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Tese de Mestrado
Engenharia Eletrotécnica-Energia e Automação Industrial
Setembro de 2012
RESUMO
i
ABSTRACT
The energy Consumption in buildings accounts for 40% of total energy consumed in the
European Union (EU), contributing significantly to the emission of atmospheric pollutants
and for the energy dependence that characterizes the European area. The Directive
2010/31/EU of the European Parliament and of the Council of 19 May 2010, seeks to remedy
this situation by defining the concept of nearly zero- energy buildings, and establishing dates
from which all new buildings must have a high energy performance and whose energy needs
must be met, in a large measure, by renewable sources.
This work intends to contribute to the development of procedures for sizing systems able to
produce electricity and thermal energy in order to meet the needs of residential buildings. The
sizing of these systems is performed taking into account typical profiles of energy
consumption, and aims to obtain technically adequate solutions at the lowest cost. The lack of
thermal profiles with typical consumption along the hours of the days imposed the need to
provide for their construction. The integration of thermal and electrical energy storage was
consumed, included their service life.
The methodologies developed were applied to a case study based on a single family dwelling,
allowing to obtain conclusions about the performance of autonomous systems with different
constitutions, defined in order to meet the electrically or both electrical and thermal energy
needs.
The evaluation of the economic performance of these systems concludes the dissertation.
iii
PALAVRAS CHAVE
Microcogeração
Sistema autónomos
Edifício com necessidades quase nulas de energia
Otimização
v
KEY WORDS
Micro cogeneration
Autonomous system
Building with nearly zero energy
Optimization
vii
AGRADECIMENTOS
Esta é oportunidade de agradecer a todas as pessoas que contribuíram de alguma forma para a
elaboração desta dissertação.
Queria também agradecer de uma forma especial aos meus pais por tudo que me
proporcionaram no decorrer destes anos e me propositarem a possibilidade de tirar um curso
superior.
A todos que aqui se encontram descritos e a todos os outros que de alguma forma diretamente
ou indiretamente contribuíram para a minha dissertação.
ix
ÍNDICE GERAL
xi
[Link] FV_Expert ............................................................................................... 38
3. Otimização de sistemas autónomos............................................................................... 39
3.1 Caracterização do problema ................................................................................... 39
3.2 Formulação para sistemas com produção fotovoltaica ............................................ 42
3.3 Formulação para sistemas com produção fotovoltaica e eólica ............................... 50
3.4 Formulação para sistemas dotados de microcogeração ........................................... 53
3.4.1 Formulação para sistemas sem possibilidade de armazenamento térmico ........ 55
3.4.2 Formulação para sistemas com armazenamento térmico .................................. 58
3.4.3 Sistemas autónomos dotados de gerador PV, microeólico e de unidade de
microcogeração ............................................................................................................ 67
3.4.4 Mecanismos de controlo para situações especiais de funcionamento do sistema
autónomo ..................................................................................................................... 67
3.5 Perfis de consumo térmico e elétrico ...................................................................... 68
3.6 Metodologia de otimização adotada ....................................................................... 74
4. Casos de estudo ............................................................................................................ 77
4.1 Caracterização da instalação................................................................................... 77
4.2 Sistema dotado apenas de produção fotovoltaica .................................................... 80
4.2.1 Caracterização dos equipamentos utilizados .................................................... 80
4.2.2 Resultados e respetiva análise ......................................................................... 84
4.3 Sistema autónomo dotado de produção fotovoltaica e microeólica ......................... 89
4.3.1 Caracterização dos equipamentos utilizados .................................................... 89
4.3.2 Resultados e respetiva análise ......................................................................... 90
4.4 Sistema autónomo dotado de produção fotovoltaica e microcogeração ................... 96
4.4.1 Caracterização dos equipamentos utilizados .................................................... 96
4.4.2 Sistema sem armazenamento térmico .............................................................. 99
4.4.3 Sistema com armazenamento térmico ........................................................... 103
4.5 Comparação de resultados .................................................................................... 108
5. Avaliação económica ................................................................................................. 111
5.1 Sistema dotado apenas com gerador fotovoltaico ................................................. 112
5.2 Sistema dotado com gerador fotovoltaico e microeólica ....................................... 115
5.3 Sistema dotado com gerador fotovoltaico e microcogeração ................................. 118
xii
ÍNDICE GERAL
xiii
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 2-1 Esquema elétrico unifilar para sistemas autónomo com barramento DC ................ 9
Figura 2-2 Esquema elétrico multifilar para sistemas autónomos com barramento DC ........... 9
Figura 2-3 Esquema elétrico para sistema autónomo com barramento DC e ligação gerador
microeólica por intermédio de UPS (Uninterruptible Power Supply) .................................... 10
Figura 2-4-Esquema elétrico para sistema autónomo com dissipador de energia ................... 10
Figura 2-5- Esquema elétrico para sistema autónomo com dissipador energia ...................... 10
Figura 2-6 Esquema geral de sistemas Off-grid (fonte: SMA). ............................................. 11
Figura 2-7 Radiação solar na europa (fonte: (PVGIS)) ......................................................... 12
Figura 2-8 Insolação anual em Portugal (fonte: (Pereira, et al., 2000)) .................................. 12
Figura 2-9 Principio de funcionamento de célula fotovoltaica .............................................. 13
Figura 2-10 Painel fotovoltaica com células monocristalinas ................................................ 13
Figura 2-11 Painel fotovoltaico com células policristalinas .................................................. 14
Figura 2-12 Células de silício amorfo ................................................................................... 14
Figura 2-13 Atlas Europeu do Vento à cota de 50 metros ..................................................... 17
Figura 2-14 Aerogerador de sustentação ou eixo horizontal.................................................. 17
Figura 2-15 Turbina eólica do tipo Darrieus ......................................................................... 18
Figura 2-16 Turbina eólica do tipo Savonius ........................................................................ 18
Figura 2-17 Turbina eólica de rotor em H............................................................................. 18
Figura 2-18 Unidade de microgeração Honda MCHP1.0 ...................................................... 20
Figura 2-19 Unidade de microgeração com motor stirling .................................................... 21
Figura 2-20 Unidade de microgeração “Sunmachine Pelle” .................................................. 22
Figura 2-21 Potência térmica produzida pela unidade de microcogeração ............................. 22
Figura 2-22 Potência elétrica produzida pela unidade de microcogeração ............................. 22
Figura 2-23 Relação entre potência elétrica e térmica na máquina “Sunmachine Pellet” ....... 23
Figura 2-24 Aplicações do armazenamento de energia ......................................................... 25
Figura 2-25 Esquema ilustrativo de um sistema .................................................................... 27
Figura 2-26 Ciclos de vida ................................................................................................... 28
Figura 2-27 Curva de ajuste dos ciclos de vida da bateria ácida para os dados do fabricante . 31
Figura 2-28 a) aquecimento direto b)aquecimento indireto ................................................ 33
Figura 3-1 Topologia geral de sistema autónomo adotada para o caso de estudo ................... 40
Figura 3-2 Esquema geral de sistemas Off-grid (fonte: SMA) .............................................. 41
Figura 3-3 Esquema para sistema autónomo dotado de gerador PV ...................................... 42
Figura 3-4 Fluxograma para dimensionamento de sistema PV .............................................. 48
Figura 3-5 Esquema geral para aplicação com geradores fotovoltaicos e microeólico ........... 50
Figura 3-6 Fluxograma para dimensionamento de sistema PV mais microeólica .................. 53
Figura 3-7 Esquema geral aplicação PV e microcogeração ................................................... 55
Figura 3-8 Fluxograma para dimensionamento de sistema dotado de PV e microcogeração.. 57
xv
Figura 3-9 Esquema geral de aplicação com PV e microcogeração com armazenamento
térmico ................................................................................................................................. 58
Figura 3-10 Esquema geral de gestão do funcionamento da unidade de microcogeração....... 59
Figura 3-11 Gestão da unidade de microcogeração nos diferentes períodos do ano ............... 60
Figura 3-12 Fluxograma para dimensionamento de sistema PV, com microcogeração e
armazenamento térmico ....................................................................................................... 66
Figura 3-13 Sistema controlo de emergência para sistemas com PV e microeólica ............... 67
Figura 3-14 Sistema de controlo de emergência para sistemas com PV e microgeração ........ 68
Figura 3-15 Consumos típicos de um consumidor BTN para três dias do ano ....................... 69
Figura 3-16 Portugal Continental. Zonas climáticas de Inverno ............................................ 69
Figura 3-17 Portugal Continental. Zonas climáticas de Verão ............................................... 70
Figura 3-18 Local e equipamentos utilizados na análise térmica ........................................... 71
Figura 3-19 Consumos de energia térmica em função da temperatura média diária exterior .. 72
Figura 3-20 Perfil térmico típico obtido para temperatura diária média exterior de 4°C ........ 72
Figura 3-21 Consumo de litros de águas quentes .................................................................. 73
Figura 3-22 Distribuição do consumo de energia térmica AQS (perfil A) ............................. 74
Figura 3-23 Distribuição do consumo de energia térmica AQS (perfil B) ............................. 74
Figura 3-24 Distribuição do consumo de energia térmica AQS (perfil C) ............................. 74
Figura 4-1 Perfil de consumo típico para um consumidor BTN, aplicável a três dias do ano . 78
Figura 4-2 Perfil térmico típico para temperatura média 5°C ................................................ 78
Figura 4-3 Temperaturas médias diárias de janeiro a março .................................................. 79
Figura 4-4 Temperaturas médias diárias de outubro a dezembro ........................................... 79
Figura 4-5 Consumo típico energia térmica (Perfil A) .......................................................... 80
Figura 4-6 Consumo típico energia térmica (Perfil B) .......................................................... 80
Figura 4-7 Consumo típico energia térmica (Perfil C) .......................................................... 80
Figura 4-8 Sistema dimensionado para aplicação dotada de gerador PV ............................... 84
Figura 4-9 Balanço de energia do sistema dotado com painéis fotovoltaicos ......................... 85
Figura 4-10 Produção anual ao longo dos anos de funcionamento ........................................ 86
Figura 4-11 Representativo excesso de energia no início e no fim do projeto........................ 86
Figura 4-12 Excesso de energia diária (sistema dotado com PV) .......................................... 87
Figura 4-13 Representativo SOC início e no fim do projeto (sistema dotado com PV) .......... 87
Figura 4-14 Valores do SOC no mês de julho (sistema dotado com PV) ............................... 88
Figura 4-15 Valores do SOC no mês de dezembro (sistema dotado com PV)........................ 88
Figura 4-16 Valores do SOC no dia 1 de setembro (sistema dotado com PV) ....................... 88
Figura 4-17 Valores do SOC no dia 24 de dezembro (sistema dotado com PV) .................... 89
Figura 4-18 Valores do SOC do mês de janeiro (2º ano) (sistema dotado com PV) ............... 89
Figura 4-19 Esquema final do sistema dotado com gerador PV e microeólico ...................... 92
Figura 4-20 Balanço de energia do sistema dotado com painéis fotovoltaicos e microeólica . 92
Figura 4-21 Valor do SOC no mês dezembro (sistema dotado com PV e microeólica) .......... 93
Figura 4-22 Valor do SOC no mês julho (sistema dotado com PV e microeólica) ................. 93
Figura 4-23 Valor do SOC no dia 1 setembro (sistema dotado com PV e microeólica) ......... 94
xvi
ÍNDICE DE FIGURAS
Figura 4-24 Valor do SOC no dia 23 de dezembro (sistema dotado com PV e microeólica).. 94
Figura 4-25 Excesso mínimo de energia diária mensal (sistema dotado com PV e
microeólica) ......................................................................................................................... 94
Figura 4-26 Valor do SOC no mês de julho para ambos os sistemas ..................................... 95
Figura 4-27 Valor do SOC no mês de dezembro para ambos os sistemas .............................. 95
Figura 4-28 Relação entre potências elétrica e térmica da microcogeração ........................... 96
Figura 4-29 Esquema do sistema final autónomo dotado com gerador PV e microcogeração
sem armazenamento térmico .............................................................................................. 100
Figura 4-30 Balanço de energia do sistema dotado com painéis fotovoltaicos e
microcogeração .................................................................................................................. 101
Figura 4-31 Excesso mínimo e máximo de energia diária mensal (sistema dotado com PV e
microcogeração) ................................................................................................................ 101
Figura 4-32 Valores do SOC no mês dezembro (sistema dotado com PV e
microcogeração) ................................................................................................................ 102
Figura 4-33 Valore do SOC no mês julho (sistema dotado com PV e microcogeração) ....... 102
Figura 4-34 Valore do SOC no dia 1 de setembro (sistema dotado com PV e
microcogeração) ................................................................................................................ 102
Figura 4-35 Valor do SOC no dia 25 de dezembro (sistema dotado com PV e
microcogeração) ................................................................................................................ 102
Figura 4-36 Valores do SOC do mês de janeiro (2º ano) (sistema dotado com PV e
microcogeração) ................................................................................................................ 103
Figura 4-37 Valores do SOC do mês de janeiro (1º ano) (sistema dotado com PV e
microcogeração) ................................................................................................................ 103
Figura 4-38 Esquema do sistema final autónomo dotado com gerador PV e microcogeração
com armazenamento térmico .............................................................................................. 105
Figura 4-39 Balanço de energia do sistema dotado com painéis fotovoltaicos e
microcogeração com armazenamento térmico .................................................................... 105
Figura 4-40 Valor do SOC no mês dezembro (sistema com PV e microcogeração com AT)106
Figura 4-41 Valor do SOC no mês de julho (sistema com PV e microcogeração com AT) . 106
Figura 4-42 Variação da temperatura AQH ao longo do mês de dezembro ......................... 107
Figura 4-43 Comportamento da temperatura AQH ao longo do dia 1 de novembro ............ 107
Figura 4-44 Variação da temperatura AQS ao longo do mês de julho ................................. 108
Figura 4-45 Variação da temperatura das AQS nos primeiros 3 dias do mês de julho ......... 108
Figura 5-1 Preços relacionados com o consumo de energia elétrica (ERSE, 2011).............. 112
Figura 5-2 Crescimento do preço eletricidade (sistema dotado de PV) ................................ 115
Figura 5-3 Crescimento do preço eletricidade (sistema dotado de PV mais microeólica) .... 118
Figura 5-4 Crescimento do preço eletricidade (sistema dotado de PV mais
microcogeração) ................................................................................................................ 121
Figura 5-5 Crescimento do preço eletricidade (sistema PV mais microcogeração com
armazenamento térmico) .................................................................................................... 124
Figura 6-1 Perfil térmico típico para temperatura média 2°C .............................................. 139
xvii
Figura 6-2 Perfil térmico típico para temperatura média 4°C .............................................. 139
Figura 6-3 Perfil térmico típico para temperatura média 5°C .............................................. 139
Figura 6-4 Perfil térmico típico para temperatura média 6°C .............................................. 140
Figura 6-5 Perfil térmico típico para temperatura média 7°C .............................................. 140
Figura 6-6 Perfil térmico típico para temperatura média 8°C .............................................. 140
Figura 6-7 Perfil térmico típico para temperatura média 9°C .............................................. 141
Figura 6-8 Perfil térmico típico para temperatura média 10°C ............................................ 141
Figura 6-9 Perfil térmico típico para temperatura média 11°C ............................................ 142
Figura 6-10 Perfil térmico típico para temperatura média 12°C .......................................... 142
Figura 6-11 Perfil térmico típico para temperatura média 13°C .......................................... 142
Figura 6-12 Perfil térmico típico para temperatura média 14°C .......................................... 143
Figura 6-13 Perfil térmico típico para temperatura média 15°C .......................................... 143
Figura 6-14 Perfil térmico típico para temperatura média 16°C .......................................... 143
xviii
ÍNDICE DE QUADROS
xix
Quadro 5-7 Custos da unidade microcogeração e caldeira convencional ............................. 118
Quadro 5-8 Custos dos equipamentos e exploração (sistema dotado PV mais
microcogeração)................................................................................................................. 119
Quadro 5-9 Análise económica (sistema dotado PV mais microcogeração) ........................ 120
Quadro 5-10 Análise económica investimento menor (sistema dotado PV mais
microcogeração)................................................................................................................. 120
Quadro 5-11 Custos dos equipamentos e exploração (sistema PV mais microcogeração com
armazenamento térmico) .................................................................................................... 122
Quadro 5-12 Análise económica (sistema dotado PV mais microcogeração com
armazenamento térmico) .................................................................................................... 123
Quadro 5-13 Análise económica investimento menor (sistema dotado PV mais
microcogeração com armazenamento térmico) ................................................................... 123
xx
1. Introdução
1.1 Enquadramento
A presente dissertação foi desenvolvida no âmbito do Mestrado em Engenharia Eletrotécnica
da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Superior Politécnico de Viseu. O seu
foco centra-se no dimensionamento e avaliação de sistemas eletricamente autónomos (sem
consideração da satisfação das necessidades de energia térmica) e semi-autónomos (quando é
considerada a satisfação das necessidades de energia térmica), destinados à alimentação de
edifícios residenciais unifamiliares.
