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O Anjo Rafael

O texto narra a história de Antonia e do Dr. Antero, que se envolvem em um dilema sobre a saúde mental de Celestina, filha de Antonia. O Dr. Antero promete ajudar a salvar Celestina, que está em perigo emocional, enquanto interage com outros personagens como o major e o coronel Bernardo. A narrativa explora temas de amor, proteção e a complexidade das relações familiares.
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O Anjo Rafael

O texto narra a história de Antonia e do Dr. Antero, que se envolvem em um dilema sobre a saúde mental de Celestina, filha de Antonia. O Dr. Antero promete ajudar a salvar Celestina, que está em perigo emocional, enquanto interage com outros personagens como o major e o coronel Bernardo. A narrativa explora temas de amor, proteção e a complexidade das relações familiares.
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BIBUOTHECÂ NACIONAL c PUBLICA


—DO — Pi

TllO DE JANEIRO

O ANJO RAPHAEL
FIM.

IX.

sta criada, que se chamava Antonia, representava ter


annos de idade. Não era feia nem bonita;
quarenta 'V 1

tinha umas feições communs e irregulares. Mas bas- • í',>

da
tava olhal-a para ver n'ella o typo da bondade e
dedicação.
Antonia entrou precipitadamente, e ajoelhou-se aos ¦ m

pés do doutor.
¦'•:

Mf% ** 4PvX^bV^^tiíSHí^^^^^^^^^^^^^^^^T

¦3£ p» _ Não vá! Sr. doutor! não vá! : .Mi

Levante-se, Antonia, disse o rapaz.


Antonia levantou-se e repetio as mesmas palavras.
Que eu não vá ? perguntou o doutor; mas porque ?
Salve aquelia menina !
Pois que! ella está em perigo ?
Não; mas é preciso salval-a. Pensa que eu não adivinhei o seu pen-
samento ? O senhor quer ir-se embora de uma vez.
Não; prometto...
Quer, e eu lhe peço que não vá... pelo menos até amanhã.
Mas não me explicará...
Agora, é impossivel; pôde vir gente; mas esta noite; olhe, á meia-
ella estiver dormindo, eu virei aqui e lhe explicarei tudo.
noite, quando já
Mas promette que não vai?
O rapaz respondeu machinalmente :
T. VII. — Dezembro de 1869. 12

. ¦v.«!'vVv-;íi"!':lí':V-.'r'.-;*¦„¦_
358 JQRNAL DAS FAMÍLIAS

— Prometto.
Antonia sahio precipitadamente. ,
na-
• alternativa de boas e más impressões,
No meio d'aquella constante era de
diversas, de mysterios diferentes,
quelle desenrolar de emoções abalado Bo abalado como o
admirar que o espirito do rapa, não ficasse ,
de si.
do maior. Parece que chegou a receiar a conjec-
sentou-se o doutor, e entrou
Logo depois que sahio Antonia, Mas
de era salvar a pequena.
tarar que perigo seria aquelle que preciso
resolveu ir ter com ella ou com o ma]or e ja se
não atinando com elle,
isso, o futuro sogro lhe entrou pelo quarto.
preparava para quando
Vinha alegre e lépido. ; ,
disse elle ao entrar; é a primeira vez que o
_ Ora, guarde-o Deos,
visito no seu quarto.
É verdade, respondeu o doutor. Queira sentar-se.
o velho
-Mas também o motivo que me traz aqui é importante, disse
assentando-se.
-Ah!
Sabe quem morreu?
Não.
O diabo.
isto deu uma gargalhada nervosa que fez estremecer ao doutor;
Dizendo
o velho continuou :
_ Sim, senhor, morreu o diabo; o que é grande fortuna para mim,
a maior alegria da minha vida. Que lhe parece ?
porque me dá
Parece-me que é uma felicidade para nós todos, disse o Dr. Antero;
mas como soube da noticia?
Soube por carta que recebi hoje do meu amigo Bernardo , também
de seu Não vejo o Bernardo ha doze annos; chegou agora do
amigo pai.
noticia.
Norte, e apressou-se a escrever-me para dar esta agradável
levantou-se, sorrindo, murmurando algu-
O velho passeou pelo quarto
sozinho, e de em quando para contemplar o
mas palavras parando quando
hospede.
Não acha, disse elle n'uma das vezes que parou, não acha que esta
noticia é a melhor festa que posso ter por occasião de casar minha
filha?
Com effeito, assim é, respondeu o rapai levantando-se; mas, visto
o inimigo da luz morreu, nao fallemos mais n'elle;
que
Tem muita razão ; nao fallemos mais n'elle.
O doutor dirigio a conversa para assumptos diversos; falloü de cdmpà-
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 359

nhas, de litteratura, de plantações, de tudo quanto afastasse o major dos


assumptos angélicos ou diabólicos.
Finalmente sahio o major dizendo que esperava o coronel Bernardo,
seu amigo, para jantar, e que teria summo prazer em apresentar-lh'o.
*
Mas a hora do jantar chegou sem que chegasse o coronel, de maneira
não pas-
que o doutor ficou convencido de que o coronel, a carta e o diabo
savão de creações do major. Devia estar convencido desde principio; e se
estivesse convencido estaria em erro , porque o coronel Bernardo apre-
sentou-se em casa ás ave-marias.
Era um homem cheio de corpo, robusto, vermelho, olhos vivos, fal-
lando apressadamente, um homem sem cuidados nem remorsos. Repre-
sentava quarenta annos e tinha cincoenta e dous; vestia uma sobrecasaca
militar.
O major abraçou o coronel com uma satisfação ruidosa, e apresentou-o
ao Dr. Antero como um dos seus melhores amigos. Apresentou o dou-
tor ao coronel declarando ao mesmo tempo que ia ser seu genro; e
finalmente mandou chamar a filha, que'não tardou muito a chegar á
sala.
Quando o coronel pôz os olhos em Celestina arrasárão-se-lhe os olhos
de lagrimas; tinha-a visto pequena e achava-a moça feita, e moça bonita.
Abraçou-a paternalmente.
Durou a conversa entre os quatro uma meia hora, tempo em que o
coronel, com uma volubilidade que contrastava com a phrase pausada do
major, contou mil e uma circumstancias da sua vida de província.
No fim d^sse tempo, o coronel declarou que queria fallar em particular
ao major; o doutor retirou-se para o seu quarto, deixando Celestina, que
poucos minutos depois retirou-se também.
O coronel e o major fechárao-se na sala; ninguém ouvia a conversa,
mas o criado vio que só á meia-noite sahio da sala o coronel dirigindo-se
para o quarto que lhe havião preparado*
Quanto ao doutor, apenas entrou no quarto vio sobre a mesa uma
carta, com sobrescripto para elle. Abrio e leu o seguinte :
« Meu noivo, escrevo-lhe para dizer que não se esqueça de mim, que
sonhe comigo, e que goste de mim como eu gosto do senhor. — Sua
noiva, Celestina.»
Nada mais.
Era uma cartinha de amores pouco parecida conl as que se escrevem
em casos taes, uma carta simples, ingênua, audaz^ sincera.
O rapaz releu-a, beijou-a e levou-a ao coração;
JORNAL DAS FAMÍLIAS.
dou .
a visita de Antônio, que, conto os ler-
Depois preparou-se para receber
tocos se de»» lenrbcac, estava sobre a
um dos
^J2\Z^^ livros qu
Para matar o tempo o rapaz abno to a * *
o doutor nunca
m,sa. Aoertou de ser Paulo e Vir9inia; d aque Ia li terá
o afastavao
bre romance • o seu ideal e a sua educação
"agora apreçar taos ,
tinba o espirito preparado para pagmas
e leu rapidamente metade da obra.
sentou-se

X.

ouvio bater á porta; era Antonia.


