volante.
Um Cara Mau
Sorri, observando o seu perfil enquanto respondia. Sua expressão era relaxada, mas
estava concentrado na estrada à sua frente, o que me tranquilizou de súbito. A mão que
acariciava minha coxa, agora a segurava possessivamente. Sentia seus dedos firmando-
se na carne, e já não era capaz de me mexer, totalmente absorvida pelo seu toque.
_ Alice é um pé no saco. _ ele disse, repetindo as palavras que Rosalie havia dito mais
cedo. _ Ela sempre dá um jeito de estragar as coisas.
Edward não respondeu, apenas me olhou com uma intensidade constrangedora. Então,
voltou à se concentrar na estrada.
Quando o carro parou, Edward abriu a porta e nós descemos. Parada sob o sol
fustigante de meio-dia, olhei em volta tentando imaginar qual seria o nosso rumo. Ao
meu redor havia uma lanchonete, uma mercearia, alguns bares quase vazios e belas
casas de veraneio, cada uma maior e mais bonita do que a outra.
Edward entregou as chaves do carro para um rapaz alto e magricelo, que dirigia um
pequeno estacionamento. O rapaz sorriu, ganhou uma boa gorjeta e olhou,
disfarçadamente, para os meus seios ressaltados pela camiseta vermelha justa que
usava. Revirei os olhos.
_ Vem, Edward. Vamos embora ... _ eu pedi, segurando em seu braço, com medo do
que ele poderia fazer.
_ Vamos embora assim que ele me disser se perdeu alguma coisa dentro da sua blusa. _
Edward não tirou minha mão do seu braço ou fez nenhum movimento para se
desvencilhar de mim, mas sua postura era firme como uma rocha e ele parecia decidido
a entrar naquela briga sem sentido. Seus olhos faíscavam sobre o moleque, que engoliu
em seco dando dois passos para trás.
_ Me desculpa, cara. Eu não ... foi sem querer. Foi mal mesmo, eu juro. Me desculpa,
tá?
_ Ah, não ... _ Edward sorriu, mas não um dos seus sorrisos tortos. Ele sorriu de um
jeito sarcástico e maldoso, extremamente cínico. _ Não é à mim que você deve
desculpas. É a moça aqui ao meu lado _ disse, virando-se para mim _ Ele já te pediu
desculpas?
_ Deixa isso pra lá, Ed. _ eu implorei, enterrando as unhas no braço dele, tentando
trazê-lo de volta desesperadamente.
_ Desculpa, moça ... desculpa, tá? _ o rapaz suplicou, e seus olhos logo voltaram-se
para o Edward, como se pedissem clemência.
Depois de algum tempo encarando o garoto, Edward me seguiu contra-feito. Por mais
que eu tentasse distraí-lo, seu humor havia sido completamente alterado. No curto
percurso até o nosso destino, eu procurei não encará-lo, receosa com a sua atitude
possessiva em relação à mim.
A Casa
Surpresa, percebi de repente para onde estávamos seguindo. Queria perguntar o que
estávamos fazendo ali, mas ainda não me sentia a vontade para falar com ele de novo.
O calor estava aumentando, cruelmente, e eu ansiava em me ver livre do sol escaldante
o mais rápido possível.
Edward tirou uma chave do bolso e abriu a porta. Silenciosamente, nós entramos na
velha casa, que parecia completamente em ruínas pelo lado de fora, mas por dentro era
simples e aconchegante. Tinha um aspecto de lar tão forte como o da enorme casa dos
Cullen, embora fosse consideravelmente menor.
_ Precisa de uma limpeza. _ a voz grave de Edward ressoou pela casa vazia, assim que
pisamos no que deveria ter sido uma sala de visitas em outra época.
Eu concordei com a cabeça mas não disse nada. Mantinha os braços cruzados no peito,
a expressão, agora, quase tão carrancuda quanto a dele.
Edward estendeu a mão e acariciou meu rosto, bufando de impaciência quando eu não
cedi nem um milímetro.
_ Eu não te trouxe qui para a gente brigar, Isabella. _ ele disse, parecendo, então, mais
angustiado do que realmente zangado.
Senti meu coração amolecer. O som da sua voz dizendo meu nome era suficiente para
desfazer qualquer jogo duro. Olhei nos seus olhos, vendo aqueles dois pontos
brilhantes cor-de-topázio me encararem de volta, com uma interrogação. Ele queria
saber se estava perdoado, se podia dar o próximo passo e encurtar a distância entre a
gente.
_ Por que você agiu daquele jeito? Eu fiquei assustada, Edward. Foi ... irracional. Nem
parecia você.
_ Me desculpa, Bella ... me desculpa, tá? _ ele me abraçou com força, e de repente eu
já não sentia mais frio. Seus braços longos envolviam minha cintura com perfeição,
como se tivessem sido criados exatamente para aquilo. Abraçados, nós formávamos o
encaixe perfeito. _ Aquele cara me tirou do sério. Ele ... faltou ao respeito com você. Eu
nunca ia admitir aquilo ...
Me deixei envolver, me deixei levar. Seus lábios deslizaram pela minha orelha, seus
dentes seguraram o pequeno lóbulo por um instante. Eu gemi, incapaz de reagir de
qualquer forma. Deixei a cabeça pender para o outro lado, enquanto meus olhos
fechavam-se e meu corpo tornava-se lânguido outra vez, completamente a mercê da sua
vontade.
Edward me deitou sobre um tapete branco felpudo no centro da sala, praticamente o
único item restante do imóvel abandonado. Senti a pelugem me fazer cócegas e segurei
um espirro, mas esqueci os detalhes quando ele deitou-se sobre mim, espalmando as
mãos no tapete. Seu corpo parecia pesar sobre o meu, embora ele soubesse como medir
sua força. Sua pele queimava a minha quando se tocavam. Mas o que me
desconcentrou, na verdade, foi a proximidade dos nossos rostos.
A distância que me separava de Edward era tão pequena, que era simplesmente
irresistível. A distância de um beijo. A distância de nos tocarmos novamente, como
havia sido na noite passada, quando eu senti que me tornava uma mulher inteira pela
primeira vez em minha vida.
Sua respiração era suave, tranquila. Seus olhos estavam presos aos meus, e eu sentia
seu hálito quente contra a minha boca, cada vez mais próximo e tentador. Entreabri os
lábios, involuntariamente. Queria sentir sua lingua me invadindo, me possuindo do
jeito que me enlouquecia por completo. Queria perder os sentidos novamente.
_ Relaxa, Bella ... fecha os olhos. Hoje, tudo o que você tem que fazer é ficar
quietinha ... é a minha vez de te dar prazer, agora.
Tentações
Fechei meus olhos, muito obediente, sentindo minhas pálpebras tremularem quando ele
aproximou a boca do meu queixo, descendo ... traçando um caminho de sensações
maravilhosas pela garganta, e em seguida pela curva sensível do pescoço. Meu corpo
arrepiava por inteiro, e suas mãos subiam pelas minhas pernas apertando minha bunda
por cima do short, o que me fez jogar o quadril para frente por impulso. Com o
movimento, minha intimidade pressionou seu membro e eu percebi sua excitação
crescente sob a calça.
Edward continuou me beijando enquanto me despia. Sua boca alcançou meu ombro,
mordeu, chupou ... meus dedos se prendiam em seus cabelos, puxando-o contra mim,
empurrando sua cabeça para baixo, até que ele me olhou nos olhos e sorriu, malicioso.
Depois de deslizar o short pelas minhas pernas, Edward arrancou minha camiseta em
um movimento brusco, que me fez soltar uma exclamação de espanto e tesão.
Por um momento, vi em seus olhos o Edward rude e agressivo que ameaçara o garoto
do estacionamento. Estremeci com o seu toque, com a sua urgência. As mãos de
Edward, agora, passeavam pelo meu corpo, acariciando minhas coxas e subindo pelo
meu ventre sem tocar meu sexo. Era uma sensação excruciante, uma verdadeira
tortura! Ele não me tocava apenas aonde eu mais queria ser tocada.
Senti Edward segurar um dos meus seios, ora massageando ora beliscando o biquinho
intumescido. Aquilo descarregava pequenas ondas pelo meu corpo todo, como
descargas de eletricidade. Eu ainda o segurava pelos cabelos, mas agora sem forças
para o que quer que fosse.
_ Por ... favor, Edward. Por favor ... _ eu suplicava, sentindo os dedos dele brincando
na minha virilha, arrastando-se de forma provocadora em círculos. Ele os aproximava
da minha intimidade perto o suficiente para eu gemer seu nome, depois os distanciava,
me fazendo implorar por mais.
_ O que você quer? _ Edward perguntou em tom zombeteiro, e abocanhou um dos meus
seios, chupando-o com voracidade. Meu corpo pareceu pegar fogo, enquanto sua
lingua quente e macia me acariciava e o mamilo parecia derreter em sua boca.
Eu gemia, arfava, suspirava ... e ele se divertia ao provocar todas estas reações que eu
havia descoberto há tão pouco tempo. Meu corpo implorava pelo dele, e enquanto
Edward esfregava a ponta da lingua no bico já rígido, senti que minha intimidade
começava a molhar contra a calcinha. A sensação de calor inebriante que eu havia tido
sob o sol lá fora não era nada se comparada ao que eu estava vivendo lá dentro.
Seus lábios subiram esfregando-se pela minha pele, tomando meu colo, meu pescoço,
acariciando meu queixo. Entreabri os lábios, volúvel à ele. Percebi que sua respiração
se acelerava, seus olhos estavam fechados. Edward segurou meus cabelos na altura da
nuca e puxou, fazendo nossos lábios encontraram-se em um beijo explosivo.
Enquanto nos beijávamos, meus dedos tatearam, trêmulos, pelo seu peito. Com sua
ajuda, tirei a camisa que usava, e desci as mãos até sua barriga, que parecia se
contrair com o toque suave dos meus dedos. Eu queria excitá-lo, queria estar a sua
altura. Era tudo tão novo para mim, tantas experiências novas, que tinha medo de
frustrá-lo e até mesmo perdê-lo. Quando alcancei o ziper da sua calça e o abri, Edward
gemeu rouco mas segurou minha mão.
_ Não, Bella ... não. _ ele falava com dificuldade, a respiração quente contra minha
boca _ Agora não, eu não vou me controlar.
Não queria esperar, me sentia torturada pelas preliminares! Teimosa, eu desobedeci
sua ordem. Apertei seu pau sobre a calça, e o ouvi gemer outra vez. Edward não estava
em condições de protestar, e eu consegui descer seus jeans e cueca o suficiente para ver
seu membro saltar, já rígido, contra a minha coxa.
Excitada, eu o vi descer minha calcinha com os dentes. A peça ameaçava rasgar-se com
cada puxada do Edward, e por fim, o tecido frágil acabou mesmo cedendo, deixando-
me exposta para ele. Extasiada, suspirei quando ele separou minhas pernas sem
nenhuma delicadeza.
Fiquei sem jeito assim que percebi o que ele intencionava fazer. Meu rosto inteiro
pegou fogo, um misto de vergonha e tesão insuportáveis. Ele me observava como se
estivesse insandecido com a simples visão do meu sexo inteiramente desprotegido. _
Edward, não ... _ eu pedi, engolindo em seco. Não podia imaginá-lo fazendo aquilo,
meu corpo reagindo sem controle algum. Mudei de posição, ficando praticamente
sentada, os cotovelos apoiados no tapete enquanto olhava na sua dirreção mas não em
seus olhos.
Ele pareceu titubear, mas seus olhos teimavam em desviar para aquele ponto tentador
entre as minhas pernas. Ele lambeu os lábios, parecendo ansioso em continuar com
seus planos. Eu me senti derreter outra vez. Mais um olhar daqueles e minha
determinação ia por água a baixo.
_ Por que não? _ perguntou com a testa franzida. Daquela posição eu podia ver melhor
o pênis dele ereto, esperando que a nossa diversão terminasse para a dele começar.
_ Edward, ter - mina isso ... _ implorei, vendo um sorriso de satisfação brotar nos seus
lábios. _ Não assim, não desse ... não desse jeito. _ me apressei em dizer. _ Enfia ...
enfia em mim, agora. Por favor.
Suas pupilas dilataram-se, e percebi que o havia deixado surpreso. Mas não
desconcertado.
Dor e Praze
Edward Cullen, desconcertado? Nunca. Aquilo era coisa para meros mortais como
Isabella Swan, pensei inibida de novo.
_ Pede de novo, Bella ... _ ele mandou, voltando a se posicionar em cima de mim, dessa
vez quase relaxando totalmente seu peso sobre o meu corpo, o que me fez gemer em
resposta. _ Pede de novo, eu quero ouvir ... quero ouvir você pedindo pra eu meter em
você.
Arranhei suas costas de leve, na base da espinha, e ele contraiu os músculos, excitado.
Pedir novamente? Meu corpo inteiro clamava por satisfação. Agora, que eu havia
conhecido o prazer de ter aquele homem dentro de mim, se movendo com perfeição,
nunca mais estaria em paz. Meu corpo sempre pediria por mais e mais, como uma
droga, como um vício.
_ Por favor, Edward ... _ pedi, brigando contra a minha timidez absurda que teimava
em me lembrar que eu estava completamente nua debaixo dele. _ Pára de me tor-
torturar ... enfia, vai ...
Então, finalmente, ele cedeu. Não sei se atendendo ao meu apelo ou saciando seu
próprio desejo. Provavelmente ambos. Edward me penetrou de um jeito completamente
diferente da noite anterior. Não havia qualquer resquício de paciência ou gentileza ali,
seu membro afundou entre minhas pernas me rasgando por inteira.
Sufoquei um urro de dor na garganta e minhas unhas fincaram em suas costas, o que
deve ter doído muito porque seu rosto se contorceu por um momento. Logo ele relaxou,
porém, e passou a estocar com firmeza dentro de mim. Eu tentava relaxar o corpo,
mover os quadris e entrar no jogo dele, mas meu sexo ardia inteiramente e eu a sentia
imensamente dolorida.
_ Oooh, Edward ... devagar, por favor. _ não queria pedir exatamente aquilo mas
minha intimidade parecia dilacerar-se enquanto ele arremetia com força, em
movimentos demorados e intensos.
Edward mantinha os olhos fechados com força, enquanto mordia seus lábios
contraídos. Sua expressão era de puro prazer, e frequentemente soltava gemidos longos
e profundos.
_ Bella ... ah, Bella ... agora não. _ ele respondeu quando eu pedi que diminuisse o
ritmo, o corpo se movendo pra frente e pra trás com cada vez mais rapidez. _ Só ... só
mais um pouco, Bella. Só mais um pouco ... assim ... assim, Bella ...
Passei as pernas em torno da sua cintura e ergui os braços acima da cabeça, deixando-
os caídos no tapete. Não sabia o por que fazia aquilo, mas a sensação era mais gostosa,
mais relaxada. Fechei os olhos e me deixei levar pelos seus movimentos brutos,
selvagens.
Então, nossos corpos se moviam depressa demais sobre o tapete, minhas costas se
atritando, meu rabo de cavalo se desfazendo. Minha resistência se esvaía, enquanto ele
me comia e sussurrava obscenidades, gemendo e chamando meu nome. Logo, eu gemia
também, suplicando por mais. Mais rápido, mais forte ... mais, Edward. Mais.
_ Bella, meu Deus ... Bella ... _ ele pedia por mim, e eu me entregava sem resistência
alguma. _ Geme pra mim, Bella ... pede ... pede como você quer. _ Edward dizia,
excitado, e eu o atendia prontamente sabendo que estávamos prestes a gozar.
_ Vai, Edward ... mais rápido! Assim ... assim, vai ... com força.
Minha voz falhava, minhas pernas estremeciam. Senti que perdia os sentidos
novamente, como na minha primeira vez. A visão perdida sob minhas pálpebras
cerradas, a audição longínqua, quase inexistente. Então, um êxtase enorme se apossou
de mim e eu gemi longamente, quase sem forças, jogando o corpo para frente em um
último movimento que só facilitou tudo. Senti o pênis dele ir ainda mais fundo, e meu
corpo tremeu violentamente em um orgasmo maravilhoso.
_ Ain, Edward ... isso! _ eu berrei, e ele continuou a estocar contra mim até que gozou
também, espalhando seu liquido quente e colando sua boca em minha orelha, enquanto
gemia mais uma vez o meu nome.
_ Bella ... ain, Bella ... você é perfeita. Meu Deus, como isso é ... perfeito. Nós
adormecemos juntos, ali no tapete, exaustos mas totalmente saciados.
O Farol
Acordei com alguns ruídos vindos de longe, e abri os olhos lentamente. Percebi que
Edward não estava mais ao meu lado, e fechei os olhos de novo, sentindo minhas forças
renovarem-se aos poucos embora meu corpo ainda estivesse mole.
_ Na cozinha. _ ele respondeu, mas logo já estava do meu lado com uma bandeja nas
mãos.
Sentei no tapete e ele fez o mesmo. Seu cabelo estava despenteado, ele ainda não havia
vestido a camisa. Meus olhos correram seu corpo, devagar, parecendo incapazes de
deixá-lo.
_ Não sabia do que você gostava, então ... tem de tudo um pouco aqui. _ ele sorriu,
bagunçando meu cabelo. _ Espero ter acertado em alguma coisa.
Desta vez, no lugar do sol escaldante havia uma linda noite estrelada sobre nós.
Edward me guiou em torno da casa, com um braço envolvendo meus ombros enquanto
caminhávamos. Era tudo tão absolutamente perfeito que eu cheguei a desejar nunca
mais sair de New Orleans. Nunca mais. Eu tinha tudo o que precisava ali. Duas boas
amigas, uma familia que não me julgava e Edward ... embora eu ainda não soubesse
como classificá-lo em meio àquele turbilhão de mudanças.
_ Nossa, é lindo! _ exclamei, rindo de pura admiração, olhando as luzes fortes que
disparavam da torre.
_ É ainda mais lindo lá de cima, Bella. _ ele disse com um sorriso empolgado,
começando o percurso na direção do farol.
Abraçada à Edward, segui com uma ponta de medo rumo à torre. Não tinha nenhuma
fobia particular sobre altura, mas a idéia de subir pela estreita escada até o topo
provocou um alvoroço em meu estômago. No entanto, seu sorriso de menino era
contagiante. Eu respirei fundo e comecei a escalada.
Meu coração parecia prestes a sair pela boca, e em muitos momentos pensei em
desistir, pedir arrego. Se Edward era dotado de habilidades radicais, eu não o era,
certamente. Estava muito longe de sonhar com a escalada ao Everest.
Mas, ao contrário das minhas piores expectativas, chegamos sãos e salvos ao topo do
farol, e uma vista incrível da baía de repente fez tudo valer a pena. Edward estava
certo. O mar negro em contraste com a areia clara da praia, as estrelas iluminando o
céu, o vento frio no meu rosto. Meus olhos fecharam-se assim que ele me abraçou por
trás, os braços circundando minha cintura e os lábios colados no meu pescoço,
aumentando consideravelmente o arrepio que eu sentia naquele momento.
_ Você tem razão. A vista daqui é linda. _ eu disse em um fio de voz, sentindo sua boca
passear pelo meu pescoço de forma delicada.
_ Você é linda. _ ele me corrigiu, passando a contornar minha orelha com a ponta da
lingua.
Seu abraço tornou-se mais intenso, e eu pude sentir cada curva do seu corpo ajustando-
se ao meu com perfeição. Edward desceu um pouco, flexionando seus joelhos o
suficiente para trazer seus quadris na direção dos meus, o que me fez gemer abafado.
Seu pênis, desta forma, encaixava-se na minha bunda, e mesmo por cima das roupas a
sensação era deliciosa.
Joguei o corpo para trás, pressionando seu membro em retribuição. Ouvi Edward
suspirar e soube que estava no caminho certo.
Novas Experiências
Edward soltou-se do abraço, e uma de suas mãos desceu pela minha cintura até
alcançar a parte interna da minha coxa, que ele apertou e massageou enquanto eu me
apoiava na grade de proteção da torre.
_ Desde que a gente se viu no aeroporto, eu soube que tinha que trazer você aqui. Eu
não sei como, mas eu soube. _ ele contou, e sua respiração saía entrecortada junto ao
meu ouvido.
_ Que bom que me trouxe. Eu amei isso, de verdade. _ sorri e fechei os olhos de novo,
inclinando a cabeça para trás e repousando no seu peito. _ E a casa?
Seus gemidos me despertaram de repente. Tirei a cabeça do seu peito e dei uma meia-
volta que me permitia ter uma visão melhor dele. Sorri, embora surpresa, vendo que
Edward havia aberto o ziper da sua calça e masturbava-se com o corpo encostado ao
meu.
_ Ooh, Bella ... uuh ... _ ele gemia, com seu sorriso de canto mais safado, olhando
diretamente para mim.
Não pude me controlar. Simplesmente, quem poderia? Dei a volta em torno dele,
colocando-o na minha posição anterior, na grade de proteção, mas de costas para lá.
Ele se apoiou na grade, e eu ajoelhei no chão, tomada por uma vontade incrível de
prová-lo. Edward, meu Edward. Delicioso. Não poderia ser diferente.
E não foi.
Ele entrelaçou os dedos nos meus cabelos, e eu deixei meus lábios roçarem a glande já
úmida, bem devagar. Sentia o vento frio atingir meu corpo em rajadas suaves. Minha
eu estava inteiramente arrepiada, e os cabelos de Edward sacudiam de leve enquanto
ele inclinava a cabeça e o tronco para trás, ignorando todos aqueles metros de altura
que nos separavam lá debaixo.
Não tive como negar seu pedido. Além do mais, sua entonação de voz estava mais para
ordem.
Comecei a chupá-lo com intensidade cada vez maior. Edward chamava meu nome a
todo instante, e puxava meus cabelos com força num vai e vém sob o seu comando. Eu
estava fascinada e intrigada. Não sabia como sexo oral podia descontrolar uma pessoa,
não imaginava ou entendia o prazer que poderia proporcionar à ele.
Deslizei minhas mãos pelas suas coxas, descendo ainda mais suas calças. Queria vê-lo
por inteiro, queria acariciar cada músculo daquele corpo maravilhoso, imponente.
Arranhei suas pernas, sua virilha, seu abdomem, massageei seus testiculos, e minha
boca não parava de trabalhar por um momento, sugando, lambendo, mordiscando bem
de leve.
Edward gemia ainda mais, dando ordens, suplicando ... mandando, implorando. Então,
os dedos dele apertaram-se ainda mais em torno do meu cabelo na nuca, e eu gemi de
dor e tesão pelo movimento brusco sentindo um líquido quente descer pela minha
garganta me fazendo engasgar. Tentei me afastar e retomar o fôlego, o peito dolorido
pela falta inesperada de ar, mas ele tinha agora as duas mãos nos meus cabelos,
movimentando mais lentamente enquanto gozava dentro dela.
Retorno à Mansão
Edward tinha a respiração pesada quando nos separamos. Limpei minha boca, embora
não quisesse realmente afastar seu gosto, e o ajudei a fechar a calça. Ele sorria,
maliciosamente, e eu sorri de volta tentando não corar.
Eu senti as bochechas pegarem fogo quando ele disse isso, e desviei os olhos,
procurando a vista da baía, mas ele me abraçou por trás e continuou a falar com o
queixo apoiado na minha cabeça. Sua voz ainda era rouca e pesada, e eu soube que ele
ainda encontrava-se sob o êxtase em que eu o havia deixado.
Senti ele traçar o caminho pela minha espinha acima com a ponta do dedo, por baixo
da blusa, e estremeci.
_ Nós temos que voltar, hoje? _ perguntei, torcendo por uma negativa.
_ Sim, infelizmente. _ ele suspirou _ Meus pais iam estranhar nosso sumiço por toda a
noite, com certeza. Melhor não estragar as coisas. Nós vamos manter isso entre a
gente, ok? _ ele beijou meu pescoço, e eu inclinei a cabeça para receber melhor suas
carícias. _ Não quero ninguém se metendo entre a gente.
Eu confirmei com a cabeça, embora não quisesse manter as coisas daquele jeito.
Queria contar a todos o que estávamos vivendo, o que estávamos sentindo, mas ele
parecia sempre reticente quanto àquilo, e eu desconfiava das suas razões.
_ Vamos descer? Eu estou com frio. _ passei as mãos pelos braços, apesar de saber
muito bem que não era o frio que me arrancava dali. Eram dois venenos ... ciúme e
desconfiança ... que começavam à me atacar aos poucos.
Passei a noite nos braços do Edward, dentro da casa dos seus pais. Ele disse que
aquele seria o nosso refúgio, nosso esconderijo secreto. Nosso ninho de amor. A idéia
era romântica, lúdica.
Eu sorri, permiti ser abraçada, beijada, tocada. Mas nada de sexo naquela noite. Meu
corpo ainda estava tenso, e minha mente trabalhava, alucinadamente, na idéia de que
Edward não queria que ninguém soubesse sobre nós dois. Um segredo, ele pediu. Um
tempo só para nós dois. E depois ... bem, depois era depois.
Demorei a pegar no sono. Tive um sonho estranho do qual nem me lembrava no dia
seguinte. Mas, dentro de mim, lá no fundo, eu sabia que não queria mesmo me lembrar.
_ O que foi? _ ele sentou-se de súbito, me encarando, assustado. _ O que houve? Você
está bem?!
_ Edward, você disse que nós tínhamos que voltar pra casa. _ respondi com mais
calma, e acariciei seu cabelo bagunçado pela noite mal dormida. Observei-o fechar os
olhos novamente.
_ Sim ... e daí? _ ele deitou-se de novo, bufando, e eu achei mesmo que já tivesse pego
no sono de imediato.
