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Metal Ópera

O documento narra a interconexão entre eventos históricos e a influência de forças superiores na vida humana, refletindo sobre a natureza do destino e da divindade. A história se desenrola em diferentes épocas, desde a conquista de Alexandre, passando por um jovem chamado Tobit que enfrenta visões estranhas, até suas vidas passadas em momentos significativos da história. Através de encontros e experiências, o texto explora temas de honra, poder e a busca por significado na existência.
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Metal Ópera

O documento narra a interconexão entre eventos históricos e a influência de forças superiores na vida humana, refletindo sobre a natureza do destino e da divindade. A história se desenrola em diferentes épocas, desde a conquista de Alexandre, passando por um jovem chamado Tobit que enfrenta visões estranhas, até suas vidas passadas em momentos significativos da história. Através de encontros e experiências, o texto explora temas de honra, poder e a busca por significado na existência.
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Um legado de honra

Nada acontece por acaso. Não há encontros que não interfiram em seu destino. Conta-se que o próprio universo
surgiu de um encontro de partículas, um estrondo extraordinário que, na verdade, influencia nossas vidas até hoje. Eu
ainda escuto o som daquela explosão. Nessa luz, faz-se clara apenas uma certeza: o Tudo onde vivemos não foi
originado do Nada Absoluto. Com apenas números zeros não se chega ao um. Há uma força maior. Algo que não
temos competência para compreender. Alguns o chamam de Deus. Alguns apenas de força superior ou qualquer outra
divindade absoluta. O ponto de vista aqui é: quão superior faz-se esta divindade? Quão maior e mais poderosa que
um simples ser humano? Quão perfeita? O quanto ela influencia nossas vidas de maneira intencional? E não
intencionalmente? Já pararam para figurar a dimensão de nossa própria força, nossa própria divindade? Quão
melhores e maiores que uma bactéria podemos ser? Quão mais complexos do que uma simples célula de nosso
próprio corpo? Teríamos assim uma proporção equivalente perante a nossa divindade, sabendo que um
microorganismo nunca teria consciência de nossa capacidade e tamanho? Mesmo assim influenciamos seu destino
intencionalmente e não intencionalmente. Isso nos torna perfeitos para ele? Não cometemos erros com relação a este
organismo ou a qualquer outro, de qualquer proporção? Cometeriam os Deuses erros? Eu penso que sim. E tenho
certeza de que não há momentos do passado, que não ecoem pela eternidade.

Turquia, 334 A.C...

E, pela primeira vez, ele assiste a glória brotar dos arenosos e ensangüentados terrenos dali.

- Finalmente! Um longo passo em direção ao Leste. O primeiro e mais promissor. Abrasador é o cheiro da vitória,
quando esta lhe enche de prestígio, poder e esperança -- em meio a cânticos de vitória, que ecoavam por todo o futuro
novo oriente, os remanescentes da batalha seguiam seu caminho de volta. O sonho da unificação entre Ocidente e
Oriente começara a ganhar forma.

Naquela noite, Alexandre, o novo rei da Macedônia, e agora conquistador da Turquia, descansa. Olhando para o fogo
que o aquece, percebe repentinamente sua sombra tomar forma de um ser alado e asqueroso. Imediatamente, o sopro
do fogo lhe queima os cabelos e longos chifres lhe rasgam os membros:

- Pisas-te, hoje, sobre este tapete de mortos. Rira e cantara suas agonias. Não esqueças que a glória que lhe elevou aos
céus pela noite, pode lhe assolar pela manhã.

E num pavoroso urro, o novo rei sucumbe ao fogo...

Romênia, julho de 2004...

Naquela tarde, o sol estampava de vida e sonhos o céu do inverno Romeno daquele ano.

- Tobi! Tobi! O que está acontecendo? Não escutou te chamarem? - Hermes sussurra em meio à última prova do ano
na faculdade.

- Desculpe-me. Estava tendo um pesadelo horrível – responde Tobit com ar crucificado.

- Outra daquelas visões? Em plena prova de final de ano? É melhor se cuidar Tobi, isso ainda vai te prejudicar um
bocado.

Tobit, então, apanha um bilhete que sua namorada havia lhe jogado minutos antes, durante seu areento devaneio.