A meia-noite o nrenor rurdo a
receiava que
X mulher entrou com preparação;
a efez com quo Antoma —
comprometesse. Onpazfechou porta,
ficado, disse ella sentando-se, e vou dizer-lhe que
Agradeço-lhe o ter
ameaça a minha pobre Celestina.
perigo
Perigo de vida? perguntou o doutor.
Mais do que isso.
De honra?
Menos que isso.
Então... .
' _ O eu receio a pobre moça fique louca.
perigo da razão; que
tristemente; está certa de que ella
; - Receia? disse o doutor sorrindo
já o não está ?
_ Estou. Mas pôde vir a ficar, tão louca como o pai.
Esse...
Esse está perdido.
Quem sabe ?
Antonia abanou a cabeça.
ha doze annos que perdeu a razão.
Deve estar, porque
Sabe o motivo? , ,
cinco annos; a menina tinha dez
Não sei. Eu vim para esta casa ha
alegre e boa. «« '"^
era, como hoje, uma creaturinha viva, d
tenha visto « »
sabidodlaqui é provável quo n«o £™ de que erafo
entãolestava convencido
pessoas. Ignora tudo. O pai, que já
conto ainda hojo dl,, ropeüa-o à filha --->
:oIphael,
firmemente ser filha do um anjo. Tente,.i»¦»
Jneira quo ella acredita de mandar
contar ao major, e este ameaçou-me
dil-a d'isso; mas ella foi
más idéas á filha. Era má idéa dizer á memna
1 emb ra se e„ inoutese desgraçado [Link].
era o quo dizia o simplesmente um
que I uáo
361
JORNAL DAS FAMÍLIAS,
_ E a mãi d'ella ?
ella a Celestina; e soube que ella tam-
_ Não conheci; perguntei por
razão de não tivera mãi. Referio-me ter
bem a não conhecera, pela que
seu ella viera ao mundo por obra e graça do
sahido por boca de pai, que
a menina não está louca; mas aonde irá ter com estas
céo. Bem vê que
idéas?
estava comprehendia agora as palavras incohe-
O doutor pensativo;
da moça ao A narração de Antonia era verosimü. Cumpria
rentes piano.
fora ffdft Para isso o casamento era o me-
salvar a moça levando-a para
lhormeio. .
Tens razão, boa Antonia, disse elle, salvaremos Celestina; descansa
em mim.
Jura?
Juro. .
beijou a mão ao rapaz, derramando algumas lagrimas de con-
Antonia
era ella mais do que ama, era uma
tentamento. É que Celestina para
espécie de filha criada na solidão.
o doutor deitou-se, não só porque a hora era adian-
Sahio a criada, e
o seu espirito algum repouso ao cabo de tantas e
tada, como porque pedia
novas emoções.
fallou ao major na necessidade de abreviar o casa-
No dia seguinte
mento, e por conseqüência na de arranjar os papeis.
o casamento seria na capella de casa, e o major
Concordou-se que
licença um padre os casasse; isto pela conside-
concedeu para que
de se Celestina, como filha de um anjo, estava acima de um
ração que,
não acontecia o mesmo com o doutor, que era simplesmente um
padre,
homem. , •, i «
duvida relativamente a declaração
Quanto aos papeis, levantou-se uma
Ce-
do nome da mãi da moça. O major declarou peremptoriamente que
lestina não tinha mãi.
estava interveio no debate, dizendo ao
Mas o coronel, que presente,
o doutor não comprehendeu, mas que lhe fize-
major estas palavras, que
rão impressão :
Thoniaz! lembra-te de hontem á noite.
O major calou-se immediatamente. Quanto ao coronel, voltando-se para
o Dr. Antero, disse-lhe :
Tudo se ha de arranjar; descanse. '>
A conversa ficou nisto.
do
Mas houve quanto bastasse para que o doutor descobrisse nas mãos
362 JORNAL DAS FAMÍLIAS.

Bernardo o fio d'aquella meada. O rapaz não hesitou em aproveitar


coronel
entender-se com o coronel afim de o informar
a primeira occasiâo para
um obscuros d'aquelle quadro que ha dias tinha
acerca dos mil e pontos
diante dos olhos. .
tocando piano.
Celestina não assistira á conversa; estava na outra sala
O doutor lá foi ter com ella, e achou-a triste. Perguntou-lhe porque.
-Eu sei! respondeu a moça; está me parecendo que o senhor não
de mim; e se me porque a gente gosta dos outros, não
gosta perguntar
sei.
e levou-a
O moço sorrio, pegou-lhe na mão, apertou-a entre as suas,
ficou a olhar
aos lábios. D'esta vez, Celestina não gritou, nem resistio ;
embedida para elle, pendente dos seus olhos, póde-se dizer que pendente
da sua alma.

XI.

Na noite seguinte, oDr. Antero passeava no jardim, justamente por


baixo da janella de Celestina. A moça não sabia que elle se achava alli,
nem o rapaz quiz por modo nenhum chamar a attenção d'ella. Conten-
tava-se em olhar de longe , vendo de quando em quando desenhar-se na
corpo.
parede a sombra d'aquelle delicado
Havia lua e o céo estava sereno. O doutor, que até alli não conhecia
nem apreciava os mysterios da noite, aprazia-se agora em conversar com
o silencio, a sombra e a solidão.
Quando se achava mais embebido com os olhos na janella, sentio que
alguém lhe batia no hombro.
Estremeceu, e voltou-se rapidamente.
Era o coronel.
Olá, meu caro doutor, disse o coronel, faz um idylio antes do casa-
mento?
Estou tomando fresco, respondeu o doutor; a noite está magnifica
e lá dentro está calor. V
Isso é verdade; eu também vim tomar fresco. Passeiemos, se lhe
não interrompo as reflexões.
Pelo contrario, eeu até estimo...
Ter-me encontrado ?
Justo.
Pois então melhor.
O rumor das palavras trocadas pelos dous foi ouvido no quarto de Ceies-
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 363
e ver se descobria de quem erão
á
tina. A moça chegou janella procurou
as vozes.
Lá está ella, disse o coronel. Olhe! _
e o coronel disse para Celestina :
Os dous homens approximárâo-se,
Somos nós, Celestina; eu e o teu noivo.
Ah! que andao fazendo ?
Bem vês; tomando fresco.
Houve um silencio.
Não me diz nada, doutor? perguntou a moça.
Gontemplo-a.
Faz bem , respondeu ella; mas como o ar pôde fazer-me mal, boa
noite.
Boa noite!
Celestina entrou, e pouco depois fechou-se a janella.
ficava
Ouanto aos dous homens, dirigírão-se para um banco de páo que
na outra extremidade do jardim.
Diz então que estimava encontrar-me ?
É verdade, coronel; peço-lhe uma informação.
E eu vou dar-lh'a.
Sabe o que é ?
Adivinho.
Tanto melhor; evita-me um discurso.
Ouer saber quem é a mãi de Celestina? ffeví
Em primeiro lugar. f ;7
Pois que mais ?
Quero saber depois qual a razão dlesta loucura do major.
Não sabe nada .
Nada. Eu estou aqui em conseqüência de uma aventura smgulans-
sima que lhe vou narrar.
ao coronel a historia da carta e do recado que o cha-
O doutor repetio
o convite do major chegara justamente na
mára alli, sem oceultar que
com a vida.
oceasião em que elle se achava disposto a romper
ouvio attentamente a narração do moço ; ouvio também a
O coronel
de a entrada n'aquella casa fizera do doutor um bom homem,
confissão que
não passava de um homem inútil e máo.
quando
Confissão por confissão, disse o doutor; venha a sua.
O coronel tomou a palavra.
Fui amigo de seu pai e do major; seu pai morreu ha muito; ficámos
nome
eu e o major como dous sobreviventes dos três irmãos Horacios,
364 JORNAL DAS FAMIL1AS.

