ENGENHARIA ELECTROMECÂNICA | 3º Ano | Manhã | 2022-2023
Trabalho académico de ELECTRÓNICA II
PROPOSTA DE CONCEPÇÃO DE UMA LUMINÁRIA
QUE SE ADAPTA À LUMINOSIDADE DO AMBIENTE E
COM PORTA USB
APLICAÇÃO DE DÍODOS, BJTS E MOSFETS
DOCENTE
___________________
Eng.º Martinho Vunda.
Benguela
Julho de 2023
DISCENTES
PMS NOME
318105 Adelcio Antonio
319810 Alfredo Mazebo
319381 Augusto Buta
319707 Aurelio Etande
318087 Catarina Pedro
316012 Catarina Beua
316400 Cecilia Chinoa
320265 Daniel Quessongo
308521 Edney Dos Santos
319290 Ernesto Lucalua
318983 Evert Laurindo
319761 Fernando Fonseca
318830 Inácio Casímiro
319246 João Pinto
319896 José Mataia
318989 Justino Capepula
318890 Katiliano Cunha
320036 Luís Matumona
319703 Mário Soma
319142 Ntela Victor
319073 Olívio Castigo
319560 Osvaldo Viombo
314686 Wilder Jamba
ORIENTADOR
_______________
Eng.º César Cano
Benguela
Julho de 2023
2
ÍNDICE
CAPÍTULO 1. Apresentação ............................................................................................ 8
CAPÍTULO 2. Teorias ................................................................................................... 11
2.1. Circuitos eléctricos (3)......................................................................................... 11
2.2. Electroestática (8) ................................................................................................ 14
2.2.1. Capacitores ................................................................................................... 15
2.3. Electromagnetismo .............................................................................................. 16
2.3.1. Indutores (3) ................................................................................................. 17
2.3.2. Transformadores (7) ..................................................................................... 18
2.3.3. Relés ............................................................................................................. 18
2.4. Semicondutores ................................................................................................... 19
2.4.1. Díodos........................................................................................................... 20
2.4.2. Transístores (7) ............................................................................................. 21
[Link]. BJT ........................................................................................................ 21
[Link]. MOSFET ............................................................................................... 23
2.5. Amplificadores Operacionais ............................................................................ 24
2.5.1. Comparador Com Alimentação Simples (1) ........................................... 24
2.5.2. Comparadores Com Histerese: Schmitt Trigger (1) ............................... 25
2.6. Células solar (7) ................................................................................................... 26
CAPÍTULO 3. Implementação teórica ........................................................................... 28
3.1. Fonte de Alimentação CA-CC (7) ....................................................................... 28
3.2. Controlador de bateria ......................................................................................... 29
3.3. Multiplexador de MOSFET ................................................................................. 30
3.5. Chave de BJT (7) ................................................................................................. 31
CAPÍTULO 4. Datasheets .............................................................................................. 33
3
4.1. Relé ...................................................................................................................... 33
4.2. BJT ...................................................................................................................... 33
4.3. AMPOP ............................................................................................................... 34
CAPÍTULO 5. Dimensionamento .................................................................................. 35
5.1. Resistências ......................................................................................................... 35
5.1.1. Schmitt Trigger ............................................................................................ 35
5.1.2. Chave de BJT ............................................................................................... 36
5.1.3. USB .............................................................................................................. 38
5.2. Fonte de alimentação CA-CC .............................................................................. 38
5.3. Rendimento.......................................................................................................... 39
4
ÍNDICE DE FIGURAS E TABELAS
Fig. 1 Estrutura de funcionamento. (Fonte: Autores) ....................................................... 8
Fig. 2 Simbologia de capacitor. (Fonte: Autores) .......................................................... 15
Fig. 3 Simbologia de indutor. (Fonte: Autores.) ............................................................ 17
Fig. 4 Simbologia de transformador. (Fonte: Autores) .................................................. 18
Fig. 5 Simbologia de relé. (Fonte: Autores) ................................................................... 19
Fig. 6 Simbologia de díodo.(7) ....................................................................................... 20
Fig. 7 Transístor bipolar npn e pnp.(7) ........................................................................... 22
Fig. 8 Regiões de operação. ............................................................................................ 22
Fig. 9 Representação por meio de esquema elétrico de um transistor NPN. (8) ............ 22
Fig. 10 Simbologia do MOSFET.(8) .............................................................................. 23
Fig. 11 Comparador com alimentação simples; resposta entrada/saída. (Fonte: Autores)
........................................................................................................................................ 25
Fig. 12 Schmitt trigger; Histerese. (Fonte: Autores) ...................................................... 25
Fig. 13 Fonte de alimentação CA-CC. (Fonte: Autores) ................................................ 28
Fig. 14 Controlador de bateria. (Fonte: Autores) ........................................................... 29
Fig. 15 Multiplexador de MOSFETs. (Fonte: Autores) ................................................. 30
Fig. 16 Multiplexador de chave de BJT. (Fonte: Autores) ............................................. 31
Fig. 17 Relé electromecânico 12VDC, características. .................................................. 33
Fig. 18 Características típicas de BD135 ....................................................................... 34
Fig. 19 Características típicas de amp-ops. .................................................................... 34
Tab. 1 Características ideias e reaias de amp-ops. (1) .................................................... 34
Fig. 20 Dados e Incógnitas no Schmitt Trigger. (Fonte: Autores) ................................. 35
Fig. 21 Dados e Incógnitas na chave de BJT. (Fonte: Autores) ..................................... 36
Fig. 22 Dados e Incógnitas no USB. (Fonte: Autores) ................................................... 38
5
RESUMO
Este trabalho académico consiste em conceber uma luminária que se adapta à
luminosidade do ambiente e com saída USB de cinco volts a fim de implementar teorias
de díodos, BJT e MOSFET respectiamente em rectificador de onda completa,
multiplexador de MOSFETs e chave de BJT.
Palavras-chaves: rectificador de onda completa, Multiplexador de MOSFET e Chave de
BJT.
6
INTRODUÇÃO
A sensibilização sobre o uso da energia eléctrica visando eficiência e
sustentabilidade energética reflecte directamente no custo de vida por este motivo se
buscam novas formas de economizar energia e sistemas de iluminação mais eficiente
tendo como objectivo adaptar a sua intensidade luminosa automaticamente, levando em
consideração o aproveitamento da luminescência natural do local aplicado. Resultando
desta maneira, uma optimização no consumo de energia eléctrica em dias com uma
intensidade luminosa natural mais intensa. E em dias mais escuros, uma melhor correcção
luminosa no ambiente.