“Você está estranho. Não vá desistir agora”.

Tobit confirma o pedido com um gesto de cabeça à Judith.

Hermes, Judith e Tobit eram grandes amigos desde muito tempo. Agora, cursavam a mesma faculdade e Tobit
finalmente conseguira o amor de Judith.
Uma pessoa bem quista por todos e, acima de tudo, um jovem normal como qualquer outro garoto de vinte anos de
idade, Tobit se interessou pelo Direito para poder, um dia, melhorar seu país. Na verdade, seguia, mesmo contra sua
vontade, os conselhos de um andante que cruzara, um dia, sua vida.
Numa tarde cinza, o sol era peneirado por uma estranha e pesada névoa que nunca se abrigara naquela região. Pouco
se podia enxergar além de um largo passo de distância. Tobit, como de costume, andava distraído, pensando em quão
surpreendente seria o pôr do sol naquela tarde, quando esbarrou num estranho senhor que fedia a fumo e tinha hálito
tão fétido quanto ferrugem. As imundas e espaçosas vestimentas lembravam Tobit de personagens de livros, ou
talvez, de algum sonho anômalo que tivera antigamente. Porém, a única coisa que ecoara para sempre na então
fechada e coagida mente do garoto foram três inusitados, e não solicitados, conselhos que o triste bêbado engasgara
em voz de morte:

- Amas uma só mulher desde os séculos rapaz. Sim, desesperanças e trevas o circundam. Preocupa-se e confias mais
em todos do que em ti próprio. Um domínio sem ponderação. Um mau sem ameaças. Enfrentarás hostilidades, não
deste mundo, nem de lugar algum concebível. Lamento ter feito de ti parte disso, pequeno.

Estático, assistira o sumiço do forasteiro além da névoa pálida. Não assistiu o pôr do sol naquela tarde.

Desde que começara a namorar Judith, há alguns meses, tudo na vida de Tobit parecia perfeito, completo.
Porém, há poucas semanas, Tobit andara tendo estranhos lapsos, estranhas visões de guerras, demônios, oceanos em
fúria, que se tornavam mais nítidas e freqüentes a cada dia. Cético, Tobit não dava valor, tão pouco comentava sobre
suas visões com qualquer pessoa. Judith, não contente com o comportamento de seu namorado nas últimas semanas,
convidara-o para gastarem uma noite juntos no Vale de Toivo, um local distanciado da cidade, próprio de histórias
interessantes para alguns, intimidantes para outros.

Já passava das dezenove horas, quando Tobit e Judith chegaram à clareira central do vale. O local era
densamente arborizado e apreciável por sua pouca e sensata iluminação. Era uma pintura de quadro viva. Conforme o
sol se punha, as árvores ao redor pareciam abraçar cada vez mais o solitário casal que conversava sobre suas vidas e
seus planos.

Quando voltaram a si, o crepúsculo das vinte horas já havia se esvaído e, mesmo descrentes de histórias insanas ou
espíritos sorrateiros, um clima de insegurança se espalha por dentro do abrigo erguido pelo casal. Muitos
consideravam uma atitude doentia estar até tão tarde em um ponto tão afastado e gelado.

A imagem da tosca capela iluminada pela lua, junto aos estranhos sons que ecoavam da floresta, não
intimidaram os dois a vagar por sobre as grandes pedras que circundavam o pequeno templo, em busca de memórias
para contar.

Fazia muito frio e Tobit resolve buscar um cobertor para Judith, que não conseguia manter os lábios quietos
devido ao cortante e gélido vento do local. O abrigo encontrava-se a aproximadamente vinte metros das pedras onde
estavam e a poucos passos de distância, já não era possível que um enxergasse o outro.

Próximo ao abrigo, Tobit sente o vulto impolido de alguém se aproximando e vira-se para falar com Judith.
Não havia ninguém! Seu coração dispara pela primeira vez naquela noite e ele resolve correr até sua namorada para
evitar o improvável. Sem saber ao certo a direção da capela, Tobit percebe que ela não estava tão longe quanto ele
correra até o momento e quando muda a direção para retornar ao abrigo, é estacado por uma figura ampla e
imponente montada sobre um cavalo. Num forte golpe, desfalece.

