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Resumo Ginecologia Completo 260618 170857

O documento aborda a importância do exame ginecológico para a detecção precoce de doenças graves, como câncer de mama e colo do útero, e detalha a anamnese ginecológica completa, enfatizando a relevância de uma abordagem empática e ética na consulta. Além disso, descreve os princípios da consulta ginecológica, aspectos éticos e legais, e fornece um guia passo a passo para o exame físico ginecológico, incluindo a avaliação das mamas e do abdome. O conteúdo é voltado para a formação de profissionais de saúde na área de ginecologia e obstetrícia.

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Evillyn Castro
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Resumo Ginecologia Completo 260618 170857

O documento aborda a importância do exame ginecológico para a detecção precoce de doenças graves, como câncer de mama e colo do útero, e detalha a anamnese ginecológica completa, enfatizando a relevância de uma abordagem empática e ética na consulta. Além disso, descreve os princípios da consulta ginecológica, aspectos éticos e legais, e fornece um guia passo a passo para o exame físico ginecológico, incluindo a avaliação das mamas e do abdome. O conteúdo é voltado para a formação de profissionais de saúde na área de ginecologia e obstetrícia.

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RESUMO COMPLETO

Ginecologia & Obstetrícia


Habilidades Médicas IV e VII
Prof. Mariana Rocha Francisco

SUMÁRIO
1. Por que o Exame Ginecológico é Importante? p. 1

2. Anamnese Ginecológica Completa p. 1

3. Princípios da Consulta Ginecológica p. 3

4. Aspectos Éticos e Legais p. 4

5. Exame Físico Ginecológico – Passo a Passo p. 6

6. Exame Físico das Mamas p. 7

7. Exame do Abdome p. 8

8. Rastreamento em Ginecologia p. 9

9. Citologia Oncótica (Papanicolaou) p. 10

10. HPV e Lesões Cervicais p. 12

11. Coleta do Material Preventivo p. 13

12. Toque Bimanual p. 14


1. POR QUE O EXAME GINECOLÓGICO É IMPORTANTE?

A consulta ginecológica é fundamental para a detecção precoce de doenças graves e para a promoção da
saúde da mulher. Os principais motivos de atenção são:

Câncer de Mama:
• Taxa de mortalidade em curva ascendente no Brasil.
• Primeira causa de morte por câncer na população feminina brasileira.
• INCA 2025: 17.000 novos casos por ano (15 a cada 100 mil mulheres).

Câncer de Colo do Útero:


• Aparecimento cada vez mais precoce — terceiro em incidência entre os cânceres femininos (mama →
cólon → colo → pulmão).
• Principal fator de risco: infecção persistente pelo HPV (99,7% dos casos).
• Baixa adesão à vacinação contra HPV entre adolescentes (9–14 anos, meninos e meninas). Em 2024,
passou a ser dose única (+ resgate + grupos prioritários).

FREQUÊNCIA DOS EXAMES (Ministério da Saúde): Mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram vida
sexual. Realizar anualmente; após 2 exames normais consecutivos, o intervalo passa para 3 anos. Se o
Exame Molecular de HPV for negativo, o intervalo pode ser ampliado para 5 anos. Utilizar o bom senso
para cada paciente individualmente.

2. ANAMNESE GINECOLÓGICA COMPLETA

A anamnese bem conduzida é responsável por 85% do diagnóstico (10% exame físico + 5% exames
complementares). Durante a consulta ginecológica, deve-se ampliar a investigação para além da queixa
ginecológica.

2.1 IDENTIFICAÇÃO
Cada dado da identificação tem relevância clínica:

Campo Relevância Clínica

Nome Evitar confusões entre pacientes

Idade Situar nas diferentes fases da vida (adolescência, menacme, climatério)

Cor / Raça Padrão racial influencia risco de algumas doenças

Estado civil Avaliação de risco sexual, possibilidade de violência doméstica

Grau de instrução Adequar linguagem e garantir entendimento das orientações

Naturalidade/Procedência Frequência de doenças endêmicas regionais

Profissão Patologias relacionadas a determinadas atividades laborais

2.2 QUEIXA PRINCIPAL


Sintoma ou sinal que levou a paciente a buscar atendimento. Deve ser registrado usando os termos coloquiais
da paciente (ex.: 'escorrimento', 'friagem nas partes', 'bexiga caída', 'dor nas ancas'). As principais queixas
ginecológicas e suas características:
QUEIXA CARACTERÍSTICAS A INVESTIGAR

