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Article II

Este estudo investiga o uso de bactérias promotoras de crescimento para mitigar os efeitos do estresse hídrico na germinação e crescimento de plântulas de tomate. Os resultados mostram que as bactérias com atividade de ACC desaminase melhoraram a capacidade de germinação e o desenvolvimento das plântulas sob estresse hídrico induzido por soluções de polietileno glicol. A cepa RZ-1 se destacou na mitigação dos efeitos negativos do estresse osmótico, enquanto outras cepas também demonstraram potencial em promover o crescimento das plântulas.

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Este estudo investiga o uso de bactérias promotoras de crescimento para mitigar os efeitos do estresse hídrico na germinação e crescimento de plântulas de tomate. Os resultados mostram que as bactérias com atividade de ACC desaminase melhoraram a capacidade de germinação e o desenvolvimento das plântulas sob estresse hídrico induzido por soluções de polietileno glicol. A cepa RZ-1 se destacou na mitigação dos efeitos negativos do estresse osmótico, enquanto outras cepas também demonstraram potencial em promover o crescimento das plântulas.

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ARTICLE II: GROWTH-PROMOTING BACTERIA AS ATTENUATORS OF

WATER STRESS IN TOMATO SEEDS

ABSTRACT

Tomato production, a crop of great economic importance, is significantly affected by


drought conditions, an increasingly common problem due to climate change. A
promising strategy to mitigate the effects of water stress is the use of plant growth-
promoting bacteria to modulate ethylene levels through the enzyme 1-
aminocyclopropane-1-carboxylate (ACC) deaminase, which degrades ACC, preventing
the biosynthesis of the hormone. The aim of this study was to evaluate the effect of
growth-promoting bacteria with ACC deaminase activity on seed germination and
seedling growth of tomato plants under water stress. The experimental design was
completely randomized, in a 6x5 factorial scheme, with six seed treatments (four
bacterial isolates and two controls) and five osmotic concentrations (0.0; -0.2; -0.4; -0.6;
and -0.8 MPa) induced by polyethylene glycol 6000 (PEG 6000) solutions, with four
replicates of 50 seeds. Germination, root protrusion, first germination count,
germination speed index, seedling fresh weight, root length and shoot length of
seedlings were evaluated. Results demonstrated that plant growth-promoting bacteria
with ACCD activity positively influenced seed germination capacity and seedling
development of tomato under water stress. A reduction in the germination percentage
and germination speed index was observed with increasing osmotic stress; however, the
RZ-1 isolate demonstrated efficacy in mitigating these effects at an osmotic
concentration of -0.4 MPa. Strains E-154 and E-24 demonstrated potential in promoting
shoot and root growth of seedlings, indicating the beneficial action of bacteria in
promoting plant growth.

