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VICENTINO, Pedro Henrique Risson

O trabalho apresenta o projeto e simulação do rotor de uma micro turbina eólica de eixo horizontal, visando criar um rotor eficiente para atender a demanda de energia de residências. Utilizando o software Qblade, foram obtidos parâmetros geométricos para turbinas de baixa potência, baseando-se em teorias aerodinâmicas. O estudo destaca a importância das turbinas eólicas como uma fonte de energia renovável crescente, especialmente no contexto brasileiro.

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Artur Oliveira
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VICENTINO, Pedro Henrique Risson

O trabalho apresenta o projeto e simulação do rotor de uma micro turbina eólica de eixo horizontal, visando criar um rotor eficiente para atender a demanda de energia de residências. Utilizando o software Qblade, foram obtidos parâmetros geométricos para turbinas de baixa potência, baseando-se em teorias aerodinâmicas. O estudo destaca a importância das turbinas eólicas como uma fonte de energia renovável crescente, especialmente no contexto brasileiro.

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UNICESUMAR - CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS TECNOLÓGICAS E AGRÁRIAS


CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA

PROJETO E SIMULAÇÃO DO ROTOR DE UMA MICRO TURBINA EÓLICA DE


EIXO HORIZONTAL

PEDRO HENRIQUE RISSON VICENTINO

MARINGÁ – PR
2020
Pedro Henrique Risson Vicentino

PROJETO E SIMULAÇÃO DO ROTOR DE UMA MICRO TURBINA EÓLICA DE


EIXO HORIZONTAL

Artigo apresentado ao Curso de Graduação em


Engenharia Mecânica da UNICESUMAR –
Centro Universitário de Maringá, como
requisito parcial para a obtenção do título de
Bacharel(a) em Engenheiro Mecânico, sob a
orientação do Prof. Fabio Victor Bueno de
Morais.

MARINGÁ – PR
2020
FOLHA DE APROVAÇÃO
PEDRO HENRIQUE RISSON VICENTINO

PROJETO E SIMULAÇÃO DO ROTOR DE UMA MICRO TURBINA EÓLICA DE


EIXO HORIZONTAL

Artigo apresentado ao Curso de Graduação em Engenharia Mecânica da UNICESUMAR –


Centro Universitário de Maringá como requisito parcial para a obtenção do título de
Bacharel(a) em Engenheiro Mecânico, sob a orientação do Prof. Fabio Victor Bueno de
Morais.

Aprovado em: _______ de ___________________ de ________.

BANCA EXAMINADORA

__________________________________________
Prof. Me. Fábio Victor Bueno de Morais

__________________________________________
Prof. Dr. Marcos Vinícius Bueno de Morais

__________________________________________
Prof. Esp. Samuel Slipack
PROJETO E SIMULAÇÃO DO ROTOR DE UMA MICRO TURBINA EÓLICA DE
EIXO HORIZONTAL

Pedro Henrique Risson Vicentino

RESUMO

Turbinas eólicas são equipamentos que convertem a energia cinética dos ventos em energia
mecânica rotacional por meio de fatores aerodinâmicos presente no perfil de suas pás. O
presente trabalho apresenta o estudo, projeto e simulação do rotor de uma turbina eólica de eixo
horizontal de baixa potência, utilizando método de cálculo baseado nas teorias básicas de
projeto aerodinâmico de aerogeradores, tais como as Teorias de Elemento de Pá. Buscando criar
um rotor com boa eficiência que atenda a demanda de energia, seja de uma residência rural ou
urbana de consumo médio. Utilizando o software Qblade, foi realizada a simulação de um rotor
e obtidos os parâmetros geométricos eficientes para utilização em turbinas de baixa potência.

Palavras-chave: Turbinas eólicas, energia, simulação

ROTOR DESIGN AND SIMULATION OF A HORIZONTAL AXIS MICRO WIND


TURBINE
ABSTRACT

Wind turbines are equipment that converts the kinetic energy of the winds into rotational
mechanical energy through aerodynamic factors present in the profile of their blades. The
present work presents the study, design, and simulation of the rotor of a low-power horizontal
axis wind turbine using a calculation method based on the basic theories of the aerodynamic
design of wind turbines, such as the Shovel Element Theories. Seeking to create a rotor with
good efficiency that meets the energy demand, whether from a rural or urban residence of
average consumption. Using the Qblade software, a rotor simulation was performed and the
efficient geometric parameters were obtained for use in low power turbines.

