Índice
1. Derivadas Parciais
2. Derivadas de Funções Implícitas
3. Derivadas de Segunda Ordem e Teorema de Clairaut
4. Diferenciabilidade e Plano Tangente
5. Limites e Continuidade
6. Domínio e Curvas de Nível
7. Superfícies e Planos no Espaço
8. Curvas Parametrizadas
9. Exercícios Resolvidos Passo a Passo
1. DERIVADAS PARCIAIS
Regra básica
Derive em relação a uma variável, trate as outras como constantes.
Exemplo 1
𝑓(𝑥, 𝑦) = 3𝑥 7 𝑦 − 𝑦 3 √𝑥 + 10𝑦 10
Derivada em relação a x (𝑦 é constante):
1 𝑦3
𝑓𝑥 = 3 ⋅ 7𝑥 6 ⋅ 𝑦 − 𝑦 3 ⋅ + 0 = 21𝑥 6 𝑦 −
2√𝑥 2 √𝑥
Derivada em relação a y (𝑥 é constante):
𝑓𝑦 = 3𝑥 7 ⋅ 1 − 3𝑦 2 √𝑥 + 10 ⋅ 10𝑦 9 = 3𝑥 7 − 3𝑦 2 √𝑥 + 100𝑦 9
Exemplo 2 (com função composta)
3 +1
𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑒 −𝑥 ln(cos(𝑥𝑦))
Derivada em relação a y (regra da cadeia):
f_y = e^{-x^3+1} \cdot \frac{1}{\cos(xy)} \cdot (-\sen(xy) \cdot x)f_y = -\frac{x e^{-
x^3+1} \sen(xy)}{\cos(xy)} = -x e^{-x^3+1} \tan(xy)
Exemplo 3 (derivada de integral)
𝑦
2
𝑓(𝑥, 𝑦) = ∫ cos( 𝑒 𝑡 )𝑑𝑡
𝑥
Derivada em relação a x (Teorema Fundamental do Cálculo):
2 2
𝑓𝑥 = 0 − cos(𝑒 𝑥 ) ⋅ 1 = −cos(𝑒 𝑥 )
Derivada em relação a y:
2 2
𝑓𝑦 = cos(𝑒 𝑦 ) ⋅ 1 = cos(𝑒 𝑦 )
2. DERIVADAS DE FUNÇÕES IMPLÍCITAS
Se 𝐹(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 0 define 𝑧 = 𝑧(𝑥, 𝑦), então:
∂𝑧 𝐹𝑥 ∂𝑧 𝐹𝑦
=− , =−
∂𝑥 𝐹𝑧 ∂𝑦 𝐹𝑧
Exemplo
𝑥 + 𝑦 + 𝑧 + 𝑒𝑧 = 0
Passo 1: Identifique 𝐹(𝑥, 𝑦, 𝑧) = 𝑥 + 𝑦 + 𝑧 + 𝑒 𝑧
Passo 2: Calcule as derivadas parciais:
𝐹𝑥 = 1, 𝐹𝑦 = 1, 𝐹𝑧 = 1 + 𝑒 𝑧
Passo 3: Aplique a fórmula:
∂𝑧 1
=−
∂𝑥 1 + 𝑒𝑧
3. DERIVADAS DE SEGUNDA ORDEM E TEOREMA DE CLAIRAUT
Teorema de Clairaut: Se as derivadas mistas 𝑓𝑥𝑦 e 𝑓𝑦𝑥 são contínuas, então:
𝑓𝑥𝑦 = 𝑓𝑦𝑥
Exemplo de verificação
Dadas 𝑓𝑥 = 5𝑥 4 + 9𝑥 2 𝑦 2 + 3𝑦 4 e 𝑓𝑦 = 6𝑥 3 𝑦 + 14𝑥𝑦 3
Calcule 𝑓𝑥𝑦 (derive 𝑓𝑥 em relação a y):
𝑓𝑥𝑦 = 18𝑥 2 𝑦 + 12𝑦 3
Calcule 𝑓𝑦𝑥 (derive 𝑓𝑦 em relação a x):
𝑓𝑦𝑥 = 18𝑥 2 𝑦 + 14𝑦 3
São diferentes! Portanto não existe função com derivadas contínuas que tenha
essas derivadas parciais.