Keywords: Solanum lycopersicum, PEG 6000, osmotic potentials, ACC deaminase,


ethylene
2.1 INTRODUÇÃO

O tomate (Solanum lycopersicum L.) é uma hortaliça de grande importância


econômica mundial, sua produção alcança em média 190 milhões de toneladas (FAO,
2023; IBGE, 2023). No entanto, mudanças climáticas globais como variações nos
índices de precipitação exerce influência direta sobre a produção agrícola (RAY et al.,
2019). Diversos autores reiteram a sensibilidade da cultura ao déficit hídrico nas mais
diversas fases de desenvolvimento, principalmente na germinação de sementes e no
desenvolvimento inicial de mudas (MISHRA et al, 2016; SHI et al, 2014; KLUNKLIN
e SAVAGE, 2017; ALORDZINU et al., 2021). Segundo Cramer et al. (2011), o estresse
hídrico afeta negativamente os processos bioquímicos e fisiológicos das plantas,
limitando a produtividade agrícola.
A água exerce importante atividade no processo de germinação de sementes uma
vez que promove a retomada do crescimento do embrião e consequentemente a
protrusão da radícula. Além disso, é o veículo responsável pela translocação e
transformação das reservas, fundamentais para a germinação de sementes e crescimento
de plântulas (BEWLEY et al., 2013; MARCOS-FILHO, 2015; OBROUCHEVA et al.,
2017). Em decorrência da escassez de água pode haver redução significativa na
porcentagem de germinação, má formação e desenvolvimento de raízes e parte aérea,
atraso no crescimento de plântulas e, em casos extremos morte do embrião (FAROOQ
et al, 2012; DUNNER et al., 2017).
O polietilenoglicol 6000 (PEG) tem sido amplamente utilizado em estudos
fisiológicos como um mimetizante de estresse hídrico, simulando o potencial osmótico
de solos secos. Ao utilizar diferentes concentrações de PEG é possível induzir diferentes
níveis de déficit hídrico nas sementes, permitindo avaliar a tolerância de sementes a
condições de déficit hídrico. Essa metodologia possibilita a realização de experimentos
controlados em condições de laboratório, facilitando a análise dos mecanismos de
resposta das plantas ao estresse hídrico (Zgallai et al., 2005).
Para reduzir os impactos acarretados pelo déficit hídrico, a adoção da prática de
inocular bactérias promotoras de crescimento de plantas (BPCP) pode conferir
propriedades benéficas às plantas e, ainda, colonizar a rizosfera das plantas, melhorando
o desempenho do tomateiro em condições de adversidades ambientais (Candido et al.,
2015). Ademais, este grupo de microrganismos podem aumentar e estimular a
resistência das plantas a pragas e patógenos (Goswami; Deka, 2020).
Fatores abióticos como estresse hídrico, salino e térmico dentre outros, são os que
mais exercem influência sobre o desempenho vegetal e promovem picos de etileno na
planta. A resposta das plantas ao etileno é complexa e depende de fatores como
concentração do hormônio, estádio de desenvolvimento da planta e condições
ambientais. Este hormônio desempenha um papel significativo em diversos processos
fisiológicos das plantas, incluindo a germinação, diferenciação de tecidos, início da
floração, polinização, desenvolvimento de botões laterais, abertura de flores,
desenvolvimento de raízes, e a senescência e abscisão de folhas e frutos (COUPLAND e
JACKSON, 1991; MATTOO e SUTTLE, 1991; ABELES et al., 1992; CHAE e
KIEBER, 2005; GLICK, 2007). Mesmo em concentrações extremamente baixas,
geralmente inferiores a 1,0 ppm (1,0 µL/L), o etileno pode induzir respostas nas plantas
(Lynch e Brown, 1997; Choudhary, 2017).
O efeito do estresse do etileno nas plantas pode ser reduzido por bactérias
promotoras de crescimento de plantas (PGPB), esses microrganismos podem facilitar o
crescimento, desenvolvimento das plantas por meio de uma ampla gama de
mecanismos, incluindo a manipulação dos níveis de hormônios vegetais (GLICK,
2012), uma vez que conseguem modular os níveis de etileno endógeno através da
expressão da enzima 1-aminociclopropano-1-carboxilato (ACC) desaminase, que cliva
o precursor imediato do etileno (ACC) em α-cetobutirato e amônia e indisponibiliza o
substrato para a biossíntese do hormônio reduzindo assim seus efeitos deletérios
(GLICK, 2014; CHANDRA et al., 2020).
Glick e Nascimento (2021) ressaltam que as bactérias produtoras de ACC
desaminase podem modular as concentrações de ACC tanto na rizosfera e filosfera pelo
consumo do ACC exsudado pela planta, ou no interior de tecidos vegetais, limitando
diretamente as ações do ACC e, consequentemente a produção de etileno pela planta.
Estudos preliminares de caracterização de PGPBs isoladas de tecidos internos da
rizosfera de bananeiras de municípios do Norte de Minas Gerais e da Bahia
demonstraram cepas com potenciais para produção de ácidos indólicos, giberelina,
sideróforos, enzima lítica, solubilização de fosfato, fixação de nitrogênio e atividade de
ACC deaminase (ACCD), demonstrando múltiplas características que podem promover
efeito cumulativo na promoção de crescimento de plantas em ambientes sob condições
de estresse (SOUZA, 2017; SILVA 2018).
Diante do exposto, esse estudo teve como objetivo avaliar o efeito das bactéria
com atividade de ACCD na germinação de sementes de tomateiro sob estresse hídrico.

