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Vídeo Cyber

O autor discute sua paixão pelo gênero Cyberpunk, destacando a relação entre alta tecnologia e a condição humana. Ele analisa obras como 'Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas' e 'Neuromancer', enfatizando como esses livros exploram questões de humanidade, consumismo e fuga da realidade. O vídeo é uma reflexão pessoal sobre como esses temas se conectam com a experiência humana e a busca por significado em um mundo distópico.

Enviado por

Rolin Raba
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Vídeo Cyber

O autor discute sua paixão pelo gênero Cyberpunk, destacando a relação entre alta tecnologia e a condição humana. Ele analisa obras como 'Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas' e 'Neuromancer', enfatizando como esses livros exploram questões de humanidade, consumismo e fuga da realidade. O vídeo é uma reflexão pessoal sobre como esses temas se conectam com a experiência humana e a busca por significado em um mundo distópico.

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Quando falam sobre Cyberpunk qual a primeira coisa que você

pensa? Na real não importa, eu pelo menos pensava em alta


tecnologia, cidades enormes, um abismo de diferença econômica e
poder aquisitivo entre as pessoas, o quão miserável é a vida das
pessoas que moram em cidades desse futuro distópico, sim.. as luzes
da cidade, isso é o que mais chama atenção de muita gente para
esse gênero. Toda essa estética de neon e Led que se popularizou no
gênero Cyberpunk, é algo que chama muito atenção da galera e
inclusive chama muito a minha atenção, a tecnologia super avançada,
os carros fodas, namoradas virtuais, a ambientação da cidade, todos
são belos. Mas hoje eu não tô aqui para falar de robôs, e namoradas
virtuais.. não exatamente, eu tô aqui para falar sobre o motivo do pq
eu amo tanto esse Sub gênero da Ficção científica. Eu estou aqui,
para falar sobre Humanidade.

(vídeo de coisas passando)

(Tela preta)

E o que melhor para falar sobre humanidade do que...

(Clipe de eu sentando na cadeira)

Opa, eai? Eu sou o dono desse canal, como eu não vou dizer meu
nome real [pq eu também não quero ninguém colocando meu nome
pra ser mesário nessas eleições] vocês podem me chamar de
Gllycester. Eu quero ter mais uma conversa aqui, do que realmente
tentar provar meu ponto ou entregar uma suposta verdade na cara de
vocês.

Eu gosto MUITO do gênero Cyberpunk, eu tenho os 3 livros


principais que iniciaram esse gênero, eu tenho a trilogia do Sprawl,
porra eu tô lendo o livro do Baka Gaijin, [Inclusive muito bom esse
livro, tô indo pra metade dele to curtindo, parabéns Baka pela
pedrada], eu Platinei a merda do 2077 ano passado, e pq eu falei
tudo isso, é pra me achar foda? De maneira alguma na real eu só
provei pra vocês aqui que eu sou um cabaço que deveria ter feito
algo mais interessante na vida do que ler livrinho distópico, DITO isso.

Sim Cyberpunk é sobre Alta tecnologia e baixa qualidade de vida,


mas mais do que isso, na minha concepção, Cyberpunk é muito mais
sobre Humanidade do que Tecnologia e Luzinha na tela. Eu vou
mostrar pra vocês as minhas interpretações dessas obras, então elas
podem estar totalmente erradas e com certeza vão estar, pq não é pq
eu li esses livros que eu automaticamente virei um gênio, então tudo
aqui é interpretação e palpitagem minha. Vai ter spoilers dos livros,
então se você quiser ler, vá ler e depois volta aqui, mas como eu sei
que vocês não vão ler porra nenhuma, continua aí no vídeo por
gentileza.

Vou começar falando sobre Andróide Sonham com Ovelhas


Elétricas, Ou Blade Runner, [eu acho o primeiro nome mais legal pq
faz parecer que eu sou um mlk Cult], Esse livro é o precursor do
Cyberpunk digamos assim, ele não é Cyberpunk Cyberpunk como
conhecemos hoje em dia, pq ele surgiu antes desse gênero começar a
ficar mais famoso, só que tem muita coisa aqui que é utilizada nas
outras obras. Andróides sonham com Ovelhas Elétricas conta a
História de Rick Deckard, um Caçador de Replicantes, que recebe a
missão de matar 6 replicantes em 1 dia, (Creio eu), os motivos do pq
ele aceita essa missão são meio diferentes do livro e do Filme, No
filme me desculpa mas eu esqueci o pq ele aceita essa missão, mas
no livro ele aceita pq isso daria muito dinheiro pra ele comprar uma
Ovelha de verdade.. [Sim ele quer comprar uma ovelha], eu não sei
ele mas eu compraria um Orobó (Meme).