Corrimento fisiológico Branco/amarelo claro, fluido. Volume variável conforme ciclo e individuo

Sangramento anormal Avaliar todo o trato genital, excluir gravidez, identificar padrão menstrual pessoal

Dor pélvica Início, duração, localização, qualidade, intensidade e irradiação

Queixas urinárias/prolapso Sintomas do trato urinário inferior; sensação de 'bola na vagina'

Disfunção sexual Pouco relatada, porém frequente – perguntar ativamente

Infertilidade Tempo tentando, frequência das relações, uso prévio de contracepção, antecedentes

2.3 ANTECEDENTES FAMILIARES


Doenças cardiovasculares • Diabetes e Hipertensão • Malformações congênitas • Doenças infectocontagiosas •
Câncer hereditário (mama, cólon, endométrio, ovário) • Tromboembolismo (cautela na prescrição de
hormônios) • Osteoporose (iniciar reposição precocemente) • Idade da menarca e menopausa nas mulheres da
família.

2.4 ANTECEDENTES PESSOAIS


• Doenças prévias: hipertensão, diabetes, tromboembolismo, doenças infecciosas.
• Cirurgias prévias: histerectomia, ligadura de trompas, ooforectomia.
• Hábitos sociais: tabagismo (fator de risco para CA colo), etilismo, uso de drogas.
• Medicações de uso contínuo e alergias.

2.5 ANTECEDENTES GINECOLÓGICOS E OBSTÉTRICOS

Puberdade:
• Início: 8–9 anos | Menarca: 10–13 anos (geralmente 2 anos após broto mamário).
• Telarca (broto mamário): 10–11 anos | Pubarca (pelos pubianos): 6 meses a 1 ano após a telarca.
• Estadiamento de Tanner (Mamas M1–M5 / Pelos P1–P5) — fundamental na avaliação do desenvolvimento
puberal.

Ciclo Menstrual:
• DUM (data da última menstruação) — sempre perguntar.
• Intervalo normal: 21–35 dias | Duração: 2–7 dias | Fluxo: parâmetro pessoal.
• Investigar: regularidade, intensidade, coágulos, dismenorreia.

Contracepção: Método atual, orientação fornecida, tempo de uso.

Climatério/Menopausa: Natural ou por causas externas (cirurgia, quimioterapia).


Investigar sintomas vasomotores, atrofia, alterações de humor, osteoporose.

2.6 ANTECEDENTES SEXUAIS


• Coitarca (1ª relação sexual) — com muito cuidado e respeito ao perguntar.
• Número de parceiros — abordagem extremamente delicada e sem julgamento.
• Libido, orgasmo, dispareunia (superficial = entrada vaginal; profunda = fundo de saco).

2.7 ABORDAGEM POR FAIXA ETÁRIA


Faixa Etária Principais Temas a Abordar
10 – 18 anos Higiene íntima, maus-tratos, negligência, início da vida sexual, violência sexual

19 – 39 anos Maus-tratos/violência doméstica, incontinência urinária e fecal (pós-parto), práticas sexuais, tumores (mama, co

40 – 64 anos Práticas sexuais, sintomas do climatério, incontinência, tumores, ISTs

≥ 65 anos Práticas sexuais (ativas!), incontinências, tumores, capacidade cognitiva e autocuidado


3. PRINCÍPIOS DA CONSULTA GINECOLÓGICA

A paciente ginecológica venceu uma barreira muito grande ao buscar atendimento — ela está compartilhando
sua intimidade com o profissional. Por isso, a forma de recebê-la é extremamente importante.

3.1 ABORDAGEM INICIAL


• Ser empático — colocar-se no lugar da paciente.
• Evitar brincadeiras de duplo sentido ou comentários inadequados.
• Não usar o celular durante a consulta (nem médico, nem paciente).
• Em consultas de casais: definir claramente a participação do parceiro(a).

