COMPANHIA DE PESQUISA DE RECURSOS MINERAIS
SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL
SUPERINTENDÊNCIA REGIONAL DE MANAUS
RECURSOS MINERAIS
PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO MINERAL
EM MUNICÍPIOS DA AMAZÔNIA
PRIMAZ DE PRESIDENTE FIGUEIREDO
Superintendência Regional de Manaus
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
Raimundo Mendes de Brito
Ministro de Estado
SECRETARIA DE MINAS E METALURGIA
Otto Bittencourt Netto
COMPANHIA DE PESQUISA DE RECURSOS MINERAIS
CPRM – Serviço Geológico do Brasil
Diretor-Presidente
Carlos Oití Berbert
Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial
Gil Pereira de Souza Azevedo
Diretor de Geologia e Recursos Minerais
Antônio Juarez Milmann Martins
Diretor de Administração e Finanças
José Sampaio Portela Nunes
Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento
Augusto Wagner Padilha Martins
Chefe do Departamento de Gestão Territorial
Cássio Roberto da Silva
Chefe da Divisão de Gestão Territorial da Amazônia
Valter José Marques
Coordenador Nacional do PRIMAZ
Manoel da Redenção e Silva
Capa: Conjunto de draga, balsa e rebocador explorando seixo no rio Uatumã
Exploração de cassiterita na mina do Pitinga – Mineração Taboca S.A.
Fonte d’água da agroindústria Santa Claudia
Britador da “pedreira do Silvino” no Km 150 da BR – 174.
Imagem de Satélite LANDSAT TM5, bandas 5,4 e 3 – órbita 231/061 de 21/jun/97.
EQUIPE EXECUTORA
COMPANHIA DE PESQUISA DE RECURSOS MINERAIS – CPRM
SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL
Eduardo Araújo Monteiro (Geólogo – Chefe de Projeto)
Daniel Borges Nava (Geólogo)
Margley Costa Correia (Técnica em Mineração)
COLABORADORES
Afonso C. R. Nogueira (Geólogo – Universidade do Amazonas)
Manoel Roberto Pessoa ( Supervisor de Cartografia e Editoração – CPRM)
Nelson Joaquim Reis (Supervisor de Laboratório e Documentação – CPRM)
Renê Luzardo (Geólogo – CPRM)
Marcus Vinícius Popini (Geólogo – CPRM)
Alberta Amaral de Oliveira (Bibliotecária – CPRM)
EDITORAÇÃO
Maria Tereza da Costa Dias
RECURSOS MINERAIS
Eduardo Araújo Monteiro
1998
Superintendência Regional de Manaus
Fernando Pereira de Carvalho
Superintendente
Gerente de Hidrologia e Gestão Territorial
Ramiro Fernandes Maia Neto
Supervisor de Hidrologia
Emmanuel da Silva Lopes
Supervisor de Gestão Territorial
José Moura Villas Bôas
Gerente de Recursos Minerais
Miguel Martins de Souza
Supervisor de Levantamentos Geológicos
Sandoval da Silva Pinheiro
Supervisor de Pesquisas Especiais
Raimundo de Jesus Gato
Gerente de Relações Institucionais e Desenvolvimento
Ubiraci Fernandes de Moura
Supervisor de Cartografia e Editoração
Manoel Roberto Pessoa
Supervisor de Laboratório e Documentação
Nelson Joaquim Reis
Gerente de Administração e Finanças
Severino Ramos de Araújo
Supervisor de Administração
Cristiano Câmara
Supervisor de Finanças
Francisco de Assis Galdino da Silva
APRESENTAÇÃO
O Programa de Integração Mineral em Municípios da Amazônia – PRIMAZ –
desenvolvido pela CPRM – Serviço Geológico do Brasil – objetiva fornecer às
autoridades municipais e à iniciativa privada elementos necessários à elaboração de
planos de desenvolvimento e gerenciamento regionais, dotando o município de
informações básicas para o reconhecimento de seus recursos minerais, hídricos, de sua
aptidão agrícola, vegetação, ocupação do solo, regularização da exploração mineral,
sócioeconomia, aspectos fundiários e de infra-estrutura, turismo, preservação
ambiental, entre outros.
Para a realização de um projeto dessa envergadura a CPRM – Serviço
Geológico do Brasil – contou com a valiosa colaboração de diversos órgãos, federais,
municipais e da iniciativa privada: SEBRAE/AM – Serviço de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas do Estado do Amazonas, nos temas sócioeconomia e turismo;
EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, nos temas mapa de solos,
vegetação e aptidão agrícola; INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária, no tema aspectos fundiários; DNPM – Departamento Nacional da Produção
Mineral, no tema direitos minerários as secretarias e Prefeitura Municipal de
Presidente Figueiredo e o Departamento de Geologia da Universidade do Amazonas.
Este volume aborda os temas relacionados aos Recursos Minerais, enfocando
três proposições principais: Geologia, Recursos Minerais e Direitos Minerários.
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
1 INTRODUÇÃO 1
1.1 Histórico das Atividades 1
1.2 Localização e Acesso 1
2 INTERPRETAÇÃO DE PRODUTOS DE SENSORES REMOTOS 2
3 SÍNTESE GEOLÓGICA 2
3.1Trabalhos Anteriores 2
3.2 Introdução 2
3.3 Domínio I 2
3.3.1 Complexo Metamórfico Anauá 2
3.3.2 Granodiorito Água Branca 3
3.3.3 Granito São Gabriel 3
3.3.4 Grupo Iricoumé 4
3.3.5 Suíte Intrusiva Mapuera 4
3.3.6 Suíte Intrusiva Abonari 5
3.3.7 Formação Seringa 5
3.3.8 Formação Prosperança 5
3.4 Domínio II 6
3.4.1 Grupo Trombetas 6
3.4.2 Formação Alter do Chão 7
3.4.3 Lateritos e coberturas argilosas 8
3.4.4 Depósitos colúvio-aluvionares 8
4 RECURSOS MINERAIS 9
4.1 Materiais de Construção 9
4.1.1 Brita 9
4.1.2 Areia 10
4.1.3 Seixo 11
4.1.4 Lateritos e depósitos colúvio-aluvionares 11
4.1.5 Argila 12
4.2 Minérios 12
4.2.1 Ouro 12
4.2.2 Estanho 13
4.3 Água Subterrânea 14
5 FAVORABILIDADE PARA TIPOS DE JAZIMENTOS MINERAIS 15
5.1 Domínio Sedimentar 15
5.2 Domínio Básico 16
5.3 Domínio Granitóide 16
5.4 Domínio Vulcânico 16
5.5 Domínio Gnáissico 16
6 DIREITOS MINERÁRIOS 17
7 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 18
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 19
ANEXOS:
MAPA GEOLÓGICO
MAPA DE FAVORABILIDADE PARA TIPOS DE JAZIMENTOS MINERAIS
MAPA DE AUTORIZAÇÕES E CONCESSÕES MINERAIS
MAPA DE POTENCIALIDADE PARA CAPTAÇÃO DE ÁGUA SUBTERRÂNEA
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
1 INTRODUÇÃO com suas necessidades e carências, de
um número superior a 10 (dez) cartas
1.1 Histórico das Atividades temáticas, auxiliares incontestes do pla-
nejamento municipal.