Neste capítulo apresenta-se uma perspetiva geral dos temas abordados na dissertação,
enunciam-se os seus objetivos e as motivações que estiveram na sua génese e faz-se uma
pequena descrição dos temas abordados e da estrutura do trabalho.
1
1 – Introdução
___________________________________________________________________________
crescente consumo de energia elétrica, que impõe a necessidade de uma produção crescente
de energia.
A produção distribuída de eletricidade teve, nos últimos anos, um rápido crescimento, devido
aos mecanismos de incentivo que foram implementados um pouco por todos os países
desenvolvidos. Apesar deste desenvolvimento, a produção distribuída de eletricidade não está
ainda suficientemente explorada, particularmente no que se refere às pequenas unidades de
produção (renováveis ou não) instaladas junto dos pontos de consumo (edifícios). Note-se,
contudo, que nos últimos anos a sociedade tem vindo a adotar formas alternativas de produção
de energia elétrica, de forma mais limpa e mais eficiente, apostando em pequenas unidades
produtoras distribuídas.
Como referido, os consumos de energia têm sofrido um aumento significativo ao longo dos
anos, incluindo os consumos em edifícios. Na União Europeia, os edifícios representam já
40% do total da energia consumida, esperando-se que este consumo aumente ao longo dos
próximos anos, particularmente se não forem tomadas medidas que contrariem esta tendência.
A não tomada de medidas tenderá a resultar no incremento das emissões para a atmosfera,
particularmente de gases com efeito de estufa. Por outro lado, a dependência energética da
UE, já atualmente significativa, tenderá a agravar-se.
2
1 – Introdução
___________________________________________________________________________
Por outro lado, a integração de energias renováveis nos edifícios, conjugada com a
implementação de medidas de eficiência energética, contribuirá também para o objetivo da
UE de, até 2020, se verificar uma redução mínima de 20% nas emissões, um ganho mínimo
de 20% na eficiência da utilização da energia e uma produção por via renovável de, no
mínimo, 20% da energia consumida (Parlamento Europeu e Conselho Europeu, 2010).
No caso particular de Portugal, a produção de energia junto aos edifícios em que é consumida
para além do aumento da eficiência na sua utilização assume particular importância. Com
efeito, a ausência de recursos energéticos fósseis como o petróleo e o gás natural e a limitada
disponibilidade de carvão, confrontam o país com a necessidade de recorrer e desenvolver
formas alternativas de produção de energia, incentivando a utilização de recursos energéticos
endógenos (Castro, 2003). O cumprimento de protocolos internacionais relacionados com a
redução de emissões de gases com efeito de estufa e o potencial melhoria no desempenho
técnico-económico do sistema elétrico português são outros aspetos que contribuem para a
importância da produção de energia (térmica e elétrica) junto aos edifícios em que é
consumida.
3
1 – Introdução
___________________________________________________________________________
Este trabalho insere-se neste âmbito, procurando contribuir para o dimensionamento e análise
de sistemas localizados de produção de energia, recorrendo, tanto quanto o possível, a
recursos primários de origem renovável.
4
1 – Introdução
___________________________________________________________________________
Por sua vez, o capitulo 4, é dedicado à utilização do modelo desenvolvido, utilizando-o para o
dimensionamento das aplicações. Apresentam-se quatro casos de estudo, a saber: i)sistema
autónomo composto por bateria e gerador fotovoltaico; ii) sistema autónomo composto por
baterias, gerador fotovoltaico e gerador microeólico; iii) sistema autónomo com baterias,
gerador fotovoltaico e microcogeração sem armazenamento térmico; iv) sistema autónomo
com baterias, gerador fotovoltaico e microcogeração com armazenamento térmico.
Por fim, no capítulo 6, é realizada uma conclusão sobre o trabalho realizado e as perspetivas
de desenvolvimento de possíveis trabalhos futuros.
5
2. Revisão da Literatura
Constant van Aerschot, et al (2009) referem que existem três abordagens para se atingir a
neutralidade de consumo de energia (“consumo zero”) em edifícios, a saber: diminuir a
procura de energia, produzir localmente a energia e, por fim, a partilha da energia entre
edifícios.
7
2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
uma análise económica de custo/beneficio sobre as escolhas efetuadas. Importa referir que,
apesar de se encontrar já desenvolvida tecnologia que permite reduzir significativamente os
consumos de energia nos edifícios, esta nem sempre é integrada nos mesmos, devido a
análises económicas efetuadas apenas com base no custo do investimento.
A partilha de energia entre edifícios não se encontra, ainda, muito explorada, baseando-se em
trocas de energia entre edifícios em que esta esteja em excesso e em défice. Naturalmente que
este tipo de mecanismo impõe a necessidade de instalação de um controlo centralizado que
monitorize os consumos dos vários edifícios e faça a gestão da energia produzida nestes.
Uma topologia frequentemente utilizada para estes sistemas consiste na ligação dos dois tipos
de geradores a um barramento DC através de condicionadores de potência adequados. A este
barramento DC está ligada uma bateria que armazena a energia produzida e que alimenta um
inversor que é responsável pela alimentação da carga AC, tal como se pode observar na
Figura 2-1 (Eftichios Koutroulis, 2006). Note-se que a energia produzida não tem
necessariamente de ser armazenada nas baterias. Com efeito, a carga é satisfeita através do
inversor, podendo a energia vir da bateria ou diretamente dos geradores (S. Diaf, 2008), tal
como evidenciado na Figura 2-2.
8
2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
Figura 2-1 Esquema elétrico unifilar para sistemas autónomo com barramento DC
Figura 2-2 Esquema elétrico multifilar para sistemas autónomos com barramento DC
O armazenamento de energia é um aspeto crucial nos sistemas autónomos deste género uma
vez que a produção dos geradores fotovoltaicos e eólicos é volátil, existindo a necessidade de
se armazenar energia para momentos em que a produção está indisponível ou é insuficiente.
A utilização da UPS no esquema da Figura 2-3 deve-se ao facto de ser necessário estabilizar a
tensão de saída da microeólica, protegendo a carga de flutuações indesejáveis nesta grandeza.
9
2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
Figura 2-3 Esquema elétrico para sistema autónomo com barramento DC e ligação gerador
microeólica por intermédio de UPS (Uninterruptible Power Supply)
A energia que é produzida em excesso tem de ser libertada, geralmente sobre uma resistência
(“Dump load”). Os sistemas autónomos devem ser dotados de um sistema de controlo que
permita armazenar a energia que não é consumida em tempo real (Eftichios Koutroulis, 2006).
Quando existe excesso de produção face à carga, este sistema deve veicular o excesso de
energia para o sistema de armazenamento, e, não existindo essa possibilidade, providenciar a
sua dissipação, tal como ilustrado na Figura 2-4 e na Figura 2-5 (Wei Zhou, et al., 2010) (B.
Ai, et al., 2003) (Jahanbani, et al., 2011).
Figura 2-5- Esquema elétrico para sistema autónomo com dissipador energia
10
2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
Na Figura 2-6 mostra-se um dos esquemas que SMA apresenta para conexão um sistema
autónomo. Neste existe a possibilidade de colocar as fontes de produção no barramento AC,
(painéis fotovoltaicos e microeólica). A ligação da carga é efetuada no barramento AC,
existindo também a possibilidade de colocação de um gerador de reserva.
11
2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
O número médio anual de horas de sol em Portugal varia entre as 1800 e as 3100, tal como se
observa na Figura 2-8 (Pereira, et al., 2000), (Costa, 2008), levando a que exista interesse e
boas perspetivas para esta tecnologia.
A exposição da célula à luz faz com que ocorra pelo efeito fotelétrico, que produz um
deslocamento de eletrões e de lacunas. Este efeito leva a que 1 eletrão de valência passe à
12
2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
Os módulos fotovoltaicos são constituídos por diversas células fotovoltaicas interligadas entre
si e protegidas com uma película anti-reflexo para aumentar a eficiência. A maioria destas
células são construídas utilizando silício (Si), podendo ser dos tipos monocristalinos,
policristalinos ou de silício amorfo (Miles, et al., 2005) (Junior, 2008). Atualmente encontra-
se em desenvolvimento novos materiais para a construção das células, para lá de outros já
utilizados (Razykov, et al., 2011) (Ewa Klugmann-Radziemska, 2010) (Dienstmann, 2009).
Entre outros salienta-se as células, orgânicas e nano cristalinas.
As células policristalinas (Figura 2-11) têm um rendimento inferior, situando-se próximo dos
13%. O menor rendimento deve-se às imperfeições dos cristais, apresentando contudo um
custo menor.
13
2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
As células de silício amorfo (Figura 2-12) são as que apresentam o menor rendimento
(aproximadamente 5%), tendo também o custo mais reduzido. Estas são películas muito finas,
permitindo que possam ser utilizadas como material de construção, designadamente em
coberturas, facilitando um maior aproveitamento de espaços para colocação de sistemas de
captação de energia solar.
14
2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
Existem, na literatura, diversos modelos que permitem estimar a potência produzida por um
determinado gerador fotovoltaico (Wissem, et al., 2012) (Ahmed, et al., 2011). Neste
trabalho, considera-se o modelo que determina essa potência por (Costa, 2008):
= (2.1)
Onde:
– Número de painéis que constituem o gerador fotovoltaico;
– Potencia gerada pelo gerador PV no período t, em W;
– Rendimento de conversão dos painéis fotovoltaicos no período t, em %;
– Área de cada painel, em ;
– Irradiância que incide na superfície do gerador PV no período t, em W ;
– Potência de pico de cada painel integrado no gerador, em W;
– Relação entre a potência de pico de cada painel e a respetiva área, em W .
O rendimento dos painéis fotovoltaicos pode ser obtido por (S. Diaf, 2008):
[ ] (2.2)
sendo:
– Eficiência dos painéis nas condições de referência, %;
– Eficiência do sistema de condicionamento, atribuindo-se o valor de 1 se existir
controlo de produção MPPT (Maximum Power Point Tracking);
– coeficiente de variação com a temperatura, expresso em %/;
– Temperatura de operação da célula no período t, em ºC;
– Temperatura de referência, geralmente igual a 25°C.
( ) (2.3)
15
2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
onde:
– Temperatura normal de funcionamento, fornecida pelo fabricante dos painéis e
expressa em °C;
– Temperatura ambiente no período t, em ºC.
Para realização do cálculo dos fatores de produção referentes ao sistema dos painéis
fotovoltaicos utilizou-se a equação (2.4), sendo este posteriormente multiplicado pelo número
de painéis para obtenção da potência gerada dos mesmos.
