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Elisio-final

No escritório da antiga prefeitura de Harrowgate, antigos aliados Isabelle Markowitz e Harold Goding se reúnem com o Príncipe Cedric para discutir a crescente ameaça da Segunda Inquisição e o chamado dos Antediluvianos. A tensão aumenta à medida que eles reconhecem a necessidade de agir antes que o inimigo desperte completamente. A reunião é marcada por um sentimento de nostalgia e a inevitabilidade de uma guerra que nunca realmente terminou.

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Elisio-final

No escritório da antiga prefeitura de Harrowgate, antigos aliados Isabelle Markowitz e Harold Goding se reúnem com o Príncipe Cedric para discutir a crescente ameaça da Segunda Inquisição e o chamado dos Antediluvianos. A tensão aumenta à medida que eles reconhecem a necessidade de agir antes que o inimigo desperte completamente. A reunião é marcada por um sentimento de nostalgia e a inevitabilidade de uma guerra que nunca realmente terminou.

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...

“No vidro, por um breve instante, o reflexo de Adelheid parecia desaparecer.”

A Noite Após o Julgamento – antigos aliados se encontram

Então, um relâmpago rasgou o céu de Harrowgate, lançando uma luz prateada e fria
sobre o escritório no prédio da antiga prefeitura. O trovão seguiu logo depois, ecoando
pelas colunas como o rugido de uma fera antiga. Quando o clarão se foi, duas figuras
estavam ali — como se sempre tivessem estado.

Isabelle Markowitz e Harold Goding.

Sentados em um dos sofás de veludo, pareciam parte natural daquela noite eterna. O
Príncipe Cedric os observou em silêncio, sem surpresa alguma. Apenas um discreto
arquejo no canto dos lábios — algo entre ironia e nostalgia.

— Pensei que levariam mais um século para nos reunir novamente — disse Cedric, sua
voz soando como seda rasgada, grave, encantadora e fria.

Isabelle ergueu o queixo, altiva, sua presença preenchendo o espaço. Havia algo
inquietante nela — uma beleza fria, perfeitamente controlada, e uma ausência sutil: no
vidro atrás de Cedric, onde o reflexo dos outros cintilava, o dela simplesmente não
existia.

— E perder a oportunidade de assistir o Príncipe de Harrowgate lembrando ao mundo


quem ele é? — respondeu, cruzando as pernas com elegância imaculada. — Nem
mesmo o tempo me roubaria isso.

Harold observava em silêncio. As mãos pousadas sobre os joelhos, o olhar distante,


como quem ouve vozes antigas sussurrando além das paredes. Quando falou, sua voz
era grave e controlada — um eco do homem que fora há séculos. — Ainda resolve tudo
com gestos, Cedric. Um olhar, e a história muda de rumo.

Cedric caminhou devagar até a mesa. — O poder é mais convincente quando não
precisa ser explicado, meu velho amigo.

Sobre a mesa de carvalho, uma pilha de jornais repousava. As manchetes, espalhadas


diante deles, formavam uma sinfonia silenciosa de terror moderno.

“Ataque terrorista em antigo prédio de Viena.”


“Autoridades precisam agir para controlar a violência em Paris.”
“Governo consegue desmantelar o crime organizado em Milão.”
“Londres ainda se recupera depois de vários incêndios na cidade.”

Isabelle passou os dedos sobre uma das páginas, seu toque tão leve quanto uma
promessa esquecida. — Então… é isso, as autoridades mortais descobriram nossa
existência.

Harold apenas murmurou: — O mundo virou seus olhos para nós, e agora ele aprendeu
a enxergar.
Cedric pousou as mãos sobre a mesa e ergueu o olhar. Sua voz, quando veio, carregava
a solenidade de um juramento antigo. — A Camarilla se esconde quando os inimigos
avançam. — Ele deu um leve sorriso, melancólico. — Mas a Inquisição deste século
não é a do século XIII. E eles também tem medo de deixarem que a população em geral
saiba que existimos.

Ele se afastou, caminhando até as janelas enquanto a chuva começava a cair. As luzes
da cidade tremeluziam ao longe, como brasas em um campo de cinzas.