Nós chegamos na casa dos Cullen em menos de meia hora, o que foi um feito e tanto
pela distância entre os dois lugares. Edward me ajudou a descer do carro. Eu havia
machucado o tornozelo no caminho de volta ao subir no veículo, um acidente
totalmente ridículo e sem propósito - bem digno de Isabella Swann, certamente.
Quando entramos em casa, a familia estava reunida para o café da manhã. Cogitei sair
de fininho para o quarto, mas Edward atravessou o caminho na direção da sala onde
faziam as refeições. Eu fiz o mesmo. Não podia ficar me escondendo de todos quando
estava tão óbvio tudo o que havia acontecido.
Amor correspondido?
_ Aonde vocês dois estavam? _ Alice foi menos discreta, e muito menos cordial. Seus
olhos me encaravam com certa amargura, o que me deu a estranha sensação de que
não era mais tão querida por ela.
_ Bella, você se machucou? _ Esme cortou Alice, ao perceber que eu mancava. Seu
olhar era aflito, e isso me fez sorrir um pouco. Não gostava de me fazer de vítima, mas
ser alvo da preocupação e dos cuidados de dois pais legais como aqueles, me parecia
um bom começo em New Orleans.
_ Ela machucou o tornozelo quando subiu no carro. _ Edward interveio e pegou uma
maçã na mesa, dando uma mordida grande.
_ Nada demais. _ eu repeti, percebendo que o clima na sala não era dos mais amenos.
Meu sorriso, gradativamente, transformou-se em uma careta de falsa tranquilidade.
_ E onde vocês estavam, afinal de contas? _ a voz de Carlisle nos pegou de surpresa
quando ele desceu o jornal que encobria o seu rosto.
Nós ficamos em silêncio por um longo tempo. Senti um nó atravessado na garganta, e
parecia que com Edward ocorria o mesmo. Ele encarava o pai mas não dizia
absolutamente nada.
_ Nós temos que conversar, Edward. Agora. _ Carlisle encerrou o assunto, largando o
jornal sobre a mesa e seguindo para outro cômodo da casa que eu ignorava. Ele
encerrava o assunto discutido diante de todos. Mas era óbio que, com Edward, a
história tomaria um rumo bem diferente.
Sentei à mesa com os outros, recebendo olhares velados de Alice, sorrisos cúmplices de
Rosalie e mimos de Esme - embora esta parecesse um pouco apreensiva. Meu coração
não se acalmava dentro do peito. Precisava, desesperadamente, saber o que se passava
com Edward e sua familia, por qual motivo nossa união parecia tão irresponsável, tão
inconsequente. Eu tentava me convencer de que o motivo havia sido a noite fora de
casa, uma noite desavisada que preocupara a todos. Mas eu já havia percebido que
nenhum deles havia, verdadeiramente, demonstrado este tipo de preocupação quando
retornamos.
Minha cabeça era tomada por idéias divergentes a todo momento, e pensei que fosse
enlouquecer com todas elas.
_ Bella, amiga. _ Rose me despertou, estalando os dedos diante dos meus olhos fixos no
vazio. _ Vamos para o meu quarto? Quero te contar umas coisas.
_ Rose, você quer, pelo amor de Deus, me contar o que está acontecendo?! _ eu me
exasperei, sentando na sua cama enquanto ela trancava a porta do quarto.
Rosalie sentou-se ao meu lado, e depois, deitou-se na cama cobrindo os olhos com os
dois braços. Ela soltou um suspiro, e depois tirou os braços do rosto para me olhar de
novo.
Fiquei boquiaberta com a pergunta, e não respondi nada, ainda esperando sua
explicação sobre o drama na casa dos Cullen.
_ Bella, vocês se amam? Edward disse que ama você? _ ela perguntou, e desta vez
parecia em dúvida sobre a resposta.
_ E quanto ao Ed? _ ela ainda parecia ansiosa. Cruzou as pernas em posição de ioga, e
tinha a testa franzida. _ Ele não disse nada?
Eu suspirei. Meu corpo todo tinha começado a formigar e pensei que talvez fosse sofrer
um derrame. Afinal, acho que era só desespero mesmo. Minha boca estava seca e
minha cabeça doía, ligeiramente.
Rosalie assentiu em silêncio, e por mais que eu insistisse no assunto, aquele dia, ela
não deu mais uma palavra sobre o irmão.
O resto do dia foi um suplício. Edward me evitava a todo instante, Alice não me olhava
mais nos olhos. Achei que fosse surtar! Apenas Rose me tratava bem, mas não me
contava absolutamente nada do que eu precisava saber. E à cada minuto que passava,
eu tinha mais e mais certeza de que estava sendo enganada.
Toda a familia Cullen sabia de algo que eu desconhecia, mas de alguma forma, eu
sentia que merecia ser informada.
Carlisle saiu em uma viagem de negócios naquela tarde, e Esme permaneceu em casa
mas eu quase não a vi. Em alguns momentos, eu percebia Rosalie me olhando
pensativamente. Mas quando descobria o meu olhar, ela recuava e se fechava
inteiramente.
À noite, eu subi para o meu quarto, me despedindo de Rose e Esme que estavam na
sala, assistindo tv. Não havia clima para eu ficar com elas. O melhor a fazer seria ler
um livro e dormir mais cedo.
Edward fechou a porta e encostou-se nela, cruzando os braços. Seu rosto era
apreensivo, os cabelos estavam arrumados com perfeição e ele havia acabado de tomar
banho. O perfume que se desprendia do seu corpo não era só agradável, como também
muito excitante. Ele vestia camiseta preta e jeans que modelavam suas pernas de um
jeito que eu não precisava ver naquele momento. Comecei a pensar naquele ziper
baixando e ...
Minha vida, antes de Edward Cullen, era um completo fastio, e tudo o que eu queria
era conhecer o caos. Pois bem, Isabella Swan, cuidado com a lingua da próxima vez.
_ Edward, não. _ eu o afastei quando veio me beijar, mesmo que aquilo me custasse a
alma.
Edward ficou sem reação. Não sem compreender meus motivos, é claro, mas sem
acreditar na minha rejeição. Seus olhos transmitiam uma espécie de dor, de desespero,
que não cabem a mim descrever aqui. Seu corpo se tornou rijo, e sua boca, entreaberta,
procurava um meio de chegar até mim ao menos com palavras.
_ Bella, é tudo complicado demais pra explicar. Não vale a pena. _ ele fez uma
negativa com a cabeça, e parecia mais estar convencendo a si mesmo do que a mim.
Eu não queria me sentir daquele jeito, não era aquele tipo de abraço que eu precisava.
Empurrei Edward aos poucos, de maneira tranquila mas firme. Ele me olhou dentro
dos olhos com aquele jeito magoado de antes, como se EU estivesse lhe fazendo a
maior das ofensas, quando era ELE que me confundia e me enganava sem o menor
respeito.
_ Edward, você precisa me dizer. _ eu já estava perdendo a paciência, mas sabia que
embora o quisesse mais que tudo na vida, não aguentaria muito tempo em uma relação
cheia de meias-verdades.
Ele sentou na cama, apoiou os cotovelos nos joelhos, o rosto escondido entre as mãos.
Eu esperei.
_ Bella, eu adoro você. Eu até gosto mais de mim quando estou com você ... é sério.
Mas tem coisas ... _ ele levantou o rosto, mas desviou os olhos para não ter que me
encarar. _ ... tem coisas que só dizem respeito a mim, e a mais ninguém. Sinto muito,
mas os meus problemas eu prefiro não dividir com ninguém.
As palavras dele me atingiram com a força de um tapa. Eu, então, dei as costas à
Edward, e saí do seu quarto.
Quando acordei, no dia seguinte, Edward não estava em casa. Rosalie me disse que
tinha ido esfriar a cabeça, e não tinha hora para voltar.
Resgate às Avessas
_ Terminaram? _ a voz de Rose foi decepcionada mas não surpresa. Ela me abraçou, e
eu me permiti ficar nos seus braços enquanto acariciava os meus cabelos. Meu coração
estava despedaçado. Em muito pouco tempo, havia conhecido a loucura de uma paixão
de tirar o fôlego ... e a dor de perder tudo sem ao menos saber por que.
Rosalie não tinha notícias do irmão, e eu não queria questionar Esme e Carlisle. Na
segunda noite, Alice passou por mim no corredor, ainda evitando me olhar. Ela se
assustou quando segurei no seu braço, e a detive.
_ A gente precisa conversar, Alice. Eu não estou entendendo ... o que esta acontecendo
aqui?!
Acho que meu olhar desesperado a convenceu, porque alguma coisa dentro dela se
quebrou. Sua atitude arrogante e mau-humorada desapareceu, embora ainda restasse
uma certa desconfiança.
_ Bella, eu avisei a você sobre Edward. Ele é assim ... exatamente desse jeito que você
está vendo. Um dia, pode estar aqui com você e parecer o homem mais feliz do mundo.
Mas no outro ... _ ela suspirou e deu de ombros, como se não tivesse explicações. _
Ouça bem, Edward é livre e preza muito essa condição. Por isso, eu não queria que
vocês se envolvessem. Você vai se machucar muito se insistir nisso, Bella. Caia fora
enquanto é tempo.
Alice soltou o braço que eu segurava, me encarou mais uma vez com urgência no olhar,
e entrou em seu quarto sem sair mais de lá.
Naquela mesma noite, decidi interrogar Rosalie mais uma vez sobre o desaparecimento
do seu irmão, mas novamente ela me respondeu com evasivas. Disse que Edward havia
saído para espairecer, colocar as idéias em ordens, pensar sobre algumas coisas que o
atormentavam.
_ E aonde ele está? _ tentei mais uma vez, sentada ao seu lado no sofá da sala,
baixando a voz o suficiente para Esme não nos ouvisse do outro sofá, onde assistia, em
concentração total, à uma de suas novelas brasileiras preferidas.
Uma luz no fim do túnel com uma enorme placa de sinalização à frente.
Não foi nem tão difícil como eu imaginava.
Carreguei comigo uma mochila contendo uma camisola e uma muda de roupa, peguei
meu casaco mais quente, enfiei um boné na cabeça. Não seria fácil chegar até lá, mas
permanecer ali dentro esperando por um Edward que não regressava nunca ... seria
impossível. Meu coração estava cada vez mais angustiado e minha cabeça mais cheia
de dúvidas.
Sem hesitar, saí pela porta dos fundos, roubei o Eco Sport de Carlisle, e torci para que
minhas precárias aulas de direção com meu pai mostrassem serventia naquele
momento.
Não ousei fazer uma busca pela mata. Achava improvável que Edward estivesse lá há
dois dias e, de qualquer forma, não iria saber circular por ali sem me perder. Minha
esperança estava toda voltada para a antiga residência dos Cullen, onde eu também
achava que não teria muitas chances de chegar com sucesso.
O fato é que eu estava muito ansiosa, completamente sem chão com o seu sumiço, e
nenhuma daquelas péssimas perspecitivas iria conseguir tirar a idéia, fixa em minha
cabeça, de encontrar Edward e descobrir o que de fato estava perturbando-o tanto.
Por sorte, o carro era uma maravilha. Direção hidráulica, pneus especiais para
estrada difícil, e o trânsito da madrugada era praticamente inexistente. Também não
encontrei nenhuma blitz no meio do caminho, o que teria sido o meu fim já que não
tenho habilitação.
Janela Indiscreta
O caminho não foi tão longo. Nem tão curto. Minhas mãos suavam ligeiramente, e eu
afastava os cabelos que caíam no rosto movidos pela brisa, tentando prende-los sob o
boné. Mosdiscava a boca e tamborilava os dedos a todo instante. Em certo momento,
cheguei até a cantarolar alguma coisa! Quem diria eu, Isabella Swann ... que não sou
nem cantora de chuveiro nem nada parecido.
Quando menos podia esperar, arregalei os olhos sem acreditar na minha sorte, ou
noção de rota. Estava diante da antiga casa dos Cullen, e já até podia avistar a
magnífica torre de observação atrás dela.
Continuei abaixada sob a imensa janela de vidro, me sentindo tão desprotegida quanto
se estivesse dentro da casa. Apenas aquele vidro transparente os impedia de me ver, e
aquilo já começava a me deixar insegura, muito nervosa. Pelo tom das vozes lá dentro,
a coisa não estava nada boa. Foi quando ouvi o som de um objeto se quebrando e um
grito de mulher, que me perguntei pela primeira vez se havia tomado a decisão correta
ao ir atrás de Edward.
Não tive muito tempo para pensar nisso. A discussão cessou em seguida, e antes que eu
pudesse me dar conta do que estava acontecendo, a porta foi escancarada me pegando
desprevenida. Enquanto estava isolada do lado de fora, eles não podiam me ver, mas
assim que entraram completamente no meu campo de visão, eu também entrei no deles.
Um sujeito grande e forte, com a cara mais mal encarada que eu já vi na vida e um
demônio tatuado no braço esquerdo, apareceu do lado de fora da casa, e meu
esconderijo secreto não durou nem dois segundos.
Tremi da cabeça aos pés quando ele me encarou.
_ Olha o que a gente tem aqui ... _ o grandão coçou a barba rala e alourada, me
olhando como quem estudava um projeto científico complexo. _ E você, gatinha? Com
certeza não se perdeu, ne? É da turminha do Cullen, também?
Observei o sujeito do mesmo modo como ele fazia comigo. Talvez não com tanta
coragem, mas mantive meu olhar diretamente nele. Pude reparar que se não fosse o
jeitão abusado, cheio de marra, e que dava medo ... eu poderia, curiosamente, achá-lo
um tipo interessante. Tinha cabelos louro escuros, olhos caros, braços definidos sob a
camiseta regata.
Foi nesse instante que Edward saiu de dentro da casa. E não estava sozinho.
Confissões
Eu sei que deveria ter me sentido segura, protegida pelo mesmo Edward que tivera uma
crise violenta de ciúmes de mim há poucos dias ... mas o cara diante de nós não tinha
nada do magrelo do estacionamento que Edward colocara pra correr. E por mais que
este tal Cam fosse bonito com seus olhos claros e seu sorriso marrento, ele era de meter
medo. Só de olhar para ele, eu sabia que não estava ali brincando.
_ Por enquanto sim, Cullen. Por enquanto ... _ ele frisou bem, e depois sorriu para
mim. _ Mas a gente nunca sabe quando pode mudar de idéia, não é mesmo? _ Cam
mordeu a boca e sorriu para mim, depois virou as costas e sumiu completamente de
vista.
De pé, do lado de fora da casa, me vi encarando Edward e a garota que havia saído da
casa com ele. Ela chorava, tinha a maquiagem borrada e as roupas rasgadas com
violência.
Reparei, também, pelo decote do vestido cor-de-rosa que usava - rasgado em várias
partes - que ela tinha a tatuagem de uma rosa vermelha um pouco acima do seio
esquerdo.
Não fui nem um pouco com a cara da garota, e acho mesmo que seu estilo "piranha-
hippe verão 2010" não foi todo o motivo. Eu, simplesmente, não gostei do jeito que os
olhos dela fixavam-se em Edward a todo instante, para depois recair sobre mim como
seu eu fosse a criatura mais insignificante da face da Terra.
Edward permaneceu na porta da casa, olhando para mim, e eu me decidi por segui-lo
para dentro. Apesar de confusa e assustada, ainda queria uma explicação sobre tudo o
que havia presenciado naquela noite.
Lá dentro estava incrivelmente mas quente e aconchegante, mas o clima era ainda tão
tenso quanto lá fora. Edward permaneceu calado. A garota loura analisava as próprias
unhas vermelhas e compridas como um importante projeto científico, o que aumentou
ainda mais o meu desprezo pela sua figura de dançarina de bordel.
Respirei fundo, meti as mãos nos bolsos detrás da calça e encarei Edward da forma
mais firme que podia.
Edward não olhou para mim durante a confissão, mas pela intensidade com que falava
era perceptível que estava engasgado com os seus segredos. Eu permaneci com as mãos
enfiadas nos bolsos detrás, analisando seu rosto, suas variações de expressão,
enquanto ele relatava a barra que estava enfrentando.
_ A Tanya e eu ... _ ele apontou para a Barbie, que agora franzia a testa para mim e eu
quase rosnei para ela mas me contive _ nós tivemos um relacionamento breve, há quase
um ano.
_ Namoro, Ed _ ela corrigiu, e sua voz era tão falsamente melodiosa que eu quase
vomitei. _ Durou oito meses.
_ Isso. _ ele respirou fundo, procurando manter a calma. _ Depois que terminou, ela se
envolveu em alguns problemas e veio me pedir ajuda.
_ Eu já estava "envolvida em alguns problemas" antes. _ ela fez aspas com as mãos
enquanto repetia as palavras de Edward.
_ Isso não faz diferença _ Edward cortou a explicação dela. _ Só prova o quanto você
não presta, Tanya.
Ela arregalou os olhos para ele, e depois jogou a cabeça para trás em uma risada alta
e desagradável.
_ Eu não presto mas você gosta, né? E além do mais ... você presta menos ainda, meu
amor.
Revirei os olhos ao ouvir a declaração da tal Tanya. Agora, estava ainda mais evidente
em qual categoria de mulheres ela se encaixava. Mas, também, deixava claro com qual
tipo de mulher Edward costumava se envolver. A constatação me deixou extremamente
decepcionada.
_ Eu ainda não entendi em que tipo de problemas ela se envolveu? Tem a ver com
aquele ... _ pensei no bonitão tatuado com cara de mal _ .... cara grande que eu vi lá
fora?
Edward tentou responder, medindo suas palavras, mas Tanya logo o interrompeu,
fazendo seu rosto pálido corar de ódio.
_ Ah, cala a boca, Tanya! _ Edward explodiu, passando as mãos pelos cabelos, furioso.
Percebi que ele tentava se controlar com medo de fazer alguma besteira. Eu já
conhecia o suficiente de Edward para saber como ele era agressivo quando
contrariado.
_ As suas roupas ... _ apontei para o vestido rasgado de Tanya, e ela deu de ombros
sem responder realmente.
_ E você, quem é? _ Tanya perguntou, me medindo de cima a baixo com seus lindos
olhos azuis. Eles pareciam grandes e inocentes, contrariando o poço de petulância que
era ela.
_ Acho melhor eu voltar pra casa _ foi o que respondi, sem realmente me mover. Não
sabia se conseguiria chegar na casa dos Cullen quando, chegar até ali, havia sido uma
sorte sem tamanho.
_ Você não pode ir, Bella _ Edward disse, ainda sem me olhar nos olhos. _ Já é muito
tarde. Foi perigoso demais você vir até aqui, e voltar então ... nem pensar. Além do
mais, tem o Cam ... _ ele acrescentou em voz baixa, como se estivesse tentando não
pensar a respeito.
_ Você vai embora, claro. Sua visitinha acabou _ Edward abriu um sorriso debochado
e passou por mim, abrindo a porta da sala. O vento entrou, cortante, e eu alisei os
braços tentando afastar o frio.
_ Mas Edward ... o Cam pode estar lá fora. E se eu sair e ele vier atrás de mim? Por
favor, Edward, me deixa ficar também _ ela pediu com os olhos úmidos, e eu percebi
seu corpo estremecer quando tocou no nome do cara.
Fui ate o banheiro, que ficava na parte de trás da casa, e quando voltei, me deparei
com nossa querida hóspede deitada sobre o tapete da sala. A cena me provocou uma
ânsia tão forte, que eu pude sentir meu estômago vazio reclamar com ainda mais
intensidade. Tanya. Tanya deitada no tapete onde Edward e eu nos amamos há poucos
dias? Ah, não, cara. Aquilo era demais.
_ Você tá brincando que nós três vamos dormir juntos? _ eu perguntei, chocada, diante
dela que nem ao menos levantou os olhos para mim.
_ Você pode dormir ali, oh. _ e apontou para o chão do outro lado da sala, próximo à
cozinha. _ É uma casa velha ... mas se passar alguma ratazana, quem sabe vocês não
fazem amizade, né?
_ É uma casa velha ... _ repeti, enquanto me arrependia por ter me deixado levar pelos
seus olhos infantis quando suplicou para passar a noite ali. _ ... mas a única ratazana
que eu tô vendo por aqui, está deitada na única coisa que pode me servir de cama.
Então, _ eu sorri, ameaçadoramente. _ FORA DAQUI, VAGABUNDA!
_ O que foi? _ Edward veio da cozinha com um prato de macarrão instantâneo nas
mãos.
_ Essa ... essa menina, Ed ... ela é louca. _ Tanya acusou, choramingando com aquele
seu jeito irritantemente inocente.
Tive ímpetos de me atirar sobre ela e arrancar seus cabelos até o último dos cachinhos
de baby liss. Em vez disso, respirei fundo e fechei os olhos com força. Minha cara,
certamente, não era das melhores.
_ Não houve nada. Me dá isso aqui. _ peguei o prato nas mãos dele, e fui comendo em
direção à cozinha.
_ Edward, não ... aqui não. _ eu resisti, me esquivando. No entanto, suas mãos se
fixaram na borda da pia ao redor da minha cintura.
Fiquei presa entre os seus braços, imprensada entre ele e a pia. Não havia escapatória.
E meu orgulho ferido realmente insistia em que eu deveria escapar. Mas como?
_ Edward, me solta agora. _ disse com o máximo de firmeza que podia, me sentindo
uma prisioneira entre os braços fortes que me cercavam.
Ele não se moveu um centímetro.
Respirei fundo. Percebi meus joelhos trêmulos quando sua boca se arrastou,
preguiçosamente, pelo meu pescoço. Meus olhos se fecharam. Mentalmente, briguei
comigo mesma por ser tão fácil perto daquele homem. "Não, não é sua culpa" , a
consciência justificou Ele te enfeitiçou, é isso ... com esses olhos profundos, esse sorriso
sexy, essas mãos grandes ...
As mãos. Hum. Eu podia vê-las, imóveis sobre a borda da pia ... dedos longos,
grossos ... criando uma prisão para o meu corpo que já queria mesmo se entregar de
bandeja. Minhas mãos também apoiaram-se na pia, entre as dele, mas eu procurei me
manter afastada delas o máximo possível, consciente do risco que corria.
_ Você não quer sair. _ ele sussurou com a voz rouca no meu ouvido, me enlouqecendo
de propósito. Fechei os olhos novamente, mordi a boca. _ Eu tô com saudades, Bella. _
sua voz agora era tão profunda que fez os pelinhos da minha nuca se eriçarem,
enquanto eu engolia em seco. Instintivamente, meu quadril se inclinou para trás e senti
uma pressão maravilhosa contra a minha bunda.
Rendição
_ Edward ... _ eu tencionava repreendê-lo, mas seu nome acabou deixando a minha
boca numa espécie de gemido. Era como seu eu chamasse por ele em vez de tentar
afastá-lo. Senti minha cabeça ficar mais leve, e meu corpo relaxou sem permissão.
Logo Edward desceu a alça da minha camiseta, mordiscando meu ombro de forma
provocante. Uma de suas mãos deixou a pia para acomodar-se em minha cintura,
apertando com força. Eu ainda podia sentir o volume dentro da calça que pressionava
atrás de mim, me fazendo ferver por dentro. Sentia uma gana insuportável de me virar
de frente para ele, abrir seu ziper e começar a brincadeira de verdade; ao mesmo
tempo, eu apenas queria me deixar levar pelas carícias cada vez mais ousadas, me
permitir ficar em suas mãos, ser controlada.
A mão na minha cintura subiu por dentro da camiseta, acariciando o perfil do meu
corpo, incendiando tudo por onde passava. Logo ela havia alcançado a barriga ... e
agora eram as duas que me tocavam, acariciavam meu ventre em círculos, me
apertavam, me deixavam em êxtase. Uma delas subiu para os meus seios, tomando um
para si e massageando de forma deliciosa ... a outra deslizou para dentro do meu short,
me tocando por cima da calcinha ... alojando-se em seguida no meio das minhas
pernas, que se abriram mais sem que eu pudesse controlar.
Eu gemia, chamava por ele, e já não conseguia me lembrar por que deveria afastá-lo.
Se antes já não hesitava, Edward começou a agir com ainda mais confiança quando
chamei seu nome entre gemidos. Senti ele afastar minha calcinha para o lado, sem
esperar mais, e começar a dedilhar de leve o meu clitóris provocando um espasmo
gostoso pelo meu corpo. Joguei a cabeça para trás, recostando em seu peito, olhos
fechados. Senti ele mordiscar novamente minha orelha, e gemer nela quando minha
bunda pressionou com ainda mais força o seu membro. Desci minha mão pelo braço
dele, acariciando sua pele, arranhando ... até chegar a sua mão dentro do meu short,
que empurrei tentando intensificar suas carícias. Ele riu.
_ Oh, Bella ... calma. Fica calma, tá? A gente tem a noite toda. _ a risadinha sacana no
meu ouvido só fez aumentar o meu tesão, e eu nada conseguir responder. Mordi a boca
quase a ponto de sangrar quando ele deslizou o dedo que usava pra brincar no meu
clitóris, pela fenda entre as minhas pernas que, de úmida já estava encharcada com
aquelas preliminares. Com a outra mão posicionada na parte interna da minha coxa,
ele abriu uma das minhas pernas, e seu dedo escorregou rapidamente para dentro de
mim que soltei um grito alto, sentindo a dor se misturar ao prazer de uma forma intensa
e inesperada.
_ Mas que putaria é essa?! _ Tanya entrou na cozinha, e eu me separei rapidamente de
Edward, que não teve outra alternativa senão tirar a mão do meu short. Me ajeitei
rapidamente antes que pudesse me dar conta de que não devia satisfações àquelazinha.