JUSTIFICATIVA
O programa curricular do curso engenharia tem como essência interligar os
conhecimentos e promover o autodidactismo através de trabalhos académicos de
investigação científica. Nesta senda, o desafio dos estudantes consiste em elaborar o tema
em questão.
PROBLEMA DE INVESTIGAÇÃO
Como implementar rectificador de onda completa, multiplexador de MOSFETs e
chave de BJT na concepção de uma luminária que se adapta à luminosidade do ambiente
e com saída USB de cinco volts?
OBJECTIVOS
A revisão da literatura é o objectivo geral, e este consiste em pesquisar todas as
fontes possíveis desde os livros até aos titulares experientes.
A conceitualização do tema e o enquadramento dos assuntos compõem os
objectivos específicos do presente trabalho académico.
7
CAPÍTULO 1. APRESENTAÇÃO
Neste capítulo se apresenta a estrutura de funcionamento da nossa proposta.
Fig. 1 Estrutura de funcionamento. (Fonte: Autores)
8
A luminária que se adapta à luminosidade do ambiente e com porta de saída USB
de cinco volts terá dois sistemas fundamentais, de potência e de comando.
No sistema de potência estão as fontes de alimentação divididas pelas seguintes:
Sinal de doze voltes da bateria que sustenta o sistema de comando;
Fonte de alimentação CA-CC e Bateria que alimentam a célula de LEDs e a porta
de saída USB de cinco volts através do multiplexador de MOSFETs;
Célula solar que carrega a bateria.
E o sistema de comando consiste em um controlo predefinido e se divide pelos
seguintes:
Controlador de bateria para carregar a bateria com a célula solar se precisar;
Multiplexador de MOSFETs que opta a bateria carregada como fonte alimentação
entre as fontes da célula de LEDs e do USB; e
Chave de BJT para ligar a luminária se necessitar.
A constituição da luminária é feita pelos seguintes:
Fonte de alimentação CA-CC:
Transformador 220-15V CA;
Quatro díodos R2KY para rectificar em onda completa;
35V 4700µF Capacitor;
LM7812 Reguladores de tensão;
USB 5V;
Bateria 15V;
Controlador de bateria:
LM741 Amplificador operacional como comparador com histerese;
Resistências de 0,25W;
IRFZ44N MOSFET N ;
Díodo para impedir que a energia da bateria alimente a célula solar;
Célula solar 24V;
9
Multiplexador de MOSFETs:
IRFZ44N MOSFET N;
IRF9530 MOSFET P;
Dois díodos para garantir um sentido de alimentação;
Chave de BJT:
LM741 Amplificador operacional como comparador;
Resistências de 0,25W;
BD135 BJT NPN;
Relé electromecânico 30mA 12VCC;
Célula de LEDs 12V 10W.
10
CAPÍTULO 2. TEORIAS
Neste capítulo é definido alguns conceitos básicos dos componentes e leis básicas
que sustentam o princípio de funcionamento e os respectivos dimensionamentos.
As teorias de circuitos eléctricos e de electromagnetismo são as duas teorias
fundamentais sobre as quais todos os campos da engenharia eléctrica se baseiam. (3)
2.1. CIRCUITOS ELÉCTRICOS (3)
Eis alguns conceitos básicos de circuitos eléctricos:
Circuito eléctrico é uma interconexão de elementos eléctricos.
Carga é uma propriedade eléctrica das partículas atómicas que compõem a
matéria, medida em coulombs (C).
Corrente eléctrica é o fluxo de carga por unidade de tempo, medido em amperes
(A).
𝑑𝑞 1.1
𝑖=
𝑑𝑡
1 ampere = 1 coulomb / segundo
Corrente contínua (CC) é uma corrente que permanece constante ao longo do
tempo.
Corrente alternada (CA) é uma corrente que varia com o tempo segundo uma
forma de onda sinodal.
Tensão (ou diferença de potencial) é a energia necessária para deslocar uma
carga unitária através de um elemento, medida em volts (V).
𝑑𝑤 1.2
𝑣𝑎𝑏 =
𝑑𝑞
1 volt = 1 joule / coulomb = 1 newton-metro / coulomb
11
Potência é a velocidade com que se consome ou se absorve energia, também é o
produto da tensão pela corrente, medida em watts (W).
𝑑𝑤 1.3
𝑃= = 𝑣. 𝑖
𝑑𝑡
1 watt = 1 volt ampere
Existem dois tipos de elementos encontrados nos circuitos eléctricos: elementos
passivos e elementos activos. Um elemento activo é capaz de gerar energia enquanto um
elemento passivo não é. Exemplos de elementos passivos são resistores, capacitores e
indutores; os elementos activos típicos são geradores, baterias e amplificadores
operacionais.
Uma fonte independente ideal é um elemento activo que fornece uma tensão
especificada ou corrente que é completamente independente de outros elementos do
circuito.
Uma fonte dependente (ou controlada) ideal é um elemento activo no qual a
quantidade de energia é controlada por outra tensão ou corrente.
Determinar de forma efectiva os valores das variáveis em dado circuito requer a
interpretação de algumas leis fundamentais que regem os circuitos eléctricos, como a lei
de Ohm e as leis de Kirchhoff: (3)
A lei de Ohm afirma que a tensão em um resistor é directamente proporcional à
corrente através dele.
𝑣 = 𝑖. 𝑅 1.4
1 volt = 1 ampere ohm
A resistência R de um elemento representa sua capacidade de resistir ao fluxo de
corrente eléctrica, ela é medida em ohms (Ω).
𝑣 1.5
𝑅=
𝑖
1ohm= 1 volt / 1 ampere
Condutância G é a capacidade de um elemento conduzir corrente elétrica medida
em mho (℧) ou siemens (S).
12
1 𝑖 1.6
𝐺= =
𝑅 𝑣
1 siemens = 1 mho = 1 ampere / 1 volt
Em um resistor, a corrente flui de um potencial mais elevado para um potencial
mais baixo.
Um curto-circuito eléctrico é um resistor (um fio perfeitamente condutor) com
resistência zero (R = 0). Um circuito aberto é um resistor com resistência infinita (R =
∞).
Ramo representa um elemento único como fonte de tensão ou resistor.
Nó é o ponto de conexão entre dois ou mais ramos.
Laço é qualquer caminho fechado em um circuito.
O número de ramos b, o número de nós n e o número de laços independentes em
uma rede estão relacionados da seguinte forma:
𝑏 =𝑙+𝑛−1 1.7
Dois elementos estão em série quando estiverem conectados, sequencialmente,
com a extremidade de um na extremidade do outro e, consequentemente, lhes são
percorricos pela mesma corrente (i1 = i2).