A Companhia de Pesquisa de Recursos
Minerais – CPRM – Serviço Geológico Este programa, entretanto, não possui
do Brasil, desenvolvendo suas ativida- caráter hermético e exclusivo, sendo
des na Amazônia desde a década de 70, indispensável para o seu êxito, uma in-
tem comprovado a inexistência de in- tegração plena com a administração pú-
formações básicas dos órgãos públicos blica municipal, que deverá participar,
em praticamente todas as Prefeituras passo a passo, na consecução de seus
Municipais, mormente naquelas de me- objetivos, identificando claramente seus
nor porte, o que tem dificultado extre- anseios e necessidades, originando pro-
mamente o planejamento e a gestão do dutos de plena aceitação e real utilidade.
espaço municipal. Com o redireciona-
mento das diretrizes fundamentais da 1.2 Localização e Acesso
empresa ao longo dos últimos anos, a
execução de atividades distintas daque- O Município de Presidente Figueiredo
las tradicionalmente realizadas pela situa-se na porção nordeste do Estado
CPRM desde sua implantação, tem do Amazonas, Região Norte do Brasil e
conduzido a execução de projetos vol- tem seus limites definidos de acordo
tados mais diretamente à comunidade, com o Decreto N0 1.707 de 23 de outu-
dentro de uma nova filosofia de Geolo- bro de 1985, republicado no Diário Ofi-
gia Social, plenamente identificada com cial de 08. 09. 1986.
o Serviço Geológico do Brasil e com as
diretrizes básicas do Governo Brasilei- A norte faz fronteira com o Estado de
ro. Roraima, a leste com os municípios de
Urucará e São Sebastião do Uatumã, a
Desta maneira nasceu o Programa de sul com os municípios de Itapiranga,
Integração Mineral em Municípios da Rio Preto da Eva e Manaus e a oeste
Amazônia – PRIMAZ, implantado ini- com o município de Novo Airão. O
cialmente, no ano de 1993, em municí- município está delimitado pela linha do
pios do Estado do Pará, que objetivava Equador e o paralelo 3o00’00” e pelos
primordialmente fornecer mapas, em meridianos 61o30’00” e 58o30’00”, o-
escalas adequadas abordando temas do cupando parcialmente as folhas
próprio setor mineral. Entretanto, com- SA.20.X-B, SA.20.X-D, SA.20.Z-B,
provou-se que essa abordagem seria in- SA.21.V-A, SA.21.V-C, SA.21.Y-A e
suficiente às aspirações dos dirigentes perfazendo uma área de 24.781 km 2.
municipais, ampliando-a então, para
outros temas, cuja realização seria ne- O acesso é feito, por via terrestre, a par-
cessária a participação de outros órgãos tir da cidade de Manaus, pela Br-174,
de pesquisa, federais, estaduais ou mu- que corta o município de sul a norte.
nicipais. Assim, no estágio atual, o No km 107 desta rodovia localiza-se a
PRIMAZ dota o município de acordo sede municipal.
1
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
O município dispõe de pista de pouso tos em diversas escalas ao longo da dé-
para pequenas aeronaves na estrada cada de 70. Entre eles destacam-se o
AM-240. Existem ainda uma pista de Projeto RADAMBRASIL (esc.
pouso na vila do Pitinga de propriedade 1:1.000.000), o Projeto Norte da Ama-
da mineração Taboca e uma pista de zônia – Domínio baixo Rio Negro
pouso de aproximadamente 1 km de ex- (esc.1:500.000- CPRM, 1974), o Proje-
tensão próximo ao Sexto Batalhão de to Estanho de Abonari (esc.1:100.000-
Engenharia de Construção (6º BEC) do CPRM, 1976), o Projeto Sulfetos do
Exército Brasileiro. Uatumã (esc.1.100.000-CPRM, 1979).
A síntese da geologia aqui apresentada
O acesso fluvial pelo rio Uatumã é pra- é basicamente uma compilação de da-
ticamente inexistente. dos desses projetos com reinterpreta-
ções à luz de trabalhos mais recentes
2 INTERPRETAÇÃO DE PRODU- como Projeto Caracaraí (esc.1:500.000-
TOS DE SENSORES REMOTOS CPRM, no prelo) e colaboração de pes-
quisadores do Departamento do Geolo-
A interpretação de produtos de sensores gia da Universidade do Amazonas, no
remotos foi de suma importância na ob- que se refere à geologia do Fanerozóico.
tenção de informações apresentadas
neste relatório. Em praticamente todos 3.2 Introdução
os temas, o emprego de fotografias aé-
reas, imagens de radar e principalmente O município de Presidente Figueiredo
imagens de satélite, permitiu a aquisi- pode ser dividido em dois domínios
ção de dados atualizados e confiáveis, geológicos distintos. O primeiro, com-
conferindo credibilidade aos mapas te- posto por rochas proterozóicas, predo-
máticos gerados. minantemente ígneas e metamórficas
As fotografias aéreas, em escala de que integram a porção sul do Escudo
1:100.000 foram utilizadas na identifi- das Guianas, correspondendo à porção
cação dos limites geográficos do muni- setentrional do Cráton Amazônico, situ-
cípio, particularmente do limite norte, e ado a norte da bacia do Amazonas. O
as imagens de radar em escala segundo, por rochas fanerozóicas depo-
1:250.000 e de satélite em escala sitadas na própria bacia sedimentar in-
1:250.000 e 1:50.000, multiespectral tracratônica do Amazonas.
colorida, composta pelas bandas 3,4 e 5,
na interpretação da geologia, na delimi-
tação da rede rodoviária e na identifica- 3.3 Domínio I
ção do uso e ocupação do solo munici-
pal. 3.3.1 Complexo Metamórfico Anauá
3 SÍNTESE GEOLÓGICA Faria et al. (In: Projeto Caracaraí, C-
PRM, no prelo) reuniram sob a denomi-
3.1 Trabalhos Anteriores nação de Complexo Metamórfico A-
Na região do município de Presidente nauá um conjunto de rochas metamórfi-
Figueiredo foram realizados mapeamen- cas, provavelmente o mais antigo da
2
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
região, semelhantes às que ocorrem ao de granulação grossa, leucocrática, co-
longo do baixo rio Negro desde a vila loração esbranquiçada a cinzenta clara,
de Moura até foz do rio Branco. No ineqüigranular com fenoblastos de K-
presente relatório adota-se a nomencla- feldspato.
