Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Instituto de Ciências Exatas – Departamento de Matemática
Disciplina: Introdução às Equações Diferenciais Ordinárias
Aula 4 – EDOs lineares de 1ª ordem e o método do fator
integrante
Resumo Teórico
Chamamos de linear de 1ª ordem a EDO
y ′ (t) + p(t) y(t) = q(t),
onde p e q são funções contı́nuas em um intervalo I. A ideia do fator integrante é encontrar
uma função µ(t) tal que o lado esquerdo vire exatamente uma regra do produto:
d
µ(t) y(t) = µ(t) y ′ (t) + µ′ (t) y(t).
dt
Comparando com µ(t) y ′ + p y , precisamos de µ′ (t) = p(t) µ(t). Isso leva a
R
p(t) dt
µ(t) = e .
Multiplicando a EDO linear de primeira ordem por esse µ(t), obtemos
Z
d
µy = µ q(t) =⇒ µ(t) y(t) = µ(t) q(t) dt + C.
dt
1 R
Quando existe, a solução explı́cita é y(t) = µ(t) q(t) dt + C .
µ(t)
Na Figura 1, apresentamos um fluxograma resumindo o raciocı́nio para obter o fator
integrante: partimos da equação linear de 1ª ordem, identificamos a condição para
R que o
lado esquerdo vire uma regra do produto, deduzimos o fator integrante µ(t) = e p(t) dt e
chegamos à solução da EDO linear de primeira ordem.
1
y ′ (t) + p(t) y(t) = q(t)
(EDO linear de 1ª ordem)
Encontrar µ(t) tal que
d
µ y = µ y ′ + µ′ y = µ y ′ + p y
dt
Por quê?
′ Regra do produto: (µy)′ = µy ′ + µ′ y.
Condição: µ (t) = p(t) µ(t)
Com µ′ = µp, temos µ(y ′ + py) = (µy)′ .
Z Z R
p
µ(t) = exp p(t) dt ln µ = p ⇒ µ=e , C = 1.
Multiplicando a EDO por µ:
(µ y)′ = µ q(t)
Integração direta:
Z Z
1
µy = µ q dt + C ⇒ y(t) = µ q dt + C
µ(t)
R
Figura 1: Método do fator integrante: condição µ′ = p µ, fator µ = e p
e integração de
(µy)′ = µq.
Exemplos resolvidos
Exemplo 1 (homogênea)
Considere y ′ + y = 0.
Solução: Como (et y)′ = et (y ′ + y), temos et (y ′ + y) = 0 ⇒ (et y)′ = 0. Logo et y = C e a
solução geral da equação homogêna fica sendo dada como
yh (t) = Ce−t .
Exemplo 2 (não homogênea a partir da mesma estrutura)
Agora y ′ + y = et .
Solução: Multiplicando por et , fica (et y)′ = e2t . Integramos:
Z
e y = e2t dt + C = 12 e2t + C =⇒ y(t) = 12 et + Ce−t .
t
2
Aqui, yp (t) = 12 et é uma solução particular (C = 0) e yh (t) = Ce−t é a solução geral da
equação homogênea associada, como visto no exemplo anterior.
Exemplo 3
2
Resolver y ′ (t) + y(t) = t, com t > 0.
t
2 R 2
Solução: Se p(t) = ⇒ µ(t) = e t dt = e2 ln t = t2 . Multiplicando a EDO pelo seu fator
t
integrante, obtemos:
(t2 y)′ = t2 · t = t3 .
Após a integração, obtemos
t4 t2
t2 y = +C ⇒ y(t) = + C t−2 .
4 4
Exemplo 4
Resolver y ′ (t) − 2 y(t) = 3 e2t .
Solução: p(t) = −2 ⇒ µ(t) = e−2t . Então
(e−2t y)′ = e−2t · 3e2t = 3.
Integrando, obtemos
e−2t y = 3t + C ⇒ y(t) = e2t (3t + C) .
Exemplo 5 (PVI)
1
Resolver y ′ (t) + y(t) = 2, t > 0, com y(1) = 0.
t
1 R 1
dt
Solução: p(t) = ⇒ µ(t) = e t = t. Logo
t
(ty)′ = 2t ⇒ ty = t2 + C.
A condição y(1) = 0, resulta que 1 · 0 = 1 + C ⇒ C = −1. Portanto,
t2 − 1 1
y(t) = =t− .
t t
Lista de Exercı́cios
E.1 y ′ + y = sen t, y(0) = 0.
2
E.2 y ′ + y = 1, t > 0.
t
E.3 y ′ − y = e2t .
3
E.4 y ′ + 3y = t e−3t .
1
E.5 y ′ + y = 4t3 , t > 0, y(1) = 2.
t
E.6 y ′ + (tan t) y = sec t, |t| < π2 .
4
Gabarito Comentado
R
E.1 p = 1 ⇒ µ = e 1 dt = et . (et y)′ = et sen t ⇒ et y = et sen t dt + C. Usando a
R
t
integral conhecida (por partes duas vezes), et sen t dt = e2 (sin t − cos t). Logo y =
R
1
2
(sen t − cos t) + Ce−t . Com y(0) = 0: 0 = 21 (0 − 1) + C ⇒ C = 12 .
y(t) = 21 (sen t − cos t) + 12 e−t .
t3
E.2 p = 2
t
⇒ µ = t2 . (t2 y)′ = t2 · 1 = t2 ⇒ t2 y = + C ⇒ y(t) = 3t + C t−2 .
3
p = −1 ⇒ µ = e−t . (e−t y)′ = e−t e2t = et ⇒ e−t y = et dt + C = et + C ⇒
R
E.3
y(t) = e2t + C et .
t2 t2
E.4 p = 3 ⇒ µ = e3t . (e3t y)′ = e3t · t e−3t = t ⇒ e3t y = 2
+ C ⇒ y(t) = e−3t 2
+C .
E.5 p = 1t ⇒ µ = t. (ty)′ = t · 4t3 = 4t4 ⇒ ty = t5 + C ⇒ y = t4 + C/t. Com y(1) = 2:
2 = 1 + C ⇒ C = 1.
y(t) = t4 + 1t .
R
E.6 p = tan t ⇒ µ = e tan t dt = e− ln | cos t| = sec t (em |t| < π/2). (sec t y)′ = sec t · sec t =
sec2 t ⇒ sec t y = tan t + C ⇒ y(t) = sen t + C cos t .
Observações didáticas. (i) Sempre confira o domı́nio em que p e q são contı́nuas e µ é
bem definida. (ii) Em PVIs, o valor da constante C é determinado pela condição inicial. (iii)
A forma y = yp + yh é natural: yh resolve a homogênea associada, yp é um representante da
não homogênea.