ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO II
PILARES
1. INTRODUÇÃO
Pilares são elementos do tipo barra, onde uma de suas dimensões é muito maior do
que as outras duas. Geralmente são projetados para resistir esforços de compressão na
direção de seu eixo. Recebem as cargas da viga ou diretamente da laje e os transmitem às
fundações.
2. DIMENSÃO MÍNIMA
De acordo com o item 13.2.3 da NBR 6118/2023, a seção transversal dos pilares,
qualquer que seja a sua forma, não deve apresentar dimensão menor que 19 cm. Em casos
especiais, permite se a consideração de dimensões entre 19 cm e 14 cm, desde que no
dimensionamento se multipliquem as ações por um coeficiente adicional 𝛾𝑛 indicado na
tabela a seguir e baseado na equação:
𝛾𝑛 = 1,95 − 0,05 ∙ 𝑏
Onde:
𝛾𝑛 é o coeficiente adicional;
𝑏 é a menor dimensão da seção transversal do pilar (cm).
A área mínima da seção transversal do pilar deve ser de 360 cm2. No caso de
pilares cuja maior dimensão da seção transversal exceda em cinco vezes a menor
dimensão, além das exigências constantes das subseções 18.4 e 18.5 deve também ser
atendido o que estabelece a seção 15 relativamente a esforços solicitantes na direção
transversal decorrentes de efeitos de 1 ª e 2 ª ordens, em especial dos efeitos de 2 ª ordem
localizados. Quando esta condição não for satisfeita, o pilar deve ser tratado como pilar
parede.
3. COMPRIMENTO EQUIVALENTE
O comprimento equivalente 𝑙𝑒do pilar suposto vinculado em ambas extremidades, é
o menor dos valores:
𝑙0 + ℎ
𝑙𝑒 ≤ {
𝑙
Onde:
• 𝑙0 é a distância entre as faces internas dos elementos estruturais, supostos
horizontais, que vinculam o pilar.
• ℎ é a altura da seção transversal do pilar, medida no plano da estrutura;
• 𝑙 é a distância entre os eixos dos elementos estruturais aos quais o pilar está
vinculado.
No caso de pilares engastados na base e livres no topo, 𝑙𝑒 = 2𝑙.
4. RAIO DE GIRAÇÃO
O raio de giração é obtido a partir da seguinte equação:
𝐼
𝑖=√
𝐴
Onde:
• 𝐼 é o momento de inércia da seção transversal;
• 𝐴 é a área de seção transversal.
Podendo ser simplificada como:
√12
𝑖=ℎ
12
5. ÍNDICE DE ESBELTEZ
Para avaliar o efeito da flambagem do pilar, deve se considerar o índice de esbeltez
que pode ser calculado através da equação:
𝑙𝑒
𝜆=
𝑖
6. CLASSIFICAÇÃO DOS PILARES
Os pilares podem ser classificados conforme a solicitação e a esbeltez.
6.1. CLASSIFICAÇÃO QUANTO À SOLICITAÇÃO
• Pilares internos são aqueles em que se considera somente a compressão simples,
não sendo levados em conta momentos de 2 ª ordem e também excentricidades
iniciais;
• Pilares de borda são aqueles que não apresentam continuidade de viga em apenas
uma de suas faces laterais. É considerado submetido somente a flexão composta
normal, apresentando excentricidade inicial em somente uma direção;
• Os pilares de canto são submetidos a flexão composta oblíqua e não apresentam
continuidade de viga em duas de suas faces laterais. Ocorrem momentos de
primeira ordem e excentricidades iniciais nas duas direções.
6.2. CLASSIFICAÇÃO QUANTO À ESBELTEZ
Permite se adotar índice de esbeltez acima de 200 somente quando a força normal for
menor que 𝟎, 𝟏 ∙ 𝒇𝒄𝒅 ∙ 𝑨𝒄 já que neste caso, o elemento é pouco comprimido.
Classificação segundo diversas literaturas (Carvalho e Pinheiro, 2013 Bastos, 2015
Pinheiro, 2005):
• Pilares robustos ou pouco esbeltos 𝜆 ≤ 𝜆1 ;
• Pilares de esbeltez média 𝜆1 < 𝜆 ≤ 90 ;
• Pilares esbeltos ou muito esbeltos 90 < 𝜆 ≤ 140;
• Pilares excessivamente esbeltos 140 < 𝜆 ≤ 200.
Em que o valor limite é:
𝑒1
25 + 12,5 ∙
𝜆1 = ℎ
𝛼𝑏
7. EXCENTRICIDADES DE PRIMEIRA ORDEM
7.1. EXCENTRICIDADE DE FORMA
Quando ocorre diferença da posição de aplicação da carga na seção do pilar, em
relação ao seu centro de gravidade.