— Eles têm satélites, câmeras térmicas, drones. Não caçam monstros — caçam padrões,
hábitos, redes. — Sua voz tornou-se um sussurro, mas todos no salão o ouviram. — Se
esconder não será o suficiente desta vez.

Isabelle o observava, seu olhar penetrante, mas cheio de algo que se assemelhava a
respeito. Harold, por sua vez, parecia ouvir algo que os presentes ali ainda conseguiam
ignorar com mais facilidade.

Cedric virou-se então, encarando os dois.


— A guerra deve ser levada até eles... — disse, a voz ainda encantadora, mas agora
marcada por algo mais denso, quase uma confissão. — Antes que chegue a Harrowgate.
Antes que o verdadeiro inimigo desperte por completo.

Ele fitou o chão por um instante, como se escutasse algo sob a pedra, nas fundações da
cidade. — Os Antediluvianos estão entre nós — continuou, num tom baixo, grave — e
cada noite que passa se torna mais difícil resistir ao chamado. Nós o sentimos... todos
nós.

Isabelle desviou o olhar, silenciosa; apenas Harold sustentou a visão do príncipe. O


cainita parecia uma estátua — o rosto imóvel, os dedos cerrados com força. Havia uma
tensão quase imperceptível em suas têmporas, um esforço monstruoso para manter a
sanidade diante de um som que apenas ele parecia ouvir.

— Logo teremos de nos retirar — disse enfim. — Quando o chamado se tornar


irresistível, não restará escolha. O torpor pode nos salvar... pode nos proteger quando a
guerra dos antigos consumir o mundo.

Cedric ergueu o olhar outra vez, e a serenidade em sua voz agora era uma máscara tênue
sobre algo desesperado. — Mas o torpor não nos salvará da Segunda Inquisição. Se eles
continuarem caçando com tanto afinco, não restará ninguém para despertar quando o
silêncio cair.

Por um momento, o tempo pareceu ficar imóvel. Nenhum som, exceto o trovão distante.
Isabelle cruzou as mãos sobre o colo, e Harold, por fim, encarou a todos, um leve
tremor escapando-lhe das pálpebras — como se, por um segundo, o chamado tivesse
soado alto demais.

Cedric então voltou a sua poltrona no escritório, os passos lentos, pesados.


— A guerra precisa começar agora... — murmurou, quase para si mesmo. — Antes que
o chamado nos reclame.
Silêncio. Apenas o som da chuva nos vitrais.

Adelheid, até então imóvel, observava — os olhos fixos no Príncipe.


Por um instante, o silêncio era tão denso que parecia prender até o tempo.

Então, com a leveza felina que a tornava hipnotizante mesmo entre predadores, ela se
moveu.
Andou pela sala e se sentou no colo de Cedric, o gesto íntimo e natural, como se a
poltrona fosse feita para ambos. Suas mãos pálidas tocaram o rosto do príncipe com
uma delicadeza que contrastava com a monstruosidade que todos ali carregavam — um
toque quase humano, quase esquecido.

— Já faz décadas... — murmurou ela, traçando com o polegar a linha da mandíbula


dele, o olhar perdido por um instante entre lembranças. — Décadas desde a última vez
que todos nós estivemos juntos assim... preparando uma guerra.

Cedric não respondeu. Seus olhos, dourados sob a luz das velas, permaneceram nela —
serenos, mas cheios de uma melancolia antiga.

Adelheid parecia suspirar, pousando a cabeça contra o ombro dele. — É curioso, não é?
— sussurrou. — O destino parece gostar de nos reunir apenas para ver o sangue correr
outra vez.

A frase pairou no ar como perfume e condenação. Isabelle desviou o olhar, o rosto


impenetrável; Harold apenas fitou o vazio, o canto da boca se movendo quase
imperceptivelmente, como se risse de algo que só ele podia ouvir.

Cedric pousou uma das mãos sobre a dela — um gesto de posse e afeto.
O trovão ribombou lá fora, e as sombras nas paredes pareciam se mover, como se os
ecos da antiga guerra anunciassem a próxima.

A noite parecia conter a respiração da cidade.