Keywords: Wind turbines, energy, simulation


1

1 INTRODUÇÃO

O uso do vento como fonte de energia começou na antiguidade. Moinhos de vento de


eixo vertical para moagem de grãos foram relatados na Pérsia no século 10 e na China no século
13. Ao mesmo tempo, o vento era uma importante fonte de energia para transporte de
mercadorias através de embarcações a velas. Por muito tempo os moinhos foram as maiores
fontes de energia antes da invenção do motor a vapor, eles somavam milhares em toda a Europa,
para processar grãos e bombear água eram os mais comuns, e alguns até eram usados para fins
industriais, como serrar madeira. Enquanto os europeus colonizavam o mundo, moinhos de
vento foram construídos e espalhados na mesma medida (SHEFHERD, 1994). Porém, somente
no século XIX é que surgiram as primeiras tentativas de geração de energia eólica.
Em 1888, Charles F. Bruch, um industrial voltado para eletrificação em campo, ergueu
na cidade de Cleveland, Ohio, o primeiro cata vento destinado à geração de energia elétrica.
Tratava se de um cata vento que fornecia 12kW em corrente contínua para carregamento de
baterias, as quais eram destinadas, sobretudo, para o fornecimento de energia para 350 lâmpadas
incandescentes. (SHEFHERD, 1994).

Figura 1 - Primeira usina eólica, de Charles Brush, em 1888

Fonte: [Link] [Link]


2

Anos à frente, foram feitos os primeiros esforços nos EUA para desenvolver turbinas
eólicas avançadas para geração de eletricidade. Como o objetivo declarado era fornecer energia
aos consumidores privados que ainda não estavam conectados à rede de serviços públicos.
Os irmãos Marcellus e Joseph Jacobs merecem menção especial aqui. Em 1922, eles
começaram a desenvolver uma pequena turbina eólica. Após testes iniciais com hélices de
aeronaves de duas pás, eles desenvolveram um rotor de três pás com um diâmetro de 4 m, que
acionavam diretamente um gerador DC de baixa velocidade. Este "carregador de vento" de
Jacobs provou ser um design de vanguarda e um sucesso de vendas sensacional. De 1920 a
1960, dezenas de milhares dessas turbinas eólicas foram produzidas em várias versões com
potência nominal de 1,8 a 3 kW (HAU 2013).
A turbina Jacobs é considerada a precursora direta de pequenas turbinas modernas, seus
rotores tinham três lâminas com formas reais de aerofólio e começaram a se parecer com as
turbinas de hoje. Outra característica da turbina Jacobs era que ela foi tipicamente incorporada
a um sistema de energia em escala residencial completo, incluindo armazenamento de bateria.
(MANWELL, MCGOWAN, ROGERS, 2010).
Após anos de avanços, hoje é possível encontrar turbinas de diversos tamanhos e
potência, variando de acordo com a finalidade e demanda.
Os aerogeradores são classificados de acordo com seu porte e potência, pois segundo a
ANEEL, as turbinas pequenas apresentam potência nominal menor que 80 kW e diâmetro do
rotor de até 16 m, as médias possuem uma potência nominal entre 80 kW e 500 kW e diâmetro
entre 16 e 50 m, por fim, as grandes que geram uma potência nominal maior que 500 kW. Como
é o caso da V164-8MW com mais de 140 metros de altura e capacidade de gerar mais de 8MW
fabricada pela Vestas, uma empresa dinamarquesa, considerada a maior companhia mundial
produtora de turbinas eólicas.
A maioria dos sistemas pequenos não está conectada à rede e utiliza armazenamento de
bateria. A maioria está dentro da faixa de tamanho de 50 a 300 kW. No entanto, nos Estados
Unidos e em outras partes do mundo, um mercado bastante grande foi desenvolvido para
pequenos sistemas eólicos (de 1 a 10 kW) conectados às redes por inversores (NELSON,
STARCHER,2018).
Esses pequenos geradores representam o enfoque deste trabalho, devido a sua baixa
potência e tamanho compacto, estes são muito empregados em residências rurais, urbanas e
áreas remotas de difícil acesso. Possuem um funcionamento simples e são constituídos por
poucos equipamentos. Eles são compostos basicamente por:
3

− Rotor: responsável por transformar a energia cinética do vento em energia mecânica de


rotação;
− Transmissão e Caixa Multiplicadora: responsável por transmitir a energia mecânica
entregue pelo eixo do rotor até a carga. Alguns geradores não utilizam este componente,
nesse caso, o eixo do rotor é acoplado diretamente à carga;
− Gerador Elétrico: responsável pela conversão da energia mecânica em energia elétrica;
− Mecanismo de Controle: responsável pela orientação do rotor, controle de velocidade,
controle da carga etc;
− Torre: responsável por sustentar e posicionar o rotor na altura conveniente;
− Transformador: responsável pelo acoplamento elétrico entre o aerogerador e a rede
elétrica.

Figura 2 - Desenho esquemático de uma turbina eólica moderna.

