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Autor:
Antonio Daud
09 de Março de 2026
Antonio Daud
Aula 00
Índice
1) Licitações Públicas - Lei nº 14.133/2021 - Parte I
..............................................................................................................................................................................................3
Alcance da NLL
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
Considerando os termos do art. 1º da NLL, a nova lei de licitações obriga os seguintes entes:
Administração Direta
Autarquias
Nova lei de
Fundações públicas
licitações
Fundos especiais
Demais entidades controladas direta ou indiretamente pelos entes
federativos
Tratando-se da Administração Direta, vale destacar que a nova lei alcança todos os poderes,
inclusive os Poderes Legislativo e Judiciário, quando estes estiverem no exercício da função
administrativa.
Em relação às entidades da Administração Indireta, vale destacar que a nova lei alcança as
autarquias e fundações públicas, de direito público ou privado, mas não alcança as empresas
estatais (empresas públicas e sociedades de economia mista) e subsidiárias. Isto porque todas
estas empresas possuem regras de contratação próprias, previstas na Lei 13.303/2016 (conhecida
como “Lei das Estatais”).
No que diz respeito aos fundos especiais, vale citar como exemplo o Fundeb (Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da
Educação), que consiste em um acervo de bens destinados à educação. Então, quando uma
entidade pública vai aplicar os recursos do Fundeb (fundo especial), estará obrigada a seguir a
nova lei de licitações.
Havendo entidades controladas pelo poder público, direta ou indiretamente, estas também
devem obediência à nova lei.
A nova lei tratou, também, de flexibilizar sua aplicação em determinadas situações. Assim, além
da não alcançar as estatais, a Lei 14.133/2021 previu “casos especiais” em que em regra não serão
aplicada.
Dentro deste grupo de “casos especiais” estão incluídas três situações específicas envolvendo (i)
contratações realizadas por repartições públicas sediadas no exterior, (ii) contratações que
envolvam recursos estrangeiros e (iii) contratações relativas à gestão das reservas internacionais
do país.
reservas internacionais *
entidades controladas (ato normativo do Bacen)
Há, no entanto, duas situações que foram expressamente excluídas da aplicação da NLL, a saber
(art. 3º):
Nestes casos, portanto, outras regras serão aplicadas, mas não a Lei 14.133/2021.
Além dos casos de aplicação (art. 2º) e de não aplicação (art. 3º), vale a pena comentarmos
situações de aplicação subsidiária da Lei 14.133/2021, o que ocorrerá nas licitações para serviços
de publicidade (regidas pela Lei 12.232/2010) e das licitações para contratos de concessão e
permissão de serviços públicos (Leis 8.987/1995: concessão/permissão de serviços públicos e
11.079/2004: parcerias público-privadas - PPPs). Apesar de possuírem regras próprias, nestes
casos a Lei 8.666 era aplicável subsidiariamente, de sorte que a NLL passa a cumprir o mesmo
papel (Lei 14.133, art. 189).
Objetivos
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
Desmembrando os quatro incisos de seu art. 11, podemos dizer que a licitação possui os seguintes
objetivos (chamados de “finalidades” na Lei 8.666):
incentivar a Inovação
PRINCÍPIOS
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
O caput do art. 5º da NLL expressa os seguintes princípios aplicáveis às licitações:
desenvolviment
eficácia economicidade competitividade celeridade o nacional
sustentável
interesse probidade
igualdade planejamento transparência
público administrativa
razoabilidade e
segurança segregação de vinculação ao
proporcionali motivação
jurídica funções edital
dade
julgamento
objetivo
A nova lei ampliou, consideravelmente, a quantidade de princípios a serem alvejados nas licitações
públicas, de sorte que agora chegamos a ter 22 princípios (na Lei 8.666 eram apenas 8!). Para
facilitar a visualização, no diagrama acima, deixamos em preto os princípios que já constavam da
Lei 8.666 e, em vermelho, os novos princípios expressos.
Reparem que vários destes princípios são aplicáveis à toda atuação administrativa – não apenas às
licitações públicas – como é o caso dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade,
publicidade e eficiência.
Por outro lado, há princípios específicos das licitações, como é o caso da vinculação ao edital e do
julgamento objetivo.
Além destes expressos, para reforçar, o legislador remeteu também aos princípios mencionados
na LINDB – Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (Decreto-Lei 4.657/1942) – os quais
constituem princípios estruturantes do direito brasileiro (como a irretroatividade, transparência,
isonomia, legalidade).
Adiante vamos comentar os princípios mais relevantes, à luz das regras legais aplicáveis, buscando
aglutinar aqueles que possuem estreita relação entre si.
L-I-M-P-E
Os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, muito embora
já constem expressamente do texto constitucional (CF, art. 37, caput) foram listados também na
nova Lei.
O princípio da legalidade reforça a ideia de que a Administração deve seguir os procedimentos e
ritos constantes da Lei 14.133 no momento de realizar suas contratações.
O princípio da impessoalidade, ao incidir sobre as licitações públicas, postula que a Administração
não dê tratamento favorecido ou persecutório aos licitantes, não criando discriminações indevidas
entre os licitantes.
Já o princípio da moralidade remete à noção de honestidade, ética, boa-fé de todos os agentes
que atuem na condução dos procedimentos licitatórios, evitando trocas de favores e atos de
corrupção por meio dos certames públicos.
O princípio da publicidade, a seu turno, assegura que os atos constantes do procedimento
licitatório, em regra, não sejam sigilosos, de modo a permitir o conhecimento a todos os
interessados, sejam os próprios licitantes, cidadãos em geral e órgãos de controle. Ao
comentarmos o princípio da transparência, a seguir, detalharemos os contornos da publicidade
dentro de uma licitação.
Por fim, o princípio da eficiência, que não constava expressamente da Lei 8.666, pugna que os
agentes públicos busquem contratar produtos de qualidade, com celeridade e a custos aceitáveis.
Na nova lei, poderemos destacar o chamado “contrato de eficiência”, o qual objetiva a redução
de despesas da Administração (art. 6º, LIII).
Transparência
Além de mencionar expressamente o princípio da publicidade, a nova Lei citou ainda o princípio
da transparência. Por meio da visibilidade dos atos que compõem o processo licitatório, os
licitantes, os órgãos de fiscalização e a sociedade em geral têm condições de acompanhar e
verificar a lisura do seu processamento.
Nesse sentido, o art. 13 da Lei prevê que
Há, no entanto, situações em que a visibilidade dos atos praticados pela Administração, por
terceiros, será postergada para outro momento. É o que se chama de “publicidade diferida”:
Em relação ao inciso I acima, como já ocorria sob o regramento da Lei 8.666/1993, é sigiloso o
teor das propostas apresentadas pelos licitantes1. Tal sigilo, no entanto, não é eterno, vigorando
até o momento da abertura das propostas em sessão pública. Por este motivo, dizemos que a
publicidade ficou diferida para o momento de abertura da proposta.
No segundo caso de publicidade diferida, temos uma importante novidade em relação à Lei
8.666/1993, que consiste na possibilidade de o orçamento da licitação ser sigiloso. Sob o novo
regramento, é possível que a Administração escolha não divulgar quanto planeja gastar com
determinada compra já no próprio edital da licitação. O raciocínio é de que, quando os licitantes
desconhecem o referencial de preços do poder público, teoricamente seria possível a obtenção
de preços ainda mais vantajosos.
Assim, embora a publicidade do orçamento estimado ainda seja a regra geral2, o sigilo passou a
ser possível. Neste caso, o gestor público decidirá também o momento da divulgação do
orçamento (art. 18, XI), na medida em que a Lei 14.133 não definiu previamente quando o
orçamento seria tornado público.
Aproveito para adiantar que, mesmo nos casos em que o orçamento seja sigiloso, este sigilo
alcança os licitantes e particulares em geral. Os órgãos de controle (como tribunais de contas,
controladorias, Ministério Público etc), sejam interno ou externo, têm total acesso ao orçamento,
mesmo antes do encerramento da licitação (art. 24, I).
Além disso, a lei deixa claro que o sigilo não é compatível com o critério de julgamento de “maior
desconto” (detalhado mais à frente). Isto porque, no “maior desconto”, o preço de referência,
logicamente, deverá constar do edital (já que os licitantes irão ofertar descontos sobre um valor
de referência calculado pela Administração) – art. 24, parágrafo único.
1
Especialmente quando estamos falando do modo de disputa fechado (art. 56, II), detalhado mais
adiante neste curso.
2
Dada a utilização do verbo “poderá” no art. 24, caput, da Lei 14.133/2021, a exigência de motivação para a
aposição de chancela de sigilo sobre o orçamento e a diferença com o regramento contido na Lei das Estatais (Lei
13.303/2016, art. 34).
público (regra)
Celeridade
De “mãos dadas” com o princípio da eficiência, a celeridade prescreve que as licitações sejam
céleres. De nada adiantaria a Administração selecionar uma excelente proposta no bojo de uma
licitação que levasse cerca de 2 anos, por exemplo!
Portanto, a menção ao princípio da celeridade nos lembra de se atender também a esta dimensão
temporal, no sentido de dinamizar o planejamento e a condução de uma licitação.
Probidade Administrativa
Ligado ao princípio da moralidade, a nova Lei menciona o princípio da probidade administrativa,
o qual consiste – segundo a doutrina majoritária – em uma espécie do princípio da moralidade
administrativa. Assim, os gestores envolvidos na realização de uma licitação devem prezar pela
probidade, pela honestidade.
Nesse sentido, lembro que a Lei de Improbidade Administrativa chega a tipificar, expressamente,
como ato de improbidade administrativa a conduta dolosa que frustra a licitude de processo
licitatório (Lei 8.429/1992, art. 10, VIII e art. 11, V).
Igualdade
Já vimos que a licitação se destina, não apenas a permitir a escolha da melhor proposta, mas
também a assegurar a igualdade de direitos a todos os interessados em contratar com o poder
público. Assim, o princípio da igualdade proíbe o estabelecimento de condições que impliquem
preferência indevida em favor de um ou outro licitante.
O princípio da igualdade pode ser visualizado em diversas regras previstas na nova lei de licitações,
a exemplo destas:
Vale ressalvar, no entanto, que tais vedações não impedem a participação em licitação em que se
inclua, como encargo do contratado, a elaboração do projeto básico e/ou do projeto executivo,
como ocorre em determinados regimes de contratação (art. 14, §4º).
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Bem, retomando o assunto...
Quer dizer que o edital da licitação não pode fazer nenhuma exigência às empresas
interessadas que possa diferenciá-las?
Vejam que a restrição do exemplo acima é relevante para que a empresa contratada tenha
condições de cumprir o contrato, construindo a ponte adequadamente.
Agora imagine a seguinte exigência, ainda tomando por base a licitação para construção de uma
ponte:
Exemplo 2: na licitação para construção da ponte, a prefeitura exige que a empresa a ser
contratada possua sede física naquele local.
A pergunta que devemos nos fazer é: qual a relevância ou pertinência desta exigência para a
construção da ponte? Nenhuma!
Nesse sentido, assim como já constava da Lei 8.666, a NLL prevê que é vedado que os agentes
públicos:
Há, no entanto, uma situação excepcional em que se admite “privilegiar” empresas situadas no
território do Estado ao qual pertence o órgão promotor da licitação. Trata-se de uma novidade da
NLL, que permite que o local da sede da empresa seja considerado para fins de desempate (tema
detalhado mais adiante nesta aula):
3) Outra situação excepcional, que será detalhada oportunamente nesta aula, consiste no direito
de preferência para beneficiar micro e pequenas empresas, em detrimento das grandes (LC
123/2006, art. 44 c/c NLL, art. 4º).
Mais adiante detalharemos a margem de preferência da NLL e o direito de preferência previsto
na LC 123/2006, dada sua importância em provas.
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Ainda no intuito de assegurar a igualdade nas licitações, o legislador proibiu, como regra geral, a
diferenciação entre empresa brasileiras e estrangeiras. Portanto, em uma licitação internacional,
por exemplo, um estrangeiro deveria ter as mesmas chances de vencer o certame que um
brasileiro, como regra:
Art. 9º. É vedado ao agente público designado para atuar na área de licitações e
contratos, ressalvados os casos previstos em lei: (..)
II – estabelecer tratamento diferenciado de natureza comercial, legal, trabalhista,
previdenciária ou qualquer outra entre empresas brasileiras e estrangeiras,
inclusive no que se refere a moeda, modalidade e local de pagamento, mesmo
quando envolvido financiamento de agência internacional.
Competitividade
Para que a Administração consiga selecionar uma proposta vantajosa, é essencial que, durante a
licitação, efetivamente tenha havido competição entre os licitantes. Quanto maior o número de
propostas obtidas na licitação, em tese maior será a competição entre os licitantes e, assim,
maiores as chances de se obter a proposta mais vantajosa.
3
De modo muito similar ao que já constava da Lei 8.666/1993.
Nas licitações marcadas por combinações ardilosas de preços, a exemplo daqueles que foram alvo
da atuação de cartéis, ou naquelas com número muito reduzido de licitantes, há baixíssima
competição, em prejuízo dos cofres públicos.