tura mais recente de Complexo Meta-
mórfico Anauá para designar uma se- Essa unidade ocorre na porção NE da
qüência de rochas metamórficas consti- folha SA.20.X-D-III e NW da folha SA.
tuída por migmatitos, gnaisses, granitos 21.V-C-I e estende-se para norte ocu-
e charnokitos, com ocorrências restritas pando as cabeceiras do rio Uatumã co-
de metabasitos e anfibolitos. A rochas mo também a bacia do igarapé Água
do Complexo Metamórfico Anauá ocor- Branca, afluente do rio Pitinga, que lhe
rem no município de Presidente Figuei- dá nome.
redo, a oeste da estrada BR-174, aflo-
rando na bacia do rio Pardo (folha Microscopicamente é composta essen-
SA.20-X-D-VI), e nas porções sudoeste, cialmente por plagioclásio, quartzo, K-
noroeste e oeste, da folha SA. 20-X-D- feldspato e biotita. O microclínio apre-
III. Ocorre desde a bacia do rio Pardo, senta-se predominantemente em pórfiro
para norte, constituindo uma área que centimétricos parcialmente alterados. O
diminui de extensão até o rio Santo An- plagioclásio é de composição oligoclá-
tônio do Abonari. Recobre uma área de sica, geminando segundo Albita e Albi-
aproximadamente 1.500 km2. As ro- ta–Carlsbad sendo que alguns de seus
chas que compõem esta unidade man- cristais apresentam zoneamento, altera-
têm a mesma direção estrutural, com ção a sericita e epidotização. A biotita
bandamento e foliação segundo a dire- encontra-se formando concentrações
ção NE com mergulho para SE. Com- esparsas na rocha, e está associada à
posicionalmente são caracterizadas pela hornblenda. Os minerais acessórios
presença constante de hornblenda em mais freqüentes são titanita e apatita que
todos os tipos litológicos e mostram ocorrem associados às concentrações de
sempre contatos concordantes entre si. minerais máficos.
Montalvão et al. (1975) obtiveram uma As datações geocronológicas reportadas
idade de 1.920 ±40 milhões de anos pe- por Santos & Reis Neto (1982) indicam
lo método potássio-argônio (K-Ar) em uma idade aproximada de 1.910 ± 47
anfibolito, e Gaudette et al. (1997) utili- milhões de anos, obtidas através do mé-
zaram o método urânio-chumbo (U-Pb) todo rubídio-estrôncio (Rb-Sr).
em zircão para datar um paragnaisse,
fornecendo valor de 2.235±19 milhões
3.3.3 Granito São Gabriel
de anos.
A unidade Granito São Gabriel é consti-
3.3.2 Granodiorito Água Branca tuída essencialmente por uma biotita
granito, com ocorrências restritas de
A unidade Granodiorito Água Branca é adamelitos. São rochas de coloração
composta por granodioritos, isótropos, rósea, por vezes adquirindo coloração
3
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
avermelhada. Afloram na serra homô- –174, e como encaixante dos corpos
nima como também a norte dessa serra graníticos da Suíte Intrusiva Mapuera.
nas imediações da Rodovia BR- 174, na
folha SA.20-X-D-III e principalmente Datações geocronológicas de Faria et al.
na folha SA.20-X-D-VI, com área de (op. cit.) apontam uma idade de 1.835 ±
ocorrência estimada em 700m2. A ca- 35 milhões de anos, obtida pelo método
racterística conspícua desta unidade é a rubídio/estrôncio (Rb/Sr).
presença constante de cristais de titani-
ta, geralmente anédricos e de granula- 3.3.5 Suíte Intrusiva Mapuera
ção grossa. O Granito São Gabriel é A denominação foi empregada pela
datado em 2.078 ± 66 milhões de anos. primeira vez, pela Geomineração
(1972), para designar corpos de rochas
granitóides localizados ao longo do rio
3.3.4 Grupo Iricoumé de mesmo nome, no Estado do Pará.
Esta mesma denominação foi estendida
A unidade Iricoumé foi definida por O-
para corpos aflorantes similares nos es-
liveira et al. (1975), para designar ro-
tados do Amazonas e Roraima, englo-
chas vulcânicas de composição ácida a
bando várias dezenas de intrusões que
intermediária aflorantes na serra Iri-
apresentavam certas variações composi-
coumé, alto curso do rio Mapuera, Es-
cionais e texturais.
tado do Pará, estendendo ainda suas ex-
posições para a porção sudeste do Esta- A Suíte Intrusiva Mapuera é representa-
do de Roraima. da por corpos granitóides anorogênicos.
Na área do município essa unidade é É constituída por granitos leucocráticos,
representada por rochas vulcânicas e róseos, eqüigranulares a ineqüigranula-
piroclásticas, tais como dacitos, tra- res de granulometria média a grossa,
quidacitos e andesitos basálticos. São geralmente isótropos e homogêneos,
rochas de composição dacítica a na- que apresentam composição monzogra-
desítica, com textura porfirítica, com nítica a sienogranítica. Apresentam-se,
fenocristais de feldspato esbranquiçado, por vezes, intensamente brechados,
róseo ou esverdeado, de hornblenda em principalmente próximo ao contato com
matriz afanítica cinza esverdeada ou outras unidades.
cinza arrocheada com ocorrência local A unidade ocorre principalmente nas
de sulfetos. Tipos afaníticos de compo- porções norte e leste da área municipal,
sição intermediária a ácida são subordi- correspondendo às folhas SA.20.X-B e
nados. SA.21.V-C, constituindo corpos arre-
dondados a ovalados alongados e mes-
O Grupo Iricoumé distribui-se irregu- mo irregulares, de dimensões variáveis.
larmente por todo o município. Na par-
te nordeste da folha AS.20-X-D-VI (ba- Datações geocronológicas feitas pelo
cia do igarapé Santo Antônio do Abona- método chumbo-chumbo (Pb-Pb) em
ri), na várzea do igarapé Canoas (piro- zircão, no laboratório da Universidade
clásticas), na pedreira do km 150 da BR Federal do Pará resultaram em uma ida-
de de 1.814 ± 27 milhões de anos.
