OFICINA BÁSICA DE ROTEIRO: FICÇÃO
E DOCUMENTÁRIO
LABORATÓRIO DE ROTEIRO 2025
INTRODUÇÃO
Objetivo: Introduzir os participantes aos fundamentos da escrita de roteiro, incluindo
estrutura narrativa, criação de personagens, diálogos e elementos essenciais como
logline, sinopse, argumento e escaleta.
1. O que é um Roteiro?
Um roteiro é um texto que descreve uma história de forma visual e auditiva, servindo
como guia para produções de cinema, TV, teatro ou outras mídias audiovisuais.
Diferenças entre roteiro literário e técnico:
● Roteiro literário: Focado na narrativa, diálogos e ações.
● Roteiro técnico: Inclui detalhes de câmera, iluminação e som (geralmente
usado na produção).
2. Elementos Pré-Roteiro
Antes de escrever o roteiro em si, é comum desenvolver algumas ferramentas
narrativas:
A) Logline
● O que é? Uma frase ou duas que resumem a história de forma atraente.
● Função: Vender a ideia rapidamente.
● Fórmula básica:
[Protagonista] + [Objetivo] + [Conflito/Obstáculo]
Exemplo:
"Um pescador teimoso embarca em uma jornada perigosa para capturar um peixe
gigante, enfrentando o mar e sua própria solidão." (Referência: O Velho e o Mar)
Exercício: Escreva um logline para uma história curta.
B) Sinopse
● O que é? Um resumo de 5 a 10 linhas que apresenta a premissa, os
personagens principais e o conflito central.
● Função: Dar uma visão geral da história.
Exemplo:
"Em um futuro distópico, um jovem pobre se disfarça de nobre para participar de um
jogo mortal que pode salvar sua família. Porém, quanto mais ele avança, mais se
envolve em uma teia de conspirações políticas." (Referência: Jogos Vorazes)
Exercício: Escreva uma sinopse para sua ideia de roteiro.
C) Argumento
● O que é? Um texto mais detalhado (1-3 páginas) que descreve a história com
começo, meio e fim, incluindo personagens principais e pontos de virada.
● Função: Servir como esqueleto do roteiro.
Dica: Inclua:
● Introdução do mundo e personagens.
● Incidente incitante.
● Conflitos principais.
● Clímax e resolução.
Exercício: Desenvolva um argumento a partir da sua sinopse.
D) Escaleta
● O que é? Uma lista sequencial das cenas do roteiro, sem diálogos detalhados,
apenas a estrutura básica.
● Função: Organizar a narrativa antes da escrita final.
Formato básico:
1. Cena 1 – INT. CASA – DIA → João recebe uma carta misteriosa.
2. Cena 2 – EXT. RUA – NOITE → João segue um estranho até um beco escuro.
3. Cena 3 – INT. BAR – NOITE → O estranho revela um segredo chocante.
Exercício: Faça uma escaleta com 5 cenas para sua história.
3. Estrutura Básica de um Roteiro
A) Formatação Padrão
● Fonte: Courier New, tamanho 12.
● Margens: Esquerda (3 cm), Direita (2,5 cm), Superior/Inferior (2,5 cm).
● Elementos principais:
○ Cabeçalho de cena (ex.: INT. CASA – SALA – DIA)
○ Ação (descrição do que acontece)
○ Personagem (nome em maiúsculas antes do diálogo)
○ Diálogo (fala do personagem)
Exemplo:
text
INT. CASA – SALA – DIA
Joana, uma mulher de 30 anos, olha pela janela enquanto segura uma xícara de
café.
JOANA
(baixinho)
Será que ele volta hoje?
O TELEFONE TOCA. Ela hesita antes de atender.
B) Estrutura Narrativa (3 Atos)
1. Ato 1 – Apresentação
○ Introdução do mundo, personagens e conflito principal.
○ Incidente incitante: Evento que dá início à história.
2. Ato 2 – Confrontação
○ Desenvolvimento do conflito, obstáculos e tensão crescente.
○ Ponto médio: Virada na história.
3. Ato 3 – Resolução
○ Clímax e desfecho.
○ Mostra a transformação do personagem.
