Modelation Final
Modelation Final
1. Introdução ................................................................................................................................... 3
2. Problematização .......................................................................................................................... 5
3. Justificativa ................................................................................................................................. 6
4. Hipóteses ..................................................................................................................................... 7
4.1. Hipótese nula (H₀) ................................................................................................................ 7
4.2. Hipótese alternativa (H₁) ...................................................................................................... 7
5. Objectivos ................................................................................................................................... 8
5.1. Objectivo geral ..................................................................................................................... 8
5.2. Objectivos específicos .......................................................................................................... 8
6. Revisão bibliográfica .................................................................................................................. 9
6.1. Modelagem da qualidade da água: Fundamentos teóricos ................................................... 9
6.2. Cinética da degradação da DBO .......................................................................................... 9
6.3. Modelos aplicados em bacias hidrográficas ....................................................................... 10
6.4. Legislação e padrões de qualidade da água ........................................................................ 11
6.5. Contexto de Moçambique e da cidade da Beira ................................................................. 11
7. Metodologia .............................................................................................................................. 13
7.1. Definição do sistema .......................................................................................................... 13
7.2. Identificação das variáveis ................................................................................................. 13
7.2.1. Variável depende (Stock) ............................................................................................ 13
7.2.2. Variáveis Independentes .............................................................................................. 13
7.3. Diagrama de compartimentos............................................................................................. 14
7.4. Equações Matemáticas ....................................................................................................... 15
7.5. Geração de dados primários ............................................................................................... 17
8. Resultados e discussão .............................................................................................................. 18
8.1. Simulação no Excel ............................................................................................................ 18
8.2. Evolução temporal da DBO ............................................................................................... 18
8.3. Discussão dos resultados .................................................................................................... 19
8.4. Análise de regressão ........................................................................................................... 21
8.4.1. Regressão linear simples ............................................................................................. 21
8.4.2. Regressão não-linear (modelo exponencial)................................................................ 22
8.4.3. Regressão linear múltipla ............................................................................................ 23
1
8.5. Análise de sensibilidade ..................................................................................................... 24
9. Conclusão.................................................................................................................................. 25
10. Recomendações....................................................................................................................... 26
11. Referências bibliográficas ....................................................................................................... 27
2
1. Introdução
A qualidade da água constitui um dos desafios ambientais mais prementes do século XXI,
afectando directamente a saúde pública, a biodiversidade aquática e o desenvolvimento
socioeconómico das nações. A nível global, a Organização das Nações Unidas (ONU) estima que
mais de 2 bilhões de pessoas vivem em países com estresse hídrico elevado, e a poluição dos
corpos hídricos é responsável por aproximadamente 1,4 milhão de mortes anuais relacionadas com
doenças de veiculação hídrica (WHO, 2023). A Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) emerge
como um dos parâmetros mais críticos para avaliar a poluição orgânica, representando a
quantidade de oxigênio consumida por microrganismos aeróbios na decomposição da matéria
orgânica presente na água (Von Sperling, 2007; Chapra, 1997). Valores elevados de DBO indicam
cargas poluidoras significativas, que podem levar à depleção do oxigênio dissolvido, causando
mortalidade de peixes e desequilíbrios ecológicos severos (Matos et al., 2017).
Moçambique, localizado na costa oriental de África, possui uma extensa rede hidrográfica que
inclui grandes bacias como as dos rios Zambeze, Limpopo e Púnguè. No entanto, a gestão dos
recursos hídricos é definida pela Política Nacional de Águas (Resolução nº 46/2007) e pela Lei de
Águas (Lei nº 16/1991), que estabelecem princípios como o domínio público hídrico, a gestão por
bacias hidrográficas, o utilizador-pagador e o poluidor-pagador (Biofund, 2021). Apesar deste
enquadramento legal, a implementação prática enfrenta obstáculos significativos relacionados à
capacidade institucional, financiamento e infraestrutura. O país possui uma taxa de acesso a
saneamento urbano de apenas 68,4%, segundo dados do Ministério das Obras Públicas, Habitação
e Recursos Hídricos (AIM, 2024), o que significa que milhões de moçambicanos ainda não têm
acesso a sistemas adequados de tratamento de esgotos.