3.2 PRINCÍPIO DO RECONHECIMENTO DA DIVERSIDADE CULTURAL


Respeitar práticas culturais diversas, sem julgamento:
• Uso de banhos para higiene íntima (folhas de algodão, barbatimão, vinagre alimentício).
• Não execução de atividades laborativas durante a menstruação (ex.: indígenas).
• Não utilização de absorventes — uso de 'paninhos', copos menstruais.
• Preferências de roupas íntimas, depilação, higiene diária.

3.3 PRINCÍPIO DA PARTICULARIDADE DA PACIENTE


• Histórias sexuais anteriores (estupro, relações abusivas, primeira consulta).
• Idade da paciente (cuidados específicos com idosas e adolescentes).
• Ansiedade pelo profissional (ex.: preferência por não ser atendida por profissional do sexo masculino).
• Dificuldade de lidar com o próprio corpo (obesidade, odores, conformidade vulvar).

3.4 RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE E MÉDICO-CASAL-FAMÍLIA


• Prestar atendimento humanizado, com tempo e atenção necessários.
• Ouvir a mulher e sua família; registrar todas as informações no prontuário.
• Explicar diagnóstico e tratamento de forma simples e objetiva.
• Após esclarecimento, deixar a mulher escolher o tratamento.
• Oferecer medicamento genérico sempre que possível.
• Reconhecer os limites da medicina e falar a verdade.
• Estar disponível nas urgências.

3.5 DIREITOS DA PACIENTE GINECO-OBSTÉTRICA

• Segunda opinião • Sigilo • Acesso ao prontuário

• Informação clara • Autonomia • Atendimento digno

• Ter acompanhante
4. ASPECTOS ÉTICOS E LEGAIS

4.1 CONSULTA DE ADOLESCENTE

REGRA FUNDAMENTAL: Toda relação sexual com pessoa menor de 14 anos é legalmente estupro,
mesmo que recíproca. A adolescente tem direito à privacidade e confidencialidade da consulta a partir dos
12 anos (conforme ECA), desde que tenha discernimento.

Menores de 14 anos:
O médico tem obrigação ética de acolher e orientar. Pode prescrever anticoncepcional, mas deve
obrigatoriamente comunicar o fato aos pais ou responsáveis legais (Parecer CFM 55/2015). Se a paciente
vier sozinha, deve-se documentar tudo no prontuário.

Entre 14 e 18 anos incompletos:


Prescrição contraceptiva é medida importante de saúde pública. Respeitar a autonomia da paciente na escolha
do método.

Quando quebrar o sigilo com adolescentes?


• Percepção de ideação suicida ou homicida
• Déficit intelectual relevante da adolescente
• Recusa a tratamento para doença de risco à saúde
• Vítima de abuso, violência ou maus-tratos
• Gravidez (com ou sem intenção de interrupção)
• Diagnóstico de doenças graves
• Risco de vida ou à saúde de terceiros
• Sinais de dependência a drogas
• Autoagressão
• Relação sexual com menor de 14 anos, independente da idade do parceiro

4.2 SIGILO MÉDICO


O segredo médico pertence ao paciente. O médico é seu depositário e guardador, podendo revelá-lo apenas
em situações especiais:
• Dever legal: obrigações derivadas da condição profissional (ex.: notificação de doenças de notificação
compulsória, vítima de agressão por arma).
• Justa causa: revelação é o único meio de impedir perigo atual ou iminente e injusto para si ou para outro.
• Autorização expressa do paciente.

ATENÇÃO: Revelar o segredo sem justa causa ou dever legal, causando dano ao paciente, é crime
previsto no Artigo 154 do Código Penal Brasileiro, além de antiético.

Situações de Notificação Obrigatória / Dever Legal:


• Doenças infectocontagiosas de notificação compulsória.
• Crimes de ação pública que não exponham o paciente como réu (ex.: paciente vítima de baleamento —
deve comunicar porque é vítima).
• Violência doméstica ou sexual (Lei nº 13.931/2019) — notificação obrigatória, não configura quebra ilegal.
• Maus-tratos contra crianças ou idosos.
• Quando manter o sigilo: se o paciente é o AUTOR do crime (ex.: confessa homicídio durante consulta) —
revelar seria crime de violação de segredo profissional.