Dez minutos depois, Judith, com um sentimento amargo de medo, pergunta-se o porquê da demora e segue
em direção ao abrigo. Chegando lá, não encontra Tobit e grita desesperadamente seu nome. Minutos depois, tropeça
em seu corpo caído próximo às volumosas árvores dos limites da clareira.

- Tobi, acorde! Acorde! O que houve querido?

Voltando a si, ele responde:

- Judi? Onde estamos? Temos que sair daqui. Eu tive mais uma das minhas estranhas visões e desmaiei. Parecia haver
alguém mais aqui.

Chorando seus medos a garota pergunta:

- Visões? O que é isso querido? Vamos embora daqui.


Levantando-se, Tobit foge rapidamente com Judith até o carro.

O caminho da clareira até a saída do vale era longo e estreito. Silenciosos minutos depois, chegam às
proximidades da saída, onde um antigo trilho ferroviário rasgava a simetria do local.

Passando sobre o trilho, Judith sussurra com a voz trêmula:

- Escutou essa voz querido?

Não obtendo resposta, voltou seus olhos a Tobit e gritou em prantos:

- Está me ouvindo? Chamaram seu nome! O que está acontecendo?

Para sua surpresa, Judith nota lágrimas contornando a face do descorado garoto. Sem conseguir tossir mais
palavras, Judith abaixa a cabeça e chora enquanto seu namorado acelera o veículo lhe dizendo:

- Judi! Não sei o que está havendo. Vi algo estranho pairando sobre o carro, parecia ser uma criança vestida de
branco, envolta numa enorme luz branca!

Sem trocar mais nenhuma palavra, os dois sabiam o que o outro pensava: era melhor sair dali o mais depressa
possível! Porém, quando tenta agarrar forte a mão de Judith, Tobit percebe que sua garota não se encontra mais no
carro.
Com o coração anelado, o desnorteado rapaz freia bruscamente o veículo que desliza no chão orvalhado, ladeira
abaixo, até parar, detido por um volumoso e arrogante tronco.

Calma! Calma! Era tudo o que o cético Tobit sabia que precisava. Muita calma.

Retirando-se do carro, corre pela grama coberta de geada. Alguns metros depois, morro abaixo através da
escuridão, trazia os olhos cerrados pela neblina, que se tornava cada vez mais densa. Era difícil respirar. Apesar do
negrume, percebeu que o lugar onde estava lhe era completamente estranho. Conhecera o vale de Toivo como fosse o
próprio palácio de seu reino e agora nada do que sabia fazia sentido. Estaria sonhando? Perguntava-se Tobit.
Convenceu-se que não.

Logo, suas pernas tremem como se o frio as tivesse congelado e estivessem prestes a despedaçar. Seus
batimentos marcham de maneira agitada, porém sente mirrar qualquer esperança ou desejo de viver. A mesma voz
angelical de momentos atrás, havia sussurrado a poucos centímetros de distância às suas costas:

- Tobit! Sei que está com muito medo. Por favor, não tema! Sou Arlim. Vim para lhe mostrar seus caminhos.
Caminhos passados, já cursados e o caminho futuro.

O personagem sabia seu nome! Era tudo o que o garoto pensava. Cada vez mais confuso, e já convencido de
que não estava sonhando, questionava-se agora se não estaria louco. Mas, sabendo que os loucos nunca imaginam
que o são, convenceu-se, também, de sua sanidade mental e ainda de costas perguntou:

- Quem é você? O que quer de mim?

Arlim, com a mesma voz de tranqüilidade, que acalmara aos poucos Tobit, sem este perceber, disse:

- Não tema garoto! Sou o que vocês chamam de anjo celeste. Ou, mensageiro divino. Vira-te e mira minha face.

Tobit se sente anestesiado por uma adrenalina sutil e, enfim, deixa de sentir qualquer anseio quando
contempla a expressão de paz do enviado celestial.
Arlim, então, explica o difícil fardo de Tobit. Conta-lhe de seu dom especial, a vivência através das eras e, com muito
cuidado e inteligência, mostra ao jovem os motivos de sua intervenção.
Após a total convicção de Tobit e em meio ao vento gelado e ao farfalhar das folhas das árvores, ambos se sentam
sobre uma grande pedra, onde Arlim narra a Tobit as histórias de suas oito vidas passadas.

