0% acharam este documento útil (0 voto)
1 visualizações2 páginas

7

Eun-ha confronta seus pais sobre a venda da floricultura da avó, afirmando que não pode deixar que a memória dela seja reduzida a um preço. Apesar de sua determinação, os pais insistem na decisão de vender, levando Eun-ha a uma jornada emocional e a uma reflexão sobre sua identidade. Ao retornar à floricultura, ela encontra Min-jun, que representa uma conexão com o passado e a esperança de renovação.

Enviado por

rosadeandrade86
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
1 visualizações2 páginas

7

Eun-ha confronta seus pais sobre a venda da floricultura da avó, afirmando que não pode deixar que a memória dela seja reduzida a um preço. Apesar de sua determinação, os pais insistem na decisão de vender, levando Eun-ha a uma jornada emocional e a uma reflexão sobre sua identidade. Ao retornar à floricultura, ela encontra Min-jun, que representa uma conexão com o passado e a esperança de renovação.

Enviado por

rosadeandrade86
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Deu um passo à frente. — A floricultura não é só uma loja. É a vida da vovó.

É o lugar onde ela cuidou das pessoas com


flores, onde me ensinou que cada coisa tem valor, mesmo imperfeita. Vocês não podem reduzir tudo isso a um preço.
Não podem arrancar raízes como se fossem ervas daninhas. Os pais tentaram interromper, mas ela ergueu a voz — e foi
a primeira vez que falou mais alto do que eles. — Eu posso assumir a responsabilidade. Posso cuidar, mesmo que dê
trabalho. Não vou deixar que a memória dela seja vendida como se fosse qualquer coisa. Houve silêncio. Um silêncio
pesado, não de quem ignora, mas de quem foi atingido. O pai passou a mão pelo rosto, como se não reconhecesse a
filha diante dele. A mãe suspirou, sem palavras. Eun-ha se manteve firme. Pela primeira vez, não se escondeu atrás do
silêncio. Pela primeira vez, usou sua voz como quem assume o lugar que lhe cabe. E, naquele instante, percebeu que a
avó tinha razão: o silêncio guarda, mas é a palavra que aproxima. Por um instante, ela acreditou que havia conseguido:
que a firmeza de sua voz teria quebrado a decisão dos pais, que a lembrança da avó seria mais forte do que qualquer
cálculo de venda. Mas o pai suspirou fundo e disse, num tom cansado, quase definitivo: 43 — Entendo o que você sente.
Mas já tomamos essa decisão. Quando sua avó adoeceu, deixamos a floricultura de lado. As flores secaram, os clientes
foram embora. Agora não tem mais como voltar atrás. Olhou para os papéis diante dele e acrescentou: — Ainda não
temos comprador, mas é só questão de tempo. A mãe, em vez de suavizar, completou: — Não é fácil para nós também,
filha. Mas precisamos olhar para frente. Vender é o único caminho. Eun-ha ficou parada, sem conseguir respirar direito.
Sentiu como se a voz recém-nascida dentro dela tivesse se quebrado contra uma parede. Falara tudo o que nunca
ousara dizer, expusera seus sentimentos. E, ainda assim, nada mudara. Era como se a vida estivesse lhe ensinando uma
lição cruel: encontrar a própria voz não significava que o mundo se dobraria a ela. Voltou para o quarto sozinha,
arrasada. Sentou-se na beira da cama e pensou na avó, na floricultura, nas flores imperfeitas que ela tanto amava.
Agora tudo corria o risco de ser apagado, vendido, esquecido. Eun-ha apertou o rosto contra as mãos, deixando que as
lágrimas caíssem. 44 Capítulo 10 – O florescer da palavra Três meses haviam se passado desde o funeral. O luto já não
era dor aguda, mas uma ausência silenciosa que acompanhava Eunha em cada manhã. Em Seul, retomara as aulas,
retomara a rotina, mas não conseguia se desligar do que havia ficado para trás. A floricultura da avó continuava em sua
memória como se ainda pudesse abrir a porta e ouvir o tilintar da campainha. Nesses meses, Min-jun esteve ao lado
dela. Agora namoravam oficialmente, embora do jeito discreto que combinava com os dois: cafés pequenos,
caminhadas longas. Foi então que os pais anunciaram que a venda da floricultura estava prestes a se concretizar. — Já