4.3 CONSENTIMENTO INFORMADO


O Código de Ética Médica (art. 46) veda efetuar qualquer procedimento sem esclarecimento e consentimento
prévio do paciente ou responsável legal, salvo em iminente perigo de vida. O Termo de Consentimento
Informado não isenta o médico de responsabilidade por erro — é uma peça de defesa, não um salvo-conduto.
5. EXAME FÍSICO GINECOLÓGICO – PASSO A PASSO

5.1 PREPARAÇÃO DO AMBIENTE E DO EXAMINADOR

SEMPRE: Verificar organização da sala e disponibilidade de todos os materiais. Garantir existência de


banheiro. Minimizar exposição da paciente. SEMPRE perguntar se a paciente permite o exame antes de
iniciá-lo.

• Higienizar as mãos (antes e após o exame).


• Usar luvas.
• Aquecer as mãos antes de tocá-la.
• Sempre explicar o que será feito antes de realizar.

5.2 SEQUÊNCIA DO EXAME

ETAPA POSIÇÃO O QUE AVALIAR

1ª – Mamas Sentada Inspeção estática e dinâmica + palpação

2ª – Abdome Deitada Inspeção, palpação superficial e profunda, região supra-púbica

3ª – Genitália externa Litotomia dorsal Grandes lábios, clitóris, óstio uretral, hímen, introito, ânus

4ª – Exame especular Litotomia dorsal Vagina, colo uterino, coleta do Papanicolaou

5ª – Toque bimanual Litotomia dorsal Colo, útero e anexos

5.3 GENITÁLIA EXTERNA – O QUE AVALIAR


• Grandes lábios: pelos, coloração, lesões acrômicas, massas.
• Glândulas de Skene e Bartholin: avaliar presença de secreção, abaulamentos ou dor.
• Secreções: cor, consistência, odor, quantidade.
• Clitóris: tamanho, lesões.
• Óstio uretral: aspecto, secreção.
• Hímen: tipo (imperfurado, anular, septado, cribriforme, rompido).
• Carúnculas himeneais e introito vaginal.
• Ânus: fissuras, hemorroidas, plicomas, lesões.

5.4 EXAME ESPECULAR (2º TEMPO)


Preparo da mesa: abrir espéculo, montar pinça, abrir frasco de fixador. Posicionar o examinador entre as
pernas. Ligar a luz. Introduzir o espéculo com a lâmina na posição oblíqua e depois abrir. Avaliar:
• Paredes vaginais: coloração, rugosidades, lesões, secreções.
• Colo uterino: forma do orifício (nulípara = puntiforme; multípara = fenda transversal), coloração, ectopias,
cistos de Naboth, presença do fio do DIU, lesões suspeitas.
6. EXAME FÍSICO DAS MAMAS

6.1 INSPEÇÃO ESTÁTICA (paciente sentada, frente ao examinador)


Tórax desnudo com avental disponível para privacidade. Avaliar (check-list):
Tamanho • Bilateralidade • Formato • Textura da pele • Retrações • Abaulamentos • Aspecto da aréola e
mamilo • Região axilar (nódulos, abaulamentos, dor).

6.2 INSPEÇÃO DINÂMICA (paciente sentada)


Realizar manobras para realçar alterações ocultas:
• Braços elevados acima da cabeça — compromete planos musculares.
• Mãos nos quadris com contração do peitoral — compromete planos cutâneos.
• Inclinação anterior do tronco — compromete gradil costal.
• Palpação axilar (sentada, braço apoiado no ombro do examinador).
Alterações típicas a reconhecer: abaulamento, retração de mamilo, 'pele em casca de laranja' (edema
linfático), eritema, ulceração.

6.3 PALPAÇÃO (paciente deitada)


• Palpação bimanual sistemática de toda a mama.
• Sistemas de localização: quadrantes (QSE, QSI, QIE, QII + região central) ou relógio (1h às 12h).
• Verificação de descarga papilar: pressão suave do mamilo — observar cor, uni ou bilateral, uni ou
multiductal.
• Se nódulo palpado: descrever localização, tamanho, consistência, mobilidade, limites, sensibilidade.

RASTREAMENTO DE CÂNCER DE MAMA: Mamografia indicada para rastreamento. INCA recomenda a


partir dos 50 anos (bianual). Casos de alto risco (história familiar, BRCA) podem iniciar antes.

7. EXAME FÍSICO DO ABDOME

Posição: paciente deitada, membros superiores ao lado do corpo, cabeça em travesseiro fino para
relaxamento da parede abdominal. Mãos aquecidas.