3
A Província de Sofala, situada na região centro de Moçambique, é particularmente vulnerável às
questões de qualidade da água. A província abriga a cidade da Beira, o segundo maior centro
urbano do país, com uma população estimada em mais de 500.000 habitantes. A cidade está
localizada numa estreita faixa de terra entre o Rio Púnguè e o Oceano Índico, numa altitude média
inferior a 1 metro acima do nível do mar, o que a torna extremamente susceptível a inundações e
intrusão salina (Biofund, 2021). A bacia do Rio Chiveve, que atravessa os bairros centrais da
cidade, constitui um sistema natural de drenagem que foi obstruído nas décadas de 1980,
resultando em acumulação de sedimentos, resíduos sólidos e águas residuais que comprometem
severamente a qualidade ambiental da região (World Bank, 2019).
4
2. Problematização
A poluição orgânica dos corpos hídricos é um dos principais problemas ambientais em áreas
urbanas de países em desenvolvimento, especialmente em contextos onde o saneamento básico é
precário. A descarga de esgotos domésticos e industriais sem tratamento adequado eleva as
concentrações de DBO nos reservatórios, comprometendo a qualidade da água e a saúde dos
ecossistemas aquáticos (ANA, 2017; AGEVAP, 2025).
A bacia do Rio Chiveve abrange cinco bairros do centro da cidade, constituindo um sistema natural
que permite o fluxo fluviomarinho e a retenção e drenagem de águas pluviais. Entretanto, o seu
funcionamento actual tem grandes limitações devido ao bloqueio ocorrido nos anos 80, quando se
fechou a saída natural do rio, instalando um canal de saída de apenas 2 metros de largura e 70
metros de comprimento (Biofund, 2021). Esta situação permite a permanência de elevados
volumes e caudais de água em partes superiores do rio, acumulando sedimentos, resíduos sólidos
e efluentes domésticos que elevam drasticamente a carga de DBO.
5
3. Justificativa
6
4. Hipóteses
4.1. Hipótese nula (H₀)
A concentração de DBO no reservatório urbano da Beira não é significativamente afetada pela
implementação de diferentes eficiências de tratamento de esgotos, mantendo-se em níveis elevados
(acima dos limites regulamentares) independentemente do cenário de intervenção, devido à
predominância de outras fontes de poluição e à limitada capacidade de autodepuração do sistema.
7
5. Objectivos
5.1. Objectivo geral
• Modelar a dinâmica da concentração de DBO num reservatório urbano da cidade da Beira.
8
6. Revisão bibliográfica
6.1. Modelagem da qualidade da água: Fundamentos teóricos
A modelagem da qualidade da água em corpos hídricos tem sido amplamente estudada na literatura
ambiental desde as primeiras décadas do século XX. Streeter e Phelps (1925) desenvolveram as
bases teóricas da modelagem da autodepuração de rios, estabelecendo as equações diferenciais que
descrevem a depleção do oxigênio dissolvido em função da carga de DBO. Este trabalho pioneiro
fundamentou todas as abordagens subsequentes de modelagem da qualidade da água.
Orlob (1983), em sua obra "Mathematical Modeling of Water Quality: Streams, Lakes, and
Reservoirs", consolidou as principais abordagens de modelagem matemática para lagos e
reservatórios, incluindo os modelos de mistura completa (completely mixed) e os modelos de
múltiplos compartimentos. O autor demonstrou que, para reservatórios de pequeno a médio porte
com tempos de residência relativamente curtos, a abordagem de mistura completa é adequada e
computacionalmente eficiente.
A cinética de degradação da DBO é tipicamente modelada como uma reação de primeira ordem,
onde a taxa de degradação é proporcional à concentração remanescente de matéria orgânica. A
equação fundamental é:
𝐿𝑡 = 𝐿0 × 𝑒 −𝑘𝑡
9
Onde: 𝐿𝑡 é a DBO remanescente no tempo, 𝐿0 é a DBO inicial e k é o coeficiente de degradação.
Matos et al. (2017) avaliaram o efeito da temperatura na progressão da DBO exercida em amostras
de esgoto doméstico, concluindo que os modelos de primeira e segunda ordens descrevem
adequadamente a progressão da DBO, tanto para incubação a 20°C quanto a 35°C. Os autores
encontraram valores de k de 0,1593 dia⁻¹ a 20°C e 0,2262 dia⁻¹ a 35°C, com R² superiores a 0,97,
confirmando a validade da abordagem cinética de primeira ordem.