(2.4)
A Figura 2-13 representa o Atlas Europeu do Vento, permitindo perceber que Portugal tem
potencial eólico que pode ser explorado para a produção de energia elétrica. Para o efeito
utilizam-se turbinas eólicas que permitem a conversão de parte da energia cinética contida na
deslocação das massas de ar em energia mecânica. Esta energia mecânica é, posteriormente,
convertida em energia elétrica através de um gerador elétrico adequado.
O aproveitamento da energia eólica para produção de eletricidade tem sido, salvo aplicações
específicas (embarcações, por exemplo), fundamentalmente efetuada através de turbinas
eólicas de potências relativamente elevadas (turbinas com potências na ordem das centenas de
kW e alguns MW). Contudo, nos últimos anos, o interesse em sistemas microeólicos tem
crescido, o que conduziu ao desenvolvimento de múltiplos equipamentos destinados à
microprodução eólica (turbinas com potências na ordem dos kW).
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2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
No que se refere à construção dos microgeradores eólicos podemos distinguir dois grandes
grupos: os geradores de eixo horizontal e os de eixo vertical (CEEETA, 2011). Os geradores
de eixo horizontal (ou de sustentação) (Figura 2-14) podem ser:
Geradores de pá simples;
Geradores de pá dupla;
Geradores de pá tripla (os mais comuns);
Geradores com múltiplas pás (mais que três).
17
2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
18
2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
(2.5)
( ) (2.6)
A atividade de cogeração é bem conhecida e, ao longo dos anos, tem sido muito utilizada em
unidade fabris e em grandes edifícios, principalmente devido ao facto de serem de grande
potência e de não se adaptarem a edifícios de menores dimensões (como habitações
19
2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
unifamiliares). Contudo, nos últimos anos têm vindo a ser desenvolvidas unidades de
cogeração de baixa potência (microcogeração), alimentadas a gás e outros combustíveis.
A microcogeração é caracterizada por pequenas unidades CHP (Combined Heat and Power)
que, utilizando a mesma fonte de energia, produzem em simultâneo eletricidade e calor,
possuindo um rendimento na ordem dos 85 a 90% (Monteiro, et al., 2009).
Nos últimos anos têm vindo a ser estudados e experimentados diferentes sistemas passíveis de
serem utilizados em unidades de microcogeração. As tecnologias que se afiguram como as
mais promissoras são:
Os motores stirling baseiam-se no ciclo com o mesmo nome, existindo dois tipos
fundamentais de operação: o de pistão livre e o cinemático. Estes motores utilizam fontes de
calor externas, podendo, por este facto, ser alimentados com, praticamente, qualquer
combustível (gás, diesel, estilha, pellets, etc.). Os motores stirling (também conhecidos por
motores de combustão externa) apresentam-se como uma solução viável para pequenas
aplicações de cogeração, tendo como principais vantagens face aos motores combustão
20
2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
interna o baixo ruído produzido e a elevada eficiência termodinâmica, que varia entre os 70 e
os 90% (Roselli, et al., 2011) (Monteiro, et al., 2009).
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2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
A Figura 2-21 e a Figura 2-22 mostram o comportamento desta máquina, obtido no referido
estudo experimental, no que respeita ao comportamento da potência térmica produzida e
elétrica produzida, em função da temperatura de retorno do aquecimento.
22
2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
Note-se que as potências máximas obtidas pelo estudo são inferiores às anunciadas pelo
fabricante (Quadro 2-1).
O cruzamento das curvas anteriores permite obter uma curva que relaciona a produção de
potência elétrica e térmica, a qual se apresenta na Figura 2-23
1400
1350
1300
Pele (W)
1250
1200
1150
4600 4700 4800 4900 5000 5100 5200 5300 5400 5500
Pth (W)
Figura 2-23 Relação entre potência elétrica e térmica na máquina “Sunmachine Pellet”
A figura anterior mostra que a relação entre as potências elétrica e térmica desta unidade de
micrcogeração pode ser aproximada por uma função linear, sendo proporcional.
23
2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
A seleção, na maior parte dos casos, é efetuada recorrendo à consideração das densidades de
energia e potência e do custo da solução, o qual depende dos custos de investimento, de
operação e manutenção e da respetiva vida útil.
Mecânicos;
Elétricos;
Eletroquímicos.
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2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
Os volantes de inércia são utilizados na indústria automóvel, nos motores e também como
substituto ou complemento de armazenamento em sistemas elétricos (Rahman, et al., 2012)
(Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores, 2006). O armazenamento de
energia nestes sistemas ocorre sob a forma de energia cinética, colocando um volante a rodar
a elevada velocidade por meio de um motor. Alguns destes sistemas têm sido utilizados em
aplicações de pequena escala.
O armazenamento eletroquímico tem sido, ao longo dos anos, o mais utilizado na constituição
de sistemas autónomos, devido aos relativos baixos custos envolvidos (além de ser uma
tecnologia relativamente madura). Existe atualmente uma larga panóplia de tecnologias de
armazenamento eletroquímico, entras quais (Rahman, et al., 2012) (Departamento de
Engenharia Electrotécnica e de Computadores, 2006)
Como se ilustra na Figura 2-24, cada uma das tecnologias de armazenamento referidas
anteriormente apresenta características próprias em termos do binómio potência-energia,
sendo que podem adaptar-se a aplicações diferenciadas (Departamento de Engenharia
Electrotécnica e de Computadores, 2006).
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2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
A seleção de baterias para aplicação em sistemas autónomos (e em outras aplicações) deve ter
em considerações várias características, nomeadamente:
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2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
No caso da Figura 2-25, a descarga das baterias ocorre quando a soma da produção nos
geradores, afetada dos rendimentos dos conversores eletrónicos é inferior ao consumo da
instalação. Neste caso, a descarga da bateria pode ser determinada por (S. Diaf, 2008):
(2.7)
( )
Quando o consumo é menor que a produção dos dois geradores de energia, existe excesso de
energia que será carregada na bateria, desde que esta a possa receber (ou seja, tenha State of
Charge (SOC) <1). O processo de carga é, para o caso de um sistema com a configuração
apresentada na Figura 2-25 dado por (S. Diaf, 2008):
( ) (2.8)
O modelo tem a possibilidade de se adaptar facilmente a outro tipo de tipologias, como se irá
verificar no decorrer do capítulo 3.
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2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
A previsão da vida útil das baterias tem, no âmbito do presente trabalho, importância do ponto
de vista técnico e económico. Vários fatores influenciam a vida de uma bateria, sendo que a
sua previsão não é uma tarefa fácil, particularmente quando utilizadas em sistemas
caraterizados por vários tipos de operação, como descargas mais ou menos profundas, taxas
de descarga diversas ou diferentes formas de carga, entre outros fatores.
Existem alguns modelos na literatura propostos com este objetivo, tais como: diffusion model
ou o Kinetic Battery Model (KiBaM). No caso do primeiro, este é baseado na difusão dos iões
do eletrólito, descrevendo a evolução da concentração das espécies dos elétrodos ativos,
prevendo-se assim a vida da bateria (Marijn R. Jongerden, et al., 2008).
O modelo (KiBaM) (Marijn R. Jongerden, et al., 2008) é realizado tendo em consideração que
a bateria se encontra dividida em duas partes, sendo uma a capacidade disponível para ser
fornecida de imediato à carga, enquanto a outra não se encontra disponível por estar
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2 – Revisão da Literatura
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Existem outros modelos que realizam essa previsão como são exemplo:
O modelo analítico linear considera a bateria como um reservatório linear de corrente, não
considerando os efeitos não lineares que decorrem durante o período de descarga. A utilização
deste modelo não é muito satisfatória, uma vez que as operações que ocorrem na descarga da
bateria não são lineares e influenciam diretamente a capacidade e a vida útil da mesma
(Schneider, 2011).
A lei de Peukert ao contrário do anterior considera algumas das propriedades não lineares da
bateria. Este considera a relação que existe entre a taxa descarga da bateria e a vida útil não
considerando ainda assim todos os efeitos não lineares, como por exemplo o efeito de
recuperação da bateria (Schneider, 2011).
Na elaboração do presente trabalho optou-se pelo modelo desenvolvido por (S. Drouilhet, et
al., 1997), o qual é referenciado em múltiplas publicações, nomeadamente: (D.P. Jenkins, et
al., 2008) (Heinz Wenzl, et al., 2005) (Tamer Khatiba, 2012). Além deste consenso em torno
deste método, a sua escolha foi ainda determinada pelo facto deste internalizar os principais
fatores de envelhecimento da bateria (profundidade e taxa de descarga) e ser de aplicação
relativamente simples, não requerendo parâmetros que, por vezes, são difíceis de obter. Com
efeito, uma característica importante desta metodologia é que ela baseia a análise em
informação que, geralmente, é facultada pelos fabricantes de baterias suplementada por uma
alguns dados obtidos empiricamente. Esta abordagem elimina a necessidade de se proceder à
estimativa da vida útil com base em modelos eletroquímicos das baterias. Assumindo que a
temperatura ambiente está controlada (o que neste contexto é razoável), o envelhecimento
produzido por esse efeito pode ser considerado como desprezável.
A vida útil é determinada através do histórico acumulado das várias descargas efetuadas ao
longo do tempo de operação das baterias. Com efeito, o modelo monitoriza as descargas,
parciais ou completas, e a respetiva taxa de descarga, assim como a profundidade de descarga
(Deapth of Discharge - DoD).
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2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
(2.9)
Onde:
– Número de ciclos da bateria nas condições estipuladas de DoD e de corrente de
descarga;
– DoD para o qual o número estipulado de ciclos foi determinado;
– Capacidade estipulada da bateria à corrente de descarga estipulada, em Ah.
( ) (2.10)
Onde:
L – número máximo de ciclos que podem ser efetuados a uma dada profundidade
de descarga D (real);
D – DoD da descarga.
Diferentes metodologias podem ser utilizadas para efetuar a aproximação referida. Neste
trabalho foi utilizada a ferramenta Solver do Excel para, determinar os referidos parâmetros
para o caso das baterias utilizadas no caso de estudo. O comportamento, em termos de ciclos,
destas baterias é apresentado no Quadro 2-3. A Figura 2-27 mostra a aproximação obtida,
sendo que se obtiveram nesta os valores =429,52, =-0,13 e .=1,32.
30
2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
Figura 2-27 Curva de ajuste dos ciclos de vida da bateria ácida para os dados do fabricante
3. A vida da bateria, em termos de carga (Γ) diminui com o aumento do valor da corrente
de descarga, ou seja, se a corrente de descarga for superior ao valor estipulado, o
processo de envelhecimento é acelerado. Adicionalmente, a capacidade real da bateria
diminui com o aumento da corrente de descarga. Este efeito pode ser aproximado
utilizando a seguinte função (S. Drouilhet, et al., 1997)
( )
( ) (2.11)
Onde
- Valor efetivo da descarga de um evento, em Ah;
- Capacidade nominal da bateria (Ah);
- Capacidade disponibilizada pela bateria em Ah quando sujeita a taxa descarga.
( ) (2.12)
O valor de CA aplicável em cada caso pode ser obtido por interpolação entre os valores de
capacidade da bateria para diferentes regimes de descarga fornecidos pelos fabricantes das
31
2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
baterias. O Quadro 2-4 mostra, para o caso da bateria acima utilizada, as capacidades em
função do regime de descarga:
( )
( ) (2.13)
Onde:
- Descarga absoluta do evento descarga relativamente capacidade estipulada da bateria.
Esta equação permite determinar a descarga efetiva para um determinado evento de descarga.
A determinação da vida útil da bateria quando exposta a uma série de eventos de descarga
implica o cálculo do valor acumulado das descargas efetivas (produzidas pelos diferentes
eventos). Finalmente, a vida útil da bateria pode ser estimada por:
( ) (2.14)
∑
O armazenamento térmico, no caso de um sistema autónomo, pode ser importante já que pode
contribuir para uma melhor gestão e controlo de toda a aplicação, além de facultar o
aproveitamento de energia que, de outra forma, seria desperdiçada (como se demonstrará nos
capítulos seguintes).
Vários dispositivos estão disponíveis para permitir o armazenamento térmico, sendo que a
tecnologia mais madura consiste na utilização de depósitos de água quente. Este tipo de
armazenamento é amplamente utilizado em sistemas residenciais, para, por exemplo,
armazenar energia produzida por coletores solares.
Os depósitos de armazenamento podem ter diferentes constituições, podendo ser feitos em aço
inoxidável, vitrificado com epóxi, esmaltados, e revestidos em plásticos (COMGAS, et al.,
2011) (GREENPRO, 2004).
32
2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
O tipo de aquecimento da água (para armazenamento da energia térmica) poderá ser realizado
de forma direta ou indireta. Na primeira forma o fluido de armazenamento percorre o circuito
de aquecimento (Figura 2-28 a). Na segunda forma o fluido que armazena a energia é
separado do fluido que realiza o aquecimento. O aquecimento é realizado através da utilização
de permutadores de calor adequados, tal como se ilustra na Figura 2-28 b) (GREENPRO,
2004) (Silva, 2011)
O valor da energia armazenada num depósito de água quente, sob a forma de calor sensível,
pode ser determinado por (Streckiene, et al., 2009):
(2.15)
Onde:
– Energia térmica armazenada, expressa em kWh
m – massa de água no depósito de armazenamento, em kg;
– Calor específico do fluido utilizado, em Kcal/Kg°C;
- Diferença de temperaturas entre temperatura do fluido no interior do cilindro e a de
entrada, em ºC.
33
2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
Ao longo dos últimos anos, uma panóplia relativamente alargada de metodologias para
dimensionamento de sistemas autónomos e semi-autónomos tem vindo a ser proposta. As
metodologias propostas podem ser agrupadas em três categorias fundamentais, a saber
(Mellit, et al., 2005):
Modelos empíricos;
Modelos numéricos;
Modelos analíticos.
