Resumo do texto: Educação Anti Racista1
Embora seja falado muito sobre igualdade social, étnico-racial e direitos iguais, a realidade
social impregnada no Brasil, consequente do processo de desumanização em nossa história, é muito
evidente. Duas dimensões que foram analisadas outrora, tendo como base as ideias de Paulo Freire,
e falam são (i) a configuração das relações desiguais foram provocadas pela distorção histórica; isto
é, a classificação de que uma cultura, por diferente dos colonizadores, seria inferior, arcaica e sem
história, como ocorreu com os indígenas e os africanos.O termo de raça, segundo Goldberg, surgiu ,
por sua vez, na consciência europeia e significaria a cor de pele. Todavia o racismo apareceu muito
antes, na Grécia Antiga, quando Aristóteles normalizava uma visão determinista de que certos
povos seriam destinados ao trabalho árduo, enquanto outros seriam intelectuais que deveriam
dominar os primeiros. Segundo West, há duas faces do racismo moderno que seriam a ideia de
supremacia da Estética clássica e cultura branca e valorização dos aspectos estéticos para defender
essa supremacia que foi alimentado pelo Iluminismo. Beato considera que seja uma teoria de que há
uma relação de causa e efeito entre as características físicas, traços de personalidade, cultura
somado a ideia de hierarquia racial.
A dizimação dos europeus dos povos nativos evidencia que a raça é uma construção
ideológica e não apenas social, visto que há um interesse por trás, os Europeus buscavam dominá-
los e, quando não conseguiam, dizimavam. A supremacia branca é justificada por eles, pois as
outras raças não conseguiriam alcançá-los por serem inferiores naturalmente. Para tentar respaldar-
se, usou-se a Teoria de Darwin, visto que as raças estariam em diferentes níveis da Evolução, sendo
menos aptas que os brancos. Entretanto essas razões fora derrubadas pela Biologia Genética que
mostrou que não há grande diferenças além das físicas e/ou culturais. Surgiu, assim, o termo etnia
para diferenciar a origem dos povos, visto que seria uma questão cultural. Contudo, devido à
construção histórica por trás desse termo, muitos ainda o usam, pois deixar de usar iria negar a
dominação e relação de poder por trás dele. Dessa forma, o termo raça, biologicamente falando, é
inconcebível para diferenciar os indivíduos, pois todos perecem a mesma raça, embora não se possa
desconsiderar sua importância histórica.
No texto, há uma seção exclusiva para diferenciar racismo, preconceito, discriminação e
estereótipos, embora eles sejam usados como sinônimos muitas vezes. Entretanto isso é algo
complicado, visto que significam fenômenos sociais distintos. O racismo seria um conceito amplo
que abarca preconceito, discriminação e estereotipo não apenas racial; ideia de hierarquia entre
grupos humanos. O preconceito é julgamento prévio por meio de estigmas e esteriótipos. É expresso
por ideias pré moldadas de ordem subjetiva que entrelaça a consciência e a afetividade. Sozinho não
fere nenhum direito, mas dissemina-se e torna-se arraigado na sociedade, podendo levar a uma
discriminação. Essa seria a “ação de exclusão, restrição ou referencia que impede um tratamento
igualitário”. E, segundo Sant’ana, é uma conduta que viola os direitos da pessoa com base em
critérios injustificados e injustos. Por fim, o Estereótipo seria o exercício do preconceito, sendo sua
exteriorização em palavras e/ou imagens que generalizam a opinião.
A ideia de democracia racial, desenvolvida no sé[Link], é inexistente para parte do Brasil.
Embora muitos acreditem que devido a grande miscigenação isso foi alcançado, não é real. Para
embasar, o texto traz dados como o quantitativo de negros em favelas comparado aso brancos e a
linha de indigência. E, através desses dados, conclui-se que a condição social da população negra é
inferior à da branca. Alguns acreditam que isso pode ser revertido através da educação, pois
permitiria uma ascensão dos menos favorecidos e equalização social. Nesse contexto, o papel da
1 Francisco Junior, W. E. (2008). Educação anti-racista: reflexões e contribuições possíveis do ensino de ciências e de
alguns pensadores. Ciência & Educação (Bauru), 14(3), 397-416.
escola atualmente não possui um consenso, logo cada um faz o que lhe convém.O básico seria a a
preparação dos alunos para serem incorporados no mercado de trabalho, conforme a ideologia forte
nos anos 70 com o boom de escolas técnicas. Outro ponto seria a formação de cidadãos críticos para
intervirem no mundo (PNC), embora muitas escolas particulares foquem em aprovações no
vestibular. Com isso, ainda que a função escolar não possua uma única adesão, a escola possui um
função clara: a aceitação de alunos com diversos perfis sociais, culturais e até étnico-raciais,
transmitindo a ideia de igualdade. Contudo cada individuo chega aonde sua capacidade e esforço
permitem, ignorando a desigualdade imposta pela sociedade. Assim, fazendo com que a demanda da
escola parece inatingível, logo é necessário haver educação antes racista para impedir que a escola
reproduza a discriminação da sociedade.
