Clínica Médica de Cães e Gatos – Layza Guedes 1
OFTALMOLOGIA
ANATOMIA em contato com a córnea e a conjuntiva, esta é a camada
O sistema visual compreende: mucosa e tem como função aderir a lágrima melhor a
O bulbo do olho córnea e conjuntiva.
A órbita – ossos que compõe a cavidade orbitária.
Os músculos extra-oculares
As pálpebras (SUPERIOR, INFERIOR E TERCEIRA
PÁLPEBRA)
O aparelho lacrimal
Sem anexos o olho não sobrevive e, consequentemente, não
tem visão.
A camada externa/fibrosa é a córnea e a esclera e
contém todo o conteúdo intraocular, são compostas por
colágenos só que como a esclera é branca, as fibras de
colágeno são dispostas erradas e por isso fica branco. A
camada seguida da fibrosa é coroide, que é altamente
vascularizada e vai nutrir a esclera e a retina, e a retina é a
parte nervosa do olho, com metabolismo super alto. Tem o
corpo ciliar e a íris (parte colorida do olho), que compõe a
ÚVEA, uma camada vascularizada e muscular. A ÚVEA
ANTERIOR É ÍRIS E CORPO CILIAR E A ÚVEA
POSTERIOR É A COROID E – inflamações dessa área:
uveite. A parte mais interna é a retina.
Ligamentos zonulares seguram o cristalino, são
mandados pela movimentação do corpo ciliar e vão mexer
no CRISTALINO, esticam ou contraem, regulando o
LÁGRIMA (FILME LACRIMAL PRÉ CORNEANO): movimento de acordo com o que quer observar (longe ou
perto). Com o passar do tempo, o núcleo do cristalino vai
A parte AQUOSA da lágrima pelas GLÂNDULAS
ficando mais enrijecido, ficando com mais dificuldade de se
LACRIMAIS. Entre as pálpebras, existem as GLÂNDULAS
movimentar.
TARSAIS, são em número de 30 a 40 por pálpebra, e o ducto
Entre a córnea e a íris tem a CÂMARA ANTERIOR, o
dela desemboca na pálpebra, distribuindo a porção OLEOSA
próximo espaço é o ESPAÇO PUPILAR e atrás tem o espaço
da lágrima. Em cima da esclera, tem uma camada de
entre a lente e a íris que é a CÂMARA POSTERIOR. Os três,
conjuntiva chamada de conjuntiva bulbar que cobre o bulbo
do cristalino para frente, chama-se SEGMENTO ANTERIOR e
do olho. A conjuntiva que recobre as pálpebras chama-se
para trás, SEGMENTO POSTERIOR (composto pelo vítreo,
conjuntiva palpebral. Tanto na conjuntiva bulbar e
que existe para dar o formato e colar a retina na coroide). A
palpebral, existem glândulas que chamam-se CÉLULAS
lágrima é anexo ocular. O HUMOR AQUOSO BANHA A
CALICIFORMES, essas células estão distribuídas por toda a
CÂMARA ANTERIOR E POSTERIOR E É FORMADO
conjuntiva e não é possível vê-las na inspeção, como as
PELO CORPO CILIAR, que é responsável por focar a
glândulas tarsais e dão origem a camada MUCOSA.
imagem e nutre o cristalino, viaja pelo espaço pupilar e
A camada gordurosa (camada mais externa) fica
banha toda a câmara anterior. Entre a córnea e a íris, se
externamente e não deixa a lágrima evaporar tão cedo. A
forma o ângulo iridocorneano, que existem vários orifícios
camada do meio é a camada aquosa, que é a lágrima
de drenagem do humor aquoso e algumas veias importantes
propriamente dita. A camada mais interna da lágrima fica
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recebem o líquido de novo. A PRESSÃO INTRAOCULAR É Oftalmia neonatal: secreção formada quando há
DADA PELO HUMOR AQUOSO. muita inflamação, ou seja, quando está associada a
Quando tem UVEITE (inflamação da úvea – íris e uma conjuntivite
corpo ciliar, baixando sua função), o corpo ciliar diminui a * Pode ter uma abertura pequena que está drenando a
produção de humor aquoso e o olho fica MOLE – inflamação que está dentro do olho. Nesse caso, podemos
HIPOTENSÃO OCULAR. Quando tem GLAUCOMA é porque drenar. Quando não tem essa abertura e está tudo fechado,
não está drenando, os orifícios de drenagem começam a deve-se forçar a abertura com uma gaze com solução
entupir; as células inflamatórias da uveite e vai entupir o fisiológica ou pinça hemostática. Quanto mais cedo abrir é
ângulo de drenagem, se demorar muito para tratar ou tratar melhor, porque a secreção em contato com a córnea pode
de maneira errada, e AUMENTA A PRESSÃO – HIPERTENSÃO originar uma córnea ou até perfurar o olho.