4
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
3.3.6 Suíte Intrusiva Abonari mineral formador é o plagioclásio, se-
Araújo Neto & Moreira (1976) utiliza- guido do clinopiroxênio. A principal
ram o termo Abonari para designar o feição das rochas básicas dessa unidade
corpo de rocha granítica, da serra ho- é a presença de olivina, em alguns casos
mônima, aflorante no município de Pre- em maior proporção que o piroxênio. A
sidente Figueiredo, em torno do km 200 Formação Seringa ocorre na forma de
da BR-174. Esta unidade é constituída derrames com diques associados, e sua
dominantemente por rochas graníticas idade varia de 880 ± 25 a 1.164 ± 62
portadoras de anfibólio, geralmente leu- milhões de anos.
cocráticas, eqüigranulares, de granulo-
metria média a grossa, isótropas e ho- 3.3.8 Formação Prosperança
mogêneas, que apresentam coloração A Formação Prosperança de idade neo-
acinzentada a rósea. Segundo Faria et proterozóica pertencente ao Grupo Pu-
al.([Link].), mais a norte, há ampla pre- rus, aflora numa faixa estreita e descon-
dominância de rochas sienograníticas tínua de direção WSW-ENE, ao sul do
sobre as variedades monzograníticas e município de Presidente Figueiredo, ou
feldspato alcalino graníticas. Esta uni- em grabens balizados por lineamentos
dade a exemplo da Suíte Intrusiva Ma- WNW-ESE e NE-SW. As camadas des-
puera, representa corpos granitóides ta unidade exibem mergulhos de até 9o
anorogênicos e assinala um relevante para sul e consistem predominantemen-
paroxismo granítico no Escudo das te em arenitos arcosianos médios a
Guianas em torno de 1,5 bilhões de a- grossos, em conglomerados e siltitos de
nos. Datações realizadas pelo método coloração marrom avermelhada. Pre-
urânio-chumbo (U-Pb) em zircão indi- dominam como principais estruturas
cam uma idade aproximada de 1.545 ± sedimentares desta unidade as estratifi-
20 milhões de anos para esta unidade. cações cruzada acanalada, estra-
tificação e laminação plano-parelela es-
3.3.7 Formação Seringa
tratificação cruzada sigmoidal, lami-
No município foram registrados diver- nação cruzada cavalgante, estruturas de
sos derrames de rochas básicas, domi- sobrecarga e marcas onduladas. As lito-
nantemente alcalinas, das quais as mais fácies da Formação Prosperança estão
importantes são aquelas que afloram organizadas em uma sucessão retrogra-
próximas à confluência do igarapé Pi- dante representativa, em grande parte,
tinguinha com o rio Pitinga, na folha de um sistema deltaico. As melhores
SA.21-V-C-II. Afloram também di- exposições da Formação Prosperan-
ques alinhados com direção N-NE a ça no município alcançam até 12 m de
partir da bacia do rio Santo Antônio do espessura e são encontradas nos
Abonari até o limite norte do município, kms 129 e 160 da rodovia BR-174 (fo-
distribuindo-se ainda nas bacias dos rios to 3.1). Nestas áreas, esta unidade so-
Pardo e Uatumã com direção NW-SE. brepõe riolitos do Grupo Iricoumé, es-
A Formação Seringa está representada tando sotoposta pelas lateritas e cober-
no município por rochas básicas dos turas argilosas, bem como por depósitos
tipos gabros e diabásios. Seu principal coluvionares.
5
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
Foto 3.1 – Afloramento de arenito arcosiano da formação Prosperança no km 156 da BR-174
3.4 Domínio II branca acinzentada, que alcançam es-
pessuras aflorantes de até 7 m, com
3.4.1 Grupo Trombetas grãos arredondados e grânulos de quart-
zo disseminados. Os pelitos são subor-
O Grupo Trombetas é composto, da ba- dinados e as estruturas sedimentares-
se para o topo, pelos depósitos silici- predominantes são estratificação cruza-
clásticos das formações Nhamundá, Pi- da tabular, estratificação plano-paralela
tinga e Manacapuru inseridas no inter- e acamamento maciço, associados com
valo Siluro-Devoniano da Bacia do traços fósseis de Arthophycus e Skol-
Amazonas. É a unidade sedimentar thos. Porções mais deformadas desta
mais expressiva da parte sul do municí- unidade são caracterizadas por camadas
pio de Presidente Figueiredo, aflorando de diamictitos pelítico-arenosos e quart-
em uma faixa de direção WSW-ENE, zo-arenitos finos com abundantes estru-
com acamamento geralmente subori- turas glaciotectônicas.
zontal e localmente, subvertical, quando
A Formação Nhamundá foi depositada
próximo a zonas de falha. Este grupo
em ambiente litorâneo influenciado pela
recobre os sedimentos da Formação
ação dinâmica glacial. A Formação Pi-
Prosperança ao norte, e ao sul é sobre-
tinga é constituída por folhelhos com
posto discordantemente pelos depósitos
finas intercalações de arenitos finos
da Formação Alter do Chão e coberturas
com laminação ondulada, depositada
lateríticas, argilosas e colúvio-
em ambiente de plataforma marinha. A
aluvionares.
melhor exposição desta unidade, que
alcança 5 m de espessura, localiza-se no
A Formação Nhamundá é constituída km 108 da rodovia BR-174, quando re-
predominantemente de quartzo-arenitos cobre bruscamente os sedimentos da
finos a muito grossos, de coloração Formação Nhamundá (foto 3.2).
6
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
3.4.2 Formação Alter do Chão
A Formação Alter do Chão, de idade
Cretácica superior a Terciária, per-
tencente ao Grupo Javari, forma uma
extensa faixa ao sul do município e,
muitas vezes, ocorre confinada em gra-
bens terciários encaixados nas rochas
siluro-devonianas. É constituída, princi-
palmente, por arenitos feldspáti-
Foto 3.2 – Arenito fino da Formação Nhamun- cos/caulínicos, quartzo-arenitos e com-
dá coberto por folhelho de Formação Pitinga
glomerados (seixos de quartzo, pelito e
arenito) com estratificações cruzadas
A Formação Manacapuru forma uma acanalada e tabular, interpretados como
sucessão granocrescente ascendente depósitos de canais fluviais. Pelitos de
constituída por folhelhos negros e piri- inundação ocorremsubordinadamente e,
tosos ricos em quitinozoários e acritar- em geral, são bioturbados, (foto 3.4).
cas, ritmitos folhelho/arenito com mar-
cas onduladas, bioturbação e traços fós-
seis e arenitos maciços bioturbados de-
positados na transição do ambiente lito-
râneo para o de plataforma marinha. As
melhores exposições dessa unidade que
alcança até 18 m de espessura encontra-
se no trecho da BR-174 entre a cachoei-
ra da Suframa (km 96) até a ponte sobre
o rio Urubu no km 99, (foto 3.3).
