Problema 1 – Módulo II – 7ª etapa
Kenderly Baltokoski
Data: 21/09/2020
Objetivos:
1) Diferenciar a crise epiléptica das síndromes epilépticas.
2) Caracterizar as síndromes epilépticas (tipos): etiologia, clínica, fisiopatologia,
diagnóstico e tratamento.
3) Descrever as síndromes epilépticas de acordo com a idade
4) Descrever a farmacologia dos medicamentos
5) Caracterizar o estado do mal epiléptico: etiologia, clínica, fisiopatologia,
diagnóstico e tratamento
Fechamento:
Conceitos
Conceitos:
o Convulsões:
São manifestações clínicas neurológicas temporárias que resultam
da hipersincronização elétrica das redes neurais no córtex
cerebral, de modo não funcional.
o Epilepsia:
Distúrbio cerebral caracterizado pela predisposição persistente do
cérebro para gerar crises epilépticas e pelas consequências
neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais desta condição.
As crises epilépticas podem se manifestar com alterações da
consciência ou eventos motores, sensitivos/ sensoriais e
autônomos (ex. suor excessivo, queda de pressão).
Ou seja, a epilepsia pode ter crises convulsivas, mas nem toda
convulsão pode ser diagnosticada como epilepsia.
o Crise Epiléptica:
Pode ser uma alteração visual, auditiva, convulsão focal (só um
braço ou uma perna).
Nem toda crise epiléptica é uma crise convulsiva!
o Crise Convulsiva:
Atividade elétrica anormal
Tipo especial de crise epiléptica que se caracteriza por episódio de
contração muscular excessiva ou anormal, usualmente bilateral,
que pode ser sustentada ou interrompida.
Apresenta movimentos ritmados, tônico-clônicos, sendo a
apresentação mais comum a crise convulsiva tônico-clônica
generalizada.
TODA crise convulsiva é uma crise epiléptica!
Dois tipos:
Provocada: insulto agudo AVC, etc.
Não provocada: espontâneas
o Síndrome Epiléptica:
Alterações clínicas + achados EEG semelhantes
Conjunto de características, incluindo tipos de crises, EEG e
características de imagem, que tendem a ocorrer juntos.
o Estado de Mal Epilético:
Crise prolongada (mais de 5 minutos de duração) ou múltiplas
crises sem retorno completo do nível de consciência, sendo
caracterizado como uma emergência.
Epilepsia
Definição de Epilepsia:
o 2 ou mais crises NÃO provocadas em um intervalo > 24h
o Paciente com alta chance de recorrência, por exemplo, alterações
estruturais.
o Síndrome Epiléptica (alterações clínicas + achados EEG semelhantes)
Epidemiologia:
o Estima-se que há mais de 50 milhões de pessoas com epilepsia no
mundo. A prevalência na população mundial encontra-se entre 1,5 e 30
casos para cada mil habitantes. É a 3ª principal contribuinte para o
ranking mundial de doenças por distúrbios neurológicos. A incidência
tende a ser mais alta em faixas etárias mais jovens (primeira infância) e
em idades entre 50 e 60 anos.
Classificação:
o Instalação:
Focal ou parcial: surge de uma atividade elétrica neuronal anormal
unifocal ou multifocal, mas de apenas um hemisfério cerebral.
Simples: não há alteração no nível de consciência
Complexas: há comprometimento do nível de consciência
Manifestações motoras: automatismos, atônica, tônica,
clônica (abalos), mioclônica (abalos rápidos e curtos),
hiperciética, espasmos epilépticos.
Manifestações não-motoras:
o Autonômico: pálido, sudoreico
o Cognitivo: alteração de linguagem, dejavú
o Emocional: ansioso, medo
o Sensitivo: parestesias, hipoestesias, etc.
o Parada comportamental
Pode começar focal e se generalizar
O EEG interictal mostra descargas epileptiformes focais,
mas o diagnóstico deve ser feito com base nos dados
clínicos.
Existem várias autolimitadas (descargas contratemporais).
Generalizada: atividade neuronal anormal nos dois hemisférios
cerebrais.
Principalmente manifestações motoras nos dois lados do
corpo: automatismos, atônica, tônica, clônica (abalos),
mioclônica (abalos rápidos e curtos), hiperciética, espasmos
epilépticos.
Caracterizada pela apresentação de atividade de complexos
de espícula-onda generalizados no EEG.
O diagnóstico é feito com base nos dados clínicos,
corroborados pelo achado de descargas interictais típicas no
EEG.