OCULAR, pois a drenagem está prejudicada. Por isso faz a
TONOMETRIA. Também pode ocorrer por uma neoplasia
que surge no ângulo iridocorneano ou de forma hereditária
(a pessoa nasce com disgenesia e não consegue drenar de
forma correta – glaucoma de ângulo aberto; nos animais a
maioria é originado da uveite, mas existem raças que podem
nascer). Hifema e hipópio*
Cão tem cílios superiores e gatos não tem cílios,
precisam estar voltados para fora e nascem na frente da
glândula tarsal. As outras estruturas são músculos
orbiculares e o músculo elevador da pálpebra que fica na
outra alteração. Os cílios são pelos táteis, vão chegar
primeiro a uma ameaça do que o próprio olho. A função da * Colírios de antibióticos simples!! Ex: Tobramicina,
pálpebra, além de lubrificar e espalhar a lágrima, tem função Neomicina, Gentamicina; 2-4 vezes por dia.
de proteger fechando o olho, auxiliado pelos cílios. Os gatos * Adenoma sebáceo: animais mais velhos; vem das
e cães também possuem vibrissas que são táteis e ajudam glândulas tarsais. Tumores benignos.
na proteção do olho.
* Papiloma, TVT conjuntival, Carcinoma de Células
Escamosas (gatos e cães brancos), Hemangioma na
AFECÇÕES DAS PÁLPEBRAS conjuntiva da terceira pálpebra
Anquilobléfaro ENTRÓPIO
Entrópio Inversão da margem palpebral
Ectrópio Pálpebra superior e/ou inferior
ANQUILOBLÉFARO Bilateral, congênito ou adquirido
Falha na abertura da fissura palpebral, que deveria ocorrer Cães: Bulldog inglês, São Bernardo, Cocker,
após 10-14 dias de idade. Rottweiler, SRDs
Incomum, bilateral, felinos e cães Gatos: persa
Associação com conjuntivite = oftalmia neonatal Precisa corrigir rápido porque faz úlcera de córnea
Tratamento: massagem delicada ou distensão
mecânica com pinça + pomada ou colírio atb
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SINAIS CLÍNICOS:
Lacrimejamento
Blefarospasmo Hotz-Celsus modificada para entrópio de canto lateral: faz
Úlcera corneal um desenho de boomerang.
Enoftalmia
Secreção mucopurulenta
Raças do tipo Bull são mais predispostas a terem
entropio na parte lateral do olho, depois de 1-2
anos de idade. As raças Poodle, Shih Tzu, Pug, vão
ter entropio na parte medial, de canto nasal.
Gatos: Persa são mais presispostos
O que faz o entropio? Pele em excesso,
musculatura falha.
CORREÇÃO CIRÚRGICA
Hotz-Celsus: retira um fragmento de pele e sutura depois.
Tem que ter cuidado onde começar a incisão e quanto tirar
de fragmento, porque se tirar muito pode fazer um ectrópio. Blefaroplastina com trépano: tira um fragmento de pele e
A primeira incisão precisa ser exatamente em uma distância sutura, mas em vez de fazer uma meia lua faz com o punt de
que tenha espaço para passar a agulha para suturar. biopsia e sutura horizontal.
Hotz-Celsus modificada para entrópio medial: faz a retirada
no formato de um triângulo de cabeça para baixo e sutura.