No caso dos modelos empíricos o dimensionamento é realizado por forma a garantir que o
sistema responde de forma adequada no pior caso do ano (por exemplo, o mês mais
desfavorável), arbitrando a partir daqui os valores de potência da geração assim como os
valores de armazenamento. Frequentemente consideram-se fatores de segurança neste tipo de
dimensionamento. Estes modelos tendem, portanto, a ser simplificados, sendo utilizados para
obter as potências dos componentes a integrar no sistema autónomo numa fase inicial do seu
dimensionamento. A vantagem deste tipo de modelos é a sua simplicidade. A principal
desvantagem prende-se com a não otimização do sistema, particularmente no que se refere ao
aspeto económico (Vera, 2004). Este tipo de metodologia é utilizada, entre outros, em (M.
Sidrach-de-Cardona, 1998) (M. Egido, 1992).
34
2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
[Link] HOMER
O HOMER (Hybrid Optimization Model for Electric Renewable) foi desenvolvido nos
Estados Unidos pelo NREL - National Renewable Energy Laboratory (López, 2007) (Vera,
2004) e está disponível em ([Link] Trata-se de programa de
dimensionamento térmico e elétrico de sistemas de geração de origem renovável que permite
otimizar sistemas constituídos, entre outros recursos, por:
Geradores fotovoltaicos;
Geradores eólicos;
Geradores hidráulicos;
Baterias;
Células de combustível;
CHP (Combined Heat and Power);
Conversores.
As análises dos sistemas a dimensionar são realizadas em intervalos de uma hora, testando as
várias configurações possíveis e avaliando o respetivo custo. No final obtêm-se os resultados
detalhados dos sistemas com os seus custos adjacentes. O programa possui uma base de dados
climatéricos sobre diversos locais, permitindo ainda inserção de dados adicionais por parte do
utilizador (Vera, 2004) (López, 2007). Alguns pontos fracos do programa são:
35
2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
[Link] HYBRID2
Foi desenvolvido em 1996 pela universidade de Massachusetts e pelo NREL e está disponível
em ([Link] Este programa, ao contrário do
HOMER, só efetua simulação de sistemas pré concebidos, não permitindo o respetivo
dimensionamento. As análises podem ser realizadas em diversas discretizações temporais: 10
minutos, 15 minutos, 1 hora. O programa possui uma base de dados de mais de 150 modelos
de geradores fotovoltaicos, eólicos, baterias e geradores diesel (López, 2007) (Vera, 2004).
[Link] TRNSYS
O software realiza uma simulação muito precisa de sistemas térmicos, fotovoltaicos, solar
térmicos entre outros, permitindo ainda uma análise gráfica muito detalhada dos resultados da
simulação (López, 2007).
Uma das vantagens mais relevante desta aplicação prendesse com a facilidade de colocação
de modelos matemáticos (descrever algum equipamento utlizados), assim como a colocação
de simples formas de controlo para o sistema em análise (Leal, 2011).
É disponibilizado em ([Link]
[Link] RETScreen
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2 – Revisão da Literatura
__________________________________________________________________________
Esta aplicação é amplamente utilizada para a elaboração de estudos preliminares nas áreas da
energia fotovoltaica, em três situações específicas: sistemas isolados da rede, sistemas
interligados com a rede e sistemas destinados ao bombeamento de águas. Permite o cálculo
dos custos de produção bem como dos benefícios relacionados com o aproveitamento da
energia de origem renovável, nomeadamente no que se refere à redução de gases com efeito
de estufa. Contém uma ampla base de dados com informação da radiação de mais de 1000
localidades assim como a possibilidade de dados de irradiância através de informação de
satélite relativa a diversas localizações do globo terrestre (Vera, 2004).
[Link] INSEL
[Link] SOLSIM
As opções de controlo são muito limitadas realizando só ajuste do angulo de inclinação dos
módulos fotovoltaicos para o ótimo. O programa simula todos estes correspondentes ao
sistema determinado e realiza uma análise técnico-económica (López, 2007).
37
2 – Revisão da Literatura
___________________________________________________________________________
[Link] FV_Expert
O Fv_Expert foi desenvolvido pelo Centro de Estudos de Energia Solar de Espanha no ano
2000. É uma aplicação capaz de simular uma infraestrutura fotovoltaica, autónoma ou
interligada à rede, não possuindo qualquer base de dados sobre as bateria nem de módulos
fotovoltaicos ou outros periféricos. Todos os valores característicos dos dispositivos
utilizados são inseridos pelo utilizador (Vera, 2004).
Possui um mapa interativo do país de origem que permite escolher o local de instalação
incluindo, na versão completa, base dados referentes a diversos países (Vera, 2004).
38
3. Otimização de sistemas autónomos
A Figura 3-1 apresenta a topologia geral adotada neste trabalho para a constituição dos
sistemas autónomos sendo que, dependendo da configuração do sistema a considerar, alguns
dos componentes poderão estar ausentes.
39
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
Ao barramento AC será ligada a instalação elétrica a alimentar bem como, quando aplicável,
o gerador microeólico e a parte elétrica do sistema de microcogeração. Importa frisar que a
ligação do gerador microeólico ao barramento AC é assegurada por um inversor adequado,
que pode ser dotado de controlo de potência máxima para otimizar a produção deste gerador.
O mesmo tipo de ligação poderia ser adotado para o caso do gerador PV.
No que concerne ao gerador do sistema de microcogeração, assume-se que este está equipado
com um condicionador de potência capaz de garantir as características de tensão e de
frequência adequadas bem como de assegurar o sincronismo antes da respetiva ligação ao
barramento AC.
Figura 3-1 Topologia geral de sistema autónomo adotada para o caso de estudo
40
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
O objetivo fundamental dos modelos apresentados nas secções seguintes deste capítulo é a
definição das capacidades das tecnologias de produção e armazenamento de energia a instalar,
visando a satisfação dos consumos e, simultaneamente, a minimização dos custos ocorridos
na instalação, operação e manutenção dos sistemas autónomos. Para o efeito, os modelos
envolvem problemas de otimização cuja função objetivo consiste na minimização dos
referidos custos.
41
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
estas restrições em função dos componentes utilizados, sendo que a sua justificação é
concretizada nas secções seguintes deste capítulo.
Embora não tenha sido considerado neste trabalho, os modelos apresentados poderão ser
adaptados facilmente para que possam ser utilizados noutro tipo de aplicações para além das
vivendas unifamiliares (por exemplo em edifícios multifamiliares).
42
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
O modelo de otimização a aplicar neste caso é apresentado nas equações (3.1) a (3.13).
( ∑ )
⌊ ⌋
∑ ⌊ ⌋
( ∑ ) (3.1)
⌊ ⌋
Sujeito a:
(3.2)
(3.3)
(3.4)
(3.5)
(3.6)
(3.7)
(3.8)
(3.9)
(3.10)
(3.11)
(3.12)
(3.13)
Onde:
- Número de painéis fotovoltaicos por fileira (série);
- Número de fileiras de painéis fotovoltaicos (paralelo);
- Potência de pico de cada painel PV, em W;
- Custo dos painéis PV, em €/Wp;
- Custo anual de operação e manutenção do gerador PV a preços do início do
investimento, em €/Wp;
43
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
- Taxa de inflação;
- Taxa de atualização;
k – Ano.
- Custo do controlador para o gerador fotovoltaico, em €;
- Energia que cada bateria armazena, em Wh;
- Número de baterias em série;
- Número de paralelos de séries de baterias;
- Período de tempo entre substituições de baterias;
- Custo da bateria, em €/Wh;
- Custo anual de manutenção das baterias, a preços do início do investimento, em
€/Wh;
T - Duração do período de análise, em anos;
t - Período de discretização temporal do estudo;
- Energia armazenada na bateria no final do período t, em Wh;
- Limite mínimo de energia no sistema de armazenamento, em percentagem da energia total
que pode ser armazenada nas baterias;
- Máxima descarga da bateria, em Ah (imposta pelo inversor);
- Valor estipulado para a máxima descarga da bateria, em Ah;
- Máximo valor de carga da bateria, em Ah;
- Valor estipulado para a máxima descarga da bateria, em Ah;
- Tensão máxima dos módulos fotovoltaico em vazio, em V;
- Máxima tensão que pode ser aplicada ao conversor de potência com MPPT do
gerador fotovoltaico;
e - Respetivamente, os valores máximo e mínimo da tensão MPPT do painel
fotovoltaico, em V;
e - Respetivamente, os limites superior e inferior da gama de
tensão de controlo MPPT para o conversor de potência do gerador fotovoltaico, em V;
e - Respetivamente, os limites superior e inferior da gama de saída do
conversor de potência do gerador fotovoltaico, em V;
- Corrente em curto-circuito dos painéis fotovoltaicos utilizados, em A;
- Fator se segurança, geralmente com valor igual a 1,25;
- Corrente elétrica máxima que o conversor MPPT do gerador fotovoltaico admite,
em A;
e - Respetivamente, os valores mínimo e máximo de tensão da bateria, em V;
e - Respetivamente, as tensões mínima e máximas admissíveis na entrada DC do
inversor;
A função objetivo apresentada na equação (3.1) não comtempla todos os custos envolvidos na
constituição do sistema autónomo. Por exemplo, o custo do inversor não foi, de forma
44
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
intencional, incluído nessa função já que não tem qualquer efeito sobre o processo de
otimização em causa. Com efeito, a potência do inversor é imposta pelas características da
carga a alimentar, sendo o seu custo um valor fixo que não altera o valor da função objetivo.
Note-se que, no que se refere a outros custos, como sejam os referentes à instalação, aos
condutores elétricos, aos dispositivos de corte, comando e proteção, às caixas para
acomodação destes equipamentos, etc., se assume que estes estão incluídos no custo unitário
do gerador PV e das baterias.
( )
(3.14)
( )
{
Onde:
- Energia armazenada na bateria no final do período t, em Wh;
- Energia armazenada na bateria no final do período t-1, em Wh;
- Potência elétrica produzida pelo gerador PV durante o período t, em W;
- Potência de carga no período t, em W;
- Rendimento do conversor DC/DC (controlador MPPT), em %;
45
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
A restrição (3.3) assegura também a satisfação dos consumos elétricos, uma vez que a
existência de energia disponível no armazenamento no final de capa período t implica,
necessariamente, que os consumos tenham sido satisfeitos.
As restrições (3.4) e (3.5) procuram internalizar os valores limite admitidos para os processos
de carga e descarga das baterias. Efetivamente, para otimizar a vida das baterias, os
fabricantes estabelecem limites para os valores de carga e descarga por hora (ou para as
correntes de carga e descarga). O não cumprimentos destes limites, em especial se de forma
sistemática, poderá comprometer o desempenho das baterias. Alguns tipos de baterias,
particularmente as baseadas na tecnologia de iões de lítio, podem mesmo vir equipadas com
circuitos eletrónicos destinados a assegurar o cumprimento dos limites nas correntes de carga
e descarga.
(3.15)
46
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
descarga. O efeito pode ainda ser mais severo se para o valor se adotar a potência de
sobrecarga de curto prazo que habitualmente caracteriza os inversores. Uma forma de lidar
com estas dificuldades poderá ser o estabelecimento de uma menor potência simultânea a ser
alimentada pelo inversor. A instalação de sistemas de deslastre de carga poderá ser utilizada
como forma de impedir que o valor estabelecido seja ultrapassado, o que pode produzir
incómodos. A adoção de um valor de potência simultânea inferior ao real sem a
implementação de mecanismos de controlo poderá, no contexto dos sistemas autónomos,
conduzir a situações de inesperada escassez de energia. Com efeito, a energia que uma bateria
pode fornecer depende do regime de descarga a que é sujeita, sendo que será tanto menor
quanto maior for a corrente de descarga (devido às perdas internas).
No processo de carga, o valor máximo da corrente, que poderá fluir para a bateria
corresponde a um período em que a produção PV é máxima e o consumo nulo. Neste caso, o
valor seria obtido por:
{ } (3.16)
Também neste caso estamos perante uma situação severa. Note-se que, em princípio, a
potência máxima produzida pelo gerador fotovoltaico não será destinada na totalidade ao
armazenamento, uma vez que parte será consumida, pelo que em vez da expressão (3.6) pode
ser mais razoável a utilização da expressão (3.17).
(3.17)
{ }
47
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
48
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
Com base nos dados fornecidos são calculados os fatores de produção do gerador fotovoltaico
aplicável a cada período t, que, de acordo com o modelo apresentado na secção [Link],
equação (2.4).
Os consumos a considerar em cada período t são determinados com base num perfil típico de
consumo da instalação. Á falta de melhor informação, este perfil típico pode ser obtido
através da conjugação do perfil de consumo para clientes BTN publicado pelo operador da
rede de transporte portuguesa (REN) (REN, 2011) e do consumo anual típico da instalação
para a qual se pretende dimensionar o sistema autónomo.
O algoritmo apresentado, tal como está, não comtempla a degradação temporal a que os
painéis fotovoltaicos estão sujeitos, a qual determina uma redução na produção esperada ao
longo dos anos. Os fabricantes fornecem, geralmente, informação sobre a perda de produção
dos seus módulos ao longo do tempo (por exemplo, garantindo que ao fim de 20 anos os seus
painéis produzem pelo menos 80% da energia produzida quando novos). A não contabilização
deste facto no dimensionamento poderá resultar numa não satisfação dos consumos previstos
em anos subsequentes aos do arranque da instalação.
Também é certo que os consumos podem variar ao longo dos anos, aumentando (crescente
utilização de equipamentos elétricos) ou diminuindo (aplicação de medidas de eficiência
energética). Para lidar com estas situações poderão ser utilizados fatores de ajustamento com
valores que o projetista julgue adequados.
Importa ainda referir que também no caso das baterias há uma perda de capacidade ao longo
do tempo, logo este aspeto pode ter de ser corrigido.
49
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
produzida no sistema fotovoltaico, com eventual redução de custos caso a energia térmica
tivesse de ser produzida com recurso a outra forma de energia (gás, gasóleo, pellet).
