Costa_2016
Costa_2016
Júri
Setembro, 2016
Sistematização da Gestão e do Controlo das Atividades
de Manutenção numa Empresa de Válvulas Industriais
Copyright
iii
Agradecimentos
v
Resumo
Atualmente, devido ao ambiente cada vez mais competitivo que se sente no mundo
empresarial, as atividades de manutenção e a sua gestão são imprescindíveis para o bom
funcionamento das empresas industriais.
A presente dissertação foi elaborada no âmbito da realização de um estágio numa
empresa que fabrica válvulas industriais.
Foi estabelecido, inicialmente, desenvolver planos de manutenção preventiva para
determinados equipamentos existentes na Velan Portugal e implementar na empresa o
software de gestão de manutenção IBM maximo.
Foi realizada uma análise detalhada e aprofundada das práticas e procedimentos
existentes, inicialmente, na empresa no que diz respeito à gestão e às atividades de
manutenção em geral. Foram identificados alguns problemas e algumas oportunidades de
melhoria.
Através da utilização do método Ipinza, foram identificados os equipamentos que
precisavam de implementação de rotinas de manutenção preventiva, para os quais foram
elaborados os planos deste tipo de manutenção.
Foi implementado o software de gestão da manutenção que permitiu, além de outros
aspetos, criar ordens de trabalho e históricos de avarias dos equipamentos, que permitirão, no
futuro, realizar análise da disponibilidade dos equipamentos e dos outros parâmetros de
eficiência.
Além dos objetivos, inicialmente, propostos, também foi completado o sistema de
codificação dos equipamentos, foi melhorado o ficheiro master de máquinas (ficheiro da
empresa com as informações mais relevantes dos equipamentos), foram introduzidas folhas
de registo de avarias para os operadores das máquinas, foram criadas bases para
implementação da técnica 5S da metodologia Lean, bem como bases para gestão de ativos.
Com a implementação das melhorias propostas é esperada maior eficiência e um
melhor desempenho do serviço de manutenção, além de melhorias significativas a nível da
disciplina de execução das decisões, bem como da motivação dos funcionários.
vii
Abstract
Actually, due to more competitive business world, the maintenance activities and their
management are extremely important for the good performance in the industrial companies.
The following Masters dissertation was developed within the framework of an
internship at a valves manufacturing multinational.
Initially, a detailed and thorough analysis of the existent practices and procedures was
performed in the company in relation to the overall management and maintenance activities.
A number of issues as well as improvement points were identified.
Due to the use of Ipinza method, it was possible to identify which equipment needed
to implement certain preventive maintenance routines, and for those, maintenance plans
were developed.
It was implemented the management maintenance software that allows, among other
things, to generate working tasks and equipment failure historical reports which, for future
record, enable to analyze the equipment’s availability and other efficiency parameters.
In addition of the initially proposed targets, other key aspects were also accomplished
including namely the completion of the equipment’s codification system, the improvement of
the machine’s master file (i.e. company file including the most relevant equipment
information), the introduction of paper failure registries to the machine operators and the
establishment of foundations to implement the Lean’s methodology 5S technique as well as to
manage the company’s assets.
Following the implementation of the proposed improvements, it is expected more
efficiency and a greater performance of the maintenance services in addition of significant
improvements in decision execution discipline as well as employees’ motivation.
ix
.
Índice
Copyright ...................................................................................................................................... iii
Agradecimentos ............................................................................................................................ v
Resumo.........................................................................................................................................vii
Abstract .........................................................................................................................................ix
Índice .............................................................................................................................................xi
Índice de Figuras ......................................................................................................................... xiii
Índice de Tabelas .......................................................................................................................... xv
Lista de Siglas e Acrónimos ........................................................................................................ xvii
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 1
1.1 Enquadramento e objetivos da dissertação ..................................................................... 1
1.2 Estrutura da dissertação................................................................................................... 2
2. MANUTENÇÃO INDUSTRIAL ..................................................................................................... 3
2.1 Evolução Histórica da Manutenção .................................................................................. 3
2.2 Objetivos da manutenção e da sua gestão ...................................................................... 5
2.2.1 Conceito de manutenção e os seus objetivos ....................................................... 5
2.2.2 Conceito de gestão da manutenção e os seus objetivos ...................................... 6
2.3 Tipos de manutenção ....................................................................................................... 8
2.4 Níveis de manutenção .................................................................................................... 10
2.5 Método Ipinza ................................................................................................................ 11
2.6 Organização interna de um serviço de manutenção e planeamento na gestão da
manutenção ................................................................................................................... 13
2.7 Manutenção Lean........................................................................................................... 14
2.7.1 Total Productive Maintenance ............................................................................ 15
2.7.2 Ferramenta 5s ..................................................................................................... 16
2.8 Custos de manutenção ................................................................................................... 17
2.9 Normalização aplicada à manutenção ........................................................................... 19
2.10 Avarias ............................................................................................................................ 19
2.10.1 Tipos e causas de avarias .................................................................................... 20
2.10.2 Fiabilidade e manutibilidade ........................................................................... 20
2.10.3 Indicadores de desempenho ........................................................................... 21
2.11 Ordem de trabalho ......................................................................................................... 25
2.12 Gestão de ativos ............................................................................................................. 25
2.13 Sistemas informáticos .................................................................................................... 26
xi
3. VELAN – VÁLVULAS INDUSTRIAIS........................................................................................... 27
3.1 Velan ............................................................................................................................... 27
3.2 Velan Portugal ................................................................................................................ 27
3.3 Válvulas produzidas na Velan Portugal .......................................................................... 28
3.4 Instalações e equipamentos da fábrica .......................................................................... 32
3.4.1 A Fábrica .............................................................................................................. 32
3.4.2 Sala de compressores .......................................................................................... 32
3.4.3 Secções da fábrica ............................................................................................... 34
3.4.4 Centro de maquinagem 4 (CM4) ......................................................................... 36
3.4.5 Centro de maquinagem 5 (CM5) ......................................................................... 38
3.4.6 Spot face um e dois (SF1 e SF2) ........................................................................... 39
3.4.7 Carrossel de pintura (CP)..................................................................................... 41
4. ANÁLISE DO ESTADO INICIAL DA EMPRESA ............................................................................ 43
4.1 Situação encontrada na empresa relativa à manutenção e à gestão da manutenção ... 43
4.2 Estado inicial dos equipamentos...................................................................................... 44
5. PROPOSTAS DE MELHORIA PARA O SERVIÇO DE MANUTENÇÃO .......................................... 45
5.1 Codificação dos equipamentos da fábrica que não se encontravam codificados .......... 45
5.2 Melhoria da documentação da manutenção ................................................................... 47
5.2.1 Ficheiro master de máquinas ..................................... Erro! Marcador não definido.
5.3 Criação de planos de manutenção preventiva................................................................. 49
5.3.1 tipos de manutenção a aplicar (Método Ipinza) ...................................................... 49
5.3.2 Simbologia da manutenção ..................................................................................... 55
5.3.3 Planos de manutenção preventiva .......................................................................... 58
5.3.4 Folhas de registo das atividades de manutenção .................................................... 67
5.4 Implementação de todas as atividades de manutenção no software de gestão da
manutenção IBM maximo .............................................................................................. 69
5.5 Gestão de ativos ............................................................................................................... 71
6. CONCLUSÕES E PROPOSTAS DE TRABALHOS FUTUROS ........................................................ 73
6.1 Conclusões............................................................................................................................. 73
6.2 Propostas de trabalhos futuros........................................................................................ 74
Bibliografia .................................................................................................................................. 77
Anexos ......................................................................................................................................... 79
xii
1 Índice de Figuras
xiii
Índice de Tabelas
xv
Lista de Siglas e Acrónimos
xvii
1
1. INTRODUÇÃO
1
desenvolvimento de planos de manutenção para determinados equipamentos da fábrica, criação
de disciplina em relação aos mesmos e implementação de todas as atividades no software de
gestão da manutenção denominado por IBM maximo. Os equipamentos estão inseridos em três
processos de produção: i) maquinagem ii) montagem iii) ensaios e acabamentos.