Estudo em Santos (2001) mostra que os professores, embora identificassem uma visão
estereotipada em livros, continuavam a usar o material sem leitura crítica. Além disso, esperavam
menos da capacidade dos negros. Atribuíam a discriminação aos negros e seus familiares, pois esses
não se esforçariam para lutar contra a exclusão. Essa visão comum na maioria das escolas
brasileiras. Essa pesquisa englobou três escolas publicas de Ensino Fundamental em SP.
Envolvendo todos os funcionários, concluiu-se que: (i) a existência de racismo é negada; (ii) não se
reconhecem os efeitos negativos prejudiciais do racismo para os negros; (iii) não se reconhecem
aspectos negativos do racismo também para os brancos; e (iv) não se buscam estratégias para a
participação positiva da criança negra, mesmo que reconheça a existência de atos discriminatório.
Nesse sentido, os alunos não recebe apoio dos próprios profissionais. A escola deve, ainda que haja
conflito de interesses, então, favorecer a discussão e problematização desse tema pelo dialogo e
questionamento. Segundo Péres-Gomez, portanto, o objetivo da escola não é a igualdade de
oportunidades. O desafio é diminuir os efeitos da desiguale e preparar os alunos para que possam
lutar e defender-se da melhor forma possível na sociedade. Contudo, surge a necessidade de superar
o grupo opressor.
Quando se fala de ciência, exclui-se a tecnologia pré-colombiana, africana, egípcias e
indígena. Isso ocorre devido a supervalorização de certas culturas em detrimento de outras, o que é
um ato discriminatório que passa despercebido. A Ciência atual implica na Ciência europeia,
branca, cristã e masculina, que é ensinada nas escolas. Dessa forma, o professor deve mostrar que
aqueles povos possuíam conhecimentos científicos avançado, como a Uganda que realizou uma
Cesariana demonstrando técnicas de assepsia, anestesia e cauterização. Entretanto o caminho é
longo devido à escassez de informações, o que passa a impressão de que esses povos não
desenvolveram nada. Nesse sentido, para falar de racismo, o professor deve estar convicto e bem
fundamentado na origem dos problemas, suas consequências e os dados estatística da desigualdade
social. Embora não haja receita para trabalhar esses conhecimentos, há alguns critérios que podem
nortear a ação do professor. Com isso, o autor acredita que é importante essa discussão estar
embasada com situações e/ou dados históricos. Logo, a curto prazo, os professores devem buscar na
História da Ciência e na História Africana. E, a longo, seria necessário uma reorientação curricular
No texto, são apresentados alguns autores que pensam a escola e a aprendizagem. Dentro da
abordagem humanista foram trazidos os seguintes autores: Celestin Freitin e Paulo Freire. Essa
primeira critica a escola tradicional, principalmente o autoritarismo, visto que remetia ao
autoritarismo usado pelos povos europeus para afirmarem-se como superiores. Para ela, a Educação
não deve prescindir o papel social e humanizado, sem ignorar a vivencia das pessoas e seu contato
com o mundo, visto que deve ser o menos etnocêntrica possível. Paulo Freire, por sua vez, é um dos
maiores contribuidores para pensar numa educação anti-racista. Isso pois vê os homens como seres
inacabados e que se educam pelo dialogo (Educando-educador com educador-educando). Ele afirma
que não há como eliminar a historicidade do mundo, porém é inconcebível qualquer pratica
preconceituosa e/ou discriminatória pois fere os princípios básicos. Isso pois a Educação, por
partida realidade do educando, admite que não há superioridade. Desse modo, a diversidade cultural
deve ser respeitada e debatida, pois assim será possível combater e superar atos discriminatórios.
Robert Gagné, Vygostky, Piaget e Ausubel são os autores cognitivas trazidos pelo texto.
Gagné afirma que a aprendizagem não pode superar o racismo do ambiente escolar, porque o
ambiente não é estimulante o suficiente. Porém, Munanga afirma que as questões étnico raciais
devem ser consideradas durante essa sequencia de conteúdo. Vygostky, por outro lado, traz uma
visão etnocêntrica e preconceituosa, que torna difícil pensar uma educado que valorize as
diferenças, ja que considera alguns conceitos (Verdadeiros) como superiores. Piaget não contribui
para a educado anti-racista, visto que sua teoria é direcionada para o entendimento do pensamento e
desenvolvimento cognitivo da criança, porém não possui um entendimento etnocêntrico como
Vygotsky, que reproduz desigualdade, pois considera natureza racional e valoriza o método
cientifico. Por fim, David Ausubel aborda, explicitamente, a questão racial ao admitir que o aluno
negro possui uma desvantagem cultural, porém reafirma e multiplica a desigualdade social. Para
corroborar isso traz dados, como a taxa de reprovação e evasão. Com isso, ele conclui que o alunato
negro não aprende, pois não tem os conhecimentos prévios necessários. Portanto, propondo-se a
diminuir essas desvantagem. Entretanto, como consequência cria estereótipos quando considera o
problema de aprendizagem consequência do ambiente familiar, estabelecendo a visão de uma
desestruturação familiar, isentando a escola do problema