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Ben e Celeste compartilham uma conversa íntima sobre suas vidas, incluindo o passado de Ben e a gravidez de Celeste. Celeste revela que o pai do bebê não está presente e que ele é casado, enquanto Ben reflete sobre sua falecida esposa, Jennifer. A conversa flui entre momentos de desconforto e conexão, com ambos lidando com suas experiências e sentimentos.

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Ben e Celeste compartilham uma conversa íntima sobre suas vidas, incluindo o passado de Ben e a gravidez de Celeste. Celeste revela que o pai do bebê não está presente e que ele é casado, enquanto Ben reflete sobre sua falecida esposa, Jennifer. A conversa flui entre momentos de desconforto e conexão, com ambos lidando com suas experiências e sentimentos.

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Estava delicioso, obrigada! – De nada. – Ben engoliu em seco, sentindo-se desconfortável.

– Olhe, me desculpe se eu
destratei você no trabalho. – Você não fez nada disso – Celeste disse, franzindo a testa. – Fiz, sim – disse Ben –, ou
melhor, eu não deixei claro que nós já nos conhecíamos. – Está tudo bem. – Eu só gosto de manter as coisas separadas
do trabalho... – Está tudo bem – disse Celeste. – Esta noite nunca aconteceu. – Ela se virou para o lado onde ele estava,
e sorriu para ele. – Você está gostando do seu novo emprego? – É bom – Ben assentiu com a cabeça. – Você morava em
Sidney antes? – Celeste resolveu verificar, porque tinha ouvido Meg comentar a respeito. – Morava. – Ben não deu mais
detalhes. – Quanto tempo faz que você trabalha lá? Ela não respondeu por um momento, porque estava ocupada em se
acomodar novamente na areia, fechando os olhos de puro prazer. – Quase três meses. – Ela entreabriu um dos olhos. –
Eu não acho que eles ficaram particularmente felizes quando eu apareci para meu primeiro plantão. Felizmente, ele não
era politicamente correto o bastante para fingir que não tinha ideia do que ela estava falando. Em vez disso, ele
simplesmente sorriu, e Celeste fechou aquele olho e finalmente, finalmente, finalmente relaxou. – Meu Deus, isto é
bom. – Ela suspirou, depois de cinco minutos de um confortável e delicioso silêncio. E a vista também é boa, pensou
Ben, muito boa, sem dúvida. Os cílios dela tocavam suas faces de leve, os joelhos dela estavam levantados, e sua barriga
parecia se mover como se tivesse vontade própria... como a de Jennifer, pensou Ben, e então interrompeu aquele
devaneio abruptamente. – Então, não existe um sr. Mitchell? – ele perguntou. – Não. – Os olhos dela ainda estavam
fechados. – Você tem algum contato com ele, o pai do bebê? – Não. – Ele sabe? – Ben perguntou, embora não fosse da
conta dele. – Quero dizer, ele está ajudando você? – Ele achou que estava ajudando – disse Celeste. – Ele me deu
dinheiro para fazer um aborto. – Oh! – Ben olhou fixamente para ela. – Eu estava na residência de obstetrícia quando
descobri que estava grávida, e havia bebês por toda a parte... não que isso tenha feito com que eu quisesse um; eu
fiquei apavorada, na verdade, mas... – Você não precisa me contar mais nada, se não quiser. Mas ela queria; deitada ali,
com os olhos fechados, perdida e sozinha e realmente, realmente confusa. Talvez, como todos diziam, falar ajudasse a
clarear suas ideias. Valia a pena tentar, de qualquer modo, porque a ioga certamente não havia funcionado! – Ele é
casado. – Ela abriu os olhos então, e fechou-os de novo, e mesmo naquele pequenino espaço de tempo ela viu a
expressão dele mudar. Foi aquele momento em que você é julgada, opiniões são formadas, e a outra pessoa presume
saber tudo sobre você. – Eu não sabia disso, não que isso mude alguma coisa. – Vocês ficaram juntos por muito tempo?
– Ele quis saber. – Três meses. – Celeste fungou. – Ele foi o meu primeiro, verdadeiro…Eu simplesmente acreditei nele.
Quero dizer, eu sabia porque não saíamos com tanta frequência, e porque não podíamos frequentar a casa um do