os homens do nosso tempo. O major era casado, eu solteiro.


que nos davão suspeitou que sua
motivos não vêm ao caso, o major
Um dia, por que
era infiel, e expulsou-a de casa. Eu também acreditei na infi-
mulher lhe
de Fernanda, e approvei, em parte, o acto do major. Digo-lhe
delidade
a mulher no dia seguinte não tinha de comer; e
em parte, porque pobre
de minha mão recebeu alguma cousa. Protestou ella por sua inno-
foi que
lagrimas nos olhos; eu não acreditei nas lagrimas nem nos
cencia com as
major ficou louco, e veio então para esta casa com a filha, e
protestos. O a ir pouco
nunca mais saldo. Acontecimentos imprevistos me obrigarão
o Norte, onde estive até ha pouco. E não teria voltado se...
depois para
O coronel estacou.
Que e? perguntou-lhe o doutor.
Não vê um vulto alli ?
Aonde ?
Alli.
a
Com effeito encaminhava-se um vulto para os dous interlocutores;
alguns passos reconhecerão ser o criado José.
Sr. coronel, disse o criado, ando á sua procura.
Porque? .
O amo quer fallar-lhe.
Bem; lavou.
O criado retirou-se, e o coronel continuou :
Não teria voltado se não adquirisse a certeza de que as suspeitas do
major erão todas infundadas.
-Como?
Fui encontrar, depois de tantos annos, na provincia em que me
achava, a esposa do major servindo de criada em uma casa. Tinha tido
uma vida exemplar; as informações que obtive confirmavão as assevera-
d'ella.
ções (Telia. As suspeitas fundavão-se n'uma carta achada em poder
Ora, essa carta compromettia uma mulher, mas não era Fernanda ; era
outra , cujo testemunho ouvi no acto de morrer. Gomprehendi que era
talvez o meio de chamar o major á razão vir contar-lhe isso tudo. Vim ,
com effeito, e expuz-lhe o que sabia.
Eelle?
Não acredita; e quando parece ir-se convencendo das minhas asse-
verações, volta-lhe a idéa de que elle não é casado , porque os anjos não
casão; emfim, o mais que o senhor sabe.
Então está perdido ?
Creio que sim.
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 365
N'esse caso cumpre salvar-lhe a filha.
Porque ?
Porque o major educou Celestina na mais absoluta reclusão possi-
vel, e desde pequena incutio-lhe a idóa de que anda possuído, de maneira
sotfra igualmente.
que eu tenho medo de que a pobre moça
Descanse; o casamento será feito quanto antes, e o senhor a levará
d'aqui; em ultimo caso , se não pudermos convencêl-o, sahiráõ sem que
elle o saiba. ,
Levantárão-se os dous, e ao chegarem perto de casa, sahio-lhes ao en-
contro o criado trazendo um novo recado do major.
Parece-me que está doente, accrescentou o criado.
Doente?
O coronel apressou-se a ir ter com o amigo , emquanto o doutor foi
para o quarto esperar noticias d'elle.

XII.

o coronel entrou no quarto do major achou-o muito amido.


Quando
Passeava de um lado para outro agitado, proferindo palavras incoherentes,
com o olhar desvairado.
Que tens, Thomaz? '
Ainda bem que vieste , disse o velho; sinto-me mal; veio aqui ha
um anjo buscar-me; disse-me que eu estava fazendo falta no céo.
pouco
Creio que me vou embora d'esta vez.
Deixa-te d'isso, respondeu o coronel; foi caçoada do anjo; descansa,
tranquillisa-te.
O coronel conseguio fazer com que o [major se deitasse. Apalpou-lhe o
mandar buscar
pulso, e sentio-lhe febre. Entendeu que era conveniente
um medico, e deu ordem ao criado nesse sentido.
Acalmou-se a febre do major, que conseguio dormir um pouco; o
coronel mandou preparar uma cama no mesmo quarto, e depois de ir dar
ao doutor do que acontecera, voltou para o quarto do major.
parte
No dia seguinte o doente, levantou-se melhor; o medico, tendo chegado
sobre a madrugada, não chegou a applicar-lhe nenhum remédio, mas lá
ficou para o caso de ser preciso.
Quanto a Celestina, nada soube do que havia acontecido; e acordou
alegre e viva como nunca.
Mas sobre a tarde voltou a febre ao major , e d'esta vez de um modo
violento. Dentro de pouco tempo declarou-se a proximidade da morte.
T. VII. 12*
FAMÍLIAS.
JORNAL DAS
de afastar Celestina que não
O coronel e o doutor ti verão cuidado moribundo.
soffrer com a vista do pai
sabia o que
que era morrer, e podia dia_ihes com instância que lhe
O major, cercado pelos dous amidos,. yw Então o£ta.
dl* r* consenso , ,so^
fossem bus» a filha; mas ella, e ao mesmo
deixasse de casar cm
velho instou com o doutor que não
declaração de que lhe deixava uma fortuna.
tempo repetio a
Emfim [Link] do .mao« .
o coronel a o doutor que a
Ficou assentado entre
o enterro, e este ten. lugar com a
â filha depois de feito que
participada
fez.
maior discrição possível. Assim se foi explicada
e ao do dia seguinte
A ausência do major ao almoço jantar
de uma conferência em que elle estava com
a Celestina como proveniente
pessoas de sua amizade. o cadavei
do outro lado da casa se achava
De maneira que, ao passo que
ria e conversava á mesa como nos seus melhores dias.
do pai, a filha
filha.
Mas feito o enterro era preciso dizêl-o á
o coronel, tu vais casar brevemente com o Pr.
_ Celestina, disse-lhe
Anlero.
Mas quando?
D'aqui a dias.
Dizem-me isso ha que tempo 1
Pois agora e de uma vez, Teu pai...
Que tem?
Teu pai não volta por emquánto.
Não volta? disse a moça. Pois onde foi elle ?
Teu pai foi para o céo.
ouvindo a noticia; não lhe ligava nenhuma idea
A. moca ficou pálida
adivinhava trás d'aquella noticia havia
fúnebre; mas o coração que por
uma catastrophe.
O coronel procurou distrahil-a.
moça, vertendo duas lagrimas, duas só, mas que valião por cem,
Mas a
disse com profunda amargura _
..-Papai foi para o céo e não se despedio de mim !
Depois recolheu-se ao quarto até o dia seguinte.
O coronel e o doutor passarão a noite juntos.
a fortuna do major estava por trás de uma
Declarou o doutor que
e elle sabia o meio de abril-a. Assentarão os
estante, na bibliotheca, que
o casamento de Celestina sem prejuízo dos
dous no meio de apressar
actos da justiça.
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 367
o
Cumpria, porém, antes de tudo , arrancar a moça d'aquella casa;
dia
coronel indicou a casa de uma parente sua, para onde a levarião no
seguinte. Assentados estes pormenores, o coronel perguntou ao doutor:
Ora, diga-me; não crê agora que haja uma providencia ?
Sempre acreditei.
Não minta; se acreditasse não teria recorrido ao suicidio.
Tem razão, coronel; dir-lhe-hei até : eu era um pouco de lodo, hoje
sinto-me pérola.
Comprehendeu-me bem; eu não queria alludir á fortuna que veio
encontrar aqui, mas a essa reforma de si mesmo , a essa renovação mo-
ral, que obteve com este ar e na contemplação d'aquella formosa Celestina.
Diz bem, coronel. Quanto á fortuna, estou prompto a...
A que? a fortuna é de Celestina; não deve desfazer-se d'ella.
Mas podem suppôr que o casamento...
Deixe suppôr, meu amigo. Que lhe importe ao senhor que suppo-
nhão ? Não tem a sua consciência , que lhe não argue cousa nenhuma ?
É verdade; mas a opinião.
A opinião, meu caro, não é mais do que uma opinião; não é a ver-
dade. Acerta ás vezes; outras calumnía, e quer a desgraça que mais vezes
calumnie do que acerte.
O coronel em matéria de opinião publica era um perfeito athêo; negava-
lhe a autoridade e a supremacia. Uma das suas máximas era esta : « A
opinião publica é um muro em branco : aceite tudo quanto lhe escrevem
em cima, quer venha da mão de um garoto, quer da de um homem de
bem. »
Foi difficil ao doutor e ao coronel convencer a Celestina de que deveria
sahir d'aquella casa; mas emíim alcançarão leval-a para a cidade de noite.
A parenta do coronel, prevenida a tempo, recebeu-a em casa.
Arranjadas ascousas de justiça, tratou-se de realisar o casamento.
Antes porém de chegar a esse ponto tão almejado pelos dous noivos, foi
habituar Celestina á vida nova que começava a viver e que ella
preciso
não conhecia. Educada entre as paredes de uma casa isolada , longe de
todo o rumor, e sob a direcção de um homem enfermo da razão, Ceies-
tina entrou num mundo que jamais sonhara, nern d'elle tinha noticia.
Tudo para ella era objecto de curiosidade e espanto. Cada dia trazia-lhe
uma emoção nova.
Admirava a todos que , apezar da singular educação que tivera J sou-
besse tocar tão bem; ella tivera com effeito um mestre chamado pelo
major, que desejava, dizia elle, mostrar que um anjo, e principalmente o
FAMÍLIAS.
3C8 JORNAL DAS
como os homens. Quanto á leitura e
anjo Raphael, sabia fazer as cousas
escriptura, foi elle mesmo quem lh'as ensinou.