Quando dois resistores R1 (=1/G1) e R2 (=1/G2) estão em série, sua resistência e
condutância equivalentes, Req e Geq, são:
𝑅𝑒𝑞 = 𝑅1 + 𝑅2 1.8
1 1 1
= +
𝐺𝑒𝑞 𝐺1 𝐺2
Dois ou mais elementos estão em paralelo se eles estiverem conectados aos
mesmos dois nós e, consequentemente tiverem a mesma tensão entre eles (v1 = v2).
Quando dois resistores R1 (=1/G1) e R2 (=1/G2) estão em paralelo, sua resistência
e condutância equivalentes, Req e Geq, são:
𝐺𝑒𝑞 = 𝐺1 + 𝐺2 1.9
13
1 1 1
= +
𝑅𝑒𝑞 𝑅1 𝑅2
O princípio da divisão de tensão para dois resistores em série é:
𝑅1 1.10
𝑣1 = 𝑣
𝑅1 + 𝑅2
𝑅2
𝑣2 = 𝑣
𝑅1 + 𝑅2
O princípio da divisão de corrente para dois resistores em paralelo é:
𝑅1 1.12
𝑖2 = 𝑖
𝑅1 + 𝑅2
𝑅2
𝑖1 = 𝑖
𝑅1 + 𝑅2
A lei de Kirchhoff para corrente (LKC) diz que a soma algébrica das correntes
que entram em um nó (ou um limite fechado) é zero. Isto é, a soma das correntes que
entram em um nó é igual à soma das correntes que saem desse nó.
𝑁 1.13
∑ 𝑖𝑛 = 0
𝑛=1
A lei de Kirchhoff para tensão (LKT) diz que a soma algébrica de todas as
tensões em torno de um caminho fechado (ou laço) é zero. Isto é, a soma das quedas de
tensão é igual à soma das elevações de tensão.
𝑀 1.14
∑ 𝑣𝑚 = 0
𝑚=1
2.2. ELECTROESTÁTICA (8)
Eis algumas considerações das teorias da electroestática:
Existem duas espécies de cargas eléctricas, positiva e negativa, tal que cargas de
sinais opostos se atraem e de mesmo sinal se repelem. E elas são conservadas e
quantiadas.
A lei de Coulomb afirma que a força electroestática Fe entre duas partículas
carregadas e estacionárias, separadas por uma distância r, tem o módulo dado por:
14
|𝑞||𝑞0 | 2.1
𝐹𝑒 = 𝑘𝑒
𝑟2
𝑘𝑒 = 8,99 . 109 N . m 2 / C 2
Um campo eléctrico existe em um ponto no espaço se uma carga de prova
positiva q0 colocada neste ponto experimentar uma força eléctrica Fe.
𝐹𝑒 2.2
𝐸=
𝑞0
Um campo devido uma carga pontual q a uma distância de r da carga é:
|𝑞| 2.3
𝐸 = 𝑘𝑒
𝑟2
Quando uma carga de prova positiva q0 é deslocada entre os pontos A e B em um
campo eléctrico E, a variação na energia potencial ∆U é:
𝐵 2.4
∆𝑈 = −𝑞0 ∫ 𝐸. 𝑑𝑠
𝐴
A diferença de potencial ∆V entre os pontos A e B em um campo eléctrico E é
definido como a variação da energia potencial ∆U dividida pela carga de prova q0.
𝐵
∆𝑈 2.5
∆𝑉 = = − ∫ 𝐸. 𝑑𝑠
𝑞0 𝐴
Onde o potencial eléctrico V é uma grandeza escalar e tem a unidade joule por coulomb,
definida com 1 volt (V).
2.2.1. CAPACITORES
Capacitor é um elemento passivo projectado para armazenar energia em seu
campo eléctrico. Ele consiste em dois condutores iguais e opostamente carregados com
uma diferença de potencial ∆V entre eles. A capacitância C de qualquer capacitor é
definida como a razão entre o módulo da carga Q em cada condutor e módulo da diferença
de potencial ∆V.
Fig. 2 Simbologia de capacitor. (Fonte: Autores)
15
𝑄 2.6
𝐶=
∆𝑉
A unidade SI de capacitância é coulomb por volt, ou farad F, e 1 F = 1 C / V.
(3) A relação corrente-tensão do capacitor consiste em:
1 𝑡 2.7
𝑣(𝑡) = ∫ 𝑖(𝜏)𝑑𝜏 + 𝑣(𝑡0 )
𝐶 𝑡0
Se dois ou mais capacitores são conectados em paralelo, a diferença de potencial
em cada um deles tem de ser a mesma. Logo:
𝐶𝑒𝑞 = 𝐶1 + 𝐶2 2.8
Caso os capacitores estão conectados em série, as cargas neles são as mesmas, de modo
que:
1 1 1 2.9
= +
𝐶𝑒𝑞 𝐶1 𝐶2
É necessária uma energia para carregar um capacitor, porque o processo de carga
é o equivalente a transferir cargas de um condutor a um potencial mais baixo para outro
condutor a um potencial mais alto. A energia potencial eléctrica U armazenada no
capacitor é:
𝑄2 1 1 2.9
𝑤= = 𝑄. ∆𝑉 = 𝐶(∆𝑉)2
2𝐶 2 2
2.3. ELECTROMAGNETISMO
Eis algumas considerações das teorias do electromagnetismo:
Campo magnético é um campo de forças que existe em redor de um corpo
magnético. (5)
A intensidade e a direcção do campo magnético podem ser dadas em termos de
densidade de fluxo magnético (ou indução magnética) B, medida em tesla T. (5)
Condutor percorrido por corrente eléctrica produz campo magnético – lei de
Ampere. (4)
16
Campo magnético provoca acção de uma força magnética sobre um condutor
percorrido por corrente eléctrica. (4)
Fluxo Magnético variante sobre um condutor gera (induz) corrente eléctrica – Lei
de Faraday e Lenz. (4)
2.3.1. INDUTORES (3)
Indutor é um elemento passivo projectado para armazenar energia em seu campo
magnético. Um indutor consiste em uma bobina de fio condutor.
Fig. 3 Simbologia de indutor. (Fonte: Autores.)
Indutância L é a propriedade segundo a qual um indutor se opõe à mudança do
fluxo de corrente através dele, medida em henrys (H).
𝑑𝑖(𝑡) 3.1
𝑣(𝑡) = 𝐿
𝑑𝑡
A indutância de um indutor depende de suas dimensões físicas e de sua
construção.
𝑁 2 𝜇𝐴 3.2
𝐿=
𝑙
Onde N é o número de espiras, l é o comprimento, A é a área da seção transversal e µ é a
permeabilidade do núcleo.
Um indutor atua como um curto-circuito em CC.