De qualquer forma, o recato semre foi meu maior defeito também.
_ E ela tá abusando da minha _ a barbie falsificada apontou um dedo para mim com
voz chorosa. _ O que você tem com ela, Ed?
_ Acho que ficou óbvio o que eu tenho com ela _ ele disse, pausadamente, e eu percebi
que estava contando até dez ou pensando em coisas boas para não fazer nenhuma
besteira. _ É exatamente o tipo de coisa que eu não tenho com você.
_ Não tem, mas já teve ... _ Tanya provocou, olhando diretamente para mim. _ Há
pouquíssimo tempo, aliás. Há quanto tempo vocês estão juntos, hein? _ ela fez uma
cara cínica de dúvida, e eu juro que tentei me controlar, mas perdi de vez o bom senso.
_ Você não se cansa desse seu número de puta de cabaré, não? Porque, sinceramente ...
deve ser muito talento. Você ensaia sempre ou o quê? Não deu pra ver que você sobrou
aqui, ôh fulana? _ cruzei os braços pra impedir que o corpo tremesse com a explosão
de palavras que saíam da minha boca.
Tanya ficou boquiaberta, mas ainda sustentando aquele olhar maldoso que me irritava
profundamente.
_ Vem, Bella. _ Edward colocou a mão sobre o meu ombro, mas eu me desvencilhei
dele e fui sozinha para a sala.
Lutar ao Lado
_ Eu sei que você tá com raiva de mim. Sei que tem todos os motivos pra não querer me
ver nunca mais na sua frente. Bella, eu sou um problema ambulante! Tenho uma
familia legal, amigos divertidos e não sou um cara mau ... mas quando se olha de
perto ... _ ele negou com a cabeça e emitiu um som de lamento. _ ... aí se percebe todo
tipo de complicação que eu posso trazer.
_ Uma ex namorada viciada. _ eu completei, sem tirar os olhos do teto. Era perigoso
demais olhar pra ele.
Edward me encarou, perplexo. Tá. Aquela não era realmente a reação que eu esperava.
Era mais como ooh, Bella, mas é claro! o que eu faria da minha vida sem você? você é
o ar que eu respiro, a chama do meu ... e bla bla bá.
_ Você não pode estar falando sério! Acabou de descobrir que eu tô envolvido com uma
drogada ... que eu devo dinheiro ao tráfico!
_ 'Ela' deve dinheiro. _ eu corrigi, com um sorrisinho bobo e sem motivo nos lábios.
Estar tão perto dele, sentir seu cheiro, já era razão suficiente pra estar sorrindo.
_ Mas eu assumi sua dívida. Cam nunca mais vai me deixar em paz, e eu nunca vou ter
como pagar o que ela deve à ele.
_ Eu nunca pediria isso à eles! _ ele se exaltou de novo, me olhando daquele jeito
irritado. Depois de alguns segundos, seu ânimo acalmou-se novamente. _ Eles só
sabem que eu eu me envolvi com a Tanya e as coisas não acabaram bem. Minha familia
não gosta dela ... eles acham que nós ainda temos alguma coisa. Foi por isso que não
gostaram de me ver chegando com você, naquela manhã.
_ Hmm. _ eu assenti, lembrando a forma como Alice havia me tratado nos últimos dias.
_ E você ainda tem? _ perguntei, o mais casualmente possível.
Edward me deu aquele sorriso torto que tanto mexia comigo. Eu não pude evitar sorrir
também, embora estivesse um pouco apreensiva pela resposta. Na verdade, eu não me
importava com o que sairia dos seus lábios. Os homens têm uma capacidade incrível de
mentir ou manipular a verdade, como Alice diz. Mas eu sabia que ele não conseguiria
me enganar olhando nos meus olhos e pelo tom da sua voz. A mentira transpareceria
como barro no fundo de um rio límpido.
_ E o que você quer de mim? _ eu já não disfarçava mais nada. Há quem eu queria
enganar? Estava completamente louca por aquele homem. Seu olhar atrevido e seu
sorriso malicioso tiravam meu sono, roubavam meu sossego. Toquei seu rosto com a
ponta dos dedos, acariciando até chegar à sua boca que contornei de leve, fazendo-o
entreabrir os lábios.
_ Tudo.
Aulas de Prazer
Nos beijamos. Não foi um beijo excitado e cheio de desejo, mas havia uma
cumplicidade que antes não existia entre nós. Nossos lábios se tocaram ao mesmo
tempo, encaixando-se com sincronismo perfeito. Sua lingua procurava a minha, sem
pressa, com uma lentidão que era quase uma tortura. Foi o beijo mais gostoso da
minha vida, e eu deixei que soubesse pelos pequenos gemidos e suspiros que eu dava
entre cada movimento nosso.
Edward soltou minha mão mas não separou nossos lábios. Eu não deixei, nem por um
segundo. Ele foi se deitando no tapete, nosso tapete, enquanto deslizava a mão para a
minha cintura e me guiava para cima dele. Eu não entendi exatamente o que ele queria,
e quando percebi estava sentada sobre ele, uma perna em cada lado do seu quadril.
Finalmente deixamos de nos beijar e fiquei erguida sobre o seu corpo, montada sobre
ele.
_ Você tem certeza do que está fazendo? _ ele perguntou em um fio de voz, e estava
sério. Eu sentia que sua ereção voltava, e a posição em que nos encontrávamos me
dava uma idéia do que ele pretendia.
Eu nunca tinha certeza quando o assunto era Edward Cullen. Ele. Sempre com seus
mistérios, sua sensualidade explícita, seu jeito único de me provocar. Rebolei devagar
sobre ele em resposta, vendo-o entreabrir os lábios e soltar um suspiro leve. Seu olhar
estava apagado e eu sabia que não devia estar pensando em nada naquele momento.
Apenas sentindo. Apenas me sentindo. Deslizei minhas mãos pela sua barriga, seu peito
... subindo a sua camisa. Ele mordeu a boca e finalmente sorriu, esquecendo por hora
as preocupações.
_ Acho que eu não sei como fazer isso. _ confessei, tímida, notando enfim o que
estávamos ensaiando com aquelas preliminares.
_ Eu posso te ensinar tudo o que você quiser aprender.
Edward terminou de se livrar da camisa e meus olhos se prenderam em seu corpo por
um instante. E que corpo! Perfeito como eu já revelei tantas vezes. Cada curva
esculpida pra chamar a atenção de uma mulher. "Pra chamar a minha atenção",
corrigi, possessiva. Arranhei de leve o seu abdomen e o senti contrair-se sob minhas
unhas. Ele sorriu. Estava gostando.
_ Adoro quando você faz isso. _ ele revelou com aquele sorriso de canto que me
deixava louca. Eu mesma sorri de canto em resposta.
_ Me mostra ... _ eu pedi, rebolando mais uma vez sobre a sua ereção que só fazia
aumentar.
_ Tudo o que você gosta. Eu quero aprender ... quero saber tudo. Cada detalhe ... cada
carícia que te deixa excitado. _ as palavras saíam arrastadas da minha boca, e eu
duvidei seriamente de que as estivesse dizendo em voz alta, mas parecia que sim porque
ele me encarava surpreso e interessado.
Edward subiu as mãos pela minha cintura, por baixo da camiseta, explorando a minha
pele de um jeito intenso enquanto me observava com olhos atentos. Seus dedos
pareciam pegar fogo pelo meu corpo, e eu levantei os braços para facilitar tudo. Ele se
livrou da minha camiseta, atirando-a longe, e passou a percorrer meus seios com dedos
mais ansiosos. Seus movimentos agora eram menos calmos, e muito mais cheios de
desejo e uma fúria incontida.
_ Edward ... _ eu murmurei, fechando os olhos, enquanto ele metia suas mãos por baixo
do bojo do meu sutiã, acariciando meus seios com uma pressão maravilhosa. Em nada
lembrava o Edward hesitante de poucos minutos atrás, tão preocupado com o futuro e
minha segurança.
Eu havia brincado com fogo, e havia despertado nele o homem que eu desejava aquela
noite.
Senti meus seios intumescidos enquanto ele beliscava os mamilos com as pontas dos
dedos. Com as palmas das mãos massageava sua extensão, me obrigando a gemer e me
entregar cada vez mais. Comecei a me contorcer sobre ele, agora involuntariamente,
procurando por uma posição mais favorável às suas carícias. Mas só o que consegui foi
provocá-lo ainda mais, e pude perceber não só pelos gemidos que ele deixou escapar.
_ Bella ... isso .. assim ... _ ele incentivava, e cada parte do meu corpo parecia agora
subitamente interessada em saciá-lo, como se não tivessem outra função na vida.
Continuei a me movimentar sobre ele, ainda por cima das nossas roupas, indo e
vindo ... indo e vindo ... percebendo que ele perdia o ar e tornava a recuperá-lo para
prosseguir com suas carícias que me deixavam em êxtase. Queria ver até onde ele
suportaria, até onde nós dois suportaríamos, e foi pensando nisso que eu senti uma de
suas mãos descer pela minha barriga, chegando ao baixo ventre e provocando um
arrepio que subiu pela base da espinha. Deus, um dia ainda acabo com esse homem!
Receios
Inclinei meu corpo para frente e me deitei sobre ele. Quando percebi, já estava com os
lábios colados ao seu pescoço, sugando e mordiscando sua pele. Senti sua mão traçar
caminho pela minha espinha, me arrepiando como nunca, até que chegou ao meu sutiã
que ele tirou rapidamente.
Me encaixei melhor sobre Edward e pude ouvi-lo agradecer por aquilo com um gemido
rouco. Meus lábios deixaram o seu pescoço, deslizando até sua boca que mordi
devagar. Antes que ele me beijasse, eu me separei um pouco olhando em seus olhos e
sorrindo de canto. Seus olhos brilhavam de desejo, tanto quanto eu nunca vi.
Edward arrancou meu short que, por pura sorte, não ficou reduzido a trapos. Eu nunca
pensei que ele fosse agir daquele jeito tão .... selvagem! Não que eu estivesse
reclamando, claro. Me apoiei sobre os cotovelos incapaz de me deitar e perder um
segundo daquilo tudo. Ali, de calcinha, vulnerável à ele, lembrei-me de uma coisa que
deveria estar me incomodando.
_ E a ... Tanya? _ indaguei, revirando os olhos com a simples menção ao nome dela.
_ Esquece isso. Ela não vai incomodar. _ suas mãos retiraram a única peça de roupa
que ainda havia em mim, escorregando-a pelas pernas com máxima urgência.
Subitamente sem fôlego, vi Edward abrir minhas pernas e aproximar o rosto da minha
coxa que tremia ligeiramente.
_ O que ... o que você ...? _ perguntei, ainda trêmula, sentindo o sangue fugir do meu
rosto.
Ele deslizou a lingua pela minha pele, lambendo coxa acima até chegar à minha
virilha. Senti um leve espasmo atravessar meu corpo.
O toque da sua lingua era maravilhoso. Quente e suave, melhor ainda do que nas
outras partes do corpo que eu havia experimentado. Senti-lo ali tão próximo ao meu
centro, ao ponto mais íntimo do meu corpo, despertou uma reação tão estranha que eu
não sabia como descrever. Prazer. Desejo. Medo.
Medo?
_ O que você ia ... o que ia fazer? _ eu tentava manter o controle das palavras mas
minha boca parecia anestesiada. Ainda podia senti-lo lá ... lá embaixo, me lambendo
daquele jeito excitante.
Como eu poderia explicar? Como poderia explicar uma coisa que eu não sabia
descrever. Dei um longo suspiro e me sentei sobre o tapete, ficando de frente para ele.
_ Eu não sei ... eu só tenho medo. _ tentei explicar, sentindo os olhos dele queimando
sobre mim. Procurei desviar o olhar.
_ Medo de que? Não vou machucar você. _ ele tentava se mostrar paciente, mas sua voz
era levemente irritada.
_ Vulnerável _ eu respondi, olhando em seus olhos novamente. Ali estava. Por trás do
jeito compreensivo, estava o olhar espantado, recriminatório. Eu sabia que ele deveria
estar duvidando, ou pior até, me julgando uma louca. Uma louca ex-virgem com medo
de sexo oral! Até eu me achava meio louca. Só que apenas eu tinha o direito de me
julgar assim.
Vesti meu short e camiseta sem dizer mais nenhuma palavra, deitando de lado no tapete
quando terminei. Também em silêncio, ele se levantou e foi para o banheiro.
Manhã a Três
Pensei que não fosse conseguir dormir naquela noite. Cheguei mesmo à rolar no tapete
por mais algum tempo, pensando sobre os meus medos, a minha recusa naquela noite
que havia deixado Edward tão aborrecido. Eu mesma havia ficado muito frustrada. Era
uma coisa que eu desejava tanto quando estávamos juntos ... e talvez por isso, não
conseguisse deixar acontecer, apenas travasse.
Naquela noite, eu chorei imaginando se poderia perdê-lo por causa dos meus receios,
se um homem experiente como o Edward teria paciência para me esperar e se seria
justo pedir isso dele. Afinal, havia a Tanya ... só pensar no seu nome já me causava
uma sequência de enjôos inimagináveis. Edward não estava acostumado com recusas, e
isso me apavorava ainda mais.
Foi então que Edward abriu os olhos, e bastou fazê-lo para eu me lembrar de como ele
me fazia sentir de verdade. Apaixonada, ansiosa, febril ... vivendo perigosamente. No
limite, exatamente como eu desejava naqueles anos de internato, vivendo uma vida que
eu sabia ser somente uma preparação para algo que viria depois. Algo muito melhor.
_ Eu te amo _ eu disse, e saiu como se fosse a coisa mais natural do mundo mesmo
após nossa discussão na noite anterior.
Ele continuou me encarando mas eu percebi que me olhava de forma diferente, alguma
coisa havia mudado ligeiramente no jeito como me via. Edward entreabriu os lábios e
eu aguardei em silêncio, pacientemente.
_ Bom dia, crianças! _ era Tanya que chegava na sala, toda animadinha,
espreguiçando-se enquanto cortava inteiramente o nosso clima.
_ Tanya _ Edward grunhiu, fechando os olhos com força, uma careta de desgosto
tomando conta do seu rosto.
_ Eu vou embora. _ respondi seca, levantando da cama e indo direto para o banheiro.
Esbarrei nela no caminho, e a loura deu um gritinho de raiva. Ótimo. Sua vozinha
histérica me proporcionou uma bela enxaqueca que, certamente, duraria o dia todo.
Fui em siêncio durante toda a viagem, e até mesmo aturei algumas piadinhas e
provocações de Tanya - que se julgava o centro das atenções do universo, ficou bem
claro. Fiquei feliz ao me livrar dela quando desceu na porta da sua casa, e ignorei a
piscadinha maliciosa e o beijo soprado no ar para Edward.
O que me deixou desnorteada foi o sussurro - bem audível - para Edward, quando ela
debruçou-se na janela do carro, sorrindo de uma forma explicitamente sem-vergonha.
_ Tchau, Ed. Eu adorei a noite. De verdade _ ela disse isso antes que ele arrancasse
com o carro e quase a levasse junto, arrastada na janela.
Desconfiança
Continuei em silêncio até chegar em casa. Edward não tentou me fazer falar, não
puxou nenhum assunto. Mas vez ou outra, ele me dava um olhar de canto, meio
desconfiado, como se tentasse descobrir o que eu estava pensando. Ou sentindo.
Minha mente fervia de idéias, e nenhuma delas era nada boa. Eu queria perguntar à ele
mas não queria dar o braço a torcer e mostrar que eu me corroía de ciúmes. Procurava
não espiá-lo como ele fazia comigo, com o canto dos olhos, e disfarçava minha
irritação olhando a estrada que passava depressa através da janela. Enquanto isso,
meus dedos batucavam sobre a coxa uma melodia que eu não sabia dizer a qual música
pertencia.
Quando chegamos na casa dos Cullen, percebi os olhares mais uma vez voltados para
nós dois, interrogativamente. Desta vez, notei que o olhar de acusação era direcionado
somente à Edward, enquanto eu receibia um olhar duvidoso, cheio de mistérios.
Estava cansada. Farta. Farta de tantos mistérios, farta de ter que fingir sobre os meus
sentimentos, de ter que suportar um Edward metamorfo que a cada dia se mostrava
uma pessoa diferente. E acima de tudo, farta da possibilidade de dividi-lo com outra só
porque as coisas não saíam sempre como ele desejava. Edward era voluntarioso
demais, arrogante de mais. Muito vivido e experiente para o meu gosto.
Dei bom dia a todos na mesa, e antes de me sentir mais desconfortável do que já estava,
subi depressa para o meu quarto.
_ Ei, me conta tudo! - Rosalie se jogou na minha cama quando eu abri a porta do
quarto, cinco minutos depois de ter entrado. Olhando para o teto e mexendo nos
cabelos, seu sorriso era mais como o de alguém que queria contar alguma coisa do que
o de alguém que queria ouvir.
_ Ah, Bella! Você e Edward, claro. Passaram a noite juntos de novo ... isso é ótimo! Eu
já posso ouvir os sininhos e uma marcha nupcial lá no fundo ... _ o sorriso dela
aumentou, e agora eu havia percebido outra coisa na sua entonação de voz. Seria
alívio?
_ Ótimo por que, Rose? Você tá tentando casar o seu irmão, é isso? Tem algum
problema com ele que o torne um caso urgente para casamento? _ eu tentei manter um
tom brincalhão, mas não foi exatamente assim que saiu. Rosalie franziu a testa e me
encarou, aborrecida.
_ Meu Deus, Bella ... qual é o problema? Edward te fez alguma coisa? Ou fui eu?
Tive vontade de contar tudo o que havia acontecido na noite anterior. Contar sobre
Tanya, o que ela já sabia e de alguma forma me escondia, obviamente ... e,
principalmente, contar sobre os problemas de Edward com o tal Cam, apenas para ver
sua reação. No entanto, percebi que seria intromissão demais já que eu nem ao menos
pertencia à familia Cullen. Eles que descobrissem ... eu não tinha nenhum tipo de
obrigação com o Edward, não mesmo.
_ Rose, eu ando muito ... irritada. Acho que é porque não tenho muito o que fazer aqui.
_ menti, descaradamente, me atirando ao seu lado na cama, o que a relaxou um pouco.
_ Acha que poderia me levar pra sair por aí? Sei lá ... conhecer a cidade. Você, Alice e
eu. Só nós três. _ acrescentei depressa.
Passei o resto do dia de papo com Rose. Alice não veio conversar comigo.
Provavelmente ainda estava chateada pela minha proximidade com seu irmãozinho,
situação agravada pela chegada mais cedo. Eu não estava me importando de fato.
Sempre tive Alice como uma boa companhia, uma amiga sincera e divertida ... embora
que, às vezes, bastante mau-humorada. Mas Rosalie queria que fizéssemos as pazes, e
encontrou sua "excelente solução" para o caso.
_ É, eu disse isso. Faz poucas horas que eu disse, então ainda não mudei de idéia. _ eu
ri, tirando sarro dela, e Rosalie me acertou em cheio no rosto com um travesseiro.
_ O que acha de você convidar Alice pra esse passeio? Ela estava louca de vontade de
sair pela cidade com você, lembra? Ela quer muito te mimar, te apresentar a todos, ser
sua cicerone!
_ Claro que não, Bella! Não seja tão dura. _ ela fez biquinho, e pela primeira vez,
deitada ao seu lado tão próxima como estávamos, notei que seus olhos se pareciam com
os de Edward. Não tinham nem a mesma cor, mas a intensidade do olhar era muito
semelhante. A constatação me fez querer correr para o quarto ao lado. _ Eu posso
encontrar vocês lá, aí as duas são obrigadas a ir sozinhas ... e juntinhas. _ Rose me
abraçou, fazendo cócegas, e eu gritei fazendo-a me soltar. Que doida!
Apesar das loucuras desatadas de Rosalie, de sua mente infantil e idealizadora, fui
obrigada a concordar com seu plano. Estava disposta a fazer aquele pequeno
sacrifício, já que não pretendia conviver com os Cullen sem me dirigir à Alice e
Edward. Aquele seria um caso a se pensar. Mas depois, quando eu estivesse mais
calma. E quando a visão de Tanya sorrindo na janela do carro não me atormentasse
tanto.
Reconciliação
Alice não disse uma só palavra no caminho até o centro de New Orleans. Dirigindo o
carro do pai, comigo ao seu lado no banco-carona, ela tinha o rosto contorcido em
uma expressão de pura insatisfação. Ou teimosia. Dirigia depressa, buzinava quando
era obrigada a parar, fez alguns sinais obscenos para os motoristas que ousaram
enfrentá-la no trânsito caótico da cidade. Meu coração se apertava toda vez que uma
curva surgia adiante de nós. Ela não estava mesmo para brincadeira.
_ Olha, _ eu respirei fundo antes de começar, mas resolvi ser bem direta _ as coisas
não precisam ser desse jeito, Alice. Juro que quando me aproximei do Edward, não fiz
de propósito para te aborrecer. Eu apenas ... apenas ... não sei. _ as palavras saíam
engasgadas porque era assim que eu me sentia. Ela me olhou com o canto do olho mas
sua expressão ainda era irritada. _ Acho que tentei viver tudo de uma vez só. Tudo o
que eu ainda não havia experimentado.
_ Sexo? _ foi mais uma afirmação do que uma pergunta. Ela sorriu de forma sarcástica
mas aquilo não me tirou do sério.
_ Não, _ respondi, observando seu perfil enquanto dirigia. Seu pescoço e ombros
estavam tensos, então era provável que estivesse me escutando atentamente naquele
momento, e que não fosse indiferente ao que eu dizia como tentava demonstrar. _ Amor,
Alice. Estou apaixonada por Edward, e não sei mais o que fazer para que ele também
se apaixone por mim. Eu preciso da sua ajuda.
_ Oh-oh _ Alice fez uma curva tão fechada que meus dedos se crisparam no assento. _
Amor? Hmm. Amor é perigoso demais, Isabella Swan. Principalmente quando não é
correspondido. _ eu senti que ela se conteve para não acrescentar um como no seu
caso, e agradeci mentalmente por aquilo.
_ Sei disso. E sei também que você deve ter seus motivos pra não me querer perto do
seu irmão. Talvez não me ache ... hm .. boa o suficiente. _ arrisquei, ainda observando
cada reação do seu corpo às minhas palavras.
Não foi preciso um olhar muito atento aos seus mínimos gestos. Alice freou o carro
bruscamente, o que fez nossos corpos irem e voltarem contra o encosto dos bancos,
abençoadamente seguros pelo cinto-de-segurança. Soltei um pequeno soluço quando
meu cérebro assumiu que poderíamos ter morrido naquele momento. Seria adeus Sr e
Sra Cullen, muito obrigada por tudo.
Alice soltou o cinto, parecendo mais enfezada do que nunca. Arregalei os olhos, em
pânico, tentando adivinhar o que eu teria dito de tão ofensor assim. Soltei meu cinto,
também, me preparando para a briga que certamente viria. Se ela me acertasse ... eu
esqueceria todos os nossos bons momentos no colégio interno, e a mandaria de volta
para casa com um belo olho roxo.
_ Boa o suficiente, Bella? Boa o suficiente ... _ ela pareceu analisar minhas palavras,
repetindo para si mesma e depois me olhando nos olhos pela primeira vez em algum
tempo. _ Você não entendeu nada, mesmo. Nada, nada. Nadinha de nada.
_ Como assim? _ me atrevi a perguntar, relaxando o corpo no assento uma vez que
percebi que não haveria briga alguma. Não por enquanto.
_ Você é boa, Isabella. Tão boa ... que não posso sequer imaginar você com o cretino
do meu irmão. _ ela desabafou, dando um soco no volante que disparou a buzina me
assustando duplamente.
_ Como é? _ eu ainda arfava com o susto pela buzina quando perguntei, e percebi que
ela estava visivelmente aliviada pela confissão. Mas nada daquilo se encaixava na
minha cabeça. Enquanto Rose me empurrava na direção de Edward, Alice mostrava
toda a sua revolta em me ver ao seu lado.
_ Bella, meu amor ... será que eu preciso ser mais clara com você? _ ela segurou meu
rosto entre as mãos, e eu me senti uma criança de seis anos de idade. Que porra estava
acontecendo com Alice?! _ Passei dois anos da minha vida com você ... e bastaram
esses dois anos pra eu ter certeza de que você merece coisa melhor do que Edward
Cullen. Infinitamente melhor! Meu irmão é safado, cachorro, mentiroso e traidor.
Galinha! Eu sempre disse isso pra você! O que deu na sua cabecinha doida pra andar
atrás dele? Eu pensei que você fosse mais ... inteligente do que as outras. De verdade.
Aos poucos, bem aos poucos, a ficha estava caindo. Todos aqueles discursos feministas
e todas as suas acusações contra Edward na época do colégio tinham bastante
fundamento. E ela temia por mim enquanto Rosalie queria ver o bem do seu irmão ...
esperançosamente ao meu lado. Ambas estavam tentando em direções contrárias, mas
tinham boas intenções de qualquer forma.
Senti um enorme alívio quando percebi isso e vi Alice sorrir para mim. Depois, - e eu
nem sei como aconteceu - estávamos nos abraçando como as duas grandes amigas que
sempre fomos, dando algumas risadinhas e evitando as lágrimas bobas que certamente
vieram.
Excelentes Distrações
_ Vamos, garota ... chega dessa coisa de menininha _ Alice me soltou, secando os olhos
ainda úmidos. Eu estava radiante por termos feito as pazes e não parava de sorrir
enquanto recolocava o cinto _ Eu ainda não tive oportunidade de te apresentar as
melhores coisas dessa cidade.