Vinculação ao edital
O princípio da vinculação ao edital informa que as regras previstas no edital são obrigatórias,
devendo ser observadas por todos. Isto porque o edital consiste na “lei interna da licitação”4,
devendo ser observado tanto pelos licitantes como pela Administração que o expediu. Se as
regras previstas no edital são inobservadas, a licitação pode se tornar nula.
Reparem que tal princípio consiste em garantia tanto para os licitantes (de que o poder público
irá seguir fielmente as regras editalícias sem margem para discricionariedade) como para a
Administração5 (já que os licitantes poderão ser desclassificados/inabilitados se descumprirem as
regras do edital).
Por fim, vale destacar que, sob o regramento da Lei 8.666/1993, havia duas espécies de
instrumentos convocatórios (edital e carta-convite), sendo que na Lei 14.133/2021 existe apenas
o edital.
Julgamento Objetivo
Vimos, acima, que a Administração (assim como os licitantes) deve seguir as regras fixadas no
edital, sem margem para discricionariedade. Nesse mesmo sentido ocorrerá o julgamento das
propostas apresentadas pelos licitantes.
Em outras palavras, o julgamento das propostas deve se basear unicamente no critério previsto
no edital (como menor preço, técnica e preço etc), sem margem para subjetivismos.
Interesse Público
Sabemos que, por meio de uma licitação, a Administração busca contratar determinado objeto
que, ao fim e ao cabo, deverá atender aos anseios e necessidades da coletividade (o “bem
comum” da coletividade).
Nesse sentido, a menção ao referido princípio busca resgatar, obedecendo às disposições legais
específicas, a noção da supremacia do interesse público sobre o privado.
4
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro, 35ª edição, p. 321.
5
FILHO, José dos Santos Carvalho. Manual de Direito Administrativo. 27ª ed. Atlas. P. 250
Eficácia e Economicidade
Além de atender ao princípio constitucional da eficiência, as licitações devem seguir aos princípios
da eficácia e da economicidade.
A eficácia se relaciona ao atingimento dos objetivos e metas previamente estabelecidos. Assim,
uma licitação eficaz é aquela em que se conseguiu obter um contrato bem-sucedido e, ao final, a
entrega dos produtos e serviços foi efetivada no prazo e na qualidade pretendidos.
Já a economicidade diz respeito ao custo financeiro dos insumos e materiais utilizados para
alcance da meta. Sabemos que as licitações são custeadas com recursos públicos, em geral obtidos
compulsoriamente da população, de sorte que as compras estatais devem respeitar o erário
público.
Planejamento
O planejamento é fundamental para se aumentarem as chances de sucesso da contratação, ou
seja, garantir que ela efetivamente agregue valor ao órgão licitante. Pode parecer óbvio, contudo,
na prática, verifica-se que boa parte das contratações brasileiras são realizadas sem um mínimo de
planejamento. Portanto, planejar a contratação não é mera faculdade do gestor público, mas sim
obrigação legal.
Lembro que a licitação é um procedimento que possui duas fases, uma interna (agora chamada
de “preparatória”) e outra, externa, como detalharemos em aula futura. O princípio do
planejamento prevê que, durante a fase preparatória da licitação, a Administração deve
aprofundar seus estudos, conhecendo melhor aquilo que pretende adquirir, detalhando suas reais
necessidades, a fim de aumentar as chances de os resultados pretendidos com contratação sejam
alcançados, com um nível de risco e custo aceitáveis.
Razoabilidade e proporcionalidade
Os princípios da razoabilidade e proporcionalidade encontram-se implícitos no texto
constitucional, com sede no princípio do devido processo legal (CF, art. 5º, LIV) e também
expressos na legislação federal (Lei 9.784/1999, art. 2º). Na NLL o legislador prestigiou-os,
optando por torná-los expressos.
Em síntese, são princípios que auxiliam o intérprete do direito administrativo a exercer o “bom
senso” e, assim, a descartar soluções absurdas, bizarras, desarrazoadas, proibindo o cometimento
de excessos por parte da Administração.
Segurança jurídica
A segurança jurídica é princípio geral do direito, que tem por objetivo resguardar a estabilidade
das relações jurídicas e, assim, conferir previsibilidade à atuação estatal.
Há uma série de institutos jurídicos que concretizam a proteção à segurança jurídica, como a
irretroatividade da lei ou intepretações, a coisa julgada, o ato jurídico perfeito e o direito
adquirido.
Este princípio já era mencionado expressamente, em âmbito federal (Lei 9.784/1999, art. 2º), e
acabou sendo positivado no texto da nova lei de licitações, com intuito de se resguardar os direitos
daqueles envolvidos em uma licitação.
Segregação de funções
O princípio da segregação de funções, amplamente utilizado no setor privado e em determinadas
atividades da Administração, foi positivado na nova lei de licitações, para fortalecer sua aplicação
nas contratações públicas.
Ele consiste em um mecanismo de controle, que busca, em síntese, separar funções de execução
e de aprovação, fazendo com que servidores distintos as executem.
A) Quando você vai a uma loja: repare que, no processo de compra, algumas funções são
atribuídas a pessoas distintas, como fazer a venda (vendedor), receber o pagamento
(“caixa”) e entregar o produto a você (por vezes atribuída ao setor de “expedição”).
B) Quando você vai até uma agência bancária solicitar um empréstimo: repare que a
concessão do empréstimo certamente envolverá a aprovação de um “gerente” ou de
outra pessoa diferente daquela que lhe atendeu.
Por esta razão o legislador vedou a designação do mesmo agente público para atuação simultânea
em funções mais suscetíveis a riscos, de modo a reduzir a possibilidade de ocultação de erros e
de ocorrência de fraudes na respectiva contratação (art. 7º, §1º).
Portanto, a ideia é reduzir os riscos de erros e de fraudes, por meio da não concentração de
determinadas funções sobre um mesmo servidor.
Motivação
O princípio da motivação, como se sabe, exige que a administração pública indique os
fundamentos de fato e de direito que levaram a uma decisão.
Além de implícito no texto constitucional, tal princípio encontra-se positivado também na
legislação federal (Lei 9.784/1999, art. 2º, parágrafo único, VII).
Nas licitações, percebe-se que, além de transparentes, os atos do procedimento licitatório devem
ser motivados, de sorte que os licitantes e cidadãos interessados possam conhecer os
fundamentos, de fato e de direito, que determinarem a decisão administrativa.
DEFINIÇÕES IMPORTANTES
O art. 6º da nova lei de licitações apresenta uma lista de 60 de definições, que podem ser cobradas
em provas. Deste universo, destacaremos especialmente aquelas relacionadas aos objetos da
licitação, aos principais projetos de uma contratação e aos agentes públicos que atuam na
licitação, cuja compreensão será essencial para o estudo das modalidades licitatórias.
alienação de
compra serviços obras
bens
Feita esta contextualização, iremos trazer breves considerações sobre os objetos das licitações,
para permitir melhor compreensão do que está por vir.
Compras
Por meio dos contratos de compras (por vezes chamados de “fornecimentos”), a Administração
adquire bens móveis necessários às suas atividades, os quais poderão ser entregues de uma só
vez ou parceladamente.
Segundo a definição legal (art. 6º, X), compra consiste na aquisição remunerada de bens para
fornecimento de uma só vez ou parceladamente, considerada imediata aquela com prazo de
entrega de até 30 dias da data ordem de fornecimento6.
A legislação define que são comuns aqueles bens cujos padrões de desempenho e qualidade
possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado
(art. 6º, XIII).
6
Na Lei 8.666, o prazo para se considerar “compra imediata” era de 30 dias contados da apresentação
da proposta (e não da ordem de fornecimento). Além disso, futuramente iremos comentar que as
compras com entrega imediata possuem algumas facilidades, a exemplo da dispensa da etapa de
habilitação e, a depender do valor da compra, do instrumento contratual.
Para os bens comuns, passa a ser obrigatória a adoção do pregão como modalidade licitatória,
qualquer que seja o ente federativo.
Em contraponto aos comuns, temos os bens especiais, como sendo aqueles que, por sua alta
heterogeneidade ou complexidade, não podem ser descritos objetivamente no edital como os
comuns (art. 6º, XIII). Reparem que o conceito de “especial” tem um caráter residual, inserindo-se
aqui as situações que não puderem ser enquadradas como comum. Neste caso, a modalidade
licitatória será a concorrência.
comuns pregão
bens
especiais concorrência
Obras
A partir da definição legal de ‘obra’, temos que as licitações que têm como objeto “obras públicas”
se destinam à execução indireta de construção, reforma, fabricação, recuperação ou ampliação
de bens públicos.
Relembro que, uma obra pode ser executada diretamente ou indiretamente pelo poder público.
A execução direta é aquela em que a própria Administração (com seu maquinário e servidores
próprios) ergue um edifício, por exemplo.
Na execução indireta, por sua vez, a Administração celebra um contrata um terceiro, para que
este erga o edifício para a Administração. Aqui terá lugar o contrato de obra pública e, por sua
vez, as licitações de obras públicas.
Serviços
A partir da definição legal de “serviço”7, a doutrina já definia contratos de serviços como aqueles
que visam a atividade destinada a obter determinada utilidade concreta de interesse para a
Administração. Nesta espécie, a obrigação do particular contratado pelo poder público se traduz
em fazer algo que seja útil à Administração.
Reparem que aqui não estamos falando dos contratos de serviços públicos (voltados à população),
mas da prestação de serviços privados à Administração. Nestes contratos de serviços, torna-se
evidente a terceirização realizada pela Administração.
Locações
A locação – por vezes chamada de “aluguel” – consiste em um contrato, primariamente regido
por regras do direito privado, em que uma das partes cede à outra o direito de usar e gozar um
determinado bem, esperando receber certa retribuição em troca (Código Civil, art. 565).
Já adianto que uma das novidades da NLL consistiu na possibilidade de a locação de bem imóvel
ser realizada sem uma licitação prévia, mediante inexigibilidade de licitação (art. 74, V), e não mais
por meio de dispensa de licitação.
De qualquer forma, não sendo o caso da inexigibilidade de licitação, a locação de imóveis deverá
ser precedida de licitação e avaliação prévia do bem, do seu estado de conservação, dos custos
de adaptações e do prazo de amortização dos investimentos necessários (art. 51).
Alienações
Uma licitação também poderá se destinar a promover a alienação (venda) de um bem do poder
público, seja móvel ou imóvel.
Já adianto que, tratando-se de bens imóveis, a alienação é condicionada ao atendimento dos
seguintes pressupostos (art. 76, caput e inciso I):
7
Art. 6º, XI – serviço: atividade ou conjunto de atividades destinadas a obter determinada utilidade,
intelectual ou material, de interesse da Administração
justificado
avaliação prévia
procedimentos
judiciais
autorização legislativa, inclusive para dispensada se imóvel
autarquias e fundações oriundo de
dação em pagamento
admitida a dispensa
licitação na modalidade de leilão nos casos do art. 76 da
nova Lei
Reparem que, quanto à modalidade licitatória a ser adotada, tivemos um importante avanço na
nova Lei. Isto porque, sob a égide da Lei 8.666, embora o leilão pudesse ser adotado em situações
específicas, a regra geral era a adoção da concorrência para a alienação de bens imóveis. Agora,
portanto, qualquer que tenha sido a forma de aquisição do bem, deverá ser adotado o leilão.
Outra observação importante quanto à alienação de imóveis diz respeito aos imóveis provenientes
de (i) dação em pagamento8 ou (ii) procedimentos judiciais9 (art. 76, § 1º). Para facilitar a conversão
em pecúnia destes bens, o legislador afastou a obrigatoriedade de autorização legislativa nestes
casos.
Quanto à alienação de bens móveis, a legislação exige o seguinte (art. 76, caput e inciso II):
alienação - móveis
avaliação prévia
8
Dação em Pagamento, em síntese, diz respeito à situação em que o particular dá bens imóveis ao poder
público como forma de quitar dívidas.
9
Neste caso são bens imóveis oriundos de processos judiciais, como nos casos em que o particular teve
seu patrimônio executado para pagamento de dívidas com o Estado.
Execução da
Anteprojet Projeto
Projeto Básico obra ou do
o Executivo
serviço
Antes de detalhar estes 3 documentos, vale adiantar que o anteprojeto – que, nem sempre é
necessário – representa uma versão mais simples, mais inicial, dos estudos relacionados à solução
a ser contratada. Em síntese, o anteprojeto seria um mero esboço.
Por outro lado, o projeto básico é uma versão um pouco mais detalhada do que se espera da
empresa contratada, contendo maior nível de precisão que o anteprojeto.
Por fim, o projeto executivo detalha ainda mais o projeto básico, a ponto de permitir a completa
execução da obra.
Projeto Básico
Nos termos previstos no art. 6º, XXV, o Projeto Básico consiste no conjunto de elementos
necessários e suficientes, com nível de precisão adequado, para definir e dimensionar a obra ou o
serviço, ou complexo de obras ou serviços objeto da licitação.
Tal projeto é elaborado com base nas nos “estudos técnicos preliminares”, que assegurem a
viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento, e que
possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos e do prazo de execução.
Em regra, o projeto básico é elaborado pela Administração e constitui um dos anexos do edital
da licitação. Isto porque é por meio dele que os licitantes conseguirão estimar o custo da obra,
conhecer suas etapas, prazos e, assim, poderão formular suas propostas de preços.