XIII.

o Dr. Antero teve cuidado de escre-


Logo depois que voltou á cidade,
aos seus amigos: •
ver a seguinte carta
recentemente suicidado, tem a honra de pai-
« O Dr. Antero da Silva,
do outro mundo, e se acha ao seu dispor no hotel
ticipar a Y. que voltou
de *** )>
correra a vêl-o; alguns incrédulos
Encheu-se-lhe a sala de gente que
homem amigo de pregar peças aos
suppuzerão simples caçoada de algum
outros. \ Foi um concerto de exclamações:
Não morreste!
Pois que! estás vivo !
Mas que foi isto !
Aqui houve milagre !
enge-
_ Qual milagre, respondia o'doutor; foi simplesmente um meio
de ver a impressão que causaria a minha morte; já soube quanto
nhoso
quizera sabefT
_ Oh' disse um dos presentes, foi profunda; pergunta ao Lesar.
crer;
_ Quando soubemos do desastre, acudio César , não quizemos
corremos á tua casa ; era infelizmente verdade.
elle,
Que marreco! exclamava um terceiro, fazer-nos chorar por
de nós... Nunca te hei de perdoar aquellas
quando talvez se achasse perto
lagrimas.
Mas, disse o doutor, a policia parece que chegou a reconhecer o meu
cadáver. .
Disse que sim, e eu acreditei.
*—
Eu também.
era o criado
Wesse momento entrou na sala um novo personagem ;
Pedro.
rompeu entre os amigos e foi abraçar o criado, que entrou
O doutor por
a derramar lagrimas de contentamento.
effusão em relação a um criado, comparada á frieza relativa
Aquella
o doutor os recebera, incomraodou aos amigos que alli se
com que
declarando que
achavão. Era eloqüente. Salmão os amigos pouco depois
de vêl-o lhes inspirava a idéa de lhe dar um jantar. O
o contentamento
doutor recusou o jantar.
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 369

No dia seguinte, os jornaes declararão que o Dr. Antero da Silva , que


se julgava morto, se achava vivo e apparecêra ; e logo nesse dia recebeu
o doutor a visita dos credores, que, pela primeira vez, viâo resuscitar uma
divida já sepultada. -
Quanto ao folhetinista de um dos jornaes qus tratara da morte do dou-
tor e da carta que elle deixara, encabeçou o seu artigo do próximo sabbado
assim :
(( Dizem que reappareceu o autor de uma carta com que me occupei
ultimamente. Será verdade ? Se voltou não é autor da carta; se é autor
da carta não voltou. »
A isto respondeu o resuscitado :
« Voltei do outro mundo, e apezar d'isso sou o autor da carta. Do
mundo de que venho trago uma boa philosophia : ter em nenhuma conta
a opinião dos meus contemporâneos, e em menos ainda a dos meus ami-
Trouxe mais alguma cousa, mas isso importa pouco ao publico. »
gos.

XIV.

Effectuou-se o casamento três mezes depois.


Celestina estava outra; perdera aquelle estouvamento ignorante que era
o
o principal traço do seu caracter, e cora elle as idéas extravagantes que
major lhe incutira.
O coronel assistio ao casamento.
o
Um mez depois o coronel foi despedir-se dos noivos, voltava para
Norte.
Adeos, meu amigo, disse-lhe o doutor; nunca esquecerei o que fez
por mim.
Eu não fiz nada; ajudei a boa sorte.
Celestina despedio-se do coronel com lagrimas.
Porque choras, Celestina? disse o velho, eu volto breve.
Sabe porque ella chora? perguntou o doutor; eu já lhe disse que sua
mãi estava no Norte; ella sente não poder vêl-a.
Vêl-a-ha, porque eu vou buscal-a.
o coronel sahio, Celestina pôz os braços á roda do pescoço do
Quando
marido, e disse com um sorriso entre lagrimas :
Ao pé de ti e de minha mãi, que mais quero eu na terra?
da moça não entrava o coronel. O' amor 1 ó
No ideal da felicidade já
coração! ó egoísmo humano! victoh de padu.
MOSAICO 9

«BUOTHESA NWWMALcW»^
f-3*.
ijje2%

ANECDOTAS.
4

era do dinheiro, pois possuía grande numero


Um fidalgo, cuja nobreza
França, humilhar o grande marechal P'-\
de âcçoes do banco de julgando
:
perguntou-lhe emphaticamente
Onde estão as vossas acções ?
Na historia, respondeu o marechal.

de
Constantia Philipps, autora de diversas obras, cahio em tal estado
foi reduzida a vender em uma pequeníssima loja de Londres
pobreza, que
diversos livros, alguns dos quaes erão de lavra sua.
Sendo um dia instada para pagar a conta que .devia ao boticário , que
tivera,
lhe fornecera os medicamentos para uma grave enfermidade que
ella respondeu-lhe que não tinha dinheiro h'essa occasião. O boticário
continuou a insistir pelo pagamento dizendo-lhe :
-- Lembrai-vos que me deveis a vida.
— Pois, Sr. boticário, disse ella, já que vos devo a minha vida, tomai-a,
e assim ficamos quites.
Dizendo isto deu-lhe um livro intitulado : Vida de Constantia Philipps.