Foto 3.3 – Folhelhos da Formação Manaca-
puru na margem esquerda do rio Urubu – BR- Foto 3.4 – Afloramento da Formação Alter do
174 km 99 Chão na rodovia BR-174
7
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
3.4.3 Lateritos e coberturas argilosas
Os colúvios formam camadas métricas
As crostas lateríticas formam horizontes e, às vezes, preenchem paleovales, sen-
de até 40 m de espessura sobre as for- do constituídos basicamente de areias
mações Prosperança, Nhamundá, Alter argilosas maciças e conglomerados com
do Chão e rochas ígneas, definindo uma arcabouço fechado e seixos de crosta
paleosuperfície irregular que trunca a laterítica, gibsita, quartzo, folhelhos fer-
topografia atual. São recobertas por ruginosos, arenitos e caulim semi-flint.
argilas que podem alcançar até 20 m de Os fragmentos são geralmente subangu-
espessura, sustentando platôs com alti- losos a subarredondados, alcançando
tudes em torno de 250 m, onde é diâmetros de até 10 cm. A matriz des-
comum a presença de horizontes gibsí- tes conglomerados é geralmente areno-
ticos. Estas crostas quando des- argilosa e argilo-arenosa com grânulos.
manteladas e transportadas, formam As estruturas encontradas nestes depósi-
camadas de conglomerados (stone la- tos são o acamamento gradacional, in-
yer) de até 1,5 m de espessura, ou li- verso e de colapso. São interpretados
nhas de pedras (stone line), constituídas como depósitos de fluxos canalizados e
exclusivamente por fragmentos de cros- gravitacionais formados durante a de-
ta laterítica dispersos em matriz fina (ar- nudação do relevo da região.
gilosa, argilo-arenosa e areno-argilosa).
Estas coberturas são interpretadas como As areias inconsolidadas são geralmente
perfis lateríticos maturos e imaturos observadas no topo e vertentes dos mor-
formados no intervalo Terciário Inferior ros da Formação Alter do Chão e pre-
a Plio-Pleistoceno (foto 3.5). enchendo drenagens atuais. São areias
maciças de coloração branca a rosada,
de granulometria média a grossa, com
grânulos e seixos esporádicos, orga-
nizados em pacotes métricos dispostos
irregularmente sobre uma superfície dis-
cordante sobre a Formação Alter do
Chão ou transicionando para esta com
típica mudança da coloração vermelha-
rosada para a branca. Em boas expo-
sições esta unidade alcança espessuras
métricas. São interpretadas como pro-
duto da lixiviação in situ dos se-
dimentos arenosos de formações mais
antigas, formando podzóis, deposição
Foto3.5 – Crosta laterítica recoberta por argila por fluxos gravitacionais ou ainda terra-
na BR-174 ços de rios abandonados.
3.4.4 Depósitos colúvio-aluvionares
8
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
4 RECURSOS MINERAIS da BR-174 (Agro-Indústria Martins Lt-
Do ponto de vista econômico, o muni- da. - pedreira do Silvino) (foto 4.1), e
cípio de Presidente Figueiredo apresen- no km 200 (pedreira no terreno do Sr.
ta vocação mineral para cassiterita (mi- Roberto), ambas em fase de expansão e
nério de estanho), para minerais não- conseqüentemente de aumento da pro-
metálicos para emprego na construção dução.
civil, assim como água subterrânea. E-
xistem também registros de ocorrências Na primeira encontra-se em funciona-
de ouro. mento um britador com capacidade de
britagem de 40m3/h além de outro com
4.1 Materiais de Construção
capacidade de 20m3/h (foto 4.2). Espe-
4.1.1 Brita ra-se atingir a produção de
Há no município de Presidente Figuei- 8.000m3/mês. A brita é produzida a par-
redo três pedreiras produzindo brita e tir de rocha vulcânica (dacito) do Grupo
duas pedreiras abandonadas. As mais Iricoumé (foto 4.3 e descrição petrográ-
importantes, encontram-se no km 150 fica).
Foto 4.1 – Frente de lavra da “Pedreira do Silvino”, BR-174 no km 150
Foto 4.2 – Britador existente na “Pedreira do Silvino”
9
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
Indústria e Comércio Ltda. – MICAD,
localizada nas cabeceiras do igarapé
Canoas e a pedreira utilizada pela PA-
RA-NAPANEMA no km 199 da BR-
174.
A brita é vendida a 25 reais/m3, porém
chega a Manaus a 44 reais/m3 devido ao
transporte rodoviário.
Foto 4.3 – Rocha vulcânica (dacito da Forma- Existem exposições de rochas graníticas
ção Iricoumé) explorada na “Pedreira do Silvi-
no”. Composição mineralógica: K-feldspato, no município, com bom padrão estético
Quartzo, Anfibólio, Calcita, Apatita, Clorita, para rocha ornamental. Nas pedreiras
Óxidos de ferro, Opacos. Obs.: Sem estimativa em funcionamento a rocha apresenta
percentual dos minerais devido à granulação fraturamento que impossibilita a extra-
muito fina ção/lavra de blocos com dimensões a-
A Segunda é utilizada na pavimentação propriadas para a indústria. Entretanto,
da BR-174 pelo Sexto Batalhão de En- existe possibilidade do comércio de pe-
genharia e Construção - 6º BEC, sendo dra de cantaria.
a rocha extraída através de explosivos,
4.1.2 Areia
transportada e britada. Atualmente é
explorada por uma firma privada em Depósitos de areia de pequeno e médio
acordo com o Sr. Roberto e britada in porte são comuns na região. Ocorrem
loco. A rocha britada é um granito da podzóis hidromórficos, de horizontes
Suíte Intrusiva Abonari (foto 4.4 e des- arenosos bifásicos, compostos por areia
crição petrográfica). “lavada” e areia com matéria orgânica,
de espessura variável, centimétrica à
métrica. O intemperismo das rochas se-
dimentares da região dá origem a dois
solos distintos, o latossolo amarelo e o
podzol hidromórfico. O horizonte are-
noso (podzol) é originado a partir de
processos geoquímicos e de lixiviação,
ocorrendo perda de argila e matéria or-
gânica do latossolo amarelo.
Foto 4.4 – Granito alcalino da Suíte Intrusiva Foram visitados dois areais próximos à
Abonari explorado na pedreira existente no km sede municipal. Um no km 110 da
200 da BR-174. Composição mineralógica: K-
feldspato (45%), Quartzo (25%), Plagioclásio
BR-174 (sítio de D. Raimunda Rosa),
(15%), Anfibólio (ferrohastingsita) (12%), Bio- de onde já se explotou cerca de 675m3
tita (3%). Minerais acessórios: Titanita, Opa- de areia (foto 4.5). O outro areal locali-
cos, Apatita, Zircão za-se no ramal do cemitério de onde se
explotou 2.400 m3 . A areia é utilizada
Algumas pedreiras estão desativadas no município, principalmente na cons-
como a Mineração Canoas, Engenharia, trução civil.
10
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
Foto 4.5 – Areal no km 10 da rodovia BR-174
4.1.3 Seixo
A exploração de seixo ocorre no rio
Uatumã, a jusante da represa de Balbi-
na. A extração é feita através de dragas
e o transporte em balsas com capacida-
de para 500m3 de material (foto 4.6).