Fonte: CENTRO BRASILEIRO DE ENERGIA EÓLICA - CBEE / UFPE. 2000.

Atualmente, a geração de energia eólica está presente no mundo todo, em uma potência
total instalada de 650 GW, segundo dados recentes do Associação Mundial de Energia Eólica
(WWEA). Com o Brasil representando 3% desse total, em âmbito nacional a geração de energia
eólica representa 9% do total, ficando atrás apenas da energia hidroelétrica que representa 60%,
comparando as fontes renováveis de energia.
4

Figura 3 – Potencial eólico mundial instalado. 2015 – 2019

Fonte: Associação Mundial de Energia Eólica (2019)

Figura 4 – Potencial eólico mundial instalado. 1981 – 2019

Fonte: Associação Mundial de Energia Eólica (2019)

A geração de energia eólica apresentou um crescimento de 3500% de sua capacidade


instalada em 20 anos, o que mostra que essa fonte tem grande potencial e vem ganhando cada
vês mais espaço no mercado energético mundial.
No Brasil, nos últimos anos, o custo da energia elétrica no mercado regulado teve
grandes aumentos devido a uma série de fatores, dentre eles, a forte dependência da matriz
energética nacional pela fonte hídrica, que não consegue suprir toda a demanda de energia do
país, tendo que recorrer ao apoio da geração por combustíveis fósseis, os quais geram grandes
impactos ecológicos e um aumento nas tarifas de energia. Assim, visando a econômia e a
5

preocupação com a sustentabilidade, tem direcionado olhares para as fontes mais limpas de
geração de energia elétrica como a solar e eólica, as quais têm se tornado mais eficientes e
baratas devido aos avanços tecnológicos.
Esses fatores têm atraído cada vez mais investimentos em produção independente de
energia, os quais tendem a duplicar até 2050, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética
(EPE), ganhando assim um papel cada vez mais importantes.

Figura 5 - Brasil. Consumo Total de Eletricidade. 2013 – 2050

Fonte: Empresa de Pesquisa Energética (EPE) (2012)

2 DESENVOLVIMENTO

2.1 DADOS DO PROJETO:

Para projeto do rotor de uma turbina eólica de eixo horizontal, primeiramente é


necessário determinar condições iniciais de projeto, entre elas, condições ambientais como
velocidade do vento e parâmetros geométricos, como o número de pás e tamanho do rotor, para
criar uma base antes de seguir para os softwares.
Utilizando como base o atlas do potencial eólico do Paraná, visto na figura 24 do anexo
A, é possível selecionar uma velocidade média que possa abranger todo o estado e regiões do
país de mesmas características.
6

É possível observar que a velocidade média dos ventos varia de 4 a 8 m/s, assim
tomamos a velocidade inicial de projeto𝑣 = 8 𝑚⁄𝑠para estipular um valor máximo aproximado
de potência. O número de pás adotado foi 3, seguindo o modelo de diversas turbinas modernas.

2.2 ESTUDO AERODINÂMICO:

2.2.1 Energia disponível nos ventos:

Um dos principais fatores que influenciam no desempenho de uma turbina eólica são a
velocidade do vento e a área varrida pelo rotor, a qual está ligada à quantidade de energia que
será convertida pelo gerador.
A energia cinética de uma massa de ar 𝑚 que se move a uma velocidade 𝑣 pode ser
expressa como:

1
𝐸 = 𝑚𝑣 2 (𝑁𝑚) ∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙ (1)
2

E o fluxo de massa com a densidade do ar ρ é:

´ = 𝜌𝑣𝐴(𝑘𝑔⁄𝑠) ∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙ (2)


𝑚

Onde A é a área varrida pelo rotor, tida por:

𝜋𝐷 2 2
𝐴= (𝑚 ) ∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙ (3)
4

As equações que expressam a energia cinética do ar em movimento e o fluxo de massa


produzem a quantidade de energia que passa pela seção A por unidade de tempo. Essa energia
é fisicamente idêntica à potência 𝑃:

1
𝑃 = 𝜌𝑣 3 𝐴(𝑊) ∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙ (4)
2

Esses elementos estão representados na figura 6 abaixo, que demonstra o fluxo de vento a uma
velocidade V através de um cilindro de área A.
7

Figura 6 - Fluxo de vento através de um cilindro da área A.

Fonte: Wind Energy: Renewable Energy and the Environment (2018).

Acima, consideramos o total de energia eólica do fluxo de ar ambiente.


Fundamentalmente, nem toda essa potência está disponível para utilização. A eficiência na
extração de energia eólica é quantificada pelo Coeficiente de Potência 𝐶𝑃 , que é a razão entre a
energia extraída pela turbina e a potência total do recurso eólico.