Técnica do pinçamento:
Fio não absorvível Nylon 4-0 para cães de grande
porte e 5-0 para os de pequeno porte.
Ponto simples separado
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Não corrige, a não ser que seja muito exagerado
AFECÇÕES DOS CÍLIOS
Cão: margem das pálpebras superiores (Shih Tzu,
Poodle, Yorkshire, Pug, Bulldog francês...)
Gato: não possui cílios. Possui pelos modificados
DISTIQUÍASE: o normal é os cílios nasceram na frente da
glândula tarsal. Nesse caso nascem errado, de dentro da
glândula tarsal e se direcionam errado.
Tratamento: epilação mecânica; eles vão crescer
novamente e precisa retirar novamente, 3-4 vezes vai
lesionar o pelo e pode ser que ele pare de crescer. Outra
opção é uma epilação com laser e consegue destruir.
No filhote não pode fazer Hotz-Celsus, faz o pregueamento
temporário das pálpebras (filhotes de Shar pei). Não tem
retirada de fragmento, faz dobras e passa o fio de sutura. Se
for filhote de 3-5 meses, coloca o colar elisabetano. Pode
fazer com menos de 1 mês de idade até 1 ano. Cria-se uma
placa fibrosa que mantém essa parte mais firme e impede
que o olho vire. Pode dar dipirona (1 gota/kg) e faz pomada
antibiótica.
TRIQUIASE: nasce no local certo mas tem o
direcionamento errado. Quando pelos da face tocam a
córnea também é considerado triquiase, ocorre em animais
com prega nasal exuberante e os pelos que nascem nessas
pregas conseguem chegar na córnea, chamando triquiase de
prega nasal.
PÓS OPERATÓRIO
Colar elisabetano
Pomada oftálmica a base de antibiótico, sem
corticoide. EX: Tetracicilina, Neomicina,
Cloranfenicol (Regencel) 3x ao dia, limpar antes
para tirar o excesso de pomada e secreção para
passar novamente a pomada.
Analgésico: Dipirona VO, 4-5 dias
AINEs: Meloxicam VO, 4-5 dias
Se o entropio for muito grande, pode passar um
antibiótico sistêmico, como a Cefalexina. Triquiase do Cocker idoso - ptose das pálpebras superiores
Retirar os pontos com 7-10 dias.
ECTROPIO
Mais padrão racial
Olho caído que consegue ver conjuntiva palpebral
inferior
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Destrói o folículo piloso do cílio CANTOPLASTIA MEDIAL: CORRIGE A TRIQUIASE
CARUCUNLAR, ENTROPIO MEDIAL E EURIBLÉFARO.
Shih Tzu, Pug, Bulldogs... são raças que sofrem da
SÍNDROME OCULAR DO C ÃO BRAQUICEFÁLICO:
Triquiase caruncular: carúncula (tecido
conjuntival) com pelos, muito comum no Shih Tzu.
São pelos longos e bem finos. Não chegam a fazer
ulcera, mas incomoda o Shih Tzu porque fica
nadando sobre a córnea, provocando coceira. Ele
começa a tentar coçar nos objetos e pode causar
úlcera.
Entrópio canto medial
Euribléfaro: fissura macropalpebral deixa o
PÓS OPERATÓRIO olho mais exposto
Antibiótico sistêmico por 7 dias (Cefalexina, O Proptose ocular: quando o olho sai da
Antibiótico + Clavulanato...), analgésico, anti- órbita ocular, por causa órbita rasa e do
inflamatório sistêmico, pomada oftálmica a base de euribléfaro.
antibióticos mais simples (neomicina, tobramicina, Distiquíase
cloranfenicol). Prega nasal
Retorno com 7-10 dias.
Não precisa ter todas as alterações juntas.
TRÍADE/SÍNDROME OCULAR DO CÃO
BRAQUICEFÁLICO CÍLIO ECTÓPICO: nasce errado, direciona errado e
desemboca dentro da conjuntiva palpebral superior,
fazendo uma úlcera enorme na córnea. *sinais de dor e
irritação
Tratamento: exérese de cílio ectópico com punch de biópsia.
* BULLDOGS E PUGS
* ESSES CÃES TEM MUITO ENTROPIO DE CANTO NASAL.