O software IBM maximo é um software de gestão da manutenção que permite que as
indústrias organizem todos os tipos de ativos, incluindo a fábrica, a produção, as
infraestruturas, os inventários, os recursos e os colaboradores.
2
2
2 MANUTENÇÃO INDUSTRIAL
A manutenção industrial é uma atividade que tem vindo a sofrer alterações ao longo
do tempo, com o intuito de garantir o melhor funcionamento dos equipamentos. Estas
alterações foram influenciadas, essencialmente, pela evolução do conhecimento científico e
tecnológico e pala influência que os equipamentos têm, cada vez mais, no mundo empresarial.
Assim, a manutenção industrial passou a ser imprescindível e, atualmente, existem novas
ferramentas e processos de manutenção que possibilitam, não só a produção em massa, como
também o controlo da produção industrial.
Tal como evidenciado na Figura 2.1 e de acordo com Navas (2015) existem quatro
datas importantes na evolução da manutenção.
3
Antes da 1ª Guerra Mundial, que se sucedeu em 1914, a manutenção não tinha
qualquer importância e as avarias eram reparadas por trabalhadores da área de produção, pois
não havia ninguém especializado na área da manutenção.
Entre 1914 e 1930, em consequência da 1ª Guerra Mundial aparece a manutenção
corretiva, ou seja, os equipamentos eram reparados após a avaria de modo a restabelecer a
produção.
Em consequência da 2ª Guerra Mundial, em 1940 aparece o conceito de manutenção
preventiva e as empresas passam a integrar um responsável pela supervisão da conservação
dos seus bens, até porque nesta altura houve a expansão da aviação comercial.
Em 1970 o órgão de engenharia de manutenção assume o papel de gestor, passando a
ter em vista a otimização económica.
Atualmente, o responsável de manutenção dispõe de diversos meios de trabalho e de
múltiplos software de gestão de manutenção, que ajudam a suportar as decisões. Estes meios
vão permitir reduções de custos de manutenção e um aumento da disponibilidade dos
equipamentos (Pinto, 1999).
A Figura 2.2 representa o desenvolvimento da manutenção industrial ao longo do
tempo.
4
De acordo com Figura 2.2 houve um desenvolvimento crescente da manutenção após
a 2ª Guerra Mundial e nos últimos anos houve uma evolução positiva da manutenção, pois
hoje em dia, a sensibilização face à segurança ambiental, qualidade de produtos e serviços,
torna a manutenção uma das funções mais importantes para o sucesso das indústrias (Navas,
2015).
Porém, em países menos industrializados a manutenção ainda é menosprezada por
muitas empresas e passada para segundo plano. Muitas vezes, é mais difícil alterar os
comportamentos e mentalidades do que introduzir novas tecnologias ou ensinar diferentes
conteúdos (Novais, 1995).
5
A manutenção industrial afeta bastante a rentabilidade dos processos produtivos, quer
na qualidade dos produtos, quer no volume e custos de produção.
Os objetivos gerais da manutenção são (Ferreira, 1998):
Assegurar uma produção regular;
Prevenir avarias;
Garantir que todos os equipamentos e ferramentas se encontrem em condições
de bom funcionamento;
Certificar a qualidade de todos os produtos produzidos;
Reduzir custos (GIAGI, 2007).
Deste modo, segundo a política da empresa, para cumprir os objetivos da manutenção
é necessário dispor de um conjunto de materiais, mão-de-obra, meios humanos e planos de
manutenção bem estruturados de forma a otimizar os ciclos de vida dos bens (Novais, 1995).
6
100%
Componente
técnica
Componente de
gestão
Dimensão da empresa
A gestão de manutenção tem como principal objetivo atuar a nível (Navas, 2015):
Humano: proporcionar condições de trabalho, proporcionar condições de
segurança e proteção do ambiente.
Técnico: agir ao nível da disponibilidade e durabilidade dos equipamentos, assim
como, das condições e funcionamento das instalações.
Económico: proporcionar menores custo de exploração, menores custos de falhas,
prática de uma economia energética e enriquecimento da empresa.
7
2.3 Tipos de manutenção
Sistemática
Manutenção Manutenção
Planeada Preventiva
Condicionada Preditiva
Manutenção
8
manutenção substituições de determinados elementos como correias, válvulas, entre outras
(Cabral, 2013). De acordo com a norma NP EN 13306 2007 este tipo de manutenção pode ser
também uma manutenção preditiva caso seja efetuada de acordo com as previsões
extrapoladas da avaliação de parâmetros significativos da degradação de um bem, ou seja,
analisar a tendência antes da chegada à degradação.
Por fim, dentro da manutenção não planeada existe a manutenção corretiva que é
efetuada após a detenção de uma avaria, com o objetivo de repor o bem num estado em que
possa desempenhar a função requerida. Caso esta seja realizada, imediatamente, após a
deteção de uma avaria, denomina-se por manutenção corretiva de urgência, de modo a não
consequências não desejadas.
Contudo, como referido anteriormente, a divisão dos tipos de manutenção varia
consoante a bibliografia. Segundo Assis (2014) a manutenção divide-se consoante a
esquematização da Figura 2.5.
Manutenção
Preventiva Corretiva
Sistemática
Individual Grupada
9
intervenções condicionadas desencadeiam-se no fim de vida útil dos componentes, uma vez
que se trata do momento em que é possível prever, observando as tendências e
comportamentos dos parâmetros de degradação através de técnicas de controlo de condição
como: ultrasons, termometria, vibrometria, entre outros. As intervenções detetivas são
intervenções que detetam falhas ocultas que só se revelam em resultado de testes de
funcionamento, depois dos componentes serem desmontados.
A manutenção corretiva pode dividir-se em paliativa ou curativa. As intervenções
paliativas são intervenções que se limitam a reparar as avarias. As intervenções curativas são
intervenções que procuram as causas das avarias e tentam eliminá-las. Contudo este tipo de
manutenção pode ser do tipo planeada ou não planeada. Caso a anomalia se declare de forma
progressiva a intervenção da manutenção pode ser planeada, mas se a anomalia ocorrer
subitamente e o equipamento avariar, a manutenção é não planeada.
As políticas de manutenção a adotar variam de empresa para empresa, uma vez que
são condicionadas por diversos fatores, tais como, condições dos equipamentos, idade dos
mesmos e inspeções legais obrigatórias. De acordo com a produção e com os tipos de
equipamentos que existem na fábrica, a empresa deve optar pelas políticas de manutenção a
implementar mais adequadas (Pinto, 1999).
10
4º Nível – representa trabalhos importantes de manutenção corretiva ou preventiva,
com exceção de renovação e reconstrução. O local de execução é numa oficina central ou
externa de trabalho especializado e devidamente equipada e o responsável é uma equipa de
manutenção especializada. Exemplo: calibração dos aparelhos de medida utilizados nas
operações de manutenção e verificação das fases de trabalho por organismos ou empresas
especializadas.
5º Nível – renovação ou reconstrução de equipamentos. O local de execução é numa
oficina externa ou oficina do fabricante e o responsável é uma equipa multidisciplinar.
É necessário efetuar uma classificação dos equipamentos sob o ponto de vista da sua
avaria no nível e ou qualidade de produção. Fernando D’ Aléssio Ipinza propôs um método de
avaliação de criticidade dos equipamentos. O método Ipinza é uma avaliação efetuada através
de pontuações, de forma a indicar que tipo de manutenção deve ser aplicada a cada
equipamento (Bastos, 2000).
A Tabela 2.1 apresenta o método Ipinza.