2.2 MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido nos laboratórios de Fitopatologia e Análise de


Sementes da Universidade Estadual de Montes Claros/UNIMONTES - Campus
Janaúba/MG. Foi realizado em esquema fatorial 6x5, sendo o primeiro fator referente a
microbiolização de sementes de tomate da cultivar Santa Cruz Kada com quatro
isolados bacterianos (Bacillus pumilus-RZ-1; B. thuringiensis-E-24, Bacillus sp.-E-37 e
B. pumilus-E-154), sementes desinfestadas microbiolizadas com solução salina (S/Bac)
e a testemunha absoluta sem desinfestação e sem microbiolização de sementes (TA). O
segundo fator refere-sea diferentes potenciais osmóticas (0,0; -0,2; -0,4; -0,6; e - 0,8
MPa). A indução do estresse hídrico foi realizada com soluções contendo o polietileno
glicol 6000 (PEG 6000), sendo preparadas de acordo com as especificações de Villela et
al. (1991). O potencial de 0,0 MPa correspondeu à testemunha (controle) cujo substrato
foi umedecido com água destilada.
Vale ressaltar que as PGPBs selecionadas foram previamente caracterizadas e
apresentaram potencial para produção de AIA, giberelina, sideróforos, enzima lítica,
solubilização de fosfato, fixação de nitrogênio e atividade de ACCD.
O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizados, com
quatro repetições com 50 sementes por tratamento, totalizando 120 unidades
experimentais.
As suspensões bacterianas foral ajustadas em espectrômetro para densidade ótica
de 1 de absorbância, no comprimento de onda (λ) 540 nm para posterior
microbiolização de sementes. As sementes foram previamente desinfestadas
superficialmente por imersão em etanol 70% (30 segundos) e hipoclorito de sódio 0,5%
(60 segundos), seguida de tríplice lavagem em água destilada estéril, e em seguida,
foram secas ao ar em câmara de fluxo laminar por 8 horas (MARTINS et al., 2018).
Para a microbiolização foi adotada metodologia adaptada por Madureira (2015). O
tratamento S/Bac passou pela etapa de desinfestação e microbiolização com solução
salina (NaOH 0,85%) sem adição de bactérias, e o tratamento TA não foi desinfestado
nem microbiolizado.
Para o teste de germinação, as sementes foram semeadas sobre papel germitest®,
umedecido com as soluções de PEG 6000 ou água destilada (testemunha), em volume
equivalente a 2,5 vezes o peso seco disposto em caixas plásticas do tipo gerbox. As
caixas foram mantidas em germinador digital regulado para 25 °C constantes, sendo as
avaliações realizadas no décimo quarto dia após a semeadura, que consistiu na
contagem do número de plântulas normais, com os resultados expressos em
porcentagem. Foram consideradas normais as plântulas que apresentaram estruturas
essenciais (sistema radicular e parte aérea) completas, desenvolvidas, proporcionais e
sadias (BRASIL, 2009).
Após 96 h, avaliou-se protrusão radicular, sendo computadas as sementes que
apresentaram emissão de radícula de pelo menos dois milímetros de comprimento
visível, com os resultados expressos em porcentagem.
Em conjunto com o teste de germinação foi determinada a primeira contagem de
germinação na qual consistiu do registro do número de plântulas normais obtidas no
quinto dia após a semeadura, com os resultados expressos em porcentagem (BRASIL,
2009).
O índice de velocidade de germinação (IVG) constituiu em avaliações diárias, do
número de sementes que apresentaram protrusão de radícula até a formação de uma
plântula normal. Ao final do teste, com os dados obtidos das avaliações diárias, foi
calculado o IVG, empregando-se a fórmula proposta por Maguire (1962).
A massa fresca foi obtida a partir das pesagens das plântulas normais de cada
tratamento/repetição, em balança analítica de precisão (0,0001 g) e os resultados
expressos em g plântula-1.
Ao final do teste de germinação foram mensurados os comprimentos da parte
aérea e raiz, utilizando-se 10 plântulas normais por repetição, com auxílio de uma régua
graduada, e os resultados expressos em cm plântula-1.
Os resultados foram submetidos à análise de variância, as médias resultantes da
microbiolização das sementes foram comparadas pelo teste de Scott Knott a 1% de
probabilidade e as médias provenientes das concentrações de PEG 6000 foram
submetidas à análise de regressão. Os modelos de regressão foram escolhidos conforme
significância dos coeficientes, considerando-se o modelo que melhor explicava o
fenômeno biológico. As variáveis estudadas foram analisadas através do programa
Sisvar (FERREIRA, 2011).
2.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observou-se interação altamente significativa (p ≤ 0,01) entre estirpes bacterianas


e potenciais osmóticas induzidas por soluções de PEG 6000 nas variáveis: germinação,
protrusão radicular, primeira contagem de germinação, índice de velocidade de
germinação, massa fresca de plântula, comprimento de parte aérea e comprimento de
raiz. Esses resultados indicam a microbiolização das sementes de tomate com PGPBs
influenciaram positivamente a capacidade germinativa das sementes e o
desenvolvimento de plântulas sob condições de estresse hídrico.
Os tratamentos de sementes com bactérias promotoras de crescimento
apresentaram porcentagem de germinação diretamente proporcional à concentração da
solução osmótica, observando-se redução progressiva na % de germinação de semente
em resposta a redução dos potencias osmóticos, evidenciando-se comportamento linear
decrescente (Figura 1). Esse comportamento se repetiu em todos os tratamentos (Figura
1), indicando que o aumento do estresse hídrico induzido pelos potenciais negativos de
PEG 6000, exerceu efeito adverso sobre o potencial germinativo das sementes.
Figura 1. Equações de Regressão de Germinação de sementes, indice de velocidade de
germinação (IVG), protrusão e primeira contagem de sementes de tomate (Santa Cruz Kada)
microbiolizadas com bactérias produtoras de ACCD, sob estresse hídrico induzido por PEG
6000, Janaúba, 2024.

