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O texto narra uma conversa entre dois personagens sobre questões cotidianas e problemas de manutenção em um prédio, incluindo uma discussão sobre a instalação de um porteiro eletrônico e a condição do piso. A interação revela detalhes sobre a vida da mulher do apartamento 502, Marlene, e suas atividades de costura. A conversa se desvia para a discussão sobre a calçada e a qualidade dos materiais utilizados, refletindo sobre a importância da manutenção e estética urbana.

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O texto narra uma conversa entre dois personagens sobre questões cotidianas e problemas de manutenção em um prédio, incluindo uma discussão sobre a instalação de um porteiro eletrônico e a condição do piso. A interação revela detalhes sobre a vida da mulher do apartamento 502, Marlene, e suas atividades de costura. A conversa se desvia para a discussão sobre a calçada e a qualidade dos materiais utilizados, refletindo sobre a importância da manutenção e estética urbana.

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Dez e vinte.

Item dois fechou no tempo exato da lista, e uma lista que fecha no tempo exato às dez e vinte de um
sábado de agosto é um problema de produção. Eu emendei o item três antes da hora. — A do 502 desceu na quarta. —
A que arrasta a cadeira. — Marlene. Ele olhou para a frente, para a farmácia. — Marlene — ele repetiu. Sete anos e
meio naquele prédio e eu soube o nome da mulher do 502 na quarta-feira, à noite, na porta, porque ela desceu com um
abaixo-assinado e uma prancheta. O assunto é o porteiro eletrônico, que zumbe desde março, e a proposta dela é
gastar o fundo de reserva no porteiro em vez de gastar na pintura do hall, e ela tem uma opinião formada e articulada
sobre a pintura do hall, e eu escutei essa opinião em pé, com a porta encostada no meu pé, por dezoito minutos. — E
você assinou? — Assinei. — No porteiro ou na pintura? — No porteiro. Elias, a mulher tem setenta e um anos e traz a
prancheta com caneta amarrada com barbante. Você assina. Contei o resto: que a cadeira não é cadeira, é o banquinho
da máquina de costura; que ela costura desde os dezessete e continua costurando por encomenda; que ela arrasta às
sete porque é a hora em que o sol entra na sala dela pela quina do prédio da frente, e que ela puxa a mesa da máquina
para dentro daquele pedaço de luz e costura até umas nove, quando o sol sai. Que faz isso desde dois mil e dezesseis,
quer dizer, dois anos antes de eu chegar. — O piso é o quê? — Taco. H E L E N A V A L E N Ç A 258 — Taco vitrificado ou
cru? — Vitrificado. — Então é fácil — ele disse. — Feltro de dez, colado com cola de contato nos quatro pés, não
pregado e não com fita. Fita não passa de três semanas com peso em cima. Vinte minutos de serviço e a mulher costura
às cinco da manhã se ela quiser. — Vou falar para ela. — Fala. — Você tem feltro? — Tenho. Dez e trinta e um. A
prefeitura pregou uma placa no canteiro na semana passada, num pé de ferro galvanizado, anunciando requalificação
de passeio. Eu li a placa às nove e trinta e sete, com a pasta em pé no banco atrás de mim, e ela entrou na conversa às
dez e trinta e um porque estava escrita na lista, e a gente brigou por causa dela. Foi uma boa briga. Foi a melhor coisa
daquela hora, e eu falo isso com todo o conhecimento de causa que eu tenho hoje. — Vão tirar o petit-pavé — eu disse.
— Vão trocar por quê? — Concreto moldado. Está na placa. — Não deviam. — Elias, aquilo afunda. Olha o pé do
terceiro ligustro. A raiz levantou a pedra e a junta abriu, e uma senhora vai enfiar o pé ali e quebrar o fêmur, e o fêmur
de uma senhora de setenta anos é um evento com data de morte marcada. — Levanta e recoloca. — Ninguém recoloca.
— Recoloca sim. É pedra solta assentada em areia. Você tira a pedra que subiu, corta a raiz, refaz o berço de areia e
devolve a mesma D O Z E S E M A N A S DE S I L Ê N C I O 259 pedra no mesmo desenho. Um homem faz três metros
quadrados por dia. — E onde está esse homem? — Existe. — Existe e não vem — eu disse. — Olha o remendo no meio
da praça. O remendo é a resposta. Alguém teve exatamente esse problema aí em algum ano, e a solução foi jogar uma
tampa de cimento liso por cima de quatro metros quadrados e ir embora. — O remendo não afundou. — O remendo é
feio. — É feio e está inteiro há trinta anos — ele disse. — O bonito é o que abriu. — Isso não é argumento, é
conformação. — Concreto moldado você não conserta. Rachou um metro, você quebra tudo e joga fora, porque não dá
para trocar um pedaço de uma coisa que foi feita numa peça só. Petit-pavé é ruim de manter e possível de manter. É
essa a diferença e é a única que interessa. — Interessa para quem mantém. — É — ele disse. — Interessa para quem
mantém. A gente discutiu calçada por oito minutos e vinte segundos. Eu tinha orçado oito. E aí a lista acabou. Dez e
quarenta e um da manhã de nove de agosto de dois mil e vinte e cinco, num sábado sem vento, com dezesseis minutos
pela frente antes de ele levantar e dezenove antes do ônibus, e eu com quatro assuntos gastos e nada escrito depois do
petit-pavé. Ele carregou os primeiros. Contou que o Otávio comprou uma máquina de fazer massa, italiana, de
manivela, que veio com três discos, e que a primeira coisa que o Otávio fez foi lavar a máquina inteira com detergente e
água quente, o que segundo a instrução em quatro idiomas é a única coisa que não se pode fazer com aquela

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