A indutância equivalente de indutores conectados em série é a soma das
indutâncias individuais.
𝐿𝑒𝑞 = 𝐿1 + 𝐿2 3.3
A indutância equivalente de indutores paralelos é o inverso da soma dos inversos
das indutâncias individuais.
17
1 1 1 3.4
= +
𝐿𝑒𝑞 𝐿1 𝐿2
O indutor é projectado para armazenar energia em seu campo magnético. A
energia armazenada é:
1 2 3.5
𝑤= 𝐿𝑖
2
2.3.2. TRANSFORMADORES (7)
Um transformador básico é dispositivo de quatro terminais que é capaz de
transformar uma tensão AC de entrada Vp em uma tensão CA alta ou baixa de saída Vs
(transformadores não são definidos para aumentar ou baixar tensões CC). Um típico
transformador consiste em duas ou mais bobinas que compartilham o mesmo metal
laminado. Uma das boninas é chamada de primário (número de espira Np), enquanto a
outra bobina é chamada de secundário (número de espira Ns).
Fig. 4 Simbologia de transformador. (Fonte: Autores)
Quando uma tensão AC é aplicada sobre a bobina do primário, uma variação de
fluxo magnético origina-se do primário, propaga-se através do metal laminado, e passa
através da bobina no secundário. (O metal aumenta a indutância, e a laminação diminui
o consumo da intensidade da corrente.) De acordo com a lei de indução de Faraday, a
variação do fluxo magnético induz uma tensão no interior da bobina no secundário.
𝐿𝑆 𝑉𝑆 2 3.6
=( )
𝐿𝑃 𝑉𝑃
2.3.3. RELÉS
18
Relé é um dispositivo eléctrico ou electrónico no qual uma variação na intensidade
da corrente num circuito controla a intensidade da corrente num segundo circuito. O mais
simples é um relé electromecânico, no qual o primeiro circuito fornece energia a um
electroíman, que opera como um comutador num segundo circuito. (5)
Fig. 5 Simbologia de relé. (Fonte: Autores)
No relé electromecânico tem uma bobina, um núcleo de aço que fornece um
caminho de baixa relutância para o fluxo magnético, uma armadura de aço móvel e um
conjunto (s) de contactos presos a molas. Enquanto a bobina não se mantém energizada,
a força das molas mantém os contactos em estado de repouso de modo a existir uma
lacuna de ar no circuito magnético. O estado de repouso pode ser normalmente fechado
(NF) ou normalmente aberto (NA), a depender da função do relé no circuito. Quando a
bobina recebe a corrente eléctrica, a armadura movimenta-se em direcção ao núcleo,
atraída pelo campo magnético gerado, movimentando mecanicamente o contacto ou
contactos ligados a esta armadura. No instante em que a força magnética gerada pela
circulação de corrente na bobina se torna maior que a força das molas, o contacto é atraído
fisicamente, sai do estado de repouso e muda a condição do circuito para aberto (se for
normalmente fechado) ou fechado (se for normalmente aberto). Quando a circulação de
corrente através da bobina cessa, a bobina não é energizada e o contacto volta ao estado
de repouso por força da mola. (6)
Se a bobina é energizada em tensão CC (corrente contínua), um díodo é
frequentemente instalado na bobina, para dissipar a energia do campo magnético em
colapso na desativação, o que de outra forma poderia gerar um pico de tensão perigosa
para os componentes do circuito. (6)
2.4. SEMICONDUTORES
Materiais são classificados pela sua capacidade de conduzir electricidade.
Substâncias que conduzem facilmente uma corrente eléctrica são chamados de
19
condutores. Materiais que têm dificuldade de conduzir uma corrente eléctrica são
referidos como isoladores. Há uma terceira categoria de material que a condutividade
engana-se entre condutores e isoladores. Esta terceira categoria é referida como
semicondutores. Um semicondutor tem um tipo de condutividade neutra. (7)
2.4.1. DÍODOS
Um díodo é um dispositivo semicondutor de dois condutores que atua como uma
porta unidireccional para o fluxo de corrente eléctrica. Quando a ponta do ânodo de um
díodo se torna mais positiva em tensão do que a ponta do cátodo - uma condição
conhecida como polarização directa - a corrente pode fluir através do dispositivo. No
entanto, se as polaridades forem invertidas (o ânodo se torna mais negativo em tensão do
que o cátodo) - uma condição conhecida como polarização reversa - o díodo age para
bloquear o fluxo de corrente. (8)
Fig. 6 Simbologia de díodo.(7)
O recurso de porta unidireccional de um díodo não funciona o tempo todo. Ou
seja, é necessária uma tensão mínima para ligá-lo quando colocado na direcção de
polarização directa. Normalmente, para díodos de silício, é necessária uma tensão
aplicada de 0,6 V ou maior; caso contrário, o díodo não conduzirá. Esse recurso de exigir
uma tensão específica para ligar o díodo pode parecer uma desvantagem, mas, na verdade,
esse recurso se torna muito útil em termos de actuação como um interruptor sensível à
tensão. Os díodos de germânio, ao contrário dos díodos de silício, geralmente requerem
uma tensão de polarização directa de apenas 0,2 V ou mais para que ocorra a condução.
(8)
Díodo de emissor de luz (LED) é um dispositivo semicondutor de rectificação
que converte energia eléctrica em luz ou radiação infravermelha, no intervalo de 550nm
(luz verde) a 1300nm (radiação infravermelha). LED é um díodo que quando polarizado
directamente emite luz visível (amarela, verde, vermelha, laranja ou azul) ou luz
infravermelha. (2)
20
Quando um díodo conduz, ocorre liberação de energia devido à recombinação de
electrões e lacunas. Nos díodos rectificadores, essa energia é liberada em forma de calor,
enquanto nos LEDs, a energia é liberada na forma de luz. (5)
2.4.2. TRANSÍSTORES (7)
Os transístores são dispositivos semicondutores que agem como interruptores
controlados electricamente ou como controles de amplificadores. A beleza dos
transístores é a maneira como eles podem controlar o fluxo de corrente eléctrica de
maneira semelhante à maneira como uma torneira controla o fluxo de água. Com uma
torneira, o fluxo de água é controlado por um botão de controlo. Com um transístor, uma
pequena tensão e/ou corrente aplicada a um condutor de controlo age para controlar um
fluxo eléctrico maior através de seus outros dois condutores.
[Link]. BJT
Os transístores de junção bipolares BJT são dispositivos de três terminais que
atuam como interruptores controlados electricamente ou como controles de
amplificadores. Esses dispositivos vêm em configurações NPN (Negativo-Positivo-
Negativo) ou PNP (Positivo-Negativo-Positivo). Um transístor bipolar NPN usa uma
pequena corrente de entrada e uma tensão positiva em sua base (em relação ao seu
emissor) para controlar uma corrente muito maior do colector para emissor. Por outro
lado, um transístor PNP usa uma pequena corrente de saída e uma tensão negativa em sua
base (em relação ao seu emissor) para controlar uma corrente maior do emissor para
colector.