VARIÁVEL

Tratamento Germinação (%) IVG

Equação de Regeressão R² Equação de Regeressão R²

E -24 ŷ= 134,00x + 92,10 0,73 ŷ = 14,85x + 9,69 0,80

E-154 ŷ = 136,00x + 91,80 0,82 ŷ = 14,95x + 9,89 0,85

E-37 ŷ = 113,42x + 75,95 0,81 ŷ = 12,06x + 7,93 0,80

RZ-1 ŷ = 131,67x + 93,03 0,90 ŷ = 11,51x + 8,03 0,86

S/BAC ŷ = 126,84x + 86,67 0,80 ŷ = 13,58x + 8,87 0,76

TA ŷ = 138,34x + 93,13 0,78 ŷ = 13,02x + 8,75 0,80

VARIÁVEL

Tratamento Protrusão Primeira contagem


Equação de Regeressão R² Equação de Regeressão R²

E -24 ŷ = 64,17x + 38,73 0,53 ŷ = 94,67x + 58,40 0,63

E-154 ŷ = 67,37x + 40,56 0,52 ŷ = 88,75x + 55,20 0,67

E-37 Ŷ = 40,00x + 24,00 0,50 ŷ = 78,34x + 47,73 0,57

RZ-1 ŷ = 39,04x + 23,68 0,55 ŷ = 63,01x + 39,07 0,66

S/BAC ŷ = 51,16x + 31,09 0,56 ŷ = 87,34x + 52,93 0,55

TA ŷ = 51,415x + 32,58 0,75 ŷ = 85,75x + 54,60 0,77

Em condições osmóticas ideais (0,0 MPa) não houve diferença significativa entre
os tratamentos, sendo observadas porcentagens de germinação maiores do que o
percentual mínimo exigido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
(MAPA) para sementes certificadas de tomate (BRASIL, 2012). No potencial -0,2 MPa
os tratamentos com B. thuringiensis E-24 e TA, apresentaram as maiores porcentagens
de germinação diferindo estatisticamente dos demais tratamentos, contudo os
tratamentos S/Bac e com Bacillus sp. E37 não atingiram os 75% de germinação
estabelecido pelo MAPA. Com o aumento da condição de estresse hídrico o B. pumilus
RZ-1 promoveu a maior germinação observada na concentração osmótica de -0,4 MPa.
Nas doses -0,6 MPa e -0,8 MPa, não houve diferença estatística entre os tratamentos
testados (Tabela 1).

Tabela 1. Germinação (%) de sementes de tomate (Santa Cruz Kada) microbiolizadas


com bactérias produtoras de ACCD sob estresse hídrico induzido por PEG 6000.
Concentração Osmótica (MPa)
Isolados 0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8

E-24 93,50 a 92,00 a 0,00 d 3,00 a 0,00 a


E-154 94,00 a 84,00 b 9,00 bc 0,00 a 0,00 a
E-37 94,67 a 44,00 d 11,00 b 0,00 a 3,25 a
RZ-1 90,00 a 83,33 b 28,50 a 0,00 a 0,00 a
S/BAC 96,00 a 72,67 c 4,00 cd 4,67 a 0,00a
TA 92,67 a 91,33 a 5,00 bcd 0,17 a 0,00 a
CV (%) 8,30
Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem significativamente pelo teste de Tukey (P> 0,01%).