7.1 INSPEÇÃO DO ABDOME


Avaliar todos os quadrantes. Classificação do abdome quanto ao formato:

Plano Globoso Protuberante Escavado Outros (cicatrizes, estrias, etc.)

7.2 PALPAÇÃO
• Distensões: verificar hérnias, visceromegalias, cicatrizes.
• Massas palpáveis: mobilidade, tamanho, proximidade com outros órgãos, características.
• Região supra-púbica: temperatura, dolorimento, massas, distensões localizadas.

Cicatrizes com relevância clínica:


• Pfannenstiel (transversa supra-púbica) = cesariana | Linha média hipogástrica = histerectomia | McBurney =
apendicectomia | Kocher = colecistectomia
8. RASTREAMENTO EM GINECOLOGIA

EXAME INDICAÇÃO PERIODICIDADE

Papanicolaou (citologia) Mulheres 25–64 anos com vida sexual ativa Anual; a cada 3 anos após 2 normais

DNA-HPV (molecular) Preferencial a partir de 25–30 anos (novo protocolo) A cada 5 anos se negativo

Mamografia Rastreamento de CA de mama A partir dos 50 anos (bianual); risco alto: individualizar

Colonoscopia Rastreamento de CA colorretal A partir dos 45–50 anos; antes se risco familiar
9. CITOLOGIA ONCÓTICA (PAPANICOLAOU)

9.1 ANATOMIA CERVICAL – REVISÃO FUNDAMENTAL


O colo uterino possui duas regiões distintas:
• Ectocérvice: revestida por epitélio escamoso estratificado (visível ao espéculo).
• Endocérvice: revestida por epitélio colunar simples (canal cervical).
• JEC (Junção Escamo-Colunar): interface entre os dois epitélios — localização variável conforme idade e
influência hormonal.
• Zona de Transformação (ZT): área entre a JEC original e a JEC ativa, onde ocorre a metaplasia
escamosa. É o LOCAL DE MAIOR RISCO para o desenvolvimento de lesões neoplásicas.
• Ectopia cervical: presença do epitélio colunar além do orifício externo — fisiológica, mais comum em
jovens e durante gravidez.
• Cistos de Naboth: glândulas cervicais obstruídas pela metaplasia, formando cistos mucosos — achado
benigno e comum.

Metaplasia Escamosa:
Processo adaptativo fisiológico na ZT: o epitélio colunar é substituído gradualmente por epitélio escamoso
metaplásico. Este processo, quando sob ação oncogênica do HPV, pode originar lesões intraepiteliais.

9.2 VARIAÇÃO DA JEC COM A IDADE

Fase Localização da JEC / Características

Infância e pós-menopausa JEC dentro do canal (não visível ao espéculo)

Menarca / Puberdade JEC migra para fora — ectopia visível (aspecto avermelhado)

Adulta / 30 anos JEC ativa na ectocérvice, zona de transformação formada

Climatério / Menopausa JEC retorna ao canal cervical

9.3 ADEQUABILIDADE DA AMOSTRA


Amostra satisfatória: permite interpretação diagnóstica. Deve conter células escamosas (ectocérvice) +
células endocervicais/metaplásicas (ZT). A representatividade da ZT deve ser informada (sim/não).
Amostra insatisfatória: material hipocelular (<10% de células epiteliais) ou leitura prejudicada por sangue,
pus, dessecamento, contaminantes ou esfregaço espesso.

9.4 INTERPRETAÇÃO DO RESULTADO


O laudo inclui:
• Representatividade da ZT (sim/não)
• Alterações celulares benignas reativas ou reparativas: inflamação, atrofia, metaplasia, atipias
reparativas
• Microbiologia: Candida sp, Trichomonas vaginalis, Gardnerella vaginalis/Mobiluncus sp, actinomicetos,
vírus do herpes

Conclusão / Diagnóstico:
RESULTADO SIGNIFICADO CONDUTA
Negativo para malignidade Sem lesão celular epitelial Rastreio de rotina

ASC-US Atipias leves, possivelmente ≥30 anos: repetir em 6m


(Células escamosas atípicas de não neoplásicas 25-29 anos: repetir em 12m
significado indeterminado) Se persistir: colposcopia