21
Fig. 7 Transístor bipolar npn e pnp.(7)
Fig. 8 Regiões de operação.
Fig. 9 Representação por meio de esquema elétrico de um transistor NPN. (8)
Para essa configuração, define-se o ganho de corrente como:
𝐼𝐶 4.1
𝛽=
𝐼𝐵
Pela 2ª lei de Krichofft na malha colector-emissor, vem:
𝑉𝐶𝐶 = 𝑅𝐶 . 𝐼𝐶 + 𝑉𝐶𝐸 4.2
22
Igualando 𝐼𝐶 = 0, na equação anterior, obtemos 𝑉𝐶𝐸 = 𝑉𝐶𝐶 que fisicamente
representa o corte. Como no corte as duas junções estão polarizadas reversamente e,
portanto, todas as três correntes são muito pequenas (nA), podemos admitir que nessas
condições o transístor é uma chave aberta.
𝑉𝐶𝐶
Fazendo 𝑉𝐶𝐸 = 0 obtemos 𝐼𝐶 = , que fisicamente representa a saturação.
𝑅𝐶
Na saturação, o transístor se comporta como uma chave fechada e as duas junções estão
polarizadas directamente. Para garantirmos que o transístor sature, temos de impor
algumas condições, uma delas considerar 𝑉𝐶𝐸 ≅ 0.
[Link]. MOSFET
O transístor de efeito de campo é um dispositivo semicondutor onde a corrente
eléctrica conduzida por ele é controlada por um campo eléctrico. Os dois transístores de
efeito de campo mais usados são o JFET (Junction Field-Effect Transistor) e o MOSFET
(Metal Oxide Semiconductor Field-Effect Transistor).
Nos Transístores de Efeito de Campo a corrente eléctrica é constituída por apenas
um tipo de portador de carga (electrões livres ou lacunas). Por esse motivo, esses
transístores são considerados unipolares.
Um capacitor MOS é composto por uma placa de metal e uma de semicondutor,
isoladas entre si por uma camada isolante feita de óxido de silício (SiO2). O efeito do
campo eléctrico no capacitor MOS sobre o semicondutor dá origem ao princípio de
funcionamento do MOSFET.
Terminais do MOSFET:
Dreno → Drain (D)
Porta → Gate (G)
Fonte → Source (S)
Substrato ou Corpo → Bulk or Body (B)
Fig. 10 Simbologia do MOSFET.(8)
23
Considere a figura acima, a tensão VGS, em um primeiro momento, faz as lacunas
livres da região do substrato sob a porta serem repelidas, deixando uma região de
depleção. A tensão positiva sob a porta atrai electrões das regiões n + da fonte e do dreno
para a região do canal. Quando electrões suficientes estiverem sob a porta, o canal estará
formado ligando a fonte ao dreno. O valor mínimo de VGS para se formar o canal é
chamado de tensão de limiar (threshold) ou Vth.
De acordo com a operação física do MOSFET, identificamos três modos de
operação, modo de corte, tríodo e saturação.
Quando temos VGS ≤ Vth, o canal não estará completamente formado e teremos
ID ≈ 0, independentemente da tensão VDS. Nesse modo de operação, o MOSFET opera
como um circuito aberto – modo de corte.
Quando temos VGS > Vth, o canal estará formado e teremos ID ≠ 0. Nesse modo
de operação, o MOSFET opera como um resistor controlado pela tensão VGS. Para isso
acontecer, devemos ter VDS < VGS − Vth para que o canal não esteja estrangulado nas
proximidades do dreno – modo de tríodo ou linear.
Nesse modo de operação, também teremos VGS > Vth, para que o canal esteja
formado e ID ≠ 0. Entretanto, nesse modo de operação, a corrente ID estará saturada em
um valor limite em virtude do estrangulamento do canal nas proximidades do terminal de
dreno. Para isso acontecer, deveremos ter VDS ≥ VGS − Vth - modo de saturação.
2.5. AMPLIFICADORES OPERACIONAIS
O amplificador operacional (amp-op) é uma unidade electrónica ou um circuito
integrado (CI) que se comporta como uma fonte de tensão controlada por tensão. Ele é
um elemento de circuito activo projectado para executar operações matemáticas de
adição, subtracção, multiplicação, divisão, comparação, diferenciação e integração. (3)
2.5.1. COMPARADOR COM ALIMENTAÇÃO SIMPLES (1)
24
Fig. 11 Comparador com alimentação simples; resposta entrada/saída. (Fonte: Autores)
Um amp-op típico como o 741C pode operar com uma fonte de alimentação
positiva simples aterrando o pino de –VEE, como mostra a Figura 2.1a. A tensão de saída
tem apenas uma polaridade, podendo ser uma tensão positiva de nível baixo ou alto. Por
exemplo, com VCC igual a +15 V, a saída pode variar de aproximadamente +1,5 V
(estado baixo) a cerca de +13,5 V (estado alto).
Quando Vin é maior que Vref, a saída é nível alto, como mostra a Figura 2.1b.
Quando Vin é menor que Vref, a saída é nível baixo. Nos dois casos, a saída tem
polaridade positiva. Para muitas aplicações digitais, a opção é para esse tipo de saída
positiva.
2.5.2. COMPARADORES COM HISTERESE: SCHMITT TRIGGER (1)
Fig. 12 Schmitt trigger; Histerese. (Fonte: Autores)
A tensão de entrada é aplicada na entrada inversora. Uma vez que a tensão de
realimentação na entrada não inversora se soma à tensão de entrada, a realimentação é
positiva. A realimentação positiva produz dois pontos de comutação distintos. A
25
diferença entre estes é a histerese. Um comparador usando realimentação positiva como
esse é geralmente denominado Schmitt trigger.
Quando o comparador satura positivamente, uma tensão positiva é realimentada
na entrada não inversora. Essa tensão de realimentação positiva mantém a saída no estado
alto. De forma similar, quando a saída satura negativamente, uma tensão negativa é
realimentada na entrada não inversora, mantendo a saída no estado baixo. Nos dois casos,
a realimentação positiva reforça o estado existente de saída.