No entanto, no regime de contratação integrada10, o projeto básico é elaborado pela própria
empresa encarregada de executar a obra (e não pela Administração). Neste caso, como veremos
mais adiante, o edital da licitação não contém projeto básico, pois a licitação é realizada apenas
com base no anteprojeto.
Projeto Executivo
O Projeto Executivo, por sua vez, diz respeito ao conjunto dos elementos necessários e suficientes
à execução completa da obra, consistindo em um detalhamento das soluções previstas no projeto
básico (art. 6º, XXVI).
Portanto, enquanto o projeto básico define e dimensiona a obra, o projeto executivo vai além,
permitindo sua execução completa, futuramente. Em síntese, o Projeto Executivo detalha o
Projeto Básico a um nível de pormenores suficientes para a completa execução da obra.
Apesar de o projeto executivo ser, em regra, exigido para a realização de obras e serviços de
engenharia (art. 46, §1º), nem sempre será elaborado pela própria Administração.
Isto porque, excepcionalmente, nos regimes de contratação semi-integrada e contratação
integrada, a elaboração do projeto executivo fica sob responsabilidade da própria empresa
contratada para execução das obras.
10 A contratação integrada consiste, em linhas gerais, em um regime de execução de obras em que o próprio
contratado se encarrega de praticamente todas as etapas da obra, desde a concepção dos projetos básico e
executivo, passando pela execução das obras, montagem, teste, comprometendo-se a realizar todas as etapas para
a entrega final do objeto à Administração (art. 6º, XXXII).
Anteprojeto
Nos termos do art. 6º, XXIV, da NLL, anteprojeto consiste na peça técnica com todos os subsídios
necessários à elaboração do projeto básico. O anteprojeto será elaborado a partir dos “estudos
técnicos preliminares da contratação” e conterá informações como prazo de entrega da obra,
estética do projeto arquitetônico, levantamento topográfico e cadastral, entre outros.
O anteprojeto tem lugar no regime de contratação integrada, porquanto naquele regime o projeto
básico será elaborado pela própria empresa contratada (art. 46, §2º), a partir do esboço criado
pela Administração.
Contratação Administração
Não é exigido Contratado elabora
semi-integrada elabora
Contratação Administração
Contratado elabora
integrada elabora
11
Aqui iremos comentar a regra geral, muito embora exista regra de transição aplicável a municípios de
até 20.000 habitantes (art. 176, I).
na modalidade diálogo
obrigatória
competitivo
comissão de
contratação
na contratação de bens ou
facultativa serviços especiais
(modalidade concorrência)
Escolhido obrigatoriamente
entre (i) servidores efetivos ou
(ii) empregados públicos dos
Agente de » quadros permanentes
»» Regra geral
Contratação »
- responsabilidade: em regra,
individual; exceção: induzido a
erro pela equipe de apoio
Pregoeiro »» Pregão
Leiloeiro
»» Leilão
(ou servidor designado)
Há, aqui, outra novidade da NLL, que busca proteger os agentes públicos que atuarem na licitação
e estimular que atuem em estrita observância à orientação dos órgãos jurídicos.
Se, futuramente, o agente público que atuou na licitação estiver sendo investigado ou acusado de
praticar alguma irregularidade e, assim, precisar se defender judicial ou administrativamente, caso
ele tenha seguido a orientação constante do parecer jurídico, em regra os advogados públicos
poderão promovam sua defesa, ou seja, sem ônus para o servidor investigado (art. 10). Tal
benefício aplica-se mesmo se o agente público já houver deixado o cargo que exercia à época da
licitação (art. 10, §2º).
Tal regra, no entanto, não se aplica quando houver provas da prática de atos ilícitos dolosos nos
autos do processo administrativo ou judicial (art. 10, §1º, II).
Ele destina-se à divulgação centralizada e obrigatória dos atos exigidos por esta Lei e,
facultativamente, permitirá a realização das próprias contratações pelos órgãos e entidades de
todos os poderes e todas as esferas (art. 174, caput) 12.
Para tanto, ele conterá informações como (art. 174, §2º):
editais de
credenciamento atas de registro notas fiscais
de preços eletrônicas
e de pré-
(quando for o caso)
qualificação
Em termos de funcionalidades deste Portal, ele deverá oferecer um sistema eletrônico para a
realização das sessões públicas das licitações, viabilizar um cadastro unificado dos licitantes, conter
um painel para consulta de preços, entre outras (art. 174, §3º).
O Portal será gerido por um comitê de 7 membros, presidido por um representante indicado pelo
Presidente da República e composto por representantes da União (ao todo 3 membros 13), de
Estados/DF (ao todo 2 membros14) e de municípios (2 membros15 - art. 174, §1º).
Por fim, vale destacar que, além da divulgação no PNCP (obrigatória), os entes federativos,
facultativamente, poderão instituir sítio eletrônico oficial para divulgação complementar e
realização das respectivas contratações (art. 175).
12
A exceção fica por conta dos municípios com até 20.000 habitantes, que terão 6 anos para se adequar
à divulgação em sítio eletrônico oficial (art. 176, III).
13
indicados pelo Presidente da República.
14
indicados pelo Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração.
15
indicados pela Confederação Nacional de Municípios.
➢ Grande vulto
O legislador definiu expressamente que serviços, obras e fornecimentos de grande vulto são
aqueles cujo valor estimado supera R$ 200 milhões (art. 6º, XXII). A propósito, para o ano de 2026,
este valor foi atualizado para R$ 261.968.421,04 pelo Decreto 12.343/2025.
MODALIDADES DE LICITAÇÃO
A contratação por meio de uma licitação demandará, obrigatoriamente, a opção pela modalidade
licitatória, tendo a NLL previsto as seguintes (art. 28):
Modalidades
• pregão
• concorrência
• concurso
• leilão
• diálogo competitivo
Reparem que “chega” uma nova modalidade (diálogo competitivo) e “vão embora” duas
modalidades da Lei 8.666 (tomada de preços e convite) e o Regime Diferenciado de Contratações
(RDC)16, sendo o pregão incorporado à nova lei geral de licitações.
Mas, mesmo em relação às 4 modalidades que já existiam antes da NLL, há diferenças importantes
que comentaremos mais adiante.
Dito isto, passemos ao detalhamento de cada uma das cinco modalidades licitatórias da NLL.
Pregão
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
O pregão, antes regido pela Lei 10.520/2002, passou a constar da NLL, com poucas (mas
importantes) mudanças.
Nesse sentido, a NLL prevê que o pregão é “modalidade de licitação obrigatória para aquisição
de bens e serviços comuns, cujo critério de julgamento poderá ser o de menor preço ou o de
maior desconto” (art. 6º, XLI).
A partir da nova definição de pregão, precisamos nos debruçar sobre cinco principais aspectos, a
saber: a natureza dos objetos licitados por meio do pregão, a obrigatoriedade de seu uso,
situações em que o pregão é inviável, os critérios de seleção que podem ser adotados e, por fim,
o servidor responsável por conduzir o pregão.
Natureza comum
O pregão consiste em modalidade de licitação destinada à aquisição de bens e serviços
considerados comuns. Ou seja, a utilização do pregão está relacionada à natureza do objeto ser
16
A extinção do RDC se deve à disposição contida no inciso II do art. 193 da NLL, que revoga a Lei
12.462/2011, após o período de 2 anos da publicação da nova lei.
Concorrência
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
A NLL traz pouco detalhamento a respeito da concorrência, limitando-se a dizer que será a regra
geral para se licitarem (i) bens e serviços especiais, (ii) obras e (iii) serviços de engenharia, sejam
comuns ou especiais – art. 6º, XXXVIII.
Vejam que, sob a égide da Lei 8.666, a adoção da concorrência, na maioria dos
casos, dependia do valor da licitação. Era a modalidade adotada para licitações
de valores altos.
Como adiantamos acima, isto mudou! Com a NLL, a concorrência será adotada
independentemente do valor da contratação!
A concorrência passa a ser adotada a depender apenas da natureza do objeto, em
três situações: (i) objetos especiais, (ii) obras e (iii) serviços de engenharia.
Em relação aos serviços de engenharia, vale frisar que a concorrência será obrigatória para os
serviços de engenharia especiais e, facultativa, para os comuns:
concorrência
Condução da concorrência
Diferentemente do que ocorre no pregão, a concorrência será conduzida pelo agente de
contratação17, como regra geral, auxiliado por uma equipe de apoio.
Tratando-se, no entanto, da contratação de bens ou serviços especiais, a lei faculta a substituição
do agente de contratação por uma comissão com no mínimo 3 membros (art. 8º, §2º).
Diálogo competitivo
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
O diálogo competitivo é, na verdade, a grande novidade da NLL em termos de modalidade
licitatória.
Sua criação, inspirada na legislação estrangeira18, representa uma resposta do legislador às
dificuldades da Administração Pública de contratar objetos muito complexos e inovadores. São
situações em que, dada a elevada complexidade, a Administração tem dificuldades até mesmo de
definir sozinha o que deveria contratar.
Por meio do diálogo competitivo, a Administração pode conhecer mais a respeito das alternativas
existentes no mercado e, após definir o tipo de solução a ser adotado com o auxílio da iniciativa
17
Designado entre (i) servidores efetivos ou (ii) empregados públicos dos quadros permanentes da
Administração Pública.
18
Utilizado na União Europeia desde 2004 (vide “Diálogo Concorrencial” na atual Diretiva 2014/24 EU).
privada, aí sim, em um segundo momento, realiza uma competição entre os licitantes. Em outras
palavras, esta modalidade destina-se a situações em que a Administração conhece bem o
“problema” que precisa endereçar, mas se utilizará da expertise do mercado para conceber a
melhor “solução”.
Nesse sentido, ganha destaque lição doutrinária19 no sentido de que o diálogo competitivo é
modalidade ”voltada para solucionar problemas ligados à definição do que contratar”.
Muitas vezes, também, a tecnologia necessária para solucionar o problema da Administração é de
domínio restrito de um ou outro fornecedor, sendo que o diálogo competitivo permitiria a
Administração conhecer o “estado da arte” daquele objeto e, futuramente, obter algo que lhe
atenda melhor. Ou seja, estamos diante de situações em que a Administração conhece suas
necessidades, mas não sabe a melhor forma de atendê-las, surgindo um procedimento com duas
fases bem distintas:
Então, antes de descrever no edital o que deseja contratar, a Administração chama players do
mercado para um diálogo, individualizado com cada um deles, a fim de que possa saber o melhor
produto, a melhor solução, aquilo que seria capaz de atender aquelas necessidades do modo mais
customizado possível. Somente após tal aprofundamento, é definido o objeto a ser licitado e,
assim, passa-se à fase competitiva da licitação.
Assim, o legislador definiu o diálogo competitivo como sendo:
Art. 6º, XLII – diálogo competitivo: modalidade de licitação para contratação de obras,
serviços e compras em que a Administração Pública realiza diálogos com licitantes
previamente selecionados mediante critérios objetivos, com o intuito de desenvolver uma
ou mais alternativas capazes de atender às suas necessidades, devendo os licitantes
apresentar proposta final após o encerramento dos diálogos;
Procedimento
O diálogo competitivo possui procedimento próprio (diferente do rito comum da concorrência e
do pregão), a seguir sintetizado:
19
Segundo Mark Kirkby, citado por Rafael Sérgio Lima de Oliveira, in O Diálogo Competitivo do Projeto de Lei de Licitação e Contrato Brasileiro.
fase de diálogo
indicação da solução
a ser contratada
fase competitiva
A partir do diagrama, vale frisar que a primeira fase do diálogo tem como finalidade “desenvolver
uma ou mais alternativas capazes de atender às necessidades” da Administração, fazendo-se a
chamada “pré-seleção” para selecionar aqueles com os quais a Administração irá dialogar.
Já a fase competitiva, que tem lugar após desenvolvida/escolhida a alternativa, visa à obtenção
de propostas de empresas para efetivamente fornecerem a alternativa escolhida. Vejam que o
contrato será assinado com aquele licitante que for vitorioso na fase competitiva.
➢ Comissão de contratação
Como a Administração acaba possuindo maior discricionariedade na etapa de diálogo, é natural
existirem controles mais rigorosos a fim de coibir desvios por parte dos servidores que irão
conduzir o diálogo competitivo.
Nesse sentido, prevê o Estatuto que o diálogo competitivo será conduzido por comissão de
contratação composta de pelo menos 3 servidores efetivos ou empregados públicos pertencentes
aos quadros permanentes da Administração, admitida a contratação de profissionais para
assessoramento técnico da comissão (art. 32, §1º, XI).
Caso a Administração opte por contratar profissionais “de fora” para assessoramento técnico,
estes assinarão termo de confidencialidade e abster-se-ão de atividades que possam configurar
conflito de interesses (art. 32, §2º).
Outro controle previsto no Estatuto dispõe que as reuniões com os licitantes durante a pré-
seleção, embora reservadas, serão registradas em ata e gravadas mediante utilização de recursos
tecnológicos de áudio e vídeo. Estes registros serão obrigatoriamente juntados aos autos do
processo licitatório logo no início da fase competitiva.