7.2. EXCENTRICIDADE INICIAL
Excentricidade inicial (𝒆𝒊 ): Distância entre o centro de gravidade da seção do pilar
e o ponto de aplicação de 𝑁𝑘 . Típica de pilares de borda e de canto.
7.3. CÁLCULO DA EXCENTRICIDADE DE PRIMEIRA ORDEM
Excentricidade de primeira ordem (𝑒1 ):
Pode ser utilizado o modelo clássico de viga contínua, simplesmente apoiada nos
pilares, para o estudo das cargas verticais, observando se a necessidade das seguintes
correções adicionais.
Quando não for realizado o cálculo exato da influência da solidariedade dos
pilares com a viga, deve ser considerado, nos apoios extremos, momento fletor igual ao
momento de engastamento perfeito multiplicado pelos coeficientes estabelecidos nas
seguintes relações:
Em que r é a rigidez de cada elemento da figura (pilar inferior, pilar superior e
viga):
𝐼
𝑟=
𝐿
O efeito das imperfeições locais nos pilares e pilares parede pode ser substituído,
em estruturas reticuladas, pela consideração do momento mínimo de 1 ª ordem dado a
seguir:
𝑀1𝑑,𝑚𝑖𝑛 = 𝑁𝑑 (0,015 + 0,03ℎ)
𝑀1𝑑,𝑚í𝑛
𝑀1𝑑 ≥ {
𝑀𝑑,𝑡𝑜𝑝𝑜
A este momento devem ser acrescidos os momentos de 2 ordem. No caso de
pilares submetidos à flexão oblíqua composta, esse mínimo deve ser respeitado em cada
uma das direções principais, separadamente, isto é, o pilar deve ser verificado sempre à
flexão oblíqua composta onde, em cada verificação, pelo menos um dos momentos
respeita o valor mínimo indicado.
7.4. EXCENTRICIDADE ACIDENTAL
Na análise de imperfeições locais, ao dimensionar o lance de um pilar contra ventado
devem ser considerados o efeito de desaprumo e falta de retilineidade sendo suficiente
apenas este último para estruturas usuais.
Na análise de imperfeições globais deve ser considerado o desaprumo do elemento
vertical.
1
𝜃1 =
100√𝑙
1
√1 + 𝑛
𝜃𝑎 = 𝜃1
2
𝑙
𝑒𝑎 = 𝜃1 𝑜𝑢 𝜃1 𝑙
2
Em que:
• 𝜃1,𝑚𝑖𝑛 = 1/300 para estruturas reticuladas e imperfeições locais;
• 𝜃1,𝑚á𝑥 = 1/200;
• 𝐻 é a altura total da edificação, expressa em metros (m);
• 𝑛 é o número de prumadas de pilares no pórtico plano;
• Para edifícios com predominância de lajes lisas ou cogumelo, considerar 𝜃𝑎 = 𝜃1 ;
• Para pilares isolados em balanço, deve-se adotar 𝜃1 = 1/200.
7.5. EXCENTRICIDADE INICIAL NA SEÇÃO INTERMEDIÁRIA
0,6 ∙ 𝑒1𝐴 + 0,4 ∙ 𝑒1𝐵
𝑒1𝐶 ≥ {
0,4 ∙ 𝑒1𝐴
7.6. EXCENTRICIDADE ADICIONAL
Leva em conta efeitos de fluência. Verificação necessária em pilares onde 𝜆>90.
𝜑∙𝑁𝑆𝑔
𝑀𝑆𝑔 𝑁𝑒 −𝑁𝑆𝑔
𝑒𝑐𝑐 =( + 𝑒𝑎 ) ∙ (2,718 − 1)
𝑁𝑆𝑔
10 ∙ 𝐸𝑐𝑖 ∙ 𝐼𝑐
𝑁𝑒 =
𝑙𝑒2
Em que:
• 𝑀𝑆𝑔 e 𝑁𝑆𝑔 são os esforços solicitantes devidos à combinação quase permanente;
• 𝜑 é o coeficiente de fluência;
• 𝐸𝑐𝑖 = 5600 ∙ √𝑓𝑐𝑘 (MPa);
• 𝐼𝑐 é o momento de inércia no estádio I.
8. ESBELTEZ LIMITE (𝝀𝟏 )
Caso 𝜆 ≤ 𝜆1 os efeitos de segunda ordem não necessitam ser considerados. Principais
fatores de influência:
𝑒
• Excentricidade relativa de 1ª ordem ℎ1;
• Vinculação dos extremos do pilar isolado;
• Forma do diagrama de momentos de 1ª ordem.
𝑒1 : Pode ser adotado o menor valor da excentricidade de 1ª ordem.