Um conego que foi a Roma no intuito de conquistar um chapéo de


cardeal, nao o podendo obter voltou ao seu paiz furioso d,essa derrota ,
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 371
encon-
e ao mesmo tempo muito endeíluxado. Um seu amigo disse-lbe
trando-o :
Sabes porque te constipaste ?
' ¦
Não, respondeu elle.
Pois, retorquio-lhe o amigo, é porque voltaste sem chapéo. .

versos
O cura de S. Sulpicio, querendo mostrar-se grato a Piron pelos
sobre a construcção da sua igreja , convidou-o a escolher o
que fizera
lugar em que quereria ser sepultado.
— Obrigado, disse-lhe Piron , eu escolherei a minha sepultura depois
epitaphio.
que tiver escripto o vosso

d'agua doce convidou um dia um amigo para jantar em sua


Um poeta
durante todo o tempo em que estiverão á mesa não cessou de reci-
casa, e
tar-lhe os numerosos versos que fizera.
dar-lhe attenção, dizia-lhe por inter-
Embora o amigo parecesse pouca
» o sobremodo lisonjeava o poetastro, que ao
vallos: «Isto é bom; que
:
terminar o ultimo verso disse-lhe com effusão
Folgo de ter merecido a tua approvação.
A minha approvação ? perguntou-lhe o amigo. '
^
isto e
-Sim, a tua approvação; pois não disseste muitas vezes

_ Disse, meu amigo, mas não dos versos teus, e sim dos pratos que
comia.

sustentavão um Hespanhol e um Francez os mereci-


No calor com que
de seus respectivos paizes chegarão a fazer uma aposta
mentos dos santos
bastante original.
um o nome de um santo da sua nação deveria arrancai
Ao nomear cada
um cabello da barba do outro.
nomear S. Diniz, S. CIaud,o, S. Marum etc.;
O Francez começou por
com sua nuvem de santos tomados cm
mas vendo elle que o Hespanhol,
o impossibilitaria em breve de fazer a barba no futuro,
cada convento ,
372 JORNAL DAS FAMÍLIAS.
e isso, emquanto o Hespanhol invocava o nome
teve uma idéa súbita, por
de Compostella, elle enrolou o dedo no bigode de seu adver-
de S. Thiago
sario, e puxando-o de uma só vez exclamou :
— Onze mil virgens!
O Hespanhol deu a aposta por acabada com a dôr d'esse puxão.

üm doudo do tempo de Henrique II, vendo um moço enraivecer-se por


não conseguir sellar um cavallo, disse-lhe com ar serio :
— Leve-o ao Chanceller, que elle sella tudo.

O marechal de S***, tendo convidado grande numero de pessoas para


com elle numa quinta-feira santa, mandou preparar um esplen-
jantarem
dido jantar composto de aves, carnes e pastelaria, sem que lhe occorresse
de modo algum ser dia de peixe.
Õ~<^lÍ<r^lmè^^ momento em que
este se achava na mesa cercado de seus convivas, e vendo tantos e tão
appeteciveis manjares, que não fora convidado para partilhar, julgou de
seu dever reprchender o amphitryão pela não observância do dia.
— É verdade! exclamou o marechal, não me lembrava d\isso. Pois,
Sr. cura, continuou depois de breve silencio , como tendes a autorisação
necessária para baptisar, e já é muito tarde para mandarmos substituir
este jantar por um de peixe, peço-vos que ponhais a cada um d'estes pra-
tos o nome de um peixe, para que, devidamente baptisados, os possamos
comer sem receio de peccarmos.
O cura, sem maiores rogos, lançou em cada prato algumas gottas dV
festim, sem
gua benta, e feita esta ceremonia elle mesmo tomou parte no
escrúpulos na consciência.
PAULINA PHILADELPHIA.
BIBLIüTHECANACIONALePÜBUCA
— DO —

RIO DE JANEIRO

c^'(f^~/3S3oM>^'* WJT *¦» <


^W^^^^j^ V»^_^^^~v/

ECONOMIA DOMESTICA,

FEIJÃO BRANCO DE GORDURA.

fervendo. Fazei-os ferver sempre com


Ponde os feijões brancos n'agua
abrindo deitai-lhes sal e manteiga. Em estando
forca. Quando estiverem derretida e
cassarola banha de porco
cozidos escorrei-os e ponde n'uma
refogai-asaté terem uma bonita côr. Junta! hejalsa
cebola em rodas; os feijões ja
ainda um deitai-lhe dentro
picada; deixai refogar pouco;
Se fôc nçcessano
e um tto de vinagre.
acorridos, e ruais s«l, pimenta os t#,
com a água em que ferverão
humedecer o guizado, fazei-o
espaço de meia hora mandai o guuado
depois de terem fervido por
mesa, que está prompto.

DE BATATAS.
MODO DE FAZER A FECULA

descascai^ muito de leva lavai-as


Tomai batatas bem farinhosas,

todas as batatas, deixai —


acabado de ralar
toda a agoa, seeca, a fecula, M~l™
vasilha. Escorrei fina. x^
sol, machucai-a com a mão e passai-a pela peneira
pelo
m latas mra Servir-vos d'ella sempre que precisardes. os molbos,
a fecula para engrossa,-
\Sde"go pede substituir
mas ella é preferível. PAÜL1NA philadeu.h.a.
POESIA.

ESPERANÇA.

Immensa, divina herança \


Flor que junto á cruz nascera,
Flor de eterna primavera,
'chama Esperança.
Que o mundo . 6

Esperançai... em mago enleio


Quem, de teus mimos seguro,
Nao sente perto o futuro
Bafejado por teu seio ?

Quantas vezes, nos meus dias,


Nao me tens resuscitado
Áureos sonhos do passado,
Ou passadas alegrias ?

Sempre risonha e beijada;


Sempre viçosa e florida;
Ora entre dores perdida,
Logo mais bella encontrada.

Esperança!... onde as raízes


Profundamente escondeste?
Por compassiva escolheste
O peito dos infelizes!
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 375

Ai tristes dos malfadados!


Sem ti, qual fora seu norte ?
Terião sombras da morte
As horas dos desgraçados.

És mais que flor, Esperança!


Da vida negra no horto
És a estrella do conforto,
Arco-iris da bonança.

Dos fados contra o açoute


Go'a tua luz nos soccorres,
Lindo sol que nunca morres,
Aurora que não tens noite 1

Entre a Fé e a Caridade,
Irmãs tuas desde o berço ,
Illuminas o universo,
Abraças a humanidade.

Bem hajas, filha querida,


Filha da luz... que vieste,
Em alva nuvem celeste,
Dar mais vida á nossa vida !

Tu, que ao seio teu fecundo,


Sacrario de amor e calma,
Nos guias os vôos d'alma
Ao despedir-se do mundo...

És a invisivel potência
divino
Que prende em laço
Da «reatara o destino
Aos braços da Providencia!
A. A. MENDONÇA.

Bahia, 1868.
-,r— ,--i- - T. «,

c-

MODAS.

DESCRIPGAO DO FIGURINO DE MODAS.

Primeiro vestuário. - Trajo de tafetá côr de lirio. Saia ornada com três
folhos encanudados a ferro, tendo cada um por cima um macheado de tafetá
igual ao vestido. Cauda guarnecida irmãmente. Gorpinho afogado de canhões
e abas com enfeites irmanados. Cinto com laço-tufo na frente. Chapéo de
renda preta, ornado com amores-perfeitos de':,velludo postos em fôrma de
diadema.
Vestuário para saráo de ceremonia. — Vestido de setim côr de rosa.
Folhos de filo côr de rosa com grandes pregas macheadas. Cauda lisa.
Cinto pouf igual ao vestido. Corpinho decotado, ornado com macheados de
filo côr de rosa e com uma leve grinalda de folhagem parda-avermelhada;
esta grinalda calie alargando sobre o lado da saia. Toucado de cabellos vol-
tos, entrançado com rosas postas em fôrma de diadema e folhagem pendente
parda-avermelhada.
Vestuário de menina. — Vestido com duas saias de alpaca branca, guar-
necido com franjas de seda verde. A segunda saia está arregaçada sob um
laço de lita verde. Corpinho decotado em quadrado. Camisinha de cassa
com mangas. Chapéo redondo de clina branca; pluma verde.

TRABALHOS.

