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Tomás, sobrecarregado com problemas na empresa, é convencido por Ana a sair para relaxar, mas acaba se surpreendendo com a simplicidade de uma padaria. Durante o encontro, ele se abre para ela e admite que está começando a gostar dela, mas logo depois a demite, acreditando que ela traiu sua confiança ao vender informações. Ana, determinada a limpar seu nome, decide investigar a situação, mesmo sem a confiança de Tomás.

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Tomás, sobrecarregado com problemas na empresa, é convencido por Ana a sair para relaxar, mas acaba se surpreendendo com a simplicidade de uma padaria. Durante o encontro, ele se abre para ela e admite que está começando a gostar dela, mas logo depois a demite, acreditando que ela traiu sua confiança ao vender informações. Ana, determinada a limpar seu nome, decide investigar a situação, mesmo sem a confiança de Tomás.

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Tomás estava exausto.

Era visível em seus olhos, no peso de seus ombros, no jeito que apertava o nó da gravata como
se quisesse sufocar a própria frustração. O caos com a TechHaus, as incertezas, o medo de perder a empresa do pai—
tudo estava sobre ele como um peso impossível de carregar. Ana não suportava vê-lo assim. Por isso, sem pensar duas
vezes, ela tomou uma decisão. — Vamos sair. Ele piscou, como se não tivesse entendido. — O quê? — Sair. Dar um
tempo. Você está no limite. Precisa respirar. Ele soltou uma risada curta e sem humor. — Você enlouqueceu? Minha
empresa está desmoronando e você quer que eu saia? 99 Ela cruzou os braços. — Se quer salvar sua empresa, precisa
sair. Se quer tomar decisões certas, precisa clarear a mente. E se acha que vai conseguir resolver tudo se afundando em
estresse, está se enganando. Ele não gostou daquilo. Era possível ver o conflito interno em seu rosto. Ele odiava perder
o controle, odiava ser forçado a fazer algo que não estava em sua programação. Mas, no fim, ele cedeu. Porque, no
fundo, sabia que ela estava certa. — Uma hora. Nada mais. Ana sorriu, satisfeita. — Isso é mais do que suficiente. Tomás
esperava qualquer coisa. Um restaurante caro, um lugar sofisticado e requintado, algo à altura de sua rotina
impecavelmente estruturada. 100 Mas não esperava uma vendinha de bairro. Quando Ana o guiou até uma pequena
padaria simples, com prateleiras de madeira e um aroma de pão recém-saído do forno, ele ficou parado na entrada,
franzindo a testa. — O que é isso? Ana pegou um pão recheado do balcão e pagou com uma nota amassada, depois se
virou para ele, mastigando com tranquilidade. — Chama-se “vida real”, Tomás. Você deveria experimentar às vezes. Ele
cruzou os braços, ainda sem entrar. — Não tem nada aqui. — Tem tudo que você precisa. Ele suspirou, mas entrou.
Pediu um café e um salgado, sentando-se na cadeira de metal diante dela, ainda parecendo deslocado. — Isso não faz
sentido. — Ele murmurou. 101 Ana sorriu de canto. — A preocupação não resolve nada. Só consome você. Se você não
aprende a parar, seu cérebro não funciona. Ele bufou, incomodado. Mas, depois de alguns minutos, ele começou a
relaxar. Eles conversaram. Ana fez algumas piadas sobre como ele era incapaz de se desconectar, e ele respondeu à
altura, rebatendo com ironias afiadas. E, pela primeira vez em muito tempo, Tomás Trindade riu. De verdade. E então,
sem aviso, ele a olhou de um jeito diferente. Mais profundo. Mais real. — Isso nunca aconteceu comigo antes. — Ele
disse, quase sem perceber. 102 Ana franziu a testa. — O quê? Ele bebeu um gole do café e pousou a xícara devagar. —
Me abrir tanto para alguém. Ela não soube o que responder. Porque ele estava sendo honesto. Pela primeira vez, sem
jogos, sem controle. E então, ele simplesmente disse: — Eu não sou de rodeios. Estou começando a gostar de você. Ana
paralisou. — O quê? Ele não desviou o olhar. — Isso é delicado para mim. Tenho um filho. Tenho uma empresa para
manter. Mas, de alguma forma, você entrou na minha vida e bagunçou tudo. 103 Ana sentiu o coração acelerar. Mas
antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele continuou: — E não gosto disso. A declaração a pegou de surpresa. —
Não gosta? — Não. — Ele passou a mão pelo rosto, exausto. — Porque isso significa que, pela primeira vez em muito
tempo, eu não estou no controle. Ana abriu a boca para responder. Mas, nesse exato momento, o celular de Tomás
tocou. Ele atendeu, e seu rosto ficou sério na mesma hora. — Estou indo agora. Ele desligou, se levantando de imediato.
— Temos que voltar. 104 O clima leve e inesperadamente íntimo desapareceu completamente. E o caminho de volta foi
feito em silêncio. Assim que chegaram ao escritório, Ana percebeu que havia algo estranho. Os funcionários olhavam
para ela de um jeito esquisito. Sussurros. Olhares desviados. Havia algo no ar. Ana olhou para Tomás, esperando que ele
dissesse algo. Mas, quando seus olhos encontraram os dele, ela percebeu que ele também a olhava diferente. E então,
ele disse as palavras que fizeram o chão sumir sob seus pés. — Você está demitida. O choque foi instantâneo. — O quê?
105 Ele jogou um monte de papéis sobre a mesa. — Você vendeu informações do nosso projeto para a TechHaus. Ana
sentiu o estômago afundar. — Eu não fiz isso! — Os documentos dizem o contrário. Ela pegou os papéis, as mãos
tremendo. Havia assinaturas, registros, tudo apontando para ela. Mas era mentira. Ela sabia que era mentira. Ela ergueu
os olhos, desesperada. — Tomás, você me conhece. Eu nunca faria isso. Seu olhar estava gelado. — Achei que conhecia.
106 O impacto daquelas palavras foi mais forte do que qualquer outra coisa. Ele estava decepcionado com ela. Ele
acreditava que ela o havia traído. E, sem lhe dar chance de se explicar, ele se virou. Como se nada mais precisasse ser
dito. Ana pegou suas coisas, desnorteada, e saiu. Quando chegou à rua, a cidade parecia distorcida. Sua vida tinha
virado de cabeça para baixo em questão de minutos. Ela sentou no ponto de ônibus, segurando os papéis como se
fossem uma piada cruel. Ela tinha sido acusada. Ela tinha sido traída. Mas uma coisa era certa. 107 Ela não deixaria isso
assim. Ela descobriria o que aconteceu. E limparia seu nome. Porque Tomás Trindade podia não confiar mais nela. Mas
ela confiava em si mesma. E não ia parar até provar a verdade.

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