_ Não. Homens _ ela disse com simplicidade e arrancou com tudo, fazendo minha
cabeça bater com força contra o encosto do banco.
Não demorou mais do que cinco minutos para Alice parar o carro e acenar para
alguém pela janela. Torci o pescoço, curiosa para ver quem era.
_ Gostou do que viu? _ Alice perguntou com um sorriso malicioso nos lábios. Eu me
arrependi brutalmente de tê-la acompanhado naquele passeio. Desculpa pra pegação
era pouco pelo que eu pude perceber.
Haviam dois garotos na calçada e eles caminharam na nossa direção assim que o carro
parou. Fiquei esperando Alice abrir a porta e descer para poder segui-la até eles, mas
aconteceu exatamente o contrário e eles entraram no carro encerrando uma conversa
aparentemente particular. Ou indiscreta.
Um deles era alto, esguio e tinha a pele muito clara, aparentando ser apenas um pouco
mais velho do que eu mesma. Tinha cabelos cor de mel, ondulados e desalinhados, o
que parecia encantador mesmo para alguém como eu que não me impressionava
facilmente. Surpresa com todos os adjetivos do garoto, pude ver que seus olhos claros
eram interrogativos assim que abriu a porta do carro e sorriu para mim.
_ Este é Jasper _ Alice mordeu a boca disfarçadamente, e eu procurei não corar mas
era impossível. Apenas acenei para ele com a cabeça quando me cumprimentou.
_ Este é Jacob _ Alice mexeu-se inquieta no assento. _ E esta é Bella, meninos, a amiga
de quem eu falei.
Mas ele não é Edward, uma voz se pronunciou dentro da minha cabeça. Não, não é., eu
respondi para mim mesma, escorregando de volta no banco do carro.
_ Aonde estamos indo? _ perguntei, finalmente, enquanto Alice fazia uma curva
fechada na próxima esquina. Meu corpo endureceu. Péssima no volante; um perigo
ambulante por sinal.
_ Encontrar Rose e Emm na clareira _ Alice parecia distraída, subitamente. Não, não
tão subitamente. Estava distraída desde que os meninos subiram no carro.
Jasper e Jacob conversavam sem parar no banco de trás. Algo sobre futebol, cervejas e
garotas - grande novidade . Mas eu sentia o olhar velado de Jacob na minha nuca, e
podia ouvir também os risinhos cúmplices entre os dois. Tinha a sensação de que
estava perdendo alguma grande piada particular, onde talvez eu fosse o tema. Fiquei
na minha de qualquer modo. Não tinha a menor razão para me julgar o centro das
atenções.
_ Clareira? _ minha voz saiu estrangulada, traindo meus últimos pensamentos. Ouvi os
rapazes rirem baixinho atrás de mim.
Merda. Apoiei a testa em uma das mãos, equilibrando o cotovelo na janela. O sol ardia
agradavelmente contra o meu rosto, e eu teria uma boa desculpa para as minhas
bochechas vermelhas.
_ É um lugar legal. Muito tranquilo também. Acho que vai gostar _ Alice sorriu, e seu
humor havia mudado radicalmente.
Complicações?
Decidi permanecer em silêncio durante o resto do caminho. Alice tentou puxar assunto
comigo algumas vezes, mas não dei a mínima atenção. Minha expressão também não
devia ser das melhores, pois Jasper e Jacob não tentaram nada na minha direção, nem
a menor indireta. Ótimo. Um pouco de paz e sossego, finalmente.
Até estranhei.
_ Ah, não. Mas se chegasse um pouquinho assim antes... _ Emm separou o polegar o
indicador em uma curta distância, deixando claro o que havia acontecido antes de toda
aquela "inocência". Logo depois estava cumprimentando Jasper também, mostrando
que o time já estava completo.
_ Ewww, Rose! Você não tem pudor nenhum? _ Alice ralhou mas seu sorriso também a
traía. Ela olhou para Jacob, sugestivamente, mas ele apenas desviou os olhos para mim
como se não houvesse percebido.
_ Então, Bella ... gostando de New Orleans? _ seu sorriso era gentil e amistoso, e eu
não via sequer uma gota de maldade ali. Então, não enxerguei perigo algum em manter
uma conversa cordial com o garoto.
_ Pretende ficar? _ ele sorriu de canto mais uma vez, e logo eu lembrei de Edward com
o seu sorriso torto que me enlouquecia. Fechei os olhos por um momento, tentando
imaginá-lo comigo naquele lugar incrível. Os dois sozinhos, preferencialmente. Sua
mão nos meus cabelos, aquele toque gentil... ou suas carícias mais ousadas e
agressivas, sua pegada quando estava excitado demais para se preocupar comigo... _
Bella? Bella? _ Jacob me arrancou dos meus pensamentos e eu sorri, mostrando que
não precisava preocupar-se.
_ Hmm. Espero que fique _ mordi a boca, olhando na direção dos outros, evitando
deliberdamente o início de uma complicação.
_ Isso é... um piquenique? _ arrisquei, com os olhos presos ao chão agora. O clima
estava bem agradável. Podia ouvir as brincadeiras de Emm, Rose e Jasper, além de
algumas piadinhas sacanas da parte deles. De Alice, apenas silêncio. Um silêncio que
eu não podia entender.
_ Hmm. Pode ser, se você quiser. Mas pra isso a gente teria que comprar comida
porque não trouxemos nada _ ele riu, jogando a cabeça pra trás e transformando a
risada em uma gargalhada gostosa quando eu olhei para ele, desnorteada. Não pude
me ofender com sua zombaria descarada. A risada era tão contagiante que eu apenas o
imitei.
_ Me desculpe, foi a única coisa na qual eu pude pensar. Com todo esse clima de
vegetação... toalha de mesa sobre o chão...
_ Ah, sim. A toalha... _ ele ficou pensativo, e um novo sorriso se abriu lentamente _
Acho que o Emm deve ter comido alguma coisa antes de a gente chegar.
Meus olhos se arregalaram quando eu percebi do que ele falava, e por mais que
quisesse ser cordial e descontraída, corei violentamente.
_ Brincadeira, Bella _ Jacob percebeu minha reação e seu sorriso foi ainda mais
malicioso embora as palavras fossem gentis. De repente, ele inclinou-se sobre o meu
ombro, levando os lábios próximos ao meu ouvido. A sensação foi fisicamente
agradável mas um pouco intimidante. Sua voz não passava de um sussurro quando
falou _ Vou ter que me lembrar de te deixar corada mais vezes.
Olhei para ele, a garganta travada, e o vi piscar para mim com todas as segundas
intenções possíveis. Mas antes que eu pudesse responder - ou não - , Alice já estava ao
nosso lado com um braço em torno da cintura de Jacob e uma das mãos segurando a
minha.
_ Se divertindo, crianças? _ ela sorriu, mas algo na sua expressão ainda não parecia
muito certo.
_ Vou deixar a Bella responder essa _ Jacob afagou o cabelo dela, gentilmente, sem
desprender os olhos de mim.
_ Hmmm... sim, claro _ eu procurei ser racional e objetiva, mas meus olhos fugiam a
todo momento enquanto eu recuava alguns passos na direção dos demais.
Presente de Boas-Vindas
_ Jake, será que pode me ajudar aqui? _ Emm pediu, levando alguns tapas de Rose
embora os dois rissem alto. Jasper estava sentado no chão, recostado em uma árvore,
parecendo modelo de algum comercial sobre a vida no campo.
Jacob afastou-se na direção deles, sorrindo para mim. Sorri de volta, rapidamente,
minha atenção logo voltada para Alice que se tornava cada vez mais séria após sua
saída. Sua boca estava contraída, fortemente, e seus braços haviam cruzado-se sobre o
peito de forma agressiva. Ela me olhava com uma certa petulância. Muito típica da
Alice, por sinal.
_ O que quer dizer com isso? _ ela indagou, o clima de tensão rapidamente formado.
_ Vamos voltar ao ponto inicial? Não nos falamos, não nos olhamos ...? _ mantive o
sarcasmo na minha voz embora estivesse bastante irritada. O gênio de Alice era forte
demais e me dava nos nervos.
_ Ah, Bella, tantos caras lindos ... e você foi despertar o interesse justamente do Jake?!
Eu trouxe o Jass inteirinho pra você, embrulhado pra presente e tudo mais. _ Alice fez
um bico imenso, parecendo uma criança contrariada. Fiz o possível para não rir.
Graças a Deus, consegui.
_ Não mesmo? _ ela parecia incrédula _ Ele é uma tentação e tanto! Não sei como eu
resisto ...
_ Adivinha pensamentos? _ perguntei, sorrindo para esconder a dor que eu sentia por
não estar com ele. Meu coração estava despedaçado embora eu fosse negar até a morte
se necessário.
_ Bella, Bella ... eu amo você. E por isso, eu faço uma barganha amigável. Coisa de
amiga, mesmo!
_ Como assim, me cede? Eu não tô aceitando doações, e acho que ele não ia gostar
nada de ser tratado como um objeto, sabia? _ eu ainda ria, mas procurava disfarçar já
que todos olhavam, interrogativamente, na nossa direção.
_ É sério, Bells. O Jake é muito bom, muito gostoso, uma delícia ... entendeu, né? _ ela
sorriu de maneira sugestiva, e eu me engasguei com a saliva.
_ Você já ... provou? _ pronto. De objeto o cara passou à sobremesa. O que Alice tinha
na cabeça?! Nenhum juízo, com certeza.
_ Sim, claro ... muitas vezes _ ela piscou para mim, e eu não pude deixar de lançar um
olhar de canto para Jacob, que sorria na minha direção parecendo um astro de cinema
internacional. Ele havia tirado a camisa, ficando apenas com a bermuda branca que
contrastava com sua pele avermelhada.
_ Alice, amiga ... você enlouqueceu. _ mas eu já não ria, e continuava olhando com
certo interesse na direção de Jacob, que exibia os músculos de forma quase "casual".
Emm e Rose já estavam se agarrando novamente, e Jasper continuava pensativo sob a
árvore, parecendo até um pouco mau-humorado.
_ Eu sei que eu sou um anjo, ok? _ ela deu de ombros e me deixou sozinha, enquanto
saltitava na direção dos outros. _ Faça bom-proveito e devolva sem danos! _ Alice
gritou, já longe de mim.
Não pude deixar de rir com a loucura dela. Eu ... e Jacob? Ãhn? Ah, não ... não mesmo.
Por mais que Edward tivesse me magoado, por mais que Tanya não saísse da minha
cabeça com suas investidas diretas e assuntos mau-explicados, por mais que Jake
estivesse disponível - e agora perfeitamente oferecido à mim como presente de boas-
vindas à cidade -. Por mais que tudo fosse favorável, havia um certo Cullen que não
deixava meus pensamentos por um instante sequer, transformando minha vida em um
tormento!
Mesmo contra todas as minhas expectativas, a tarde passou quase sem maiores
problemas. Apesar da tentativa evidente de sucesso comigo, Jake parecia educado
demais para forçar a barra quando eu, obviamente, o evitava ao máximo. Então, ficava
apenas me rondando ... rondando ... como um lobo girando em torno da sua presa.
_ Posso te ver outras vezes? _ ele perguntou, quase constrangido por tentar de novo.
_ Hum. Claro, qualquer dia desses a Alice marca alguma coisa, com certeza _ optei
pela saída mais fácil. Não me parecia certo magoar alguém como Jacob. Por baixo do
sorrisinho sedutor e do corpo deliciosamente definido, ele me parecia um garotinho
adorável à procura da sua cinderela. Não que eu me candidatasse ao cargo, mas não
seria rude com ele por nada no mundo.
Voltamos para a casa dos Cullen ao anoitecer. Segui no carro de Alice com ela e Rose,
que tagarelava sem parar sobre seus momentos mágicos - e de natureza extremamente
sexual - ao lado de Emm. Alice lançava uns olhares tortos para ela, e sorria de canto
para mim, nossa "rivalidade" finalmente abafada.
Quase caí na calçada quando abri a porta para descer do carro, mas me segurei na
janela. Arfando, o peito subindo e descendo desesperado, percebi que Edward estava
sentado nos degraus à soleira da porta. Com os olhos levantados na minha direção, ele
me encarava com seus olhos topázio enlouquecedores.
Abri a boca para dizer alguma coisa, mas desisti. Não pretendia mesmo estragar
aquele momento com uma série de articulações que já não me importavam em nada.
Meu Anjo
_ Edward _ murmurei por fim, sabendo que ele não poderia me escutar daquela
distância. A verdade é que eu apenas queria me convencer de que não tratava-se de
uma miragem.
_ Sim, Edward _ Alice concordou, carrancuda, postando-se ao meu lado. _ Deve ter se
cansado do brinquedinho antigo e veio ver o novo.
Rosalie chegou ao meu lado tão depressa que eu solucei de susto. Parecia
resplandecente depois da tarde na clareira, como se tivesse absorvido um pouco da luz
do sol.
_ Não dê a mínima pra ela, Bells. Vá até ele. E curta a noite, meu bem _ ela
acrescentou esta recomendação com um sorrisinho malicioso, dando um tapinha na
minha bunda que me deixou sem jeito. Mas eu não pude evitar sorrir, não quando
Edward me encarava da escada com um olhar bastante interessado.
Rosalie seguiu para dentro da casa, sorrindo ao passar pelo irmão. Logo foi seguida
por Alice, consternada, que passou por Edward como um raio. De qualquer modo,
quaisquer que fossem as opiniões da familia Cullen sobre o filho mais velho, enfim,
Edward e eu estávamos a sós.
Caminhei na sua direção, percebendo que as batidas do meu coração aceleravam cada
vez mais. Não era justo, era ... irritante, aliás. Como ele podia manter-se tão sereno
quando meu corpo parecia ser capaz de entrar em combustão espontânea sempre que o
via? Como ele podia parecer um anjo se seus olhos revelavam uma sensualidade
inebriante, da qual eu nunca conseguia me esquecer realmente. Nem por um segundo.
Quando cheguei à escadinha para a entrada da casa, parei. Uma brisa suave tinha se
formado, embora a noite ainda fosse um quente. Meus cabelos balançavam ao redor do
rosto, fazendo cócegas. Edward sorria para mim. Um sorriso torto e sexy, inesquecível.
Não era o sorriso de um anjo mas para mim era bom o bastante. Muito melhor do que
isso, se me permitem corrigir.
_ Pensei que fosse esperar a noite toda _ ele me repreendeu mas não parecia zangado.
Não com aquele sorriso _ Corria o sério risco de congelar se a noite esfriasse, sabia
disso?
Franzi a testa e fiz um bico idiota, em uma falsíssima expressão de preocupação. Subi a
escada, devagar, parando novamente ao me encontrar no degrau anterior ao dele. Me
posicionei entre suas pernas, de frente para Edward e ainda de pé. Percebi, irritada,
que mesmo sentado ele não precisava erguer tanto a cabeça quanto seria correto para
olhar nos meus olhos.
_ Eu não sou cobertor _ respondi à altura dos últimos acontecimentos, mas minha voz
estava bem-humorada demais para ele acreditar que eu não o desejava.
_ Hmmm _ ele analisou com um brilho divertido nos olhos estreitos. _ Acho que você
me esquenta muito mais do que um cobertor de verdade, se quer saber. E Bella ...
_ O quê? _ eu perguntei, depressa demais, minha voz um tanto estrangulada pelo olhar
excitado que ele me lançou. Estremeci. A brisa nada tinha a ver com aquilo, é claro.
Meu corpo estava passando de novo por todas aquelas sensações estranhas que ele me
proporcionava. Tentei desviar os olhos dos dele, mas não deu muito certo. Era
fantástica a capacidade que ele tinha de me prender nos seus olhos.
Eu assenti com a cabeça, preocupada com a forma como minha voz sairia se eu
ousasse falar. Edward riu, piscou para mim e foi caminhando para dentro de casa
enquanto eu o seguia. Ele vestia jeans que caíam com perfeição no seu corpo, a bunda
marcada pela calça me dava muito em que pensar. A camisa branca de mangas tinha
algumas frases escritas em francês. Eu não era muito boa no idioma mas pude traduzir
as palavras "sexo" (sexe) e " Luxúria" (Lut).
_ E seus pais? _ perguntei, alarmada, procurando não tropeçar no caminho até o seu
quarto que me parecia muito mais longo e perigoso esta noite.
_ Viajando, Bells. Não se preocupe com eles _ sua voz era um sussurro quando ele se
inclinou, tocando os lábios na minha orelha. Senti um arrepio percorrer a nuca e
descer ate a base da espinha - Se preocupe comigo.
Entrega
Minhas mãos tentavam arrancar sua camisa enquanto as dele apenas puxavam-me
pelas coxas para que eu subisse em seu colo. Foi o que eu fiz. Montada nele, deixei que
me levasse para a cama enorme no meio do quarto, me colocando sobre ela com uma
delicadeza desnecessária. E calculada demais, tendo em vista o seu olhar afogueado.
Terminei de tirar sua camisa, que demorou mais para sair do que eu imaginava, e a
atirei no chão com um desejo irrefreável. Ele sorriu, mas não havia escárnio nenhum
naquele sorriso. Antes mesmo de eu poder me dizer novamente o quanto Edward Cullen
era lindo e me fazia a mais insensata das criaturas sobre a Terra, eu o vi deitar-se
sobre mim apoiando o peso do seu corpo com as mãos no colchão ao redor do meu
rosto.
_ Edward _ eu pronunciei seu nome e parecia não me cansar nunca de dizê-lo, como se
cada letra fosse a nota musical de uma composição feita especialmente para os meus
ouvidos.
_ Bella _ ele encostou a boca na minha, provocando uma fogo delicioso que correu
pelo meu sangue como eu jamais havia sentido. Meus olhos se fecharam,
automaticamente, mas eu tornei a abri-los. Não queria perder um segundo daquilo _
Você me fez perder o juízo, sabia? _ sua voz era rouca e muito baixa. Os pelos do meu
corpo se eriçaram com o som. Mordi a boca _ Você é meu tormento, Bella. Minha falta
de paz, de sossego ... não existe nada pra mim quando estou longe de você.
Tenho certeza que meus olhos brilharam mais do que deveriam, mas não me permiti
chorar. Travei a garganta, ouvindo dele tudo o que eu havia desejado ouvir ... com
tanta força, com toda a intensidade. Minha mão desceu lentamente pelo seu peito nu,
traçando um caminho suave até a barriga. Eu gostaria de ter descido mais e o
acariciado da forma que ele precisava. Mas seu corpo estava preso demais ao meu
para isso.
_ Você me enfeitiçou, Isabella Swan, e mal parece ter consciência disso _ sua voz
parecia sair com mais dificuldade, entrecortada pelas carícias que eu dedicava com
certa inocência _ Mas eu prometi _ ele tentou recuperar a postura e sorriu torto,
deixando minha pernas bambas _ que hoje não iríamos conversar _ foi a última coisa
que ele disse antes de começar a tirar minha camiseta.
Suas mãos deslizaram pelo meu corpo, acariciando minha barriga enquanto ele me
despia. Tentei ajudá-lo a tirar meu sutiã mas Edward não deixou. Não demorou nada,
também, e ele já havia se desfeito da peça, caída agora junto à camiseta aos pés da
cama.
_ Hmmmm _ comecei a gemer quando ele tomou um dos seios entre os lábios,
massageando o outro com a mão aberta. Meu corpo parecia palco de uma corrente de
eletricidade sem fim enquando ele lambia e chupava o mamilo enrijecido em sua boca
quente. Mordi o lábio por incontáveis vezes, quase a ponto de sangrá-lo. Enfiei uma
das mãos entre os seus cabelos forçando sua cabeça ainda mais contra o meu corpo,
enquanto a outra apertava o colchão com toda a força que eu ainda tinha _
Ed...Edward ... hmmm ... assim, vai ... _ eu suplicava, me contorcendo embaixo dele
para podermos chegar a um perfeito encaixe.
Quando isso aconteceu, senti um volume delicioso pressionar entre as minhas coxas
entreabertas e gemi com ainda mais satisfação.
Totalmente contra a minha vontade, Edward ergueu o corpo, ficando de joelhos entre
minhas pernas. Deixei que ele escorregasse, retirando-o com mais pressa do que de
costume. Solucei de espanto quando o short voou pelo quarto e ele espalmou de novo as
mãos sobre a cama, parecendo um tigre rastejando sobre o meu corpo até voltar à sua
posição inicial.
Seus olhos ardiam, seu corpo estava febril. Não mais do que o meu. Eu podia sentir
pequenas gotas de suor formando-se nas minhas têmporas e mal podia acreditar que
aquilo fosse possível. Tão rápido.
Novas Sensações
Edward olhava para mim, interrogativamente. À princípio, não entendi o motivo, mas
logo me recordei da nossa terrível noite na antiga residência dos Cullen. Antes que a
imagem de Tanya se formasse em minha cabeça, eu concordei com a cabeça parecendo
desesperadamente ansiosa.
Senti-o abrir minhas pernas e, desta vez, fui o mais permissiva possível. Tentei não
pensar no abandono, na entrega que o ato em si implicava, mas era extremamente
difícil. Nunca fui muito boa em pertencer a alguém e, com Edward, as coisas
aconteciam depressa demais como num turbilhão.
Mas antes que o lado medroso da minha mente pudesse protestar, senti-o mordiscar
repetidamente a parte interna da minha coxa, provocando uma sensação gostosa em
todo o corpo como se estivesse anestesiado de repente ... um torpor tão intenso que
minhas pernas desabaram sobre a cama, sem forças.
Ele já não respondia, sorria ou se manifestava de qualquer forma diante das minhas
súplicas. Parecia concentrado demais em me experimentar de todas as formas que
pudesse.
Edward começou à lamber minha coxa, arrastando sua lingua virilha acima. A
sensação de torpor permanecia e agora eu era dotada de uma paz que beirava a
inconsciência. De olhos fechados - eu finalmente havia me rendido -, a cabeça pendida
para o lado, a boca entreaberta... eu respirava com dificuldade, gemendo, pedindo,
arfando por ele.
Quando ele chegou aonde desejava, eu me abri ainda mais, sem o menor pudor desta
vez. Havia uma sede em mim, uma necessidade crescente que nunca havia estado lá
antes, como um fogo adormecido que agora se manifestava com firmeza, sem chances
de ser detido.
Minha mão agarrou seus cabelos, impelindo seu rosto ainda mais entre minhas pernas.
Mas Edward não cedeu e apenas continuou brincando com os lábios entre minhas
pernas, me deixando louca. Minha intimidade, ainda coberta pela calcinha fina,
derramava um liquido quente enquanto eu voltava a chamar seu nome, desesperada.
Ele não esperou uma nova permissão. Sua boca pousou sobre o osso do meu quadril e
os dentes roçaram a tira fina da minha calcinha, puxando e soltando em seguida. Soltei
um gemidinho de dor quando o elástico voltou sobre a pele mas seu sorriso apenas se
alargou. Logo ele voltou a puxar a calcinha entre os dentes, mas quando a pressão
terminou, a tira fina e delicada havia se desfeito em sua boca.
_ Espero que me perdoe por isso _ ele disse com sua voz rouca e soltou um riso baixo e
deliciado. Logo após seus lábios recairam sobre o meu sexo, começando a chupá-lo
com voracidade.
Sua lingua era quente, macia. Meu corpo inteiro estremecia enquanto Edward me
deliciava, chupando com vontade, sem receio ou hesitação alguma. Segurei com as
duas mãos nas bordas da cama, separando as pernas o suficiente pra que ele
continuasse o que estava fazendo ... e não parasse.
_ Não... n-não pára... n-não... _ eu supliquei, os olhos fechados com força, mordendo
lábio inferior de forma desesperada. Eu apenas o ouvi rir baixo, a voz rouca e musical
interrompida quando ele voltou à me chupar.
Senti ele mordiscar devagar, beijar, sugar. Minhas mãos procuraram seus cabelos,
instintivamente, e eu o empurrei ainda mais para o meu centro. Ele não se recusou.
Intensificou ainda mais as carícias, usando dois dedos para prolongar ainda mais o
meu prazer. Enquanto seus lábios roçavam de leve agora pelo meu clitóris, provocando
uma eletricidade deliciosa que me incendiava, seus dedos me penetraram com força, me
forçando a jogar o corpo para trás, empurrando a cama.
Desejo e Realidade
_ Edward... hmmm... Edward... _ seu nome invadia os meus lábios com mais frequência
do que o normal _ Oh, sim... isso...
Com uma das mãos afastei meu cabelo molhado da testa. Eu transpirava muito mas
estranhamente não me sentia cansada, apenas... afogueada. Meu rosto devia estar
corado, na certa, porque as minhas bochechas pegavam fogo. Assim como cada uma
das outras partes do meu corpo.
Senti a umidade entre as minhas pernas aumentar a tal ponto que era capaz de sentir os
dedos dele escorregaram para dentro e fora de mim sem nenhum tipo de resistência.
Meu corpo se contorcia de maneira frenética mas a boca de Edward não me deixava
por um segundo sequer, sugando com mais força do que antes e provocando espasmos
mais fortes que me sacudiam sobre a cama.
_ Ahh! Isso, Edward! Oh! _ eu voltei à gritar e, desta vez, nem mesmo passou pela
minha cabeça que alguém na casa pudesse escutar os meus pedidos ou as minhas
ordens.
Edward continuou os movimentos, os dedos indo e vindo agora com menos intensidade,
a língua esfregando meu clitóris em uma massagem gostosa e contínua até que eu
prendi a respiração. Uma onda de prazer mais intensa sacudiu o meu corpo e eu soltei
um longo gemido, fechando as minhas coxas em torno do seu rosto, extasiada.