4. Criação de Personagens
Um bom personagem tem:
● Objetivo (o que ele quer?)
● Conflito (o que o impede?)
● Arco de transformação (como ele muda?)
Exercício: Descreva um personagem com:
● Nome, idade, profissão.
● Um desejo e um medo.
● Um segredo.
5. Diálogos Eficientes
● Devem soar naturais, mas serem mais objetivos que na vida real.
● Evitar exposição forçada (ex.: "Lembra quando seu pai morreu há 5 anos?").
● Usar subtexto (o que não é dito diretamente).
Exercício: Escreva um diálogo onde dois personagens discutem sem mencionar o
problema diretamente.
6. Decupagem de Roteiro
O que é Decupagem?
A decupagem é o processo de decompor o roteiro literário em planos e sequências
técnicas, definindo como cada cena será filmada. É geralmente feita pelo diretor em
colaboração com o diretor de fotografia.
Elementos da Decupagem:
1. Planos (enquadramentos):
○ Plano geral (PG): Mostra o ambiente e personagens em contexto amplo.
○ Plano médio (PM): Corta o personagem da cintura para cima.
○ Close-up (CU): Detalhe do rosto ou objeto.
○ Plano sequência: Cena contínua sem cortes.
2. Movimentos de Câmera:
○ Panorâmica (PAN): Câmera gira horizontal/vertical.
○ Travelling: Câmera se move junto com a ação.
○ Zoom: Aproximação ou afastamento óptico.
3. Transições:
○ Corte seco: Mudança direta entre cenas.
○ Dissolve: Sobreposição gradual.
○ Fade in/out: Aparecimento/desaparecimento gradual.
Exemplo de Decupagem no Roteiro:
text
CENA 12 – EXT. PRAIA – DIA
- PG: ONDAS QUEBRANDO NA PRAIA VAZIA.
- PAN LENTO PARA A DIREITA, REVELANDO CARLOS CAMINHANDO.
- PM: CARLOS OLHA PARA O MAR, EXPRESSÃO TRISTE.
- CU: SUA MÃO SEGURANDO UMA CARTA AMASSADA.
- TRAVELLING PARA TRÁS, MOSTRANDO-O CAMINHANDO SOZINHO.
Exercício de Decupagem:
Escolha uma cena do seu roteiro e decupe-a em pelo menos 5 planos diferentes,
indicando movimentos de câmera.
7. Prática: Do Logline ao Roteiro
Exercício Final:
1. Escreva um logline.
2. Desenvolva uma sinopse.
3. Transforme em um argumento (1 página).
4. Crie uma escaleta (5-10 cenas).
5. Escreva uma cena completa em formato de roteiro.
8. Análise em sala de aula do roteiro “TARDE DENTRO DA
TARDE”
(ÚLTIMA VERSÃO)
DRAMA_TARDE DENTRO DA TARDE
1.EXT. RUA DA PERIFERIA/ DIA
O carro do peixe anunciando pelas ruas do bairro Cidade
Nova: "jaraqui, pacu, curimatã… é o carro do peixe passando
na sua
rua"
2.INT. CASA DE DANI / DIA
Na sala, alguns livros estão dispostos em cima de uma mesa de
madeira. Há papéis rabiscados também, com fórmulas de física,
cálculos matemáticos, contas de química. Borracha, apontador e
alguns lápis terminam de compor a mesa. No resto da sala há um
sofá de madeira com algumas almofadas e um armário de madeira
onde se guardam as louças. Da janela, o carro do peixe passa
anunciando: "jaraqui, pacu, curimatã…"
3.INT. CASA DE DANI / DIA
Plano fechado na mão de DANI (19). Magro, pele morena, rosto
redondo, olhos pequenos, cabelo pintado de loiro e uma
tatuagem esverdeada na costela. Dani está cobrindo o jaraqui
com farinha. Ele faz isso com cuidado. Observamos com detalhe
as mãos, a farinha e o peixe. O plano abre. TATI está fazendo
uma caipirinha, dá um gole pra saber se ficou bom e passa o
copo para Dani. O peixe queima no óleo. Dani dá um gole na
bebida. Olha para TATI: "tô brocado!". O amarelo do sol rasga
a cozinha. Calor de setembro. Os dois estão pingando em suor.