Epilepsias generalizadas idiopáticas/genéticas
o Epilepsia ausência da infância
o Epilepsia ausência juvenil
o Epilepsia mioclônica juvenil
o Epilepsia com crises tônico-clônicas
Combinada: um mesmo paciente apresenta tanto crises focais
como generalizadas. O EEG interictal pode mostrar tanto espícula-
onda generalizada como descargas epileptiformes focais
(síndromes de Dravet e de Lennox gastaut.
Desconhecido: incapaz de determinar o tipo.
Etiologia:
o Genéticas:
Defeito genético conhecido ou presumido
Crises são os sintomas fundamentais do distúrbio
o Estrutural/ metabólica:
Infecciosas (meningite, tuberculose, HIV)
Vasculares AVCi ACVh
Tóxico-metabólicas
Traumáticas
Abstinência ou abuso de substâncias
Tumorais
Imune
o Causa desconhecida
Fisiopatologia:
o Ocorrem descargas neuronais excessivas e sincrônicas provocadas por
estímulo exctatório, mediado principalmente pelo glutamato (principal
neurotransmissor excitatório) ou pela falta da inibição mediada pelo
GABA (neurotransmissor inibitório).
o O sódio, o cálcio e o potássio são íons carregados positivamente,
enquanto o cloreto é o principal íon negativo. Desse fluxo iônico através
da membrana neural, produzem-se potenciais elétricos (potenciais de
membrana).
o Esses potenciais dependem da quantidade de cada tipo de íon que passa
pela membrana e são mantidos por sistemas que envolvem a bomba de
sódio/potássio e o controle da abertura dos canais iônicos. Ou seja,
qualquer fator que interfira com o potencial de excitabilidade dos
neurônios pode causar convulsões.
o As convulsões podem ser geradas por aumento da excitação na
transmissão sináptica e por picos de cálcio nos principais neurônios
corticais excitatórios, que utilizam o glutamato como neurotransmissor.
o Além disso, alterações celulares incluem mudanças fenotípicas e
funcionais nos neurônios, células da glia e vasos sanguíneos as quais
podem levar à desregulação da barreira hematoencefálica. Com o dano à
barreira hematoencefálica, macrófagos circulantes extravasam para o
parênquima cerebral, contribuindo para a inflamação e perda de células
neurais.
o Além disso, alterações epigenéticas contribuem para modificações no
canal iônico e nos receptores neuronais que controlam o limiar de
excitabilidade. Essas alterações diminuem o limiar convulsivo,
contribuindo assim para o início e progressão da epilepsia.
o Apesar da causa de a epilepsia ser muitas vezes desconhecida,
convulsões podem ser o resultado de quase qualquer insulto que perturbe
a função cerebral (trauma, doenças infecciosas, auto-imunes, genéticas).
o Principais fatores envolvidos na epileptgênese:
1 – Eventos intrínsecos da membrana de determinadas células.
2 – O grau de desinibição da população neuronal.
3 – Presença de circuitos recorrentes excitatórios.
4 – Modulação da concentração de íons transmissores no espaço
intercelular
5 – Presença de interações elétricas entre os neurônios.
Diagnóstico:
o Avaliação Inicial:
História clínica + anamnese + exame físico
o Exames:
Glicemia, rastreio infeccioso, alterações hidroeletrolíticas (sódio),
perfil toxicológico
Líquor quando suspeita de infecção do SNC
Neuroimagem: alterações estruturais
Eletroencefalograma:
Caracterização do foco epiléptico
Síndrome específica
Eletrocardiograma: exclusão de diagnósticos diferenciais.
Diagnósticos diferenciais:
o Síncope
o Arritmias cardíacas
o AIT
o Migrânea
o Ataques de pânico
o Crises psicogênicas
o Distúrbios metabólicos
Comorbidades:
o Várias epilepsias são associadas com comorbidades como: problemas de
aprendizado, psicossociais e comportamentais. Estas variam em tipos e
gravidade. Nas mais graves podemos encontrar: déficits motores como
paralisia cerebral ou deterioração na marcha, transtorno de movimento,
alterações de sono.
Encefalopatia epiléptica:
o Aquela em que a atividade epiléptica por si contribui para
comprometimentos cognitivos e comportamental grave, além daqueles
que seriam esperados pela patologia isolada. Pode causar estagnação ou
regressão no desenvolvimento.