4. DIFERENCIABILIDADE E PLANO TANGENTE
Plano tangente em (𝒙𝟎 , 𝒚𝟎 , 𝒛𝟎 )
𝑧 − 𝑧0 = 𝑓𝑥 (𝑥0 , 𝑦0 )(𝑥 − 𝑥0 ) + 𝑓𝑦 (𝑥0 , 𝑦0 )(𝑦 − 𝑦0 )
Linearização (aproximação linear)
𝐿(𝑥, 𝑦) = 𝑓(𝑥0 , 𝑦0 ) + 𝑓𝑥 (𝑥0 , 𝑦0 )(𝑥 − 𝑥0 ) + 𝑓𝑦 (𝑥0 , 𝑦0 )(𝑦 − 𝑦0 )
Teste de diferenciabilidade
Uma função é diferenciável em (𝑥0 , 𝑦0 ) se:
𝑓(𝑥0 + ℎ, 𝑦0 + 𝑘) − 𝑓(𝑥0 , 𝑦0 ) − 𝑓𝑥 ℎ − 𝑓𝑦 𝑘
lim =0
(ℎ,𝑘)→(0,0) √ℎ2 + 𝑘 2
Exemplo: 𝒇(𝒙, 𝒚) = 𝒙𝒚𝟐 𝐥𝐧(𝒚/𝒙) em (1,1)
Passo 1: Calcule 𝑓(1,1) = 1 ⋅ 12 ⋅ ln(1) = 0
Passo 2: Calcule as derivadas parciais em (1,1)
Primeiro, simplifique a função (opcional, mas ajuda):
𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑥𝑦 2 [ln 𝑦 − ln 𝑥] = 𝑥𝑦 2 ln 𝑦 − 𝑥𝑦 2 ln 𝑥
1
𝑓𝑥 = 𝑦 2 ln 𝑦 − [𝑦 2 ln 𝑥 + 𝑥𝑦 2 ⋅ ] = 𝑦 2 ln 𝑦 − 𝑦 2 ln 𝑥 − 𝑦 2
𝑥
Em (1,1): 𝑓𝑥 = 1 ⋅ 0 − 1 ⋅ 0 − 1 = −1
1
𝑓𝑦 = 𝑥 ⋅ 2𝑦ln 𝑦 + 𝑥𝑦 2 ⋅ − 𝑥 ⋅ 2𝑦ln 𝑥 = 2𝑥𝑦ln 𝑦 + 𝑥𝑦 − 2𝑥𝑦ln 𝑥
𝑦
Em (1,1): 𝑓𝑦 = 2 ⋅ 1 ⋅ 1 ⋅ 0 + 1 ⋅ 1 − 2 ⋅ 1 ⋅ 1 ⋅ 0 = 1
Passo 3: O numerador do limite fica:
𝑓(1 + ℎ, 1 + 𝑘) − 0 − (−1)ℎ − (1)𝑘 = 𝑓(1 + ℎ, 1 + 𝑘) + ℎ − 𝑘
Passo 4: Para provar que o limite é zero, use desigualdades ou mude para
coordenadas polares. Como a função é composta por produtos de funções
diferenciáveis (exceto em x=0 ou y=0, mas estamos longe disso), ela é
diferenciável em (1,1).
5. LIMITES E CONTINUIDADE
Estratégia para mostrar que limite NÃO existe
Teste dois caminhos diferentes que levam a resultados diferentes.
Exemplo 1
𝑥𝑦
lim
(𝑥,𝑦)→(0,0) 𝑥 2 + 𝑦2
0
Caminho 1: 𝑦 = 0 → 𝑥 2 = 0
𝑥2 1
Caminho 2: 𝑦 = 𝑥 → 𝑥 2+𝑥 2 = 2
Resultados diferentes → limite não existe.
Exemplo 2
𝑥2𝑦2
lim
(𝑥,𝑦)→(0,0) 𝑥 2 + 𝑦 2
Use coordenadas polares: x = r\cos\theta,\ y = r\sen\theta
\frac{r^4 \cos^2\theta \sen^2\theta}{r^2} = r^2 \cos^2\theta \sen^2\theta \to 0
Limite existe e vale 0.
Continuidade
Uma função é contínua em (𝑥0 , 𝑦0 ) se:
1. 𝑓(𝑥0 , 𝑦0 ) existe
2. lim(𝑥,𝑦)→(𝑥0,𝑦0) 𝑓(𝑥, 𝑦) existe
3. Os dois são iguais
6. DOMÍNIO E CURVAS DE NÍVEL
Regras para encontrar domínio
• Raiz par: radicando ≥ 0
• Logaritmo: argumento > 0
• Denominador: ≠ 0
• Arccos/Arcsen: argumento entre -1 e 1
Exemplo
𝑥−𝑦
𝑓(𝑥, 𝑦) = √
𝑥+𝑦
Condições:
𝑥−𝑦
1. ≥0
𝑥+𝑦
2. 𝑥 + 𝑦 ≠ 0
Curvas de nível
São os conjuntos onde 𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑐.