𝑒1
(25 + 12,5 ∗ )
𝜆1 = ℎ ; 35 ≤ 𝜆1 ≤ 90
𝛼𝑏
Para obter 𝛼𝑏 :
• Pilares biapoiados sem forças transversais:
𝑀𝐵
𝛼𝑏 = 0,6 + 0,4 ≥ 0,4 ; 0,4 ≤ 𝛼𝑏 ≤ 1,0
𝑀𝐴
𝑀𝐴 e 𝑀𝐵 são os momentos de 1ª ordem nos extremos do pilar (no caso de estruturas
de nós fixos) e os momentos totais no caso de estruturas de nós móveis (1ª + 2ª ordem
global). Deve ser adotado para 𝑀𝐴 o maior valor absoluto ao longo do pilar biapoiado
e para 𝑀𝐵 o sinal positivo, se tracionar a mesma face que 𝑀𝐴 e negativo, em caso
contrário.
• Pilares biapoiados com cargas transversais significativas ao longo da altura:
𝛼𝑏 = 1
• Pilares em balanço:
𝛼𝑏 = 1
• Pilares biapoiados ou em balanço com momentos menores que 𝑀1𝑑,𝑚𝑖𝑛 :
𝛼𝑏 = 1
9. EXCENTRICIDADES DE SEGUNDA ORDEM
Sob a ação das cargas verticais e horizontais, os nós da estrutura deslocam se
horizontalmente. Os esforços de 2ª ordem decorrentes desses deslocamentos são
chamados efeitos globais de 2 ª ordem.
Nas barras da estrutura, como um lance de pilar, os respectivos eixos não se mantêm
retilíneos, surgindo aí efeitos locais de 2 ª ordem que, em princípio, afetam principalmente
os esforços solicitantes ao longo delas.
9.1. MÉTODO GERAL
Análise não linear em que é realizada com discretização da barra. Consideração de
não linearidade geométrica de maneira aproximada. Obrigatório para 𝜆 > 40.
9.2. MÉTODO DO PILAR PADRÃO COM CURVATURA APROXIMADA
O método exige 𝜆 ≤ 90, seção transversal constante e armadura simétrica e também
constante ao longo de seu eixo.
A não linearidade geométrica é considerada de forma aproximada, supondo se que a
deformação da barra seja senoidal. A não linearidade física é considerada através de uma
expressão aproximada da curvatura na seção crítica.
• Excentricidade de segunda ordem:
𝑙𝑒2 1
𝑒2 = ∙
10 𝑟
• Curvatura da seção crítica:
1 0,005 0,005
= ≤
𝑟 ℎ(𝜐 + 0,5) ℎ
𝑁𝑆𝑑
𝜐=
𝐴𝑐 ∙ 𝑓𝑐𝑑
• Momento total máximo:
𝑙𝑒2 1
𝑀𝑑,𝑡𝑜𝑡 = 𝛼𝑏 ∙ 𝑀1𝑑,𝐴 + 𝑁𝑑 ∙ ∙ ≥ 𝑀1𝑑,𝐴
10 𝑟
• Excentricidade total:
𝑀𝑑,𝑡𝑜𝑡
𝑒=
𝑒𝑡𝑜𝑡 ≥ { 𝑁𝑑
𝑒1𝑐
9.3. MÉTODO DO PILAR PADRÃO COM RIGIDEZ APROXIMADA
O método exige 𝜆 ≤ 90 seção retangular constante e armadura simétrica e constante
ao longo de seu eixo.
A não linearidade geométrica é considerada de forma aproximada, supondo se que a
deformação da barra seja senoidal. A não linearidade física é considerada através de uma
expressão aproximada da rigidez.