4.INT. CASA DE DANI/ DIA
Livros, cadernos, etc, estão amontoados numa cadeira. Na mesa
o jaraqui frito. A farinha. O vinagrete. Dani abocanha um
jaraqui. Tati come com toda vontade outro. Ela serve um pouco
de cerveja em seu copo.
DANI
Bota no meu também, por favor!
Tati enche o copo de Dani. Tati olha Dani arrancando a
cabeça do jaraqui.
TATI
Bora dormir depois?
DANI
Bor
a Tati olha fixamente para Dani.
5.INT. COZINHA/DIA
Tati tá quebrando castanha na fresta da porta que dá para
o quintal. A luz do dia está mais suave, trazendo um tom
mais azul do final da tarde. Dona Rai, mãe de Dani, está
no
quintal recolhendo as roupas do varal.
DONA RAI
Filha, deixa aí
que eu quebro o resto
TATI
[responde de
longe] Obrigado,
dona RAI!
6.INT. PÁTIO DA CASA/ DIA
Plano aberto. Dani está deitado numa rede branca com detalhes
azul. Tati entra com algumas castanhas do Pará na mão e se
deita junto ao namorado. Ela se encaixa em Dani.
DANI
Tati, tem farinha aí
ainda… posso comprar
açaí depois
pra gente tomar.
Tati está de olhos fechados e balbucia: "humrum". Dani come
as castanhas que TATI lhe deu. Detalhe das pontas dos pés de
Dani se esforçando para a rede pegar embalo. A rede pega
impulso e o casal dorme. Apenas o barulho da rede balançando
no silêncio da tarde. Plano aberto da sala.
VOZ OVER TATI
A mãe Martiniana dizia que ser
feliz é tu nunca sentir
que seria melhor estar em outro lugar
que não esse, agora.
É tu nunca sentir que seria melhor
ser outra pessoa que não você,
alguém diferente, alguém mais
novo ou mais velho, alguém mais
feliz.
Quando tinha algumas tardes tranquilas
eu costumava me sentir assim.
TÍTULO: TARDE DENTRO DA TARDE
7.INT. BANHEIRO / DIA
Plano fechado no rosto da Tati. Ela olha diretamente para a
câmera por alguns instantes. Ela está apreensiva pois está no
banheiro fazendo um teste de gravidez. Tati então olha o
resultado. Deu positivo.
8.INT. BAR/ DIA
Plano conjunto em Betinha (mulher cis) e Jô (mulher trans).
As duas estão abraçadas atrás do balcão do bar. Betinha
chora.
Jo
Tá tudo bem, amiga.
Ta tudo bem.
Ta tudo bem.
Toma essa água.
Betinha
Eu tô cansada.
Betinha toma a água. A cumplicidade entre as duas é quebrada
por uma cliente batendo no balcão. É Nancymiê , tem 7 anos de
idade, e usa um vestidinho solto. É filha da ADRIANA, prima
da TATI.
Nancymiê
Oi! Queria comprar uma cerveja.
Betinha e Jô ficam sem entender.
Nancymiê
Num é pra mim não, tia. É pra mamãe.
Betinha
Ahhhh, ainda bem que você falou.
Nancymiê dá uma risadinha. Tem uma carinha de sapeca. Jo se
aproxima de Nancymiê.
Nancymiê
Tia, por que ela tava chorando?
Jo
Porque a tia brigou com a mãe dela hoje.
Nancymiê
Eu também brigo às vezes com a mamãe.
Betinha se aproxima e entrega a garrafa de cerveja para
Nacymeiê.
Nancymiê
Tchau, tia! Obrigado!
Jo e Betinha ficam olhando Nancymiê indo embora.
9.EXT. RUA DA PERIFERIA/ DIA
Tati anda na rua com a cabeça meio flutuando segurando a
sacola de dindin. Logo atrás de TATI surge Nancymiê com o
litrão na mão.
Nancymiê
Tia, tia
Tati se recompõe. TATI
Bora
As duas caminham juntas.