A tensão de saída permanece em um dado estado até que a tensão de entrada
exceda a tensão de referência para aquele estado. Por exemplo, se a saída satura
positivamente, a tensão de referência é o ponto de comutação superior. A tensão de
entrada tem que ser maior que o ponto de comutação superior para comutar a tensão de
saída de alta para baixa. Uma vez que a saída esteja no estado baixo, ela permanece nesse
estado indefinidamente até que a tensão de entrada torne-se menor que o ponto de
comutação inferior. Então, a saída comuta de baixa para alta.
Os pontos de comutação são definidos como as duas tensões de entrada em que a
tensão de saída muda de estado, o ponto de comutação superior (Vh - high) e o ponto de
comutação inferior (Vl - low). A diferença entre esses pontos de comutação é definida
como histerese (também denominada banda morta).
A realimentação positiva gera a histerese. Se não houvesse realimentação positiva
a histerese desapareceria, porque os dois pontos de comutação seriam iguais a zero.
2.6. CÉLULAS SOLAR (7)
Os fotodiodos são dispositivos de dois condutores que convertem a energia da luz
(energia do fóton) directamente em corrente eléctrica. Se os terminais do ânodo e do
cátodo de um fotodiodo forem unidos por um fio e o fotodiodo for colocado no escuro,
nenhuma corrente fluirá pelo fio. No entanto, quando o fotodiodo é iluminado, de repente
ele se torna uma pequena fonte de corrente que bombeia corrente do cátodo através do fio
e para dentro do ânodo.
26
As células solares são fotodiodos com áreas de superfície muito grandes. A
grande área de superfície de uma célula solar torna o dispositivo mais sensível à luz
recebida, bem como mais potente (correntes e tensões maiores) do que os fotodiodos. Por
exemplo, uma única célula solar de silício pode ser capaz de produzir um potencial de 0,5
V que pode fornecer até 0,1 A quando exposta à luz brilhante.
As células solares podem ser usadas para alimentar pequenos dispositivos, como
calculadoras movidas a energia solar, ou podem ser adicionadas em série para recarregar
baterias de níquel-cádmio. Muitas vezes, as células solares são usadas como elementos
sensíveis à luz em detectores de luz visível e infravermelho próximo (por exemplo,
medidores de luz, mecanismo de disparo sensível à luz para relés). Como os fotodiodos,
as células solares têm um fio positivo e um negativo que devem ser conectados às regiões
de tensão mais positiva e mais negativa dentro de um circuito. O tempo de resposta típico
para uma célula solar é de cerca de 20 ms.
27
CAPÍTULO 3. IMPLEMENTAÇÃO TEÓRICA
Neste capítulo se pretende interligar e por em prática as teorias acima abordadas.
3.1. FONTE DE ALIMENTAÇÃO CA-CC (7)
Fig. 13 Fonte de alimentação CA-CC. (Fonte: Autores)
Os transformadores são ingredientes essenciais no projecto de fontes de
alimentação. Aqui, um transformador de 220 para 15 voltes reduz uma tensão de fase de
220V e 50Hz para uma tensão secundária de 15V e 50Hz. Uma ponte rectificadora (rede
de quatro díodos) então rectifica a tensão secundária em uma tensão CC pulsada com um
pico de 21,2 V e uma frequência de 100 Hz.
O rectificador de onda completa ou rectificador de ponte ao contrário do
rectificador de meia onda, um rectificador de onda completa não apenas bloqueia
oscilações negativas na tensão, mas também as converte em oscilações positivas na saída.
Para entender como o dispositivo funciona, basta seguir o fluxo de corrente pelas portas
unidireccionais do díodo. Observe que haverá uma queda de 1,4 V da tensão de entrada
de zero a pico para a tensão de saída de zero a pico (há duas quedas de 0,7 V em um par
de díodos durante um meio ciclo). A frequência de saída é o dobro da frequência de
entrada e a tensão CC média na saída é 0,636 vezes a tensão de saída de zero a pico.
Usando um transformador e uma ponte rectificadora de onda completa, uma
simples fonte de alimentação CA para CC pode ser construída. O transformador atua para
reduzir a tensão e a ponte rectificadora atua para converter a entrada CA em uma saída
CC pulsada. Um capacitor de filtro é então usado para retardar o tempo de descarga e,
28
portanto, “suavizar” os pulsos. O capacitor deve ser grande o suficiente para armazenar
uma quantidade suficiente de energia para fornecer um fornecimento constante de
corrente para a carga. Se o capacitor não for grande o suficiente ou não estiver sendo
carregado rápido o suficiente, a tensão cairá à medida que a carga exigir mais corrente.
Uma regra geral para escolher C é usar a seguinte relação:
1 4.1
𝑅𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎 . 𝐶 >>
𝑓
Onde f é a frequência do sinal rectificado (100 Hz). A tensão de ondulação (desvio de
CC) é aproximada por:
𝐼𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎 4.2
𝑉𝑜𝑛𝑑𝑢𝑙𝑎çã𝑜 =
𝑓. 𝐶
Por fim há os reguladores de tensão para abaixar os 21,2VCC em 12VCC.
3.2. CONTROLADOR DE BATERIA
Fig. 14 Controlador de bateria. (Fonte: Autores)
Nesta configuração se usou um Schmitt trigger com alimentação simples. No pino
inversor se conecta o positivo da bateria e na saída se conecta o gate do IRF9Z44N.
No IRF9Z44N se conecta o positivo da célula solar no drain e o source se liga o
positivo da bateria. Entre o sinal de tensão da célula solar e o drain se usou um díodo para
impedir o retorno do sinal de tensão do source para drain, isto é, da bateria para célula
solar.
29
Quando a saída satura positivamente, a tensão de referência aplicada no pino não
inversor é o ponto de comutação superior Vh = 13,8V que é maior que a tensão
apresentada na bateria, permitindo a formação do canal do IRF9Z44N pois VGS (13,5V)
> Vth (0,4V) e assim a bateria carrega. A tensão de saída do amp-op permanece saturada
positivamente até que a tensão da bateria exceda a tensão de referência Vh.
Quando a tensão de saída saturar negativamente, a tensão de referência é o ponto
de comutação inferior Vl = 11,4V que é menor que a tensão apresentada na bateria, não
permitindo a formação do canal do IRF9Z44N pois VGS (0,11V) > Vth (0,4V) e assim a
bateria descarrega. A tensão de saída Vout1 permanece saturada negativamente até que a
tensão da bateria exceda a tensão de referência Vl.
3.3. MULTIPLEXADOR DE MOSFET
Fig. 15 Multiplexador de MOSFETs. (Fonte: Autores)
Multiplexador tem funcionalidade básica de um circuito que realiza a função de
selecção de uma entrada. Se tem como entradas os sinais de tensão de 12V da bateria e
da fonte de alimentação CA-CC, uma saída para alimentar a célula de LEDs e o USB e
um sinal seleccionador que vem da saída do controlador de bateria.