• Momento total máximo:
𝛼𝑏 ∙ 𝑀1𝑑,𝐴
𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 = ≥ 𝑀1𝑑,𝐴
𝜆2
1−
120𝑘/𝑣
• Rigidez adimensional:
𝑀𝑅𝑑,𝑡𝑜𝑡
𝑘𝑎𝑝𝑟𝑜𝑥 = 32 (1 + 5 )𝜐
ℎ ∙ 𝑁𝑑
𝑁𝑠𝑑
𝜐=
𝐴𝑐 ∙ 𝑓𝑐𝑑
A formulação direta do processo aproximado conduz:
𝐴 = 5∙ℎ
2 2
𝑁𝑑 ∙ 𝑙𝑒2
𝐴 ∙ 𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 + 𝐵 ∙ 𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 + 𝐶 = 0 {𝐵 = ℎ ∙ 𝑁𝑑 − − 5 ∙ ℎ ∙ 𝛼𝑏 ∙ 𝑀1𝑑,𝐴
320
𝐶 = −𝑁𝑑 ∙ ℎ2 ∙ 𝛼𝑏 ∙ 𝑀1𝑑,𝐴
−𝐵 + √𝐵 2 − 4 ∙ 𝐴 ∙ 𝐶
𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 =
2∙𝐴
Alternativamente, pode se utilizar para 𝑀𝑆𝑑,𝑡𝑜𝑡 o valor obtido da aplicação do método da
curvatura aproximada em um processo interativo
10. ÁBACO DE VENTURINI
𝑁𝑐𝑑
𝑣=
𝐴𝑐 ∙ 𝑓𝑐𝑑
𝑀𝑑
𝜇=
𝐴𝑐 ∙ ℎ ∙ 𝑓𝑐𝑑
𝐴𝑠 ∙ 𝑓𝑦𝑑
𝜔=
𝐴𝑐 ∙ 𝑓𝑐𝑑
𝐴𝑐 ∙ 𝑓𝑐𝑑 ∙ 𝜔
𝐴𝑠 =
𝑓𝑦𝑑
11. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS
11.1. COBRIMENTO
Permite-se ∆𝑐 = 5𝑚𝑚 em obras de adequado controle de qualidade. Deve se
adotar:
𝐶𝑛𝑜𝑚 > ∅𝑏𝑎𝑟𝑟𝑎
𝑑𝑚á𝑥 ≤ 1,2 ∙ 𝐶𝑛𝑜𝑚
11.2. DIÂMETRO DA BARRA
Deve se permitir a passagem do vibrador.
10 𝑚𝑚 ≤ ∅𝑏𝑎𝑟𝑟𝑎 𝑙𝑜𝑛𝑔𝑖𝑡𝑢𝑑𝑖𝑛𝑎𝑙 ≤ 𝑏/8
Onde 𝑏 é a menor dimensão do pilar.
11.3. ARMADURA LONGITUDINAL MÍNIMA E MÁXIMA
𝑁𝑑
𝐴𝑆,𝑚í𝑛 = 0,15 ∙ ≥ 0,004 ∙ 𝐴𝑐
𝑓𝑦𝑑
𝐴𝑆,𝑚á𝑥 = 8% ∙ 𝐴𝑐
11.4. DISPOSIÇÃO DAS BARRAS
Pelo menos uma barra em cada vértice nas seções poligonais. Em seções circulares,
no mínimo seis barras distribuídas ao longo do perímetro.
11.5. ESPAÇAMENTO
Espaçamento mínimo entre faces das barras longitudinais fora da região de emendas:
20 𝑚𝑚
𝑆𝑚í𝑛 ≥ { ∅𝑏𝑎𝑟𝑟𝑎
1,2 ∙ 𝑑𝑚á𝑥
Espaçamento máximo das barras longitudinais:
40 𝑐𝑚
𝑆𝑚á𝑥 ≤ {
2∙𝑏
Onde 𝑏 é a menor dimensão da seção no trecho considerado.
11.6. ESTRIBOS
11.6.1. DIÂMETRO MÍNIMO DOS ESTRIBOS
5 𝑚𝑚
∅𝑡 ≥ { ∅𝑙𝑜𝑛𝑔
4
11.6.2. ESPAÇAMENTO LONGITUDINAL MÁXIMO DOS ESTRIBOS
20 𝑐𝑚
𝑆𝑚á𝑥 ≤ { 𝑏 (𝑚𝑒𝑛𝑜𝑟 𝑑𝑖𝑚𝑒𝑛𝑠ã𝑜 𝑑𝑎 𝑠𝑒çã𝑜)
24∅ 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝐶𝐴 − 25, 12∅ 𝑝𝑎𝑟𝑎 𝐶𝐴 − 50
Recomenda se que os espaçamentos máximos entre os estribos sejam reduzidos
em 50% para concretos de classe C55 a C90 com inclinação dos ganchos de pelo menos
135°.
Os estribos devem ser colocados em toda a altura do pilar, inclusive na região de
cruzamento com vigas e lajes.
11.7. PROTEÇÃO CONTRA FLAMBAGEM DAS BARRAS
Os estribos poligonais garantem contra a flambagem as barras longitudinais situadas
em seus cantos e as por eles abrangidas, situadas no máximo à distância de 24∅𝑡 do canto,
se nesse trecho de comprimento, não houver mais de duas barras, não contando a de canto.
Quando houver mais de duas barras nesse trecho ou barra fora dele, deve haver
estribos suplementares. Se o estribo suplementar for constituído por uma barra reta,
terminada em ganchos 90° a 180° ele deve atravessar a seção do elemento estrutural, e os
seus ganchos devem envolver a barra longitudinal.