Pára 4 pontos
Alto 4 pontos
Valor - económico 2 pontos
Médio
do equipamento 1 ponto
Baixo
a) A máquina em si
Sim 2 pontos
avaria b) Ao processo
Sim 3 pontos
Não 0 pontos
11
Característica Condição Pontuação
Pára 4 pontos
Alto 4 pontos
Valor - económico 2 pontos
Médio
do equipamento 1 ponto
Baixo
c) Ao pessoal
Risco 1 ponto
Estrangeiro 2 pontos
Dependência logística
Local 0 pontos
2 pontos
Terceiros
Dependência de mão de obra 0 pontos
Própria
1 ponto
Alta
Probabilidade de avaria 0 pontos
Baixa
1 ponto
Alta
Facilidade de reparação 0 pontos
Baixa
2 pontos
Simples
1 ponto
Flexibilidade e redundância By-Pass 0 pontos
Dupla
Total de Pontos
12
Tabela 2.2 – Classificação do método Ipinza
(adaptado de Pinto, 1999)
13
Organizar Coordenar Motivar
Planear Controlar
Uma vez que o planeamento é feito com base no conhecimento técnico dos
equipamentos, é necessário organizar a documentação referente aos mesmos, com base nos
seguintes elementos (Pinto, 1999):
1. Repositório do equipamento;
2. Codificação dos equipamentos;
3. Manual técnico dos equipamentos.
14
Qualquer atividade que não acrescenta valor ao cliente é considerado desperdício. Este
conceito foi originado por um engenheiro de produção da Toyota, Taiichi Ohni’s e tornou-se
num dos maiores conceitos de melhoria da qualidade das atividades primárias (Dahlgaard &
Dahlgaard-Park, 2006).
15
Formação de operadores e técnicos de manutenção;
Controlo inicial de equipamentos e produtos;
Secção de TPM no serviço de manutenção;
Segurança e higiene no trabalho.
O que acontece frequentemente no mundo empresarial é que muitas organizações
quebram os pilares e, consequentemente, o TPM fracassa.
Em suma, os principais objetivos desta filosofia são evitar desperdícios, produzir bens
sem defeitos e de modo a não reduzir a qualidade dos mesmos, reduzir custos e produzir mais
quantidade (Venkatesh, 2007).
2.7.2 Ferramenta 5s
16
2.8 Custos de manutenção
17
A Figura 2.7 representa o “iceberg” de custos de manutenção.
Custo
Tempo
18
Tal como é possível observar na Figura 2.8, os custos associados à manutenção
corretiva tendem a aumentar em função do tempo, causados pela degradação do
equipamento (Mirshawka, 1991).
A manutenção preventiva também tem custos associados, muitas vezes elevados. Na
manutenção preventiva sistemática, para minimizar riscos, são substituídos, frequentemente,
componentes ainda em bom estado e muitas operações são realizadas antes do tempo. Na
manutenção preventiva condicionada, os custos de manutenção tendem a diminuir, uma vez
que este tipo de manutenção é um tipo de manutenção inteligente, que só intervém quando
realmente é necessário. O responsável de manutenção, tem que avaliar a relação
custo/benefício e controlar bem os parâmetros dos equipamentos tais como: estado de
degradação do óleo, temperatura e vibrações (Mirshawka 1991).
2.10 Avarias
19
2.10.1 Tipos e causas de avarias
20
De acordo com a norma NP EN 13306 2007 manutibilidade é a capacidade de um
sistema ser mantido em boas condições operacionais ou ser restaurado, de forma a realizar as
funções que lhe são exigidas quando a manutenção é realizada. A manutibilidade é,
essencialmente, uma característica de conceção e de fabricação. Se o sistema dispuser de boas
características de manutibilidade, as avarias serão facilmente corrigidas e terão consequências
irrelevantes (Assis, 2004).
Existem formas de medir a manutibilidade. Esta pode ser expressa em termos de
(Assis, 2004):
• Frequência de manutenção – probabilidade de um sistema não precisar de
manutenção, mais do que um determinado número de vezes, num determinado
período de tempo.
• Tempo de manutenção – Probabilidade de um sistema ser recuperado num
determinado período de tempo quando a manutenção é realizada em condições
preestabelecidas.
• Custo de manutenção – Probabilidade do custo de manutenção não ultrapassar um
determinado valor, num determinado período de tempo quando a manutenção é
realizada em condições preestabelecidas.
De acordo com a norma NP EN 13306 2007 disponibilidade trata-se da aptidão de um
bem para cumprir uma função requerida em determinadas condições, em dado instante ou
durante um dado intervalo de tempo, assumindo que é assegurado o fornecimento dos
necessários recursos externos.
21
Não é aconselhável a utilização, simultânea, de todos os indicadores de desempenho,
uma vez que dificulta a análise do problema. Assim sendo, sempre que for detetado um
problema e consoante o mesmo, deverá ser escolhido o indicador de desempenho mais
apropriado para a situação.
De acordo com Assis (2004) os indicadores de desempenho são:
• Mean Time Between Failures(MTBF) - Tempo médio entre avarias;
• Mean Time to Repair (MTTR) - Tempo médio entre reparações;
• Mean Time Waiting (MWT) - Tempo médio de tempos de espera;
• Taxa de avarias (TA);
• Disponibilidade (D).
22
Tabela 2.3 – Indicadores de desempenho de manutenção e respetivas fórmulas
(adaptado de Cabral, 2013)
Fórmula Legenda
º
TF – Tempo total de funcionamento num
TA = ∑ ×
determinado período.
23
Taxa média
de avarias a) c)
b)
Tempo
Tal como é evidenciado na Figura 2.9 o gráfico possui três fases indicadas pelas letras
a, b e c. Trata-se de um gráfico da taxa de avarias (variável dependente) em função do tempo
(variável independente).
Um equipamento novo tem elevadas probabilidades de avariar durante as primeiras
semanas de funcionamento devido a possíveis problemas de instalação, defeitos de fabrico
durante a fase de projeto, defeitos nos materiais, entre outros fatores. Esta fase denomina-se
por fase infantil, está representada pela letra a) e é caracterizada por uma taxa de avarias
decrescente, uma vez que se trata da fase de teste e de adaptação dos equipamentos (Smith,
1993).
Após as primeiras semanas, a taxa de avarias diminui, tornando-se relativamente baixa
e estável. Ocorrem avarias de caráter aleatório e imprevisível que não se podem atribuir a
nenhuma causa específica, mas que podem resultar de valores de esforços ou resistência dos
componentes que ultrapassam o máximo admissível ou ainda, condições ambientais adversas
(Smith, 1993). Esta fase encontra-se representada pela letra b).
Com o passar do tempo de utilização segue-se a última zona, a zona de desgaste que
se encontra representada pela letra c). Trata-se do período em que as avarias se tornam
inevitáveis. Dado que nesta fase o equipamento se encontra no fim do seu ciclo de vida, esta é
caracterizada por uma taxa de avarias crescente ao longo do tempo, verificando-se também,
um aumento dos custos resultantes (Smith, 1993).
24
2.11 Ordem de trabalho
25
2.13 Sistemas informáticos
Segundo Pinto (1999) a partir dos anos oitenta houve uma expansão no
desenvolvimento informático quer no domínio hardware, quer o domínio software. A
utilização de um software facilita muito a gestão de manutenção numa empresa e traz muitas
vantagens, no que diz respeito à rapidez de informação e ao aumento de produtividade.
Para implementar um sistema informático é necessário que o serviço de manutenção
se encontre bem organizado. Assim sendo, toda a informação referente a sistemas de
codificação dos equipamentos e dos materiais de organização, documentação técnica dos
equipamentos, planos de manutenção preventiva e ficheiros dos profissionais, são
fundamentais para a sua implementação.
As emissões de ordens de trabalho, através dos programas de gestão de manutenção,
podem ter origem numa requisição de trabalho efetuada por um responsável de área de
manutenção face uma avaria (manutenção corretiva), ou podem ser emitidas pelo próprio
software após serem planeadas e programadas segundo um plano de manutenção preventiva.
As ordens de trabalho são programadas consoante diversos fatores como horas de trabalho
previstas para executar os planos de manutenção, equipas de trabalho especializadas para
cada função e grau de urgência. Após esta programação o software dá informação da listagem
das ordens de trabalho consoante os prazos previstos (Pinto, 1999).
Por fim, as ordens de trabalho são executadas e são inseridas no programa dados
referentes ao tempo de execução das tarefas, materiais utilizados e operações realizadas,
possibilitando assim, o registo histórico das intervenções realizadas aos equipamentos.
