Elaborado por Amélia Cumbane.
Mestre em meio ambiente, Higiene e segurança no Trabalho e
Responsabilidade Social Empresarial
Tema: proteção do Mangal, do ecossistemas e da Biodiversidade.
Medidas de Mitigação do EBA
Índice
1 INTRODUÇÃO..................................................................................................................1
2 TIPOS DE MANGAL E ESPÉCIES DOMINANTES.......................................................2
2.1 Mangal de Franja.........................................................................................................2
2.2 Mangal de Bacia..........................................................................................................2
2.3 Mangal de Rio ou Estuarino........................................................................................2
3 ESTUDO DE SOLO: TIPO, FÍSICA E QUÍMICA...........................................................2
3.1 Tipo de Solo................................................................................................................3
3.2 Parâmetros Químicos Críticos.....................................................................................3
3.3 Textura e Física do Solo..............................................................................................3
4 AGRICULTURA, DEFINIÇÃO DE CULTURA E MONOCULTURA..........................3
4.1 Definição de Tipo de Cultura......................................................................................4
4.2 Monocultura e Seus Riscos.........................................................................................4
5 EROSÃO E IMPACTO AMBIENTAL DA DEGRADAÇÃO..........................................4
5.1 Erosão Costeira.................................................................................................................4
5.1 Perda de Biodiversidade..............................................................................................4
5.2 Emissão de Carbono....................................................................................................4
5.3 Salinização de Água Doce...........................................................................................5
6 FORMA DE REPLANTAR MANGAL - TÉCNICAS SUSTENTÁVEIS........................5
6.1 Princípios Básicos.......................................................................................................5
6.2 Métodos de Plantio......................................................................................................5
6.3 Monitoramento............................................................................................................5
7 IMPACTO AMBIENTAL DO REPLANTIO MAL PLANEJADO..................................6
8 MEDIDAS DE MITIGAÇÃO PARA ECOSSISTEMA SUSTENTÁVEL.......................6
8.1 Zona Tampão...............................................................................................................6
8.2 Agroecologia no Entorno............................................................................................6
8.3 8.3 Manejo Sustentável de Recursos...........................................................................6
8.4 Educação e Governança Local....................................................................................6
8.5 Carbono Azul...............................................................................................................6
8.6 Monitoramento Ambiental..........................................................................................7
8.7 Partes Interessadas e Benefícios da Proteção do Mangal segundo EBA.....................7
9 CONCLUSÃO....................................................................................................................8
10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................9
1 INTRODUÇÃO
O mangal, também chamado de manguezal, é um ecossistema costeiro único que ocorre na
zona entremarés de regiões tropicais e subtropicais. Em Moçambique, a província de Maputo,
incluindo Matola, concentra áreas importantes de mangal nos estuários dos rios Infulene,
Matola e Espírito Santo.
Este relatório tem como objetivo analisar: os tipos de mangal existentes, técnicas adequadas
de replantio, características do solo, relação com agricultura e monocultura, processos de
erosão, impactos ambientais e, principalmente, medidas de mitigação para garantir um
ecossistema sustentável e amigável ao meio ambiente.
A conservação do mangal é estratégica pois ele atua como barreira natural contra
tempestades, filtro de poluentes, sequestrador de carbono “azul” e berçário para a vida
marinha que sustenta comunidades pesqueiras locais.
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2 TIPOS DE MANGAL E ESPÉCIES DOMINANTES
Em Moçambique ocorrem 8 espécies de mangue distribuídas em 3 tipos ecológicos
principais:
2.1 Mangal de Franja
Localiza-se na borda da costa, recebendo influência direta das marés 2 vezes ao dia. Solo
arenoso e bem drenado.
Espécie dominante: Rhizophora mucronata - reconhecida pelas raízes aéreas tipo “perna de
cadeira”.
Função ecológica: dissipa energia das ondas, reduzindo erosão costeira em até 70%.
2.2 Mangal de Bacia
Ocorre em depressões intertidais com drenagem limitada. A água da maré entra mas sai
devagar, gerando alta salinidade.
Espécies dominantes: Avicennia marina e Bruguiera gymnorhiza.
Avicennia é pioneira: tolera salinidade acima de 65 ppt e solo muito anóxico.
2.3 Mangal de Rio ou Estuarino
Desenvolve-se ao longo de estuários e deltas com aporte constante de água doce e nutrientes
fluviais.
Maior diversidade e produtividade. Espécies mistas.
Na Matola predomina a combinação Franja + Bacia, com Avicennia marina colonizando
áreas mais degradadas.
3 ESTUDO DE SOLO: TIPO, FÍSICA E QUÍMICA
O sucesso do replantio depende 100% do estudo prévio do solo. Mangal não cresce em
qualquer terreno.