12. PASSO A PASSO
12.1. ESFORÇOS SOLICITANTES (𝑁𝑑 )
12.2. CASO A QUESTÃO NÃO DÊ O MOMENTO ATUANTE E SIM A
CARGA DA VIGA:
12.2.1. VÃO EFETIVO DA VIGA E PILAR
12.2.2. RIGIDEZ DA VIGA E TRAMOS DO PILAR
12.2.3. MOMENTO DE ENGASTAMENTO PERFEITO
12.2.4.
12.3. ÍNDICES DE ESBELTEZ
12.4. MOMENTO FLETOR MÍNIMO
12.5. EXCENTRICIDADE DE 1ª ORDEM (PARA PILARES DE BORDA E
CANTO)
12.6. ESBELTEZ LIMITE
12.7. MOMENTOS DE SEGUNDA ORDEM (CASO 𝜆 > 𝜆1 )
12.8. MOMENTO TOTAL
12.9. EXCENTRICIDADE TOTAL
12.10. ÁREA DE AÇO
12.11. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS (ESPAÇAMENTO, COBRIMENTO,
DIÂMETRO DAS BARRAS, ETC.)
FUNDAÇÕES
1. INTRODUÇÃO
Tem como principais requisitos garantir estabilidade da construção, capacidade de
carga do solo de apoio, capacidade de carga do solo por atrito, detalhamento adequado,
requer análise detalhada das características do solo, bem como sua suscetibilidade a
recalques e necessita de estudos de sondagem e ensaios de caracterização de resistência.
Sapatas e blocos são os mais econômicos nos casos em que podem ser empregados.
Nesta situação, os blocos são mais econômicos para casos de menores cargas (dispensa
custo com armadura).
Para manter recalques uniformes, ou para áreas próximas de sapatas, pode ser
utilizada uma fundação associada. Quando a situação acima ocorre em toda obra, e
quando há pequena diferença entre a área de fundação e a área total, pode ser adotado o
radier.
• Grande deslocamento → Estaca cravada
• Pequeno deslocamento → Estaca de aço ou concreto
• Sem deslocamento → Estaca de concreto
Fundações superficiais ou diretas são indicadas nos casos de solos de média ou boa
capacidade de carga e terrenos homogêneos. Em geral, constituem elementos estruturais
sem custo elevado, comportamento eficiente. Consistem basicamente de blocos, vigas de
fundação, sapatas e radiers e não requerem equipamentos específicos para o transporte.
Todas as partes da fundação rasa (direta ou superficial) em contato com o solo
(sapatas, vigas de equilíbrio etc.) devem ser concretadas sobre um lastro de concreto não
estrutural com no mínimo 5 cm de espessura, a ser lançado sobre toda a superfície de
contato solo-fundação. No caso de rocha, esse lastro deve servir para regularização da
superfície e, portanto, pode ter espessura variável, observado, no entanto o mínimo de 5
cm.
2. CLASSIFICAÇÃO
2.1. CLASSIFICAÇÃO QUANTO À RIGIDEZ
• Rígidas:
𝑎 − 𝑎𝑝
ℎ≥
3
Para a sapata rígida pode-se admitir plana a distribuição de tensões normais no
contato sapata-terreno, caso não se disponha de informações mais detalhadas a respeito.
• Flexíveis:
Para sapatas flexíveis ou em casos extremos de fundação em rocha, mesmo com
sapata rígida, essa hipótese deve ser revista.
𝑎 − 𝑎𝑝
ℎ<
3
Onde, 𝑎 é a dimensão da sapata em um direção, 𝑎𝑝 é a dimensão do pilar na mesma
direção e ℎ é a altura da sapata.
3. TENSÃO LIMITE
A partir de ensaios de caracterização, encontra-se a tensão limite (ou admissível),
𝜎𝑠𝑜𝑙𝑜 no solo, a ser verificadas com relação aos esforços atuantes na sapata:
𝑁+𝑃
𝜎𝑠𝑜𝑙𝑜 = ≤ 𝜎̅𝑠𝑜𝑙𝑜
𝐴𝑠𝑎𝑝𝑎𝑡𝑎
Em que: 𝑁, 𝑃 e 𝐴𝑠𝑎𝑝𝑎𝑡𝑎 são a carga normal, o peso próprio, e a área da sapata.
Deve ser considerado o peso próprio de blocos de coroamento ou sapatas ou no
mínimo 5% da carga vertical permanente. Adota-se forma geométrica da seção da sapata
igual à do pilar, bem como com dimensões proporcionais. Recomenda-se ℎ0 ≥ 10 𝑐𝑚
(Carvalho, 2003). Para Bastos (2016) e Campos (2015), a recomendação é de ℎ0 ≥
15 𝑐𝑚.
• Dimensão mínima em planta: 60 cm;
• • Profundidade mínima: Em divisas com terrenos vizinhos (exceto sobre rocha):
1,5 m. Em sapatas com dimensões ≤ 1,0m, a profundidade anterior pode ser
reduzida.