TATI
vou te contar um segredo
mas não fala pra
ninguém
9.1EXT. RUA DA PERIFERIA/ DIA
TATI CAMINHANDO COM NANCYMIÊ.
NANCYMIÊ
Deve ser muito chato ser mãe
Todo filho tem problema com mãe
TATI
É maravilhoso ser mãe, Nancy.
O problema é homem
merda. Que não cuida dos
filhos
Que mete menino fora do casamento
Que faz a gente trabalhar que nem filha da puta
Entende?
10. INT. BANHEIRO/ DIA
Plano fechado no ralo do banheiro. TATI tomando banho.
Pensativa.
11. [Link]. SALA DA CASA-QUINTAL/ DIA
O sol da tarde atravessa a casa toda. Pai de Tati dorme
no sofá enquanto a mãe está passando creme no cabelo no
mesmo espaço, sentada em uma cadeira. As primas Sheila,
Jéssica, Lisandra, Adriana, a Nancymiê filha da Adriana,
e a tia Sílvia, brincam de "MORTO VIVO" no quintal. CENA
DA DANÇA [Link] DO BLONDOR.
12. EXT. LAJE DA CASA DE JÔ/ DIA
Jô e Betinha estão na laje tomando cerveja e observando o
pôr do sol.
JO
Acho que toda mulher tinha que
vivenciar a experiência lésbica
Betinha
como assim?
JO
desde cedo.
Beijar a boca de outra mulher.
Sentir o cheiro do corpo de uma outra mulher.
Sentir vontade de andar de mão dada.
Se sentir amada por outra mulher.
Sabe?
Se descobrir mulher
Ser uma mulher adulta
e chegar em casa e
dormir com você mesma…
sentir tesão
em deitar com você mesma
é sobre afeto, sabe!
Jô e Betinha começam a rir.
13. INT. SALA / DIA
Dona Rai está sentada tomando um copo de açaí quando Tati
aparece em sua casa.
TATI
Oi, dona Rai! O Dani tá aí?
RAI
Tá sim, filha. Ele tá tomando banho. Senta um pouco aí.
As duas sentam à mesa.
RAI
E aí como você tá?
TATI
Bem. Eu passei no vestibular.
RAI
Sim… Tô sabendo já. Que bom, né! Quer um pouco de açaí?
TATI
Ah, aceito sim um pouco.
Rai coloca um pouco de açaí no copo e serve a Tati. Ficam um
pouco em silêncio. Rai olha para Tati e mantém o olhar em
seu rosto. Um olhar de carinho. Ela fala quebrando o
silêncio.
RAI
A gente passa um bom tempo das nossas vidas
acumulando ruído, fissuras dentro da
gente.
Como se a gente conseguisse ter controle disso.
Como se isso de alguma forma virasse combustível.
A verdade é que a gente não tem o
mínimo controle do fluxo da vida.
A gente não consegue escolher
o que vai ou não abalar a
gente.
Vai aparecer momentos inexplicáveis na tua vida,
maiores que você.
Que vai fazer tudo tremer.
até o teu modo de existir.
Isso vai acontecer.
Tu vai ter que aprender
a processar e absorver isso.
Tô te dizendo essas coisas
porque ninguém fez isso por mim.
De estar ao meu lado.
Tati tá chorando.
TATI
Sim…
RAI
Tu já sabe, TATI, se é menino ou menina?
Tati balança com a cabeça negativamente.
TATI
Acho que deve ter um mês.
RAI
Vai lá com ele.
14. EXT. RUA / DIA
Adriana e Nancymiê estão caminhando para parada de ônibus. É
final da tarde. Silêncio. Nancymiê está percebendo sua mãe um
pouco triste. Adriana coloca Nacymiê no colo.
15. EXT. LAJE DA CASA DE JÔ/ DIA
Betinha e Jô dançam na laje.
16. INT. QUARTO CASA DE DANI/ DIA
Dani tá sem camisa e com um short-curto-jeans ajustando
o bigode com uma tesoura. Tati entra no quarto
procurando a chave do carro e falando de forma
impositiva. Enquanto Dani parece num outro tempo, em
outra velocidade.
TATI
Bora dar uma volta!
DANI
Bora
DANI fica meio sem entender. Mas segue a TATI. Coloca a blusa.