…a história das letras continua deste ponto…

1.274 AC
AGE OF SILENCE
A era do Faraó Ramsés II, foi a mais prestigiosa da história egípcia, em todos os aspectos: econômico, administrativo,
cultural e militar.
Em sua mais famosa batalha: a batalha de Kadesh, Muwatallis atacou de surpresa o exército de Ramsés II, que teve
de empunhar sua espada para lutar em meio aos guerreiros. A batalha não teve vencedor.

1.118 AC
TROY

Tobit, na pele de Hector, o mais justo e melhor guerreiro de Tróia, combate um exército guiado por Reis cegos por
sua cobiça. Agamenon lidera o combate pelo exército Grego. Achilles, um imbatível semi-Deus, luta pela Grécia,
porém defende uma causa própria e acaba traído por sua incessante busca por glória. Hector é o exemplo de seu
irmão mais jovem: Paris.

300 AC
ALEXANDRIA

Alexandre o grande, filho de Felipe, herda o reino da Macedônia. Foi um dos comandantes militares mais bem
sucedidos de toda a história. Conquistou o Império Persa e os Egípcios. Tentava sintetizar o Oriente e Ocidente em
conceitos inovadores.

312 DC
MILVIAN BRIDGE

Uma batalha entre os imperadores romanos Constantino I, o Grande, e Maxentius pelo controle da parte ocidental do
Império. Com a vitória de Constantino, o rumo da Civilização Ocidental seria alterado radicalmente. Em frente à
ponte Milvian, já nas redondezas de Roma, a vantagem de Maxentius era de 19 para 1 contra o exército de
Constantino. Porém, no entardecer a um dia da batalha, Constantino tem uma visão. Quando olhava para o sol que se
punha: as letras XP (as primeiras duas letras de “Cristo”) aparecem-lhe enfeitando o sol, junto a inscrição: “Sob este
símbolo vencerás”. Mesmo sendo pagão, Constantino ordena que todos seus soldados coloquem o símbolo em seus
escudos. Vitória! Domínio de Roma e Ocidente! Estava aberto o caminho para a Europa se tornar Cristã.

1.200 DC
THE BLACKSMITH

Na pele de um frágil ferreiro, Tobit participa de uma das grandes Cruzadas. Saladin, o rei do Egito e astuto
estrategista, tenta recuperar Jerusalém, perdida numa batalha anterior.
Depois de apaixonar-se pela irmã do leproso e falecido Rei de Jerusalém, Tobit acaba por liderar as defesas da cidade
contra as investidas de Saladin.
Seu grande feito foi ter conseguido um acordo de Reis para cessar as mortes causadas pelo conflito.
“Seu reino pertence a você. Está em sua mente, não guardado dentro de uma cruz” - dizia ele enquanto sua mente
brilhava em chamas. “Era visível através de seus olhos”.

1.400 DC
THE IMPALER

Lembrado na Romênia como príncipe da Justiça, Vlad III herdou o título de “Filho do Dragão”, um pacto medieval
de luta contra turcos. É até hoje injustiçado pela história por associações com o personagem Drácula e por atos
monstruosos como: treinar técnica de tortura em animais; impalar suas vítimas: Tepes (Impalador). Ganhou fama de
príncipe imortal devido à semelhança com seu pai. Seu irmão Radu alia-se aos Turcos e conquista seu trono.

1.492 DC
A LITTLE TOO FAR

Tobit destaca-se por sua inteligência e perspicácia no descobrimento de novas terras. “O mundo precisa de um
horizonte de outra cor”. Ele não encara o projeto como simples “árvores de dinheiro”, mas sim como portas para um
novo mundo. Tobit supera tentações e desafia os avisos de Poseidon – o Deus das Águas.

1.939 DC
ARMY OF JUST ONE MIND
Tobit encontra-se na pele de um cidadão Alemão comum, que não entende os motivos fúteis de uma guerra e tão
pouco aceita a situação passivelmente. Acoado por soldados inimigos, Tobit encontra em seu amigo (e soldado)
Hermes certa esperança. Tobit mostra que não é necessário o PODER para viver com dignidade e com sua fé.