Existem vários benefícios, segundo Pinto (1999) que se podem obter com a introdução
de um software de manutenção como:
Melhorias no planeamento e programação;
Redução na subcontratação;
Redução do número de peças em reserva;
Redução do nível de stocks;
Redução dos custos de armazenagem;
Melhorias devidas à maior disponibilidade de peças e materiais;
Aumento da produção.
Portanto, existem benefícios na gestão de mão de obra, na gestão de peças de reserva
e na disponibilidade do equipamento.
26
3
3 VELAN – VÁLVULAS INDUSTRIAIS
3.1 Velan
A Velan é uma empresa, fundada pelo empresário AK Velan em 1950, cuja principal
atividade é o fabrico de válvulas de aço para indústrias de geração de energia, química e
petroquímica, petróleo e gás, papel e celulose, mineração, criogénico e indústrias de
construção naval, sendo uma referência mundial em qualidade e inovação. Atualmente, a
empresa possui uma rede global de dezassete fábricas especializadas, das quais, cinco no
Canadá e nos EUA, seis na Europa e seis na Ásia. A rede global da empresa também inclui cinco
centros de distribuição de lotação, centenas de distribuidores e lojas de serviços em todo o
mundo, empregando mais de duas mil pessoas.
27
A Figura 3.1 contém uma vista geral de uma das secções da unidade fabril.
A Figura 3.1 apresenta uma unidade fabril da Velan Portugal. Existem três corredores
semelhantes, em que apenas mudam os equipamentos.
A Velan produz dois tipos de válvulas: i) stop valves (válvulas de fecho total) e
ii) check valves (válvulas de retenção), sendo que, as primeiras são utilizadas para controlar o
caudal do fluído e as segundas são válvulas utilizadas para controlar a direção do mesmo.
Dentro das válvulas de fecho existem as gate valves (válvulas de cunha) e as globo valves
(válvulas de globo). As utilizações mais significativas destes dois tipos de válvulas são no
downstream de refinarias ou em centrais energéticas, essencialmente, no controlo de vapor.
28
A Figura 3.2 esquematiza o tipo de válvulas produzidas pela Velan.
As válvulas produzidas podem ser de diversos tamanhos, tal como evidenciado pela
Figura 3.3 na qual estão representadas a maior e a menor válvula produzidas na Velan Portugal
até aos dias de hoje, sendo que a maior é de cinco toneladas e a menor de dezoito
quilogramas.
29
Gate valves (válvulas de cunha) são válvulas utilizadas quando a direção desejada do
fluído numa determinada direção. São válvulas que só têm duas posições ou completamente
abertas ou completamente fechadas.
A Figura 3.4 representa o corpo de válvulas de cunha.
30
Check valves (válvulas de retenção) são válvulas antirretorno que permitem que o
fluído escoe apenas numa direção. Regra geral, trabalham automaticamente e a maioria das
válvulas não precisa de ajuda de operadores ou de atuadores.
A Figura 3.6 e a Figura 3.7 apresentam o corpo de válvulas de retenção.
31
3.4 Instalações e equipamentos da fábrica
3.4.1 A Fábrica
32
A Figura 3.8 representa o compressor de velocidade variável.
33
A Figura 3.10 apresenta o reservatório da sala de compressores.
Todos os equipamentos da Velan que se encontram ativos estão distribuídos pelas três
secções principais consoante as suas finalidades.
Zona de maquinagem – onde se encontram todos os equipamentos dedicados à
transformação dos moldes dos corpos das válvulas, nomeadamente:
• TR12 • MDW
• TV1 • EM1
• TV2 • ER2
• CM5 • ER4
• CM4 • TC1
34
• EM2 • CM1
• FU1 • SF2
• FU2 • SF1
• TC2 • ER1
• TR4 • PUMA
• TP2 • MD5
• TR11 • MD10-1
• TR3 A • MD10-2
• TR3 B • SM1
• CM2
• HF1 • LAP1
• HF2 • LAP2
• EL2 • MR1
• SM1 • MR2
• SM2 • MR3
• EL1 • USW
• WM1
• WM2
• MT1 • MAD
• MT2 • CP
• MT6 • Máquina pintura
• MT7
35
Importa ainda referir que existem oito pontes rolantes ao longo dos corredores para
transportar as válvulas e outros materiais pesados, bem como bandeiras ao longo de todas as
secções que auxiliam determinados equipamentos.
A Velan possui ainda empilhadoras, esteiras, máquinas de soldar e máquinas de uso
específico que não se encontram representados na planta da empresa. Dentro das máquinas
de uso específico a fábrica possui, por exemplo, uma máquina dedicada à certificação da
composição das válvulas que serão exportadas.
36
A Figura 3.11 evidencia o interior do equipamento CM4. Neste encontra-se um corpo
de uma válvula a ser trabalhado. Como se pode verificar, foram feitas furações e a cabeça de
mandrilar prepara-se para fazer backspot face.
37
bandeiras, uma vez que os corpos das válvulas são movidos pelas pontes rolantes, dada a
dimensão destes mesmos corpos.
38
A Figura 3.15 evidencia a entrada de uma válvula para o interior do equipamento CM5.
39
Na Figura 3.16 encontra-se o equipamento SF1.
A Figura 3.16 apresenta o equipamento SF1. Está a ser preparada uma manutenção.
Estes equipamentos possuem sistema hidráulico, sistema elétrico e de potência e
sistema de elevação por bandeiras para transportar as válvulas.
40
Em suma, a Tabela 3.1 reúne os sistemas que os equipamentos referidos possuem.
Sistema
X X X X
hidráulico
Sistema
X X - X
pneumático
Sistema elétrico
X X X X
e de potência
Sistema
de lubrificação X X - -
e refrigeração
Sistema
- - X X
de elevação
41
A Figura 3.18 apresenta o equipamento referido.
42
4
ANÁLISE DO ESTADO INICIALDA EMPRESA
Este capítulo apresenta o estado inicial da empresa onde se desenvolveu o tema desta
dissertação.
43
4.2 Estado inicial dos equipamentos
44
5
PROPOSTAS DE MELHORIA PARA O SERVIÇO
DE MANUTENÇÃO
45
Tabela 5.1 – Codificação de equipamentos
Equipamento Código
Carrossel de pintura CP
Compressor velocidade constante CC
Compressor velocidade variável CV
Lapidadora 3 LAP3
Twowaymachine TR3-B
Tal como é possível observar na Tabela 5.1, para o equipamento carrossel de pintura o
código corresponde às iniciais do próprio nome do equipamento, ou seja, carrossel e pintura
(CP). Para os dois compressores foi utilizado o mesmo raciocínio, isto é, CC para o compressor
velocidade constante e CV para o compressor de velocidade variável. Tendo em conta que já
existem duas lapidadoras e que os seus códigos são LAP1 e LAP2, o código da lapidadora três é
LAP3. Por fim, a twowaymachine foi substituir um outro com a mesma funcionalidade que se
denominava por TR3-B, ficando, portanto, com o mesmo código.
Apesar de nem sempre haver alguma regra na atribuição dos códigos, seguiu-se, na
sequência dos já existentes, a mesma lógica.
A Tabela 5.2 reúne os equipamentos em estudo e o respetivo código, já atribuído pelos
responsáveis da fábrica. Tal como é possível verificar na mesma, a maior parte dos
equipamentos segue a mesma linha de raciocínio, ou seja, as iniciais dos seus nomes (que se
encontram na Tabela a bold) formam a nomenclatura do equipamento e, uma vez que existem
equipamentos iguais, para os distinguir numeram-se consoante a ordem de aquisição.