Ele apoiou-se sobre o cotovelo, me olhando com atenção até que virei o rosto na sua
direção. Demorei alguns segundos antes de pensar em algo para dizer, e Edward
aguardou meu silêncio que parecia interminável.
_ Eu... hmmm... bom, você sabe _ sorri e fechei os olhos, com um pouco de vergonha.
Ele então, gargalhou alto, puxando meu corpo para que eu deitasse sobre o seu peito.
Se havia algo tão bom que pudesse ser comparado ao sexo com Edward Cullen, era
ficar em seus braços em seguida. Eu em sentia pateticamente segura e protegida. E
embora não tivesse recebido um "eu te amo" com todas as letras, me sentia muito
amada também.
Passamos o resto da noite assim, abraçados e sorrindo muito mais do que o normal. Os
problemas haviam sido momentaneamente esquecidos, como se houvéssemos assinado
um tratado de paz onde as duas partes deveriam aproveitar ao máximo toda a
calmaria... antes da certa tempestade. Sacudi a cabeça de leve tentando afastar o
último pensamento. Edward percebeu pois seu corpo enrijeceu de imediato, mas não
deu sinais de quem gostaria de conversar assuntos sérios. "Ótimo, também não quero",
decidi comigo mesma apertando-o com mais força entre os braços.
Seu peito nu reluzia, transpirando de leve. A pele branca era rosada com todo o calor
que havia atravessado o seu corpo... repetidas vezes naquela noite. Eu devia estar em
iguais condições. Sentia o cabelo grudando na testa e de novo um sorriso bobo brincou
nos meus lábios. Meus pensamentos foram interrompidos por uma batida na porta do
quarto. À contragosto, Edward me afastou gentilmente e se encaminhou para a porta,
com o lençol da cama enrolado na cintura.
_ Hmmm, odeio interromper... mas você tem visitas. Aquelas visitas _ ouvi a voz
melodiosa de Rosalie do outro lado da porta e percebi os músculos das costas de
Edward se enrijecerem.
_ Nada demais. Fique aqui, eu já venho _ sua voz era casual, quase despreocupada.
Eu fiquei observando e, aos poucos, sua aparente máscara de calma e frieza foi se
dissolvendo. Os ombros estavam tensos e ele se irritou a ponto de se atrapalhar para
colocar a camisa. Edward não se atrapalhava nunca. Ele era controlado e consciente
demais para isso. Ou era o que eu julgava até esse momento.
_ Não saia, Bella _ ele repetiu a ordem e, dessa vez, não havia nenhuma casualidade
disfarçada ali. Depois, saiu do quarto batendo a porta furiosamente atrás de si.
Depois de cinco minutos ele não havia retornado ao quarto. O tempo parecia quente,
realmente abafado ali dentro. A umidade fora de limite. Sem perceber de início, havia
começado à bufar, a ansiedade e a curiosidade crescentes. Já tinha definitivamente me
cansado de tamborilar os dedos na lateral da cama, e também já havia decorado a
quantidade de fotos na moldura da parede e nos porta-retratos.
Me sentindo tola e infantil, saí da cama e vesti minhas roupas às pressas. Edward não
podia me dar ordens, não mesmo. Nem namorados nós éramos, de verdade. Quem ele
pensava que era para querer me trancafiar em seu quarto enquanto ele, obviamente,
estava travando interessantes conversas em outro cômodo da casa com suas visitas?
Pensei no rosto de boneca de porcelana de Tanya, tão delicado que eu tive o impulso de
quebrar com um soco. Seu sorrisinho cruel, seu sorrisinho falsamente inocente, seu
sorrisinho malicioso. Mil sorrisos, todas aquelas facetas... ela me aborrecia de fato,
mais do eu gostaria de admitir. E no entanto, Edward era tão complacente com ela... e
eu nem ao menos podia entender o motivo de toda aquela super-proteção. Os
problemas de Tanya eram os problemas dela, droga! Ao menos para mim. Mas
certamente não para ele. Na cabeça de Edward, os problemas de Tanya também eram
dele.
Enquanto descia as escadas, procurando ser o mais silenciosa possível, tentei imaginar
que outro tipo de segredo ele poderia estar escondendo de mim.
Visitas em Casa
Não precisei chegar até à sala para identificar os donos das vozes no cômodo. Havia
Edward, claro, com um tom baixo e frio mas longe de ser tranquilo. Ele era o que mais
falava, e embora não fosse possível escutar muito do que dizia, eu podia jurar que não
estava exatamente satisfeito com a visita.
Havia também, e isso me irritou mais do que eu desejaria de fato, a voz estridente e
desagradável de Tanya, que pedia calma e relinchava que tudo se resolveria
rapidamente, que não precisavam se indispor por sua causa. Pela entonação de voz,
percebi que uma indisposição de Edward por sua causa era tudo o que ela gostaria. Ah,
mas nem sonhando, filha...
_ Acho que vocês podem sair, agora _ Edward falou em um tom de voz perfeitamente
compreensível pra mim, desta vez. Espiei mais uma vez. Seus braços estavam cruzados
sobre o peito, e os olhos haviam se estreitado até se transformarem em duas pequenas
fendas.
_ O Cullen vai resolver tudo. Não vai, Cullen? _ parecia mais uma afirmação de
Cameron do que uma pergunta. Eu engoli em seco. Não ouvi resposta. Edward deveria
ter sido monossilábico ou mímico. Ou simplesmente se recusara a responder, o que não
me surpreenderia de fato. Ele podia ser a pessoa mais linda e dócil do mundo, mas seu
mau-gênio quando aparecia também era incontrolável.
Foi só quando eles estavam deixando a sala, que eu percebi que não havia tempo para
subir as escadas novamente, sem ser vista. Da posição em que se encontravam, eu não
podia fugir para qualquer outro cômodo. Podia fingir estar chegando naquele
momento, mas nada impediria o meu confronto com Cam.
Os olhos de Cameron recaíram sobre mim tão logo chegaram aonde eu estava. Nem
Edward, nem Tanya. Ele foi o primeiro a me notar, ainda encostada na parede, fazendo
o possível para manter minhas pernas firmes. Eu estremeci.
_ Ei, gatinha escondida ... com o rabo de fora! _ ele soltou uma risada rouca, me
fitando com os olhos azuis e gelados. Seus cabelos louros estavam ainda mais curtos,
quase raspados, e a barba por fazer lhe concedia uma aparência mais do que
apropriada. Quase um clichê. Mas não era. Sua boca era fina e delicada, e seu tom de
voz tinha uma educação invejável. _ Isabella, Isabella ... é isso, não? Ou prefere Bella?
Eu acho que sim. Estou certo?
Não respondi, mas também não tirei os olhos dos dele. Nem se eu quisesse, poderia.
_ Bella, você precisa escolher melhor suas companhias _ ele olhou de canto para
Edward, debochadamente, e depois passou um dedo pelo meu queixo. _ Uma menina
tão linda ...
Amar Sozinha
_ Me desculpe por isso. Eu sinto muito _ a voz dele estava rouca enquanto acariciava
minha bochecha com o polegar macio. Pude ver toda a tristeza e a dor nos seus olhos e
aquilo me incomodou mais do que eu imaginei que um dia fosse capaz. Edward agora
era parte da minha vida. Uma parte tão importante que eu não poderia cogitar viver
sem ela.
_ Não se preocupe. Não doeu tanto assim _ eu brinquei, esfregando a cabeça, embora
soubesse que Edward falava extremamente sério.
_ Você não precisa passar por isso, Bella. Eu estou sendo muito egoísta por manter
você ao meu lado, mas você não tem que passar por isso. Você não deve nada à mim _
as palavras saíram com uma rapidez alarmante, como se estivesse cospindo um veneno
mortal para fora de si.
Apesar de entender perfeitamente que ele tentava me afastar dos seus problemas me
dando a opção de cair fora, não pude deixar de sentir uma pontada de tristeza pelas
suas palavras. Você não deve nada à mim. E era verdade. Nós nem ao menos tínhamos
um relacionamento sério e eu, provavelmente, era apenas uma paixão passageira para
ele como tantas outras. Talvez menos do que isso.
_ Não vou me afastar _ procurei manter a firmeza no tom de voz embora minhas mãos
tremessem um pouco caídas ao longo do corpo. _ Pode esquecer se pensa que vai se
livrar de mim assim tão facilmente, Edward Cullen. Vai precisar fazer melhor do que
isso _ apesar do desgosto dentro do meu peito, consegui simular um meio sorriso.
Edward sorriu de volta mas sua expressão era indecifrável. E eu sabia que ele não
estava sorrindo por dentro.
Rose tinha um sorriso gigantesco nos lábios, enquanto Alice cultivava um ruga de
preocupação no meio da testa.
_ Foi tão... mágico! _ Rosalie berrou assim que eu desliguei o telefone. Desviei os olhos
para Alice, fingindo que não sabia do que ela estava falando.
_ Foi nojento, isso sim _ Alice resmungou. _ Vocês são dois animais, sabia?
_ Ah, Alice... quando você trouxe o Jake aqui, naquela noite... _ Rose começou a dizer
mas sua irmã a silenciou com um olhar de censura. Nós três estávamos sentadas na
cama e tudo o que eu queria era encerrar o assunto para correr aos braços de Edward
novamente. Mas me senti na obrigação de ser gentil com minhas duas únicas amigas,
por mais que me custasse.
_ Não vou contar _ Alice cruzou os braços e depois abriu um sorriso de canto cheio de
malícia. _ Mas você pode experimentar se estiver mesmo tão curiosa quanto parece. O
Jake está inteiramente disponível agora, e muito ansioso pra ser seu. Pelo tempo que
você quiser.
Não me dei ao trabalho de responder e acho que ela compreendeu o meu silêncio.
Ficamos conversando por bastante tempo até que as duas saíram do quarto, cada uma
com um destino diferente.
Edward ficou ausente durante o resto do dia. Eu duvidava de que estivesse tentando
resolver as coisas com Cam depois do confronto daquela manhã. A opção de que
estivesse com Tanya voltou à assombrar a minha mente mas eu logo a rejeitei. Não
queria pensar em Tanya naquele momento. Não queria pensar nela nunca.
Quando ele voltou para casa, já era noite. Carlisle e Esme ainda não haviam retornado
da viagem. Rose e Alice tinham saído há quase uma hora para encontrar os meninos -
proposta que eu recusei imediatamente. Os planos de Alice com relação à Jake eram
um tanto egoístas, e eu duvidava de que ele fosse aceitar a situação sem se magoar
embora eu jamais fosse propor aquilo à ele. Não havia nada mais claro na minha
mente naquele momento. Nunca houvera em toda a minha vida. Eu amava Edward, o
amava desesperadamente, como se minha vida dependesse apenas do ar que ele
respirava. Já não me incomodava tanto o fato de ele não me amar da mesma forma
porque ainda assim eu o amava. Por mais errado e idiota que fosse, eu o amava por
nós dois. E não ficaria de braços cruzados enquanto ele sofria em silêncio, carregando
sua cruz e a de quem mais viesse atrás sem reclamar.
Mas eu também não era nenhuma imbecil. Sabia que não havia muito o que pudesse
fazer quando um cara perigoso como Cameron estava envolvido.
Então, quando Edward chegou em casa - e já havia passado ligeiramente das 22 horas
-, fechei a porta do meu quarto e rumei para o seu, sem fazer nenhum ruído ou alarde.
Hora da Verdade
Não demorou mais do que três minutos. Quando a porta do quarto abriu, meu coração
passou de batidas aceleradas à um silêncio total. Em poucos segundos - assim que
voltou à bater e o sangue fluiu de volta ao meu rosto -, dei um salto da cama e corri na
direção de Edward, envolvendo-o com força entre os braços.
_ Edward, o que aconteceu?! _ eu o soltei assim que ele gemeu, cada pedacinho do seu
corpo protestando contra o meu abraço apertado.
_ Hmm... aconteceu que você tá me machucando, Bella _ ele fez piada, mas havia um
vinco firme em sua testa que desmentia seu senso de humor.
_ Edward, o que houve? _ repeti minha pergunta com o máximo de calma que podia.
Afaguei seu cabelo sem saber o que realmente devia fazer. Ele apenas sorriu de canto e
deu de ombros.
_ Me meti numa briga, só isso. Mas acho que eles saíram ganhando.
_ Eles?! _ cheguei mais perto de Edward, ainda de pé mas entre suas pernas. Seu rosto
lindo estava deplorável, e um gemido escapou dos meus lábios quando vi o corte em
sua boca de onde se derramava aquele filete de sangue. Quanta crueldade! Só animais
poderiam ter feito aquilo.
_ Hmm. Não foi nada, só um desentendimento. Eu já disse, Isabella Swan _ seu tom de
voz era de zombaria e ele conseguiu sorrir apesar de estremecer com o esforço, logo
em seguida.
Coloquei as mãos sobre os seus ombros devagar, sem saber se era uma boa idéia. Pelo
menos, ele não se retraiu com o toque.
_ Foi Cameron quem fez isso, não foi? _ Edward observou a expressão séria do meu
rosto quando eu perguntei, e pouco depois o pânico tomou conta de mim quando ele
resolveu desabafar a verdade.
Eu não esperava mesmo que um dia fosse descobrir seu segredo, que um dia Edward
fosse confiar em se abrir comigo. Quando ele acabou de falar, eu queria que não o
tivesse feito.
E à julgar pelo modo como me olhava, queria mesmo que eu desse sua sentença.
Aconteceu o que eu temia. Tudo o que ele me dissera à respeito de Cam e Tanya não
era absolutamente verdade. E enquanto me contava os fatos reais, o que deveria ter me
dito desde o começo para que eu soubesse aonde estava me metendo, meus olhos se
arregalavam de espanto. Meus dentes mordiam meus lábios desesperadamente, a ponto
de dilacerá-los se permanecesse assim.
Como ele poderia, como?! Se a história era exatamente como ele desvendava diante
dos meus olhos incrédulos, Cam e Tanya não eram os únicos culpados. Não, não... eu
mal conseguia pensar daquela forma e jamais poderia aceitá-la. Edward, o meu
Edward, fazendo parte daquela gente sem caráter?
_ Foi há muito tempo _ ele se desculpou e seus olhos fitavam os meus como se
buscassem anestesiar meu espanto. _ Eu estava meio... confuso... meio perdido, Bella.
Nunca fui um cara muito tranquilo, muito pacífico. Nunca me conformei em ficar em
casa, assistindo tv ou jantando com a familia enquanto as coisas de verdade
aconteciam lá fora. E... bem... aí veio o Cameron, com tantas promessas de diversão
que um cara como eu não poderia recusar. E eu fui, eu... simplesmente fui, sabe?
Aquela não era a parte da história que mais havia me angustiado. Era apenas a ponta
do enorme iceberg que eu tive que enfrentar.
_ Você e a Tanya... juntos? _ eu não pude formular a frase inteira. Minha garganta
estava ressecada, impossível engolir _ Por quanto tempo?
_ Meses... alguns. Não sei ao certo. Foi uma época bem doida, sabe? _ Edward parecia
olhar através de mim quando respondeu. Seus olhos estavam vazios, sem expressão,
mas eu desconfiava que ele enxergava alguma coisa que eu não conseguia. Em sua
mente, era provável.
_ E o seu envolvimento com o Cam? Ele só... vendia pra você? _ eu me esforçava para
questioná-lo, tentando ser compreensiva e racional, mas uma parte do meu mundo
parecia estar sendo roubada enquanto Edward me contava aquelas coisas. E por mais
que eu quisesse saber sobre sua vida, ser parte dela, eu me sentia incrivelmente
frustrada por estar descobrindo que ele não era o homem perfeito que eu havia
imaginado.
_ Não _ ele confessou, parecendo mil vezes mais deprimido do que eu. O
arrependimento era visível em seu rosto quando me olhou novamente. _ Eu vendia pra
ele.
Alice havia me garantido que não havia dificuldade em conseguir passagens para fora
de New Orleans, se saíssemos bem cedo de casa. Naquele momento, enquanto eu me
despedia silenciosamente do quarto que me abrigara nos bons e maus momentos, ela se
preparava para me levar ao aeroporto. Tão rápido quanto possível.
Olhei para as paredes do quarto, me sentindo realmente perdida. Sabia bem para onde
ir agora - próxima parada: casa da familia monstro Swan, o que era melhor do que
nada -, mas aquilo não tornava as coisas mais fáceis.
Relembrei a conversa com Edward na noite anterior. Seu rosto sombrio, seus olhos
tristes... que pareciam conter um infinito de amargura e desilusão. Certamente por si
mesmo, seu passado torto. Eu mesma me sentia assim, mas não era capaz de ficar ao
seu lado quando o reprovava inteiramente. Agora que Edward perdera a máscara de
Homem Perfeito, eu me sentia totalmente sem rumo, sem chão. Não estava em
condições de dar apoio a ninguém quando tudo o que precisava era de alguém em
quem me apoiar.
Quando cheguei ao carro, Alice já estava no volante, parecendo mais triste do que
ansiosa em ver a distância que eu tomaria do seu irmão. Seus olhos pareciam dizer: "eu
avisei. Pedi que não chegasse perto dele. Eu disse o quanto ele era tóxico e cheio de
problemas insolúveis".
Rosalie estava no banco de trás do carro e abriu a boca com a intenção clara de me
dizer para ficar, mas a irmã silenciou-a com um olhar de reprovação. Franzi a testa
mas me virei para a frente, pensando em como era estranha a relação entre os Cullen.
Alice era capaz de controlar os impulsos de Rose com apenas um olhar, e cada uma das
duas nutria um sentimento diferente pelo irmão mais velho embora não soubessem de
fato tudo o que ele havia aprontado no passado. Tentei me desligar de tudo aquilo no
caminho mas era muito difícil. E eu sabia que nada na minha vida seria fácil dali em
diante.
_ Eu não posso, Rose _ suspirei, olhando por cima dos seus ombros e torcendo pela
volta de Alice. _ Isso tudo é demais pra mim, me desculpa. Mas nós vamos nos falar
sempre, eu prometo. Eu ligo pra você.
_ E o Edward? O que eu digo pra ele quando acordar e perguntar por você? _ Rosalie
perguntou, ansiosa, os olhos brilhando como se estivesse prestes à chorar. E eu sabia
que ela seria mesmo capaz de uma cena daquelas no aeroporto.
_ Bem, eu não acho que ele vá perguntar mas se fizer isso... bem, então... diga à ele que
eu lamento muito _ foi tudo em que eu consegui pensar, porque o mais importante eu só
poderia dizer à ele, sem intermediários. Então, acrescentei: _ Rosalie, preciso que
cuide do Edward.
_ Só cuide dele, está bem? Ele precisa da familia, precisa de você _ observei ela
assentir com a cabeça, hesitante.
_ É a Tanya, não?
_ Bells, eu amo você. Tenho que pedir de novo pra você ficar... por favor! _ Rosalie
segurou minha mão, os olhos suplicantes.
Eu suspirei pesarosa. Sua amizade seria uma perda imensa para mim e eu mal podia
acreditar que estava dando um fim em minha vida em Nova Orleans, cercada de amigos
e uma familia de verdade para me juntar à familia monstro novamente. Sentia saudades
dos meus pais mas sempre que me lembrava do consumismo exarcebado e da vidinha
de aparências, a saudade escoava pelo ralo mais próximo. Eles eram bons mas apenas
quando eram eles mesmos, o que raramente acontecia.
_ Rose, adoro você... não sei como vou conseguir viver sem a sua alegria e a sua força
de vontade, sabia? _ puxei sua mão e a abracei com força, sentindo-a retribuir com
todo o carinho que sentia. Uma menina doce, linda, apaixonada pela vida... e um pouco
alheia aos problemas reais, sua característica que eu mais apreciava e invejava
ultimamente.
_ E como eu vou viver sem o seu silêncio, hein? _ Rose fez piada mas eu percebi,
mesmo sem conseguir uma visão do seu rosto, que ela já estava chorando.
Dizer Adeus
_ Hmm. Tem certeza do que está fazendo? _ eu me espantei com a pergunta, porque
estava saindo dos lábios de Alice e não de Rosalie.
_ Ãhn, sim. É claro... é o melhor nesse momento. Eu não sou o que Edward precisa.
_ Não, Bells. É que ele não merece você, droga! _ ela me olhou nos olhos e não sei o
que viu lá dentro mas, após um instante, franziu a testa e sacudiu a cabeça em uma
negativa _ Ah, merda... você ama mesmo aquele estúpido, né?
Estreitei os olhos, pensando em uma forma convincente de negar sua última afirmação.
Tudo o que eu não precisava naquele momento era sua pena, mas queria mesmo o seu
apoio.
_ Ela ama o Edward, Alice! Eu-já-disse _ Rose disse por sílabas como quem explica
algo à uma criança teimosa. Ela própria estava de braços cruzados, parecendo uma
menina birrenta.
Alice massageou as têmporas com as pontas dos dedos, os olhos cerrados. Fiquei
confusa, achando que estivesse com uma dor-de-cabeça repentina, mas logo ela abriu
os olhos e surgiu em seus lábios o sorriso de canto típico dos Cullen.
_ Você não é nem um pouco inteligente, Bells. Devia fugir dos problemas... e não
correr para eles.
_ Ah, Bells! Eu não queria que fosse assim, eu juro! Só Deus sabe como eu tentei
evitar... como tentei proteger sua felicidade do mundo caótico de Edward Cullen! _
Alice se exasperou, fazendo uma careta. Eu acabei rindo mesmo contra a vontade. _
Ele é como nicotina! _ ela berrou à beira da histeria.
_ Aham _ Rose concordou, com um um olhar apaixonado e um sorriso romântico nos
lábios _ Vicia.
_ Mas faz mal! _ Alice corrigiu, os olhos arregalados para a irmã. Depois olhou para
mim como quem se desculpa por algo _ Mas você gosta dele mesmo assim? Destruindo
seus pulmões e formando um câncer?!
Foi quando Alice me surpreendeu pela segunda vez em menos de dois minutos,
agarrando meus braços e sacudindo com força.
_ Então, o que está fazendo?! Volta com a gente, droga! _ ela gritou enquanto eu a
observava, incrédula. O que diabos deu nela?!
_ Pensei que você fosse totalmente contra... _ as palavras podiam ter saído da minha
boca, mas eu continuava em choque pela mudança de time de Alice. Era Rosalie quem
interrogava a irmã, tão surpresa quanto eu _ O que aconteceu com a sua aversão por
Beward?
_ Hmm. Eu não gosto da idéia de Bella sofrendo por amor, mas se é pra sofrer de
qualquer jeito... _ Alice também deu de ombros e não completou a frase. Me pareceu
uma perspectiva bem pessimista, mas pelo menos ela estava tentando, não?
_ Eu sinto muito, meninas. Sinto mesmo... não queria ter que perder você ou... deixar
Edward para trás _ lamentei, sentindo os olhos começarem à lacrimejar. A atmosfera
de despedida não ajudava em nada a minha hipersensibilidade, afinal.
_ Se é por Tanya... tenha certeza de que Edward não suporta mais aquelazinha! Nem
sei por que ele não chuta ela de uma vez... aff! _ Alice defendeu o irmão pela primeira
vez, e ficou subitamente corada. Não era seu costume, de jeito nenhum.
_ Ah, Alice! Rose! _ joguei meus braços em volta das duas, puxando-as para um abraço
triplo cheio de saudades antecipadas _ Vou sentir falta de vocês!
E eu soube que uma vez que havia pensado em deixar New Orleans, não podia mais
voltar atrás naquela decisão.
Dor e Redenção
Rosalie segurou meu braço assim que me virei na direção da pista de decolagem, me
obrigando a ficar. Franzi a testa, a encarando seriamente preocupada com sua reação
exagerada.
_ Você tem que ir mesmo, agora? _ ela perguntou com olhar suplicante _ Não pode
ficar só mais um pouquinho?
_ Por que, Rose? Eu vou ter que ir mesmo... _ eu sorri amarelo, completamente triste.
Estava aprendendo o significado da expressão odiar despedidas.
_ Eu sei, mas quero ficar com você o máximo possível antes. Nós queremos... não é
verdade, Alice? _ ela olhou para a irmã, como que pedindo ajuda.
_ Ela tem razão, Rosalie. Se tem que ir... deixe-a ir, ora essa! _ Alice olhou para mim,
sorrindo de canto, mas parecendo imensamente infeliz _ Vou sentir sua falta, Bells.
Você me acostumou com a idéia de ter duas irmãs... e isso não se faz.
_ Só mais um pouquinho, Bells... _ a voz dela saiu baixa, quase um sussurro, enquanto
o aperto em meu braço começava a ficar mais forte e incômodo.
_ Rose, pelo amor de Deus, o que está acontecendo?! _ Alice resmungou, exasperada.
Abri a boca e esperei que saísse alguma coisa dela mas, àquela altura, eu ja devia
imaginar que minha garganta estaria ressecada e áspera como uma lixa. Além disso,
havia aquele famoso nó bloqueando as palavras e até mesmo a respiração. Meus olhos
estavam imensos, sem exagero nenhum, e sabia disso pela forma como o globo ocular
se esticava, quase encobrindo a pálpebra.
Ele estava ali, Edward. O meu Edward. E aquele minuto em que se aproximava
lentamente de mim, como um anjo dos céus selando o meu destino, pareceu
inacreditavelmente longo.
E torturante.
_ Hm. Acho melhor a gente dar o fora daqui _ a voz de Rose não me tirou do transe,
mas foi suficientemente clara para se fazer escutar. Eu pisquei uma vez e voltei ao
estado de completa letargia.