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3.1 Tipo de Solo
Classificação predominante: Gleissolo Salino e Solonchak.
Características: solo hidromórfico, mal drenado, escuro, com cheiro de H₂S devido à redução
de sulfatos. Alto acúmulo de matéria orgânica porque a falta de oxigênio impede
decomposição total.
3.2 Parâmetros Químicos Críticos
1. Salinidade intersticial: 10 a 90 ppt. Rhizophora prefere 15-30 ppt. Avicennia suporta >65
ppt.
2. pH: 6.0 a 8.5. Solo muito ácido libera alumínio tóxico; muito alcalino bloqueia fósforo.
3. Potencial Redox - Eh: Camada superficial 0-3cm oxidada com Eh positivo. Abaixo de
5cm, Eh < -200mV = anoxia total.
4. Matéria orgânica: 15-40%. Fonte de nutrientes mas também causa demanda de oxigênio.
3.3 Textura e Física do Solo
Varia de franco-arenoso a argiloso. Argila >40% retém nutrientes mas reduz oxigenação das
raízes pneumatóforas. A permeabilidade define se a maré consegue “lavar” o sal do solo.
Antes de replantar, coletar amostras a 0-20cm e 20-50cm para análise laboratorial desses 4
parâmetros.
4 AGRICULTURA, DEFINIÇÃO DE CULTURA E MONOCULTURA
4.1 Agricultura no Entorno do Mangal
Na zona de transição mangal-terra firme em Matola predomina agricultura familiar: milho,
mandioca, amendoim e hortícolas. É atividade de subsistência com baixo impacto se respeitar
distância mínima de 100m do mangal.
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4.1 Definição de Tipo de Cultura
1. Cultura de subsistência: Pequena área, rotação de culturas, baixo uso de insumos externos.
Impacto ambiental reduzido.
2. Cultura comercial: Produção em escala para venda. Requer mais fertilizantes e água.
4.2 Monocultura e Seus Riscos
Monocultura = cultivo extensivo de uma única espécie por vários ciclos. Ex: cana-de-açúcar,
arroz irrigado.
Impactos sobre o mangal:
1. Esgotamento do solo: Retira os mesmos nutrientes todo ano, exigindo fertilizantes
químicos.
2. Lixiviação: Nitrogênio e fósforo dos fertilizantes chegam ao estuário via escoamento
superficial → eutrofização → “marés vermelhas” que matam peixes e abafam propágulos de
mangue.
3. Pesticidas: Resíduos tóxicos afetam caranguejos e ostras, base da cadeia alimentar do
mangal.
5 EROSÃO E IMPACTO AMBIENTAL DA DEGRADAÇÃO
5.1 Erosão Costeira
Raízes de Rhizophora prendem sedimento e quebram força das ondas. Sem mangal, taxa de
erosão em Maputo chega a 1-3m/ano. Casas, estradas e campos agrícolas são perdidos.
5.1 Perda de Biodiversidade
75% das espécies comerciais de peixe, camarão e caranguejo passam a fase juvenil no
mangal. Desmatamento = colapso da pesca artesanal em 5-10 anos.
5.2 Emissão de Carbono
Solo de mangal armazena 3 a 5 vezes mais carbono por hectare que floresta amazônica.
Quando é drenado e oxidado, esse carbono vira CO₂ e metano na atmosfera por décadas.
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5.3 Salinização de Água Doce
Mangal funciona como barreira contra intrusão salina. Sem ele, poços e aquíferos costeiros
ficam salobros e impróprios para consumo/agricultura.
6 FORMA DE REPLANTAR MANGAL - TÉCNICAS SUSTENTÁVEIS
Replantio sem técnica tem taxa de sobrevivência <30%. Com técnica correta >80%.
6.1 Princípios Básicos
1. Restauração hidrológica primeiro: Se a maré não entra 2x/dia, nenhuma espécie sobrevive.
Remover diques, aterros e lixo que bloqueiam canais.
2. Espécie certa no lugar certo: Zona mais baixa e alagada = Rhizophora. Zona mais alta e
salina = Avicennia.
3. Origem do material: Coletar propágulos maduros direto da árvore mãe. Propágulo do chão
tem fungos e baixa viabilidade.
6.2 Métodos de Plantio
1. Propágulo direto: Método mais barato. Espetar 1/3 do propágulo de Rhizophora no solo, na
zona intertidal média. Fazer na estação chuvosa.
2. Muda de viveiro: Para áreas muito degradadas. Muda com 6 meses e 30cm de altura tem
mais chance. Custo maior.
3. Densidade: 1m x 1m ou 1.5m x 1.5m. Densidade alta gera competição; baixa deixa espaço
pra erosão.