46
Tabela 5.2 – Codificação de equipamentos já codificados
Equipamento Código
Engenho mecânico um EM1
Engenho radial dois ER2
Fresa universal um FU1
Máquina de testes um MT1
Máquina de testes sete MT7
Lapidadora dois LAP2
Mandrilhadora radial MR
47
qual, foram acrescentadas outras duas colunas, identificadas pelos números xii) e xiii) com as
seguintes informações:
i) Identificação do equipamento;
ii) Localização física;
iii) Posição do manual;
iv) Fabricante;
v) Modelo;
vi) Número de série;
vii) Ano;
viii) Tipo;
ix) Descrição;
x) Tábua de lubrificação;
xi) Observações;
xii) Equipamentos fixos (F) ou móveis (M);
xiii) Possuí semi-pórtico rotativo.
No anexo B encontra-se representado um excerto do ficheiro master de máquinas para
determinados equipamentos.
Tendo em conta que a fábrica detém de muitos equipamentos e que o ficheiro master
de máquinas é muito extenso, definiram-se cores para simplificar a sua consulta e,
consequentemente, a recolha de informação:
i) Vermelho: corresponde a equipamentos desativados;
ii) Amarelo: corresponde a equipamentos avariados;
iii) Lilás: corresponde a equipamentos que não se encontram representados no layout
da fábrica;
iv) Branco: corresponde a equipamentos que se encontram em normal funciona-
mento.
No anexo C encontra-se representado um excerto do master de máquinas simplificado
com cores.
O facto de existir um documento que reúna a informação dos equipamentos, garante
que o processo de recolha de informação requeira menos tempo, ou seja, se torne mais
eficiente, pois assim, qualquer trabalhador da Velan que procure a informação que deseja,
será mais rápido e terá mais tempo para se dedicar a atividades de valor acrescentado para a
empresa.
48
No entanto, é relevante ter em consideração que grande parte dos equipamentos da
fábrica têm uma idade avançada, o que dificulta a recolha de informações importantes nos
seus manuais, como por exemplo, desenhos e determinadas especificações técnicas, dada a
idade dos mesmos. Assim sendo, é importante para a organização de qualquer empresa,
principalmente, para uma empresa da dimensão da Velan Portugal, a utilização de um
software de gestão de manutenção, de modo a gerir todas as atividades da fábrica, bem como
arquivar especificações técnicas dos equipamentos.
Existe ainda, por parte das empresas, falta de atenção para com as atividades de
manutenção, sendo por isso necessário intensificá-las. Se uma empresa desejar manter-se
competitiva no mercado, todas as paralisações dos equipamentos e quebras de produção não
planeadas precisam de ser eliminadas para se alcançar uma taxa de utilização de excelência.
Infelizmente, a maior parte das atividades não são concretizadas, uma vez que as equipas de
manutenção, geralmente, se encontram ocupadas com outras falhas ou paralisações que vão
ocorrendo (Mirshawka, 1991).
O método Ipinza permite definir que tipo de manutenção é a mais adequada para cada
equipamento. Com
As Tabelas que se seguem apresentam, respetivamente, a pontuação atribuída aos
equipamentos CM4, CM5, SF1/SF2, MT1/MT2 e CP.
49
Tabela 5.3 – Método Ipinza equipamento CM4
Total de Pontos 17
50
Tabela 5.4 – Método Ipinza equipamento CM5
Total de Pontos 14
51
Tabela 5.5 – Método Ipinza equipamento SF1/SF2
Total de Pontos 10
52
Tabela 5.6 – Método Ipinza equipamento MT1/MT2
Total de Pontos 11
53
Tabela 5.7 – Método Ipinza equipamento CP
Total de Pontos 19
54
Tal como evidenciado nas Tabelas anteriores, a pontuação atribuída aos equipamentos
foi, respetivamente, 17, 14, 10, 11 e 19. Assim sendo, seguindo a Tabela 5.8 apresenta a
classificação do método de Ipinza.
Tal como evidenciado na Tabela 5.8 conclui-se que para o equipamento CP é crítica a
aplicação da manutenção preventiva. Para o equipamento CM4 e CM5 conclui-se que é
importante a aplicação da manutenção preventiva. Por fim, para os equipamentos MT1 e SF1
conclui-se que é conveniente a aplicação de manutenção corretiva. Porém, é necessário referir
e ter em conta que este método é bastante subjetivo, pois não tem em consideração a
disponibilidade dos equipamentos, nem a ausência de dados estatísticos.
Este método não foi aplicado aos equipamentos da sala de compressores, uma vez que
é imprescindível a aplicação de manutenção preventiva aos equipamentos desta sala, pois
caso esta falhe, a fábrica para.
55
Tabela 5.9 – Simbologia da manutenção
Simbologia
Adicionar
Limpeza
Níveis de óleo
Substituir
Verificação
Tal como é possível verificar na Tabela 5.9 a cada operação de manutenção é associada
um símbolo.
A Tabela 5.10 reúne a restante simbologia implementada nos planos de manutenção.
Esta simbologia refere-se, maioritariamente, a componentes dos equipamentos.
Bobines
Bomba hidráulica
Cabos
Caminhos
rolamento
Cilindro hidráulico
Filtro
Fuso
Esteiras
Inibidores
funcionamento
56
Limalhas
Lubrificar com
bomba
Massa
Motor elétrico
Óleo
Parte elétrica
Painel controlo
Pedais
acionamento
Peças móveis
Pines de carga
Pressão
Radiadores
Sensores
Separadores de
água
Silenciadores
Sistema travagem
Termómetro
Tubagens
Ventiladores
Tal como é possível verificar na Tabela 5.10, uma coluna refere-se aos componentes das
máquinas e a outra à respetiva simbologia.
57
5.3.3 Planos de manutenção preventiva
Após ter sido melhorada a documentação de manutenção, depois de ter sido feita uma
análise cuidada dos manuais dos equipamentos, bem como das informações dos fabricantes e
de ter sido implementada uma simbologia, tornou-se possível criar planos de manutenção.
Os planos de manutenção foram criados para cinco equipamentos (CM4, CM5, SF1,
MT1 e CP), bem como para a sala de compressores da fábrica. Contudo, tendo em conta que
os equipamentos SF1 e MT1 são, respetivamente, iguais aos equipamentos SF2 e MT2 os seus
planos estenderam aos seus congénitos.
As operações de manutenção definidas, consoante a sua complexidade, são efetuadas
pelos técnicos de manutenção ou pelos operados de máquinas. Assim, quando estas são mais
simples de realizar, são efetuadas pelos operadores e, quando são mais complexas, são
realizadas pelos técnicos. É necessário reforçar que todas as horas que se encontram nos
planos de manutenção correspondem às horas de trabalho do equipamento, ou seja, o
número de horas que o equipamento precisa de trabalhar para que a operação se repita.
No anexo D encontra-se o plano de manutenção criado para o equipamento CM4.
Existem três colunas: i) a coluna correspondente ao sistema do equipamento (sistema
hidráulico, pneumático, sistema elétrico e de potência e sistema de lubrificação e
refrigeração), ii) a coluna correspondente à operação de manutenção juntamente com a
respetiva simbologia e iii) a coluna correspondente à frequência com que se devem repetir as
operações de manutenção (horas). Contudo, foram acrescentadas no final do plano outras
operações que não estão associadas a nenhum sistema em concreto, apenas dizem respeito à
limpeza do equipamento.
A Tabela 5.11 apresenta um excerto do plano de manutenção do equipamento CM4.
58
Tabela 5.11 – Excerto do plano de manutenção do equipamento CM4
Outras tarefas 8h
Limpeza de limalhas
Pontos
Horas Manutenção Preventiva cabeça de mandrilarCM4 no
desenho
Utilizar lubrificante Nipple para lubrificar porca do fuso de avanço com "kluber
6
centoplex glp500".
59
as operações de manutenção (horas), a segunda indica as operações de manutenção a efetuar
e a última coluna refere-se aos pontos no desenho, pois tendo em conta a complexidade da
cabeça de mandrilar, os locais específicos para efetuar as operações são identificados num
desenho técnico, de modo a facilitar o trabalho dos técnicos de manutenção e evitar falhas
cometidas pelos mesmos.
Todas as operações referentes à cabeça de mandrilar e dos equipamentos da sala de
compressores estarão a encargo, apenas, da equipa de manutenção, dada a complexidade das
mesmas.