LSIL Corresponde a CIN1 ≥30 anos: repetir em 6m


(Lesão Intraepitelial de Baixo Grau) (HPV / displasia leve) 25-29 anos: repetir em 12m
Se persistir: colposcopia

ASC-H / HSIL Corresponde a CIN2/CIN3 Colposcopia IMEDIATA


(Alto Grau) (displasia moderada/grave) independente da idade

AGC Alteração em células Colposcopia + escovado


(Células glandulares atípicas) glandulares — risco de endocervical ± avaliação
adenocarcinoma endometrial

Conduta pós-colposcopia/histopatologia:
• NIC 1: acompanhamento com citologia e colposcopia (maioria regride espontaneamente).
• NIC 2/3: Exérese da Zona de Transformação (EZT/CAF) ou conização.
• Mulheres até 24 anos: conduta mais conservadora, pois a maioria das lesões regride.

NOVIDADE 2024/2025: As diretrizes brasileiras incorporam o teste de DNA-HPV como rastreio primário
em substituição gradual ao Papanicolaou. Resultado negativo permite intervalo de 5 anos entre coletas.
10. HPV E LESÕES CERVICAIS

10.1 EPIDEMIOLOGIA DO HPV


• Principal fator de risco para CA de colo uterino: presente em 99,7% dos casos.
• Transmissão predominantemente sexual (contato pele a pele / mucosa).
• Cerca de 80% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o HPV ao longo da vida.
• Apenas 10% desenvolverão infecção persistente — fator essencial para progressão.

10.2 CLASSIFICAÇÃO DOS TIPOS VIRAIS

RISCO TIPOS PRINCIPAIS MANIFESTAÇÃO

Baixo risco (não oncogênicos) 6 e 11 Condilomas acuminados (verrugas genitais)

Alto risco (oncogênicos) 16 e 18 (principais) Lesões intraepiteliais (CIN)


31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 66, 67, CA
68 de colo uterino e outros

Fatores de risco para infecção persistente e progressão: tabagismo, imunossupressão (HIV+), ISTs
associadas, múltiplos parceiros.

Apresentação clínica:
• Clínica: condilomas acuminados (verrugas) — HPV 6 e 11.
• Subclínica: lesões intraepiteliais (CIN) — detectadas pela citologia ou colposcopia.
• Métodos moleculares: DNA-HPV (Captura Híbrida ou PCR).

10.3 PROGRESSÃO DA LESÃO CERVICAL


A sequência de eventos é: Tecido saudável → Infecção por HPV → CIN 1 (baixo grau / LSIL) → CIN 2 (alto
grau) → CIN 3 (alto grau / HSIL) → Carcinoma invasor.
A progressão de CIN 1 a carcinoma leva em média 10–15 anos — janela de oportunidade para detecção e
tratamento.

10.4 MÉTODOS DE DETECÇÃO DO HPV


Captura Híbrida: detecta grupos de HPV de baixo e alto risco. Não identifica o tipo viral específico. Eficaz, mas
limitado para decisões clínicas detalhadas.
PCR (Reação em Cadeia da Polimerase): identifica o tipo viral exato. Maior precisão e sensibilidade. Decisivo
para planejar tratamento e acompanhar pacientes infectadas.

10.5 VACINAÇÃO CONTRA HPV


• Faixa etária do PNI: 9 a 14 anos (meninos e meninas).
• 2024: passou a ser dose única no Calendário Nacional. Grupos prioritários e resgate também
contemplados.
• Indicada também para imunossuprimidos (até 45 anos, 3 doses) e vítimas de violência sexual.
11. COLETA DO MATERIAL PREVENTIVO

11.1 MATERIAIS NECESSÁRIOS


Espéculo (tamanho adequado) • Espátula de Ayre (coleta ectocervical) • Escova endocervical (escovinha) •
Lâmina de vidro identificada • Fixador (álcool 95% ou spray) • Pinça para fixar lâmina.

11.2 TÉCNICA DE COLETA DO PAPANICOLAOU CONVENCIONAL

Passo 1 – Coleta ectocervical (espátula de Ayre):


Encaixar a ponta da espátula no orifício externo do colo. Realizar movimento rotacional de 360° com pressão
firme sobre toda a ectocérvice. Estender o material no 1/3 anterior/médio da lâmina (em um único sentido).