Figura 3-5 Esquema geral para aplicação com geradores fotovoltaicos e microeólico
50
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
( ∑ )
⌊ ⌋
∑ ⌊ ⌋
( ⌊ ⌋
∑ ) (3.18)
Onde:
- Custo da microeólica e dispositivo de ligação ao barramento AC, em €.
- Custo anual de manutenção da estrutura da microeólica, a preços do início do
investimento, em €;
Note-se que a função objetivo é análoga à representada na secção 3.2, com a inserção dos
custos de investimento referentes à turbina eólica e aos equipamentos de ligação ao
barramento AC bem como dos eventuais custos de manutenção anual. Importa, neste
contexto, frisar que cada gerador microeólico apresenta características de produção e custos
próprios, tornando-se importante a inclusão destes na função objetivo. Por outras palavras, o
custo global de uma solução depende não apenas do impacto que a microeólica tem sobre a
dimensão do gerador fotovoltaico e do sistema de armazenamento, mas também dos custos
que lhe são inerentes. Assim, a comparação entre soluções com diferentes geradores
microeólicos impõe a contabilização destes custos na função objetivo.
Uma vez que se assume que a microeólica possui já um conversor de potência adequado, as
restrições a aplicar são as mesmas que constam das equações (3.2) a (3.13). Naturalmente
que, se necessário, poderão ser definidas restrições relacionadas com este conversor de
potência, à imagem do que foi feito para o gerador PV e para as baterias.
A expressão (3.17), que serve para verificar a restrição (3.5), tem de ser ajustada, tomando a
forma:
( )
(3.19)
{ }
51
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
( )
( ( ) )
(3.20)
( )
{
Onde:
- Potência elétrica produzida pelo gerador microeólico no período t, em W;
- Rendimento do conversor DC/AC da microeólica), em %;
-
-
-
Note-se que na equação (3.20) os dois primeir3os membros representam processos de carga
da bateria e o terceiro de descarga. Em ambas as situações o rendimento do
inversor/carregador é assumido como igual ( , podendo contudo ser facilmente separado
caso exista informação para o efeito.
52
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
Importa referir que os dados a fornecer são os mesmos da situação descrita em 3.2, acrescidos
da informação relativa ao gerador microeólico, nomeadamente:
53
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
Nos últimos anos tem vindo a ser desenvolvida a tecnologia de microcogeração, a qual
permite produzir energia térmica e, simultaneamente energia elétrica. Tal como na cogeração
convencional, o seu objetivo é o aumento do rendimento na utilização da energia primária.
Esta tecnologia tem vindo a afirmar-se, perspetivando-se que, num futuro próximo, tenha uma
utilização mais intensa, tornando-se parte frequente dos sistemas energéticos de edifícios de
habitação unifamiliares e multifamiliares. Esta perspetiva impõe a necessidade de se alargar a
análise do dimensionamento de sistemas autónomos de forma a permitir a inclusão de
sistemas de microcogeração.
Analogamente ao que foi referido na secção 3.3 relativamente ao gerador micro eólico, a
metodologia aqui proposta não pretende dimensionar a unidade de microcogeração. Esta será
dimensionada tendo em consideração a necessidade de cumprir os requisitos térmicos da
habitação. O que se pretende é selecionar, de entre um conjunto de sistemas de
microcogeração previamente triados, aquele que minimiza os custos globais do sistema
autónomo. Esta seleção pode ser conseguida repetindo o processo de otimização sendo que,
em cada repetição, se considera uma das unidades de microcogeração a avaliar.
Consequentemente, tal como no caso descrito na secção 3.2, o processo de minimização dos
custos do sistema (otimização) devolve o número de painéis que compõem o gerador PV, o
número de baterias que compõem o armazenamento elétrico e a máxima profundidade de
descarga a que este poderá estar sujeito, tendo em consideração as características de uma
unidade de microcogeração fornecida.
Naturalmente, o sistema de microcogeração a adotar será aquele que minimize o custo global
da solução face aos restantes sistemas inicialmente triados e face à solução base dotada de
gerador fotovoltaico (e eventualmente eólico) e uma caldeira convencional, que seria
instalada caso não se adote a microcogeração.
54
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
( )
( ( ) ) (3.21)
( )
{
Onde:
- Potência elétrica produzida pela unidade microcogeração no período t, em W;
-
-
-
A Figura 3-7 ilustra o esquema geral a aplicar nesta configuração de sistema autónomo, o qual
visa a satisfação dos consumos elétricos e térmicos de uma habitação unifamiliar.
A função objetivo a otimizar para este caso é a apresentada na equação (3.22). Note-se que os
custos associados ao sistema de microcogeração são tratados como sobrecustos, uma vez que
apenas se contabiliza o custo adicional face à utilização de uma caldeira de referência, a
instalar caso não se adote a microcogeração. O sobrecusto de operação e manutenção, impõe a
contabilização do potencial aumento da energia primária consumida pelo sistema de
microcogeração. Com efeito, o rendimento térmico destes sistemas tende a ser inferior
relativamente ao de uma caldeira convencional, sendo o rendimento global superior.
55
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
( ∑ )
⌊ ⌋
∑ ⌊ ⌋
( ⌊ ⌋
∑ ) (3.22)
( )
( ) ( )
( ) ∑ ( )
(3.23)
∑
Sendo:
– Número anual de períodos t adotado no estudo;
- Energia térmica consumida no período t, em Wh;
– Custo da energia primária consumida pela unidade de microcogeração, em €/kWh;
– Custo da energia primária consumida pela caldeira de referência, em €/kWh;
– Taxa de inflação esperada para a energia primária consumida pela unidade de
microcogeração, em %;
- Taxa de inflação esperada para a energia primária consumida pela caldeira de
referência, em %;
– Rendimento térmico da unidade de microcogeração, em %;
– Rendimento da caldeira de referência, em %;
– Custo anual de manutenção da microcogeração, em €;
– Custo anual de manutenção da caldeira de referência, em €;.
56
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
Importa referir que a produção elétrica ocorre como um subproduto da produção térmica,
quando a microcogeração funciona para satisfação de necessidades térmicas. A produção
elétrica obedece ao explicitado na secção [Link].
Importa referir que os dados a fornecer são os mesmos da situação descrita na secção 3.2,
acrescidos da informação relativa à unidade de microcogeração, nomeadamente:
57
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
Note-se que os perfis térmicos típicos (secção 3.5) e as temperaturas ambiente médias para os
diferentes dias do ano permitem determinar o regime de funcionamento do sistema de
microcogeração e, em consequência, a energia elétrica produzida (subproduto). O restante
processo é semelhante ao descrito na secção 3.3.
Toda a energia elétrica em excesso que não é aproveitada para o auxílio de aquecimento é
dissipada.
Na secção anterior a unidade de microcogeração funciona num regime que se caracteriza pelo
seguimento das necessidades térmicas típicas da habitação. Neste caso, esta unidade
comporta-se como uma caldeira convencional sendo a produção de energia elétrica um
subproduto da produção de energia térmica. Contudo, o sistema de microcogeração pode ser
explorado num regime de satisfação de necessidades elétricas para além do regime de
satisfação das necessidades térmicas. Quando em funcionamento para satisfação de
necessidades elétricas, o subproduto será a energia térmica, no sentido em que esta não é
necessária no momento da respetiva produção. A formulação que se apresenta em seguida
assegura, contudo, que a energia térmica produzida nestas condições não é libertada para o
ambiente, sendo armazenada para utilização posterior. A Figura 3-9 ilustra o esquema geral
desta configuração de sistema autónomo, cuja principal função é a alimentação dos consumos
elétricos e térmicos. A principal diferença relativamente ao caso anterior é a existência de
uma unidade de armazenamento térmico (AT) para além do depósito de AQS, que neste
trabalho se assume como sendo um depósito de água que armazena a energia neste fluido (na
forma de calor sensível).
58
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
59
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
Regime aplicado aos meses do ano com aquecimento de espaços (AQH), em que a
unidade de microcogeração terá de assegurar que a temperatura da água no depósito de
AT está entre os limites definidos;
Regime aplicado aos restantes meses do ano, em que o funcionamento do sistema de
microcogeração fica limitado à manutenção da gama de temperaturas definida para o
cilindro de AQS.
Onde:
- Temperatura da água no interior do armazenamento no final do período t, em (°C);
TmaxAQ – Temperatura máxima definida para o aquecimento habitacional, em °C;
TempAQS – Temperatura da água no cilindro de AQS, em °C;
- A temperatura da AQS no final do período t, em ºC;
Tmax – Temperatura máxima admitida pelos cilindros, em °C;
Tmin – Temperatura mínima definida para a água nos cilindros, em °C;
SOCmin – Valor mínimo admissível para o SOC do armazenamento elétrico, em %;
SOCseg - Valor de carga de segurança do armazenamento elétrico para desligar a
microcogeração (micro CHP), em %.
60
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
No caso particular do regime em que não há AQH, particularmente nos meses de verão, a
energia elétrica excedente é dissipada, numa primeira fase, no depósito de AQS e, numa
segunda fase, caso ainda exista excesso, no AT.
(3.24)
Onde:
– Temperatura da água no final do período t, em °C;
– Temperatura da água no final do período t-1, ou seja, no início do período t,
em °C;
– Dimensão do depósito de água, em litros (considera-se que 1 litro de água tem
uma massa de 1 kg).
– Energia térmica fornecida ou extraída do depósito durante a duração do
período t, ou seja, no tempo que decorre entre o fim do período t-1 e o fim do período
t, em kWh;
– Calor específico da água, em Kcal/Kg°C (1 Kcal/Kg°C);
O fator 0,00116 corresponde à conversão de Kcal para kWh.
Uma vez que os sistemas de armazenamento térmico apresentam perdas de energia, estas
devem, tanto quanto possível, ser contabilizadas. Um modelo simplificado que permite tal
contabilização consiste na utilização de um fator de perdas que, para cada período de tempo,
traduz a percentagem da energia total armazenada que é perdida. Assim, a energia perdida no
tempo correspondente a um período t pode ser determinada por:
61
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
(3.25)
Onde:
– Energia térmica perdida durante o período t;
– Energia potencial de perdas no início do período t, em kWh;
– Fator de perdas térmicas, em %.
(3.26)
Onde:
– Temperatura ambiente média do local da instalação do depósito de água quente,
em ºC.
Importa neste momento frisar que a energia útil dos depósitos de água quente é diferente da
energia potencial de perdas, uma vez que a primeira é proporcional aos valores máximo e
mínimo da temperatura da água que permitem a sua utilização. Por exemplo, para efeito de
aquecimento de espaços, a temperatura máxima da água poderá ser de 85ºC e a mínima 55ºC
(a partir da qual não ocorre transferência de calor significativa nos radiadores). Nestas
condições, se admitirmos que no início de um determinado período t a temperatura da água no
tanque é de 85ºC, a energia armazenada útil é proporcional à diferença entre os 85ºC e os
55ºC. Contudo, se admitirmos temperatura ambiente média igual a 15ºC, a energia potencial
de perdas para o mesmo período t é proporcional à diferença entre os 85ºC e os 15ºC, ou seja
233% superior. Assim, a energia útil armazenada num depósito de água quente no início de
um qualquer período t pode ser obtida por:
(3.27)
Onde:
– Energia útil armazenada no início do período t, em kWh;
– Temperatura mínima da água que permite a utilização no fim a que se destina, em ºC.
O valor da energia útil que se encontra no depósito no início de um período t+1, admitindo
que não existe consumo de energia térmica para além das perdas, será:
62
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
(3.28)
A temperatura da água no depósito no início do período t+1 pode ser calculada com recurso à
expressão (3.24), substituindo por , ou seja:
(3.29)
Caso exista consumo e ou entrega de energia térmica durante o período t, a energia útil que se
encontra no depósito no início do período t+1 será:
(3.30)
Onde:
– Consumo de energia térmica no período t, em kWh;
– Energia entregue ao depósito no período t, em kWh.
(3.31)
(3.32)
63
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
Onde:
– Disponibilidade de armazenamento no início do período t, em kWh.
Note-se que o valor calculado pela expressão anterior é inferior ao que realmente se
verificará, uma vez que não contabiliza as perdas nem o consumo de energia térmica que
entretanto podem ocorrer após o lançamento da unidade de microcogeração.
Conhecido este valor, pode ser imposto que o sistema de microcogeração apenas possa ser
lançado quando a energia que irá produzir no tempo mínimo requerido para o seu
funcionamento seja igual ou inferior ao valor da disponibilidade do armazenamento, ou seja:
(3.33)
Onde:
– Tempo mínimo de funcionamento da microcogeração, em horas;
– Potência térmica máxima da caldeira, admitida como constante, em kW.
Uma aproximação importante que se faz neste modelo consiste no facto de se admitir que a
unidade de microcogeração funciona sempre à potência nominal. Na prática, isto significa que
se admite que a diferença entre as temperaturas da água na ida e no retorno é tal que garante
que a caldeira funciona sempre na potência nominal. Se a diferença de temperatura que
assegura este funcionamento for de 15ºC, então tal poderia ser conseguido (de forma
aproximada) regulando a temperatura na unidade de microcogeração para os 85ºC e
assegurando que nos depósitos de água a temperatura máxima é de 70ºC. Este é, contudo, um
aspeto que merece um estudo mais aprofundado em trabalhos futuros.
64
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
do armazenamento térmico (AT). Como anteriormente referido, são considerados dois tipos
de armazenamento, o AT durante os meses em que há AQH e o das AQS durante o resto do
ano.
( ∑ )
⌊ ⌋
∑ ⌊ ⌋
( ⌊ ⌋
∑ ) (3.34)
( )
Sujeito a:
(3.35)
(3.37)
(3.38)
A função objetivo (3.34) é similar à representada na secção 3.4.1, com a inserção dos custos
referentes ao armazenamento térmico. Estes custos referem-se apenas ao AT, uma vez que o
cilindro para AQS é o mesmo que existiria caso de adotasse uma caldeira de referência.