A Agência Nacional de Águas (ANA, 2017) publicou o "Atlas Esgotos: Despoluição de Bacias
Hidrográficas", que fornece dados e metodologias para o cálculo de cargas poluidoras e projeções
de cenários futuros. O documento é referência nacional para o planejamento de investimentos em
saneamento básico no Brasil, estabelecendo que a eficiência de remoção de DBO em lagoas de
estabilização varia entre 60% e 80%, enquanto sistemas de lodo activado podem atingir eficiências
superiores a 90%.
10
6.4. Legislação e padrões de qualidade da água
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA, 2005), por meio da Resolução nº 357,
estabelece os limites de concentração de DBO para diferentes classes de corpos de água no Brasil,
servindo como referência internacional para a avaliação da qualidade da água. A classificação
estabelece:
Em Moçambique, a gestão dos recursos hídricos é definida pela Política Nacional de Águas
(Resolução nº 46/2007) e pela Lei de Águas (Lei nº 16/1991), que estabelecem princípios como o
domínio público hídrico, a gestão por bacias hidrográficas, o utilizador-pagador e o poluidor-
pagador (Biofund, 2021). O Decreto nº 43/2007 aprovou o Regime de Licenças e Concessões,
detalhando os requisitos para o uso e aproveitamento privativo de água, incluindo o despejo de
efluentes.
A bacia do Rio Chiveve abrange cinco bairros do centro da cidade (Chaimite, Maquinino, Ponta-
Gêa, entre outros), constituindo um sistema natural que permite o fluxo fluviomarinho e a retenção
e drenagem de águas pluviais. Entretanto, o seu funcionamento actual tem grandes limitações
devido ao bloqueio ocorrido nos anos 80, quando se fechou a saída natural do rio, instalando um
11
canal de saída de apenas 2 metros de largura e 70 metros de comprimento (Biofund, 2021). Esta
situação permite a permanência de elevados volumes de água estagnada, acumulando sedimentos,
resíduos sólidos e efluentes domésticos.
A AQUASHARE (2025) destaca que o parque de infraestruturas verdes criado no Rio Chiveve
veio aumentar a resiliência aos eventos climáticos da Cidade da Beira, representando uma
abordagem inovadora de soluções baseadas na natureza para a gestão de recursos hídricos urbanos.
No entanto, a organização alerta para a necessidade de aperfeiçoar as soluções de proteção contra
erosão e redução da vulnerabilidade das zonas costeiras, considerando os custos elevados e os
impactos negativos das estruturas tradicionais nos ecossistemas e na biodiversidade.
12
7. Metodologia
Sistema: reservatório urbano receptor de esgotos domésticos não tratados, localizado nos bairros
centrais da cidade da Beira (Chaimite, Maquinino e Ponta-Gêa), na Província de Sofala,
Moçambique.
Delimitação espacial: o reservatório encontra-se na bacia do Rio Chiveve, com área de drenagem
de aproximadamente 143 hectares, e serve como ponto de acumulação de águas pluviais e efluentes
domésticos dos bairros circundantes antes do escoamento para o Rio Púnguè e, posteriormente,
para o Oceano Índico.
Delimitação temporal: a simulação abrange um período de 120 dias, suficiente para observar a
dinâmica de acumulação e estabilização da concentração de DBO no reservatório.
• População atendida (hab): população dos bairros que descarrega esgotos no reservatório;
• Carga per capita de DBO (g/hab·dia): quantidade de DBO gerada por habitante por dia;
• Eficiência de tratamento (adimensional): percentagem de remoção de DBO pela ETE (0 a
1);
• Volume do reservatório (m³): capacidade total do reservatório;
• Vazão (m³/dia): vazão de entrada e saída do reservatório;
• Coeficiente de degradação (𝑑𝑖𝑎−1): taxa de degradação biológica da DBO;
• Tempo (dia): variável temporal da simulação.
13
7.3. Diagrama de compartimentos
• Stock (reservatório urbano): representado pelo retângulo com borda dupla, contendo a
variável dependente. Este é o compartimento principal do sistema, onde a massa de DBO
se acumula ao longo do tempo;
• Fluxo de entrada (𝑄 · 𝐶𝑖𝑛 ): seta grossa que representa a carga de DBO que entra no
reservatório através dos esgotos domésticos. A magnitude deste fluxo depende da
população atendida (Pop), da carga per capita (f) e da eficiência de tratamento (T);
• Fluxo de saída (𝑄 · 𝐶𝐷𝐵𝑂 ): seta grossa que representa a carga de DBO que sai do
reservatório através do escoamento para o Rio Chiveve e, posteriormente, para o Oceano
Índico;
• Conversor (k): círculo que representa o coeficiente de degradação da DBO. Este conversor
transforma a concentração de DBO em taxa de degradação através da equação;
• Conversores auxiliares: círculos coloridos representando as variáveis independentes que
influenciam o sistema:
− população;
− carga per capita;
− eficiência de tratamento;
− volume;
− vazão.