Diversos trabalhos tem evidenciado redução na germinação de sementes de


tomate em condições de estresse hídrico (FLORIDO et al., 2018; SILVEIRA et al.,
2023). Essa atenuação ocorre pelo fato de que em condições de déficit hídrico durante a
embebição das sementes pode promover uma redução na velocidade de hidratação dos
tecidos e na difusão de oxigênio, como consequência pode ser observado também
umatraso no início da atividade enzimática, e por fim, a redução do crescimento
meristemático, problemas no alongamento celular, síntese de parede e emissão de
radícula (MARCOS-FILHO, 2015; OBROUCHEVA et al., 2017).
Contudo, as bactérias promotoras de crescimento de plantas com atividade de
ACC deaminase desempenham papel crucial na promoção da germinação de sementes
sob estresse hídrico, mitigando os efeitos inibitórios do etileno, hormônio vegetal
conhecido por suprimir a germinação em condições adversas. O etileno de estresse é
sintetizado em resposta a diferentes estresses abióticos, incluindo o déficit hídrico. Altas
concentrações do fitormônio pode reduzir a taxa de germinação de sementes, no entanto
as bactérias que possuem a enzima ACCD são capazes de degradar o precursor do
etileno, o 1-aminociclopropano-1-carboxilato (ACC), diminuindo assim as
concentrações do gás que inibe a germinação (MORGAN & DREW, 1997). Este
mecanismo foi corroborado por estudos que demonstram a capacidade das bactérias
com ACCD de melhorar a germinação em diversas culturas, incluindo plantas sob
condições de estresse hídrico (GLICK, 2014).
No índice de velocidade de germinação (IVG) também observou-se o decréscimo
em todos os tratamentos à medida que o potencial osmótico diminuiu, o que demonstra
que o aumento de estresse osmótico induzido por potenciais negativos do PEG 6000,
exerce impacto negativo sobre a velocidade de germinação de sementes de tomateiro,
mesmo mediante à microbiolização das sementes com PGPBs sintetizadoras de ACCD,
que são conhecidas por mitigar os efeitos do estresse (figura 2).
Em relação ao comportamento das bactérias dentro de cada concentração
osmótica, observou-se que na concentração 0,0 MPa, os tratamentos E-24, E-154 e
S/Bac apresentaram os maiores índices, diferindo estatisticamente dos demais
tratamentos. Maiores valores de IVG indicaram que mesmo em situação de estresse,
caracterizada pela menor disponibilidade de água, as sementes de uma determinada
amostra apresentou desenvolvimento inicial mais rápido, sendo, portanto, mais
vigorosas.
Tabela 2. Índice de velocidade de germinação de sementes de tomate (Santa Cruz
Kada) microbiolizadas com bactérias produtoras de ACCD sob estresse hídrico,
induzido por PEG 6000, Janaúba, 2024
Concentração Osmótica (MPa)
Isolados 0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8

E-24 11,36 a 7,19 b 0,00 d 0,21 a 0,00 a


E-154 11,27 a 7,35 ab 0,94 b 0,00 a 0,00 a
E-37 9,80 b 4,53 d 0,84 bc 0,00 a 0,19 a
RZ-1 7,73 c 7,55 ab 1,85 a 0,00 a 0,00 a
S/Bac 11,29 a 5,34 c 0,08 cd 0,18 a 0,29 a
TA 9,05 b 8,11 a 0,37 bcd 0,17 a 0,00 a
CV (%) 10,73
Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem significativamente pelo teste de Tukey (P> 0,01%).

No potencial -0,2 MPa, a TA demonstrou superioridade estatística, diferindo do


tratamento S/Bac e do isolado E-37. No potencial -0,4 MPa, as sementes
microbiolizadas com a RZ-1, apresentaram a maior média de IVG apresentando
superioridade estatística dos demais tratamentos. Nas doses -0,6 MPa e -0,8 MPa, não
houve diferença estatística entre os tratamentos (Tabela 2).
Os resultados observados demonstraram que na menor concentração osmótica em
que houve germinação (-0,4 MPa) a RZ-1 foi eficiente em atenuar o efeito do estresse
hídrico. Este efeito pode ser atribuído à capacidade da estirpe de B. pumilus RZ-1 em
induzir a resistência das sementes ao estresse hídrico pela diminuição dos níveis
excessivos de etileno endógeno em decorrência do estressor. Esse comportamento
corrobora com Glick et al. (2007) que confirmam a habilidade das PGPB com atividade
de ACCD na redução nos níveis de etileno, permitindo maior estabilidade hormonal,
garantindo que os processos fisiológicos essenciais não sejam interrompidos por
influência deletérias das altas concentrações do hormônio vegetal.
Nascimento (2000), salienta que o processo de produção de etileno pelas sementes
é desencadeado imediatamente após o início da embebição, com aumento da sua
produção com o tempo. Todavia, o padrão de produção de etileno pelas sementes,
durante a germinação, é variável entre as espécies.
As variáveis protrusão radicular (Figura 3) e primeira contagem de plântulas
(Figura 4), também reconhecidas como indicadores de vigor vegetal a exemplo do IVG,
demonstraram comportamento semelhante entre as estirpes microbianas em função das
concentrações osmóticas. Foram observadas diminuições lineares desses parâmetros
conforme as concentrações de PEG 6000 se tornaram mais negativas. Este padrão
sugere uma resposta uniforme das variáveis de avaliação do vigor em relação as
concentrações osmóticas testadas.
A análise revelou diferentes comportamentos entre as PGPBs dentro de cada
concentração osmótica para as variáveis protrusão radicular e primeira contagem de
germinação. Na concentração de 0,0 MPa (controle), as estirpes de B. thuringiensis E-
24 e B. pumilus E-154 destacaram-se com médias superiores de protrusão radicular,
diferenciando-se dos demais tratamentos (Tabela 3). Na primeira contagem de
germinação a E-24 também se sobressaiu no tratamento de maior concentração
osmótica, juntamente com o S/Bac. Essas estirpes demonstraram superioridade
estatística em relação a RZ-1 e a E-154 (Tabela 4).