E os velhos aliados — unidos mais uma vez — compreendiam que o tempo da espera
havia acabado.
Ante Omnia – Reunião de monstros

Os passos no corredor eram leves, quase respeitosos, mas ainda assim ressoavam no
silêncio como um anúncio inevitável. Cedric ergueu o olhar, sem mover o corpo —
Adelheid ainda sentada sobre seu colo, os dedos brincando distraidamente com a gola
de sua camisa. Isabelle e Harold, nas poltronas de veludo carmesim, trocaram um olhar
breve — o tipo de olhar que não precisava de palavras.

A porta se abriu.
Heinrich Arminov entrou.

O regente da capela tremere de Harrowgate parecia, como sempre, ter emergido de uma
época que o tempo esqueceu. O sobretudo negro caía sobre os ombros estreitos com
precisão quase cerimonial, e os olhos cinzentos, fundos e analíticos, varreram o
ambiente antes de se deterem no trono.

Cedric inclinou levemente a cabeça, um meio sorriso desenhando-se em seus lábios.


— Heinrich... fazia tempo que eu não via o seu rosto. — Sua voz arrastou-se com
aquela melodia antiga, cheia de ironia velada. — Comecei a temer que Ignattus
Dorfman estivesse se considerando o verdadeiro líder dos Tremere em minha cidade.

Um brilho atravessou os olhos do mago. Ele avançou dois passos e, com a elegância
ensaiada de quem já compartilhou séculos de intrigas, inclinou-se levemente.

— Alteza... Isabelle... Harold. — A saudação foi cortês, mas não calorosa.

Quando seu olhar pousou em Adelheid, o tom mudou — uma sombra de sarcasmo
dançou em sua voz.
— E se eu não conhecesse vocês há tanto tempo, diria que as crianças têm razão... —
disse, o canto da boca se curvando num sorriso zombeteiro. — Louis e Cláudia, não é
assim que andam sussurrando por aí?

Adelheid arqueou uma sobrancelha, o rosto imóvel como uma estátua. Cedric parecia
soltar um suspiro quase divertido, o olhar entre tédio e sarcasmo.

— Cuidado, Heinrich — murmurou ele, traçando distraidamente o contorno da mão de


Adelheid. — Nem todos os rumores merecem o seu precioso tempo.

O Tremere apenas sorriu, aceitando o conselho com a naturalidade de quem sempre


dançou à beira da lâmina. Então, caminhou até a mesa central. Seu olhar pousou sobre
os jornais espalhados, as manchetes em letras densas e apavoradas. Viena, Paris, Milão
e Londres...

Heinrich passou os dedos sobre o papel, como se tocasse o epitáfio de uma era.
— Com a queda da capela de Viena, as crianças decidiram se rebelar — disse, sem
levantar os olhos. — Ignattus Dorfman acredita ser a nova esperança dos jovens livres
das correntes do clã... — ergueu o olhar agora, frio, preciso. — Mas ele não passa de
um tolo que ainda não compreendeu o que é o verdadeiro poder.
— Os jovens sempre confundem liberdade com força — respondeu Isabelle, sem
emoção. — E acabam sendo devorados por ambos.

Heinrich riu baixo, sem humor.


— Tão verdadeira como sempre, minha cara.

Cedric, que até então permanecia em silêncio, observava cada um deles com a calma
glacial de quem lê um livro pela milésima vez.
O Príncipe de Harrowgate era um estrategista, e cada olhar naquela sala era uma peça
que ele já havia movido antes — há décadas, talvez séculos.

Heinrich voltou-se então para ele, e seus olhos se encontraram.


Não era necessário falar. Ambos sabiam por que ele estava ali.

— A guerra, então... — começou o mago, em tom baixo. — Vai começar outra vez.

Cedric recostou-se na poltrona, a expressão indecifrável. Adelheid deslizou os dedos


por seu peito, como se pudesse sentir o frio pulsar sob a pele morta.

— Não — respondeu Cedric, enfim. — Ela nunca terminou.

Um trovão ressoou lá fora, como um sinal.


E por um instante, entre o som da chuva e o farfalhar distante da noite de Harrowgate,
todos naquela sala lembraram-se do que eram — e do que haviam feito para ainda
estarem “não-vivos”.

O sangue derramado os unia, e a memória das guerras passadas era a corrente que os
mantinha juntos.
A Camarilla talvez tivesse esquecido da sua posição na cadeia alimentar.
Mas eles, não.
Jamais.

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