Se propõe usar dois MOSFETs a saber:
30
Quando a bateria estiver descarregada se habilita a formação do canal N do
IRF9Z44N seleccionando a fonte de alimentação CA-CC conectada no drain que
se liga à célula de LEDs e USB através do source, e tendo como sinal do gate o
controlador de bateria. Entre o sinal de tensão da fonte e o drain se usou um díodo
para impedir o retorno do sinal de tensão do source para drain.
Quando a bateria estiver carregada se habilita a formação do canal P do IRF9130
seleccionando a bateria conectada no source que se liga à célula de LED através
do drain, e tendo como sinal do gate o controlador de bateria. Entre o sinal de
tensão da bateria e o source se usou um díodo para impedir o retorno do sinal de
tensão do drain para source.
3.5. CHAVE DE BJT (7)
Fig. 16 Multiplexador de chave de BJT. (Fonte: Autores)
Como mostra a figura temos um Schimitt trigger neste configuração.
Quando a saída satura positivamente, a tensão de referência aplicada no pino não
inversor é o ponto de comutação superior Vh = 7V que é maior que a tensão apresentada
na célula solar no momento noturno, permitindo a saturação do BJT e assim a bobina do
relé energize. A tensão de saída do amp-op permanece saturada positivamente até que a
tensão da bateria exceda a tensão de referência Vh.
Quando a tensão de saída saturar negativamente, a tensão de referência é o ponto
de comutação inferior Vl = 4V que é menor que a tensão apresentada na célula solar no
31
momento diurno, não permitindo a saturação do BJT e assim a bobina do relé não
energize. A tensão de saída Vout1 permanece saturada negativamente até que a tensão da
bateria exceda a tensão de referência Vl.
Na sua saída o BD135 é usado para controlar um relé 12V 30mA onde o pino
normalmente aberto recebe o sinal de saída do multiplexador de MOSFETs e o pino
comum se liga à célula de LED.
Quando a luminescência natural é baixa a base do BJT recebe uma tensão/corrente
de controlo, o liga, permitindo que a corrente flua através da bobina do relé e fazendo
com que o relé mude de estado accionando a célula LED. O relé deve ser escolhido de
acordo com a classificação de tensão adequada.
O BJT NPN atua como uma válvula de controlo de fluxo de corrente. Sem tensão
ou corrente de entrada aplicada ao condutor de base do transístor, o canal colector-emissor
do transístor é fechado, bloqueando assim o fluxo de corrente através da bobina do relé.
No entanto, se uma tensão e uma corrente de entrada suficientemente grandes forem
aplicadas ao condutor de base do transístor, o canal colector-emissor do transístor se abre,
permitindo que a corrente flua através da bobina do relé.
Para encontrar a corrente do coletor, você pode usar a relação corrente-ganho
desde que não haja uma queda de tensão muito grande na célula LED (isso não deve fazer
com que VC caia abaixo de 0,7 V + VE). Quando a luminescência natural é alta a base
do BJT não recebe uma tensão/corrente de controlo, o desliga, cortando o fluxo de
corrente para a célula LED.
32
CAPÍTULO 4. DATASHEETS
Datasheet é uma palavra do inglês que significa: folha de dados; folheto de
explicação; folha contendo especificação de um determinado componente. Então, se pode
dizer que nesta secção vamos especificar as principais características ou parâmetros de
alguns componentes para depois utilizarmos no dimensionamento.
4.1. RELÉ
Fig. 17 Relé electromecânico 12VDC, características.
4.2. BJT
33
Fig. 18 Características típicas de BD135
4.3. AMPOP
Fig. 19 Características típicas de amp-ops.
Tab. 1 Características ideias e reaias de amp-ops. (1)
Quantidade Símbolo Ideal LM741C
Ganho de tensão em malha aberta AVOL Infinito 100.000
Frequência de ganho unitário f unidade Infinito 1 MHz
Resistência de entrada Rin Infinito 2 MΩ
Resistência de saída Rout Zero 75 Ω
Corrente de polarização de entrada I in(bias) Zero 80 nA
Corrente de offset de entrada I in(off) Zero 20 nA
Tensão de offset de entrada Vin(off) Zero 2 mV
34
CAPÍTULO 5. DIMENSIONAMENTO
Dimensionamento é o acto ou efeito de dimensionar (achar uma dimensão). Nesta
secção será determinado alguns parâmetros ou dimensões dos componentes.
5.1. RESISTÊNCIAS
Nesta secção serão calculadas as resistências.
5.1.1. CONTROLADOR DE BATERIA
Fig. 20 Dados e Incógnitas no Schmitt Trigger. (Fonte: Autores)
Usando LKC no nó do pino não inversor. Vem:
𝑖1 − 𝑖2 + 𝑖3 = 0
𝑖1 − 𝑖2 − 𝑖3 = 0
((𝑉𝐶𝐶 − 𝑉ℎ)). 𝐺1 − (𝑉ℎ). 𝐺2 + ((𝑉𝐶𝐶 − 𝑉ℎ)). 𝐺3 = 0
((𝑉𝐶𝐶 − 𝑉𝑙)). 𝐺1 − (𝑉𝑙). 𝐺2 − ((𝑉𝑙 − 𝑉𝐸𝐸)). 𝐺3 = 0
((12 − 10)𝑉 ). 𝐺1 − 10𝑉 ). 𝐺2 + (12 − 10)𝑉 ). 𝐺3 = 0
35
((12 − 7))𝑉 . 𝐺1 − 7𝑉 . 𝐺2 − 7𝑉 . 𝐺3 = 0
2𝑉. 10−3 ℧ − 10𝑉. 𝐺2 + 2𝑉. 𝐺3 = 0
5𝑉. 10−3 ℧ − 7𝑉. 𝐺2 − 7𝑉. 𝐺3 = 0
−10𝑉. 𝐺2 + 2𝑉. 𝐺3 = −2𝑉. 10−3 ℧
−7𝑉. 𝐺2 − 7𝑉. 𝐺3 = −5𝑉. 10−3 ℧
𝐺2 = 1/3500 ℧
𝐺3 = 3/7000 ℧
𝑅2 = 3, 5 𝑘𝛺
𝑅3 = 2, 3 𝑘𝛺
Fazendo um divisor de tensão com as resistências R4 e R5, teremos:
7,5𝑉
𝐼 = 10𝑘Ω = 0,75 𝑚𝐴 A partir da R5 buscou-se a corrente no ramo.