4. VERIFICAÇÃO À PUNÇÃO
Deve-se proceder com as recomendações para lajes à punção. A força de punção 𝐹𝑠𝑑
pode ser reduzida da força distribuída aplicada na face oposta da laje, dentro do contorno
considerado na verificação, C ou C’.
4.1. TENSÃO SOLICITANTE
• Para carga simétrica:
𝐹𝑠𝑑
𝜏𝑠𝑑 =
𝑢∙𝑑
𝑑𝑥 + 𝑑𝑦
𝑑=
2
Em que: 𝐹𝑠𝑑 é a força concentrada de cálculo, 𝑢 é o perímetro do contorno crítico C’
e 𝑑 é a altura útil ao longo de C’.
• Para efeito de momento:
𝐹𝑠𝑑 𝐾 ∙ 𝑀𝑠𝑑
𝜏𝑠𝑑 = +
𝑢∙𝑑 𝑊𝑝 ∙ 𝑑
Em que 𝐾 é o coeficiente que fornece a parcela de 𝑀𝑠𝑑 transmitida ao pilar por
cisalhamento, que depende da relação C1/C2.
o Para pilar de seção retangular:
𝐶12
𝑊𝑝 = + 𝐶1 ∙ 𝐶2 + 4 ∙ 𝐶2 ∙ 𝑑 + 16 ∙ 𝑑 2 + 2 ∙ 𝜋 ∙ 𝑑 ∙ 𝐶1
2
o Para pilar de seção circular:
𝑊𝑝 = (𝐷 + 4𝑑)2
Em que D é o diâmetro do pilar.
4.2. TENSÃO RESISTENTE
Tensão resistente na superfície crítica C’ em elementos estruturais ou trechos sem
armadura de punção. Superfície crítica C:
1
𝜏𝑆𝑑 ≤ 𝜏𝑅𝑑1 = 0,13 ∙ 𝑘𝑒 ∙ (100 ∙ 𝜌 ∙ 𝑓𝑐𝑘 )3 + 0,10 ∙ 𝜎𝑐𝑝
𝜌 = √𝜌𝑥 𝜌𝑦 ≤ 0,02
20
𝑘𝑒 = (1 + √ )≤2
𝑑
𝑁𝑆𝑑,𝑥 𝑁𝑆𝑑,𝑦
𝐴 + 𝐴𝑐
𝜎𝑐𝑝 = 𝑐
2
Em que: 𝜌 é a taxa geométrica de armadura de flexão aderente, 𝑘𝑒 é o coeficiente de
escala para punção, 𝑑 é a altura útil da laje ao longo do contorno crítico C’ e 𝜎𝑐𝑝 é a tensão
gerada pela força axial de compressão (exemplo: protensão) devido às forças axiais 𝑁𝑆𝑑,𝑥
e 𝑁𝑆𝑑,𝑦 .
𝜌𝑥 e 𝜌𝑦 são taxas de armaduras nas duas direções ortogonais calculadas da seguinte
forma: Na largura igual à dimensão ou área carregada do pilar acrescida de 3d para cada
um dos lados. No caso de proximidade da borda, prevalece a distância até a borda, quando
menor que 3d.
5. VERIFICAÇÃO DA TENSÃO DE CISALHAMENTO NO CONCRETO
5.1. TRAÇÃO DIAGONAL
ℎ − ℎ0
tan 𝛼0 =
(𝑎 − 𝑎𝑝 )/2
𝑎 − 𝑎𝑝
ℎ<
3
De acordo com CARVALHO (2003), o ângulo limite para a sapata ser classificada
como rígida é 𝛼0 = 33,69°. Como o cone de punção se forma com um ângulo entre 26°
e 30°, conclui-se que ele estará sempre fora da sapata. Dessa maneira, nas sapatas rígidas
não é preciso verificar a tração diagonal.