Em relação aos critérios de julgamento passíveis de serem adotados no diálogo, vale destacar que
a Lei foi silente a este respeito, o que indicaria a possibilidade de utilização de quaisquer dos
critérios de julgamento previstos no art. 33 da NLL.
Hipóteses
Seguindo adiante, após termos compreendido a lógica e o procedimento desta modalidade,
registro que o diálogo competitivo aplica-se às compras, obras e serviços desde que atendam às
seguintes condições (art. 32, caput):
impossibilidade de a Administração
definir as especificações com precisão
hipóteses - diálogo
competitivo solução técnica mais adequada
necessidade de definir e
identificar as alternativas que requisitos técnicos aptos a concretizar
possam satisfazer suas a solução já definida
necessidades, com destaque
para os seguintes aspectos:
estrutura jurídica ou financeira do
contrato
Além destes casos, vale ressaltar que, a partir da edição da NLL, o diálogo competitivo passa a
poder ser utilizado também para contratação de concessionárias de serviço público20.
Vale destacar, ainda, que foram vetados os dispositivos do projeto de lei que previam atribuições
específicas dos órgãos de controle externo para monitorar os diálogos competitivos (art. 32, §1º,
XII).
Por fim, destaco a existência da modalidade licitatória prevista na LC 182, de junho de 2021 (que
instituiu o marco legal das startups), que também destina-se à contratação de soluções inovadoras.
20
Alterações promovidas pelo art. 179 da Lei 14.133/2021.
Concurso
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
Primeiramente, saliento que aqui não estamos nos referindo ao “concurso público” para seleção
de pessoal para os quadros da Administração Pública, mas de uma modalidade de licitação, a qual
se destina à celebração de contratos administrativos com o licitante vencedor.
Dito isto, destaco que, de modo muito similar à Lei 8.666, a NLL define o concurso como sendo a
modalidade de licitação para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico (ou seja, “trabalho
T-C-A”) e para a concessão de prêmios ou remuneração aos vencedores, cujo critério de
julgamento será o de melhor técnica ou conteúdo artístico (art. 6º, XXXIX).
Exemplo: imagine que determinado órgão público pretenda adotar um novo logotipo,
para reformular sua imagem institucional perante a sociedade. Como não possui nenhum
“artista” em seus quadros, pretende contratar, por meio de licitação, um particular para
criação deste logotipo. Como trata-se de um trabalho artístico, teria lugar a realização de
um concurso, em que vários profissionais iriam competir entre si para a criação do
“melhor” logotipo.
Seguindo adiante, como o concurso sujeita-se a um procedimento especial, seu edital deverá
indicará (art. 30): I – a qualificação exigida dos participantes; II – as diretrizes e formas de
apresentação do trabalho; e III – as condições de realização e o prêmio ou remuneração a ser
concedida ao vencedor.
Além disso, nos concursos destinados à elaboração de projeto, o vencedor deverá ceder à
Administração Pública todos os direitos patrimoniais relativos ao projeto e autorizar sua execução
conforme juízo de conveniência e oportunidade das autoridades competentes. Nesse sentido, o
art. 93 da NLL reforça que o uso futuro do projeto pela Administração é livre e não depende de
nova autorização de seu autor.
Em outras palavras, muito embora o autor do projeto seja um particular, ele não mais terá direito
a receber royalties ou outras remunerações pela sua invenção, pois ela foi cedida à Administração.
Além disso, o período de antecedência mínima entre a data da divulgação do edital e a data de
apresentação das propostas/lances é de 35 dias úteis (art. 55, IV).
Leilão
INCIDÊNCIA EM PROVA: ALTA
Leilão consiste na modalidade de licitação para a alienação de bens, sejam eles imóveis ou móveis,
a quem oferecer o maior lance.
A condução do leilão é confiada a (i) leiloeiro oficial ou (ii) a servidor designado pela Administração
(art. 31, caput). No caso de leiloeiro, a Administração deverá selecioná-lo por meio de
credenciamento ou licitação na modalidade pregão, adotando o critério de julgamento de maior
desconto para as comissões a serem cobradas (art. 31, §1º).
Além disso, o período de antecedência mínima entre a data da divulgação do edital e a data de
apresentação das propostas/lances é de 15 dias úteis (art. 55, III).
CRITÉRIOS DE JULGAMENTO
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
Mais adiante neste curso estudaremos como se processa a classificação e o julgamento das
propostas em uma licitação. No entanto, já adianto que, para tais procedimentos, é determinante
o critério de julgamento do fornecedor (anteriormente chamado de “tipo de licitação”).
É justamente aqui que veremos o fator que irá determinar a vitória de um licitante sobre os demais.
O art. 33 da nova Lei prevê os seguintes critérios de seleção do fornecedor (rol taxativo):
21
Além do critério de “técnica e preço”, quando couber (art. 34, caput).
aditivos contratuais (art. 34, §2º, parte final). Além disso, o desconto será aplicado sobre o preço
global fixado no edital de licitação (art. 34, §2º, parte inicial).
Aproveito para adiantar que é vedada a utilização isolada do modo de disputa fechado22 quando
adotados os critérios de julgamento de menor preço ou de maior desconto (art. 56, §1º).
22
No modo de disputa fechado as propostas permanecem em sigilo até o momento designado para sua
divulgação.
Técnica e preço
Já na “técnica e preço”, que pode ser utilizado apenas na concorrência, são calculados dois
índices, um técnico e outro de preço, fazendo uma média ponderada entre eles, para se definir a
licitante que apresentou a maior pontuação. Será considerado vencedor do certame aquele que
apresentar a melhor média.
Uma novidade da NLL é que, na ponderação entre fatores técnicos e fatores de preço, a nota dos
fatores técnicos não poderá extrapolar o máximo de 70% em relação ao total (art. 36, §2º).
A “técnica e preço” poderá ser utilizada em contratações de (art. 36, §1º)
I – serviços técnicos especializados de natureza predominantemente intelectual, caso em
que o critério de julgamento de técnica e preço deverá ser preferencialmente empregado;
II – serviços majoritariamente dependentes de tecnologia sofisticada e de domínio restrito,
conforme atestado por autoridades técnicas de reconhecida qualificação;
III – bens e serviços especiais de tecnologia da informação e de comunicação;
IV – obras e serviços especiais de engenharia;
V – objetos que admitam soluções específicas e alternativas e variações de execução, com
repercussões significativas e concretamente mensuráveis sobre sua qualidade,
produtividade, rendimento e durabilidade, quando essas soluções e variações puderem ser
adotadas à livre escolha dos licitantes, conforme critérios objetivamente definidos no edital
de licitação.
Outra novidade da Lei 14.133 é que o desempenho pretérito na execução de contratos com a
Administração Pública deverá ser considerado na pontuação técnica (art. 36, § 3º), tanto na
“melhor técnica” como na “técnica e preço” (art. 37, III). Ainda em relação à “técnica e preço”,
quando couber, ela também irá considerar o menor dispêndio para a Administração (art. 34,
caput).
Ainda a respeito da “técnica e preço”, adianto que é vedada a utilização do modo de disputa
aberto23 quando adotado tal critério de julgamento (art. 56, § 2º).
Maior lance
Em outro giro, o maior lance é exclusivo do leilão e, portanto, destina-se às alienações de bens.
Assim, será vencedor da licitação aquele que ofertar o maior valor para arrematar determinado
bem público.
23
Modo de disputa entre os licitantes em que as propostas são apresentadas de modo público.
No maior retorno, o licitante entrega duas propostas à Administração (art. 39, §1º):
a) proposta de trabalho: em que consta as obras, serviços e bens a serem fornecidos e a
economia estimada
b) proposta de preços: que corresponde ao percentual sobre a economia gerada.
Assim, para se apurar quem venceu a licitação, a Administração basta fazermos a diferença entre
o valor da economia estimada (da proposta de trabalho) e da proposta de preços, de modo a
obter a “economia líquida” - art. 39, §2º.
Se, por outro lado, não for gerada a economia prevista, há duas alternativas (art. 39, §4º):
I - a diferença entre a economia contratada e a efetivamente obtida será descontada da
remuneração do contratado;
II - se a diferença entre a economia contratada e a efetivamente obtida for superior ao limite
máximo estabelecido no contrato, o contratado sujeitar-se-á, ainda, a outras sanções cabíveis.
24
Contrato de eficiência consiste, em linhas gerais, à contratação de serviços que têm por objetivo proporcionar
economia ao contratante, na forma de redução de despesas correntes, de sorte que o contratado será remunerado
com base em percentual da economia gerada (Lei 14.133, art. 6º, LIII).
PROCEDIMENTOS AUXILIARES
INCIDÊNCIA EM PROVA: MÉDIA
Procedimentos auxiliares (ou “instrumentos auxiliares”) representam mecanismos que, muito
embora não se confundam com modalidades licitatórias, são procedimentos prévios à contratação
dos fornecedores, que, caso utilizados, também irão auxiliar na seleção de fornecedores pela
Administração.
Os procedimentos auxiliares podem ser divididos em dois grupos25, aqueles que já resultam em
contratação e os que antecedem uma licitação e possuem um caráter preparatório. Já adianto
que, no primeiro grupo, podemos incluir o credenciamento e o Sistema de Registro de Preços e,
no segundo, enquadram-se a pré-qualificação, o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI)
e o registro cadastral.
Estes procedimentos já vinham sendo utilizados na prática26, alguns existiam em atos normativos
esparsos27, outros na própria Lei 8.66628, de sorte que o grande mérito da NLL foi explicitar estes
“procedimentos auxiliares”29 e consolidar suas regras em um único ato normativo.
Nesse sentido, o art. 78 da NLL lista os seguintes procedimentos auxiliares:
Procedimentos auxiliares
• Credenciamento
• SRP – sistema de registro de preços
• Pré-qualificação
• PMI – Procedimento de manifestação de interesse
• Registro cadastral
25Consoante sistematiza Rodrigo Augusto Lazzari Lahoz, in “Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos”. 2ª
ed. Ed. Zenite.
26Como no caso do credenciamento, defendido pela doutrina (a exemplo de Joel de Menezes Niebuhr) e admitido
pela jurisprudência do TCU (a exemplo do Acórdão 784/2018-Plenário).
27A exemplo do Decreto federal 7.892/2013 (registro de preços, mencionado também nas Leis 8.666 e 10.520) e
do Decreto federal 8.428/2015 (procedimento de manifestação de interesse – PMI).
28 No caso da pré-qualificação (Lei 8.666, art. 114), do registro cadastral (Lei 8.666, arts. 34-37) e do próprio
registro de preços (Lei 8.666, art. 15).
29Como já havia feito a Lei 12.462/2011, que trata do RDC – Regime Diferenciado de Contratações, a partir do art.
29.
Credenciamento Concorrência
Pré-qualificação
Leilão
Procedimento de manifestação
de interesse (PMI) Concurso
Sistema de registro de preços Pregão
(SRP)
Registro cadastral Diálogo competitivo
Credenciamento
O credenciamento, regulamentado no art. 79 da NLL como um dos “procedimentos auxiliares”,
já era muito utilizado na prática para a Administração contratar, sem licitação, determinados
serviços.
No credenciamento tradicional, a Administração divulga uma lista de requisitos para a contratação,
por meio de um edital (“chamamento público”), sendo que todos os particulares que preencherem
os requisitos seriam credenciados para, futuramente, prestarem serviços à Administração sob um
valor fixado por ela, não havendo possibilidade de competição entre eles. Até por esta razão, o
credenciamento foi também listado como hipótese de inexigibilidade de licitação na nova lei de
licitações (art. 74, IV).
30
A exceção fica por conta do registro cadastral, para o qual o legislador não exigiu a divulgação de
edital.
Pré-qualificação
Outro instrumento auxiliar consiste na pré-qualificação31, que é um procedimento seletivo prévio
à licitação, convocado por meio de edital, destinado à análise das condições de habilitação, total
ou parcial, dos interessados ou do objeto (art. 6º, XLIV).
31
A pré-qualificação já era prevista na Lei 8.666, especificamente para concorrências em que o objeto
da licitação recomendava análise mais detida da qualificação técnica dos interessados (art. 114, Lei
8.666/1993).
Em outras palavras, para facilitar a realização de licitações futuras, a Administração pode realizar,
previamente, a pré-qualificação, destinada a promover uma “pré-seleção” de licitantes e produtos
capazes de atender a requisitos esperados.
Assim, nos termos do art. 80, a pré-qualificação é o procedimento técnico-administrativo para
selecionar previamente:
Registro cadastral
O registro cadastral será utilizado para cadastro unificado de licitantes e contratados e constará
do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP) – art. 87.
O sistema de registro cadastral unificado será público e deverá ser amplamente divulgado e estar
permanentemente aberto aos interessados. Além disso, será obrigatória a realização de
chamamento público pela internet, no mínimo anualmente, para atualização dos registros
existentes e para ingresso de novos interessados (art. 87, § 1º).
Assim como na pré-qualificação, aqui a Administração também poderá realizar licitação restrita a
fornecedores cadastrados (art. 87, §3º), sendo admitido ao fornecedor que não estava cadastrado
que o realize dentro do prazo previsto no edital para apresentação de propostas (art. 87, §4º).
Ao solicitar sua inscrição no cadastro (ou sua atualização) a empresa interessada fornecerá os
documentos necessários e, ao final, receberá um certificado, renovável sempre que atualizar o
registro (art. 88, §2º).