* HOTZ CELSUS: RETIRADA DE FRAGMENTO PALPEBRAL
PARA RESOLVER ENTROPIO
CHERRY EYE
Hipertrofia/hiperplasia da glândula lacrimal da 3º pálpebra.
Hereditária: afrouxamento da ligação entre
glândula/cartilagem e periórbita
Cães jovens: Cocker, Bulldog, Shar pei
Relação com período vacinal???
Os folículos linfoides reagem a tudo que for estranho
(poeira, pólen, animal respondendo exageradamente a
alérgenos), tendo uma hipertrofia dos folículos. A vacinação
é um estímulo grande para o sistema imunológico. Nesse
período, os folículos linfoides aumentam de tamanho e
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também existem esses folículos no meio da glândula
lacrimal.
Glândula aumenta e protrui
Hipertrofia folicular
Unilateral Bilateral
Objetivo: recolocar e NÃO extrai-la
Técnicas Cirúrgicas:
Sepultamento com fixação no periósteo
Sepultamento através de sutura da conjuntiva
MAIOR INCIDÊNCIA
palpebral da terceira pálpebra (técnica de Morgan
ou pocket) Yorkshire terrier: 4 a 5 anos de idade
Cocker Sp.: idosos
Raças braquicefálicas
Raças predisponentes: Pinsher, Lhasa apso, Shih
Tzu, Bulldog inglês, West Highland White Terrier
Gatos: quando a infecção por Herpesvirus afeta as
glândulas lacrimais.
ETIOLOGIA
Imunomediada: 80% dos casos
Iatrogênica: excisão da glândula lacrimal da terceira
pálpebras, sulfonamidas (acompanhar com teste de
Schirmer), colírio de atropina ou de forma sistêmica
(também diminui a produção lacrimal – usar no
máximo por 5 dias)
Aplasia ou hipoplasia das glândulas lacrimais: Rara
– o animal pode nascer com as glândulas lacrimais
diminuídas ou sem as glândulas lacrimais.
Atrofia da glândula lacrimal (senilidade)
Doença sistêmica: cinomose, herpesvirus felino
tipo 1 (inflamação da glândula), hipotireoidismo
Neurogênica: lesão de nervos das vias aferentes
e/ou eferentes para o estímulo da produção da fase
aquosa – ex: trauma na cabeça com lesão no nervo
facial
SINAIS CLÍNICOS
DEPENDEM DO GRAU DE EVOLUÇÃO DA CCS
1. Falta de brilho da córnea
2. Secreção mucosa (amarela ou verde, dependendo
da infecção secundária)
3. Blefarospasmo, úlcera de córnea
4. Pigmentação e neovascularização corneais (caso
CERATOCONJUNTIVITE SE CA (CCS) crônico)
Inflamação da córnea e conjuntiva causada pela baixa 5. Superfície corneal irregular, desconforto
produção da porção aquosa da lágrima.
. O próprio organismo vai atacar as glândulas Quando o filme lacrimal vai ficando espesso, não consegue
lacrimais, diminuindo a produção da lágrima até mais nutrir e a córnea começa a sofrer. Perde o brilho, pode
parar. ocorrer úlceras e ocorre a neovascularização. A formação
. Queixa do tutor: animal apresenta muita secreção
desses vasos é muito rápida e neles corre sangue e
ocular. Olho avermelhado, perdendo brilho dos
melanócitos, além de fatores no processo de cicatrização,
olhos (sem lubrificação porque não tem mais
camada aquosa do filme lacrimal) começando a pigmentação corneana (melanose corneana).
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Lacrimoestimulantes
1. Agentes colinérgicos: Pilocarpina força por via
nervosa a produção de lágrima *não usa mais
2. Agentes imunomoduladores: Ciclosporina A (0,5%-
2%), tacrolimus, pimecrolinus
Estimulam a produção lacrimal, diminuição da
inflamação ocular, inibe células T e
consequentemente reduz produção de citocinas IL-
2 e IL-4
OBS: toda medicação oftálmica pedir para o tutor deixar na
geladeira para evitar contaminação
Ciclosporina: SID (shirmer não tão baixo), BID (shirmer mais
alto). Se for imunomediada, esse colírio será para o resto da
vida; se parar, vai piorar. Quando para, o sistema
imunológico vai atacar de novo.