5.2. COMPRESSÃO DIAGONAL
𝑉𝑙
𝜏𝑆𝑑 = ; 𝜏 ≤ 𝜏𝑅𝑑 = 0,27 ∙ 𝛼𝑣 ∙ 𝑓𝑐𝑑
𝑢𝑝 ∙ 𝑑 𝑆𝑑
Em que: 𝜏𝑆𝑑 → é a tensão de cisalhamento solicitante de cálculo;
𝑉𝑙 → é a força cortante no perímetro do pilar; por segurança, pode ser a força normal do
pilar;
𝑢𝑝 → é o perímetro ao longo do contorno do pilar;
𝜏𝑅𝑑 → é a tensão de cisalhamento resistente de cálculo;
𝛼𝑣 = 1 − 𝑓𝑐𝑘 /250
6. DIMENSIONAMENTO À FLEXÃO
6.1. FORÇA DE COMPRESSÃO
𝐹𝑐1 = 𝑎𝑝 ∙ 0,80 ∙ 𝑥 ∙ 0,80 ∙ 𝑓𝑐𝑑
𝐹𝑐1 = 𝑎𝑝 ∙ 0,64 ∙ 𝑥 ∙ 𝑓𝑐𝑑
0,80 ∙ 𝑥 ∙ cot 𝛼 ∙ 0,80 ∙ 𝑥 ∙ 0,80 ∙ 𝑓𝑐𝑑
𝐹𝑐2 = 2 = 0,512 ∙ 𝑥 2 ∙ cot 𝛼 ∙ 𝑓𝑐𝑑
2
𝐹𝑐2 = 0,512 ∙ 𝑥 2 ∙ cot 𝛼 ∙ 𝑓𝑐𝑑
6.2. MOMENTO RESISTENTE
𝑀𝐹𝑐1 = 𝐹𝑐1 ∙ 𝑧1 = 𝑎𝑝 ∙ 0,64 ∙ 𝑥 ∙ 𝑓𝑐𝑑 ∙ (𝑑 − 0,4𝑥)
𝑀𝐹𝑐1 = 𝑎𝑝 ∙ 0,64 ∙ 𝑥 ∙ 𝑓𝑐𝑑 ∙ 𝑑 − 0,256 ∙ 𝑎𝑝 ∙ 𝑥 2 ∙ 𝑓𝑐𝑑
2
𝑀𝐹𝑐2 = 𝐹𝑐2 ∙ 𝑧2 = 0,512 ∙ 𝑥 2 ∙ cot 𝛼 ∙ 𝑓𝑐𝑑 ∙ (𝑑 − 0,8𝑥)
3
𝑀𝐹𝑐2 = 0,512 ∙ 𝑓𝑐𝑑 ∙ 𝑥 2 ∙ 𝑑 ∙ cot 𝛼 − 0,273 ∙ 𝑓𝑐𝑑 ∙ 𝑥 3 ∙ cot 𝛼
𝑀𝑑 = 𝑀𝐹𝑐1 + 𝑀𝐹𝑐2
6.3. CÁLCULO DA ARMADURA
𝐹𝑠 = 𝐹𝑐1 + 𝐹𝑐2
𝐴𝑠 𝑓𝑦𝑑 = 𝑎𝑝 ∙ 0,64 ∙ 𝑥 ∙ 𝑓𝑐𝑑 + 0,512 ∙ 𝑥 2 ∙ cot 𝛼 ∙ 𝑓𝑐𝑑
𝑓𝑐𝑑
𝐴𝑠 = (𝑎 ∙ 0,64 ∙ 𝑥 + 0,512 ∙ 𝑥 2 ∙ cot 𝛼)
𝑓𝑦𝑑 𝑝
6.4. MOMENTO SOLICITANTE
2
(𝑎 − 𝑎𝑝 )
[ ]
𝑘 2
𝑀𝑠 = 𝑏 ∙ 𝜎 ∙ 𝑘 ∙ =𝑏∙𝜎∙
2 2
2
(𝑎 − 𝑎𝑝 )
𝑀𝑠 = 𝑏 ∙ 𝜎 ∙
8
7. DETALHAMENTO DA ARMADURA DE FLEXÃO
• Distribuição uniforme da armadura da sapata ao longo de sua largura;
• A armadura deve-se prolongar de um extremo a outro da sapata;
• Devem ser posicionados ganchos nas extremidades;
• O espaçamento entre barras da armadura principal de flexão não deve ser maior
que 30 cm.
8. SAPATA EXCÊNTRICA
No caso de sapatas excêntricas, as cargas não passam pelo centro de gravidade, como
é o caso de divisas de terrenos. A distribuição de carga não uniforme aproximada para
uma distribuição linear.
Há duas possibilidades de distribuição de tensões: uma em compressão total da base
da sapata (distribuição trapezoidal) e outra com compressão parcial da base da sapata
(distribuição triangular), onde a parte onde há tração no solo deve ser desprezada.
Portanto, no primeiro caso a distribuição de tensões é trapezoidal e no segundo caso,
triangular.