17. EXT. CARRO DE DANI/ DIA
Dani e Tati estão num onix branco em silêncio. Tati olha
pela sua janela a floresta passando rapidamente, é umaimagem
hipnótica, enquanto a sua mão na janela vai surfando no
vento. Ela olha para Dani. Os dois estão com a boca suja de
açaí. Eles riem.
18. EXT. PRAIA DO AÇUTUBA / DIA
Não há pessoas na praia além do casal. O sol desceu quase
completamente. A luz azulada do final do dia ainda mantém o
clima agradável, mas um pouco melancólico. Tati rola bem
devagar pela areia. Para. Olha para o céu. A textura da imagem
vai ficando ruidosa. Vai perdendo definição até parecer um
vídeo velho. Até parecer uma lembrança. Tati em voz over
preenche as imagens.
TATI VOZ OVER
se ela tivesse viva
a mãe Martiniana
mãe da minha mãe
ela prepararia um chá pra
mim calma,leve, sem pressa
e eu beberia
quente vendo o rio
subir leve vendo o rio
descer
e sem pressa vendo o rio passar
e tá tudo bem
tá tudo bem
tá tudo bem
tá tudo bem
tá tudo bem
tá tudo bem
FIM
Roteiro para Documentário
INTRODUÇÃO
O documentário é uma ferramenta poderosa para contar histórias reais, explorar
temas sociais, culturais e humanos, e provocar reflexões. Um bom roteiro é essencial
para estruturar a narrativa, definir o enfoque e garantir que a mensagem seja
transmitida com clareza e impacto.
Nesta oficina, vamos explorar:
● A diferença entre roteiro de ficção e documentário
● Elementos fundamentais do roteiro documental
● Técnicas de pesquisa e desenvolvimento de tema
● Estruturas narrativas para documentários
● Exercícios práticos de escrita
1.Diferenças Entre Roteiro de Ficção e Documentário
Ficção Documentário
História criada História real ou baseada em fatos
Diálogos pré-escritos Diálogos espontâneos ou entrevistas
Estrutura fixa (3 atos, Jornada do Herói) Estrutura flexível (pode ser temática,
investigativa, observacional)
Controle total sobre personagens e Imprevistos e adaptação durante as
eventos filmagens
2. Elementos do Roteiro Documental
A. Tema e Objetivo
● O que você quer contar? (Ex.: desigualdade social, memória coletiva, um
personagem marcante)
● Qual é a pergunta central? (Ex.: "Por que essa comunidade resiste há
décadas?")
B. Pesquisa
● Entrevistas preliminares
● Levantamento de arquivos (fotos, vídeos, documentos)
● Definição de fontes confiáveis
C. Abordagem Narrativa
● Expositiva (voz over, entrevistas)
● Observacional (câmera discreta, sem interferência)
● Participativa (documentarista interage com o tema)
● Poética (foco em sensações, imagens simbólicas)
D. Personagens
● Quem são os protagonistas?
● Como suas trajetórias se relacionam com o tema?
E. Estrutura
● Clássica (3 atos):
1. Apresentação (contexto, problema)
2. Conflito/Desenvolvimento (aprofundamento, obstáculos)
3. Resolução/Reflexão (conclusão ou abertura para debate)
● Não-linear: Flashbacks, múltiplas perspectivas
● Temática: Organizado por tópicos em vez de cronologia
3. Exercício Prático: Escrevendo um Pré-Roteiro
Passo a passo:
1. Escolha um tema (Ex.: "O impacto do fechamento de uma escola pública").
2. Defina:
○ Objetivo do doc (denúncia? memória? celebração?)
○ Personagens principais (professores, alunos, moradores)
○ Fontes de pesquisa (entrevistas, matérias jornalísticas)
3. Esboce uma estrutura básica:
○ Ato 1: Contexto da escola e anúncio do fechamento.
○ Ato 2: Reações da comunidade e tentativas de resistência.
○ Ato 3: Desfecho (vitória? perda? reflexão sobre educação).
Dica: Inclua possíveis imagens de arquivo, locações e sons ambientes que reforcem
a narrativa.