Atualidade
SOULSPELL

Tobit havia se lembrado, até o momento, de oito vidas que tivera. Agora, percebe ser alguém especial. Seria ele
dotado do poder da imortalidade? Seria isso ruim?
Tobit começa a se lembrar de sua grande paixão: a mulher que lhe acompanhara através das eras.
Perdido em seus pensamentos, Tobit já não distingue Realidade de Lembranças e começa um devaneio sobre sua
amada e sobre como ele poderia mudar o mundo com sua “mágica”. Tobit começa a refletir sobre o poder que todos
têm dentro de sua alma e sobre como seria fácil mudar o mundo se todos fizessem uso desse poder.

Atualidade
WEIGHT OF EVIL

Ainda dentro de um devaneio real, Tobit é tentado por Samael, o príncipe dos demônios, a usar tal poder em seu
favor. Mesmo sem ser de seu caráter, Tobit tende a aceitar a oferta, pois Samael lhe engana dizendo ser seu próprio
pai.
Mais uma vez entram em cena seu amigo imaginário e sua amada para lhe darem conselhos sobre quais as atitudes
que Tobit deve tomar.

Atualidade
ETERNAL SKIES

Tobit enfim supera as tentações de Samael e pensa estar livre agora para tomar sua grande decisão: a de viver
novamente ou partir definitivamente para o paraíso.
Tobit começa a pesar todos os fatores que sua vida lhe proporcionara, como a beleza do sol e da lua que nunca
perderam o brilho mesmo através de tantas eras.
A natureza e os seres especiais desse mundo não querem a partida de Tobit para o paraíso.

Atualidade
THE LAST LIFE

“Talvez estejamos vivendo apenas a primeira de nossas últimas vidas”. Tobit trilha, enfim, os caminhos rumo ao
paraíso. Entretanto, sua escolha desperta a ira de Samael, que resolve fazer sua última investida em busca da alma de
Tobit. Numa noite, ele o atrai ao seu lar onde tenta lhe convencer que Deus não planejara sua vida, que Tobit não
estava vagando entre eras para ser um herói de tempos difíceis, mas sim que Deus havia cometido um engano, do
qual resultara a prisão de Tobit no tempo. Samael, com toda sua astúcia, cobra também um falso pacto de sangue
feito entre os dois.

...Anos após o ocorrido, Tobit nunca esquecera a longa conversa com Arlim – o anjo. Naquele dia, em que escutou as
impressionantes histórias de suas vidas, Arlim havia terminado seus contos com uma simples pergunta: “Seria você
capaz de viver novamente?”. E aquela frase ecoava fundo em sua mente, como o efeito da primeira paixão num
garoto de quinze anos.

Mais um ano se punha e era dia de seu aniversário. Judith, sorridente como sempre, entrega a Tobit um singelo
pedaço de papel envolvido em um laço vermelho:

- Seu presente! Eu nunca soube como expressar meu amor por você durante todos esses anos. Eles se foram muito
rapidamente. Mas, cada dia que passei ao seu lado me fez crescer como mulher e como pessoa. Fez-me provar do
melhor sentimento que alguém pode conhecer nessa vida: amar e ser amada.

Tobit, pela primeira vez em muito tempo, esquecera completamente sobre divindades, anjos, visões etc.
Estava ali, sentado na grama, observando as estrelas, sentindo o cheiro molhado da natureza e escutando a voz de sua
mulher, que mais lhe parecia uma melodia suave e rebuscada. Pensava em como tudo faz tanto sentido às vezes e, em
como o mundo é tão simples e tão maravilhoso.

“Nós vamos ter um filho” – dizia o bilhete escrito à mão por sua esposa.
Anos de preocupações, de sofrimento, alegrias e escolhas. Às vezes as decisões mais difíceis são aquelas que
não podem ser decididas e, portanto, não são tão difíceis assim.

Tobit não escolhera viver ou morrer, ficar ou partir. Decidira apenas ser feliz ao lado de sua esposa e filhos.
Como uma pessoa normal, que na verdade, era exatamente o que ele era. Restava-lhe a única certeza de que, se um
dia tivesse que deixar este mundo, estaria aqui o seu filho, o herdeiro de seu trono, aquele que, com certeza,
continuaria o seu LEGADO DE HONRA

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