14
7.4. Equações Matemáticas
O balanço de massa para a DBO no reservatório é dado pela equação diferencial ordinária de
primeira ordem:
Onde:
𝑑𝐶𝐷𝐵𝑂
• : taxa de variação da concentração de DBO (mg/L·dia);
𝑑𝑡
𝑄𝑖𝑛 ·𝐶𝑖𝑛
• : taxa de entrada de DBO (mg/L·dia);
𝑉
𝑄𝑜𝑢𝑡 ·𝐶𝐷𝐵𝑂
• : taxa de saída de DBO (mg/L·dia);
𝑉
15
𝑑𝐶𝐷𝐵𝑂
Para o regime estacionário = 0:
𝑑𝑡
𝑄𝑖𝑛 ·𝐶𝑖𝑛
𝐶𝐷𝐵𝑂 = 𝑄
𝑜𝑢𝑡 +𝑘·𝑉
𝑄·𝐶
𝐶𝐷𝐵𝑂 = 𝑄 + 𝑘𝑖𝑛· 𝑉
𝑃𝑜𝑝 ·𝑓 ·(1−𝑇)
𝐶𝑖𝑛 = 𝑄𝑖𝑛 · 0,8
Onde:
16
7.5. Geração de dados primários
População atendida (Pop) 85.000 hab Estimado para bairros Chaimite, Maquinino,
Ponta-Gêa
85.000 · 54 · (1 − 0) 4.590.000
𝐶𝑖𝑛 = = = 163,93𝑚𝑔/𝐿
35.000 · 0,8 28.000
17
8. Resultados e discussão
A simulação foi realizada no Excel com passo de tempo ∆𝑡 = 1 dia, usando o método de Euler
(diferenças finitas explícitas):
18
Resultados da simulação (cenário base - sem tratamento):
𝑉
O tempo de residência do reservatório é 𝑡 = = 35dias, e o tempo de meia-vida da DBO é
𝑄
93
≈ 2,77dias. O sistema atinge aproximadamente 95% do equilíbrio em 3𝑡 ≈ 30dias.
0,25
Foram simulados cinco cenários de eficiência de tratamento, assim como ilustra a figura abaixo:
19
A figura 2 apresenta a comparação gráfica dos cenários:
1. Sem tratamento: a concentração de equilíbrio de 46,84 mg/L está muito acima do limite
máximo permitido para qualquer classe de corpo de água segundo a Resolução CONAMA
357/2005. Este valor reflete a realidade actual da Beira, onde grande parte dos esgotos domésticos
é descarregada sem tratamento nos canais de drenagem e no Rio Chiveve (Biofund, 2021). A
magnitude da poluição é consistente com dados de esgoto bruto em países em desenvolvimento,
que tipicamente apresentam DBO entre 150 e 400 mg/L (Lab2Bio, 2025).
2. ETE 30% e 50%: mesmo com tratamento parcial, as concentrações de equilíbrio (32,79 e 23,42
mg/L) ainda excedem significativamente os limites regulamentares. Estas eficiências
correspondem a sistemas de tratamento primário simples, como fossas sépticas ou lagoas de
anaerobiose, que são comuns em contextos de recursos limitados, mas insuficientes para atender
aos padrões de qualidade.
3. ETE 80%: com eficiência de 80%, a concentração de equilíbrio cai para 9,37 mg/L,
classificando o reservatório na Classe 3 (água para consumo após tratamento convencional). Este
é o cenário mínimo aceitável para a proteção dos ecossistemas aquáticos e corresponde a sistemas
de lagoas de estabilização bem operados ou tratamento biológico secundário (Von Sperling, 2007).
4. ETE 95%: Com tratamento avançado (ex.: lodo ativado + filtração), a concentração de
equilíbrio atinge 2,34 mg/L, classificando o reservatório na Classe 2 (água para consumo após
tratamento simplificado). Este cenário representa o ideal para a proteção ambiental e a saúde
pública.