_ Tá _ Alice respondeu, ainda um pouco hesitante. _ Er... Bella... vai ficar bem na
companhia da reencarnação do mal?
_ Alice! _ Rose repreendeu com uma voz surpreendentemente grave e Alice gemeu alto.
Provavelmente, a repreensão havia sido seguida de severa punição física.
Eu não respondi e logo as duas deram as costas, caminhando para longe de mim.
_ Você veio _ as palavras não faziam jus ao momento, mas foi tudo em que consegui
pensar diante dele. Afinal, minha voz ter saído, contrariando todas as expectativas, já
era mesmo um milagre.
_ Sim, fiquei _ cruzei os braços, assumindo postura defensiva. _ Não dá pra entender...
você veio se despedir de mim?
Razão e Emoção
Demorei um instante para absorver seu convite. Ou intimação, como soava. Edward
continuou me encarando, os olhos inseguros, os lábios entreabertos. Ele aguardava
minha resposta. Não... ele ansiava por ela. E, mesmo assim, eu sabia que devia partir
sem olhar para trás. Só não sabia como dizer isso à ele.
_ Bella, me escuta, por favor. Tem uma coisa que eu quero dizer a você. E depois...
depois, se você quiser ir embora, se quiser me deixar... eu não vou impedir.
_ Não vai? _ questionei, escondendo uma pontada de decepção que me atingiu direto
no peito.
Quando ele disse isso, a última chamada para o meu vôo ressoou pela sala de
embarque.
Movendo a cabeça, encontrei Alice e Rosalie do outro lado da imensa sala, roendo as
unhas enquanto assistiam nossa pequena simulação de telenovela. Pelo sorriso
cúmplice da loura, eu tinha absoluta certeza de que ela havia conspirado com o irmão
para me surpreender naquele aeroporto. Até por que Edward nem imaginava que eu
estava partindo.
Então, ele levantou os óculos e os pousou no alto da cabeça, levando com eles alguas
mechas dos cabelos cor de bronze. Seu olho esquero estava roxo e inchado, embora não
houvesse qualquer sinal visível do corte na boca.
_ Eu não posso te prender aqui _ ele disse, contraindo os lábios em uma máscara de
desgosto, os olhos presos aos meus.
Os passageiros do vôo passaram por nós, apressados, esbarrando com suas bagagens,
enquanto eu tomava uma decisão.
_ Edward... _ respirei fundo, soltando o ar pela boca com uma irritação crescente _ o
que você pode me dizer que eu já não saiba? Você me enganou. Me fez pensar que era
vítima daquela... daquela gente suja... e agora eu sei que você não era nada mais do
que cúmplices deles! Você... _ as palavras que saíam da minha boca me causavam
nojo, porque pela mente dançavam as imagens mais desagradáveis. Sujas. _ Você
vendia drogas para o Cam. Você traficava pra ele. Um garoto rico, mimado... com
dinheiro pra ter tudo o que desejasse e, mesmo assim, apelou pra um caminho tão
imundo... só por prazer.
_ Ela não é mais nada pra mim _ ele se defendeu e parecia estar sendo sincero. _ Mas
eu me sinto responsável, vê se entende. Ela já usava drogas antes de me conhecer, mas
foi quando estávamos juntos que ela ficou devendo ao Cam. Eu devia ter controlado a
situação e ajudado ela, mas não fiz nada. Pra mim, na época, era tudo muito natural. A
gente não tinha limites. Cameron disse que vai matá-la se eu não pagar a dívida que
assumi em nome dela.
_ É só isso?! Não minta pra mim, Edward _ eu não pedi, ordenei. Assim como ele era
exigente, havia chegado o momento de eu me impor também. De igual para igual, era
assim que deveria ser. _ Quando nós dormimos os três na casa do farol, naquela noite
em que o Cameron ameaçou aquela ordinária... quando você e eu discutimos porque eu
não quis que você fizesse... sexo oral em mim _ estupidamente, não pude deixar de
corar ao mencionar o fato _, você foi atrás dela, Edward?
_ Você me ouviu muito bem _ retorci os lábios em desagrado. _ Ela agradeceu pela
noite maravilhosa que vocês passaram, eu ouvi muito bem antes de você acelerar o
carro e nos levar de volta pra casa.
_ É por isso que você quer partir? Por isso?! _ Edward parecia cada vez mais
incrédulo, e eu nem me dei ao trabalho de responder. Não sabia como deveria
interpretar aquilo. Será que ele queria dizer que uma transa sem compromisso não
significava nada?
Então, para o meu espanto, ele começou à rir. Alto. Uma gargalhada nervosa.
Aos poucos, ele parou de rir e começou à analisar minha expressão cuidadosamente.
Percebeu que eu estava magoada, muito ofendida. Aí, seus olhos se tornaram mais
sombrios enquanto seu sorriso se atenuava. Então, lá estava ele: meu sorriso torto
preferido. Neste caso, um sorriso que não mostrava deboche ou malícia alguma, apenas
o carinho e compreensão que eu desejava que ele sentisse por mim.
A Decisão
_ Estou rindo porque você é a menina mais linda que eu já vi em toda a minha vida,
Isabella Swan _ seu sorriso me colocava em transe, meu coração doendo dentro do
peito e a respiração quase impossível. _ Linda... e ingênua.
_ Tanya faria e diria qualquer coisa para nos separar, minha linda _ ele declarou,
tocando com o dedo indicado a ponta do meu queixo e ficando absolutamente sério
antes de prosseguir _ Mas eu nunca faria nada que magoasse você.
Meu coração pareceu explodir dentro do peito. E eu não sabia se por felicidade, alívio
ou medo do que aconteceria comigo se perdesse Edward. Talvez fossem os três motivos
juntos. Eu não sabia como agir ou o que dizer. Apenas sabia que indo embora jogaria
fora todas as minhas chances de ser feliz.
_ Então...? _ murmurei feito uma boba, querendo que ele desmentisse as palavras
imundas daquela vadia miserável. Meu ódio por Tanya estava crescendo tanto nos
últimos dias que eu não duvidava nada que pudesse abrir um buraco dentro de mim.
_ Então, naquele dia, eu fui para o farol _ Edward esclareceu, acariciando meu cabelo
com os dedos. _ Estava chateado por você não ter me deixado fazê-la feliz do jeito que
eu achava que você merecia. Eu queria te tratar como a princesa que você é, mas você
fugiu de mim. E, naquele momento, confiança era tudo o que eu precisava, Bella. Você
devia ter me contado suas suspeitas antes pra que eu pudesse ter esclarecido as coisas
_ ele suspirou pesaroso, mas depois sorriu de leve. _ Me perdoe por ter deixado você
duvidar do que eu sinto? Por favor?
Naquele momento, meu coração parecia estar sendo jogado de um lado para o outro
dentro do peito. Minha cabeça ainda raciocinava, confusa, mas eram os meus
sentimentos que falavam mais alto. Mas mesmo com todo o amor que eu sentia por
Edward, havia uma coisa que não queria se apagar.
_ Você fez coisas que... meu Deus! Por que você fez o que fez, Edward? _ perguntei,
consternada. _ Tudo o que você tá passando agora é consequência das idiotices que
você fez! Por que sujou a sua vida desse jeito, por que?
_ Eu sei, Isabella, mas você não pode compreender? Foi uma fase ruim... só isso.
Acabou, é sério. Eu deixei isso pra trás... você não pode fazer o mesmo? Não pode fazer
o mesmo por mim? Você é o que me aconteceu de mais importante... eu mudei por você,
Bella. Eu mudei por você.
Meus olhos ardiam, ameaçando derramar uma torrente de lágrimas sem fim. Eu
precisava ser forte, mas estava descobrindo que estava cansada disso também. Minha
cabeça começava a doer e minha garganta fazia com ela uma dupla imbatível.
_ Não sei mais o que esperar de você. Não sei o que vai ser daqui pra frente _
confessei, ainda em voz baixa, como se admitir minha fraqueza e insegurança fosse o
pior de todos os crimes.
_ Não sei se eu sou a mulher certa pra você, Edward. Não sei se eu tenho coragem de
lutar ao seu lado... eu sou tão fraca.
_ Não precisa lutar, só... fique _ a voz dele saiu estrangulada, com uma emoção
evidente. _ Fica comigo, Bella, e permita que eu lute por nós dois.
_ E o que acontece depois, Edward? _ senti a primeira lágrima descer pelo rosto,
quente e traiçoeira. Logo viriam outras e, se eu pretendia partir, não podia esperar
mais um minuto sequer. Levantei as malas, segurando as alças fortemente entre as
mãos, procurando me agarrar à algo que fosse real e seguro.
_ Bella... _ ele me chamou, demorando toda uma eternidade para prosseguir. Tive
tempo de observar cada traço do seu rosto, cada traço que eu amava e dos quais
sentiria falta por toda a vida. Por que era tão dificil?! _ Você é a mulher ideal pra
mim... porque não há nenhuma outra, entendeu? Nunca existiu e nunca vai existir
nenhuma outra mulher que se encaixe na minha vida como você se encaixa. Bella...
Deus, eu nunca disse isto antes em toda a minha vida, mas... eu amo você. E se isso
não é o bastante... _ ele deu de ombros e sorriu com tristeza _ Então, eu não sei mais o
que dizer.
Tormento
Meu coração pareceu se partir diante das palavras dele. Se eu devia sentir uma grande
felicidade - e eu sei que devia, era um fato incontestável -, o que me invadiu foi uma
tristeza infinita, um sem número de por ques sem resposta.
Pude sentir os lábios tremerem, uma outra lágrima teimosa rolando do olho esquerdo
em direção à bochecha já umedecida pela sua companheira anterior. Inspirei o ar
devagar, em um gesto difícil. Até o ar parecia me faltar naquele momento, o peito
apertado e a cabeça zonza por conta de tantas confissões e súplicas de Edward.
Ele me amava, eu o amava. E por que isso não parecia ser o suficiente?
Engoli em seco, sentindo as outras lágrimas fluirem com facilidade - era o único ato
que ainda parecia fácil naquele momento -, e mordi o lábio inferior sem força alguma,
apenas tentando despertar daquele sensação de estar sonhando. E, em nenhum
momento, meus olhos se afastaram dos dele, que me queimavam com sua dor amarga e
sua esperança de redenção. Edward sofria, sofria muito. Talvez, se eu tivesse a chance
de apagar aquela dor... tudo voltaria a fazer sentido novamente... e todo o medo, a
angústia, todas as dúvidas se dissipassem.
_ Hm. Eu vou descobrir mais coisas sobre você? _ sussurrei para Eward no banco de
trás do carro, enquanto Alice dirigia quase tão rápido quanto era costume do irmão, e
Rose cantarolava, animada, ao lado dela.
Edward tinha um braço apertado em torno dos meus ombros, o queixo pusado no alto
da minha cabeça. Sua respiração era tranquila, regular, e me fazia questionar o motivo
de sequer ter cogitado sair de New Orleans... abandonar seus braços... seu corpo
quente apertado contra o meu.
_ Vou contar tudo o que você quiser saber _ ele respondeu no mesmo tom de
confidência da minha pergunta. Sua mão acariciou o meu ombro e, mesmo por cima da
blusa, senti o atrito contra a minha pele. Deus, que loucura. Pensar assim era uma
grande estupidez quando tínhamos coisas sérias a tratar, mas naquele instante...
sentindo sua pele provocando a minha, de forma tão desproposital e inocente, tudo o
que eu conseguia desejar era excitá-lo.
_ Tudo bem _ respirei fundo e me aninhei no seu peito, escutando as batidas aceleradas
do coração de Edward. Fechei os olhos. _ Eu confio em você.
Cheguei à residência dos Cullen com uma sensação indescritível de volta ao lar. Era
como se cada pedaço de mim reconhecesse o ambiente como a minha casa e aquelas
pessoas como minha familia. Um sorriso imediato estampou-se no meu rosto enquanto
entrávamos, e Rosalie pareceu entender o que se passava em minha mente.
_ Isso aqui é sua casa também. Seja bem vinda de volta _ ela disse, bagunçando o meu
cabelo e correndo escada acima.
_ Isso aí, Isabella Swan... nada de fugas, tá legal? Deixa isso pras mais aventureiras
como eu. Você é muito amadora, muito inexperiente, percebe-se _ Alice implicou, mas
estava sorrindo do mesmo jeito doce que a irmã, e também subiu as escadas depressa,
deixando-me a sós com o irmão.
_ Acho que elas não têm muito tato pra sair de cena _ comentei irônica quando me vi a
sós com Edward.
Ele segurou minha mão e me conduziu ao sofá, sentando-se nele e me puxando para o
seu colo. Eu me aninhei ali, e suas mãos acariciaram meus cabelos e pescoço enquanto
ele me fitava de um jeito sombrio e obscuro.
Dei um beijo em seus lábios, bem de leve, procurando trazer alegria de volta aos seus
olhos. Não funcionou. Edward parecia a mesma criatura atormentada que desabafara
comigo na véspera. Talvez uma versão pior, porque seu rosto agora transmitia uma
seriedade assustadora. Seus lábios estavam retorcidos em uma careta de desgosto e
seus olhos me fitavam, depressivos.
Tentei beijá-lo de novo mas, desta vez, ele foi mais rápido e abaixou a cabeça. Fiquei
sem saber que atitude tomar e meu rosto corou furiosamente. Quando Edward me
olhou de novo, tinha dois pontos de interrogação nos olhos.
_ Você sabe por que eu fiz isso, não sabe? Te buscar no aeroporto, impedir sua
partida?
Confirmei com a cabeça, sem ter certeza se a pergunta era retórica. Ele ainda me
olhava em silêncio, uma mar de confusão nos olhos cor de topázio, tão intensos que eu
poderia me afogar neles. Meus dedos correram pelo seu rosto, traçando a linha do
maxilar firme, a boca fina e bem traçada... queria beijá-lo de novo, mas me contive.
_ Eu amo você _ assegurei entre um suspiro de desespero, as duas mãos agora em volta
do seu rosto, como se eu quisesse forçá-lo a me encarar. _ Eu fui embora porque não
suportaria complicar ainda mais a sua vida, ser um... um peso extra. Mas eu amo você,
Ed. Entende isso, por favor.
Edward continuou a olhar no fundo dos meus olhos, mas sua expressão não se
suavizou. Ele tirou minhas mãos do seu rosto, me deixando completamente
desamparada. Saber que ele não queria que eu o tocasse, que eu o consolasse, era o
pior de todos os castigos. Talvez eu merecesse ser punida por tentar fugir, mas não
podia imaginar uma punição mais terrível do que estar diante de Edward sem poder
acariciá-lo. Era o mais terrível dos martírios e meu coração parecia prestes à sair pela
boca quando, enfim, ele falou novamente.
_ Eu não estou duvidando do seu amor, Bella _ sua voz era rouca mas intensa, e
minhas mãos estavam presas entre as dele do mesmo modo que nossos olhos estavam
presos um no outro. _ Eu estou duvidando de que tenha feito o melhor pra você, hoje.
Porque eu sei que é o melhor pra mim, estar junto de você, mas... Deus, eu só consigo
me perguntar o tempo inteiro, o quanto estou sendo egoísta! Porque se tivesse
permitido sua partida, tenho certeza de que você ficaria muito melhor sem mim.
Entretanto... sei que sem você, eu não seria nada.
_ Então, tem que me mostrar que falou sério... tem que me provar que é um homem de
verdade _ eu afastei minhas mãos das dele e cruzei os braços na frente do peito,
jogando todo o peso do meu corpo no colo dele. Suas mãos foram parar em torno da
minha cintura, me puxando para mais perto. Ele gemeu baixinho.
_ Não, Edward... _ eu sorri contra a vontade, percebendo sob que ponto de vista ele
estava compreendendo o meu ultimato. _ Nesse sentido, você já é o homem que eu
preciso.
Edward sorriu de canto e eu senti o desejo tomar conta de mim novamente. A vontade
irrefreável de beijá-lo havia retornado com força total, e engoli em seco. Apoiando as
mãos no seu peito, fui aproximando meu corpo do dele devagar até que nossos lábios
quase se tocavam. Eu podia sentir sua respiração entrecortada e sabia que estava
torturando-o, mas aquilo me parecia muito justo naquele momento. Eu me sentia
torturada durante cada segundo do meu dia. Bastava olhar para ele ou apenas pensar.
Então, nada mais justo do que Edward Cullen provar do seu próprio veneno.
Eu, que estava sentada de lado no seu colo, levantei o corpo o suficiente para mudar de
posição, ficando de frente para ele. Agora, pude sentir que havíamos formado o encaixe
perfeito.
_ Hmm _ ele gemeu, mordendo a boca de um jeito sexy que tinha total intenção de me
descontrolar.
Sorri nervosa, cheia de vontade de ceder aos encantos dele e permitir que comandasse
a situação. Mas era o meu showzinho agora, e ele deveria ser bem obediente se
quisesse ganhar sua recompensa. Rebolei devagar no seu colo, percebendo o quanto ele
estava gostando da brincadeira.
_ Bella _ ele chamou, a voz rouca saindo com dificuldade, e envolveu o meu corpo com
os braços, me apertando com tanta força que eu pensei que fosse quebrar. Me sentia
completamente frágil no meio daqueles braços, que me prendiam junto ao peito dele.
Eu não tinha como escapar, minha única alternativa era me render. Beijei Edward com
toda a paixão que eu tinha, sentindo ele retribuir da mesma forma.
Enquanto nossos lábios se encontravam, senti suas mãos subirem pela minha barriga,
por baixo da blusa, e se acomodarem cobrindo os meus seios. Gemi baixinho, sentindo
a maciez da sua pele em contraste com o toque brusco dos seus dedos. Senti os mamilos
enrijecerem e fechei os olhos, deixando todas as sensações se apoderarem de mim e me
entreguei por completo.
Edward me deitou sobre o sofá, ficando por cima de mim em seguida. Por um momento,
ele apenas olhou nos meus olhos profundamente... um olhar cheio de significados.
Medo, paixão, insegurança e... amor, quem sabe. Mas talvez eu estivesse acreditando
demais, sendo muito confiante. Eu era tão inexperiente, tão comum... como poderia
aceitar que despertasse um sentimento forte como amor em um homem como Edward?
_ Eu amo você, Edward Cullen _ disse, sem parar pra pensar no que estava dizendo.
Ele entreabriu os lábios para responder, mas eu o silenciei com os dedos sobre os
lábios. Não queria ouvir sua resposta.
Desta vez, foi ele quem me beijou. Um beijo profundo, demorado, muito intenso. E eu
esqueci por completo todas as dúvidas que quase me haviam levado para longe de New
Orleans.
Edward se colocou entre minhas pernas mas, antes disso, desceu o jeans que eu usava e
o retirou completamente. No entanto, ele apenas abriu o ziper da sua calça e a desceu o
suficiente. Eu o ouvi gemer, a voz rouca, lenta e preguiçosa, quando tomei seu membro
na mão e comecei à acariciá-lo, devagar.
Não tinha certeza se ele sabia o quanto aquilo era prazeroso para mim... talvez, tanto
ou quase tanto como era para ele. Olhando seu rosto, eu sorri. Seus olhos estavam
desfocados, embaçados, e sua boca contraída em uma linha firme. Sua pele, sempre
muito branca, muito pálida, estava corada agora. E eu podia ouvir seu coração bater
junto ao meu, exatamente no mesmo ritmo.
Fora de Rumo
Quando o senti completamente rijo em minha mão, entrelacei a cintura de Edward com
as pernas, abraçando suas costas e puxando-o contra mim. Ele não quis prolongar
mais nada, desistindo de qualquer joguinho ou tortura. Edward me penetrou sem mais
preliminares, mas eu também não precisava disso. Naquele momento, só precisava
senti-lo dentro de mim, obrigando qualquer receio à se dissipar, dissolvendo qualquer
sobra de angústia que houvesse no meu coração.
Dentro de mim, ele foi ardente como nunca. Parecia que o fato de ter estado prestes à
me perder havia sido o suficiente para deixá-lo inseguro também... e ainda mais
apaixonado. Enquanto eu gemia, me contorcendo sob ele e sentindo-o entrar e sair de
mim cada vez mais depressa, o peso do seu corpo quente sobre o meu era o suficiente
pra me fazer delirar. Edward sussurrou o meu nome. Sua voz era rouca, sua respiração
difícil... ele me puxou pelo quadril e levantou mais minhas pernas, me proporcionando
uma prazer ainda mais intenso.
Em pouco tempo, gozamos juntos. E eu permaneci nos seus braços por um longo
período de acordo com o relógio de parede, que me pareceu mais curto do que
qualquer outro que eu já tivesse vivido.
_ Vem, meu amor. Já é tarde... vamos para o quarto _ ele sussurrou com uma
delicadeza que me fez flutuar sobre o sofá, embora ainda estivesse bem segura nos seus
braços. _ Vou colocar você na cama.
_ E se deitar comigo nela, não é? _ eu queria que ele prometesse. Não permitiria que se
separasse de mim por um instante sequer.
Edward estendeu a mão, passando a ponta do dedo indicador pelo meu nariz,
suavemente. Seus olhos tinham um brilho de profunda idolatria, mas seu sorriso ainda
era pesaroso.
Edward me levou em seus braços até o andar superior e me colocou sobre minha cama,
gentilmente. Abri a boca para protestar e pedir que me levasse para o seu quarto. Eu
queria dormir junto à ele, naquela noite. Naquela e em todas as outras. Para sempre.
_ Shhh... vou ficar aqui com você _ ele me silenciou com a voz tranquilizadora, e seus
dedos afagaram os meus cabelos com toda a calma do mundo. _ Não vou sair do seu
lado, Bella.
_ Você já me disse isso... _ concordei, sentindo que começava uma batalha perdida
contra o sono e o cansaço. Aquele dia havia sido cheio de decisões e reviravoltas, e
meu corpo exigia descanso imediato.
_ Então...
_ Eu não sei _ sussurrei, sonolenta. _ Mas ainda acho que você vai me deixar. Os seus
olhos, Edward... tem alguma coisa errada.
Não me lembro se tive sonhos naquela noite. A primeira coisa da qual consigo lembrar
foi de acordar, pela manhã, e descobrir que Edward não estava ao meu lado.
Me levantei ainda tonta e cambaleei para fora da cama, depois de tatear pelo colchão e
perceber que estava sozinha. Saí do quarto, procurei no banheiro, andei pelos
corredores e, não satisfeita, fui vasculhar o primeiro andar. Rosalie e Alice dormiam
como pedras, cada uma em seu quarto.
Fiquei sem rumo, sem chão... temendo a hipótese de ele não voltar mais. Sentada no
sofá da sala, abracei as pernas, trazendo os joelhos de encontro ao peito. Fechei os
olhos e procurei relaxar, mas não adiantou. Tentei me convencer de que estava sendo
idiota. Ele havia prometido que não me abandonaria, que nunca sairia do meu lado.
"Jamais" foi o termo que usou. E eu não devia duvidar da palavra do homem que
amava.
Mas eu, também, sabia dos problemas que Edward estava enfrentando. E sabia o
quanto ele desejava me manter distante daqueles problemas. Tudo o que eu queria era
que soubesse que eu estava ao seu lado naquele momento. E que não tinha medo de
enfrentar o mundo para tê-lo comigo.
Depois de quase duas horas esperando o seu retorno, eu sabia que precisava tomar
alguma atitude se não quisesse surtar. Não tinha como ir atrás dele, não fazia sequer
idéia de onde estava, mas não poderia continuar aguardando a volta de Edward
enquanto suas irmãs dormiam, tranquilamente, em seus quartos. Também não era justo
acordá-las. Eu já havia causado alvoroços demais naquela casa.
Perdida
Quase vinte minutos dirigindo e eu percebi que estava perdida. Tomei algumas curvas
erradas, algumas ruas desconhecidas e quando percebi, estava entrando na mata. A
mesma mata na qual eu havia me perdido, dias antes. E na qual Edward e eu havíamos
nos beijado pela primeira vez. Talvez fosse um bom lugar pra relaxar... velhas
lembranças. Lembranças que pareciam muito mais velhas do que realmente eram. Não
havia muito mais o que eu pudesse fazer, afinal. Já estava cansada de vagar pelas ruas
das redondezas, sem destino.
Dentro da mata, não foi muito difícil encontrar o rio onde Edward me atirou naquele
dia. Franzi a testa, colocando a mão em concha sobre os olhos, procurando enxergar
ao meu redor sem a intervenção do sol. O lugar estava deserto como naquele dia, mas
o cheiro de todo aquele verde e da água pura não pareciam tão inebriantes sem a
presença do meu Edward. Para mim, ele era a essência daquele lugar. Sem ele, não
parecia existir sentido em uma paisagem tão bonita e romântica.
Depois entrei na água, na intenção de que ela afastasse de mim toda a angústia que eu
estava sentindo naquele momento.
Em pouco tempo, eu me sentia quase anestesiada contra toda a dor. Meu coração havia
desacelerado, minha respiração estava leve e tranquila, o peso que eu carregava nas
costas estava se dissipando. Admiti que "me perder em New Orleans" havia sido a
melhor decisão que eu tomara em muito tempo. Senti saudades dos meus pais. Eu
nunca havia podido contar muito com eles, mas sua ausência começava a ser sentida de
qualquer forma. Era bom ter os pais por perto em momento como aqueles, mesmo que
não fossem as figuras ideais de familia.
Deixei minha mente viajar para tão longe, que o barulho atrás das árvores me assustou
realmente.
Senti um medo que me pareceu estúpido e, ao mesmo tempo, bem possível. Enquanto
deixava a água, procurava desesperada pelas roupas que eu tinha deixado espalhadas,
mas de alguma forma não conseguia encontrá-las.