Passo 2 – Coleta endocervical (escovinha):


Introduzir as cerdas mais longas no canal cervical. Girar 360° (ou 90° a 180° conforme o protocolo). Estender o
material ROLANDO a escovinha no 1/3 restante da lâmina. Fixar IMEDIATAMENTE após a coleta. Não
sobrepor o material das duas coletas para não destruir as células.

Passo 3 – Fixação:
Fixar a lâmina imediatamente após a confecção do esfregaço (antes de secar). Usar spray fixador ou imersão
em álcool 95%.

11.3 COLETA PARA DNA-HPV (Método molecular)


• Posicionar a escova com as cerdas longas no canal cervical.
• Girar conforme orientação da escova utilizada.
• Destacar a ponta da escova e depositar dentro do frasco com meio líquido.
• Fechar adequadamente o frasco identificado.
• Enviar ao laboratório com a requisição.

IMPORTANTE para a coleta: Não realizar o exame durante a menstruação. Orientar a paciente a não
fazer duchas vaginais, não usar cremes ou medicamentos intravaginais 48h antes. Não ter relações
sexuais nas 24–48h anteriores. O exame pode ser feito durante a gravidez.

12. TOQUE BIMANUAL

Realizado após a retirada do espéculo. Paciente em litotomia dorsal. Uma mão fica no abdome e os dedos
indicador e médio da outra são introduzidos na vagina.

12.1 O QUE AVALIAR

ESTRUTURA O QUE AVALIAR

Colo do útero Consistência (normal = cartilaginosa/firme)


Mobilidade (normal = móvel)
Dor à mobilização (sinal de inflamação/DST)
Corpo do útero Tamanho (normal ≈ punho fechado)
Forma (piriforme)
Mobilidade (normal = móvel)
Dor
Posição (anteversoflexão, retroversoflexão)

Anexos (tubas e ovários) Massas


Dor (ooforite, prenhez ectópica)
Mobilidade

Sinal de Hegar: amolecimento do istmo uterino — sugestivo de gravidez.


Dor à mobilização do colo: altamente sugestivo de doença inflamatória pélvica (DIP) ou prenhez ectópica.

QUADRO-RESUMO: PONTOS CHAVE PARA A PROVA

TEMA PONTO-CHAVE

Frequência do Papanicolaou Anual; a cada 3 anos após 2 normais; 5 anos se DNA-HPV negativo

Idade início do rastreio 25 anos (mulheres com vida sexual ativa)

ASC-H / HSIL COLPOSCOPIA IMEDIATA — independente da idade

ASC-US / LSIL ≥30 anos Repetir citologia em 6 meses; se persistir → colposcopia

NIC 2/3 Exérese da Zona de Transformação (EZT) ou conização

Sigilo adolescente A partir de 12 anos com discernimento; <14 anos = comunicar responsáveis

Relação sexual <14 anos SEMPRE estupro perante a lei, independente de ser recíproca

Consentimento Obrigatório antes de qualquer procedimento (exceto iminente perigo de vida)

JEC / Zona de Transformação Local de maior risco para lesões; deve ser representada no Papanicolaou

HPV baixo risco Tipos 6 e 11 → condilomas (verrugas)

HPV alto risco Tipos 16 e 18 (principais) → lesões intraepiteliais e CA

Vacinação HPV 9–14 anos, dose única (2024); meninos e meninas

Inspeção dinâmica das mamas Posições especiais para realçar retrações e abaulamentos

Sinal 'pele em casca de laranja' Edema linfático — sugere carcinoma inflamatório de mama

Toque bimanual — dor ao colo Sugestivo de DIP (Doença Inflamatória Pélvica) ou gravidez ectópica

Anamnese = diagnóstico 85% diagnóstico (anamnese) + 10% (exame físico) + 5% (exames)

Resumo elaborado com base nas aulas da Prof. Mariana Rocha Francisco – Habilidades Médicas IV e VII.
Referências: Código de Ética Médica 2019; Protocolos da Atenção Básica – Saúde das Mulheres 2016; INCA 2025;
Berek & Novak – Tratado de Ginecologia 16ª ed.; Cadernos CREMESP – Ética em Ginecologia e Obstetrícia;
Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero 2024/2025.

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