Uma balsa é carregada com 500 m3 de
seixo em uma semana. O seixo é trans-
portado até Manaus sendo descarregado
na feira da Panair onde é vendido a Foto 4.6 – Conjunto de draga, balsa e
rebocador explorando seixo no Rio Uatumã
20 reais/m3.
Com o represamento do rio Uatumã pe-
la hidrelétrica de Balbina, existe a 4.1.4 Lateritos e depósitos colúvio-
tendência de esgotamento do seixo exis- aluvionares
tente no leito do rio, visto que não há
reposição natural desse material, em Lateritos ocorrem dispersos na área em
função da barragem. estudo, desenvolvendo-se a partir da
Formação Alter do Chão e de rochas
No dia em que a equipe do PRIMAZ graníticas da serra São Gabriel, prefe-
juntamente com técnicos do DNPM e rencialmente, no km 140 da Br-174. Os
do IBAMA percorreu o rio Uatumã, ha- horizontes colunar e concrecionário
via cinco dragas/balsas extraindo seixo dessa cobertura, podem ser largamente
do leito do rio. Destas cinco, apenas utilizados na pavimentação primária de
uma está regulamentada junto a Prefei- ruas e estradas, assim como os depósi-
tura de Presidente Figueiredo. tos coluvionares.
11
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
4.1.5 Argila No caso dessas unidades geológicas, os
representantes intermediários seriam os
Na área do município de Presidente Fi- mais favoráveis, notadamente os mon-
gueiredo, as argilas para fins econômi- zonitos, dioritos, latitos, andesitos etc.
cos podem estar associadas às rochas
sedimentares, ígneas e metamórficas. Com relação às rochas metamórficas, os
representantes da unidade Complexo
A associação às rochas sedimentares Metamórfico Anauá também podem
faz-se aos sedimentos da Formação compor antigas fontes de materiais argi-
Alter do Chão que podem conter mate- losos, isto é, desde que atendam às con-
riais argilosos, descritos por Albu- dições supramencionadas (ricas em
querque (1922), e denominando-o “a- feldspatos e pobres em quartzo). Estes
renito Manaus”, descrevendo-o como metamorfitos cobrem uma região cor-
“arenito consistente, branco caulíni- respondente a cerca de 30% da área do
co...”. No início da década de 70, o município.
Projeto Argila Manaus (Damião et al-
li, 1972) fazendo prospecção para ma- Na possibilidade de formação de depó-
teriais de construção civil no municí- sitos de argila sobre esses dois grupos
pio de Manaus, delimitou vários depó- de rochas (ígneas e metamórficas) men-
sitos de argila, alguns associados ao cionados nos parágrafos precedentes,
Alter do Chão. No município de Pre- deve ter havido uma forte contribuição
sidente Figueiredo, essa formação o- climática, promovendo destruição física
corre na sua porção sul, ocupando uma e decomposição química sobre as ro-
área de 1.150 km2 e distando da sede, chas preexistentes.
cerca de 10 km pela BR-174, e 70
km pela estrada que liga Presidente Tendo em vista as possibilidades natu-
Figueiredo a Balbina (AM– 240). Hoje rais para a formação de materiais argilo-
sabe-se que há um grande depósito de sos acima relatadas, a fim de se obter
caulim associado à Formação Alter do uma resposta mais contundente, é mui-
Chão no eixo da BR-174 (município to importante que se faça um trabalho
de Manaus). específico para prospecção de argilas na
região do município de Presidente Fi-
Quanto às rochas ígneas, as argilas po- gueiredo.
dem estar associadas às alterações de
litótipos plutônicos e vulcânicos, res- 4.2 Minérios
pectivamente, da Suíte Intrusiva Abona- 4.2.1 Ouro
ri, Suíte Intrusiva Mapuera, Granito São
Gabriel e Granodiorito Água Branca e Foram cadastradas três ocorrências de
Grupo Iricoumé. Tais unidades podem ouro durante a execução do Projeto Es-
se comportar como “protofontes” de tanho de Abonari, na bacia do igarapé
materiais argilosos, desde que se apre- Taboca, onde aflora o Granito São
sentem como ricas em minerais feldspá- Gabriel. Também foi detectado ouro
ticos e reduzida quantidade de quartzo.
12
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
em concentrados de bateia em afluen- A Mina do Pitinga é a maior produtora
tes do médio curso do rio Pitinga e de cassiterita do país, com uma produ-
baixo curso do rio Pitinguinha, em á- ção em 1997 em torno de 12.755 tone-
rea de rochas vulcânicas do Grupo Iri- ladas equivalentes a US$ 68.558.12
coumé, durante a execução do Projeto possuindo ainda um grande potencial
Sulfetos do Uatumã. Esta ocorrência, mineral com significativas reservas de
está em concordância com a relação cassiterita, zirconita, columbita, tanta-
estrutural assinalada pelo Projeto Ua- lita, criolita e xenotima (ver tabela a
tumã-Jatapu realizado em área contí- seguir).
gua ao município de Presidente Fi-
gueiredo, onde foi verificado que o A mina, onde o granito mineralizado
ouro pode estar relacionado à intrusão da Suíte Intrusiva Mapuera (foto 4.7 e
dos gabros e diabásios da Formação descrição petrográfica) vem sendo ex-
Seringa no Granodiorito Água Branca. plorado desde 1982, pertencia à Mine-
Entretanto, não há registro de ativida- ração Taboca, do Grupo Parana-
de garimpeira para esse metal. panema, hoje pertence a uma Socieda-
de Anônima cujo principal acionista é
um fundo de previdência do Banco do
4.2.2 Estanho Brasil, que manteve a razão social de
Mineração Taboca S.A. O minério a-
Os trabalhos da CPRM durante a dé- tualmente explorado é proveniente de
cada de 70, revelaram concentrações depósitos aluvionares e da rocha gra-
de estanho bem acima do background nítica intemperizada in situ. O minério
regional, em vários rios e igarapés na contido na rocha intemperizada deve
área do município de Presidente Fi- exaurir no fim do ano 2.000. O miné-
gueiredo e regiões circunvizinhas, re- rio de aluvião poderá ser explotado até
velando sua grande vocação mineral. 2.006 se confirmadas as reservas indi-
cadas e inferidas.
Reserva Kg/m3
SUBSTÂNCIA Produção Valor
Medida Teor Indicada Teor Inferida Teor (t/ano) (US$)
Cassiterita (aluvião) 12.972,091 0,929 16.877,178 0,670 22.065,329 0,332
Cassiterita (primário) 22.507,302 3,146 12.755 (estanho) 68.558.125
Zirconita 22.507,302 26,32 6.122,160 3,566
Columbita 22.507,302 5,318
Tantalita 22.507,302 0,515
Fonte: Mineração Taboca S/A.
Obs:
1. A produção de Estanho é uma projeção retirada de um informativo de agosto/97 da Mineração Ta-
boca S/A.