Retorno mensal para refazer o teste lacrimal de Shirmer e
6. Edema de córnea – a córnea está em sofrimento e analisar a neovascularização.
se tiver úlcera de córnea, o estroma absorve tudo
que é líquido e vai ser embebido com o líquido da USO OFTÁLMICO
lágrima, colírio, soro da lavagem, e faz a córnea ficar À farmácia de manipulação, favor manipular:
Ciclosporina A .................................................................1%
edemaciada.
Colírio ou pomada oftálmica q.s.p ........................5 ou 10 ml
Perfuração corneal secundária à CCS Instile uma gota em cada olho a cada 12/24 horas até novas
recomendações.
USO OFTÁLMICO (farmácia humana)
Colírio de Dexametasona 0,1% ......................................... 1FR
Instile uma gota em cada olho a cada 8/12 horas durante 30
dias.
AINES: colírio de flurbiprofeno ou colírio de cetorolaco ou
colírio de diclofenaco em pacientes diabéticos ou com
hiperadrenocorticismo, pois o corticoide é diabetogênico
mesmo sendo de forma tópica.
Lubrificante ocular (GEL): Hyabak e Hilo-gel de acordo
DIAGNÓSTICO com a gravidade do paciente. Para o resto da vida.
Inspeção dos sinais clínicos Ômega 3: para o resto da vida.
Histórico de insucesso em tratamentos com atb
Teste Lacrimal de Schirmer – identifica o CCS CICLOSPORINA
quantitativo 1. Comercial: Optimmune (pomada a 0,2%)
2. Manipulada: colírios ou pomadas a 1% ou 2%
>15mm/min
3. SID, BID ou TID por toda a vida
10-15 mm/min (suspeito)
4. Dose de manutenção em alguns casos é possível:
< 10 mm/min
SID ou em EDA (esquema de dias alternados).
Prescrever colírios com ácido hialurônico (colírio) e de
preferência gel, pois fica mais tempo no olho do animal,
TACROLIMUS
permitindo a lubrificação. EX: Hyabak
1. O,03 % a O,2% suspensão aquosa
CCS qualitativo: ômega 3
2. Análogo à ciclosporina com eficiência clínica superior
DICAS GERAIS MUITO IMPORTANTES 3. Aumento de 5 mm/min no TLS dentro de 6 a 8 semanas.
Berdoulay et al (2005) eGilger et al (2006)
1. Cinomose: acúmulo de secreção ocular e olhos
4. Carcinogênico para humanos????
secos frequentemente são os primeiros sinais.
Atentar para cães jovens sem vacinação e idosos
CORTICOSTEROIDES
imunocomprometidos.
1. Fase de ataque: 3-4x/dia 1 a 3 meses. Não utilizar
2. Verifique a presença de anormalidades que possam
por toda a vida!
estar contribuindo para a baixa concentração da
fase aquosa da lágrima. Ex: Shih Tzu com triquíase
CIRURGIA
das dobras nasais (irritação + efeito “sifão”)
Transposição do Ducto Parotídeo
TRATAMENTO Casos refratários ao tratamento clínico
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Complicações: blefarite, desconforto ocular,
alteração da flora bacteriana conjuntival,
deposição de sais de cálcio da saliva na córnea.
Resultado ruim.
Transplante de glândulas labiais
Uso de fração de células tronco da MO em cães (ainda em A FLUORESCEÍNA FICA IMPREGNADA NO INÍCIO DO
estudos em cães com CCS). ESTROMA. PERDE TODO O EPITÉLIO E A ÚLCERA FICA NO
ÍNICIO DO ESTROMA – ESTROMA ANTERIOR
AFECÇÕES DA CÓRNEA
Deve estar em desidratação fisiológica, avascular. Apesar de CLASSIFICAÇÃO:
avascular, ela é muito inervada, tendo uma grande Superficial: lesão noestroma anterior
sensibilidade.