(13 − 7)𝑉
𝑅4 = = 8 𝑘Ω
0,75 𝑚𝐴
5.1.2. CHAVE DE BJT
Fig. 21 Dados e Incógnitas na chave de BJT. (Fonte: Autores)
36
Usando LKC no nó do pino não inversor. Vem:
𝑖6 − 𝑖7 + 𝑖8 = 0
𝑖6 − 𝑖7 − 𝑖8 = 0
((𝑉𝐶𝐶 − 𝑉ℎ)). 𝐺6 − (𝑉ℎ). 𝐺7 + ((𝑉𝐶𝐶 − 𝑉ℎ)). 𝐺8 = 0
((𝑉𝐶𝐶 − 𝑉𝑙)). 𝐺6 − (𝑉𝑙). 𝐺7 − ((𝑉𝑙 − 𝑉𝐸𝐸)). 𝐺8 = 0
((12 − 7)𝑉 ). 𝐺6 − 7𝑉 ). 𝐺7 + (12 − 7)𝑉). 𝐺8 = 0
((12 − 4)𝑉 . 𝐺6 − 4𝑉 . 𝐺7 − 4𝑉 . 𝐺3 = 0
5𝑉. 10−3 ℧ − 7𝑉. 𝐺6 + 5𝑉. 𝐺7 = 0
8𝑉. 10−3 ℧ − 4𝑉. 𝐺6 − 4𝑉. 𝐺7 = 0
−7𝑉. 𝐺6 + 5𝑉. 𝐺7 = −5𝑉. 10−3 ℧
−4𝑉. 𝐺6 − 4𝑉. 𝐺7 = −8𝑉. 10−3 ℧
𝐺6 = 1/800 ℧
𝐺7 = 3/4000 ℧
𝑅6 = 800 𝛺
𝑅7 = 1,3𝑘 𝛺
Fazendo um divisor de tensão com as resistências R9 e R10, teremos:
7𝑉
𝐼 = 10𝑘Ω = 0,7 𝑚𝐴 A partir da R10 buscou-se a corrente no ramo.
(14 − 7)𝑉
𝑅9 = = 10 𝑘Ω
0,7 𝑚𝐴
Para o cálculo da R11 usaremos o ganho necessário para saturar o BJT BD135
com auxílio do seu datasheet (citado no CAPÍTULO 4).
𝐼 500𝑚𝐴
𝛽 = 𝐼𝐶 = = 10 Ganho preciso para ter 𝑉𝐶𝐸 ≤ 0,5𝑉
𝐵 50𝑚𝐴
37
Como a corrrente de energização da bobina do relé é de 30mA, vem:
(12 − 0,7)𝑉
𝑅8 = = 3,7𝑘Ω
30𝑚𝐴
10
5.1.3. USB
Fig. 22 Dados e Incógnitas no USB. (Fonte: Autores)
A multiplexador de MOSFETs é de 12V. Fazendo um divisor de tensão com as
resistências R10 e R11 para 5V ligado no pino VCC, teremos:
5𝑉
𝐼= = 5𝑚𝐴 A partir da R11 buscou-se a corrente no ramo.
1𝑘Ω
(12 − 5)𝑉
𝑅10 = = 1,4𝑘Ω
5𝑚𝐴
5.2. FONTE DE ALIMENTAÇÃO CA-CC
𝑉𝑖𝑛 = 15 𝑉𝑅𝑀𝑆 Tensão do secundário do transformador
𝑉2𝑃 = 𝑉𝑖𝑛 √2 = 15√2 = 21,2 𝑉 Tensão de pico
𝑉𝑞𝑢𝑒𝑑𝑎 = 𝑉2𝑃 − 2𝑉𝑑𝑖𝑜𝑑𝑜 = 21,2 − 2 . 0,7 = 22,8 𝑉 Queda de tensão nos díodos
𝑉𝑚𝑒𝑑 = 𝑉2𝑃 . 0,636 = 13,5 𝑉 Tensão média
Como a célula de LEDs e o USB consomem aproximadamente 1 A de
corrente, então:
𝑉𝑚𝑒𝑑
𝑅= = 13,5 Ω Resistência de descarga
1𝐴
38
𝑉𝑂𝑛𝑑 = 𝑉2𝑃 . 10% = 2,1 𝑉 Tensão de ondulação
1𝐴 1𝐴
𝐶 = 2.𝑓.𝑉 = 2 .50 ℎ𝑧 .2,4 𝑉 = 4200𝜇𝐹 Capacitância comercial é 4700µF
𝑂𝑛𝑑
𝑃 = 1 𝐴. 𝑉𝑚𝑒𝑑 = 13,5𝑊 Potência de saída da fonte de alimentação CA-CC
5.3. RENDIMENTO
Para dimensionar o rendimento η é preciso as potências de entrada e saída. Logo:
𝑃𝐸𝑁𝑇𝑅𝐴𝐷𝐴 = 13,5𝑊 Potência de saída da fonte de alimentação CA-CC e da
bateria.
As nossas saídas dependem da célula de LEDs e do USB. Tal que, a célula de
LEDs é de 10W e o USB tem geralmente 3W de potência, fazendo deste modo 13W de
potência de saída.
Assim teremos:
𝑃𝑆𝐴𝐼𝐷𝐴 13𝑊
𝜂= 100% = 100% = 96,3%
𝑃𝐸𝑁𝑇𝑅𝐴𝐷𝐴 13,5𝑊
39
CONCLUSÃO
Neste trabalho se abordou o tema PROPOSTA DE CONCEPÇÃO DE UMA
LUMINÁRIA QUE SE ADAPTA À LUMINOSIDADE DO AMBIENTE E COM
PORTA USB DE CINCO VOLTS, explicitando os seguintes assuntos, RECTIFICADOR
DE ONDA COMPLETA, MULTIPLEXADOR DE MOSFET e CHAVE DE BJT. Para
tal, foi necessário pesquisar exaustivamente de todas as fontes possíveis.
Recomendamos melhorias tais que o UBS seja alimentado entre fonte de
alimentação CA-CC, a bateria ou a célula solar. E também melhorias na alimentação do
sistema de comandos, invés de pilhas alcalinas se alimentaria com a bateria.
40
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
(1) Eletrônica Volume 2 de Albert Paul Malvino e David J. Bates;
(2) Electrônica Básica\ Projecto multifunção\ Mineração rio do norte;
(3) Fundamentos de Circuitos Eléctricos 5ª Edição de Charles K. Alexander e
Matthew N. O. Sadiku;
(4) Fundamentos de Electromagnetismo versão 3.2 de Prof. Fernando Luiz Rosa
Mussoi;
(5) Dicionário geral de Física;
(6) [Link];
(7) Practical Electronics for Inventors de Paul Scherz.
(8) Princípios de Física Electromagnetismo Volume 3 de Raymond A. Serway e John
W. Jewett, Jr.
41
ANEXOS
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