Significa isto que o depósito de AQS não é dimensionado pelo modelo de otimização.
65
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
66
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
O modelo de otimização de um sistema deste tipo pode, com facilidade, ser obtido através da
conjugação dos modelos apresentados anteriormente. Consequentemente optou-se por não
apresentar a formulação para este caso.
O controlo proposto para os sistemas autónomos que apenas possuam geradores fotovoltaicos
ou eólicos baseia-se no deslastre de cargas. Este controlo deve, quando o nível de carga da
bateria se encontra abaixo de um determinado limiar (valor crítico), deslastrar cargas não
prioritárias (ar condicionado, equipamentos de refrigeração, etc.). A Figura 3-13 representa
este mecanismo.
67
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
No caso de sistema autónomo ser dotado de uma unidade de microcogeração, o controlo pode
ser baseado no deslastre de carga e no lançamento da unidade de microcogeração, ainda que
com libertação da energia térmica produzida para o ambiente. A Figura 3-14 mostra o
fluxograma aplicável a esta abordagem.
68
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
O comportamento do consumo elétrico típico pode ser obtido com base no perfil de consumo
para clientes BTN publicado pelo operador da rede de transporte portuguesa (REN) (REN,
2011) e do consumo anual típico da instalação para a qual se pretende dimensional o sistema
autónomo. A Figura 3-15 mostra o perfil de consumo típico obtido para três dias do ano e
para um consumidor com um consumo anual de 5012 kWh de energia elétrica.
Figura 3-15 Consumos típicos de um consumidor BTN para três dias do ano
A obtenção de um perfil de consumo térmico é ainda mais complexa, uma vez que a
informação existente não permite conhecer o comportamento deste consumo ao longo dos
dias (em períodos de, por exemplo, 15 minutos).
69
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
O RCCTE fixa, para as diferentes zonas climáticas os valores de referência para avaliação das
necessidades térmicas de um edifício, tal como se ilustra Quadro 3-3 para a situação
específica de Viseu.
Esta informação permite estimar o consumo anual de energia térmica. Contudo, não permite
criar perfis típicos de consumo diário, com discretização temporal (por exemplo em períodos
de 15 minutos).
O facto de não se ter encontrado informação que permitisse a construção de perfis diários de
consumo térmico levou a que se desenvolvesse e aplicasse uma forma de adquirir informação
deste tipo. Esta aplicação foi feita numa vivenda unifamiliar, localizada em Viseu, tendo sido
aplicado um sistema de monitorização do comportamento de uma caldeira a pellet durante 66
dias do Inverno de 2011/2012. Importa referir que a obtenção de um perfil rigoroso seria
possível com a aquisição de informação sobre o caudal debitado ao longo do tempo pela
bomba circuladora e sobre as temperaturas de ida e retorno da caldeira. A aquisição destes
dados foi, contudo, impossível tendo-se optado por fazer uma análise indireta baseada no
consumo de pellet. Este consumo foi estimado com base na variação da potência elétrica
consumida pela caldeira, a qual depende, em cada momento de fatores como a velocidade do
ventilador que fornece ar à câmara de combustão e do acionamento do sem fim que fornece
pellet. Com o intuito de associar o consumo de energia (pellet) à temperatura ambiente
exterior, procedeu-se à medição desta ao longo do tempo em que o funcionamento da caldeira
foi monitorizado. Apesar de não ser rigorosa, a informação recolhida permitiu construir perfis
70
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
típicos aplicáveis à habitação em causa. A Figura 3-18 mostra a caldeira que foi monitorizada
bem como o sistema de aquisição de dados utilizado.
O Quadro 3-4 mostra os valores médios da energia diária total consumida (na forma de pellet)
em função do valor médio diário da temperatura ambiente exterior. Note-se que cada valor
desta temperatura representa na realidade o intervalo contido entre meio grau abaixo e meio
grau acima (por exemplo, as 11 amostras referentes a 11 ºC são, na realidade, amostras entre
os 10,5 ºC e os 11,5 ºC). O valor da energia consumida refere-se à energia utilizada no
aquecimento da casa e das AQS, tendo sido estimada com base nos kg de pellet consumidos,
no conteúdo energético por quilo indicado pelo produtor e no rendimento típico da caldeira,
admitido como igual a 87%.
Durante o período em que a caldeira foi monitorizada não se verificou qualquer dia com
temperatura média superior aos 2,5ºC e inferior aos 3,5ºC, pelo que o valor de temperatura
média igual a 3ºC não consta do Quadro 3-4.
71
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
Figura 3-19 Consumos de energia térmica em função da temperatura média diária exterior
Figura 3-20 Perfil térmico típico obtido para temperatura diária média exterior de 4°C
Outro aspeto relevante que importa esclarecer prende-se com o facto de apenas se terem
obtido perfis para os meses do ano em que existe aquecimento de espaços. Note-se, contudo,
que os perfis térmicos incluem a energia térmica necessária ao aquecimento de AQS para
72
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
além da energia destinada ao aquecimento dos espaços, uma vez que não foi possível separar
estes consumos.
Para os meses em que não existe necessidade de aquecimento de espaços, a energia térmica a
produzir resume-se à necessária para a produção de AQS. A previsão desta energia pode ser
conseguida tendo em consideração os consumos típicos de água quente, obtidos com recurso
ao RCCTE ou a ábacos como o apresentado na Figura 3-21 (Marco Doninelli, 2006).
O primeiro perfil (Perfil A), representado na Figura 3-22 corresponde ao perfil em que se
considera que os banhos ocorrem ao princípio da manhã, consumindo 60% da totalidade do
consumo. Nos períodos junto ao almoço e ao jantar considera-se um consumo de 15%.
Finalmente considera-se um período ao final da noite em que se consomem os restantes 10%
da energia diária típica associada às AQS.
O segundo perfil (Perfil B), representado na Figura 3-23 corresponde a uma situação
semelhante à anterior, sendo que se considera que os banhos ocorrem no final do dia.
O perfil C é uma situação intermédia entre os dois anteriores, assumindo-se que os banhos se
repartem entre o período da manhã e da noite (Figura 3-24).
73
3 – Otimização de sistemas autónomos
___________________________________________________________________________
74
3 – Otimização de sistemas autónomos
__________________________________________________________________________
Durante a realização do trabalho foram testados e utilizados dois algoritmos, a saber: fmincon
e algoritmo genético.
O algoritmo fmincon minimiza uma função objetivo com várias variáveis, podendo o
problema ser linear ou não linear. Trata-se de uma metodologia baseada no gradiente
desenvolvida para resolver problemas em que tanto a função objetivo como as restrições são
contínuas e, portanto, possuidoras de derivadas de primeira ordem.
75
4. Casos de estudo
O perfil de consumo elétrico considerado para habitação foi obtido da forma exposta na
secção 3.5, ou seja, procedeu-se à multiplicação do consumo anual de eletricidade na
habitação, assumido como igual a 5012 kWh, pelos fatores do perfil de consumo para clientes
BTN, publicado pelo operador da rede de transporte portuguesa (REN). Este procedimento
permitiu obter um perfil de consumo de eletricidade aplicável a cada dia do ano e discretizado
em período de 15 minutos. O facto de existirem arredondamentos nos valores do perfil
publicado pela REN fez com que o somatório da energia consumida em todos os períodos do
ano seja, efetivamente, igual a 5012 kWh. A Figura 4-1 bem como a Figura 3-15 mostram
perfis de consumo elétrico obtidos para 6 dos dias do ano.
77
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
Figura 4-1 Perfil de consumo típico para um consumidor BTN, aplicável a três dias do ano
78
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
Para os meses em que não ocorre aquecimento de espaços determinou-se os consumos diários
de energia térmica com base nos consumos típicos indicados na Figura 3-21. Considerou-se
para o efeito que a habitação em estudo é habitada por um agregado familiar constituído por 2
pessoas. Assume-se que se pretende um nível de conforto baixo. Para além das águas
utilizadas na higiene pessoal, considera-se também a utilização de água quente nas máquinas
de lavar louça e roupa. Nestas condições, o valor de consumo diário de água é:
Litros
Conclui-se assim que a energia térmica consumida diariamente para aquecimento de AQS
corresponde a 4 kWh. O perfil de consumo ao longo do dia pode ser obtido multiplicando os
79
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
perfis percentuais apresentados nas Figura 3-22, Figura 3-23, Figura 3-24 pelo valor global
diário de energia consumida. As Figura 4-5, Figura 4-6 e Figura 4-7 mostram estes perfis.
80
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
O custo apresentado na última linha do Quadro 4-1 representa apenas o custo de cada painel
fotovoltaico, sem inclusão dos custos adicionais relacionados com a respetiva instalação
(suportes, condutores elétricos, mão de obra, etc. ). Para contabilizar estes custos considera-se
que o custo por painel fotovoltaico instalado é 40% superior, pelo que o custo por Wp de
gerador fotovoltaico é de 1,12€.
81
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
O Quadro 4-4 mostra o número de ciclos que estas baterias podem realizar, em função da
profundidade de descarga (DoD – Depth of Discharge) a que são sujeitas e nas condições
definidas pelo fabricante. Esta informação é necessária ao processo de determinação da vida
útil das baterias, tal como explicitado na secção [Link]. Com efeito, os valores apresentados
no Quadro 4-4 permitiram a determinação dos parâmetros u0, u1 e u2 necessários ao modelo
descrito na secção [Link], os quais se apresentam no Quadro 4-5.
Uma vez que não está acessível a informação relativa ao rendimento das baterias, no que se
refere à sua carga e descarga, optou-se por estimar estes valores recorrendo a valores típicos
disponibilizadas na literatura. Em Vera, (2004) e em Rodolfo Dufo-López (2008) é
apresentado o valor =80 % como sendo o rendimento típico do ciclo de uma bateria. S.
Diaf, (2008) apresenta o valor 85 % para o rendimento na carga. Assumindo estes
valores e tendo em consideração que (Morais, 2010), é possível estimar o valor
típico para o rendimento de descarga, o qual vale =94 %.
82
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
Importa, neste momento, apresentar os pressupostos que foram considerados na realização dos
processos de dimensionamento que se seguem, nomeadamente:
Considera-se que a degradação das baterias ao longo da sua vida útil é tal que, no
final desta, as baterias apresentam uma perda de capacidade máxima de 20%.
Consequentemente, salvo indicação em contrário, no processo de dimensionamento
admitiu-se que as baterias apresentam de início uma capacidade igual a 80% da sua
capacidade real. Contabiliza-se desta forma a situação mais severa (Chagas, 2007), sem
que contudo se tenha internalizado o efeito dos maiores SOC a que as baterias estarão
sujeitas na sua longevidade;
83
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
será próxima da taxa de juro de um depósito bancário típico. Esta taxa, por sua vez, não
difere significativamente da taxa de inflação, pelo que na prática se pode dispensar a
atualização dos valores económicos;
Com base no modelo descrito na secção 3.2 e com a informação disponibilizada na secção
anterior efetuou-se o dimensionamento do sistema apresentado na Figura 4-8.
Total de baterias 48
Numero de baterias em
4
série
Número de paralelos de
12
Sistema de armazenamento series de baterias
elétrico Capacidade de
63,36 (3)/ 50,688 (4)
armazenamento (kWh)
SOC mínimo (%) 32,19
Vida útil das baterias
10,78
(anos)
(1) valor de potência de pico correspondente à potência nominal dos painéis
(2) valor da potência após perda de 20% da capacidade de produção
(3) valor da energia armazenável correspondente à capacidade nominal
(4) valor da energia armazenável após perda de 20% da capacidade nominal
84
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
A Figura 4-9 mostra o balanço anual de energia aplicável ao sistema no ano em que se
considera que a potência do gerador fotovoltaico vale 80% da sua potência nominal e que a
capacidade da bateria é 80% da capacidade nominal.
A leitura da Figura 4-9 permite perceber que dos 14956,2 kWh produzidos no gerador
fotovoltaico apenas 33,51% são efetivamente consumidos na instalação (5012,36 kWh). A
parcela de energia excedente, que tem de ser dissipada, correspondente à diferença entre a
produção e o somatório do consumo com as perdas, representa 57,29% da energia produzida.
Como se explica adiante, este excesso de produção ocorre fundamentalmente nos meses que
não os de inverno, devendo-se ao facto do sistema ter de ser capaz de satisfazer o consumo na
situação de produção mais desfavorável. As perdas totais no sistema (sem o excesso referido)
valem 1406,31 kWh por ano, representando 9,4% do total de energia produzida no gerador e
correspondendo a 28,06% do valor da energia consumida na instalação. As perdas na bateria,
no processo de carga e descarga, representam a maioria das perdas totais, concretamente
52,53%. Importa referir que o valor das perdas é constante ao longo dos anos da análise,
supondo constante o consumo da instalação.
A Figura 4-10 mostra o valor da energia que se espera que seja produzida em cada um dos 20
anos do estudo. Esta figura foi construída admitindo que a perda de produção dos painéis
ocorre de forma uniforme ao longo dos anos, correspondendo a uma perda anual de 1%
(20%/20 anos).
85
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
O valor da energia produzida em excesso num determinado ano varia ao longo dos respetivos
meses (e mesmo com os dias do mês), tendendo a ser inferior nos meses de inverno por força
da menor produção fotovoltaica e do maior consumo de eletricidade na habitação.
A Figura 4-11 mostra esse comportamento para um dia representativo de cada mês (adotou-se
a primeira quarta-feira) do primeiro e último ano de funcionamento do sistema (gerador com
perda de produção face ao valor nominal).
A análise da Figura 4-12 permite concluir pela existência de um excedente de produção que
pode ser utilizado para a produção de AQS através da utilização de uma resistência elétrica
que permita dissipar esta energia (ou parte dela) num termoacumulador. Note-se que, numa
parte significativa do ano, a energia em excesso é suficiente para satisfazer as necessidades
diária de AQS. Com efeito, como calculado na secção 3.5, o valor de energia associado às
AQS diárias é igual a 4 kWh, o qual é inferior ao valor mínimo de energia excedente na maior
parte dos dias dos meses, representados na Figura 4-12.