Um calafrio percorreu toda a minha pele. Apesar do frio que eu começava a sentir,
sabia que o pânico tinha uma parcela bem maior de culpa naquilo. Meu corpo todo
tremia, encharcado, e meus dedos pareciam prestes à congelar. E nada de encontrar as
roupas!
Usei os braços para cobrir o corpo, já que usar aquela lingerie molhada era o mesmo
que estar nua.
Enquanto ainda procurava pelas peças de roupa, ouvi uma risadinha abafada saindo
de algum ponto de dentro da mata. Uma risadinha e depois outra, e mais outra. Minha
mente parecia girar em um turbilhão, minha garganta ficou seca de repente. O sol, que
antes era acolhedor e tranquilizante, agora quase me cegava. Minha cabeça começou à
latejar com uma rapidez terrível.
Então, ouvi vozes. Tentei gritar e não consegui. Imersa em um pânico aterrorizante,
admiti finalmente que as roupas não estavam perdidas ali, na beira do rio. Alguém
havia pego. Talvez os donos das vozes e das risadinhas macabras estivessem me
pregando uma peça maldosa, bem cruel.
A adrenalina corria cada vez mais forte dentro de mim. Cada pedacinho do meu corpo
parecia coberto de uma tensão palpável, e eu mal conseguia dobrar os músculos das
pernas para me afastar do rio. Mas o problema é que eu não sabia para onde deveria
me afastar. Ainda não estava completamente certa do caminho que me levava à casa
dos Cullen, e também desconhecia o caminho que me levava para longe das vozes.
E então percebi porque não conseguia discernir sua localização.
Eles eram três. Havia Cameron, bem no centro, na sua natural posição de destaque.
Ele me olhava de um jeito perverso, como uma cobra venenosa pronta para dar o bote.
Os outros dois eu não conhecia. Cada um estava em um ponto diferente da mata. A
distância não era grande, mas os três homens se posicionaram em locais estratégicos
para me confundir.
E para me cercar.
Tentei decidir o que fazer. Minha cabeça tentava raciocinar, depressa, uma forma de
escapatória. Mas quanto mais eu tentava imaginar este plano de fuga, mais certa ficava
de que era um alvo fácil para os três.
Logo, Cameron abandonou sua posição e veio caminhando em minha direção. Dei um
passo para o lado, em pânico, na direção de uma das saídas da mata, mas um dos seus
comparsas também deu um passo... bem na minha direção. Entendi a dica de que eu
não deveria tentar fugir.
_ Cameron... _ da minha boca saiu um fio de voz, e eu nem mesmo sei se ele ouviu.
Minha respiração era irregular, e meu corpo começou a tremer violentamente quando
ele, enfim, me alcançou.
A Face do Mal
_ Cameron... _ eu tentei de novo e, desta vez, tive certeza de que ele me ouviu. Seus
olhos exibiram um brilho cruel de triunfo, e sua posição tornou-se ainda mais
desafiadora do que antes.
_ Ora essa... enfim, eu consegui te pegar sozinha, não é mesmo? _ ele provocou,
cruzando os braços na frente do peito.
Os três homens estavam vestidos da mesma forma: bermuda, descalços e sem camisa.
Embora fossem muito bonitos e tivessem corpos bem atraentes - especialmente
Cameron, com seu sorriso debochado e vitorioso -, eu não conseguia me sentir a
vontade para admirá-los. Muito pelo contrário, estava muito mais tentada à morrer de
medo.
Ainda não sabia bem qual era o seu jogo. E estava ficando cada vez mais desconfiada
da sua atitude.
_ E então, Bella? É esse o seu nome, não é? Bella... hm. E então, gata? Você fica bem
diferente quando não está usando aquela sua carinha de arrogância. Cadê a sua
enorme coragem, hein Bellinha?
_ Cameron, me deixa em paz. Por favor... _ eu pedi, tentando manter minha voz em um
nível descente. Não queria parecer em pânico embora, na realidade, estivesse _ Deixa o
Ed em paz.
Ele franziu a testa quando percebeu minha alteração no fim da súplica. Já não tinha
mais tom de súplica, aliás. Era quase uma exigência. Sua expressão passou de vitória
para irritação.
_ Você acha que pode exigir alguma coisa de mim, garota? Você ficou louca?! Você
sabe quem eu sou, por acaso?
Notei que os seus amigos assumiram a mesma postura desafiadora dele, cruzando os
braços sobre o peito. Os três me encaravam com firmeza, mas ao contrário do olhar de
ódio que o Cameron me lançava, os outros dois pareciam insatisfeitos com o rumo da
conversa e ansiosos para me fazer de "cordeirinho" novamente.
_ Bella, Bella... você precisa mesmo de uma boa lição. E eu só vou fazer isso por você
porque me pegou em um dia bom, ok?
_ Eu podia acabar com você, agora, mas não vou fazer isso. Eu vou apenas... ensinar
como uma garotinha linda feito você deve se comportar diante de um homem como eu.
_ Nós vamos ensinar! _ um dos seus amigos gritou, e logo os dois também caminhavam
na minha direção, os olhos famintos.
Pensei que fosse desmaiar de pavor, mas isso não aconteceu. E antes que eu pudesse
raciocinar sobre uma forma de fugir daquela situação, Cameron segurou meu pulso
com força e me puxou para um beijo forçado e violento.
Enquanto eu me debatia, os braços dele pareciam se apertar ao meu redor. E por mais
que eu tentasse mover o rosto, desviando minha boca da sua, Cameron era
incrivelmente mais forte e inegavelmente motivado à me subjugar. Seu peito esmagava
o meu, e sua lingua forçava passagem lutando contra a minha de forma selvagem e
determinada.
Eu lutava, lutava... mas sabia que jamais poderia vencer, mesmo se ele não estivesse
acompanhado daqueles dois brutamontes. E cada movimento de resistência minha,
parecia um claro incentivo para que ele persistisse.
No entanto, eu não desisti. Se não poderia fugir, ao menos poderia tentar machucá-lo.
Então, enterrei minhas unhas na pele sensivel da sua nuca, arranhando com força
enquanto mordia sua boca.
Cameron recuou, assustado, cobrindo a boca com as costas da mão. Seus olhos
estavam arregalados enquanto ele me fitava, com absoluto espanto. Seus coleguinhas
deram mais um passo adiante, mas ele fez um sinal com a mão livre para que não
interferissem.
Satisfeita, eu via o sangue fluir dos seus lábios para os dedos que tentavam estancá-lo
sem sucesso.
_ Você é uma vagabunda, Isabela Swan _ ele disse, cheio de desprezo, e lançou a a
mão sobre o meu rosto com tanta força que eu ouvi o ar zumbir ao meu redor.
O Último Olhar
_ Vamos logo com isso, Cam! Você tá enrolando demais _ um dos comparsas falou, e
eu percebi que um clima de ansiedade e tensão havia se espalhado entre eles. Não
entendi a princípio, logicamente. Mas, em seguida, veio uma revelação que me encheu
de esperanças.
Cameron riu, acompanhado por um dos seus amigos. O outro, porém, continuou sério,
parecendo ainda nervoso e muito agitado.
_ Cam, Tanya não mandou a mensagem ainda. Melhor a gente dar o fora daqui _ o tal
Bob alertou, recuando alguns passos e me dando uma idéia do que estava acontecendo
ali. A piranha oxigenada! Como eu não havia imaginado ainda? É claro que ela tinha
alguma relação com aquilo tudo.
_ Não sei por que você tá com tanto medo, Bob. A Tanya vai conseguir enrolar aquele
otário tempo suficiente pra gente fazer tudo o que estiver a fim com essa gatinha. E
depois, o Edward vai fazer tudo o que a gente madar... direitinho _ Cameron respondeu
com uma postura segura _ Ainda mais quando souber que a gente tá com a princesinha
dele aqui.
Mas Bob havia pressentido de forma correta. Assim que Cameron acabou de se gabar,
um barulho atraiu a nossa atenção para o mato extenso atrás deles. Não era só um som
de passos, como alguém que caminha por uma trilha, mas parecia, sim, com um trem
furioso e desgovernado. Assustada, eu escorreguei de novo... sendo segura por Cam
que ainda me mantinha presa pelos pulsos.
_ Que merda é essa...? _ foi tudo o que ele teve tempo de dizer, perplexo, quando a
pickup preta de rodas gigantes emergiu da mata como um monstro assombroso,
fazendo tanto barulho e causando tanto impacto visual que minha voz se congelou na
garganta.
_ Que... que... ? _ Cameron repetia sem parar, sem nexo algum. Ao que parecia, sua
eloquência sofria os mesmos efeitos que a minha.
_ Vamos sair daqui! _ o outro cara, sem ser Bob, gritou a plenos pulmões... mas sua
voz mal parecia um sussuro por baixo do som ensurcedor que o gigante sobre rodas
fazia.
Eu não podia enxergar dentro do veículo. Mesmo que as janelas não fossem cobertas
por insulfilme negro, minha posição não era nada favorável naquele momento. Mas,
independente de quem fosse ali dentro, e de quais fossem suas intenções para chegar
até ali, eu sabia que havia acabado de me salvar e que... eternamente... ficaria lhe
devendo a vida.
_ Vamos, Cameron! _ Bob berrou e disparou na diagonal pela mata, sendo seguido
imediatamente pelo amigo cujo nome eu desconhecia. Mas Cam não foi atrás dele...
permaneceu segurando meus pulsos, apertando com tanta força que eu achei que a
qualquer momento ouviria os ossos estalarem com a pressão. Meus olhos lacrimejaram
enquanto eu olhava nos seus, e minhas pernas perderam as forças. Arqueadas, elas
ameaçavam me deixar cair.
_ Sai daqui, Cameron! Vai embora, seu verme... você vai se dar muito mal! _ ameacei,
tentando em vão me soltar. Mas ele parecia não ter a menor intenção de me deixar ir
aonde quer que fosse.
_ Edward, vai me pagar... e se ele não me pagar pessoalmente, você vair ser minha
compensação por todo o prejuízo que ele me deu _ seus olhos faiscavam, enquanto suas
mãos se fechavam com cada vez mais força. Eu gemi, e as lágrimas escaparam dos
meus olhos como quando eu era uma garotinha. Só que agora haviam razões bem mais
reais para elas _ Vai ser uma pena não poder fazer com você, tudo o que eu queria...
mas não vou deixar as coisas ficarem numa boa pra vocês, de qualquer forma...
Eu tive tempo de perceber que ele havia puxado algo do bolso de trás da calça, mas
não consegui ver o que era. Como se estivéssemos sendo filmados em câmera lenta, o
som da pick up reduziu... e parou. Senti o sangue gelar nas veias e o ar faltar quando
uma dor profunda atingiu meu abdomen... minha boca aberta quando os olhos
embaçaram e eu não podia ver mais nada com clareza diante deles... exceto aqueles
olhos que me fitavam com uma frieza profunda.
_ Acabou pra vocês, Isabella _ Cam sussurrou, a voz gélida e cortante como aço,
enquanto eu tentava comprimir o sangramento com uma das mãos, e minha visão se
tornava turva, indistinta.
Não foi a voz de Cameron que ecoou pela mata, daquela vez. Era Edward quem descia
da pick up, lançando um olhar furioso na direção dele. Eu sabia que era um péssimo
momento para reparar mas não pude deixar de perceber, como em um delírio.... o
quanto ele estava lindo. E o quanto parecia um anjo vingador, meu herói, meu
salvador... enquanto corria na nossa direção com os olhos injetados de ódio e uma
fúria implacável. Logo atrás dele, um grupo de policiais apontava suas armas para
Cameron que, finalmente, deixou o canivete cair aos seus pés, rendendo-se.
Edward... meu anjo furioso e destemido. Não havia chegado tarde demais... havia
chegado bem a tempo de eu vê-lo pela última vez.
Eu vi a jaqueta preta de couro que ele usava, os cabelos dourados e revoltos com o
vento, os lábios vermelhos na sua pele muito branca... a camisa com a qual eu o havia
visto pela primeira vez ... "Sexo e Rock não é para os fracos"... e eu tentei sorrir, mas
não consegui. A dor era tão forte, tão profunda... mas meu corpo estava relaxado,
enquanto ele me tomava das mãos de Cameron e me servia de apoio. Edward estava
tão perto que eu podia sentir sua respiração. Meus olhos se cruzaram com os dele, e eu
percebi que eu estava chorando.
Ele também.
Um Anjo Protetor
_ Meu amor... aguenta firme. Confia em mim, vai ficar tudo bem... tá me escutando?
Bella... _ os olhos dele continham uma súplica tão dolorosa que o meu coração pareceu
se partir em dois. Eu queria abraçá-lo, queria prometer queficaria bem por ele... mas
logo minhas pernas se dobraram de vez e Ed caiu de joelhos, amparando minha queda,
me protegendo em seus braços.
_ Eu amo você Bella... escutou? Eu amo você _ foi a melhor coisa que eu já tinha
ouvido na vida, a coisa mais real e mais sincera entre todas. E por mais que não
pudesse sorrir ou dizer nada, meu coração sorriu por mim, tomado de uma graça e uma
felicidade que eu jamais pensei que fosse capaz de sentir.
Antes de fechar completamente os olhos, eu estendi minha mão e toquei em seu rosto,
fazendo-o entender, também, o quanto o amava. Mais do que tudo... mais do que, até
mesmo, a minha vida.
Eu havia tido tantos sonhos maravilhosos naquele período, internada, que já não tinha
certeza de estar viva. Ou de querer estar. Em meus sonhos, Edward era como um anjo,
lindo e adorável, apesar de perigoso quando necesário, sempre me protegendo, se
preocupando e cuidando para que eu me curasse depressa. E eu era apenas Bella... a
sua Bella. E não precisava ser mais nada além disso. Ser sua já era o suficiente.
Foram cinco dias em coma. A lâmina da faca que Cameron havia usado para me
atingir não havia sido tão eficaz, afinal. Em compensação, os policiais que Edward
havia acionado para a busca de Cameron na mata, onde ele estivera foragido nos
últimos dois anos, foram suficientemente rápidos. Assim que Cameron me feriu e
Edward correu ao meu encontro, a polícia interveio e realizou a apreensão do bandido
enquanto outros agentes se espalhavam pelo espaço, à caça dos dois outros fugitivos.
_ Eles foram presos? Os três? _ eu perguntei ainda receosa de estourar minha frágil
bolha de felicidade. Afinal, sempre que as coisas entre Ed e eu davam um passo à
frente, elas pareciam recuar dois passos para trás.
_ Os quatro _ ele respondeu, sentado ao meu lado na cama, enquanto segurava minha
mão entre os dedos longos e macios. Era um deliciosa tentação ter seus dedos frios
entre os meus, mas os tubos de intravenosa ligados ao meu corpo era um desconforto a
parte, e não me pareciam nada românticos como nos filmes. Eu queria arrancar todos
aqueles fios de borracha, de uma só vez, e me atirar nos braços de Edward.
_ Quatro? _ perguntei, confusa, e tentei me sentar à cama. Minha cabeça rodou e eu fui
obrigada à deitar, novamente.
_ Sim. Eram quatro bandidos naquela quadrilha. Sendo assi, Tanya foi presa com os
amiguinhos dela _ ele disse, sorrindo torto enquanto avaliava minha reação.
Não tive alta no dia em que acordei. Ao que tudo indicava, ser esfaqueada também não
era tão prático quanto parecia nos filmes. Apesar de ter que dar graças à Deus por
estar viva e sem sequela alguma, eu me sentia incrivelmente fraca por todo o sangue
que havia perdido e as tonturas eram frequentes. Não era capaz de me manter de pé,
sem ajuda. Mas também não era necessário. Edward sempre estava ali por perto,
torcendo para que eu precisasse da sua ajuda.
_ Não tem que se sentir responsável por nada, Edward _ eu o adverti quando ele tentou
me dar comida na boca, após retiraram os tubos de intravenosa de mim. _ Não precisa
fazer nada disso, ok?
_ Você não quer que eu faça? _ ele perguntou, sem jeito, e foi no mínimo interessante
vê-lo inseguro alguma vez na vida. Mas eu não queria fazê-lo sofrer, não mesmo.
_ Eu quero... quero, sim... mas você tem que saber que não precisa, só isso _ respondi,
com menos delicadeza do que havia planejado. Seus olhos eram confusos e uma
ruguinha na testa mostrava o quanto estava decepcionado com a minha resposta. _ Ah,
Edward... que droga! Eu amo você... eu amo... mas não precisa passar todo o seu
tempo cuidando de mim, como se eu fosse alguém muitíssimo importante ou como se
fosse uma jóia rara que pudesse se perder.
_ Bella, Bella... _ ele chamou minha atenção com seu olhar preocupado e deixou a
bandeja com a sopinha do hospital na mesinha de canto. Depois, tomou meu rosto entre
as mãos e beijou meus lábios com um ardor inigualável.
Quando nos separamos, Edward me olhou como se me visse realmente pela primeira
vez. Havia um brilho nos seus olhos... eu não sei... era mesmo muito difícil explicar
qualquer coisa sobre Edward Cullen. A não ser que eu estava realmente apaixonada
por ele, e que ele parecia mesmo me amar de verdade.
_ Você é tão teimosa, sabia? Tão... cheia de vontades! Eu disse para se afastar de mim,
disse que seria perigoso...
Ele sorriu, vencido. Então, beijou meus lábios de novo, desta vez com suavidade
absoluta. Eu quis puxá-lo pelo pescoço e aprofundar o beijo mas ele se afastou, rindo
de mim.
_ Vai com calma, Srta Swan... a senhorita levou uma facada, sabia disso?
_ Sabia, sim. E como uma paciente em recuperação, eu exigo ser tratada com mais
amor, por isso vem aqui... _ eu segurei na gola da sua camisa e o puxei de volta, mas
antes que ele pudesse me dar o que eu queria, a porta do quarto se abriu.
Uma Surpresa
Edward pareceu preocupado, mas não disse nada. Apenas me olhou, confirmando nos
meus olhos que eu estava bem, e saiu do quarto. Quando a porta se fechou atrás dele, o
doutor sentou-se na cadeira que havia no canto do quarto, depois de trazê-la para
perto da cama.
_ Isabella, fico feliz que esteja tudo bem com você. Sua recuperação foi impressionante,
realmente. Você é uma guerreira e está de parabéns _ ele disse com um sorriso curto
nos lábios, mas sincero. Eu sorri também, mas amarelo. Sabia que por trás de todo
discurso médico vinha uma grande bomba. Fiquei feliz por poder sentir as minhas
pernas sob os lençois e por lembrar de todo mundo que fazia parte da minha vida, entre
outras coisas.
_ Eu não sei se você sabe, mas não é a única guerreira aqui. Existe alguém que lutou
com você, Isabella, durante todo esse tempo _ o médico sorriu, mais uma vez, e desta
vez parecia mais humano do que nenhum outro médico havia sido antes. Ele devia ter
seus cinquenta anos, cabelos grisalhos, olhos azuis. Eu não sabia o seu nome... mas seu
sorriso era franco e empolgante e eu já estava começando à gostar dele, o que era uma
novidade em se tratando de sua profissão detestável.
_ Eu sei, doutor _ respondi, sorrindo abertamente agora. _ Sou uma garota de sorte...
Edward esteve ao meu lado durante todo esse tempo, e eu não vou deixá-lo escapar de
mim, nunca mais. Não mesmo _ era bem verdade o que eu dizia. Nossos destinos
estavam entrelaçados e se por todo o tempo eu havia pertencido à Edward, agora eu
sabia que ele também me pertencia.
O médico sorriu, confirmando com a cabeça e deixando minha ficha sobre a bandeja de
almoço que estava na mesinha, na atitude médica mais relaxada que eu já tinha visto. A
cada vez mais, eu gostava dele.
_ Ele é um ótimo rapaz, mesmo... muito apaixonado por você. Ficou o tempo todo ao
seu lado, Isabella, e nós tivemos que forçá-lo à sair para comer e dormir, de vez em
quando. Chegamos a proibir suas visitas para que ele fosse para casa, por alguns
momentos... vê se pode? _ nós dois rimos juntos, enquanto eu me deliciava com os
relatos do médico sobre o amor e a devoção de Ewdard. Era muito bom me sentir
querida e bajulada, de vez em quando.
_ Ele é o amor da minha vida, doutor. Não vou perdê-lo _ eu prometi, sentindo meus
olhos se encherem de lágrimas. Mas, desta vez, eram lágrimas de pura felicidade.
_ Sei que não _ o doutor sorriu, dando um tapinha leve na minha mão. _ Mas não estou
falando de Edward, agora.
Então, aquela ruguinha de dúvida e confusão estava na minha testa. De quem ele
poderia estar falando, afinal? Rosalie? Alice? Meus pais?! Ah, Deus... se fossem meus
pais, eu estava ferrada! Eles me forçariam à voltar para casa, me separariam de
Edward... eles...
_ Isabella, quando eu digo que você não lutou sozinha, não estou falando sobre as
pessoas que ficaram ao seu lado. Muitos amigos vieram ver você, nesses cinco dias... e
todos me falaram sobre você e como era maravilhosa, incansavelmente, o quanto
estavam preocupados e o quanto te amavam.
As palavras dele me emocionaram ainda mais e logo eu tinha que fazer um enorme
esforço para não chorar. E ainda olhava, faminta, para a sopinha verde ao lado da
cama. Mas não me atreveria à comer enquanto não ouvisse aquela história até o final,
e direitinho, detalhe por detalhe.
Como?! Não fazia o menor sentido. Uma... criança? Eu não podia estar grávida!
Aquilo era tão... absurdo. Mas, pensando melhor, não era assim mesmo tão absurdo,
né? Meu relacionamento com Edward não havia sido apenas andar de mãos dadas,
nem ao menos, beijinhos inocentes. E... preservativo? Hm. Acho que não foram mesmo
nossa prioridade.
O bebê de Edward
Então, ouvimos batidas na porta que me salvaram da resposta que eu não queria dar
naquele momento. O médico deu permissão para o visitante entrar, e logo vi os rostos
sorridentes de Alice e Rose aparecerem no quarto.
_ Bem, vou deixar você e suas amigas conversarem _ ele disse, apertando a minha mão
entre as suas, por um breve momento, antes de sair. O gesto foi breve, mas foi o
suficiente para Alice notar que havia algo errado.
_ O que houve? Algum problema? _ seu olhar era desconfiado, e ela continuou de pé
no meio do quarto enquanto Rosalie sentava na beirada da minha cama, parecendo
ingenuamente alheia à tudo. Eu adorava Rosalie. Ela era sempre tão mais fácil de
lidar... tão menos intuitiva sobre as coisas!
_ Não aconteceu nada _ minha voz era rouca e eu parecia prestes à chorar, sentindo a
garganta arranhar e os olhos marejarem. Respirei fundo, tombando a cabeça sobre o
travesseiro.
Com isso, Rose também percebeu que o clima não era nada bom e segurou minha mão
entre as suas, assim como o médico havia feito segundos antes.
_ Fala, Bells... o que aconteceu? Não chora... _ ela pediu com o olhar mais meigo do
mundo, acariciando a minha mão.
Você já reparou que quando uma pessoa pede que você não chore, é quando mais te dá
vontade de chorar? Pois foi isso... exatamente naquele momento, eu desabei em
lágrimas, percebendo que ela me fitava com olhos imensos e aflitos.
_ Isabella Swan, por favor, não faça isso _ foi quase uma ordem da parte de Alice. Mas
eu já conhecia o seu jeito, e sabia que ela estava apenas bancando a durona como
sempre. _ Você está levando a Rose à beira de um ataque histérico. Conta logo o que
está acontecendo!
Logo, ela se junto à nós. Sentada na beira da cama também, pelo outro lado, Alice me
olhava com um misto de angústia e ansiedade. Procurei me acalmar, e antes que as
duas tivessem um colapso, falei na voz mais calma que consegui encontrar.
Dois pares de olhos caíram sobre mim em choque total. E eu desatei a chorar
novamente, como se não soubesse fazer outra coisa na vida.
Rose fez o possível para me acalmar, sem esconder um largo e deliciado sorriso no
rosto meigo, enquanto Alice andava de um lado para o outro no quarto, quase a ponto
de fazer um buraco no chão. Ambas, cada uma ao seu modo, estavam me deixando
ainda mais nervosa.
_ Eu não sei o que fazer... _ murmurei, me sentindo meio sem rumo. Como Edward se
comportaria diante da notícia? Será que ficaria feliz em ter um filho? Ou ficaria
furioso por eu não ter me prevenido como necessário? Ou decepcionado? Meu coração
se apertou ao cogitar essa hipótese.
_ Como assim, não sabe? _ Rosalie parecia em choque _ Não existe nada a ser feito...
você vai ter esse bebê e vamos cuidar dele! Isabella Swan, você é uma mulher morta se
ousar pensar diferente disso.
Eu dei um sorriso fraco, mas agradecido. Alice continuava à perambular pelo quarto
como se estivesse absorta em ideias muito particulares, que não desejasse compartilhar
conosco.
_ Diz alguma coisa, Alice! _ Rose intimou, lançando um olhar feroz sobre a irmã, que
se deteve imediatamente.
Fiquei apenas observando Alice caminhar até mim, tão lentamente que parecia incerta
sobre o que estava fazendo. Quando chegou ao lado da cama, ela me fitou com os olhos
aflitos e marejados. Alice chorando? OMG. Eu não sabia dizer se aquilo era bom ou
ruim.