2.2.2 Lei de Betz:

Em 1919 o físico alemão Albert Betz deduziu que:


A razão entre a potência mecânica extraída pelo conversor e a da corrente de ar não
perturbada é denominada "coeficiente de potência" 𝐶𝑃 :

𝑃 16
𝐶𝑃 = = = 0,593 ∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙ (5)
𝑃0 27

Onde a potência mecânica do conversor pode ser expressa como:

1
𝑃 = 𝜌𝐴(𝑣12 + 𝑣22 )(𝑣1 + 𝑣2 )(𝑊) ∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙ (6)
4

E a potência da corrente de ar livre que flui através da mesma área de seção transversal A, sem
que a energia mecânica seja extraída dela é:

1
𝑃0 = 𝜌𝑣13 𝐴(𝑊) ∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙ (7)
2
8

A teoria de beltz pode ser vista mais detalhadamente no livro Wind Turbines:
fundamentals, technologies, application, economics do autor Erich Hau, presente nas
referências.

Figura 7 - Condições de fluxo devido à extração de energia mecânica de um fluxo de ar livre

Fonte: Wind Turbines - Fundamentals, Technologies, Application, Economics (2013).

Assim, Betz concluiu que mesmo com um fluxo de ar ideal e uma conversão sem perdas,
a proporção de trabalho mecânico extraível e a potência contida no vento é limitada a um valor
de 0,593. Portanto, apenas cerca de 60% da energia eólica de uma determinada seção transversal
pode ser convertida em energia mecânica (HAU 2013).
A razão pela qual maior eficiência, por exemplo, 100%, não é possível, é devido à
natureza mecânica dos fluídos da energia eólica, dependente do fluxo contínuo de ar em
movimento. Se, hipoteticamente falando, 100% da energia cinética for extraída, o fluxo de ar
será reduzido a uma parada completa e nenhuma velocidade permanecerá disponível para
sustentar o fluxo através do mecanismo de extração, independentemente da tecnologia
específica de turbina eólica usada. A eficiência máxima de extração é alcançada no equilíbrio
ideal da maior desaceleração do vento que ainda mantém um fluxo suficientemente rápido após
a turbina (LETCHER 2017).
9

2.3 CÁLCULOS PRELIMINARES

Considerando as propriedades do ar à pressão atmosférica e na temperatura ambiente


𝑇 = 25°𝐶 , pode-se considerar a densidade do ar como sendo 𝜌 = 1,225 𝑘𝑔⁄𝑚3.
Na prática, as turbinas operam abaixo do limite de Betz, o coeficiente das turbinas com
melhor desempenho no mercado está entre 0,35 e 0,45. Desse modo, será estimado um valor
médio de 𝐶𝑃 de 0,40, para cálculo inicial.
A partir da figura 25 do anexo A, é possível determinar um valor para a razão global de
velocidades em relação à ponta da pá 𝜆, esse valor é uma razão entre a velocidade tangencial
da ponta e a velocidade do vento. Esta razão interfere diretamente com a eficiência da turbina
e com o design da mesma, assim sendo necessário chegar a um valor ótimo mais equilibrado.
Quanto mais alto o valor mais ruido também será gerado além de necessitar de uma
melhor estrutura física para suportar as força centrifugas maiores.
Assim para turbinas com três pás que utilizam um coeficiente de potência 𝐶𝑃 = 0,40 será
utilizado 𝜆 = 5, como recomendação dos matérias de estudo.
A faixa de potência de turbinas comerciais de pequeno porte varia de 500 a 30000 W.
Nesse caso, será determinado um valor de 1500 W, uns dos mais utilizados em residência por
serem mais baratas e de pequeno porte, e possuem uma potência razoável para como fonte de
energia.
Para que a potência nominal desejada seja obtida, deve-se utilizar no cálculo um valor
de potência levemente superior, para contabilizar perdas nos componentes da turbina e em sua
conexão à rede, sendo acrescentado um valor de 10% a potência nominal, desta forma temos:

𝑃 = 1,1𝑃𝑛𝑜𝑚 = 1,1 ∙ 1500 = 1650𝑊

Utilizando os dados anteriores na equação de potência, é possível determinar a área de varredura


do rotor:
1
𝑃 = 𝜌𝑣 3 𝐴𝐶𝑃
2

Colocando a área A em evidência temos:

2𝑃 2 ∙ 1650
𝐴= 3
= = 13,15𝑚²
𝜌𝑣 𝐶𝑃 1,225 ∙ 8³ ∙ 0,40
10

Após determinar o valor de A, é possível encontrar o raio 𝑅, que equivale ao comprimento de


uma pá do rotor. Assim temos:

𝐴 13,15
𝑅=√ =√ ≅ 2𝑚
𝜋 𝜋

E em seguida, pode-se calcular também a velocidade angular de projeto prevista para o


aerogerador como:
𝜆𝑣 5 ∙ 8
𝛺= = = 20 𝑟𝑎𝑑⁄𝑠
𝑅 2

A rotação, em rpm também é calculada:

60 60
𝑟𝑝𝑚 = 𝛺 = 20 ≅ 191𝑟𝑝𝑚
2𝜋 2𝜋

2.4 ESCOLHA DO PERFIL

A potência gerada pela turbina é proporcional às forças aerodinâmicas causadas por suas
pás. Sendo assim, é necessário escolher cuidadosamente os perfis de aerofólio que as formam
e controlar seu ângulo de ataque. Um diagrama representativo dessas forças pode ser observado
na figura 11.
Onde 𝑊 representa a velocidade do vento relativa à pá, 𝛼 é definido como o ângulo de
ataque e representa o ângulo entre a velocidade relativa do vento e a corda da pá, 𝛽 é
denominado o ângulo de passo e é o ângulo entre a corda e o plano de rotação do rotor. 𝐷 é
definida como a força de arrasto e é paralela à velocidade relativa do vento, a força 𝐿 é definida
como a força de sustentação e é perpendicular à velocidade relativa do vento.
As forças aerodinâmicas de sustentação e arrasto são responsáveis pela taxa de variação
do momento axial e angular de todo o ar que passa através do anel varrido pelos elementos da
lâmina.
11

Figura 8 – Velocidades e forças dos elementos da lâmina

Fonte: Wind Energy Handbook (2001) – editada pelo autor.

Assim, pode-se mostrar que as forças atuantes no elemento de pá são:


Força de sustentação e arrasto podem ser tidas, respectivamente, como:

1
𝜕𝐿 = 𝜌𝑊 2 𝑐𝐶𝐿 𝜕𝑟 ∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙ (8)
2
1
𝜕𝐷 = 𝜌𝑊 2 𝑐𝐶𝑑 𝜕𝑟 ∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙ (9)
2

Tem-se também força normal, é a componente que traduz o valor da carga mecânica que a
estrutura terá de suportar, representada por:

𝐹𝑁 = 𝐿𝑐𝑜𝑠𝜙 + 𝐷𝑠𝑖𝑛𝜙 ∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙ (10)

A força tangencial é a componente que representa o valor que contribui para o movimento das
pás, pois a sua direção é coincidente com o plano de rotação do aerogerador. A equação que
permite obter o valor desta componente é a seguinte:

𝐹𝑇 = 𝐿𝑠𝑖𝑛𝜙 − 𝐷𝑐𝑜𝑠𝜙 ∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙∙ (11)

A força tangencial é responsável pelo torque da pá. Assim, o perfil deve ser escolhido de modo
a maximizar essa força.

Para realização do trabalho, a opção foi utilizar os perfis tipo NACA, são perfis
aerodinâmicos desenvolvidos pelo Comitê Consultivo Nacional de Aeronáutica (NACA),
Antecessora da atual NASA.
12

Os perfis NACA são amplamente utilizados na indústria aeronáutica e em projetos de


aerogeradores por serem amplamente testadas e estudadas a vários anos.
Foram escolhidos os perfis NACA da série 44xx, que são mais indicados para a
construção de aerogeradores de pequeno diâmetro e baixa complexidade, seguindo a
recomendação bibliográfica, foi escolhido o perfil 4412, por ser mais simples de boa eficiência
para a aplicação.

Figura 9 – Aerofólio perfil NACA 4412

Fonte: QBlade editado pelo autor

2.5 SIMULAÇÕES NO SOFTWARE QBLADE

Para o cálculo dos parâmetros acima, inicialmente foi utilizado o software Qblade, um
software de código aberto utilizado para simulações de turbinas eólicas, composto pela
integração dos códigos BEM (Blade Element Momentum)
O próprio Qblade faz a discretização da pá em um número finito de elementos de pá
para aplicação do método BEM nas simulações das turbinas de eixo horizontal. As seções
transversais da pá são definidas pela sua posição radial, perfil, corda, torção e comprimento e
com a teoria do momento, a velocidade relativa do vento em cada seção é calculada.
Isso permite o cálculo do ângulo de ataque 𝛼 e a derivação dos coeficientes de
sustentação 𝐶𝐿 e arrasto 𝐶𝑑 do respectivo perfil na área de varredura. Com estes coeficientes e
a área de um elemento, os valores das componentes das forças normais e tangenciais, do
empuxo e do torque de um elemento são computados.
Primeiramente, geram-se as informações sobre o perfil aerodinâmico e as curvas
polares, onde o Qblade gera as curvas polares, em um regime de ventos constantes com variação
do ângulo de ataque 𝛼 entre -10° a 20°. Posteriormente, essas curvas são extrapoladas
automaticamente pelo software.
13

Para simulação, utilizou-se os valores padronizados de N° de Reynolds = 106 𝑅𝑒, 𝑀𝑎 =


0, 𝑁𝑐𝑟𝑖𝑡 = 9, ambos recomendados pelo software, onde 𝑀𝑎 representa número de Mach, razão
entre a velocidade média do objeto e a velocidade média do som e 𝑁𝑐𝑟𝑖𝑡 é um critério de
transição segundo o estado do túnel de vento (aberto ou fechado).