86
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
A Figura 4-13 mostra o comportamento do SOC médio mensal no primeiro e último ano de
funcionamento do sistema.
Figura 4-13 Representativo SOC início e no fim do projeto (sistema dotado com PV)
Note-se que os valores do SOC tendem a diminuir ao longo dos anos, uma vez que se admite
igual perfil de energia a ser fornecido pelas baterias, enquanto a sua capacidade se vai
reduzindo (1% /ano). Este facto faz com que a estimativa da longevidade das baterias,
efetuada com base nos dados aplicáveis ao último ano do período de simulação, seja
pessimista.
A título de exemplo, mostra-se na Figura 4-14 e na Figura 4-15 a evolução do SOC nos meses
de julho e de dezembro do último ano da simulação (em que a capacidade total das baterias é
assumida como sendo igual a 80% do seu valor nominal). Estas figuras mostram que os níveis
87
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
de carga da bateria variam ao longo dos dias (devido às variações na carga) entre um valor
mínimo e o SOC unitário, salvo em dezembro onde ocorrem situações em que o SOC máximo
diário é inferior à unidade. Aliás, o SOC mínimo verificado ocorre neste mês, correspondendo
ao valor de 32,19% como se ilustra na Figura 4-15 e no Quadro 4-7.
Figura 4-14 Valores do SOC no mês de julho (sistema dotado com PV)
Figura 4-15 Valores do SOC no mês de dezembro (sistema dotado com PV)
A Figura 4-16 representa o comportamento do SOC obtido para o primeiro dia de setembro,
onde se pode constatar que o SOC permanece durante um tempo considerável igual a 1. Esta
situação deve-se ao facto da produção PV ser igual ou superior ao consumo durante este
período. Este tipo de comportamento verifica-se durante a maioria dos dias do ano. Contudo,
há dias em que tal não ocorre, como se pode constatar na Figura 4-17 que corresponde ao dia
24 de dezembro.
Figura 4-16 Valores do SOC no dia 1 de setembro (sistema dotado com PV)
88
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
Figura 4-17 Valores do SOC no dia 24 de dezembro (sistema dotado com PV)
.
Para garantir continuidade do funcionamento no segundo ano sem que o abastecimento seja
posto em causa, avaliou-se o impacto produzido pelo facto do sistema, no segundo ano, iniciar
o funcionamento com um SOC do armazenamento inferior à unidade. O Figura 4-18 mostra
que no primeiro dia do segundo ano de funcionamento o SOC recupera o valor unitário e que,
nos dias seguintes, se verifica um comportamento semelhante ao verificado no mês de janeiro
do primeiro ano de funcionamento do sistema.
Figura 4-18 Valores do SOC do mês de janeiro (2º ano) (sistema dotado com PV)
Os equipamentos referentes ao gerador fotovoltaico utilizados para este caso são os mesmos
da secção 4.2.1. O inversor/carregador adotado para a interface entre os barramentos DC
(onde ligarão o gerador PV e o sistema de armazenamento) e o barramento AC (onde ligam a
carga e o gerador eólico) é também o mesmo do caso anterior.
89
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
O Quadro 4-9 mostra os resultados obtidos nas três simulações acima referidas, permitindo
concluir que a solução economicamente mais vantajosa corresponde à utilização do gerador
microeólico 3.
90
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
A Figura 4-19 mostra a solução determinada, a qual apresenta um custo de 48324,75€ para os
20 anos de funcionamento da aplicação. Note-se que este custo é superior em 19,38% face à
situação de existir apenas o gerador fotovoltaico. Este desempenho económico menos bom
deve-se, em boa medida, à produção anual expectável para o gerador microeólico. Esta
produção é de apenas 571,47 kWh, o que representa um valor muito baixo para o
investimento que o gerador envolve.
91
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
A análise que se segue é efetuada considerando que o gerador PV e as baterias têm apenas
80% das suas capacidades (ou seja, considerando o funcionamento do sistema no final da sua
vida útil). As consequências desta situação foram já avaliadas na secção 4.2.2, sendo que
também aqui se fazem sentir.
Figura 4-20 Balanço de energia do sistema dotado com painéis fotovoltaicos e microeólica
92
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
As perdas totais no sistema (sem o excesso referido) valem 1322,09 kWh, representando
8,51% do total de energia produzida nos geradores e a 26,38% do valor da energia consumida
na instalação. As perdas no sistema de armazenamento, devidas ao processo de carga e
descarga, representam a maioria das perdas totais, concretamente 49,3%.
Figura 4-21 Valor do SOC no mês dezembro (sistema dotado com PV e microeólica)
Na Figura 4-21 e Figura 4-22 mostra-se que os níveis de carga da bateria variam ao longo dos
dias (devido às variações na carga e da produção) entre o valor mínimo e o valor máximo de
carga (valor unitário), salvo no mês de dezembro onde em alguns dias os SOC máximo diário
é inferior à unidade. O valor de SOC mínimo ocorrido neste período, corresponde ao valor de
43,98 como se ilustra na Figura 4-21 e no Quadro 4-9.
Figura 4-22 Valor do SOC no mês julho (sistema dotado com PV e microeólica)
A Figura 4-23 representa o comportamento do SOC obtido para o primeiro dia de setembro,
onde se pode constatar, tal como no caso do estudo anterior, que o respetivo valor permanece
algum tempo no valor máximo. Esta situação deve-se ao facto da produção dos geradores ser
93
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
igual ao superior à carga neste período. Contudo, como referido anteriormente há dias em que
tal não ocorre, como se pode verificar pela Figura 4-24 que corresponde ao dia 23 de
dezembro, onde também é atingido o valor mínimo de SOC da aplicação.
Figura 4-23 Valor do SOC no dia 1 setembro (sistema dotado com PV e microeólica)
Figura 4-24 Valor do SOC no dia 23 de dezembro (sistema dotado com PV e microeólica)
Pela análise da Figura 4-23 conclui-se que existe um excedente de produção que poderá ser
utilizada para a produção de AQS através da utilização de uma resistência elétrica, permitindo
dissipar a energia (ou parte dela) no termoacumulador. Assim como no caso de estudo
anterior, numa parte significativa do ano, a energia em excesso é suficiente para a produção
diária de AQS. Como o valor diário de energia necessária para o AQS é de 4 kWh (valor
calculado na secção 3.5), o valor mínimo de excedente de energia em grande parte dos dias do
ano é suficiente, como se observa na Figura 4-25.
Figura 4-25 Excesso mínimo de energia diária mensal (sistema dotado com PV e microeólica)
94
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
A Figura 4-26 e Figura 4-27 permitem comparar a evoluções do SOC nos meses de julho e
dezembro para o caso em que apenas existe gerador fotovoltaico e aquele em que existe o
gerador fotovoltaico e o gerador microeólico.
Verifica-se que a evolução do SOC no mês de julho é muito idêntica para ambos os sistemas
(PV e PV + microeólica). No mês de dezembro verifica-se uma maior tendência para valores
de SOC inferiores no caso do sistema somente com gerador fotovoltaico.
Tal como no caso de estudo anterior, para garantir a continuidade do funcionamento do
sistema no segundo ano, realizou-se o estudo referido na secção 4.2.2, respeitante à evolução
do SOC. O comportamento deste assemelha-se ao sucedido no caso anterior.
95
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
A unidade de microcogeração adotada para o estudo feito nesta secção tem as características
que se apresentam no Quadro 4-10. Esta unidade utiliza como combustível o pellet.
(4.1)
Onde
– Potência térmica produzida pelo micro CHP, em kW;
Potencia elétrica produzida pelo micro CHP, em kW.
96
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
(4.2)
(4.3)
O custo de manutenção adotado para a caldeira convencional foi de 60 € anuais, enquanto que
para a unidade de microcogeração se adotou o valor de 100 € anuais.
97
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
O custo considerado por cada litro de armazenamento foi de 2,73 € para ambos os
reservatórios (AQS e AT).
O perfil de consumo térmico aplicado a cada um dos dias em que ocorre aquecimento de
espaços (dos definidos na secção 3.5.) foi determinado com base nos valores médios diários
da temperatura exterior em Viseu. A Figura 4-3 e a Figura 4-4 mostram as temperaturas
médias diárias nos meses em que existe aquecimento habitacional.
98
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
Com base nos modelos apresentados na secção 3.4.1 e com os dados da secção anterior,
efetuou-se o cálculo da aplicação para o esquema da Figura 4-29.
A Figura 4-29 mostra a solução adotada, a qual apresenta um custo de 40455,66€ para os 20
anos de funcionamento da aplicação. Note-se que este custo é muito idêntico a situação de
existir apenas o gerador fotovoltaico (secção 4.2.2). Esta aproximação económica deve-se, em
boa medida, à não existência de substituição das baterias ao longo do período de
funcionamento. A vida útil espectável teve um acréscimo de 11 para 20 anos, o que faz com
que se obtenha este custo muito idêntico.
99
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
Figura 4-29 Esquema do sistema final autónomo dotado com gerador PV e microcogeração
sem armazenamento térmico
A análise que se segue é efetuada considerando que o gerador PV e as baterias têm apenas
80% das suas capacidades (ou seja, considerando o funcionamento do sistema no final da sua
vida útil). As consequências desta situação foram já avaliadas na secção 4.2.2, sendo que
também aqui se fazem sentir.
A Figura 4-30 mostra o balanço anual de energia aplicável a esta situação. Esta figura permite
perceber que a produção do gerador fotovoltaico é, neste caso, de 9203,82 kWh, sendo que a
unidade de microcogeração tem uma produção elétrica igual a 1314,98 kWh (lado AC).
Consequentemente, a produção total de eletricidade no sistema perfaz um total 10518,8 kWh.
Do total de energia produzida apenas 47,65% são efetivamente consumidos na instalação
(5012,36 kWh).
O excesso de energia corresponde a 4381,18 kWh, (que, como referido anteriormente, pode
ser parcialmente utilizada para a produção de AQS).
A parcela de energia excedente, que tem de ser dissipada, representa 41,65% da energia total
produzida, valor consideravelmente menor que o referente aos sistemas das secções
anteriores. O maior excesso mensal ocorre nos meses de verão, devido à maior produção
fotovoltaicas e aos menores consumos neste período. No caso dos dias o maior excesso de
energia é uniforme ao longo de todo o ano, devido a contribuição da microcogeração nos
meses de inverno, ao contrário do esquema apresentado na secção 4.2.2.
100
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
As perdas totais no sistema (sem o excesso referido) valem 1125,26 kWh por ano,
representando 10,7% do total de energia produzida no gerador e correspondendo a 22,45% do
valor da energia consumida na instalação. As perdas na bateria, no processo de carga e
descarga, representam a maior parte das perdas totais, concretamente 55,8 %.
A análise da Figura 4-31 permite concluir que, em muitos meses, o excedente de energia é
suficiente para a produção de AQS, através da utilização de uma resistência elétrica que
permita dissipar esta energia (ou parte dela) num termoacumulador.
Figura 4-31 Excesso mínimo e máximo de energia diária mensal (sistema dotado com PV e
microcogeração)
As Figura 4-32 e Figura 4-33 mostram a evolução do estado de carga (SOC) nos meses de
julho e Dezembro. Note-se que, em grande parte do mês de dezembro, o SOC máximo é
inferior a 100%.
101
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
Figura 4-32 Valores do SOC no mês dezembro (sistema dotado com PV e microcogeração)
Figura 4-33 Valore do SOC no mês julho (sistema dotado com PV e microcogeração)
As Figura 4-34 e Figura 4-35 mostram a variação diária do SOC em dois dias do ano. O valor
de SOC mínimo ocorre no dia representado na Figura 4-35, tomando o valor de 35,65%.
Figura 4-34 Valore do SOC no dia 1 de setembro (sistema dotado com PV e microcogeração)
Figura 4-35 Valor do SOC no dia 25 de dezembro (sistema dotado com PV e microcogeração)
102
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
Tal como nos casos de estudo anteriores, para garantir a continuidade do funcionamento no
segundo ano, sem que o abastecimento seja posto em risco, avaliou-se a evolução do SOC no
primeiro mês do segundo ano. A Figura 4-36 mostra a recuperação do SOC da bateria no
terceiro dia do segundo ano de funcionamento.
Figura 4-36 Valores do SOC do mês de janeiro (2º ano) (sistema dotado com PV e
microcogeração)
Figura 4-37 Valores do SOC do mês de janeiro (1º ano) (sistema dotado com PV e
microcogeração)
De acordo com o modelo apresentado na secção 3.4.2 e com os dados da secção 4.4.1,
efetuou-se o cálculo da aplicação. Os resultados devolvidos pelo algoritmo de otimização são
apresentados no Quadro 4-15.
103
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
Quadro 4-15 Valores obtidos para o gerador PV, microgeração e sistemas armazenamento
térmico e elétrico
Total de painéis 24
Número de
painéis
3
Gerador fotovoltaicos por
Fotovoltaico fileira
Número de
8
fileiras
Potência (kWp) 6 (1) / 4,8 (2)
Total de baterias 48
Numero de
4
baterias em série
Número de
paralelos de series 12
Sistema de
de baterias
armazenamento
Capacidade de
elétrico 63,36 (3)/ 50,688
armazenamento (4)
(kWh)
SOC mínimo (%) 24,53%
Vida útil das
20
baterias (anos)
Armazenamento AQH 1500 Litros
térmico AQS 200 Litros
Custo global (€) 45036,21
(1) valor de potência de pico correspondente à potência nominal dos painéis
(2) valor da potência após perda de 20% da capacidade de produção
(3) valor da energia armazenável correspondente à capacidade nominal
(4) valor da energia armazenável após perda de 20% da capacidade nominal
A Figura 4-38. mostra a solução adotada, a qual apresenta um custo de 45036,21€ para os 20
anos de funcionamento. Note-se que este custo é superior em 13,50% face à situação de
existir apenas o gerador fotovoltaico e superior em 10,17% face à situação em que se adota
gerador fotovoltaico e microcogeração sem armazenamento.