2. US$ 5.375 a tonelada de estanho, Gazeta Mercantil 31/12/97.
13
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
A empresa está concluindo estudos de te Figueiredo, mais precisamente onde
viabilidade técnica e econômica para afloram rochas da Formação Nhamundá
exploração do estanho contido na rocha constitui um aqüífero intergranular de
sã (não–intemperizada), e procura par- grande importância hidrogeológica. Im-
ceiros interessados em investir cerca de portância constatada pelas vazões dos
100 milhões de dólares em quatro anos poços executados na Vila de Balbina
para concretização desse projeto. em 1983 (que, se perfurados hoje, com
técnicas mais modernas, atingiriam va-
zões maiores) e pela excelente vazão da
fonte d’água Agroindústria Santa Clau-
dia (300m3/h).
A cidade de Presidente Figueiredo é
plenamente abastecida por água subter-
rânea proveniente da fonte Santa Clau-
dia. Fazendas, sítios e comunidades ru-
rais existentes ao longo da estrada AM-
Foto 4.7 – Granito com Riebeckita. Rocha per- 240 onde afloram rochas da Formação
tencente à Suíte Intrusiva Mapuera explorada
pela Mineração Taboca. Composição minera- Nhamundá podem perfeitamente ser
lógica: K-feldspato (40%), Quartzo (25%), An- abastecidas por poços tubulares com
fibólio (ferrohastingsita) (14%), Biotita (3%). cerca de 60m de profundidade e vazão
Minerais acessórios: Titanita, Opacos, Biotita, em torno de 5.000 l/h.
Epidoto, Criolita, Zinvaldita e Polilepidolita
Em parceria com o IPAAM – Instituto A seguir é apresentado o resultado do
de Proteção Ambiental do Estado do laudo emitido pela Seção de Águas
Amazonas e a Prefeitura de Presidente Minerais – SAM do DNPM, em 10 de
Figueiredo, a empresa investirá nos a- dezembro de 1986, contendo a compo-
nos de 1997 e 1998, a quantia de sição química provável, as cacterísti-
550.000 dólares na urbanização e infra- cas físico-químicas e a classificação
estrutura do Parque do Urubuí, preser- da água subterrânea da fonte Santa
vando o meio ambiente e incentivando Claudia. Laudo este, baseado no estu-
o turismo local, atendendo à resolução do “in loco” e posterior análise quími-
do CONAMA, de fevereiro de 1996. ca efetuada pelo Laboratório Central
de Análises Minerais – LAMIN da
4.3 Água Subterrânea CPRM em 1985, tendo como referên-
cia o processo do DNPM de número
A porção sul do município de Presiden- 880.229/83.
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PRIMAZ de Presidente Figueiredo
COMPOSIÇÃO QUÍMICA PROVÁVEL (MG/L)
Bicarbonato de Cálcio 0,81
Bicarbonato de Magnésio 2,95
Óxido de Alumínio 0,36
CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS
pH a 25º C 5,8
Temperatura da água na fonte 28º C
Condutividade elétrica a 25º C 1,50x10-5mhos/cm
Resíduo de evaporação a 180º C 19,00 mg/l
CLASSIFICAÇÃO
Segundo o Código de Águas Minerais, esta água classifica-se como “ Água
Mineral de Fonte Hipotermal”.
5 FAVORABILIDADE PARA TI- município, onde destacam-se os aluvi-
POS DE JAZIMENTOS MINE- ões, as coberturas lateríticas, a Forma-
RAIS ção. Alter do Chão, a Formação. Nha-
mundá e a Formação Prosperança. O
As ocorrências minerais da área do mu- domínio apresenta excelente favorabili-
nicípio de Presidente Figueiredo con- dade para bens minerais como seixo,
centram-se nos minerais não-metálicos areia e laterito ferruginoso. A areia pode
utilizados para a construção civil como: ser explorada no manto de intemperis-
areia, seixo e brita; e minerais metálicos mo, onde se concentra por processo de
como a cassiterita e, subordinadamente, lixiviação. O seixo, utilizado na cons-
zirconita, columbita, tantalita, criolita, trução civil no setor de concretagem,
xenotima e ouro. pode ser extraído através de dragagem
Com base nas características geológi- por sucção no leito ativo do rio Uatumã.
cas, o município foi dividido em cinco O laterito ferruginoso (tipo rochoso,
domínios, a saber: Sedimentar; Básico; amplamente utilizado na região), consti-
Granitóide; Vulcânico e Gnáissico. tui o principal componente do revesti-
mento das estradas, também conhecido
5.1 Domínio Sedimentar como piçarra. São crostas ferruginosas
que se desenvolvem sobre diferentes
Este domínio está representado pelas tipos litológicos, sendo dominantes em
formações sedimentares existentes no áreas onde ocorrem rochas granitóides e
15
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
rochas da Formação Alter do Chão. Se- ciaram ocorrência de ouro na bacia do
cundariamente, podem ser empregadas igarapé Taboca, onde aflora o Granito
na área de construção civil como com- São Gabriel. Epidoto e fluorita podem
ponentes de argamassa. Este domínio encontrar-se em associação com a mine-
apresenta também, grande favorabilida- ralização de cobre e molibdênio. Grani-
de para obtenção de água subterrânea, tóides como o Granodiorito Água Bran-
principalmente na Formação Nhamun- ca representam alvos à pesquisa de co-
dá. lumbita-tantalita. A proximidade de ser-
ras com importante via de acesso (BR -
5.2 Domínio Básico 174), torna de interesse o emprego des-
sas unidades como rocha ornamental ou
Este domínio está representado por der- brita. Os tipos, bastante variados, apre-
rames e diques básicos, de pequenas sentam cores cinza, rosa e branca, com
dimensões, dominantemente alcalinos destaque para o granito São Gabriel
da Formação Seringa, ocorrendo pre- com tonalidades avermelhadas e quartzo
dominantemente em formas irregulares levemente azulado, já sendo explorado
a elipsoidais. Apresentam potencialida- para obtenção de brita.
de mineral para a pesquisa de cromo,
níquel, cobre, platina, paládio e ouro. 5.4 Domínio Vulcânico
Concentrados de bateia acusaram a pre-
sença de ouro no baixo curso do rio Pi- Programas de pesquisa levados a efeito
tinguinha onde aflora esta unidade. Al- no passado em rochas vulcânicas (corre-
guns tipos litológicos como gabros e latas ao Grupo Iricoumé), demonstra-
diabásios apresentam extrema beleza se ram baixa favorabilidade para a pros-
utilizados como rocha ornamental, po- pecção de sulfetos. No entanto, análises
dendo representar espécimes de alta efetuadas em rocha têm evidenciado
qualificação e competitividade no mer- resultados preliminarmente interessan-
cado. tes para prata e ouro, principalmente em
áreas onde apresentam-se com intensa
5.3 Domínio Granitóide deformação. Existe grande favorabili-
dade na exploração dessa unidade para
Os granitóides das suítes Abonarí e obtenção de brita e pedra de cantaria no
Mapuera apresentam boa favorabilidade município.
para a presença de monazita, xenotímio,
anatásio, topázio, criolita, zirconita, co-
lumbita e tantalita (principalmente na 5.5 Domínio Gnáissico
suíte Mapuera), que tornam de interesse
a pesquisa para a cassiterita. Onde estas As rochas gnáissicas encontram-se re-
rochas granitóides encontram-se mais presentadas pela unidade Complexo
deformadas, abre-se a perspectiva para a Metamórfico Anauá. Uma associação
averiguação da ocorrência aurífera, mineral em cobre-ouro, cobre e cobre-
principalmente considerando-se a pre- molibdênio pode estar relacionada, es-
sença de ouro associado a veios quart- timando-se, no entanto, baixa favorabi-
zosos. Concentrados de bateia referen- lidade para a unidade.