4. Analisando o roteiro do documentário “REVOADO”
Estrutura do Documentário REVOADA
ATO I
- Geolocalização - contextualizar pro espectador onde fica
situada Tabatinga, a cultura dos rios como vias de transporte no
Amazonas (5 dias de barco de Manaus). As imagens podem estar
vinculadas a um off/on de depoimento de um membro de equipe
falando sobre por quê Tabatinga foi a cidade escolhida para o
projeto
- Cultura de fronteira – deixar caracterizado a cultura
peculiar de uma cidade de fronteira, o jeito de se vestir,
gírias e expressões, comidas e até moedas que se
misturam. Isso ajuda a entender que o fluxo de pessoas de
diferentes lugares com maior intensidade pode ser também um
ambiente propício para proliferação do coronavírus entre os
países fronteiriços e também para o surgimento de novas cepas
- Transição para o Ato II – Pessoas na rua ou em casa,
ouvindo no rádio ou vendo na TV notícias sobre o coronavírus.
Aqui de repente podemos também apresentar os dados de Tabatinga
em relação à covid (quantos infectados, quantos mortos e o
quanto representa em proporção à população). Aqui nosso
personagem da Fiocruz que coleta material pode aparecer falando
sobre essa experiência.
- O Chamado – carro de som nas ruas, nas rádios ou TV, cenas
das pessoas sendo chamadas para fazer o exame no barco da
Fiocruz.
ATO II
- População x Coronavírus – a percepção popular sobre o
coronavírus, o que acham que é o vírus, se acham perigoso, o que
acham do uso da máscara, pessoas sem máscara nas ruas, pessoas
usando máscara errado, pessoas coçando os olhos ou em situações
que apresentem riscos de ser contaminado. Aqui podemos entregar
uma máscara N95 para as pessoas e pedir para que demonstrem como
colocar.
- Personagem Fiocruz – talvez uma pessoa que conheça ou
tenha algum vínculo com Tabatinga, talvez família. A pessoa pode
dar um depoimento pessoal sobre o vírus, amigos ou familiares
que faleceram devido ao vírus. O que a motiva a desenvolver esse
trabalho. Quais as dificuldades diante do negacionismo.
- Personagem Tabatinga – Uma ou duas pessoas que vão fazer o
exame para covid, as expectativas, como o vírus impactou em suas
vidas, inclusive cotidianamente, nas relações com outras
pessoas, no trabalho, se já contraiu anteriormente. Talvez
acompanhar o cotidiano dessa pessoa. Quantas pessoas faleceram
entre amigos ou
familiares. Há negacionistas na família? Ou até a própria
pessoa. Entende o trabalho que está sendo feito ali pela
Fiocruz?
Perfil de personagem que pode ser interessante de explorar:
brasileira(o) que mora em Tabatinga mas trabalha ou na cidade
peruana ou em Letícia na Colômbia. Ou brasileira (o) casada com
estrangeiro. Foi vacinar no país vizinho ou no Brasil? Como está
o ritmo de vacinação nos países vizinhos? As vacinas são as
mesmas que no Brasil?
- Política de combate ao coronavírus e vacina – Cidades da
fronteira, como cada país (Colômbia, Peru e Brasil) tratou o
combate ao vírus, vacinas disponíveis e vacinados nas 3 cidades.
A nova cepa andina. A possibilidade de se fechar fronteira com o
Peru devido a nova explosão de casos na cidade que faz fronteira
com o Brasil. Há alguma contenção já sendo feita? Testagem na
entrada? Algo semelhante. Como está o ritmo de vacinação em
Tabatinga? Há muitos que se manifestam que não vão vacinar? Há
alguma restrição para não vacinados? (proibidos de entrar em
algum lugar, ou no país vizinho)
ATO III
- DAQUI PRA FRENTE – as expectativas de nossos personagens
acerca do seu futuro, do país e do mundo diante do coronavírus.
Voltaremos ao que éramos antes? Teremos que aprender com o vírus
e a possibilidade constante do surgimento de cepas mais fortes?
O trabalho no laboratório para identificar novas cepas. O
resultado positivo. No porto de Tabatinga barcos com bandeiras
de países distintos, o fluxo das pessoas
seguindo suas vida.