104
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
Figura 4-38 Esquema do sistema final autónomo dotado com gerador PV e microcogeração
com armazenamento térmico
A análise que se segue e é efetuada considerando que o gerador PV e as baterias têm apenas
80% das suas capacidades (ou seja, considerando o funcionamento do sistema no final da sua
vida útil). As consequências desta situação foram já avaliadas na secção 4.2.2, sendo que
também aqui se fazem sentir.
A Figura 4-39 mostra o balanço anual de energia aplicável a esta situação. Esta figura permite
perceber que a produção anual do gerador PV corresponde a 9203,82 kWh e a da unidade de
microcogeração a 1653,75 kWh (lado AC), perfazendo um total de 10857,57 kWh anual. O
excesso de energia elétrica corresponde a 4725,75 kWh, a qual é integralmente dissipada nos
depósitos de água, tal como se explicou na secção 3.4.2.
105
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
As perdas totais no sistema valem 1119,46 kWh por ano, representando 10,31% do total de
energia produzida nos geradores. As perdas na bateria, no processo de carga e descarga,
representam a maioria parte das perdas totais, concretamente 56,41 %.
Na Figura 4-40 e na Figura 4-41 mostra-se evolução do SOC nos meses de dezembro e julho
ao longo dos dias. Note-se que, no mês de dezembro correm, em alguns dias, valores de SOC
máximo inferiores à unidade. O SOC mínimo ocorre neste mês, correspondendo ao valor de
24,53% como ilustra a Figura 4-40 e no Quadro 4-15.
Figura 4-40 Valor do SOC no mês dezembro (sistema com PV e microcogeração com AT)
Figura 4-41 Valor do SOC no mês de julho (sistema com PV e microcogeração com AT)
106
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
107
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
Figura 4-45 Variação da temperatura das AQS nos primeiros 3 dias do mês de julho
108
4 – Casos de estudo
__________________________________________________________________________
Os Quadro 4-18, Quadro 4-19 e Quadro 4-20 mostram as autonomias para os restantes
casos estudados;
109
4 – Casos de estudo
___________________________________________________________________________
A vida espectável das baterias ácidas utilizadas nos casos de estudo corresponde ao valor
calculado pelo modelo de previsão de longevidade, podendo ser necessário proceder a
substituições mais frequentes ao longo do período de funcionamento. Esta maior frequência
de substituição resulta da possibilidade das baterias, devido a reações químicas internas,
envelhecerem independentemente dos ciclos e das condições de carga e descarga. Este facto
não tem qualquer influência do processo de minimização (número de painéis fotovoltaicos),
influenciando somente os custos finais da solução.
110
5. Avaliação económica
Neste capítulo é realizada uma análise que permite comparar o desempenho económico dos
sistemas autónomos dimensionados no capítulo anterior. Esta comparação é feita entre estes
sistemas e entre estes e uma solução convencional baseada no seguinte:
A análise é efetuada em termos de valor atualizado líquido (VAL), o qual, para cada situação,
é calculado utilizando a expressão (5.1).
(5.1)
Onde:
- fluxo monetário líquido, considerado recebido no final dos anos (diferença entre
benefícios e custos), em €;
r – taxa de atualização considerada, em %;
k – ano;
– Investimento no início do primeiro ano, em €.
111
5 – Avaliação económica
___________________________________________________________________________
Figura 5-1 Preços relacionados com o consumo de energia elétrica (ERSE, 2011)
No que se refere a pellet utilizada nas unidades de produção de calor (caldeira convencional e
microcogeração), foram adotados os custos já referidos seção 4.4.1, ou seja 8000€ para a
caldeira convencional e 22200€ para a de microcogeração.
112
5 – Avaliação económica
__________________________________________________________________________
Os benefícios obtidos com a instalação do sistema são de duas ordens, a saber: i) custos
evitados com a aquisição de eletricidade a um comercializador, envolvendo os custos da
energia e os custos de potência contratada; ii) custos evitados devido à produção de AQS
utilizando o excesso de energia. O Quadro 5-3 mostra a análise económica completa, sendo
que se admitiram os seguintes pressupostos:
Note-se que os custos evitados devido à produção de AQS correspondem ao custo que
ocorreria para aquecer AQS em 90% dos dias do ano (nos restantes o excesso não existe ou é
inferior).
A análise do Quadro 5-3 mostra um VAL negativo que corresponde a um valor anual médio, a
valores atuais, de -831,36 €. Este valor evidencia que os custos da energia para um sistema
autónomo dotado de gerador PV se afastam significativamente dos custos que existem na
condição de ligação à rede.
Por outro lado, uma vez que a energia térmica necessária para AQS pode ser obtida através
dos excessos de energia, poderemos admitir a dispensa dos coletores solares (obrigatórios em
novos edifícios), o que se traduz em mais um benefício.
113
5 – Avaliação económica
___________________________________________________________________________
114
5 – Avaliação económica
__________________________________________________________________________
Como referido na secção 4.5, a substituição das baterias poderá ter de ser efetuada com maior
frequência que aquela ditada pelo modelo de longevidade. Admitindo que as baterias têm de
ser substituídas a cada 5 anos de utilização, o valor médio anual de sobrecusto face á ligação à
rede é de 1160,02 €.
115
5 – Avaliação económica
___________________________________________________________________________
Assim como no caso anterior os benefícios da instalação resultam de: i) custos evitados com a
aquisição de eletricidade; ii) custos evitados devido à produção de AQS utilizando o excesso
de energia. No Quadro 5-5 mostra-se a análise económica completa, sendo que se admitiram
os pressupostos apresentados na secção anterior.
Note-se que os custos evitados na produção de AQS correspondem ao custo que ocorreria
para aquecer AQS em 92% dos dias do ano (no restantes o excesso não existe ou é inferior).
A análise do Quadro 5-5 mostra um VAL negativo que corresponde a um valor anual médio, a
valores atuais, de -1290,85 €. Este valor evidencia que os custos da energia para um sistema
autónomo dotado de gerador PV mais microeólica se afastam significativamente dos custos
que existem na condição de ligação à rede.
Por outro lado, uma vez que a energia térmica necessária para AQS pode ser obtida através
dos excessos de energia, poderemos admitir a dispensa dos coletores solares (obrigatórios em
novos edifícios), o que se traduz em mais um benefício.
O Quadro 5-6 mostra a análise económica para a situação em que se admite um benefício de
1000 € relativos à não aquisição de coletores solares e uma redução de 20% nos custos do
inversor, baterias e controladores MPPT. Neste caso, o valor médio anual de sobrecusto face á
ligação à rede é de 976,55€.
116
5 – Avaliação económica
__________________________________________________________________________
117
5 – Avaliação económica
___________________________________________________________________________
Como referido na secção 4.5 e como já contabilizado no caso anterior, a substituição das
baterias poderá ter de ser efetuada com maior frequência que aquela ditada pelo modelo de
longevidade. Admitindo que as baterias têm de ser substituídas a cada 5 anos de utilização, o
valor médio anual de sobrecusto face á ligação à rede é de 1625,35 €.
118
5 – Avaliação económica
__________________________________________________________________________
Quadro 5-8 Custos dos equipamentos e exploração (sistema dotado PV mais microcogeração)
Armazenamento
Custo baterias 8.469,12 €
Custo O&M Baterias 42,35 €
Gerador PV
Custo Painéis PV equipamentos ligação 6.720,00 €
Custo controlador MPPT 2.880,00 €
Custo O&M PV 33,60 €
Inversor
Custo Inversor 4.360,36 €
Microcogeração
Diferença custo da microcogeração face caldeira convencional 14.200,00 €
Diferença custo M microcogeração face a caldeira convencional 40,00 €
Os benefícios, uma vez mais, resultam de: i) custos evitados com a aquisição de eletricidade
ao comercializador; ii) custos evitados devido à produção de AQS no período sem
aquecimento habitacional. No Quadro 5-9 mostra-se a análise económica completa, sendo que
se admitiram os pressupostos apresentados na secção 5.1 e ainda seguinte pressuposto:
Note-se que o custo evitado na produção de AQS no período sem aquecimento habitacional
correspondem ao custo que ocorreria para aquecer AQS em 50% dos dias do ano.
A análise do Quadro 5-9 mostra um VAL negativo que corresponde a um valor anual médio, a
valores atuais, de -920,07 €. Este valor evidencia que os custos da energia para um sistema
autónomo dotado de gerador PV mais unidade de microcogeração se afastam um pouco dos
custos que existem na condição de ligação à rede.
Uma vez que a energia térmica necessária para AQS pode ser obtida através dos excessos de
energia no período de verão e pela microcogeração no restante, poderemos admitir a dispensa
dos coletores solares (obrigatórios em novos edifícios), o que se traduz em mais um benefício.
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5 – Avaliação económica
___________________________________________________________________________
O Quadro 5-10 mostra a análise económica para a situação em que se admite um benefício de
1000 € relativos à não aquisição de coletores solares e uma redução de 20% nos custos do
inversor, baterias, unidade microcogeração, caldeira convencional e controladores MPPT.
Neste caso, o valor médio anual de sobrecusto face á ligação à rede é de 562,88 €.
120
5 – Avaliação económica
__________________________________________________________________________
Como referido na secção 4.5 e já contabilizado nos casos anteriores, a substituição das
baterias poderá ter de ser efetuada com maior frequência que aquela ditada pelo modelo de
longevidade. Admitindo que as baterias têm de ser substituídas a cada 5 anos de utilização, o
valor médio anual de sobrecusto face á ligação à rede é de 1531,32 €.
Os cenários acima apresentados serão mais desfavoráveis se for considera uma tarifa
bi-horária ou tri-horária para aquisição de eletricidade bem como se for considerado um
seguro para todo o sistema. Por outro lado, tenderão a melhorar se for previsível um aumento
mais acentuado dos custos da eletricidade. A Figura 5-4 seguinte mostra a evolução do VAL
em função da taxa considerada para o aumento da energia elétrica.
121
5 – Avaliação económica
___________________________________________________________________________
Quadro 5-11 Custos dos equipamentos e exploração (sistema PV mais microcogeração com
armazenamento térmico)
Armazenamento
Custo baterias 8.469,12 €
Custo O&M Baterias 42,35 €
Gerador PV
Custo Painéis PV equipamentos ligação 6.720,00 €
Custo controlador MPPT 2.880,00 €
Custo O&M PV 33,60 €
Inversor
Custo Inversor 4.360,36 €
Microcogeração
Diferença custo da microcogeração face caldeira convencional 14.200,00 €
Custo armazenamentos térmicos 4.095,00 €
Diferença custo M microcogeração face a caldeira convencional 40,00 €
Os benefícios, uma vez mais, resultam de: i) custos evitados com a aquisição de eletricidade
ao comercializador; ii) custos evitados devido à produção de AQS no período sem
aquecimento habitacional. No Quadro 5-9 mostra-se a análise económica completa, sendo que
se admitiram os pressupostos apresentados na secção 5.3.
Note-se que os custos evitados na produção de AQS no período sem aquecimento habitacional
correspondem ao custo que ocorreria para aquecer AQS em 50% dos dias do ano.
A análise do Quadro 5-12 mostra um VAL negativo que corresponde a um valor anual médio,
a valores atuais, de -1124,82 €. Este valor evidencia que os custos da energia para um sistema
autónomo dotado de gerador PV mais unidade de microcogeração com armazenamento
térmico se afastam significativamente dos custos que existem na condição de ligação à rede.
Uma vez que a energia térmica necessária para AQS pode ser obtida através dos excessos de
energia no período de verão e pela microcogeração no restante, poderemos admitir a dispensa
dos coletores solares (obrigatórios em novos edifícios), o que se traduz em mais um benefício.
O Quadro 5-13 mostra a análise económica para a situação em que se admite um benefício de
1000 € relativos à não aquisição de coletores solares e uma redução de 20% nos custos do
inversor, baterias, unidade microcogeração, caldeira convencional, sistema armazenamento
122
5 – Avaliação económica
__________________________________________________________________________
térmico e controladores MPPT. Neste caso, o valor médio anual de sobrecusto face á ligação à
rede é de 726,68 €.
123
5 – Avaliação económica
___________________________________________________________________________
Os cenários acima apresentados serão os mais desfavoráveis se for considerada uma tarifa
bi-horária ou tri-horária para aquisição de eletricidade bem como se for considerado um
seguro para todo o sistema. Por outro lado, tenderão a melhorar se for previsível um aumento
mais acentuado dos custos da eletricidade. A Figura 5-5 mostra a evolução do VAL em
função da taxa considerada para o aumento da energia elétrica.
124
6. Conclusão
O consumo de energia em edifícios representa uma parte significativa da energia consumida
nos países desenvolvidos, sendo que no caso da União Europeia (UE) representa já 40% do
total da energia consumida. Com vista a diminuir este valor, a UE tem vindo a desenvolver
esforços no sentido de, por um lado, incentivar a eficiência energética e, por outro, a integrar
nos edifícios produção localizada e renovável de energia.
125
6 – Conclusão
___________________________________________________________________________
126
6 – Conclusão
___________________________________________________________________________
127
REFERÊNCIAS
A. Hadj Araba, B. Ait Driss, R. Amimeur , E. Lorenzo. 1995. Photovoltaic systems sizing
for Algeria. s.l. : Elsevier, 1995. pp. 99–104. Issue 2.
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135
ANEXO 1
ANEXO 1
139
Figura 6-4 Perfil térmico típico para temperatura média 6°C
140
ANEXO 1
141
Figura 6-9 Perfil térmico típico para temperatura média 11°C
142
ANEXO 1
143