UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA - CAMPUS UFV-FLORESTAL
Disciplina: Laboratório de Física Elétrica – FIF 225
EXPERIMENTO – DIODOS SEMICONDUTORES
INTRODUÇÃO
Os resistores, os capacitores e os indutores são denominados componentes lineares, porque a
corrente aumenta na proporção direta da tensão aplicada, de acordo com a Lei de Ohm. Os
componentes que não mantém essa proporcionalidade são ditos componentes não lineares e
formam a base de todos os circuitos eletrônicos práticos. Um importante dispositivo não linear é o
diodo. O termo diodo provém do fato deles possuírem dois terminais ativos ou eletrodos: um
anodo e um catodo. Dessa forma, os diodos apresentam dois comportamentos distintos para a
corrente elétrica: uma baixa resistência quando o anodo é positivo, ou uma altíssima resistência
quando o anodo é negativo. A figura 1 representa o símbolo eletrônico para o diodo. A circulação
convencional da corrente é na direção da flecha. O catodo é usualmente marcado com uma faixa
preta, branca ou vermelha.
Figura 1 – Representações dos diodos
Diodos semicondutores
Um diodo semicondutor é feito com a junção de duas camadas de materiais semicondutores (os
mais utilizados são silício e germânio). Uma das camadas tem excesso de elétrons (chamada de
região tipo n) e a outra tem excesso de cargas positivas (região tipo p). A existência destas duas
regiões diferentes é o que permite a passagem da corrente elétrica preferencialmente apenas em
um único sentido.
Estando polarizado reversamente (anodo negativo em relação ao catodo), o diodo não permite a
circulação de corrente, comportando-se como uma chave aberta (figura 2). Quando polarizado
diretamente (anodo positivo em relação ao catodo) com uma tensão superior a uma tensão de
corte, Vf, circulará corrente pelo dispositivo. Em polarização direta, o diodo comporta-se como
uma tensão Vf em série com uma pequena resistência r (figura 3). A tensão V f se opõe a tensão
externa e o seu valor é de aproximadamente 0,7 V para diodo de silício e de 0,3 V para diodo de
germânio.
Figura 2 – Diodo em polarização reversa Figura 3 – Diodo em polarização direta
Curva característica de um diodo semicondutor
A curva corrente-tensão ou curva I-V é a curva característica de um dispositivo eletrônico, seja ele
um resistor, um capacitor ou um diodo. Enquanto a curva I-V de um resistor que obedece a lei de
Ohm (resistor ôhmico) é uma reta, a curva característica de um diodo apresenta uma forma não-
linear, como a mostrada na Fig. 4.
Figura 4 – Curva característica do diodo de silício e germânio
Quando uma tensão positiva é aplicada entre o anodo e o catodo, uma corrente I D flui através do
diodo, desde que essa tensão seja superior a um valor V D determinado pelo tipo e pelo material
utilizado na fabricação do diodo. Para um diodo de silício, esse valor de tensão é cerca de 0,7 V,
enquanto que um diodo de germânio, a tensão de polarização é cerca de 0,3 V. À medida que a
corrente ID aumenta, a tensão VD também aumenta, porém, a maior queda de tensão no diodo é
devido à sua polarização. Se uma tensão reversa negativa V R é aplicada sobre o diodo (do anodo
para o catodo), o dispositivo exibe uma grande resistência à passagem de corrente e esta corrente
denomina-se corrente de fuga reversa (IR). Se a intensidade da tensão reversa exceder um valor
crítico, ocorre uma avalanche de portadores de carga e a corrente aumenta rapidamente. A tensão
em que ocorre a avalanche de corrente é denominada tensão de ruptura reversa (VBR) e para o
diodo de silício está compreendido entre 50 e 1000 V, dependendo do processo de fabricação do
diodo.
Teoricamente, a dependência I(V) de um diodo é dada pela equação de Ebers-Moll:
I = Is exp (V/ηVT)
em que Is é uma pequena corrente que aparece em polarização reversa e η é o chamado “fator de
idealidade” (1<= h <=2) que depende da fabricação do diodo (tipo de material, dopagem, etc.). V T
é uma constante de origem térmica, que em temperatura ambiente é de aproximadamente 26 mV.
Diodos emissores de luz
Há diversos tipos de diodos. Um deles é o LED, ou diodo emissor de luz (light emitting diodes).
Em junções construídas com materiais como arsenato de gálio ou nitreto de gálio, as
recombinações de elétrons e buracos injetados dentro da zona de depleção causam emissão de
radiação eletromagnética. Este efeito é denominado eletroluminescência e é utilizado nos diodos
emissores de luz. Os LEDs podem ser fabricados em diversas cores que vão do infravermelho ao
ultravioleta, incluindo o azul e o branco.
Dados típicos de alguns LEDs comerciais
Cor λ (nm) VF (V)
Azul 470 3,6
Verde 565 2,1
Amarelo 585 2,1
Vermelho 660 1,8
PARTE EXPERIMENTAL
OBJETIVOS
Observar o comportamento de diodos em polarização reversa e direta.
Levantar a curva característica de um diodo.
MATERIAL UTILIZADO
Painel de ligação
Fonte de tensão contínua
Multímetros
Resistor 470 Ω
Diodo retificador
LEDs
Cabos de ligação
PROCEDIMENTOS
1 – Meça com o ohmímetro a resistência direta e reversa do diodo retificador.
2 – Monte o circuito da figura 5, utilizando o diodo retificador.
Figura 5 – Circuito para obtenção da curva característica do diodo
3 – Ajuste a fonte de tensão da fonte para 5V. Observe a leitura do amperímetro. Inverta o diodo no
circuito e identifique as posições para polarização direta e reversa.
4 – A corrente no circuito pode ser calculada por I = (V – V F) / R. Calcule esta corrente e compare com
o valor medido para a polarização direta.
5 – Ajuste a fonte para a menor tensão possível e conecte um voltímetro em paralelo com o diodo.
Varie a tensão na fonte até que a tensão sobre o diodo seja de aproximadamente 1,3V. Varie
lentamente a tensão e registre pares de valores de V sobre o diodo e da corrente I, tendo o cuidado em
obter uma boa definição da curva nas proximidades de V F. Evite registrar pontos para correntes acima
de 10 mA.
6 – Plote a curva característica do diodo.
7 – Tendo como base a relação aproximada entre V e I (equação de Ebers-Moll), obtenha, por meio de
uma análise gráfica, os valores das constantes I s e η, com respectivos erros e unidades.
8 – Substitua o diodo por um LED e repita os passos de 3 a 6 para obter a curva característica do LED.
REFERÊNCIAS
F.G. Capuano, M.A.M. Marino - Laboratório de eletricidade e Eletrônica - 1995.
Halliday, Resnick, Walker. 2006. Fundamentos de Física, vol. 3, LTC. Campos, Alves, Speziali,
2007, Física Experimental Básica na Universidade, editora UFMG.