EXPLICAÇÃO DA ESTAMPA DE BORDADOS.


d

Nos 1 c % — Collariniio voltado e metade da manga irmanada. — A


grega faz-se de cordãozinho e a flor de ponto de relevo e ponto d'armas
sobre fazenda dobrada, bainhas pespóntadas.
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 377
— Abre-se a caixa em dous pela parte
No 3. _ Caixinha de costura.
cima. O detalhe , n° 13 , mostra o desenho de ponto lançado de torçal
de e ouro, isto é,
sobre talagarsa Java. As linhas da cercadura fazem-se preto
inclinado de um quadrado de altura sobre dous de largura, alter-
de ponto fio de ouro. A pequena
nadamente um ponto de retroz preto e um ponto de As estreitas, de
erinalda entre as linhas, de retroz verde com hastes pretas.
Começa-se, por
nonto lançado, fazem-se com linhas de cores differentes. de uma branca;
seguida
exemplo • a primeira, com uma estrella encarnada encarnada; a terceira,
a seeunda com uma estrella branca seguida de uma com uma estrella
azul seguida de uma verde; e a quarta,
com uma'estrella
verde seguida de uma azul. entre os juncos a
A tira de talagarsa forra-se com panninho e mette-se
da caixinha, depois reunem-se as pontas por meio de uma costura que
roda
se esconde sob uma das varinhas.— d armas.
N» 4 — Canto de colurinho. Ponto de relevo e ponto
no n° 9.
No» 5 6 7 e 8. - Desenhos para uma saccou , cuja vista acha-se
se forra pn-
_ Faz-se' o bordado sobre cachemira côr de madeira, que trás da sac-
a de
meiro com forte morim branco. O n° 5 representa parte da mesma cor que o
cola que volta sobre a frente n» 6. Os dentes fazem-se
napolitano passamanes de seda que se cose
?undo com cordão , pequenos
riscos em fôrma de rhombos fazem-se de seda verde e
como IrSim. Os encarnada Põem-
sLros em cada ponto de intersecção com uma cruzinha
no meio de cada um os rbombo. As
sfqrTa ru &U* contas pretas cor de palha mati
bordão-se de matiz, com retroz amarello
espLs de trigo azu matizado. O n 7 é o
zado de amarello mais escuro. 0 laço, com retroz
da saccola.
desenho do cinto e o n» 8 o dos sustentaculos
*%."-£«.«
de panno, recortado com dentes M» ao en
todos os conter nos O ovado e^teror
goe,™
trancelim fino de seda preta orla represem*
r.i,P qp nnm nontos de matiz de retroz encarnado. O centro, que
ooroado, borda-se de ponto russo com retroz de cores
^ eapSe b«t
brilhantes e differentes.
N»11 - Porta-helogio armado em forma de cavallete.
- Faz-se sobre talagarsa, que se
-Desenho do porta-relógio.
N» 12 •sobro --
espigas bordão-se do matracam cArer;
esl ríastador. As
amarello desmaiado ao pardo; o matizp «tofaz-se
zadas do Fundo com ^J™ retro. ,
Folhas de differentes verdes; hastes com Ia parda.
de^r-Ciunittiagaraa aava,
para a cauinba de costura

as collar juntas sobre es,a beira


La beira em cada parte para poder
mar assim o guarda-luz completo. 4tiahaiTin fa7-sP sobre um novo
378 JORNAL DAS FAMÍLIAS.

furos do As flores são encarnadas e asfolhagens


sando a agulha nos papelão.
de trás borda-se como a cercadura da frente. O papelão
verdes. A parte
com tateta.
corta-se de uma só peça, dobra-se em três e forra-se - Matenaes para o par : Ia de
N» 16 - Rolha para vidro de alampada.
de dous matizes de verde, branca, côr de rosa, e Ia ouro e
Saxonia, 5 fios,
preto: uma fôrma de 3 a 4 centímetros de altura.
coberto com [Link]
Faz-se primeiro uma pequena fôrma de papelão
dos dous matizes
verde: depois faz-se sobre a fôrma uma franja mesclada
a roda da beira superior
de lã verde e prende-se uma carreira d'essa franja
do pequeno capitei. ,] \ , rosa, e
de
e cor
Faz-se a flor sobre uma fôrma de papelão , com Ia branca
Accrescentao-se-lhe
arma-se sobre um fio de arame coberto com lã verde. duas; cada
de crochet, das uma maior do que as outras
três folhas quaes
de uma nervura de malha de cadeneta, a roda da qual iaz-
folha compõe-se
com Ia verde,
se uma carreira de barrinhas e uma carreira de malhas duplas
A taz-se
depois uma carreira de malhas simples com lã ouro e preto. gavinha
com um fio de arame torcido coberto com lã verde.
borda-se
N°s 17 e 18. - Bordado para chinelas. — O ramalhete do centro
fazem-se
de matiz com relroz preto, sobre panno preto ou de côr. Os riscos
com trancelim e o resto borda-se de ponto russo , com retroz de diversas
cores.
N° 19, _ vista da chinela, fôrma veneziana.
N» 20. — H. M., monogramma de Jesus e de Maria cercado com uma gn-
nalda de loios de jardim.— Este desenho pode-se bordar de branco, (de
fina, com um transparente
ponto de relevo e de ponto d'armas sobre cassa
de seda azul, e-servir de pala docalis. Póde-se também bordal-o no centro
de uma toalha de altar ou n'um guião de seda. N'este ultimo caso, emprega-
se a seda e o ouro para o bordado.
N° 2i, _ Aurelia. — Nome para lenço. Cordãozinho.
N° 22. — P. L. M. — Lettras encadeadas. Ponto de relevo e grãos.
N°23.— D. — Inicial dentro de um escudo. Ponto de relevo e ponto
d,armas.
N° 24. — A. — Inicial dentro de um escudo. Ponto de relevo e ponto
(1'armas.
N° 2Si _ Saiiaii. — Nome com vinheta para lenço. Ponto de relevo.
N° 26. — A. 0. — Iniciaes com vinheta. Ponto de relevo e ponto d'armas.
N° 27. — A. 0. — iniciaes. Ponto de relevo.
N° 28. — CO.— Iniciaes. Ponto de relevo e ponto d'armas.
N° 29. — G. 0. — Lettras encadeadas. Ponto de relevo.
No 30. — c. — Inicial dentro de um escudo. Ponto de relevo e ponto
d'armas.
No 31.—B. —Inicial dentro de um escudo. Ponto de relevo e ponto
d'armas.
N° 32. — Julta. — Nome para lenço. Cordãozinho.

EXPLICAÇÃO DA ESTAMPA DE MOLDES.

Molde de corpinho hordado :


N° 1. — Metade das costas.
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 379

N° 2. — Frente.
N° 3. — Manga.
O bordado que enfeita tão galantemente este corpinho não c mui difücil
de fazer. As flôrezinhas fazem-se de matiz com retroz preto, bem em relevo,
com um muito pequeno ponto atado de fio de ouro, no centro; o resto todo
é de ponto russo com retroz preto; cada um dos riscos do desenho repre-
senta um ponto. Este corpinho póde-se fazer de velludo, de cachemira ou de
seda.
N° 4. —Entremeio de ponto russo para vestuário de criança ou. roda de
saia.
N° 5. — Florão de bordado russo e pequenas contas douradas, para almo-
fadinha de cachemira azul ou ponçó.
N° 6. — Monogramma do nome da Santíssima Virgem com vinheta. Mesma
explicação que para o n° 20 da estampa de bordados.
N° 7. — Cothuiwo para criancinha. — Trancelim de algodão branco sobre
fustão branco forrado com flanella. O pequeno cothurno corta-se de um só
de união.
pedaço; da-se-lhe a forma ajuntando as lettras—
No 8. — Vestido de baftisado de nansouk. A frente do corpinho forma
um só pedaço com a saia cortada de viez e formando avental. Este avental
consta de treze tiras bordadas com trancelim e ponto de relevo , separadas
estreitos entremeios de guipure. Um folho bordado, do mesmo desenho
por
renda guipure, é franzido
que o das tiras, e guarnecido com uma pequena
de cada lado do avental, sobe sobre a hombreira e vem ajuutar-se nas cos-
tas. As mangas curtas são chatas, bordadas como as tiras , e guarnecidas ,
bem como a parte superior do corpinho, de uma pequena renda de guipure.
N° 9. — Entremeio para o vestido de baptisado. — Trancelim entrançado
de aígodão branco, finíssimo, e bordado de ponto de relevo.
N° 10. — A. T. — Iniciaes gothicas. Ponto de relevo.
N° 11. — Sidonia. — Nome para lenço. Pequenos ilhós.
N° 12. — Sophia. — Nome para lenço. Ponto de relevo.
N° 13. — Gertrudes. — Nome para lenço. Bordado russo.
N° 14. — Luiza. — Nome para lenço. Ponto de relevo.
N° 15. — Zelia. — Nome para lenço. Cordãozinho e grãos.
N° 16. — Clarissa. — Nome para lenço. Ponto de relevo.
No i7t _ à. T. — Iniciaes ornadas. Ponto de relevo.
N° 18. — A. T. — Iniciaes ornadas. Ponto de relevo.
No 19. _ Vaso para cebolas de flores, forma etrusca.
N° 20. — Vaso balaustre.
N° 21. — Vaso de espalda.