ANATOMIA: 4 CAMADAS
1. Epitélio da córnea – hidrofóbico
2. Estroma corneano (Lamelas de colágeno
organizadas, maior camada. 10% é fibroblasto que
produz o colágeno) – compõe quase toda a córnea
3. Membrana de Descemet
4. Endotélio corneano (Camada Nobre: não regenera
e a bomba regula entrada de humor aquoso para
córnea – muito delicada. Sem ela não tem a
Indolente – úlcera insistente falha genética na
desidratação fisiológica para ser transparente).
membrana basal, os hemidesmossomos da camada
do estroma não união do epitélio com o estroma.
o Erosão epitelial
o Bordas elevadas e soltas
o Predisposição racial: Boxer
o Meia-idade a idosos
o Sem histórico de trauma
O epitélio repele o corante de Fluoresceína. Quando tem
uma ulcera de córnea, as camadas são perdidas e a
fluoresceína vai corar.
O estroma, por ser colágeno, vai absorver a água – ele é
hidrofílico e como a fluoresceína é hidrossolúvel ela fica
Profunda: estroma profundo, grande chance de
impregnada no início do estroma. Quando mais da metade
perfuração; mais da metade do estroma foi
do estroma for embora, tem maior chance desse olho
embora. URGÊNCIA
perfurar.
ÚLCERA DE CÓRNEA (CERATITE ULCERATIVA )
Perda do epitélio associada à perda do estroma em maior
ou menor grau.
Quando perde só epitélio, como nos casos de Herpesvírus, e
ao fazer o corante de fluoresceína não vai corar. Para isso,
precisamos de corantes que vejam erosões corneanas, como
o Rosa Bengala, que vai corar células epiteliais mortas. A
fluoresceína vai ser útil quando perder todas as camadas de
epitélio e o estroma está exposto, porque ela fica Descemetocele – é possível observar a membrana
impregnada já que o estroma vai absorver. de Descemet protruída. EMERGÊNCIA
Quando a membrana de Descemet rompe, o coágulo de
INFLAMAÇÃO DA CÓRNEA: CERATITE fibrina tenta ajudar, mas ele é muito frágil. Nessa saída,
a íris vai para frente e se aproxima da córnea. Com a
força da pressão do humor aquoso saindo, a íris “tenta
tampar o buraco”. Se não for para cirurgia para colocar
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a íris para o seu local e se não fizer isso logo a íris vai Anormalidades palpebrais: entrópio, neoplasias,
colar na córnea, tendo a sinéquia anterior. A sinéquia inflamação
posterior acontece quando tem uma uveíte e a íris fica Anormalidades dos cílios e pelos: distiquíase, cílio
edemaciada e adere ao cristalino. ectópico, triquíase
Anormalidades do filme lacrimal: CCS
(ceratoconjuntivite seca)
Melting = derretimento da córnea. O estroma está
sendo destruído por bactéria que produzem
colagenases (destrói colágeno). EMERGÊNCIA
o A inflamação atrai neutrófilos que
produzem enzimas para tentar combater o
agente patogênico, que também
produzem colagenases, assim como as
bactérias (ex: Pseudomonas). Isso
acontece em questão de horas e se não
cuidar desse olho, começa a liberar
colagenases, atraindo mais neutrófilos e
em horas a ulcera profunda se torna um
Melting. *ocorre muito em braquicefálicos
– síndrome ocular.
ETIOLOGIA
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1º Prevenir infecções antibióticos de amplo espectro
Traumas: corpos estranhos, arranhões, exposição 2º Controlar a inflamação (se necessário e com cautela)
crônica (lagoftalmo – exposição crônica da córnea. anti inflamatórios não esteroidais. 1 gota, SID. Tem que olhar
Exemplo: olho com Glaucoma e a incursão o animal todos os dias!!!! Pode fazer um AINE sistêmico,
palpebral não consegue ser total) junto com analgésico e atropina.
Infecção: fungos, bactérias e vírus 3º Controlar a dor Usar cicloplégicos (atropina) NUNCA
Distrofias: úlcera indolente, depósitos de cálcio prescrever anestésicos. + analgésicos sistêmicos (dipirona e
Químicos e irritantes: álcali, ácido, medicações, em casos mais graves, como blefaroespasmo, pode associar
álcool, raios UV o tramadol).