No anexo E encontra-se o desenho técnico da cabeça de mandrilar, bem como os
pontos correspondentes aos locais das operações de manutenção.
No anexo F, encontra-se o plano de manutenção criado para o equipamento CM5.
Existem três colunas: i) a coluna correspondente ao sistema do equipamento (sistema
hidráulico, pneumático, sistema elétrico e de potência, sistema de lubrificação e refrigeração),
ii) a coluna correspondente à operação de manutenção juntamente com a respetiva
simbologia e iii) a coluna correspondente à frequência com que se devem repetir as operações
(horas). À semelhança do que foi referido para o equipamento anterior, foram acrescentadas
no final do plano outras operações que não estão associadas a nenhum sistema em concreto,
apenas dizem respeito à limpeza do equipamento.
A Tabela 5.13 apresenta um excerto do plano de manutenção do equipamento CM5.
60
A Tabela 5.14 apresenta um excerto do plano de manutenção dos equipamentos MT1
e MT2.
Tabela 5.14 – Excerto do plano de manutenção dos equipamentos MT1 e MT2
Sistema elétrico
8h
e de potência Verificação do funcionamento dos sensores
Tal como é evidenciado na Tabela 5.14 para os equipamentos MT1 e MT2 seguiu-se a
mesma linha de raciocínio que para os equipamentos anteriores, ou seja, as colunas estão
igualmente divididas e referenciadas. Convém reforçar que estes equipamentos não possuem
sistema de lubrificação e refrigeração, mas possuem sistema de elevação por bandeiras. No
anexo G encontra-se o plano de manutenção destes equipamentos.
A Tabela 5.15 apresenta um excerto do plano de manutenção dos equipamentos SF1 e
SF2.
Tabela 5.15 – Excerto do plano de manutenção dos equipamentos SF1 e SF2
Verificação do funcionamento
Sistema hidráulico 1000h
do cilindro hidráulico
61
Tal como evidenciado na Tabela 5.15 o plano de manutenção criado para os
equipamentos SF1 e SF2 segue a mesma linha de raciocínio que os planos criados para os
equipamentos anteriores. Convém reforçar que estes equipamentos apenas possuem sistema
hidráulico, sistema elétrico e de potência e sistema de elevação por bandeiras. No anexo H
encontra-se o plano de manutenção completo destes equipamentos.
Para o equipamento CP, a divisão das operações foi divida consoante os setores do
mesmo. O plano também possui três colunas como nos equipamentos anteriormente,
mencionados, sendo a primeira referente aos setores que o equipamento apresenta (DEMAG,
casa das tintas, esticador de corrente, lubrificador, chumaceiras do grupo de tração e cabine de
pintura) bem como, dois dos sistemas que possui (sistema pneumático e sistema de elevação). A
segunda coluna refere-se às operações de manutenção e a terceira à frequência com que as
operações se devem efetuar (horas). No anexo I encontra-se o plano de manutenção referido.
A Tabela 5.16 apresenta um excerto do plano de manutenção do equipamento CP.
Tal como evidenciado na Tabela 5.16 o plano te manutenção possui as três colunas
referidas. DEMAG é a marca dos ganchos que seguram as válvulas enquanto estas circulam ao
longo do equipamento e, tendo em conta que é comum esta designação por parte dos
trabalhadores da fábrica, utilizou-se o mesmo termo para este plano de manutenção.
Por fim, foi elaborado um plano de manutenção para a sala de compressores. Tendo
em conta que esta é constituída por mais do que um equipamento, o seu plano foi divido de
forma diferente. No anexo J encontra-se o plano deste equipamento.
A Tabela 5.17 apresenta um excerto deste plano.
62
Tabela 5.17 – Excerto do plano de manutenção da sala de compressores
63
Tabela 5.18 – Plano de manutenção preventiva do equipamento CM4 a realizar pelo operador
discriminado em 8 horas de funcionamento do mesmo
Horas Operação
Tal como evidenciado na Tabela 5.18 esta possui duas colunas. A primeira coluna diz
respeito à rotina de manutenção, ou seja, horas de funcionamento do equipamento até que a
operação se repita e a segunda coluna diz respeito às operações de manutenção a realizar
pelos operadores com a respetiva simbologia. As operações encontram-se numeradas, de
modo a facilitar o preenchimento da folha de registos que será abordada mais à frente.
A Tabela 5.19 apresenta o plano de manutenção preventiva do equipamento CM5 para
o operador discriminado em 50horas de funcionamento do mesmo. Tal como evidenciado na
mesma a primeira coluna indica a frequência com que se as operações de manutenção devem
ser realizadas e a segunda coluna indica a operação de manutenção a realizar pelo operador
com a respetiva simbologia. Convém reforçar que as operações se encontram numeradas para
facilitar o preenchimento das folhas de registos que serão abordadas mais à frente.
64
Tabela 5.19 – Plano de manutenção preventiva do equipamento CM5 a realizar pelo operador
discriminado em 50 horas de funcionamento do mesmo
Horas Operação
Tabela 5.20 – Plano de manutenção preventiva dos equipamentos MT1 e MT2 a realizar pelo operador
discriminado em 100 horas de funcionamento do mesmo
Horas Operação
Tal como evidenciado na Tabela 5.20 foi seguido a mesma linha de raciocínio para
estes equipamentos, ou seja, a Tabela apresenta também duas colunas em que a primeira diz
respeito à frequência com que manutenção deve ser realizada em horas de trabalho do
65
equipamento e a segunda coluna diz respeito à operação de manutenção bem como, à
simbologia correspondente à mesma. Mais uma vez, as operações encontram-se numeradas.
A Tabela 5.21 apresenta plano de manutenção preventiva dos equipamentos SF1 e SF2
para o operador discriminado em 200h horas de funcionamento do mesmo.
Horas Operação
Tal como evidenciado na Tabela 5.21 foi seguido a mesma linha de raciocínio para
estes equipamentos, ou seja, a Tabela apresenta também duas colunas em que a primeira diz
respeito à frequência com que manutenção deve ser realizada, em horas de trabalho do
equipamento e a segunda coluna diz respeito à operação de manutenção bem como, à
simbologia correspondente à mesma. Mais uma vez, as operações encontram-se numeradas.
A Tabela 5.22 apresenta o plano de manutenção preventiva do equipamento CP para o
operador discriminado em 1000h horas de funcionamento do mesmo.
Horas Operação
Tal como evidenciado na Tabela 5.22 foi seguida a mesma linha de raciocínio para este
equipamento, ou seja, a Tabela apresenta também duas colunas em que a primeira diz
respeito à frequência com que manutenção deve ser realizada, em horas de trabalho do
66
equipamento e a segunda coluna diz respeito à operação de manutenção bem como, à
simbologia correspondente à mesma. Mais uma vez, as operações encontram-se numeradas.
Como, anteriormente, mencionado repetiu-se este procedimento para todas as outras
horas dos equipamentos apresentados.
De modo a facilitar o trabalho dos operadores de máquinas e para evitar erros
cometidos pelos mesmos, foram fotografados os locais específicos das operações de
manutenção e as fotografias foram anexadas aos planos de manutenção.
Para criar disciplina e rigor face aos planos de manutenção, foram desenvolvidas folhas
de registo das atividades de manutenção dos operados. Estas apenas foram desenvolvidas
para os operados, pois os técnicos de manutenção registam as suas atividades no software.
A Tabela 5.23 apresenta a folha de registo de manutenção para 8h de funcionamento
do equipamento CM4.
Tabela 5.23 – Registo das atividades de manutenção preventiva 8 horas equipamento CM4
Data esperada
Data
Operação para a próxima Observações Assinatura
operação
operação
1)
2)
3)
4)
67
próxima, observações que sejam úteis fazer em relação às operações que foram efetuadas ou
ao estado do equipamento e assinatura do operador.
A Tabela 5.24 apresenta a folha de registo das atividades de manutenção para 50h.