Tabela 3. Protrusão radicular (%) de sementes de tomate (Santa Cruz Kada)


microbiolizadas com bactérias produtoras de ACCD sob estresse hídrico induzido por
PEG 6000.
Concentração Osmótica (MPa)
Isolados 0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8

E-24 63,00 a 2,33 b 0,00 a 0,00 a 0,00 a


E-154 66,67 a 1,39 b 0,00 a 0,00 a 0,00 a
E-37 40,00 b 0,00 b 0,00 a 0,00 a 0,00 a
RZ-1 37,75 b 2,58 b 0,00 a 0,00 a 0,00 a
S/BAC 45,00 b 0,00 b 0,00 a 0,00 a 0,00 a
TA 42,75 b 17,33 a 0,00 a 0,00 a 0,00 a
CV (%) 64,62
Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem significativamente pelo teste de Tukey (P 0,01%).

Os tratamentos que passaram por desinfestação/microbiolização (E-24; E-154; E-


37; RZ-1; S/BAC) não alcançaram resultados positivos referente a essas variáveis na
concentração -0,2 MPa, destacando-se a testemunha absoluta (TA). Vale ressaltar que
ambas variáveis são avaliadas nos primeiros cinco dias de implantação do experimento,
diante dessa informação e da resposta dos tratamentos ao final do experimento podemos
inferir que as PGPBs em estudo precisam de um maior período de interação com as
sementes de tomate sob condição de estresse hídrico para equilibrar os níveis de etileno
endógeno, convertendo-o de inibidor a promotor de germinação . Glick e colaboradores
(1998) apresentaram um modelo demonstrando que a disponibilidade de ACC para a
bactéria é baseada em um gradiente de concentração, e a planta deve exudar uma maior
quantidade de ACC para manter o equilíbrio entre e níveis internos e externos de ACC.
No entanto, a interação da bactéria com a rizosfera depende de vários compostos
orgânicos que atraem as bactérias para uma colonização robusta em regiões de rizosfera
e rizoplano.
O etileno atua na protrusão radicular através da regulação de enzimas endo-β-
mananase responsáveis pela “digestão” da parede celular do endosperma, que atua no
enfraquecimento da semente favorecendo a emissão da radícula. Nascimento (2002) e
Wang et al. (2004), relatam a influência da concentração do etileno nas respostas
fisiológicas da planta. Os autores evidenciaram que o hormônio auxilia de forma
positiva na germinação de sementes quando em concentrações ideais, contudo sob
concentrações elevadas podem induzir a senescência, prejudicando a germinação de
sementes e o estabelecimento de plântulas em condições de seca.

Tabela 4. Primeira contagem de germinação (%) de sementes de tomate (Santa Cruz


Kada) microbiolizadas com bactérias produtoras de ACCD sob estresse hídrico induzido
por PEG 6000.
Concentração Osmótica (MPa)
Isolados 0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8

E-24 86,67 a 16,00 bc 0,00 a 0,00 a 0,00 a


E-154 79,00 ab 19,50 ab 0,00 a 0,00 a 0,00 a
E-37 74,67 ab 7,33 bc 0,00 a 0,00 a 0,00 a
RZ-1 56,67 c 12,67 bc 0,00 a 0,00 a 0,00 a
S/BAC 84,67 a 5,33 c 0,00 a 0,00 a 0,00 a
TA 70,00 b 31,50 a 0,00 a 0,00 a 0,00 a
CV (%) 34,63
Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem significativamente pelo teste de Tukey (P> 0,01%).