SINAIS CLÍNICOS TRATAMENTO
Blefarospasmo, epífora, fotofobia, miose = Antibióticos:
relevam dor Tobramicina
Edema corneal = o estroma exposto puxa água e faz Gentamicina
o edema (do filme lacrimal, do soro que vai limpar Neomicina
a úlcera...) Tetraciclina
Neovascularização corneal = tentativa de conduzir Ciprofloxacina
células e reparar a úlcera Moxifloxacina
Cloranfenicol
PORQUE ÚLCERA DE CÓRNEA LEVA A UVEÍTE? Cuidado com colírios e pomadas que contenham mais de um
Terá uma uveíte reflexa. princípio ativo.
O ramo oftálmico do nervo trigêmeo chega ao olho
através do nervo ciliar longo. Esse nervo, ao chegar no Não pode usar corticoide porque ele é uma substância que
estroma, passa a ser chamado de nervo estromal, que vai potencializa as colagenases e ao colocar corticoide a úlcera
uma parte para córnea e outra vai para íris e corpo ciliar; ele pode se aprofundar em questão de horas. AINEs também
emite várias ramificações e assim que vai indo para a pode fazer isso, mas em um grau menor (melhor não usar).
superfície da córnea ele vai se ramificando ainda mais, Anestésicos são tóxicos para células epiteliais.
terminando no epitélio, que possui vários receptores de dor.
Quando tem lesão na córnea, a dor é refletida na íris, assim,
ÚLCERAS SUPERFICIAIS (TRATAMENTO
o corpo ciliar se contrai, gerando míose, devido a inflamação
não há formação do humor aquoso e o olho fica mole. MEDICAMENTOSO)
Míose: sinal de dor ocular contração da 1. Tenha certeza que a causa primária não persiste
íris e corpo ciliar 2. Colírio antibiótico de amplo espectro: QID ou +
Usar colírio cicloplégico (Atropina 1%, SID, vezes/ 5-7 dias evitar que ocorra o Melting.
3 dias) que causa a paralisia do corpo ciliar 3. Pomada antibiótica à noite/ 5-7 dias já que o
e íris. Se a íris estava contraída, vai relaxar tutor não vai ficar acordando para passar o colírio,
e quando ele relaxa o espaço pupilar abre. a pomada vai ficar mais tempo.
4. Atropina colírio: 1 gota/SID/2 dias (para a dor); 3-5
SINAIS CLÍNICOS dias no máximo (CCS*)
De acordo com a profundidade da úlcera 5. Lubrificantes melhora a qualidade do filme
Úlceras superficiais são mais dolorosas lacrimal e consequentemente na cicatrização.
Presença ou não de uveíte reflexa 6. Colar elisabetano*
DIAGNÓSTICO Para reduzir as Metaloproteinases (MMP)
7. Soro sanguíneo (fibronectina) – do paciente ou de
Inspeção: lupa, lanterna e sala escura
cavalo: eles combatem as colagenases.
Dica: ao examinar a córnea lembre-se de suas características
. Mantém na geladeira. Usa no máximo 5
macroscópicas (ela deve ser lisa, avascular, transparente e
dias e joga fora.
brilhante)
8. EDTA (precipita Cálcio) – também tem poder de
Teste da fluoresceína
diminuir as colagenases (prescreve um colírio
Avaliar:
manipulado – colírio EDTA a 0,35%, 5 ml)
1. Localização, profundidade e margens da úlcera
9. Tetraciclinas
2. Conformação palpebral, cílios anormais e triquíase
Qualquer um dos três: QID no mínimo, sozinho ou em
3. Procure por corpos estranhos
conjunto.
Descemetocele:
Visuzaliação de um pocinho e membrana NUNCA UTILIZE: CORTICOIDES TÓPICOS E
enegrecida no seu centro
ANESTÉSICOS TÓPICOS
Corante cora as margens da úlcera, mas não seu
centro (membrana de Descemet não retém o
corante)
OBJETIVOS DO TRATAMENTO