De antemão vou dizer que eu prefiro mil vezes o Livro do que o


filme [Sim eu sou muito diferente guys eu prefiro o material original
sou muito foda], E o motivo é pq eu gosto mais da forma que o Livro
trata essa diferença entre andróide e humano.

O motivo do pq Deckard Caça Androides é pq ele quer comprar uma


ovelha, nesse mundo animais de verdade são muito raros e se
tornaram um artigo de extremo luxo, a história se passa após uma
guerra que deixou o mundo todo fudido e virou um grande deserto de
lixo, e com isso muitos animais foram pra casa do caralho. Deckard
tinha uma ovelha de verdade um tempo atrás mas ela acabou
falecendo, com isso ele decide substituir ela por uma elétrica, pra
ninguém notar o fracasso dele por não ter uma ovelha de verdade. E
isso é algo que eu acho muito legal nessa história, a brisa do Phillip K
Dick é tentar procurar uma resposta do que diferencia os humanos de
ourras raças, ou até mesmo de um ser idêntico a um humano, e isso é
mostrado com o próprio protagonista, o seu objetivo não é nobre, não
é grandioso, nao vai salvar nem ajudar ninguém, não vai ajudar nem
ele mesmo, o cara só quer o Caraí de uma ovelha mano, o cara quer
mostrar pra geral que ele é foda, que ele ter poder aquisitivo, ele
quer ganhar status, quer se provar. E é isso, ele faz o que faz por um
objetivo supérfulo, ele foi consumido pelo consumismo, ele quer
coisas que não precisa só pq ele quer mesmo saca, tem um momento
nesse livro que eu acho muito engraçado, ele tá na delegacia depois
de ter matado um andróide lá, e ele tem um diálogo fudido lá com
alguém, e do nada, do absoluto nada, ele ignora tudo o que foi
conversado, puxa uma revista e liga pra loja de animais e pergunta
quanto custa um avestruz... [Eu não tô zoando ele quer comprar um
Avestruz] (Som do avestruz), Isso é um dos motivos do pq eu acho
esse livro tão bom, ele busca explicar a humanidade enquanto mostra
um protagonista completamente humano, humanos muitas das vezes
não fazem o que fazem por um objetivo maior, muitas das vezes é só
pra suprir um desejo, talvez uma necessidade de se amostrar para
alguém, ser reconhecido, eu não preciso fazer e vídeos pro YouTube,
mas eu faço pq eu acho legal, pq eu gosto que talvez alguém possa
ver o meu conteúdo, pra que eu possa expor minhas ideias aqui, e
também pra ser reconhecido, não vou mentir, eu sou humano, se isso
aqui desse certo pra krl eu ficaria muito feliz, tlg, mas na minha vida
eu não necessariamente preciso disso para sobreviver, igual o
Deckard não precisa de uma ovelha de verdade pra sobreviver, ele
quer ela pra se amostrar, pra suprir um desejo que ele tem dentro de
si, uma conquista pessoal, ele quer aquilo pq ele vai se sentir bem
tendo aquilo, e em vários momentos ele dar tanta atenção pra esse
desejo, é o que o torna humano.

E só pra concluir esse ponto, Deckard tem tanto Hiper foco em


animal, que em alguns momentos ele vê um animal na frente dele e
abre o catálogo pra ver quanto ele custa, conseguindo até indentificar
se aquilo é real ou não. Nos filmes isso não existe, o Deckard de lá é
bem diferente do que temos no livro, em Blade Runner tem toda uma
questão se Deckard é um Andróide ou não, essa parada é abordada
em um dos capítulos do livro, onde Deckard é levado para uma
delegacia idêntica a que ele atuava, mas ele não conhecia ninguém
ali e ninguém o conhecia, é uma parte muito boa, e pra mim uma das
melhores desse livro, pq você real fica questionando se o Deckard não
é só um lunático que tá matando pessoas por aí dizendo que elas são
andróides, eles fazem o Teste Voitgh Kampf nele, e algumas páginas
atrás somos apresentados a outro Blade Runner, (Foto do Phill Resch)
e meio que entra um conflito entre o Desckard e esse outro cara, pq
ambos dizem que vão matar o outro se um deles for andróide, e fica
essa tensão aí no ar, e eu real tava meio tenso lendo o livro [Sim
mano eu fiquei tenso com palavras, literalmente um texto na minha
frente me deixou tenso], Tipo eu gosto do Phill acho ele um
personagem interessante, e pensar que ele poderia morrer por outro
personagem que eu gosto muito kk, mas no fim os dois aí saem
matando geral na delegacia e fds.