Tratamento:
o Crises provocadas TRATAR A CAUSA BASE
o Não provocadas:
INÍCIO DE FÁRMACO ANTIEPILÉPTICO:
Predisposição a novas crises
> ou igual 2 crises com uma distância maior de 24h entre
elas
Síndrome epiléptica estabelecida
o Fármacos antiepilépticos:
Tentar utilizar o fármaco com menos efeitos adversos
Priorizar a monoterapia em mínima dose efetiva até dose
máxima tolerada
Crises focais:
Carbamazepina, fenioina, lamotrigina, topiramato
Crises generalizas:
Valproato de sódio, lamotrigina, etossuximida. NÃO
carbamazepina.
Carbamazepina: bloqueador de canal de sódio e discreta
ação anticolinérgica, droga de baixo custo, usada em crises
focais ou generalizadas em pacientes com mais de 1 anos
Valproato: ação gabaérgica, bloqueio do canal de cálcio tipo
T e bloqueio do canal de sódio, causa aumento do tempo de
sangramento, também utilizado como estabilizador de
humor, usado em pacientes com mais de 10 anos e com
qualquer forma de epilepsia.
Topiramato: bloqueador do canal de sódio, gabaérgico, não
é bem tolerado, não tem efeito no citocromo P450, amplo
espectro de ação.
Lamotrigina: bloqueador do canal de sódio, não tem efeito
no citocromo P450
*Pode ocorrer associação medicamentosa
Sinergismo entre ácido valpróico e lamotrigina
Carbamazepina + lamotrigina = efeitos adversos neurotóxicos
O paciente é considerado livre de crises quando elas não ocorrem
por pelo menos 2 anos, em vigência de tratamento com dose
inalterada. Pacientes com crises após este período são refratários.
Crise resolvida = 5 anos sem medicação.
Epilepsia refratária a 3 tratamentos medicamentosos indicação
cirúrgica.
Síndromes Epilépticas
Definição:
o Alterações clínicas + achados EEG semelhantes
Tipos:
o Síndrome de West:
3 meses a 1 ano
Espasmos repetidos em grupos
Hipsarritmias (ondas caótidas EEG)
Causas: malformações cerebrais difusas, lesões focais, etc.
o Síndrome Lennox-Gastaut:
Entre 1 a 10 anos
Crises tônicas, principalmente durante o sono
Deterioração neuropsicológica
EEG: atividade de base lenta, complexos de ponta-onda ritmados e
menos do que 3
Tratamento: valproato, BZD
o Epilepsia de ausência da infância:
Epidemiologia: 4-10 anos
Clínica:
Criança que tem episódio de parada comportamental súbito
com duração de segundos e sem sintomas pós.
É desencadeada por hiperventilação.
EEG:
Epilepsia generalizada
Complexo espícula-onda a 3Hzex
Tratamento:
Etosuximida
Valproato de sódio
o Epilepsia mioclônica juvenil:
Epidemiologia: 13-18 anos
Clínica:
Crises mioclônicas (parecem sustos, movimentos rápidos e
abruptos)
Crises tônico-clônicas generalizadas (principalmente
durante o sono)
As crises são desencadeadas por fotoestimulação
(pokémon, luz piscando)
EEG:
Epilepsia generalizada
Complexo poliespícula-onda lenta 3-4Hz
Tratamento:
Valproato de sódio
Lamotrigina
Status Epilepticus ou Estado de Mal
Epiléptico
Definição:
o Crises recorrentes sem recuperação do nível de consciência > igual a 30
minutos (antigo).
o Atual: É uma crise epiléptica ÚNICA que dura mais de 5 minutos OU
DUAS ou MAIS crises sem recuperação completa da consciência entre
elas.
Conceitos:
o Crise Convulsiva:
Apresenta movimentos ritmados, tônico-clônicos, sendo a
apresentação mais comum a crise convulsiva tônico-clônica
generalizada.
TODA crise convulsiva é uma crise epiléptica!
o Crise Epiléptica:
Pode ser uma alteração visual, auditiva, convulsão focal (só um
braço ou uma perna).
Nem toda crise epiléptica é uma crise convulsiva!
Epidemiologia:
o Emergência comum:
10 a 20% dos pacientes epilépticos vão apresentar 1 ou mais
episódios de status epilépticos durante a vida.
o Incidência em “U”:
Crianças pequenas < de 1 ano e idosos > 60 anos.
o Tempo:
Quanto mais tempo, > de 30 min pior prognóstico!