_ Oh, Bella... oh, Bella... nós não cuidamos bem de você, não é mesmo? Se eu soubesse
que estava grávida, com certeza teria agido melhor, cunhada _ e para nosso total
espanto, meu e de Rose que assistia tudo de boca aberta, Alice me abraçou com força
enquanto suas lágrimas misturavam-se às minhas e aos risos contentíssimos da irmã.
_ Oh, temos que providenciar tantas coisas! _ Alice exclamou, a carranca de sempre
desfeita e revelando, no lugar, um sorriso luminoso. Com seus cabelos picotados,
apontando em diversas direções, parecia mesmo uma menininha atrevida. E, daquela
vez, havia leveza em seus olhos... nada de mágoa ou condenação.
_ Hm, isso vai ser o melhor de tudo! _ Rose bateu palminhas, sorrindo de antecipação
pelo prazer de fazer as compras do enxoval do bebê. _ Quem sabe, Edward não se
empolga e fazemos dois tipos de enxoval de uma só vez? Menino e menina! _ ela piscou
para mim, cheia de planos naquela cabeça romântica.
Eu engoli em seco. Edward... meu Edward. E o meu filho, o bebê de Edward. Oh, Deus!
Era coisa demais para pensar no momento. Queria me afundar sob os lençois brancos
daquela cama de hospital e voltar à rotina apenas quando tudo estivesse resolvido.
Todos os problemas sanados. Mas eu sabia que teria que enfrentar meu destino, e
seguir adiante mesmo que... bem, mesmo que Edward não desejasse a criança.
_ Ele vai ser um bom pai. Eu sei que vai _ surpreendentemente, as palavras saíram da
boca de Alice, que segurou minha mão entre as suas e beijou a palma, me olhando nos
olhos com um carinho extremo.
E eu tive que sorrir. Porque, independentemente, da reação do pai, aquele bebê já era
abençoado por ter duas tias maravilhosas.
Retornar à casa dos Cullens foi um grande alívio. O cheiro de éter presente em cada
canto do hospital e o silêncio motífero eram angustiantes. Eu odiava aquele clima
melancólico e foi com prazer que recebi alta, sendo carregada no colo por Edward até
o carro. Ele dispensou a cadeira de rodas oferecida pelo médico, meu mais do que
estimado anjo, Dr Hill, e fez questão de reservar o percurso até a casa para um curto
momento a sós.
_ Sei que quando você chegar, vai ter tanta festa da parte de Rose, Alice e meus pais,
que nem teremos tempo para nós dois... pelo menos, não a princípio _ ele sorriu de
canto, na direção da pickup, daquele mesmo jeito que me tirava o sono todas as noites.
Todas as vezes que Edward sorria assim, meu coração ameaçava sair do peito e minha
respiração mostrava-se um sério problema.
_ Oh, seus pais estão em casa? _ perguntei, pega de surpresa pela notícia. Certamente,
Edward não seria meu único problema naquele fim de semana. A notícia bombástica da
gravidez - carinhosamente apelidada por Alice como 'A Bomba G' -, teria outros alvos
bem interessantes. "Esme e Carlisle Cullen... avós?". Tão jovens e bonitos era quase
um crime pensar assim.
_ Você está bem?_ Edward virou a cabeça na minha direção, apenas rapidamente, e
logo voltou à concentar-se na estrada à sua frente. Eu já podia ver a belíssima e
imponente mansão dos Cullens surgindo no nosso campo de visão. Meu coração
apertou-se com a idéia de desagradar a familia que eu, atualmente, mais amava no
mundo. Mas era bem provável que isso acontecesse.
_ Hm, eu estou. Só um pouco cansada _ menti, mordendo a lingua para não revelar à
ele o quanto me sentia nervosa e insegura. Minhas mãos estavam frias e suavam, e o
coração parecia desconhecer o ritmo certo das batidas até que Edward, saindo do
carro e dando a volta no veículo, me pegou no colo com toda a firmeza e segurança do
mundo, carregando em direção à casa e às pessoas que nos aguardavam tão
ansiosamente.
_ Oh, Bella... nós sentimos tanto! _ Esme desculpou-se, acariciando meu rosto assim
que pisamos na casa. Quer dizer... assim que Edward pisou, porque ele ainda me
mantinha prisioneira em seus braços calorosos.
_ Esme _ ela me corrigiu, sorrindo com tanta afeição que me emocionou. A familia
Cullen parecia parte de um sonho, como se tivesse sido inventada para um romance.
Era centrada, leal e dedicada. E seus membros pareciam capazes de matar ou morrer
uns pelos outros, mesmo quando discordavam inteiramente em alguma coisa.
_ Espero que você fique boa logo, Bella _ O Sr Cullen disse seus votos, de braços
cruzados ao lado da esposa e com um sorriso genuíno nos lábios. Eu apenas agradeci,
me lembrando mentalmente do quanto teria que decepcioná-los depois.
_ Ela vai ficar ótima, pai _ Edward garantiu, beijando minha testa enquanto me
apertava com mais firmeza nos braços fortes. Seus olhos pareciam duas chamas
incandescentes quando se encontraram com os meus _ Vou cuidar de você, meu amor.
_ Hmmm, ele vai fazer todas as suas vontades, Bells! _ Rose sorria abertamente ao pé
da escada _ Estava louco de ansiedade esperando o seu retorno.
Alice assentiu, sorrindo, mas eu percebi que fitava o irmão com uma certa apreensão.
Por mais que afirmasse o contrário, assim como eu, ela não fazia idéia da reação de
Edward em relação à paternidade.
_ Aqui, princesa _ Edward me colocou sobre a cama, com todo o cuidado. Já era noite,
e o fim de momentos agradáveis sob os paparicos da familia Cullen. Sorri para
Edward, sentindo o amor inundar meu peito. Seus olhos brilhavam de satisfação
quando sentou-se ao meu lado e me fitou, carinhosamente, o corpo inclinado sobre o
meu, o rosto a poucos centímetros de distância.
_ Alguma reclamação? _ ele perguntou com um sorriso torto que fez meu coração
disparar dentro do peito. A respiração batia quente contra o meu rosto, e eu soltei um
suspiro involuntário. Tenho certeza que o bebê teria chutado se já tivesse atingido esse
estágio da gravidez.
Gravidez... a lembrança causou um arrepio que percorreu toda a minha pele, eriçando
todos os pelos do corpo.
_ Com frio? _ Edward perguntou, na sua voz aveludada que me fazia esquecer de todas
as coisas e perder a sanidade.
Mas não naquele momento. Haviam coisas demais na minha cabeça, naquela noite, e
eu não podia negar que aquele era um momento bom como qualquer outro para contar
à Edward o que ele tinha total direito de saber.
_ Edward _ eu o chamei, embora ele estivesse com o rosto quase colado ao meu. Meu
coração ainda estava acelerado, e eu sabia que isso muito tinha a ver com o assunto
que trataria naquele momento... um assunto que poderia mudar tudo, definitivamente,
entre nós. Nosso relacionamento era tão recente que talvez não suportasse a pressão do
que eu tinha para dizer.
_ Sim? _ ele beijou meu nariz e apenas roçou os lábios nos meus, iniciando um beijo
que eu não permiti. Mordi a boca, nervosa, e ele separou nossos rostos o suficiente
para que eu pudesse olhar nos seus olhos de novo.
_ Nós precisamos conversar _ eu fui tão insegura quanto esperava que fosse, e nem o
olhar caloroso de Edward conseguiu me acalmar. _ Tem uma coisa... que eu preciso
contar à você. Uma coisa importante.
_ Eu vou contar _ respirei fundo e encarei seu rosto, suplicante. _ Só não quero que
você me odeie por isso.
O olhar de Edward mudou, subitamente, com minha última afirmação. Parecia mais
grave e preocupado, e ainda muito mais intenso queimando minha pele como fogo. Eu
senti ao rosto arder em brasas.
_ Eu não creio que seja capaz de te odiar, Bella _ ele disse, muito calmamente, e as
pontas dos dedos acariciaram meu pescoço, de leve. _ Eu não creio ao menos que seja
capaz de deixar de amar você.
_ Independente do que eu tiver para dizer?_ perguntei, à despeito da emoção que suas
últimas palavras me causaram.
_ Sim _ ele respondeu com toda a convicção, e depois selou nossos lábios, voltando à
me fitar com ardor.
_ Bem, Edward... eu preciso, primeiro, que você saiba que eu também te amo. Apesar
de já ter dito e demonstrado antes... e... e que se eu fiz alguma coisa de errado, ou se
alguma coisa acontecer de errado entre nós... bem... nada do que eu fiz foi de
propósito... e eu já nem sei se eu posso mudar as coisas... _ minha mente estava tão
confusa, que eu só percebi que minhas palavras saíam sem nexo quando comecei à
chorar.
_ Bella, Bella... se acalma _ ele pediu, me tomando entre os braços. Meu corpo se
aqueceu, rapidamente, em contato com o seu. Suspensa, nos braços de Edward, eu
percebi o quanto sentiria sua falta se fosse obrigada à partir. Ele era tudo o que
importava na minha vida. Bem... talvez não fosse a única coisa, agora. Também havia o
bebê, e embora eu tivesse medo de todas aquelas mudanças, não podia negar que
andara conversando com ele, mais cedo, nos poucos momentos a sós que havíamos
tido. Ele seria um menino, e seria lindo como o pai. E eu o amaria assim como amava
Edward. Incondicionalmente.
_ Edward... eu... eu estou grávida _ revelei, com a voz trêmula, e explodi em lágrimas
ainda mais espessas do que as anteriores, o corpo sendo sacudido por soluços que não
cessavam mesmo enquanto eu me sentia protegida por seus braços, que não se
afrouxaram em momento algum. _ Eu... eu... sinto muito.
_ Grávida? _ ouvi o som da sua voz rouca penetrar minha alma. Ele estava assustado,
era óbvio pela entonação da palavra.
_ Sim... sim, me perdoe, Ed _ meu choro foi reduzindo com muito esforço, mas as
lágrimas ainda caíam e eu não encontrava coragem para fitar seus olhos, o rosto
afundado em seu peito _ Você me odeia?
Respirando com dificuldade, aguardei sua resposta. Cada fibra do meu corpo tensa,
cada músculo contraído de medo e ansiedade. Fechei meus olhos, tentando me
encontrar preparada para qualquer decisão que ele pudesse tomar. Mas eu sabia que
não seria fácil.
_ Está me machucando, Bella _ ele disse, mexendo levemente o braço, e eu percebi que
havia enterrado minhas unhas em seu pulso. A pele, tão branca, parecia realmente
muito fina e sensível e começava à ficar vermelha.
_ Oh, desculpe _ eu soltei seu pulso mas continuei aninhada em seus braços.
_ Bella _ ele me chamou, e eu o ouvi respirar fundo. Não pude evitar o tremor que
sacudiu meu corpo. _ Olhe pra mim.
Nossos Sentimentos
Seus olhos pareciam duas chamas incandescentes, e assim derreteram todas as reservas
que existiam em mim. Durante o tempo em que o silêncio preencheu o quarto, me
demorei observando seu rosto sublime... os cabelos, entre o bronze e o dourado,
bagunçados como se tivesse acabado de acordar... a curva suave do seu pescoço... sua
boca bem desenhada, que agora já não sorria torto para mim, apenas mostrava-se em
uma linha reta, os cantos ligeiramente contraídos.
_ Bella, eu simplesmente não acredito... _ ele parecia mesmo incrédulo quando passou
os dedos pelos cabelos, deixando os fios ainda mais revoltos e encantadores aos meus
olhos.
_ Eu não acredito... _ ele repetiu, olhando nos meus olhos com tanta intensidade, que
eu perdi completamente as palavras _ E não perdôo.
Meu coração ficou suspenso no peito, e senti como se pudesse sair pela garganta. Um
nó começou à se formar enquanto meus olhos enchiam-se de lágrimas.
_ Não vou perdoar, Bella... _ ele tornou a dizer, negando com um gesto da cabeça _
Porque não há nada para perdoar, entendeu? Como pode me pedir perdão por estar
grávida? Eu nem ao menos acredito que esteja fazendo isso, por Deus...
_ Oh, Edward! _ deixei escapar um soluço, sentindo que o oxigênio voltava à circular
pelo organismo. Desesperada, enlacei seu pescoço com os braços, abraçando-o com
tanto vigor quanto se minha vida dependesse daquilo.
_ Eu amo você, Bella... precisa entender isso de uma vez por todas.
_ O que eu fço, hein? O que eu faço pra você entender que eu te amo, sua boba? _ ele
brigou comigo no tom mais carinhoso possível, acariciando meus cabelos com uma das
mãos enquanto a outra me mantinha presa pela cintura. Eu estava sentada em seu colo,
as pernas em torno do seu quadril, o rosto enterrado na curva do seu pescoço.
_ Não _ eu disse, soltando um suspiro no seu ouvido. Gostaria que aquela noite não
terminasse nunca, só para poder escutar mil vezes aquelas suas palavras.
_ Bella, eu amo tanto você que chega a doer, sabe? _ ele disse, colocando a mão no
peito, mesmo que nossa proximidade, naquele momento, praticamente nos tornasse um
só _ Bem aqui.
Eu assenti com a cabeça. Sabia, exatamente, que tipo de dor era aquela. Sentia a
mesma coisa todos os dias, desde quando nos conhecemos. Bastava ele entrar na sala...
ou olhar para mim na direção do carro... ou sorrir torto daquele jeito apaixonante.
Edward era mal... muito mal comigo por ser tão perfeito. Mas eu o amava mesmo
assim.
_ Eu penso em você a cada segundo do meu dia, Bella. Cada segundo. E mesmo assim
não parece o suficiente. É como se o tempo fosse curto demais... para todo o amor que
eu sinto por você _ eu ouvi o som da sua risada rouca, que me deliciou por completo.
Apertei mais o seu corpo entre os braços. _ Ah, e não é só isso. O tempo também é
curto quando eu estou com você... e quando estamos longe, ele passa miseravelmente
lento, me matando um pouco mais a cada instante.
_ Oh, Edward... eu te amo! _ levantei a cabeça, olhando dentro dos seus olhos
enquanto segurava seu rosto entre as mãos. Minhas pernas se apertaram em volta da
sua cintura, e minha boca encontrou a dele em um beijo repleto de todos os sentimentos
dos quais havíamos acabado de falar.
E muitos outros que não tínhamos comentado, mas que estavam presentes o tempo todo.
A semana que se seguiu foi bastante turbulenta. Mas Edward não me deixou passar por
nenhum obstáculo, sozinha. Foi ele quem deu a notícia da gravidez aos meus pais,
sendo bastante claro quanto ao fato de que eu não voltaria mais para casa, e que nosso
filho nasceria e moraria conosco em New Orleans. Não é necessário dizer que meus
pais surtaram mas, é fato também que ambos sobreviveriam à minha ausência.
Com os Cullens, as coisas foram bem mais simples. Após um silêncio um tanto perplexo
por parte de Carlisle, Esme abriu os braços para me receber neles, dizendo o quanto
estava feliz com a notícia e o quanto apoiava, sem restrições, o nosso relacionamento.
Temi um pouco pela reação de seu marido, mas assim que se recuperou do choque, ele
sorriu, nervosamente, e me abraçou também, parecendo tão ou mais entusiasmado do
que a esposa. Os dois falavam, sem parar, sobre o enxoval, os móveis, a pintura do
quarto que antes eu havia ocupado, minha mudança definitiva para o quarto de
Edward, e tudo o que se relacionasse à novidade do bebê.
_ Pai, mãe... não quero ofender vocês, de maneira alguma _ Edward os interrompeu, e
eu olhei na sua direção, confusa. _ Mas se Bella concordar... _ ele olhou para mim,
sorrindo, e eu me desmanchei _ Gostaria de me mudar para a casa antiga... a que
vocês ocuparam quando eram recém-casados _ eu assenti, sorrindo também, enquanto
me lembrava dos nossos momentos na residência anterior dos Cullen... e do farol.
_ Claro que sim, querida _ Esme tornou a me abraçar, com um sorriso que parecia
eternizado em seus lábios delicados _ Claro que sim. Tudo o que você quiser, ok?
_ Você está me dando um grande presente _ ele sussurrou no meu ouvido, a respiração
acariciando cada célula nervosa do meu corpo. Estar com ele sempre me deixava em
êxtase, e eu sabia que seria exatamente daquele jeito para sempre. _ Um filho, Bella... o
meu filho. É o maior presente que eu já recebi em toda a vida. E por isso, entre dezenas
de outros motivos que eu já expliquei tantas vezes... quero te dar alguma coisa,
também.
Antes que eu pudesse raciocinar sobre aquilo, ele tirou uma pequena caixinha de
veludo preto do bolso e abriu, me deixando sem fala diante do lindo anel de noivado
onde brilhava um solitário. Meu peito se encheu de uma alegria imensa, e meus olhos
transbordaram de felicidade.
_ Você é tão palhacinha, Sra Cullen _ ele debochou, imitando minha voz e fezando cara
de bravo.
_ Oh, e você é tão perversamente gostoso... principalmente, quando faz essa cara de
mau _ eu continuava rindo. Edward colocou a aliança no meu dedo, beijando-o,
carinhosamente, e enchendo o meu coração de tanto amor que pensei que pudesse
sufocar. Em seguida eu o puxei, e ele deitou-se cuidadosamente por cima de mim. _
Não precisa ter medo, eu não vou quebrar, Edward.
_ Ah, eu não sei, Bells. Eu não sei _ ele disse, receoso. Não fazíamos amor há quase um
mês, e a abstinência estava me deixando louca _ Acho que devemos esperar.
_ Até o casamento?!
_ Não... _ ele riu, beijando a ponta do meu nariz _ Até nosso filho nascer.
_ Não, Ed... não _ eu gemi, me encaixando melhor por baixo dele, uma das pernas de
cada lado do seu corpo _ Já discutimos isso. Acho melhor a gente fazer, agora _ minha
voz caiu para um sussurro excitado, enquanto eu o fitava intensamente _ Além do
mais... eu tô com desejo.
_ De você _ foi minha resposta, antes de envolver seu pescoço entre os braços e puxá-lo
para um beijo apaixonado.
Edward não teve escolhas e, naquela noite, foi obrigado à se render à mim. Da mesma
forma, como eu havia me rendido à ele desde o primeiro instante... na sala de espera
daquele aeroporto. Eu havia me entregado, sem chances de voltar atrás. E também não
queria renunciar ao meu amor, de jeito algum. Porque eu estava certa, desde o começo.
Era ele... Edward. O homem que havia sido posto no meu destino para transformar
minha vida de uma vez só e fazê-la queimar intensamente.
Epílogo
Três anos depois...
O tempo não poderia ter reservado melhor destino para Edward e Bella. Casados,
apaixonados, felizes. Todo o tormento pelo qual haviam passado, anos antes, dissipara-
se como as trevas, após uma noite de tempestade seguida de um lindo dia ensolarado.
_ Nick! _ Alice berrou, sentindo a garganta vibrar em cada nota, enquanto observava o
pequeno e arteiro sobrinho engatinhar para longe dela _ Por que você não pode ser um
pouco mais fácil? _ ela suspirou, desesperada.
_ Porque ele se parece demais com a tia, sabe? _ Bella alfinetou a cunhada,
ajoelhando-se no chão ao mesmo tempo em que o filho engatinhava na direção dos seus
braços.
Recebendo-o, afagou a cabeça farta de cabelos louros, admirando-se, mais uma vez,
com os lindos olhos sorridentes do pequeno. Eram verdes. Assim como os do pai. Deus
não poderia ter lhe dado uma benção maior. Sua vida era tão plena, repleta de tantas
felicidades, que prometeu à si mesma que jamais esqueceria de agradecer, todos os
dias, quando acordasse, por todo o amor à sua volta. Quase perdera a sua vida, uma
vez. Ter sobrevivido, sã e salva, e com um bebê saudável em seu ventre, fora um
presente divino.
_ Edward está chegando _ Alice anunciou, brincando com os pés descalços e gordinhos
do sobrinho, o qual ainda repousava no colo da mãe, procurando uma abertura em sua
blusa, por onde pudesse se alimentar. _ Você precisa começar os preparativos para a
festa do Nick, Bella. O aniversário de um ano dele é em dois meses, se demorar muito
para orgamizar as coisas...
Mas Bella já não estava prestando atenção. Também havia escutado o barulho da
caminhonete de Edward, chegando. Como sempre, sentiu seu coração saltar dentro do
peito, enquanto o estômago revirava-se de ansiedade. Era incrível o quanto a presença
do marido, ainda mexia com ela! Dois anos após o casamento, a magia parecia não
parar de crescer entre os dois, e tudo o que ela podia imaginar, naquele momento, era
em pular no colo do marido, enlaçá-lo com as pernas em torno da cintura, guiá-lo para
o quarto e fazer amor com ele.
Seu desejo caiu por terra no instante em que Edward atravessou a porta da antiga casa
dos Cullens, que, desde o casamento, era o atual lar deles. Com um sorriso amarelo
nos lábios, ele exibia a mão esquerda precariamente enfaixada com um lenço branco
ensopado em sangue.
_ Papai, machucou a mão! _ Nessie avisou, excitada, em seu vocabulário de bebê, nas
costas do pai, os braços envoltos no seu pescoço. _ Ele cortou! Cortou a mão! Gente,
cuida do meu papai...
_ Segura aqui, Alice _ ela entregou o caçula à cunhada, colocando a pequena Nessie
no chão, onde ela saltitou alegremente, os cachos cor-de-chocolate quicando ao redor
do rosto angelical, de olhos castanhos e maçãs saltadas.
Bella sabia o quanto estava parecendo panóica, naquele momento, tão preocupada com
o bem-estar do marido e dos filhos, mas ninguém, jamais, poderia se colocar em sua
pele quando, dois anos antes, padecera ao imaginar a possibilidade de perder Edward,
para sempre. E depois, a possibilidade de ter perdido Nessie, sem ao menos conhecê-la.
Quase perdera as pessoas mais importantes de sua vida, e lutaria com todas as suas
forças para que uma aflição como aquela nunca se repetisse.
_ Vamos para o quarto _ ela mantinha os olhos fixos no atadura cheia de sangue, e não
percebeu o sorriso travesso no canto dos lábios do marido.
_ Já, meu amor? Mas assim, tão cedo... e com visitas em casa? _ ele sussurrou com voz
rouca, seguindo a esposa para os fundos da residência.
_ Isso é sério, Edward _ Bella revirou os olhos, lembrando que havia desejado
exatamente aquilo, pouco antes dele entrar pela porta, com a mão ferida. Agora, no
entanto, só conseguia sentir uma necessidade imensa de aplacar sua dor. _ O que
aconteceu?
_ Estava brincando com Nessie... _ ele fez rodeio, de propósito, sabendo que levaria
uma bronca, mas ela ergueu os olhos na direção dos seus, e ele suspirou, derrotado _
No farol.
_ Ah, Edward... já pedi pra você não levar as crianças lá. É perigoso! _ ela reclamou,
reunindo o material de primeiros socorros sobre a cama, e sentando-se de frente para
ele _ Elas são muito pequenas...
_ Mas eu posso protegê-las, Bella... afinal, sou o pai _ ele protestou, deixando que a
mulher refizesse o corativo, de uma forma bem mais cuidadosa. Havia cortado a mão
na descida da escada de acesso ao farol, na ponta de um parafuso. Agora, um rasgão
considerável na palma latejava, e ele não conseguiu evitar uma careta quando a
esposa, derramou anti-séptico sobre ele.
_ Você é tão cabeça dura... _ Bella resmungou, dando um beijo sobre o ferimento após
cobri-lo com uma atadura limpa. Seus olhos, agora, estavam cheios de amor quando
olhou para ele.
_ E você é tão linda... que chega à doer _ ele disse, em tom zombeteiro, erguendo a mão
ferida.
_ A tia chegou! _ Nessie gritou da sala, assim que o motor do carro de Rosalie fez
barulho na entrada da casa. Aos dois anos, estava na fase de tagarelar naquela língua
engraçada e curiosa das crianças, e adorava anunciar as visitas não tão raras de suas
tias e avós. _ Tio Emm! Tio Jazz!
Bella e Edward gargalharam, quando ouviram o barulho que somente poderia ser Alice
levantando em um pulo do sofá, correndo na direção da porta. Estava namorando
Jasper há seis meses, logo depois do fim da sua paixão arrebatadora por Jacob, que
culminou com a partida do rapaz com uma top model americana famosa para as Ilhas
Gregas.
_ Eu nunca vi Alice tão romântica! _ Edward comentou, puxando Bella para os seus
braços, e virando-a de forma que ela ficasse de costas para ele, encaixada entre suas
pernas. _ Enfim, ela se deu conta do quanto Jasper sempre a amou... e de como ele
morria de ciúmes do Jake.
_ Sim, é verdade. Ela está tão... meiga _ Bella opinou, mas a palavra parecia
completamente inapropriada, tratando-se de Alice.
_ Eu não diria meiga, meu amor. Mas... apaixonada _ ele corrigiu, mordiscando sua
orelha, o que provocou um frissom pelo corpo de Bella, que relaxou imediatamente nos
braços do marido.
_ Você me deixa tonta _ ela confessou, pela primeira vez desde que haviam se
conhecido. _ Eu fico sem ar...
_ Eu sou o seu ar, Bella _ ele esclareceu, brincando com a língua no lóbulo da orelha
dela, que mantinha os olhos fechados de excitação e a respiração suspensa. _ E você é
a minha vida. Nenhum de nós poderia viver sem o outro... nunca.
Naquele momento, porém, não conseguia pensar em mais nada. Com exceção do
homem ao seu lado, o mundo parecia ter deixado de existir para ela. Aquele instante,
era apenas seu e de Edward.