E não, Deckard no livro não é um Andróide, ele é um humano


mesmo.

Tem várias outras diferenças que entre o livro e o filme, na real só a


base da história é parecido, de resto tem nada a ver, nem a estética é
igual, Aqui é descrito como uma parada mais apocalíptica cheio de
poeira pra todo lado, enquanto em Blade Runner a Chuva e a noite
dominam, no filme não tem a questão da Caixa de empatia q é um
aparelho que te deixa meio que noiado aí sem ter muita conexão com
a realidade, é tipo das NDs do Cyberpunk 2077, não tem a questão do
Mercer, que é um tipo de profeta nesse mundo, não tem porra o
personagem que eu mais gosto que é o Isidor, cara esse livro tem
dois protagonistas e um deles é o Isidor, eu gosto muito dele, o cara
protagoniza a cena mais doida q eu li nesse livro, que é logo na
introdução dele, tem tipo um texto de 3 páginas descrevendo o
quarto dele e a bagunça e sujeira que as coisas geram, e como essa
bagunça surge do nada, sim .. são quase 3 páginas descrevendo um
quarto, muito pica.

E enfim, o Phillip K dick decidiu escrever esse livro, pq enquanto ele


estava criando o Homem do Castelo alto, outro livro dele, ele
pesquisou muito sobre a segunda guerra e a galera do Bigode, e
lendo sobre as atrocidades que eles cometeram na guerra, ele
chegou a se questionar se essas pessoas eram humanas, e com isso
ele entrou nessa brisa de o que é humanidade, o que nos torna
humanos? O que nos diferencia de outros seres, e segundo esse livro
(Andróides) é a Empatia que nos diferencia de outros seres, se ele
está certo ou errado não cabe a mim dizer, pq eu sou Jeca.

Dito isso, esse livro é muito bom, ele não iniciou exatamente a
brisa do Cyberpunk, mas ele tem algumas questões que são muito
usadas em outras obras desse gênero.
Vamos agora falar daquele que sim, é a obra mais importante do
gênero Cyberpunk, e eu acho que não é nem questão de opinião, é
um fato, Neuromancer, eu tenho aqui dois livros, que são a mesma
edição, eu só comprei essa outra pq ela vinha junto das continuações,
o que isso tem a ver com o vídeo? Porra nenhuma eu só queria me
amostra—

“O céu sobre o porto tinha cor de uma televisão num canal fora do
ar”

A frase que mais chama atenção no primeiro momento que você


inicia a leitura em Neuromancer.. bom tem essa frase e a da voz da
putinha levantou uma alt—

Acompanhamos a história de Case, um cowboy do ciberespaço que


perdeu a capacidade de se conectar a internet por causa de uma
galera que lascou com a cabeça dele.

Case é um protagonista bem engraçado, pq ele é um merda,


diferente de Rick Deckard do Filme, ou o K do 2049, Case por muito
tempo do livro não se importa em ajudar ninguém, na real sua única
preocupação é o quanto de droga ele vai usar no outro dia. A questão
é que após alguns eventos ele se depara com Armitage, Molly e
Wintermute. O grupo que ao mesmo tempo é antagonista e só
mesmo tempo são colegas de Case, nessa história o “Heroi” anda e
trabalha lado a lado com os “Vilões”. Eu não vou tentar explicar todas
as nuances de casa personagem, pq eu não sei, esse é um livro muito
complicado pra candangos como eu compreenderem, é papo de
precisar ler umas 3 vezes pra ir catando as coisas de pouco em
pouco.