8.1. DETERMINAÇÃO DAS TENSÕES NO SOLO
8.1.1. TODA A BASE EM CONTATO COM O SOLO
𝑁 𝑀 𝑏 ∙ ℎ3
𝜎= ± ∙𝑥 𝐼=
𝐴 𝐼 12
𝐴=𝑏∙ℎ 𝑁 12 ∙ 𝑁 ∙ 𝑒
𝜎= ± ∙𝑥
𝑏∙ℎ 𝑏 ∙ ℎ3
𝑀 =𝑁∙𝑒
As tensões de compressão (aqui admitidas positivas) máxima (𝜎𝑚á𝑥 ) e mínima
(𝜎𝑚í𝑛 ) são obtidas com o valor máximo de 𝑥, ou seja, para 𝑥 = ℎ/2 e, portanto:
𝑁 6∙𝑁∙𝑒
𝜎𝑚á𝑥,𝑚í𝑛 = ± ≥0
𝑏∙ℎ 𝑏 ∙ ℎ2
A expressão para as tensões máxima e mínima tem validade para a tensão mínima
positiva (tensão de compressão) ou nula, pois não é possível que se produzam tensões de
tração no solo. Para que elas não ocorram, deve-se ter, no limite 𝜎𝑚í𝑛 = 0. A tensão
máxima de compressão na borda da sapata, por segurança deverá ser limitada à tensão
admissível do solo.
𝜎𝑚á𝑥 ≤ 𝜎𝑎𝑑𝑚
Quando a distribuição de tensão no solo é linear e variável, a norma de fundações
permite usar:
𝜎𝑚á𝑥 ≤ 1,3 ∙ 𝜎𝑎𝑑𝑚
8.1.2. PARTE DA BASE EM CONTATO COM O SOLO
A situação limite para que ocorra tração em uma sapata é obtida igualando a zero a
expressão para tensão mínima de compressão total da base.
𝑁 6∙𝑁∙𝑒
𝜎𝑚í𝑛 = 0 = −
𝑏∙ℎ 𝑏 ∙ ℎ2
ℎ
𝑒=
6
Portanto, quando 𝑒 = ℎ/6 em qualquer sentido, não haverá tensões de tração. A área
delimitada por [−(ℎ/6) ≤ 𝑒 ≤ (ℎ/6) ] da sapata, em qualquer direção, é parte da região
chamada de núcleo central.
Quando a força normal 𝑁 tiver que passar fora da região do núcleo central, a
distribuição de tensões será triangular, pois não é possível haver tração.
Admite-se que a sapata tenha um comprimento fictício 𝑎 para efeito de cálculo das
tensões no solo, de modo que toda a reação do solo atue na região comprimida. O
equilíbrio entre a força aplicada e a resultante das tensões na sapata impõe que elas sejam
iguais e tenham a mesma linha de reação.
ℎ 𝑎
= +𝑒
2 3
𝑀
𝑒=
𝑁
A nova tensão de compressão na borda pode ser encontrada a partir da resultante das
tensões de compressão no solo.
𝜎′𝑎 ∙ 𝑎 ∙ 𝑏
𝑅=
2
Por equilíbrio 𝑅 = 𝑁:
2∙𝑁
𝜎′𝑎 = ≤ 𝜎𝑎𝑑𝑚
𝑎∙𝑏
9. PASSO A PASSO
9.1. ÁREA E DIMENSÕES DA SAPATA
9.2. PARA SAPATAS EXCÊNTRICAS: CONFERIR EXCENTRICIDADE E
𝑀 ℎ
NÚCLEO CENTRAL (𝑒 = < 6)
𝑁
9.3. PARA SAPATAS EXCÊNTRICAS: CONFERIR TENSÕES MÁXIMAS E
MÍNIMAS
9.4. ADOTAR ℎ0 E 𝛼0
9.5. VERIFICAR RIGIDEZ E TRAÇÃO DIAGONAL
9.6. CALCULAR ALTURA ÚTIL
9.7. VERIFICAR COMPRESSÃO DIAGONAL
9.8. CÁLCULO DO MOMENTO SOLICITANTE
9.9. CÁLCULO DA POSIÇÃO DA LINHA NEUTRA (𝑥)
9.10. CÁLCULO DA ÁREA DE AÇO
9.11. DISPOSIÇÕES CONSTRUTIVAS E DETALHAMENTO
ANEXOS
1. TABELA DE MOMENTOS DE ENGASTAMENTO PERFEITO
2. ÁREA DE AÇO E LARGURA MÍNIMA
3. MATERIAL DE ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO I
3.1. DOMÍNIO 1
Tração uniforme, sem compressão, -∞ < x < 0, concreto tracionado, aço no limite.
Não representa flexão.
3.2. DOMÍNIO 2
Flexão simples ou composta, 0 < x < x23, concreto bem aproveitado no εcu, aço
no limite.
3.3. DOMÍNIO 3
x23 < x < x34, concreto bem aproveitado, aço escoando.
3.4. DOMÍNIO 4
Aço mal aproveitado. Sugestão: aumento de h (altura), fixando 𝑏𝑤 (largura da
alma); Fixar 𝑥 como 𝑥34 ou seja, 𝛽𝑥 = 𝛽𝑥34 e adotar armadura dupla ou aumentar a
resistência do concreto.