16
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
Não se descarta a presença de ouro nes- - 32 áreas de Autorização de Pesquisa;
ses litotipos, bem como monazita e zir-
cão. - 02 áreas de Requerimento e Conces-
são de Lavra;
6 DIREITOS MINERÁRIOS
- 04 áreas de Concessão de Lavra e;
A atuação dos órgãos públicos ligados à
pesquisa mineral nos municípios tem - 08 áreas de Requerimento de Permis-
constatado o quase total desconheci- são de Lavra Garimpeira.
mento da legislação mineral e dos direi-
tos minerários sobre o subsolo, levando Convém destacar que 90% das áreas de
freqüentemente a situações de conflito requerimento de pesquisa encontram-se
entre proprietários do solo e requeren- na reserva indígena Waimiri Atroari,
tes de bens minerais. Com o propósito não podendo ser deferidas por impedi-
de subsidiar as unidades municipais mento legal.
com informações sobre os titulares das
áreas requeridas, procedeu-se à elabora- As substâncias requeridas são: cassite-
ção do mapa de direitos minerários, rita, zircônio, zirconita, zircão, zinco,
contemplando todos os requerimentos tântalo, tantalita, gema, granito orna-
de pesquisa e autorizações de pesquisa, mental, granito para revestimento, gra-
as respectivas datas de protocolo, área nito, wolframita, chumbo, cobre, ilme-
coberta e último evento, obtidas junto nita, água mineral, rutilo, molibidênio,
ao cadastro do Departamento Nacional hafnio, níquel, tungstênio, lítio, berilo,
da Produção Mineral - DNPM em Bra- ouro, ferro e ametista.
sília.
Foram relacionadas 05 (cinco) pessoas
O cadastro do DNPM revelou em físicas e 31 (trinta e uma ) jurídicas de-
08.04.98 a existência de 177 áreas de tentoras dos direitos minerários, estan-
direitos minerários, envolvendo cerca do as maiores quantidades de áreas com
de 1.269.853,00 ha, correspondentes a a empresa MIBREL – Mineração Brasi-
mais ou menos 50% da área do municí- leira de Estanho Ltda. com 27 (vinte e
pio, assim distribuídos: sete) áreas, equivalente a 233.383,00
ha, seguida da Mineração e Comércio
- 132 áreas de Requerimento de Pesqui- Maracajá Ltda. com 23 (vinte e três)
sa; áreas, envolvendo 215.636,00 ha..
17
PRIMAZ de Presidente Figueiredo
7 CONCLUSÕES E RECOMEN- A retirada de seixo do leito do rio Ua-
DAÇÕES tumã estará comprometida no futuro pe-
A execução do Programa PRIMAZ no la falta da reposição natural deste mate-
município de Presidente Figueiredo, rial em função da barragem do rio pela
abordando informações multidisciplina- Usina Hidrelétrica de Balbina.
res do meio físico, permitiu estabelecer É importante a realização de um traba-
as seguintes conclusões e recomenda- lho de pesquisa específico para argila na
ções: região, visto as grandes possibilidades
A - O quadro geológico regional é cons- naturais existentes para a formação des-
tituído por dois domínios distintos. O se tipo de depósito.
Domínio I de rochas do embasamento Há disponibilidade de pedra brita na re-
cristalino, predominantemente ígneas e gião, visto que existem três pedreiras
metamórficas, do Proterozóico. E o Do- em funcionamento e duas desativadas
mínio II de rochas sedimentares fanero- no município, e como há um indício de
zóicas da borda da bacia sedimentar do começo de esgotamento dos principais
Amazonas. rios explorados para seixo no estado do
B - Os recursos minerais importantes Amazonas, o rio Aripuanã e o rio Japu-
que requerem pesquisas complementa- rá, a exploração da brita deve aumentar.
res são: o ouro, com ocorrência na ba- Geograficamente, o município de Presi-
cia do igarapé Taboca, onde aflora o dente Figueiredo possui grande potenci-
Granito São Gabriel, como também no al para o fornecimento de brita para a
baixo curso do rio Pitinguinha, onde indústria da construção civil em Mana-
afloram os gabros e diabásios da For- us. A ocorrência de rochas graníticas e
mação Seringa; e a cassiterita, que ocor- vulcânicas a menos de 200 km da capi-
re em teores anômalos em igarapés: tal através da rodovia BR-174 indica
Mutuca, Bené, Serra, Água Branca e isto. Entretanto, a rocha britada em Pre-
Jaburu, que drenam a serra Abonari, sidente Figueiredo ainda tem preço de
margem direita do rio Uatumã. Há tam- venda ao consumidor mais alto que o
bém ocorrência de cassiterita em igara- seixo (R$ 44,00 o m3 de brita contra
pés que drenam o Granito São Gabriel, R$ 37,00 o m3 de seixo).
na margem esquerda do rio Uatumã. A existência de serras próximas à
O minério intemperizado in situ do gra- BR-174, a partir da borda da bacia se-
nito Madeira explorado na Mina do Pi- dimentar(serra São Gabriel e serra Abo-
tinga tende à exaustão no fim do ano nari), aponta para a possibilidade de ha-
2.000. O minério de aluvião poderá ser ver outros locais de interesse à prospec-
explorado até 2.006 se confirmadas as ção de brita no município. Consultando-
reservas indicadas e inferidas. Portanto, se o Mapa Autorizações e Concessões
o projeto de exploração do estanho con- Minerais, e o Mapa Geológico junta-
tido na rocha sã, através de parcerias mente com trabalho de campo utilizan-
com a iniciativa privada é importante do trado e/ou sondagem pode-se encon-
para manutenção da arrecadação muni- trar essas novas áreas de interesse, re-
cipal. sultando em um novo modelo de desen-
C - Materiais de Construção volvimento mineral para a região.
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PRIMAZ de Presidente Figueiredo
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