Mas algo que eu notei, que é o mais óbvio, é o Protagonista, Case,


ele até às últimas 10 páginas do livro é um merda, ele não se importa
muito com ninguém, nem sequer com ele mesmo, ele é alguém com
muitos traumas, muitos arrependimentos, e ele a todo instante foge
da realidade, algo que é muito recorrente nesse gênero, a fuga da
realidade, seja através de jogos, Meta verso, ou drogas que é o caso
de Case. Ele sempre que possível tá se entupindo de droga pq ele não
é capaz de viver sem isso. Chega um ponto que instalam um aparelho
no corpo dele, que inibe grande parte das drogas que existem no
mundo, só pra ele se manter consciente durantes as missões, aí oq
esse Zé buceta vai lá e faz? Ele compra drogas mais fortes pra se
drogar dnv.

Case não quer aceitar a realidade em que está, ele não quer
assumir nenhuma responsabilidade, e ele faz isso o livro inteiro
praticamente. Tem uma cena em que ele tá andando na rua e todos
os telefones tocam para ele atender, pq ele tava tipo uns 2 capítulos
adiando uma conversa que ele precisava ter. Ele não quer se
responsabilizar por nada, não quer tomar nenhuma decisão, ele só
segue ordens, talvez pq as vezes que ele tomou decisão ele só se
lascou, a questão é que ele passa o livro inteiro fugindo dos outros,
fugindo de seus deveres, fugindo do passado e até fugindo de si
mesmo, até chegarmos no final do livro onde ele tem que tomar uma
decisão, ele precisa pegar as rédeas da própria vida, e algo que eu
acho muito foda nesses dois livros, é em como o final não é algo
grandioso, de forma alguma, em Neuromancer Case encontra o..
Neuromancer, tá na capa do livro, ó o Neuromancer, que pelo que eu
entendi é uma IA que armazena dados ou memórias de outros seres
vivos, e ela também toma forma de um garoto brasileiro, Sim a IA
mais poderosa do mundo é BR.

Case tá cara a cara com um de seus maiores traumas, seu ex


amor, eles estão em uma praia, longe da cidade, nesse ponto a
cidade é apenas um plano de fundo, o que sempre esteve em
destaque agora não importa, pq ela de fato nunca importou na real, o
mundo criado pelo Neuromancer é um local que tem pouca
tecnologia, afastado do que seria considerado o “avanço”, afastado
de todo o mundo, um lugar calmo, uma praia diante de um mar
infinito. E eu posso estar pensando demais, inventando significado
onde não tem, mas fds arte é pra tu inventar significado onde não
tem, pra mim essa praia no fim mostra que até uma IA, um ser criado
a partir da tecnologia sabe que não é tão legal assim se manter
rodeado de tecnologia, o lugar é pacífico, o lugar está mais próximo
da natureza do que qualquer outro lugar que Case possa ter estado, e
é irônico, isso, o mais próximo da natureza que temos nesse livro é
justo um lugar falso... O paraíso é uma ilusão..

Essa parte final do livro é justo aquilo que mais me fascina sobre
obras Cyberpunk, não é uma luta super foda pra impedir um mal
maior, não, é uma longa sessão de conversas e mais conversas,
buscando entender a si mesmo, é nesse final inclusive que
descobrimos o nome completo de Case, isso é engraçado pra krl pq a
gente acompanha esse puto o livro todo e a gente nem sabia o nome
dele, Case passa a conhecer a si mesmo, e nós passamos a conhecer
Case.

Em vários momentos de Neuromancer, o autor passa algumss


páginas somente descrevendo o lugar onde case está ou o que ele
está fazendo, sem qualquer tipo de diálogo, apenas o cenário, isso é
algo que tem muito em Blade Runner, meu amigo como esse filme
tem momentos contemplativos, e é exatamente isso que
Neuromancer faz, contemplar, mas não contemplar somente a
paisagem, antes de tudo contemplar a si mesmo, de toda aquela
paisagem artificial, a única beleza natural é que está dentro de você,
é você pensar nas suas ações, na sua vida, no seu futuro... ou só ficar
ali, parado, observando o mundo.. contemplando sua própria
existência..

Essas sessões normalmente vem antes de algo fudido voltar a


acontecer, e eu vejo isso tanto como uma forma do Leitor descansar,
como do Case também, ele aparentemente fica parado por vários
minutos só apreciando o lugar que ele está, e isso não nos é
mostrado com algo escrito do tipo “Case ficou ali parado por vários
minutos”, não, eu acredito que Case ficou parado olhando a paisagem
por vários minutos pq eu tô a vários minutos lendo si descrições sobre
essas paisagens.