Figura 10 - Regiões de Baixa e Alta pressão no aerofólio NACA 4412

Fonte: Simulação Qblade perfil NACA 4412, adaptado pelo autor

Figura 11 – Variação da razão Cl/Cd em função do ângulo de ataque α

Fonte: Simulação Qblade perfil NACA 4412, adaptado pelo autor

Para os parâmetros descritos acima, são gerados valores dos coeficientes das forças
aerodinâmicas e a relação entre elas, assim, é possível selecionar um ângulo de ataque que
gerará a melhor razão entre o coeficiente de sustentação e arrasto. Os valores obtidos são:
14

Figura 12 – Valores para o ponto de operação com ângulo de ataque em 6°

Fonte: Próprio autor

Figura 13 – Desenho da pá para simulação antes da correção

Fonte: Qblade, adaptado pelo autor

Inicialmente, tem-se uma pá totalmente sem torção e valores de corda constantes, então
é introduzido pelo usuário os valores da taxa de velocidade da ponta da pá TSR, velocidade do
vento 𝑣 e o ângulo de ataque α selecionado, dessa forma, o software gera uma otimização da
geometria da pá para o melhor rendimento em função dos parâmetros acima, gerando uma
geometria mais complexa.

Figura 14 – Desenho da pá para simulação após correção

Fonte: Qblade, adaptado pelo autor


15

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

O Qblade possibilita a simulação do rotor ou a simulação da turbina completa. No


primeiro caso, é um cálculo adimensional para uma faixa de velocidades específicas TSR, na
segunda opção, exige-se a definição de parâmetros para a turbina como rotação (rpm), escolha
do ângulo de ataque α e a sua execução para várias faixas de velocidades de vento gerando os
resultados obtidos a seguir:

No gráfico da Figura 15, tem-se a curva de sustentação gerada em um perfil eólico


NACA 4412 e a variação do ângulo de ataque (α) entre -10º a 20°.

Figura 15 - Gráfico da curva de sustentação do perfil NACA 4412.


2,00

1,50
15,50; 1,63

1,00
CL

0,50

0,00
11,00
-10,00
-8,50
-7,00
-5,50
-4,00
-2,50
-1,00
0,50
2,00
3,50
5,00
6,50
8,00
9,50

12,50
14,00
15,50
17,00
18,50
20,00

-0,50

-1,00
Ângulo de ataque (α)

Fonte: Simulação Qblade perfil NACA 4412, adaptado pelo autor

Pode-se observar que quanto maior o ângulo de ataque maior a força de sustentação que
age sobre o perfil, essa força é a responsável por impulsionar o rotor ao movimento, no ponto
de operação 𝛼 = 15,5 se apresenta a maior sustentação sobre o perfil 𝐶𝐿 = 1,63, acima disso,
começa a aparecer o efeito estol ou perda de sustentação.
16

Na figura 16, tem-se o gráfico da curva do coeficiente de arrasto para a mesma faixa de
angulação de α do perfil eólico.

A força de arrasto é a força de resistência ao movimento do rotor, pode-se observar no


mesmo ponto anterior que até a máxima sustentação o arrasto se mantém estável, ao exceder
esse limite, a força que atua no perfil cresce exponencialmente, o que indica que o ideal é manter
o ângulo de ataque 𝛼 < 15,5 .

Figura 16 - Gráfico da curva do coeficiente de arrasto do perfil NACA 4412.


0,14

0,12

0,10

0,08
Cd

15,50; 0,05
0,06

0,04

0,02

0,00
-1,00
-10,00
-8,50
-7,00
-5,50
-4,00
-2,50

20,00
0,50
2,00
3,50
5,00
6,50
8,00
9,50
11,00
12,50
14,00
15,50
17,00
18,50

Ângulo de ataque (α)

Fonte: Simulação Qblade perfil NACA 4412, adaptado pelo autor

A curva que relaciona as grandezas de sustentação e arrasto é mostrada no gráfico da


Figura 17, onde o valor destacado representa a melhor razão entre sustentação e arrasto,
destacando-se o ponto ótimo de operação para este perfil eólico, 𝛼 = 6. Neste ponto, ocorre a
máxima eficiência do perfil de acordo com as condições de fluxo em torno do perfil.
17

Figura 17 - Gráfico da curva do coeficiente de arrasto do perfil NACA 4412.