Fisiopatologia:
o Falha dos mecanismos de encerrar uma convulsão:
Exacerbação dos mecanismos excitatórios
Quanto falha dos mecanismos inibitórios
o Milisegundos:
Abertura dos canais iônicos liberação de neurotransmissores
(excitatórios como glutamato) fosforilação de proteínas que
perpetuam a crise convulsiva
o Segundos a minutos:
Diminuição dos receptores GABA (inibitório)
Aumento receptores NMDA (excitatório)
Aumento AMPA (excitatório)
o Minutos a hrs:
Aumento das subunidades proteicas, como a substância P
Diminuição da substância Y
o Horas a dias:
Fatores genéticos ou epigenéticos podem estar associados a esse
processo
Produção de mRNA
Etiologia:
o Varia de acordo com a idade:
Crianças pequenas:
Estado epiléptico febril - FIRES
Idosos e adulto:
Causas agudas:
o Lesão subjacente (AVC)
o Distúrbio metabólico (distúrbio do sódio, hipo ou
hipercalcemia, hipomagnesemia, insuficiência renal
ou hepática)
o Hipóxia ou anóxia cerebral
o Infecções (meningite, encefalite, sepse)
o Trauma (TCE)
o AVC
Causas crônicas:
o Epilepsia (progressão, medicação)
o Lesões estruturais (AVC, sequela TCE ou de
neurocirurgia)
o Abstinência
o Drogas que diminuem o limiar convulsivo
(antibióticos, antidepressivos, flumazenil, lítio)
o Tumores
Classificação:
o Estado Epiléptico Convulsivo: paciente chega convulsionando
o Estado Epiléptico Não-convulsivo: RNC
o Refratário: refratário a duas drogas (BZD e anticonvulsivante)
o Super-refratório: refratário a três drogas (BZD, anticonvulsivante e
anestésico)
Diagnóstico:
o Clínico:
Avaliar nível de consciência; observar movimentos automáticos;
verificar mioclonia
o EEG: Status epilepticus não convulsivo!
Atividade contínua de pico
Ondas com ritmo irregular
Ajuda a determinar o fim da atividade epiléptica!
o Diagnóstico etiológico:
TC crânio:
Hiperdensidade: hemorragia aguda
Hipodensidade focal: isquemia ou lesão de massa adjacente
RNM de crânio:
Lesões estruturais causa subjacente das crises
Anormalidades reversíveis (consequência do próprio status
spilepticus): áreas hiperintensas (flair, T2 ou difusão), realce
de contraste irregular e aumento do fluxo sanguíneo
(perfusão) tudo sinal de edema ceular
Líquor:
Meningite, encefalite
Diagnóstico diferencial:
o Distúrbio paroxístico dos movimentos
o Encefalopatia
o Estado psicológico epiléptico (simulação)
o Síncope
o Acidentes isquêmicos transitórios
o Enxaqueca
Tratamento:
o Atenção: O status epilepticus deve ser tratado imediatamente, não há
necessidade de esperar por EEG!
o Estágio 1:
ABC
MOV
Exames laboratoriais
Glicemia capilar: tiamina IV + glicose
o Após cerca de 5 minutos convulsionando BZD:
Lorazepam (EUA)
Diazepam, 10 mg IV ou
Midazolam, 10 mg IM ou IV
Repetir se preciso (mais 10mg)
Estágio 2 (pós 10 minutos):
Fenitoína: 20 mg/kg IV (no máximo 50 mg/min) OU
Ácido Valproico: 20-40 mg/kg IV (cerca de 100 mg/min) OU
Fenobarbital: 20 mg/kg IV (50-75 mg/min) OU
Levetiracetam: 20-60 mg/kg (mais de 15 min.)
Estágio 3 (30 minutos estado de mal epiléptico refratário):
Anestesia geral + EEG
o IOT + Midazolam: 2 mg/kg em infusão IV 0,2-0,6
mg/kg/h OU
o Propofol: 2 mg/kg em infusão IV 2-5 mg/kg/h
Estágio 4 (90 minutos) estado de mal epiléptico super
refratário):
o Pentobarbital: 5 mg/kg em infusão IV 1-5 mg/kg/h
o Ketamina
o Hipotermia
o Monitorização contínua
Prognóstico:
o Variável!