Willian Gibson ele pelo visto não tem medo do leitor não entender
nada do seu livro, no começo a escrita vai parecer bem estranha pq
ele de um . Ao outro só troca totalmente de cenário, e isso foi algo
que me confundiu muito no começo do livro, mas lá pro final pqp,
Case tá em um lugar e do nada vai pra outro, e passa tipo várias
páginas dele nesse outro lugar, e eu comecei a me questionar se eu
tinha pulado alguma coisa, se era um flashback, assim como o
personagem eu também tava muito confuso. E eu acho incrível como
Neuromancer faz você entender o protagonista... Ou não também né
eu que posso tá inventando coisa e o Autor só quis escrever um livro
confuso do krl.

O final dessas duas obras é outra coisa que me chama atenção, elas
terminam como se fosse um dia normal, a vida dos protagonistas não
mudou drasticamente, o mundo não teve uma grande virada.. é como
se fosse só mais um dia, nada daquilo teve importância.. não posso
afirmar isso no caso de Neuromancer pq eu ainda não li Count Zero e
Monalisa Overdrive, mas vendo essa obra (Neuromancer) como algo
separado, a escolha de Case não mudou porra nenhuma na vida dele.
Deckard termina seu livro indo se deitando pra dormir, e Case termina
o livro jogando diversos objetos fora e se lembrando de um antigo
amor. É como se tudo ali fosse só mais um dia comum, é papo de
dormir que amanhã tem mais saca, coisas ruins acontecem, vida
continua, e você tem que lidar com isso gostando ou não.

Cyberpunk é mais do que apenas Luzinha e cidade futurista, mesmo


que esses dois conceitos ainda sejam muito importantes para criar
todo o ambiente. Eles são necessários pra gerar essa divergência
entre o mundo e o indivíduo, as pessoas no mundo Cyberpunk não
possuem qualquer valor, é muito mais sobre a cidade do que sobre
pessoas, a tecnologia é a protagonista, mas isso é apenas dentro
daquele mundo, pq a história que acompanhamos pouco se importa
com aquele mundo, em Neuromancer e em Blade runner
acompanhamos muito mais os conflitos internos do protagonista do
que sobre a cidade onde ele está, dentro daquele universo, o
protagonista é a cidade e o indivíduo é só o plano de fundo, mas fora
do universo, nos livros, a cidade é o plano de fundo e o protagonista é
o indivíduo, já que a história É sobre ele.

Cyberpunk nos mostra tecnologia o tempo inteiro, pessoas se


entupindo de aprimoramentos, necessidades básicas sendo trocadas
por necessidades falsas, pessoas sendo trocadas por máquinas que
aceleram a produção das fábricas, ele nos mostra esse afastamento
da carne e do metal, do humano e da tecnologia, tudo é substituível
inclusive você, o humano é tão descartável que ele tá sendo trocado
por uma cópia idêntica a ele.

E é isso que torna tudo engraçado, O mundo não se importa com os


humanos, e o livro não se importa com o mundo, o que importa é
justamente os humanos. E essa humanide é mostrada até mesmo na
escrita, nenhum desses livros tenta filosofar ou dar uma mensagem
para você a todo momento, as coisas acontecem como se um amigo
estivesse te contando saca, é muita piada, xingamento e putaria lá
pra cá, eles em certos momentos nem tentam ser sérios, Snow Crash
por exemplo usa isso (Descrição da gorda) como descrição logo nas
primeiras páginas.
Não vou mentir, eu gosto das luzinha, é a parada que chama
atenção de geral a primeira vista, elas foram feitas pra isso, chamar
sua atenção e te desviar do que importa, a ambientação desses
mundos é incrível e muito bonita, mas Cyberpunk é mais do que alta
tecnologia, e é isso que me cativa nessas histórias, a famosa frase do
Mike Pondsmith deixa isso bem claro “Cyberpunk não é sobre salvar o
mundo, é sobre salvar a si mesmo”, foda-se o mundo saca, o que
importa é você, se o mundo, a cidade não liga pra sua existência, pq
você deveria ligar pra ela? Nem a história se importa com aquela
cidade, ela é o plano de fundo aqui, ela não é a verdadeira
protagonista, a história não é sobre Night city, é sobre o V, a história
não é sobre o Sprawl, É sobre o Case, a história não é sobre Los
Angeles, é sobre Deckard. Cyberpunk não é sobre somente sobre a
tecnologia desenfreada, a história não é sobre qualquer que seja a
mega corporação que tá dominando o mundo, a história é sobre Você
(Mostra meu rosto no final).

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