ESTAMPA AMEXA.
TRASTES PARA CASA DE CAMPO.

N° 1. — Saquinho de brim ou de teia da Pérsia, cheio de clina, estopas,


etc, para as poltronas n° 2 e n° 6 e o sofá n° 9.
— Sobre
No 2. — Poltrona feita com varas em que estão cordas suspensas.
essas cordas poem-se os saquinhos cujo modelo acha-se ,no n° 1. Estes
saquinhos de brim podem-se bordar de ponto russo com lã encarnada ;
380 JORNAL DAS FAMÍLIAS.

tufos de lã encarnada estão presos em cada extremidade das


borlas ou
brim ou
fffS _ cama de ferro ou de madeira branca, acolchoada com
lC - As pratelei-
de madeira branca envernizada.
N»dl ^Mesa-prateleua
com lambrequins, quer de erochet, quer de panno
ras estão guarnecidas nas nossas estampas de
recortado e bordado. Achar-se-hão muitos modelos
b°íía5d0l - As prateleiras estão cobertas
Outra mesa-prateleira maior.
com fazenda e guarnecidas com lambrequins.
_ poltrona feita com varas e guarnecida com uma almofada de brim
No 6.
'^Not°! - A mesa está coberta com fazenda
Mesa-jardineira feita de varas.
um lambrequim de erochet e contas compridas, de que temos
e cercada com
dado o detalhe e a explicação. — A cesta laz-se ue
N° 8 — Cesta de costura sobre dobradiço (pliant).
coberto de cachemira, que se pôde enfeitar com bordado e applica-
papelão redor.
ções. Borlas de lã prendem-se todo ao taboas
N» 9 'as_ SorÁ feito com varas e cordas que sustentao pequenas
sobre saquinhos como o que está representado no
quaes prendem-se
n°l.
No jo. — Esqueleto do sofá n° 9.
— A cesta é de vime bordado
N° 11. — Cesta vide-pociie sobre dobradiço.
com lã; as borlas de lã, da côr do bordado. — Pren-
N° 12. — CoMMODA-BiBLiOTiiECA de madeira branca envernizada.
dem-se sobre todas as beiras pequenas argolas de aço alternadamente com-
e. redondas, o produz um enfeite muito exquisito. As estantes da
pridas que
bibliotheca estão guarnecidas com lambrequins de erochet com contas.
No ,]3t __ Caixa redonda de madeira servindo de pouf.
N° U. — A mesma caixa coberta de fazenda acolchoada e guarnecida com
lambrequins.
^o 15. — Caixão comprido de madeira servindo de ottomana.
No 16. — O mesmo caixão coberto de fazenda , acolchoado e guarnecido
com lambrequins. As almofadas estão encostadas á parede.

VERSO DA ESTAMPA ANNEXA.


DESENHO DE TAPEÇARIA PRETA,

— Este
Metade de uma changelière (caixinha de pôr os pés no inverno).
desenho, reproduzido sobre talagarsa de meã grossura comia de Saxonia,
conforme as cores indicadas pelos signaes da nossa estampa, é de magnifleo
effeito , e podemos asseverar ás nossas assignantes que se quizerem dar ao
trabalho de fazel-o que íicaráõ muito satisfeitas. A tira que se vê em baixo
da estampa é para cercar a chancelière.
Cumpre notar que, na lista das cores, os signaes um pouco mais escuros
uns que os outros e collocados ao lado uns dos outros indicão comtudo o
mesmo matiz. Assim, encontrar-se-hão dous signaes para o roxo, dous para
a côr de madeira clara , dous para a côr de madeira escura, etc. Este ligeiro
JORNAL DAS FAMÍLIAS. 381

lithographo não causará duvida na interpretação dos signaes ,


engano do
prestando-se-lhe alguma attenção.

TAPEÇARIA COLORIDA.
forrada de
ifÁ tanecaria póde-se fazer de retroz sobre talagarsa de seda
é de effeito riquíssimo e novo. Póde-se ella fazer com
^oToZoc^l ouro, ou finalmente com Ia sobre
nenuenas cito sobre fundo de contas de
é dizer que esta tapeçaria pôde servir igualmente para
K^aB^Ó servir ou para
veírola ou para almofada. Feita com lã pôde para poltrona
mocho.

EXPLICAÇÃO DO MOLDE CORTADO.

molde da aba e do canhão que se vê no ves-


Damos em papel cortado o me
de modas do preeeote nu,«£Com
tlío côrdefirio do figurino de abas sobre a sa a
ninas não usão da cauda, ella» porão o corpinho
em tudo igua aos corpnh os orai na
de três folhos. Este corpinho é "^M^
lisos e afogados; accrescentão-se-lhe [Link]
Asenhoras que qu ter
o cinto.
o molde, e a aba, que se prende sob a aba por cima por
também a cauda poderão simular simplesmente
a ferro lhe representara a forma.
do folho encanudado que

BIBLICTHlCAívâCIOWALePUBíIGA
—DO —
RIO DE JANE IRO

v^
ÍNDICE

DO SÉTIMO ANNO.

ROMANCES E NOVÉLLAS. MOSAICO.

Luiz Soares, por J. 5 Estudos geodesicos, por Honorata M. C.


Túmulo e berço, por V. de Mello 39 deM 123
Ada, por Cândido 49 Jogo de lettras 153
Adelaide de Sargans, pelo Dr. Filgueiras. 69 A ílôr de maracujá, por Fluviano 180
Probidade de um sacristâõ, por Victoria Anecdotas, por Paulina Philadelphia 183
Colonna 83 Jogo de lettras 218
Adelaide de Sargans, pelo Dr. C. Filguei- Traços biographicos de Giacomo Rossini,
ras (continuação) 101
por Yictoria Colonna. *. 279
Virgínia, por J. J. de S. S. Rio 119 Anecdotas, por Paulina Philadelphia... ?. 346
Adelaide de Sargans, pelo Dr. C. Filguei- Anecdotas, por Paulina Philadelphia* *.. 370
ras (fim)..».* 133
Um milagre da musica, por Victoria Co-
[[Link]..».» 146 ECONOMIA DOMESTICA,
O remorso pune o crime, por 165
A herança esperada e inesperada, por Figado grelhado, por Paulina Philadel-
A. 197 phia... 25
Os prisioneiros do Caucaso, traduzido de , Figado de vitella de frigideira, por Pau-
Xavier de Maistre. 229 lina Philadelphia 25
O remorso pune o crime, por V. (conti- Lingua com molho picante , por Paulina
nuaçüo). ; i ..; 261 Philadelphia 55
.0 anjo Raphael, por Victor de Paula..,. 293 Rim com manteiga, por Paulina Philadel-
Uma estrella, pelo Dr. Caetano Filgueiras. 305 phia 56
O anjo Raphael, por Victor de Paula (con- Miolos cobertos , por Paulina Philadel-
linuaçfio) 325 phia 56
O remorso pune o crime , por V. (conti- Carne estufada, por Paulina Philadel-
nuaçáo) 338 phia 88
O anjo Raphael, por Victor de Paula Cozido com salchichas, por Paulina Phila-.
(íim) 357 delphia ,.,. 157
"TH*?1