Uma das novidades do registro cadastral da NLL é que o sistema deverá, também, armazenar o
desempenho pretérito na execução de contratos com a Administração Pública (art. 88, §3º), o que
será computado na “pontuação técnica” em licitações que adotem o critério “técnica e preço” ou
“melhor técnica” (art. 36, § 3º).
Agora notem que não há garantia de que que os estudos serão aproveitados. É possível que um
particular gaste recursos próprios elaborando estes estudos e estes sejam, ao final, descartados
pela Administração.
E, mesmo se forem aproveitados, a Administração não irá pagar pelos estudos. Isto porque, no
caso de aproveitamento, quem remunera o autor dos estudos é o vencedor da futura licitação
para execução daquele projeto. Em outras palavras, cabe ao vencedor da licitação remunerar
aquele que desenvolveu os estudos relacionados ao objeto posteriormente licitado.
Exemplo: ainda tomando por base o exemplo anterior de PMI para estudos de viabilidade
para concessão de serviços dentro de parque ambiental. Aquele que elaborou os estudos
somente seria remunerado pela empresa que, futuramente, viesse a ganhar a licitação
para prestação dos serviços que foram objeto do estudo.
Portanto, o vencedor da licitação resultante do PMI já sabe, de antemão, que terá que remunerar
o autor dos estudos do PMI, de sorte que irá incluir este valor em sua proposta.
32
Utilizado inicialmente no contexto de delegação da prestação de serviços públicos, consoante indica o
art. 21 da Lei 8.987/1995.
Tal mecanismo, caso bem utilizado, apresenta inúmeras vantagens, como a padronização dos bens
e serviços contratados, o ganho de escala (já que quanto maior a quantidade de produtos a serem
fornecidos, maiores os descontos concedidos), a racionalização administrativa e a redução de
custos administrativos (em vez de vários entes públicos realizarem várias licitações, apenas uma
licitação é realizada).
Não por outro motivo a NLL também previu que, quando pertinente, as compras deverão ser
processadas por meio de sistema de registro de preços (art. 40, II).
33
Trecho adaptado da obra: “Sistema de registro de preço e pregão presencial e eletrônico”, Jacoby
Fernandes, 2008, p. 31.
Adiante passaremos a detalhar as novas regras do Sistema de Registro de Preços (SRP). Em frente!
Forma de seleção do fornecedor a ser registrado
Segundo a NLL, o registro de preços poderá se dar, a depender do caso, mediante licitação prévia
nas modalidades pregão ou concorrência ou, ainda, mediante contratação direta (art. 6º, XLV).
Portanto, a este respeito, a grande inovação da NLL é o processamento do SRP por meio de
dispensa ou inexigibilidade de licitação.
Critério de julgamento das propostas
O critério de julgamento da licitação destinada a um registro de preços será sempre o menor
preço ou o maior desconto sobre tabela de preços praticada no mercado (art. 82, V)34.
Validade da ata com preços registrados
Importante ter a ideia de que o registro de preços é a espécie de contratação em que, a partir de
um procedimento de seleção do fornecedor, é registrada uma ata de preços contendo a descrição
dos bens ou serviços ofertados e o respectivo preço.
Esta Ata de Registro de Preços (ARP) consiste, segundo a própria lei, em um “documento
vinculativo e obrigacional, com característica de compromisso para futura contratação, no qual são
registrados o objeto, os preços, os fornecedores, os órgãos participantes e as condições a serem
praticadas” (art. 6º, XLVI).
Assim, o fornecedor que conseguiu ter seus produtos registrados em ata terá, durante
determinado período de tempo, uma certa preferência na hipótese de a Administração vir a
contratar aquele item.
O prazo de vigência da ata de registro de preços é de 1 ano, sendo que a novidade da NLL fica
por conta da possibilidade de prorrogação da validade, por igual período, desde que comprovado
o preço vantajoso (art. 84, caput).
O prazo de validade da ata, no entanto, não se confunde com a duração do contrato decorrente
de um registro de preços, o qual terá sua vigência estabelecida em conformidade com as regras
constantes da ata (art. 84, parágrafo único).
Durante o período de validade da ata, será possível a alteração dos preços (nas condições previstas
em edital - art. 82, VI) e a atualização periódica dos preços registrados (art. 82, §5º, IV).
34
Anteriormente à Lei 14.133/2021, admitia-se excepcionalmente a adoção do critério “técnica e preço”
(Decreto 7.892/2013, art. 7º, §1º).
Portanto, o fato de um órgão público ter realizado licitação para registro de preços ou de ter sido
registrada uma ata não torna obrigatória a celebração do contrato com o fornecedor. Assim como
em uma licitação qualquer, a necessidade que gerou o registro de preços pode se modificar ou,
até mesmo, deixar de existir, após a conclusão do certame licitatório. Dessa forma, o ente público
pode deixar de contratar o fornecedor registrado.
Mas, se, por um lado, a Administração não é obrigada a contratar aquilo que fora selecionado por
meio de licitação para registro de preços, por outro, o fornecedor é, sim, obrigado a honrar sua
proposta, caso a Administração o convoque para celebrar contrato, durante a vigência da ata 35.
Caso ele não obedeça à convocação, em tese estaria sujeito a penalidades legais.
Entretanto, caso, durante a validade da ata, o ente público resolva contratar aqueles bens ou
serviços registrados, poderia ainda optar por realizar uma licitação específica para aquela
demanda e, assim, deixar de “aproveitar” a ata registrada. Neste caso, seria necessária uma
justificativa por parte da Administração (art. 83, parte final).
Portanto, o teor obrigacional da Ata de Registro de Preços (ARP), que comentamos acima, aplica-
se apenas em relação ao particular com produtos registrados, visto que não obriga a
Administração.
35
Esta obrigação de fornecimento alcança apenas as quantidades e órgãos registrados na ata, não
incluindo, no entanto, os “caronas”, comentados mais adiante.
“Documento
vinculativo e Para o fornecedor
obrigacional”
1 ano
Validade
Prorrogação por
igual período
C) Órgão não participante – órgão ou entidade da Administração Pública que, não tendo
participado dos procedimentos iniciais da licitação, atendidos os requisitos desta norma,
faz adesão à ata de registro de preços.
Quanto a este último órgão, vale fazer uma ressalva especial. Ele é o chamado “carona”. Ele não
está mencionado na ata, mas mediante concordância (i) do fornecedor e (ii) do órgão gerenciador,
poderá celebrar contratos a partir da ata. Neste caso, o “carona” terá que demonstrar, ainda, que
a adesão é vantajosa e que os valores registrados estão compatíveis com os valores praticados
pelo mercado (art. 86, §2º, I e II).
Com relação à quantidade máxima prevista para as adesões, vale a pena lermos atentamente dois
parágrafos do art. 86 da NLL.
entidade, a 50% (cinquenta por cento) dos quantitativos dos itens do instrumento
convocatório registrados na ata de registro de preços para o órgão gerenciador e
para os órgãos participantes.
§ 5º O quantitativo decorrente das adesões à ata de registro de preços a que se
refere o § 2º deste artigo não poderá exceder, na totalidade, ao dobro do
quantitativo de cada item registrado na ata de registro de preços para o órgão
gerenciador e órgãos participantes, independentemente do número de órgãos
não participantes que aderirem.
Sim! Vejamos:
- O primeiro consiste em um limite individual, ou seja, para cada órgão não participante que
desejar aderir ao registro de preços. Nesse caso, a quantidade máxima que um órgão não
participante (carona) pode contratar por meio do registro de preços é metade da quantidade
registrada em ata, isto é, 50% da quantidade registrada;
- O segundo limite consiste em uma quantidade máxima global de adesão ao registro de
preços. Nesse caso, se somarmos todas as adesões ao registro de preços, a quantidade total não
poderá exceder duas vezes (200%) a quantidade registrada.
As exceções a tal limitação constam dos arts. 86, §6º e 7º, dizendo respeito à (i) execução
descentralizada de programa ou projeto federal (como em um convênio), na hipótese de restar
comprovada a compatibilidade dos preços registrados com os valores praticados no mercado,
bem como na (ii) aquisição emergencial de produtos da área de saúde.
Portanto, seguindo a regra geral do Decreto 7.892/201336, os limites para adesão previstos na NLL
são:
limite
metade
individual da quantidade
total registrada
adesões ao limite
registro de preço dobro
global
por "caronas" -
limites excecução descentralizada
de programas federais
exceções
emergência na área de
saúde
Art. 86, § 8º Será vedada aos órgãos e entidades da Administração Pública federal
a adesão à ata de registro de preços gerenciada por órgão ou entidade estadual,
distrital ou municipal.
36
Considerando que, na Lei 14.133/2021, não foi prevista a possibilidade da exceção atinente à “compra
nacional”, que constava do Decreto 7.892/2013.
CONCLUSÃO
Bem, pessoal,
O assunto é novo e, como vocês perceberam, especialmente revestido de detalhes. Conhecer
estas novas regras certamente será um “diferencial competitivo” nestas primeiras provas. Então
siga firme, pois nada resiste ao estudo!!
Na primeira leitura deste material, não se preocupe em absorver todos os detalhes. Procure
assimilar, especialmente, as características de cada modalidade de licitação, os critérios de
julgamento das propostas e os procedimentos auxiliares.
Buscamos sistematizar, ao máximo, a absorção das novas regras e a comparação com as
disposições anteriores, sistematizando as novas regras.
As questões que se seguem, inéditas e adaptadas, vão ajudar neste caminho!
Espero que gostem =)
@professordaud
RESUMO
Introdução:
norma nacional
(U, E, DF e M)
normas gerais Lei 8.666/1993*
reservas internacionais
entidades controladas (ato normativo do Bacen)
não se aplica
• operações de crédito e gestão da dívida pública
• Contratações sujeitas à legislação própria
aplicação subsidiária
Princípios expressos:
impessoalidad
legalidade moralidade publicidade eficiência
e
desenvolviment
economicidad competitividad
eficácia celeridade o nacional
e e
sustentável
interesse probidade
igualdade planejamento transparência
público administrativa
razoabilidade
e segurança segregação de vinculação ao
motivação
proporcionali jurídica funções edital
dade
julgamento
objetivo
Modalidades:
Critérios de julgamento:
Procedimentos auxiliares:
Procedimento Características
- contratação paralela
e não excludente
Preço fixado em edital
- seleção a critério de (contratação paralela e
terceiros Inexigibilidade de
Credenciamento não excludente /
licitação
- mercados fluidos seleção a critério de
terceiros)
- comércio eletrônico
(Sicx)
QUESTÕES COMENTADAS
1. CONSULPAM - CFESS/Assistente Técnico - 2025
A Lei de Licitação n.º 14.133/2021, aplica-se, EXCETO:
a) Às contratações de tecnologia da informação e de comunicação.
b) Às contratações sujeitas a normas previstas em legislação própria.
c) À prestação de serviços, inclusive os técnico-profissionais especializados.
d) À concessão e permissão de uso de bens públicos.
Comentários:
A letra (A) está incorreta, pois a Lei de Licitação se aplica nesse caso, conforme prevê o Art. 2º,
inciso VII, da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 2º - Esta Lei aplica-se a:
VII - Contratações de tecnologia da informação e de comunicação.
A letra (B) está correta, pois a Lei de Licitação não se aplica para contratações sujeitas a
legislação própria, conforme prevê o Art. 3º, inciso II da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 3º - Não se subordinam ao regime desta Lei:
II - Contratações sujeitas a normas previstas em legislação própria.
A letra (C) está incorreta, pois a Lei de Licitação se aplica nesse caso, conforme prevê o Art. 2º,
inciso V, da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 2º - Esta Lei aplica-se a:
V - Prestação de serviços, inclusive os técnico-profissionais especializados;
A letra (D) está incorreta, pois a Lei de Licitação se aplica nesse caso, conforme prevê o Art. 2º,
inciso IV, da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 2º - Esta Lei aplica-se a:
IV - Concessão e permissão de uso de bens públicos;
Gabarito (B)
2. CONSULPAM - CFESS/Assistente Técnico - 2025
O processo licitatório tem por objetivos, EXCETO:
a) Assegurar tratamento isonômico entre os licitantes, bem como a justa competição.
b) Evitar contratações com sobrepreço ou com preços manifestamente inexequíveis e
superfaturamento na execução dos contratos.
c) Incentivar a inovação e o desenvolvimento nacional sustentável.
A letra (A) está correta, conforme prevê o Art. 12, inciso I, da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 12 - No processo licitatório, observar-se-á o seguinte:
I - Os documentos serão produzidos por escrito, com data e local de sua
realização e assinatura dos responsáveis;
A letra (B) está correta, conforme prevê o Art. 12, inciso III, da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 12 - No processo licitatório, observar-se-á o seguinte:
III - O desatendimento de exigências meramente formais que não comprometam
a aferição da qualificação do licitante ou a compreensão do conteúdo de sua
proposta não importará seu afastamento da licitação ou a invalidação do
processo;
A letra (C) está correta, conforme prevê o Art. 12, inciso V, da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 12 - No processo licitatório, observar-se-á o seguinte:
V - O reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de
autenticidade, salvo imposição legal;
A letra (D) está incorreta, pois os atos serão preferencialmente digitais, conforme prevê o Art. 12,
inciso VI, da Lei nº 14.133/2021:
Lei nº 14.133/2021, Art. 12 - No processo licitatório, observar-se-á o seguinte:
VI - Os atos serão preferencialmente digitais, de forma a permitir que sejam
produzidos, comunicados, armazenados e validados por meio eletrônico;
Gabarito (D)
4. CONSULPAM - CFESS/Assistente Técnico - 2025
Conforme a Lei n.º 14.133/2021, são modalidades de licitação, EXCETO:
a) Convite.
b) Pregão.
c) Leilão.
d) Concorrência.