Exemplo: 𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑦 2 − 𝑥 2
Para 𝑐 = 0: 𝑦 2 − 𝑥 2 = 0 → 𝑦 = ±𝑥 (duas retas)
Para 𝑐 = 1: 𝑦 2 − 𝑥 2 = 1 → hipérbole
Para 𝑐 = −1: 𝑦 2 − 𝑥 2 = −1 → 𝑥 2 − 𝑦 2 = 1 → hipérbole
7. SUPERFÍCIES E PLANOS NO ESPAÇO
Equação do plano
Dado ponto 𝑃0 = (𝑥0 , 𝑦0 , 𝑧0 ) e vetor normal 𝑛⃗ = (𝑎, 𝑏, 𝑐):
𝑎(𝑥 − 𝑥0 ) + 𝑏(𝑦 − 𝑦0 ) + 𝑐(𝑧 − 𝑧0 ) = 0
Plano horizontal
𝑧 = 𝑘 (vetor normal (0, 0, 1))
Plano tangente a superfície 𝒛 = 𝒇(𝒙, 𝒚)
𝑧 − 𝑧0 = 𝑓𝑥 (𝑥0 , 𝑦0 )(𝑥 − 𝑥0 ) + 𝑓𝑦 (𝑥0 , 𝑦0 )(𝑦 − 𝑦0 )
Exemplo: Encontrar ponto onde o plano tangente é horizontal
Para 𝑧 = 2𝑥 2 + 2𝑥𝑦 − 𝑦 2 − 5𝑥 + 3𝑦 − 2
Plano horizontal → 𝑓𝑥 = 0 e 𝑓𝑦 = 0
𝑓𝑥 = 4𝑥 + 2𝑦 − 5 = 0
𝑓𝑦 = 2𝑥 − 2𝑦 + 3 = 0
Resolva o sistema:
Da primeira: 4𝑥 + 2𝑦 = 5
Da segunda: 2𝑥 − 2𝑦 = −3
1
Some as duas: 6𝑥 = 2 → 𝑥 = 3
1 2 11 11
Substitua: 2 ⋅ 3 − 2𝑦 = −3 → 3 − 2𝑦 = −3 → −2𝑦 = − →𝑦 =
3 6
1 11 , 1 11
Ponto: (3 , 𝑓 (3 , 6 ))
6
8. CURVAS PARAMETRIZADAS
Vetor tangente
𝜎 ′ (𝑡) = (𝑥 ′ (𝑡), 𝑦 ′ (𝑡), 𝑧 ′ (𝑡))
Reta tangente em 𝒕𝟎
𝜎(𝑡0 ) + 𝑠 ⋅ 𝜎 ′ (𝑡0 ), 𝑠 ∈ ℝ
Comprimento de arco
𝑡2 𝑡2
𝐿 = ∫ ∥ 𝜎 ′ (𝑡) ∥ 𝑑𝑡 = ∫ √[𝑥 ′ (𝑡)]2 + [𝑦 ′ (𝑡)]2 + [𝑧 ′ (𝑡)]2 𝑑𝑡
𝑡1 𝑡1
Exemplo
\sigma(t) = (e^{-t}\cos t, e^{-t}\sen t, e^{-t})
Derivada (use regra do produto):
x'(t) = -e^{-t}\cos t - e^{-t}\sen t = -e^{-t}(\cos t + \sen t)y'(t) = -e^{-t}\sen t + e^{-
t}\cos t = -e^{-t}(\sen t - \cos t)
𝑧 ′ (𝑡) = −𝑒 −𝑡
Norma ao quadrado:
\| \sigma'(t) \|^2 = e^{-2t}[(\cos t+\sen t)^2 + (\sen t-\cos t)^2 + 1]= e^{-2t}[(\cos^2 t
+ 2\cos t\sen t + \sen^2 t) + (\sen^2 t - 2\sen t\cos t + \cos^2 t) + 1]= e^{-2t}[1 +
2\cos t\sen t + 1 - 2\cos t\sen t + 1] = e^{-2t} \cdot 3
∥ 𝜎 ′ (𝑡) ∥= √3𝑒 −𝑡
Comprimento de 0 até T:
𝑇
𝐿 = ∫ √3 𝑒 −𝑡 𝑑𝑡 = √3(1 − 𝑒 −𝑇 )
0
Quando 𝑇 → ∞, 𝐿 → √3 (finito).