encontramos um comprador — disse o pai, como quem fala de um negócio qualquer. — Não tem mais volta. As palavras
caíram como um golpe. Naquela noite, Eun-ha não conseguiu dormir. A notícia da venda ecoava dentro dela como uma
sentença que não aceitava recurso. Deitada na cama do quarto em Seul, olhava para o teto e lembrava-se da avó
caminhando entre as flores, do barulho suave da tesoura cortando caules, do cheiro de terra úmida nas manhãs. “Já
encontraram um comprador. Não tem mais volta.” As palavras do pai voltavam em sua mente, frias, definitivas. 45
Virou-se de lado, apertou o travesseiro contra o peito. Tinha a sensação de que, se ficasse em silêncio outra vez, a
memória da avó se perderia junto com a floricultura. Foi então que percebeu: falar não era mais uma escolha. Era
necessidade. Lembrou-se do passado: de como aceitara, sem protestar, quando os pais a matricularam em Biologia.
Naquele tempo, acreditou que era para o seu bem. Mas agora era diferente. Não se tratava apenas de carreira ou de
futuro profissional; tratava-se daquilo que permanecia. Daquilo que dava sentido ao que ela era. Levantou-se, andou
pelo quarto escuro. Abriu a janela e deixou o vento da noite entrar. A cidade, lá fora, não parava. Ônibus ainda
passavam, vozes se misturavam ao longe. E ela se sentia imóvel, presa entre a obediência de antes e a coragem que
precisava nascer.. Eun-ha respirou fundo. Decidiu. Não importava se o comprador fosse alguém estranho, indiferente ou
irredutível. Precisava ir até ele, olhar em seus olhos e dizer o que a avó significava, o que a floricultura representava.
Mesmo que fosse tarde, mesmo que nada mudasse, precisava tentar. Deitou-se de novo, mas já não era a mesma. O
sono não veio — mas a decisão, sim. Quando a manhã chegasse, pegaria o primeiro trem para Gwangju. Eun-ha não
contou a ninguém. Nem aos pais, nem aos colegas, nem a Min-jun. Pegou o trem de manhã cedo, levando apenas uma
mochila pequena, como quem foge em segredo. No fundo, não queria 46 explicações nem olhares de reprovação;
precisava fazer aquilo sozinha, precisava se colocar diante do lugar que a definira sem intermediários. A viagem pareceu
mais longa do que todas as outras. As janelas mostravam paisagens que corriam depressa, mas dentro dela o tempo se
arrastava. O coração batia com a expectativa de rever a floricultura — e com o medo de encontrá-la irreconhecível.
Quando desceu em Gwangju, caminhou devagar pelas ruas conhecidas. Cada esquina trazia um eco: a avó carregando
sacolas, as manhãs em que passavam juntas, o cheiro de pão quente vindo da padaria próxima. Mas nada doía tanto
quanto quando parou diante da porta da floricultura. O letreiro ainda estava lá, gasto pelo tempo. As janelas estavam
empoeiradas, e algumas flores secas, esquecidas em vasos, pareciam se curvar em despedida. Eun-ha passou a mão
pelo vidro: a poeira riscou seus dedos, deixando uma marca que a fez pensar em como a vida pode se desfazer em
silêncio, grão por grão, sem que percebamos. Empurrou a porta devagar. O tilintar da pequena campainha ecoou como
uma memória viva — era o mesmo som de anos antes, quando entrava para encontrar a avó no balcão. Só que, agora, o
que a recebeu foi o cheiro de pó e flores mortas. Deu alguns passos. As prateleiras estavam cobertas por uma fina
camada de poeira. Um vaso quebrado repousava no canto, e o balcão, que antes guardava tesouras e fitas coloridas,
parecia um altar abandonado. Eun-ha fechou os olhos por um instante e pensou: é assim que tudo acaba? Um lugar
cheio de vida se reduzindo a pó e silêncio? E foi então que ouviu. 47 Um som discreto, como o arrastar de algo no chão.
Abriu os olhos. Atrás do balcão, alguém estava de costas, ajeitando um ramo de flores frescas em um vaso limpo. A cena
destoava de todo o restante: no meio da poeira e da morte, havia mãos devolvendo vida. Eun-ha prendeu a respiração.
Quando ele se virou, com um sorriso tímido, quase surpreso, o coração dela disparou. — Você? — sussurrou. Era Min-
jun. Ali, de onde tudo havia começado, era ele quem a recebia

Você também pode gostar