Carvalho et al. (2021), observaram na primeira contagem de germinação a


redução no vigor de sementes de tomate sob potenciais osmóticos negativos, com
redução de porcentagem de plântulas normais para 9% no potencial -0,3 MPa. Os
autores fundamentam essa redução em decorrência da perda de turgescência
protoplasmática, que provoca distúrbios na fisiologia celular e danos nos sistemas de
biomembranas (BRUNI e LEOPOLD 1992). Silva JR et al. (2014) observaram que o
potencial osmótico -0,2 MPa pode causar uma perda significativa no vigor de sementes
de tomate.
As características de crescimento analisadas indicaram, nos tratamentos em
estudo, efeito linear altamente significativo (P<0,01) nas plântulas submetidas a
concentrações osmóticas. Pode-se se perceber decréscimo dos tratamentos com a
diminuição do potencial osmótico nas variáveis comprimento de parte aérea (Figura 5),
comprimento de raiz (Figura 6) e massa fresca de plântulas (Figura 7). Este fenômeno
demonstra que o aumento do estresse hídrico, exerceu efeito adverso sobre o
crescimento das plântulas de tomate, essa redução no comprimento de plântulas em
decorrência do decréscimo progressivo de potencial hídrico está em concordância com
trabalhos anteriores (EMMERICH e HARDEGREE, 1991; GERMU e NAYLOR, 1991;
TORRES, 1997).
Figura 1. Equações de Regressão de Comprimento de parte aérea (CPA), Comprimento de raiz
(CR) e Massa fresca (MF) de plântulas de tomate (Santa Cruz Kada) microbiolizadas com
bactérias produtoras de ACCD, sob estresse hídrico induzido por PEG 6000, Janaúba, 2024.

VARIÁVEL

TRAT CPA (cm) CR (cm) MF (g)

Equação R² Equação R² Equação R²

E -24 ŷ = 8,83x + 5,66 0,78 ŷ = 6,33x + 4,06 0,79 ŷ = 2,21x + 1,41 0,78

E-154 ŷ = 7,31x + 4,72 0,79 ŷ = 6,83x + 4,36 0,78 ŷ = 1,91x + 1,21 0,75

E-37 ŷ = 7,36x + 4,92 0,77 ŷ = 5,13x + 3,36 0,78 ŷ = 1,88x + 1,19 0,69

RZ-1 ŷ = 8,34x + 5,71 0,82 ŷ = 5,63x + 3,78 0,79 ŷ = 2,03x + 1,31 0,77

S/BAC ŷ = 7,72x + 4,87 0,74 ŷ = 5,36x + 3,32 0,66 ŷ = 2,03x + 1,27 0,69

TA ŷ = 7,32x + 4,66 0,77 ŷ = 5,80x + 3,65 0,73 ŷ = 1,91x + 1,21 0,75

Nas variáveis CPA e CR pode-se observar comportamento semelhante entre os


tratamentos, sendo observados maiores incrementos de crescimento de plântulas
associados a microbiolização das sementes com o E-154 em ausência de PEG. Na
concentração -0,2 MPa as maiores médias de CPA observadas foram 3,85 e 3,60 cm
referentes aos tratamentos E- 154 e E-24 respectivamente (Tabela 5). Essas estirpes
também promoveram incrementos no CR, com médias respectivas de 2,60 e 2,65
(Tabela 6). Resultados semelhantes foram observados em sementes de tomate com
redução severa no comprimento da parte aérea no potencial -0,3 MPa. (CARVALHO et
al., 2021; FRADE et al., 2019).
A microbiolização com as estirpes E-37 e RZ-1 não promoveram incremento no
comprimento de raiz demonstrando comportamento semelhante a TA e S/Bac. Em
experimento realizado na cultura do feijão com microbiolização de espécies de Bacillus
sp. Sá et al. (2019) também observou respostas inferiores a testemunha. A literatura
revela alguns resultados contraditórios à cerca da microbiolização com alguns
microrganismos como observado por Omura (2020) ao confrontar resultados alcançados
por diferentes autores (AMARAL et al., 2014; JUNGES et al., 2017; ROMAGNA et al.,
2019; JUNGES et al., 2015).

Tabela 5. Comprimento de parte aérea (cm) de plântulas de tomate (Santa Cruz Kada)
microbiolizadas com bactérias produtoras de ACCD sob estresse hídrico induzido por
PEG 6000.
Concentração Osmótica (MPa)
Isolados 0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8

E-24 7,03 b 3,60 a 0,00 c 0,00 a 0,00 a


E-154 7,68 a 3,85 a 0,00 c 0,00 a 0,00 a
E-37 6,08 d 2,45 b 0,45 b 0,00 a 0,00 a
RZ-1 7,15 b 2,38 b 2,33 a 0,00 a 0,00 a
S/BAC 6,50 c 2,43 b 0,00 c 0,00 a 0,00 a
TA 5,98 d 2,68 b 0,00 c 0,00 a 0,00 a
CV (%) 12,16
Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem significativamente pelo teste de Tukey (P> 0,01%).