6.3 Monitoramento
Avaliar sobrevivência aos 3, 6 e 12 meses. Taxa aceitável >60% no 1º ano. Replantar falhas
no 2º ano.
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7 IMPACTO AMBIENTAL DO REPLANTIO MAL PLANEJADO
Replantio errado também degrada:
1. Espécie exótica: Plantar espécie não nativa cria invasão biológica.
2. Monocultura de mangue: Plantar só Rhizophora reduz habitat para aves e caranguejos que
preferem Avicennia.
3. Fora da zona de maré: Plantar na terra firme = 100% mortalidade e desperdício.
4. Compactação do solo: Tratores e pisoteio destroem pneumatóforos = raízes sufocam.
8 MEDIDAS DE MITIGAÇÃO PARA ECOSSISTEMA SUSTENTÁVEL
Objetivo: uso humano sem destruir o mangal.
8.1 Zona Tampão
Manter faixa de 50-100m entre agricultura e mangal sem cultivo. Essa faixa filtra fertilizantes
e serve como corredor ecológico.
8.2 Agroecologia no Entorno
Trocar monocultura por sistemas diversificados: coqueiro + feijão + abóbora. Reduz
fertilizante em 40% e mantém solo vivo. Compostagem de resíduos orgânicos longe do
estuário.
8.3 8.3 Manejo Sustentável de Recursos
Permitir coleta só de galhos secos para lenha. Proibir corte de árvore viva. Criar viveiros
comunitários de mudas para não extrair da natureza.
8.4 Educação e Governança Local
Projetos só funcionam com pescadores e agricultores. Treinar “guardiões do mangal” da
própria comunidade. Quem planta, protege.
8.5 Carbono Azul
Projetos de replantio certificados podem vender créditos de carbono no mercado voluntário.
Renda extra financia a conservação.
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8.6 Monitoramento Ambiental
Medir qualidade da água 2x/ano: salinidade, oxigênio dissolvido, nitrato e fosfato. Alerta
precoce de poluição.
8.7 Partes Interessadas e Benefícios da Proteção do Mangal segundo EBA
Partes Interessadas: A proteção do mangal envolve diretamente a comunidade costeira de
Matola e Maputo como principal parte interessada. Inclui pescadores artesanais, coletores de
caranguejo, agricultores da zona de transição, mulheres que processam pescado, associações
comunitárias e autoridades locais.
Adaptação Baseada em Ecossistemas - EBA: Segundo a abordagem EBA, a conservação e
restauração de mangais é uma estratégia de baixo custo e alto retorno para adaptação às
mudanças climáticas. A proteção do mangal é benéfica para a comunidade pois:
1. Segurança alimentar: Mangal saudável mantém berçário de peixe, camarão e caranguejo.
Aumenta captura da pesca artesanal em 50-70% a longo prazo, garantindo proteína e renda
para famílias.
2. Redução de risco de desastre: Raízes do mangal reduzem altura de ondas de tempestade e
ciclones em até 66%. Protege casas, escolas e machambas da comunidade contra inundação e
erosão costeira.
3. Renda e meios de vida: Atividades sustentáveis como apicultura de mangue, turismo de
observação de aves e venda de créditos de carbono azul geram alternativas de renda além da
pesca.
4. Água e saúde: Mangal filtra poluentes e sedimentos. Melhora qualidade da água para
consumo e reduz doenças de veiculação hídrica na comunidade.
5. Resiliência climática: Sequestro de carbono azul mitiga mudanças climáticas globais.
Comunidade local sofre menos impactos de elevação do nível do mar.
Dessa forma, a EBA reconhece a comunidade não só como beneficiária, mas como agente
central da proteção. Projetos de mangal só são sustentáveis quando a comunidade participa do
planejamento, plantio e monitoramento.
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9 CONCLUSÃO
O mangal é infraestrutura natural crítica para Matola e Maputo. Seu estudo exige integração
entre pedologia, hidrologia e ecologia.
Replantar mangal só funciona se começar pelo solo e pela maré. Evitar monocultura agrícola
e garantir zona tampão são medidas simples que reduzem impacto ambiental. A
sustentabilidade é alcançada quando ciência técnica se une ao conhecimento tradicional das
comunidades que vivem do mangal.
Proteger mangal hoje é garantir costa protegida, peixe no prato e clima estável amanhã.
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10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. MITADER. Estratégia e Plano de Ação Nacional para Gestão Sustentável dos Mangais de
Moçambique 2018-2027. Maputo, 2018.
2. FAO. Guidelines for Mangrove Ecosystem Restoration. Rome, 2020.
3. Duke, N.C. et al. The Ecology and Management of Mangroves. 2ª Ed. Oxford Press, 2017.
4. Sitoe, A. et al. Carbono Azul em Moçambique: Potencial de Sequestro nos Mangais. UEM,
2021.