20
8.4. Análise de regressão
Modelo: 𝐶𝑒𝑞 = 𝛽0 + 𝛽1 · 𝑇
Discussão crítica: a regressão linear simples demonstrou uma relação perfeitamente linear entre
a eficiência de tratamento e a concentração de equilíbrio de DBO, com R² = 1,0000. Este resultado
era esperado, dado que a relação matemática entre estas variáveis é determinística e derivada
diretamente da equação de equilíbrio do modelo. Cada aumento de 1% na eficiência de tratamento
reduz a concentração de equilíbrio em 0,468 mg/L. A linearidade perfeita indica que, no modelo
teórico, não há efeitos de saturação ou não-linearidades na relação entre tratamento e qualidade da
água. No entanto, na prática, esta relação pode apresentar desvios devido a: (i) variações sazonais
na temperatura que afetam o coeficiente k; (ii) presença de cargas poluidoras difusas não
consideradas; (iii) eficiência variável da ETE ao longo do tempo; e (iv) eventos climáticos
extremos que alteram a vazão e a diluição.
21
8.4.2. Regressão não-linear (modelo exponencial)
• 𝑅 2 = 1,0000;
• 𝜆 = 0,356 dia⁻¹ (taxa de aproximação ao equilíbrio)
• 𝐶𝑒𝑞 = 46,84 mg/L.
22
8.4.3. Regressão linear múltipla
Discussão crítica: a regressão linear múltipla demonstrou que os três parâmetros são
estatisticamente significativos na determinação da concentração de equilíbrio de DBO. O
coeficiente de k apresentou o maior valor absoluto (-0,9520), indicando que o coeficiente de
degradação é o fator mais influente no controle da qualidade da água, seguido pela eficiência de
tratamento (-0,5276) e pela população (+0,3484). O R² = 0,9043 indica que 90,43% da variação
na concentração de DBO é explicada por estas três variáveis, sendo um ajuste excelente para
modelos ambientais. Os resíduos apresentaram distribuição aproximadamente normal, conforme
confirmado pelo Q-Q plot. No entanto, a análise revelou que a relação entre as variáveis pode
apresentar multicolinearidade, especialmente entre população e vazão, que tendem a crescer
conjuntamente em áreas urbanas. Futuras análises devem considerar a inclusão de termos de
interação e a transformação de variáveis para melhorar o ajuste.
23
8.5. Análise de sensibilidade
2. Vazão (Q): aumentos na vazão de entrada reduzem o tempo de residência, mas aumentam a
carga total. Eventos de chuva intensa, comuns na Beira durante a época chuvosa, podem aumentar
significativamente a vazão e, consequentemente, a carga de DBO.
24
9. Conclusão
2. O processo de autodepuração segue uma cinética de primeira ordem, conforme confirmado pela
regressão não-linear exponencial (𝑅 2 = 1,000) coeficiente de degradação k = 0,25dia⁻¹ é
consistente com as temperaturas tropicais da Beira.
3. A hipótese nula (H₀) foi rejeitada, pois a implementação de Estações de Tratamento de Esgotos
com eficiência igual ou superior a 80% reduz significativamente a concentração de DBO,
atingindo níveis compatíveis com a Classe 3 (9,37 mg/L) da CONAMA. A hipótese alternativa
(H₁) foi confirmada.
25
10. Recomendações
4. Gestão integrada da água: articular as intervenções no Rio Chiveve com o Plano de Gestão
Ambiental do projeto de reabertura, garantindo a limpeza periódica do canal, a inspeção das
comportas do desaguadouro e a coordenação com o Serviço Autónomo de Água e Saneamento
(Biofund, 2021).
26
11. Referências bibliográficas
28
24. UNICEF & WHO. (2023). Progress on household drinking water, sanitation and hygiene
2000-2022: Special focus on gender. WHO/UNICEF Joint Monitoring Programme for
Water Supply, Sanitation and Hygiene.
25. VON SPERLING, M. (2005). Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de
esgotos (3ª ed.). DESA-UFMG.
26. VON SPERLING, M. (2007). Princípios do tratamento biológico de águas residuárias
(Vol. 1). DESA-UFMG.
27. VON SPERLING, M. (2014). Estudos e modelagem da qualidade da água de rios. DESA-
UFMG.
28. WORLD BANK. (2019). Mozambique – Cities and climate changes project:
Environmental assessment (Vol. 1 of 2). World Bank.
[Link]
reports/documentdetail/823931495550808788
29. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). (2023). Guidelines for drinking-water
quality (4th ed., incorporating the 1st and 2nd addenda). WHO.
29