Tabela 5.24 – Registo das atividades de manutenção preventiva para 100h horas de funcionamento
dos equipamentos MT1 e MT2
Data esperada
Data
Operação para a próxima Observações Assinatura
operação
operação
1)
2)
3)
Tal como evidenciado na Tabela 5.24 as folhas de registos de operações são idênticas
para todos os equipamentos, sendo a única diferença o numero de operações a efetuar.
Foram desenvolvidas folhas de registos de operações para todos os restantes
equipamentos supramencionados bem como, para as restantes horas. Assim, o operador
consulta os seus planos, elabora as operações e regista o cumprimento das mesmas na folha
de registos das atividades de manutenção.
É bastante importante o cumprimento dos planos de manutenção, bem como
preenchimento das folhas de registos, não só para criar rotinas de manutenção, como também
para criar históricos de avarias na empresa. O facto de o operador fazer observações após a
realização de cada operação, permitirá que a equipa de manutenção analise, continuamente, o
desenvolvimento dos parâmetros dos equipamentos e, a longo prazo, possa vir a reformular as
horas definidas para as frequências de manutenção, de modo a criar planos que irão de
encontro às necessidades reais dos mesmos e intervalos de manutenção mais adequados.
68
5.4 Implementação de todas as atividades de manutenção
no software de gestão da manutenção IBM maximo
Os múltiplos software de gestão de manutenção são, nos dias de hoje, uma ferramenta
muito utilizada e que se têm vindo a expandir ao longo do tempo (Cabral, 2013). O IBM maximo,
foi o software escolhido pela empresa em questão. Este detém de diversas funcionalidades e
como referido, anteriormente, é apenas utilizado pela equipa de manutenção.
Todas as atividades desenvolvidas no maximo são criadas e reportadas pela Joana
Adrega (JADREGA) e efetuadas pelos técnicos de manutenção Leonardo Pereira ou Paulo Filipe
(LPEREIRA ou PFILIPE).
Em primeiro lugar são criados assets (ativos). As informações mais específicas sobre
cada equipamento como, a sua designação, a sua localização física na fábrica, número de série
e a data de instalação são inseridas nesta secção e, o equipamento em questão fica registado
no software. No anexo K encontra-se o asset do equipamento CP.
Em segundo lugar são criados job plans (planos de trabalho) a partir dos planos de
manutenção preventiva desenvolvidos. Nesta secção as operações de manutenção destinadas
aos técnicos são inseridas e a duração das mesmas é estimada. Existe a possibilidade de colocar,
em anexo, imagens ou desenhos técnicos dos locais específicos para efetuar as operações bem
como, recomendações pertinentes a fazer. É definida, também, a prioridade da realização das
ordens de trabalho associadas a estes planos de trabalho, sendo o nível 1 o mais urgente e o
nível 4 o menos urgente. No anexo L encontra-se o plano de trabalho da cabeça de mandrilar do
equipamento CM4. Este é da responsabilidade de Joana Adrega será realizado pelo técnico de
manutenção Leonardo Pereira e, como se pode verificar no anexo, foi reformulado uma vez. É
necessário referir também que, os planos de trabalho são divididos consoante os intervalos de
manutenção. O nome do plano de trabalho é, neste caso, PT112HCM4. PT significa Velan
Portugal, 112h é o intervalo de manutenção e CM4 o nome do equipamento em questão. Assim
que os planos de manutenção estão em funcionamento o status (estado) é definido como ativo.
Em terceiro lugar criam-se planos de manutenção preventiva associados aos planos de
trabalho. Após estes terem sido desenvolvidos, estipula-se a frequência de manutenção para a
realização destes planos, de modo a que o programa informe, com antecedência, que é
necessário voltar a realizar as operações de manutenção. No anexo M e N encontra-se a
secção referida do equipamento CP. Como se pode verificar a frequência de manutenção está
definida em dias, de modo a facilitar contagens e, após ser definida o software assume uma
possível data para a realização da próxima manutenção. Contudo é a equipa de manutenção
69
que estipula, definitivamente, quando é que se deve realizar a manutenção bem como, data
limite para a sua realização. Pretende-se que o software avise com antecedência de 7 dias que
é necessário voltar a realizar as operações de manutenção. Por fim, assim que a manutenção
preventiva se encontra programada, o status (estado) é alterado para ativo.
Após terem sido efetuados todos estes procedimentos, o software gera work orders
(ordens de trabalho). As ordens de trabalho estão associadas aos planos de trabalho
desenvolvidos. Estas contêm o grau de urgência (1 mais urgente, 4 menos urgente) para a sua
realização bem como, as datas previstas para a mesma. Após a criação da OT o estado é alterado
para approved (aprovado) e depois da sua execução é alterado para completed (completo). É
possível definir a duração de cada operação e, ainda, deixar comentários referentes às operações
efetuadas bem como, ao estado do equipamento e/ou parâmetros do mesmo.
No anexo O encontra-se a OT efetuada para um intervalo de manutenção de 1000h do
equipamento MT1. Esta tem definida uma data de criação (report date), bem como, a data
prevista para a realização da manutenção (sched start) e finalização da mesma (sched finish).
No anexo P encontra-se a OT efetuada para um intervalo de manutenção de 2000h do
equipamento SF1 e no anexo Q encontra-se a OT para um intervalo de manutenção de 1000h
do equipamento CM4.
No anexo R encontra-se a OT para um intervalo de manutenção de 1000h do
equipamento SF1. Tal como é evidenciado na Figura, algumas operações já se encontram
realizadas e, portanto, o estado está indicado como completo, mas, outras ainda estão em
progresso, sendo por isso, o seu estado in progress (em progresso). Esta OT apresenta,
também, target start (data em que as operações de manutenção foram realizadas) e target
finish (data em que as operações foram concluídas). Por fim, foram deixados comentários em
relação às operações/tarefas de manutenção realizadas.
No anexo S encontra-se a OT para um intervalo de manutenção de 1000h do
equipamento CM4. Tal como evidenciado, todas as operações/tarefas se encontram realizadas
e, portanto, o estado é indicado como completo. Foram deixados comentários em relação a
todas as operações/tarefas efetuadas.
A Figura 5.1 esquematiza a sequência do trabalho desenvolvido no software.
Planos Planos
Ordens
Ativos de de manutenção
de Trabalho
trabalho preventiva
70
Tal como evidenciado na Figura 5.1 os procedimentos seguem a seguinte sequência:
1. Ativos;
2. Planos de trabalho;
3. Planos de manutenção preventiva;
4. Ordens de trabalho;
Caso um equipamento necessite de um componente ou órgão novo, ou caso necessite
de uma manutenção antecipada, ou ainda caso ocorra uma avaria inesperada de qualquer
equipamento da fábrica, o software dispõe de uma outra secção que se denomina por service
request (requisito de serviço). Esta secção permite que se preencha, detalhadamente, o
objetivo do serviço requisitado, assim como o seu grau de urgência. Quando o requisito de
serviço é criado gera uma ordem de trabalho que, caso seja realizada, o estado é alterado para
completo como referenciado no anexo T (ordem de trabalho associada a um requisito de
serviço do equipamento MT2). Caso só se encontre aprovada, mas não efetuada o estado fica
apenas aprovado. No anexo U, V e X encontram-se as ordens de trabalho associadas a
requisitos de serviço para os equipamentos, engenho de lapidar 1 (EL1), máquina de ensaios 7
(MT7) e CM5, respetivamente.
Foram criadas ordens de trabalhos em função dos requisitos de serviços para todos os
equipamentos da fábrica.
É muito importante utilizar um software de gestão de manutenção para uma empresa
deste calibre, pois é uma ferramenta imprescindível para a mesma, uma vez que é capaz de
gerir qualquer atividade sucedida na empresa, de modo a praticar trabalhos de manutenção e
gestão de manutenção eficientes e ganhar tempo para atividades de valor acrescentado para a
empresa. Para além disso, o software facilita, bastante, o registo histórico de avarias e
manutenções levando, mais uma vez, a equipa de manutenção a analisar e registar,
continuamente, o desenvolvimento dos parâmetros dos equipamentos, de modo a vir a
praticar um tipo de manutenção que vá e encontro às necessidades reais dos mesmos e
determinar intervalos de manutenção mais fidedignos.