O primeiro efeito mensurável do estresse hídrico é sem dúvida diminuição no


crescimento causada pela redução da expansão celular que necessita de potencial de
turgor adequado (TAIZ et al. 2017). Nesse sentido, a redução do comprimento de parte
aérea em plantas sob estresse hídrico pode ser considerada uma estratégia de
sobrevivência para evitar a perda de água por transpiração (CORREIA e NOGUEIRA
2004).
O CR manteve a mesma tendência observada no CPA. Na concentração osmótica
de -0,4 MPa podemos observar que os únicos tratamentos que promoveram incremento
de crescimento das plântulas de tomate referem-se a microbiolização com as espécies de
Bacillus RZ-1 e E-37 (tabela 6). A massa fresca de plântulas reforça as respostas
observadas nas variáveis de crescimento, contudo na concentração osmótica de -0,4
MPa observou-se o destaque também da estirpe E- 37 que juntamente com a RZ-1
diferiu significativamente dos demais tratamentos (Tabela 7).
Tabela 6. Comprimento de raiz (cm) de plântulas oriundas de sementes de tomate (Santa
Cruz Kada) microbiolizadas com bactérias produtoras de ACCD sob estresse hídrico
induzida por PEG 6000
Concentração Osmótica (MPa)
Isolados 0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8

E-24 5,03 b 2,60 a 0,00 c 0,00 a 0,00 a


E-154 5,50 a 2,65 a 0,00 c 0,00 a 0,00 a
E-37 4,43 c 1,40 b 0,70 b 0,00 a 0,00 a
RZ-1 4,90 b 1,45 b 1,30 a 0,00 a 0,00 a
S/BAC 4,83 b 1,05 c 0,00 c 0,00 a 0,00 a
TA 4,93 b 1,73 b 0,00 c 0,00 a 0,00 a
CV 15.16 %
Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem significativamente pelo teste de Tukey (P> 0,01%).

Tabela 7- Massa fresca (g) de plântulas oriundas de sementes de tomate (Santa Cruz
Kada) microbiolizadas com bactérias produtoras de ACCD sob estresse hídrico induzido
por PEG 6000
Concentração Osmótica (MPa)
Isolados 0 -0,2 -0,4 -0,6 -0,8

E-24 1,78 b 0,85 a 0,00 b 0,00 a 0,00 a


E-154 2,03 a 0,90 a 0,00 b 0,00 a 0,00 a
E-37 1,68 c 0,40 c 0,10 a 0,00 a 0,00 a
RZ-1 1,73 b 0,60 b 0,15 a 0,00 a 0,00 a
S/BAC 1,78 b 0,50 c 0,00 b 0,00 a 0,00 a
TA 1,58 c 0,65 b 0,00 b 0,00 a 0,00 a
CV (%) 18,44
Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem significativamente pelo teste de Tukey (P> 0,01%).

A fitoestimulação é considerada um dos mecanismos mais importante na atuação


das rizobactérias na promoção de crescimento das plantas, mediante à estimulação da
divisão celular e à extensão das raízes (MARTÍNEZ VIVEIROS, , 2010). Dentre os
hormônios vegetais em questão, as citocininas atuam na divisão celular das plantas e no
crescimento primário da raiz. Vale salientar que o gênero Bacillus amplamente utilizado
nesse experimento apresenta a capacidade de produzir tais substancias (GLICK, 2014).
Além disso, Glick e Nascimento (2021) ressaltam que as bactérias produtoras de ACC
desaminase podem modular as concentrações de ACC tanto na rizosfera e filosfera pelo
consumo do ACC exsudado pela planta, ou no interior de tecidos vegetais, limitando
diretamente as ações do ACC e, consequentemente a produção de etileno pela planta.

2.4 CONCLUSÕES

As PGPBs com atividade de ACCD atua na promoção da germinação e


desenvolvimento de plântulas de tomate sob condições de estresse hídrico induzido
PEG 6000.
As concentrações osmóticas negativas impostas pelo PEG mostram uma redução
progressiva na porcentagem de germinação e no índice de velocidade de germinação.
O isolado RZ-1 mostra eficaz em condições de estresse osmótico de -0,4 MPa,
mantendo taxas de germinação superiores em comparação aos tratamentos não
microbiolizados.

5. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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