1. DERIVADA PARCIAL (cai com certeza)
Regra de ouro: derive uma variável, a outra é constante.
Se pede 𝑓𝑥 Se pede 𝑓𝑦
y é constante x é constante
Exemplo que vai cair igual:
𝑓(𝑥, 𝑦) = 3𝑥 7 𝑦 − 𝑦 3 √𝑥 + 10𝑦10
𝑦3
6
𝑓𝑥 = 21𝑥 𝑦 − (y eˊ constante)
2 √𝑥
𝑓𝑦 = 3𝑥 7 − 3𝑦 2 √𝑥 + 100𝑦 9 (x eˊ constante)
2. PLANO TANGENTE (cai muito)
Fórmula (DECORE):
𝑧 − 𝑧0 = 𝑓𝑥 (𝑥0 , 𝑦0 )(𝑥 − 𝑥0 ) + 𝑓𝑦 (𝑥0 , 𝑦0 )(𝑦 − 𝑦0 )
Exemplo: 𝑓(𝑥, 𝑦) = 𝑥𝑦 2 ln(𝑦/𝑥) no ponto (1, 1, 0)
Passo 1: Calcule 𝑓𝑥 (1,1)
𝑓𝑥 = 𝑦 2 ln(𝑦/𝑥) − 𝑦 2 (derivada simplificada)
𝑓𝑥 (1,1) = 1 ⋅ 0 − 1 = −1
Passo 2: Calcule 𝑓𝑦 (1,1)
𝑓𝑦 = 2𝑥𝑦ln(𝑦/𝑥) + 𝑥𝑦
𝑓𝑦 (1,1) = 2 ⋅ 1 ⋅ 1 ⋅ 0 + 1 = 1
Passo 3: Aplique a fórmula:
𝑧 − 0 = (−1)(𝑥 − 1) + (1)(𝑦 − 1)
𝑧 = −𝑥 + 1 + 𝑦 − 1 = 𝑦 − 𝑥
Resposta: 𝑧 = 𝑦 − 𝑥
3. LIMITE QUE NÃO EXISTE (cai com certeza)
Técnica: Teste dois caminhos diferentes. Se der diferente → não existe.
Caminho Como faz
𝑦=0 Substitui y por 0
𝑥=0 Substitui x por 0
𝑦=𝑥 Substitui y por x
Caminho Como faz
𝑦 = 𝑚𝑥 Substitui y por mx (mais geral)
𝑥𝑦
Exemplo: lim(𝑥,𝑦)→(0,0) 𝑥 2+𝑦 2
0
Caminho 𝑦 = 0: 𝑥 2 = 0
𝑥2 1
Caminho 𝑦 = 𝑥: 𝑥 2 +𝑥 2 = 2
0 ≠ 1/2 → Limite não existe
4. DERIVADA IMPLÍCITA (média chance)
∂𝑧 𝐹
Fórmula: ∂𝑥 = − 𝐹𝑥
𝑧
Exemplo: 𝑥 + 𝑦 + 𝑧 + 𝑒 𝑧 = 0
𝐹𝑥 = 1, 𝐹𝑧 = 1 + 𝑒 𝑧
∂𝑧 1
=−
∂𝑥 1 + 𝑒𝑧
5. TEOREMA DE CLAIRAUT (verificar se função existe)
Regra: Se 𝑓𝑥𝑦 ≠ 𝑓𝑦𝑥 , então NÃO EXISTE função com derivadas contínuas.
Exemplo: 𝑓𝑥 = 5𝑥 4 + 9𝑥 2 𝑦 2 + 3𝑦 4 , 𝑓𝑦 = 6𝑥 3 𝑦 + 14𝑥𝑦 3
𝑓𝑥𝑦 = 18𝑥 2 𝑦 + 12𝑦 3
𝑓𝑦𝑥 = 18𝑥 2 𝑦 + 14𝑦 3
Diferentes → Não existe
Derivada parcial: "y é constante, deriva x normalmente"
• Plano tangente: escreva a fórmula primeiro, depois substitua
• Limite: teste y=0 e y=x. Se der diferente, escreva "não existe"