Comentários:
O gabarito está na letra (A). O convite não é mais modalidade de licitação prevista na legislação
brasileira:
Lei nº 8.112/1990, Art. 28 - São modalidades de licitação:
I - Pregão;
II - Concorrência;
III - concurso;
IV - Leilão;
V - Diálogo competitivo.
Gabarito (A)
5. IBFC / UFPB/Assistente administrativo - 2025
Segundo a Lei 14.133/2021, ______ é a modalidade de licitação obrigatória para aquisição de
bens e serviços comuns, cujo critério de julgamento poderá ser o de menor preço ou o de maior
desconto. Assinale a alternativa que preencha corretamente a lacuna.
a) leilão
b) diálogo Competitivo
c) pregão
d) concurso
e) credenciamento
Comentários:
O gabarito está na letra (C), visto que o enunciado menciona claramente a definição de pregão:
Lei 14.133/2021, Art. 6º, XLI - pregão: modalidade de licitação obrigatória para
aquisição de bens e serviços comuns, cujo critério de julgamento poderá ser o de
menor preço ou o de maior desconto;
Gabarito (C)
6. IBGP/Pref. Ribeirão das Neves – 2025
De acordo com a Lei 14. 133/2021, as licitações e contratações para as Administrações Públicas
diretas, autárquicas e fundacionais da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
devem observar regras, princípios e diretrizes próprias para, desse modo, atribuir lisura ao
processo e à aplicação da própria Lei.
Sobre o tema, analise as assertivas a seguir:
I. Impessoalidade, segregação de funções, motivação.
II. Segurança jurídica, planejamento, julgamento objetivo.
III. Eficácia, transparência, desenvolvimento nacional sustentável.
IV. Eficiência, igualdade, inafastabilidade da jurisdição.
Assina/e a alternativa que apresente APENAS princípios que devem ser observados na aplicação
da Lei, nos termos do artigo 5° do referido dispositivo legal.
A I, II, III
B II, III, IV
C I, III, IV
D I, II, IV
Comentários:
O item I está correto. Os princípios da impessoalidade, da segregação de funções e da
motivação estão todos listados no rol do Art. 5º da Lei 14.133/2021.
A Lei n° 14.133/2021, também conhecida como Lei de Licitações, estabelece normas gerais de
licitação e contratação para a Administração Pública. Sobre o processo licitatório, com base na
referida lei, assinale a alternativa correta.
(A) O processo licitatório tem por objetivo assegurar tratamento específico para cada um dos
licitantes, estimulando a competição.
(B) No processo licitatório, observar-se-á que os atos serão preferencialmente digitais, de forma
a permitir que sejam armazenados por meio eletrônico.
(C) Os atos praticados no processo licitatório são sigilosos, ressalvadas as hipóteses de
publicidade, na forma da lei.
(D) O autor do anteprojeto, pessoa física ou jurídica, quando a licitação versar sobre obra a ele
relacionada, poderá disputar licitação.
(E) O processo de licitação observará as seguintes fases, em sequência: divulgação do edital,
apresentação de propostas, habilitação, homologação e julgamento.
Comentários:
A letra (A) está incorreta. Conforme o art. 11, II, o objetivo é assegurar tratamento isonômico
entre os licitantes e garantir justa competição, e não um tratamento específico.
A letra (B) está correta. Conforme o art. 12, inciso VI, no processo licitatório, os atos serão
preferencialmente digitais, permitindo que sejam produzidos, comunicados, armazenados e
validados por meio eletrônico.
A letra (C) está incorreta. De acordo com o art. 13, os atos são públicos, salvo exceções em que o
sigilo seja necessário à segurança da sociedade e do Estado.
A letra (D) está incorreta. O art. 14, I proíbe que o autor do anteprojeto, projeto básico ou
executivo participe da licitação referente à obra ou serviço relacionado, para evitar conflitos de
interesse.
A letra (E) está incorreta. Conforme art. 17, as fases da licitação são: preparatória, divulgação do
edital, apresentação de propostas, julgamento, habilitação, recursal, e homologação, em
sequência diversa da apresentada.
Gabarito (B)
9. QUADRIX/CREFONO-2-SP - Assistente de Administração e Serviços - 2023
Considerando as disposições da Nova Lei de Licitações e Contratos (Lei n.º 14.133/2021), julgue
o item.
Em uma licitação na modalidade pregão, o agente responsável pela condução do certame será
designado pregoeiro.
( ) Certo
( ) Errado
Comentários:
O agente público responsável por conduzir o leilão, na nova lei, continua sendo o pregoeiro:
Art. 8º, § 5º Em licitação na modalidade pregão, o agente responsável pela
condução do certame será designado pregoeiro.
Gabarito (C)
10. QUADRIX/CRESS-16-AL – Assistente Técnico Administrativo - 2023
Quanto à licitação pública (fases, modalidades, dispensa e inexigibilidade), julgue o item.
O leilão poderá ser cometido a leiloeiro oficial ou a servidor designado pela autoridade
competente da Administração, e seu regulamento deverá dispor sobre os procedimentos
operacionais.
( ) Certo
( ) Errado
Comentários:
Mais uma questão de prova exigindo a literalidade da nova lei de licitações:
Art. 31. O leilão poderá ser cometido a leiloeiro oficial ou a servidor designado
pela autoridade competente da Administração, e regulamento deverá dispor
sobre seus procedimentos operacionais.
Gabarito (C)
11. QUADRIX/CRO-MS - Analista Administrativo - 2023
De acordo com a Lei n.º 14.133/2021, que versa acerca da Lei de Licitação e Contratos
Administrativos (LLCA), julgue o item.
Se a Administração optar pela realização de leilão por intermédio de leiloeiro oficial, ela deverá
selecioná‑lo mediante o credenciamento ou a licitação na modalidade pregão e adotar o critério
de julgamento de maior desconto para as comissões a serem cobradas. Para isso, deverão ser
utilizados, como parâmetro máximo, os percentuais definidos na lei que regula a referida
profissão e deverão ser observados os valores dos bens a serem leiloados.
( ) Certo
( ) Errado
Comentários:
A questão é transcrição da seguinte regra legal:
Art. 31, § 1º Se optar pela realização de leilão por intermédio de leiloeiro oficial,
a Administração deverá selecioná-lo mediante credenciamento ou licitação na
modalidade pregão e adotar o critério de julgamento de maior desconto para as
comissões a serem cobradas, utilizados como parâmetro máximo os percentuais
definidos na lei que regula a referida profissão e observados os valores dos bens
a serem leiloados.
Em síntese, a contratação do leiloeiro oficial poderá ocorrer mediante licitação na modalidade
pregão ou via credenciamento.
Gabarito (C)
12. QUADRIX/CRT-ES - Auxiliar Administrativo - 2023
Quanto à Lei n.º 14.133/2021, que institui a nova Lei de Licitação e Contratos Administrativos, e à
Lei n.º 10.520/2002, que estabelece a modalidade pregão, julgue o item a seguir.
O julgamento por menor preço ou maior desconto e, quando couber, por técnica e preço
considerará o menor dispêndio para a Administração, atendidos os parâmetros mínimos de
qualidade definidos no edital de licitação.
( ) Certo
( ) Errado
Comentários:
Exato, o "menor dispêndio para a Administração" é gênero que comporta os critérios do menor
preço, maior desconto e técnica e preço:
Art. 34. O julgamento por menor preço ou maior desconto e, quando couber, por
técnica e preço considerará o menor dispêndio para a Administração, atendidos
os parâmetros mínimos de qualidade definidos no edital de licitação.
Gabarito (C)
13.NOSSO RUMO - Câmara Municipal de São João da Boa Vista/2022
No que discorre sobre a Lei 14.133/2021, poderão disputar licitação ou participar da execução
de contrato, direta ou indiretamente:
a) autor do anteprojeto, do projeto básico ou do projeto executivo, pessoa física ou jurídica,
quando a licitação versar sobre obra, serviços ou fornecimento de bens a ele relacionados.
b) pessoa física ou jurídica que se encontre, ao tempo da licitação, impossibilitada de participar
da licitação em decorrência de sanção que lhe foi imposta.
c) aquele que não mantém vínculo de natureza técnica, comercial, econômica, financeira,
trabalhista ou civil com dirigente do órgão ou entidade contratante ou com agente público que
desempenhe função na licitação ou não atue na fiscalização ou na gestão do contrato, ou que
deles não seja cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o
terceiro grau.
d) pessoa física ou jurídica que, nos 5 (cinco) anos anteriores à divulgação do edital, tenha sido
condenada judicialmente, com trânsito em julgado, por exploração de trabalho infantil, por
submissão de trabalhadores a condições análogas às de escravo ou por contratação de
adolescentes nos casos vedados pela legislação trabalhista.
e) empresas controladoras, controladas ou coligadas, nos termos da Lei 6.404, de 15 de
dezembro de 1976, concorrendo entre si.
Comentários:
Questão que cobrou especificamente o art. 14 da NLL:
Art. 14. Não poderão disputar licitação ou participar da execução de contrato,
direta ou indiretamente:
I - autor do anteprojeto, do projeto básico ou do projeto executivo, pessoa física
ou jurídica, quando a licitação versar sobre obra, serviços ou fornecimento de
bens a ele relacionados;
II - empresa, isoladamente ou em consórcio, responsável pela elaboração do
projeto básico ou do projeto executivo, ou empresa da qual o autor do projeto
Comentários:
A letra (A) está incorreta. A Lei 14.133/2021 se aplica expressamente às contratações de
tecnologia da informação e de comunicação, conforme seu art. 2º, VII.
"Art. 2º Esta Lei aplica-se a: (..) VII - contratações de tecnologia da informação e
de comunicação."
A letra (B) está incorreta. A prestação de serviços, incluindo os técnico-profissionais
especializados, está sob a regência da Lei 14.133/2021, como disposto no art. 2º, V.
"Art. 2º Esta Lei aplica-se a: (..) V - prestação de serviços, inclusive os
técnico-profissionais especializados;"
A letra (C) está correta. A Lei de Licitações rege a alienação e a concessão de direito real de uso
de bens públicos. A concessão de direito real de uso de patentes, por sua vez, é um negócio
jurídico que envolve propriedade intelectual e é regido por legislação própria (Lei 9.279/96),
enquadrando-se na exceção do art. 3º, II, da Lei 14.133/2021.
"Art. 3º Não se subordinam ao regime desta Lei: (..) II - contratações sujeitas a
normas previstas em legislação própria."
A letra (D) está incorreta. A compra, inclusive por encomenda, é uma das hipóteses de aplicação
da Lei 14.133/2021, prevista no art. 2º, II.
"Art. 2º Esta Lei aplica-se a: (..) II - compra, inclusive por encomenda;"
A letra (E) está incorreta. A concessão e a permissão de uso de bens públicos são objeto de
aplicação da Lei 14.133/2021, de acordo com o art. 2º, IV.
"Art. 2º Esta Lei aplica-se a: (..) IV - concessão e permissão de uso de bens
públicos;"
Gabarito (C)
15.NOSSO RUMO - Pref. Indaiatuba/2022
É correto afirmar que a Lei 14.133, de 1° de abril de 2021 (Lei de Licitações e Contratos
Administrativos), NÃO se aplica a:
a) alienação e concessão de direito real de uso de bens.
b) compra, inclusive por encomenda.
c) contratações sujeitas a normas previstas em legislação própria.
d) concessão e permissão de uso de bens públicos.
e) obras e serviços de arquitetura e engenharia.
Comentários:
A letra (A) está incorreta. A Lei 14.133/2021 aplica-se expressamente à alienação e à concessão
de direito real de uso de bens, conforme seu art. 2º, I.
"Art. 2º Esta Lei aplica-se a: I - alienação e concessão de direito real de uso de
bens;"
A letra (B) está incorreta. A compra, inclusive na modalidade por encomenda, é um dos objetos
regulados pela Lei 14.133/2021, como prevê o art. 2º, II.
"Art. 2º Esta Lei aplica-se a: (..) II - compra, inclusive por encomenda;"
A letra (C) está correta. A própria lei estabelece que não se subordina ao seu regime as
contratações que são regidas por normas de legislação específica, conforme o disposto no art.
3º, II, da Lei 14.133/2021.
"Art. 3º Não se subordinam ao regime desta Lei: (..) II - contratações sujeitas a
normas previstas em legislação própria."
A letra (D) está incorreta. A concessão e a permissão de uso de bens públicos são hipóteses de
aplicação da Lei 14.133/2021, de acordo com o art. 2º, IV.
"Art. 2º Esta Lei aplica-se a: (..) IV - concessão e permissão de uso de bens
públicos;"
A letra (E) está incorreta. Obras e serviços de arquitetura e engenharia estão claramente no
escopo de aplicação da Lei 14.133/2021, como estabelece o art. 2º, VI.