160,00
6,00; 133,64
140,00
120,00
100,00
80,00
60,00
CL/Cd

40,00
20,00
0,00
-10,00
-8,50
-7,00
-5,50
-4,00
-2,50
-1,00
0,50
2,00
3,50
5,00
6,50
8,00
9,50
11,00
12,50
14,00
15,50
17,00
18,50
20,00
-20,00
-40,00
-60,00
Ângulo de ataque (α)

Fonte: Simulação Qblade perfil NACA 4412, adaptado pelo autor

Além do desempenho do perfil eólico, as características de eficiência da turbina 𝐶𝑃 ,do


torque gerado e da potência mecânica variando pela velocidade rotacional e pela velocidade do
vento são analisadas em um contexto de projeto para geração eólica. Utilizando o módulo de
simulação do rotor para as turbinas de eixo horizontal, foram geradas as curvas do torque e
potência em função da taxa de velocidade de ponta, como também em função da velocidade do
vento e rotação do rotor como pode ser visto abaixo.
Os valores utilizados para a simulação foram os já descritos no capítulo 2.1 e dados
obtidos nas primeiras etapas de simulação descritos no início do capítulo 3, sendo eles, a
velocidade do vento 𝑣 variando de 2 a 8 m/s, ângulo de ataque 𝛼 = 6°, a taxa de velocidade da
ponta 𝑇𝑆𝑅 variando de 1 a 10, velocidade rotacional variando de 100 a 200 rpm. Foram obtidos
assim os seguintes valores:
A figura 18 representa o torque gerado em função do TSR, resultando num valor de
92,53 Nm para a taxa estipulada TSR = 5.
18

Figura 18 – Torque gerado em função da velocidade na ponta da pá


120,00

100,00 5,00; 92,53

80,00
Torque (Nm)

60,00

40,00

20,00

0,00
0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00
TSR

Fonte: Simulação Qblade perfil NACA 4412, adaptado pelo autor

Já na figura 19, é tido a potência, a qual representa a máxima potência gerada para o
valor de TSR = 5, sendo ela 𝑃 = 1850,59𝑊 , valor que até ultrapassa o estipulado no cálculo
inicial do capítulo 2.3.

Figura 19 – Potência gerada em função da velocidade na ponta da pá


2000,00 5,00; 1850,59
1800,00

1600,00

1400,00
Potêntia (W)

1200,00

1000,00

800,00

600,00

400,00

200,00

0,00
0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00
TSR

Fonte: Simulação Qblade perfil NACA 4412, adaptado pelo autor


19

Os valores de torque e potência também foram obtidos em função da velocidade do


vento, como pode ser visto em destaque nas figuras 20 e 21, onde para o valor de velocidade
inicialmente estipulado 𝑣 = 8 𝑚⁄𝑠 , obteve uma potência 𝑃 = 1854,8𝑊 e gerando um torque de
41,79 Nm.

Figura 20 – Potência gerada em função da velocidade do vento


4500,00
4000,00
3500,00
3000,00
Potência (W)

2500,00
2000,00
8,00; 1854,80
1500,00
1000,00
500,00
0,00
0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00
-500,00
Velocidade do vento (m/s)

Fonte: Simulação Qblade perfil NACA 4412, adaptado pelo autor

Figura 21 – Torque gerado em função da velocidade do vento


50,00
45,00
40,00
8,00; 41,79
35,00
Torque (Nm)

30,00
25,00
20,00
15,00
10,00
5,00
0,00
0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00
Velocidade do vento (m/s)

Fonte: Simulação Qblade perfil NACA 4412, adaptado pelo autor


20

Na figura 22, é demonstrada a variação do torque em função da velocidade rotacional


de 100 a 200 rpm para cada valor de velocidade do vento na faixa de 2 a 10 m/s. Assim também
é demonstrada a potência na figura 23, em função dos mesmos valores.