Etiologia subjacente
Status epilepticus pós anóxia cerebral (mortalidade beira 100%)
Idade avançada
Comorbidades clínicas
Tempo em crise
o Consequências sistêmicas:
Morte neuronal ocorre após 30 a 60 min de crise
Arritmias
Hipoventilação
Hipóxia
Febre + leucocitose
Crises Convulsivas
Crise Convulsiva:
o Atividade elétrica anormal
o Tipo especial de crise epiléptica que se caracteriza por episódio de
contração muscular excessiva ou anormal, usualmente bilateral, que pode
ser sustentada ou interrompida.
o Apresenta movimentos ritmados, tônico-clônicos, sendo a apresentação
mais comum a crise convulsiva tônico-clônica generalizada.
o TODA crise convulsiva é uma crise epiléptica!
o Dois tipos:
Provocada: insulto agudo AVC, etc.
Não provocada: espontâneas
Classificação:
o Crises Generalizadas: são aquelas que as primeiras manifestações
clínicas indicam o envolvimento inicial de ambos os hemisférios cerebrais
e apresentam alteração do nível de consciência
Tônico-clônicas: são ataques disperceptivos caracterizados por
alternância da contração e relaxamento muscular (leva a liberação
esfincteriana)
Fase tônica: contração tônica de todos os músculos dos
membros durante 10 a 30 segundos, produzindo uma
extensão depois de uma flexão, em especial das costas e
do pescoço.
Fase clônica: consiste no relaxamento muscular, produzindo
movimentos simétricos dos membros, que persistem por 30
a 60 segundos ou mais.
Quando o paciente volta a consciência existe confusão pós-
ictal e cefaleia.
Atônicas: perda global do tônus muscular levando a quedas súbitas
e imediatas. Envolvem uma súbita hiperexcitabilidade difusa do
córtex cerebral que se propaga para estruturas do tronco cerebral
que controlam o tônus muscular.
Ausência: perda de consciência breve (5 a 10s), sem perda do
tônus postural. Podem ocorrer manifestações motoras sutis.
Podem ocorrer centenas de crises ao dia. Podem ocorrer somente
na infância ou continua na vida adulta.
Mioclonais: Contrações súbitas, rápidas, semelhantes a um
choque, que podem estar localizadas em alguns músculos de uma
ou mais extremidades, podendo apresentar uma distribuição mais
generalizada. Geralmente inicia na adolescência.
Tônica
o Crises Focais ou Parciais: são aquelas que se originam em redes neurais
limitadas a um hemisfério cerebral, as quais podem ser restritas ou
distribuídas de forma mais ampla. Esse tipo pode evoluir para crises
secundárias generalizadas. Crises focais podem se originar em estruturas
subcorticais.
Parcial perceptiva: consciência intacta. Podem resultar em
fenômenos motores, sensoriais ou autônomo.
Parcial disperceptiva: com algum prejuízo na consciência
responsividade ou memória. Geralmente se origina no lobo
temporal ou frontal medial. Os episódios podem começar com uma
aura. O componente motor é caracterizado pelos chamados
“automatismos” (movimentos involutários e coordenados). 75%
movimentos orobucolinguais.
Início motor/ início não motor
Evolução para tônico-clônica bilateral
o Não Classificáveis
Diagnóstico:
o Clínico: obter uma história detalhada + exame físico geral com ênfase nas
áreas neurológica e psiquiátrica.
Idade de início, frequência, intervalos, crises febris, crise
provocada, história familiar, traumas, presença de aura (alteração
de sensação, sudorese, eritema, dejavu, afasia e automatismos)
o Para afirmar a epilepsia devemos encaixá-lo em pelo menos um dos
seguintes critérios:
2 crises não provocadas, em um intervalo > 24h
Paciente com alta chance de recorrência (alteração estrutural, por
exemplo)
Síndrome epiléptica
o Exames complementares:
EEG:
Em vigília e em sono (obrigatórios)
Um resultado normal não exclui a possibilidade de epilepsia
RM e TC:
Suspeita de causas estruturais
Quadro Clínico:
o Manifestações motoras:
Automatismos: movimentos estereotipados
Atônica: perda do tônus muscular
Tônica: hipertonia muscular
Clônica: abalos rítmicos focais
Mioclônica: abalos focais breves e irregulares
Hipercinética: movimentos rápidos
Espasmos: flexão/ extensão
o Manifestações não-motoras:
Autonômico: palago
Cognitivo: alteração de linguagem, sensação de dejavu, incerteza
Emocional: ansiedade, medo
Sensitivo: parestesia, hipoestesia
Parada comportamental: indivíduo parado com olhar vago