"Art. 2º Esta Lei aplica-se a: (..) VI - obras e serviços de arquitetura e engenharia;"
Gabarito (C)
16.NOSSO RUMO / Pref. Indaiatuba / 2022
Segundo a Lei de Licitações e Contratos Administrativos - Lei 14.133/21, concorrência é
modalidade de licitação para contratação de bens e serviços especiais e de obras e serviços
comuns e especiais de engenharia, cujo critério de julgamento NÃO poderá ser:
a) menor preço.
b) melhor técnica ou recurso tecnológico.
c) técnica e preço.
d) maior retorno econômico.
e) maior desconto.
Comentários:
A letra (B) está incorreta e é o nosso gabarito. A lei não prevê o critério de julgamento "melhor
técnica ou recurso tecnológico" para nenhuma das modalidades licitatórias. O critério mais
próximo seria o de "melhor técnica ou conteúdo artístico".
Gabarito (B)
17. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Assinale abaixo o ente público ao qual NÃO se aplica a nova lei de licitações e contratos:
(A) tribunal de justiça.
(B) câmara de vereadores.
(C) empresa pública.
(D) autarquia federal.
Comentários:
As licitações das empresas públicas e sociedades de economia mista são regidas pela Lei
13.303/2016 – e não pela Lei 14.133/2021 – de sorte que o gabarito está na letra (C).
Os entes mencionados nas demais alternativas estão alcançados pelas regras da nova lei de
licitações, com fundamento em seu artigo 1º, caput.
Gabarito (C)
18. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
A nova lei de licitações
(A) entrará em vigor dentro do prazo de dois anos após sua publicação.
(B) impede a adoção de qualquer outro regime licitatório.
(C) permite aos órgãos públicos mesclarem as novas regras com aquelas constantes da Lei
8.666/1993.
(D) não se encontra em vacatio legis.
Comentários:
A Lei 14.133/2021 está em vigor desde sua publicação, não havendo vacatio legis (Lei
14.133/2021, art. 194).
Além disso, mesmo que os órgãos possam optar entre as regras da nova lei e aquelas da Lei
8.666/1993, a lei veda que sejam mescladas regras de regimes distintos (art. 191).
Gabarito (D)
19. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
NÃO é objetivo da nova lei de licitações:
(A) assegurar a justa competição.
(B) assegurar tratamento isonômico entre os licitantes.
(C) evitar o sobrepreço e o superfaturamento.
(D) incentivar contratações com preços inexequíveis.
Comentários:
Nos termos do art. 11, entre os vários objetivos da licitação, um deles é EVITAR contratações
inexequíveis. Relembrando:
Gabarito (D)
20. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Tratar-se do documento utilizado para definir e dimensionar a obra ou o serviço:
(A) Projeto Básico
(B) Projeto Executivo
(C) Anteprojeto
(D) Estudo Técnico Preliminar (ETP)
Comentários:
O documento que é utilizado para definir e dimensionar a obra ou o serviço é o projeto básico,
mencionado no art. 6º, XXV, da Lei 14.133/2021, de sorte que a letra (A) está correta.
O projeto executivo, por outro lado, detalha ainda mais o projeto básico, a ponto de permitir a
completa execução da obra (art. 6º, XXVI). Portanto, a letra (B) está incorreta.
O anteprojeto, nem sempre necessário, representa uma versão mais simples, mais inicial, dos
estudos relacionados à solução a ser contratada. Em síntese, o anteprojeto seria um mero
esboço. Nos termos do art. 6º, XXIV, da NLL, anteprojeto consiste na peça técnica com todos os
subsídios necessários à elaboração do projeto básico. Portanto, a letra (C) está incorreta.
Por fim, a letra (D) está incorreta, porquanto o estudo técnico preliminar, embora contenha
insumos para elaboração do projeto básico (ou do anteprojeto, se for o caso), não chega ao
ponto de definir ou dimensionar a obra/serviço.
Gabarito (A)
21. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
De acordo com as disposições estabelecidas na Lei 14.133/2021, a contratação semi-integrada é
o regime de execução em que o contratado é responsável por elaborar e desenvolver o projeto
básico, executar obras e serviços de engenharia, fornecer bens ou prestar serviços especiais e
realizar montagem, teste, pré-operação e as demais operações necessárias e suficientes para a
entrega final do objeto.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
A assertiva se encontra errada. A Lei 14.133/2021traz de novidades, em relação à Lei
8.666/1993, novos regimes de execução do objeto da licitação. Um deles é a contratação
semi-integrada, que já é previsto na Lei das Estatais. Neste regime, conforme o art. 6º, XXXIII, o
contratado não é responsável pela elaboração do projeto básico, mas sim do projeto executivo.
Vejamos:
Art. 6º Para os fins desta Lei, consideram-se: (...)
XXXIII – contratação semi-integrada: regime de contratação de obras e serviços
de engenharia em que o contratado é responsável por elaborar e desenvolver o
projeto executivo, executar obras e serviços de engenharia, fornecer bens ou
Contratação
Não é exigido Administração elabora Contratado elabora
semi-integrada
Contratação Administração
Contratado elabora
integrada elabora
Gabarito (E)
22. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Conforme disposições estabelecidas na Lei 14.133/2021, o orçamento detalhado do custo global
da obra é item obrigatório caso a Administração determine que o regime de execução do objeto
da licitação seja contratação por tarefa. Entretanto, se a escolha fosse o regime de contratação
integrada, o fornecimento de tal orçamento não seria de cunho obrigatório.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
A alternativa está correta. A Lei 14.133/2021, em seu art. 6º, XXV, alínea f, dispõe sobre a
obrigatoriedade do orçamento detalhado do custo global da obra. De acordo com o referido
dispositivo, o fornecimento de tal orçamento é obrigatório nos seguintes regimes de execução:
empreitada por preço unitário, empreitada por preço global, empreitada integral, contratação
por tarefa e fornecimento e prestação de serviço associado.
Portanto, tanto na contratação integrada quanto na contratação semi-integrada não é obrigatório
a presença do referido orçamento.
Gabarito (C)
23. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Segundo a Lei 14.133/2021, a licitação será conduzida por agente de contratação, pessoa
designada pela autoridade competente, entre servidores efetivos ou empregados públicos dos
quadros permanentes da Administração Pública. No caso de licitação que envolva bens ou
serviços especiais o agente de contratação poderá ser substituído por comissão de contratação
formada por, no mínimo, três membros.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
Gabarito (E)
25. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
O orçamento estimado da contratação, desde que justificadamente, poderá ter caráter sigiloso,
inobstante tal sigilo não prevaleça para os órgãos de controle interno e externo.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
A alternativa está correta. A Lei 14.133/2021 traz em seu art. 24, I, a possibilidade de o
orçamento da contratação ser sigiloso. Além disso, o controle realizado tanto pelos órgãos de
controle interno e externo não é prejudicado por esse sigilo do orçamento. Resumindo:
Gabarito (C)
26. IBFC/INDEA-MT - Fiscal Estadual de Defesa Agropecuária e Florestal - Engenheiro
Agrônomo - 2022
Há várias modalidades de licitação na Administração Pública. Assinale a alternativa que apresente
a modalidade de licitação obrigatória para aquisição de bens e serviços comuns, cujo critério de
julgamento poderá ser o de menor preço ou o de maior desconto.
A) Concorrência
B) Concurso
C) Leilão
D) Pregão
Comentários:
O pregão é a modalidade destinada à aquisição de bens e serviços comuns, sendo que, a partir
da Lei 14.133/2021, passou a constar de lei a possibilidade de utilização dos critérios do (i) menor
e do (ii) maior desconto.
Gabarito (D)
27. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
NÃO é modalidade licitatória prevista na nova lei de licitações:
(A) concorrência.
(B) concurso.
(C) consulta.
(D) diálogo competitivo.
Comentários:
Questão sem grandes dificuldades.
A “consulta”, mencionada na letra (C), não é modalidade licitatória prevista na nova lei de
licitações. Trata-se de modalidade licitatória restrita a agências reguladoras (Lei 9.472/1997, art.
55).
As demais alternativas mencionam corretamente modalidades previstas no art. 28 da Lei
14.133/2021, sendo que poderíamos ainda acrescer o leilão e o pregão.
Gabarito (C)
28. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Assinale, abaixo, uma característica do pregão:
(A) possibilidade de adoção do critério “técnica e preço”.
(B) condução por agente de contratação ou comissão de contratação.
(C) obrigatoriedade de adoção para contratação de serviços de engenharia comuns.
(D) inviabilidade de adoção para aquisição de bens especiais.
Comentários:
A letra (A) está incorreta, pois o pregão é modalidade licitatória que admite, apenas, os critérios
“menor preço” e “maior desconto”. Além disso, o agente responsável pela condução do pregão
é designado pregoeiro (art. 8º, §5º), de sorte que a letra (B) está incorreta.
A letra (C) se equivoca na medida em que é facultativa a adoção do pregão para serviços comuns
de engenharia, sendo inviável sua adoção para objetos especiais (art. 29, parágrafo único), o que
indica a correção da letra (D).
Gabarito (D)
29. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
NÃO é característica própria do diálogo competitivo:
(A) obrigatoriedade de ser conduzido por comissão formada por, no mínimo, 3 servidores efetivos
ou empregados dos quadros permanentes.
(B) apresentação da proposta final após o encerramento dos diálogos.
(C) existência de dois editais.
(D) possibilidade de participação de licitantes que não participaram da etapa dos diálogos.
Comentários:
Os três primeiros itens, de fato, mencionam características do “diálogo competitivo”, previstas no
art. 32 da Lei 14.133/2021.
Por outro lado, o inciso VIII do §1º do art. 32, em sua parte final, estabelece que todos os
licitantes pré-selecionados poderão apresentar propostas, o que naturalmente excluiria aqueles
que não participaram da fase anterior. Relembrando as principais regras desta modalidade:
Gabarito (D)
30. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
A concorrência, por destinar-se a contratação de objetos de materialidade elevada, não admite a
adoção do critério menor preço.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
Não é bem assim. Primeiramente, vale lembrar que a concorrência não é mais adotada em razão
do valor da licitação, de sorte que não mais será destinada a objetos de materialidade elevada.
Além disso, em relação aos critérios de julgamento, na concorrência é viável a adoção de todos
os critérios de julgamento previstos na NLL, à exceção do “maior lance” (que é exclusivo do
leilão):
Gabarito (E)
31. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
Leilão representa a modalidade de licitação para alienação de bens imóveis ou de bens móveis
inservíveis ou legalmente apreendidos a quem oferecer o maior lance.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
O item está de acordo com a literalidade do art. 6º, inciso XL, da Lei 14.133/2021, de sorte que
está correta. De toda forma, lembro que, a partir da leitura dos incisos I e II do art. 76, o leilão
poderá ser utilizado para alienações em geral.
Gabarito (C)
32. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
São modalidades de licitação a concorrência, a tomada de preços, o convite, o concurso e o
leilão.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
A assertiva está errada. Na nova lei de licitações, Lei 14.133/2021, a tomada de preços e o
convite não existem como modalidades de licitação, diferentemente da Lei 8.666/1993. Como
novidade temos a exclusão das modalidades de tomada de preço e convite e a inclusão do
diálogo competitivo, bem como a incorporação do pregão ao texto da lei geral. As modalidades
existentes na nova lei de licitações são aquelas que estão elencadas no art. 28:
Gabarito (E)
Caso não seja possível à Administração definir, com precisão suficiente, as especificações técnicas
do objeto a ser licitado, torna-se possível a adoção do diálogo competitivo.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
A assertiva está correta, conforme o art. 32, I, alínea "c" da Lei 14.133/2021. Aproveito para
relembrar as hipóteses de adoção do diálogo competitivo:
Gabarito (C)
Gabarito (E)
37. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
O diálogo competitivo será conduzido por comissão composta por pelo menos três servidores
efetivos ou empregados públicos pertencentes aos quadros permanentes da Administração,
sendo vedada a contratação de profissionais para assessoramento técnico da comissão.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
A assertiva está errada. Apesar do restante estar correto, a assertiva peca ao afirmar que é
vedada a contratação de profissionais para auxiliar os trabalhos técnicos da comissão:
Art. 32, XI – o diálogo competitivo será conduzido por comissão de contratação
composta de pelo menos 3 (três) servidores efetivos ou empregados públicos
pertencentes aos quadros permanentes da Administração, admitida a
contratação de profissionais para assessoramento técnico da comissão;
Aproveito para lembrar que, caso a Administração opte por contratar profissionais “de fora” para
assessoramento técnico, estes assinarão termo de confidencialidade e abster-se-ão de atividades
que possam configurar conflito de interesses (art. 32, §2º).
Gabarito (E)
38. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Em relação às disposições sobre os critérios de julgamento da Lei 14.133/2021, analise o item a
seguir:
O julgamento por maior desconto terá como referência o preço global fixado no edital de
licitação e o desconto será estendido aos eventuais termos aditivos.