71
resolvidos. Pôs-se em causa se seria melhor comprar um equipamento novo tendo em conta a
sua desvalorização ao longo dos anos.
Assim sendo as informações necessárias para esta decisão são:
• O equipamento custou à empresa 17.000€ em troca do equipamento antigo;
• O orçamento do arranjo era 3.500€;
• A depreciação do equipamento por ano é 14,28%;
• O equipamento tem 6 anos.
• Um equipamento novo em troca deste custa também 17.000€.
Considerando que o equipamento vale, neste momento, 2.4344€ 17 − 17×0.1428×
6 = 2.4344€$ e que o seu arranjo era 3.500€ compensaria comprar um equipamento novo.
Porém este não possuía grandes diferenças face ao antigo, portanto, tendo em conta que
comprar um novo ainda é dispendioso para a empresa, após uma análise cuidada e profunda
do estado atual da mesma, optou-se, apenas, por arranjar o antigo.
72
6
4 CONCLUSÕES E PROPOSTAS DE TRABALHOS FUTUROS
Neste capítulo são abordadas as conclusões finais do caso de estudo cujo foco foi a
manutenção industrial e a respetiva gestão. Serão apresentadas as principais conclusões
obtidas através da implementação do sistema de gestão da manutenção desenvolvido, bem
como as propostas para trabalhos futuros.
5 6.1 Conclusões
73
É de referir também que, no caso deste tipo de manutenção, à medida que o tempo
passa, nem sempre as avarias que ocorrem nos equipamentos, nem os custos associados às
suas reparações aumentam, como mencionado no capítulo 2. Regra geral, a taxa de avarias
segue uma curva em forma de banheira, em que na fase de desgaste tende a aumentar com o
tempo. Contudo, não se pode pôr de parte o facto de certos componentes e/ou órgãos dos
equipamentos serem substituídos ao longo do tempo de utilização. Assim sendo, o
equipamento pode encontrar-se numa fase avançada, mas determinados componentes e/ou
órgãos podem ser recentes, o que muitas vezes leva a diminuir e/ou estabilizar quer a taxa de
avarias, quer os custos de reparação.
Conclui-se, também, que a limpeza dos equipamentos facilita bastante as atividades de
manutenção e de gestão da manutenção. A maior parte dos equipamentos da Velan, após as
operações a que as válvulas ficam sujeitas, produzem bastantes limalhas. Caso estas não sejam
devidamente limpas podem danificar os equipamentos e causar avarias desnecessárias. Para além
disso, quando se efetuam as atividades de manutenção é conveniente ter os equipamentos limpos
para facilitar a manutenção, pois se assim for, as condições de trabalho melhoram, o tempo de
manutenção diminui e o tempo dedicado às atividades de valor acrescentado aumenta.
Os planos de manutenção, de uma forma geral, foram todos seguidos e os que não
foram, preparam-se para sê-lo. Contudo, a principal conclusão retirada foi que a utilização de
um software de gestão da manutenção é imprescindível para uma empresa da dimensão da
Velan Portugal, pois este é capaz de gerir de uma forma eficaz, todas as atividades necessárias
ao bom funcionamento da empresa, assim como, capaz de suportar e registar todas as
decisões da manutenção. Desta forma, a gestão da manutenção torna-se mais eficiente e, mais
uma vez, o tempo a dedicar às atividades de valor acrescentado para a empresa aumenta.
Em síntese, todo o planeamento e propostas desenvolvidas, resultam de uma análise
cuidada e ponderada, com o intuito de proporcionar melhorias na empresa, como preservar o bom
funcionamento dos equipamentos e evitar a ocorrência de avarias. Os planos de manutenção
desenvolvidos têm por base a preservação dos equipamentos da Velan, de modo a evitar paragens
de produção e custos associados a estas paragens. Após a criação destes planos, a gestão da
manutenção a partir do software maximo também proporcionou o melhor funcionamento da
fábrica, pois trata-se de uma solução prática e eficaz para o funcionamento desta empresa.
74
6.2 Propostas de trabalhos futuros
Não foi possível ainda, nesta fase, determinar os intervalos de rotinas da manutenção
mais adequados devido à falta de históricos de avarias. Assim sendo, o principal objetivo
proposto a longo prazo é que a empresa venha a praticar um tipo de manutenção que vá de
encontro às necessidades reais dos equipamentos e que intervenha só quando for necessário,
evitando assim, a realização de qualquer operação ou tarefa antecipada. O objetivo é que
sejam aplicados os planos de manutenção desenvolvidos, por agora e, futuramente, consoante
as tendências dos parâmetros dos equipamentos, estes se venham a aperfeiçoar, ficando,
portanto, mais rigorosos e precisos, de modo a evitar custos de manutenção desnecessários,
bem como paragens dos equipamentos. Futuramente, os objetivos serão estendidos a todos
os equipamentos da fábrica. Estes planos não têm uma implementação direta uma vez que
necessitam de mais tempo para o seu desenvolvimento ser eficiente. É necessário um estudo
da evolução dos parâmetros dos equipamentos ao longo do tempo, para intervir só quando
necessário e obter previsões coerentes. Ainda assim, existem equipamentos que devido à sua
idade e à frequência da sua utilização, necessitam de seguir planos de manutenção preventiva
sistemática.
Tendo em conta que a Velan é uma empresa com muitos trabalhadores, possuí vários
equipamentos e produz as mais diversificadas válvulas a nível de dimensões e especificações,
deve definir e melhorar estratégias, disposições, objetivos e responsabilidades relativas aos
trabalhos de manutenção. Assim sendo, a continuação da implementação do software IBM
maximo vai auxiliar estes trabalhos, bem como toda a gestão da manutenção, facilitando a
organização da empresa.
Uma vez que, antes da utilização do software, havia poucos registos históricos de
avarias, tornou-se difícil calcular, de uma forma viável, indicadores de desempenho para uma
avaliação do estado dos equipamentos. Com a implementação deste software, todos os
registos históricos serão guardados e futuramente será mais possível utilizá-los de uma forma
eficaz, de modo a verificar o sucesso da política de manutenção utilizada. Assim sendo, para
verificar a longo prazo a qualidade do serviço, implementaram-se na empresa os seguintes
indicadores:
• MTBF; • TA;
• MTTR; • D
• MWT;
75
Referências Bibliográficas
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78
Anexos
79
Anexo A – Layout da fábrica
81
Anexo B – Ficheiro master de máquinas
82
Anexo C – Ficheiro master de máquinas
83
Anexo D – Plano manutenção preventiva equipamento CM4
84
Anexo E – Desenho técnico da cabeça de mandrilar do equipamento CM4 e pontos
correspondentes aos locais das operações de manutenção
85
Anexo F – Plano manutenção preventiva equipamento CM5
86
Anexo G – Plano manutenção preventiva equipamento MT1/MT2
87
Anexo H – Plano manutenção preventiva SF1/SF2
88
Anexo I – Plano manutenção preventiva CP
89
Anexo J – Plano manutenção preventiva Sala de Compressores
90
Anexo K – Ativo equipamento CP
91
Anexo L – Plano de trabalho cabeça de mandrilar
92
Anexo M – Plano manutenção preventiva equipamento CP
93
Anexo N – Plano manutenção preventiva (frequência) equipamento CP
94
Anexo O – Ordem de trabalho 1000h MT1
95
Anexo P – Ordem de trabalho 2000h SF1
96
Anexo Q – Ordem de trabalho 1000h equipamento CM4
97
Anexo R – Ordem de trabalho 1000h SF1 com algumas operações completas e outras em
progresso
98
Anexo S – Ordem de trabalho 1000h CM4 com as operações todas completas
99
Anexo T – Ordem de trabalho associada a um requisito de serviço para o equipamento MT2
100
Anexo U – Ordem de trabalho associada ao requisito de serviço para o equipamento EL1
101
Anexo V – Ordem de trabalho associada ao requisito de serviço equipamento MT7
102
Anexo X – Ordem de trabalho associada ao requisito de serviço para o equipamento CM5
103