383
JORNAL DAS FAMÍLIAS.
dado. — Porta-relogio. -• Bolsinho ,
Bifes de ligado de vitella, por Paulina Phi- ho-
ladelphia
157 Jilet giúpiire. — Chinela para
mem 93
Frítura de fricassé, por Paulina Philadel- — Chinela so-
187 Bordado indio sobre brim.
phia ;" bre couro. — Bandejinlia par escripto-
Frango de azeitonas , por Paulina Phila-
187 rio. — Toalhinha de altar. — Quadro
delphia).
de filet guipure. — Porta-photogra-
Mocotós de carneiro com limão, por Pau- —Desenho[de tapeça-
254 phia-ventarola.
lina Philadelphia 128
na
Mocotós de carneiro fritos, por Paulina
283 Cestinha de Páscoa. — Desenho para
Philadelphia ; • — Ponla de gravata. —
9.83 guarda-chuva,
Rins de porco, por Paulina Philadelphia. Cercadura de filet guipure.— Ta-
Fricassé de frango, por Paulina Philadel- — Quatro ai-
310 petezinho para alampada.
phia
phabetos ornados f *>d
Repolho recheiado, por Paulina Philadel-
— Chapéo de
348 O bosquele da Virgem.
phia •/* trança vegetal. — Lambrequim. — Ren-
Feijão branco de gordura, por Paulina da, filet bordado. — Cercadura de
373
Philadelphia
ponto de meia. — Porta-agulhas. —
Modo de fazer a fecula de batatas, por Velocípede vide-poches 191
373
Paulina Philadelphia — Cha-
Quarta parte de capa de poltrona.
ruteira. — Cesta de costura. — A Vir-
POESIAS. — Quarta parte
gcm sob o caramanchel.
20 de capa de poltrona. — Limpa-pennas.
A' ,porJ '••• Tapete para alampada. — Quadrado
Ca-
Versos recitados por Pedro Alvares de guipure em relevo 223
*** 57
bral, por Vista e detalhes de uma carteira-rede.—
Eu tenho ciúmes, por M. I. Marrocos —
58 Detalhes e vista de um vide-poche.
Mendes Guarniçâode alva ou de toalha de altar.
Oronte.... 89
Lembranças do passado, por Ponta de gravata. — Guamiçâo de
125
Uma hora de desalento, por Itelvina.... »
mignardise. - Tira de applicaçao de
Fernandes dos
Gloria ao Brasil! por A. J. colo-
158 panno sobre panno. — Tapeçaria
Reis ." rida, 257
Assis. 188.
Amor passageiro, por Machado de Alphabeto de maiúsculas romanas. — Cer-
de As-
HymnodoChristâo,por Machado cadura com canto para tapete de mesa.
221
sis Aquarium de salão. — Cobertas para
de M.... 255
Adeos!... por Honorata M. C. — Collarinho. — Almofadinha
filha pratos.
Sobre o túmulo de minha querida em fôrma de peixe. - Gorro grego. —
•. 284
Dalila, por Honorata M. C. de M... Metade de uma almofada, de um tapete
285
A Cruz, porC. Abreu ou de uma ventarola. — Moldura de
de Assis 317
Em sonhos, por Machado llôres naturaes. — Porta-phosphoros.. 287
M. «... 349
Adeos l por Honorata M.C. de Porta-cartas. — Porta-charutos. — Lam-
374
Esperança, por A. A. Mendonça brequim. — Metade de capa de pasta*
-*. Suspensão. - Caixinha para amen-
EXPLICAÇÃO DOS TRABALHOS. doas em fôrma de feixe.—Almofadinha
em fôrma de morangos. 321
- Gorro. - Lam-
tapete para alampada. Desenho de lambrequim para chaminé,
- Almofada para sofá, ou
brequim; mesa ou cantoneira. - Ventarola japo-
- Colcha de cro-
capa para poltrona. neza. — Guião da Santíssima Virgem*
— Iniciaes so-
chet. — Thermometro, Desenho de bordado para o guião.
29
bre filet •••• Charuteira. - Tapa-vaso (cache-
- Prato para alam-
Bolsa para tentos. 35i
vidro de alampada. pol)
pada. - Rolha para - Caixinha de costura. — Saccola. — Lam-
~ O presépio sob a geada. Boceti-
60 brequim. — Porta -relógio. — Quarta
nha-esmoleira
- Casaqui-
/
parte de guarda-luz. — Bolsa de
Vaso de flores, com sorpresa. dinheiro. - Rolha para vidro
— Ventarola guardar
nha Figaro pára criança. de alanipada. ............••• 377
bór-
de tapeçaria. - Crochet tunisiano
381 JORNAL DAS FAMÍLIAS.
ANNEX1DADES. JULHO.
v'
JANEIRO. Figurino de modas (colorido). — Estampas de
> bordados, de moldes e de guipure em relevo.
Figurino de modas, dobrado (colorido). — Es- — Molde cortado. — Uma chromo-lithogra-
tampas dobradas de bordados, de inoldes e
7de crochet applicadoá architectura, — Molde phia.
AGOSTO.
cortado de tamanho natural. — Àquarella.

FEVEREIRO. Figurino de modas (colorido). — Estampas de
•A bordados, de moldes e de tapeçaria colorida.
Figurino de modas (colorido). — Estampas de — Molde cortado de tamanho natural.
bordados $ de moldes e de crochet. — Molde
cortado de tamanho natural. SETEMBRO.

MARÇO. Figurino de modas (colorido). — Estampas de


'f. bordados e^de moldes. -- Grande molde cor-
Figurino de modas (colorido). — Estampas de tado. -^Estampa annexa , quarta parte de
bordados e de moldes. — Molde cortado de um guarda-sol á italiana. — Gravura sobre
tamanho natural. —Àquarella. madeira (o grande canal de Veneza).
ABRIL. OUTUBRO.
*i-

Figurino de modas (colorido). — Estampas de i


Figurino de modas (colorido). — Estampas de
bordados,Hde moldes e de tapeçaria colorida. bordados, Qe moldes, de roupa branca e bor-
— Molde cortado de tamanho natural. —
dados e de tapeçaria colorida. 4- Molde cor-
Porta-photographia-ventarola. tado.
MAIO. NOVEMBRO.
>

Figurino de modas (colorido). — Estampas de Figurino de modas (colorido). — Estampas de


bordados ede moldes. — Molde cortado. — bordados/de moldes, é de trabalhos de filet,
—^ Molde
{ Quatro alphabetos ornados. — Duas gravuras vde tapeçaria e' trastes diversos.
sobre madeira, reproducçâo de obras pri- cortado. — Um trecho de musica.
mas de pintura da escola hollandeza.
V..
DEZEMBRO.
junho.
x..
Figurino de modas (colorido). — Estampas de
Figurino de modas (colorido). — Estampas de bordados^de moldes, de tapeçaria colorida e
bordados e de moldes. — Estampa grande de vários trastes è tapeçaria. ~ Molde cor-
de roupa feita. — Molde cortado. tado.

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Paris. - Typographia de Ad. Lainé, rua dos Santos-Padrep, 19


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