( )Certo
( )Errado
Comentários:
A assertiva está correta. O critério de maior desconto é uma novidade que a Lei 14.133/2021
trouxe em relação à antiga lei de licitações. Tal critério, já previsto na Lei 12.462/2011 (Lei do
1
Art. 6º, LIII - contrato de eficiência: contrato cujo objeto é a prestação de serviços, que pode incluir a realização de obras e o fornecimento de
bens, com o objetivo de proporcionar economia ao contratante, na forma de redução de despesas correntes, remunerado o contratado com base
em percentual da economia gerada;
A assertiva está errada, pois, conforme o art. 36, § 2º, da Lei 14.133/2021, o percentual máximo
que deve ser destinado à valoração da proposta técnica é de 70%. Vejamos:
Art. 36, § 2º No julgamento por técnica e preço, deverão ser avaliadas e
ponderadas as propostas técnicas e, em seguida, as propostas de preço
apresentadas pelos licitantes, na proporção máxima de 70% (setenta por cento)
de valoração para a proposta técnica.
Gabarito (E)
41. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
NÃO é procedimento auxiliar previsto na nova lei de licitações:
A) Credenciamento
B) Pré-qualificação
C) Sistema de Registro de Preços (SRP)
D) Plano de Contratações Anual (PCA)
Comentários:
Uma das grandes virtudes da nova lei foi consolidar os chamados “procedimentos auxiliares”, a
saber (Lei 14.133/2021, art. 78):
• Credenciamento
• Pré-qualificação
• PMI – Procedimento de manifestação de interesse
• SRP – sistema de registro de preços
• Registro cadastral
O plano de contratações anual, mencionado na letra (D), é na verdade um instrumento de
planejamento que busca conferir maior eficiência às contratações públicas, mas não se confunde
com um dos cinco “procedimentos auxiliares”.
Gabarito (D)
42. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Procedimento seletivo prévio à licitação, convocado por meio de edital, destinado à análise das
condições de habilitação dos interessados ou do objeto é denominado:
A) pré-qualificação
B) credenciamento
C) registro cadastral
D) inversão de fases do rito licitatório
Comentários:
O enunciado menciona a definição legal da pré-qualificação (Lei 14.133/2021, art. 6º, XLIV),
destinado a facilitar a realização de futuras licitações.
Gabarito (A)
Por fim, a alternativa (E) está equivocada. Essa é a modalidade de licitação mais abrangente no
que se refere aos critérios de julgamento, que é a concorrência. Tal modalidade já era prevista na
Lei 8.666/1993 e pode ser utilizada para bens e serviços especiais e de obras e serviços comuns e
especiais de engenharia:
Art. 6º Para os fins desta Lei, consideram-se: (...)
XXXVIII - concorrência: modalidade de licitação para contratação de bens e
serviços especiais e de obras e serviços comuns e especiais de engenharia, cujo
critério de julgamento poderá ser: (..)
Gabarito (C)
51.IADES/SEAGRI-DF - ADFA - Administrador - 2023
A respeito do diálogo competitivo, modalidade de licitação prevista na Lei nº 14.133/2021,
assinale a alternativa correta. ==3d76e4==
São critérios previstos no art. 33 da Nova Lei de Licitações e Contratos: menor preço; maior
desconto; melhor técnica ou conteúdo artístico; técnica e preço; maior lance, no caso de leilão;
maior retorno econômico.
Art. 33. O julgamento das propostas será realizado de acordo com os seguintes
critérios:
I - menor preço;
II - maior desconto;
III - melhor técnica ou conteúdo artístico;
IV - técnica e preço;
V - maior lance, no caso de leilão;
VI - maior retorno econômico.
Portanto, a alternativa (A) está correta, enquanto as alternativas (B), (C), (D) e (E) estão erradas.
Gabarito (A)
53.IBFC/PREFEITURA DE CUIABÁ-MT - Apoio Jurídico - 2023
A Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos (Lei nº 14.133/2021) inovou ao trazer os
princípios aplicáveis. Sobreo assunto, assinale a alternativa que não apresenta um princípio
expresso na supracitada lei.
A) Segregação de funções
B) Motivação
C) Economicidade
D) Interesse privado
Comentários:
A Nova Lei de Licitações e Contratos prevê muitos novos princípios expressos, que não estavam
presentes na Lei 8.666/1993. De todo o modo, era possível acertar a questão pelo bom senso,
pois não existe princípio do “interesse privado” na administração pública. Nesse sentido, vamos
verificar quais deles estão previstos no art. 5º da Lei 8.666/1993:
Art. 5º Na aplicação desta Lei, serão observados os princípios da legalidade, da
impessoalidade, da moralidade, da publicidade, da eficiência, do interesse
público, da probidade administrativa, da igualdade, do planejamento, da
transparência, da eficácia, da segregação de funções, da motivação, da
vinculação ao edital, do julgamento objetivo, da segurança jurídica, da
razoabilidade, da competitividade, da proporcionalidade, da celeridade, da
economicidade e do desenvolvimento nacional sustentável, assim como as
disposições do Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942 (Lei de
Introdução às Normas do Direito Brasileiro).
Portanto, a alternativa (D) está correta, enquanto as alternativas (A), (B) e (C) estão incorretas.
Gabarito (D)
LISTA DE QUESTÕES
1. CONSULPAM - CFESS/Assistente Técnico - 2025
A Lei de Licitação n.º 14.133/2021, aplica-se, EXCETO:
a) Às contratações de tecnologia da informação e de comunicação.
b) Às contratações sujeitas a normas previstas em legislação própria.
c) À prestação de serviços, inclusive os técnico-profissionais especializados.
d) À concessão e permissão de uso de bens públicos.
2. CONSULPAM - CFESS/Assistente Técnico - 2025
O processo licitatório tem por objetivos, EXCETO:
a) Assegurar tratamento isonômico entre os licitantes, bem como a justa competição.
b) Evitar contratações com sobrepreço ou com preços manifestamente inexequíveis e
superfaturamento na execução dos contratos.
c) Incentivar a inovação e o desenvolvimento nacional sustentável.
d) Estabelecer preferências ou distinções em razão da naturalidade, da sede ou do domicílio dos
licitantes.
3. CONSULPAM - CFESS/Assistente Técnico - 2025
No processo licitatório, observar-se-á o seguinte, EXCETO:
a) Os documentos serão produzidos por escrito, com data e local de sua realização e assinatura
dos responsáveis.
b) O desatendimento de exigências meramente formais que não comprometam a aferição da
qualificação do licitante ou a compreensão do conteúdo de sua proposta, não importará seu
afastamento da licitação ou a invalidação do processo.
c) O reconhecimento de firma somente será exigido quando houver dúvida de autenticidade,
salvo imposição legal.
d) Os atos serão preferencialmente em papel, de forma a permitir que sejam produzidos,
comunicados, armazenados e validados por meio eletrônico.
4. CONSULPAM - CFESS/Assistente Técnico - 2025
Conforme a Lei n.º 14.133/2021, são modalidades de licitação, EXCETO:
a) Convite.
b) Pregão.
c) Leilão.
d) Concorrência.
5. IBFC / UFPB/Assistente administrativo - 2025
(A) O processo licitatório tem por objetivo assegurar tratamento específico para cada um dos
licitantes, estimulando a competição.
(B) No processo licitatório, observar-se-á que os atos serão preferencialmente digitais, de forma
a permitir que sejam armazenados por meio eletrônico.
(C) Os atos praticados no processo licitatório são sigilosos, ressalvadas as hipóteses de
publicidade, na forma da lei.
(D) O autor do anteprojeto, pessoa física ou jurídica, quando a licitação versar sobre obra a ele
relacionada, poderá disputar licitação.
(E) O processo de licitação observará as seguintes fases, em sequência: divulgação do edital,
apresentação de propostas, habilitação, homologação e julgamento.
9. QUADRIX/CREFONO-2-SP - Assistente de Administração e Serviços - 2023
Considerando as disposições da Nova Lei de Licitações e Contratos (Lei n.º 14.133/2021), julgue
o item.
Em uma licitação na modalidade pregão, o agente responsável pela condução do certame será
designado pregoeiro.
( ) Certo
( ) Errado
10. QUADRIX/CRESS-16-AL – Assistente Técnico Administrativo - 2023
Quanto à licitação pública (fases, modalidades, dispensa e inexigibilidade), julgue o item.
O leilão poderá ser cometido a leiloeiro oficial ou a servidor designado pela autoridade
competente da Administração, e seu regulamento deverá dispor sobre os procedimentos
operacionais.
( ) Certo
( ) Errado
11. QUADRIX/CRO-MS - Analista Administrativo - 2023
De acordo com a Lei n.º 14.133/2021, que versa acerca da Lei de Licitação e Contratos
Administrativos (LLCA), julgue o item.
Se a Administração optar pela realização de leilão por intermédio de leiloeiro oficial, ela deverá
selecioná‑lo mediante o credenciamento ou a licitação na modalidade pregão e adotar o critério
de julgamento de maior desconto para as comissões a serem cobradas. Para isso, deverão ser
utilizados, como parâmetro máximo, os percentuais definidos na lei que regula a referida
profissão e deverão ser observados os valores dos bens a serem leiloados.
( ) Certo
( ) Errado
12. QUADRIX/CRT-ES - Auxiliar Administrativo - 2023
Quanto à Lei n.º 14.133/2021, que institui a nova Lei de Licitação e Contratos Administrativos, e à
Lei n.º 10.520/2002, que estabelece a modalidade pregão, julgue o item a seguir.
O julgamento por menor preço ou maior desconto e, quando couber, por técnica e preço
considerará o menor dispêndio para a Administração, atendidos os parâmetros mínimos de
qualidade definidos no edital de licitação.
( ) Certo
( ) Errado
13.NOSSO RUMO - Câmara Municipal de São João da Boa Vista/2022
No que discorre sobre a Lei 14.133/2021, poderão disputar licitação ou participar da execução
de contrato, direta ou indiretamente:
a) autor do anteprojeto, do projeto básico ou do projeto executivo, pessoa física ou jurídica,
quando a licitação versar sobre obra, serviços ou fornecimento de bens a ele relacionados.
b) pessoa física ou jurídica que se encontre, ao tempo da licitação, impossibilitada de participar
da licitação em decorrência de sanção que lhe foi imposta.
c) aquele que não mantém vínculo de natureza técnica, comercial, econômica, financeira,
trabalhista ou civil com dirigente do órgão ou entidade contratante ou com agente público que
desempenhe função na licitação ou não atue na fiscalização ou na gestão do contrato, ou que
deles não seja cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o
terceiro grau.
d) pessoa física ou jurídica que, nos 5 (cinco) anos anteriores à divulgação do edital, tenha sido
condenada judicialmente, com trânsito em julgado, por exploração de trabalho infantil, por
submissão de trabalhadores a condições análogas às de escravo ou por contratação de
adolescentes nos casos vedados pela legislação trabalhista.
e) empresas controladoras, controladas ou coligadas, nos termos da Lei 6.404, de 15 de
dezembro de 1976, concorrendo entre si.
14.NOSSO RUMO / CRF-SP / 2022
A Lei 14.133/2021 - Lei de Licitações e Contratos Administrativos NÃO se aplica a
a) contratações de tecnologia da informação e de comunicação.
b) prestação de serviços, inclusive os técnico-profissionais especializados.
c) concessão de direito real de uso de patentes.
d) compra, inclusive por encomenda.
e) concessão e permissão de uso de bens públicos.
15.NOSSO RUMO / Pref. Indaiatuba / 2022
É correto afirmar que a Lei 14.133, de 1° de abril de 2021 (Lei de Licitações e Contratos
Administrativos), NÃO se aplica a:
a) alienação e concessão de direito real de uso de bens.
b) compra, inclusive por encomenda.
c) contratações sujeitas a normas previstas em legislação própria.
d) concessão e permissão de uso de bens públicos.
e) obras e serviços de arquitetura e engenharia.
A) Concorrência
B) Concurso
C) Leilão
D) Pregão
27. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
NÃO é modalidade licitatória prevista na nova lei de licitações:
(A) concorrência.
(B) concurso.
(C) consulta.
(D) diálogo competitivo.
28. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Assinale, abaixo, uma característica do pregão:
(A) possibilidade de adoção do critério “técnica e preço”.
(B) condução por agente de contratação ou comissão de contratação.
(C) obrigatoriedade de adoção para contratação de serviços de engenharia comuns.
(D) inviabilidade de adoção para aquisição de bens especiais.
29. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
NÃO é característica própria do diálogo competitivo:
(A) obrigatoriedade de ser conduzido por comissão formada por, no mínimo, 3 servidores efetivos
ou empregados dos quadros permanentes.
(B) apresentação da proposta final após o encerramento dos diálogos.
(C) existência de dois editais.
(D) possibilidade de participação de licitantes que não participaram da etapa dos diálogos.
30. QUESTÕES INÉDITAS/DAUD
Em relação às disposições da Lei 14.133/2021, julgue o item a seguir:
A concorrência, por destinar-se a contratação de objetos de materialidade elevada, não admite a
adoção do critério menor preço.
( )Certo
( )Errado
GABARITO
1. B
2. D
3. D
4. A
5. C
6. A
7. E
8. B
9. C
10.C
11.C
12.C
13.C
14.C
15.C
16.B
17.C
18.D
19.D
20.A
21.E
22.C
23.C
24.E
25.C
26.D
27.C
28.D
29.D
30.E