Figura 22 – Torque gerado pela velocidade rotacional rotor em função da variação da


velocidade do vento
160,00

140,00

120,00
2 m/s
100,00
Torque (Nm)

80,00 4 m/s

60,00 6 m/s
40,00
8 m/s
20,00
10 m/s
0,00

-20,00

Rotação do rotor (rpm)

Fonte: Simulação Qblade perfil NACA 4412, adaptado pelo autor

Figura 23 – Potência gerada pela velocidade rotacional rotor em função da variação da


velocidade do vento
3500,00

3000,00

2500,00
2 m/s
2000,00
Potência (W)

1500,00 4 m/s

1000,00 6 m/s

500,00 8 m/s

0,00
10 m/s

-500,00
Rotação do rotor (rpm)

Fonte: Simulação Qblade perfil NACA 4412, adaptado pelo autor


21

3 CONCLUSÃO

A partir do trabalho realizado, pôde-se entender a quantidade de detalhes envolvidos em


um projeto de uma turbina eólica de eixo horizontal. A partir dos estudos aqui realizados,
tornou-se possível o entendimento de como a geometria do rotor pode influenciar no
desempenho geral do aerogerador.
Conclui-se mediante os resultados que o perfil aerodinâmico escolhido, por mais que
seja antigo e de simples geometria, ainda apresenta um bom desempenho para projeto de
turbinas de baixa potência.
Por meio das simulações do software Qblade foi possível gerar um rotor otimizado que
atenda ao requisito estipulado no início do projeto, tomando como base a teoria envolvida e os
resultados obtidos nas simulações.

REFERÊNCIAS

SHEFHERD, D.G.,1994, “Historical Development of the Windmill”. In Wind Turbine


Technology Fundamental Concepts of Wind Turbine Engineering, SPERA, S.A, 1 ed. New
York, ASME Press, pp 1 46.

NELSON, V.; STARCHER, K., 2018, Wind Energy: Renewable Energy and the Environment,
3 ed. New York, CRC Press, pp 1 14.

HAU, Erich. Wind Turbines: fundamentals, technologies, application, economics. 3. ed. New
York: Springer Science & Business Media, 2013. 879 p.

MANWELL, James F.; MCGOWAN, Jon G.; ROGERS, Anthony L.. Wind Energy Explained:
theory, design and application. 2. ed. Nova Jersey: John Wiley & Sons, 2010. 704 p.

LETCHER, Trevor M.. Wind Energy Engineering: a handbook for onshore and offshore wind
turbines. Cambridge: Academic Press, 2017. 622 p.
22

ANEXO A – INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS

Figura 24 – Velocidade dos ventos médios anuais.

Fonte: Atlas do Potencial eólico do estado do Paraná (2007).


23

Figura 25 - Influência do número de pás no coeficiente de potência do rotor e na proporção


ideal de velocidade da ponta.

Fonte: Wind Turbines - Fundamentals, Technologies, Application, Economics (2013).


24

APÊNDICE A – PROJETO E RESULTADOS

Figura 26 – Dimensões da pá otimizada

Fonte: Próprio autor


TOLERÂNCIAS PADRÃO NAS MEDIDAS NÃO ESPECIFICADAS (mm)

0à6 6 à 30 30 à 120 120 à 315 315 à 1000

± 0,1 ± 0,2 ± 0,4 ± 0,6 ± 1,0

CARACTERÍSTICA E ITEM DE SEGURANÇA

3
4 1
5
(Feature item and safety)

6
7 2

1 CIRCULAR FOIL
2 CIRCULAR FOIL
3 NACA 4412
8 4 NACA 4412
14
5 NACA 4412
CARACTERÍSTICA DE REFERÊNCIA

15 9
16 6 NACA 4412
10 7 NACA 4412
17
(Reference characteristic)

11 8 NACA 4412
18 9 NACA 4412
12 10 NACA 4412
13 11 NACA 4412
12 NACA 4412
)

13 NACA 4412
19
14 NACA 4412
(

20 15 NACA 4412
16 NACA 4412
17 NACA 4412
CARACTERÍSTICA DE CONTROLE

18 NACA 4412
19 NACA 4412
20 NACA 4412
(Control characteristic)

Pedro Henrique Risson Vicentino R.A: 16071122


SIMBOLOGIA (Simbology)

Rotor de uma turbina eólica de eixo horizontal


Data:15/10/2020 Escala: 1.3 : 1
Trabalho: Projeto final de graduação Engenharia Mecânica
TOLERÂNCIAS PADRÃO NAS MEDIDAS NÃO ESPECIFICADAS (mm)

0à6 6 à 30 30 à 120 120 à 315 315 à 1000

± 0,1 ± 0,2 ± 0,4 ± 0,6 ± 1,0

CARACTERÍSTICA E ITEM DE SEGURANÇA

190,00
(Feature item and safety)

200,00
CARACTERÍSTICA DE REFERÊNCIA
(Reference characteristic)
)
(

,00
10
CARACTERÍSTICA DE CONTROLE
(Control characteristic)

Pedro Henrique Risson Vicentino R.A: 16071122


SIMBOLOGIA (Simbology)

Rotor de uma turbina eólica de eixo horizontal


Data:15/10/2020 Escala: 1 : 1
Trabalho: Projeto final de graduação Engenharia Mecânica

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