outro... – Como? – Não importa – ela resmungou. – Então, para onde vocês iam? – Passear de carro, jantar, um hotel de
vez em quando... – Ela olhou nos olhos verdes e límpidos dele. – Ele é um pouco mais velho do que eu, bem mais velho,
na verdade – Celeste disse, e então ficou quieta por algum tempo. Certo ou errado, ele a estava julgando; estava
tentando não julgar, mas não conseguia. Por que as pessoas não pensavam? Por que as pessoas eram tão descuidadas?
E agora havia esse bebê... Ele fechou os olhos e pensou em Jennifer; nos planos que eles tinham feito, em quanto eles
haviam desejado um filho, e embora ele não dissesse uma palavra, ela podia sentir a censura dele. – Então, você nunca
cometeu um erro? – ela disse, na defensiva. – Eu cometi muitos – ele admitiu. – Mas nenhum caso, nada de que você se
arrependa. – Oh, eu me arrependo de muita coisa – disse Ben. – Você é solteiro, divorciado... – Ela soava como o
questionário no site de relacionamentos de Belinda, e ele se encolheu por dentro. – Viúvo – ele disse, e então foi a vez
dela de julgar, Ben sabia: ele já havia passado por aquilo muitas vezes. – Você sente muitas saudades dela? – ela
perguntou, gentilmente. – Sinto – Ben admitiu, e foi o suficiente. Ele deixou um pouco de areia escorrer por entre seus
dedos, concentrando-se nos pequeninos grãos em vez de em si mesmo, e então olhou para o relógio. – A eletricidade já
deve ter voltado, à esta hora. – E se tiver voltado? – Celeste sorriu. – Eu estou gostando da conversa... você estava me
contando como sente falta dela. Deus, ela era insistente. Ele realmente deveria se levantar e ir embora, mas ela havia
confessado tanto sobre si mesma, e, pegando outro punhado de areia, ele deixou que os grãos lhe escorressem pelo
punho cerrado e admitiu um pouco da verdade. – Eu sinto saudades por Jennifer, também. – O silêncio de Celeste era
paciente. – Ela amava viver. – Ele olhou para a água e quase pode ver o rabo de cavalo louro dela balançando enquanto
ela corria. – Ela estaria certamente correndo ou nadando agora, achando um tempo para fazer exercícios depois do
trabalho. – Ela se mantinha em forma? – Perfeita forma. – Ben assentiu, mas havia um pensamento dolorido ali porque,
apesar de Jennifer fazer tudo certo, apesar de seu estilo de vida saudável, no final nada havia adiantado. – O que ela
fazia? – Ela também era médica, da Emergência. – O que aconteceu? – Celeste perguntou, mas Ben sacudiu a cabeça,
sem querer comentar o assunto. – Vamos. – Já era realmente hora de ir, e não somente porque ele não queria falar
sobre aquilo. Ele estava fazendo um favor a ela. Uma mulher no estado de Celeste não precisava mesmo ouvir como Jen
havia morrido. Então, ele segurou as mãos dela e ajudou-a a se levantar, e eles caminharam lentamante de volta,
conversando distraidamente sobre isso e aquilo, até Celeste encontrar uma brecha novamente. – Você saiu com alguém
de novo... quero dizer, desde...? – Ela morreu há três, quase quatro anos – Ben disse, respondendo à pergunta não
formulada. – Oh. – Eu tive alguns encontros. – Ele deu de ombros. – Embora provavelmente fosse muito cedo. – Você
ainda as compara com ela? – Celeste perguntou, indo diretamente ao ponto até onde ninguém mais ousava ir, mas Ben
simplesmente ignorou a pergunta e, feliz com a distração, abriu os portões que davam para os apartamentos, mas
Celeste esperou pacientemente. – Ainda? – ela perguntou. – Como? – Você compara as outras mulheres com ela? Ela
era uma coisinha insistente, como um pequeno pica-pau, bicando a madeira, bicando... – Eu costumava comparar – Ben
admitiu. – Mas não agora, não é justo para ninguém. – Principalmente porque ela parece ter sido a Supermulher –
Celeste resmungou, e a resposta dela foi tão divertida que Ben sorriu. – Então – ela pressionou –, você está pronto
agora? – Talvez, mas não para nada sério.

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